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(*) UZIEL SANTANA

UFS: uma análise reflexiva, retrospectiva e perspectiva. (IV)

“Em foco: o programa Universidade Aberta do Brasil (UAB), o Centro de Educação Superior a
Distância da UFS e a expansão da UFS na Pós-graduação Stricto Sensu”
Neste quarto ensaio desta série que estamos desenvolvendo sobre a UFS, ainda com o olhar
focado no processo de expansão porque passa a nossa universidade federal, vamos analisar
hoje – nos mesmos moldes das análises até então realizadas – a expansão virtual da UFS no
interior e a expansão da UFS na pós-graduação stricto sensu.
A primeira – a expansão virtual da UFS no interior do Estado – dá-se através da
implementação em Sergipe do Programa do MEC “Universidade Aberta do Brasil (UAB)”,
constituído e desenvolvido no âmbito da UFS através do Centro de Educação Superior a
Distância (CESAD). Por sua vez, a recente expansão da UFS na pós-graduação strico sensu,
deu-se com a aprovação, pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior), de 7 novos mestrados e 2 novos doutorados.
Vamos tentar analisar, reflexiva e perspectivamente – com base no suporte fáctico que
temos lido, visto e ouvido e sempre com o objetivo de informar e despertar a sociedade
sergipana e a comunidade acadêmica, dirigente e dirigida, a respeito do que precisa ser
melhorado – , essas duas vias de expansão da nossa UFS.
O Sistema “Universidade Aberta do Brasil” - desenvolvido pelo Ministério da Educação –
é um programa que tem como objetivos principais, segundo consta do documento oficial do
MEC de projeção e desenvolvimento do mesmo, “a democratização, a expansão e a
interiorização da oferta de ensino superior público e gratuito nos municípios brasileiros que
não têm oferta de ensino superior ou cujos cursos ofertados não são suficientes para atender
a todos os cidadãos”.
Aqui em Sergipe, coube a UFS a implementação do Sistema UAB através do CESAD –
Centro de Educação Superior a Distância – e os municípios, inicialmente, contemplados e
enquadrados foram: Arauá, Areia Branca, Brejo Grande, Estância, Japaratuba, Laranjeiras,
Poço Verde, Porto da Folha e São Domingos.
Esses municípios funcionam como pólos presenciais onde se monta a estrutura mínima de
funcionamento da UAB. Prevê o projeto que a estrutura mínima é composta dos seguintes
elementos de infra-estrutura: “laboratórios de ensino e pesquisa, laboratórios de
informática, biblioteca, recursos tecnológicos dentre outros, compatíveis com os cursos que
serão ofertados”. O funcionamento de todo o processo ensino/aprendizagem, a partir disso,
dá-se virtualmente. O aluno – que pode ser qualquer cidadão que concluiu a educação
básica – essencialmente, não tem contato presencial com os professores e o sistema de
avaliação do mesmo segue as mesmas linhas da tão criticada LDB (Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional – Lei 9.394/96) que quase que abertamente proíbe a
reprovação.
O que podemos pensar e dizer a respeito desse programa do MEC? Basicamente o que já
dissemos no segundo artigo dessa série, quando fizemos uma analogia entre o programa de
expansão das IFES – o REUNI – e as políticas-públicas dos militares que ensejaram a
formação do MOBRAL e do Ensino Supletivo. No caso da UAB, as similitudes das
proposições político-educacionais que fundamentam um e outro programas (UAB e
MOBRAL) são quase totais. Quem conhece a história da educação desse país vai notar que
sim.
Em assim sendo, o que falamos quanto ao MOBRAL, no segundo artigo desta série, é o que
falamos agora: o intuito inclusivo do Governo Federal é louvável, assim como o foi no
passado. A expansão do ensino universitário em municípios como esses que foram
contemplados em Sergipe é, realmente, algo necessário, premente e imediato. Agora, que
fique claro à comunidade dirigente que o implementa que essa é uma política pública, tão-
somente, emergencial para socorrer aqueles que, em termos e perspectivas educacionais,
nada têm hoje. Não se pode tentar incultir no imaginário coletivo da sociedade sergipana
que uma política dessas é uma política inovadora e solucionadora dos problemas
educacionais, no ensino superior, do nosso Estado. Trata-se, tão-somente, de um “prato de
comida para quem tem fome”, isto é, uma espécie de Fome Zero da Educação. Não há
como dizer diferente.
Na realidade, a expansão e interiorização do ensino superior da UFS – nesses municípios –
deveria se dar como está ocorrendo em Itabaiana, com recursos próprios, advindos de
programas específicos, para implementação de unidades de ensino presencial.
No mais, acreditamos e torcemos para que o está projetado para a UAB em Sergipe seja,
realmente, implementado, porque, como afirmamos acima, em alguns municípios desse
Estado o direito fundamental à educação é uma realidade muito menos que virtual.
Pois bem. Falemos, agora, um pouco, como prometemos, sobre a expansão da UFS na pós-
graduação strico sensu com a implantação de novos cursos de mestrado e doutorado.
Tal notícia, realmente, merece aplausos da comunidade acadêmica local. É uma vitória
importante para a UFS, fruto da qualidade dos pesquisadores – mestres e doutores – dos
grupos de pesquisa existentes e, também – não se pode deixar de afirmar –, fruto das
incursões políticas da UFS na CAPES, já que o nosso ex-Reitor, Prof. Dr. José Fernandes
Lima, foi o Diretor de Programas da CAPES de 2004 a 2006. No caso, queremos crer que
prevaleceu a competência dos nossos grupos de pesquisa e da nossa Pró-Reitoria de Pós-
Graduação e Pesquisa, muito embora, por conhecermos como funciona a CAPES, sabemos
das suas atuações e avaliações muitas vezes políticas.
O fato é que 7 novos mestrados e 2 novos doutorados foram aprovados e esses agora se
juntam aos 10 programas de mestrado e dois de doutorado até então existentes, o que dá um
total de 17 programas de mestrado e 4 programas de doutorado. Isso, realmente, é de se
comemorar. Uma expansão de quase 100%.
Agora, sobre essa expansão, a preocupação que temos, conhecendo um pouco a história da
pós-graduação na UFS, é com o seguinte dado: todos os cursos de mestrado e doutorado da
UFS, nas avaliações trienais que a CAPES já realizou aqui, sempre obtiveram conceito 3
(três). E três é o conceito mínino! (o máximo é 7) A um passo de acontecer o
descredenciamento do Programa de Pós-graduação!
Esse ano, a CAPES está realizando novas avaliações. Oxalá possamos obter uma
qualificação melhor agora, tendo em vista os investimentos dos últimos dois anos feitos
pela atual composição da Reitoria. Mas o fato é que esperamos que esses novos programas
aprovados possam obter, no futuro, uma avaliação melhor, porque se não houver um
planejamento e investimento específicos, novamente, teremos, apenas, programas de pouca
representatividade e de módico grau de indispensabilidade e contribuição científica,
sobretudo, observando o que, em termos de ciência e tecnologia, outros programas de pós-
graduação em todo o país têm produzido.
Expansão com qualidade e planejamento estratégico é o que devemos sempre buscar para a
nossa UFS. Acreditamos que esse é o escopo maior da atual Administração. Aliás, sobre
esta atual gestão e os 39 anos da UFS, discorreremos no próximo artigo.

(*) Advogado. Professor da UFS – (ussant@ufs.br).