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HIGIENE DO TRABALHO II

Brasília-DF.

Elaboração

Paulo Rogério Albuquerque de Oliveira

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO

5

ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA

6

INTRODUÇÃO

8

UNIDADE I

FATORES FÍSICOS

9

CAPÍTULO 1

ACúSTICA

12

CAPÍTULO 2

TERmOlOgIA

33

CAPÍTULO 3

VIbRAçõES

54

CAPÍTULO 4 PRESSõES AnORmAIS

78

CAPÍTULO 5 RAdIAçõES IOnIzAnTES

84

UNIDADE II FATORES bIOlÓgICOS

99

CAPÍTULO 6 CuIdAdOS, PREVEnçãO E nOmEnClATuRA

103

CAPÍTULO 7 REFERênCIAS nORmATIVAS – FIn. dA APOSEnTAdORIA ESPECIAl – FAE, InSAlubRIdAdE E PERICulOSIdAdE

108

UNIDADE III

FATORES QuÍmICOS

111

CAPÍTULO 8 REFERênCIAS nORmATIVAS – FIn. dA APOSEnTAdORIA ESPECIAl – FAE, InSAlubRIdAdE E PERICulOSIdAdE

115

CAPÍTULO 9 nR-15 – AnExO 11

119

CAPÍTULO 10 nR-15 – AnExO 12

121

CAPÍTULO 11 RESumOS dE méTOdOS – gASES E VAPORES

122

CAPÍTULO 12 nR-15 – AnExO 13

126

CAPÍTULO 13

TIRA-TEImA

128

PARA (NÃO) FINALIZAR

133

REFERêNCIAS

134

APRESENTAÇÃO

Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários

para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica

e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a

serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente

e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa.

na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Pensamentos inseridos no Caderno, para

Provocação

Pensamentos inseridos no Caderno, para provocar a reflexão sobre a prática da disciplina.

Para refletir

Questões inseridas para estimulá-lo a pensar a respeito do assunto proposto. Registre sua visão sem se preocupar com o conteúdo do texto. O importante é verificar seus sua visão sem se preocupar com o conteúdo do texto. O importante é verificar seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. É fundamental que você reflita sobre as questões propostas. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho.

propostas. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. abc Textos para leitura complementar Novos

abcpropostas. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. Textos para leitura complementar Novos textos,

Textos para leitura complementar

Novos textos, trechos de textos referenciais, conceitos de dicionários, exemplos e sugestões, para lhe apresentar novas visões sobre o tema abordado no texto básico.

Sintetizando e enriquecendo nossas informações

Espaço para você, aluno, fazer uma síntese dos textos e enriquecê-los com sua contribuição pessoal.

Sugestão de leituras, filmes, sites e pesquisas Aprofundamento das discussões. Praticando Atividades sugeridas, no
Sugestão de leituras, filmes, sites e pesquisas Aprofundamento das discussões. Praticando Atividades sugeridas, no
Sugestão de leituras, filmes, sites e pesquisas Aprofundamento das discussões. Praticando Atividades sugeridas, no
Sugestão de leituras, filmes, sites e pesquisas Aprofundamento das discussões. Praticando Atividades sugeridas, no

Sugestão de leituras, filmes, sites e pesquisas

Aprofundamento das discussões.

Praticando

Atividades sugeridas, no decorrer das leituras, com o objetivo pedagógico de fortalecer o processo de aprendizagem.

Para (não) finalizar

Texto, ao final do Caderno, com a intenção de instigá-lo a prosseguir com a reflexão.

Referências

Bibliografia consultada na elaboração do Caderno.

INTRODUÇÃO

Bem-vindo à disciplina Higiene do Trabalho – HT. Este é o nosso Caderno de Estudos e Pesquisa, material básico aos conhecimentos exigidos da Engenharia de Segurança do Trabalho – EST. Esta disciplina, em razão do programa, foi dividida em duas partes: Higiene do Trabalho I (HTI) e Higiene do Trabalho II (HTII).

A HTI, voltada à introdução da matéria no contexto da EST, aborda as definições básicas, gestão dos

fatores de risco do meio ambiente do trabalho, estratégias de amostragem, fundamentos ambientais e biológicos, limites de tolerância e intervenção ambiental, enquanto a HTII, ao aprofundar esses itens, discute de forma minuciosa fenômenos físicos, químicos e biológicos e seus desdobramentos para saúde do trabalhador.

Os conteúdos foram organizados em unidades de estudo, subdivididas em capítulos. Os ícones servirão

de recursos de aprendizagem. Especial atenção deve ser dada aos ícones “Praticando”, pois farão parte das

atividades avaliativas do curso.

Desejamos a você um trabalho proveitoso sobre os temas abordados! Lembre-se de que, apesar de distantes, estamos muito próximos.

Objetivos

» Entender as definições básicas da EST.

» Abordar criticamente a inserção da higiene do trabalho.

» Possibilitar ao EST classificar e identificar perigo, risco e fator de risco ambiental.

» Entender a relação entre higiene do trabalho, avaliação e gestão de riscos.

» Compreender as estratégias de amostragem relacionadas ao controle ambiental e biológico.

» Compreender os fundamentos básicos biológicos relacionados ao meio ambiente do trabalho.

» Apropriar-se dos mecanismos de controle para intervenção ambiental.

UNIDADE

FATORES FÍSICOS

I

UNIDADE

FATORES FÍSICOS

I

Esta unidade é composta das energias da natureza mais importantes ao equilíbrio ambiental à saúde do trabalhador mediante aplicação da Engenharia. Foi separada por área de conhecimento.

CAPÍTULO 1

Acústica .
Acústica
.
CAPÍTULO 1 Acústica . Por que os bebês choram de modo semelhante (frequência e intensidade)? Por

Por que os bebês choram de modo semelhante (frequência e intensidade)?

Por que a buzina de navio é mais rouca que a de moto?

Por que a buzina de navio é mais rouca que a de moto? Essas perguntas condutoras
Por que a buzina de navio é mais rouca que a de moto? Essas perguntas condutoras

Essas perguntas condutoras são importantes para, de início, revisarmos conhecimentos e estabelecermos nomenclaturas, nesse sentido:

Acústica à parte da Física que estuda as oscilações e ondas em meios elásticos (estuda o som). As ondas sonoras são longitudinais, isto é, sua direção de propagação é paralela à de vibrações das partículas do meio em que se propaga.

Som à sensação percebida pelo cérebro devido à chegada de uma onda sonora no ouvido. Por definição, o som é uma variação da pressão atmosférica capaz de sensibilizar nossos ouvidos.

Velocidade de uma onda sonora à depende das propriedades elásticas e inerciais do meio. No mecanismo da audição, as partes que compõem os ouvidos médio e interno vibram na direção em que a onda se propaga, desde os tímpanos até os cílios do ouvido interno.

A

vibração é movimento, oscilação, balanço de objetos, de coisas. Quando,

pelo tato, sentimos a oscilação de uma corda de violão, sabemos intuitivamente

o

que é uma vibração.

Há vibrações que não são detectáveis por órgãos sensoriais humanos. Na verdade, apenas uma pequena porção das vibrações o é. Oscilação percebida à Tátil à Vibração. Oscilação percebida à Ouvido à Som.

Frequências altas são chamadas de agudas e as baixas, de graves. Período (T): tempo de duração de 1 ciclo completo. Comprimento de onda (l):

deslocamento ou distância percorrida pela onda propagada, referente a 1 ciclo.

Ruído: “misturas” de sons indistinguíveis com diferentes frequências; quando molesto, nocivo ou indesejado é denominado barulho.

Pressão sonora à variação dinâmica na pressão atmosférica que pode ser detectada pelo ouvido humano, expressa em Pascal – Pa (N/m 2 ).

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Propriedades elásticas do som

FÍSICOS | UNIDADE I Propriedades elásticas do som β à módulo de elasticidade volumar do meio

βà módulo de elasticidade volumar do meio

Ƭ à tensão

Ƹà deformação

Fenômenos: » Elasticidade: deformações imediatas e recuperáveis. » Elasticidade: deformações imediatas e não
Fenômenos:
» Elasticidade: deformações imediatas e recuperáveis.
» Elasticidade: deformações imediatas e não recuperáveis.
» Viscosidade: deformações não imediatas.
Pela lei de Hookeà relação linear entre tensões e deformações
Т= E * ε; E à módulo de elasticidade (Young).

Os corpos elásticos conduzem melhor o som. É importante diferenciar elasticidade de extensibilidade. Como exemplo, veja as diferenças entre o comportamento mecânico da borracha, do aço e da goma de mascar; borracha é elástica e extensível; o aço é elástico, mas pouco extensível; a goma de mascar é plástica e extensível.

O corpo é elásticoà ao cessar o efeito de uma deformação ele recupera a forma original, caso isso não aconteça, ele será um corpo plástico. Resiliênciaà propriedade que o corpo possui de devolver a energia armazenada na deformação. Desde que não se exceda certo limite de elasticidade, todo corpo elástico é resiliente. Todo corpo plástico pode ser elástico. Alguns são mais plásticos que elásticos, outros, mais elásticos que plásticos.

Quando uma fonte sonora (lâmina, corda, membrana etc.) é colocada para vibrar, ela provoca em toda sua volta, no meio que a envolve (normalmente o ar), ondas mecânicas longitudinais, que, por meio de sucessivas compressões e rarefações das partículas desse meio, viajam em todas as direções (meio tridimensional), formando, assim, uma onda sonora.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 1. Ondas mecânicas longitudinais omnidirecionais, características e gráficos. 14
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 1. Ondas mecânicas longitudinais omnidirecionais, características e gráficos. 14
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 1. Ondas mecânicas longitudinais omnidirecionais, características e gráficos. 14
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 1. Ondas mecânicas longitudinais omnidirecionais, características e gráficos. 14
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 1. Ondas mecânicas longitudinais omnidirecionais, características e gráficos. 14

Figura 1. Ondas mecânicas longitudinais omnidirecionais, características e gráficos.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Qualidades fisiológicas do som: intensidade, altura e timbre

Intensidade

A intensidade do som está relacionada com a amplitude. É a característica do som que permite distinguir

um som forte de um som fraco e está relacionada com a energia transportada pela onda que decai do próximo (forte) ao afastado da fonte (fraco). Som mais forte tem maior amplitude e mais fraco, menor amplitude. Popularmente, é o botão do volume que define a intensidade: o indivíduo aumenta o volume do rádio ao girar o botão no sentido do máximo.

tempo tempo som fraco (baixa amplitude) som forte (grande amplitude) Amplitude (pressão)
tempo
tempo
som fraco (baixa amplitude)
som forte (grande amplitude)
Amplitude (pressão)

Figura 2. Disposição gráfica de sinal sonoro forte (alta amplitude) e fraco (baixa amplitude).

O som se propaga num meio material elástico, espalhando-se em todas as direções, e as frentes de onda

têm formato esférico. A intensidade sonora ou sonoridade de uma onda esférica, num determinado ponto, é definida pela expressão:

Intensidade =

Potência da Fonte (W)

Área da Frente de onda no ponto considerado (m2)

A potência da fonte – P o – no SI em Watt (W) e a I – Intensidade ou intensidade sonora ou sonoridade da

onda esférica (W/m 2 ).

Po Pp I = à I = à Potência da fonte – P o (W)
Po
Pp
I =
à I =
à Potência da fonte – P o (W) e
S
4πr
2
S – área da superfície esférica (m 2 ).
S=4πr 2 (r – raio da superfície esférica)
Frente de onda 1 à I 1 =Po/4πr 1 2 ;
Frente de onda 2 à I 2 =Po/4πr 2 2 .
I 1
r2 2
Dividindo 1 por 2, obtemos à
=
I 2
r1 2

Figura 3. As intensidades são inversamente proporcionais aos quadrados das distâncias à fonte.

As intensidades de onda são inversamente proporcionais aos quadrados das distâncias à fonte. A intensidade mínima do som percebido pelo ouvido humano (limiar de audição) é, aproximadamente, de 10 -12 W/m 2 (equivalente a 2.10 -5 Pa). A partir de 1W/m 2 , provoca-se dor, limiar da dor (equivalente a 2.10 2 Pa).

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

Assim, o ouvido humano pode perceber normalmente sons cuja intensidade varie de 10 -12 W/m 2 a 10 2 W/m 2 ou 2.10 -5 Pa a 2.10 2 Pa. Os rangers (intervalos de máximo e mínimo) flutuam em 10 14 W/m 2 e 10 7 Pa. Como esse intervalo audível é muito grande e considerando a função logarítmica como a que mais se aproxima da curva de audibilidade humana, convencionou-se utilizar a escala logarítmica para expressá-lo. Assim, nasceu o Bell 1 , em homenagem ao físico inventor do telefone.

o Bell 1 , em homenagem ao físico inventor do telefone. Por definição o Bell =

Por definição o Bell = log que tem como referência o limiar de audibilidade (I o ). O NS (nível sonoro ou nível de intensidade ou intensidade auditiva) de determinado som, em Bell, que é a relação (quantas vezes maior) está esse som (I) em relação àquele limiar.

vezes maior) está esse som (I) em relação àquele limiar. Figura 4. Escalas comparativas entre W,

Figura 4. Escalas comparativas entre W, B e dB.

Aplica-se o submúltiplo deci ao nível sonoro NS (dB

Assim, tem-se a seguinte formulação:

nível sonoro NS (dB Assim, tem-se a seguinte formulação: B) por conta do melhor ajuste da

B) por conta do melhor ajuste da escala.

formulação: B) por conta do melhor ajuste da escala. O nível sonoro NS será (dB) para

O nível sonoro NS será (dB) para o limiar de audibilidade I=10 -12 W/m 2 será:

NS=10logI/I o àNS= 10log(10 -12 /10 -12 ) àNS/10=log(1) à 10 NS/10 =1 à 10 NS/10 =10 0 àNS/10=0 àNS=0 (dB)

Pelo processo inverso, quando NS=0(dB) à0=10log(I/10 -12 )à0/10=logI/I o à 0=logI/I o à10 0 =I/10 -12 àI=10 0 .10 -12 àI=10 -12 W/m 2 .

O nível sonoro NS (dB) para o limite da dor I=1W/m 2 será:

NS=10logI/I o à NS=10log1/10 -12 à NS/10=log10 12 à 10 NS/10 =10 12 à NS/10=12à NS=120dB.

Pelo processo inverso, quando NS=120 (dB) à120=10log(I/10 -12 ) à120/10=logI/10 -12 à10 12 =I/10 -12 àI=10 0 àI=1W/m 2

1 Alexander Graham Bell (Edimburgo, 3 de março de 1847 – Nova Escócia, 2 de agosto de 1922) foi um cientista, inventor e fundador da companhia telefônica Bell. Embora, historicamente, Bell tenha sido considerado como o inventor do telefone, o italiano Antonio Meucci foi reconhecido como o seu verdadeiro inventor, em 11 de junho de 2002, pelo Congresso dos Estados Unidos, pela Resolução nº 269. Meucci vendeu o protótipo do aparelho a Bell nos anos 1870.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Figura 5. Espectro auditivo – parâmetros de audibilidade e limites. Na

Figura 5. Espectro auditivo – parâmetros de audibilidade e limites.

Na tabela abaixo há alguns valores de níveis sonoros em decibéis (dB) e no gráfico acima, alguns valores das relações entre níveis sonoros e intensidades.

0

Silêncio

 

30

Sussuro leve

40

Geladeira

50

Conversação normal

Os níveis de 90 a 180 decibéis são extremamente perigosos no caso de exposição constante, e a faixa de maior sensibilidade do ouvido humano está compreendida entre 1.000 Hz e 4.000 Hz.

60

Máquina de costura

70

Aspirador de pó, secador de cabelo

80

Coletor de lixo

90

Motocicleta, máquina de cortar grama

100

Serra elétrica

120

Trovão

 

140

Espingarda de caça, avião a jato

180

Lançamento de foguete

Altura

A altura do som está relacionada com sua frequência, ou seja, a altura (tom) é a qualidade do som que permite ao ouvido distinguir um som grave, de baixa frequência, de um som agudo, de alta frequência.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

Agudo à ↑freq à som alto Grave à ↓freq à som baixo
Agudo à ↑freq à som alto
Grave à ↓freq à som baixo

O som mais grave audível por um ouvido humano é de, aproximadamente, 20 Hz e o mais agudo é de,

aproximadamente, 20.000 Hz. Para que dois sons distintos possam ser comparados, em relação às suas alturas, define-se entre eles o intervalo acústico (IA) pela expressão:

entre eles o intervalo acústico (IA) pela expressão: Timbre à fa – frequência do som A;

Timbre

àfa – frequência do som A; fb – frequência do som B

O timbre é uma qualidade sonora que permite distinguir dois sons de mesma altura (mesma frequência)

e mesma intensidade (volume), emitidos por instrumentos diferentes que toquem a mesma nota musical ou acorde.

diferentes que toquem a mesma nota musical ou acorde. Figura 6. Timbre – ondas de mesma

Figura 6. Timbre – ondas de mesma frequência e amplitudes com sensações distintas.

Assim, distingue-se a mesma nota musical emitida por um violão ou por um piano, pois o timbre difere nos dois instrumentos e fornece sensações sonoras diversas, devido às diferentes composições de harmônicos gerados por instrumento.

Comprimento de onda, frequência, amplitude e fase

Os fenômenos ondulatórios podem ser estudados em sua forma mais simples, para se entender os seus constituintes mais básicos. A forma mais simples de onda sonora é aquela descrita por funções harmônicas do tipo senoidal, que possuem uma característica periódica, isto é, repetem-se em um certo intervalo de tempo.

Todo e qualquer fenômeno ondulatório longitudinal, seja ele periódico ou não, pode ser decomposto em um número de unidades deste tipo. A onda periódica senoidal é derivada do movimento circular. Se

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

plotarmos em um gráfico o movimento de uma roda, vamos obter uma representação análoga (similar) a um movimento de partículas em um meio que equivale à onda sonora senoidal (Fig. 7).

É preciso fazer notar, imediatamente, que nenhum som natural produz uma onda senoide pura, apesar

de alguns, como o do diapasão, aproximarem-se muito dessa forma de onda. A senoide é resultado de um movimento circular no tempo.

A senoide é resultado de um movimento circular no tempo. Figura 7. A onda periódica senoidal

Figura 7. A onda periódica senoidal é derivada do movimento circular.

Desta senoide podem-se dizer muitas coisas: que ela se repete em um período T (em segundos, normalmente); que ela tem uma amplitude de deslocamento A, que varia de 0 até + ou – A (Fig. 8); e que, quando se propaga no espaço, ela tem um comprimento de onda (λ) que é a medida de espaço entre dois momentos idênticos da onda (metros) (Fig. 8).

Lembre-se de que, em se tratando de onda sonora, ela deverá propagar-se pelo meio, em uma velocidade constante. Dizer que esta onda se repete em um período T de tempo é a mesma coisa, em um raciocínio inverso, que dizer que há uma frequência de acontecimentos ou repetições em um período de tempo. Pode-se dizer que essa frequência de acontecimentos é de uma vez por período, o que nos traz a definição de outra quantidade importante para o estudo de ondas: a frequência que é o inverso do período, f = 1 /T.

a frequência que é o inverso do período, f = 1 /T . Figura 8. Fase,

Figura 8. Fase, amplitude e período da onda periódica senoidal.

A frequência é geralmente medida em 1/segundos (s -1 ) e, no caso específico de ondas periódicas como

senoide, em ciclos por segundo, que é a definição da medida chamada Hertz (Hz). A frequência f (ou

o período) e o comprimento de onda λ relacionam-se por meio da velocidade de propagação V, pelo produto V = f.λ

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

A última quantidade que deve ser definida quanto às senoides é a fase (Fig. 8), que determina a posição

inicial de uma onda ou a posição do começo do movimento. Ela é medida em graus ou em radianos, por ser relacionada com o ângulo inicial do movimento. Nos exemplos acima, a fase é zero graus, pois o ângulo inicial do movimento, medido do centro da circunferência, é zero. Podemos, então, observar estas quantidades de uma forma gráfica.

Nível de energia sonora

A intensidade possui uma faixa de valores muito ampla. Como vimos, para se ter uma ideia, a mais alta

voz humana pode produzir uma energia em torno de 1 miliwatt (0,001 W), equivalente a uma intensidade acústica de 8.10 -5 W/m 2 a uma distância de 1 metro. E, claro, o ouvido humano pode responder a intensidades muito mais baixas do que isso na maioria das frequências sensitivas.

Um avião a jato pode produzir uma energia acústica de 100 kW e isso é somente uma porcentagem da energia total produzida pelo seu motor. Para concorrer com essa extensa faixa de atuação, uma escala de nível logarítmico é novamente utilizada, com a potência de referência escolhida para ser compatível com aquele desenvolvimento do nível de pressão sonora. O nível de energia sonora é dado por:

de pressão sonora. O nível de energia sonora é dado por: E a potência de referência

E a potência de referência (W ref ) é dada como 10 -12 Watts (limiar de audibilidade). Considera-se importante

notar que o nível de energia sonora é uma propriedade inerente à fonte que produz o som. Ela pode ser a mesma em todas as direções (omnidirecional) ou pode ter diferentes valores em torno da superfície da fonte.

Nível de pressão sonora

Para determinar o nível sonoro (em dB), é necessário que se conheça ou o valor de sua pressão sonora

P (N/m 2 ) ou a sua intensidade acústica. Conforme anteriormente afirmado, a frequência em que o som

é emitido não interfere no nível de pressão sonora (NPS), seja essa frequência de som grave, médio ou

agudo, pois o NPS está relacionado com a amplitude (volume) da pressão na equação:

com a amplitude (volume) da pressão na equação: (8) Em que Po é a pressão sonora

(8)

Em que Po é a pressão sonora de referência (2.10 -5 N/m 2 ). Conhecendo-se a intensidade acústica, a pressão sonora pode ser obtida por meio da relação:

a pressão sonora pode ser obtida por meio da relação: Em que é a densidade do
a pressão sonora pode ser obtida por meio da relação: Em que é a densidade do

Em que é a densidade do meio e ‘c’, a velocidade de propagação da onda nesse meio, como tais grandezas são admitidas como constantes em um dado sistema, tem-se a proporcionalidade entre I e P, como visto na seção anterior.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Para os instrumentos de medição do nível de som, que são ajustados para apresentar uma resposta linear, não importa qual a frequência do som: apresentam o mesmo número de decibéis para sons de igual amplitude de pressão sonora, mesmo que suas frequências sejam distintas. O ouvido humano, entretanto, apresenta uma sensibilidade diferente para cada frequência. Assim, um som grave será percebido como se fosse menos intenso do que um som médio de mesmo nível de pressão sonora.

Para o ouvido humano, sons de frequências diferentes soam com intensidade de níveis sonoros diferentes.

Em instrumentos de medição de som ajustados à percepção, isso ocorre de forma linear. Portanto, o nível

é uma indicação física da amplitude, ao passo que a audibilidade é uma indicação subjetiva, variando de um indivíduo para outro.

indicação subjetiva, variando de um indivíduo para outro. Figura 9. NES à NPS x distância da

Figura 9. NES à NPS x distância da fonte.

Observando-se a figura acima, constatamos que há um decréscimo da ordem de 6 dB à medida que se dobra a distância. Nesse caso, partindo-se de um nível de energia sonora (NES) de 159 dB na fonte (motor do avião), temos um nível de pressão sonora (NPS) de 120 dB a uma distância de 25 m.

Tem-se, então, NPS = [NES – 20 log r – 11], e pode-se calcular o nível de pressão sonora que chega até os

ouvidos do receptor conhecendo-se o nível de energia sonora da fonte e a distância (r) entre o receptor e

a fonte. Assim, para as respectivas distâncias de 25 m, 50 m, 100 m, 200 m e um valor para uma distância bem mais elevada, como, por exemplo, 12.800 m, têm-se:

Distância

Nível de Pressão Sonora

25

m

159-20 log 25 – 11 = 120 dB

50

m

159-20 log 50 – 11 = 114 dB

100

m

159-20 log 100 – 11 = 108 dB

200

m

159-20 log 200 – 11 = 102 dB

12.800 m

159-20 log 12.800 – 11 = 66 dB

Figura 10. Tabela com os NPS para NES a respectivas distâncias da fonte.

Isso vem a corroborar com o conceito de que uma grande quantidade de energia é representada por um número aparentemente pequeno transcrito em decibéis. Para uma grande redução dessa energia, seja ela por isolamento acústico, por barreira acústica ou, ainda, como nesse exemplo, pelas perdas ocasionadas pela distância da fonte até o receptor, aparentemente a redução em decibéis não parece ser tão significativa, embora se possa afirmar fisicamente que o seja. E que também por isso o isolamento acústico de ambientes fechados é um assunto bastante complexo, cuja solução depende de vários fatores (técnicos e econômicos) e de bom-senso para se conseguir um nível aceitável de convivência com o ruído.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

. Intensidade é equivalente algébrico de pressão para velocidade do meio constante..

I

J

W s

=

2

m

=

2

m

=

N . m

s

2

m

= P v

.

I J W s = 2 m = 2 m = N . m s 2

Qual é o fator de dobra em dB? O que significa?

Considerando a formulação

dB

10log

I

I

0

,

calcule o incremento em dB quando se dobra o NIS (W/m 2 ). Em outras palavras, quanto aumenta em dB quando I = 2.I 0 ?

outras palavras, quanto aumenta em dB quando I = 2.I 0 ? O que você deve

O que você deve saber!

A intensidade do som está relacionada com a amplitude. Som mais forte tem maior

amplitude e som mais fraco, menor amplitude. Os níveis de 90 a 180 decibéis são extremamente perigosos no caso de exposição constante. A faixa de maior sensibilidade do ouvido humano está compreendida entre 1.000 Hz e 4.000 Hz.

NS – o nível sonoro ou nível de intensidade ou intensidade auditiva é medido em decibel (dB), enquanto a intensidade sonora ou intensidade física sonora do nível sonoro NS, medida em W/m 2 .

I o – menor intensidade física sonora audível (2.10 -5 Paà10 -12 W/m 2 ), “limiar de audibilidade”.

Como o decibel não é linear, não pode ser somado ou subtraído algebricamente. Para se somar dois níveis de ruído em dB, deve-se transformar cada um em Pascal; então, somar-se-iam algebricamente e, ao final, o resultado seria transformado de Pascal para dB. Esse método não é prático. A fórmula genérica para a combinação de “n” níveis em dB é L(n)= 10 log (Σ 10 Li /10 ). Para várias fontes iguais (muito comum em ambiente industrial), o nível sonoro total de “n” fontes idênticas é dado por NS(t) = 10.log(n) + L, onde L é o nível sonoro de apenas uma fonte.

O timbre é uma qualidade sonora que permite distinguir dois sons de mesma altura

(mesma frequência) e mesma intensidade, emitidos por instrumentos diferentes e

que toquem a mesma nota musical ou acorde.

Frequência é o número de vezes que a oscilação (de pressão) é repetida, na unidade de tempo, medida em ciclos por segundo ou Hertz (Hz).

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Ruído é um fenômeno físico que, no caso da acústica, indica uma mistura de sons, cujas frequências não seguem uma regra precisa.

O som mais fraco que o ouvido humano saudável pode detectar é de 20 milionésimos

de um pascal (ou 20 mPa, 20 micro pascals). Surpreendentemente, o ouvido humano

pode suportar pressões acima de um milhão de vezes mais altas. Assim, para medir

o som em Pa, chega-se a números bastante grandes e de difícil manejo. Para evitar

isso, outra escala foi criada – a escala decibel (dB). A escala decibel usa o limiar da audição de 20 mPa como o seu ponto de partida ou pressão de referência, definido em 0 dB. Cada vez que se multiplica por 10 a pressão sonora em Pascal, adiciona-se 20 dB ao nível em dB. Dessa forma, a escala dB comprime as milhões de unidades de uma escala em apenas 120 dB de outra escala.

Comprimento de onda (λ)à é obtido pela velocidade (v) e a frequência (f) do

som, que representa a distância física no ar entre um pico de onda até o próximo

à

.
.

Reflexão do som – fenômeno que ocorre quando o som que estava propagando- -se num meio atinge uma superfície refletora e retorna ao meio de origem. Esse fenômeno dá origem ao eco e à reverberação.

Eco – fenômeno em que conseguimos ouvir nitidamente um som refletido por obstáculos refletores, uma ou mais vezes sucessivas. Nosso ouvido só consegue distinguir dois sons sucessivos num intervalo de tempo igual ou maior que 0,10 segundos. Sendo a velocidade do som no ar de 340m/s, temos que V=x/t à 340=x/0,1 à x=34m (ida e volta). Assim, uma pessoa consegue ouvir o eco de sua própria voz se estiver afastada do obstáculo refletor, no mínimo, 17m.

Reverberação – ocorre quando o som direto e refletido se superpõe chegando ao ouvido, o que ocorre quando a superfície refletora está a uma distância menor que 17m da fonte emissora. Os sons diminuem ou aumentam de intensidade e ficam indistintos.

Sonar – trata-se de um dispositivo que emite ultrassons que chegam aos objetos, sofrem reflexão e captam os ecos, permitindo localizá-los pela medida do tempo entre a emissão e a recepção do som, sendo conhecida a velocidade de propagação do som na água. Muito utilizado na orientação da navegação, fornece

o perfil do fundo do mar, na localização de cardumes. Radar – funciona como o

sonar, mas em vez de ondas ultrassônicas, emite ondas eletromagnéticas que são

refletidas por objetos distantes, permitindo, assim, sua localização.

Qual a origem do ruído? O ruído, na sociedade moderna, provém de diversas fontes e as mais frequentes são: mecânica, choques, vibrações, aerodinâmica, ressonâncias (dutos), turbulências (curvas, cotovelos etc.), hidrodinâmica, cavitação, eletromagnética, magnetostrição e explosões.

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Altura do som está relacionada com sua frequência, ou seja, a altura (tom) é a qualidade do som que permite ao ouvido distinguir um som grave, de baixa frequência, de um som agudo, de alta frequência.

de baixa frequência, de um som agudo, de alta frequência. Calcule as combinações de NS em

Calcule as combinações de NS em dB.

Energia acústica e a percepção humana

As avaliações em higiene do trabalho são realizadas para valorar a exposição dos trabalhadores e para

obter informações que permitem definir o projeto ou estabelecer medidas de eficiência e controle. Diga-se de passagem que, pela Resolução CONFEA nº 1.010/2005, “avaliar” é uma das competências exclusivas do EST.

O objetivo da avaliação da exposição é determinar a energia, frequência, magnitude e duração da

exposição dos trabalhadores ao ruído. Orientações normativas foram elaboradas sobre o tema, tais como

as normas da RFB, INSS, Fundacentro, Ministérios da Previdência, da Saúde e do Trabalho.

Para melhor compreender e exercer as atribuições de EST, é fundamental entender o comportamento

do ouvido humano à energia sonora. Assim, tendo em vista que o parâmetro de energia estudado é a

pressão sonora, que é uma variação de pressão no meio de propagação, deve ser observado que variações

de pressão, como a pressão atmosférica, são muito lentas para serem detectadas pelo ouvido humano.

Porém, se essas variações ocorrerem mais rapidamente – no mínimo 20 vezes por segundo (20 Hz) –, elas podem ser ouvidas.

O ouvido humano responde a uma larga faixa de frequência (faixa audível), que vai de 16-20 Hz a 16-

20 kHz. Fora dessa faixa, o ouvido humano é insensível ao som correspondente. Estudos demonstram que o ouvido humano não responde linearmente às diversas frequências, ou seja, para certas faixas de frequência ele é mais ou menos sensível.

Um dos estudos mais importantes que revelaram a não linearidade foi a experiência realizada por Fletcher e Munson 2 , que resultou nas curvas isoaudíveis. Nível de audibilidade é o NPS necessário para que um ouvido jovem, são e médio escute um tom qualquer com a mesma sensação (potência, força) que um de 1 kHz. A unidade de nível de audibilidade é o fon (ou phon) à equivalente ao NPS (dB) quando f = 1.000 Hz. Um som com uma única frequência é muitas vezes denominado tom.

2 Em 1933, dois pesquisadores, Fletcher e Munson, mediram a sensibilidade do ouvido humano a diferentes frequências puras (senoidais) e estabeleceram a relação entre frequências, amplitudes e volume percebido. Essas curvas mostraram o quão alto um som deve ser em termos de medida de amplitude de pressão para ter o mesmo volume de um som de 1 kHz. Essas curvas mostraram o quanto varia a sensibilidade do ouvido ao longo do espectro de nossa audição. Essa referência de audibilidade a 1 kHz foi denominada de fon.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Figura 11. Curvas isofônicas – NPS (dB) x frequência (Hz) –

Figura 11. Curvas isofônicas – NPS (dB) x frequência (Hz) – não linearidade nas curvas isoaudíveis a 1 kHz – fon (ou phon).

Note-se, então, que o ouvido apresenta-se bastante insensível a sons graves e sensibilidade máxima entre

os 3.500 e os 4.000 Hz, perto da primeira zona de ressonância que ocorre no ouvido externo. A segunda zona de ressonância ocorre perto dos 13 kHz.

A segunda zona de ressonância ocorre perto dos 13 kHz. Você consegue explicar por quê? Por

Você consegue explicar por quê?

Por que os bebês choram de modo semelhante (frequência e intensidade)?

Por que a buzina de navio é mais rouca que a de moto?

A capacidade de distinguir a mínima alteração no tom de um som depende da frequência, da intensidade

sonora, da duração do som, da velocidade da alteração, bem como do próprio treino auditivo do ouvinte.

O ouvido humano é bastante sensível a diferenças de frequências entre dois sons. Em sons graves,

mudanças de frequência de 1 Hz podem ser detectadas. A diferença na frequência das duas notas mais graves do piano é de apenas 1,6 Hz.

Aos 1.000 Hz, a maior parte das pessoas é capaz de distinguir mudanças na frequência com o valor de 3

Hz. Aos 100 Hz, mudanças na frequência podem ser notas a partir dos 0,3 Hz, ou seja, o ouvido é sensível não propriamente a mudanças absolutas da frequência, mas sim a uma razão entre a zona de frequências

do

som que se está a ouvir e da mudança efetuada.

As

curvas mostram algumas características de nossa audição que são importantes:

» existem alguns picos de sensibilidade acima de 1 kHz. Isso é devido aos efeitos de ressonância do canal auditivo, que é um tubo de cerca de 25 mm, com um lado aberto e outro fechado, o que resulta em um pico de ressonância por volta de 3.4 kHz e, devido à sua forma regular, um outro pico menor a 13 kHz. O efeito dessas ressonâncias é aumentar a sensibilidade do ouvido àquelas frequências;

» o segundo ponto a ser notado é que existe uma dependência de amplitude na sensibilidade do ouvido. Isso é devido à maneira como o ouvido atua – transdutor e

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interpretador do som –, e, como consequência, a frequência depende da amplitude. Esse efeito é particularmente notável em baixas frequências, em que quanto menor a amplitude, menos sensível é o ouvido.

O resultado desses efeitos é que a sensibilidade do ouvido é função tanto da frequência quanto da

amplitude. Portanto, dois sons de diferentes frequências, mas de amplitudes iguais, podem soar com volumes completamente diferentes. Por exemplo, um som a 20 Hz soará com muito menos volume que um de mesma amplitude a 4 kHz. Sons de diferentes frequências, então, deverão ter amplitudes de pressão diferentes para serem percebidos como tendo a mesma amplitude.

O volume percebido de sons senoidais, como função da frequência e do nível de pressão sonora, é dado

pela escala de fons. Trata-se de um a escala de julgamentos subjetivos baseada nos níveis de pressão sonora percebidos em um som senoidal de 1 kHz. Então, a curva para N fonos intercepta a frequência de 1 kHz em N dB NPS, por definição. Pode-se notar que as curvas de fonos começam a ficar mais planas em níveis de pressão sonora mais altos.

Por isso, o relativo balanço entre as diferentes regiões de frequências, grave, médio e agudo é

alterado sempre que se varia o nível de amplitude dos sons. Isso é percebido no dia a dia, quando ouvimos uma gravação e abaixamos o volume do aparelho de som, resultando na supressão de parte dos agudos e dos graves, e com isso ficamos com um som carregado de médios, sem muito brilho

ou expressão.

Curvas de ponderação dos medidores de pressão sonora

As curvas isofônicas, analogamente, definem linhas de sensação “constante”, medidas em fones, cuja unidade, o fon, procura simular o nível subjetivo de sonoridade, fazendo-o aproximar-se da

sensação de um som, no qual f = 1 kHz. Para compensar essa peculiaridade do ouvido humano, foram introduzidos nos medidores de nível sonoro filtros eletrônicos com a finalidade de aproximar

a resposta do instrumento à resposta do ouvido humano. São chamadas “curvas de ponderação” (A, B, C) 3 .

3 Cuidado. O dB “compensado” funciona como uma avaliação “subjetiva” ou do risco ao homem; o dB (linear) é uma avaliação objetiva do ruído no ambiente e é importante para se conhecer uma fonte de ruído. Em outras palavras, dB(A) não é expressão física da fonte sonora, mas subjetiva de como é percebida pelo ser humano. Só há uma exceção, segundo a qual dB(A) é igual a dB: para 1 kHz (fon), por definição.

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NPS [dB]

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I NPS [dB] Figura 12. Curvas de atenuação relativa dos circuitos de
FATORES FÍSICOS | UNIDADE I NPS [dB] Figura 12. Curvas de atenuação relativa dos circuitos de
FATORES FÍSICOS | UNIDADE I NPS [dB] Figura 12. Curvas de atenuação relativa dos circuitos de

Figura 12. Curvas de atenuação relativa dos circuitos de ponderação A, B e C.

Fonte: folheto de divulgação Brüel e Kjaer do Brasil.

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Dessas curvas, a curva A é a que melhor se ajusta à natureza humana. Os medidores de ruído dispõem de um computador para as velocidades de respostas, de acordo com o tipo de ruído a ser medido. A diferença entre tais posições está no tempo de integração do sinal ou constante de tempo.

» Slow – resposta lenta – avaliação de ruídos contínuos ou intermitentes, avaliação de fontes não estáveis.

» Fast – resposta rápida – avaliação legal de ruído de impacto (com ponderação dB (C)).

» Impulse – resposta de impulso – para avaliação legal de ruído de impacto (com ponderação linear).

Tipos de ruído: o ruído contínuo é o que permanece estável com variações máximas de 3 a 5 dB(A) durante um longo período. O ruído intermitente é um ruído com variações maiores ou menores de intensidade. O ruído de impacto apresenta picos com duração menor de 1 segundo a intervalos superiores a 1 segundo.

Na representação gráfica em onda senoidal, os valores máximos e mínimos atingidos por ela são os valores de pico. Tomando-se toda a amplitude (positiva e negativa) da onda, temos o valor pico a pico. No caso da avaliação de ruído, o que interessa é o valor eficaz dessa onda, uma vez que o valor médio aritmético entre semiciclo positivo e negativo seria zero. O valor eficaz é uma média quadrática (root mean square – RMS).

é uma média quadrática ( root mean square – RMS). Figura 13. O valor eficaz é

Figura 13. O valor eficaz é uma média quadrática (root mean square – RMS).

Fonte: folheto de divulgação Brüel Kjaer do Brasil, Medição de vibração, 1982.

Para se avaliar um sinal acústico (vibratório), que vale inclusive para o capítulo de vibrações, devem ser conhecidas algumas medidas:

Os valores de pico, que indicam os valores máximos, mas não trazem qualquer informação acerca da duração ou tempo de movimento, são particularmente usados na indicação de níveis de impacto de curta duração.

Os valores médios, que indicam apenas a média da exposição sem qualquer relação com a realidade do movimento, são usados quando se quer levar em conta um valor da quantidade física da amplitude em um determinado tempo.

O valor da raiz média quadrática (RMS) ou valor eficaz, que é a raiz quadrada dos valores quadrados médios dos movimentos, é

a mais importante medida da amplitude, porque mostra a média da energia contida no movimento vibratório. Portanto, mostra o potencial destrutivo da vibração.

O fator de forma e o fator de crista permitem conhecer a homogeneidade do fenômeno em estudo ao longo do período. Valores de fator de forma próximos de √2 indicam fenômeno do tipo senoidal.

O valor pico a pico indica a máxima amplitude da onda e é usado, por exemplo, onde o deslocamento vibratório da máquina é parte crítica na tensão máxima de elementos de máquina.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

O fator de crista e o fator de forma permitem conhecer a homogeneidade do fenômeno em estudo ao longo do período. Grandes valores para o fator de crista indicam a presença de algum pico destacado, provavelmente resultante de fenômenos repetitivos a intervalos regulares.

resultante de fenômenos repetitivos a intervalos regulares. Figura 14. Homogeneidade do sinal vibratório: fator de

Figura 14. Homogeneidade do sinal vibratório: fator de crista e fator de forma.

No quadro seguinte, a legenda: (1) indica o valor RMS, (2) indica o nível médio, (3) indica o valor de pico

a pico e (4) indica o valor de pico.

indica o valor de pico a pico e (4) indica o valor de pico. Avaliação ambiental

Avaliação ambiental

Como determinação de nível de ruído de fonte em presença de ruído de fundo? 4 . A maneira natural de se

realizar tal determinação seria desativar as demais fontes, ou seja, eliminar todo o ruído de fundo e fazer

a medição apenas da fonte de interesse. Contudo, tal procedimento nem sempre é simples ou viável, na

prática. Sendo assim, pode ser utilizado o conceito da “subtração” de dB, por meio da qual se determina

o nível da fonte a partir do conhecimento do “decréscimo” global advindo da desativação da fonte de interesse.

4 Ruído de fundo – é o ruído de todas as fontes secundárias, ou seja, quando estamos estudando o ruído de uma determinada fonte num ambiente, o ruído emitido pelas demais é considerado ruído de fundo.

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São utilizadas as terminologias e o gráfico abaixo:

São utilizadas as terminologias e o gráfico abaixo: Figura 15. Ábaco para deduções de ruído em

Figura 15. Ábaco para deduções de ruído em dB (Ls+n = ruído total (fonte e fundo) e Ln = ruído de fundo.

Exemplo: quanto representa a contribuição da fonte (Ls) em um ambiente cuja NPS total (fonte e fundo) produz 60 dB, sendo o fundo de 53 dB?

Solução: (Ls+n) = 60 dB e Ln = 53 dB Pela abscissa, tem-se à(Ls+n) -Ln = 7 dBà na ordenada à ΔL = 1 dB Ls = (Ls+n) -ΔL = 60-1 = 59 dB.

Nota: ao se desligar a fonte, o ruído total se altera pouco, ela é pouco importante; ao se desligar a fonte, o ruído total cai muito, a fonte é determinante no ruído total (naquele ponto de medição).

Dose de ruído e ruído equivalente

O nível de ruído equivalente (Level Equivalente – L eq ) representa um nível de ruído contínuo em dB(A), que

possui o mesmo potencial de lesão auditiva que o nível de ruído variável amostrado. A dose de ruído é uma

variante do ruído equivalente, para o qual o tempo de medição é fixado em 8 horas. A única diferença entre

a dose de ruído e o ruído equivalente é que a dose é expressa em percentagem da exposição diária tolerada.

Os níveis de ruído industriais e exteriores flutuam ou variam de maneira aleatória com o tempo, e o potencial de dano à audição depende não só do seu nível, mas também da sua duração. Para o nível de ruído contínuo, torna-se fácil avaliar o efeito, mas se ele varia com o tempo, deve-se realizar uma dosimetria, de forma que todos os dados de nível de pressão sonora e tempo possam ser analisados com

o consequente cálculo do L eq . A necessidade de se usar um dosímetro de ruído se deve à dificuldade de serem realizados os cálculos integrais diferenciais à mão.

Limite de tolerância, para fins de NR-15, é a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição do agente, que não causará dano à saúde do trabalhador durante

a sua vida laboral. Os LTs da NR-15 são para até 48 horas semanais. Para ruído intermitente/contínuo, há

risco grave e iminente para exposições, sem proteção, a 115 dB(A). Para ruído de impacto, há risco grave

e iminente, para exposições iguais ou superiores a 140 dB (linear) ou 130 dB (fast).

Há que se combinar intensidade e tempo de exposição. Os limites de tolerância para exposição a ruído contínuo ou intermitente são representados por níveis máximos permitidos, segundo o tempo diário de exposição ou, alternativamente, por tempos máximos de exposição diária em função dos níveis de ruído

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

existentes. Esses níveis serão medidos em dB(A), resposta lenta. A Tabela 1 do Anexo 1 da NR-15 da supracitada portaria é reproduzida a seguir:

Nível de Ruído dB(A) – 85 à Máxima Exposição Diária Permissível à8 horas; 90 à 4; 95 à 2; 100 à1; 105 à 0,5; 110 à 0,25 e no máximo 115 à 0,125 = 7 minutos 5 . Os limites de tolerância fixam tempos máximos de exposição para determinados níveis de ruído. Porém, sabe-se que praticamente não existem tarefas profissionais nas quais o indivíduo é exposto a um único nível de ruído durante a jornada. O que ocorre são exposições por tempos variados a níveis de ruído variados.

Para quantificar tais exposições utiliza-se o conceito da dose, resultando em uma ponderação para diferentes situações acústicas, de acordo com o tempo de exposição e o tempo máximo permitido, de forma cumulativa na jornada. Calcula-se a dose de ruído da seguinte maneira: D = Tei / Tpi. Em que D = dose de ruído; Tei = tempo de exposição a um determinado nível (i); Tpi = tempo de exposição permitido pela legislação para o mesmo nível (i).

Com o cálculo da dose, é possível determinar a exposição do indivíduo em toda a jornada de trabalho, de

forma cumulativa. Se o valor da dose for menor ou igual à unidade (1), ou 100%, a exposição é admissível. Se

o valor da dose for maior que 1, ou 100%, a exposição ultrapassou o limite, não sendo admissível. Exposições acima de 50% da dose denotam risco potencial de surdez e exigem medidas de controle 6 . Acima de 100% são inaceitáveis. Pagar adicional de insalubridade é assumir-se réu confesso do crime de expor a risco.

Dose de ruído diária é apenas um limite de tolerância (legal); dose diária não pode ultrapassar os níveis de ação definidos pelo Programa de Prevençao de Riscos Ambientais – PPRA, seja qual for o tamanho da jornada; a dose de ruído é proporcional ao tempo: sob as mesmas condições de exposição, o dobro do tempo significa o dobro da dose; quanto mais alto o nível de certo ruído e quanto maior o tempo de exposição a esse nível, maior sua importância na dose diária; devemos reduzir os tempos de exposição aos níveis mais elevados para assegurar boas reduções nas doses diárias; toda exposição desnecessária ao ruído deve ser evitada.

Deve ser ressaltado que, em casos de avaliação de doses em tempos inferiores aos da jornada, o valor da dose pode ser obtido por meio de extrapolação linear simples (regra de três), como no exemplo: tempo de avaliação = 6h30; dose obtida = 87%. Então, para se obter a dose para jornada de 8 horas, faz-se 6,5/87 = 8,0/DjàDj= 107%. Todavia, essa extrapolação pressupõe que a amostra feita foi representativa.

Na verdade, nunca existirão somente três ou quatro situações acústicas, de forma que, com somente três ou quatro frações, será possível encontrar a dose. O que se observará é uma exposição a níveis de ruído que oscilam muito rapidamente, com difícil obtenção de dados relativos a tempos de exposição e níveis de ruído.

Para se obter uma dose representativa, torna-se necessário o uso de um dosímetro. Em suma, o dosímetro

é um instrumento que será instalado em determinado indivíduo e fará o trabalho de obtenção da dose,

acompanhando todas as situações de exposição experimentadas por ele, informando em seu display o valor da dose acumulado ao final da jornada, bem como vários outros parâmetros, tais como nível médio (Lavg), nível máximo etc.

5 As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada, oferecerão risco grave e iminente.

6 Cuidado: EPI não presta. Juizados Especiais Federais – Turma de Uniformização das decisões das turmas recursais dos Juizados Especiais Federais – Súmula nº 9: “Aposentadoria especial. Equipamento de proteção individual. O uso de equipamento de proteção individual (EPI), ainda que elimine a insalubridade, no caso de exposição a ruído, não descaracteriza o tempo de serviço especial prestado”.

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Nível médio (Lavg): é o nível ponderado sobre o período de medição, que pode ser considerado como nível de pressão sonora contínuo, em regime permanente, que produziria a mesma dose de exposição que o ruído real, flutuante, no mesmo período de tempo. No caso dos limites de tolerância NR-15, a fórmula simplificada de cálculo é: Lavg = 80+16,61 log (0,16 CD/TM). Sendo: TM = tempo de amostragem (horas decimais) e CD = contagem da dose (porcentagem).

(horas decimais) e CD = contagem da dose (porcentagem). 1. Calcule as doses de ruído: a.

1. Calcule as doses de ruído:

a. Numa determinada indústria, a exposição do operador de campo A é a seguinte: nível de ruído na zona auditiva e tempo de exposição diária: 92 dB(A), 2 horas; 85 dB(A), 4 horas; 90 dB(A), 2 horas. A exposição enseja pagamento de ad insalubridade? Demonstre.

b. Na mesma empresa, o operador B possui o seguinte perfil de exposição:

nível de ruído na zona auditiva e tempo de exposição diária: 85 dB(A), 4 horas; 95 dB(A), 1 hora; 68 dB(A), 1 hora; e 90 dB(A), 2 horas. A exposição enseja pagamento de ad insalubridade? Demonstre.

c. O mecânico de manutenção possui o seguinte perfil de exposição: nível de ruído na zona auditiva e tempo de exposição diária: 90 dB(A), 2 horas; 95 dB(A), 2 horas; 85 dB(A), 4 horas. Qual é a sua dose de ruído? A exposição enseja pagamento de ad insalubridade? Demonstre.

d. Na mesma empresa, porém em outro setor, há um operador de extrusora que se expõe a um nível único de 90 dB(A) por toda sua jornada de 8 horas. Qual é a sua dose? Qual é a relação entre a exposição c e d ? O que os “90 dB(A)” do caso d representam no caso c?

2. NHO 01 – ruído:

Verifique na NHO 01 a tabela de limite de tolerância e compare com o Anexo 1 da NR-15. Explique o porquê das diferenças, bem como apresente os significados, comparando-os entre si, de NM, Neq, NE e NEM.

Tente responder à questão 13 do concurso AFT-2006:

13 - Segundo a NR-9, considera-se atingido o nível de ação, valor acima do qual devem ser iniciadas ações preventivas, que incluem monitoramento periódico da exposição, a informação aos trabalhadores, e o controle médico, para ruído contínuo ou intermitente, quando a intensidade sonora

a) ultrapassar 85 dB(A) para 8 horas de exposição.

b) ultrapassar 50% da dose unitária, o que equivale a 80 dB(A) para 8 horas de

exposição.

c) ultrapassar a dose unitária.

d) ultrapassar 75% da dose unitária, o que equivale a 63,75 dB(A) para 8 horas de

exposição.

e) ultrapassar 50% da dose unitária, o que equivale a 42,50 dB(A) para 8 horas de exposição.

CAPÍTULO 2

Termologia

Em uma operação com forno metalúrgico, verifica-se que o operador gasta 3 minutos carregando o forno, aguarda 4 minutos para que a carga atinja a temperatura esperada e, em seguida, gasta outros 3 minutos para descarregar o forno. Durante o tempo em que aguarda a elevação da temperatura da carga (4 minutos), o operador do forno fica fazendo anotações, sentado à mesa que está afastada do forno.

anotações, sentado à mesa que está afastada do forno. Em uma operação de colheita manual de

Em uma operação de colheita manual de cana-de-açúcar no nordeste brasileiro, verifica-se que o trabalhador faz uma jornada de 7h as 11h30 e de 13h30 as 16h30.

faz uma jornada de 7h as 11h30 e de 13h30 as 16h30. Essas são situações que

Essas são situações que conduzirão nosso curso. O que você acha? Há impactos à saúde do trabalhador? Quais medidas prevencionistas deverão ser adotadas? Quais são os LTs e o que acontece se forem ultrapassados?

A exposição ao calor ocorre em muitos tipos de indústria. Prevalecem aquelas que implicam alta carga radiante sobre o trabalhador, e essa é a parcela frequentemente dominante na sobrecarga térmica que vem a se instalar; todavia, muitas atividades com carga radiante moderada, porém acompanhadas de altas taxas metabólicas (trabalhos extenuantes ao ar livre), também podem oferecer sobrecargas inadequadas.

Deve-se lembrar, ainda, que pode haver situações críticas em ambientes em que predomina o calor úmido, praticamente sem fontes radiantes importantes, como nas lavanderias e tinturarias. Em suma, deve-se tomar cuidado em não tipificar categoricamente as situações ocupacionais quanto ao calor; o melhor é analisar criteriosamente cada uma delas. O higienista experiente poderá, com o tempo, adquirir uma razoável sensibilidade quanto a esses riscos potenciais nas situações de trabalho.

Equilíbrio térmico

O organismo ganha ou perde calor para o meio ambiente segundo a equação do equilíbrio térmico:

 

M ± C ± R – E = S

M

– Calor produzido pelo metabolismo, sendo um calor sempre ganho (+)

C

– Calor ganho ou perdido por condução/convecção (+/-)

R

– Calor ganho ou perdido por radiação (+/-)

E – Calor sempre perdido por evaporação (-)

S

– Sobrecarga térmica ou calor acumulado no organismo

S

>0 acúmulo de calor (sobrecarga térmica)

S

<0 perda de calor (hipotermia)

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Mecanismos de trocas térmicas A sobrecarga térmica no organismo humano é

Mecanismos de trocas térmicas

A sobrecarga térmica no organismo humano é resultante de duas parcelas de carga térmica: uma carga externa (ambiental) e outra interna (metabólica). A carga externa é resultante das trocas térmicas com o ambiente e a carga metabólica é resultante da atividade física que exerce.

CONDUÇÃO: troca térmica entre dois corpos em contato, de temperaturas diferentes, ou que ocorre dentro de um corpo cujas extremidades encontram-se a temperaturas diferentes. Para o trabalhador, essas trocas são muito pequenas, geralmente por contato do corpo com ferramentas e superfícies.

por contato do corpo com ferramentas e superfícies. CONVECÇÃO: troca térmica realizada geralmente entre um

CONVECÇÃO: troca térmica realizada geralmente entre um corpo e um fluido, ocorrendo movimentação do último por diferença de densidade provocada pelo aumento da temperatura. Portanto, com a troca de calor existe uma movimentação do fluido, chamada de corrente natural convectiva. Se o fluido se movimenta por impulso externo, diz-se que é uma convecção forçada. Para o trabalhador, essa troca ocorre com o ar à sua volta.

impulso externo, diz-se que é uma convecção forçada. Para o trabalhador, essa troca ocorre com o

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

RADIAÇÃO: todos os corpos aquecidos emitem radiação

infravermelha, que é o chamado “calor radiante”. Assim como

emitem,tambémrecebem,havendooquesechamadetrocalíquida

radiante. O infravermelho, sendo uma radiação eletromagnética

não ionizante, não necessita de um meio físico para se propagar.

O ar é praticamente transparente à radiação infravermelha. As

trocas por radiação entre o trabalhador e seu entorno, quando

há fontes radiantes severas, serão as preponderantes no balanço

térmico e podem corresponder a 60% ou mais das trocas totais.

e podem corresponder a 60% ou mais das trocas totais. Lei de Stefan-Boltzmann: a potência total
e podem corresponder a 60% ou mais das trocas totais. Lei de Stefan-Boltzmann: a potência total

Lei de Stefan-Boltzmann: a potência total (em todos os comprimentos de onda) irradiada por unidade de área é proporcional à quarta potência da temperatura, segundo a fórmula:

à quarta potência da temperatura, segundo a fórmula: EVAPORAÇÃO: é a mudança de fase do líquido

EVAPORAÇÃO: é a mudança de fase do líquido para vapor ao receber calor. É a troca de calor produzida pela evaporação do suor, por meio da pele. O suor recebe calor da pele, evaporando e aliviando o trabalhador. Grandes trocas de calor podem estar envolvidas (a entalpia de vaporização da água é de 590 cal/grama).

O mecanismo da evaporação pode ser o único meio de perda de calor para o ambiente na indústria.

Porém, a quantidade de água que já está no ar é um limitante para a evaporação do suor, ou seja, quando

a umidade relativa do ambiente é de 100%, não é possível evaporar o suor, e a situação pode ficar crítica.

À medida que ocorre a sobrecarga térmica, o organismo dispara certos mecanismos para manter a

temperatura interna constante, sendo os principais a vasodilatação periférica e a sudorese.

Vasodilatação periférica: permite o aumento de circulação de sangue na superfície do corpo, aumentando

a troca de calor com o meio ambiente. O fluxo sanguíneo transporta calor do núcleo do corpo para a periferia. Como a rede de vasos aumenta, pode haver queda de pressão (hidráulica aplicada).

núcleo do corpo para a periferia. Como a rede de vasos aumenta, pode haver queda de

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

Sudorese: permite a perda de calor por meio da evaporação do suor. O número de glândulas ativadas pelo mecanismo termorregulador é proporcional ao desequilíbrio térmico existente. A quantidade de suor produzido pode, em alguns instantes, atingir o valor de até dois litros por hora.

A evaporação de um litro por hora permite uma perda de 590 kcal nesse período. O calor pode produzir

efeitos que vão desde a desidratação progressiva e as cãibras até ocorrências bem mais sérias, como a exaustão por calor e o choque térmico. Os grandes candidatos a incidentes mais sérios são as pessoas não aclimatadas, ou seja, os “novatos” no ambiente termicamente severo.

ou seja, os “novatos” no ambiente termicamente severo. Quando o sistema termorregulador é afetado pela sobrecarga
ou seja, os “novatos” no ambiente termicamente severo. Quando o sistema termorregulador é afetado pela sobrecarga
ou seja, os “novatos” no ambiente termicamente severo. Quando o sistema termorregulador é afetado pela sobrecarga
ou seja, os “novatos” no ambiente termicamente severo. Quando o sistema termorregulador é afetado pela sobrecarga
ou seja, os “novatos” no ambiente termicamente severo. Quando o sistema termorregulador é afetado pela sobrecarga
ou seja, os “novatos” no ambiente termicamente severo. Quando o sistema termorregulador é afetado pela sobrecarga

Quando o sistema termorregulador é afetado pela sobrecarga térmica, a temperatura interna aumenta continuamente, produzindo alteração da função cerebral, com perturbação do mecanismo de dissipação do calor, cessando a sudorese. O golpe de calor produz sintomas como: confusão mental, colapsos, convulsões, delírios, alucinações e coma sem aviso prévio, parecendo o quadro com uma convulsão epiléptica.

Os sinais externos do golpe de calor são: pele quente, seca e arroxeada. A temperatura interna sobe

a 40,5°C ou mais, podendo atingir 42°C a 45°C no caso de convulsões ou coma. O golpe de calor é

frequentemente fatal e, no caso de sobrevivência, podem ocorrer sequelas devido aos danos causados ao

cérebro, rins e outros órgãos.

O golpe de calor pode ocorrer durante a realização de tarefas físicas pesadas em condições de calor extremo, quando não há a aclimatação e quando existem certas enfermidades, como o diabetes mellitus, enfermidades cardiovasculares e cutâneas ou obesidade. O médico deve ser chamado imediatamente e o socorrismo prevê que o corpo do trabalhador deve ser resfriado imediatamente.

EXAUSTÃO PELO CALOR: a síncope pelo calor resulta da tensão excessiva do sistema circulatório, com perda de pressão e sintomas como enjôo, palidez, pele coberta pelo suor e dores de cabeça. Quando a temperatura corpórea tende a subir, o organismo sofre uma vasodilatação periférica, na tentativa de aumentar a quantidade de sangue nas áreas de troca. Com isso, há uma diminuição de fluxo sanguíneo nos órgãos vitais, podendo ocorrer uma deficiência de oxigênio nessas áreas, o que compromete particularmente o cérebro e o coração.

Essa situação pode ser agravada quando há a necessidade de um fluxo maior de sangue nos músculos devido ao trabalho físico intenso. A recuperação é rápida e ocorre naturalmente se o trabalhador deitar-se durante a crise ou sentar-se com a cabeça baixa. A recuperação total é complementada por repouso em ambiente frio.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

PROSTRAÇÃO TÉRMICA POR DESIDRATAÇÃO: a desidratação ocorre quando a quantidade de água

ingerida é insuficiente para compensar a perda pela urina ou sudação e pelo ar exalado. Com a perda

de 5% a 8% do peso corpóreo, ocorre a diminuição da eficiência do trabalho, sinais de desconforto,

sede, irritabilidade e sonolência, além de pulso acelerado e temperatura elevada. Uma perda de 10% do peso corpóreo é incompatível com qualquer atividade, e com uma perda de 15% pode ocorrer o choque térmico ou golpe pelo calor.

O tratamento consiste em colocar o trabalhador em local frio e fazer a reposição hídrica e salina.

PROSTRAÇÃO TÉRMICA PELO DECRÉSCIMO DO TEOR SALINO: se o sal ingerido for insuficiente para compensar as perdas por sudorese, podemos sofrer uma prostração térmica. As pessoas mais suscetíveis são as não aclimatizadas. A prostração térmica é caracterizada pelos sintomas: fadiga, tontura, falta de apetite, náusea, vômito e cãibra muscular.

CÃIBRAS DE CALOR: apresentam-se na forma de dores agudas nos músculos, em particular os

abdominais, coxas e aqueles sobre os quais a demanda física foi intensa. Elas ocorrem por falta de cloreto

de

sódio, perdido pela sudorese intensa sem a devida reposição e/ou aclimatação. O tratamento consiste

no

descanso em local fresco, com a reposição salina por meio de soro fisiológico (solução a 1%). A

reposição hídrica e salina deve ser feita com orientação e acompanhamento médico.

ENFERMIDADES DAS GLÂNDULAS SUDORÍPARAS: a exposição ao calor por um período prolongado

e, particularmente, em clima muito úmido pode produzir alterações das glândulas sudoríparas, que deixam

de produzir o suor, agravando o sistema de trocas térmicas e levando os trabalhadores à intolerância ao calor.

Esses trabalhadores devem receber tratamento dermatológico e, em alguns casos, devem ser transferidos para tarefas em que não haja a necessidade de sudorese para a manutenção do equilíbrio térmico.

EDEMA PELO CALOR: consiste no inchaço das extremidades, em particular os pés e os tornozelos. Ocorre comumente em pessoas não aclimatizadas, sendo muito importante a manutenção do equilíbrio hídrico-salino.

A aclimatação é a adaptação do organismo a um ambiente quente. Quando um trabalhador se expõe ao

calor intenso pela primeira vez, tem sua temperatura interna significativamente elevada, com aumento

do

ritmo cardíaco e baixa sudorese. Além de suar pouco, pode perder muito cloreto de sódio nesse suor.

O

indivíduo aclimatizado sua mais, consegue manter a temperatura do núcleo do corpo em valores mais

baixos e perde menos sal no suor, mantendo também os batimentos cardíacos.

A aclimatação ocorre por intermédio de três fenômenos: aumento da sudorese; diminuição da

concentração de sódio no suor (4,0 g/l para 1,0 g/l) – a quantidade de sódio perdido por dia passa de 15

a 25 gramas para 3 a 5 gramas –; diminuição da frequência cardíaca, por meio do aumento do volume

sistólico, devido ao aumento da eficiência do coração no bombeamento em valores mais aceitáveis.

A aclimatação é iniciada após quatro a seis dias e tende a ser satisfatória após uma a duas semanas. É o

médico que deve avaliar se a aclimatação está satisfatória. O afastamento do trabalho por vários dias pode fazer com que o trabalhador perca parte da aclimatação; após três semanas a perda será praticamente total.

Homeostase (homeostasia) à propriedade de um sistema aberto, especialmente em seres vivos, de regular

o seu ambiente interno de modo a manter uma condição estável, mediante múltiplos ajustes de equilíbrio

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dinâmico controlado por mecanismos de regulação. Por exemplo, os músculos esqueléticos tremem para produzir calor quando a temperatura corporal é muito baixa; geração de calor pelo metabolismo de gordura. O suor arrefece o corpo por evaporação.

Na medida em que há um aumento de calor ambiental, ocorre uma reação no organismo humano no sentido de promover um aumento da perda de calor. Inicialmente ocorrem reações fisiológicas para promover a perda de calor, mas essas reações, por sua vez, provocam outras alterações, que, somadas, resultam num distúrbio fisiológico.

que, somadas, resultam num distúrbio fisiológico. Para manter o corpo em equilíbrio térmico, a quantidade de

Para manter o corpo em equilíbrio térmico, a quantidade de calor ganha pelo organismo deve ser contrabalanceada pela quantidade de calor perdida para o meio ambiente. As trocas térmicas entre o corpo e o meio ambiente podem ser relacionadas por meio da seguinte expressão matemática:

M ± C ± R - E = S

Entre os inúmeros fatores que influem nas trocas térmicas, 5 principais devem ser considerados na quantificação da sobrecarga térmica: temperatura do ar; velocidade do ar; calor radiante; umidade relativa do ar; tipo de atividade (metabolismo).

» Temperatura do ar à a influência da temperatura do ar na troca térmica entre o organismo e o meio ambiente pode ser avaliada observando-se a defasagem, positiva ou negativa, existente entre a temperatura do ar e a temperatura da pele. Quando a temperatura do ar é maior que a temperatura da pele, o organismo ganha calor por condução-convecção.

da pele, o organismo ganha calor por condução-convecção. » Velocidade do ar à pode alterar o

» Velocidade do ar à pode alterar o intercâmbio de calor entre o organismo e o ambiente, interferindo tanto na troca térmica por condução-convecção como na troca térmica por evaporação. No mecanismo de condução-convecção, o aumento da velocidade do ar acelera a troca de camadas de ar próximas ao corpo, aumentando o fluxo de calor entre este e o ar.

ao corpo, aumentando o fluxo de calor entre este e o ar. » Carga radiante do

» Carga radiante do ambiente à quando um indivíduo se encontra em presença de fontes apreciáveis de calor radiante (considerável quantidade de radiação infravermelha), o organismo humano ganha calor pelo mecanismo da radiação. No estudo do calor, este fator não deve ser desprezado, pois contribui significativamente para a elevação da sobrecarga térmica.

calor, este fator não deve ser desprezado, pois contribui significativamente para a elevação da sobrecarga térmica.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I » Umidade relativa do ar à influencia a troca térmica que

» Umidade relativa do ar à influencia a troca térmica que ocorre entre o organismo e o meio ambiente pelo mecanismo da evaporação. Teoricamente, o organismo humano pode perder 600 kcal/h pela evaporação do suor, esta razão poderá ser diminuída em função da umidade relativa do ar. Umidade relativa do ar = 100% (saturado de vapor de água) à dificulta a evaporação do suor para o meio ambiente. Perda de calor por evaporação será reduzida. Se, umidade relativa do ar = 0%, haverá condição para o organismo perder 600 kcal/h para o ambiente. O que ocorre nos dois extremos acima descritos é fácil de perceber: quanto maior é a umidade relativa do ar, menor será a perda de calor por evaporação.

» Metabolismo, por meio da atividade física da tarefa à Quanto mais intensa for a atividade física exercida pelo indivíduo, tanto maior será o calor produzido pelo metabolismo. Para indivíduos que trabalham em ambientes quentes, o calor decorrente da atividade física constituirá parte do calor total ganho pelo organismo e, portanto, deve ser considerado na quantificação da sobrecarga térmica.

ser considerado na quantificação da sobrecarga térmica. Avaliação do calor Na avaliação do calor, devem-se levar

Avaliação do calor

Na avaliação do calor, devem-se levar em consideração todos os 5 parâmetros, sendo necessário quantificá- los e considerá-los de forma adequada. Dá operação algébrica decorrem resultados finais que expressam as condições reais de exposição. Combinando esses 5 fatores adequadamente, determinam-se os índices de conforto térmico e de sobrecarga térmica para cada local de trabalho.

e de sobrecarga térmica para cada local de trabalho. Existem diversos índices que correlacionam as variáveis

Existem diversos índices que correlacionam as variáveis que influem nas trocas entre o indivíduo e o meio e, dessa forma, permitem quantificar a severidade da exposição ao calor. Entre esses índices os mais conhecidos são:

» TE – temperatura efetiva;

» TEC – temperatura efetiva corrigida;

» IST – índice de sobrecarga térmica (Belding and Hatch);

» IBUTG – índice de bulbo úmido – termômetro de globo;

» TGU – temperatura de globo úmido.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS O esquema acima mostra quais os fatores que cada índice considera.

O esquema acima mostra quais os fatores que cada índice considera. IST, IBUTG, TGU – consideram os

cinco principais fatores que influenciam as condições de exposição ao calor e, portanto, são denominados índices de sobrecarga térmica.

A legislação brasileira estabelece que a exposição ao calor deve ser avaliada pelo índice de bulbo úmido

ou termômetro de globo – IBUTG que consiste em um índice de sobrecarga térmica, definido por uma equação matemática que correlaciona alguns parâmetros medidos no ambiente de trabalho. A equação, para o cálculo do índice, varia em função da presença, ou não, de carga solar no momento da medição, conforme apresentado a seguir:

Ambientes internos ou externos sem carga solar:

IBUTG = 0,7 Tbn + 0,3 Tg

Ambientes externos com carga solar:

IBUTG = 0,7 Tbn + 0,2 Tg + 0,1 Tbs

Instrumentação

Tbn = temperatura de bulbo úmido natural Tg = temperatura de globo Tbs = temperatura de bulbo seco

São necessários medidores (sensores) que sejam capazes de mensurar os parâmetros acima, pois vimos que eles se relacionam com as trocas térmicas que influem na sobrecarga térmica do trabalhador. Os sensores que veremos no índice que nos interessa, IBUTG, são:

» Termômetro de bulbo seco – Tbs é um termômetro comum, cujo bulbo fica em contato com o ar. Tem-se, dele, portanto, a temperatura do ar. Note que podem ser utilizados outros sensores similares aos termômetros de bulbo, como os termopares.

» Termômetro de bulbo úmido natural – Tbn é um termômetro cujo bulbo é recoberto por um pavio hidrófilo, o qual tem sua extremidade imersa em água destilada. Outros arranjos de sensores, pavios e reservatórios são possíveis, desde que se preserve uma boa aeração do bulbo e pelo menos 25 mm de pavio livre de qualquer obstáculo, a partir do início da parte sensível do termômetro. A evaporação da água destilada presente no pavio refrigera o bulbo e depende da temperatura do ar; da velocidade do ar e da umidade relativa do ar. A temperatura do Tbn será sempre menor ou igual à temperatura do termômetro bulbo seco. Será igual quando a umidade relativa

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do ar for de 100%, pois o ar saturado não admite mais evaporação de água. Sem evaporação, não há redução da temperatura. Temperaturas Tbn e Tbs diferentes, implica umidade relativa do ar menor que 100%.

diferentes, implica umidade relativa do ar menor que 100%. Termômetro de bulbo úmido natural Fonte: FUNDACENTRO,

Termômetro de bulbo úmido natural

Fonte: FUNDACENTRO, NHO 06, 2002.

» Termômetro de globo – é um aparato que possui um termômetro (ou sensor equivalente) posicionado no centro de uma esfera oca de cobre de diâmetro de seis polegadas. A esfera é preenchida naturalmente com ar e a abertura é fechada pela rolha do termômetro. A esfera é pintada externamente de preto fosco, um acabamento altamente absorvedor da radiação infravermelha.

acabamento altamente absorvedor da radiação infravermelha. Termômetro de globo Fonte: FUNDACENTRO, NHO 06, 2002. O

Termômetro de globo

Fonte: FUNDACENTRO, NHO 06, 2002.

O

IBUTG representa a carga ambiental como índice composto dos três instrumentos de campo, enquanto

o

metabolismo é dado em kcal/h em função da atividade do trabalhador. Leva em consideração o tipo

de atividade desenvolvida (leve, moderada e pesada), que pode ser avaliada por classe ou por tarefa (quantificando a tarefa em kcal/h). A determinação dos tipos de atividade por classes ou a quantificação de calor metabólico são dadas pelos quadros do Anexo 3 da NR-15.

A legislação prevê um regime de trabalho (trabalho/descanso) em função do valor do IBUTG e do tipo

de atividade para duas situações: regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no próprio local e regime de trabalho intermitente com descanso em outro local. Os tempos de descanso são períodos trabalhados para todos os fins legais.

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Fonte: FUNDACENTRO, NHO 06, 2002. Exercício resolvido – descanso no próprio

Fonte: FUNDACENTRO, NHO 06, 2002.

Exercício resolvido – descanso no próprio local sem carga solar

Enunciado: Um operador de forno gasta 3 minutos carregando o forno, aguarda 4 minutos para que

a carga atinja a temperatura esperada (sem sair do local) e, em seguida, gasta outros 3 minutos para descarregar o forno. Dados: Tg = 35°C; Tbn = 25°C; tipo de atividade – moderada.

Solução: uma vez calculado o IBUTG, levando em consideração o tipo de atividade exercida pelo

trabalhador (Quadro 3), a interpretação é feita por meio do Quadro 1 à Anexo 3 (NR-15). Devem-se apurar (definir) os regimes de trabalho-descanso, para as condições de operação mais críticas, nas quais

o trabalhador não pode abandonar o local de trabalho, respeitando a sequência das tarefas. Devem-se

apurar (determinar) períodos de trabalho alternados por descanso, que são realizados no próprio local de trabalho.

O limite de tolerância para exposição ao calor será considerado excedido quando os valores e os tempos

obtidos na avaliação forem incompatíveis com aqueles do Quadro 1 à Anexo 3 (NR-15).

Este ciclo de trabalho é continuamente repetido durante toda jornada de trabalho. Determinando-se os parâmetros necessários ao cálculo do IBUTG, temos: Tg = 35°C; Tbn = 25°C; tipo de atividade – moderada (Quadro 3).

Tbn = 25°C; tipo de atividade – moderada (Quadro 3). Quadro 3 – Taxas de metabolismo
Tbn = 25°C; tipo de atividade – moderada (Quadro 3). Quadro 3 – Taxas de metabolismo

Quadro 3 – Taxas de metabolismo por tipo de atividade (115.008-1/I4)

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Calculando-se o IBUTG, temos: IBUTG = 0,7.25 + 0,3.35 = 28°C. Consultando o Quadro 1, conclui-se que, em cada hora corrida de trabalho, o operário pode trabalhar, no máximo, 45 minutos e descansar, no mínimo, 15 minutos.

no máximo, 45 minutos e descansar, no mínimo, 15 minutos. Com relação ao regime de trabalho

Com relação ao regime de trabalho observado na empresa, constata-se que, em cada 10 minutos corridos, o operário trabalha 6 minutos (3 minutos carregando o forno e 3 minutos descarregando) e aguarda 4 minutos para a elevação da temperatura, sem sair do local, operação esta considerada como “descanso no próprio local de trabalho”, para fins deste critério de avaliação.

O ciclo continuamente se repete. Pode-se afirmar que, em cada hora (60 minutos) corrida de trabalho:

» o ciclo se repete 6 vezes (60 / 10);

» o operário trabalha um total de 36 minutos (6 x 6 minutos);

» e descansa 24 minutos (6 x 4 minutos).

Conclusão: pelo Quadro 1:

Trabalha 36 minutos à poderia até 45 minutos

Descansa 24 minutos à poderia no mínimo 15 minutos

Conclui-se que o ciclo de trabalho observado na empresa é compatível com a atividade do trabalhador e com as condições térmicas do ambiente analisado e, portanto, o limite de tolerância não é excedido.

e, portanto, o limite de tolerância não é excedido. Calcule e julgue se enseja insalubridade e

Calcule e julgue se enseja insalubridade e se paga Aposentadoria Especial.

Refaça este exercício considerando todas as condições, salvo o metabolismo, que deve ser considerado “pesado” e o Tg = 30ºC.

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Exercício resolvido – descanso em outro local sem carga solar

Enunciado: Um operador de forno de uma empresa gasta 3 minutos carregando o forno, aguarda 4 minutos para que a carga atinja a temperatura esperada e, em seguida, gasta outros 3 minutos para descarregar o forno. Esse ciclo de trabalho é continuamente repetido durante toda jornada de trabalho. Detalhe: durante o tempo em que aguarda a elevação da temperatura da carga (4 minutos), o operador faz anotações sentado a uma mesa que está afastada do forno.

Dados: local de trabalho.

mesa que está afastada do forno. Dados : local de trabalho. Dados : local de descanso.

Dados: local de descanso.

forno. Dados : local de trabalho. Dados : local de descanso. Solução : neste caso, para

Solução: neste caso, para fins de aplicação do índice, denomina-se local de trabalho o local onde permanece o trabalhador quando carrega e descarrega o forno e local de descanso o local onde o operador do forno permanece sentado, fazendo anotações.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Uma vez calculado o IBUTG, levando em consideração o tipo de atividade exercida pelo trabalhador (Quadro 3), a interpretação é feita por meio do Quadro 1 à Anexo 3 (NR-15). Devem-se apurar (definir) os regimes de trabalho-descanso, para as condições de operação mais críticas, nas quais o trabalhador não pode abandonar o local de trabalho, respeitando a sequência das tarefas. Devem-se apurar (determinar) períodos de trabalho alternados por descanso, que são realizados no próprio local de trabalho.

apurar (determinar) períodos de trabalho alternados por descanso, que são realizados no próprio local de trabalho.
apurar (determinar) períodos de trabalho alternados por descanso, que são realizados no próprio local de trabalho.
apurar (determinar) períodos de trabalho alternados por descanso, que são realizados no próprio local de trabalho.
apurar (determinar) períodos de trabalho alternados por descanso, que são realizados no próprio local de trabalho.
apurar (determinar) períodos de trabalho alternados por descanso, que são realizados no próprio local de trabalho.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS 46
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS 46
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS 46
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FATORES FÍSICOS | UNIDADE I 47
FATORES FÍSICOS | UNIDADE I 47
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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Conclusão : como não há 230 kcal/h na tabela, arredonda-se para
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Conclusão : como não há 230 kcal/h na tabela, arredonda-se para

Conclusão: como não há 230 kcal/h na tabela, arredonda-se para 250 kcal/h (situação conservadora sob a perspectiva do trabalhador), cujo IBUTG máximo é 28,5°C. O ambiente, porém, oferece uma carga ambiental (IBUTG encontrado) de 27,9°C, aquém do máximo permitido (limite de tolerância não é excedido) Conclui-se que o ciclo de trabalho observado na empresa é compatível com a atividade física do trabalhador e com as condições térmicas do ambiente analisado.

e com as condições térmicas do ambiente analisado. Calcule e julgue se enseja insalubridade. 1. Refaça

Calcule e julgue se enseja insalubridade.

1. Refaça este exercício considerando todas as condições, salvo os seguintes dados:

Local de trabalho à Tg = 50°C, Tbn = 22°C e M = 400 kcal/h

Local de descanso à Tg = 26°C, Tbn = 20°C e M = 200 kcal/h

2. Defina se é insalubre o ambiente de trabalho com as seguintes condições: sem

carga solar; sem descanso térmico; carga do forno = 15 minutos; aguardo de estabilização do forno = 5 minutos; descarga do forno = 25 minutos à ciclo se repete na jornada. Tg = 35°C; Tbn = 25°C; tipo de atividade – Moderada (Quadro 3).

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Temperaturas anormais – frio

Fundamentos legais:

» CLT, Título II, Capítulo V, Seção “Das atividades insalubres ou perigosas”;

V, Seção “Das atividades insalubres ou perigosas”; » > CLT, Título III, Capítulo I “Das disposições

» > CLT, Título III, Capítulo I “Das disposições especiais sobre duração e condições de trabalho”, Seção VII “Dos serviços frigoríficos”;

» > Lei n° 5.889/1973 e Portaria n° 3.067/1998 do MTE – Normas Regulamentadoras Rurais;

» > Lei n° 6.514/1977 e Portaria nº 3.214/1978 do MTE – Anexo 9 da NR-15 – Normas regulamentadoras;

» > Portaria MTE n° 25/1994 – Alteração do texto da NR-9 – PPRA;

» > Portaria MTE n° 21/1994 – Mapa oficial do MTE;

» > Instrução Normativa n° 45/2010 do INSS, art. 157.

Pelo art. 253 da CLT, tem-se pausa de 20 minutos em jornadas que submetem o trabalhador ao frio depois de 1h40 de trabalho.

Art. 253. Para os empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas e para os que movimentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois de 1 (uma) hora e 40 (quarenta) minutos de trabalho contínuo, será assegurado um período de 20 (vinte) minutos de repouso, computado esse intervalo como de trabalho efetivo.

Parágrafo único – Considera-se artificialmente frio, para os fins do presente artigo, o que for inferior, nas primeira, segunda e terceira zonas climáticas do mapa oficial, a 15º (quinze graus), na quarta zona a 12º (doze graus), e nas quinta, sexta e sétima zonas a 10º (dez graus).

Mas como se reconhece o frio?

Aquelas regiões geográficas cujas temperaturas sejam inferiores, nas primeira, segunda e terceira zonas climáticas do mapa oficial, a 15º (quinze graus), na quarta zona, a 12º (doze graus), e nas quinta, sexta e sétima zonas, a 10º (dez graus).

Com a ajuda dos seguintes mapas, faz-se essa descoberta. No Brasil, predominam climas quentes, com temperaturas médias superiores a 20º C. Contribuem para isso o fato de o país ter 92% de seu território na zona intertropical e o relevo marcado por baixas altitudes.

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Os tipos de clima presentes no país são 6: equatorial; tropical;

Os tipos de clima presentes no país são 6: equatorial; tropical; tropical de altitude; tropical atlântico; semiárido e subtropical.

» Clima equatorial – domina a região amazônica e caracteriza-se por temperaturas médias entre 24°C e 26°C.

» Clima tropical – está presente em extensas áreas do Planalto Central e das Regiões Nordeste e Sudeste, além do trecho norte da Amazônia, correspondente ao estado de Roraima. As temperaturas médias excedem os 20°C.

» Clima tropical de altitude – predomina nas áreas elevadas (entre 800 m e 1.000 m) do Planalto Atlântico do Sudeste, estendendo-se pelo norte do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Apresenta temperaturas médias entre 18°C e 22°C.

» Clima tropical atlântico – é característico da faixa litorânea que vai do Rio Grande do Norte ao Paraná. As temperaturas variam entre 18°C e 26°C.

» Clima semiárido – predomina especialmente nas depressões entre planaltos do sertão nordestino e no trecho baiano do Vale do Rio São Francisco. Suas características são temperaturas médias elevadas, em torno de 27°C.

» Clima subtropical – predomina ao sul do Trópico de Capricórnio, compreendendo parte dos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Caracteriza-se por temperaturas médias inferiores a 18°C.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Figura 16. Intervalos de temperaturas frias e procedimentos correlatos. 51

Figura 16. Intervalos de temperaturas frias e procedimentos correlatos.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Figura 16. Intervalos de temperaturas frias e procedimentos correlatos. 51

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 17. Mapa oficial por força do art. 253 da CLT,
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 17. Mapa oficial por força do art. 253 da CLT,
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 17. Mapa oficial por força do art. 253 da CLT,

Figura 17. Mapa oficial por força do art. 253 da CLT, Portaria nº 21/1994 do MTE – “Brasil Climas”.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Figura 18. Limites de tolerância – Portaria nº 21/1994 do MTE.

Figura 18. Limites de tolerância – Portaria nº 21/1994 do MTE.

CAPÍTULO 3

Vibrações

Até poucos anos atrás, avaliação de vibração no corpo humano era pouco realizada, visto que, normalmente, quando se está num ambiente com vibrações elevadas, o nível de pressão sonora é bastante elevado. A avaliação da atividade por meio da dosimetria de ruído já caracterizava a atividade como insalubre.

A necessidade de medição da vibração vem aumentando, mesmo que haja um laudo do EST comprovando

a eficácia das medidas de controle coletivo para o ruído ocupacional neutralizando a exposição e, consequentemente, a insalubridade, fica a pergunta: e a exposição à vibração?

Como não havia medição da vibração, não houve acompanhamento dos trabalhadores que passaram

a apresentar doenças sem saber das causas. Exemplo: operadores de empilhadeiras que apresentaram

problemas de coluna e foram desviados para outras funções, sem receber benefício algum, pois não se estabelecia o nexo causal com a atividade executada.

O que é vibração? Vibração é qualquer movimento que o corpo executa em torno de um ponto fixo.

movimento que o corpo executa em torno de um ponto fixo. Figura 19. Configurações das vibrações.

Figura 19. Configurações das vibrações.

Esse movimento pode ser regular, do tipo senoidal ou irregular, quando não segue movimento

determinado algum, como no sacolejar de um carro andando em uma estrada de terra (Iida). Um corpo

é dito em vibração quando descreve um movimento oscilatório em torno de um ponto de referência. O número de vezes de um ciclo completo de um movimento durante o período de um segundo é chamado de frequência e é medido em Hertz [Hz].

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

O movimento pode consistir de um simples componente, ocorrendo em uma única frequência, como um

diapasão, ou de muitos componentes, ocorrendo em diferentes frequências simultaneamente, como, por exemplo, com o movimento de um pistão de um motor de combustão interna.

Similarmente ao que ocorre com um ruído, um movimento vibratório pode envolver uma função complexa, que consistirá em uma composição de múltiplos movimentos, com inúmeras frequências individuais, ou seja, fala-se de espectro de vibrações, assim como de espectro de ruídos. A energia do movimento é, então, distribuída pelas faixas de frequências.

As fontes de vibração usuais (veículos, ferramentas manuais motorizadas) produzem movimentos complexos que possuem largos espectros de vibração. Todo corpo pode ser interpretado como um sistema mecânico de massa e mola, lembrando-se que, na prática, existe também um amortecimento interno. Assim, todo corpo possui uma frequência natural de oscilação, que pode ser observada com um pequeno estímulo no sistema, deixando-o oscilar livremente. 78

estímulo no sistema, deixando-o oscilar livremente. 7 8 Figura 20. Modelo de analisador de vibrações. No

Figura 20. Modelo de analisador de vibrações.

No entanto, esse corpo poderá estar sujeito a forças externas, que podem entrar em contato com ele, obrigando-o a vibrar. As vibrações assim obtidas são chamadas de vibrações forçadas. Se chamarmos

a frequência da vibração externa a um corpo de frequência de excitação, haverá o fenômeno de

ressonância quando esta, a frequência externa, se igualar à frequência natural, a do corpo, resultando

num crescente aumento da amplitude do movimento, que, em condições severas, chega a ser destrutivo para o corpo em questão.

Na prática, os sinais de vibração consistem em muitas frequências ocorrendo simultaneamente, dificultando a observação em um gráfico amplitude x tempo. O mais importante dos sinais de vibração é o estudo dos componentes individuais da frequência, que é chamado de análise de frequência, uma técnica que pode ser considerada a principal ferramenta de trabalho nos diagnósticos de medida de vibração. 910

7 <http://www.cpsol.com.br>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h

8 <http://pt.scribd.com/doc/63197795/SESI-Tecnicas-de-Avaliacao-de-agentes-ambientais>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:33h

9 <http://www.cpsol.com.br>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h

10 <http://pt.scribd.com/doc/63197795/SESI-Tecnicas-de-Avaliacao-de-agentes-ambientais>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:33h

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS à à à à à à Figura 21. Pico ou RMS
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Figura 21. Pico ou RMS – como quantificar a vibração?

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS à à à Figura 22. Dimensões e representações algébricas da vibração.

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS à à à Figura 22. Dimensões e representações algébricas da vibração.

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS à à à Figura 22. Dimensões e representações algébricas da vibração.

Figura 22. Dimensões e representações algébricas da vibração.

Quando analisamos a vibração de uma máquina, encontramos um grande número de componentes periódicos de frequência que são diretamente relacionados com os movimentos fundamentais de várias partes da máquina. Com a análise de frequência, é possível descobrir as fontes de vibração na máquina.

O

gráfico acima que mostra o nível de vibração em função da frequência é chamado de espectrograma

de

frequência. 11

11 <http://www.cpsol.com.br>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h

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FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Em 1918, uma médica do trabalho americana, Alice Hamilton, elaborou um

Em 1918, uma médica do trabalho americana, Alice Hamilton, elaborou um dos primeiros estudos médicos numa pedreira em Indiana, onde trabalhadores utilizavam ferramentas manuais pneumáticas vibratórias. Desde então, ela tem sido a precursora mundial de estudos médicos e epidemiológicos em vibração de mãos e braços. Ficou demonstrada, nestes estudos, a relação de causalidade entre o uso regular de ferramentas elétricas manuais com a irreversível e debilitante condição médica inicial e impropriamente denominada Síndrome de Raynaud ou doença dos dedos brancos, atualmente conhecida como síndrome da vibração de mãos e braços.

Classificação das vibrações e efeitos da vibração sobre o homem

Vibrações de corpo inteiro – são vibrações transmitidas ao corpo com o indivíduo sentado (reclinado ou não), em pé ou deitado. Normalmente ocorrem em trabalho com máquinas pesadas: tratores, caminhões, ônibus, aeronaves, máquinas de terraplanagem, grandes compressores, máquinas industriais. São de baixa frequência e alta amplitude; situam-se na faixa de 1 a 80 Hz, mais especificamente 1 a 20 Hz. Essas vibrações são específicas para atividades de transporte e são afetas à norma ISO 2631.

Vibrações localizadas – são vibrações que atingem certas regiões do corpo, principalmente as mãos, os braços e ombros. Normalmente ocorrem em operações com ferramentas manuais vibratórias: marteletes, britadores, rebitadeiras, compactadores, politrizes, motosserras, lixadeiras, peneiras vibratórias, furadeiras. Vibrações de extremidades (também conhecidas como segmentais, localizadas ou de mãos

e braços): são as mais estudadas; situam-se na faixa de 6,3 a 1.250 Hz, ocorrendo nos trabalhos com ferramentas manuais. São normatizadas pela ISO 5349.

Os efeitos da vibração no homem dependem, entre outros aspectos, das frequências que compõem

a vibração. As baixas frequências são as mais prejudiciais – de 1 até 80-100 Hz. Nessas faixas de

frequência, ocorre a ressonância das partes do corpo humano, que pode ser considerado como um sistema mecânico complexo. Acima de 100 Hz, as partes do corpo absorvem a vibração, não ocorrendo ressonância 12 . Percebem-se efeitos biomecânicos como ressonância de partes do corpo, bem como efeitos fisiológicos, como frequência cardíaca; frequência respiratória; circulação do sangue; vasoconstrição; sistema nervoso central.

A vibração consiste em movimento inerente aos corpos dotados de massa e elasticidade. O corpo humano

possui uma vibração natural. Se uma frequência externa coincide com a frequência natural do sistema, ocorre a ressonância, que implica amplificação do movimento. A energia vibratória é absorvida pelo corpo, como consequência da atenuação promovida pelos tecidos e órgãos. O corpo humano possui diferentes frequências de ressonância, conforme figura a seguir.

12 <http://www.cpsol.com.br>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 23. Disposição das frequências para corpo humano. Figura 24. Vibrações
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 23. Disposição das frequências para corpo humano. Figura 24. Vibrações

Figura 23. Disposição das frequências para corpo humano.

Figura 23. Disposição das frequências para corpo humano. Figura 24. Vibrações por atividade econômica.
Figura 23. Disposição das frequências para corpo humano. Figura 24. Vibrações por atividade econômica.

Figura 24. Vibrações por atividade econômica. *Indústrias europeias com evidências clínicas de sobre-exposição ocupacional a vibrações

Fonte: Taylor & Pelmear, 1975

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Parâmetros e equipamentos utilizados na determinação da vibração

Três são as variáveis afetas à vibração: deslocamento, velocidade e aceleração, porém esta última em m/s 2 é a mais utilizada. O nível de aceleração – medido em decibéis – é fixado pela norma ISO

R 1683.

– medido em decibéis – é fixado pela norma ISO R 1683. Figura 25. Esquema cinemático

Figura 25. Esquema cinemático das vibrações a partir das proporcionalidades da força.

A medição é possível por meio da utilização de um acelerômetro – um transdutor que transforma o

movimento oscilatório num sinal elétrico, enviado a um medidor-integrador. Os valores medidos de

aceleração, da mesma maneira que no ruído, podem ser globais (todo o espectro) ou por faixas de frequência. As medidas globais podem ser lineares ou ponderadas, como se faz com o ruído (circuitos A,

B e C), porém, no caso de vibração, as curvas de ponderação são específicas, segundo as normas, e não

recebem nomes especiais ou letras.

O equipamento de medida da vibração universalmente usado na captação de uma vibração é o é o

acelerômetro piezoelétrico (transdutor). Os acelerômetros piezoelétricos são altos geradores de sinal que não necessitam de fonte de potência. Além disso, não possuem partes móveis e geram um sinal

proporcional à aceleração, que pode ser integrado, obtendo-se a velocidade e o deslocamento do sinal.

A essência de um acelerômetro piezoelétrico é o material piezoelétrico, usualmente uma cerâmica ferro-

elétrica artificialmente polarizada.

Quando ela é mecanicamente tensionada, proporcionalmente à força aplicada, gera uma carga elétrica que polariza suas faces. A medição da vibração é feita segundo eixos de medição, como será visto.

Observe-se, portanto, que é uma grandeza vetorial, isto é, além de magnitude, possui uma direção. Sob o ponto de vista ocupacional, possui também um ponto ou região de interface pela qual é transmitida

ao corpo humano.

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 26. Equipamento de medida da vibração – acelerômetro piezoelétrico. 62
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Figura 26. Equipamento de medida da vibração – acelerômetro piezoelétrico. 62

Figura 26. Equipamento de medida da vibração – acelerômetro piezoelétrico.

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Muitas vezes, a montagem dos acelerômetros de forma fixa nas ferramentas, por meio de braçadeiras, cola, parafusos ou outro sistema, pode ser inviável, sendo permitida a utilização de adaptadores. Os adaptadores possuem respostas em frequências específicas, que podem limitar sua aplicação. 13

As medidas são realizadas na interface entre a pele e a fonte de vibração. Há dois tipos de sensores de vibração: os sem contato (capacitivo e indutivo) e os com contato (eletromagnético e piezoelétrico); enquanto aqueles permitem a medição fora do sistema vibratório, estes são obrigatoriamente fixados no sistema vibratório. Métodos sem contato, por exemplo, laser, em princípio, são preferidos, mas não são comumente utilizados em avaliações ocupacionais.

O sistema básico para medição de vibrações é composto por sensor de vibração (transdutor), amplificador e um integrador ou diferenciador que permite a transformação da medida em sinal elétrico; o sistema ainda pode ser dotado de filtro de bandas para selecionar frequências específicas.

Sintomas principais relacionados com a frequência das vibrações

O corpo humano reage às vibrações de formas diferentes. A sensibilidade às vibrações longituninais (ao longo do eixo z, da coluna vertebral) é distinta da sensibilidade transversal (eixos x ou y, ao longo dos braços ou pelo tórax). Em cada direção, a sensibilidade também varia com a frequência, uma vez que, para determinada frequência, a aceleração tolerável é diferente daquela em outra frequência.

SintomaS

Frequência – Hz

Sensação geral de desconforto

4-9

Sintomas na cabeça

13-20

Maxilar

6-8

Influência na linguagem

13-20

Garganta

12-19

Dor no peito

5-7

Dor abdominal

4-10

Desejo de urinar

10-18

Aumento do tônus muscular

13-20

Influência nos movimentos respiratórios

4-8

Contrações musculares

4-9

Figura 27. Consequências humanas da vibração: sintomas e frequência.

13 <http://www.cpsol.com.br>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h

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PrinciPaiS eFeitoS Da viBração

Perda do equilíbrio, simulando uma labirintite, além de lentidão de reflexos;

Manifestação de alteração no sistema cardíaco, com aumento da frequência de batimento do coração;

Efeitos psicológicos, tal como a falta de concentração para o trabalho;

Apresentação de distúrbios visuais, como visão turva;

Efeitos no sistema gastrointestinal, com sintomas desde enjôo até gastrites e ulcerações;

Manifestação do mal do movimento (cinetose), que ocorre no mar, em aeronaves ou veículos terrestres, com sintomas de náuseas, vômitos e mal-estar geral;

Comprometimento, inclusive permanente, de determinados órgãos do corpo;

Degeneração gradativa do tecido muscular e nervoso, especialmente para os submetidos a vibrações localizadas, apresentando a patologia popularmente conhecida como dedo branco, causando perda da capacidade manipulativa e o tato nas mãos e dedos, dificultando o controle motor.

como dedo branco, causando perda da capacidade manipulativa e o tato nas mãos e dedos, dificultando
como dedo branco, causando perda da capacidade manipulativa e o tato nas mãos e dedos, dificultando
como dedo branco, causando perda da capacidade manipulativa e o tato nas mãos e dedos, dificultando

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FATORES FÍSICOS | UNIDADE I Adicional de insalubridade e Financiamento da Aposentadoria Especial – FAE 25-6%

Adicional de insalubridade e Financiamento da Aposentadoria Especial – FAE 25-6% (RFB)

A exposição a vibrações é contemplada na legislação brasileira no Anexo 8 da NR-15.

VIBRAÇÕES

1. As atividades e operações que exponham os trabalhadores, sem a proteção adequada, às vibrações localizadas ou de corpo inteiro, serão caracterizadas como insalubres, através de perícia realizada no local de trabalho.

2. A perícia, visando à comprovação ou não da exposição, deve tomar por base os limites de tolerância definidos pela Organização Internacional para a Normalização — ISO, em suas normas ISO 2631 e ISO/DIS 5349 ou suas substitutas.

2.1. Constarão obrigatoriamente do laudo de perícia:

a. o critério adotado;

b. o instrumental utilizado;

c. a metodologia de avaliação;

d. a descrição das condições de trabalho e o tempo de exposição às vibrações;

e. o resultado da avaliação quantitativa;

f. as medidas para eliminação e/ou neutralização da insalubridade, quando houver.

3. A insalubridade, quando constatada, será de grau médio.

Para a aposentadoria especial, o critério é idêntico ao acima:

quando constatada, será de grau médio. Para a aposentadoria especial, o critério é idêntico ao acima:

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Vibrações de corpo inteiro – Norma ISO 2631/1997

A norma ISO 2631, de 1978, apresentava três limites distintos: conforto reduzido; proficiência reduzida

pela fadiga; limite de exposição compatível com a saúde. Atualmente, a nova ISO 2631, de 1997, não apresenta limites de exposição à vibração, limitando-se a definir um método para a avaliação de exposição à vibração de corpo inteiro, bem como indicar os principais fatores relacionados para se determinar o nível de exposição à vibração que seja aceitável 14 .

Síntese dos aspectos gerais da atual ISO 2631/1997:

» Ausência de limites de exposição à vibração;

» Fornece guias para a verificação de possíveis efeitos da vibração na saúde, conforto e percepção;

» Estabelece que a vibração seja medida de acordo com um sistema de coordenadas que se origina no ponto onde a vibração se incorpora ao corpo humano;

» Determina que os transdutores sejam posicionados na interface entre o corpo humano e a fonte de vibração;

» O método básico utilizado é o da aceleração ponderada, que é expressa em m/s²;

» O valor total da aceleração ponderada da vibração nas coordenadas ortogonais é calculado pela fórmula:

nas coordenadas ortogonais é calculado pela fórmula: Assim, a aceleração combinada (a t ) dos três

Assim, a aceleração combinada (a t ) dos três eixos é dada por:

combinada (a t ) dos três eixos é dada por: 14

14 <http://pt.scribd.com/doc/6660241/VibracoesVendrame>. Acessado em: 8/6/2012 às 01:45h

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Faz-se necessário estabelecer ponderações W k para o eixo z e W d para os eixos x e y, pois a maneira pela qual as vibrações afetam a saúde, conforto, percepção e enjôo dependem da frequência. Há diferentes frequências para diferentes eixos. As curvas (tabelas de ponderação) de frequência utilizadas estão abaixo descritas:

para diferentes eixos. As curvas (tabelas de ponderação) de frequência utilizadas estão abaixo descritas: 67
para diferentes eixos. As curvas (tabelas de ponderação) de frequência utilizadas estão abaixo descritas: 67

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Considerando tais condições nos termos da norma atual, têm-se as seguintes formulações, normalizando para jornada de 8 horas para as situações de vibração:

para jornada de 8 horas para as situações de vibração: à O sistema de coordenadas basicêntricos

à

jornada de 8 horas para as situações de vibração: à O sistema de coordenadas basicêntricos para

O sistema de coordenadas basicêntricos para as vibrações de corpo inteiro está representado na figura a seguir:

de corpo inteiro está representado na figura a seguir: Figura 28. Eixos de medição – corpo

Figura 28. Eixos de medição – corpo inteiro e localizada.

Os valores obtidos na avaliação devem ser comparados com o guia à saúde – zonas de precaução, contido no Anexo B da ISO 2631/1997, reproduzido abaixo: 15

no Anexo B da ISO 2631/1997, reproduzido abaixo: 1 5 15

15 <http://www.vendrame.com.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais.pdf>. Acessado em: 8/6/2012 às 01:48h

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A zona hachurada indica o potencial de risco à saúde. Para exposições abaixo da zona hachurada, os efeitos à saúde não foram claramente documentados e/ou observados objetivamente. Acima da zona hachurada há indícios de prováveis riscos à saúde 16 .

Aplicação prática

Numa avaliação, foram obtidos os seguintes valores para operador de carregadeira:

obtidos os seguintes valores para operador de carregadeira: Solução : separa-se em duas situações: nas três

Solução: separa-se em duas situações: nas três direções e pela direção predominante.

nas três direções e pela direção predominante. 16

16 <http://www.vendrame.com.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais.pdf>. Acessado em: 8/6/2012 às 01:48h

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Há aqui dois resultados (situação 1 e situação 2) que devem
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Há aqui dois resultados (situação 1 e situação 2) que devem
UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Há aqui dois resultados (situação 1 e situação 2) que devem

Há aqui dois resultados (situação 1 e situação 2) que devem ser cotejados com alínea d do item 3.3 da ISO 2683/1997, segundo o princípio da precaução sempre a favor do trabalhador.

o princípio da precaução sempre a favor do trabalhador. Interpretação : a situação 2 – vetor

Interpretação: a situação 2 – vetor predominante com a = 0,715 m/s 2 – apresenta-se mais aceitável, todavia, quando se somam os vetores com a = 1,068 m/s 2 – situação 1 –,percebe-se que são prejudiciais as condições de trabalho.

os vetores com a = 1,068 m/s 2 – situação 1 –,percebe-se que são prejudiciais as

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Conclusão: deve-se pagar à RFB a alíquota de 6% devido ao Financiamento da Aposentadoria Especial – FAE, bem como ao trabalhador, o adicional de insalubridade de 20% sobre o salário-mínimo.

Vibrações localizadas – Norma ISO 5349/2001

Os principais efeitos devidos à exposição à vibração no sistema mão-braço podem ser de ordem vascular,

neurológica, osteoarticular e muscular. O formigamento ou adormecimento leve e intermitente, ou ambos, são usualmente ignorados pelo paciente porque não interferem no trabalho ou em outras atividades.

Mais tarde, o paciente pode experimentar ataques de branqueamento de dedos, confinados, primeiramente,

às pontas, entretanto, com a continuidade da exposição, os ataques podem estender-se à base do dedo; frio

frequente provoca os ataques, mas há outros fatores envolvidos com o mecanismo do disparo: a temperatura central do corpo, a taxa metabólica, o tônus vascular (especialmente pela manhã) e o estado emocional.

Os ataques de branqueamento duram usualmente de 15 a 60 minutos, e, nos casos avançados, podem

durar de 1 a 2 horas. A recuperação se inicia com um rubor, uma hipertemia reativa, usualmente vista na palma, avançando do punho para os dedos; nos casos avançados, devido aos repetidos ataques isquêmicos,

o tato e a sensibilidade à temperatura ficam comprometidos.

Há perda de destreza e a incapacidade para a realização de trabalhos finos; prosseguindo a exposição,

o número de ataques de branqueamento se reduz, sendo substituído por uma aparência cianótica dos dedos; finalmente, pequenas áreas de necrose da pele aparecem na ponta dos dedos.

A severidade da vibração transmitida às mãos nas condições de trabalho é influenciada pelos seguintes

fatores: espectro de frequência das vibrações; magnitude do sinal de vibração; duração da exposição diária

e tempo total de exposição; configuração da exposição (contínua, intermitente) e método de trabalho;

magnitude e direção das forças aplicadas pelo operador ao segurar a ferramenta ou peça; posicionamento das mãos, braços e corpos durante a operação; tipo e condição do equipamento, ferramenta ou peça, área

e localização das partes da mão que estão expostas à vibração.

A severidade dos efeitos biológicos da vibração transmitida nas condições de trabalho pode ser

influenciada pela direção da vibração transmitida à mão; pelas condições climáticas, pelo método de trabalho e habilidade do operador; por agentes que afetam a circulação periférica (fumo, medicamento, drogas, álcool etc.).

A faixa de frequência considerada é de 5 Hz a 1.500 Hz. Considera-se um sistema de coordenadas

triortogonal com duas opções para posicionamento dos eixos: basicêntrica, que toma como referência

a interface da transmissão de vibração em uma pega cilíndrica, e a outra, biodinâmica, que toma como

referência a cabeça do terceiro metatarso. A norma produz um critério (guia) para relacionamento da

aceleração ponderada da vibração com o tempo diário de exposição, porém não define os limites de exposição segura 17 . No Brasil, cabe ao EST, mediante laudo técnico, declarar se foi ou não ultrapassado

o LT.

17 <http://pt.scribd.com/doc/63197795/SESI-Tecnicas-de-Avaliacao-de-agentes-ambientais>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:33h

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Cada segmento do corpo humano possui resposta específica à vibração, em

Cada segmento do corpo humano possui resposta específica à vibração, em função da frequência, além do que, raramente é unidirecional, daí por que a necessidade de estabelecimento de eixos para mensurar a exposição. Para vibração de corpo inteiro, o sistema de coordenadas tem centro no tronco; para a vibração de mãos e braços há dois sistemas:

» o basicêntrico, localizado na interface entre a manopla e a mão; e

» o biodinâmico, com centro no terceiro osso metacarpiano da mão.

Na prática, o sistema basicêntrico é utilizado para avaliar a vibração no equipamento e o sistema biodinâmico, cuja avaliação é realizada no 3º matacarpiano da mão, considera o efeito final no membro. Consiste na medição da aceleração transmitida às mãos na direção dos três eixos ortogonais definidos pela norma. As frequências consideradas nas medições devem abranger pelo menos as faixas de 5 a 1.500 Hz. 18

O acelerômetro deve ser montado no ponto (ou próximo) onde a energia é transmitida às mãos. Se a mão

está em contato com a superfície vibrante, o transdutor pode ser montado diretamente nessa estrutura;

se existir material resiliente entre a mão e a estrutura, é permitida a utilização de uma adaptação para a montagem do transdutor.

A vibração deve ser medida nos três eixos ortogonais. Qualquer análise efetuada deve ter por base o

maior valor obtido em relação a esses eixos. A magnitude da vibração deve ser expressa pela aceleração ou em decibéis. Devem ser usados transdutores pequenos e leves. 19

18 <www.vendrame.com.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais.pdf>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h

19 <http://www.cpsol.com.br>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h

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A ISO 5349/2001 estabelece ponderação por frequência em função da sensibilidade de respostas das

mãos, conforme ISO 8041/2005, abaixo descritas:

das mãos, conforme ISO 8041/2005, abaixo descritas: A avaliação da exposição à vibração é baseada na

A avaliação da exposição à vibração é baseada na quantidade combinada dos três eixos. Isto é, o valor total

da vibração, a hv , é definido pela raiz média quadrática dos três valores componentes, conforme fórmula: 20

dos três valores componentes, conforme fórmula: 2 0 Usa-se o h para indicar mão ( hand

Usa-se o h para indicar mão (hand), bem como o w para o peso (weight), assim se distingue da vibração

de corpo inteiro.

weight ), assim se distingue da vibração de corpo inteiro. 20

20 <www.vendrame.com.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais.pdf>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h

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UNIDADE I | FATORES FÍSICOS Os valores obtidos da avaliação devem ser plotados no gráfico acima,

Os valores obtidos da avaliação devem ser plotados no gráfico acima, pelo eixo das abscissas até alcançar a reta do 10º percentil e rebatidos para o eixo das ordenadas, obtendo-se a estimativa em anos para o aparecimento dos dedos brancos. Os estudos sugerem que os sintomas das vibrações de mãos e braços são raros em indivíduos expostos a 1m/s <A(8) < 2m/s² e sem registro para A(8) < 1m/s. 21

Finalmente, quanto aos limites de tolerância, as vibrações são tratadas no Anexo 8 da NR-15 da Portaria nº 3.214/1978; o anexo não estabelece limites de tolerância, fazendo menção (no caso de vibrações de extremidades) à norma ISO 5349 ou sua substituta. Atualmente, a ISO 5349, em sua revisão de 2001, também não apresenta limite de tolerância, mas sim um modelo de predição, em anos, para o aparecimento de dedos brancos em 10% da população exposta. Vários estudos contrariam os números da ISO 5349, afirmando que os dados não são conservadores e que, em menor tempo que o previsto na norma, os trabalhadores já apresentam sinais de dedos brancos.

Para fins de elaboração do PPRA, respeitando-se o contido no item 9.3.5.1.c. da NR-9, uma vez que não há limites estabelecidos no Anexo 8 da NR-15, tampouco na norma ISO 5349, a solução é a utilização dos limites da ACGIH.

5349, a solução é a utilização dos limites da ACGIH. Os limites da ACGIH para vibrações

Os limites da ACGIH para vibrações de corpo inteiro

Para a vibração de corpo inteiro, a ACGIH utiliza como base a norma ISO 2631 de 1985 e não a última versão de 1997. Na versão de 1985, a norma definia três tipos de limites, os quais foram excluídos na versão atual. Porém, no prefácio da norma atual, é citado que os limites anteriores eram seguros e preveniam efeitos indesejáveis. Para estabelecer seu limite de tolerância, a ACGIH utilizou a experiência de vários estudos, chegando à conclusão de que os limites da ISO

21 <www.vendrame.com.br/novo/artigos/vibracoes_ocupacionais.pdf>. Acesso em: 8/6/2012 às 00:32h

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2631 não eram suficientemente seguros; assim, optou por adotar os limites de proficiência reduzida por fadiga, que equivale à metade do limite de exposição. Os valores obtidos, em cada eixo, devem sofrer uma análise espectral de Fourier, em bandas de terços de oitava. FFT é a sigla de Fast Fourier Transform, ou Transformada Rápida de Fourier. FFT é um método numérico que possibilita transformar uma onda no domínio do tempo (tempo X amplitude) em um espectro, ou seja, um gráfico no domínio da frequência (frequência X amplitude). Os limites de tolerância da ACGIH, para vibrações de corpo inteiro, referem-se aos níveis e tempos de exposição para os quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa ser repetidamente exposta, com o risco mínimo de dores ou efeitos adversos nas costas, ou incapacidade para operar adequadamente veículos terrestres.

Diretiva 2002/44/EC da comunidade europeia

A Diretiva 2002/44/EC estipula os níveis de ação e limites de exposição para vibrações de corpo inteiro e de mãos e braços:

 

nível De ação

limite De exPoSição

Mãos e braços

2,5 m/s 2 A(8)

5,0 m/s 2 A(8)

Corpo inteiro

0,5 m/s 2 A(8) ou 9,1 VDV

1,15 m/s 2 A(8) ou 21 VDV

Aplicação prática

Numa avaliação, foram obtidos os seguintes valores para duas situações de vibração de mão-braço:

Situação

a

wHx

a

wHy

a

wHz

temPo (H)

1

7,0

5,0

8,0

1

2

8,0

6,0

10,0

2

Solução: separam-se em duas abordagens: para as três direções e pela direção predominante.

Situação 1 à avaliação de exposição considerando a resultante ou vetor soma nos três eixos.

Evento 1:

Evento 2:

ou vetor soma nos três eixos. Evento 1: Evento 2: = 11,74 m/s 2 = 14,14

= 11,74 m/s 2

soma nos três eixos. Evento 1: Evento 2: = 11,74 m/s 2 = 14,14 m/s 2

= 14,14 m/s 2

Com esses dados, calcula-se a aceleração equivalente para o tempo composto de exposição:

AEQ =

equivalente para o tempo composto de exposição: AEQ = = 13,39 m/s 2 Faz-se agora a

= 13,39 m/s 2

Faz-se agora a normalização da aceleração para 8 horas, jornada normal – aceleração equivalente normalizada – A(8) –, uma vez que a exposição foi de 3 horas, segundo a fórmula:

A(8) =AEQ

normalizada – A(8) –, uma vez que a exposição foi de 3 horas, segundo a fórmula:

= 13,39

normalizada – A(8) –, uma vez que a exposição foi de 3 horas, segundo a fórmula:

8,19 m/s 2

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Situação 2 à avaliação de exposição considerando a direção predominante, que, no caso, é z.

a

wHz

temPo (H)

8,0

1

10,0

2

Assim, a aceleração já é a equivalente àAEQ =

2 Assim, a aceleração já é a equivalente à AEQ = = 7,39 m/s 2 .

= 7,39 m/s 2 .

Faz-se agora a normalização da aceleração para 8 horas, jornada normal – aceleração equivalente normalizada – A(8) –, uma vez que a exposição foi de 3 horas, segundo a fórmula:

A(8) =AEQ

a exposição foi de 3 horas, segundo a fórmula: A(8) =AEQ = 7,39 4,52 m/s 2

= 7,39

foi de 3 horas, segundo a fórmula: A(8) =AEQ = 7,39 4,52 m/s 2 Interpretação :

4,52 m/s 2

Interpretação: aplicam-se os limites da ACGIH, segundo o contido no item 9.3.5.1.c. da NR-9 – tabela abaixo –, uma vez que não há limites estabelecidos no Anexo 8 da NR-15, tampouco na norma ISO 5349.

valores do componente de aceleração dominante em rms, frequência ponderada, que não devem ser excedidos

Duração total da exposição diária

m/s 2

g

4

horas e menos de 8

4

0,40

2

horas e menos de 4

6

0,61

1

horas e menos de 2

8

0,81

menos de 1 hora

12

1,22

Conclusão: conforme tabela acima, nas duas situações (1 e 2), as acelerações equivalentes normalizadas – A(8) ficaram acima de 4 m/s 2 , que é a máxima sugerida para jornada de 8 horas, logo, deve-se pagar à RFB a alíquota de 6% devido ao Financiamento da Aposentadoria Especial – FAE, bem como ao trabalhador o adicional de insalubridade de 20% sobre o salário mínimo.

Considerando a resultante dos três eixos (situação 1), é possível estimar o tempo, em anos, para 10% da população exposta apresentar aparecimento da síndrome do dedo branco, segundo a fórmula:

da síndrome do dedo branco, segundo a fórmula: à à . Calcule e responda A análise

à

da síndrome do dedo branco, segundo a fórmula: à à . Calcule e responda A análise

à

.
.
da síndrome do dedo branco, segundo a fórmula: à à . Calcule e responda A análise

Calcule e responda

A análise de vibração junto ao operador de perfuratriz manual apresentou os seguintes valores (m/s 2 ): Awhx = 0,22; Awhy = 0,41 e Awhz = 0,50 ao longo 6 horas de operação (ciclo 1), bem como Awhx = 0,12; Awhy = 0,21 e Awhz = 0,32 nas outras 2 horas (ciclo 2). Determine, conforme ISO 5349/2001:

a. A aceleração total, considerando os três eixos (ciclo 1).

b. A aceleração total, considerando os três eixos (ciclo 2).

c. A aceleração equivalente, considerando os três eixos, para a jornada.

d. A aceleração equivalente, considerando o eixo dominante, para a jornada.

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

e. Conclua: é ou não ensejador de aposentadoria especial?

f. Justifique a resposta e .

g. Em quanto tempo se espera que 10% dos expostos venham a apresentar a síndrome do dedo branco?

CAPÍTULO 4

Pressões anormais

O

trabalho sob condição de alta pressão (condições hiperbáricas) ocorre em atividades ou operações sob

ar

comprimido ou em trabalhos submersos (mergulho), quando o homem está sujeito a pressões maiores

que a pressão atmosférica, enquanto a pressão hipobárica ocorre quando o homem está sujeito a pressões menores que a pressão atmosférica.

A unidade no SI para medir a pressão é o Pascal (Pa). A pressão exercida pela atmosfera ao nível do mar

corresponde a aproximadamente 101.325 Pa (pressão normal) e esse valor é normalmente associado a uma unidade chamada atmosfera padrão (símbolo atm).

Atmosfera é a pressão correspondente a 0,760 m (760 mm) de Hg de densidade 13,5951 g/cm³ e numa aceleração da gravidade de 9,80665 m/s².

Bária é a unidade de pressão no sistema c, g, s e vale uma dyn/cm².

O bar é uma unidade de pressão (símbolo: bar) e equivale a exatamente 100.000 Pa (10 5 Pa). Esse valor de pressão é muito próximo ao da pressão atmosférica padrão, que é definido como 101.325 Pa. O plural do nome da unidade de pressão bar é bars (ex.: 2 bars de pressão).

PSI (pound per squareinch), libra por polegada quadrada, é a unidade de pressão no sistema inglês/americano: 1 psi = 0,07 bar; 1 bar = 14,5 psi.

A atmosfera contém habitualmente cerca de 20% de oxigênio, e o organismo humano está adaptado para

respirar o oxigênio atmosférico a uma pressão em torno de 160 mmHg ao nível do mar. A esta pressão, a molécula que transporta o oxigênio aos tecidos, a hemoglobina, encontra-se praticamente saturada (98%).

Para trabalhos sob condições de baixa pressão, em grandes altitudes, como no caso dos aeronautas, à medida que se ganha altura sobre o nível do mar, a pressão total do ar ambiental e a concentração de oxigênio vão diminuindo gradualmente. O efeito é um menor aporte de oxigênio aos tecidos do corpo humano (hipóxia), e o organismo, em resposta, adota medidas compensatórias de adaptação fisiológica (“aclimatação”), especialmente o aumento da frequência respiratória.

A tolerância à altura varia de um indivíduo para outro e, em geral, a adaptação deve melhorar após 2 a 3 dias

de exposição. Todavia, a hipóxia grave pode exercer diversos efeitos nocivos para o organismo humano.

O órgão mais sensível à falta de oxigenação é o cérebro, e os sintomas mais comuns são irritabilidade,

diminuição da capacidade motora e sensitiva, alterações do sono, fadiga muscular, hemorragias na retina

e, nos casos mais graves, edema cerebral e edema agudo do pulmão.

À medida que aumenta a pressão, como a hemoglobina está já saturada, uma quantidade significativa de

oxigênio não é consumida e entra em solução física no plasma sanguíneo. Se essa exposição se prolonga, pode produzir, a longo prazo, uma intoxicação pelo oxigênio. Os seres humanos, na superfície terrestre, podem respirar 100% de oxigênio de forma contínua durante 24-36 horas sem risco algum.

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Após esse período, sobrevém a intoxicação pelo oxigênio (efeito de Lorrain-Smith). Os sintomas de toxicidade pulmonar são, principalmente, a dor no peito (retroesternal) e a tosse seca. Em pressões superiores a 2 (duas) atmosferas, o oxigênio produz toxicidade cerebral, podendo provocar convulsões. A susceptibilidade

a convulsão varia consideravelmente de um indivíduo para outro. A administração de anticonvulsivantes pode evitar as convulsões por oxigênio, mas não reduz a lesão cerebral ou da medula espinhal.

É exigida cuidadosa compressão e descompressão, de acordo com as tabelas do Anexo 6 da NR-15 da

Portaria nº 3.214/1978. O trabalho sob condições de alta pressão só é permitido para trabalhadores com mais de 18 (dezoito) e menos de 45 (quarenta e cinco) anos de idade. Antes de cada jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser inspecionados pelo médico, e o trabalhador não poderá sofrer mais de uma compressão num período de 24 horas.

Tubulões a ar comprimido (túneis pressurizados)

24 horas. Tubulões a ar comprimido (túneis pressurizados) São fundações profundas, normalmente verticais,

São fundações profundas, normalmente verticais, empregadas para transmitir cargas de médio e grande valor ao solo. Geralmente possuem seções transversais circulares, mas podem ter outras formas, como, por exemplo, ovais. 22

mas podem ter outras formas, como, por exemplo, ovais. 2 2 Figura 29. Ilustração de tubulão

Figura 29. Ilustração de tubulão de ar comprimido.

22 <http://www.drilling.com.br/?page_id=12>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:04h

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Ao executar tubulões onde o solo esteja abaixo do nível d’água, torna-se inviável o processo de esgotamento (bombeamento), pois existe o risco de desmoronamento das paredes do fuste e/ou base. Nesse caso, são utilizados tubulões pneumáticos, também conhecidos como a ar comprimido.

O dimensionamento do tubulão é análogo ao tubulão a céu aberto, com exceção do fuste que deve prever

um diâmetro mínimo de 70 cm no interior da sua camisa de concreto, esta com espessura mínima de 15

cm. O resultado é o fuste com diâmetro mínimo de 100 cm.

A camisa de concreto é sempre armada e a NBR 6122 recomenda que toda a armadura longitudinal seja

colocada, preferencialmente, nela. A concretagem do tubulão deve ser processada imediatamente após a conclusão (no máximo 24 horas, conforme NBR 6122), e o concreto deve ser autoadensável (abatimento em torno de 15 cm) para propiciar o preenchimento adequado sem a necessidade de adensamento. O lançamento deve ser feito por meio do “cachimbo” de concretagem. 23

A duração do período de trabalho sob ar comprimido não poderá ser superior a 8 horas, em pressões

de trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm², a 6 horas em pressões de trabalho de 1,1 a 2,5 kgf/cm², e a 4 horas, em pressão de trabalho de 2,6 a 3,4 kgf/cm². Nenhum trabalhador pode ser exposto à pressão superior a 3,4 kgf/cm². Após a descompressão, os trabalhadores são obrigados a permanecer, no mínimo, por duas horas, no local de trabalho, cumprindo um período de observação médica. Como é possível a ocorrência de necrose óssea, especialmente nos ossos longos, é também obrigatória a realização de radiografias de articulações da coxa e do ombro, por ocasião do exame admissional e, posteriormente, a cada ano.

Pela NR-15, Anexo 6, tem-se para tubulões a ar comprimido:

Pela NR-15, Anexo 6, tem-se para tubulões a ar comprimido: 23 <http://www.drilling.com.br/?page_id=12>.
Pela NR-15, Anexo 6, tem-se para tubulões a ar comprimido: 23 <http://www.drilling.com.br/?page_id=12>.

23 <http://www.drilling.com.br/?page_id=12>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:04h

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Aplicação prática

Problema: se um trabalhador permaneceu durante 1h15 à pressão de 2,2 kgf/cm2, como proceder à descompressão?

Solução: aplicação à gráfico de compressão e descompressão. Segue-se o roteiro de compressão da NR- 16, Anexo 6:

Segue-se o roteiro de compressão da NR- 16, Anexo 6: O gráfico que segue abaixo, perfazendo

O gráfico que segue abaixo, perfazendo as velocidades de kgf/cm 2 recomendadas, dispõe os tempos em minutos e segundos.

que segue abaixo, perfazendo as velocidades de kgf/cm 2 recomendadas, dispõe os tempos em minutos e
que segue abaixo, perfazendo as velocidades de kgf/cm 2 recomendadas, dispõe os tempos em minutos e

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

Na sequência, faz-se descompressão, pela Tabela 20 da NR-15, Anexo 6, pois é onde se encontra o tempo de trabalho dado na questão, bem como a pressão de interesse (2,2 kgf/cm 2 ).

bem como a pressão de interesse (2,2 kgf/cm 2 ). Faz-se o gráfico de descompressão seguindo

Faz-se o gráfico de descompressão seguindo os patamares de três estágios indicados pela Tabela 20 da NR-15, Anexo 6 para a pressão de interesse (2,2 kgf/cm 2 ).

de três estágios indicados pela Tabela 20 da NR-15, Anexo 6 para a pressão de interesse

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Compondo os dois gráficos, tem-se o circuito completo de compressão-descompressão, conforme gráfico

a seguir:

de compressão-descompressão, conforme gráfico a seguir: Figura 30. Gráfico do circuito de trabalho para pressão de

Figura 30. Gráfico do circuito de trabalho para pressão de interesse de 2,2 kgf/cm 2 .

Conclusão: para condições de trabalho hiperbárico, basta o reconhecimento da atividade, uma vez que

é de natureza qualitativa (tanto faz a pressão de exposição). Nesse sentido, deve-se pagar ao trabalhador o adicional de insalubridade de 40% sobre o salário mínimo e à RFB, a alíquota de 6% devido ao Financiamento da Aposentadoria Especial – FAE, definido pelo Decreto nº 3.048/1999 – Anexo IV, item 2.0.5 (Aposentadoria especial: pressão atmosférica anormal, que menciona: a. trabalhos em caixões ou câmaras hiperbáricas; b. trabalhos em tubulões ou túneis sob ar comprimido e c. operações de mergulho com o uso de escafandros ou outros equipamentos) 24 .

com o uso de escafandros ou outros equipamentos) 2 4 . Apresente gráfico de compressão e

Apresente gráfico de compressão e descompressão

Considere pressão de trabalho de 2 kgf/cm 2 durante 3 horas, bem como um tempo de observação de 10’ (apresente memória de cálculo).

24 As operações de mergulho não são tratadas neste curso, dada a alta especificidade e o baixo alcance no universo laboral brasileiro, ficando, porém, ao aluno, caso necessite se posicionar quanto a este tipo de exposição, a indicação procedimental asseverada no Anexo 6 da NR-15.

CAPÍTULO 5

Radiações ionizantes

Para começar, relembre a estrutura da matéria. O ferro é um material, ou melhor, um elemento químico bastante conhecido e fácil de ser encontrado. Se triturarmos uma barra de ferro, obteremos pedaços cada vez menores, até atingirmos um tamanho mínimo, que ainda apresentará as propriedades químicas do ferro. Essa menor estrutura, que apresenta ainda as propriedades de um elemento químico, é denominada átomo, que significa indivisível.

Por muito tempo, pensou-se que o átomo, na forma acima definida, seria a menor porção da matéria e teria uma estrutura compacta. Atualmente, sabemos que o átomo é constituído por partículas menores (subatômicas), distribuídas numa forma semelhante à do sistema solar. Existe um núcleo, onde fica concentrada a massa do átomo, equivalente ao Sol, e minúsculas partículas que giram em seu redor, denominadas elétrons, correspondentes aos planetas. Os elétrons são partículas de carga negativa e massa muito pequena. O átomo possui também, como o sistema solar, grandes espaços vazios, que podem ser atravessados por partículas menores que ele. 25

ser atravessados por partículas menores que ele. 2 5 Figura 31. Estrutura atômica. O núcleo do

Figura 31. Estrutura atômica.

O

núcleo do átomo é constituído de partículas de carga positiva, chamadas prótons, e de partículas

de

mesmo tamanho, mas sem carga, denominadas nêutrons. Prótons e nêutrons são mantidos juntos

no núcleo por forças, até o momento, não totalmente identificadas. Os prótons têm a tendência de se

repelirem, porque têm a mesma carga (positiva). Como eles estão juntos no núcleo, comprova-se a existência de uma energia nos núcleos dos átomos com mais de uma partícula para manter essa estrutura.

A energia que mantém os prótons e nêutrons juntos no núcleo é a energia nuclear, isto é, a energia de

ligação dos núcleons (partículas do núcleo).

25 <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-energia-nuclear/energia-nuclear-9.php>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Uma vez constatada a existência da energia nuclear, restava descobrir como utilizá-la. A forma imaginada

para liberar a energia nuclear baseou-se na possibilidade de partir-se ou dividir-se o núcleo de um átomo pesado, isto é, com muitos prótons e nêutrons, em dois núcleos menores, pelo impacto de um nêutron.

A energia que mantinha juntos esses núcleos menores, antes constituindo um só núcleo maior, seria

liberada, na maior parte, em forma de calor (energia térmica).

na maior parte, em forma de calor (energia térmica). Figura 32. Energia nuclear baseada na divisão

Figura 32. Energia nuclear baseada na divisão do núcleo de um átomo pesado.

A divisão do núcleo de um átomo pesado, por exemplo, do urânio-235, em dois menores, quando atingido

por um nêutron, é denominada fissão nuclear. Seria como jogar uma bolinha de vidro (um nêutron) contra várias outras agrupadas (o núcleo).

Fissão Nuclear Reação em Cadeia – Na realidade, em cada reação de fissão nuclear resultam, além dos núcleos menores, dois a três nêutrons, como consequência da absorção do nêutron que causou a fissão. Torna-se, então, possível que esses nêutrons atinjam outros núcleos de urânio-235, sucessivamente, liberando muito calor. Tal processo é denominado reação de fissão nuclear em cadeia ou, simplesmente, reação em cadeia. 26

em cadeia ou, simplesmente, reação em cadeia. 2 6 Figura 33. Fissão Nuclear Reação em Cadeia.

Figura 33. Fissão Nuclear Reação em Cadeia.

26 <http://www.cnen.gov.br/ensino/apostilas/energia.pdf>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

O urânio-235 é um elemento químico que possui 92 prótons e 143 nêutrons no núcleo. Sua massa é,

portanto, 92 + 143 = 235. Além do urânio-235, existem na natureza, em maior quantidade, átomos com 92 prótons e 146 nêutrons (massa igual a 238). São também átomos do elemento urânio, porque têm 92 prótons, ou seja, número atômico 92. Trata-se do urânio-238, que só tem possibilidade de sofrer fissão por nêutrons de elevada energia cinética (os nêutrons rápidos). Já o urânio-235 pode ser fissionado por nêutrons de qualquer energia cinética, preferencialmente os de baixa energia, denominados nêutrons térmicos (lentos).

Isótopos: são átomos de um mesmo elemento químico que possuem massas diferentes. Urânio-235 e urânio-238 são isótopos de urânio. Muitos outros elementos apresentam essa característica, como, por exemplo, o hidrogênio, que tem três isótopos: hidrogênio, deutério e trítio.

que tem três isótopos: hidrogênio, deutério e trítio. A quantidade de urânio-235 na natureza é muito

A quantidade de urânio-235 na natureza é muito pequena: para cada 1.000 átomos de urânio, 7 são de

urânio-235 e 993 são de urânio-238 (a quantidade dos demais isótopos é desprezível). Para ser possível

a ocorrência de uma reação de fissão nuclear em cadeia, é necessário haver quantidade suficiente de urânio-235, que é fissionado por nêutrons de qualquer energia, como já foi dito. Nos reatores nucleares

do tipo PWR, é necessário haver a proporção de 32 átomos de urânio-235 para 968 átomos de urânio-238,

em cada grupo de 1.000 átomos de urânio, ou seja, 3,2% de urânio-235. Urânio enriquecido.

O urânio encontrado na natureza precisa ser tratado industrialmente, com o objetivo de elevar a proporção

(ou concentração) de urânio-235 para urânio-238, de 0,7% para 3,2%. Para isso deve, primeiramente, ser purificado e convertido em gás.

Enriquecimento de Urânio – O processo físico de retirada de urânio-238 do urânio natural, aumentando, em consequência, a concentração de urânio-235, é conhecido como enriquecimento de urânio. Se o grau

de enriquecimento for muito alto (acima de 90%), isto é, se houver quase só urânio-235, pode ocorrer

uma reação em cadeia muito rápida, de difícil controle, mesmo para uma quantidade relativamente

pequena de urânio, passando a constituir-se em uma explosão: é a bomba atômica.

Foram desenvolvidos vários processos de enriquecimento de urânio, entre eles o da difusão gasosa e da ultracentrifugação (em escala industrial), o do jato centrífugo (em escala de demonstração industrial) e um processo a laser (em fase de pesquisa). Por se tratarem de tecnologias sofisticadas, os países que as detêm oferecem empecilhos para que outras nações tenham acesso a elas.

Descoberta a grande fonte de energia no núcleo dos átomos e a forma de aproveitá-la, restava saber como controlar a reação em cadeia, que, normalmente, não pararia, até consumir quase todo o material físsil (= que sofre fissão nuclear), no caso o urânio-235. Como já foi visto, a fissão de cada átomo de urânio-235

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

resulta em 2 átomos menores e 2 a 3 nêutrons, que irão fissionar outros tantos núcleos de urânio-235. A forma de controlar a reação em cadeia consiste na eliminação do agente causador da fissão: o nêutron. Não havendo nêutrons disponíveis, não pode haver reação de fissão em cadeia. 27

não pode haver reação de fissão em cadeia. 2 7 Figura 34. Controle da reação de

Figura 34. Controle da reação de fissão nuclear em cadeia – reatores nucleares.

Alguns elementos químicos, como o boro, na forma de ácido bórico ou de metal, e o cádmio, em barras metálicas, têm a propriedade de absorver nêutrons, porque seus núcleos podem conter ainda um número de nêutrons superior ao existente em seu estado natural, resultando na formação de isótopos de boro e de cádmio. A grande aplicação do controle da reação de fissão nuclear em cadeia é nos reatores nucleares, para geração de energia elétrica.

Histórico

A radioatividade e as radiações ionizantes não são percebidas naturalmente pelos órgãos dos sentidos

do ser humano, diferindo-se da luz e do calor. Talvez seja por isso que a humanidade não conhecia sua existência nem seu poder de dano até os últimos anos do século XIX, embora fizessem parte do meio ambiente.

Em 1895, o pesquisador alemão Wilhelm Conrad Roentgen descobriu os raios X, cujas propriedades despertaram o interesse da classe médica. Os raios X atravessavam o corpo humano, provocavam fluorescência em determinadas substâncias e impressionavam chapas fotográficas. Eles permitiam obter imagens do interior do corpo. Sua aplicação foi rápida, pois, em 1896, foi instalada a primeira unidade de radiografia diagnóstica nos Estados Unidos. Naquele mesmo ano, em 1896, Antoine Henri Becquerel anunciou que um sal de urânio com que ele fazia seus experimentos emitia radiações espontaneamente. 28

Mais tarde, mostrou que essas radiações apresentavam características semelhantes às dos raios X, isto

é, atravessavam materiais opacos, causavam fluorescência e impressionavam chapas fotográficas. As

pesquisas e as descobertas sucederam-se. O casal Pierre e Marie Curie foi responsável pela descoberta e isolamento dos elementos químicos naturalmente radioativos – o polônio e o rádio. As ideias a respeito

da constituição da matéria e dos átomos foram sendo elucidadas pelos estudos e experimentos que se seguiram às descobertas da radioatividade e das interações das radiações com a matéria.

27 <http://www.cnen.gov.br/ensino/apostilas/energia.pdf>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h

28 <http://www.cnen.gov.br/ensino/apostilas/energia.pdf>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

Os conhecimentos obtidos por muitos pesquisadores e cientistas contribuíram para o desenvolvimento da física atômica e nuclear, mecânica quântica e ondulatória. Podem ser citados Ernest Rutherford, Niels Bohr, Max Planck, Louis de Broglie, Albert Einstein, Enrico Fermi, entre outros. Em 1939, já se sabia que o átomo podia ser rompido e que uma grande quantidade de energia era liberada na ruptura, ou seja, na fissão do átomo. Essa energia foi designada como energia atômica e mais tarde como energia nuclear.

como energia atômica e mais tarde como energia nuclear. Esses conhecimentos científicos possibilitaram a
como energia atômica e mais tarde como energia nuclear. Esses conhecimentos científicos possibilitaram a

Esses conhecimentos científicos possibilitaram a construção de reatores nucleares e explosivos nucleares. Lamentavelmente, ao final dos anos 1930 e início dos anos 1940, em vista da situação mundial, muitos países estavam envolvidos na 2ª Guerra Mundial. A busca da hegemonia nuclear levou à construção da bomba atômica. Em 1945, a humanidade tomou conhecimento do poder destruidor das bombas atômicas lançadas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. O efeito das bombas não se restringiu à explosão propriamente dita e ao calor gerado por ela, mas também muitas pessoas atingidas morreram posteriormente pelos efeitos causados pelas radiações ionizantes. 29

Com o término da 2ª Guerra Mundial, houve uma preocupação em se aplicar a energia proveniente do núcleo do átomo em benefício da humanidade. As alternativas eram a construção de usinas elétricas e a aplicação de materiais radioativos para melhorar as condições de vida da população, principalmente, na área da saúde. Atualmente, nos anos que prenunciam o século XXI, a sociedade continua utilizando os materiais radioativos e a energia nuclear nas mais diversas áreas do conhecimento.

A história do desenvolvimento da energia nuclear foi acompanhada também por outros acontecimentos desagradáveis, além das explosões de Hiroshima e Nagasaki. Esses acontecimentos ocorreram quando não se tinha ainda o entendimento adequado sobre os efeitos biológicos das radiações ionizantes. Muitos radiologistas morreram ao redor de 1922 em consequência dos danos causados pelas radiações.

Operárias que trabalhavam pintando painéis e ponteiros luminosos de relógio em New Jersey, entre 1917 e 1924, apresentaram lesões nos ossos e muitas delas morreram. Essas lesões foram provocadas pelas radiações emitidas pelos sais de rádio, ingeridos pelas operárias durante o seu trabalho. Esses fatos despertaram a atenção da comunidade científica e fizeram com que fosse criado um novo ramo da ciência, a proteção radiológica, com a finalidade de proteger os indivíduos, regulamentando e limitando o uso das radiações em condições aceitáveis.

29 <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAJLwAE/protecao-radiologica-ipen>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:14h

FATORES FÍSICOS | UNIDADE I

Em 1928, foi estabelecida uma comissão de peritos em proteção radiológica para sugerir limites de dose e outros procedimentos de trabalho seguro com radiações ionizantes. Essa comissão, a

– International Commission on Radiological Protection (ICRP), ainda continua como um órgão

científico que elabora recomendações sobre a utilização segura de materiais radioativos e de radiações ionizantes. Posteriormente, outros grupos foram criados com o objetivo de aprofundar os estudos neste campo. 30

Como exemplos têm-se o United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation (UNSCEAR) – criado em Assembleia Geral da ONU, em 1955, e a International Atomic Energy Agency (IAEA), fundada em 1957 como órgão oficial da ONU, com sede em Viena. A IAEA promove a utilização pacífica da energia nuclear pelos países membros e tem publicado padrões de segurança e normas para manuseio seguro de materiais radioativos, transporte e monitoração ambiental.

Definições

O esquecimento de uma rocha de urânio sobre um filme fotográfico virgem levou à descoberta de um

fenômeno interessante: o filme foi velado (marcado) por alguma coisa que saía da rocha, na época denominada raios ou radiações. Outros elementos pesados, com massas próximas à do urânio, como o rádio e o polônio, também tinham a mesma propriedade. O fenômeno foi denominado radioatividade, e

os elementos que apresentavam essa propriedade foram chamados de elementos radioativos. Comprovou-

se que um núcleo muito energético, por ter excesso de partículas ou de carga, tende a estabilizar-se, emitindo algumas partículas. 31

tende a estabilizar-se, emitindo algumas partículas. 3 1 Figura 35. Fluxo de geração de radioatividade. 30

Figura 35. Fluxo de geração de radioatividade.

30 <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAJLwAE/protecao-radiologica-ipen>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:14h

31 <http://www.cnen.gov.br/ensino/apostilas/energia.pdf>. Acessado em: 8/6/2012 às 02:07h

UNIDADE I | FATORES FÍSICOS

Radiações à São ondas eletromagnéticas ou partículas que se propagam com alta velocidade e portando energia, eventualmente carga elétrica e magnética, e que, ao interagir, podem produzir variados efeitos sobre a matéria. Elas podem ser geradas por fontes naturais ou por dispositivos construídos pelo homem. Possuem energia variável, desde valores pequenos até muito elevados.

As radiações eletromagnéticas mais conhecidas são: luz, micro-ondas, ondas de rádio AM e FM, radar, laser, raios X e radiação gama.

As radiações sob a forma de partículas, com massa, carga elétrica, carga magnética, mais comuns são feixes de elétrons, feixes de prótons, radiação beta, radiação alfa.

Das radiações particuladas sem carga elétrica, a mais conhecida é o nêutron.

Radiações ionizantes à Ao interagir com a matéria, os diferentes tipos de radiação po