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MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO


PROCURADORIA REGIONAL DO TRABALHO - 2ª REGIÃO
PROCURADORIA DO TRABALHO NO MUNICÍPIO DE SANTOS
Rua Brás Cubas, nº190 – Vila Nova – CEP 11013-162 – Santos/SP – Tel. 3222 3930

TERMO DE AUDIÊNCIA

Procedimento de Mediação nº 000.216.2009.02.003/1 (PP nº


28.999/2009-52)

Aos catorze dias do mês de janeiro do ano de dois mil e dez (14/01/2010), às
16h00min, compareceram, perante a Procuradoria Regional do Trabalho – 2ª
Região – Procuradoria do Trabalho no Município de Santos, representada pela Dra.
LORENA PESSOA BRAVO e pelo DR. RODRIGO LESTRADE PEDROSO,
ambos Procuradores do Ministério Público do Trabalho; pelo TECONDI –
TERMINAL PARA CONTÊINERES DA MARGEM DIREITA S/A., o Sr.
JOSUÉ DE OLIVEIRA DANTAS, RG nº 66.711.113 SSP/SP; e o Dr. THIAGO
TESTINI DE MELLO MILLER, advogado, OAB/SP nº 154.860; pelo
SINDICATO DOS CONFERENTES DE CARGA E DESCARGA DO PORTO
DE SANTOS; o Sr. ANTONIO JULIO ANTUNES, RG nº 4.541.262 SSP/SP e o
Dr. PAULO EDUARDO LYRA M. PEREIRA, OAB/SP nº 99.527; pelo OGMO
– ÓRGÃO DE GESTÃO DE MÃO-DE-OBRA DO PORTO ORGANIZADO
DE SANTOS; a Sra. MARYLLY SORRILHA SUCIGAN, RG nº 29.277.391-2
SSP/SP e o Dr. DÉCIO DE PROENÇA, advogado, OAB/SP nº 52.629; pela
SANTOS BRASIL S/A, a Sra. ANNA PAULA DO NASCIMENTO SILVA
LUIZ, RG nº 27.236.130-6 SSP/SP e o Dr. DÉCIO DE PROENÇA, advogado,
OAB/SP nº 52.629. Juntada carta de preposição, procuração e estatuto social pelo
OGMO; carta de preposição, procuração e contrato social pela Santos Brasil S/A;
procuração e carta de preposição pelo TECONDI; foi juntada pelo Sindicato cópia
de mesa redonda entre o Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga e o Sopesp,
em cujo bojo se esclarece que a questão da multifuncionalidade é complexa e
depende de estudos, tendo o SOPESP afirmado que há interesse de firmar
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convenção coletiva de trabalho com os sindicatos de trabalhadores no futuro.


Iniciados os trabalhos, pelo Ministério Público do Trabalho foram expostos os
motivos de realização desta audiência, quais sejam, a busca de uma mediação onde
as partes possam interagir e chegar a um consenso a respeito da questão de
realização de cursos pelo OGMO; pelo advogado da Santos Brasil foi dito que o
Sindicato dos Conferentes não tem representação para atuar em questões relativas
ao território do Guarujá, disse ainda que a atribuição para realizar os cursos é do
OGMO com recursos da Marinha do Brasil e que entende que o operador portuário
pode se ver obrigado a contratar o trabalhador fora do sistema e ministrar-lhe o
curso de capacitação, através da INCATEP ou outro órgão habilitado pela Marinha;
pelo Ministério Público foi esclarecido que a presente audiência tem a finalidade de
ouvir as partes na tentativa de buscar uma solução consensual para a questão; pelo
advogado do Sindicato dos Conferentes foi dito que estranha o fato do OGMO e a
Santos Brasil terem o mesmo advogado; o advogado do Sindicato indagou a
respeito da contratação de trabalhadores não habilitados pelo OGMO, por parte da
Santos Brasil; pelo advogado da Santos Brasil foi dito que os trabalhadores
contratados são habilitados por cursos promovidos pela própria empresa e pela
INCATEP; pelo representante do Sindicato foi dito que entende que a Santos Brasil
utiliza-se de um artifício para contratar trabalhadores não habilitados pelo OGMO;
pelo advogado da Santos Brasil foi dito que refuta veementemente tais acusações;
pelo advogado do Sindicato foi dito que a questão toda está concentrada no fato do
OGMO não promover os cursos de qualificação dos trabalhadores, e das empresas,
por conta disso, estarem contratando trabalhadores avulsos não habilitados pelo
OGMO; pelo Ministério Público foi pedido que os ânimos se acalmassem e que
houvesse um esclarecimento, por parte do OGMO, da razão de tais cursos não
estarem sendo promovidos; pelo advogado do TECONDI foi dito que a empresa
não conta com conferentes sem registro ou habilitação perante o OGMO; pelo
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advogado do Sindicato foi mencionada a questão da proporcionalidade entre


conferentes avulsos e vinculados; pelo advogado da Santos Brasil foi dito que essa
questão da proporcionalidade está ultrapassada; pelo Sindicato foi dito que as
empresas utilizam-se de critérios duvidosos para não selecionar o conferente
habilitado, e que terminam por contratar o conferente de fora do sistema; pelo
advogado da Santos Brasil foi dito que a contratação por parte da empresa deu-se
por causa do desinteresse dos conferentes vinculados ao OGMO em candidatar-se
às vagas; pelo representante do Sindicato foi dito que é preciso haver uma
abordagem que leve em conta o aspecto social da questão; disse ainda o
representante do Sindicato que é necessário que se dê uma maior publicidade a
essas seleções e contratações, uma vez que já existe muita gente habilitada pelo
OGMO que teria interesse em concorrer a essas vagas; pelo advogado da Santos
Brasil foi dito que o trabalhador na empresa está habilitado por cursos promovidos
pela empresa; disse ainda que a empresa contrata gente fora do sistema pelo fato
dos trabalhadores habilitados pelo OGMO não demonstrarem interesse; pelo
advogado do Sindicato foi reforçada a questão de que o OGMO não tem realizado
os cursos necessários para habilitar trabalhadores, e que por conta disso as empresas
tem contratado gente de fora do sistema; pelo representante do Sindicato foi dito
que a Marinha do Brasil não realiza cursos para habilitar mais conferentes desde o
ano de 2004; pelo representante do Sindicato foi dito que o pleito é no sentido que
esses cursos promovidos pelo OGMO fossem estendidos a outras atividades, de
maneira que quando as empresas precisassem contratar, pudessem fazê-lo com
gente de dentro do sistema; pelo Ministério Público foi dito que uma vez que os
operadores portuários não conseguem preencher as vagas com trabalhadores de
dentro do sistema, em tese, deveria haver interesse por parte deles na promoção
desses cursos; pelo advogado do sindicato foi dito que o que ocorre é que as
empresas dispensam pessoas de dentro do sistema para contratar gente de fora do
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sistema por salários mais baixos; pelo advogado da Santos Brasil foi dito que o
Sindicato presente em audiência não tem representação para falar pelos conferentes
vinculados que trabalham para a empresa no Guarujá, mas somente pelos avulsos;
pelo advogado do OGMO foi dito que todos os trabalhadores registrados pelo
OGMO são habilitados e recebem essa certificação; pelo representante do Sindicato
foi dito que a empresa demitiu gente de dentro do sistema, por motivos de crise
financeira e, posteriormente, contratou mais gente de fora do sistema, por salários
mais baixos; pelo representante do Sindicato foi dito que o pleito é no sentido de
haver gente qualificada em quantidade suficiente, para que as contratações ocorram
dentro dos sistema; pelo Ministério Público foi dito que a questão da contratação
por fora do sistema pode ser investigada pelo órgão, mas que a abertura dos cursos
de treinamento para outras atividades (multifuncionalidade), é questão a ser tratada
diretamente pelos atores sociais na autocomposição de seus interesses, via
negociação coletiva; pela Santos Brasil foi dito que a demissão de trabalhadores
mencionada anteriormente deu-se por razão de crise econômica e que não houve
nova contratação de trabalhadores para aquelas funções; pelo representante do
Sindicato foi dito que atualmente a empresa Santos Brasil tem em seus quadros
nove ou dez conferentes sem inscrição no OGMO; o Sindicato confirma que a
empresa TECONDI não possui nenhum conferente sem inscrição no OGMO; o
representante do Sindicato comprometeu-se a apresentar a relação com os nomes
dos conferentes que não estão habilitados perante o OGMO, mas que mesmo assim
estão trabalhando na Santos Brasil; pelo Ministério Público foi dito que a questão da
multifuncionalidade deve ser resolvida pelos sindicatos e empresas envolvidas, não
sendo hipótese de atuação do parquet; pelo Ministério Público foi dito que a
obrigação de contratar trabalhadores vinculados pelo OGMO existem
independentemente da base territorial; pelo advogado da Santos Brasil foi dito que a
empresa não negocia com o Sindicato aqui presente por entender que ele não possui
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representação para atuar no município do Guarujá; pelo advogado do Sindicato foi


reforçada a questão de sua legitimidade independentemente da base territorial; pelo
advogado do TECONDI foi indagado a respeito de qual seria a sequência normal do
procedimento de mediação em andamento; pelos advogados do TECONDI e
SANTOS BRASIL foi dito que entendem que os atores adequados para discutir a
questão seriam o SOPESP e os sindicatos; pelo advogado da Santos Brasil foi
enfatizado que sempre ofertou as vagas prioritariamente aos conferentes avulsos
registrados ou cadastrados no OGMO do Porto de Santos; que só foram recrutados
trabalhadores fora do sistema quando os inscritos no OGMO se recusaram ou não
tiveram interesse no trabalho com vínculo empregatício, e mesmo nesses casos fez
constar expressamente do anúncio de vagas que a prioridade era para os conferentes
registrados ou cadastrados, o que mostra a licitude do procedimento da Santos
Brasil; encerrados os trabalhos.

A Sra. Procuradora proferiu o seguinte despacho : “1)Junte-se a presente ata,


fazendo os autos conclusos; 2) Encaminhe-se cópia da ata ao procedimento em
face da Santos Brasil, conduzido pela Dra. Mariana Flsech Fortes, devendo a
Secretaria diligenciar no sentido de identificá-lo”.

Nada mais, tendo sido o presente termo por mim, FERNANDO LUIZ FERREIRA
DE ALMEIDA, Técnico Administrativo, digitado, o qual foi lido pelos presentes
que o assinam. Audiência encerrada às 17h45min.

LORENA PESSOA BRAVO RODRIGO LESTRADE PEDROSO


Procuradora do Trabalho Procurador do Trabalho
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