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O que é Racismo?

Denomina-se racismo toda forma de preconceito, discriminação e segregação


social baseada nas diferenças étnicas de um povo. É possível que o racismo
aconteça baseado tanto em diferenças genotípicas quanto em diferenças
puramente fenotípicas. Classificando as diferentes etnias como superiores ou
inferiores, o racismo pode se manifestar na forma de ações sociais, práticas,
crenças e até mesmo sistemas políticos.

Os estereótipos racistas, que fundamentam preconceitos e discriminações são,


em sua maioria, baseados em associações aleatórias entre traços biológicos
(cor da pele, formato do crânio, traços faciais, tipo de corpo) com qualidades
(inteligência, capacidade de comando, pureza, santidade, etc) de forma que as
vítimas do racismo são vistas como inferiores ou incapazes em diversos
aspectos por conta de seus traços étnicos.

O racismo é uma prática violenta que não faz o menor sentido de existir e,
ainda assim, é uma das mais frequentes em todo o mundo. Por isso, esse
problema de consequências tão graves precisa ser questionado e combatido
com veemência no cerne de nossas práticas culturais para que possamos
construir um mundo mais justo e igualitário para as gerações presentes e
futuras. Racismo se combate com educação.

Como acontece o racismo no Brasil?


No Brasil, pode-se identificar diversos tipos de racismo, principalmente contra
negros, latinos (mesmo sendo um país latino) e árabes, porém, de todos, o
preconceito e discriminação contra negros é a mais evidente.

Ao contrario de outras culturas, onde o racismo se manifesta abertamente, no


Brasil, essa falha cultural aparece de forma velada, em comportamentos sutis
que são ainda reforçados por todas as consequências políticas, sociais e
educacionais sofridas pelos negros durante a história do Brasil.
As maiores consequências do racismo no país podem ser vistas na imensa
desigualdade social, em que a grande maioria da população de baixa renda,
baixa escolaridade e baixa participação política é negra. Situação que, para
muitos, é interpretada sob a ótica racista de que os negros são inferiores aos
“brancos”.

Consequências veladas
Uma das ideias racistas mais veladas na cultura brasileira é a de que a
desigualdade entre negros e brancos é apenas um problema social e não
consequência do preconceito atual. Essa teoria, além de mascarar os
problemas enfrentados por essa população, legitima a existência de diversas
ações discriminatórias que se repetem no cotidiano.

Como o racismo se manifesta no


Brasil?
Crime: Um dos mais graves e presentes estereótipos racistas atuais é a
associação do negro com a criminalidade, violência e falta de caráter. Logo, o
negro é sempre visto como o criminoso e digno de desconfiança. Pode-se
perceber essa atitude racista especialmente nas ações policiais, que tendem a
sempre abordar negros, acusa-los e justificar atos de abuso de violência.

Escola: As escolas brasileiras são majoritariamente ocupadas por brancos,


seguidos de pessoas de outras etnias. Apesar de grande parte da população
brasileira ser afrodescendente ou apresentar cor de pele escura, nas escolas de
todos os níveis os negros representam a mínima porcentagem de estudantes –
comprometendo a representatividade negra em todos os outros setores sociais.

Instituição: O racismo institucional é outra das mais expressivas formas


discriminatórias veladas no Brasil, em que os negros são vistos como
inferiores tanto na aparência quanto na competência, encontrando dificuldades
para conseguir empregos de alta especialidade e reconhecimento institucional.
Mesmo em suas carreiras, os negros (especialmente as mulheres) são vítimas
de exclusões internas, piadas e diversos abusos morais.

O racismo pode acontecer contra qualquer grupo étnico, sejam negros,


asiáticos, índios, mulatos, e até com brancos, por parte de outras etnias. No
decorrer da história ocidental, porém, a população negra foi a que mais sofreu
com o racismo advindo de diversos povos, em sua maioria, europeus.

Contra negros: Algumas das mais trágicas e emblemáticas consequências do


racismo foi a escravidão, prática comum entre europeus e, posteriormente,
povos americanos contra africanos que por séculos era legalizada sob
justificativas de que o negro era uma raça inferior por “não possuir alma”,
dentre diversos outros estereótipos.

Significando “separação”, Apartheid foi um regime político adotado na África


do Sul, que separava o país entre negros e brancos eximindo os primeiros de
direitos sociais, econômicos e políticos, mesmo sendo a maioria da população.
Esse regime se manteve até 1994 no país.

Contra judeus: Outro episódio emblemático de racismo aconteceu durante a


segunda guerra mundial: o Holocausto, que matou dezenas de milhões de
pessoas majoritariamente judias sob a ideia de se realizar uma “limpeza”
racial na Europa, o Arianismo.

Contra Árabes: Outras grandes vítimas do racismo na atualidade são os


árabes, que nas culturas Americana e Europeia normalmente são associados a
pessoas violentas, extremistas e terroristas, mesmo em países de grande
população árabe, como a França.

Contra Latinos: Os latinos também são frequentemente vítimas do racismo,


sendo, muitas vezes ligados à objetificação sexual e promiscuidade,
especialmente contra mulheres, que frequentemente são vistas como objetos
de exploração sexual.
Tipos de Racismo
1. Racismo Individual: Advindos de atitudes individuais, manifestado
por meio de esteriótipos, comportamentos e interesses pessoais.

2. Racismo Institucional: Preconceito advindo de Instituições política,


econômica, no qual muitos indivíduos (negros, mulheres, índios)
são marginalizados e rejeitados, seja diretamente ou indiretamente.

3. Racismo Cultural: Ressalta a superioridade entre as culturas


existentes, manifestada segundo crenças, religião, costumes,
línguas, dentre outras. Esse tipo de racismo pode incluir elementos
do racismo institucional e individual.

4. Racismo Primário: Fenômeno emocional e psicossocial


manifestado sem justificativa. Assim, o etnocentrismo é considerado
um racismo secundário, enquanto o racismo terciário é o
preconceito baseado em teorias científicas.

5. Racismo Comunitarista (Diferencialista): Baseado no conceito de


que raça não é natureza, mas cultura ou etnia. Esse tipo de racismo
configura o preconceito contemporâneo (anti-racismo) manifestado
de acordo com as diferenças existentes. Por esse motivo, hoje
temas como identidade cultural, comunidade, nação reforçam o
racismo comunitarista a partir das diferenças.

6. Racismo Ecológico (Ambiental): Discriminação da natureza,


como por exemplo, da "mãe terra" ocasionado pelas destruição do
meio ambiente, afetando grupos e comunidades baseados na
aplicação desigual da legislação.
Volta e meia um tema surge nas paginas dos jornais, em sites
de noticias e nas telas da televisão. Racismo, ou melhor, dizer
crime de racismo. Porém o que muitas vezes é dito como sendo
e tratado como crime de racismo, nada mais é que uma injuria
racial, não que isso diminua ou banalize o sórdido ato do
preconceito racial, étnico, cultural ou religioso.

Vamos explicar a diferença entre o que é crime de racismo e


crime de injuria racial.

Pois bem, para o direito brasileiro quando uma pessoa fala mal
ou xinga uma pessoa negra de “macaco” como aconteceu
recentemente em alguns casos noticiados pelo meio midiático,
ou uma mulher loira de “loira burra“, não se trata de um crime
de racismo, mas sim de injuria, isso mesmo, um crime de
injuria, mas ela qualificada pelo elemento da raça, cor, etnia,
religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de
deficiência.

Vejamos a seguir o que diz o código penal:

“Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a


dignidade ou o decoro:
[...]
§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a
condição de pessoa idosa ou portadora de
deficiência:
Pena - reclusão de um a três anos e multa”

Portanto, criminalmente e legalmente falando, quando se xinga


ou se ofende uma pessoa em virtude de alguma característica
que possua, não estamos falando de racismo, mas sim de
injuria racial.
O Crime de Racismo é determinado em legislação própria,
sendo esta a lei LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE
1989, onde ela prevê detalhadamente diversos crimes
tipificados como crimes de Racismo. Não vamos elencar aqui
todos os diversos tipos de ato que caracterizam os crimes de
racismo, porem irei citar o artigo primeiro que diz:

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes


resultantes de discriminação ou preconceito de raça,
cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Contudo o crime de racismo pode ser visto, pelo lado legalista e


de forma simplificada, como sendo um crime onde por
preconceito uma pessoa seja impedida de praticar atos de do
dia a dia, como entrar em determinados locais, comprar
determinadas coisas, não ser atendido em algum
estabelecimento, ou ser privado de algum trabalho, ou segregar
do convívio comum com outras pessoas.

Como disse são diversos os crimes de racismo e para cada tipo


de conduta existe uma punição, sendo que estas variam com
punições de um até cinco anos de reclusão.

Outra característica que diferencia legalmente o crime de


racismo do crime de injuria racial é o tratamento dado
pela Constituição Federal de 1988, onde em seu art. 5º,
inciso XLII, diz:

“A prática do racismo constitui crime inafiançável e


imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos
da lei”.

O crime de racismo portanto é um crime inafiançável e


imprescritível, enquanto o crime de injuria racial é tratado
como um crime comum.