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Fundador: Pe. António F. CardosoDesign: Filipa Craveiro | Alberto CraveiroImpressão: Escola Tipográfica das Missões - Cucujães - tel. 256 899 340 | Depósito legal n.º 92978/95 | Tiragem 2.600 exs. | Registo ICS n.º 116.839
Director: Amadeu Gomes de Araújo, Vice-PostuladorPropriedade: Associação "Grupo dos Amigos de D. António Barroso". NIPC 508 401 852Administração e Redacção: Rua Luís de Camões, n.º 632, Arneiro | 2775-518 Carcavelos Tlm.: 934 285 048 – E-mail: vicepostulador.antoniobarroso@gmail.comPublicação trimestral | Assinatura anual: 5,00
 €
Por
 A. G. A.
Quando, no passado mês de Março, o Senhor Bispo do Porto, D. António Fran-
cisco, procedeu ao encerramento o
-cial do processo relativo ao presumível milagre atribuído a D. António Barroso, deslocámo-nos ao Vaticano, para a entre-ga da respectiva documentação na Con-gregação das Causas dos Santos. Contá-mos sempre com a companhia amiga de Monsenhor Cónego Ângelo Alves e com
D. António José de Sousa Barroso presidiu à Comissão de Fundadores.Era, então, Bispo de Meliapor
Palácio Senni/Alberini, 1ª sede do Colégio Por-tuguês em Roma (1900-1974)
o acolhimento fraterno do Reitor e do Vice-Reitor do Colégio Português onde
cámos hospedados. Logo desde a en
-trada, chamaram-nos a atenção algumas referências a D. António Barroso, Servo
de Deus cuja Causa de Beaticação nos
conduzira àquela Casa.
Foi o Papa Leão XIII que em 20 de Outubro de 1900 criou o
Pontifício Colégio Português em Roma
 
. No centenário da fundação, o historiador Ar-naldo Pinto Cardoso evocou a data com uma breve e interessante pu-blicação, onde informa que o estabelecimento de ensino superior se destinava a aco-lher alunos provenientes das dioceses da Metrópole e do Ultramar. As Ordens Religiosas dis-punham de residências pró-prias em Roma, embora tam-bém tenham passado pelo Colégio algumas dezenas de estudantes dependentes de
Congregações e de Institutos diversos. Até ao ano 2000 era
o seguinte o quadro dos alu-nos, por diocese, que haviam frequentado o Colégio Por-tuguês: Algarve - 13; Angra do
Heroísmo - 55; Aveiro - 10; Beja - 12; Braga - 67; Bragan
-
ça - 20; Coimbra - 35; Évora - 15; Funchal - 27; Guarda - 28; Lamego - 19; Leiria/Fátima - 37; Lisboa - 48; Portalegre/Castelo Branco - 18; Por
-
to - 47; Santarém - 0; Setúbal - 3; Viana do Castelo - 4; Vila Real - 23; Viseu - 18;
Macau - 15; Sociedade Missionária Por-tuguesa, actual Sociedade Missionária da
Boa Nova - 10.
Destes alunos, três haviam recebido
a púrpura cardinalícia e 67 haviam sido
nomeados Bispos. Ao longo de 115 anos, a insigne ins-tiuição romana, mantida pela Conferên-cia Episcopal Portuguesa, tem facilitado a realização de estudos de especialização e pós-graduação a alunos de várias dioce-ses portuguesas e não só.
Boletim de
 
D. António Barroso
III Série . Ano V . N.º 14 . Abril / Setembro de 2015
D. ANTÓNIO BARROSO, "FUNDADOR"DO PONTIFÍCIO COLÉGIO PORTUGUÊS EM ROMA
 
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«Os Fundadores do Colégio». Quadro da sala de visitas
Quem foram os fundadores deste nobre Colégio Pontifício que tão rele-
vantes serviços tem prestado à Igreja?
A ideia começou a tomar corpo na Pri-
mavera de 1898, numa altura em que
D. António Barroso passou por Roma, a caminho de Meliapor. A reunião de-cisiva para a criação do Colégio, reali-zou-se no apartamento dos Viscondes de S. João da Pesqueira, no Hotel de
Roma, Via do Corso, no dia 28 de Abril de de 1898 e intervieram nela, além
dos Viscondes, o mencionado Bispo D. António Barroso, o Reitor de Santo António, Pe. José de Oliveira Machado, o Cavaleiro António Braz, o Reitor de S. Nicolau dos Prefeitos, Pe. Ricardo Ta-
barelli e o Pe. Pio Gurisatti, Superior da
Congregação dos Estigmatianos. A passagem por Roma de D. An-tónio Barroso quando ia a caminho da diocese de Meliapor, na Índia, foi providencial, escreve Mons. Arnaldo. Aproveitando a sua estadia na Cidade, criou-se uma Comissão de circunstân-cia, autonomeada, sem qualquer dele-gação canónica, mas que contava com o prestígio do Bispo Missionário que a ela presidia.A autoridade e a credibilidade desta Comissão advinha da fama de que go-zava D. António, como patriota, como missionário intemerato e como bispo
delíssimo. A sua presença ocasional
(providencial) em Roma veio dar for-ça à ideia de associar a fundação de um Colégio Português à celebração centenária do "descobrimento" do caminho marítimo para a Índia. Índia para onde D. António então se diri-gia em serviço missionário. A dedi-
cação à Igreja e o orgulho patriótico
que animava este punhado de portu-gueses residentes na "Roma Eterna", impulsionava-os a levarem por diante a ideia da fundação de um Colégio Português, mas faltava-lhes um inter-locutor junto do Papa, alguém que fosse capaz de credibilizar tão grande projecto, que carecia naturalmente de
autorização papal e de apoios nan
-ceiros avultados, a começar por umas instalações amplas e condignas. Esse foi o papel desempenhado a rigor por D. António Barroso. Na audiência que
o Papa Leão XIII lhe concedeu, para
tratar de problemas que havia a re-solver na diocese de Meliapor, o Papa aceitou abordar o assunto do Colégio. E foi com base nesse encontro que se realizou a tal reunião da fundação. A participação de D. António foi decisiva.
O primeiro gesto ocial da Santa Sé
a favor do Colégio foi uma carta do Cardeal Rampolla, Secretário de Esta-
do, à Comissão Promotora, em 22 de  Janeiro de 1899, a conrmar o bom
acolhimento que a ideia tivera por ocasião da audiência do Santo Padre a
D. António Barroso, em 12 de Maio de 1898. A decisão carismática de Leão XIII foi acompanhada da doação de
um palácio, indispensável para o fun-cionamento da sonhada instituição. Pouco depois, com a carta apostólica
Rei Catholicae Apud Lusitanos
, de 20 de Outubro de 1900, o mesmo Papa eri
-gia o Colégio Português em Roma. Na
mente do Sumo Pontíce, este acto vinha coroar a Concordata de 1886,
regulando o exercício do Padroado Português no Oriente. Havia neces-sidade de retomar com novo vigor e empenho a formação do clero. Esta era, desde há muitos anos, uma das preocupações prementes de D. Antó-nio Barroso, que recebera formação no Colégio das Missões Ultramarinas de Cernache do Bonjardim.
Boletim de
 
D. António Barroso
FUNDAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO COLÉGIOPORTUGUÊS EM ROMA
 
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Quando, em 13 de Maio de 1967, Paulo VI se deslocou a Fátima,
para celebrar as Aparições, falava-se em Roma na necessidade de se construir um novo edifício para o Colégio Português. Corroborando
esta ideia, no nal da missa daquele dia 13 de Maio de 1967, o Santo
Padre benzeu a primeira pedra para o novo Colégio, que «viria a ser como um padrão comemorativo daquela histórica viagem». Assim se
tornou pública a construção do actual Colégio, cando o nome de Paulo VI ligado à iniciativa. D. António Barroso deve ter “sorrido” com
a alusão ao padrão comemorativo...
Em cima, à esquerda, Paulo VI benzendo a primeira pedra da nova residência. Quadro de João de Sousa Araújo (1967/1968), que se en
-contra na Sala de visitas. À direita, a nova sede do Colégio Português, na Via Nicolò V.
Na foto do lado, o Papa João Paulo II de visita ao Colégio, no dia 12 de Janeiro de 1985, acompanhado pelo então Cardeal Patriarca D.
António Ribeiro.
O Colégio, pertença da Conferência Episcopal Portuguesa, é uma comunidade de presbíteros que se encontram ao servi-ço das suas igrejas de origem, completando e aprofundando em diferentes instituições romanas a sua formação teológica anterior. Dois sacerdotes jovens, distintos e pres-timosos dirigem esta nobre instituição ecle-siástica em Roma: Monsenhor José Fernan-do Caldas Esteves, da Diocese de Viana da
Castelo (à direita, Reitor) e Padre Luís Mi
-randa, da Diocese de Coimbra (à esquerda, Vice-Reitor).
Boletim de
 
D. António Barroso

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