06/04/2015

Portal Lélio Braga Calhau

HOME

NOTÍCIAS

SOBRE

ARTIGOS

CRIMINOLOGIA

VIDEOCASTS

CLIPPING

CONTATO

BULLYING

Clique para pesquisar

OK

PSICOLOGIA

5 abr 2009

A influência do consumismo no aumento da criminalidade
juvenil

Busca por Autor
Adeildo Nunes

por Gláucia Ribeiro Moreira Araújo 

Tweet

0

Curtir 2 pessoas curtiram isso.

INTRODUÇÃO
Várias pesquisas e estudos realizados, com a finalidade de explicar o aumento da criminalidade, especialmente
a partir de 1996, demonstraram grande salto nos índices, trazendo em seu bojo fatores que comprovadamente
foram vetores da criminalidade.
 
Esses estudos foram direcionados para questões específicas da criminalidade juvenil. Diante disso, surge uma
proposta de pesquisa do fator “consumo”, essência do capitalismo, a fim de comprovar se opera discretamente
como pano de fundo para o incremento da criminalidade entre os jovens, ou seria meramente um dos
microelementos que constroem a dinâmica da criminalidade.
 
Os dados estatísticos apresentados à sociedade pelos órgãos da Defesa Social, revelam um acentuado
aumento da criminalidade verificado a partir de 1996. O que chama a atenção para os números apresentados,
é o destaque dos crimes violentos diretamente ligados aos crimes contra o patrimônio. Dado conexo e de
grande relevância, é o fato da concentração dos números de agentes e vítimas de tais crimes que se dá na
faixa etária jovem; motivo pelo qual, a presente pesquisa se restringe ao comportamento e à criminalidade dos
jovens com idade entre 12 e 18 anos.
 
A proposta do presente trabalho é investigar se a explosão do consumo influenciou no aumento da
criminalidade juvenil. Se tais processos sociais se desenvolveram dentro de um mesmo contexto, quais as
interferências deste novo modo de vida no aumento da criminalidade que envolve os jovens no Estado de
Minas Gerais.
 
A pesquisa busca traçar o perfil do adolescente, tecer conexões que possibilitem verificar a correlação entre o
novo modus vivendi da população jovem e a identidade que constroem diante da cultura do consumo,
verificando se há uma relação real entre esses fatos e a crescente onda de crimes.
 
1 REVISÃO DA LITERATURA
Associe­se a estas informações, dados da pesquisa realizada por Pogianelo (2004), que mostra a
acessibilidade que têm os jovens do Estado de Minas Gerais, às armas de fogo. Paralelo a isto, cresceu o
número de ocorrências de crimes violentos e das apreensões de armas de fogo, o que parece estar
estritamente correlacionado.
 
Vários fatores de ordem política, econômica e sociais, ocorridos ao longo da historia do Brasil são
considerados nesta pesquisa: Chaves (2005) pontua estes fatores, tomando como marco histórico a década de
60, quando a Criminologia, como ciência que estuda o crime, a pessoa do infrator, a vitima e o controle social
do comportamento delitivo, direciona seu foco para a sociedade. Após o golpe militar de 64, o Brasil sinalizava
mudanças com a abertura política. O povo clamava pela democracia. O Brasil vivia grande tensão e a
criminalidade começava dar indícios de avanço.
 
Em relação aos aspectos econômicos, no período de 1980 e 1983, a economia estagnada, já mostrava uma
significativa distancia entre ricos e pobres. Ao mesmo tempo em que crescia a população dos grandes centros
urbanos, crescia continuamente a pobreza e a criminalidade violenta.
 
Mudanças de governos e estratégias várias. Os planos econômicos adotados nos últimos nove anos tiveram
como resultado uma concentração de renda, da qual se deduz em contrapartida, uma grande “desigualdade
social”.
 
Mudanças na cultura também revelaram­se como fatores de influência no aumento da criminalidade, tendo seu
foco direcionado para a família. As conquistas e superações da mulher na sociedade, a ausência no lar, tanto
do pai como da mãe, produzindo uma educação informal das crianças. A maior parte dos jovens envolvidos na
criminalidade, sugerem uma ausência real ou de omissão dos pais, produzindo na personalidade daqueles
menores, indiferença, frieza e egoísmo (CHAVES 2005).
 
Houve, além de todo esse processo, uma mudança de valores, influenciada pela vida urbana, estimulada pela

http://www.leliobragacalhau.com.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/

Tweets Recentes
Tweets

Follow

Lélio Braga Calhau
@LelioCalhau

3h

Baixe aqui gratuitamente o ebook
"Direito Básicos do Consumidor e
Educação Financeira"!
educacaofinanceiraparatodos.com/direito‐consum
pic.twitter.com/5Hnm6l1i97

Tweet to @LelioCalhau

Facebook

Youtube

1/6

 confusão de pensamentos e rebeldia. Pressupõe dominação.   O neoliberalismo obediente à doutrina cega do capitalismo. alvos vulneráveis.leliobragacalhau. 2000). constroem suas identidades transitórias e tensas nos objetos de consumo (FISCHER. no auge da Revolução Industrial foi que o consumo passou a ser compreendido de formas caracteristicamente modernas. assim descrito na visão do sociólogo Don Slater (2002). aparentemente. por volta dos 12 (doze) anos e termina por volta dos 18 (dezoito). em que a produção revela­se como essência da modernidade. de interesse individual. e conseqüentemente mais suscetíveis às influências dos modismos propostos por esse mercado. A cultura do consumo. imagens da individualidade. veio designar a transição da infância para a idade adulta. A cultura do consumo é o modo dominante que permite estruturar e subordinar todas as outras formas. que leva a uma crise de identidade que estabelece uma luta estimuladora do pensamento lógico formal. vêm amadurecendo muito cedo. Nesta fase ocorre nos adolescentes uma ruptura na sua personalidade. em um raciocínio lógico. sua origem e seus efeitos A cultura do consumo é uma expressão que nos remete à era da pós­modernidade e do capitalismo pós­ fordista. já que. a sua prática constitui o lúdico. Ela define um sistema em que o consumo é dominado pelo consumo de mercadorias. restando pouco ou nenhum espaço para a reflexão e manifestações individuais. Esse modelo tem sido referenciado como um modo de reprodução cultural desenvolvido pelo Ocidente e que se estende desde o século XVIII até o presente. principalmente. de onde surgem os veículos necessários à propagação do consumo: shoppings. no contexto histórico. publicidade e o marketing.   Esse fato é razoavelmente explicável. trazendo a marca da cultura do consumo. normalmente com os pais. através do Estatuto da Criança e do Adolescente. só importando ao produtor atender os interesses do consumidor.   A Internet torna­se a influência avassaladora do mercado consumista americano que consolidou­se em grande parte do mundo mercantil. Houve neste período.   http://www. idéia de sociedade civil e da própria sociedade. papel de adultos. As meninas.   Partiu de uma tradição onde consumir significava esbanjar. tem­se que o trabalho precede a diversão. na medida em que manifesta sua autonomia e racionalidade. A ordem é consumir. Mas o comércio é que se apresentou como propulsor da transição da sociedade agrária tradicional para a sociedade moderna. em plena virada do século. De um ângulo é visto como um escravo irracional dos desejos materialistas. De outro lado. crianças e adolescentes participam avidamente da vida dos adultos e passam também a fazer parte da realidade do consumo e dos prazeres. e só então.com.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ Ver todos os Vídeos 2/6 . organizações e práticas que suportassem os novos tipos de mercado.1 A cultura do consumo. ao “boon” da exploração do trabalho.   O consumidor é o ator principal no contexto de desenvolvimento da cultura consumista pós­moderna. portanto. se estes papéis têm sido exercidos precocemente. após atingir certo nível de riqueza. e estes. com noções de economia.   A adolescência é uma fase caracterizada por um processo de reorganização interior denominado por alguns teóricos como “turbilhão”. Os jovens. ou “desorganizado”. O consumo restringia­se às necessidades básicas. o hedônico.   1. estava voltada para o trabalho. Essa ruptura refere­se também à separação do jovem de seus pais.   1. que passaram a fazer parte do cotidiano das classes sociais; a disseminação da cultura do consumo (moda – gosto); o desenvolvimento de infra­estruturas. Os recursos de imagem utilizados pela publicidade imprimem uma abundância de audiovisuais dirigidos às pessoas. termos sinônimos ou ao menos correlatos. de certo modo forçada. dos recursos produtivos. Na história econômica a modernização. de novos conceitos de status e cultura. momento em que se inicia um processo de desenvolvimento da própria identidade. um acúmulo de recursos. somente as necessidades por ele definidas podem legitimar as instituições econômicas e sociais. Poder­se­ia dizer que é a fase em que o adolescente encontra­se consigo mesmo. tudo isso se desenrolou através do processo de circulação de mercadorias. também de forma precoce tem se manifestado a puberdade. investimentos em energias de produção de meios de produção; uma contenção.   Conceitua­se a “cultura do consumo” destacada do termo consumo. chegando ao estabelecimento de novos vínculos objetais mais reais pela elaboração das fantasias pré­ edipianas e edipianas”. O comércio é que forneceu novas imagens e conceitos por meio dos quais o consumo foi reconhecido. 2002).   A omissão dos governos atuais nos programas de investimentos sociais. desperdiçar.   Vários autores preferem concordar com a idéia de que a fase adolescente inicia depois da infância. e onde a reprodução cultural é geralmente compreendida como algo a ser realizado por meio do exercício do livre­arbítrio pessoal na esfera privada da vida cotidiana. da razão e desejo. manipulado por produtores de larga escala.2 Adolescentes como atores no contexto neoliberal A criação do termo “adolescência”. o consumidor é visto como um herói. até o século XX. Este foi o entendimento adotado pela legislação brasileira. afogou a humanidade num ritmo de produção e consumo. onde o Ocidente se via como “civilizado e rico por direito” (Slater. base para o desenvolvimento das crianças e adolescentes alimentam os números dos “grupos alvos de exclusão social”.   Uma forma bem clara de situar a origem do consumo é pensar que na visão sociológica.   É comum na sociedade atual. A cultura era vista como excedente econômico. De fato. verificar­se crianças precocemente assumindo papel de adolescentes. Fase em que o indivíduo desperta para o relacionamento com seus pares (feminino ou masculino) e busca a construção de uma personalidade estável. Partindo desta visão. No final do século XVIII “consumo” tornou­se um termo discutível sem tensões e compreendido segundo Smith (1986) como a única finalidade e propósito de toda a produção. especialmente na educação. Moujan (1993). define assim a adolescência:   “A adolescência é estado confusional transitório criado pela amplidão dos processos de luto e do polimorfismo zonal libidinal e agressivo. caracterizadores da cultura de consumo. que provoca alterações do humor e do comportamento que se apresenta variável e imprevisível. um psicanalista argentino. governo.06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau industrialização e pelo crescimento econômico. Esse fenômeno tem levado observadores a uma reflexão no conceito de adolescente e puberdade. Analiticamente falando. das funções discriminadoras e sintéticas do ego e protetoras do superego. seguiu­se à industrialização.   Por óbvio. a sociedade se permitia a “opção cultural” pelos bens desejáveis. E o lugar privilegiado de constituição de identidades se desloca da família e da escola para a mídia.   Atualmente.

 negada ou deformada por seu ego. Coca­Colas.   Hetkowski e Gewehr (1999) em seu artigo atribui ao processo de globalização a propagação do modo de produção capitalista baseado no consumo. portanto. ele precisa ser capaz de desenvolver um senso de identidade pessoal. De modo contraditório. Diante desta assertiva Straus (1994) propõe que antes de ser resolvido o debate entre os pesquisadores sobre o que constitui um desenvolvimento adolescente normal. na conceituação do que convencionou chamar de “a crise do adolescente” e de seu “problema de identidade”. como: “você precisa TER para SER”. eles são naturalmente afetados por sua interação com o grupo de iguais. raciais e étnicos.   Com a consolidação do capitalismo a sociedade entrou na “era das comunicações de massa”. Como bem expressa Anna Freud (1978) “ser normal durante o período adolescente é em si anormal”. a fim de afirmar com eficiência a sua posição no mundo. o jovem brasileiro dá muito valor à aparência: 60% (sessenta por cento) acreditam que pessoas mais bonitas têm mais oportunidades na vida. Esses fatores transportam o jovem para fora da realidade.   Segundo Hetkowski e Gewehr (1999): o ser humano é vulnerável a influências. a mentalidade consumista do mundo atual. Há. como o norte­americano. a puberdade precoce explica­se como sendo a interferência do panorama social no biológico humano. uma forma de ligação emocional com um objeto. portanto.com. interage de forma íntima e muitas vezes velada. Como bem expôs Hetkowski e Gewehr (1999). sendo que 82% dos entrevistados preferem morar com os pais a assumir responsabilidades. Channel’s. corroborando e confirmando cada vez mais os ideais do sistema capitalista. Nikes. não é a religião “o ópio do povo”. esta tendência mundial interfere na cultura e cria forma de agir e pensar de certa forma “homogênea”. expondo­o a uma suscetibilidade de influências. Apresentam certa insegurança em relação ao futuro. torna a sociedade sujeita ao despotismo do capitalismo. incutindo seus produtos no âmbito global. Quando o organismo do adolescente se transforma. Tais apelos repetem­se dia e noite. com repercussões seriíssimas no desenvolvimento do adolescente. e sim a mídia e seu show de efeitos especiais que escondem o ser humano em BMW’s. além do que se observa como efeitos da intensa influência do consumismo no comportamento dos jovens. “uma sensação de nau à deriva”.”   A “crise de identidade” é. com referência especial aos adolescentes. totalizadora da própria pessoa.3 Formação da identidade dos jovens e o sistema capitalista O psicólogo Erik Erikson (1976) observa que a adolescência é marcada por um aumento dos conflitos caracterizados por uma flutuação normal e necessária da força do ego. a visão que eles próprios fazem de si. A identidade é uma idéia integradora. ideologias.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ 3/6 . que tem como conseqüência a descaracterização da cultura local e nacional. Na tentativa de preencher o vazio causado pela perda da identidade antiga. pois. escrava do consumo. o que deveria ser motivo de preocupação.   A globalização. a fim de identificar os valores e comportamentos dos jovens com idade entre 15 e 30 anos. Como postula Erikson (1976) “sem um senso vigoroso de quem são. principalmente do adolescente.   Há uma fragilidade neste estágio de desenvolvimento do indivíduo adolescente. um panorama geral do processo psicológico de formação da identidade adolescente comum no desenvolvimento humano. E esclarecem que. o mesmo meio que veicula os direitos garantidos pelo regime democrático de direito. definiu da seguinte forma o perfil do jovem brasileiro: “vaidade exacerbada. vive sob os entorpecentes efeitos dos meios de comunicação. pelas opções de participação no mundo adulto. assumindo tudo aquilo que é negado ou proibido por seu grupo familiar ou social. devido ao fato de apoiarem seu desenvolvimento nos modelos estáveis economicamente. Esta ligação é de grande importância para a formação da identidade adulta. excesso de hedonismo e individualismo” (Menes. a sociedade. Esta colocação é bem explicada por Telles (2004). neste processo de construção da identidade uma interação social em que o indivíduo se liga emocionalmente ao objeto. e. um fenômeno psicossocial ligado a uma cultura particular. pela cultura da época. mas ao contrário. O estilo de vida norte­americano. Exatamente neste momento que surgem os problemas mais comuns da atualidade.   A instabilidade que vive o adolescente faz com que ele busque modelos que inspirem o adulto que quer ser. segundo Achugar (1994) e Beyaut (1994). porque se a sociedade muda. primordialmente. divulgando produtos. O adolescente se identifica temporariamente com as mais variadas pessoas.   Uma pesquisa realizada pela MTV no início de maio de 2005[1].leliobragacalhau. à pressão dos companheiros e a distúrbios psicológicos mais graves. impregnando a vida diária do sentimento de que tudo e todos são descartáveis. Frases do tipo “Você precisa ter”.   Freud (1996) explica que o processo de identificação é. e que se tornam um desafio para o próprio jovem: a ausência paterna. assim como sua manutenção. “regime da livre escolha”. só foi possível. pelas alterações na estrutura e no funcionamento da família.   1. falta de rumo.   Segundo a pesquisa realizada. fruto de interações sociais.   Interessante apontar nesta pesquisa. E os países em desenvolvimento são os mais influenciados.06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau Deste modo. que tem por finalidade precípua manter esse estilo de vida e a ordem social. capitalista. deve­se considerar as estruturas familiares em mudança e outros fatores sócio­econômicos. através da comunicação de massa. http://www. são tentativas provisórias de manter uma identidade. muda também a busca de identidade do adolescente. pois. o ego percebe uma ruptura de continuidade da unidade. e o adolescente se vê com um corpo estranho. percebida. Mc Donald’s e tantos outros símbolos do consumo e da sociedade como um todo.   A partir destes conflitos e das lutas que se travam no adolescente. Nesta fase. 2005). E os adolescentes são os alvos prediletos dessa tendência social. Enquanto Mato (1996) entende a identidade com um processo de construção simbólica. e esta inter­relação traz conseqüências na formação da identidade dos adolescentes contemporâneos. como afirmavam Marx e Freud. difundido para todo o mundo. repercute na consciência do consumidor. aspectos que não são inteiramente assimilados e elaborados em seu ego. os adolescentes tornam­se vulneráveis à delinqüência. vale qualquer coisa para ter uma nova identidade. e 15% (quinze por cento) dos jovens abririam mão de 25% de inteligência por 25% de beleza. o conceito de adolescência não se define mais como o efeito do biológico humano (puberdade) sobre o papel social do indivíduo. Às vezes apresenta identidades negativas.   Tem­se.   Os apelos das propagandas exibidas na mídia demonstram a grande pressão exercida sobre as pessoas. Esta homogeneização é fonte de graves descaracterizações nas culturas nacionais. com novos impulsos e sensações.

 se o Estado educasse e qualificasse os indivíduos da sociedade de modo igualitário para compreender esses números. a sua proliferação na sociedade parece sempre indicar um desajuste social. aumentando de 19% para 71% de usuários. a criminalidade econômica como criminalidade transnacional.com.   Os recursos utilizados pelos jovens entrevistados em 1999 se tornaram acessíveis a um número muito maior de usuários. até então voltadas para o estudo do crime sob o enfoque da inadaptação do indivíduo. ao crime. que surge como um indicador para a análise do crime.   TABELA 1 Comparação do crescimento do uso da tecnologia no cotidiano da parcela mais abastada da população jovem entre os anos de 1999/2005 Tecnologia de uso              Pesquisa de 1999 (%)           Pesquisa de 2005 (%) Celular                                   19%                                                71% Computador                        22%                                               46% Internet                                 15%                                               66% Torpedo                                  ­                                                    79% Blog                                           ­                                                    79% Fotoblog                                 ­                                                     77% Orkut                                        ­                                                    48% Messenger                             ­                                                      43% Fonte: Pesquisa realizada pela MTV por MENES. portanto. 48% já passaram pelo o Orkut. Menes (2005) apresentou numa amostra de 2. Mas esta resposta não é generalizada. Não há relação direta entre pobreza e criminalidade. pertencentes a classes sociais variadas. Através desse posicionamento da Criminologia.06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau   Apesar de serem pessoas com menor poder financeiro. e 43% usam o Messenger.   2. são os jovens o público­alvo que mais é persuadido pelas campanhas de publicidade. crescendo assim hipersensíveis ao prazer. A neofilia é a patologia da sociedade contemporânea.4% do PIB. Cerca de 79% dos jovens usam o “torpedo” do celular para falar com os amigos. os 20% mais pobres (32.leliobragacalhau. necessário dimensionar o grau de pressão que os impele ao desvio de conduta. Ione Maria. 77% sabem o que é Fotoblog. Esses desvios de comportamento sugerem uma forma de adaptação. incapazes de entender o significado da TV e o propósito da propaganda. o tráfico de drogas. segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística – IBGE. verificando que houve um crescimento vertiginoso do uso da tecnologia no cotidiano da parcela mais abastada da população jovem. Valores do jovem brasileiro. base da pirâmide. com a violência em todas as suas formas.   De todas as teorias propostas. gerando uma crescente onda de violência urbana como fruto da mais injusta distribuição de renda do mundo. Os fatos demonstram a necessidade de medidas urgentes que evitem a convulsão social sugerida pela realidade.   Para melhor compreender a agudez da desigualdade.   Voltando à referência sobre a pesquisa realizada pela MTV.   A ingerência do Estado. não são dados seguros para aferir uma correlação desses “atos infracionais” ao desejo de consumo desses menores. se deparou com uma mudança radical da sociedade por volta de 1960.5 milhões) do PIB nacional que é de R$900 bilhões.5% (R$22. A mídia é responsável por criar novas necessidades. 1996) atribui maior propensão para o comportamento criminoso ao grupo dos jovens.   3. enquanto a razão ainda não é capaz de detê­los. o que os muros não evitam.   Esse desequilíbrio na sociedade provoca uma pressão em seus membros fazendo com que alguns se engajem em comportamentos não conformistas. há um consenso: a pobreza ou ausência de educação formal não seriam fatores causais suficientemente fortes para justificar o crime (Quételet in Magalhães.   A cultura do consumo como realidade atual.359 jovens entrevistados. O que se torna evidente em todos os posicionamentos é a presença de desigualdades sócio­econômicas. Certamente. comparado com a mesma pesquisa realizada no ano de 1999 (TAB 1). impõe às classes mais baixas demandas incompatíveis. o equivalente a R$570.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ 4/6 . especialmente nas regiões metropolitanas. enquanto que os 20% mais ricos abocanham 63. Os celulares despontam como o bem mais cobiçado. levam ao confronto da realidade social.6 milhões) dividem 2. e a avalanche de blogs e fotoblogs não passa despercebida pela geração plugada na Web: 79% dos jovens sabem o que é Blog. 1996). justificando a força e a paixão como propulsores do comportamento. O que se pretende esclarecer é o fato de situações sociais diversas exercerem pressões diferentes sobre determinados indivíduos que optam por condutas ilegítimas para atingirem seus objetivos. configurando a inovação como o modo de “adaptação” proposto por Merton[3]. a anomia se apresenta quando uma sociedade está em situação de desequilíbrio entre metas estabelecidas e os meios legítimos para atingi­las. sugerirem uma incidência maior. As crianças e jovens. Essa mudança traduziu na coexistência de manifestações criminosas ligadas ao subdesenvolvimento. que sustenta os 20% mais ricos.   Embora tido como fato normal.   Da conduta alternativa que emerge sob a tensão entre metas culturais que enfatizam o sucesso pessoal e a escassez de meios legítimos.   Quételet (Magalhães. a resposta é anômica[2]. abrangendo as mais modernas. CRIMINALIDADE E CONSUMISMO As ciências criminológicas. programa de mensagens instantâneas da Microsoft. entendida como a afinidade irresistível com tudo o que aparece como novidade resultante da doutrinação de massas.6 bilhões. Para Merton (1958). É. a principal rede de relacionamentos da Internet. Apesar dos registros de furtos e roubos de objetos tais como aparelhos celulares relógios e outros objetos de uso pessoal. eles seriam inadmissíveis pela população. aumentando para 46% e o acesso à Internet evoluiu de 15% para 66% dos jovens entrevistados. induzindo seus membros a um comportamento desviante e criminoso. cometidos por menores. O AUMENTO DA CRIMINALIDADE JUVENIL NO ESTADO DE MINAS GERAIS Desde 1980 verifica­se um aumento dos crimes violentos na sociedade brasileira. Os computadores apresentavam 22% de usuários. já era possível observar uma relação entre o subdesenvolvimento e a criminalidade. assim proposto pela teoria de Durkheim (1990) para quem “o crime é normal porque seria inteiramente impossível uma sociedade que se mostrasse isenta dele”. vez que todo objeto de furto ou roubo pode ser convertido em valores para serem gastos com o que desejarem consumir. Não se sabe ao certo se o crime aumenta a insegurança e a tensão relacionadas à situação http://www. É o que Lorenz (1974) denominou de neofilia. passam a desejar tudo o que lhe é apresentado.

br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ 5/6 .leliobragacalhau. No período de 1997 a 2004. reprodução ou qualquer uso do material publicado neste site sem a autorização de seus responsáveis http://www. Autor: Gláucia Ribeiro Moreira Araújo  Links Relacionados Escrivã de Polícia Classe Especial.   O aumento do número de jovens apreendidos no período de 1997 a 2004.   Os GRÁFICOS 3 e 4 mostram o número de menores apreendidos e o número de menores apreendidos sem armas de fogo.293%. enquanto as apreensões de armas cresceram 220% e a apreensão de jovens aumentou 4.06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau político­econômica do país ou esta é que desencadeia o processo de violência e criminalidade. o número de ocorrências de crimes violentos na Região Metropolitana de Belo Horizonte cresceu 287%. Todos os direitos reservados É expressamente proibida a cópia. e o fator social de estímulo ao consumo. com foco direcionado aos crimes contra o patrimônio. Especialista em Criminologiae em Direito Público.   Tendo em vista o intuito de verificar a correlação existente entre os crimes contra o patrimônio na categoria de crimes violentos.   Outro fator que não pode ser desprezado encontra­se embasado em pesquisa realizada por Pogianelo (2004). esta pesquisa se restringe à análise do envolvimento dos jovens do Estado de Minas Gerais. daPolícia Civil de Minas Gerais. Home |  Noticias |  Sobre |  Artigos |  Videocasts |  Clipping |  Galeria |  Publicações |  Criminologia |  Bullying |  Psicologia |  Contato © 2012 Lélio Braga calhau. os índices de criminalidade do Estado de Minas Gerais cresceram sobremaneira.Graduada em Direito. que tiveram grande destaque. no período em que se percebe o aumento acentuado da criminalidade. Coordenadora do Cursode Criminologia promovido pela Academia de PolíciaCivil de Minas Gerais em parceria com Instituto deEducação Continuada da PUC MInas.   Chaves (2005) observou que no ano de 1996. independente de estarem portando ou não armas de fogo cresceu mais que os registros de crimes violentos. um pico contínuo e acelerado. que retrata a facilidade do alcance dos jovens da cidade de Belo Horizonte em obter armas de fogo (GRAF 2).com. tomando neste último ano. despertando a atenção da sociedade e das autoridades. Estes dados se confirmam através das estatísticas realizadas pela Polícia Militar de Minas Gerais.   A primeira observação a ser feita é que durante o período de 1986 a 1996 as taxas de crimes contra o patrimônio e crimes violentos mantiveram­se estáveis. Nenhum comentário registrado Nome (obrigatório)  Email (não será publicado) (obrigatório)  Seu comentário  Enviar comentário Nenhum comentário ainda.

06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau http://www.com.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ 6/6 .leliobragacalhau.