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DIREITO PREVIDENCIÁRIO

AULA 02

CONTEÚDO, FONTES, AUTONOMIA E RELAÇÕES COM OUTROS RAMOS DE


DIREITO

CONTEÚDO

O Direito Previdenciário tem por Conteúdo: o campo de aplicação, a


organização,
o custeio e as prestações.

O campo de aplicação interessa: aos eventos protegidos – eventos


sociais; as empresas;
as entidades vinculadas; e aos beneficiários.

FONTES

Fontes são os meios pelos quais se formam ou pelos quais se estabelecem


as normas Jurídicas São os órgãos sociais de que emana o direito objetivo.

Várias são as classificação dessas fontes. A mais importante divide-se


em fontes diretas ou imediatas e fontes indiretas ou mediatas.

Fontes diretas ou imediatas são aquelas que, por si só, pela sua própria
força, são suficientes para gerar a regra Jurídica. São a lei e o costume.

Fontes indiretas ou mediatas São as que não tem tal virtude, porem,
encaminham os espíritos, mais cedo ou mais tarde, a elaboração da norma.
São a doutrina e a jurisprudência. "(Washington de Barros Monteiro, op. cit., p.
13).

Fontes diretas ou imediatas são aquelas que, por si só, pela sua própria
força, são suficientes para gerar a regra Jurídica. São a lei e o costume.

Fontes indiretas ou mediatas são as que encaminham os espíritos, mais


cedo ou mais tarde, a elaboração da norma. São a doutrina e a jurisprudência.

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FONTES DIRETAS
No âmbito da Seguridade Social, as fontes diretas constituem a
Constituição Federal, as Leis Complementares, as Leis ordinárias, as Medidas
Provisórias, os Decretos, as Portarias, as Ordens de Serviço, as Orientações
Normativas, as Resoluções, as Circulares, etc. - Além do Direito Comparado
(tratados internacionais, convenções da OIT, e outros) e das Medidas
Provisórias.

FONTES INDIRETAS

São a interpretação legal acolhida pelas Cortes de Justiça em nosso


país.

ORIENTAÇÃO DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

São tribunais superiores o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal


de Justiça, o Tribunal Superior Eleitoral, o Tribunal Superior do Trabalho e o
Superior Tribunal Militar.

Convém registrar que as decisões do Supremo Tribunal Federal,


proferidas em ação declaratória de constitucionalidade, ou em ação direta de
inconstitucionalidade, e outras, definem a constitucionalidade ou não de leis ou
atos normativos federais, e a própria interpretação dos preceitos legais.

Quando houver sumula ou jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal


Federal ou dos tribunais superiores, o Ministro da Previdência e assistência
Social poderá autorizar o INSS a formalizar a desistência ou abster-se de propor
ações e recursos em processos judiciais.

AUTONOMIA

RAIMUNDO CERQUEIRA ALLY, abordando a matéria, afirma que duas


correntes doutrinarias permanecem vivas e atuantes na discussão em torno da
autonomia do Direito Previdenciário:
• a teoria monista coloca a Previdência Social no âmbito do Direito do
Trabalho, como simples apêndice deste ultimo;
• a teoria dualista, por outro lado, festeja a autonomia do Direito
Previdenciário e mostra como esse novo ramo do direito não se
confunde com o Direito do Trabalho"
• Teoria minoritária: o Direito da Seguridade Social vem do
direito administrativo

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ALFREDO J. RUPRECHT observa: "tem-se sustentado também que o Direito


da Seguridade Social promana do Administrativo e continua sendo parte deste
Direito – é uma posição com raríssimos defensores

A maioria dos autores, presentemente, reconhece a autonomia do


Direito Previdenciário com: normas próprias, princípios próprios, institutos
específicos, objeto próprio, métodos específicos, enfim, os requisitos
necessários para uma ciência autônoma.

RELAÇÕES COM OUTROS RAMOS DE DIREITO

Embora autônomo, o Direito Previdenciário relaciona-se com outras


disciplinas Jurídicas, destacando-se as seguintes:

• Direito Constitucional – disciplinou em seu texto diretamente a


matéria dedicando à Seguridade Social, no Titulo VIII relativo a Ordem Social,
havendo o capitulo I (arts. 194 a 204).

E diversas outras normas os direitos relativos a Saúde, a Previdência Social


e a assistência Social (por exemplo, nos arts. 6° e 7°, incisos II, VIII, XII,
XVIII, XXIV, XXV e XXVIII, e outros).

• Direito do Trabalho – são ramos do direito intimamente ligados. Por


exemplo, o Direito Previdenciário vale-se dos conceitos de empregado,
empregador, remuneração, e vários outros contidos na legislação trabalhista.

• Direito Administrativo - o Direito Previdenciário pertence ao Direito


Publico (em contraposição ao Direito Privado) tem estreita relação
com o Direito Administrativo. Sujeita-se a uma série extensa de normas
expedidas pela Administração Publica, particularmente o Ministério da
Previdência e Assistência Social: portarias, ordens de serviço, orientações
normativas, etc. Os atos normativos ministeriais obrigam a todos os órgãos
e entidades integrantes do MPAS, inclusive da administração indireta a ele
vinculados. O regulamento da Previdência Social (Decreto n° 3.048/99)
emana da Presidência da República.
• Direito Civil - a Previdência Social adota ou inspira-se em conceitos
consagrados pelo Direito Civil, sobretudo os concernentes a família, As
obrigações e As sucessões. Os exemplos clássicos são os de concubinos, da
capacidade civil, e outros.

• Direito Empresarial - a Previdência Social encontra suporte em


preceitos e institutos próprios do Direito Empresarial. ilustrativamente,

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apontam-se o conceito de empresa; as normas relativas a concordatas,


falências e concursos de credores; os dispositivos atinentes a escrituração
contábil e ao exame da contabilidade das empresas, etc.

• Direito Penal - existe também nítida correlação entre ambos, como


se verifica, para exemplificar, nos casos de crimes praticados contra a
Seguridade Social: sonegação fiscal, apropriação indébita, falsidade
ideológica, etc.

• Direito Tributário - retira fundamentos em vários temas, como os


lançamentos, a constituição de créditos, e outros. Vale transcrever, a
propósito, os seguintes artigos do Código Tributário Nacional:

• Direito Financeiro - também existe interação entre ambos, a qual


sucede na elaboração da proposta de orçamento da Seguridade Social e na
obrigatoriedade de o orçamento da mesma Constar, destacadamente, da Lei
Orçamentária Anual.

• Direito Internacional Publico - a Previdência Social obedece a tratados


internacionais que o Brasil ratificou, ao longo da historia. Norteia-se por
diversas convenções e recomendações da OIT

- Organização Internacional do Trabalho (embora nem todos). O nosso


pais mantém tratados com vários outros, estabelecendo reciprocidade de
direito entre os respectivos cidadãos em matéria de Previdência Social
(Portugal, Argentina, Paraguai).

Os tratados, convenções e outros acordos internacionais que o Brasil seja


parte, será tratado como Lei especial, no que se refere a matéria
Previdenciária.

APLICAÇÃO DO DIREITO:
"A aplicação do Direito consiste no enquadrar um caso concreto em uma
norma Jurídica adequada submete uma relação da vida real à escrita da lei;
procura e indica o dispositivo adaptável a um fato determinado por outras
palavras: tem por objeto descobrir o modo e os meios de amparar
juridicamente um interesse humano.
O direito precisa transformar-se em realidade eficiente, no interesse
coletivo e também no individual.
No interesse individual, o direito transforma-se em realidade eficiente
quando da observância da lei pelos particulares, ou pela opção espontânea ou

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provocada dos tribunais contra as violações das normas expressas, e ate


mesmo contra as simples tentativas de iludir ou desrespeitar dispositivos
escritos ou consuetudinários.
Disso resulta a aplicação, voluntária as vezes e muitas vezes forçada

"A adaptação de um preceito ao caso concreto pressupõe:

a) a Critica – para apurar a autenticidade e, em seguida, a


constitucionalidade da lei, regulamento ou ato jurídico;

b) a Interpretação - para descobrir o sentido e o alcance do texto;

c) o suprimento das lacunas, com o auxilio da analogia e dos princípios


gerais do Direito;

d) o exame das questões possíveis sobre ab-rogação , ou simples


derrogação de preceitos, bem como acerca da autoridade das disposições
expressas, relativamente ao espaço e ao tempo.

APLICAÇÃO DAS NORMAS PREVIDENCIÁRIAS

A Hermenêutica, tem um só objeto - a lei – é um meio para atingir a


aplicação. É um momento da atividade do aplicador do Direito. A
HERMENÊUTICA é o estudo preferido do teórico a aplicação tem dois objetivos
- o Direito, no sentido objetivo e o fato. A aplicação , revela o adaptador da
doutrina à prática, da ciência à realidade.

A Hermenêutica tem um só objeto – a lei (estudo da lei)


A aplicação tem como objeto o direito , no sentido objetivo e o fato.

A aplicação , no sentido amplo, abrange a crítica e a hermenêutica

O TERMO HERMENÊUTICA é geralmente empregado para exprimir a


atividade pratica do juiz, ou administrador é ate afinal, posterior ao exame da
autenticidade, constitucionalidade da norma.

A HERMENÊUTICA COMPLETA A AUTENTICIDADE E O EXAME DA


CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA.

O momento da aplicação da norma é característico do direito positivo. Isto


porque as normas positivas existem, fundamentalmente, para serem aplicadas
por um órgão competente, juiz, tribunal, autoridade administrativa ou
particular.

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A aplicação do direito é , portanto, decorrência de competência legal.


O juiz aplica as normas gerais ao sentenciar;
O legislador, ao editar leis, aplica a Constituição;
O Poder Executivo, ao emitir decretos, aplica norma constitucional;
O administrador, o funcionário público aplica sempre normas gerais ao ditar
atos administrativos; simples particulares aplicam norma geral ao fazer seus
contratos e testamentos.

"Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e
a s exigências do bem comum". Art. 5º da LICC
Especificamente, na aplicação das normas da legislação Previdenciária e,
mais amplamente, da Seguridade Social, devem ser obedecidas as orientações
e diretrizes expostas, que se destinam a aplicação das leis em geral.

Especificamente, na aplicação das normas da legislação Previdenciária e,


mais amplamente, da Seguridade Social, devem ser obedecidas as orientações e
diretrizes expostas, que se destinam a aplicação das leis em geral.

VIGÊNCIA NO TEMPO: ART. 1º , §§ 1º, 2º, 3º, 4º, ART. 2º §§ 1º, 2º, 3º,
DA LICC

A Lei de Introdução ao Código Civil, aplicável as leis em geral, estatui:


Art. 1°. Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o País 45
(quarenta e cinco) dias depois de oficialmente publicada.

§ 1°. Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando


admitida, se inicia 3 (três) meses depois de oficialmente publicada.

§ 2°. A vigência das leis, que os governos estaduais elaborem por


autorização do governo federal, depende da aprovação deste e começar no
prazo que a legislação estadual fixar.
§ 3°. Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu
texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos
anteriores começará a correr da nova publicação.

§ 4°. As correções a texto de lei em vigor consideram-se lei nova.

Art. 2°. Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até
que outra a modifique ou revogue.
§ 1°. A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare,
quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria
de que tratava a lei anterior.
§ 2°. A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par
das j á existentes, não revoga nem modifica a lei anterior.

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§ 3°. Salvo disposições em contrario, a lei revogada não se restaura por


ter a lei revogadora perdido a vigência. Atualmente, a grande maioria das
leis estabelece a respectiva vigência a partir da data da sua publicação.

Nada obsta, porem, que determinado diploma legal, estipule a sua


entrada em vigor; por exemplo, a contar de trinta dias (ou noventa, cem,
etc.) em que for publicada.
E não havendo disposição expressa, começara a vigorar quarenta e
cinco dias após a sua publicação oficial.
A lei nova rege os fatos ocorridos na sua vigência, não alcançando
situações pretéritas. Tempos regit actum.
Exceção na Seguridade Social:

Importante: No tocante a legislação da Seguridade Social, cumpre


salientar que:

• no caso dos benefícios admite-se a retroação


benéfica, ou seja incidência da norma mais
favorável, em caso de situações pendentes, ainda
não resolvidas juridicamente. Admite-se a incidência
da norma mais favorável, trazida pela lei nova. A retroação
benéfica, só pode abranger, os fatos pendentes (as situações
ainda não resolvidas Juridicamente). A questão da retroatividade
benéfica envolve polêmica, não sendo assunto pacifico
• as contribuições sociais somente poderão ser exigidas após o
decurso de noventa dias da publicação da lei que as instituir ou
modificar (Constituição Federal, art. 195, § 6°).

VIGÊNCIA NO ESPAÇO

Prevalece, nesse âmbito , o principio da territorialidade. A legislação


Previdenciária estende-se pelo território brasileiro, não alcançando outros
países, mas pode, em certos casos, extrapolar as nossas fronteiras, como
sucede em relação a brasileiros que trabalham no exterior para sucursal ou
agencia de empresa nacional, ou com as empresas brasileiras domiciliadas
no exterior, etc.
INTERPRETAÇÃO

A ciência que interpreta o direito é a Hermenêutica Jurídica,


segundo critérios diversos. Um deles consiste em determinar as fontes,
os métodos e os tipos interpretativos(CRITÉRIOS)

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INTERPRETAÇÃO SEGUNDO AS FONTES


Pode ser: autêntica, jurisprudencial ou doutrinária

AUTÊNTICA: UMA LEI PARA EXPLICAR A OUTRA


PROVENIENTE DO MESMO PODER QUE A ELABOROU

É fornecida pelo mesmo poder que elaborou a lei.


Quase sempre se exerce através de lei interpretativa, por via da
qual se determina o verdadeiro sentido, o exato significado, do texto
controvertido.
O legislador se utiliza de outra lei para exprimir sua vontade, em
pontos obscuros ou controvertidos
Entretanto, além de ser uma anomalia, a lei interpretativa, a
interpretação autêntica não é irrefutável e decisiva.
É costume comparar a lei ao fruto que, destacado da arvore,
assume entidade própria, distinta da arvore que o produziu.
É possível, portanto, atribuir-lhe significado diverso daquele que
lhe emprestam os órgãos que a formularam.
Ela surge para explicar a intenção do legislador mas pode
produzir efeitos diversos.

INTERPRETAÇÃO DOS JUÍZES E TRIBUNAIS


A interpretação jurisprudencial, ou judicial, consiste na orientação
adotada pelos juizes e tribunais, interativamente, a respeito do alcance e
do significado das normas Jurídicas existentes, no âmbito da Seguridade
Social.

INTERPRETAÇÃO DOUTRINÁRIA É DOS ESTUDIOSOS,


TRATADISTAS, DOUTORES, MESTRES, JURISCONSULTOS, ENFIM OS
CULTORES DO DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL

INTERPRETAÇÃO SEGUNDO OS MÉTODOS

Os chamados métodos de interpretação são, na verdade, regras


técnicas que visam a obtenção de um resultado com elas procuram-se
orientações para os problemas de decidibilidade dos conflitos

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Os métodos hermenêuticos mais conhecidos e aplicáveis ao Direito da


Seguridade Social são:

• Gramatical (literal ou filosófico) -- fundamenta-se no exame da


linguagem do texto. "Parte-se do pressuposto de que a ordem das
palavras e o modo como elas estão conectadas são importantes para
obter-se o correto significado da norma". A chamada interpretação
gramatical tem na análise léxica apenas um instrumento para mostrar e
demonstrar o problema não para resolve-lo. A letra da norma, assim, é
apenas o ponto de partida da atividade hermenêutica. Como interpretar
Juridicamente e produzir uma paráfrase, a interpretação gramatical obriga
o jurista a tomar consciência da letra da lei e estar atento As
equivocidades proporcionados pelo use das línguas naturais e suas
imperfeitas regras de conexão léxica, é a interpretação da gramática

MÉTODO LÓGICO: É A MENS LEGIS – RAZÃO DA LEI aplicação de


processos lógicos para se descobrir o sentido da norma, o espírito da lei.

• Lógico (racional ou discursivo) - considera a razão da lei, a mens


legis. É o método que busca descobrir o sentido, espírito, enfim a
verdade Aplicando-se métodos e processos lógicos, examinam-se, não
mais as palavras da norma Jurídica, mas as proposições por elas
anunciadas. E tanto mais perfeito será este exame quanto o interprete
aplicar com maior cuidado os ensinamentos da Lógica.

• Teleológico - a regra básica dos métodos teolológicos é de que


sempre e possível atribuir-se um propósito as normas. Atribuir finalidade
à norma é uma forma de interpretação.

"De fato, isto nem sempre é claro e muitas vezes nos levaria à
perplexidade. Existem normas costumeiras para as quais é difícil encontrar
propósitos e finalidades. O longo uso com o sentimento da obrigatoriedade
instaura uma rede de disciplinas sem que se possa encontrar nelas alguma
intenção. Exemplo de interpretação teleológica: "Na aplicação da lei, o
juiz atenderá aos fins sociais do direito e a s exigências do bem comum".
As expressões "fins sociais" e "bem comum" são entendidas como sínteses
éticas da vida em comunidade. Sua menção pressupõe uma unidade de
objetivos do comportamento social do homem. Os "fins sociais" são ditos
do direito. Postula-se que a ordem Jurídica, como um todo, seja sempre
um conjunto de preceitos para a realização da sociabilidade humana. Faz-
se mister assim encontrar nas leis, nas constituições, nos decretos, em
todas as manifestações normativas, o seu fim, que não pode jamais ser
anti-social. já o "bem comum" postula uma exigência que se faz à própria

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sociabilidade. Isto é, não se trata de um fim do direito, mas da própria


vida social.
• MÉTODO Histórico "A interpretação histórica baseia-se na
investigação dos antecedentes da norma.

Pode referir-se ao histórico do processo legislativo, desde o projeto


de lei, sua justificativa ou exposição de motivos, discussão, emendas,
aprovação e promulgação .

Ou, aos antecedentes históricos e condições que a precederam. Como


a grande maioria das normas Jurídicas constitui a continuidade ou
modificação de disposições precedentes, é de grande utilidade para o
interprete estudar a origem e o desenvolvimento histórico dos
institutos jurídicos, para captar o significado exato das leis
vigentes.

No elemento histórico entra também o estudo da legislação comparada


para determinar se as legislações estrangeiras tiveram influência direta ou
indireta sobre a legislação que se deve interpretar.

SISTEMÁTICO

Poder-se-á ate dizer que se trata de uma técnica de apresentação de


atos normativos, em que a Hermeneutica relaciona umas normas a outras
ate vislumbrar-lhes o sentido e o alcance.
É preciso lembrar que uma das principais tarefas da ciência Jurídica
consiste exatamente em estabelecer as conexões sistemáticas existentes
entre as normas.
Resumo do processo de interpretação sistemático:
Na leitura da norma, nunca se deve ler o segundo parágrafo antes de
ter lido o primeiro, nem deixar de ler o segundo depois de ter lido o
primeiro; nunca se deve ler um só artigo, leia-se também o artigo vizinho.
Deve-se, portanto, comparar o texto normativo, em exame, com outras do
mesmo diploma legal ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto,
pois por umas normas pode-se desvendar o sentido de outras. Examinando
as normas, conjuntamente, e possível verificar o sentido de cada uma
delas.

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SOCIOLÓGICO

"Encontrado e fixado o sentido real do preceito normativo e


contratestado mediante o emprego de todos os processos de interpretação ,
um trabalho ainda resta para o interprete: o de adaptar o sentido, assim
extraído e verificado, as realidades e necessidades sociais.
(objetivo)

PROCESSO SOCIOLÓGICO:

a) adaptação da norma à evolução do tempo

b) estender as normas já existentes a fatos novos de igual


natureza.
c) As normas devem atender às necessidades atuais.
"Todas essas adaptações, porem, não devem opor-se a declaração
normativa expressamente declarada ; hão de ser adaptações harmoniosas e
não contraditórias, em relação ao preceito manifestado pela norma Jurídica.

Na interpretação das normas Previdenciárias e mais amplamente, da


Seguridade social DEVE SER USADO UM CONJUNTO DE MÉTODOS E
NÃO SÓ UM DELES PARA SE OBTER A INTERPRETAÇÃO MAIS
CORRETA E PRÓXIMA DA REALIDADE E DO OBJETIVO DA NORMA

INTERPRETAÇÃO SEGUNDO OS TIPOS

Os tipos de interpretação , são três: declarativo, restritivo e ampliativo.


Todos acolhíveis, conforme o caso, no âmbito da Seguridade Social .

INTERPRETAÇÃO DECLARATIVA, OU ESPECIFICADORA

os diversos métodos interpretativos não operam isolados. Deve-se


buscar o resultado que provem da concordância entre eles.

da conjunção entre o resultado da interpretação lógica e o da


gramatical, surge a interpretação declarativa, em que se procura fixar o
sentido da lei

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INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA

"Uma interpretação restritiva ocorre toda vez que se limita o sentido


da norma, inobstante a amplitude da sua expressão literal. Via de regra, o
interprete se vale de considerações teológicas e axiológicas para fundar o
raciocínio. Supõe, assim, que a mera interpretação especificadora não
atinge os objetivos da norma, pois lhe confere uma amplitude que
prejudica os interesses, ao invés de protege-los. Assim, por exemplo,
recomenda-se que toda norma que restrinja os direitos e garantias
fundamentais reconhecidos e estabelecidos constitucionalmente deva ser
interpretada restritivamente. O mesmo se diga para as normas
excepcionais: uma exceção deve sofrer interpretação restritiva

INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA, OU AMPLIATIVA

"Quando na norma se declara menos do que, na realidade, se quis


declarar, e, em conseqüência, sua letra exclui casos que o seu espírito
abrange, então , o interprete amplia o sentido direto e imediato do texto,
para fazer incidir no preceito os casos aparentemente e indevidamente não
contemplados. Essa extensão, advirta-se, há de resultar do espírito da
norma, devidamente e previamente apurado e definido segundo os
processos interpretativos, que estudamos.

INTEGRAÇÃO DA NORMA JURÍDICA

Integração significa complementação, totalização , ato de tornar


inteiro. Quando uma lei apresenta lacuna, é preciso suprir a omissão,
promover a sua integração.

A Lei de Introdução ao Código Civil determina: "quando a lei for


omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os
princípios gerais de direito" (art. 4°). Para se suprir a lacuna legal, pode-se
ainda recorrer à agilidade.

ANALOGIA

É a operação lógica, em virtude da qual o intérprete estende o


dispositivo da lei a casos por ela não previstos, é o processo mental que
nos fornece uma solução para um caso concreto, tirando-a de outro
caso previsto pelo legislador

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PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO: são princípios em que se


assentam as normas, não se acham escritos, muitos desses
princípios encontram-se prescritos em normas: "em sua grande
maioria, não estão declarados nas normas Jurídicas, porém nelas
estão implícitos"

"A guisa de exemplo, poder-se-á enunciar alguns princípios que estão


contidos em nosso sistema jurídico civil:

a) o da moralidade, que impõe deveres positivos na obrigação de agir


e negativos na abstenção de certos atos contrários aos sentimentos
coletivos;

b) o da igualdade de direitos e deveres frente ao ordenamento


jurídico;

c) o da proibição de locupletamento ilícito;

d) o da função social da propriedade;

e) o de que ninguém pode transferir ou transmitir mais direitos do que


tem;

f) o de que a boa fé se presume e a má fé deve ser provada;

g) o da preservação da autonomia da instituição familiar;

h) o de que ninguém pode invocar a própria malícia;

i) o da exigência da justa causa nos negócios jurídicos;

j) o de que o dano causado por dolo ou culpa deve ser reparado;

k) o de que as obrigações contraídas devem ser cumpridas (pacta


sunt servanda);

1) o dos pressupostos da responsabilidade civil;

m) o de que quem exercita o próprio direito não prejudica ninguém;

n) o do equilíbrio dos contratos, que condena todas as formas de


onerosidade excessiva para um dos contratantes;

o) o da autonomia da vontade e da liberdade de contratar;

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p) o da intangibilidade dos valores da pessoa humana ou do devido


respeito a personalidade humana;

q) o de que a interpretação a ser seguida é aquela que se revelar


menos onerosa para o devedor;

r) o de que quando for duvidosa a cláusula do contrato, deve-se


conduzir a interpretação visando aquele que se obriga;

s) o de que se responde pelos próprios atos e não pelos dos outros;

t) o de que se deve favorecer mais aquele que procura evitar um dano


do que aquele que busca realizar um ganho;

u) o de que não se pode responsabilizar alguém mais de uma vez pelo


mesmo fato;

v) o de que nas relações sociais se tutela a boa fé e se reprime a má


fé, etc."

EQÜIDADE

"A equidade seria o sentimento do justo concreto, em harmonia


com as circunstâncias e com o caso sub judice .É o recurso intuitivo
das exigências da Justiça, em caso de omissão normativa, buscando
efeitos presumíveis das soluções encontradas para aquele conflito de
interesses não normado.
"De modo que os casos concretos que dão lugar a uma aplicação
eqüitativa são os que resultam da excessiva generalidade da lei, que não
pode prever todas as circunstancias da realidade; os que advém do fato da
norma não prever nenhuma das circunstancias da realidade, tratam-se dos
casos omissos ou singulares e dos que são provenientes da inadequação
total ou parcial dos dispositivos legais as circunstancias dos mesmos.

a) por igual modo devem ser tratadas as coisas iguais e


desigualmente as desiguais;

b) todos os elementos que concorreram para constituir a relação sub


judice, coisa ou pessoa, ou que, no tocante a estas tenham
importância, ou sobre elas exerçam influência, devem ser
devidamente consideradas;

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c) entre várias soluções possíveis deve-se preferir a mais humana, por


ser a que melhor atende a justiça.

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