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Escola Básica e Secundária Fernão do Pó

Ficha de Trabalho de Português – 5º ano


Nome: ___________________________________ Nº: ______ Turma: ______ Data: ___/___/___

Os anõezinhos sapateiros (conto de Natal)


Vítimas de pouca sorte, um sapateiro e a mulher encontraram-se na maior miséria. Estavam
tão pobres que só tinham o cabedal necessário para fazer um par de sapatos.
Nessa noite, o sapateiro cortou o último par de sapatos e pôs em cima da banca as peças
para coser no dia seguinte.
Depois, como era um bom homem, honesto e simples, fez as suas orações, pediu a Deus
que o ajudasse no futuro, deitou-se e adormeceu.
No dia seguinte, de manhã, quando se dirigiu à banca para acabar o trabalho, encontrou
um par de sapatos prontos no sítio em que deixara os bocados que tinha cortado.
Pegou neles e examinou-os, maravilhado: eram os sapatos mais bonitos que se possam
imaginar, cosidos com tanta perfeição que não se via um único ponto fora do seu lugar!
O sapateiro ainda estava a olhar para os sapatos, quando entrou um freguês. Viu os
sapatos e achou-os tão bonitos que os comprou logo, pagando-os por bom preço.
Com aquela quantia, o sapateiro pôde comprar bastante cabedal para fazer dois pares
de sapatos. Cortou-os ao serão e, no dia seguinte, quando ia acabar a obra, encontrou
novamente os sapatos prontos.
Vendeu-os tão bem como os da véspera e pôde comprar bastante cabedal para fazer
mais quatro pares. Tornou a cortá-los à noite e a encontrá-los prontos no dia seguinte.
Aconteceu o mesmo todos os dias, até que o sapateiro já tinha ganho o suficiente para
viver sem dificuldades.
Certa noite, perto do Natal, quando o bom do homem já cortara o cabedal e o pusera
como costume em cima da banca, a mulher, a quem ele tinha contado tudo, propôs-lhe que
ficassem toda a noite acordados para ver quem os estava a ajudar daquela maneira.
O sapateiro achou a ideia boa. E, deixando a candeia acesa, esconderam-se ambos no
quarto ao lado, e esperaram.
Quando o relógio começou a bater a meia-noite, a porta abriu-se devagarinho e entraram
dois anões, muito bonitos, completamente nus.
Instalaram-se em frente da banca, pegaram nos bocados de cabedal já cortados e
começaram a cosê-los com tanta habilidade que o sapateiro e a mulher não cabiam em si de
espanto.
E os anõezinhos não pararam de trabalhar até a obra estar pronta. A seguir, puseram os
sapatos em cima da banca e desapareceram.
Então, a mulher do sapateiro disse ao marido:

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- Estes anõezinhos tiraram-nos da miséria: vamos recompensá-los. Reparaste que estavam
completamente nus? Vou fazer uma camisa, um colete, uns calções e um par de peúgas para
cada um.
- E eu – disse o homem – faço um par de sapatos para cada um.
Na véspera de Natal estava tudo pronto.
E, nessa noite, em vez de colocarem em cima da banca, como de costume, os bocados
de cabedal cortados, o sapateiro e a mulher, deixaram ali os seus presentes. Depois esconderam-
se para ver o que se passava.
À meia-noite, os anõezinhos chegaram, aos pulos e às cambalhotas, dispostos a meter mãos
ao trabalho. Mas em vez dos bocados de cabedal encontraram as roupas feitas ao tamanho
deles.
Primeiro ficaram muito espantados. Mas, depois, saltaram de alegria e vestiram-se
enquanto dançavam e cantavam, todos satisfeitos:

Que bonitos estamos


dentro destes fatos.
Nunca mais tornamos
a fazer sapatos!

E dançaram, dançaram, em cima da banca, dançaram em cima da cadeira, e quando


saíram ainda iam a dançar.
A partir dessa noite, nunca mais ninguém os viu. Mas, enquanto o sapateiro viveu,
fez sempre bons negócios, e teve sorte em tudo em que se meteu.
Irmãos GRIMM, OS MELHORES CONTOS DE GRIMM, Ed. Verbo.

Lê atentamente o texto. Só então deverás responder às perguntas que se seguem.

I
1 - «Vítimas de pouca sorte, (…)».
1.1 – Indica as personagens deste conto.
1.2 – Transcreve uma expressão que demonstre como aquele casal era pobre.
2 – Copia a expressão do texto, que no 2º parágrafo, localiza a acção no tempo.
3 - «No dia seguinte, de manhã (…)».
3.1 – Explica por que razão o sapateiro ficou maravilhado com aquele par de botas.
3.2 – Conta o que foi acontecendo todas as noites, até à véspera de Natal.
3.3 – Explica o que a mulher do sapateiro lhe propôs, certa noite, perto do Natal e como reagiu ele.
3.3.1 – O que aconteceu nessa noite?
3.4 – Faz o retrato psicológico do sapateiro.
4 - «Instalaram-se em frente da banca (…)».
4.1 – Relata o que o sapateiro e a mulher viram.
4.2 – Como reagiram os anõezinhos às prendas do casal?

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5 – Qual é o tipo de narrador deste texto? Justifica a tua resposta.
6 – Os modos de expressão numa narrativa são a narração e o diálogo.
6.1 – Identifica o modo de expressão da frase abaixo:
- Estes anõezinhos tiraram-nos da miséria!
7 – Estamos perante uma narrativa aberta ou fechada? Porquê?

II
1 –Completa a tabela:
Sinónimos Antónimos
Pouca_________________________ Perfeição_______________________
Bom __________________________ Alegria_________________________
Maior _________________________ Satisfeitos_______________________
Bonitos ________________________ Sorte___________________________

2 - «Sapateiro» é uma palavra simples ou complexa? Porquê?


3 – Identifica o processo de formação das palavras: infeliz, guarda-chuva e anõezinhos.
4 – Ordena, alfabeticamente, os vocábulos seguintes:

vítimas *** sapateiro *** mulher *** cabedal *** banca *** candeia *** examinou-os

5 – Presta atenção nas falas entre o sapateiro e o Senhor Joaquim e restabelece os sinais de pontuação
e os parágrafos, neste diálogo:
O sapateiro disse Bom Dia Senhor Joaquim está muito bem disposto O que o traz por cá
O Senhor Joaquim disse Ó Senhor António, pois não sabe que o meu rapaz está de casamento marcado
O sapateiro ficou contente e disse Mas que alegria E olhe que par de sapatos aqui tenho Mesmo a
calhar para si
O Senhor Joaquim nunca tinha visto tamanha perfeição
Até pensava que era a alegria que o faz ver tudo mais bonito

III – Expressão Escrita


Escolhe um dos temas a seguir indicados e faz a tua composição, dando-lhe um título (140 a
200 palavras). Presta atenção à apresentação, à pontuação, à ortografia e à construção das frases,
nomeadamente com a pontuação:

TEMA 1 – Escreve um diálogo, a partir do próprio conto, isto é, cria as falas das personagens. Por
exemplo, a venda do 1º par de sapatos feitos pelos anõezinhos.

TEMA 2 - « A partir dessa noite, nunca mais ninguém os viu. Mas, enquanto o sapateiro viveu, fez sempre
bons negócios, e teve sorte em tudo em que se meteu.». Descreve como correu a vida do sapateiro daí
em diante.
BOA SORTE!
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