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5 abr 2009

A influência do consumismo no aumento da criminalidade
juvenil

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Adeildo Nunes

por Gláucia Ribeiro Moreira Araújo 

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INTRODUÇÃO
Várias pesquisas e estudos realizados, com a finalidade de explicar o aumento da criminalidade, especialmente
a partir de 1996, demonstraram grande salto nos índices, trazendo em seu bojo fatores que comprovadamente
foram vetores da criminalidade.
 
Esses estudos foram direcionados para questões específicas da criminalidade juvenil. Diante disso, surge uma
proposta de pesquisa do fator “consumo”, essência do capitalismo, a fim de comprovar se opera discretamente
como pano de fundo para o incremento da criminalidade entre os jovens, ou seria meramente um dos
microelementos que constroem a dinâmica da criminalidade.
 
Os dados estatísticos apresentados à sociedade pelos órgãos da Defesa Social, revelam um acentuado
aumento da criminalidade verificado a partir de 1996. O que chama a atenção para os números apresentados,
é o destaque dos crimes violentos diretamente ligados aos crimes contra o patrimônio. Dado conexo e de
grande relevância, é o fato da concentração dos números de agentes e vítimas de tais crimes que se dá na
faixa etária jovem; motivo pelo qual, a presente pesquisa se restringe ao comportamento e à criminalidade dos
jovens com idade entre 12 e 18 anos.
 
A proposta do presente trabalho é investigar se a explosão do consumo influenciou no aumento da
criminalidade juvenil. Se tais processos sociais se desenvolveram dentro de um mesmo contexto, quais as
interferências deste novo modo de vida no aumento da criminalidade que envolve os jovens no Estado de
Minas Gerais.
 
A pesquisa busca traçar o perfil do adolescente, tecer conexões que possibilitem verificar a correlação entre o
novo modus vivendi da população jovem e a identidade que constroem diante da cultura do consumo,
verificando se há uma relação real entre esses fatos e a crescente onda de crimes.
 
1 REVISÃO DA LITERATURA
Associe­se a estas informações, dados da pesquisa realizada por Pogianelo (2004), que mostra a
acessibilidade que têm os jovens do Estado de Minas Gerais, às armas de fogo. Paralelo a isto, cresceu o
número de ocorrências de crimes violentos e das apreensões de armas de fogo, o que parece estar
estritamente correlacionado.
 
Vários fatores de ordem política, econômica e sociais, ocorridos ao longo da historia do Brasil são
considerados nesta pesquisa: Chaves (2005) pontua estes fatores, tomando como marco histórico a década de
60, quando a Criminologia, como ciência que estuda o crime, a pessoa do infrator, a vitima e o controle social
do comportamento delitivo, direciona seu foco para a sociedade. Após o golpe militar de 64, o Brasil sinalizava
mudanças com a abertura política. O povo clamava pela democracia. O Brasil vivia grande tensão e a
criminalidade começava dar indícios de avanço.
 
Em relação aos aspectos econômicos, no período de 1980 e 1983, a economia estagnada, já mostrava uma
significativa distancia entre ricos e pobres. Ao mesmo tempo em que crescia a população dos grandes centros
urbanos, crescia continuamente a pobreza e a criminalidade violenta.
 
Mudanças de governos e estratégias várias. Os planos econômicos adotados nos últimos nove anos tiveram
como resultado uma concentração de renda, da qual se deduz em contrapartida, uma grande “desigualdade
social”.
 
Mudanças na cultura também revelaram­se como fatores de influência no aumento da criminalidade, tendo seu
foco direcionado para a família. As conquistas e superações da mulher na sociedade, a ausência no lar, tanto
do pai como da mãe, produzindo uma educação informal das crianças. A maior parte dos jovens envolvidos na
criminalidade, sugerem uma ausência real ou de omissão dos pais, produzindo na personalidade daqueles
menores, indiferença, frieza e egoísmo (CHAVES 2005).
 
Houve, além de todo esse processo, uma mudança de valores, influenciada pela vida urbana, estimulada pela

http://www.leliobragacalhau.com.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/

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 também de forma precoce tem se manifestado a puberdade. principalmente. afogou a humanidade num ritmo de produção e consumo. De fato. publicidade e o marketing. normalmente com os pais.1 A cultura do consumo. somente as necessidades por ele definidas podem legitimar as instituições econômicas e sociais. por volta dos 12 (doze) anos e termina por volta dos 18 (dezoito). investimentos em energias de produção de meios de produção; uma contenção. O comércio é que forneceu novas imagens e conceitos por meio dos quais o consumo foi reconhecido. Moujan (1993). O consumo restringia­se às necessidades básicas. de certo modo forçada. após atingir certo nível de riqueza.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ Ver todos os Vídeos 2/6 .   1. que leva a uma crise de identidade que estabelece uma luta estimuladora do pensamento lógico formal. um acúmulo de recursos. idéia de sociedade civil e da própria sociedade. onde o Ocidente se via como “civilizado e rico por direito” (Slater. até o século XX.leliobragacalhau. Os jovens.   1. confusão de pensamentos e rebeldia. alvos vulneráveis. o hedônico. da razão e desejo. momento em que se inicia um processo de desenvolvimento da própria identidade.   É comum na sociedade atual. em plena virada do século.   Por óbvio. define assim a adolescência:   “A adolescência é estado confusional transitório criado pela amplidão dos processos de luto e do polimorfismo zonal libidinal e agressivo. na medida em que manifesta sua autonomia e racionalidade. assim descrito na visão do sociólogo Don Slater (2002). seguiu­se à industrialização. caracterizadores da cultura de consumo. chegando ao estabelecimento de novos vínculos objetais mais reais pela elaboração das fantasias pré­ edipianas e edipianas”. estava voltada para o trabalho.   A adolescência é uma fase caracterizada por um processo de reorganização interior denominado por alguns teóricos como “turbilhão”. se estes papéis têm sido exercidos precocemente.06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau industrialização e pelo crescimento econômico. Poder­se­ia dizer que é a fase em que o adolescente encontra­se consigo mesmo. governo. tudo isso se desenrolou através do processo de circulação de mercadorias. e estes. constroem suas identidades transitórias e tensas nos objetos de consumo (FISCHER. a sociedade se permitia a “opção cultural” pelos bens desejáveis. Na história econômica a modernização. Houve neste período. no contexto histórico. Esse modelo tem sido referenciado como um modo de reprodução cultural desenvolvido pelo Ocidente e que se estende desde o século XVIII até o presente. Analiticamente falando.2 Adolescentes como atores no contexto neoliberal A criação do termo “adolescência”.   Partiu de uma tradição onde consumir significava esbanjar. aparentemente. As meninas. De um ângulo é visto como um escravo irracional dos desejos materialistas. em um raciocínio lógico. já que. dos recursos produtivos.   Esse fato é razoavelmente explicável. de onde surgem os veículos necessários à propagação do consumo: shoppings. das funções discriminadoras e sintéticas do ego e protetoras do superego. de interesse individual. sua origem e seus efeitos A cultura do consumo é uma expressão que nos remete à era da pós­modernidade e do capitalismo pós­ fordista. no auge da Revolução Industrial foi que o consumo passou a ser compreendido de formas caracteristicamente modernas. trazendo a marca da cultura do consumo. Partindo desta visão.com. manipulado por produtores de larga escala. termos sinônimos ou ao menos correlatos. o consumidor é visto como um herói.   O neoliberalismo obediente à doutrina cega do capitalismo. que provoca alterações do humor e do comportamento que se apresenta variável e imprevisível. desperdiçar. só importando ao produtor atender os interesses do consumidor. No final do século XVIII “consumo” tornou­se um termo discutível sem tensões e compreendido segundo Smith (1986) como a única finalidade e propósito de toda a produção.   Conceitua­se a “cultura do consumo” destacada do termo consumo. verificar­se crianças precocemente assumindo papel de adolescentes. 2002). ou “desorganizado”. veio designar a transição da infância para a idade adulta. portanto. com noções de economia.   O consumidor é o ator principal no contexto de desenvolvimento da cultura consumista pós­moderna. um psicanalista argentino. tem­se que o trabalho precede a diversão. A cultura do consumo. a sua prática constitui o lúdico. 2000). A ordem é consumir.   Uma forma bem clara de situar a origem do consumo é pensar que na visão sociológica.   http://www. restando pouco ou nenhum espaço para a reflexão e manifestações individuais. Mas o comércio é que se apresentou como propulsor da transição da sociedade agrária tradicional para a sociedade moderna. de novos conceitos de status e cultura. vêm amadurecendo muito cedo. que passaram a fazer parte do cotidiano das classes sociais; a disseminação da cultura do consumo (moda – gosto); o desenvolvimento de infra­estruturas. imagens da individualidade. E o lugar privilegiado de constituição de identidades se desloca da família e da escola para a mídia. especialmente na educação. A cultura era vista como excedente econômico. e conseqüentemente mais suscetíveis às influências dos modismos propostos por esse mercado. crianças e adolescentes participam avidamente da vida dos adultos e passam também a fazer parte da realidade do consumo e dos prazeres. em que a produção revela­se como essência da modernidade. ao “boon” da exploração do trabalho. Este foi o entendimento adotado pela legislação brasileira. através do Estatuto da Criança e do Adolescente. Nesta fase ocorre nos adolescentes uma ruptura na sua personalidade. Pressupõe dominação. e onde a reprodução cultural é geralmente compreendida como algo a ser realizado por meio do exercício do livre­arbítrio pessoal na esfera privada da vida cotidiana. Ela define um sistema em que o consumo é dominado pelo consumo de mercadorias. e só então. Esse fenômeno tem levado observadores a uma reflexão no conceito de adolescente e puberdade. Fase em que o indivíduo desperta para o relacionamento com seus pares (feminino ou masculino) e busca a construção de uma personalidade estável. A cultura do consumo é o modo dominante que permite estruturar e subordinar todas as outras formas. base para o desenvolvimento das crianças e adolescentes alimentam os números dos “grupos alvos de exclusão social”. Essa ruptura refere­se também à separação do jovem de seus pais. papel de adultos.   A Internet torna­se a influência avassaladora do mercado consumista americano que consolidou­se em grande parte do mundo mercantil.   Vários autores preferem concordar com a idéia de que a fase adolescente inicia depois da infância. Os recursos de imagem utilizados pela publicidade imprimem uma abundância de audiovisuais dirigidos às pessoas.   Atualmente. organizações e práticas que suportassem os novos tipos de mercado. De outro lado.   A omissão dos governos atuais nos programas de investimentos sociais.

 que tem como conseqüência a descaracterização da cultura local e nacional. Nesta fase. escrava do consumo. corroborando e confirmando cada vez mais os ideais do sistema capitalista. a sociedade. vale qualquer coisa para ter uma nova identidade. E os adolescentes são os alvos prediletos dessa tendência social. Esses fatores transportam o jovem para fora da realidade. os adolescentes tornam­se vulneráveis à delinqüência. Tais apelos repetem­se dia e noite. Diante desta assertiva Straus (1994) propõe que antes de ser resolvido o debate entre os pesquisadores sobre o que constitui um desenvolvimento adolescente normal.leliobragacalhau.   Interessante apontar nesta pesquisa. Coca­Colas. Como bem expressa Anna Freud (1978) “ser normal durante o período adolescente é em si anormal”. e esta inter­relação traz conseqüências na formação da identidade dos adolescentes contemporâneos. torna a sociedade sujeita ao despotismo do capitalismo. E os países em desenvolvimento são os mais influenciados. como afirmavam Marx e Freud. à pressão dos companheiros e a distúrbios psicológicos mais graves. Na tentativa de preencher o vazio causado pela perda da identidade antiga. e que se tornam um desafio para o próprio jovem: a ausência paterna. ideologias. O estilo de vida norte­americano. difundido para todo o mundo. interage de forma íntima e muitas vezes velada.   Uma pesquisa realizada pela MTV no início de maio de 2005[1]. devido ao fato de apoiarem seu desenvolvimento nos modelos estáveis economicamente. a mentalidade consumista do mundo atual. Channel’s. através da comunicação de massa. Esta ligação é de grande importância para a formação da identidade adulta. o ego percebe uma ruptura de continuidade da unidade. e.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ 3/6 .06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau Deste modo. excesso de hedonismo e individualismo” (Menes. na conceituação do que convencionou chamar de “a crise do adolescente” e de seu “problema de identidade”.   A partir destes conflitos e das lutas que se travam no adolescente. com repercussões seriíssimas no desenvolvimento do adolescente. falta de rumo. Como postula Erikson (1976) “sem um senso vigoroso de quem são. raciais e étnicos. De modo contraditório.”   A “crise de identidade” é. Quando o organismo do adolescente se transforma. Esta homogeneização é fonte de graves descaracterizações nas culturas nacionais. fruto de interações sociais. pela cultura da época. Esta colocação é bem explicada por Telles (2004). repercute na consciência do consumidor. um fenômeno psicossocial ligado a uma cultura particular. O adolescente se identifica temporariamente com as mais variadas pessoas. Como bem expôs Hetkowski e Gewehr (1999). 2005).   1. totalizadora da própria pessoa. E esclarecem que.   Segundo a pesquisa realizada. “regime da livre escolha”. pelas opções de participação no mundo adulto. impregnando a vida diária do sentimento de que tudo e todos são descartáveis. o mesmo meio que veicula os direitos garantidos pelo regime democrático de direito. Exatamente neste momento que surgem os problemas mais comuns da atualidade. Frases do tipo “Você precisa ter”. pelas alterações na estrutura e no funcionamento da família. portanto. porque se a sociedade muda. divulgando produtos. primordialmente. e sim a mídia e seu show de efeitos especiais que escondem o ser humano em BMW’s. e 15% (quinze por cento) dos jovens abririam mão de 25% de inteligência por 25% de beleza. percebida. o jovem brasileiro dá muito valor à aparência: 60% (sessenta por cento) acreditam que pessoas mais bonitas têm mais oportunidades na vida. uma forma de ligação emocional com um objeto. pois. vive sob os entorpecentes efeitos dos meios de comunicação. a puberdade precoce explica­se como sendo a interferência do panorama social no biológico humano.   Freud (1996) explica que o processo de identificação é. neste processo de construção da identidade uma interação social em que o indivíduo se liga emocionalmente ao objeto.   Hetkowski e Gewehr (1999) em seu artigo atribui ao processo de globalização a propagação do modo de produção capitalista baseado no consumo. Às vezes apresenta identidades negativas. capitalista. sendo que 82% dos entrevistados preferem morar com os pais a assumir responsabilidades. o que deveria ser motivo de preocupação. ele precisa ser capaz de desenvolver um senso de identidade pessoal. a visão que eles próprios fazem de si. mas ao contrário. esta tendência mundial interfere na cultura e cria forma de agir e pensar de certa forma “homogênea”. com novos impulsos e sensações. pois. Mc Donald’s e tantos outros símbolos do consumo e da sociedade como um todo. não é a religião “o ópio do povo”. um panorama geral do processo psicológico de formação da identidade adolescente comum no desenvolvimento humano. A identidade é uma idéia integradora.3 Formação da identidade dos jovens e o sistema capitalista O psicólogo Erik Erikson (1976) observa que a adolescência é marcada por um aumento dos conflitos caracterizados por uma flutuação normal e necessária da força do ego. como o norte­americano. como: “você precisa TER para SER”. são tentativas provisórias de manter uma identidade. com referência especial aos adolescentes. expondo­o a uma suscetibilidade de influências. que tem por finalidade precípua manter esse estilo de vida e a ordem social. só foi possível.   Segundo Hetkowski e Gewehr (1999): o ser humano é vulnerável a influências. http://www.   Há uma fragilidade neste estágio de desenvolvimento do indivíduo adolescente. Há. principalmente do adolescente. o conceito de adolescência não se define mais como o efeito do biológico humano (puberdade) sobre o papel social do indivíduo. muda também a busca de identidade do adolescente. a fim de identificar os valores e comportamentos dos jovens com idade entre 15 e 30 anos. deve­se considerar as estruturas familiares em mudança e outros fatores sócio­econômicos. “uma sensação de nau à deriva”. Nikes. aspectos que não são inteiramente assimilados e elaborados em seu ego. negada ou deformada por seu ego.   Os apelos das propagandas exibidas na mídia demonstram a grande pressão exercida sobre as pessoas. portanto. segundo Achugar (1994) e Beyaut (1994).   A instabilidade que vive o adolescente faz com que ele busque modelos que inspirem o adulto que quer ser. Enquanto Mato (1996) entende a identidade com um processo de construção simbólica. definiu da seguinte forma o perfil do jovem brasileiro: “vaidade exacerbada. além do que se observa como efeitos da intensa influência do consumismo no comportamento dos jovens.   Tem­se.com. assim como sua manutenção. e o adolescente se vê com um corpo estranho. Apresentam certa insegurança em relação ao futuro. assumindo tudo aquilo que é negado ou proibido por seu grupo familiar ou social. incutindo seus produtos no âmbito global. a fim de afirmar com eficiência a sua posição no mundo.   A globalização.   Com a consolidação do capitalismo a sociedade entrou na “era das comunicações de massa”. eles são naturalmente afetados por sua interação com o grupo de iguais.

 O AUMENTO DA CRIMINALIDADE JUVENIL NO ESTADO DE MINAS GERAIS Desde 1980 verifica­se um aumento dos crimes violentos na sociedade brasileira. comparado com a mesma pesquisa realizada no ano de 1999 (TAB 1). os 20% mais pobres (32. O que se torna evidente em todos os posicionamentos é a presença de desigualdades sócio­econômicas. base da pirâmide.   Voltando à referência sobre a pesquisa realizada pela MTV.   TABELA 1 Comparação do crescimento do uso da tecnologia no cotidiano da parcela mais abastada da população jovem entre os anos de 1999/2005 Tecnologia de uso              Pesquisa de 1999 (%)           Pesquisa de 2005 (%) Celular                                   19%                                                71% Computador                        22%                                               46% Internet                                 15%                                               66% Torpedo                                  ­                                                    79% Blog                                           ­                                                    79% Fotoblog                                 ­                                                     77% Orkut                                        ­                                                    48% Messenger                             ­                                                      43% Fonte: Pesquisa realizada pela MTV por MENES. a principal rede de relacionamentos da Internet. impõe às classes mais baixas demandas incompatíveis. Os celulares despontam como o bem mais cobiçado. se o Estado educasse e qualificasse os indivíduos da sociedade de modo igualitário para compreender esses números. A neofilia é a patologia da sociedade contemporânea. Apesar dos registros de furtos e roubos de objetos tais como aparelhos celulares relógios e outros objetos de uso pessoal. segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística – IBGE. não são dados seguros para aferir uma correlação desses “atos infracionais” ao desejo de consumo desses menores. pertencentes a classes sociais variadas.com. vez que todo objeto de furto ou roubo pode ser convertido em valores para serem gastos com o que desejarem consumir. Ione Maria.   3. Os computadores apresentavam 22% de usuários.6 bilhões. Menes (2005) apresentou numa amostra de 2. a criminalidade econômica como criminalidade transnacional. aumentando de 19% para 71% de usuários.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ 4/6 . são os jovens o público­alvo que mais é persuadido pelas campanhas de publicidade. passam a desejar tudo o que lhe é apresentado. induzindo seus membros a um comportamento desviante e criminoso. especialmente nas regiões metropolitanas. Não há relação direta entre pobreza e criminalidade. com a violência em todas as suas formas. crescendo assim hipersensíveis ao prazer. o que os muros não evitam. A mídia é responsável por criar novas necessidades.   Para melhor compreender a agudez da desigualdade.   Quételet (Magalhães. portanto. até então voltadas para o estudo do crime sob o enfoque da inadaptação do indivíduo. a anomia se apresenta quando uma sociedade está em situação de desequilíbrio entre metas estabelecidas e os meios legítimos para atingi­las. As crianças e jovens. há um consenso: a pobreza ou ausência de educação formal não seriam fatores causais suficientemente fortes para justificar o crime (Quételet in Magalhães. enquanto que os 20% mais ricos abocanham 63. justificando a força e a paixão como propulsores do comportamento. levam ao confronto da realidade social. Não se sabe ao certo se o crime aumenta a insegurança e a tensão relacionadas à situação http://www.5% (R$22. configurando a inovação como o modo de “adaptação” proposto por Merton[3]. que surge como um indicador para a análise do crime. 48% já passaram pelo o Orkut.   Esse desequilíbrio na sociedade provoca uma pressão em seus membros fazendo com que alguns se engajem em comportamentos não conformistas. o tráfico de drogas. que sustenta os 20% mais ricos. Essa mudança traduziu na coexistência de manifestações criminosas ligadas ao subdesenvolvimento. e a avalanche de blogs e fotoblogs não passa despercebida pela geração plugada na Web: 79% dos jovens sabem o que é Blog.   Os recursos utilizados pelos jovens entrevistados em 1999 se tornaram acessíveis a um número muito maior de usuários. ao crime. programa de mensagens instantâneas da Microsoft. 77% sabem o que é Fotoblog. assim proposto pela teoria de Durkheim (1990) para quem “o crime é normal porque seria inteiramente impossível uma sociedade que se mostrasse isenta dele”.   A cultura do consumo como realidade atual.359 jovens entrevistados. Cerca de 79% dos jovens usam o “torpedo” do celular para falar com os amigos. Mas esta resposta não é generalizada. gerando uma crescente onda de violência urbana como fruto da mais injusta distribuição de renda do mundo. necessário dimensionar o grau de pressão que os impele ao desvio de conduta. o equivalente a R$570.leliobragacalhau.4% do PIB. e 43% usam o Messenger.06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau   Apesar de serem pessoas com menor poder financeiro. a sua proliferação na sociedade parece sempre indicar um desajuste social. a resposta é anômica[2].5 milhões) do PIB nacional que é de R$900 bilhões. É.6 milhões) dividem 2. sugerirem uma incidência maior.   A ingerência do Estado.   2. verificando que houve um crescimento vertiginoso do uso da tecnologia no cotidiano da parcela mais abastada da população jovem. aumentando para 46% e o acesso à Internet evoluiu de 15% para 66% dos jovens entrevistados. se deparou com uma mudança radical da sociedade por volta de 1960. Valores do jovem brasileiro. 1996). O que se pretende esclarecer é o fato de situações sociais diversas exercerem pressões diferentes sobre determinados indivíduos que optam por condutas ilegítimas para atingirem seus objetivos. É o que Lorenz (1974) denominou de neofilia. enquanto a razão ainda não é capaz de detê­los. Através desse posicionamento da Criminologia. Certamente. 1996) atribui maior propensão para o comportamento criminoso ao grupo dos jovens. eles seriam inadmissíveis pela população. Esses desvios de comportamento sugerem uma forma de adaptação. incapazes de entender o significado da TV e o propósito da propaganda.   Da conduta alternativa que emerge sob a tensão entre metas culturais que enfatizam o sucesso pessoal e a escassez de meios legítimos. Para Merton (1958). Os fatos demonstram a necessidade de medidas urgentes que evitem a convulsão social sugerida pela realidade. entendida como a afinidade irresistível com tudo o que aparece como novidade resultante da doutrinação de massas.   Embora tido como fato normal. cometidos por menores. já era possível observar uma relação entre o subdesenvolvimento e a criminalidade.   De todas as teorias propostas. CRIMINALIDADE E CONSUMISMO As ciências criminológicas. abrangendo as mais modernas.

 com foco direcionado aos crimes contra o patrimônio. esta pesquisa se restringe à análise do envolvimento dos jovens do Estado de Minas Gerais.Graduada em Direito. independente de estarem portando ou não armas de fogo cresceu mais que os registros de crimes violentos. o número de ocorrências de crimes violentos na Região Metropolitana de Belo Horizonte cresceu 287%. enquanto as apreensões de armas cresceram 220% e a apreensão de jovens aumentou 4.   Outro fator que não pode ser desprezado encontra­se embasado em pesquisa realizada por Pogianelo (2004). Home |  Noticias |  Sobre |  Artigos |  Videocasts |  Clipping |  Galeria |  Publicações |  Criminologia |  Bullying |  Psicologia |  Contato © 2012 Lélio Braga calhau. despertando a atenção da sociedade e das autoridades. No período de 1997 a 2004. um pico contínuo e acelerado. daPolícia Civil de Minas Gerais. Estes dados se confirmam através das estatísticas realizadas pela Polícia Militar de Minas Gerais. Nenhum comentário registrado Nome (obrigatório)  Email (não será publicado) (obrigatório)  Seu comentário  Enviar comentário Nenhum comentário ainda. no período em que se percebe o aumento acentuado da criminalidade. Autor: Gláucia Ribeiro Moreira Araújo  Links Relacionados Escrivã de Polícia Classe Especial. Todos os direitos reservados É expressamente proibida a cópia. os índices de criminalidade do Estado de Minas Gerais cresceram sobremaneira. que retrata a facilidade do alcance dos jovens da cidade de Belo Horizonte em obter armas de fogo (GRAF 2). Especialista em Criminologiae em Direito Público.br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ 5/6 .com. reprodução ou qualquer uso do material publicado neste site sem a autorização de seus responsáveis http://www.   Tendo em vista o intuito de verificar a correlação existente entre os crimes contra o patrimônio na categoria de crimes violentos.06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau político­econômica do país ou esta é que desencadeia o processo de violência e criminalidade.293%.   Chaves (2005) observou que no ano de 1996. tomando neste último ano.leliobragacalhau.   Os GRÁFICOS 3 e 4 mostram o número de menores apreendidos e o número de menores apreendidos sem armas de fogo. Coordenadora do Cursode Criminologia promovido pela Academia de PolíciaCivil de Minas Gerais em parceria com Instituto deEducação Continuada da PUC MInas.   O aumento do número de jovens apreendidos no período de 1997 a 2004. que tiveram grande destaque. e o fator social de estímulo ao consumo.   A primeira observação a ser feita é que durante o período de 1986 a 1996 as taxas de crimes contra o patrimônio e crimes violentos mantiveram­se estáveis.

br/a­influencia­do­consumismo­no­aumento­da­criminalidade­juvenil/ 6/6 .com.06/04/2015 Portal Lélio Braga Calhau http://www.leliobragacalhau.