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Para ajudá-lo a encontrar

respostas claras
e concretas
às suas perguntas
MITOS,
LENDAS,
SÍMBOLOS
Os elementos

O Fogo
Seja do céu ou da terra, sagrado ou doméstico, do paraíso ou do inferno,
o fogo, elemento primordial, é a expressão do bem e do mal.

O fogo é criação, nascimento, prin­


cípio, luz original, alegria, ele­
mento divino ou divinizado pelo ho­
mem. Este, submerso nos mistérios da
noite, alegra-se quando seus olhos se
abrem para a luz do dia, iluminados
pelos raios benéficos do Sol. Mas o fo­
go é também elemento destruidor, já
que tudo queima. Esta ambivalência
foi rapidamente observada pelos nos­
sos antepassados, que fizeram do fogo
uma representação e um símbolo do
bem e do mal.

0 FOGO DOS DEUSES


Nem o homem primitivo, em primeiro
lugar, nem o homem da Antigüidade,
posteriormente, precisaram de instru­
mentos de medida para entender as van­
tagens que podiam obter do fogo e os
perigos a ele relacionados. Sua sobre­
vivência dependia do dia e do astro de
fogo (causa e efeito), da luz e do calor
que o fogo prodigaliza. Mas também
aprenderam a não confiar neste fogo que
às vezes caía do céu: o relâmpago,
o raio. Segundo eles, quando os
deuses queriam castigar os homens,
manifestavam sua desaprovação e sua
ira através dos fogos do céu. A terra
também cuspia fogo de suas mon­
tanhas. Por acaso não foi com um dedo
de fogo que Deus inscreveu, na cra­
tera de um vulcão, as letras dos Dez
Mandamentos sobre as Tábuas da Lei
dadas a Moisés?
O fogo é, portanto, princípio de vida,
revelação, iluminação, purificação, mas
também é paixão e destruição. O fogo
brilha esplendidamente no paraíso.
Queima com força destrutiva no
inferno. Dá a vida mas volta a tirá-
la e transforma-a em cinzas.
As origens da palavra fogo
A palavra latina ignis, que significa "fo-
go", mas também "chama, ardor de uma
paixão", foi empregada pelos tradutores
da Bíblia e pelos médicos para se referir
ao grego piro, piros, que pode ser hoje
encontrado nas palavras "pirotecnia" ou
"pirômano". Ignis prevalece ainda em
nossa língua em palavras como "ignífu-
go", "ignição" ou "ígneo".
No entanto, a palavra "fogo" provém do
latim clássico focus (lar onde o fogo está
aceso), que dará mais tarde foco. Assim,
é o fogo do lar familiar o que escolhe-
mos para designar o fogo sob todas as
suas formas, e não o da paixão (ignis), que
implica desordem. Sem dúvida que o fogo
quequeimano braseiro é um fogo bom.

HEFESTO, PROMETEU Prometeu, filho de Titã, roubou o fogo Encontram-se, no suplício de Prome­
E O FOGO MITOLÓGICO da forja dos deuses, nas costas de H e ­ teu, dois símbolos em analogia com
Hefesto-Vulcano, filho de Zeus-Júpiter festo, a fim de dá-lo aos homens que o fogo: primeiro, a águia, ave solar
e de Hera-Juno, era o deus do Fogo na ele criou. também chamada pássaro-trono, men­
mitologia grega. Reinava poderosamente Deste modo, Prometeu foi considerado sageira dos deuses que transporta o fo­
sobre o fogo dos vulcões e dos metais, benfeitor da humanidade, já que teve go do céu; e, em segundo lugar, o fí­
isto é, sobre a metalurgia. Era o habili­ a ousadia de tomar o fogo do céu, pri­ gado, considerado a moradia da alma,
doso ferreiro dos deuses. Como tal, for­ vilégio que só os deuses possuíam até ou, mais exatamente, o órgão pelo qual
java armas com perfeição, principalmen­ então, com o único objetivo de tornar a alma, geradora do alento vital, está
te para Aquiles. Participou na criação de mais agradável a vida dos homens. Pa­ unida ao corpo que anima. O fogo das
Pandora, a primeira mulher dos gregos, ra castigar, Zeus acorrentou-o a uma ro­ paixões da alma encontra-se no fíga­
a cujo corpo deu forma e cujos mem­ cha, com amarras de aço forjadas por do. Em hebraico, o termo fígado (ca¬
bros moldou com barro, segundo o mo­ Hefesto, e condenou-o a que uma águia ved) significa tanto fadiga, carga, como
delo das deusas imortais, antes de lhe lhe devorasse eternamente o fígado, que riqueza e poder, no sentido de poder
insuflar o alento vital. se reconstituía continuamente. divino.

Os deuses e os atributos do fogo


Gibil era o deus do Fogo entre os habitantes da Mesopotâmia, guardiãs. A piromancia e uma arte adivinhatória que consiste em
e Moloch o dos Cananeus e dos Cartagineses. Atar era o gênio ler augúrios e presságios nas chamas de um braseiro. Segundo
do Fogo da Pérsia de Mazdak e o deus-Fogo que tinha o poder a lenda, a Salamandra, animal metafórico, vive no fogo. É a guar-
de ler no coração dos homens; o seu templo chamava-se a Kaaba diã das chamas, a representação do dragão, o símbolo da ener-
de Zoroastro. Na Índia, Agni é o deus do Lar; Surya, o deus do gia primordial, a chispa vital, o fogo de Deus. Entre os antigos
Sol; Indra, o deus do Raio ou do Céu, e Brahma o deus supre- Romanos e Germanos, e mais tarde na Europa da Inquisição, sub-
mo, parecido com Fogo, segundo a tra- metia-se os presumíveis culpados aos chamados "juízos de Deus",
dição hindu. As Vestais, sacerdotisas que não eram mais que uma prova de fogo, que consistia em
de Vesta, a deusa grega do fogo do segurar numa barra de ferro em brasa. Se os submetidos a esta
lar doméstico, eram suas prova apresentassem queimaduras nas mãos, eram condenados.
As fogueiras de São João, que queimam na noite de 24 de junho,
eram no começo fogos de fertilização e purificação que se acen-
diam no dia do solstício de Verão (21 de junho), justamente antes
das colheitas, em honra aos deuses e para agradecer as suas bon¬
dades, ou imediatamente depois, para purificar a terra.
Os elementos

A Terra
Sustentadora, agreste, cultivada, a terra é um elemento vital que tudo dá e tudo volta a tirar.
Tudo vem da terra e tudo regressa a ela.

0 GRANDE PRINCÍPIO FEMININO por outro lado, o fato de tudo regres­


T erra é o nome que demos ao nos­
so planeta e que escrevemos com
T maiúsculo para distingui-lo do nome
A terra, matéria primordial, da qual
provém toda a vida, que dá e volta a
sar à terra implica que ela reina se­
gundo um princípio vital e fatal sem
do elemento primordial sobre o qual an­ tirar a vida, é selvagem, indomável, o qual a vida na Terra não seria possí­
damos, descansamos e que nos alimen­ maléfica ou cultivada, adaptável, be­ vel; este é o seu aspecto negativo, obs­
ta. A Terra, sobretudo, é sustentadora. néfica. É o grande princípio feminino curo, maléfico. De fato, assim como
O grande jardim da Terra, antes desta oposto ao céu, grande princípio mas­ a semente produzida pela planta ou
ser cultivada, oferecia-nos já a abun­ culino. pelo fruto, acaso o homem também
dância dos seus frutos. Assim, no Zodíaco, o eixo formado não volta à terra? " N u saí do ventre
Porém, os nossos antepassados sabiam pelos signos de Touro e Escorpião cor­ de minha mãe e nu voltarei a ele", diz
melhor que nós que é necessário dar à responde ao princípio feminino que faz Job (l,21).
Terra tanto quanto ela nos dá, e que não frente e se opõe ao princípio masculino A partir daí, para os nossos antepassa­
podemos separar a terra da Terra, a ma­ que lhe é complementar. O signo de dos era lógico que o reino dos mortos
téria do astro. Nos seus espíritos, a ma­ Touro está associado ao aparecimento estivesse no subsolo, no mundo sub­
téria e o astro confundiam-se na ima­ da vida vegetal no nosso planeta, ao terrâneo, onde se manifestam as forças
gem de uma divindade única, uma passo que o signo de Escorpião está em obscuras, as sombras, freqüentemente
deusa-mãe que, embora adotasse múl­ relação com o da vida animal. associadas à decomposição e à putre­
tiplas aparências conforme as crenças, O duplo aspecto positivo e negativo da fação. No entanto, o subsolo é ao mes­
as culturas e as civilizações, foi sempre terra reside nisto: por um lado, é gene­ mo tempo o lugar da fecundação e da
e em todas as partes idêntica. rosa e fecunda, produz uma grande va­ germinação, portanto, a esperança em
riedade de plantas e de frutos, nada se um renascimento, em uma ressurrei­
perde, tudo se transforma, já que as se­ ção, era sempre possível. Por esta razão,
mentes procedentes das plantas voltam acreditava-se que arremessar um pe­
à terra — a sementeira —, para que dê daço de terra era o que bastava para ex­
novas plantas e novos frutos. Porém, pulsar as forças nefastas e para conju-
Quando Perséfone foi raptada e se­
qüestrada no reino dos Infernos por
Hades, Deméter-Ceres, para manifes­
tar o seu desacordo e a sua ira, provo­
cou a esterilidade da terra e, em conse­
qüência, a seca e a fome. Esta lenda
ilustra os poderes de vida e morte que
sempre se reconheceram à Terra, já que
a seca e a fome são calamidades contra
as quais o homem — ainda hoje — é
impotente.

DEUSAS E DEUSES
DA TERRA NO MUNDO
Deméter-Ceres N o Egito, no panteão dos deuses —
segundo o relato mítico da formação
da Terra (a cosmogonia) de inspiração
menfítica (de Mênfis, cidade do An­
tigo Egito) —, Ptah, o grande de­
Tlaltecuehtli miurgo, é uma divindade masculina e
feminina.
U m destes textos diz: "É o pai dos
deuses e também a mãe. E a sua alcunha
Laksmi Ptah
é 'a mulher'. É o útero no qual se põe
rar a fatalidade vinculada à morte, ri­ é infinitamente receptiva e das a semente. Fez extrair a cevada do
tual que ainda hoje se conserva ao quais foi, ao princípio, o re­ homem e o trigo da mulher..."
enterrar os mortos. ceptáculo. Com efeito, ela en­ Mais tarde, Geb foi a deusa-mãe, re­
gendrou-as, como bem ilustra presentante da argila, da turfa, da ma­
GAEA E DEMÉTER o mito de Gaea e do nasci­ téria primordial, da terra sustentadora,
AS GRANDES DEUSAS mento dos deuses gregos. cultivável e fecunda.
DA TERRA Gaea, freqüentemente representada Na China, a criação da Terra é obra de
Segundo a mitologia com os traços de uma mulher de for­ P'an-kou, segundo o Chou Yi Ki, um
grega, Gaea, a grande mas arredondadas, cheias, generosas, texto do século VI da nossa era: "Os
deusa-mãe, foi a se­ é a Mãe Universal, potência ines­ seres vivos começaram com P'an-kou,
gunda divindade a apa­ gotável de fecundidade. Guar­ antepassado de dez mil seres do uni­
recer, depois de Caos, da também os segredos verso. Ao morrer P'an-kou, sua cabeça
que tinha engendrado a dos Destinos e preside, transformou-se em um pássaro sa­
Noite e o Dia. Dela nasce­ assim, à sorte de toda a huma­ grado, seus ossos no sol e na lua, sua
ram Urano, o Céu, as Montanhas e nidade. carne nos rios e nos mares, seus ca­
o Oceano. Deméter-Ceres, uma grande deusa ma­ belos nas árvores e nas plantas."
Gaea, ao unir-se ao Céu, seu próprio ternal segundo a mitologia grega, era a Na Índia, a Terra é, às vezes, Laksmi,
filho, concebeu Crono, o Tempo, e filha de Crono e de Rea, outra divin­ deusa da fecundidade e da prosperidade,
foi avó de Zeus. dade da Terra, ambos filhos de Gaea. cujo símbolo é o ouro; e, outras vezes,
Hoje em dia, estranha-se que a Terra Porém, distingue-se da sua avó no que Kâli, a deusa negra e sangrenta dos sa­
esteja ausente da hierarquia celeste é uma representação mítica da terra cul­ crifícios. É também Bhûmi, o seio ma­
do Zodíaco, que apresenta corres­ tivada. Chamavam-na a deusa do trigo. ternal.
pondências do Olimpo, criados a par­ Também se associa ao signo de Virgem, Para os Maias, a Terra era Itzam Cab,
tir de modelos mais antigos. Na rea­ muitas vezes ilustrado por uma mulher a iguana-terra, e para os Astecas tratava-
lidade, a Terra está onipresente no jovem sentada e carregando espigas de se de um monstro com as mandíbulas
Zodíaco, embora o astrólogo nunca trigo. abertas, Tlaltecuehtli, o senhor da ter­
aluda formalmente a ela; pois en­ A história da sua filha, Perséfone, que ra..., duas figuras que se vinculam mais
contra-se situada no seu centro, o concebeu de Zeus, relaciona-se com o com o mito do dragão do que com o
centro de todas as influências às quais signo de Libra. da deusa-mãe.
Os elementos

O Ar
Vivemos graças ao ar que respiramos.
No entanto, o Ar é ao mesmo tempo vital efatal, mágico e ambíguo.

E m astrologia, para elaborar um ma­


pa astral, toma-se como ponto de
referência o momento exato em que o
movimentos de rotação da Terra sobre
si mesma. Assim, se o vento se desloca
através do ar invisível, mas real e oni­
da palavra e do verbo. Aqui também es­
tamos diante de coisas invisíveis que se
manifestam no mundo real graças ao ar.
bebê recém-nascido efetua a primeira presente, sem o qual toda a forma de Por exemplo, da mesma forma que a
respiração completa (inspiração-expira­ vida seria impossível, o alento pode, da madeira é o destino do fogo, como di­
ção). Este ritmo de vida é também um mesma maneira, deslocar-se através da zem os chineses, o ar condiciona o fo­
ritmo de morte. alma, que torna o indivíduo diferente go. O ar é o mesmo para todos, mas o
De fato, o alento que permite à criança dos seus semelhantes. Inclusive, pode­ alento é único.
viver livre, desligada do cordão umbili­ mos dizer que é a prova simbólica da Com efeito, quando inspiramos toma­
cal, através dos pulmões e de seu sistema existência da alma. mos o ar que toda as pessoas respiram.
respiratório, consiste em um movimen­ O alento é também o veículo do pensa­ Também, se preferimos de outro
to binário constante. Tomar ar signifi­ mento, do espírito, dos sons, da voz, modo, todas as pessoas que nos ro-
ca viver, ser independente. Exalar o últi­
mo suspiro, expirar significa entregar
a alma, morrer.

0 AR, 0 VENTO
0 SOPRO DIVINO EA ALMA
A alma e o sopro divino estão sempre li­
gados. Porém, este sopro não é a alma,
mas sim o seu veículo. Ambos são invi­
síveis, impalpáveis.
O ar, quer seja sopro ou vento, impreg­
na-se de perfumes, cheiros, do calor e
do frio dos espaços que ocupa por intei­
ro e nos quais evolui livremente. Ao co­
locar a mão à frente da boca você pode
sentir o calor do seu hálito. O ar é o ali­
mento dos deuses, graças ao hálito o or­
ganismo pode produzir o calor da vida
ou o fogo interior.
Do mesmo modo, quando o vento so­
pra, não é ele que vemos ou ouvimos,
mas percebemos unicamente o movi­
mento dos galhos das árvores e o revoar
das folhas.
A respiração é um ato espontâneo, ins­
tintivo, vital e imprescindível, que per­
mite ao homem viver, animar-se. Mas
seu alento não é o ar; mas sim o próprio
ato de respirar.
Tampouco o vento é ar. É conseqüência
das deslocações de ar produzidas pelos
rodeiam respiram o mesmo ar que dividual, mas que implica um
nós. N o entanto, quando expiramos, movimento que vai da vida
quando emitimos um hálito de ar, po­ à morte, da inspiração à ex­
demos dizer que produzimos um ar piração.
que nos pertence, que passou pelo fil­ A árvore da vida é, portanto,
tro dos nossos pulmões, um ar indi­ também uma árvore da
vidualizado. morte.
Os pulmões são os órgãos do corpo en­ Não esqueçamos que situado
carregados da respiração. Mas a pele no centro dos pulmões está o
também respira, através de seus poros. coração, que também, pelo
Nutre-se com a respiração da vida. É seu movimento binário de
a razão pela qual os nativos dos sig­ diástole (dilatação do coração
nos de Ar (Gêmeos, Libra, Aquário) e das artérias) e de sístole
têm muitas vezes a pele fina e sensível, (contração do coração e das
e podem mostrar uma sensibilidade "à artérias), passa sem cessar da
flor da pele". vida à morte. O ritmo cardí­
aco é um ritmo de vida e de
A ÁRVORE PULMONAR morte. Sem ele nenhuma vi­
E A ÁRVORE DAVIDA da será possível. Todavia, a
Os pulmões estão unidos aos brônquios respiração é um ato de vida, a
direito e esquerdo, que se juntam sob manifestação de uma vontade
a traquéia. Ao observar o conjunto pul¬ ativa, no sentido em que se
mões-brônquios-traquéia, descobrimos enraíza nos pulmões, que
a imagem de uma árvore invertida. também são duplos. Nos rins
Existe, pois, uma associação simbólica encontra-se o equilíbrio, a força, a vore da vida que existe em nosso in­
evidente entre a árvore pulmonar e a potência. Diz-se, a propósito de um ser terior. Permitem igualmente tomar
árvore da vida. Plantada no centro do equilibrado, que adquiriu um certo do­ consciência de seu ritmo. Com efeito,
jardim do Éden, a árvore da vida, ou ár­ mínio de si mesmo ou que se encontra o ar, o alento, a respiração, são também
vore da ciência do bem e do mal, não numa posição de bem-estar material, o ritmo. Cada um de nós possui o seu
é outra senão a árvore do sopro divino, que tem o "rim bem coberto". Assim próprio. Controlar o alento e a respi­
a que está na origem da consciência in­ como todas as partes do corpo cumprem ração significa estar no seu ritmo,
uma função vital, os rins aprender a viver no seu ritmo.
respiram. São os órgãos da Etimologicamente, ritmo é movimento,
respiração genital, na parte a cadência e a medida, mas também a
inferior do corpo, enquan­ maneira de ser. Mediante o domínio do
to os pulmões se encon­ ar em si e do seu alento, a pessoa desco­
tram na parte superior. O brirá seu ritmo pessoal, sua maneira de
ser que é dono de sua for­ ser.
ça, de sua vontade, de seus
rins, é também o dono de Pequeno exercício
seu espírito nos pulmões. de hata-ioga
Este domínio consegue-se Deite-se no chão olhando para o teto. Rela-
pelo uso do músculo do xe, inspire o ar pelo nariz, com a boca fecha-
diafragma, que separa o tó­ da, enchendo os pulmões e concentrando-
rax do abdômen e que per­ se nos rins. Depois, retenha o ar durante um
mite à árvore pulmonar breve momento. Finalmente, expire pela bo-
desenvolver-se. ca pressionando contra a barriga. Não respi-
Os exercícios da hata¬ re durante um breve instante e volte a rea-
yoga (ver quadro, à di­ lizar o processo de respiração desde o
reita) favorecem o con­ começo. Deste modo, e com o tempo, você
trole da respiração e do adquirirá o domínio de sua respiração. Este
desenvolvimento da ár­ exercício, ao alcance de todos, produz calma
vore pulmonar, essa ár­ e relaxamento.
Os elementos

A Água
Da nascente, o regato; dos regatos, o rio; dos rios, o mar; dos mares, o oceano.
A água do oceano sobe ao céu e desce novamente à terra. Água. Assim ê o ciclo da vida.

O ciclo da água remete para o mito


do eterno retorno e ao princí­
pio dos vasos comunicantes que fa­
Assim, a água segue um ciclo relativa­
mente imutável, que vai do estado lí­
quido ao sólido — sem esquecer o
A ÁGUA DOS RIOS
E AS ÁGUAS-MÃES
As grandes civilizações da Antigüidade
vorecem a regeneração. A água cai do gasoso —, e reproduz-se aproximada­ nasceram e cresceram à margem dos
céu, penetra na terra e reaparece na su­ mente trinta e quatro vezes no decor­ grandes rios. Citemos o Tigre e o Eu­
perfície sob a forma de fontes, córre­ rer do ano terrestre, segundo obser­ frates, na Mesopotâmia, o Nilo no Egi­
gos, rios, que desembocam nos mares vações científicas. A água é o órgão to... Na antiga China, ao iniciar-se o
e nos oceanos. sensorial da terra, dá à terra sensi­ ano (segundo o calendário chinês), o
O fogo e o calor do Sol provocam a sa­ bilidade e receptividade. Ao evaporar- imperador, chamado "Filho do Céu",
turação e a condensação do ar, a eva­ se, carregando o ar de umidade, volta a encarregava-se de realizar os sacrifícios
poração da água dos mares e dos oce­ este elemento sensível e receptivo. Por aos quatro grandes cursos de água: os
anos, a formação das nuvens — outro lado, sob a confluência dos efei­ rios Huang-He (o rio Amarelo), Yang-
constituídas por partículas de água lí­ tos dos movimentos de rotação da Terra tse Kiang (o rio Azul), Houai e Si
quida ou sólida — empurradas pelo e da força da gravidade, a água molda a Kiang. Na Índia, o Ganges é o rio bran­
vento. Sob o efeito das pressões atmos­ superfície terrestre. Os meandros dos co da salvação e Yamuna o rio negro das
féricas, os aguaceiros e as precipitações regatos e dos rios na superfície do glo­ origens. Ambos se relacionam com
caem sobre a terra. bo, bem como as múltiplas correntes Vishnu e Shiva que, juntamente com
Se a água da chuva não caísse do céu, que a fazem fluir, resultam da rotação Brahma, o deus supremo, formam a
a terra não seria nem fecunda nem fér­ e da atração terrestres..., mas também trindade hindu ou Trimurti.
til, mas seca e estéril. Por esta razão, dos movimentos da Lua à volta do nos­ Segundo a tradição judia, o rio do
é uma verdadeira fonte de vida. Se a so planeta. mundo Superior é o das graças e das
terra não filtrasse, nenhuma fermen­ Portanto, as águas dos córregos, dos influências celestes.
tação seria possível, as sementes não rios e dos oceanos são animadas por Em todas as civilizações antigas ob­
poderiam transformar-se. A água é o um jogo de correntes sutis, entrelaça­ servamos a mesma crença na origem
grande princípio da regeneração e da das, que serpenteiam em contínuo mo­ celeste e divina dos rios. De fato, já que
metamorfose. vimento. a Água é o elemento da origem por ex-
excelência, o grande princípio da vi­ bolos e de significado dentro dos quais que fermenta, penetra e regenera a ter­
da na Terra, todos os mitos de criação se encontra a Água, fonte de vida, puri­ ra em profundidade. E a umidade es­
do mundo aludem às Águas Supe­ ficadora e regeneradora, o Mare Nos¬ condida sob a terra. É a água do poço,
riores, que se separaram das Águas In­ trum, a nossa mãe. das correntes freáticas. São as águas se­
feriores, gerando assim os rios e os cretas, ocultas sob a areia do deserto,
mares depois de um dilúvio ou de um OS SIGNOS DE ÁGUA onde vivem os escorpiões e as ser­
caos inicial. Sempre segundo as lendas A Água de Câncer é a que brota da pentes.
míticas e cósmicas, a nascente, pura e purificadora, a da fon­ É a água que dorme, serena, rica em
Água é o universo do te refrescante nessa época do ano em limos, dos quais surgirá talvez uma
caos, ou seja, da vida que o sol está no seu zênite. As águas- nova vida.
indiferenciada ou de mães encerram todas as formas de vida A Água de Peixes é a dos abismos, dos
todas as formas de vi­ possíveis. fundos submarinos e também das imen¬
da possíveis, das quais É a sensibilidade das superfícies das sidades dos oceanos.
surgiu a vida tal co­ águas, nascidas das correntes quen­ A água exultante, torrencial, caótica, do
mo a conhecemos. "A tes e frias que se misturam. É o dilúvio e das tempestades, das inun­
Água é o elemento da movimento das ondas que acariciam dações.
abnegação do perpé­ as margens, o ritmo que a Lua marca Mas é também a que limpa, alivia, cura,
tuo 'dar-nos aos outros'." A água não nas marés. abençoa, sacraliza, diviniza; a água pura,
tem outra razão de ser senão o fato de A Água de Escorpião é a água estag­ límpida, do lago no qual o homem en­
dar-nos aos outros (quem nega um nada, a dos açudes, dos pântanos, dos contra seu rosto, descobre sua alma e se
copo de água?). Sua determinação re­ reservatórios, a dos mistérios. E a água afoga a si mesmo ou encontra a luz.
side em não ser nada É a água da vida, a água celeste na qual
determinada, e é a ra­ se mergulha para nascer ou renascer a si
zão pela qual Hegel mesmo.
chamou-a "a mãe de
todo o determinado".
Trata-se das águas-mães
originais e nutritivas.
Por ser a Água fonte de
vida, ao bebê-la ou ao
mergulharmos nela,
regeneramo-nos. As
águas termais são fa­
mosas por seus efeitos
terapêuticos. A algumas foram atri­
buídas supostas propriedades mágicas,
como a água da eterna juventude, cuja
virtude é a de devolver a juventude.
Em todos os tempos, o aparecimento
de uma fonte foi considerado um mi­
lagre, um fato sobrenatural, um dom
dos deuses e, ao contrário, a seca de
uma corrente, de um regato ou de um
rio foi interpretada como uma mal­
dição. A Água é ainda um símbolo de
fertilidade, de bênção, de purificação
(o batismo), de sabedoria, de eterni­
dade, de amor infinito, sem limite, e
de vida espiritual.
O rio, a fonte, o açude, o reservató­
rio, o lago, o pântano, o mar, o oceano,
a chuva, a água do poço, o riacho, a cor­
rente, a onda, estão carregados de sím­
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos de Áries


Cada um dos três decanatos de um signo do Zodíaco é representado por uma imagem
simbólica diferente. Aqui estão os três símbolos de Aries.

N ormalmente, o Zodíaco é repre­


sentado por 12 imagens que re­
presentam os 12 símbolos dos signos
do Zodíaco. Tradicionalmente, a estes
símbolos são atribuídos mitos que
ilustram perfeitamente os grandes
traços de cada um dos 12 signos zo­
diacais.
Na grande maioria, estes mitos fazem
referência às aventuras e desventuras
dos deuses gregos, cujas lendas e con­
tos míticos foram particularmente ex­
plorados, interpretados e, em certa me­
dida, adaptados ao Zodíaco pelos
astrólogos, alquimistas e adeptos do
esoterismo durante o período histórico
do Renascimento.
Trata-se das mesmas fontes que os pio­
neiros da psicanálise utilizariam mais
tarde, oferecendo-nos uma nova leitura
e interpretação.
Evidentemente, temos todo o direito de
nos interrogarmos sobre a origem des­
tes mitos e símbolos e por que razões
foram escolhidos uns e não outros para
definir, explicar ou ilustrar um ou outro
signo do nosso Zodíaco.
Isto não é arbitrário, nem fruto do acaso,
obedecendo em vez disso a sutis ana­
logias entre certos aspecto da vida e da
natureza humana, observados por nos­
sos antepassados.
Para ajudá-lo a compreender seu sen­ 0 CARNEIRO para trás, simbolicamente, encontra-se
tido profundo, nos referiremos a três PO PRIMEIRO DECANATO prisioneiro da nostalgia de seu passado.
imagens simbólicas que representam PO SIGNO DE ÁRIES Sabemos que o signo de Áries começa
cada um dos três decanatos dos signos de 21 a 31 de Março, aproximadamente no dia do equinócio da Primavera, o qual
do Zodíaco, utilizadas normalmente na Este carneiro aparece em forma de ani­ anuncia a supremacia do dia sobre a
Idade Média no Ocidente, e inspiradas mal em pé. Parece que caminha tran­ noite e o domínio da luz sobre a escu­
diretamente nas fontes da astrologia qüilamente com a cabeça e o olhar para ridão. Basicamente, orienta-se para o fu­
greco-caldéia, procedente ao mesmo trás, talvez observando o que possa acon­ turo, projeta-se para a frente, com en­
tempo da avançada ciência que pos­ tecer. Mas este movimento da cabeça tusiasmo e impaciência. Entretanto, o
suíam os sacerdotes-astrólogos sumé­ tem qualquer coisa de humano na sua primeiro carneiro caminha lentamente
rios, acádios, assírios e babilônios. atitude e lembra-nos aquele que olhando e sua cabeça olha para trás. Na Babilônia,
deste signo. Desta vez trata-se de um se no chefe de nossos rebanhos de ove­
animal em pé, de perfil, que caminha lhas. Este papel de chefe e, por analogia,
com o passo seguro da direita para a es­ de líder, pioneiro e herói é o que é atri­
querda, isto é, que avança no sentido buído ao nativo do segundo decanato
dos signos do Zodíaco. A unha de sua deste signo, chamado decanato do ca­
pata esquerda e sua cabeça, cujo fo­ risma, já que possui um encanto e um
cinho aponta para o chão, formam brilho naturais que magnetizam e in­
um eixo muito reto que vai da citam a segui-lo, a seguir seus passos.
Terra ao céu. O olho virado
para nós olha também para a O CARNEIRO PO TERCEIRO
Terra. Não olha para a frente, DECANATO PO SIGNO
pois avança também às cegas ou, PE ÁRIES
mais exatamente, dá a im­ de 12 a 20 de Abril, aproximadamente
pressão de não ter necessi­ Este carneiro é representado por um
dade de olhar para onde vai. animal rampante, de movimentos for­
Com efeito, a posição de sua tes, que toma impulso com as patas tra­
cabeça reflete tal determi­ seiras apoiadas no chão, enquanto as
nação, tal força e rigidez, que patas dianteiras não tocam terra firme,
se poderia dizer que não atirando-se para a frente. Desta vez, a
o primeiro mês do ano que se segue precisa abrir os olhos força, a energia, o impulso e o movi­
ao equinócio da Primavera era o para avançar. mento já não têm origem na cabeça,
mês do sacrifício. Por essa ocasião, mas sim em sua parte traseira e no
oferecia-se um carneiro como lombo. Parece querer superar um obs­
oferenda aos deuses. táculo ou atingir um objetivo, tanto
Da mesma maneira, nosso car­ um como outro invisíveis e in­
neiro tem que ser sacrificado ou, compreensíveis para nós, mas que
mais exatamente, deve sacrificar ele conhece muito bem. Estamos
o seu passado, as águas primor­ diante de um nativo de Áries
diais do Inverno de onde se ori­ ■ prisioneiro de seus próprios
gina — os três signos do impulsos instintivos irreprimí­
Zodíaco que o precedem, Ca­ veis, dos seus cegos sentimen­
pricórnio, Aquário e Peixes, são tos que o induzem a projetar,
signos do Inverno —, se quiser de forma imediata e impe­
voltar-se para o futuro para onde tudo rativa, todo o seu ser para o
o empurra. Deve provocar a propósito futuro.
este fogo original que traz dentro de si, Trata-se, evidentemente, do
correndo o risco de se queimar, de se nativo do terceiro decanato,
consumir no seu interior ou ficar re­ Além disso, de cada la­ chamado decanato das paixões que
duzido a cinzas. Dirige-se para a frente, do e ligeiramente se­ nos mostra um ser fogoso, que
mas um pouco às cegas, já que não pode parado dele aparece age aos solavancos, com gol­
evitar referir-se ao seu passado, inte­ um dos seus segui­
rrogar-se e refletir, meditar sobre suas dores, ou talvez
origens, inspirar-se inclusive neles para uma de suas compa­
construir ou criar algo de novo. Sua nheiras, como sua pró­
visão de futuro tem ainda suas raízes no pria sombra. Estamos
passado. em presença do car­
neiro macho ou chefe
0 CARNEIRO PO SEGUNDO do rebanho. Lem­
DECANATO PO SIGNO bremos que o car­
DE ÁRIES neiro da espécie dos
de 1o a 11 de Abril, aproximadamente merinos representada aqui, originário pes bruscos, entregan­
Este carneiro é o que se utiliza nor­ do Irã e do norte da Índia, de onde foi do-se de corpo e alma a
malmente para representar o conjunto importado para a Europa, transformou- tudo que faz.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos de Touro


Cada um dos três decanatos de Touro que, como sabemos, é o segundo signo da Primavera,
é representado por um touro, cuja atitude é representativa de um caráter e um temperamento particulares.

C omo já vimos, a cada signo do


Zodíaco correspondem algumas
características gerais e fundamentais que
são imediatamente atribuídas ao nativo
deste signo. N o entanto, a depender do
Sol estar situado em um ou outro de­
canato, a expressão de sua vontade ins­
tintiva se manifestará de uma forma de­
terminada. Este princípio, estabelecido
pelos sacerdotes da Antigüidade está ba­
seado em uma observação atenta e ri­
gorosa do ritmo dos meses e as estações,
e também na observação das transfor­
mações lentas porém constantes da na­
tureza.

0 TOURO
PO PRIMEIRO DECANATO
de 21 a 30 de abril, aproximadamente
Aparece deitado com sua parte traseira
oculta por trás de uma moita, e a outra
metade emergindo, com a cabeça orien­
tada para a direita, isto é, em direção ao
signo de Áries, que o precede no Zo­
díaco. Esta cabeça ligeiramente inclinada
para a direita parece realizar um movi­
mento, enquanto que seus olhos olham
para a frente, para a direita, para nós, isto
é, no sentido inverso ao movimento dos
astros no interior do Zodíaco. A pata es­
querda está ligeiramente dobrada para a
frente com o casco apoiado sobre o solo,
como se nosso touro se preparasse para Estamos portanto ante um touro tran­ 0 TOURO
se levantar, enquanto que a pata direita qüilo que aspira à quietude, a segurança, PO SEGUNDO DECANATO
se mostra dobrada para um lado. Embora que demonstra uma força tranqüila, sa­ de Io a il de maio, aproximadamente
sua estatura não deixe nenhuma dúvida tisfeita, abandonando sua posição de des­ A cabeça está ligeiramente levantada
sobre sua força e potência, estas parecem canso apenas para buscar o que necessita. para o céu, coroada por dois chifres
passivas e contidas. O que emana dele Nunca faz mais esforços que os neces­ que, juntos, formam uma magnífica
é, principalmente, a paz, a calma e a tran­ sários. Seu olhar é fixo. Como sabemos, Lua crescente. Apresenta-se de pé com
qüilidade. Além disso, seus chifres, bas­ o nativo de Touro do primeiro decanato atitude orgulhosa. Anda da direita para
tante separados, se orientam para ambos é quase sempre um ser de grande sen­ a esquerda em plena luz do dia — desta
os lados, sem deixar entrever nenhuma tido comum, de muita sensatez, porém vez, portanto, no sentido do Zodíaco
agressividade. com tendência a idéias fixas. —, em uma pradaria verde, a pata dian-
0 TOURO Mantém-se de pé com suas patas tra­
PO TERCEIRO DECANATO seiras, enquanto que as patas diantei­
de 12 a 21 de maio, aproximadamente ras se dobram sob ele, como se estivesse
O terceiro animal apresenta-se meio deitado, inclinando a parte fron­
com uma atitude tal de seu corpo para o solo. Ao seu
pelo menos sur­ redor, a paisagem é menos frondosa que
preendente, porém no segundo decanato, como querendo
apenas na aparência, atrair toda nossa atenção para o prota­
pois na realidade, co­ gonista. Sobre sua cabeça, com os olhos
mo veremos, corres­ dirigidos para o solo, as pontas de ambos
ponde perfeitamente aos os chifres, muito juntas, se dirigem para
elementos revelados o céu. A massa imponente de seu corpo,
pelo terceiro deca­ esta postura que o apresenta como der­
nato deste signo. rubado sobre a terra, suas patas traseiras
Trata-se desta vez de dobradas e bem plantadas no solo, re­
dianteira dobrada, com passo aparente­ um touro, cujo corpo pode parecer ro­ velando a potência de sua parte traseira,
mente seguro, e sua cauda dirigida para busto, menos forte que o touro do se­ são elementos que evocam o peso e a in­
o céu. gundo decanato, mas que dá a impressão tensidade de Saturno, regente do ter­
Este touro está plenamente in­ de peso, de massa, de força esmagadora, ceiro decanato, que confere a este na­
tegrado em seu meio natural. de gravidade. tivo realismo, sentido do concreto,
Confunde-se com a paisagem capacidade de realização e con­
que o cerca. Está em seu ele­ vicções inquebrantáveis.
mento. Sabe onde vai, o Como vemos, estas re­
que quer e o que faz. N o presentações simbólicas
entanto, apesar da potên­ do segundo signo do
cia que aparenta, detecta­ Zodíaco distam muito
mos certa leveza em da figura do Minotauro,
sua atitude. Reflete monstro mítico grego
o estado de recep­ que tinha o corpo de
tividade no qual se homem e a cabeça de
encontra, o fato de touro, que se alimentava de
encontrar-se em sete rapazes e sete moças
total identificação todos os anos, o guardião do
com a natureza, labirinto que Teseu, com a
presa das pulsações ajuda de Ariadne, conseguiu
instintivas reveladas recorrer até o final. Está tam­
por este período do ano bém distante do touro furioso
dedicado à procriação cujo golpe faz tremer a terra.
Aqui, os símbolos juntos da Lua e da
terra verde, cujos caracteres são femi­
ninos, e o touro, solidamente plantado
na paisagem, cujo princípio é mascu­
lino, são representações da fertilidade,
nome deste decanato. Estamos por­
tanto ante o reencontro das polarida­
des psíquicas e sexuais do feminino e
do masculino dispostas a unir-se. Este
touro nos lembra inevitavelmente o
boi de Ápis, o grande distribuidor de
vida da mitologia egípcia, e do qual
Menes, primeiro faraó histórico, foi
o unificador do Baixo e Alto Egito por
volta de 3200 a. C.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos de Gêmeos


Existem três Gêmeos duplos com múltiplas facetas, mas cada um deles é único no seu gênero,
como ilustram cada uma das três figuras simbólicas deste signo.

s mitos de Gêmeos fazem sempre


O alusão à dupla personalidade do
homem. Na Mesopotâmia eram cha­
mados Grandes Gêmeos. Estes dois
seres de aparência semelhante simboli­
zam, quase sempre, um o espírito do
bem e, o outro, o espírito do mal, sem
que nada no seu aspecto físico nos per­
mita distingui-los. A boa consciência
e o espírito maligno empregam mui­
tas vezes a mesma voz para nos falar:
evidentemente, a nossa. Então, desco­
brimos que há sempre duas vias possí­
veis em nós, duas vozes em uma, cujo
discurso pode parecer perfeitamente
idêntico, mas não suas intenções. Em
muitas cosmogonias admite-se e mos­
tra-se com evidência a natureza andró­
gina do ser humano. Assim, uma lenda
esquimó, transmitida pelo explorador
Knud Rasmussen, é análoga ao nasci­
mento de Eva segundo o relato bíblico:
"Dizem que, em outros tempos, o
mundo se partiu cm pedaços e todos os
seres vivos foram destruídos. Caíram
do céu fortes trombas de água e a Terra
foi destruída. Em seguida, apareceram
dois homens na Terra. Vinham das
montanhas da Terra; nasceram assim.
Já eram adultos quando emergiram do
solo. Viviam juntos como marido c
mulher, e ao fim de pouco tempo, um
deles transformou-se em criança. De­ OS GÊMEOS homem oculto atrás do corpo da mu­
pois, o que tinha sido marido cantou PO PRIMEIRO DECANATO lher, de maneira que o braço direito do
uma canção mágica: Aqui um ser hu­ de 21 a 31 de Maio, aproximadamente homem e o esquerdo da mulher, do­
mano, aqui um pênis. Que sua abertura Os dois personagens que representam brados e levantados para o céu, formam
seja ampla e espaçosa. Abertura, aber­ os primeiros gêmeos do Zodíaco estão um ângulo de 90 graus. Estes dois per­
tura, abertura'. Quando cantou estas pa­ nus, juntos e estreitamente entrelaça­ sonagens dão a impressão de formar um
lavras, o pênis do homem partiu-se com dos. Não há nenhuma dúvida de que se só corpo com duas cabeças. São quase
grande estrondo e converteu-se em trata de um casal, o homem à direita e siameses. A primeira coisa que os dis­
uma mulher, que deu à luz uma criança. a mulher à esquerda. O braço direito da tingue, no entanto, é a força que emana
Graças a eles três, a humanidade mul­ mulher totalmente escondido atrás do do rosto do homem e a doçura que pro­
tiplicou-se." corpo do homem, o braço esquerdo do vém do rosto da mulher.
* ^ ^ Por outro lado, a perna do homem jovens, parecidos entre si e que lutam Efetivamente, estes dois personagens
está ligeiramente dobrada, um pouco juntos. O da esquerda está prestes a cair, se parecem de forma surpreendente.
como a atitude do Enforcado do nosso e seu companheiro, inclinado por cima Ao observá-las, vem à nossa memó­
Tarô adivinhatório, enquanto a mulher dele, não sabemos bem se está agarran­ ria o arcano maior do Sol, que apre­
tem as pernas tensas. Colados um ao do ou empurrando o outro para o chão, senta certas analogias com este deca­
outro, estas duas fi­ pois o desenho é ambíguo. Trata-se de nato, chamado "Discernimento". A
guras permane­ violência e luta? Ou, então, conivência mão do rapaz colocada sobre o ombro
e benevolência? Devemos pen­ da jovem remete-nos para tudo aquilo
sar nos irmãos Caim e Abel, que o ombro simboliza: o extremo
por exemplo, cuja história final do homem, a Terra prometida,
simbólica tem um alcance a Sabedoria revelada, a nova aurora.
maior do que um simples re­ Quanto à jovem, se sua mão se en­
lato que ilustra um conflito fra­ contra na anca do jovem, é para sub­
tricida, ou no combate de Jacob linhar que, tal como Jacob descon¬
com o anjo que, de fato, se enfrenta e juntou uma articulação da perna
luta consigo mesmo? Em relação a este durante a luta contra o anjo (Gênese,
último, no re­ 32 25), o homem é coxo. Falta-lhe
lato original uma parte de si mesmo, e o que
simboliza o ombro de uma mu­
lher, corresponde à anca no caso do
homem.
Assim, ao longo dos três decanatos
deste signo, partimos de um par ori­
ginal, não diferenciado, para acabar
na união dos contrários que, no

cem de pé, mas seus corpos inclinam-


se para a esquerda, formando um
ângulo de 70 a 80 graus, aproxima­ da Bí­
damente, e deste modo indagamos blia, a pala­
como é possível que, nesta po­ vra utilizada pa­
sição, não caiam. Simples­ ra descrever
mente, porque, como Netu­ esta luta sig­
no, o planeta regente deste nifica tam­
decanato, eles são arrastados bém "abraço".
pelas torrentes, correntes de pensa­ Com base nisso, vemos mais claramente
mentos e idéias próprias de Mercúrio, a ambigüidade que emana do desenho
regente deste signo, e dão a impressão que figura neste decanato, onde nos per­
de não estarem imersos ainda no uni­ guntamos se os dois personagens lutam
verso da dualidade. São verdadeiros gê­ ou se abraçam, combatem ou dançam...
meos, isto é, estão unidos um ao outro
no mesmo embrião original. OS GÊMEOS
PO TERCEIRO DECANATO
OS GÊMEOS de 11 a 20 de Junho, aproximadamente
PO SEGUNDO DECANATO A imagem que simboliza o terceiro de­
de 1o a 10 de Junho, aproximadamente canato é a que escolhemos quase sempre
A dualidade aparece no segundo deca­ para representar este signo duplo. Trata- fundo, se parecem, passando pela dua­
nato. Mais que uma dualidade, trata-se se de um jovem e de uma jovem em pé, lidade.
de uma oposição, uma luta, um comba­ com a mão esquerda do jovem pousada Encontramo-nos aqui em um universo
te ou dança ritual, cujo desfecho será sobre o ombro da jovem, a mão direita onde domina o jogo de relações. Tal
sem dúvida mortal. Com efeito, os gê­ da jovem pousada sobre a anca esquerda como no combate entre Jacob e o anjo,
meos deste decanato são dois homens do jovem. neste jogo, quem perde ganha.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco
Os símbolos vivos
de Câncer
Caranguejo de rio ou caranguejo de mar, o nativo deste signo vive à flor da água,
daí sentir-se tão à flor da pele. Mas muda um pouco dependendo de seu decanato.

V ocê já notou que o sentido dos as­


tros no Zodíaco, e a ordem em que
ocorrem, seguem a mesma direção que
o sentido da água na Terra? Claro que
existe uma explicação física para isso.
Atualmente sabemos que o movimento
de rotação da Terra não é alheio ao mo­
vimento aparente dos astros de leste
para oeste, e que esta mesma revolução
da Terra em redor de seu eixo é a que
arrasta com ela rios e afluentes em uma
direção ou em outra. N o entanto, o que
nos interessa da simbologia do signo de
Câncer é, por um lado, o movimento
seguido pelas correntes de água na Terra
e, por outro, o fato dos três carangue­
jos que figuram nos três decanatos deste
signo de Água, sensível e quente, se di­
rigem de leste a oeste. De forma que,
apesar da profunda união do nativo ao
seu passado ou simplesmente ao pas­
sado — uma das características mais im­
portantes deste signo —, estes caran­
guejos seguem as correntes no bom
sentido; nunca parecem nadar contra
a corrente para voltar a subir às nas­
centes.
Devemos reconhecer que, mais uma
vez, é totalmente paradoxal. De fato, nos
encontramos novamente diante do
mesmo caso da figura do signo de Tou­
ro, onde em nenhum momento se trata posição, nadando no sentido da cor­ 0 CARANGUEJO
de um mito do touro furioso ou imola­ rente, ou seja, no sentido inverso ao dos PO PRIMEIRO DECANATO
do no altar do sacrifício. Do mesmo ponteiros do relógio; portanto: retroce­ de 21 de junho
modo que o Zodíaco não é a arena do dendo no tempo. a 1.° de julho aproximadamente
touro, o signo de Câncer, revisto e cor­ E é assim que este signo do Zodíaco A primeira figura do signo de Câncer
rigido pelos povos da Europa, anulou avança, caminhando para trás. Mas é a de um magnífico caranguejo de
o caranguejo de pinças ofensivas-defen¬ quando, como bom caranguejo, lhe corpo alargado e gordo. Sua cauda-bar¬
sivas, nadando para trás ou caminhando ocorre nadar realmente retrocedendo batana é bem desenvolvida, o que de­
de lado. Só ficam dois caranguejos de em vez de avançar, vai contra a corrente monstra que sabe recuar perfeitamente
rio e um de mar, os três quase na mesma e sempre para trás. em caso de perigo.
N o entanto, o que ressalta, prin­ 0 CARANGUEJO 0 CARANGUEJO
cipalmente, de sua carapaça é o fato de PO SEGUNDO DECANATO PO TERCEIRO DECANATO
ser redonda, a suavidade das curvas do de 2 a 12 de julho aproximadamente de 13 a 22 de julho aproximadamente
seu corpo, que não deixam entrever Neste caso, é também um caranguejo Nosso terceiro símbolo vivo de Cân­
nenhum presságio de agressividade. Esta de rio que figura no segundo decanato cer já não é o caranguejo de rio mas de
ausência de violência destaca-se também do signo, mas desta vez de tamanho mar. Esta diferença de representação é
mais modesto que o primeiro, e de cor­ muito importante, pois o simples fato
po delgado e comprido. do caranguejo de rio ser um crustáceo
Contrariamente ao anterior, sua cabeça que vive nas águas doces afasta-o com­
não é arredondada. Forma um ân­ pletamente do caranguejo do mar, que
gulo agudo e seus olhos estão de vive nas águas salgadas do oceano.
lado. Suas antenas são muito mais Deste modo, a carapaça do caranguejo
curtas e estão curvadas para o in­ de mar do terceiro decanato de Câncer
terior. Suas patas dianteiras, pro­ não é tão angular quanto a dos caran­
vidas de pinças fechadas e orien­ guejos que costumamos ver em nos­
tadas para a frente, já não são abertas; sas praias. Apresenta uma forma re­
formam quase um ângulo de 90° em donda, ovalada. Suas oito patas estão
cada lado de seu corpo. Finalmente, sua curvadas em forma de lua crescente,
barbatana traseira é muito mais elabo­ tem as pinças abertas, para a frente e
com medidas bastante desproporcio­
pelo fato de suas duas pinças, nas nais e ameaçadoras. Sua cabeça é re­
quais adivinhamos sua potência, donda e não se vêem os olhos, dissi­
estarem fechadas e dispostas de tal mulados por baixo das antenas.
maneira que nos lembram uma Quanto à sua cauda-barbatana, esta
pessoa abrindo os braços, como parece acrescentada, presa à cara­
que pronta para receber, abraçar paça. Possui seis extensões presas
ou estreitar. umas às outras.
Finalmente, suas duas antenas
são muito longas. Saem de seus
olhos para se unirem no final
de suas pinças, as quais, porém,
não tocam, pois formam duas cur­
vas viradas sobre si mesmas e para suas rada. É composta por três ramos, um
extremidades, simbolizando neste caso pouco como as três folhas de um trevo
a doçura, a receptividade e a hipersen­ ou como três meias luas coladas umas
sibilidade características deste símbolo. às outras. Destaca-se, portanto, por atrair
Tudo em sua atitude sugere um animal nossa atenção para o fato de uma espé­
passivo, imóvel, que se deixa levar pela cie que possui esta barbatana ter gran­
corrente, que vive tranqüilamente à flor des capacidades defensivas, pois efe­
da água, respirando doçura, bem-estar, tivamente, quando se sente em perigo,
essa mistura de calor e frescor que cria a o caranguejo ativa sua barbatana para
umidade de um momento onde o tempo recuar.
parece estar suspenso. A atitude que se representa nesta caso
Com esta representação do primeiro de­ sugere menos receptividade e sintonia
canato de Câncer, que age sobre as emo­ com seu meio, mas alude a uma certa
ções e cujo regente é Vênus, encontra­ interiorização, talvez uma atividade ce­
mo-nos no universo da emoção em rebral, como se este animal estivesse
estado puro, que se traduz cm uma espé­ prestes a agir, como se estivesse refle­
cie de sintonia com seu meio. Com efei­ tindo, meditando ou à espera de um
to, este caranguejo imóvel mergulha nas sinal. Lembremos que esta imagem sim­
águas do passado e, ficando em seu lugar, boliza o segundo decanato deste signo,
retém o presente. Pensa bem antes de cujo regente é Mercúrio, e atua sobre as
progredir e avançar para o futuro. revelações.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos de Leão


Três leões fantásticos e generosos, majestosos e dominantes, selvagens ou domesticados,
reinam no quinto signo do Zodíaco.

Feliz o leão que será comido


pelo homem,
e o leão se tornará homem,
e profanado é o homem que o leão comerá,
e o leão se tornará homem",
diz o evangelho apócrifo de Tomás.

O leão de que fala este evangelho não


é a figura generosa e régia do nosso
Leão do Zodíaco, mas uma represen­
tação do Diabo que tenta devorar e ab­
sorver o homem, tentando-o.
A força física e a potência dominadora,
que caracterizam o nativo de Leão, e
que coincidem com uma certa supre­
macia de instintos controlados, podem
também revelar-se como instrumen­
tos de posse e de fixação de energias
aprisionadas no ciclo incessante dos re­
nascimentos.
Já dissemos que os nativos de Leão são
muitas vezes seres que, cm princípio,
exercem o poder de sua vontade sobre
aquilo e aqueles que os cercam.
Sabemos, por outro lado, que Leão é
um signo fixo que, como seu nome in­
dica, fixa as qualidades que revela nas
pessoas nascidas sob seu domínio.
Neste caso, o elemento que por analo­
gia se fixa é o Fogo.
N o entanto, sua função não é a de
fixar, mas a de queimar, para produ­
zir calor e energia, para transformar divino não pode ser subtraído à sua E ao fazer isto, suas energias se degra­
e purificar. função primeira e definitiva, que é li­ dam. No entanto, Ra, deus do Sol egíp­
Como Prometeu, o nativo de Leão tem bertar o homem da morte. cio, e mais tarde Cristo, foram repre­
tendência para roubar o fogo dos deu­ Não esqueçamos que o signo de Leão sentados pelo leão mítico. O leão, por
ses que arde nele, a desviá-los dos ins­ coincide com a estação da colheita, obra de sua vontade e do sopro divino
tintos divinos a seu favor, fixando-o simbolizada pela foice ou gadanho da que nele reside, consegue a imortalidade
nele para dominar e reinar sobre o morte. sem desviar as energias primordiais de
mundo. Ao utilizar o fogo divino em seu pró­ sua meta, ou, mais exatamente, dei­
Mas a mensagem transmitida pelo sé­ prio proveito para dominar o mundo, xando-as circular livremente para que
timo versículo do Evangelho de Tomás às escondidas do Diabo, Leão simbo­ regenerem o homem, para que o tornem
revela que, no fim de contas, este fogo licamente colhe a morte. imortal e vitorioso.
O LEÃO de viver. Sua necessidade de aparentar, olhar fixo em nós, mas encontra-se no
PO PRIMEIRO DECANATO de atrair a atenção, de despertar admi­ sentido contrário aos dois leões ante­
de 23 de julho a 2 de agosto ração, emana de toda sua atitude. riormente descritos. De fato, antes de
aproximadamente Dá uma impressão de leveza que nos se deter a olhar-nos nos olhos, pare­
Nossa primeira figura é a de um leão do faz pensar em um cão que se ergueria cia dirigir-se para a direita. Está levan­
qual emana uma força tranqüila, nas patas traseiras para obter o prêmio tado, com as duas patas dianteiras afas­
mas também um certo pe- que deseja. Ergue-se nas patas trasei­ tadas, sua pata esquerda traseira quase
sar e tristeza. É belo mas ras, com as dianteiras levantadas e se¬ centrada sob seu corpo, sua pata direita
midobradas, e todo o corpo in­ traseira afastada na parte posterior, e
clinado para a frente, com as quatro solidamente assentadas no
flexibilidade e dinamismo. A chão, que parece ser o único décor,
cauda levantada forma um S como para sublinhar que este leão tem
perfeito terminando em um raízes.
belo penacho. A juba fabulosa Seu corpo é flexível, musculoso e fe­
forma numerosas ondas em lino, a cauda passa entre suas duas patas
vota da cabeça, enredando-se umas posteriores, sob o ventre, formando um
nas outras e cobrindo-lhe o peito. caracol cujo extremo se eleva orgulho­
Tem os olhos aber­ samente para o céu.
tos — embora Quanto à sua juba, provoca uma im­
não é brilhante. Tal como se apresenta sua posição de pressão sobrenatural pelo fato de pa­
diante de nós, caminha solitário na selva, perfil só nos recer formar um caracol compacto em
com a pata direita ligeiramente levan­ permita ver um volta de sua cabeça. Esta última parece
tada da terra firme, enquanto as ou­ deles —, olhan­ uma máscara, que não deixa de recor­
tras três patas estão solidamente pos­ dar a de Jean Cocteau para Jean Ma¬
tas no chão, o que indica que avança rais, em seu filme A Bela e o Monstro.
com um passo pesado. Porém, seu Os olhos, o nariz, a boca, a cabeça de
corpo não tem um aspecto maciço. leão, têm algo de humano, fascinante
Possui até uma certa nobreza, com
sua bela juba repartida em quatro
ondas distintivas em sua nuca, es­
palhando-se amplamente sobre suas
costas, e que parece resvalar de sua
cabeça em grandes caracóis sobre seu
corpo, até quase varrer o chão.
Mas uma sensação de massa, de peso,
emana do seu aspecto. Sua cabeça está
inclinada para a frente. Percebemos um
gesto triste, uma espécie de escárnio ou
de crispação, embora curiosamente do em frente, como se obser­
também de paz, como se suportasse as vasse alguém fixamente. Outro
duras realidades da vida sobre suas cos­ sinal distintivo que nos faz
tas, mas como que de resignação. Es­ pensar em um cão que "dan-
tamos na presença do Leão saturnino, ça" é a língua que pende de
dominador e egocêntrico, o mais in­ sua boca. Como vemos,
trovertido dos nativos deste signo que, este animal, bem simpático
sob uma calma aparente, pode chegar e divertido, parece um animal domes­ e inquietante. A parte inferior da juba
ao extremismo. ticado. faz lembrar mesmo uma barba enca¬
rapinhada. Estamos no universo plu­
0 LEÃO PO SEGUNDO DECANATO 0 LEÃO PO TERCEIRO DECANATO toniano da besta humana, de certa ma­
de 3 a 12 de agosto aproximadamente de 13 a 23 de agosto aproximadamente neira, do poder e do domínio em
Depois do Leão triste e concentrado, en­ É o mais misterioso e intenso dos três. estado selvagem. Nele, o limite que
contramos o Leão feliz, gozador, jupi­ Em primeiro lugar, permanece sobre as separa o homem do animal é tênue,
teriano por assim dizer. Emana alegria quatro patas imóvel, com a cabeça e o estreito, muito delicado.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos
de Virgem
Virgem: A virgem prudente ou a virgem inepta? Isto é algo que nos podemos interrogar
se levarmos em conta a parábola recolhida no Evangelho Segundo São Mateus (Mt. 25, 1-13).

A o longo dos três decanatos da Vir­


gem, passamos da sabedoria à lou­
cura, porém sempre de forma razoá­
vel. E loucura ser sábio? É sabedoria
estar louco? As respostas a estas duas
perguntas é: sim e não, dependendo dos
casos e das circunstâncias.
N o nativo de Virgem — que tem ten­
dências para se fixar nos detalhes, para
ver ou para encontrar o grão de areia que
bloqueia a engrenagem e que, natural­
mente, escapa à busca minuciosa e obs­
tinada dos outros —, o prazer da análise
torna-se muitas vezes obsessão e mania,
porém procede de uma loucura tran­
qüila e razoável.
É bem sabido que os loucos têm um ra­
ciocínio lógico; tão lógico que é difícil
trazê-los à razão. O nativo de Virgem
é às vezes tão sensato, tem tudo tão bem
organizado na cabeça que, em com­
pensação, necessita entregar-se na vida
a uma certa fantasia desordenada e des­
governada. Ou então tem uma sensação
de possuir uma personalidade tão pouco
ou tão mal estruturada que duvida de si
mesmo e identifica-se com tudo que lhe
permita reter sua atenção sobre algo de
concreto ou particular e, em conse­ rresponde ao que chamaríamos da VIRGEM PO PRIMEIRO DECANATO
qüência, poder criar uma certa ordem. etapa da diferença, ou seja, na evo­ de 23 de agosto a 1 de setembro
Face a si mesmo ou à vida, o nativo de lução da criança, é o período em que aproximadamente
Virgem tem uma atitude às vezes pru­ sente que já não faz parte do corpo A imagem deste primeiro decanato é
dente, às vezes inepta; como todo da mãe e que é um indivíduo de pleno uma figura mítica que possui algumas
mundo, poderíamos dizer. Claro, porém direito. analogias com o décimo quarto arcano
algo mais que todo mundo, ou pelo Nesta fase o nativo de Virgem tenta di­ maior do Tarô adivinhatório, a Tem­
menos de uma maneira mais específica ferenciar-se, marcar e procurar sua di­ perança. Trata-se de um anjo. E quando
no que a ele se refere. ferença, consciente de estar louco ou se diz que os anjos não têm sexo, a re­
O signo de Virgem é o sexto signo do louco por ser consciente, conforme for presentação simbólica do primeiro de­
Zodíaco, o que, psicologicamente, co­ o caso e as circunstâncias. canato de Virgem demonstra-nos o con-
inepta, às vezes de- VIRGEM PO TERCEIRO DECANATO
masiado sensata. Na de 14 a 22 de setembro
realidade, possui uma aproximadamente
natureza profunda e dis­ A figura simbólica deste signo é a mais
cretamente sentimental, prudente de todas. Porém, uma vez
embora alguns arrebates de mais, será que devemos fiar-nos nas
loucura a obriguem a con­ aparências?
frontar-se com seus É muito difícil pronunciar-nos vendo
próprios limites e esta mulher cm pé, ligeiramente de per­
diante deles sin­ fil, mostrando-nos seu lado direito. Usa
ta-se posterior­ um vestido que dissimula todo o corpo
mente culpada. e que não deixa adivinhar suas formas.
N o entanto, tudo permite supor que se
trata de uma mulher grávida.
Podemos adivinhar isso pela forma
contrário. Podemos ver claramente que arredondada de seu ventre, mas tam­
se trata de uma mulher angélica, bém por uma serenidade tranqüila,
com uma admirável cabeleira en­ isto é, o sentimento de grande pleni­
trançada, bem como asas abertas tude que emana de seu rosto e de sua
magníficas. Esta mulher, que é um postura corporal. Não segura espigas
anjo, está sentada no chão com as nem feixes, porém tem as mãos es­
pernas cruzadas debaixo de um longo tendidas para a frente em um gesto-
vestido que ondula em seu redor, no generoso de oferta e obséquio.
meio de um campo coberto de trigo. Na Usa uma cora de espigas, com os grãos
mão direita tem um molho de trigo, de trigo grandes e dourados, e este tom
com o qual vai fazer um feixe, pois mos­ dourado confunde-se e mistura-se
tra na mão esquerda outras espigas que com o de seus cabelos que ondulam
acaba de apanhar. e lhe cobrem os ombros descendo até
Seu rosto resplandece c nos olha com abaixo de sua cintura am­
os olhos cheios de doçura. Parece que pla e generosa. Está imó­
está imóvel, como se posasse para um vel porém não está es­
pintor ou um fotógrafo. Encontramo- tática.
nos no universo de uma Virgem com Sua atitude e sua ex­
habilidade de inteligência, pois não exis­ pressão fazem
te uma correlação entre as mãos e a supor que está
mente. Esta mulher é um anjo, visto que Seja como for, trata-se de uma mulher bem integrada
seu espírito se manifesta vibrante e vivo de uma beleza um tanto selvagem e no meio ou no
tanto cm seu rosto como em seus olhos. simples, que caminha com aparente se­ contexto em
gurança, o resto do corpo coberto por que se move,
VIRGEM PO SEGUNDO DECANATO um manto cingido, o rosto sorridente, atenta ao que
de 2 a 13 de setembro agradável e acolhedor. Na mão direita acontece à sua
aproximadamente segura um véu que deveria cobrir o volta, entre­
Para alguns, pode ser surpreendente ver peito e que se supõe ter acabado de tanto também
uma mulher, era princípio tímida, com tirar. concentrada
o tronco descoberto, mostrando uns Porém não nos iludamos: não se e cheia de si
seios generosos, para ilustrar simboli­ trata nesta mulher de um gesto mesma.
camente o decanato ao qual se costuma provocador ou de desafio mas ) Todas estas
atribuir pudor e timidez. Pode pare­ sim de um gesto de renúncia. qualidades
cer curioso que uma mulher pudica e O nativo de Virgem do segundo se encontram
tímida se exiba ou ouse posar semi­ decanato aspira à renúncia, a aban­ muito bem definidas no
nua para a natureza, diante do olhar de donar seus complexos, sua lucidez crí­ terceiro decanato de Virgem, do qual
todos. Encontramo-nos no universo de tica, para conseguir entregar-se a seus Mercúrio é dominante, que tem por
Virgem, às vezes prudente e às vezes sentimentos e às suas emoções. nome Altruísmo.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos
de Libra
Indecisão, dúvidas, irresolução, são com freqüência termos empregados para os nativos de Libra.
As figuras dos três decanatos deste signo empregam uma linguagem muito diferente.

E m astrologia, como em qualquer


outro âmbito, as idéias preconce­
bidas não são uma coisa fácil.
Todos sabemos que, desde o século XVIII
e principalmente desde as três últimas
décadas, se faz e diz qualquer coisa a
propósito , ou a pretexto, da astrologia.
Assim, foram transmitidos numerosos
esquemas e lugares-comuns no que diz
respeito às características fundamentais
reveladas por cada um dos 12 signos do
Zodíaco.
E deste modo que um nativo de Libra
tem fama de ser um indivíduo perplexo,
incerto, que balança sem cessar entre
duas águas, duas alternativas possíveis,
sem nunca se decidir nem se implicar
em uma via concreta.
Se fosse tudo realmente certo, Miguel
de Cervantes nunca teria criado Dom
Quixote, nunca Giuseppe Verdi teria
composto suas maravilhosas óperas,
nem Auguste e Louis Lumière teriam
sido considerados os inventores do ci¬
nematógrafo e, mais perto de nós, nem
John Lennon, nem Gordon Sting te­
riam composto sua música. Pois todos
estes personagens célebres são nativos
de Libra. Por outro lado, se é certo que que os torna excessivamente perfeccio­ O signo de Libra não possui todas as
se deve prestar particular atenção às nistas e susceptíveis. É assim que, com características que são atribuídas à
qualidades de justiça nos nativos deste muita delicadeza, ajustam, adaptam, Justiça, tal como aparecem com clareza
signo, é necessário sermos mais pre­ concretizam e, deste modo, fazem a lei nesta arcano: a saber, a balança, claro
cisos. e impõem sua ordem que, segundo eles, está, mas também a espada. A Justiça
Aqui não se trata de justiça mas de pre­ é a ordem das coisas. não se contenta em pronunciar um
cisão. E portanto por analogia que este signo juízo.
Os nativos deste signo preocupam-se se relaciona com os valores próprios da Além disso, este precisa ser executado.
menos com a lei e a ordem estabelecida Justiça, o oitavo arcano maior do Tarô Assim, a priori, um nativo de Libra não
do que com uma necessidade de equi­ adivinhatório. Porém, não é o seu prin­ é propenso a fazer justiça, mas a fazer
líbrio e harmonia, às vezes obsessiva, cípio original. o que é justo.
LIBRA Seja o que for, estamos no universo do Não há nada ao redor desta balança es­
PO PRIMEIRO DECANATO primeiro decanato deste signo, de que a tática e imóvel. Encontramo-nos no
de 23 de setembro a 2 de outubro Lua e Vênus são regentes, decanato de universo do despojamento próprio de
aproximadamente qualidades sensíveis, de virtudes femi­ Saturno, regente deste segundo deca­
A imagem que ilustra o primeiro de­ ninas, como a doçura e a receptividade. nato.
canato deste signo está relacionada com Esta Libra não pesa nem julga. Estima,
o que significa ao mesmo tempo amar LIBRA PO TERCEIRO DECANATO
e medir. de 14 a 22 de outubro
aproximadamente
LIBRA PO SEGUNDO DECANATO Deparamo-nos com um símbolo mais
de 3 a 13 de outubro leve para ilustrar o terceiro decanato
aproximadamente deste signo, que, ainda assim, leva o
Desta vez trata-se de uma verdadeira o nome grave de Justiça. Trata-se de uma
balança, com os pratos metálicos per­ balança, apresentada novamente em um
feitamente estáveis e no mesmo nível. ambiente vazio, mas desta vez com vida,
Tem o fiel e também três eixos de se podemos assim dizer. O prato da di­
apoio ou prismas de aço que a atra­ reita inclina-se nitidamente para a di­
vessam perpendicularmente. reita, enquanto o da esquerda está ele­
Ao observá-la temos um sentimen­ vado. Além disso, a balança parece ter
to de equilíbrio perfeito que nada sido elaborada em madeira, o que lhe
deveria alterar. dá um aspecto bastante agradável, que
Compreendemos que esta balança nada tem a ver com a rigidez e a frieza
a figura mítica de Proserpina- é uma autêntica ferramenta de metálica com que se representava o de­
Perséfone. medida, que serve para comparar canato anterior. Os pratos estão presos
Sua lenda ilustra claramente a dia­ os tamanhos, o que, recorde- por três cordas de dois ganchos de ma­
lética deste signo, preocupado por se, constitui a primeira fun­ deira que configuram o extremo do
encontrar um compromisso e um braço. Por outro lado, possui uma par­
meio termo em todas as cir­ ticularidade interessante: o hastil (a
cunstâncias. barra horizontal) passa pelo interior de
Trata-se de uma bela mu­ um pedaço de madeira oco e talhado.
lher totalmente nua, mas Uma agulha vertical, por cima do has­
nada provocadora.
Seria mais a inocência e a pureza
o que emana do seu corpo e de sua
nudez.
Inclina-se para a esquerda quan­
do se olha para ela, ou seja para
seu lado direito, tem o braço es-
querdo caído ao longo do corpo,
e a mão esquerda aberta e pousada na ção de uma balança. N o entanto,
coxa. nada nos indica o que se dispõe a til, segue o movimento
O braço direito está ligeiramente do­ pesar. do prato direito, que se inclina
brado e afastado do corpo, e, com a É uma balança, e nada mais, um sím­ e pesa para baixo, como já dis­
ponta dos dedos, roça ou acaricia o braço bolo em estado puro. Não se deve ver semos. A visão de uma agulha
de uma balança bastante tosca, sem fiel, nele um símbolo da justiça, como já dis­ que se pode inclinar para a di­
composta unicamente por dois pratos semos anteriormente, nem um símbolo reita ou a esquerda, a depender de
em forma de tigela de madeira, e pen­ da procura do equilíbrio perfeito ou da que lado o prato pese, faz-nos pensar
durada em uma corda. vontade de mantê-lo ou conservá-lo a nos metrônomos que os músicos uti­
Encontramos esta mulher e sua balança todo custo. Não se trata de fazer in­ lizavam. Estamos em um universo em
em um ambiente totalmente despojado; clinar um dos pratos arriscando-se a equilíbrio instável, que alude a um mo­
não sabemos porque a mulher se man­ provocar uma grande desordem, de vimento perpétuo, o do ritmo, mas tam­
tém assim inclinada sem cair nem de questionar tudo que era adquirido, es­ bém o da justiça, que se balançam sem
onde pende a balança. tabelecido, instituído... cessar.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos
de Escorpião
O nativo do primeiro decanato deste signo é impulsivo, o do segundo é indomável
e o do terceiro é sentimental, tal como nos mostram estes três símbolos vivos.

E ste signo do Zodíaco é conhecido,


precisamente, por sua má reputação.
Seria possível sabê-lo? Aqueles que
transmitem as idéias recebidas e os lu­
gares-comuns com relação à astrolo­
gia, por razões que já expusemos, dirão
que estes nativos apresentam freqüen­
temente um caráter anti-social e des­
truidor.
Isto nos leva naturalmente a interrogar-
nos sobre os bons e os maus signos.
Podemos ou devemos apenas fazer in­
tervir tais juízos de valor, ao entrarmos
no interior do Zodíaco? Acreditamos
que não. Não existe nada fundamental
e definitivamente positivo ou negativo
na estrutura do Zodíaco, mas sim um
jogo de qualidades — aqui é preciso dar
às qualidades um sentido qualificativo,
que faz com que cada um seja como é
— contraditórias c complementares, o
reflexo exato do que somos.
Por esta razão, se as qualidades que atri­
buímos ao signo de Escorpião e, neste
caso, principalmente às suas fraquezas
ou aspectos negativos, nos incomodam
mais do que as pertencentes, por exem­
plo, a Touro, seu signo oposto, é por­
que, tal como somos, integramos mais cológica, mas que já foi definido anti­ Assim, por exemplo, no que se refere ao
facilmente os valores próprios do signo gamente como doença espiritual — ao eixo dos signos fixos de Touro e Escor­
de Touro do que os de Escorpião. qual aquelas pessoas mais frágeis do que pião, e sem querer tirar-lhe a impor­
Ainda assim, segundo os princípios uni­ as outras são sensíveis. Isto pode ser a tância, se nos concentrarmos precisa­
versais de forças opostas e complemen­ origem de certos movimentos incons­ mente em certas qualidades existenciais
tares que regem o jogo da vida, umas cientes exacerbados, violentos, com­ inerentes ao primeiro (posse, apego,
não poderiam existir sem as outras. pensatórios. De fato, sabemos de sobra conformismo, segurança), tentando eli­
Assim, concentrar-se e interessar-se por que cada vez que nos inclinamos de­ minar, ignorar ou rejeitar as que se re­
uma em detrimento das outras gera ma­ masiado em um sentido criamos uma ferem ao segundo (despojamento, de­
nifestamente um desequilíbrio coletivo desordem da qual, mais cedo ou mais sapego, anticonformismo, destruição),
— que chamaríamos hoje de ordem psi­ tarde, sofreremos as conseqüências. em lugar de viver estas últimas eons-
conscientemente, sofremo-las. primário
Esta animal que, freqüentemente, todas as qualidades que ressaltam de
é a verdadeira razão da má reputação que nos dá medo, que recusamos ou rejei­ Urano, o planeta regente deste deca­
tem o signo de Escorpião: a maioria das tamos ao mesmo tampo que nos fascina nato.
vezes, principalmente no período cm e nos atrai, visto serem essas as gran­
que vivemos atualmente, nós nos recu­ des contradições apaixonadas. ESCORPIÃO
samos a ceder para sacrificar e semear PO TERCEIRO DECANATO
para colher no futuro. Vinculamo-nos ESCORPIÃO de 12 a 21 de novembro
a uma interpretação muito conformista PO SEGUNDO DECANATO aproximadamente
c segura da realidade que, quanto mais de 3 a 11 de novembro O símbolo do último decanato deste
exclui as forças de regeneração re­ aproximadamente signo, fixo, e intenso, é a imagem de um
Neste caso, estamos em presença de um escorpião nada agressivo mas que, por
outros aspectos, nos faz lembrar o ca­
desenho estilizado, com algo de infan­
ranguejo do primeiro decanato de Cân­
til no traço. Já não é a agressividade o cer. O que nos salta à vista c antes de
que salta à vista, mas sim um aspecto fu­ mais nada seu corpo ovóide, proemi­
nente, e o fato de, contrariamente aos
gidio, inatingível. Já não se trata do es­
dois primeiros, estar orientado para a
corpião que estaca, preparado para o ata- direita quando olhamos para ele. Entre­
que, mas sim do tanto, uma vez mais, apresenta-se como
se estivéssemos posicionados por cima
animal indomável,
dele. Suas patas, todas dobradas para
que corre mais depressa trás, são pequenas, inclusive cada vez
do que sua sombra. Observemo-lo, mais curtas ao longo de seu corpo. A
cauda, dobrada para um lado, é longa
visto também de
e estreita. Quanto ao ferrão, parece to­
veladas pelo oitavo signo do Zodíaco, cima: para des­ talmente inofensivo. Finalmente, outro
mais nos enfraquece. tacar sua rapidez, sinal distintivo aparece neste desenho:
sua agilidade, ve­ seus olhos redondos e abertos, que se
ESCORPIÃO
PO PRIMEIRO DECANATO mos que suas
de 23 de outubro a 2 de novembro duas pinças,
aproximadamente desta vez
O primeiro dos três aracnídeos apre­
fechadas,
sentados é perfeitamente representa­
tivo do regente deste decanato, que c não se esten­
ao mesmo tempo regente do signo: dem para a frente,
Marte! Trata-se de um escorpião, po­
estando paralelas às suas oito patas, e do
deríamos dizer, observado por um '
pássaro. Seu corpo é muito alongado c mesmo tamanho que elas, como se ti­
possui oito patas. Quanto às pinças, es­ vesse dez patas.
tendem-se para a frente, ligeiramente Por outro lado, seu corpo gasto é magro
por cima em relação ao corpo, em sinal e leve, principalmente se o comparar­
de agressividade. Finalmente, sua cauda mos com o animal do decanato anterior. encontram no eixo de suas duas pin­
forma um semicírculo, o ferrão diri­ Finalmente, sua cauda é muito mais ças, que nos fazem pensar mais em dois
gindo-se para a frente, preparado para o curta e seu ferrão não está elevado sobre braços abertos do que em instrumentos
ataque, preparado para picar. Nada in­ sua carapaça, preparado para picar, mas de guerra na defensiva ou preparados
dica, neste desenho, que o escorpião em sim dobrado para um lado, formando para a ofensiva. Este escorpião, que tudo
questão esteja prestes a atacar, mas é uma curva para a direita. Este escorpião nos indica está imóvel e receptivo, é to­
mais prudente não nos aproximarmos simboliza o inconformismo, o espírito talmente representativo do nativo deste
dele. Estamos no universo de ímpetos e de rebelião provocador, desconcertante, decanato, provido de uma intensa força
repulsas irreprimíveis, instintivos, es­ alterado, dos nativos deste segundo de­ psíquica, e cujo regente (Vênus) implica
senciais, que a razão não consegue do­ canato, que muitas vezes têm um ca­ que confere um lugar importante a seus
minar, que implicam um certo caráter ráter muito impulsivo e independente, sentimentos e emoções.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos
de Sagitário
Sagitário, cujo nome significa "flecha", é um ser mítico e fantástico em todo seu esplendor.
Com ele pode-se dizer: diz-me para onde queres lançar tua fecha e te direi quem és.

O que é um centauro? O centauro


é como o dragão, a Gárgula, a
hidra de sete ou nove cabeças, o Uni­
córnio ou mesmo o anjo. Todos são
seres fantásticos saídos diretamente do
universo dos mitos inventados pelos
homens, saídos de sua imaginação, de
sua psique ou, como se diria hoje, do
seu inconsciente. Exercem sobre nós
o mesmo fascínio que os dinossauros
— esses animais de tamanho gigantesco
vindos dos tempos remotos —, porque
encarnam nossos instintos mais puros
e porque, de certo modo — uma das te­
orias sobre sua extinção aponta para sua
avidez —, inconscientemente nos iden­
tificamos com eles.

0 CAVALO, 0 HOMEM,
O ARCO E A FLECHA
Ao fim e ao cabo, quando observamos
esta animal fantástico e irreal que sim­
boliza o nono signo do nosso Zodíaco,
que retém nossa atenção: o cavalo, o
homem, o arco ou a flecha?
O centauro tem o corpo de um cavalo,
mas em vez de uma cabeça de cavalo
tem um busto de homem com cabeça e
braços. E portanto um ser meio homem,
meio animal. N o entanto, se é a cabeça Desta criatura mitológica, cujo corpo seava-se na representação pictórica do
que rege este animal, então o homem e cabeça têm grande importância, po­ animal e do objeto que se pretendia
domina sobre o animal. Mas, se é o demos tirar a seguinte conclusão: de­ nomear e em sua enumeração se se tra­
corpo que exerce a supremacia, o cavalo pendendo da nossa mente ou nossa tasse de vários ou se fossem diferen­
predomina sobre o homem. Finalmente, atenção estar dirigida ou fixada sobre tes.
o que marca a diferença é a flecha, já que esta ou aquela preocupação, elevamo-la Deste modo, reunindo os pictogramas
em função da direção em que o centauro ou empobrecemo-la. homem/cavalo pretendeu-se designar o
dirija seu arco — para a frente, para trás Quanto à sua representação, devemos conceito cavaleiro, ou talvez homem nu
ou para cima — perceberemos qual procurá-la nos pictogramas que pre­ cavalgando, fundindo-se com sua mon­
parte de seu corpo privilegia. cederam a escrita. Seu princípio ba­ taria, a ponto de se confundir com ela
e imaginando que forma um ser Estamos no universo da sabedoria, que SAGITÁRIO
único e fantástico. dá nome ao primeiro decanato de Sagi­ PO TERCEIRO DECANATO
Mas, o que nos parece maravilhoso é tário, cujo regente é Mercúrio. Imerso de 12 a 21 de dezembro
que tais imagens nascidas da imaginação no mundo de Júpiter e secundariamente aproximadamente
do homem tenham podido ter seme­ de Netuno, que governam conjunta­ A semelhança do centauro representado
lhantes ressonâncias psíquicas e que vin­ mente este signo, encontramo-nos em no primeiro decanato, este encontra-se
das do nosso passado longínquo, reve­ um mundo de simplicidade e de ins­ imóvel. Seus cascos encontram-se so­
lem pensamentos tão atuais. piração que nos conduz até a sabedoria. lidamente assentados no chão. Suas
patas firmes c centradas mostram-nos
SAGITÁRIO a fragilidade habitual nos cavalos. O
PO SEGUNDO DECANATO busto do homem está ligeiramente in­
de 2 a 11 de dezembro clinado para trás, o braço esquerdo es­
aproximadamente ticado para o céu, os olhos fixos no eixo
Aqui nosso centauro vai para a frente. da flecha levantada para o céu. Se esta
Galopa com o arco esticado e afastado última simboliza o espírito, as idéias, as
do corpo. Imaginamos por isso que, a aspirações, o destino do homem, temos
menos que tenha uma habilidade fora de acreditar que o espírito, as idéias,
do comum, lhe custará atirar. as aspirações e o destino do nosso cen­
Porém, supomos que não atira nem tauro são ambiciosos e elevados, a ponto
uma só flecha de se dizer do nativo deste decanato que
pois leva a al­ está disposto a lançar a flecha mais longe
java às costas do que ela pode alcançar. O que quer
presa por dizer que, no âmbito deste de­
canato, o alvo é um ideal.

SAGITÁRIO
PO PRIMEIRO DECANATO
de 23 de novembro a 1 de dezembro
aproximadamente
O primeiro centauro de que vamos falar
tem o corpo do cavalo dirigido para a uma tira de couro que envolve seu
esquerda, mas o busto do homem vol­ corpo nu, cheia de pontas afiadas e
tado para trás, à direita, com o arco es­ emplumadas. O ardor, a fogosidade e De fato, es­
ticado e a flecha dirigida também para a energia emanam do movimento de tamos imersos
trás, com a ponta no eixo preciso dos seu corpo de cavalo, enquanto todos no universo das
seus rins de animal e cauda em pena¬ os músculos de seu tronco se retesam convicções sóli­
cho. Encontra-se imóvel, disposto a dis­ como seu arco. Se no decanato ante­ das, representadas
parar. rior nosso centauro se virava de forma pelos cascos do
E se é certo que, no centauro, o cavalo decidida para o passado, este aqui é corpo equino do
e o homem se fundem formando um só visto fixo no presente. Trata-se de um nosso centauro
ser, ao observar a imagem do primeiro presente dinâmico, em movimento, que se confun­
decanato temos a sensação de que tam­ cm ação, nem por um instante estático de com a terra sobre a qual o nativo
bém se fundem com o arco, com a fle­ nem fixo para sempre. Aqui o tempo deste signo pode descansar para apro­
cha, e mesmo com a alvorada, que não não se detém. Corre para a frente. Não fundar seu conhecimento do mundo
vemos, mas ele sim. Como a alvorada é o decanato da aventura mas sim das e da vida.
se encontra por trás dele, volta-se para aventuras, simbolizado pelas várias fle­ Assim dirigirá sua flecha para um obje­
seu passado. Mas, trata-se de um pas­ chas contidas na aljava do centauro e tivo idealista ou humanitário, uma causa
sado ambicioso, se assim podemos dizer, que lança aqui e ali, por onde quer que nobre e generosa, ambas as causas fa­
que mostra e atualiza simbolicamente, passe, ampliando assim seu campo de zendo avançar o Sagitário do terceiro
com a ponta da flecha. ação à medida que avança. decanato para o futuro.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

O símbolos vivos
de Capricórnio
Duas cabras com cauda de peixe e uma cabra-montês quefecunda representam
os três decanatos do signo de Capricórnio.

E nquanto Saturno é sem nenhuma


dúvida o astro regente do signo de
Capricórnio, não é exagerado dizer que,
segundo a mitologia grega, foi Zeus-Jú­
piter quem pôs no céu a constelação
deste animal maravilhoso e fantasma­
górico, que tem uma cabeça e um corpo
de cabra e uma cauda de peixe.
Literalmente, "capricórnio" significa
"cabra ou bode com chifres"; ou me­
lhor ainda, se remontarmos à origem
grega deste nome, veremos que aigo¬
kereus significa o animal com "chifres
de cabra".
Para compreender o significado simbó­
lico deste signo e do animal mítico que
o representa, devemos, evidentemente,
remeter-nos aos símbolos combinados
da cabra e do peixe. Neste caso, é pre­
ciso dar um tom muito importante às
interpretações que tiveram antigamente.
Para os gregos, tratava-se de uma cabra
mítica que amamenta, cujos chifres sim­
bolizam a abundância, a fertilidade, a ri­
queza. Porém, na Europa, durante a
Idade Média, a influência da Inquisição
fez com que se comparasse os traços do
bode endemoninhado, representando a
lubricidade, o vício, a libertinagem e o Como vemos, os símbolos da cabra e do se encontra a maior riqueza; é na noite
mal. peixe esclarecem bastante este signo, que que aparece o dia; é na escuridão que
Quanto ao peixe, pelo fato de nadar sob nem sempre é encarado com simpatia, surge a luz.
as águas profundas e primordiais do oce­ mas sob um ângulo bem mais benéfico
ano, que cobrem a maior parte da Terra, da fecundidade e da riqueza, como se 0 CAPRICÓRNIO PO PRIMEIRO
está associado às forças vitais fecunda¬ encontrássemos as maiores riquezas que DECANATO
doras, à origem de toda a vida. Por isso, fecundam e regeneram nas camadas de 22 a 31 de dezembro
atualmente, em psicanálise, o peixe re­ mais sombrias e austeras. Possivelmente, aproximadamente
presenta as camadas mais profundas e, talvez seja esta a mensagem essencial e Nosso primeiro símbolo é representado
muitas vezes, mais regeneradoras da profunda que transmite o signo de Ca­ por um animal fabuloso com cabeça e
personalidade. pricórnio: é no total despojamento que corpo de cabra e cauda de peixe. Mas,
'^*á**^ neste caso, esta cabra possui uma 0 CAPRICÓRNIO xam adivinhar sua flexibilidade, potên­
certa graça, uma espécie de formosura. PO SEGUNDO DECANATO cia e habilidade c que podemos imagi­
Deitada sobre as patas dobradas sob si de 1 a 9 de janeiro aproximadamente nar ainda melhor pelo fato deste animal
mesma, a cabeça direcionada para a fren­ N o universo de Marte, que rege este de­ se apresentar ereto sobre suas patas tra­
te, angulosa, imóvel, mostrando uma canato, esperamos encontrar a imagem seiras, não como se estivesse disposto
certa força, orgulho, nobreza, parece fi­ de um ser híbrido, metade cabra, meta­ a brincar, saltar, trepar ou ultrapassar um
xar seu olhar em um ponto do horizon­ de peixe, muito mais primário. E sem obstáculo, mas, mais exatamente, como
te. Quase se poderia desenhar um semi­ dúvida é isto que acontece aqui. De fato, se estivesse prestes a pôr-se de pé como
círculo perfeito por cima de seu corpo trata-se antes de mais nada de uma cabra um homem. De fato, o movimento de
elegante, por trás de seu pes­ selvagem, cujo corpo teria sido cortado sua cabeça, ligeiramente inclinada para
ao meio e ao qual foi incorporada a frente e para um lado, sublinha o fato
uma cauda de serpente ou de dragão dos seus olhos, tão expressivos, terem
dos mares. Desta vez, o animal mítico algo de humano, de inteligente. Mas,
que figura no segundo decanato já não a forma de seus chifres anelados não
está ajoelhado, nem deitado, mas com deixa qualquer dúvida: não se trata de
as patas estendidas para a frente, a cabe­ uma cabra qualquer nem de uma cabra-
ça rígida, ligeiramente inclinada, a ponta montês, que vive nos maciços mon­
dos chifres um pouco curvadas para ci­ tanhosos e cuja agilidade para saltar de
ma, o pescoço coberto com uma rocha para outra, no flanco de uma
pêlos eriçados, a longa cauda montanha, fez dela um animal lendá­
de peixe forma uma" rio. Ora, se desde Heródoto o bode tem
curva que passa por muito má reputação — o referido his­
coço largo e forte, desde a ponta do baixo de seu cor­ toriador grego fez alusão ao culto se­
focinho até o extremo de seus chifres po c ondula pa­ xual que lhe era prestado no
lisos e ligeiramente curvados para ra o céu como Egito, na cidade de Menfis, con­
baixo. Seu corpo parece cada vez mais cretamente a um deus repre­
delgado e estreito à medida que sentado por este animal —, na
nosso olhar se dirige, Europa Central c na Ásia a
para a parte traseira cabra-montês é consi­
que acaba em uma derada um animal
magnífica cauda de ' sagrado, a guardiã do
peixe. Esta descreve uma espécie de mundo.
curva que passa por baixo de seu corpo A cabra-montês tem o poder
deitado no chão, a barbatana da cauda uma serpente. Todas estas atitudes e ca­ de fazer sortilégios e, ao
está virada para o céu e forma uma espé­ racterísticas dão a impressão de uma viver no flanco das mon-
cie de flor, provida de três magníficas força impulsiva e decidida, de potência tanhas, em suas encos­
pétalas. Esta posição deitada, com as pa­ ativa c concentrada, que são completa­ tas, está muito perto
tas dianteiras sob o corpo — não há mente representativas da presença da do céu e das forças
patas traseiras pois o corpo termina em conjunção de Marte, regente deste de­ celestes, o universo
uma cauda de peixe —, poderia ser con­ canato, com Saturno, regente deste de Uranos ou Urano,
siderado um sinal de humildade; mas signo. regente deste terceiro
também de espera paciente e expecta­ decanato, personi­
tiva. A imobilidade da cabeça deste ani­ 0 CAPRICÓRNIO ficação do Céu
mal fantástico e seus olhos fixos no PO TERCEIRO DECANATO enquanto ele­
horizonte representam a lucidez, a pers­ de 10 a 19 de fevereiro mento que fe­
picácia do olhar penetrante, que não se aproximadamente c u n d a r á que
fia nas aparências. Porém, sua cauda de
A imagem que se conservou para re­ era o mari­
peixe deixa supor que está ainda rela­
presentar o terceiro decanato do signo do de Gea,
cionado com o princípio fecundante, ge­
de Capricórnio é muito mais moderna. a Terra, e
neroso e que, desta maneira, a presença
Trata-se simplesmente de uma cabra- a cobria co­
de Júpiter, regente deste primeiro de­
montês, ou talvez de uma camurça, pelo mo o bode co­
canato, se faz notar ao lado do austero e
menos no que se refere às suas pernas bre a cabra para fe­
lúcido Saturno, regente do signo.
altas, delgadas e musculosas, que dei­ cundar.
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos
de Aquário
Originalidade, inspirações, utopias são as três características mágicas dos três decanatos de Aquário,
cujos símbolos vivos misturam o sonho com a ambigüidade, o realismo com a imaginação.

A palavra "aquário" provém do termo


latino acqua, do qual derivam em
português os vocábulos "água" e "agua­
deiro". Em nossa representação de
Aquário vemos um aguadeiro a verter
o líquido de seu recipiente. Na Gré­
cia antiga, o que vertia a água tinha o
nome de hydrokos,palavra que também
significa "chuvoso". Mas não é possível
que a palavra grega aludisse ao período
de dias que abarca o signo de Aquário,
pois durante o mês de fevereiro, na
Grécia, não são as chuvas que caem mas
sim os ventos frios que sopram. Ainda
mais quando, recordemos, o Zodíaco
não nasceu no espírito dos Gregos, mas
no dos Mesopotâmicos, que viviam em
uma região de clima muito diferente,
onde podemos imaginar que as chu­
vas eram escassas, mas, pelo mesmo
fato, regeneradoras, fecundadoras.
Além disso, se nos regemos pela eti­
mologia do verbo verter, que é o que
o aguadeiro faz com sua carga, veremos
que procede do latim versare; deste
modo descobrimos que significava
"girar" ou "fazer girar", termo que, em
sentido figurado, se utilizava para ex­
pressar que se perturbava o espírito de tanto em sânscrito como em alemão, presentes nos símbolos vivos dos três
alguém para fazê-lo mudar de opinião significava "virar-se", "orientar-se", e até decanatos deste signo.
ou agir sobre ele. Pode relacionar-se a "mudar".
ação de comover ou fazer girar com os Vemos a riqueza de interpretações con­ 0 AQUÁRIO
movimentos do vento ou da água: as pás tidas no nome do décimo primeiro PO PRIMEIRO DECANATO
de um moinho são acionadas pela força signo do Zodíaco que mistura a Água de 20 a 30 de janeiro
do vento e sua roda com pás pela força e o Ar, dois elementos primordiais que aproximadamente
das águas. não se podem separar. Esta riqueza e esta Este decanato tem por nome Origina­
E se remontarmos à origem da palavra mistura, que geram algo singular e que lidade. Seu regente é Vênus. Não nos
latina versare, descobrimos uma raiz apelam a considerações totalmente ori­ surpreendamos que quem "verte água"
indo-européia na palavra werte, que, ginais e não convencionais, estão oni­ e figura no lugar dos 10 primeiros
graus deste signo seja um per­ persá-los. Assim, na tigela, a água de seus adivinhamos que esta água derramada
sonagem provido de uma certa graça. pensamentos, idéias e sentimentos fica é agitada pelo vento e que aí reside a ex­
Trata-se de um jovem que tem algo de contida c preservada, e evita-se a sua plicação de suas ondulações. O aspecto
feminino, tanto cm sua atitude como perda. Deste modo, o nativo deste pri­ primitivo do personagem que figura
em seu físico e em sua po­ meiro decanato distingue-se muitas aqui, do qual se desprende uma mistura
se. Poderíamos inclusive vezes por seu pragmatismo. de brutalidade e doçura, é típico da Lua
achar que é um ser andró­ Negra, que rege este decanato. Quanto
gino ou dotado de um ca­ O AQUÁRIO à água ondulante sob o efeito do vento,
ráter angelical. PO SEGUNDO faz alusão às qualidades de inspiração,
N o entanto, trata-se con­ DECANATO aspiração c adivinhação que se atribui
cretamente de um jo­ de 31 de janeiro a este decanato.
vem. Está de pé, com a 8 de fevereiro
a perna direita para a aproximadamente 0 AQUÁRIO
frente e o pé direito Neste caso esta­ PO TERCEIRO DECANATO
apoiado no chão; o joe­ mos em um universo de 9 a 18 de fevereiro
lho direito está ligeira­ menos ambíguo do que no aproximadamente
mente dobrado, enquan­ primeiro decanato, mas igual­ Nossa última figura é a que habitual­
to sua perna esquerda está mente intenso c mais primi­ mente prevalece quando aludimos
mais para trás, com a pon­ tivo. ao signo de Aquário. De fato, trata-
ta do pé esquerdo apoiado se de um personagem que segura
no chão e com o calcanhar e cerca com seus braços poten­
levantado; o joe­ tes uma pesada e imponente ân­
lho esquerdo fora que repousa sobre seu ombro
encontra-se vi­ esquerdo. Dela sai um enorme
sivelmente dobrado. Está vestido como O personagem apre­ jorro de água, que dá a impressão de
um pajem da Idade Média, e tem uma sentado no decanato ' não acabar nunca; de forma que a ân­
capa nas costas, que vai até a metade do central do signo de fora em questão parece não ter
corpo esvoaçando ao vento por trás dele. Aquário também está fundo.
Sua cabeça está um pouco inclinada para de pé, mas aparece Pensamos evidentemente na Cornu­
a frente. Sua mão esquerda segura um completamente nu cópia, nos recursos infinitos da ima­
cântaro pela asa, a cabeça baixa, vertendo como um homem ginação c do psiquismo, pois é o que
o conteúdo cm uma tigela que já está pré-histórico. se trata neste decanato regido por Ne­
cheia de água. Como podemos cons­ Efetivamente, em- tuno, que salienta uma grande rique­
tatar, o vento e a água estão presentes bora seu corpo za emocional potencial, com
nesta imagem, o primeiro sugerido pelo nos faça pen­ grandes reservas de inspiração,
movimento de sua capa c de sua cabe­ sar em uma aqui também, uma abundância
leira despenteada, a segunda, obvia­ criança que de sonhos e de utopias, de onde
mente, pelo líquido que se derrama do cresceu dema­ os homens se alimentam para
cântaro. Coloca sua mão direita no siado depressa esperar, mas também acredi­
fundo do cântaro, sobre o qual seu olhar ou, inclusive, no de um adulto um tar e evoluir. De fato, a fé
parece concentrado, indiferente a tudo pouco disforme, que guardou as curvas e a utopia reúnem-se
que possa acontecer à sua volta. De fato, e as atitudes de um corpo de criança, está neste decanato.
não esqueçamos que o regente indu­ coberto de densos pêlos nas axilas, no
bitável do signo de Aquário é Saturno. tronco e sobre o ventre e coxas. Faz-nos
Neste caso, portanto, o poder de con­ pensar também em um ser de instin­
centração e a capacidade de fixar sua tos ainda muito vivos, no qual aflora
atenção tem muita importância. Mas, sempre o animal. A cabeleira, é igual­
por que verter água de um cântaro para mente ondulada. Flutua no ar. Em sua
uma tigela que já está cheia e colocada mão direita, à altura do rosto, segura
sobre terra firme? Porque, simbolica­ um recipiente invertido, do qual cai
mente, são seus pensamentos originais água, que nos faz lembrar a de um
e seus sentimentos singulares que verte, rio de formas sinuosas, em sua pas­
se movimenta, sem intenção de dis­ sagem por um vale. Na realidade,
Mitos e símbolos dos signos do Zodíaco

Os símbolos vivos
de Peixes
Os três decanatos do último signo do Zodíaco são representados por três pares de peixes.
Cada um deles simboliza à sua maneira, e segundo seu estilo, a ambivalência própria deste signo sutil.

L ado a lado com o signo de Escor­


pião, Peixes é vítima de uma má re­
putação ante a maioria das pessoas. Sem
dúvida que não são mais do que tópicos
e esquemas negativos que também
acontecem em tantas outras áreas; a as­
trologia não tem a exclusividade em re­
lação a este assunto. Mas é inevitável:
o mal está feito.
Tentemos compreender por que razão
e como este signo acabou por herdar
uma tal negatividade, a priori, entre a
maioria de quem não conhece bem a as­
trologia exceto algumas das caracterís­
ticas próprias de cada um dos doze sig­
nos do Zodíaco, lidas em revistas que
publicam monografias feitas mais para
agradar e aumentar as vendas do que
com uma preocupação de autenticidade.
Estas publicações, cultivando o melhor
que podem as idéias que se tem dos na­
tivos de Peixes, apresentam estes como
seres fracos, sensíveis, imaginativos, ide­
alistas, místicos, poetas, todas as quali­
dades que não se pode dizer que favo­
reçam a integração social e o realismo.
Ponhamos, porém, este signo em seu
lugar no Zodíaco e vejamos que não se
trata do último — pois, na realidade, ex­ nos maiores, franqueiam-se simboli­ córnio que, tradicionalmente, foi batiza­
ceto do ponto de vista cronológico es­ camente 21 portas — que são as mes­ do como o iniciador do mundo. Depois,
tabelecido simbolicamente pelos nossos mas etapas no caminho de sua realização nos encontramos no universo de Aquá­
antepassados, não há primeiro nem úl­ pessoal —, evoluindo nesta mesma roda rio, chamado o libertador do mundo.
timo —, mas do que coincide com o do Zodíaco, descobrimos também o iti­ Por último, entramos no signo de Pei­
final de um ciclo da natureza e anun­ nerário recomendado, inclusive obriga­ xes, considerado por nossos antepassa­
cia um novo. tório, que leva o homem ou a mulher dos como o salvador do mundo. Em ou­
Ora, pode estar aqui o seu papel mais pelo caminho desta mesma realização tras palavras, poderíamos dizer que, na
importante. Da mesma forma que, se­ pessoal que, no final de tudo, é o ob­ etapa de Capricórnio, o homem se
guindo o percurso do Louco à volta da jetivo de todos. Pois bem, seguindo este transforma em conhecimento e saber;
roda da vida que formam os 21 arca­ caminho, passamos a porta de Capri­ que, no período de Aquário, se liberta
de todas as suas dependências fí­ tamos, neste caso, no universo da Cla­ Neste caso, o corpo e a alma estão, se
sicas, morais, afetivas e sociais e que, fi­ rividência, que é o nome do trigésimo não em sintonia, pelo menos em relação
nalmente, ao chegar a Peixes, salva-se, quarto decanato do Zodíaco? Sim, pois constante um com o outro.
o que significa que ao mesmo tempo o nativo cm questão é lúcido e clarivi­
que escapa, evade-se, sai do campo do dente, ou então está angustiado c de­ 0 PEIXES
sesperado. Vai de um extremo ao outro, PO TERCEIRO DECANATO
sem passos intermediários, às vezes da de 10 a 20 de março aproximadamente
noite para o dia, ou de um momento Os dois peixes escolhidos para repre­
para o outro... sentar este último decanato do Zodíaco
estão cm movimento e em tensão. Seus
0 PEIXES corpos possuem também escamas, evi­
PO SEGUNDO DECANATO dentemente, mas desta vez são maiores,
de 1 a 9 de março aproximadamente mais aparentes. Suas barbatanas do
E, esteticamente, o mais belo, o mais dorso, do ventre e da cauda parecem
harmonioso dos três pares de peixes que estar esmagadas pelas correntes. Em
figuram no último signo do Zodíaco. todo caso, está claro que as utilizam e,
tal como se apresentam, movem-se a
grande velocidade. O de cima já não
eterno recomeçar do ciclo dos renas­ está em posição horizontal, como
cimentos c das estações, que marcam os dos dois decanatos prece­
a vida sobre a Terra. dentes. Dirigido para a direita,
De um ponto de vista figurativo, os nos­ seu corpo forma um ângulo de
sos três pares de peixes se juntam em 45° acima do horizonte. Supõe-se,
um só bloco. Diferem quase sempre portanto, que a cabeça, virada para o
apenas na direção em que nadam e céu, emerge das correntes enquanto
em suas posições. seu semelhante tem a cabeça para
baixo e, quanto ao corpo, forma
0 PEIXES
PO PRIMEIRO DECANATO
de 19 a 29 de fevereiro De fato, trata-se de dois peixes belos e
aproximadamente longos, possuidores de magníficas es­
O primeiro par é constituído por dois camas, uma cabeça fina, duas barbata­
peixes semelhantes em tudo. Mas vere­ nas no ventre e no dorso e uma barba­
mos que é sempre assim nas três figu­ tana caudal bem desenvolvidas, mas
ras que simbolizam os três decanatos bem proporcionais cm relação ao seu
deste signo. N o entanto, o que distin­ corpo. Deles emana uma certa tranqüi­
gue os dois peixes deste decanato dos lidade e segurança, mas também finura
outros dois pares é, antes de mais nada, e força ao mesmo tampo, tudo ele­
as posições que adotam um em relação mentos que tanto fazem alusão à beleza igualmente um ân­
ao outro. O primeiro está completa­ física como à interior. Certamente, gulo de 45° abaixo do ho­
mente na posição horizontal, com a ca­ estes dois peixes estão um sobre o outro. rizonte. Este segundo peixe está prestes
beça virada para a esquerda; o segundo O que está acima dirige-se para a es­ a mergulhar nas profundezas. Um emer­
está debaixo dele, com a cabeça e o querda, seu corpo bem posicionado. ge, o outro submerge, mas ambos estão
corpo ao contrário, como se estivessem U m cordão ata a barbatana caudal ao seu ligados por um cordão, cuja extremi­
com os pés contra a cabeça, ou como congênere ou irmão gêmeo, que vai na dade seguram com a boca. É assim que
se estivesse cada um nadando por mares direção oposta. De modo que cada um se representa a ambivalência que carac­
e águas que se encontram nas duas ex­ parece ter escolhido um caminho, en­ teriza quase sempre o nativo deste de­
tremidades do mundo. De fato, como quanto um laço os junta e os une. canato. De fato, este último tanto aspira
já dissemos, enquanto estes peixes são Mas este laço, evidentemente, simbo­ a sair da sombra para expressar c mos­
semelhantes em tudo, não há nenhum liza os elementos sutis que ligam as trar o que pressente ou percebe, como
laço aparente entre eles. Mas nada nos tendências aparentemente contraditó­ tenta retirar-se do mundo, mergulhar
impede de imaginar que o de cima tanto rias, embora na realidade complemen­ em si mesmo e nadar nas últimas pro­
poderia ser o de baixo e vice-versa. Es­ tares, no seio do nativo deste decanato. fundezas da alma e da consciência.
Merlin, o Mago
Merlin está presente nas lendas celtas há muitos séculos.
Durante os séculos XII e XIU, era representado com os mesmos traços
que hoje o identificam.

transformação do personagem de lenda conta que um dia os adi­


Merlin, profeta bretão que apare­ vinhos e os magos do país anun­
cia tradicionalmente nas lendas cel­ ciaram ao rei da Bretanha que seu
tas, devemos a Geoffroy de Mon­ trono estava em perigo.
mouth, sábio e bispo gaulês, autor Segundo estes, o responsável era
de uma Vie de Merlin de 1148, e a Robert de Boron, uma divindade má que se opunha a seus desígnios,
poeta anglo-normando, autor de Merlin nos finais tratava-se de um menino nascido sem pai. Os sol­
do século XII. Ambos fizeram dele o filho de um dados do monarca começaram a procurar este me­
demônio e uma virgem, outorgaram-lhe pode­ nino e, tendo este sido encontrado, levaram-no
res sobrenaturais e o integraram na lenda do rei ante ele. Era efetivamente, Ambrósio, futuro Mer­
Artur, fundador da Távola Redonda no século VI. lin, que realizou então sua primeira profecia.
Segundo estes autores, Merlin foi o iniciador do Ante os adivinhos e magos, e diante do rei, reve­
rei Artur. lou a presença de uma grande camada de água sob
o castelo, onde se encontrava um grande búzio; em
nascimento de Merlin se situa nas seu interior, duas serpentes: uma vermelha e outra
Ilhas Britânicas, no País de Gales, branca. Para comprovar seu presságio, quebraram
por volta de 470, algum tempo o búzio e dele saíram duas serpentes; a branca agre­
antes do nascimento do rei Artur. diu violentamente à vermelha, que pareceu su­
Acredita-se que seu pai era um ma­ cumbir ao terceiro ataque. N o entanto, a vermelha
gistrado romano e sua mãe uma vestal (sacerdo­ acabou por dominar a branca e transformou-a em
tisa virgem consagrada a Vesta, a deusa romana do sua presa. Ambrósio explicou então que a serpente
fogo do lar) que renegou seus votos. Nos tem­ branca representava o estan­
pos passados do Império Romano, uma conduta darte do rei apoiado pelos
deste tipo era condenada com a pena de morte. saxões, e a serpente vermelha
Para salvar sua vida, a mãe de Merlin expôs ante o do povo da Bretanha.
os juizes que sua concepção tinha sido sobrena­ Previu também que depois
tural, afirmando que o filho que levava no ven­ de haver sucumbido
tre era o eleito dos deuses. Além disso, ao nascer três vezes sob o julgo
o menino, chamou-o Ambrósio, que significa do rei traidor,
"imortal" (a ambrosia era o néctar dos deuses mi­ o povo bre­
tológicos). Mais tarde, Ambrósio passará a ser Mer­ tão se rebe­
lin, bardo ou poeta, músico e cantor, mas ao laria para
mesmo tempo druida adivinho, mago e conse­ expulsar o ti­
lheiro de Ambrósio Aurélio, o príncipe libertador rano e os bár-
da ilha de Bretanha que se oporá ao rei e perse­ baros. Efetiva­
guirá os saxões, aliados deste último, por volta dos mente, isso foi o
finais do século V. que aconteceu.
Este é, portanto, segundo a lenda Nofinalde sua vida, por volta do ano
bretã, o primeiro prodígio de Am­ 560, Merlin é testemunha, desta
brósio, sua primeira profecia cum­ vez com impotência, de uma gue­
prida. É neste momento que o rra fratricida contra os bretões do
bardo bretão passa a ser o mago País de Gales e da Escócia. Este úl­
Merlin. Na religião dos celtas, o druida não é ape­ timo episódio da história terá efeitos desastrosos
nas um sacerdote que venera as árvores, as fon­ sobre sua saúde mental e sua fé nos homens. Vol­
tes de água, as pedras, os animais míticos da flo­ tará novamente à vida selvagem e morrerá soli­
resta, os espíritos do fogo, do ar, da terra e da água, tário, algum tempo mais tarde, nas florestas de
mas que é também médico, curandeiro, filósofo, Cornualles, entre os espíritos da natureza.
astrólogo, mago, adivinho, poeta, músico, peda­
gogo e exerce uma influência política importante, Merlin o druida, profeta e mago,
Por sua grande capacidade para tudo isso, Mer­ entra a partir de então na lenda por
lin é considerado um druida fora do comum, uma haver pressagiado, entre outras coi­
grande figura do druidismo. Depois disso, a trans­ sas, o nascimento do rei Artur, a
bordante imaginação dos homens c sua necessi­ resistência dos bretões e a derrota
dade de sonhar fizeram o resto. dos invasores bárbaros. Esta lenda atravessa rapi­
damente as fronteiras da ilha da Bretanha para es­
Quando Ambrósio Aurélio, príncipe tender-se por toda a cristandade. De fato, pouco
libertador da ilha da Bretanha, mor­ depois da morte de Artur e de Merlin, o papa Gre­
reu, Merlin se transformou no gório, chamado o Grande, delega aos monges be­
bardo de seu sucessor, o rei Artur, e neditinos a evangelização dos bretões. E será ao
exerceu estas mesmas funções de longo do século seguinte, quando à lenda de Artur
adivinho, astrólogo, mago e conselheiro político. c Merlin é acrescentada a busca do Graal, que se
Ajudou-o durante a heróica guerra de resistência converte no fim último e supremo dos cavalei­
no século VI que dividiu a ilha e durante a qual os ros da Távola Redonda. Deste modo, os cristãos
bretões, refugiados no País de Gales e Cornualles, mesclaram as façanhas legendárias dos heróis
obrigaram os saxões, jutos e anglos — as hordas bretões com os relatos bíblicos e encontraram nelas
de bárbaros vindas do norte para invadir sua matéria para propagar as palavras de Cristo.
ilha — a retroceder. Os êxitos dos bretões foram
tão extraordinários que chamaram a atenção de
seus contemporâneos, que atribuíram estas vitó­
rias a forças sobrenaturais ao serviço do rei Artur.
O Unicórnio e o Dragão
Estes dois animais mitológicos e fabulosos são os protagonistas de muitas lendas,
contos e histórias maravilhosas. Quando na imaginação dos homens os símbolos se transformam
em seres vivos, o Unicórnio e o dragão tomam corpo, forma e substância.

0 UNICÓRNIO
Em geral, a atual representação deste
animal fabuloso, o Unicórnio, se parece
muito com a da tapeçaria de seis peças
do final do século XV, A Dama e o Uni-
córnio, do museu de Cluny, em Paris.
O Unicórnio aparece inicialmente com
o aspecto de um animal fantástico c
irreal, com o corpo de um cavalo, casco
dividido e uma cabeça de cabra, cuja
testa possui um longo chifre.
Dai provém o seu nome do latim, uni-
cornius, em português, Unicórnio.
O mito do Unicórnio c citado pela pri-
meira vez pelo historiador grego Cte-
sias, médico de Ciro, o jovem (423-401
a.C), e, posteriormente, por Artajer-
jes II Mnemón (404-358 a.C), ambos
— Ciro e Artajerjes —, reis e irmãos
inimigos foram os responsáveis por
levar o Império Persa ao caos. E por
isso que sempre se atribui a origem do
mito do Unicórnio aos persas.
Na sua história, Ctesias, que seguiu Segundo os alquimistas da Idade Média, e contra qualquer evidência, o Unicórnio,
Artajerjes pelo Egito e pela Índia, men- princípio masculino, e a corça, princípio feminino, formavam um casal perfeito.
ciona as virtudes medicinais atribuídas
ao chifre deste animal mítico que, na Independente da origem histórica, o que nos faz lembrar que, para os ho-
verdade, não passava do rinoceronte- Unicórnio se transformou em um ani- mens da Antiguidade, principalmente
branco-da-índia. Em qualquer caso, mal mítico muito prezado durante a no Egito, o céu era feminino e repre-
assim como o Unicórnio das lendas, o Idade Média. Símbolo de pureza e cas- sentado pela deusa Nuti e a Terra era
rinoceronte-branco é um animal so- tidade, era uma representação da Vir- um princípio masculino representado
litário, muito temido, absolutamente gem Maria. N o entanto, o seu cará- pelo deus Geb.
herbívoro, que possui um ou dois chi- ter selvagem, indomável e a lenda de Para os alquimistas, o Unicórnio re-
fres no focinho e que vive em zonas que apenas uma virgem era capaz de presentava o espírito, o enxofre, prin-
pantanosas. Devido ao seu olfato se aproximar dele e domesticá-lo, tam- cípio masculino, e a corça simbolizava
muito aguçado, é quase impossível se bém o converteram em uma figura do a alma, o mercúrio, princípio femi-
aproximar desse animal. Por outro Menino Jesus. Outra lenda, que sur- nino. Dessa forma, da união de ambos
lado, são atribuídos poderes afrodisía- giu no século XI, dizia que beber em poderia nascer o ser divino.
cos ao pó do chifre de rinoceronte. um chifre de Unicórnio protegia de
Além disso, o Unicórnio, apesar da sua todos os males. Posteriormente, os al- 0 DRAGÃO
elegância e fragilidade aparentes c do quimistas o associaram à corça, for- Sem querer fazer nenhuma associação
seu caráter feminino muitas vezes as- mando um casal perfeito. Na sua men- e sem querer encontrar a todo custo
sociado, é um símbolo do princípio talidade, ocorreu uma curiosa inversão coincidências e laços entre algumas
masculino fálico. — fiel à lenda mítica do Unicórnio — crenças do passado e as que atormen-
atormentam a imaginação dos homens
com características
con­ de um grande rép­ encontrar com essas forças primordiais,
temporâneos, não podemos deixar de til dotado de asas ou aletas, um longo primitivas, que o encadeiam no ciclo
constatar que existem muitos pontos pescoço, patas longas com dedos (tanto infernal e interminável do nascimento
cm comum entre o mito do dragão, na forma de garras quanto palmípedes) e da morte, seguido de um novo nas­
animal lendário, e o dinossauro que, e que cospe fogo. Pelo menos, é dessa cimento e de uma nova morte. Mais
apesar de sabermos que realmente forma que ele é representado na cul­ uma vez, os mitos e os símbolos do
existiu, também nos parece fantástico. tura ocidental. dragão se integraram na simbologia al­
De certa forma, o dinossauro parece Por outro lado, na China, o dragão, ani­ quimista. Assim como a corça, o gran­
mais irreal que o dragão, pelo fato de mal mítico, símbolo do Yang, da fer­ de princípio feminino e mercurial, o
mais de cem milhões de anos nos se­ tilidade e da ação, é representado como dragão devia ser sacrificado para que o
pararem da sua presença na Terra. uma serpente enroscada no centro da enxofre, o grande princípio masculino,
Então, como podemos imaginar o sig­ Terra, origem da criação do mundo. O pudesse ser extraído dele.
nificado de cem milhões de anos, nós céu e as constelações quase sempre
que somente vivemos na Terra por também eram representados como
volta de 70 anos? Ou então, seria pos­ uma grande serpente que envolvia a
0 Unicórnio e o dragão
sível que o ser humano tivesse con­ Terra, tanto no Ocidente quanto no
são monstros?
Devemos falar de monstros quando
servado na sua mais profunda memó­ Oriente. Simbolicamente, o dragão tem
nos referimos ao Unicórnio e ao
ria marcas inconscientes da existência sido associado e identificado com esse
dragão? Acreditamos que não. Na
desse réptil gigantesco? Não podemos fabuloso potencial de energias pri­
mentalidade dos nossos antepassados,
afirmar nada a respeito. Atualmente, mordiais — ao mesmo tempo destru­
esses dois animais fabulosos não eram
tudo o que sabemos é que o homem, tivas e criadoras, celestes e terrenas —
monstros da natureza, apesar de se-
por mais inteligente que seja, apenas que o homem carrega dentro de si e
rem vistos como tais. Não podemos
usa cerca de 10% da sua capacidade ce­ que também encontram-se na Terra. É
esquecer que, tanto na Antigüidade
rebral e que, normalmente, não vive como se uma força incrível, superando
quanto na Idade Média, os monstros
mais de cem anos, mesmo dispondo tudo o que possamos imaginar, fosse
tinham um caráter divino, justamente
de uma quantidade de neurônios su­ mantida prisioneira dentro da Terra,
por serem extraordinários e excepcio-
ficiente para durar mil anos. Em todo assim como dentro do ser humano. É
nais. As suas particularidades os torna-
caso, apesar de não sabermos se os nos­ por isso que, para o
vam mensageiros dos deuses na Terra.
sos antepassados já tinham encontrado homem, vencer o
Deviam ser venerados ou pelo menos
esqueletos de dinossauros, uma coisa dragão se trans­
escutados quando se manifestavam e
é certa: a iconografia do dragão quase forma em uma
atendidos quando apareciam. Dessa
sempre representa um animal fabuloso busca para se
forma, a caça ao Unicórnio e ao dragão
se transformou em uma busca mística.
Na realidade, não se estava caçando
O dragão, animal fabuloso, é uma um sonho, uma lenda ou um mito;
imagem simbólica das forças pois, alcançando um ou outro, os
primordiais que o homem homens alcançavam a si mesmos
i leva dentro de si. para encontrar a luz, a verdade e o
amor. Não é exatamente isso que
todos nós ainda buscamos?
O Paraíso, Adão e Eva,
o pecado original
Os mitos do Paraíso, do andrógino primogênito do primeiro homem e da primeira mulher,
são universais. Mas o mito do pecado original é único no seu gênero.

T entaremos aqui compreender o


significado de certos mitos da Bí­
blia, fora de todo o sentimento ou
de vários símbolos, que, juntos, for­
mam uma mensagem. Esta mensagem,
sem dúvida, é muito rica em ensina­
bíblicos parecem sem sentido e cheios de
inverosimilhanças. Em contrapartida,
se os tomarmos sob um ângulo poéti­
crença religiosa. Não se trata de saber mentos, já que chegou até nós atra­ co, mítico ou religioso, segundo nos­
se devemos ou não acreditar neste ou vés de homens e mulheres que vive­ sas convicções ou crenças, adquirem
naquele mito bíblico, mas de contri­ ram experiências tão essenciais para um sentido muito importante.
buir com um ponto de vista diferente eles que sentiram a necessidade de os Em relação ao mito de Adão e Eva, va­
a partir das descobertas científicas dos transmitir. Com efeito, os relatos des­ mos nos contentar em mostrar apenas
arqueólogos e historiadores contempo­ tes mitos foram escritos em um tempo alguns dos símbolos recorrentes e uni­
râneos. Teremos em conta também os em que a prática da escrita, ainda em versais que aparecem: o Paraíso, o pri­
relatos ou lendas relacionados com este seus primórdios, não estava ao alcance meiro homem, a primeira mulher e o
mito que, tratando-se da Bíblia, são in­ de todos. pecado.
formações complexas reveladas graças Assim, em sua maioria, estes relatos
ao código secreto da cabala, e que são são anônimos, pois o tempo nos fez 0 PARAÍSO
o resultado tanto da matemática como perder a pista de seus autores e, tam­ Para os homens da Antigüidade, o
da lógica, da inspiração e da especula­ bém, devido ao caráter sagrado e tabu Paraíso era a mais bela representação
ção. N o entanto, o que deve reter nos­ da escrita. do Além, cuja figura simbólica habi­
sa imaginação é que os grandes mitos Quase sempre, se os tomarmos ao pé tual é um jardim maravilhoso. Este jar­
bíblicos são constituídos muitas vezes da letra, muitos destes relatos bíbli­ dim, situado no centro do cosmo, era

No jardim do Éden, Adão e Eva não tinham vergonha Depois do pecado original, a sexualidade transforma-se
de sua nudez. em um objeto de vergonha.
o fim último do ho­ 0 PECADO
mem. Mas nos relatos da Embora não tirassem as
Bíblia aparece no princípio conclusões científicas que
dos tempos. Relacionamos, existem atualmente, os
portanto, este mito com o médicos da Mesopotâmia
de uma Idade de Ouro ori­ sabiam que certas doen­
ginal que a humanidade ças podiam ser transmi­
conheceu, da qual saiu e à tidas simplesmente pelo
qual um dia voltará. contato. Prodigalizavam
Este jardim das delícias, o curas, preparavam remé­
Éden, este paraíso perdido, dios e praticavam nor­
cuja porta devemos encon­ malmente os exorcismos.
trar, pode ser comparado Consideravam que o por­
com os símbolos do labi­ tador de uma doença,
rinto e da Mandala tibetana. além de ser contagioso,
Mas com respeito a como foi sofria de um mal, do qual
relatado pelos primeiros re­ era de certa forma res­
datores da Bíblia, devemos ponsável. Tinha de ter co­
assinalar que se inspira em metido um delito, uma
um texto anterior, escrito transgressão das regras e
pelos Sumérios e depois re­ leis em vigor nessa civi­
tomado pelos semitas da lização, do qual era cul­
Babilônia, onde se faz alusão pado. Tratava-se portanto,
ao "país dos vivos", situado não só de curá-lo, mas
a sudoeste da Pérsia, e re­ também de libertá-lo des­
gado pelos quatro rios. ta falta, ainda mais quan­
O Gênesis II, 10-14 diz: do podia tê-la cometido
"Saía do Éden um rio que sem o saber ou contra sua
regava o jardim e dali par­ Este símbolo, conhecido na índia com o nome de shriyantra, vontade.
tia-se em quatro braços. O simboliza o ser andrógino original. Foi nesse contexto que
primeira chamava-se Pisão foram escritos os pri­
[...]. O segundo chamava-se Guijão tendida como uma infração sexual, meiros relatos da Bíblia. De qualquer
[...]. O terceiro chamava-se Tigre [...]; apareceu pela primeira vez nos textos forma, na mitologia hebraica do Antigo
o quarto era o Eufrates". Vemos, por­ do teólogo hebreu Filão de Alexandria, Testamento, esta noção de transgres­
tanto, que o Éden se situa em um lugar no começo de nossa era. De qualquer são, segundo a qual o culpado nem
geográfico muito concreto. forma, devido aos numerosos textos da sempre está consciente de sê-lo, trans­
Assinalemos finalmente que, para os Bíblia, escritos em diferentes épocas e forma-se totalmente. O mal é consi­
cabalistas, o Gân-Âeden do relato da não de uma só vez, dispomos de duas derado inevitável. Q u e m não trans­
Criação é o lugar por onde Adão deve versões do mito de Adão e Eva. O pri­ gride não conhecerá o mal, a doença
sair com o risco de não evoluir nunca meiro é o chamado yahvista, porque ou o sofrimento. Infelizmente não é
mais. Segundo estes, é como um re­ nele o Deus é Yahvé; o segundo, pos­ tão simples, visto que homens e mul­
fúgio demasiado confortável, no qual terior, chama-se eloísta, pois Deus apa­ heres de coração e intenções puras so­
o homem leva uma vida muito pre­ rece com o nome de Elói ou Elohim. friam sem razão nem causas aparentes.
guiçosa, em condições psicológicas e Nesta segunda versão adotada pelos ca­ Para poder explicar os tormentos e
fisiológicas inertes e imutáveis, nas balistas, que chamam ao primeiro grandes sofrimentos das vítimas ino­
quais não pode manifestar sua vontade, homem Adâm, que vem de adamah, a centes tinha que haver, portanto, uma
nem seu livre arbítrio, nem sua cons­ terra de Adão, homem e mulher ao causa primeira, um pecado original:
ciência individual. mesmo tempo. Voltamos a encontrar o que Eva cometeu segundo o relato
aqui o mito do Paraíso perdido, no yahvista; ou o cometido por Adâm an­
ADÃO E EVA sentido de que, sempre segundo os ca­ drógino, segundo o referido relato elo­
Formam o casal primogênito, que nos balistas, este homem original é tam­ ísta e os cabalistas que o seguem. Foi
parecem indissociável. Devemos saber bém o homem no qual nos devemos deste modo que nasceu o mito do pe­
que, historicamente, sua união, en­ transformar. cado original.
A fada e a bruxa
As fadas, da mesma forma que os anjos, eram gênios bons e espíritos da natureza.
Como chegaram a se transformar em bruxas?

A tualmente, estamos todos conven­


cidos de que as fadas e as bruxas são
só personagens de contos, e qualquer
pessoas adulta, razoável e sensata, sabe
que não tem nenhuma base real.
Se possuímos apenas uma vaga infor­
mação histórica sobre a perseguição às
bruxas durante a Idade Média, pode­
mos achar que se tratava mais de um
fantasma maléfico ou de uma forma de
puerilidade na mentalidade dos nossos
antepassados que de uma espécie de
caça organizada ao demônio, pois
todos sabemos que o demônio não
existe. Mas podemos ter tanta certeza
disso?

AS BRUXAS EA INQUISIÇÃO
Certamente, se quisermos dar ao demô­
nio ou ao que entendemos como tal —
isto é, o Diabo, as forças do mal, as po­
tências das trevas, etc. — uma ou duas
figuras reais, devemos procurar em
nosso passado e referir-nos ás imagens
da Europa do século XV e XVI, que foram
os tempos da caça às bruxas e aos demô­
nios.
Impelidos por um fanatismo religioso,
que inspira, talvez sem eles saberem, os
Os maravilhosos contos de nossa infância nos ofereceram uma imagem da fada que vivia
sectários de todas as crenças ou religiões,
em plena natureza e que trazia paz e serenidade com um toque de sua varinha mágica.
os grandes ou pequenos inquisidores
torturaram, queimaram e massacraram
quem não tinha fama de santidade e não como foram descritas, ou seja, m u ­ DA FADA À BRUXA
se conformava com as regras, as leis e as lheres sob tortura, denunciadas, per­ N o entanto, a história e o nascimento
normas da religião, as quais eram to­ seguidas, condenadas mesmo antes de das fadas são muito anteriores a este pe­
talmente arbitrárias e tirânicas. serem julgadas. ríodo negro e cruel da Inquisição, pois
Tais horrores foram cometidos em Foi assim durante a segunda metade é evidente que, a partir do século XIV,
nome do amor e da fé em toda a Europa do século XV, no final da Guerra dos houve um ataque direto às crenças, co­
— especialmente na Alemanha e na Cem Anos. Mulheres nuas ou vestidas nhecimentos, mitos e símbolos dos nos­
Espanha —, durante este obscuro pe­ de preto, montadas em uma bengala, sos antepassados, dos quais sentimos
ríodo, que deixaram um rastro persis­ em uma vassoura ou em um animal nostalgia. Sem eles, faltam-nos pontos
tente em nossa imaginação e em nossa monstruoso, anunciando malefícios, de referência e já não sabemos de onde
memória. lançando feitiços e firmando um pacto vimos, quem somos e para onde vamos.
Assim, quando falamos de bruxas ou com o Diabo, do qual tinham marcas Seria possível as fadas nos ajudarem a
as representamos, as vemos sempre no corpo. encontrá-los novamente?
Sem dúvida. Até podem estar na
causa do atual interesse existente por
tudo que nos faz sonhar, pelo que nos
afasta do mundo fácil do material, cada
vez mais desencantado.
De fato, no início, as fadas tinham os
mesmos atributos, poderes e, podería­
mos dizer, os mesmos deveres e respon­
sabilidades que atualmente atribuímos
aos anjos da guarda. Eram associados aos
bons espíritos dos lugares, montes, bos­
ques, vales, colinas, montanhas, cumes,
fontes, rios, escarpas, grutas. Quando os
romanos invadiram a Gália e a Europa
dos Celtas, deram a estas divindades, a
maioria representada com traços de mu­
Representação de duas bruxas sobrevoando a paisagem.
lheres e às quais os druidas se dirigiam,
o nome de fati ou fata, a "deusa do des­
tino", que derivou do latim fatum, "des­ malévolas, ávidas de poder e riqueza Foi assim que os espíritos femininos
tino", de onde provém o nome de franquearam para justificar os piores da fauna e da flora da Europa celta, as
"fada". horrores que cometiam, principalmente divindades boas daqueles povos, as que
Da fiandeira do destino, que era a fada porque a mulher fada tinha a fama de adoravam principalmente as mulheres,
que tecia as redes do destino do bebê no ser capaz de metamorfosear-se, de to­ se perpetuaram oralmente, de geração
ventre da mãe, à feiticeira, que era a mar o aspecto de uma raposa, doninha, em geração. Os ritos, costumes e co­
bruxa, era só um passo que as mentes gazela ou Unicórnio e eram-lhe atribuí­ nhecimentos adquiridos desde há sé­
dos poderes sobrenaturais, como pro­ culos — especialmente no campo da
porcionar sorte e amor, curar milagro­ medicina empírica a partir de amostras
Representação do suplício de uma bruxa
samente as doenças e as feridas, seduzir (o que hoje em dia chamamos fitote­
na fogueira.
os homens e unir-se a eles para ter fi­ rapia ou tratamento através das plan­
lhos magos ou dar-lhes força, coragem, tas) — foram associados desde o século
heroísmo e vitória nos combates de XII aos espíritos malignos, devido à im­
guerra, tudo isto virtudes sob suspeita. plantação do processo inquisitorial
Em um conto de Perrault, cita-se uma proclamado na bula Vergentis in senium
espécie de ninfa das águas, que está por do papa Inocêncio III. Mas foi sobre­
trás da mudança e renovação do ar ou tudo a partir do século XV que estes
que, pelos menos, percorre as terras seres maravilhosos foram considera­
germânicas durante os dias compreen­ dos uma verdadeira praga na Europa.
didos entre o Natal e os Reis. Quando As fadas converteram-se assim em bru­
neva na terra dos homens, é porque ela
xas.
agita seu leito de plumas. As mulhe­
res que vão ao seu encontro recebem
dela saúde e fecundidade.
Os recém-nascidos provêm de seu re­
As fadas
servatório. Castiga as fiandeiras pre­
Morgana e Esterel
Entre as fadas mais conhecidas, encontra-
guiçosas, suja suas rocas, embaralha seus
fios ou queima seu linho. se a fada Morgana, irmã do rei Artur, aluna
Por outro lado, envia fusos às jovens que de Merlim, que lhe ensinou sua magia. Outra
fiam com paixão e durante a noite também muito importante é Esterel, fada
adianta-lhe o trabalho e termina-o. Atrai que deu seu nome ao maciço e bosque com
facilmente as crianças para seu tanque, o mesmo nome (na Provença) onde habi-
confere felicidade aos que são bons e tra­ tava. Foi célebre durante a Idade Média.
balhadores e torna miseráveis os que são Criava beberagens mágicas que davam fer-
maus ou preguiçosos. tilidade às mulheres.
Quem é o Diabo?
Crentes ou não, afigura do Diabo nos inquieta, nos perturba e nos causa angústia.
Todavia, sabemos a razão disso?

O Diabo, tal como o entendemos


normalmente, não é o que pen­
samos. Mais uma vez, as raízes etimo¬
De fato, um dos papéis do Mal, na tra­ paração de poções, beberagens mágicas
dição judaica, c o de acusar os justos e remédios. Era um dos muitos ramos
diante do Tribunal de Deus. Para os gre­ da magia. A partir daqui, podemos dizer
lógicas nos informam sobre o sentido gos, um diabolos era um acusador, um que passamos da noção antiga de acu­
exato do termo e nos revelam que a in­ caluniador, resumindo, um personagem sador público — função exercida hoje
terpretação que lhes damos e as repre­ não muito bem visto. em dia por um fiscal em um tribunal de
sentações que dele fazemos são falsas. N o século X, o latim tardio diabolus já justiça — à noção medieval, mais mo­
tinha derivado em "diabo" no idioma derna, de demônio. Mas foi a idéia de
AS ORIGENS castelhano com o sentido de demônio. demônio que ficou gravada na memória
PO DIABO N o século XIII já estava enraizada uma e à qual nos referimos hoje em dia, sem
O termo grego diabolos, de onde vem o "ciência" de caráter diabólico para a pre­ saber muito bem o que quer dizer
nosso diabo, significa literalmente "o "demônio", exceto que, para nós, é uma
que tira de um lado e de outro, que representação ou encarnação do Mal.
desune, separa, semeia a dis­
córdia". 0 DEMÔNIO
É a palavra que os tradutores gre­ Mas o demônio em si mesmo
gos da Bíblia empregaram para nada tem de mal, negativo ou
traduzir do hebraico o termo satân, maléfico, pelo menos se con­
o acusador e que ainda hoje se utiliza sideramos seu sentido original. De
como satã ou Satanás. fato, até os princípios do século XIV, o

Diversas representações
do Diabo no imaginário
medieval.
daemon ou demônio rito do Mal, por oposição
não tinha sido identificado a Deus, espírito do Bem.
com esse espírito infernal, de Devemos saber que a idéia
anjo mau, anjo caído ou dia­ que temos destas práticas
bo. Antes disso, o daimôn está totalmente sobrevalo­
grego era um poder divino e rizada: a maioria eram ritos
benéfico, que distribuía e re­ pagãos baseados em cren­
partia. Reencontramos aqui ças anteriores ao cristia­
o sentido de "tirar de um e nismo e grande parte deles
de outro" evocado anterior­ se baseava nos poderes que
mente. O daimôn era a di­ se atribuíam aos deuses, às
vindade ou o espírito prote­ divindades, aos espíritos
tor ligado a cada homem ou protetores presentes na na­
a cada elemento da natureza. tureza.
Dito de outra maneira, tinha Assim, mais uma vez, o ca­
os mesmos atributos e fun­ ráter diabólico, no sentido
ções que os famosos espíri­ pejorativo do termo, que
tos da natureza, nos quais se dava a estas crenças, cul­
Dionísio ou Areopagita se tos e ritos, desviou estas
inspirou para criar a hierar­ práticas do seu significado
quia celeste dos anjos. original e profundo. Em si
Assim, o fato de repartir e mesmas não tinham nada
Satã, ou Satanás, encarnação do Mal, é freqüentemente descrito como
tirar de um lado e de outro de maléficas, mas por sua
um ser sinistro com chifres na testa e pés de cabra.
refere-se a um princípio es­ própria vontade paga e po­
sencial revelado pelo daimôn: o destino, sal. A história nos ensinou que aque­ pular perturbavam a ordem estabelecida
mas ao mesmo tempo o espírito prote­ les que tinham sido destinados a di­ daquelas épocas de desconcerto. Foi
tor, o espírito bom, o anjo bom, o que rigir o povo (que é a primeira acepção assim que os demagogos, "os que diri­
chamamos hoje a boa consciência. Aque­ de demagogo) não agiram sempre a gem o povo", no sentido etimológico
le que seguia o seu daimôn, compreen­ favor deste. A partir daí, era lógico de­ e literal do termo, inventaram o Diabo
dia e seguia a voz de sua consciência. duzir que o daimôn que dirigia o des­ e os demônios. Houve um tempo em
Tratava-se de um homem justo e bom. tino da humanidade, e que suposta­ que tudo que era susceptível de pertur­
As intuições, as inspirações vinham dele, mente devia ter um papel protetor ou bar a ordem estabelecida era atribuída
bem como o talento e os dons inatos. benéfico, podia trair sua própria natu­ sistematicamente ao Mal, aos demônios,
Como pode ser que este elemento tão reza original e exercer algumas vezes ao Diabo. Desde essa época, Diabo e
benéfico para o ser humano tenha po­ uma influência maléfica. É assim que, demônio têm muito má reputação e são
dido tomar uma acepção tão negativa, pouco a pouco, o demônio foi to­ representados com imagens que nada
sinistra, maléfica, convertendo-se na mando a aparência das forças essen­ têm a ver com o que foram.
única acepção do diabo? Paradoxal­ cialmente maléficas e destrutivas, pois
mente, a explicação encontra-se no os dramas, perseguições, guerras e
termo grego de origem indo-européia, violência gerados por seres de forte
daiesthai, que significa partilhar, divi­ personalidade, com uma excessiva
dir. Daí deriva o termo grego demos, sede de poder e ânsia de divisão
o povo ou a população. Também en­ (para reinar a seu gosto) e com Representação de Satanás
contramos esta raiz em "demagogia" e ambição desmedida, estão segundo um desenho de 1616.
"democracia", bem como em "epide­ gravados na memória cole­
mia" e "demiurgo". Epidemia, em tiva.
grego, significa tanto a integração de E atualmente não acontece ain­
uma pessoa no povo como uma doença da o mesmo? Sim, mas esta­
que contagia o povo. Mas, principal­ mos longe do imaginário me­
mente, vemos aí um paralelismo entre dieval dos conciliábulos de
o demagogo e o demiurgo, ou seja, o bruxas ou missas negras, du­
que adula o povo com suas palavras e rante as quais se prestava culto
o que faz passar por criador univer­ ao Diabo, encarnação do espí­
A arca de Noé
Ao reunir todos os animais em sua arca para salvá-los do dilúvio,
Noé perpetuou a vida sobre a Terra.
Mas simbolicamente... o que significa esta mítica lenda?

diante da indiferença geral, para salvar


N oé nos é mostrado sempre como
um herói lendário e mítico, bem
visto graças à sua arca e ao simpático
a humanidade do desastre, bem com a
vida animal e vegetal. Bem, enquanto a
do mundo, permanece gravada em
nossa memória e desperta a imaginação
do homem contemporâneo, conhece­
papel que teve ao construi-la sozinho, maravilhosa história de Noé, o salvador mos menos desse Noé que, como Moi­
sés, foi escolhido por Deus entre todos
os homens e "salvo das águas" graças
à intervenção de Elohim, que do outro
Noé, que foi o herói de um relato de
grande porte simbólico e psicológico.
Noé é um herói moderno. Todos nós
podemos encontrar pontos de reflexão
nesta fabulosa aventura da arca de
Noé.

0 CÓDIGO SECRETO DA BÍBLIA


Como preâmbulo à interpretação do
mito ou dos símbolos contidos nesta
lenda bíblica da arca de Noé, é im­
portante sublinhar que muito antes de
Sigmund Freud, no século XIX, dar ori­
gem à corrente psicanalítica e às in­
vestigações psicológicas posteriores (as
quais penetraram em diferentes graus
em nossos costumes atuais), os pri­
meiros redatores da Bíblia e os caba­
listas viam já dois níveis de leitura e in­
terpretação nos relatos bíblicos: por
um lado, uma leitura profana, clara e
simples, de contos, lendas, aventuras
ou fatos históricos relacionados com
personagens ou heróis, cujos atos
foram notáveis e exemplares e aos
quais se dava um caráter religioso; e,
por outro lado, uma leitura esotérica
que, no começo, se transmitia unica­
mente pela tradição oral e se dirigia só
aos iniciados nestes mistérios.
Esta leitura da Bíblia, realizada graças ao
código das letras-números do alfabeto
hebraico, dava a quem dominasse a lin­
guagem secreta um meio útil de des-

A arca de Noé. Ilustração de um


manuscrito do século X, procedente
da biblioteca da Catedral de Gerona.
cobrir e retirar des­
tes relatos informações
relativas aos fatores afeti­
vos, elementos emocio­
nais, grande sagacidade e
imaginação, uma psico­
logia profunda, e um
comportamento moral,
com as qualidades e de­
feitos eternos do ser hu­
mano. Contrariamente
ao que ainda nos querem
fazer crer, não se trata de
transmitir, graças ao có­
digo secreto, fatos ou
acontecimentos futuros
inevitáveis e catastróficos,
mas sim de nos indicar as
origens do homem, sua
realização, seu futuro e
sua evolução. Daí que os grandes rela­ A arca de Noé, o arco-íris e a arca da Aliança.
tos da Bíblia tenham freqüentemente
um caráter histórico, claro está, ro­ mistério, segredo, escondido). Este é var das forças destruidoras que nos ro­
manceado com fortes conotações reli­ o mesmo nome que se utilizou para deiam.
giosas, unindo assim os homens de uma traduzir tebah, nome que designa a arca A criação e o nascimento são muitas
mesma comunidade por suas crenças. de Noé. Os tradutores da Bíblia ima­ vezes resultado do caos. Toda cir­
Ao mesmo tempo, têm um caráter ginaram também uma sutil relação cunstância nova que implica apagar e
mais misterioso, esotérico e místico, entre a arca da Aliança, a arca de Noé escrever de novo, que afastamos do
religioso também, mas neste caso com e o arco-íris que simboliza a Nova nosso passado para nos proteger ou
o objetivo de aliar o homem consigo Aliança entre Deus, N o é e sua des­ para entrar no futuro, gera normal­
mesmo. Em outras palavras, esta lei- cendência. mente angústia. Mergulhamos então
tura mais sutil dos relatos da Bíblia, Etimológica e simbolicamente, esta re­ na corrente de nossas emoções, as
nos permitem obter indicações úteis lação não é de toda falsa. Mas não de­ quais nem sempre conseguimos do­
para o conhecimento de nós mesmos. volve exatamente o sentido do termo minar. Mas a mudança é um dos gran­
hebraico tebah, cujo nome simbólico é des princípios da vida, que se trans­
A ARCA DE NOÉ "todas as energias criadas da vida". forma e regenera sem cessar. Devemos
O que é uma arca? Em hebraico exis­ Assim, segundo a leitura e interpre­ pois adaptar-nos a ela. E para conse­
tem duas palavras muito diferentes — tação que podemos fazer deste relato guir adaptar-nos à mudança e superá-
com significados distintos, evidente­ com a ajuda do código secreto da ca­ la, devemos nos proteger das influên­
mente — para designar arca. A pri­ bala, quando Elohim avisa a Noé sobre cias que nos empurram para trás ou
meira, ahrôn ou aaron, que foi tradu­ o dilúvio iminente e lhe pede que para o nosso passado, para nossas pró­
zida por arca, designa a arca da Aliança, construa uma tebah, leva-o a juntar em prias agitações emocionais, com o risco
que continha as Tábuas da Lei (os fa­ si mesmo todas suas energias, a tomar de mergulharmos ou nos afogarmos
mosos Dez Mandamentos ditados por consciência de que é o mesmo recep­ nelas.
Deus a Moisés para seu povo) guar­ táculo de todas as forças energéticas É assim que podemos interpretar a mí­
dadas no coração do templo que e cósmicas da vida na Terra. Em outras tica lenda da arca de Noé que, como
Salomão mandou construir e que desa­ palavras, aconselha-o a reunir todas as vimos, não é apenas um relato histó­
pareceu com a destruição de Jerusalém forças e energias do mundo para salvá- rico ou um conto religioso, mas tam­
pelos exércitos babilônicos de Nabu­ lo da destruição e da morte. bém a descrição de uma experiência vi­
codonosor no ano de 587 a. C. Em Aqui, os animais da arca representam vida por homens da Antigüidade, que
latim, o termo arca designava um co­ essas energias primordiais e instinti­ não é alheia a nossas preocupações
fre, berço ou sarcófago. Também pro­ vas, as quais podemos encontrar em atuais e que pode ser rica em ensina­
vém daí arcaz ou arcano (que significa nós e as quais devemos conservar e sal­ mentos para nossa vida moderna.
O dilúvio
Em todo o mundo, e em diferentes versões, aparece o mito do dilúvio.
Mas seu significado simbólico é sempre o mesmo.

A Bíblia é o mais antigo livro co­


nhecido de recompilação de tex­
tos. De fato, os relatos que a compõem
tigas datam de cerca de três mil anos
antes de nossa era, isto é, foram gra­
vadas em barro há cerca de cinco mil
para esta circunstância. Desta forma, o
homem foi criado para ser escravo dos
deuses.
não foram escritos por um único autor anos! Uma delas, cuja marca se re­ Os escravos cumpriram tão bem sua ta­
nem, com certeza, foram redatados na monta a 1700 a. C , é o mais antigo re­ refa que prosperaram e proliferaram, e
ordem cronológica em que podemos lato do dilúvio. armaram uma confusão tão grande que
lê-los hoje. Além disso, os temas de al­ acabaram quebrando a tranqüilidade dos
guns destes relatos foram tirados de 0 RELATO MAIS ANTIGO Annunaki. Furioso, Enlil decidiu elimi­
lendas míticas ou inspirados nelas, PO DILÚVIO nar a raça de seres inferiores e revolto¬
provavelmente já existentes antes dos Esta mítica lenda começa em uma época sos provocando uma epidemia. Mas Ea,
primeiros autores começarem a redação em que só os deuses viviam na Terra. que se sentia demasiado implicada na
dos primeiros textos bíblicos por volta Reinavam os Anunnaki e a eles presta­ criação do homem, avisou a um deles,
do século IX a. C. Cerca de 150 anos vam serviços uma classe de deuses in­ Atra-hasis, para que pudesse salvar os
atrás, iniciaram-se escavações arqueo­ feriores, os Igigi, que se ocupavam do homens deste perigo. E o conseguiu.
lógicas no Iraque e desde então foram trabalho do campo e de sua manu­ Porém, mais uma vez, tudo tomou seu
encontradas milhares de tabuinhas de tenção. N o entanto, os Igigi se rebela­ curso habitual, isto é, os alvoroços con­
cerâmica. Nelas figuram relatos his­ ram e ameaçaram destruir a Enlil, deus tinuaram. Enlil, mais furioso ainda, uti­
tóricos, religiosos, míticos, poéticos e supremo dos Anunnaki. Sem saber o lizou desta vez a seca para que os homens
literários, em escritura cuneiforme, que fazer, Enlil consultou a Ea, sua con­ passassem fome e morressem. Uma
gravadas com cálamo (haste ou buril selheira, que propôs substituir os Igigi nova intervenção de Ea através de Atra­
que os sumérios, babilônios e assírios por uma nova raça inferior que se ocu­ hasis conseguiu mais uma vez salvar a
utilizavam para escrever). As mais an­ paria das tarefas que estes não queriam humanidade deste novo desastre. A vida
assumir. Assim nasceu a raça humana. dos homens continuou, mas sua rebel­
O homem foi criado a partir do barro, dia aumentou e, desta vez, Enlil, já perto
"[...] pois vou lançar sobre a Terra um tão abundante no país, e, para que se pa­ de um ataque de nervos, tomou uma so­
dilúvio de águas que exterminará tudo recesse com os Igigi aos quais iam subs­ lução radical: provocou o dilúvio. Mas
que sob o céu tiver alento de vida." tituir, foi umedecido com o sangue de Ea, sempre atenta, preveniu Atra-hasis a
(Gênese. VI, 17). um deles, o qual teve que ser sacrificado tempo com estas palavras: "você pre-
sejos, emoções e paixões nos derrubam. Seja qual for sua versão, o dilúvio sem­
Os povos da Mesopotâmia e os hebreus pre é portador de esperança, renovação
não foram os únicos em compor sua e renascimento. Evidentemente trata-se
versão do dilúvio, pois encontram-se re­ de uma catástrofe, um cataclismo, mas
latos parecidos também em outras civi­ não do fim do mundo nem dos tempos.
lizações. Significa um desbordamento, como seu
Na mitologia da Índia, Vishnu, o deus sentido etimológico nos indica, mas
solar supremo do hinduísmo, transfor­ também nos sugere "diluir", isto é, "dis­
mou-se em peixe e salvou do dilúvio a solver, dissipar, aclarar, lavar".
Manu, pai da humanidade, e o levou
às montanhas do Himalaia, para que es­ 0 relato do dilúvio
tivesse a salvo das inundações. como foi escrito
Na mitologia grega, Zeus, quando acre­ há mais de 3.700 anos
ditou que os homens da Idade de "Seis dias e sete noites: a tempestade
Bronze eram uma raça a caminho da assolou tudo.
perdição, decidiu dizimar esta raça pro­ Anzu (um gigantesco jovem divino) ras-
vocando um dilúvio. O deus olímpico gava os céus com suas garras: era, de-
considerou que devia salvar somente finitivamente, o dilúvio
a Deucalião, filho de Prometeu, e sua Cuja brutalidade caía sobre a população
esposa Pirra, filha de Pandora — pri­ como nas guerras!
Para os maias, o dilúvio sai do cântaro meira de todas as mulheres —. Or­ Não se podia ver nada de nada
que a deusa Ixchel verte sobre o mundo. denou a estes que fabricassem uma E já não se podia identificar mais nada
barca ou arca. O dilúvio teve início e nesta carnificina!
precisa construir um barco de dois con¬Deucalião e Pirra se salvaram. Quando 0 dilúvio mugia como um boi:
veses, solidamente aparelhado, devida­ tudo acabou, Zeus lhes pediu que for­ 0 vento soprava, como uma águia guin¬
mente calafetado e sólido", no qual mulassem um desejo. Deucalião pediu chando!
"precisará embarcar reservas, móveis, ri­ a presença de outros seres humanos. As trevas eram impenetráveis: não havia
quezas, esposa, parentes e conhecidos, Zeus ordenou que atirasse pedras sobre mais Sol!"
capacetes, assim como animais domés­ seus ombros e destas pedras nasceram (Segundo adaptação
ticos e selvagens". Depois disto, você os homens. de Jean Bottéro, 1992)
só precisará "entrar no barco e fechar a
escotilha".
É este, mais ou menos, o relato tradi­
cional do dilúvio (veja o quadro).

0 DILÚVIO SIMBÓLICO
Quer os escritores da Bíblia tenham se
inspirado em um relato mais antigo, que
interpretaram e transportaram à sua ma­
neira, quer se trate de Ea ouYahvé,Atra­
hasis ou Noé (Noah em hebraico está
relacionado com os verbos "conduzir",
"consolar" e "arrepender-se"), não mu­
da nada quanto ao conteúdo simbólico
da lenda do dilúvio.
Este anuncia e revela uma regeneração
necessária, uma renovação que só pode
surgir com o caos. Na Terra, o caos será
produzido em forma de desastre natu­
ral — inundação, tempestades, mare­
moto —, mas também tem lugar em
cada um de nós quando somos vítima
de uma doença ou quando nossos de­ Vishnu arrasta o barco de Manu até os cumes do Himalaia para salvá-lo do dilúvio.
A simbologia dos números

01
O 1 reúne e unifica. Forma um todo. Aqui não o entendemos tanto como o primeiro número,
mas sim como o símbolo unificador dos elementos da vida.

P ara algumas pessoas, o universo é


o reverso do 1; para outras, é tudo
que se orienta, se dirige, gira ou volta
natural da mente, a qual podemos con­
siderar como um jovem animal fogoso.
Após tê-lo conseguido, tenta-se visua­
olhos fechados tem tendência a au­
mentar, a envolvê-lo e às vezes até a ab­
sorvê-lo. Este fenômeno foi descrito
para o 1. Se nos apegarmos às raízes eti¬ lizar um ponto luminoso. Além de ser também por pessoas que estiveram mer­
mológicas da palavra, o latim universus um fantástico e simples exercício de gulhadas em um coma profundo, isto é,
significava "voltado (virado, versus) de concentração, esta prática estimula as fa­ um estado absoluto de inconsciência, do
maneira a formar um (uni) conjunto". culdades de discernimento, de escolha qual saíram milagrosamente. Os teste­
Em outras palavras, parece que sempre lúcida e objetiva e, paradoxalmente, da munhos cruzam-se entre seres que, não
se concebeu o 1 como um todo, um acuidade visual. tendo relação alguma entre si, confir­
princípio absoluto, um desenlace, um Efetivamente, aquele que se entrega a mam que viram surgir um ponto lu­
final em si. Esta noção do todo contido este exercício de forma constante e ri­ minoso cada vez maior que, pouco a
no 1 e, reciprocamente, encontramo-lo gorosa vê ampliar-se seu campo visual pouco, os ia envolvendo em uma luz be­
na expressão "tudo é um", significa: é ao longo do tempo pois o ponto lumi­ névola e generosa, viva e dificilmente
o mesmo , é como. noso no qual fixa sua atenção com os descritível.

O PONTO DE LUZ
Tudo acontece como se o 1 fosse o prin­
cípio e o fim, como se o princípio e o
fim formassem uma e a mesma coisa.
Este princípio revela-se na figura an­
cestral do ponto situado no exato cen­
tro do círculo. "Quando o Des­
conhecido dos Desconhecidos quis
manifestar-se", diz o Zohar, "começou
por criar-se um ponto." De fato, se ima­
ginarmos um mundo imaterial e vazio
onde nada é aparente, onde nada existe,
no qual surgiria do desconhecido um
simples ponto, nos depararíamos de re­
pente com o mundo do visível. Por
outro lado, este ponto visível no qual
podemos fixar nossa atenção, mas tam­
bém concentrar nossa mente, aguça e
desperta nossa consciência.
É assim que certos exercícios de ioga nos
conduzem, depois de alguns movi­
mentos de relaxação e de respiração a
criar o vazio em nós, tranqüilizando,
acalmando ou amansando a atividade

Visualizar o ponto de luz, o princípio


do 1, do começo e do fim, do Todo.
É um diagrama utilizado no tantrismo
hindu — doutrina religiosa procedente
do hinduísmo, orientada para o des­
pertar e o domínio das energias primi­
tivas e a fusão dos opostos, onde se pra­
ticam exercícios de kundalini-yoga —
OS SÍMBOLOS UNIFICADORES com o objetivo de fixar a atenção e o es­
Embora nos encontremos em um uni­ pírito do monge em um ponto central
verso de uma visão interior, não pode­ que se encontra no coração do Todo e
mos evitar ligar o ponto no interior do desperta a força que restitui a vida e re­
círculo que, como o 1, está no Todo e gressa ao Uno. Este esquema é uma
a íris no centro do olho. mandala, que exerce um poder mágico
Este ponto no centro do olho representa e unificador sobre quem o usa.
também o símbolo do Sol em astrolo­ O trabalho não estaria completo se não
gia, que parece um ponto ardente unido fizéssemos referência à mônada, con­
ao céu. siderada como o maior princípio uni­
Foi desta forma que os antigos egípcios ficador e a alma do mundo pelos al­
conceberam Rá, o deus Sol, que repre­ quimistas, filósofos e praticantes do
sentavam geralmente por uma magní­ esoterismo e da cabala cristã do Re­
fica cobra erguida sobre a cauda e com nascimento.
um único olho que lhe tomava toda a Foi representada pelo astrólogo inglês Representação estilizada da mônada.
cabeça. John Dee, segundo um esquema que se
Tratava-se de Uraeus, freqüentemente inspira ao mesmo tempo na árvore de Algumas figuras
representado na parte frontal da coroa Sefirot da cabala e no símbolo do astro e símbolos do 1
dos faraós e que simbolizava o calor vi­ Mercúrio acima do qual se encontra o 0 vocábulo grego oinos é o ás do
vificante e o sopro da vida. símbolo do Sol. jogo de dados. É também a raiz indo-
Assim, o ponto, o centro, o olho, o Sol, Para concluir, lembremos que a palavra européia do latim unus, que significa
Sol divide uma etimologia comum com
o coração, o sopro, são símbolos unificadores. "um, um só, uno, único", de onde de-
"solidão" e "solitário". Daqui podemos rivam: unido, uniforme, único, unidade,
Temos também de aludir a sri-yantra, que deduzir que, se o 1 é igual e único, Sol união, nulo, o verbo anular e também
significa literalmente "instrumento do é igual a só. Unus solus, em latim, sig­ o vocábulo não. 0 hidrogênio é o ele-
sublime". nifica "um só". mento atômico número 1 da tabela de
Mendeliev, que deve seu nome ao quí-
mico russo que foi o autor da classi-
ficação dos elementos químicos. É
considerado o elemento mais abun-
FICHA DE IDENTIDADE DO 1 dante do universo, pois foi a partir
dele que se formaram as estrelas. 0
Nomes: a unidade, a mônada, o todo. núcleo do átomo de hidrogênio é
Correspondências aritmomânticas com as letras do al- constituído por um único próton à
fabeto: A, J e S. volta do qual gravita apenas um elé-
Correspondências com as letras-número do código da tron.
cabala: Alef. Citamos o hidrogênio mais pela es-
Correspondência Cores: o branco, que sim- Símbolos geométricos: trutura de seu núcleo formado por um
astrológica: boliza a unidade espec- um ponto fixo no centro só próton e um só elétron do que por
Netuno ou Urano tral, e o vermelho, que fi- de um círculo. sua presença à frente dos elementos
gura o sopro vital. atômicos.
De fato, não se deve confundir o 1 da
unidade e do todo com o primeiro al-
garismo que encabeça uma enume-
ração. Ser o primeiro ou estar na ori-
gem não significa obrigatoriamente ser
um ou estar unificado.
A simbologia dos números

02
O Tai Ghi Tu ou símbolo do Yin e do Yang, o Zodíaco e o ritmo binário
são representações simbólicas da função unificadora do 2.

O Tai Ghi Tu é um círculo perfeito.


S e normalmente o 2 representa uma
pequena quantidade ou um nú­
mero pequeno, não é assim que
Está dividido em duas partes iguais
por uma espécie de S central e ver­
aqui o entendemos ou encaramos. tical que, simbolicamente, repre­
De fato, não vamos tratar nesta senta a serpente ou o dragão na
abordagem das qualidades quan­ China.
titativas dos números, que são Na parte esquerda e branca atri­
certamente muito úteis para buída ao princípio do Yang ou
contar, classificar, organizar, re­ grande princípio masculino,
partir, agrupar, mas sim do seu aparece um ponto Yin negro. E
alcance simbólico. Cada "núme­ na parte direita e negra atribuída
ro", ou seja, cada um destes sím­ ao princípio Yin ou grande prin­
bolos, forma um todo individual, cípio feminino, encontra-se um
uma unidade inteira, cujo princípio ponto Yang branco.
originário e inicial se encontra no 1 ou O dragão que aparece no centro, ao
volta para ele de alguma maneira. mesmo tempo que separa o Yang do
Yin, gera um movimento constante
O TAÏ GHI TU O Taï Ghi Tu ou símbolo do Yin entre estes dois princípios fundamen­
U m dos mais belos símbolos que re­ e do Yang (acima) pode ser comparado tais e sua interpretação contínua, re­
presenta o conjunto perfeito formado ao ovofilosófico(abaixo) que representa presentada por um ponto Yin na parte
pelo 2, sem dúvida alguma, é o do Yin a prima matéria dos alquimistas Yang e por um ponto Yang no interior
c do Yang, tal como está re­ da parte Yin. E assim que os
presentado no Tao chinês. chineses imaginam a mu­
O princípio do taoísmo, fi­ tação permanente dos dois
losofia e doutrina religiosa grandes princípios de toda
cuja regra fundamental se a vida, formando no fundo
baseia na "não permanência" uma só coisa.
das coisas e na transforma­ Sendo dois, podem gerar-
ção constante, é representa­ se um ao outro sem cessar
do pelo Tai Ghi Tu. Mais co­ e ser a origem das múltiplas
nhecido pelo nome de formas de vida na Terra e
"símbolo do Yin e do Yang", no Universo.
este sinal significa literal­ Ressaltemos que este sím­
mente "a imagem do abso­ bolo do Yin e do Yang se
luto", ou concretamente "a encontra nos signos zodia­
imagem da transformação cais de Câncer e Peixes e
suprema". nos informa que ambos os
Este princípio apresenta ana­ signos têm ao mesmo tem­
logias com o da prima materia po partes femininas e mas­
dos alquimistas, pois se trata culinas. Os signos masculi­
também de uma imagem da nos são Câncer, Gêmeos,
energia universal que pre­ Leão, Libra Sagitário e
side toda a vida. Aquário; os signos femini-
femininos são Touro, Câncer,homem
Escor­ concebeu o ritmo e conferiu- Sobre o que é dual — que sem razão
pião, Capricórnio e Peixes. Em outras lhe um caráter mágico, pois o ritmo aparente assimilamos à dualidade en­
palavras, todos os signos de Fogo e Ar que nele ouvia parecia corresponder tendida como oposição, rivalidade,
do Zodíaco são masculinos enquanto perfeitamente a certos ruídos e can­ confronto, luta entre duas pessoas ou
os signos de Terra e Água são femini­ tos da natureza, como o das folhas, o duas coisas —, sua origem etimológica
nos. de certos pássaros, o do vento nas ár­ nos ensina que a raiz provém do latim
Porém, reunidos no Zodíaco, formam vores, o da chuva batendo no chão, etc. dualis, que significa "binário", e daí
um conjunto coerente. Cada um deles Se continuarmos a especular para ilus­ provém o termo "dualismo", contra­
tem suas qualidades e suas proprieda­ trar melhor o símbolo 2, tal como foi riamente ao "duo" e cujo significado
des, nas quais parecem estar imersos e percebido e concebido pelos nossos era "dois".
das quais os astros se impregnam antepassados, talvez ao tomar cons­
quando as cruzam. Também eles têm ciência do ritmo binário sobre o qual
um princípio Yin e Yang em função da se baseia a grande sinfonia da natureza Algumas figuras
natureza de cada um. Não é absurdo e que sentia dentro de si, o homem en­ e símbolos do 2
dizer que o Zodíaco é o Taï Ghi Tu tendeu que tudo era duplo: o homem
do Ocidente. e a mulher, o Céu e a Terra, em cima
e em baixo, o dia e a noite, o calor e
0 RITMO o frio, o Sol e a Lua, o interior e o exte­
E fácil imaginar como o homem to­ rior, a vida e a morte, a alma e o corpo,
mou consciência do ritmo e como sen­ c, muito mais tarde, o puro e o impu­
tiu nele o canto mágico e sagrado da ro, o bem e o mal.
litania de seu sistema binário, inspi­ Dizemos "muito mais tarde" pois, a
rado sem qualquer margem de dúvida priori, o que antes era duplo não im­
no seu ritmo cardíaco ou na cadência plicava obrigatoriamente a noção ou
de seu passo, tanto quando caminhava o conceito de dualidade e de oposição, 0 maior paradoxo do 2 é que repre-
como quando corria. no sentido que hoje em dia lhe senta o visível e o invisível, um ao
Poderíamos julgar — embora seja pura damos. lado do outro e unidos. De fato, se
especulação de nossa parte, pois não Efetivamente, em princípio, o 2 faz re­ o 1 é representado por um ponto no
temos nenhuma prova tangível que ferência ao duo, ao par, à união, ao du­ centro de um círculo, quer dizer, um
nos dê razão — que, andando e ou­ plo que é o outro eu. A dualidade ca­ ponto visível no centro que invoca
vindo o movimento constante da diás­ racteriza o que é duplo, mas não o que o invisível, o 2 nos mostra um círculo
tole e da sístole de seu coração, o é oposto. dividido em duas partes iguais, com
a parte esquerda branca e a parte di-
reita negra. Como no Tai Ghi Tu, um
ponto negro situado na parte esquer-
da branca indica o aparecimento do
FICHA DE IDENTIDADE DO 2 visível no invisível, enquanto o ponto
Nomes: o duo, o duplo, a dualidade, o binário. branco na parte direita negra repre-
Correspondências aritmomânticas com as letras do senta a porta do invisível no visível.
alfabeto: B, K e T. 0 hélio é o elemento atômico número
Correspondência com as letras-números do código 2 da tabela de Mendeliev. Seu átomo
da cabala: Beith. é composto de dois núcleos, com dois
prótons e dois elétrons cada um. Cu-
Correspondência Cores: o negro ou o pardo, Símbolo geométrico: riosamente, a partir da raiz etimoló-
astrológica: que simboliza a matéria 2 pontos, 2 linhas, gica grega helios (que significa Sol),
Saturno. visível. 1 ângulo. o astrofísico Norman Lockyer deu o
nome ao segundo elemento atômico
em 1868. Dizemos curiosamente, pois
o astro que foi analiticamente vin-
culado ao 2 foi o Saturno, e às vezes
a Lua como um grande principio fe-
minino, mas não o Sol.
A simbologia dos números

03
Tanto em seu aspecto geométrico como triângulo, como no mítico e místico de uma Trindade
o 3 é um vínculo e um princípio criador.

Quando fazemos alusão de um estado para o outro


ao Número 3, as três sem fazer a diferença. Está­
grandes etapas da vida que vamos no mundo da polari­
nos vêm à cabeça são o nas­ dade dos contrários onde
cimento, a vida e a morte, nasce a chispa.
sabendo que estas etapas for­ O 3 é justamente a faísca,
mam um todo na existên­ a energia interior, a chama
cia de um ser. que brota, aquece, dá luz,
N o entanto, na maioria dos ilumina, perfeita imagem
casos, temos tendência para simbólica da expressão do
opor a vida à morte; a pri­ espírito e da inteligência.
meira se caracteriza pela
presença e a segunda pela A TRINDADE
ausência da pessoa física. O Em várias religiões as divin­
que quer dizer que, na no­ dades são três, embora for­
ção de vida-morte, estamos mem uma só. Vejamos, co­
no universo da dualidade, do mo exemplo, a trindade das
ritmo binário que tem algo divindades hindus ou Tri-
de fatal, pungente e imutá­ murti, que significa "que
vel, frágil também, onde os tem três formas": Brama, a
elementos opostos e com­ criação; Vishnu, a conserva­
plementares, evidentemente, estão um "No Pai está a eternidade, no Filho a ção, e Shiva a destruição. De fato, se­
em frente ao outro sem nunca se en­ identidade e no Espírito Santo a gundo as crenças hindus, o Espírito Su­
contrarem; é como se todo o equilíbrio integração da eternidade e da identidade." premo extrai Brama do seu lado direito
do mundo se baseasse justamente em Aurora consurgens, século xv. para criar o mundo; Vishnu do seu lado
sua oposição. esquerdo para conservá-lo; e, Shiva, do
No entanto, a manifestação ou a existên­ parados no princípio dos tempos, mo­ meio de seu corpo para destruí-lo.
cia desta polaridade não será conse­ mento em que formavam um só ser em Quanto à Santíssima Trindade católica,
qüência do papel criador que joga um sua origem, nasceu o 3, o fruto. O fruto representação de um Deus único em
terceiro elemento ou fator? Este pode é a vida, é o homem, entendido aqui três pessoas, também não é tão obscura.
ser o grande princípio do 3 que, ao ser como a espécie humana. Agrupa o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
revelado por 2, ou por dois 1 que se Tanto é assim que nesta enumeração das No entanto, devemos sublinhar que não
opõem e no entanto se atraem, é um ele­ três grandes etapas da existência, a vida há nenhum vestígio desta doutrina ou
mento suplementar, desconhecido, mas se situa justamente no meio, sendo o crença no Antigo ou no Novo Testa­
que não podia deixar de nascer, apare­ nascimento e a morte as duas portas pe­ mento, e que parece ter surgido so­
cer, existir a partir da realidade. las quais se entra e se sai. mente no século IV d. C , o que faz
Se abordarmos o 1 e o 2 sob um ponto O meio é também um fator bastante re­ supor que seja conseqüência de crenças
de vista simbólico o mais despojado e velador do número 3. Por exemplo, de­ e culturas antigas, vindas do cruzamento
simples possível, podemos dizer que o senhamos um ponto ou uma linha no de civilizações mesopotâmicas, egípcias,
1 é o Céu, enquanto o 2 é a Terra. Ou horizonte que separa o céu da terra, o céu gregas e celtas, já que por todo o mundo
então, se preferir, que o 1 é o pai do cria­ do mar, aí está o universo do 3, que junta encontramos esta visão de trindade di­
dor e o 2 a mãe criadora. Do encontro e separa simultaneamente os diversos ele­ vinizada, a qual podemos resumir como
entre ambos, que foram sem dúvida se­ mentos. No universo do 2, passaríamos a representação do cosmos ou do uni-
tura do corpo — e, por último, o éter
refletor — que comanda as funções da
inteligência, dos pensamentos, dos re­
flexos, a vontade e os atos.
Mas não daríamos uma explicação com­
pleta se não aludíssemos ao princípio
intelectual e filosófico da tese, da antí­
tese e da síntese, já que neste caso a pri­
meira é considerada a vida, no sentido
primitivo e original, a segunda é en­
tendida como a morte, sempre no sen­
tido primitivo e original e, finalmente,
a terceira como um princípio de eterni­
dade, pela mesma razão que a vida e a
morte não podem ser opostas, sendo os
dois pólos visíveis e invisíveis de uma
mesma realidade desde a hora em que
as reunimos e as vemos como um todo.
Segundo este processo intelectual, o 3
— que é o primeiro número ímpar,
A Santíssima Trindade: o Pai, um tronco e membros; e, segundo cren­ assim como o 2 é o primeiro número
o Filho e o Espírito Santo representado ças ancestrais e na opinião dos médi­ par, enquanto o 1 é hermafrodita — tem
pela pomba. cos da Antigüidade, um corpo triplo um papel criador. De fato, une dois ele­
composto de corpo físico, corpo etéreo, mentos opostos, que podem estar con­
verso em primeiro lugar; em segundo, chamado também corpo vital, c o corpo denados à destruição um pelo outro,
do homem, e em terceiro lugar, da psi­ emocional, que se chama também corpo para gerar algo novo.
que ou da consciência, ou seja, o Céu, astral. O corpo etéreo está por sua vez
a Terra e o Homem. dividido em três partes diferentes que
formam um todo: o éter vital — que Algumas figuras
0 TERNÁRIO corresponde à secularidade, à vitalidade, e símbolos do 3
O homem é, ele próprio, três em um. É aos órgãos regeneradores —, o éter luz Assim como o 3 pode desempenhar um
ternário. Possui uma alma, um corpo — que rege os cinco sentidos e a cir­ papel dinamizador e criador, também
c um espírito, e também uma cabeça, culação, o ritmo cardíaco e a tempera­ é sem dúvida alguma um laço. Por
exemplo, a linha que une dois pontos
é o terceiro elemento sem o qual eles
nunca poderiam estar relacionados
FICHA DE IDENTIDADE DO 3
entre si nem poderiam se combinar.
Assim, unindo três vezes três pontos
Nomes: ternário, tríade, trindade, trio, triplo, trivium.
de dois em dois, obtemos o triângulo.
Correspondências aritmomânticas com as letras do al-
Esta figura geométrica é de grande
fabeto: C, L eU.
valor simbólico, pois é usada desde a
Correspondência com as letras-números do código da
mais alta Antigüidade para represen-
cabala: Ghîmel.
tar os quatro elementos primordiais: o
triângulo em pé, com a ponta para
Correspondência Cor: Símbolo geométrico:
cima, representa o Fogo, o pólo mas-
astrológica: Júpiter. o amarelo. o triângulo.
culino; o triângulo invertido com a
ponta para baixo representa a Água, o
pólo feminino; o triângulo de pé, atra-
vessado ao meio por uma linha hori-
zontal, representa o Ar, o espírito; o
triângulo invertido, atravessado tam-
bém por um traço horizontal ao meio,
representa a Terra, a matéria.
A simbologia dos números

O 4
As figuras do quadrado e da cruz são as duas melhores e fiéis representações do número 4.
Mas este é também um símbolo do destino e do livre arbítrio.

este contexto, não ten­ Em um ponto do horizonte,


N taremos contar até 4, até
mesmo considerando que con­
viam o nascer do Sol; este per­
corria um certo trajeto no céu,
tar tem dois sentidos: contar de e desaparecia em seguida no
enumerar e contar histórias. outro lado horizonte. Como já
N e m um nem outro sentido tínhamos visto, isto permitiu ao
tem importância neste caso. homem simbolizar o grande
De fato, a ciência, seja qual for princípio da dualidade: o dia e
o ponto de vista em que se a noite, a vida e a morte, o
aborde, tem tantos atrativos mundo visível e o mundo invi­
que não deixamos de nos ma­ sível, o de cima e o de baixo.
ravilharmos com o objeto que Entretanto, se o nascer do Sol
nos faz compreender e conhe­ ou o despontar da alvorada po­
cer: a Natureza. Não vista dia ser observado, revelado ou
como uma mecânica implacá­ antecipado, isto é, era previsível
vel, que não saberíamos do­ —já que todos os anos durante
minar e utilizar todas as suas o mesmo período se produzia
engrenagens e mecanismos em sempre no mesmo lugar —, e se
nosso proveito, mas como um se podia fazer o mesmo com o
livro fabuloso do qual nunca termina­ Uma vez delimitado o mundo visível pôr do Sol ou o que chamaríamos o cair
ríamos de virar as páginas, descobrindo e invisível, o homem pôde observar da noite, puderam igualmente registrar
assim, até o fim dos tempos, mais e o nascer e o pôr do Sol e da Lua um fenômeno semelhante produzido
novas formas de vida, novos horizon­ e identificou os quatro pontos desta vez pelo nascer e pôr da Lua. O
tes, novos espaços sob o nosso olhar ma­ cardeais, depois as quatro estações homem pôde dispor assim de quatro di-
ravilhado. e finalmente os quatro elementos.
0 número como unidade
UM MUNDO PERFEITO De modo que o mundo se apoiaria so­ A divisão e a multiplicação não nos in-
Não fizemos este preâmbulo por acaso, bre quatro pilares, quatro colunas, qua­ teressam. Sem dúvida alguma que são
pois acabamos de resumir todas as ar­ tro árvores sagradas, que suportavam duas ferramentas necessárias para nos-
madilhas lançadas ou que representa o o templo do universo manifestado. sos cálculos mercantis. Mas não é assim
4, c todas as aberturas, todas as possi­ Evidentemente, os quatro pés do que nós vemos os números. Não os
bilidade que nos oferece. O 4, por tudo mundo, para dizer de alguma maneira, abordamos de um ponto de vista ma-
que representa simbolicamente para estão em relação com os quatro pon­ temático ou contábil, mas como repre-
nós, nos permite dispor de uma força tos cardeais. sentação simbólica, arcaica enquanto
e de um poder potenciais sobre a maté­ arquétipos, cada um deles formando
ria constituída pelos quatro elementos ENCRUZILHADA E TERRITÓRIO uma unidade indissociável, uma força,
principais; mas, com isso, encerra-nos Mas voltemos atrás no tempo e à visão uma energia, revelando vibrações es-
em uma realidade concreta imutável, que nossos antepassados longínquos pu­ pecíficas. Assim, do nosso ponto de
pelo mesmo fato que alberga um uni­ deram ter tido do seu mundo (que é o vista, o Número não se soma nem se
verso fechado, perfeito, a estrutura do nosso), do qual, então, começavam a ter subtrai. Não podemos acrescentar-lhe
cosmos tal como era percebida por Pi­ consciência e cujos princípios, estrutura nada nem retirar-lhe nada. É uma uni-
tágoras de Samos, no século VI antes da e ordem quiseram compreender e co­ dade indissociável.
nossa era. nhecer.
segundo ele, determinado ou regido encruzilhada, podendo escolher a di­
pelos deuses. Unindo estes quatro pon­ reção, o caminho a tomar. É assim que
tos um por um, criou a grande figura o número 4, símbolo evidente do qua­
geométrica do 4: o quadrado. drado e da encruzilhada é, por analo­
Lembremos que, na mente dos nossos gia, o do destino imposto ao homem
antepassados, a Terra era quadrada e o para que possa expressar seu livre ar­
Céu circular. Por outro lado, devemos bítrio.
O tetraedro regular,figurageométrica destacar que a partir de quatro pontos
formada por quatro triângulos equiláteros. se formou o primeiro volume, o tetrae­
dro regular, em que os quatro pontos Algumas figuras
direções, que são os quatro pontos reve­ sobre os quais assentava não se encon­ e símbolos do 4
lados pelo nascer e pôr do Sol e da Lua tram no mesmo plano e cujas faces eram Em primeiro lugar, trata-se dos pontos car-
em dias e em um lugar concreto. Por quatro triângulos equiláteros. Ora, deais: o Leste ou Oriente, chamado tam-
outro lado, o homem pode avançar ou quem diz volume, diz realidade física, bém Levante, o ponto do horizonte onde
recuar, dirigir-se para a direita ou para a manifestação no mundo concreto, nasce o Sol; o Oeste ou Ocidente, cha-
esquerda, ou seja, caminhar em quatro forma. mado também Poente, o ponto do hori-
direções. N o entanto, só pode dar um N o universo do 4, que produz o qua­ zonte onde o Sol se põe; o Norte, que se
passo ao mesmo tempo, evidentemente. drado, ou seja, quatro linhas que são identifica facilmente no céu graças à es-
Neste caso nos encontramos no uni­ como os limites do mundo, do seu trela Polar, situada na constelação da Ursa
verso simbólico da encruzilhada. Em re­ mundo, o homem existe. Vemos que o Menor, a menos de 1 grau do pólo celeste
sumo, o número 4 revela dois princí­ 4 favorece a tomada de consciência de boreal; o Sul, exatamente no ponto oposto
pios fundamentais do despertar da nossas riquezas e nos dá segurança, mas da estrela Polar. Estes quatro pontos car-
consciência e da inteligência do homem: que, pela mesma razão, limita e encer­ deais estão relacionados com os quatros
a noção de território ou, se se preferir, ra. Ao unir estes quatros pontos do ho­ pontos do equinócio e do solstício e, por
da propriedade, e da escolha, ou seja, da rizonte dois a dois, não no exterior mas isso, com as quatro estações e os quatro
vontade própria ou do livre arbítrio. no interior, cria-se um ponto suple­ elementos que, lembremos, formam jun-
mentar, que se encontra na interseção tos a própria estrutura do Zodíaco.
QUADRADO E DESTINO destas duas linhas que acabamos de for­ No Antigo Testamento, o nome de Yahvé,
De fato, situando os quatro pontos do mar. Mas antes de chegar aqui — por­ ou Jeová, é escrito com as quatro letras
mundo, do seu mundo, definidos pelo que aqui já estaríamos no número 5 —, maiúsculas YHWH, ou seja, Yod-He-Waw-
nascer e pôr do Sol e da Lua, o homem o homem pode ser este centro capaz de Hheith ou 10-5-6-8.
estabeleceu um universo fechado que se mover para um destes quatro pon­ Não devemos nos surpreender que os au-
só a ele pertencia, embora este estivesse, tos, encontrando-se portanto, em uma tores da Bíblia tenham encontrado qua-
tro grandes profetas: Isaías, Jeremias, Eze-
quiel e Daniel e que, depois, no Novo
Testamento, figurem quatro evangelistas:
FICHA DE IDENTIDADE DO 4 Marcos, representado por um leão; Lucas,
Nomes: quaternário, quartilho, quarteto, quádruplo. simbolizado por um touro; João, que apa-
Correspondências aritmomânticas com as letras do al- recia como uma águia; e Mateus, que en-
fabeto: D, M e V. carnava o homem ou o anjo. Não deve-
Correspondência com as letras-números do código da mos nos surpreender tampouco que, mais
cabala: Daleth. tarde, a Igreja contasse com quatro dou-
tores: Santo Agostinho, Santo Ambrósio,
São Jerônimo e São Gregório Magno. Evi-
Correspondência Cor: verde. Símbolo geométrico: dentemente, as quatro letras-números que
astrológica: Marre. o quadrado, a cruz e o constituem o nome mítico e sagrado de
tetraedro regular. Yahvé estão relacionadas com o símbolos
da cruz de Cristo. Para sermos mais com-
pletos no que se refere à Bíblia, devemos
fazer alusão aos quatro rios do Paraíso
e aos quatro cavaleiros do Apocalipse.
Como vemos, o número 4 está onipresente
no Livro dos Livros.
A simbologia dos números

O 5
O homem tem cinco dedos em cada mão, cinco dedos em cada pé e cinco sentidos para perceber
o mundo. O 5 é considerado o número do homem.

vidade física e instintiva e que se traduz


S im, o quinto elemento existe. Não é
um princípio imaginado por um ar­
gumentista ou um cineasta. Foi defi­
nos desejos, sentimentos, emoções e
atos: a atenção, a concentração, o ra­
nido por Plutarco no século I da ciocínio, o critério, a vontade, o
nossa era nos seguintes termos: espírito de iniciativa, a capaci­
"Supondo que o mundo em que dade de ação, a alegria, etc.
vivemos fosse único, e assim é
como crê Aristóteles, é composto Skandha Vijnâna
também, de alguma forma, por Conjunto da consciência ou
cinco mundos que formam a Har­ grupo do conhecimento, reú­
monia: um é a Terra, o outro a Água, ne seis campos da atividade da
o terceiro o Fogo, o quarto o Ar e o consciência ou da mente que favo­
quinto o Céu. Este último, segundo recem o conhecimento. Cada uma
alguns, chama-se Luz, segundo ou­ das faculdades sensoriais e físicas é
tros Éter e finalmente segundo uns ter­ empregada como ferramenta ou ins­
ceiros Quinta-Essência". (Plutarco, Vi- trumento de identificação e conheci­
das Paralelas). mento. Dispomos, portanto, da cons­
ciência olfativa (a Terra), gustativa (a
OS CINCO SENTIDOS O pentofólio encontra-se nos vitrais de Água), visual (o Fogo), tátil (o Ar), au­
E A QUINTA-ESSÊNCIA muitas igrejas de inspiração românica e ditiva (o Éter ou quinto elemento) e
Segundo a filosofia grega, a Harmonia gótica. mental. Daqui nos atreveríamos a de­
do Mundo era constituída de cinco ele­ duzir que, segundo a doutrina hindu,
mentos. Os hindus distinguiram no para o Fogo, a pele e o tato para o Ar. a consciência mental que favorece o
homem, o microcosmos, cinco princí­ Acrescenta-se, claro, a orelha e o ouvido conhecimento de si mesmo é o que no
pios constitutivos da personalidade, em para o Éter, o quinto elemento. Ocidente se chama geralmente o sexto
analogia com os grandes princípios que sentido, que reúne todas as faculdades,
compõem e formam o mundo, o uni­ Skandha Vedanâ dons, princípios e qualidades dos cinco
verso criado e manifestado, o macro­ Conjunto de sensações ou grupo da per­ sentidos juntos, constituindo assim a
cosmo. Estes cinco elementos têm o cepção, composto de todas as formas, quinta-essência.
nome de Skandha, que significa lite­ sensações, agradáveis, dolorosas ou neu­ De fato, esta consciência equivale a uma
ralmente grupos ou conglomerados. tras, que são como tantas portas aber­ espécie de capacidade de percepção ex¬
Apresentam-se da seguinte forma: tas para o mundo exterior. trasensorial, graças à qual cada um de
nós estaria em condições de tomar cons­
Skandha Rûpa Skandha Smajnâ ciência de que os Skandha ou conjun­
Conjunto da matéria ou grupo da cor¬ Conjunto da consciência ou grupo de tos, tal como os descrevemos, não são
poreidade, é formado pelos quatro ele­ impressões, as quais se distribuem em mais do que puras ilusões.
mentos, ou seja, o sólido (a Terra), o seis faculdades sensoriais diferentes: a Em palavras de Bhikku Nyânatiloka:
líquido (a Água), o calor (o Fogo) e o forma, o som, o cheiro, o gosto, as sen­ "Tomados separadamente ou todos jun­
movimento (o Ar). Cada um destes ele­ sações físicas e as percepções mentais. tos, nunca estes cinco conjuntos da
mentos primordiais está em relação com existência constituem uma personali­
um órgão dos sentidos e seu objeto: o Skandha Samskâra dade, uma unidade individual e autô­
nariz e o olfato para a Terra, o sabor e Conjunto de concepções e grupo de noma real; fora deles, não existe tam­
o paladar para a Água, o olho e a visão ações que reúne todos os níveis da ati­ bém nada que se possa designar como
los, cujo centro coincide com cada uma com os braços e as pernas estendidas,
das pontas da estrela. ou o universo, o macrocosmo, sob o as­
Ora, o pentafólio era uma representação pecto dos cinco lóbulos que corres­
simbólica do penta­ pondem aos cinco elementos que regem
grama, cujo princípio o mundo.
foi estabelecido por Pi­ Finalmente, assinalemos que o penta­
tágoras. "Segundo a grama, como seu nome indica, é a
doutrina pitagórica, 10 quinta letra, isto é, a letra He do alfa­
é o número perfeito; beto das letras-números da cabala. Esta
representa a unidade e simboliza a respiração, ou seja, a essên­
em toda a tradição é o nú­ cia da vida, sede e veículo da alma e do
mero da divindade. O ho­ espírito. Por isso, o hieróglifo egípcio
O pentagrama mem tem sua imagem em que corresponderia a esta letra repre­
corresponde à letra He, suas mãos e pés (efetiva­ sentava um homem de pé, com as per­
representada pelo hieróglifo mente, temos cinco de- nas abertas e levantando os braços para
ao lado. dos em cada pé, ou o céu.
seja, dez dedos no total,
um "eu" independente: a crença em e cinco dedos em cada mão, isto é, dez
uma entidade pessoal real, em um "eu" dedos no total; a observação é nossa). Se Algumas figuras
no sentido supremo do termo, é pura aceitarmos o cinco como o número do e símbolos do 5
ilusão." homem, o pentagrama se transforma em Como vimos, devido ao fato do homem
elemento do microcosmos. Desta for­ ter cinco sentidos (audição, olfato, pala-
0 PENTAFÓLIO ma, o microcosmos e o macrocosmo dar, visão e tato), cinco dedos — o po-
E 0 PENTAGRAMA formam a imagem do número perfeito legar (associado a Vênus), o indicador
As igrejas e catedrais da Idade Média, de (5 + 5 = 10) de Deus." (associado a Júpiter, o médio (associado
inspiração românica ou gótica, foram Esta soma, da qual resultaria o Número a Saturno), o anelar (associado ao Sol)
quase sempre decoradas ou ornamen­ Perfeito, é mais concretamente uma e o mínimo (associado a Mercúrio) —,
tadas com vitrais e esculturas em forma fusão do número 5 consigo mesmo. o cinco foi considerado pelos homens da
de pentafólio. Representava-se através Deste modo, nosso pentafólio, figura Antigüidade como o número do homem.
de uma figura geométrica constituída simbólica do pentagrama, representa o De maneira que as vértebras que formam
por um círculo, no interior do qual aloja homem, o microcosmos, sob o aspecto a coluna vertebral foram divididas em
uma estrela de cinco pontas e, em seu de uma estrela de cinco pontas que, cer­ cinco grupos:
exterior, está cercado de cinco círcu­ tamente, simboliza o homem de pé, 1) as sete vértebras cervicais, sobre as
quais assenta o crânio. Cada uma está em
relação com os sete astros deuses que
regem o Zodíaco;
FICHA DE IDENTIDADE DO 5
2) as doze vértebras torácicas ou dorsais,
Nomes: qüinqüenal, quinta, quinteto, quíntuplo
às quais se unem os doze pares de cos-
e todos os nomes precedidos pelo prefixo 'pent',
telas, cada uma delas relacionadas com
do grego pente, que significa 'cinco': pentágono,
um signo do Zodíaco;
pentagrama, Pentateuco, Pentecostes, etc.
3) as cinco vértebras lombares, as qua-
Correspondências aritmomânticas com as letras do al-
tro primeiras relacionadas com os qua-
fabeto: E, N e W.
tro elementos e a quinta com o quinto
Correspondência com as letras-números da cabala: He. elemento: o Éter;
Correspondência Cor: azul. Símbolos geométricos: 4) as cinco vértebras chamadas sacras, por-
astrológica: Áries. o pentagrama, que se situam ao nível do osso sacro, com
ou estrela de 5 pontas,
o qual se articulam os ossos ilíacos para
e a pirâmide.
formar a pélvis, no centro da qual se en-
contra o Mûlâdhâra-Chakra, receptáculo
da Kundalini;
5) as quatro vértebras que se estão à al-
tura do cóccix e que parecem formar um
único osso, vestígio de um osso caudal.
A simbologia dos números

06
O 6 é o número da gênese. Seus dois símbolos, o hexagrama e o selo de Salomão,
parecem-se com os elementos e os astros que regem o Zodíaco.

H istoricamente, parece que a arte da


adivinhação e a ciência dos nú­
meros apareceram simultaneamente
sublinhar um ponto essencial da ciên­
cia e da simbologia, tal como foram
concebidas por nossos antepassados.
em Sumer, na Mesopotâmia, por Ao apresentar aqui brevemente os
volta do ano 2900 antes de nossa números, uns seguidos dos ou­
era, ou seja, há quase 5000 tros, não estamos apenas con­
anos. Evidentemente, surge tando, como já deixamos
assim o problema de averi­ claro, embora estejamos ce­
guar se o homem começou dendo à ordem cronológica
a calcular antes de começar que empregamos habitual­
a escrever, a contar números mente e que é crescente,
antes de contar histórias, ou claro. N o entanto, tal como
ao contrário. Mais uma vez, nos indicam os símbolos do 6
arqueólogos e historiadores comparados com os do 5, de­
coincidem em dizer que a ciên­ vemos focalizar os números na
cia dos números nasceu da es­ ordem inversa: decrescente e re­
crita; porém, o princípio do cálculo gressiva. Embora nos custe imaginá-
é anterior ao da escrita. los, condicionados pela maneira como
Devemos observar que é uma preocu­ utilizamos os números na vida corrente,
pação tipicamente contemporânea o fato simbolicamente e segundo a ciência dos
de abordar a história dos homens e do nossos antepassados, 5 é maior que 6.
despertar da inteligência seguindo uma Acima, em torno do hexagrama mágico, Esta inversão cronológica ilustra o re­
ordem cronológica. Ora, se precisa­ símbolo do número 6, estão organizados gresso que o homem tem de realizar a
mente os vestígios históricos, as des­ os elementos e os astros. si mesmo para encontrar sua essência
cobertas, as preocupações e as socieda­ Abaixo, em seu sexto mês, o feto tem original e abrir as asas de sua consciên­
des dos homens apresentam uma certa todas as suas funções vitais. Por isso, cia encontrada, também sem nenhum
cronologia, nada nos diz que os ele­ o 6 é o número da formação do homem. limite nem divisão. Estamos diante do
mentos com os quais nos deparamos mito do Paraíso perdido, presente em
aparecem nessa ordem. Por isso, pen­ todas as cosmogonias míticas.
samos que, tal como a memória gené­ Desta forma, queremos entender como,
tica, nossa história está inscrita em nós, simbolicamente, o 5 é maior que o 6, ao
fazendo parte do caminho que trilha­ passo que matemática e cronologica­
mos, e nos serve para assinalar as etapas mente é exatamente o contrário. Basta
que transpusemos, os graus de abertura saber que 6 é o número da formação do
da consciência que gravamos um por homem no ventre da mãe. Biologica­
um para ter esta visão do mundo tão mente, no sexto mês da vida fetal, o bebê
particular que é nossa e que faz com que já está formado. Os três meses que lhe
a realidade seja tal como é para nós. faltam viver dentro do útero corres­
pondem à preparação para sua vida ex­
A GÊNESE E O 6 terior, física, humana. Parece que é du­
Este caminho e esta gênese estão con­ rante estes três meses que se situa sua
tidos na história simbólica do 6. Porém, memória reflexa autônoma. Esta per­
antes de ilustrar esta história, devemos mite-lhe ter suas próprias reações in-
^ s S ^ dependentes das da mãe, e a es­ O selo de Salomão
trutura de sua personalidade, da qual po­
demos ler uma representação esque­ se do hexagrama pelos dois triângu­
mática e simbólica no Zodíaco de seu los ao inverso que constituem esta fi­
mapa astral, fica estabelecida no próprio gura geométrica estrelada estarem aco­
momento de seu nascimento. plados. Neste caso, observamos que
Observamos, portanto, que o 6 é o nú­ além de se associar com os elementos
mero do homem em sua primeira etapa e os astros, estes dois triângulos repre­
de formação, enquanto o 5, como já sentam o homem e a mulher, a ener­
vimos, é o número do homem já for­ O Fogo se situa em cima, a Água em gia feminina c a energia masculina es­
mado e constituído, em pé, simbolizado baixo, o Ar à esquerda, voltado para o treitamente unidas.
pela estrela de cinco pontas. Assim, hexagrama, e a Terra à direita; o Quente, Ora, assim como Salomão tinha man­
compreendemos melhor por que razão em cima à esquerda; o Úmido, em baixo dado construir seu templo segundo os
o 6 precede o 5 no percurso simbólico à esquerda; o Seco, em cima à direita; seis graus inscritos em seu famoso selo,
dos números. o Frio, em baixo à direita. aparece uma correspondência evidente
Os sete astros regentes do Zodíaco tam­ e surpreendente entre seu símbolo,
0 HEXAGRAMA bém têm seu lugar no hexagrama, assim unindo macho e fêmea, ou mundo
E 0 SELO DE SALOMÃO como os metais que lhe correspondem: masculino e feminino, e o Täi-Ghi-Tu,
Ao dividir um círculo em seis ângulos a Lua e a prata, em cima; Marte e o ferro, símbolo do Yin e do Yang, imagem do
iguais obtemos um hexágono. Ao jun­ em cima, à esquerda; Vênus e o cobre, absoluto segundo os chineses e cujo
tar estes seis ângulos verticais e diago­ em cima à direita; Júpiter e o estanho, princípio já destacamos nesta série dos
nais obtém-se uma estrela de seis pon­ cm baixo à esquerda; Mercúrio e o mer­ números, que era a origem da Criação.
tas. Mas ao desenhar dois triângulos no cúrio, em baixo à direita; Saturno e o Como vemos, o 6 remete-se para o 2.
interior do círculo c do hexágono, um chumbo, cm baixo; o Sol e ouro, no
com o vértice para cima e ou outro ao centro.
contrário, com a ponta para baixo, for­ A estrutura do hexagrama dos elemen­ Algumas figuras
mamos uma estrela. Esta estrela é um tos e dos astros faz-nos também supor e símbolos do 6
hexagrama mágico composto por qua­ que a ciência dos números não é alheia Sendo o 6 o número da primeira formação
tro elementos: Fogo, Água, Ar e Terra, à da astrologia, que ambas se confun­ do homem, podemos compreender me-
como já vimos em referência ao número dem e que sua criação foi, sem dúvida, lhor o sentido dos famosos seis dias de
3. Em conseqüência, todos os elemen­ simultânea. que Deus precisou para criar o mundo, se-
tos, assim como suas qualidades, se dis­ Quanto ao selo de Salomão ou também gundo o Gênese. Segundo o Avesta, livro
tribuem à volta do hexagrama estrelado. chamada estrela de David, distingue- sagrado do mazdeísmo, tradição religiosa
iraniana cujos primeiros escritos são con-
temporâneos dos primeiros escritos da Bí-
blia (redigidos pelos hebreus por volta de
FICHA DE IDENTIDADE DO 6 1400-1200 a. C), o mundo não foi criado
em seis dias, mas em seis períodos:
Nomes: sexteto, sêxtuplo, sextil. • No primeiro período, foi criado o Céu,
Correspondências aritmomânticas com as letras do durante 45 dias.
alfabeto: F, O e X. • Durante o segundo período, foi criada
Correspondência com as letras-números do código a Água, em 60 dias.
da cabala: Waw. • Ao longo do terceiro período, a Terra foi
criada em 75 dias.
Correspondência Cor: azul-indigo. Símbolos geométricos: • 0 quarto período corresponde à criação
astrológica: Touro. o hexágono e o hexagra- do reino vegetal, em 30 dias.
ma ou estrela de 6 pon- • No quinto período, foram criados os
tas. animais, em 80 dias.
• Por último, o sexto período viu a criação
do homem, em 75 dias, como a Terra.
Se somarmos estes dias, no total foram
necessários 365 dias para criar o mundo.
A simbologia dos números

07
Há sete dias da semana, sete astros que regem o Zodíaco, sete notas musicais, sete cores no arco-íris,
sete sistemas cristalinos, etc. Simbolicamente, o 7 é o número da perfeição.

D eus disse a Noé: "Entra na arca, tu


e toda a tua família, porque eu te
vi mesmo diante de mim, nesta geração.
Por outro lado, Eliseu deita-se sobre
uma criança morta, antes desta espirrar
sete vezes seguidas e abrir os olhos (2
De todos os animais puros, Reis 4, 32-35). De novo Eliseu leva
escolherás sete pares, um Namán, chefe do exército do
macho e sua fêmea, dos rei da Síria, que está le­
pássaros do céu também proso, a banhar-se sete
sete pares, macho e fêmea, vezes nas águas do rio
para conservar em vida a Jordão para se curar (2
raça sobre a face da Terra, Reis 5, 1-14). Poderíamos
visto que daqui a sete dias continuar assim com ou­
farei com que chova durante quarenta tras citações de capítulos da Bíblia
dias e quarenta noites e eli­ onde aparece o número 7, já
minarei todos os seres que que está presente 77 vezes
ficarem na superfície do no Antigo Testamento e
solo". (Gênese 7, 1-4). constitui a pedra angular do
Deste modo, sete pares de Apocalipse de João, que en­
animais puros, sete pares de pás­ cerra o Novo Testamento e faz
saros do céu, sete dias de trégua antes alusão às sete Igrejas, aos sete selos,
que o Dilúvio caia sobre a Terra de­ aos sete anjos segurando sete trombe­
monstram que o número 7 está oni­ tas, aos sete sinais, às sete pragas, às sete
presente no relato do Dilúvio, no Gê­ copas.
nese. Mas isso não é tudo: "[Noé]
esperou ainda sete dias e soltou nova­ O ARCO E A FLECHA
mente a pomba para fora da arca. A Acima, a estrela de sete pontas foi N o entanto, regressando à lenda mí­
pomba regressou ao entardecer e trazia formada a partir dos sete dias da semana, tica de Noé, da qual conhecemos a ori­
no bico um ramo de oliveira. Noé que estão em correspondência com os sete gem, mais antiga que o Gênese, é que
supôs que as águas tinham baixado na astros. Abaixo, cada cor do arco-íris podemos ver a potência simbólica do
Terra. Esperou ainda durante sete dias corresponde a uma nota musical. número 7.
e soltou a pomba mas ela já Com efeito, o Dilúvio con­
não voltou para ele." (Gê­ cluiu por um pacto de aliança
nese 7, 10-12). entre Deus e Noé, represen­
Tal como o 7 tem um papel tado por um arco-íris, cons­
tão importante no relato de tituído por sete cores, acerca
Noé, não é a única alusão a das quais lhe revelamos de
este número que, para os he­ passagem que cada uma delas
breus e os primeiros reda­ está em relação com uma nota
tores da Bíblia, simbolizava da escala musical: por ordem
uma perfeição, uma plenitu­ ascendente, o vermelho para o
de, presente no Livro dos Li­ dó, o roxo para o ré, o anil para
vros. Deste modo, Salomão o mi, o azul para o fá, o verde
construiu a "casa de Deus" para o sol, o amarelo para o lá
em sete anos (1 Reis 6, 38). e o laranja para o si; e descendo
O arco e a flecha são as melhores re­ réplica perfeita e exata da Terra, ou seja,
presentações simbólicas do número 7. do Zodíaco e dos sete astros-deuses,
A flecha posta no arco ilustra, de al­ estrela e deus que compartilhavam o
guma maneira, as sete etapas, os sete mesmo nome na antiga língua da Su­
passos e os sete céus que o homem tem méria.
de escalar para ter acesso à porta dos Assim, Nanna ou Sin, a Lua; Shamash,
deuses que leva à imortalidade. o Sol; Marduk ou Dapinu, o forte, deus
da Babilônia, que não é outro senão Jú­
0 7, SINAL DOS DEUSES piter; Ishtar ou Dilbat, a branca, isto é
E NÚMERO UNIVERSAL Vênus, a grande deusa de Nínive; Nobu
Os grandes princípios da Criação, do ou Shihtu, o que se levanta, Mercúrio;
Universo e do Homem baseiam-se no Ninurta ou Kayamânu, o lento, Saturno;
número 7, quaisquer que sejam as cren­ e finalmente, Nergal, a aceso, isto é,
ças, as religiões ou as civilizações con­ Marte, constituem juntos a estrutura do
sultadas. Zodíaco sobre a qual se ordenam o
Tanto para os egípcios como para os hin­ mundo e a religião do destino segundo
dus e, mais tarde, para os budistas, o os Caldeus.
homem é constituído por sete grandes São os sete deuses encarregados de fazer
a escala, o vermelho para o dó, o roxo princípios primordiais, que são idênti­ girar o mundo, de determinar o destino
para o si, o anil para o lá, o azul para o cos aos sete grandes elementos iniciais das almas, de representar juntos a ple­
sol, o verde para o fá, o amarelo para o sobre os quais assenta o universo criado nitude e a perfeição do mundo criado
mi e o laranja para o ré. e manifesto. pelo homem, mas também a via para
Ora, não podemos evitar comparar a fi­ Mas, principalmente, fixaremos nossa um oitavo céu, ao qual se tem acesso
gura do arco-íris — que parece formar atenção no Poema da Criação da astro­ pela porta dos deuses.
uma espécie de ponte luminosa e mul¬ logia mesopotâmica e babilônica — de
ticolorida unindo o Céu c a Terra, mas que destacamos que foi a origem de um
também parece um arco esticado para o autêntico culto religioso, na época — Algumas figuras
céu — com a sétima letra-número do escrito sobre sete tábuas e que faz uma e símbolos do 7
alfabeto hebraico, a qual constitui a ca­ explícita alusão ao nascimento da mais Além do 7 estar muito presente na Bí-
bala, Zaïn ou Zeîn, que significa "arma" bela figura da estrutura universal que blia, como vimos, também é encontrado
e era representada simbolicamente por os nossos antepassados viram, muito nos contos de fadas, que estão quase
uma flecha. antes de nós, e segundo os quais era a sempre carregados de símbolos. De ma-
neira que, no conto do Pequeno Polegar,
este tem sete irmãos e o gigante tem
umas botas que lhe permitem dar pas-
FICHA DE IDENTIDADE DO 7 sos de sete léguas. Também Branca de
Neve se refugia em casa dos sete anões,
Nomes: septenário, septeto, Setentrião, do latim se¬
tentriões, que significa os sete bois de arar, nome que na qual ela vai pôr ordem. Ora, quer se
os romanos atribuíram às constelações da Ursa Maior trate dos sete irmãos do Pequeno Po-
e Menor. legar ou dos sete anões de Branca de
Neve, estamos perante representações
Correspondências aritmomânticas com as letras do
dos sete estados da consciência, dos
alfabeto: G, P e Y.
sete componentes da personalidade, dos
Correspondências com as letras-números da cabala: Zeîn ou Zaïn. sete grandes princípios a que já fizemos
Correspondência Cor: o violeta. Símbolos geométricos: a alusão e que compõem o homem. Em
astrológica: Gêmeos. estrela de 7 pontas, cons- outras palavras, os sete irmãos do Pe-
tituída pelos astros e pe- queno Polegar são os mesmos compo-
los dias da semana. nentes de si mesmo, e o mesmo acon-
tece com os sete anões da Branca de
Neve. São o instinto, a emoção, a inte-
ligência, a intuição, a razão, a vontade,
a consciência.
A simbologia dos números

08
Símbolo do infinito e da eternidade, o 8 é também uma representação das energias terrestres e celestes
que circulam sem cessar de cima para baixo e de baixo para cima, regenerando-se.

P ara penetrar de cheio no universo


deste número mágico e misterioso,
e, ao mesmo tempo, inquietante, volte­
mundo c da vida, convidamos a que
conheça, ou seja, a ler com atenção as
linhas seguintes.
mos ao oitavo arcano maior do Tarô adi­ Muitas vezes insistimos no sistema de
vinhatório, a Justiça, do qual, por outro analogia, isto é, o processo mental que
lado, já conhecemos seus significados está no princípio da criação da estrutura
simbólicos. do Zodíaco, tal como foi estabelecido
Destacamos deste arcano seu caráter por nossos antepassados com a finali­
primitivo, primário e primordial, ba­ dade de organizar sua elaborada ciên­
seando esta teoria em dois exemplos cia dos presságios, ao mesmo tempo que
bem mais simples: um encena a so­ sua visão do mundo.
brevivência de um animal e outro a de Ao seguir este processo analógico, par­
um homem. Assim, ficou demonstrado timos de um fenômeno da natureza, por
que, quando a necessidade faz a lei e exemplo, e racionalizamos, de maneira
c preciso salvar-se seja como for ou que vamos estabelecer todos as seme­
pensar na sobrevivência da espécie, lhanças, todos os laços, relações e cor­
tanto o homem como o animal vão ao respondências, diretas ou indiretas, que
essencial sem se preocuparem com nele existem. N o entanto, às vezes en­
considerações morais ou de qualquer contramos ou também imaginamos e
outro tipo. inventamos, associações que têm sem­
Do mesmo modo, isto é o que mostra pre uma explicação não tanto lógica
e revela o número 8: uma força de vida como significativa.
e uma força de morte quase simultâneas, Digamos de passagem que este mesmo
que nada pode contê-las ou pará-las. princípio é o que utilizam os psicana­
Assim, não é de estranhar que a Jus­ listas com seus pacientes, baseando-se
tiça esteja melhor relacionada com o na associação de idéias.
signo de Câncer, como por outro lado Esclarecido isto, tentaremos encontrar
o está a figura simbólica da chave que e compreender os laços que existem
designa este número (veja página se­ entre o 8 e a Justiça (oitavo arcano maior
guinte). do Tarô adivinhatório), a letra maiús­
Porém, os próprios fundamentos de sua cula H e o símbolo matemático do in­
expressão e as informações que nos dá finito.
correspondem também ao oitavo signo Ora, uma vez demonstrado que todas
do Zodíaco, Escorpião, já que este anun­ as figuras representam o mesmo, tere­
cia uma mutação. mos provavelmente uma vaga idéia da
maneira como, talvez um dia, podere­
PARA ALÉM DA BARREIRA mos atravessar a barreira do tempo. Não
PO TEMPO para alterá-lo, como alguns autores de
Para poder compreender melhor como
nossos antepassados, durante séculos e
até mesmo milênios, além dos tormen­ Esta sucessão de desenhos revela como,
tos da história souberam preservar e partindo de um símbolo (a barreira),
transmitir sua interpretação original do chega-se ao número 8 e à letra H.
desta para uma figura octogonal, isto e o ritmo do próprio tempo. Quem,
é, de oito lados, retida por sua vez den­ senão o homem, inventou a medida do
tro de um quadrado, para se transfor­ tempo em segundos que se sucedem a
mar finalmente em um círculo no in­ um ritmo regular e repetitivo? E em que
terior também de um quadrado. Esta base se alicerçou ou foi fundamentado
última figura acabará por ser desdo­ este sistema? Referindo-se às batidas do
brada, desaparecerão os quadrados e aí coração ou aos movimentos de sua res­
está o nosso 8. piração? Ao inspirar o homem absorve
Por último, pode ver como este desenho a vida e suas idéias. Não dizemos pro­
que fazia referência a uma barreira trans­ curar a "inspiração"? Ao expirar, devolve
formou-se no símbolo da letra H, a alma, o espírito, a vida e a morte.
maiúscula claro, já que a mesma letra Por isso, o homem em pé, representado
em minúscula, não tem nenhuma carga pelo número 8, é uma figura da eter­
simbólica. nidade, tal como o 8 horizontal é uma
Ora, observando a Justiça, o arcano que representação do infinito. Em posição
ficção científica gostam de nos fazer crer retirou do seu baralho de Tarô, você não horizontal, simboliza que o homem res­
— mergulhando-nos em um mundo tem a sensação de que a cadeira onde pira o ar e o espírito da Terra, é unica­
totalmente absurdo — mas para nos li­ está sentada esta mulher, que tem uma mente matéria.
bertarmos dele e, ao fazê-lo, libertar-nos espada em sua mão direita e uma ba­ Nasce, morre e renasce até o infinito
da morte. lança na esquerda, parece-se um pouco prisioneiro de uma força de vida e de
com o aspecto de um H? Pois não é ape­ morte à qual fizemos alusão. Mas
PO INFINITO À ETERNIDADE nas uma sensação, você acertou em quando se ergue, então são o ar e o es­
De um baralho de Tarô, separe a Justiça, cheio. Também não nos surpreenderá pírito do Céu os elementos respirados.
o arcano VIII. Coloque-o próximo a que o H esteja em analogia com os Deste modo, ele próprio se transforma
você e leia com atenção o que se segue. pulmões, pois a forma deste órgão nos em espírito, cm imortal, em eterno. N o
Deve observar a caixa vertical que apa­ lembra esta letra. Deste modo, o nú­ entanto, isso implica um desenraiza­
rece na página anterior e compreenderá mero 8 é o símbolo da respiração com­ mento, um desapego, uma mudança de
como passamos de uma simples barreira pleta, a inspiração e a expiração que nos comportamento e uma atitude radical,
ou cercado, o que Heith significa em podem fazer passar da vida para a morte uma autêntica mutação. Esta é a razão
hebraico — que designa também o H, a qualquer momento, sem sequer no­ pela qual o número 8 é o símbolo mais
a oitava letra do alfabeto hebraico e per­ tarmos. belo do homem cm pé, do homem es­
maneceu como a oitava letra do nosso Este movimento constante, este ritmo piritual, do homem espírito, do homem
alfabeto —, para uma cruz dupla, e respiratório, lembra-nos o movimento livre!

Algumas figuras
FICHA DE IDENTIDADE DO 8 e símbolos do 8
A propósito deste número, devemos fa-
Nomes: oito, oitavo, oitava, oitavado. zer alusão aos oito trigramas essenciais
Correspondências aritmomânticas com as letras do do I Ching. Estas oito figuras, cada uma
alfabeto: H, Q e Z. delas composta por três traços contínuos
Correspondência com as letras da cabala: Heith. e/ou interrompidos, reúnem-se em um oc¬
tógono, no centro do qual encontra-se
Correspondências astrológicas: Câncer, cujo símbolo está em analogia com o 8 ver- o Taichi, símbolo chinês do Yin e do Yang,
tical e separado, mas também com Escorpião, que é o oitavo signo do Zodíaco e energias primordiais feminina e masculi-
cuja dialética corresponde à simbologia do número 8. na que nos lembram a força da vida e a
força da morte, às quais fizemos alusão
Cor: o vermelho. Símbolo geométrico: em relação ao número 8. Os oito trigra-
o octógono. mas encontram-se relacionados com as
oito direções do equivalente à nossa rosa-
dos-ventos. Na China, o lótus das oito pé-
talas simboliza os oito caminhos a seguir
para encontrar a Via segundo Buda.
A simbologia dos números

09
O 9 lhe ajudará a compreender como o círculo dos números se fecha, anunciando assim algo novo
que ocorrerá com o 10.

A o abordar o número 9, é muito di­


fícil resistir à tentação de fazer
jogos de palavras, sobretudo jogar com
voltam a subir à superfície e os insetos
acampam na superfície da água. Isto é
o que os dois anéis invertidos re­
seu nome e as associações que dele presentam.
emanam. De alguma maneira, trata-se
Pensamos evidentemente em seu também, evidentemente, do
parecido "novo", do latim no- calor da água e do vapor que
vus, do grego neo, do hitita dela emana.
newas, do sânscrito nava, ou Sc aproximamos estes dois
seja, "novo". círculos e os colarmos um
Ora, sabemos que a con­ ao outro, obtemos o nú­
cepção da criança no corpo mero 8 em posição hori­
materno, isto é, sua vida zontal que, como sabemos,
intra-uterina, dura nove é o símbolo do infinito.
meses. Sendo mais diretos, Este movimento infinito é
podemos deduzir que o novo exatamente o que se produz
resulta do nove ou, se preferir, quando, sob o efeito do calor,
que são precisos nove meses para o vapor se condensa e se trans­
gerar algo novo, nove meses den­ forma em nuvens que, mais cedo
tro da mãe para que nasça seu filho. ou mais tarde, se converterão em
Porém, assinalemos que, segundo tra­ chuva. O círculo fecha-se.
dições milenares, os nossos antepassados Tudo nos dá a entender, portanto, que
contam em função dos meses lunares, o símbolo do signo de Câncer não se
não em meses do nosso calendário atual. A serpente e o signo de Câncer são compõe de dois 9 fixados um sobre o
Por isso, os freqüentes erros de cálculo as duas representações simbolizadas outro, mas de um seis para baixo e de
dos ginecólogos modernos devem-se pelo número 9: o Caos original um 9 para cima. Recordemos que, cm
raramente a um mau diagnóstico ou um e a Criação. relação ao 6, já tínhamos destacado as
falsa previsão de sua parte mas a um analogias que este número tem com a
mal-entendido relacionado com o fato na presença do símbolo do signo de origem c o nascimento, precisando que
de que, contanto 9 vezes 28, se obtém Câncer. no sexto mês de vida fetal a criança já
um número evidentemente inferior a Já ouvimos, em relação ao número 8, está formada.
se se levar em consideração nove meses que ao olhá-lo horizontalmente, com­ Só lhe restam três meses de crescimento
de 30 em 31 dias cada um. A diferença preendemos o sentido deste símbolo as­ para sair do ventre materno, para ser a
entre ambos chega quase ao número trológico constituído por dois anéis se­ criança que nascerá no final do nono
de um mês lunar dos nossos antepas­ melhantes e invertidos, um por cima do mês.
sados. outro, o primeiro dando a impressão de Assim, vemos como o 6 e o 9 se reúnem
estar mergulhado na água, o segundo, para representar duas etapas essenciais
0 9, 0 SIGNO DE CÂNCER de flutuar na superfície. na formação do ser.
E A SERPENTE Ora, recordemos que o signo de Cân­ N o entanto, entre elas, outras duas fases
Mas não é a única analogia que nos cer deve seu símbolo ao fato de, no pe­ simbolizadas pelos números 7 c 8 se
propõe este número. Por exemplo, se ríodo do ano que cobre, o princípio do apresentam.
o deitarmos e o desdobrarmos e colo­ Verão, as águas da terra estarem quen­ Remetendo-se para as páginas dedica­
carmos seu duplo sobre ele, estaremos tes. Os crustáceos e os peixes pequenos das a estes números, você compreen-
temente no âmbito simbólico, repre­ O círculo fecha-se. Por último, acres­
sentava em primeiro lugar uma serpente centamos que, se estivemos jogando
mordendo a própria cauda, antes de ser com a expressão "o círculo fecha-se",
representada por uma serpente enros­ foi para ilustrar que a letra Teith do
cada. Ora, a serpente é um símbolo do alfabeto hebraico, que corresponde
caos original, mas também das energias ao número 9, era representada na
primordiais, que podem libertar a alma Antigüidade, especialmente no Egito,
e o espírito do domínio do corpo, da por um símbolo parecido com um es­
carne e da matéria. cudo.
A serpente é a iniciadora, a reveladora, Certamente que a forma do escudo dos
a que faz sair a Criação do Caos e, tal­ soldados egípcios nos lembra uma ser­
vez, mais simplesmente, a criança do pente mordendo a cauda. Como con­
ventre da mãe. clusão, diremos que com o 6 a serpente
tem a cabeça para baixo, está ainda em
0 6, 0 9, 0 YIN E 0 YANG processo de formação. Enquanto com
Não podemos deixar de fazer alusão o 9 tem a cabeça para cima c está pres­
ao 9 sem assinalarmos que se remete tes a nascer.
também para o traço mutável do Yang Claro que cm relação à vida intra-ute­
dos hexagramas do I Ching. Mas, mais rina devemos inverter esta visão exte­
uma vez, sua relação com o número rior, pois, quando uma criança nasce,
São precisos nove meses de concepção para 6 é testemunhada, sempre segundo a geralmente é de cabeça. E, no entanto,
que uma criança venha ao mundo, para cultura chinesa do I Ching, no Yin, está na posição do 9. Quiseram os nos­
que nasça um novo ser. simbolizado por um traço interrom­ sos antepassados que entendêssemos
pido e também mutável, que corres­ que, neste mundo vemos tudo ao con­
compreendera como no número 7 chega-seao
ponde número 6. Os outros dois
a uma trário?
certa perfeição, enquanto no número traços são mutáveis intermediários, o
8 as energias de cima e de baixo se re­ 7, um traço inteiro, e o 8, um traço in­
únem, e circulam para se regenerarem terrompido. Algumas figuras
sem cessar. Tornamos a encontrar exatamente a e símbolos do 9
Mais uma vez, o círculo está fechado. mesma simbologia, o mesmo progresso, Segundo a hierarquia estabelecida por
Mas resta uma etapa fundamental a ul­ o mesmo esquema que os revelados no Dionísio, o Areopagita, no século VI da
trapassar. A do número 9 que, eviden­ parágrafo precedente. nossa era, existem nove coros compos-
tos por oito anjos, ou seja, 72 anjos no
total. Cada um se relacionava com um
setor do Zodíaco e com uma combinação
FICHA DE IDENTIDADE DO 9 de astros que revelava nele caracterís-
ticas específicas. Estes nove coros são os
Nomes: nono, eneágono, eneassílabo. Na Grécia antiga, serafins, os querubins, os tronos, as do-
celebrava-se de nove em nove anos a festa "enéada". minações, as virtudes, as Potestades, os
Correspondências aritmomânticas com as letras do al- principados, os arcanjos e os próprios
fabeto: I e R. anjos.
Correspondência com as letras-números da cabala: Teith. Destaquemos que neste caso somando
os algarismos 7 e 2 do número 72, ob-
Correspondências astroló- Cor: o vermelho. que são nove. Esta figura
temos o 9. A propósito disso, assinale-
gicas: Leão mas, como também pode ser represen-
vimos, também Câncer. tada através de um cubo, mos também a soma de todos os núme-
com um ponto em seu cen- ros de 1 a 9, que reduzida, também dá 9,
tro. Uma figura eneagonal, isto é: 1+2+3+4+5+6+7+8+9 = 45.
Símbolo geométrico: um isto é, que apresenta nove 4+5 = 9.
quadrado constituído por lados iguais, ou uma estrela Por último, o próprio princípio da arit¬
outros quatro quadrados, de nove pontas, das quais momancia ou a arte de adivinhar por
nos quais aparecem todos quatro se dirigem para bai- meio de números baseia-se nas vibrações
os pontos de interseção. xo e cinco para cima. dos nove primeiros números.
A simbologia dos números

O 10
O 10 é um fim em si mesmo, um regresso ao centro, à unidade, um novo ponto de partida
no caminho da vida e da realização pessoal.

A ssim como o 1 revela a origem, o


começo, uma inicialização, como
diríamos atualmente, o 10 indica um
cer que, efetivamente, a cultura trans­
mitida pela escrita não tem mais de 3000
anos aproximadamente, ao passo que al­
O que fazemos hoje em dia? Medimos,
avaliamos, estimamos, calculamos,
compramos, codificamos, classificamos
fim. Com a chegada do 10, o que foi se­ guns grupos de humanos que já domi­ tudo que se destaca no mundo físico,
meado ou concebido pelo 1 pode ser navam o fogo — e quem sabe que com o fim de adquirir um certo do­
colhido ou pode nascer. outros elementos e talvez outros conhe­ mínio sobre ele e aproveitá-lo quase
Assim, este número engloba, reúne, cimentos, saberes e práticas já esque­ sempre com fins mercantis ou com o
contém todos os que o precedem e, de cidas, desde que chove sobre a Terra — intuito de exercer um poder, uma in­
certa forma, pelo menos simbolica­ se formaram há mais de 500 mil anos. fluência em um campo concreto. Para
mente, demonstra que o cumprimento fazer isto, expandimos até mesmo as
coincide com o fim de um ciclo, o qual, 0 10, 0 TEMPO, 0 CICLO fronteiras para lá do mundo visível,
por sua vez, é simultâneo ao princípio PO ETERNO RETORNO... pois somos capazes de ver o que não
de um novo ciclo. O grande princípio inerente a todos os vemos a olho nu: as células, por exem­
Posto que devemos compreender que ciclos da natureza, começando eviden­ plo. Porém, em vez de nos abrirmos ao
na mente dos nossos antepassados, que temente pelos das estações — quatro mundo, à vida, aos outros, temos o sen­
os nomearam antes de os desenharem para nós, mas que, por exemplo no timento de que quanto mais ricos, nu­
na areia ou de os gravarem na pedra, Egito eram três —, é que estes anun­ merosos e variados são nossos conhe­
os dez números estavam intimamente ciam e realizam, paradoxalmente, uma cimentos, mais avançam nosso saber
unidos uns aos outros, formando uma mudança, uma transformação, às vezes e as aplicações que tiramos dele e mais
cadeia idêntica à da vida, a que consti­ até mesmo uma metamorfose mediante nos afastamos da realidade simples e
tui os ciclos da vida. E isto desde tem­ uma repetição de um fenômeno sem­ verdadeira da vida, isto é, mais nos iso­
pos imemoriais. Não devemos esque­ pre idêntico. lamos uns dos outros.
Esta noção é muito importante, pois re­
vela que o homem da Antigüidade, e
mesmo antes, teve sempre uma
visão muito mais pragmática do
que quase sempre imaginamos e
mesmo mais do que a nossa.
Quanto aos nossos antepassados, generação, um renascimento constante. Algumas figuras
eles mediam o mundo para compreen­ Permite-nos de alguma forma "renas­ e símbolos do 10
der melhor seus limites, considerando cer", nos recriar a nós mesmos seguindo Evidentemente não é o produto do aca-
que o universo e eles tinham sido con­ os ciclos da vida. so que os dedos das mãos do homem
cebidos segundo o mesmo princípio, Atualmente, sabemos que estamos sub­ sejam dez, que a mão seja a figura sim-
sobre o mesmo modelo. Ora, que me­ metidos a ciclos biológicos dos quais bólica, que o nome de Yod, a letra do
lhor forma de vencer o tempo, de viver ninguém escapa. Infelizmente, nunca o número do código da cabala, corres-
fora ou para além dele, do que ser, senão levamos em conta. A medicina mo­ ponda ao número 10, e que Moisés
derna, salvo honrosas tenha recebido os 10 Mandamentos gra-
exceções, mostra um vados pela mão de Yahvé, em letras de
total desinteresse em fogo, no cume do monte Sinai. Trata-
relação a isso. Uma se uma vez mais do regresso ao "cen-
vez mais, e não é o tro" e à unidade de um cumprimento
único nem o menor e um eterno retorno.
dos paradoxos de
nossa era tecnológica,
quanto mais fechados E 0 CENTRO
nos encontramos na Ao simbolizar todos os ciclos da vida
vida cotidiana, onde e assim o mito do eterno retorno, o 10
somos obrigados a re­ nos remete ao ponto de origem, o 1, que
petir sem cessar os se encontra no centro e representa o
mesmos gestos, as Centro.
mesmas tarefas, tanto Então tudo é como se, contando de 1
menos vivemos o a 10, estivéssemos realizando um per­
presente, tanto me­ curso iniciático, cujo objetivo é voltar
No cume do monte Sinai foram nos temos consciência do momento ao ponto de origem onde se revela e se
precisamente dez os mandamentos adequado para agir. Para os nossos ante­ situa o Centro.
que Moisés recebeu de Yahvé. passados, repetir um gesto, uma tarefa, Esta é a razão pela qual o 10 é quase
uma palavra não tinha sentido a menos sempre representado com um círculo,
seu dono, pelo menos seu igual? Quem que o focassem com uma preocupação maravilhoso símbolo do ciclo perpétuo,
é igual ao tempo vai cruzar com o ritmo especial. Por isso, seus atos tinham sua mas também como uma circunferência
da natureza e com o ritmo dos ciclos da utilidade e seus significados, podiam ir ponteada, ou seja, um círculo cujo cen­
vida. Ao fazê-lo, é livre. É esta a força para além do que faziam. Eram exem­ tro é indicado como ponto e cujo sen­
do 10. Ao nos enviar para o ponto de plares. Para nós, parece que tudo que fa­ tido é o retorno à Unidade, ou Unidade
partida, ou seja, o 1, porque anuncia o zemos, quase sempre não é útil para renovada. O "Centro" é portanto a zona
final de um ciclo, torna possível uma re­ ninguém e não tem sentido. sagrada por excelência, a da realidade
absoluta. Da mesma forma, os restan­
tes símbolos da realidade absoluta (ár­
vores da vida e da imortalidade, fonte
FICHA DE IDENTIDADE DO 1 0 da juventude, etc.) se encontram tam­
Nomes: decênio, dezena, década, decálogo, decanato. bém em um Centro.
Correspondência com as letras-números da cabala: Yod. "O caminho que leva ao centro é um
caminho difícil (...). O caminho é
árduo, está repleto de perigos porque de
fato é um ritual da passagem do profano
para o sagrado; do efêmero e do ilusó­
Correspondências Símbolo geométrico: rio para a realidade e para a eternidade;
astrológicas: Virgem. o decágono ou polígono da morte para a vida; do homem para
de dez lados. a divindade. O acesso ao 'centro' equi­
vale a uma consagração, a uma iniciação;
a uma existência, real, duradoura e efi­
caz", assim o explicou Mircea Eliade em
seu Mito do Eterno Retorno.
A simbologia dos Números

O 12
O 12foi, sem dúvida, uma unidade de medidaperfeitado espaço e do tempo para os homens
da Antiguidade. Em todo o caso, trata-se de um número dos signos do Zodíaco e do sistema duodecimal.

Q uando olhamos para os livros de


história antiga temos a impressão
de que, para os nossos antepassados,
tudo era contado, medido e calculado
por 12. Pensemos, por exemplo, nesta
astuta divisão de 2 vezes 12 horas do
dia e da noite, tal como a consideravam
os egípcios. Para sublinhar as variações
na duração do dia ou da noite — em
função do solstício de Verão, no qual
a duração do dia diminui pouco a
pouco a favor da noite, ou depois do
solstício de Inverno, em que os dias
se prolongam —, mais do que dividir
o dia em um número desigual de horas,
imaginaram que o dia e a noite se com­
punham, cada um deles e alternada­
mente, de 12 horas longas e 12 horas
curtas. Se pensarmos bem, pode ser
que ainda assim seja atualmente.

O 12 E O ZODÍACO UNIVERSAL
Dado que estamos no Egito, lembre­ tempo símbolos da perfeição: as doze encontramos os próprios fundamentos
mos que os escribas astrônomos, guar­ tribos de Israel, as doze gemas oracu¬ da astrologia.
diães do calendário, tinham dividido lares, os doze apóstolos de Jesus, as doze Nada nos impede de imaginar que o
o ano em 360 dias e três grandes esta­ portas da Nova Jerusalém, segundo o Zodíaco indiano e o chinês, depois do
ções, ou seja, três vezes 120 dias, e cada apocalipse de São João, etc. Esta refe­ Zodíaco egípcio, tenham saído da mes­
uma destas estações estava dividida por rência ao número 12 tem, sem nenhu­ ma fonte de inspiração mesopotâmica.
sua vez em quatro meses de trinta dias, ma dúvida, uma origem comum e an­ É evidente que o número 12 está oni­
e cada mês dividido em três períodos terior à da redação da Bíblia. presente em todas estas civilizações, as
de dez dias. Encontramo-nos, obvia­ De maneira que, a epopéia de Gilga- quais, todavia, possuem costumes muito
mente, nas medidas do Zodíaco, com a mesh, um longo poema sumério que diferentes.
única diferença de que, hoje em dia, data de início do II milênio antes de
temos quatro estações em vez de três. nossa era, consta de doze tábuas, assim OS DOZE ELOS
Note que existem 360 graus no Zo­ como os doze símbolos do Zodíaco. E PO CICLO DOS RENASCIMENTOS
díaco, divididos em doze partes iguais o Poema da Criação, ou Enûma Elish, re­ Em todas as partes, o 12 era o número
de trinta graus cada uma: os doze signos lato acádio cosmogônico do final do II dos ciclos perfeitos e mutáveis da na­
do Zodíaco, os quais por sua vez se di­ milênio antes de Cristo, compõem-se tureza e da vida, até no ciclo dos re­
videm em três partes iguais de dez de sete tábuas, assim como os sete as­ nascimentos, que revela as grandes cau­
graus, os decanatos. tros-deuses que regem os dozes signos sas da reencarnação de uma mesma
Poderíamos citar inúmeras alusões ao do Zodíaco. alma, as quais são doze, segundo o hin­
número 12 no Antigo e no Novo Tes­ Além disso, existe outra questão de duísmo. Estas causas chamam-se Ni-
tamento da Bíblia, que são ao mesmo grande importância: é neste relato que dânas, o que literalmente poderíamos
traduzir como "uniões, cadeias, 4 Nidâna Nâmarupâ, boliza os desejos, os sentidos que pro­
anéis ou elos". Cada Nidâna tem um o nome e a forma, consi­ porcionam prazer, os quais engendram
nome diferente, mas sobretudo repre­ dera-se um homem em novos desejos e necessidades sem limites.
senta-se sobre uma imagem simbólica um barco sem remos, à
determinada que ilustra as doze causas deriva, à mercê da corrente. Nesta caso, 8 Nidâna Trishnâ, a se­
que encadeiam o homem na existência: trata-se de uma imagem que simboliza de, a aspiração ou inveja,
a invocação de uma forma de vida pelo representada por um ho­
1 Nidâna Avidyâ, a seu nome, ato que conduz a viver no mem que bebe um copo
ignorância ou ofuscação, mundo das aparências e da ilusão, que de vinho. Esta imagem simboliza a sede
representada por uma encadeiam a existência. de viver que nunca se satisfaz e induz o
anciã cega, com um ho­ homem a querer possuir, ter e dominar
mem que guia seus passos, segurando- 5 Nidâna Shadâyatana, para se saciar. Todavia, se sua inveja se
a pela mão. Neste caso, mostra-nos o os seis fundamentos ou transformar em aspiração, neste ponto
ser ofuscado pelo desejo. E o guia não é categorias, representada pode libertar-se do ciclo sem fim das
outro se não o destino que deve seguir. por uma casa com seis reencarnações.
aberturas: uma porta e cinco janelas, que
2 Nidâna Samskâra, a simbolizam os órgãos dos sentidos se­ 9 Nidâna Upâdâna, o
impressão ou intenção, gundo os hindus; a porta é o espírito e apego, representado por
representada por um ho­ as cinco janelas são a visão, a audição, um homem que colhe os
mem sentado em frente o olfato, o paladar e o tato. frutos de sua horta. Esta
de um torno de oleiro, dando forma a imagem ilustra o apego à vida e aos bens
um jarro de barro. Esta imagem sim­ 6 Nidâna Sparsha, o deste mundo, conseqüência da sede de
boliza as concepções, os pensamentos tato ou o contato, mos­ viver, revelada no Nidâna precedente e
que, pouco a pouco, tomam forma e se tra-nos um homem tra­ da qual o homem não se conseguiu des­
convertem em realidade e nos enca­ balhando a terra. Esta fazer.
deiam na existência. imagem simboliza a tomada de cons­
ciência da realidade física do mundo 10 Nidâna Bhava, o ser
3 Nidâna Vijnâna, a através dos órgãos dos sentidos, e daí ou o provir, representado
consciência, que aqui é as necessidades, as dependências e as por uma mulher com a
um macaco pendurado servidões que engendra para o homem. cabeça e o rosto cobertos
em uma árvore com uma por um véu nupcial, representando o
copa tão alta que não a consegue ver 7 Nidâna Vedâna, sen­ eterno retorno, as eternas núpcias do
nem alcançar. É a imagem do intelecto sação e sentimento, re­ homem e da mulher, que os encadeiam
que conduz o ser a identificar-se com presentada por um olho no provir na Terra e os impedem de
suas idéias e seus atos e com os quais atravessado cm seu cen­ procriar.
se encontra encadeado. tro por uma flecha. Esta imagem sim­
11 Nidâna Jâti, o nasci­
mento, mostra-nos uma
mulher dando à luz uma
FICHA DE IDENTIDADE DO 12 criança. Esta imagem de­
Nomes: dúzia, duodécimo, duodenário. riva da precedente e revela que, chega­
dos a este ponto, o ser é prisioneiro dos
Correspondência com as letras-números da cabala: ciclos dos renascimentos sem fim.
Lamed.
12 Nidâna Jarâ, a velhice
e a morte, representada
Correspondência astroló- Símbolo geométrico: o por um velho defunto cu­
gica: Libra. triângulo sagrado egípcio, jo corpo é submetido ao
cuja base mede 4, o lado 3 ritual hindu da cremação. Esta imagem
e a diagonal 5, isto é, um simboliza a fase última e fatal de toda a
perímetro de 12. vida terrestre, pelo menos enquanto o
ser permanecer ofuscado pelo desejo e
se deixar conduzir pelo seu destino.
A simbologia dos Números

O 13
e alguns outros números
Do 13 ao 666, há certos Números aos quais se atribuem vibrações maléficas.
Vamos tentar compreender de onde vêm tais superstições.

A s superstições têm uma


vida longa e controver­
tida. A relacionada com o nú­
adversidades e fraquezas, so­
breviver acontecesse o que
acontecesse. Atualmente, o
mero 13 — considerado co­ que sobrevive da superstição,
mo um N ú m e r o maléfico justamente, é a crença, quase
por uns e benéfico por ou­ sempre sem fundamento, em
tros — é um claro exemplo certos signos, gestos ou ri­
disso. Principalmente, quan­ tuais aos que se atribui um
do, de forma cíclica e segun­ valor particular, uma in­
do um processo matemático fluência ou um poder.
muito lógico, a terça-feira
(em alguns países) ou a sexta- A TERÇA-FEIRA 13
feira (em outros) de uma se­ Se em países como a França,
mana coincide com o dia 13 Grã-Bretanha, Estados Uni­
do mês, o que não deixa de dos, Brasil..., a sexta-feira 13
acontecer, pelo menos, duas é o dia azarado por excelên­
vezes por ano, como é o caso cia, em outros, como na Es­
de 1997 e 1998, por exemplo. panha, esta data passa a ser
Comprove-o você mesmo: o a da terça-feira 13.
13 de janeiro e o 13 de ou­ O erudito espanhol Néstor
tubro de 1998 caem numa Luján recolheu em Roma o
terça; o 13 de abril e o 13 de seguinte ditado tradicional
julho de 1999, também. Uma que nos ajudará descobrir
geração antes (alguns histo­ o porquê desta diferença:
riadores calculam ser de "Giorno di Venere, giorno de
quinze em quinze anos), por­ Marte, non si sposa e non si
tanto, em 1984, o 13 de A causa principal do medo de ser 13 comensais parece parte", isto é, "nem no dia
março e 13 de novembro ca­ ser a Ultima Ceia. consagrado a Vênus, nem no
íram numa terça. Porém isto dia consagrado a Marte, deve-
não tem nada de extraordinário. As compreender o que significava o termo se casar ou viajar".
terças ou sextas que caem no dia 13 do "superstição" para nossos antepassados Curiosamente, em castelhano, subsiste
mês são totalmente previsíveis. Por e, em seguida, como o entendemos ho­ uma variante do provérbio que diz: "13
outro lado, este raciocínio nos permite je. Em um princípio, superstição sig­ e terça, nem te cases, nem te embar­
fazer uma pergunta interessante. nificava "estar por cima, dominar, su­ ques"
perar, sobreviver". A superstição era, Mas vamos à origem: tal como o men­
O QUE É UMA SUPERSTIÇÃO? portanto, o que dava a possibilidade ao cionado falecido escritor insinua, neste
Como no caso de muitas palavras que homem de estar por cima das incerte­ adágio romano podemos vislumbrar as
esvaziamos de seu sentido e conteúdo zas e vicissitudes da existência, domi­ claras origens pagãs e latinas desta su­
originais, em primeiro lugar, devemos nar seu destino e instintos, superar suas perstição, que nos põe em guarda ante
os dias regidos pelo deus Marte ras 13 que existissem durante este ano
(martes, terça-feira em castelhano) e "O dia da Besta", símbolo do 666. seriam naturalmente benéficos. Por
pela deusa Vênus (viernes, sexta- outro lado, se o 1 de janeiro se si­
feira nesta língua). Mais tarde, em tuava sob o signo de um dia ou
alguns lugares ficariam apenas com um astro maléfico, as sextas-fei­
as sextas-feiras, e em outros com as ras daquele ano teriam reper­
terças-feiras, pois não era fácil tentar- cussões nefastas.
se a sorte duas vezes por semana.
Quanto ao assunto do número "13"... ALGUNS OUTROS NÚMEROS
vejamos a seguinte seção. Os Números simbólicos maiores são
m aqueles que vão do 1 ao 10. Desta­
A SEXTA-FEIRA 13 camos também o importante papel que
A fama que a terça-feira 13 tem em al­ desempenharam os Números 12 e, em
guns países entronca-se de forma di­ 13, um dia maléfico. N o entanto, para menor medida, o 13. Quanto aos de­
reta com a da sexta-feira 13, c esta pro­ outros, o fato de Jesus ter ressuscitado mais números da dezena: 11, 14, 15,
vém essencialmente da lenda mítica da transformava a data em positiva; re­ 16, 17, 18 e 19, só têm importância se
Ultima Ceia, isto é, o dia em que os 12 cordemos que se a sexta-feira 13 anun­ se abordam do ponto de vista das in­
apóstolos se reuniram ao redor de Jesus ciou sua morte temporal, revela assim terpretações dos arcanos maiores do
para compartir com ele sua última ceia. sua imortalidade, portanto, só podia Tarô adivinhatório. N o entanto, não
Segundo garantem os historiadores, pa­ tratar-se de um dia benéfico. podemos finalizar estes Números sem
rece que se tratava de uma sexta-feira. Para pôr a todos de acordo, estabele­ fazer alusão ao do Apocalipse de São
E quando se sabe o que aconteceu com ceu-se um calendário hemerológico João. Evidentemente, trata-se do fa­
Jesus — que era, portanto, o décimo perpétuo de sextas-feiras 13 a partir do moso Número 666 o número da besta
terceiro comensal — depois de sua ceia, qual pôde-se estabelecer que, se o pri­ selvagem, ao qual, curiosamente, o
entende-se facilmente como alguns meiro dia do ano estava sob a influên­ evangelista dedica por completo o ca­
viram neste dia marcado pelo Número cia de um astro benéfico, as sextas-fei­ pítulo número 13 de seu "Apocalipse".

Tabela hemerológica das


sextas-feiras 13 de sorte ou
nefastas, segundo os anos TABELA HEMEROLÓGICA
A hemerologia, que é um sistema astrológico que
permite prever os dias de sorte e os dias nefastos
do ano seguinte, nasceu como uma ciência cujos
primeiros traços escritos se encontram na Meso- Sexta-feira 13 Sexta-feira 13 Sexta-feira 13
potâmia, por volta da metade do milênio I a. C. NEUTRA NEFASTA BENÉFICA
Ainda é usado na Índia e subsiste na China — ape-
sar dos estragos da 'revolução cultural' —, onde,
antigamente, não se tomava nenhuma iniciativa Segunda-feira Terça-feira Quinta-feira
sem se consultar o almanaque hemerológico. De 1 de Janeiro 1 de Janeiro 1 de Janeiro
maneira que quando o 1 de janeiro era uma se-
gunda-feira, dia da Lua; uma quarta-feira, dia de
Mercúrio; ou um domingo, dia de Sol; as sextas-fei- Quarta-feira Sábado Sexta-feira
ras 13 que se produziam ao longo do ano eram 1 de Janeiro 1 de Janeiro 1 de Janeiro
consideradas dias neutros. Por outro lado, quando
o 1 de janeiro era uma terça, dia de Marte; ou um
sábado, dia de Saturno; as sextas-feiras 13 que acon-
teciam deviam ser consideradas dias de influências Domingo
nefastas. Por último, quando o 1 de janeiro caia 1 de Janeiro
na quinta-feira, dia de Júpiter, ou na sexta, dia de
Vênus, as sextas-feiras 13 previstas para aquele ano
sempre teriam um caráter benéfico.