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Só os melhores MBA é que contam

Kátia Catulo,
i, 26 de Janeiro de 2010

http://www.ionline.pt/conteudo/43674-so-os-melhores-mba-e-que-contam

Uma pós-graduação de uma escola sem tradição é "irrelevante" para


subir na carreira, avisam os gestores

Não fique feliz só porque conseguiu tirar um MBA (Master Business Administration) numa
universidade estrangeira ou portuguesa. Os milhares de euros gastos na formação
académica podem servir de pouco na hora de se candidatar a um lugar de topo de uma
grande ou média empresa. Mais do que um diploma é preciso saber escolher a instituição.
"As escolas que têm menos peso são irrelevantes", avisa Luís Delgado, partner da Jason
Associates, empresa de consultoria de gestão de recursos humanos. Por isso, o primeiro
passo para tomar a decisão certa é conhecer o ranking mundial dos 100 melhores MBA
divulgado ontem pela revista americana "Financial Times".

As universidades anglo-saxónicas estão no topo (ver página ao lado), mas professores,


empresários e economistas alertam que a lista da revista norte-americana não é o única a
ser tida em conta: "Estes rankings nunca são neutros e a verdade é que cada uma delas
considera os critérios que são valorizados na sua própria cultura", explica Pedro Rebelo de
Sousa, da firma de advocacia SRS - Sociedade Rebelo de Sousa.

Mesmo assim, as universidades mais bem pontuadas pela "Financial Times" são também as
internacionalmente reconhecidas. É isso que vale na hora de escolher uma pós-graduação.
"Um MBA é sempre uma valorização desde que seja tirado numa instituição exigente",
adverte o empresário Henrique Neto. Pós-graduações há "aos milhares" e muitas delas sem
qualquer valor, esclarece o economista: "Mesmo nos Estados Unidos ou no Reino Unido, há
inúmeras escolas a oferecerem formação de qualidade duvidosa." Hoje, o mais importante
não é um MBA, mas sim a instituição onde se tirou a pós-graduação: "É aliás uma lógica
que se aplica igualmente às licenciaturas. O importante não é ser um engenheiro, mas um
engenheiro licenciado na Universidade do Minho ou no Instituto Superior Técnico."
Nem todas as empresas valorizam o esforço de quem arrisca investir tempo e dinheiro num
MBA. Há duas realidades distintas no sector empresarial. "Temos, por um lado, as
empresas de alto e médio porte que há quase 10 anos usam os MBA como elemento
diferenciador para recrutar os melhores candidatos e, por outro, as pequenas e médias
empresas, onde esse critério é quase irrelevante", defende Pedro Rebelo de Sousa, que elege
também as universidades europeias como o IE Business School (Espanha) ou SDA Bucconi
(Itália) como as melhores do mundo. A oferta portuguesa também é de qualidade, avisa o
advogado: "Os MBA da Universidade Católica, da Universidade Nova de Lisboa do ISEG ou
do ISCTE têm sido cada vez mais reconhecidos lá fora."

São sobretudo as áreas mais competitivas que apostam na qualificação dos seus candidatos,
diz o economista António Borges: "Nos sectores empresariais mais dinâmicos, o
recrutamento começa pelo MBA porque é um valor extraordinário." São portanto os que
procuram um crescimento rápido das suas empresas, os que competem a nível
internacional e os que têm necessidade de uma qualidade ao mais alto nível que valorizam
um master degree: "Estou convencido de que no nosso país, a banca, a consultadoria e as
multinacionais absorvem quase três quartos dos recursos humanos qualificados com MBA."

O certo é que ter hoje um Master Business Administration não é uma grande conquista:
"Há cada vez mais licenciados com MBA tirados aqui ou no estrangeiro e, por isso, o factor
de diferenciação passou a ser a instituição onde se tira a pós-graduação", esclarece Pedro
Fontes Falcão, director do Executive MBA, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e
da Empresa (ISCTE). Os institutos anglo-saxónicos têm maior tradição porque "há mais de
meio século" valorizam a investigação e o conhecimento, mas Fontes Falcão está
convencido de que as universidades portuguesas ganharam nos últimos anos um maior
reconhecimento internacional.

Valorizar quem tem um MBA é um critério de selecção que assumiu maior importância na
última década, mas a tendência mais recente passa sobretudo por avaliar as competências
pessoais: "A minha experiência permite-me concluir que as empresas estão cada vez mais
preocupadas em saber se o candidato tem um perfil adequado à cultura de empresa. Esse
aspecto tem mais importância do que o currículo académico e profissional", conta Luís
Delgado.