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DIREITO CONSTITUCIONAL

AULAS PRÁTICAS

2005-2006

Breve Introdução:

Constituição (in diciopédia 2003, Porto Editora)

A Constituição é a lei fundamental que regula os direitos e garantias dos cidadãos e define a

organização política de um Estado. É, assim, a estrutura jurídica basilar de um determinado país - embora haja países que não têm Constituição, assentando as suas estruturas em normas jurídicas organizadas de outras maneiras. Há ainda diferenças entre as constituições dos diversos países, que variam na sua extensão e abrangência, ora tendo maior precisão e desenvolvimento, ora deixando mais matéria para as leis ordinárias. Na medida em que os preceitos constitucionais são a referência de todo o sistema político de um Estado, as leis ordinárias são-lhes subordinadas e não podem contradizê-los nem alterá- los. A conformidade das leis ordinárias à Constituição é salvaguardada por órgãos

competentes (no caso português, na actualidade, pelo Tribunal Constitucional) e a revisão do diploma fundamental tem que obedecer a determinadas formalidades, definidas na própria Constituição.

A História das constituições portuguesas revela as vicissitudes dos regimes políticos em que o

País viveu desde o início do século XIX.

A primeira Constituição data de 1822. Foi aprovada em Cortes na sequência da Revolução de

1820 e jurada pelo rei D. João VI. Apesar do seu curto tempo de vigência, esta Constituição foi marcante pelo seu espírito liberal: consagrava determinados direitos dos cidadãos e o princípio

da separação dos poderes; instituía um Parlamento unicameral, eleito de dois em dois anos; sobretudo, constituía uma manifestação de soberania da nação perante o rei - é da nação que emana a autoridade real e a nação, através do seu órgão legislativo que são as Cortes, pode mesmo impor ao rei as leis do Estado e as opções de governo. Elaborada na sequência da Revolução de Setembro de 1836, a Constituição de 1838 foi jurada por D. Maria II. Ao mesmo tempo que instituía um sistema bicameral e preconizava a

descentralização administrativa, esta Constituição devolvia ao soberano poderes que a anterior lhe retirara: consagrava a eficácia do veto do rei e dava-lhe algumas competências executivas

e capacidade para dissolver as Cortes e nomear e demitir ministros. A Constituição de 1838

esteve em vigor até 1842. Só no ano seguinte à revolução de 5 de Outubro de 1910 foi aprovada uma nova Constituição, onde formalmente se aboliu o regime monárquico e decretou a República democrática. A Constituição definia quais eram os órgãos componentes do Estado republicano (Presidência da República, Câmara dos Deputados, Senado, etc.) e consagrava alguns dos preceitos norteadores da nova ordem pública, como a extinção dos privilégios de nascimento, a obrigatoriedade e gratuitidade do ensino primário e a dissolução das congregações religiosas.

A

Constituição de 1911 foi revista em 1915 e de novo em 1919-1920. Esteve suspensa durante

o

consulado de Sidónio Pais e foi suspensa definitivamente após o golpe militar de 1926.

Novo texto constitucional foi plebiscitado em 1933. Foi o texto que institucionalizou e suportou

as estruturas do Estado Novo. Traduzia um projecto político de nacionalismo corporativo: no plano dos princípios, estabelecia o autoritarismo do Estado sobre a noção (liberal) de autonomia do indivíduo; concedia ao Estado grande poder de intervenção na organização económica e social; consagrava o imperialismo colonial português; criava uma Assembleia Nacional e, com capacidade apenas consultiva, uma Câmara Corporativa, ao mesmo tempo que reforçava a capacidade legislativa e executiva do Governo (com o que a vocação parlamentarista do regime anterior se via quase totalmente apagada). Em 1976 foi aprovada uma nova Constituição, que estabeleceu o Estado de direito democrático, dando pois consagração constitucional à revolução de 25 de Abril de 1974. Foi nesta Constituição que ficaram definidas as linhas gerais do sistema político português actual. No texto de 1976, a Constituição tinha marcas do momento histórico em que emergiu - por exemplo, criava o Conselho da Revolução, um órgão de acompanhamento do processo de instauração da democracia, e apontava para a nacionalização de determinados sectores da vida económica. Aspectos como estes vieram a ser alterados em revisões constitucionais.

© 2002 Porto Editora, Lda.

DIREITO CONSTITUCIONAL 2005-2006

REGISTO DE AULA PRÁTICAS:

-Constitucionalismo Moderno:

- Nos finais do séc. XVIII surgiram as primeiras Constituições:

- Surgiu a ideia de reunir num documento único e escrito os direitos fundamentais e normas de poder político (como ele se organiza).

Objectivo da Constituição:

a) Limitação do poder politico (que na altura era exercido somente pelo Monarca (proteger os cidadãos dos abusos do poder do monarca). - Foi também no séc. XVIII que surgiu o ―princípio da separação dos poderes‖

Conceitos:

1 Poder constituinte Originário ou só poder Constituinte: é o poder de criar uma Constituição, entendida esta, como uma lei fundamental/ lei suprema. A Constituição também é um conjunto de normas de valor superior que estabelece uma ordem do poder político. O pai do poder Constituinte originário foi Sieyes.

2- Poder Constituinte derivado: Poder de alterar o texto da Constituição de acordo com as regras previstas na mesma constituição para essa revisão. O poder constituinte derivado está previsto e regulado na própria Constituição.

Manifestações do Poder Constituinte em Portugal:

Seis Constituições Portuguesas (3 Monárquicas e 3 Republicas)

MONARQUIAS

REPUBLICAS

1822

1911

1826 D. Pedro IV

1933

1838

1976

- 5 de Outubro de 1910- Implantação da Republica.

Constituição de 1822: A Constituição de 1822 surgiu na sequência da revolução liberal de 1820. O rei na altura era D. João VI que se encontrava no Brasil. Na altura não se queria acabar com a monarquia, mas queria-se impor uma monarquia Constitucional (a qual são impostos limites): O monarca tem de respeitar esses limites que a Constituição impõe. O procedimento utilizado para a elaboração da Constituição foi o procedimento representativo, ou seja, de uma assembleia representativa (assembleia soberana) também chamada (cortes constituintes extraordinárias). D. João VI limitou-se a aceitar a Constituição. A constituição de 1822 teve dois períodos de vigência:

- 1822 até 1823

- 1836 até 1838

Carta Constitucional de 1826: Poder que influenciou a queda da Constituição de 1822:

Vila Francada revolta chefiada por D. Miguel em 1823 (Revolução de sinal contrario) D.Miguel queria acabar com a Constituição acabar com a autoridade com limites do monarca.

- D. João prometeu fazer uma nova Constituição, mas como entretanto faleceu, foi D. Pedro IV que

elaborou a carta Constitucional Chamava-se assim porque foi elaborada por um rei ―poder constituinte‖. Os reis quando fizeram as suas Constituições quiseram faze-las distintas daquelas elaboradas pelas assembleias e é dai que vem o nome de Carta Constituinte, carta outorgada ou doada.

- A carta Constitucional Portuguesa é quase uma cópia da Constituição do Brasil de 1824, isto deve-se, a que D. Pedro IV era na altura também Imperador do Brasil. A carta Constitucional teve três vigências:

- 1826 até 1828

- 1834 até 1836- luta entre liberais cartistas e liberais vintistas, os cartistas queriam a reposição da carta constitucional enquanto que os vintistas queriam a reposição da Constituição de 1822.

- 1842 até 1910-

(1828 1834 = não há constituição porque corresponde ao período do reinado de D.Miguel que era Absolutista e não aceitava a Constituição.

Aula de 11/11/2005:

Constituição de 1838: terceira constituição monarquia: Existem duas versões quanto ao processo utilizado na sua elaboração:

1- Uns dizem (a maioria) que o procedimento constituinte utilizado foi o processo representativo puro, ou seja, foi elaborada e aprovada por uma assembleia constituinte que se diz soberana e a rainha limitou-se a jurar esta Constituição.

2- Outros dizem ( a minoria) que o processo utilizado foi o processo foi o de uma constituição

pactuada, (const. Misto). (não da bem para ler a folha por causa das fotocopias)

Constituição de 1911: Foi a primeira Constituição Republicana, foi precedida pela revolução de 5 de Outubro de 1910.

O procedimento Constitutivo utilizado foi o Procedimento Constitutivo representativo, a assembleia

Constituinte elaborou e aprovou a Constituição.

Constituição de 1933: Foi a segunda Constituição Republicana: Revolução de 1926 que acabou com a primeira republica e deixa de estar em vigor a Constituição de 1911.

Entre 1926 e 1933 Portugal encontrava-se num período de indecisão pois não sabiam que tipo de regime deviam aplicar. Então foi instaurado um regime autoritário como um simples período de transição que acabou por ficar como período definitivo.

O procedimento utilizado foi: o procedimento constituinte directo: foi a única vez que este procedimento

foi utilizado em Portugal.

Foi Oliveira Salazar que elaborou o projecto da Constituição e esse projecto foi aceite por um conselho de políticos nacionais, onde foi o único projecto a ser visto e por sua vez aceite. Depois foi publicado na imprensa diária e foi submetido a uma consulta popular chamada plebiscito onde foi aceite pelo povo.

Para o DR. Marcelo Caetano a diferença entre o referendo e o plebiscito encontra-se no objecto. O referendo serviria somente para aprovar leis enquanto que o plebiscito serviria para aprovar Constituições. Para o DR. Gomes Canotilho: O plesbicito é uma consulta popular ―má‖, pois nem todos podem apresentar projectos e não existe liberdade de expressão, de reunião e existem mais fraudes a nível do processo. O referendo é o processo de consulta popular melhor, pois existe uma maior justeza.

A CONSTITUIÇAO DE 1933 inicia uma segunda república com um regime autoritário:

Constituição de 1976: é a constituição actual, surgiu na consequência da revolução de 25 de Abril de 1974 e foi levada a cabo pelo MFA. Procedimento utilizado: procedimento constituinte representativo (procedimento clássico em Portugal).

O povo elegeu a assembleia constituinte que elaborou e aprovou a Constituição.

CONCEITOS:

Continuidade e descontinuidade Constitucional: A história de Portugal Constitucional é descontínua

formal, isto é, já teve várias constituições. Pelo Contrario a história Constitucional dos EUA é contínua formal, pois continua a ter a mesma Constituição desde 1787.

A descontinuidade material é quando o novo poder constituinte destrói o poder anterior, e é substituído

por um novo poder Constituinte que se alicerça em novas bases constitucionais. Exemplo: transição da Carta Constitucional monarquia para a Constituição de 1911 que era republicana. 1976- poder democrático que derruba o poder autoritário de 1933.

―Continuidade material‖ Todas as constituições têm um catalogo de direitos fundamentais, o chefe de Estado distingue-se do chefe do governo, todas reconhecem o poder local.

Momentos Constitucionais Extraordinários:

1º Momento: Momento da ruptura na história politica de um País, exemplo, actos revolucionários. Durante muito tempo as Constituições surgiram na consequência de um acto revolucionário. Na historia Portuguesa:

- Revolução de 1820----------1822

-

1826 Vila francada não é considerada uma revolução (foi contra a

constituição):

Revolução de 1836-----1838 Revolução de 1910-----1911 Revolução de 1926-----1933 Revolução de 1974-----1976

2º Momento: nascimento de novos Estados, como por ex. desconalizaçoes , ou colónias tornarem-se independentes.

3º Momento: Mudança / transição de regime politico que se verificam sobretudo popr força do desmembramento da união soviética.

Decisões pré-constituintes ou formais:

São as decisões que levam ao desencadeamento do processo de elaboração de uma constituição. O modo de procedimento também é pré constituinte tal como a criação de leis constitucionais transitórias

Decisões Constituintes ou materiais:

São decisões que se inserem no processo de elaboração da Constituição:

Por exemplo: Iniciativa ---Apresentação do projecto Discussão do projecto Aprovação do projecto Rectificação do projecto Promulgação da Constituição

Titular do poder Constituinte (quem faz a Constituição)

Teorias existentes nos finais do século XVIII:

1)

Teorias Monarquias

2)

Teorias Democráticas

1) O monarca tinha o poder soberano e portanto também era o detentor do poder constituinte (pois este é manifestação de soberania). Esta teoria encontrava a sua justificação na teologia (tinha sido DEUS a colocar o poder no monarca o poder vinha directamente de DEUS)

2)

Teoria de Rosseu e Sieyes:

a. Teoria da Soberania popular: a soberania pertencia ao povo, logo era o povo que fazia a constituição. O procedimento utilizado, segundo Rosseu era o procedimento directo, em que o povo se reunia em assembleias e rectificava o projecto da Constituição.

b. Teoria da Soberania Nacional: em que a soberania pertence à nação. Como

3)

a nação é uma ficção politica a Constituição era elaborada através de representantes do povo, utilizando assim o procedimento constituinte representativo (Sieyes). Hoje em dia o DR. Gomes Canotilho, entende que o titular do poder constituinte só pode ter uma resposta democrática. Isto é o povo entendido como uma grandeza pluralística (é uma grandeza heterogénea como também é composto por grupos, na

altura que se faz a Constituição, são alguns grupos que fazem a Constituição porque são as ideias destes que se reflectem na mesma)

Aula de 18/11/2005

Procedimentos Constituintes:

A) Monarquio: quem elabora e aprova a Constituição é o rei (acto unilateral e

autoritário do monarca) As constituições elaboradas e aprovadas pelo rei chamamos de constituições outorgadas, doadas ou cartas constitucionais. Em Portugal temos o exemplo da carta constitucional de 1826 ( D.Pedro IV)

B) Representativo: este pressupõe a existência de representantes pelo povo.

1-

Procedimento representativo puro: o povo elege os seus representantes que constituem uma assembleia (assembleia constituinte). Essa assembleia elabora e aprova a Constituição. É portanto uma assembleia constituinte soberana. A assembleia constituinte é uma assembleia ad hoc, ou seja, foi criada especialmente para elaborar e aprovar a constituição. Depois disso dissolve-se. No entanto, mas muito raramente a assembleia constituinte pode tornar-se legislativa (ex. TIMOR LESTE). O procedimento representativo puro é o procedimento clássico ou tradicional em Portugal, tendose manifestado quatro vezes: 1822, 1838,1911,1976.

2-

Procedimento representativo com assembleia constituinte soberana: (procedimento misto) Este procedimento mistura dois instrumentos:

- Técnica da assembleia constituinte - Técnica da consulta popular Assim sendo o povo elege os seus representantes (assembleia constituinte) para elaborar o projecto da constituição e depois será o povo a aprovar ou não a proposta da Constituição através da consulta popular.

3-

Procedimento representativo com convenções do povo: Neste procedimento existem dois tipos de assembleias constituintes: uma elabora o projecto e outra aprova ou não. Este método foi o utilizado para elaborar a constituição federal Norte Americana em 1787. Cada um dos 13 Estados Americanos tinha a sua própria assembleia., que aprovaria a Constituição elaborada pela assembleia constituinte da governação da Filadélfia.

4-

Directa: foi utilizada em Portugal uma única vez em 1933. Um projecto de Constituição é elaborado por um conjunto de pessoas (em geral individualidades) e depois é submetido a consulta popular que ira decidir se que ou não a Constituição. O projecto não é elaborado por uma assembleia constituinte.

Limites do poder Constituinte:

- Sieyes séc. XVIII: No seu ponto de vista o poder constituinte era um poder absoluto, que não tem limites. - Canotilho: o professor doutor Gomes Canotilho diz que o poder Constituinte tem limites e refere quatro tipos de limites:

1- Objecto do poder constituinte: o poder constituinte limita o poder politico, logo o próprio tem que ter limites 2- Uma série de dados culturais, históricos, étnicos, etc. que pertençam a uma determinada comunidade devem ser respeitados 3- Há que respeitar certos limites de justiça (igualdade, imparcialidade, proibição de excesso). 4- Respeitar os princípios de direito internacional.

Aula de 25/11/2005

Conceitos:

1- Poder de revisão / Poder constituinte derivado:

O poder de revisão e o poder de alterar as normas da Constituição de acordo com o que está estipulado na mesma (artigo 284 ss). Também se pode chamar de poder constituinte derivado porque deriva da Constituição (está disciplinado na Constituição). Em Portugal este poder manifestou-se sete vezes: 1982,1989,1992,1997,2001, 2004,2005 (das sete revisões três são revisões extraordinárias:

1992, 2001,2005. Extraordinárias: revista a constituição antes dos 5 anos que deviam ter decorrido.

2-

Constituições rígidas / Flexíveis:

Constituições rígidas são aquelas a cujas normas é reconhecido um valor superior e são emanadas por um poder também considerado superior (poder constitucional). Estas normas têm um poder superior quando comparadas às leis do Parlamento (leis ordinárias). As constituições rígidas poder ser objecto de revisão, mas esta revisão tem que ser mais rígida (exigente) no processo de elaboração das leis (procedimento especial). A rigidez pode ser relativa ( a constituição pode ser revista) e pode ser absoluta ( a constituição não pode ser alterada). As normas das constituições flexíveis têm a mesma / idêntico valor que as normas ordinárias, logo podem ser alteradas por um legislador ordinário (parlamento) como se de uma simples lei se tratasse.

3- Revisão total / Revisão parcial:

Revisão total: em sentido formal: quando se admite que toda a constituição seja revista, mas isto tem que constar na mesma. Em sentido material: apenas algumas normas podem ser alteradas, normas estas que contêm os princípios (normas mais importantes), logo vai parecer que temos uma Constituição nova.

Revisão parcial: apenas se admite que algumas normas possam ser alteradas.

Aula de 02/12/2005:

- Revisão expressa e revisão tácita:

Falamos na revisão expressa quando as alterações estão explicitas no texto constitucional. Falamos numa revisão tácita quando as alterações não são inseridas no texto. Exemplo: EUA em que as emendas são anexadas ao texto.

Limites do poder de revisão: O poder de revisão está mais limitado que o poder constituinte originário, porque é condicionado pelos mesmos limites que o poder constituinte originário e pelos artigos:

Artigo 284 1 - Limites temporais : art.284 nº1- 5 anos é o prazo mínimo para uma revisão ordinária, artigo 284/2 é possível antecipar a revisão , fazendo uma revisão extraordinária. Para se iniciar uma revisão extraordinária são necessários 4/5 dos deputados em efectividade de funções. Artigo 285 2 Limites formais: quem pode iniciar uma revisão? A iniciativa de revisão cabe aos deputados ( pode ser um unicamente, não há um limite mínimo) Leis ordinárias: A iniciativa da lei e do referendo cabe aos deputados, grupos parlamentares, governo, grupos de cidadãos, eleitores e assembleias regionais artigo 167 nº1 3 .

1 Artigo 284.º

(Competência e tempo de revisão)

1. A Assembleia da República pode rever a Constituição decorridos cinco anos sobre a data da publicação da última lei de revisão

ordinária.

2. A Assembleia da República pode, contudo, assumir em qualquer momento poderes de revisão extraordinária por maioria de

quatro quintos dos Deputados em efectividade de funções.

2 Artigo 285.º

(Iniciativa da revisão)

1. A iniciativa da revisão compete aos Deputados.

2. Apresentado um projecto de revisão constitucional, quaisquer outros terão de ser apresentados no prazo de trinta dias.

3 Artigo 167.º

Deputados presentes: aqueles que se encontrarem presentes no hemiciclo. Artigo 286 4 - Para a aprovação de um projecto de revisão são necessárias 2/3 dos deputados em efectividade de funções (aqueles que forem eleitos) Estes 2/3 valem tanto para as reuniões ordinárias como para as extraordinárias. Esta aprovação é sempre feita na especialidade - esses 2/3 SÃO exigidos em cada artigo. A votação terá que ser feita sempre em plenário (com todos os deputados) A A.R funciona ou em comissões especiais ou plenário.

Artigo 289 5 Limites circunstanciais: não pode haver revisões constitucionais em períodos de anormalidade ou excepcionalidade constitucional. (guerra, catástrofe natural, etc) porque se trata de um período confuso, conturbado. Se já se tivesse iniciado um processo de revisão este será suspenso.

Artigo 288º - Limites materiais: neste artigo tratam-se matérias muito importantes, que dão identidade, que são o cerne da CRP e pretende-se que se mantenham inalteradas.

288/ (Limites materiais da revisão)

As leis de revisão constitucional terão de respeitar:

a) A independência nacional e a unidade do Estado;

b) A forma republicana de governo;

c) A separação das Igrejas do Estado;

d) Os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos;

e) Os direitos dos trabalhadores, das comissões de trabalhadores e das associações sindicais;

f) A coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de

propriedade dos meios de produção;

g) A existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista;

h) O sufrágio universal, directo, secreto e periódico na designação dos titulares electivos

dos órgãos de soberania, das regiões autónomas e do poder local, bem como o sistema de representação proporcional;

i) O pluralismo de expressão e organização política, incluindo partidos políticos, e o direito

de oposição democrática;

j) A separação e a interdependência dos órgãos de soberania;

l) A fiscalização da constitucionalidade por acção ou por omissão de normas jurídicas;

(Iniciativa da lei e do referendo)

1. A iniciativa da lei e do referendo compete aos Deputados, aos grupos parlamentares e ao Governo, e ainda, nos termos e

condições estabelecidos na lei, a grupos de cidadãos eleitores, competindo a iniciativa da lei, no respeitante às regiões autónomas, às

respectivas assembleias legislativas regionais.

4 Artigo 286.º

(Aprovação e promulgação)

1. As alterações da Constituição são aprovadas por maioria de dois terços dos Deputados em efectividade de funções.

5 Artigo 289.º

(Limites circunstanciais da revisão)

Não pode ser praticado nenhum acto de revisão constitucional na vigência de estado de sítio ou de estado de emergência.

m) A independência dos tribunais; n) A autonomia das autarquias locais; o) A autonomia político-administrativa dos arquipélagos dos Açores e da Madeira

» Limites inferiores e limites superiores:

Inferiores: saber se o legislador pode trazer para a constituição qualquer matéria, sim pode, pois não há reserva da constituição na crp. No entanto, só são admitidas questões relevantes.

Limites superiores; Direitos fundamentais Organização do poder politico Existem matérias que nunca podem ser alteradas.

Limites expressos e limites tácitos:

- Expressos: também chamados de limites textuais, resultam directamente da leitura do texto da CRP.

- Tácitos: são limites que não estão expressos no texto da lei, não se vêem.

O professor Doutor Gomes Canotilho admite uma categoria de limites tácitos, que são limites que ainda

poderemos retirar de outros princípios do artigo 288º - Principio da integridade do território (artg.288/a)

A independência nacional e a unidade do Estado), Irresponsabilidade dos juízes (art.288 alínea m)-

independência dos tribunais.

Limites absolutos: tem que se subestender o espírito que ali esta expresso.

Certas normas não podem ser alteradas. São limites que não podem ser alterados pelo exercício do poder

de revisão.

Limites relativos: através da técnica da dupla revisão é possível alterar limites absolutos (relativizam-se assim os limites de revisão)

O professor Doutor Gomes Canotilho entende que existem somente limites absolutos ao contrário do

Doutor Jorge Miranda.

O professor Doutro Gomes Canotilho defende a necessidade de selectividade de princípios. Há princípios

que são genuínos nos quais nunca se poderá tocar e outros que apenas se adequam a determinadas épocas,

deixando depois de ter razão de existir.

Princípios Estruturantes:

1-

Principio do Estado de Direito (artigo 2º 6 CRP)

2-

Principio Democrático

3-

Principio da sociabilidade

4-

Principio Republicano

5-

Principio da Unidade do Estado

6-

Principio da Integração Europeia e abertura ao direito Internacional.

O Que são princípios Estruturantes?

6 Artigo 2.º

(Estado de direito democrático)

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

São os princípios que dão solidez, estrutura e identidade à Constituição e à ordem jurídico-politica que nela se baseia.

Revisões Constitucionais:

A nossa Constituição é a de 1976 e já sofreu sete revisões Constitucionais entre as quais três foram

revisões extraordinárias:

1982

1989

1992

/Revisão extraordinária

1997

2001

/ Revisão extraordinária

2004

2005

/ Revisão extraordinária

1-PRINCIPIO DO ESTADO DE DIREITO:

O que é?

É uma forma de Estado que apareceu na Europa Ocidental (mais ou menos) nos finais do séc. XVIII, para combater os excessos dos monarcas absolutistas.

A expressão Estado de Direito:

É um Estado que está vinculado e que respeita o Direito, isto é, temos uma submissão do Estado ao

Direito. Este conceito de Estado de Direito pressupõe a ideia de um poder limitado, porque esse poder está submetido a normas jurídicas. Isto significa que, os titulares do poder politico têm que respeitar normas jurídicas no exercício deste poder, ou seja, o poder politico tem que ser dirigido e enquadrado pelo Direito. Diz-se que no Estado de Direito houve uma jurisdição. Há quem afirme que o Estado de direito não é o governo dos homens mas sim o reino das normas jurídicas. Com a passagem do Estado absoluto para um estado de Direito, deu-se uma passagem do governo dos homens para o governo das leis.

O princípio do Estado de direito impôs-se nos finais do século XVIII, época em que se tem uma

consciência mais adequada que é preciso limitar/acabar com as monarquias. A ideia de limitação do poder

é muito antiga, mas só nos finais do século XVIII é que vem a ser ―aplicada‖.

Este principio já foi entendido em varias formas: (mas a ideia de base é sempre a mesma)

Estado de direito Formal: Aqueles que defendem e se preocupam apenas com a organização do poder politico e o funcionamento dos poderes políticos/públicos, tem apenas uma preocupação com aspectos formais. Diziam que o Estado de Direito e a organização estadual e a politica estavam enquadradas por normas jurídicas. ―Estruturarem a ideia de preocupações formais foi a sua única preocupação. Estado de direito Material: preocupação com o conteúdo da actuação do Estado, entende que o conteúdo da actuação do estado deve se determinado pelo Direito. O estado de direito material tem que ter como finalização a criação de uma ordem justa e que tenha sempre em consideração a dignidade da pessoa humana e assegure a igualdade e liberdade para todos. Formal + material (complementam-se) Estado de direito Social: concretização que remota ao século XX, e ao autor Heller (foi teorizada por ele). É a característica mais recente. A ideia subjacente é a de estender as preocupações do estado de direito social à ordem económica, social e laboral, ou seja, aquele que defende o lado social, A preocupação de justiça, igualdade etc. O estado deve intervir e corrigir no domínio económico-social e laboral. Pretende-se que o estado acabe com as desigualdades.

Estado de direito formal

Estado de direito material

Estado de direito social

Principio da sep. Poderes

Dtos fundamentais

Consagração dos DESC

Independência dos tribunais

Independência dos tribunais
Independência dos tribunais
Principio da legalidade da ADM
Principio da legalidade da ADM

Dimensões concretizadoras do Estado de direito (9 dimensões) :

1: Juridicidade: aponta para a pluridimensionalidade do Estado de Direito (o principio do estado de direito pretende dar resposta a vários problemas)

- Organização do poder Estadual (poder deve estar dividido por vários órgãos)

- O modo como os poderes estaduais se devem manifestar

- Preocupação com o conteúdo do Estado.

O direito neste caso não é apenas a Constituição, deve equivaler também os decretos-lei, leis etc.

A actividade estadual em particular, a actividade de criação de normas jurídicas deve obedecer à ideia de

justiça, o princípio da igualdade, etc.

O direito criado pelo Estado não é só direito objectivo, ou seja, não é só criado por normas objectivas de

conduta, por normas de comportamento. Deve também criar direito subjectivos que permite à pessoa

proteger a sua dignidade e integridade. Exemplo: direito de propriedade, direito ao nome….

O Estado de direito foi teorizado a pensar na protecção das pessoas contra o estado, mas hoje em dia o

Estado de direito também tem como objectivo proteger as pessoas das pessoas.

2: Constitucionalidade:

2.1: Conformidade ou vinculação dos poderes estaduais à constituição. 2.2: Reserva da Constituição 2-3: Força Normativa da Constituição

Nota; a ideia subjacente à ideia de constitucionalidade é a ideia da Constituição como Lei Suprema. 2.1: Conformidade ou vinculação dos poderes estaduais à constituição: os órgãos do estado têm que respeitar a constituição. Os poderes estaduais e os actos que eles praticam, tem que respeitar a constituição, esta dimensão está prevista no artigo. 3 Nº3 Da CRP 7 . Exemplo: Assembleia da república, governo, tribunais, presidente da república, assembleias regionais. Nem sempre existe a averiguação se estes órgãos cumpriram ou não a Constituição, isto é, se a respeitaram. Como tal, não existe sanção pelo facto de não ser averiguado. Artigo 152/2 CRP 8 Exemplo: deputados que colocam o seu voto pela construção de uma fabrica no seu círculo eleitoral. Art.13 principio da igualdade.

2.2: Reserva da Constituição: certas matérias devem ser reguladas apenas pela constituição. Determinadas questões relacionadas com as estruturas fundamentais do estado e da sociedade devem ser reguladas na constituição e não por meras leis ordinárias (leis do parlamento). Em certos domínios essa regulamentação tem que ser total. Neste caso diz-se que há uma reserva total da constituição:

São duas matérias:

7 3ºnº3 CRP: 3. A validade das leis e dos demais actos do Estado, das regiões autónomas, do poder local e de quaisquer outras entidades públicas depende da sua conformidade com a Constituição.

8 Artigo 152.º

(Representação política)

1. A lei não pode estabelecer limites à conversão dos votos em mandatos por exigência de uma percentagem de votos nacional

mínima.

2. Os Deputados representam todo o país e não os círculos por que são eleitos.

- Definição dos quadros da competência dos órgãos: que exerçam poder politico princípio da tipicidade

constitucional das competências. (significa que os órgãos que exercem poder só tem as competências que

a constituição lhes atribui. Só a Constituição pode dizer quais são as competências dos órgãos políticos.

- Restrição dos actos, leis e garantias: DLG: princípios da constitucionalidade das restrições aos dlg´s . Não é toda a matéria dos dlg´s é só matéria das restrições.

2-3: Força Normativa da Constituição: sempre que uma matéria é regulada pela constituição para alterar-se o regime dessa matéria é necessária uma revisão constitucional Sempre que uma determinada questão é regulada por normas da constituição a disciplina regulada por elas não pode ser afastada ou revogada livremente. Só através de uma revisão da Constituição é que poderemos alterar a constituição. Um legislador ordinário não pode alterar a Constituição sem uma revisão.

4-

Sistema de Direitos Fundamentais: O Estado de Direito é um sistema de direitos fundamentais, um Estado de Direito tem que reconhecer, cumprir e respeitar os direitos fundamentais. Esta dimensão evidencia a base / carácter antropológico do princípio do Estado de Direito, porque o Estado de direito foi criado para proteger o homem do Estado. O poder constituinte quando está a fazer uma constituição faz um catálogo dos actos fundamentais, aqui não se pode esquecer das vestes / dimensões que assume o homem tendo que se reconhecer as pessoas como seres humanos…. (dtos fundamentais)

a. Homem como cidadão: Direito ao voto, direito a ser eleito, direito a participar na vida pública, direito de criar um partido político (art.48 a 53 CRP)

b. Homem como administrado: Direito ao recurso contencioso e à justiça administrativa

c. Homem como trabalhador: Direito à segurança no trabalho, direito sindical.

5-

Principio da divisão ou separação dos poderes:

Divisão / separação horizontal:

Montesquieu --- - - John Locke Consideram a separação dos poderes como algo obrigatório na org. dos poderes.

dos poderes como algo obrigatório na org. dos poderes. Montequieu: 1689-1755: Defendem uma dupla separação dos
dos poderes como algo obrigatório na org. dos poderes. Montequieu: 1689-1755: Defendem uma dupla separação dos

Montequieu: 1689-1755: Defendem uma dupla separação dos poderes: Funcional e orgânica. Começou por distinguir funções e distinguiu três: Legislativa,executiva, judicial. Entendia que havia distintos órgãos, dizendo que cada função seria pertencente a um órgão específico.

John Locke: 1632-1704:

Também fez uma distinção funcional, distinguindo quatro funções:

EXECUTIVA LEGISLATIVA FEDERATIVA PERROGATIVA John locke não autorizou a função judicativa , segundo locke estas quatro funções especificas pertenciam ao rei, exepto a legislativa que só em parte lhe pertencia.

Pelo contrario Montesquieu não atribui nenhuma das funções ao rei. A teoria de montesquieu é a mais credível visto que tirava os poderes ao rei.

A divisão ou separação horizontal (defendida por Montesquieu) preocupa-se que os poderes estejam todos no mesmo plano de igualdade, em paridade com os outros. Porque tem de estar num plano de igualdade? Porque se um tiver mais poder do que o outro tornava a haver uma concentração de poder. Tanto Locke como Montesquieu tinham uma preferência pelo poder legislativo . Monstequieu para evitar que houvesse excessos consagrou o direito de veto por parte do monarca.

Divisão clássica: EXECUTIVO / LEGISLTATIVO / JUDICIAL

Esta divisão de poderes não significa uma incomucanibilidade total entre os poderes / entre os vários órgãos.

João Armindo Ferreira Rebelo

12

Porque é que não pode haver uma incomunacabilidade total? Porque esses três poderes tem que se controlar uns aos outros e para isso, tem que haver um mínimo de interdependência .

A versão mais rígida da separação dos poderes existe nos EUA, na sua constituição e em todos os países

onde existe um sistema presidencial ( existe pouca comucabilidade entre os orgãos)

A versão mais flexível existe no Reino Unido e em todos os países onde existe o sistema parlamentar.

Cada órgão exerce a titulo principal uma função mas nada impede a titulo secundário de exercer outra

função:

Exemplo:

GOVERNO: Função executiva (titulo principal / primário Função legislativa (titulo secundário / decreto lei

PARLAMENTO: Função legislativa (titulo principal) Função judicial (titulo secundário)

DIVISAO / SEPARAÇAO HORIZONTAL:

Existem vários níveis de organização do poder politico estabelecendo-se uma hierarquia entre eles. Em Portugal existe este tipo de separação.

Exemplo: A crp admite e consagra a autonomia das ilhas.

A crp consagra a autonomia do poder regional e local.

DIVISAO / SEPARAÇAO PESSOAL: Significa que uma mesma pessoa não pode exercer funções diferentes. Esta separação foi inserida devido ao juízes, pois estes só devem exercer a função judicial artigo 154.CRP

5: Garantia da Administração autónoma e local:

Esta dimensão na generalidade encontra-se associada ao princípio democrático. Quanto mais próximo o poder está das pessoas mais estas participam (aqui temos democracia). Este principio também tem a ver com o princípio do Estado de Direito que pretende limitar o poder politico. Em a descentralização estamos a tirar poder do centro para a periferia, que irá funcionar como um contra- poder. Em vez de termos um só poder temos vários poderes.

6: Principio da Legalidade da Administração:

Temos duas palavras importantes:

Legalidade lei

Administração

A administração tem que respeitar a lei.

A administração não pode actuar à margem da lei.

Este principio tem varias dimensões:

Prevalência ou supremacia da lei: Significa que a lei se impõe a toda a actividade da administração independentemente da sua natureza, ou seja , independentemente da actividade administrativa, seja como uma actividade administrativa ou uma actividade normativa. Qualquer que seja a actividade da administração essa actividade esta sempre submetida à lei. Este princípio sofreu com o tempo um desgaste, foi perdendo o valor que tinha inicialmente.

Porque que sofreu um desgaste? Porque surgiu um outro tipo de normas, às quais foi atribuído um valor superior, que foi a CRP e outros tipos de normas que têm o mesmo valor da lei que são os decretos-lei. Art. 112.

Principio da reserva de lei: Há certas matérias que tem que ser regulamentadas por lei, isto é, pela regulamentação do parlamento. Exemplo: artigo 164, 165 (n se dirigem à reserva de lei) Artigo 164 (reserva absoluta da AR) Artigo 165 (reserva relativa da AR podendo o governo legislar sobre elas.

AR. Competência exclusiva:

governo legislar sobre elas. — AR. Competência exclusiva: Reserva absoluta (artigo 164º) Reserva relativa (artigo

Reserva absoluta (artigo 164º) Reserva relativa (artigo 165º)

Competência exclusiva: (a matéria é atribuída só a um determinado órgão)

Competência concorrente: (não é atribuído em exclusivo a nenhum órgão, logo ambos os orgãos Assembleia e Governo podem legislar em pé de igualdade).

Principio da precedência de lei: a actuação da administração tem que encontrar o seu fundamento numa lei prévia artigo 112/7 CRP.

7: Principio da proibição de excesso ou da proporcionalidade em sentido amplo: Inicialmente visava o poder executivo e hoje em dia aplica-se a toda a actuação Estadual sem excepção.

Artigo 118

CRP

CRP

Artigo 272/2

Artigo 266/2

7.1: Principio da Conformidade ou adequação de meios: significa que as autoridades públicas na sua actuação têm que escolher os meios mais adequados / aptos para atingir um fim legitimo 7.2: Principio da necessidade ou da exigibilidade: Significa que havendo vários meios aptos para prosseguir um determinado fim as autoridades públicas tem que optar sempre pela solução menos onerosa para o cidadão. 7.3: Principio da proporcionalidade em sentido estrito: este princípio implica que se faça um juízo. Há uma autoridade pública e com a sua actuação vai ter certos benefícios e vai fazer com que aconteçam alguns prejuízos» feito este juízo só se deverá actuar quando os benefícios forem superiores ou iguais aos prejuízos. Exemplo: Assembleia da republica: uma manifestação de estudantes por causa das propinas e estão a congestionar as estradas e a incomodar as pessoas. Um chefe da polícia tem que actuar, que fazer? Tem de adequar os meios ao fim.

8: Principio da segurança jurídica e de protecção da confiança dos cidadãos:

8.1- Em relação aos actos normativos: Principio da previsão ou determinabilidade das normas jurídicas :

Significa que as normas jurídicas devem ser claras e densas Devem ser claras, inteligíveis para todos os que são juristas ou leigos Devem se densar, porque têm que ter um regime jurídico suficientemente completo para serem aplicadas a situações reais. Exemplo: uma lei da AR que diz que os alunos carecidos tem direito a bolsa, esta lei não é uma lei densa, terá que dizer que aluno com IRS inferior a X tem direito a uma bolsa de Y , Ai a não atribuição de bolsa.

Principio da proibição de pré-efeitos de actos

normativos:

Significa que: as normas jurídicas não podem produzir efeitos enquanto não entrarem em vigor nas normas constitucionais previstas. A lei não pode ser aplicada a casos concretos enquanto não estiver em vigor. Artigo 119 nº1 CRP. Vaccatio legis: período de tempo em que os efeitos da lei estão suspensos. Em Portugal existe devido ao facto de haver as ilhas autónomas.

rectroactivas (rectroactividade autentica) Normas retrospectivas (rectroactividade inautentica ) Normas prospectivas

Principio da proibição da retroactividade: normas

Leis retroactivas: leis que abrangem com a sua regulamentação jurídica, situações que ocorrem no passado, abrange situações passadas e projecta efeitos para o passado. Leis retrospectivas: leis que pretendem abranger com a sua disciplina jurídica, situações futuras e ainda situações presentes, ainda que se tenham iniciado no passado, projectam os seus efeitos sempre para o futuro. Leis prospectivas: regulam apenas situações futuras, projecta efeitos jurídicos apenas para o futuro…. (ver melhor uma definição completa).

8.2: Em relação aos actos da administração: força do caso decidido dos

actos administrativos. 1- Autovinculaçao da administração com os seus actos. 2- Tendencial irrevogalidadade dos actos administrativos (tendencial (congelamento dos actos).

8- Principio da protecção jurídica e das garantias processuais: garantias processuais (do processo judicial)

1- Garantia do processo equitativo (artigo 20 nº4) (o juiz tem de tratar de igual modo a vitima e o arguido, o juiz não pode conceber ideias prévias. 2- Principio da audição (artigo 28 nº1 da CRP) 3- Principio da igualdade processual (artigo 13º e 20º , nº2 CRP) 4- Principio do juizo legal (artigo 32º nº9 da CRP) significa que o juízo que julga a causa estava naquela comarca para julgar. É a lei que distribui os juízes. 5- Principio da fundamentação dos actos judiciais ( artigo 205 nº 1 da CRP)Porque é importante este fundamento? Importante por causa dos recursos, para recorrermos precisamos de saber o porque da sentença.

Garantias procedimentais : do procedimento administrativo:

1-

Principio da participação do interesse nos procedimentos em que está interessado (267 nº5)

2-

Principio da imparcialidade da administração (266 CRP)

3-

Principio da audição jurídica (269 nº1 CRP)

4-

Principio da informação ( 268 nº1 CRP)

5-

Principio da fundamentação dos actos administrativos lesivos de posições jurídicas subjectivas (268/3)

O Estado que pretende ser um Estado de Direito, tem de assegurar uma protecção jurídica ordinária sem

lacunas, ou seja, não podemos conceber o Estado de Direito sem que os cidadãos tenham garantido o apoio jurídico que necessitam e o acesso aos tribunais quando precisão.

Principio da garantia da via judiciária: Artigo 20, 268 nº4: todos os cidadãos têm o direito de acesso aos tribunais. Utilidade, conexão com os direitos fundamentais. Reforça a efectividade de direitos fundamentais. Garantia de um processo judicial: a ningem pode ser negada a justiça alegando que nenhum tribunal é

competente para julgar o seu caso. A repartição da competência jurisdicional entre os vários tribunais, não pode deixar nenhum espaço em branco, em ultima instancia, a jurisdição ordinária vai ter a incumbência

de julgar o caso.

As garantias processuais e procedimentais: A justiça não pode ser negada a ninguém por insuficiência de meios económicos (artigo 20º nº1 da CRP).

2-Principio democrático: (Art.2 CRP):

DEMO / KRATIA

Povo

poder

João Armindo Ferreira Rebelo

15

20º nº1 da CRP). 2-Principio democrático: (Art.2 CRP): DEMO / KRATIA Povo poder João Armindo Ferreira

Democracia: é o governo do povo, o poder do povo.

Lincon (1809 – 1865): “A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo”

Artigo 2 Estado de direito democrático Artigo 10- Sufrágio universal e partidos políticos Artigo 48 Participação na vida publica Artigo 49- Direito de sufrágio Artigo 50- Direito de acesso a cargos políticos Artigo 51- Associação e partidos políticos Artigo 115- Referendo.

Tipos ou Modos .de democracia

Artigo 115- Referendo. Tipos ou Modos .de democracia 1) Democracia directa 2) Democracia representativa 3)

1) Democracia directa

2) Democracia representativa

3) Democracia semi-directa

Democracia directa (1): É uma democracia identitária (significa que não há distinção entre os governantes. Na mesma pessoa se identifica o governante e o governado) Existe aqui um auto governo do povo. A ideia de auto governo do povo é um modelo utópico. Mas, já houve tentativas de estabelecer este tipo de modelo. Exemplo: As cidades onde já existiu este governo, tal como a cidade- estado de Atenas, Esparta, entre outras. EKKLÉSIA: Assembleia onde participa todo o povo ateniense, todavia, quando dizemos que participava todo o povo, havia partes que eram excluídos tal como os escravos, as mulheres e os estrangeiros.

NOTA) Nem todas as funções passavam pela Ekklesia , passavam pelos magistrados que eram representantes políticos , eram estrategas e os arcadaw exerciam o poder executivo e os estrategas os que coordenavam os assuntos militares.

Lincoln: “todos podem governar durante um curto período de tempo, alguns podem governar par a sempre , o que não pode acontecer é todos governarem para sempre” Define assim a democracia directa (lincoln)

Democracia representativa (2): é o tipo de democracia mais comum, é um tipo de democracia em que o poder é exercido por representantes, estes são eleitos pelo povo. A função do povo é uma função eleitoral, porque só elege os representantes. Este é um modelo onde se distinguem os representantes e os governados.

Democracia semi-directa (3):é um modelo misto. A base é representativa, onde existe a distinção entre representantes e representados. Existem figuras representativas típicas:

- Chefe de Estado ( PR ou Monarca)

- Governo

- Parlamento

Para alem disto, estão previstos mecanismos (instrumentos) de participação directa. Exemplos desses mecanismos:

a) Referendo;

b) Iniciativa popular;

c) Recall revogação (destituição antecipada) que raio de merda é esta?

É uma destituição antecipada, não existe em Portugal mas existe na Suiça, na Califórnia… é tirar

a pessoa que esta no poder, é um acto eleitoral em que a pessoa que esta a ser destituída pode

concorrer e outros também.

Nota: para um Pais ter estes tipos de democracia tem que exercer os direitos dessa democracia. Portugal é uma democracia representativa, mesmo tendo o referendo.

1-Direito de sufrágio:

2- Partidos políticos 3- Sistemas eleitorais 4- Referendo

1-

Sufrágio:

a.

Passivo: direito a ser eleito

b.

Activo: direito ao voto

O

voto, é um elemento importante, pois já que o povo não pode governar, pelo menos

pode escolher os seus representantes.

O povo é soberano artigo 3 CRP

Direito ao voto:

Não basta consagrar o direito ao voto, é preciso de ter determinadas características artigo 10 9 e 49 nº2 10 .

Características do sufrágio:

- Princípio da universabilidade (artigo 10/1 CRP) (todas as pessoas), o principio aqui subjacente é o princípio da igualdade, mas tem algumas restrições 49/1. Restricçoes:

menos de 18 anos, incapacidades previstas na lei geral. O conceito de voto universal é:

- Voto restrito pode ser: Sanatório: só aqueles que pagavam o senso é que podiam

votar.

- Capacitário: para podermos votar tinha que fazer um teste (literário) a intenção era afastar a gente negra que não sabia escrever…

Universalidade:

Sentido dinâmico do sufrágio: alguns homens todos os homens mulheres jovens estrangeiros.

- Liberdade: artigo 49/2 : liberdade de votar, não votar Em Portugal é um dever cívico, por isso, não é obrigatório, por isso não há sanções.

9 Artigo 10.º

(Sufrágio universal e partidos políticos)

1. O povo exerce o poder político através do sufrágio universal, igual, directo, secreto e periódico, do referendo e das demais formas previstas na Constituição.

10 49/2. O exercício do direito de sufrágio é pessoal e constitui um dever cívico.

No Brasil, por exemplo: o voto é obrigatório e são sancionados aqueles que não votam. Isto evita altas taxas de abstenção.

Igualdade: artigo 10/1: igualdade quanto ao ―peso‖ numérico (todos os votos tem o mesmo ―peso‖.

Igualdade quanto ao valor do resultado (todos os votos devem contribuir da mesma forma para a obtenção do resultado eleitoral

(afasta-se o voto plural : atribuir mais do que um boletim de voto a um certo tipo de pessoas, exemplo: os estudantes de Oxford tinham direito a mais do que um boletim…

Os sistemas eleitorais minoritários são um sistema desfavorecido (first past the post) funciona: em cada círculo, ganha o partido que tiver maior número de votos, ganha as eleições quem tiver ganho mais círculos eleitorais.

Exemplos: podem ganhar mais círculos com menos votos, com diferenças mínimas. Os conservadores c) tiveram 278 votos no total e ganharam as eleições porque conquistaram mais círculos, os trabalhistas tiveram 322 votos e perderam porque conquistaram menos círculos

cirA

cirB

c-51

c-40

t-49

t-60

cirC

cirD

c-54

c-52

t-46

t-48

cirE

cirF

c-51

c-30

t-49

t-70

Clausulas barreira: é um obstáculo à conversão de votos em mandatos, configurando uma exigência de um número mínimo de votos a nível nacional, exemplo Espanha. Quando os partidos não conseguem ultrapassar a clausula barreira, por exemplo 5% não ficam com nenhum mandato, os votos não são validos, não servem para nada, visto que não conseguiram ultrapassar a clausula barreira. Em Portugal se existisse clausula barreira, os partidos pequenos não conseguiam eleger nenhum mandato. Em Portugal a cláusula barreira é proibida artigo 152/1 11 Vantagens das clausulas barreira:

- Poder afastar partidos que são anti-sistema, que só querem gerar a confusão no parlamento. Ex. Espanha tem 12 partidos logo nenhum tem maioria absoluta, então estabelece-se uma cláusula barreira para se tirar alguns partidos menores………

11 Artigo 152.º

(Representação política)

152/1. A lei não pode estabelecer limites à conversão dos votos em mandatos por exigência de uma percentagem de votos nacional mínima

VOTO (cont):

Carácter secreto:

Artigo 10/nº1 Voto pessoal: é uma manifestação de vontade pessoal, única e exclusivamente, sem influência de terceiros e não pode ser conhecido por terceiros.

Pessoalidade: exige a presença da pessoa no voto.

- Proibição da sinalidade do voto: não se pode fazer numa sinalização indirecta e não se pode fazer uma urna para cada partido (isso punha em causa o voto directo)

Pode ser sem estar presente (excepções):

- Voto por correspondência (presunção de pessoalidade)

- Voto

conhecimento da preferência do voto.

de

procuração:

aqui

a

pessoa

a

quem

for

atribuída

a

procuração

tem

- Não podem intervir entidades alheias no resultado eleitoral, ele tem que decorrer imediatamente da vontade dos eleitores.

- No voto indirecto os eleitores não elegem directamente os candidatos, antes limitam-

se a eleger os chamados grandes eleitores/delegados eleitorais, estes formam um colégio

eleitoral e são eles que vão eleger os candidatos. Na eleição indirecta existem duas

etapas. Este sufrágio é usado nos EUA para se eleger o presidente.

Periódico (artigo 10/1) - Sufrágio periódico: de x em x anos tem de haver eleições para se renovar a legitimidade dos representantes. Renovação periódica dos titulares dos cargos políticos: ou estas pessoas só podem concorrer um x de vezes a um determinado tipo de cargo, em Portugal isto só acontece com o cargo de PR que são dois mandatos consecutivos.

PARTIDOS POLITICOS:

Os partidos políticos surgiram no século XIX na primeira metade, nos EUA e na segunda metade na Europa.

O primeiro partido de massas foi o partido trabalhista Inglês em 1899.

Os partidos surgiram na Constituição na sequência da segunda guerra mundial no século

XX, as primeiras Constituições a receber foi a Italiana de 1947 e a Alemã em 1949. A partir do momento em que os partidos estão plasmados na Constituição, o partido passa a estar Constitucionalizado em sentido formal.

Artigo 10/2

Artigo 52

Partidos Políticos, conceito em sentido moderno: São associações que agrupam um conjunto maior ou menor de pessoas, pessoas essas que se juntam para partilharem uma visão comum do que será uma organização social e politica desejável e que com o intuito de a tornar possível, tentam através da participação em eleições competitivas conquistar e exercitar esse poder.

Elementos típicos:

a) Existência de um projecto politico dirigido a todos os seus membros.

b) Vontade clara de conquistar e exercer o poder politico (nas democracias essa vontade de conquistar o poder passa pela participação em eleições competitivas em

que há mais do que um competidor.

c)

Existência de uma estrutura organizatória minimalmente consistente e permanente estabilizada (continuidade).

d) Preocupação em mobilizar o eleitorado no sentido de o convencer a apoiar o respectivo projecto político.

Funções dos partidos políticos:

a)Função de mediação politica b)Função de enquadramento politico-partidario

Texto: Durante muito tempo o sufrágio foi restrito (nobres / burgueses) isto faria que

os interesses fossem homogéneos, porque as mesmas pessoas votavam e eram eleitas.

Depois a certa altura dá-se a universalização do sufrágio e chegam as normas na politica e passa a haver uma grande heterogeneidade de interesses, deixa de existir os interesses homogéneos, passa a haver uma grande confusão de interesses que levam à obrigatoriedade de existência de cortes intermediarias, que são os partidos políticos, tentam organizar a capacidade dos interesses, expectativas. Cada partido vai identificar os interesses, ideias, necessidades. Depois cada um deles vai privilegiar alguns desses interesses, ideias, necessidades.

Depois apresenta soluções para esse problema e forma-se o projecto político. Depois para cada acto eleitoral, cada partido apresenta o seu programa e os seus candidatos, tentando captar o maior numero de eleitores para vencerem.

Nota: os partidos são importantes devido à heterogeneidade de interesses, para ordenarem essa confusão, para poderem ser os intermediários….

Hans Kelsen diz que os partidos possibilitam o pluralismo. Hoje chama-se ao Estado, Estado de Partidos.

Imp: Para o Doutor Gomes Canotilho, os partidos políticos são associações privadas com funções constitucionais.

A Constituição atribui-lhes funções: a função mais importante era a apresentação de

candidaturas que só era admitida a partir de partidos. Hoje já se admite candidaturas independentes.

Partidos políticos na CRP: A criação de um partido e de sua actuação não poder ser totalmente livres, no entanto, pode-se falar numa liberdade interna e externa.

Liberdade externa dos partidos:

a) Liberdade de criação de partido politico artigo 51 (art 91 é uma especificação do

nº46), esta liberdade configura direitos subjectivos e , como tal, tem duas dimensões:

a. Dimensão positiva: artigo 46/3 CRP nenhum cidadão pode ser obrigado a integrar um partido ou participar nele.

b. Dimensão negativa: configura-se como uma liberdade em face do Estado, significa que o Estado não poderá fazer depender da criação de um partido de uma autorização ou de uma licença prévia. (a dimensão negativa é dirigida ao estado)

Partidos:

Tem que existir um X de associados. Tem que ser registados.

Artigo 51/4: Não podem existir partidos regionais, pois, podem por em causa a unidade

do Estado, e este é um valor do Estado que está consagrado no artigo 6 da CRP.

Artigo 46/4 : Não pode haver partidos que perfilhem a ideologia fascista e não se

permite associações armadas ou de tipo militar.

Os partidos não podem:

Promover a violência.

Os fins não podem ser contrários a lei penal.

Liberdade Interna dos Partidos:

a) Liberdade ideológico partidária (artigo 46 CRP) Não são previstos na nossa CRP

quaisquer mecanismos de controlar o partido, a única excepção é quando se proíbe a existência de partidos fascistas (46/4) de resto o seu programa não é controlado.

b) Liberdade de organização dos partidos (artigo 51 nº3 CRP)

a. Elaboração de estatutos próprios.

b. Escolha de um modelo organizativo.

c. Adopção de um modelo de gestão e funcionamento.

Na Alemanha desde a década de 90 o Estado, cria estatutos tipo e os partidos terão que se adaptar ao estatuto típico, logo tem menor liberdade que os partidos portugueses.

A revisão de 97: veio condicionar a liberdade de organização dos partidos, foi alterado o artigo 51, isto é, foi acrescentado o numero 5 que condicionava, porque tem que conservar os princípios de transparência, de organização e de gestão democráticas e de participação de todos

os seus membros.

Exemplo:

a) Os órgãos devem ser eleitos pelos seus membros.

b) O voto deve ser secreto na escolha das pessoas

c) Todos podem votar e ser eleitos para esses órgãos

d) Eleição primária

Nota: O Estado não gosta de intervir nos assuntos internos dos partidos.

O Estado pode influenciar os partidos de outra forma, através de atribuições de financiamento,

dando mais dinheiro, aqueles que fizerem eleições primárias, é uma forma mais ―simpática‖ de

intervir.

Artigo 233 nº1,h) Prevê o condicionamento através do TC. É uma forma de controlo político, já foi aplicado no partido Comunista.

PRINCIPIO DEMOCRÁTICO E SISTEMA ELEITORAL:

Sistema eleitoral: é um conjunto de regras que regulam o processo através do qual se vai operar a conversão de valor expressos pelos eleitores, numa determinada consulta eleitoral, em lugares políticos (mandatos parlamentares)

Tipos de círculos eleitorais:

CÍRCULOS eleitorais

Tipos de círculos eleitorais: CÍRCULOS eleitorais Uninaminais Plurinominais Uninamiais: são círculos

Uninaminais

Plurinominais

Uninamiais: são círculos eleitorais de reduzida dimensão tendencialmente iguais entre eles, nos quais estão em disputa um cargo político, um único mandato. Plurinomiais: são círculos maiores do ponto de vista territorial, em que estão em disputa vários lugares políticos, mais do que um mandato.

Portugal está dividido em círculos plurinomiais que coincidem com os Distritos.

Nota: Em relação aos círculos plurinomiais devem ter pelo menos 4 a 5 mandatos. Porque são utilizados nos sistemas proporcionais, pois se não fosse assim os dois maiores partidos ganhariam sempre e quando há mais os partidos pequenos também tem

hipóteses. Quando há cinco mandatos, os partidos promovem cinco candidatos para conseguir obter os cinco mandatos ou tentar obter o máximo de mandatos possível.

Tipos de sistemas eleitorais:

Sistemas eleitorais:

Tipos de sistemas eleitorais: Sistemas eleitorais: Maioritário Proporcionais (representação proporcional)

Maioritário

Proporcionais (representação proporcional)

Compostos / mistos

1) Sistemas eleitorais maioritários: são os mais antigos e são utilizados desde o século

XIII.

Características genéricas:

a) Funcionam tanto em circulo uninomiais como em círculos plurinomiais (hoje em dia )

b) A distribuição dos lugares faz-se de acordo com a regra de maioria de votos (quem tem mais votos ganha)

c) Lógica própria destes sistemas, the winner takes all.

c) Lógica própria destes sistemas, the winner takes all. Maioritá rio pura simples 1 e Tipos
c) Lógica própria destes sistemas, the winner takes all. Maioritá rio pura simples 1 e Tipos

Maioritá

rio

pura

simples

1

e

Tipos de sistemas maioritários:

Sistema eleitoral maioritário

de sistemas maioritários: Sistema eleitoral maioritário De maioria relativa maioria e duas voltas De maioria

De maioria relativa

maioria

e duas

voltas

De maioria absoluta

Maioritário pura e simples (1): First past the post: Sistema maioritário puro e simples: é o sistema que se utiliza nos EUA e no Reino Unido e nos países de influencia anglo saxónica. Em regra o Pais está dividido em unimiais com um único mandato em disputa. Cada eleitor dispõe de um voto, igualdade de voto, em cada circulo uninomial ganha o candidato que tiver obtido mais votos , mesmo que não tenha maioria absoluta dos votos. Ganha as eleições o partido que tiver obtido o maior numero de círculos. Este tipo de sistemas favorece a sobrerepresentaçao do partido que ganha. (eles tem um numero de mandatos superior ao nº de votos) Este é um tipo de sistema muito distorcido. Este sistema leva ao aniquilamento dos outros partidos existentes no Pais. Para alem dos conservadores e dos trabalhistas existem também os liberais democráticos na Inglaterra.

De maioria absoluta (2): é utilizado em Portugal para a eleição do PR.

Referendo nacional (artigo 115 CRP)

- Tipo político que incide sobre questões politicas

- Artigo 115 nº3 diz que só podem ser objecto de referendo questões relevantes e o numero 4 do mesmo artigo retira as questões mais relevantes, porque não permite referendo sobre as questões visadas no numero 4 do 115º. Objecto: questões de relevantes interesse nacional (artigo 115º nº3) Introduzida em 1989

Quem tem a iniciativa do referendo nacional:

a) AR (115/1) matérias da sua competência

b) Governo 115/1

c) Cidadãos 115/2 (os referendos de iniciativa popular tem que ter um numero de x assinaturas e é obrigatório o referendo, na Suiça, França e Itália. Mas em Portugal propõe a AR e esta é que decide se realiza ou não, logo isto não é bem o referendo de iniciativa popular)

Nota: O PR não pode propor referendos.

LIMITES DO REFERENDO:

a) Uma só matéria: principio da unicidade da matéria (artigo 115/6

Qual a razão deste principio?

- Cada referendo deve ter só uma matéria, para evitar que os eleitores se confundam.

- Evitar o excesso de informação nas pessoas

- Evitar o arrastamento das respostas

Matérias: 115/4 (matérias excluídas)

Artigo 115.º

(Referendo)

1. Os cidadãos eleitores recenseados no território nacional podem ser chamados a pronunciar-se

directamente, a título vinculativo, através de referendo, por decisão do Presidente da República, mediante proposta da Assembleia da República ou do Governo, em matérias das respectivas

competências, nos casos e nos termos previstos na Constituição e na lei.

2. O referendo pode ainda resultar da iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República, que

será apresentada e apreciada nos termos e nos prazos fixados por lei.

3. O referendo só pode ter por objecto questões de relevante interesse nacional que devam ser

decididas pela Assembleia da República ou pelo Governo através da aprovação de convenção internacional ou de acto legislativo.

4. São excluídas do âmbito do referendo:

a) As alterações à Constituição;

b) As questões e os actos de conteúdo orçamental, tributário ou financeiro;

c) As matérias previstas no artigo 161.º da Constituição, sem prejuízo do disposto no

número seguinte; d) As matérias previstas no artigo 164.º da Constituição, com excepção do disposto na alínea i).

Não pode haver alterações à CRP, art115/4. Se houver um referendo a perguntar se queremos a monarquia a fazer com que se altere a CRP especialmente o 1 e 2 que diz que Portugal é uma república soberana.

Nota: a maior parte dos Países (Itália, França Suiça) admitem referendos constitucionais, há quem diga que este é o verdadeiro referendo, pois por ai é que se encontram questões fundamentais Há quem diga que o referendo Constitucional é um referendo

- Não pode haver referendos sobre questões e actos de conteúdo orçamental, tributário ou financeiro. Exemplo: um referendo sobre os impostos não era permissivo……….

- As matérias no 161 CRP sem prejuízo do disposto no nº seguinte.

- As matérias previstas no art. 164 CRP.

Artigo 115.º

(Referendo)

1. Os cidadãos eleitores recenseados no território nacional podem ser chamados a pronunciar-se directamente, a título vinculativo,

através de referendo, por decisão do Presidente da República, mediante proposta da Assembleia da República ou do Governo, em

matérias das respectivas competências, nos casos e nos termos previstos na Constituição e na lei.

2. O referendo pode ainda resultar da iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República, que será apresentada e apreciada

nos termos e nos prazos fixados por lei.

3. O referendo só pode ter por objecto questões de relevante interesse nacional que devam ser decididas pela Assembleia da

República ou pelo Governo através da aprovação de convenção internacional ou de acto legislativo.

4. São excluídas do âmbito do referendo:

a) As alterações à Constituição;

b) As questões e os actos de conteúdo orçamental, tributário ou financeiro;

c) As matérias previstas no artigo 161.º da Constituição, sem prejuízo do disposto no número seguinte;

d) As matérias previstas no artigo 164.º da Constituição, com excepção do disposto na alínea i).

5. O disposto no número anterior não prejudica a submissão a referendo das questões de relevante interesse nacional que devam ser

objecto de convenção internacional, nos termos da alínea i) do artigo 161.º da Constituição, excepto quando relativas à paz e à rectificação de fronteiras.

6. Cada referendo recairá sobre uma só matéria, devendo as questões ser formuladas com objectividade, clareza e precisão e para

respostas de sim ou não, num número máximo de perguntas a fixar por lei, a qual determinará igualmente as demais condições de

formulação e efectivação de referendos.

7. São excluídas a convocação e a efectivação de referendos entre a data da convocação e a da realização de eleições gerais para os

órgãos de soberania, de governo próprio das regiões autónomas e do poder local, bem como de Deputados ao Parlamento Europeu.

8. O Presidente da República submete a fiscalização preventiva obrigatória da constitucionalidade e da legalidade as propostas de

referendo que lhe tenham sido remetidas pela Assembleia da República ou pelo Governo.

9. São aplicáveis ao referendo, com as necessárias adaptações, as normas constantes dos n. os 1, 2, 3, 4 e 7 do artigo 113.º.

10. As propostas de referendo recusadas pelo Presidente da República ou objecto de resposta negativa do eleitorado não podem ser

renovadas na mesma sessão legislativa, salvo nova eleição da Assembleia da República, ou até à demissão do Governo.

11. O referendo só tem efeito vinculativo quando o número de votantes for superior a metade dos eleitores inscritos no recenseamento.

12. Nos referendos são chamados a participar cidadãos residentes no estrangeiro, regularmente recenseados ao abrigo do disposto no

n.º 2 do artigo 121.º, quando recaiam sobre matéria que lhes diga também especificamente respeito.

Limites formais artigo 115/6

Tem a ver com a sua forma:

a) Objectividade, clareza e precisão das perguntas (foi na base neste objectivo que o TC chumbou dois exames do tratado de Amesterdão de 1998 e da EU em 2004.

b) Só pode ter no máximo três perguntas.

c) As respostas têm de ser formuladas de forma sim/não.

Limites temporais artigo 115/7;

a) Não se podem realizar eleições entre a data da convocação do referendo e a data de realização (período que vai entre dois a três anos). Porque? Para não confundir os cidadãos, para não serem influenciados pelo partido, para os cidadãos pensarem por si.

Na maior parte dos países este limite não existe, é uma opção do legislador. A professora Doutora Benedita acha que não devia haver este limite, que as pessoas sabem distinguir a cor do seu partido e a sua consciência. Há uns tempos procuram-se juntar um referendo às eleições do PR e a justificação que foi dada é que a CRP proíbe que seja no mesmo dia… segundo a prof . era permitido

b) Não há nada que a CRP proíba quanto a se realizarem vários referendos no mesmo dia, só diz que o referendo só pode ter uma matéria, logo só deve haver um para não confundir os cidadãos (embora a CRP nada diga literalmente 115/6)

c) Quem pode invocar? Artigo 115/1

Convocação do referendo: 115/1: PR o problema da fiscalização preventiva obrigatória (115/8). O PR antes de decidir envia a convocação para o TC para verificar se se cumpriu todos os requisitos, e o que acontece se o TC disser que é Inconstitucional? O PR nada pode fazer, não pode convoca-lo, é o único caso de fiscalização preventiva é obrigatório e é o único caso que o TC se pronuncia sob um acto politico.

Universo Eleitoral:

Possibilidade de participação no referendo cidadãos portugueses residentes no estrangeiro e devidamente recenseados ―quando matéria que lhes diga também respeito‖ 115/12

Nota: o referendo é muito ambíguo, pois é muito fácil enganar as pessoas através dele, é muito fácil manipular as pessoas, é democrático e antidemocrático…

(notas do principio democrático a saber: Características do sufrágio, partidos, sistema eleitoral,

referendo)

3)Principio da Socialidade:

Artigo 2.º

(Estado de direito democrático)

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

Temos consagrados aqui três princípios:

a) Republicano

b) Estado de Direito

c) Democrático

Em parte nenhuma se diz que Portugal é um Estado de Socialidade, mas pode-se retirar de forma implícita no artigo 2 ―visando a realização da democracia económica, social e cultural‖

A democracia também deve ser a nível social, económico e cultural, logo os princípios / ideias de Estado Democrático também o dever-se aqui.

Liberdade / Igualdade

- Tarefas que um Estado que adopta o principio da socialidade:

a) Assegurar a igualdade de oportunidades para todos exemplo: fazer com que o Ensino Superior

seja tendencialmente gratuito b) Operar as necessárias correcções de desigualdades na distribuição da riqueza

(medicamentos) (designadamente através de uma politica fiscal justa quem tem mais paga mais )

c) Eliminar as diferenças económicas entre a cidade e o campo, entre litoral e interior, etc…

(politicas, portagens, como hoje acontece…)

Segundo o Doutor Gomes Canotilho: tendo o princípio da sociebilidade como o princípio democrático e do Estado de Direito, têm a mesma dignidade.

Especificidade do principio da socialidade por comparação com os princípios de Estado de Direito e Democracia:

a)Possui uma dimensão teleológica (é um principio cuja concretização cabe ao Estado. O Estado está obrigado a realizar uma democracia económica, social e cultural, compete ao Estado incorporar o sentido de igualdade) b)Possui uma dimensão impositivo-constitucional (há uma série de normas na CRP que o Estado tem que cumprir) artigo 9 aline. a) d) e) f) e 81 a)

Artigo 9.º

(Tarefas fundamentais do Estado)

São tarefas fundamentais do Estado:

a) Garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e

culturais que a promovam;

b) Garantir os direitos e liberdades fundamentais e o respeito pelos princípios do Estado de

direito democrático;

c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos

cidadãos na resolução dos problemas nacionais;

d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses,

bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a

transformação e modernização das estruturas económicas e sociais;

e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o

ambiente, preservar os recursos naturais e assegurar um correcto ordenamento do território;

f) Assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão

internacional da língua portuguesa;

g) Promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional, tendo em conta,

designadamente, o carácter ultraperiférico dos arquipélagos dos Açores e da Madeira;

h) Promover a igualdade entre homens e mulheres.

Artigo 81.º

(Incumbências prioritárias do Estado)

Incumbe prioritariamente ao Estado no âmbito económico e social:

a) Promover o aumento do bem-estar social e económico e da qualidade de vida das pessoas, em especial das mais desfavorecidas, no quadro de uma estratégia de desenvolvimento sustentável;

Principais Implicações Jurídico- Politicas que resultam da consagração Constitucional do Principio da Sociebilidade:

a) Impõe ao Estado aos órgãos de direcção politica (parlamento e governo) que desenvolvam uma actividade económica e social, que procure assegurar a igualdade e liberdade de todos os portugueses (constitui um mandato imperativo do Estado)

b) O Estado está obrigado a respeitar o Principio da proibição do retrocesso social, este princípio diz-nos que sempre que o Estado realize/concretize um DESC, ele já não pode tirar esse direito aos portugueses. Artigo 58, sempre que o Direito é concretizado o Estado já não pode voltar atrás (ferias pagas, agora já não se pode voltar atrás e dizer que não) Este principio é contestado por muitos, pois muitas pessoas não aceitam este principio porque o Estado por vezes encontra-se em recessão económica e é provável que o Estado depois retire o que deu… Dr Canotilho admite que o Estado por vezes tem que voltar atrás , não devemos achar este principio absoluto. O Estado pode voltar atrás mas deve permitir o ―serviço mínimo‖ não pode destruir completamente aquilo que já foi construído, isso seria inconstitucional.

c) Pode servir, em certos casos, como fundamento directo e autónomo de prestação jurídica a exigir perante a administração ou os tribunais exemplo:

a. Permite agir contra actuações legislativas dos Estados que ponham em causa direitos económicos e sociais já concretizados por esse mesmo Estado (dar seguimento ou não a estes casos vai depender dos tribunais)

b. Permite a invocação perante o TC da existência de uma situação de inconstitucionalidade por omissões sempre que se verifique uma actividade arbitrária do legislador (significa que: o Estado omite uma norma imperativa, o PR ou provedor de justiça podem levar caso ao TC)

c. Permite reagir contra situações restritivas do legislador no âmbito da legislação social que ponha em causa um nível mínimo da existência dos cidadãos. Exemplo:

quando se contrai uma divida e não se paga, o Estado pode ir ao ordenado retirar um X do mesmo, suponhamos que o Governo tira todo o ordenado, não poderia fazer isso, porque assim ficaria-se sem condições de subsistência.

d. Permite em situações excepcionais de necessidade social, fundamentar pretensões económicas e sociais dos cidadãos com base no princípio de defesa de condição mínima de existência meramente ao respeito da dignidade da pessoa humana.

e. Impõe-se também como principio organizatorio: quando se diz que o Estado é social, cultural, económico, impõe ao Estado que actue de uma determinada maneira, impondo a própria organização do Estado.

Todas as democracias ocidentais pretendem ser um Estado de Direito, um Estado de democracia, mas nem todos pretendem ser um Estado de Socialidade.

Mas aqueles Estados que acolhem este princípio não têm todos de o acolher da mesma maneira. A opção é acolhida em vários sentidos:

Nos Estados Socialistas e onde este principio é mais patente, o Estado de socialidade, depois e no Estado Social democrática já não é tão latente. Em Portugal depois da entrada em vigor da CRP, já se vêem outros tipos de socialidade

Em 79 era um

82 outro… 97 outro…

No texto originário da nossa CRP a opção pela socialidade era mais forte do que a actual:

NA CRP de 1976:

Consagrava-se:

a) Desenvolvimento da propriedade social racionalização das empresas privadas

b) Na CRP havia vários artigos onde se previa que os filhos ods trabalhadores tivessem privilégios na entrada nas Universidades

c) Protecção das mães trabalhadoras

Revisão de 1982 Houve uma neutralização ideológica da CRP, o Estado Português continua com preocupações sociais, o objecto de igualar as pessoas mantém-se mas, deixa de estar ligado a uma ideia socialista e passa a ser uma ideologia específica.

ESTADO REGULADOR:

- É um fenómeno recente.

Durante muito tempo associou-se o princípio da socialidade exclusivamente ao Estado, só o Estado tem preocupações sociais, só ele era obrigado a dar respostas às preocupações sociais. Hoje em dia , admite-se que o Estado possa liberalizar e privatizar esses serviços. Privativos: não tem que ser o Estado a garantir as estruturas económicas e sociais, pode passar para as mãos dos privados. O Estado não é obrigado a ser ele próprio a garantir essas despesas.

Porque é Estado ―regulador‖?

Por um lado desvia para as entidades privadas essas funções, mas não deixa de ser ele a regular a forma como as entidades privadas vão prestar esta sua actividade prestacional.

Estado regulador: o Estado desvia para as entidades privadas a realização de serviços públicos essenciais de interesse geral.

A actuação das entidades privadas:

- Vai-se basear em regras criadas pelo legislador estadual Parlamento e governo

- Vão existir entidades publicas, entidades administrativas independentes, a supervisiona-los.

Direitos fundamentais:

Conceito de constitucionalização e fundamentalizaçao:

Direitos fundamentais são aqueles direitos humanos, aos quais se reconhecem dignidade suficiente para serem praticados na Constituição. Há quem diga que sem constituição não existem direitos fundamentais Esta afirmação é correcta ou falsa?

Nos finais do século XVIII já havia imensos direitos humanos e os que tinham mais importância foram positivados na Constituição.

Constitucionalização e fundamentalizaçao relação entre os dois; Não existe uma coincidência total entre constitucionalizaçao e fundamentalizaçao , mas no entanto são coincidentes.

Há direitos humanos que necessitam de uma protecção especial, porque? São importantes, são valores… Dignidade do homem, fraternidade, igualdade, liberdade.

Como se protegem estes direitos?

- Consagrando-os na Constituição, (Constituição (normas superiores é mais importantes, como se sabe)

Doutor Gomes Canotilho, Vital Moreira, Jorge Miranda:

A maior parte da doutrina admite que há direitos que constituem da mesma forma que os direitos que nos

referimos e não estão consagrados na Constituição, gozam de uma fundamentação material, e não gozam de uma fundamentação formal , e não estão consagrados na Constituição.

Não existe coincidência total entre fundamentação e constitucionalizaçao .

Porque será que sendo tão importantes, alguns direitos, eles não gozam de fundamentação formal?

Existem dois motivos:

1) O legislador constituinte não é perfeito e podia-se ter esquecido (argumento tão parvo!)

2)

Porque há direitos que não são criados no mesmo tempo, há uma série de direitos hoje que não existiam quando a feitura da Constituição.

Evolução dos direitos humanos / direitos fundamentais:

- Direitos fundamentais de primeira geração: direitos de defesa.

De

quem contra quem?

Do

cidadão contra o Estado

São direitos negativos porque afastam o Estado e correspondem ao pensamento liberal burguês .

Os valores que mais pesavam eram os valores da liberdade e da propriedade (privada) Exemplo: a liberdade de expressão.

O Estado só devia garantir a segurança das pessoas, para alem disso deveria afastar-se.

- Direitos fundamentais de segunda geração: direitos políticos ou de participação politica.

O aparecimento

destes

representativo) Exemplo de direitos políticos:

direitos

fundamentais

(na

fase

da

democratização

do

a) Direito de sufrágio activo (votar) passivo (ser eleito)

b) Direito de criar partidos políticos

sistema

- Direitos fundamentais de terceira geração: direitos económicos, sociais e culturais. Pertence aos Estados de Previdência Social

a) Direito à cultura

b) Direito à saúde, entre outros.

(são positivos, são direitos a pretensões do Estado, impõe do seu lado interventivo.

- Direitos fundamentais de quarta geração: direitos dos povos e da ―sociedade de risco

Corresponde à fase actual, que ultrapassa as fronteiras, o Estado de globalização, já não está fechado em

si

mesmo.

Exemplos:

 
 

a)

Direitos de informação

b)

Direitos de protecção dos dados pessoais

c)

Direito a um sistema saudável

Há quem critique esta sistematização:

1)

Pode gerar enganos, há quem pense que cada geração tenha direitos diferentes

2)

Podear-se à dar a entender que uns são mais importantes que outros, e isto é falso.

Preferem dizer que os direitos fundamentais têm várias dimensões, uma dimensão mais negativa de protecção e outra mais positiva de ―obrigar‖ o Estado a intervir.

DIREITOS FUNDAMENTAIS NA CRP: Estão consagrados na sua primeira parte.

PRINCÍPIOS

I- DTOS E DEVERES FUNDAMENTAIS

II-ORG

III- ORG

IV

DISPOSIÇOES

FUNDAMENTAIS

ECONÓMICA

DO

GARANTIA

FINAIS

PODER

DE

 

POLITICO

REVISÃO

Catálogo de direitos fundamentais art. 24º - 79º. O nosso legislador de 1976 optou pela

Catálogo de direitos fundamentais art. 24º - 79º. O nosso legislador de 1976 optou pela técnica dos direitos fundamentais, mas existem outras técnicas , em 1933 num art. todos os direitos fundamentais, a França 1958 pôs no preambulo

EX.ARTº 103º

ARTº 122

Ex.ARTº

, em 1933 num art. todos os direitos fundamentais, a França 1958 pôs no preambulo EX.ARTº

Nº3

280

Direitos fundamentais fora da CRP e que estão nas regras de direito Internacional:

a) Consagração Europeia dos direitos do homem (CEDA) ex: direito a não ser preso por dividas, o

arguido tem direito a um interprete.

b) Declaração Universal dos Direitos do homem (DUDH) ex: direito a mudança de cidadania.

Como se identificam os direitos fora da CRP? Como saber se eles são fundamentais e não meros direitos do homem? A CRP não estabelece, logo quem vai ter de pensar sobre o assunto são os juristas, a doutrina (segundo o Doutor Gomes Canotilho)

Critério do JJ (aproximado):

- Devem ser considerados direitos só materialmente constitucionais, aqueles direitos humanos, equiparáveis pelo seu objecto e pela sua importância, sejam parecidos ou semelhantes com os consagrados na Constituição. Artigo.26º nº1 CRP.

Artigo 26.º

(Outros direitos pessoais)

1. A todos são reconhecidos os direitos à identidade pessoal, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom-nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.

Artigo 16º CRP: observações

a) A existência destes direitos tem a ver com o facto de o legislador se esquecer ou de surgirem depois da feitura da CRP

b) Direito que vão surgir depois da CRP: há direitos que surgiram depois da CRP, o facto de ser um direito novo não impede que ainda não conseguissem ―encaixa-los‖ na Constituição exemplo. Apesar de existir um direito novo não significa que não o podemos encaixar em um direito que esta na CRP.

c) Principio ou não identificação (em outras edições anteriores consagrava-se como principio da não tipicidade.

d) Principio da clausula aberta

e) Etc.

Artigo 16.º

(Âmbito e sentido dos direitos fundamentais)

1.

Os direitos fundamentais consagrados na Constituição não excluem quaisquer outros constantes

das leis e das regras aplicáveis de direito internacional.

2. Os preceitos constitucionais e legais relativos aos direitos fundamentais devem ser interpretados e

integrados de harmonia com a Declaração Universal dos Direitos do Homem

Direitos de natureza análoga (direitos análogos) aos Dlg´s.

Artigo 17.º

(Regime dos direitos, liberdades e garantias)

O regime dos direitos, liberdades e garantias aplica-se aos enunciados no título II e aos direitos fundamentais de natureza análoga.

Doutor Gomes Canotilho: diz-nos que não é uma categoria fácil, difícil definir os direitos análogos , não é fácil mas é possível.

Direitos semelhantes com os direitos, liberdades e garantias:

Onde se podem encontrar?

- DESC

- Dispersos ao longo da Constituição

Como se identificam?

Esta identificação não pode ser direito categoria, mas sim direito de direito (???)

O que quer dizer isto?

- O direito a ser eleito a PR (artigo 122) é análogo ao artigo 49 e ao 50.

Assim é feita a identificação do direito de direito.

DESC: direitos análogos aos DLG´S:

Artigo 61 e 62 análogo ao artigo 27, pois ambos falam de liberdade.

Artigo 17º se forem considerados um regime de direito beneficiam de um regime especifico de protecção.

DIREITOS ANALOGOS:

- Artigo 17º - prevê-se essa categoria de direitos. Não é fácil dar o conceito

- Estão na CRP ou na DESC ou na II ou IV parte.

A analogia tem que ser feita direito direito.

É impossível identificarmos porque beneficiam de um regime especifico mais exigente.

EXISTEM DOIS REGIMES:

GERAL: consagração de normas que se aplicam a todos os direitos fundamentais) exemplo: artigo 12,

13,20.

ESPECIFICO: aplica-se apenas aos direitos análogos e aos DLG´S Exemplo artigo 21, 18 (artigo chave do regime especifico)

Regime geral dos direitos fundamentais: conjunto de normas constitucionais que regulam aspectos como os direitos fundamentais, como por exemplo, o de que quem são os titulares dos direitos artigo 12,13,20 CRP.

Regime especifico dos direitos fundamentais: conjunto de normas constitucionais que regulam aspectos relacionados apenas com os dtos lgs ,, e com os direitos análogos a estes, (art.12)

Artigo 12 nº1 + art.15 Qual a questão que resulta daqui? A de quem goza dos direitos fundamentais? Os seus titulares, ou seja, todos os cidadãos.

Artigo 12.º

(Princípio da universalidade)

1. Todos os cidadãos gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres consignados na Constituição.

2. As pessoas colectivas gozam dos direitos e estão sujeitas aos deveres compatíveis com a sua

natureza.

ausência do país.

Artigo 15.º

(Estrangeiros, apátridas, cidadãos europeus)

1. Os estrangeiros e os apátridas que se encontrem ou residam em Portugal gozam dos direitos e

estão sujeitos aos deveres do cidadão português.

2. Exceptuam-se do disposto no número anterior os direitos políticos, o exercício das funções

públicas que não tenham carácter predominantemente técnico e os direitos e deveres reservados pela Constituição e pela lei exclusivamente aos cidadãos portugueses.

3. Aos cidadãos dos Estados de língua portuguesa com residência permanente em Portugal são

reconhecidos, nos termos da lei e em condições de reciprocidade, direitos não conferidos a estrangeiros, salvo o acesso aos cargos de Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Presidentes dos tribunais supremos e o serviço nas Forças Armadas e na carreira diplomática.

4. A lei pode atribuir a estrangeiros residentes no território nacional, em condições de reciprocidade,

capacidade eleitoral activa e passiva para a eleição dos titulares de órgãos de autarquias locais .

5. A lei pode ainda atribuir, em condições de reciprocidade, aos cidadãos dos Estados-membros da

União Europeia residentes em Portugal o direito de elegerem e serem eleitos Deputados ao Parlamento Europeu.

OBSERVAÇOES DO ARTIGO 12:

Há certos direitos da Constituição que só protegem certas categorias de pessoas:

Exemplo:

Art.65

Art.70

Art.71

Art.72

Há direitos que pressupõem uma certa idade:

- Direito de sufrágio. - Direito de contrair matrimónio e família.

Titulares dos direitos fundamentais:

Artigo 15º nº1 2 e 3 (artigo na pagina anterior, pag.31)

- Os estrangeiros tem os mesmos direitos que os cidadãos portugueses (principio da equiparação)

É uma equiparação tendencial artigo 15/2 excepções, políticos, funcionários públicos que não tenha

carácter meramente técnico e deveres reservados pela constituição.

Entretanto com as revisões é atribuída capacidade politica aos estrangeiros capacidade activa e passiva (direito de votar e ser eleito) Reciprocidade: em que os Portugueses também podem votar no pais desses estrangeiros. Só podem ser eleitos para as autarquias locais.

O nº5 também é uma excepção ao nº2, direito de sufrágio passivo/activo mas só para os estrangeiros da

EU, para eleições ao Parlamento Europeu, desde que haja reciprocidade.

Nº2 ―não tenha carácter meramente técnico‖ Os estrangeiros não podem exercer funções publicas que impliquem o exercício de poderes públicos, quer no interior da administração (não podem exercer funções de chefia) que em relações a terceiros (não podem praticar actos de autoridade a portugueses).

Nº3 direito de ser eleito a PR é um direito reservado exclusivamente a Portugueses e Portugueses de origem.

Artg. 12/2 Pessoas colectivas empresas Têm direitos compatíveis com a sua natureza (pessoal) jurídica. Exemplo: n podem ter: direito à vida, direito a contrair matrimónio. (que são direitos que têm referencia humana)

Exemplo de direitos que podem ter:

Direito de impresa Direito de autor Direito de expressão

―As pessoas colectivas‖ Existem privadas e publicas Há autores que dizem que pertencem só a pessoas colectivas privadas. Argumento utilizado???

1- Argumento da natureza dos direitos fundamentais

Para que foram criados os direitos fundamentais?

Para proteger as pessoas do estado

,

logo não podemos atribuir os mesmos direitos ao estado.

2- Identidade, ou confusão, ou seja, uma pessoa colectiva não pode ser simultaneamente titular e destinatária de direitos fundamentais

Doutor Canotilho é contra este argumento:

É um elemento literal/textual de interpretação o artigo 112/2 não especifica que tipo de pessoas colectivas, por isso, pode-se admitir (privadas e publicas) Dentro do próprio Estado há relações de hierarquia, logo a justifica que haja órgãos que se protejam com direitos fundamentais.

Direitos só formalmente Constitucionais: Há juristas que entendem que existem direitos na CRP que não são verdadeiros direitos. Doutor Vieira de Andrade diz que há direitos que estão na CRP de índole de não verdadeiros direitos. Exemplo: artigo 54/nº5 al.b) e d) .artigo 56/2 al.a)

Artigo 54.º

5. Constituem direitos das comissões de trabalhadores:

b)

Exercer o controlo de gestão nas empresas;

d)

Participar na elaboração da legislação do trabalho e dos planos económico-sociais que

contemplem o respectivo sector;

Artigo 56.º

(Direitos das associações sindicais e contratação colectiva)

1. Compete às associações sindicais defender e promover a defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores que representem.

2. Constituem direitos das associações sindicais:

a) Participar na elaboração da legislação do trabalho

O
O

Comentário: (antes os artigos referentes aos direitos fundamentais para o doutor vieira de Andrade não eram direitos, faltava o radical subjectivo, para ele eram meras competências, faltava a ideia de protecção da dignidade humana)

Doutor Gomes Canotilho não concorda, diz que todos os direitos constantes na Constituição

são formal e materialmente Constitucionais. Mesmo que à partida não se veja o radical, o dto

também protege a dignidade humana.

Principio da igualdade: artigo 13º da CRP:

- Igualdade perante a lei (13 nº1 CRP) Deve ser entendido em sentido amplo lei = direito a todo o direito. Em que consiste?

- na aplicação da lei, a lei tem que ser aplicada do mesmo modo a todas as pessoas sem olhar ao seu estatuto social, profissional, convicções politicas, etc.

A igualdade perante a lei é uma dimensão clássica, a história prova que é insuficiente (segundo o

Doutor Gomes Canotilho). Exemplo: Os judeus durante a Alemanha Nazi, a lei adequava-se de igual forma a todos os judeus, fossem pobres ou ricos, foi aplicada de forma igual, mas esta era uma lei injusta mesmo sendo aplicada a todos iguais.

Igualdade na criação da lei: visa especialmente o legislador, não basta um tratamento igual, mas devem ser tratadas como iguais (pessoas), esta dimensão tem inerente a velha máxima ―que

-

se

deve tratar o igual por igual e o desigual por desigual‖. Esta dimensão na igualdade de criação

da

lei, não proíbe em absoluto tratamentos diferenciados, ou seja, não proíbe em absoluto que as

pessoas sejam tratadas de uma forma diferente, não se admite a situação de flagrante e

intolerável desigualdade.

Principio da proibição do arbítrio:

a)Fundamentação séria e razoável; b)Tem que obedecer a um fim legítimo nos termos da nossa ordem jurídica; c)Tem que se basear numa distinção objectiva de ―situações‖ (exemplo: durante muito tempo só os homens podiam ir à tropa tratamento diferenciado com base no sexo, e no entanto, não é considerado um tratamento diferenciado) 1- As mulheres são mais fracas e fofinhas, logo não podiam lutar de igual forma como os homens. 2- Para assegurar a defesa nacional é um fim legítimo (é o caralho, que se foda a guerra) 3- As mulheres são mais frágeis…. (que exemplos de merda)

Proibição da discriminação: artigo 13º nº2 CRP: só serão consideradas discriminatórias se forem tidas em si mesmas, apoiadas numa concepção subjectiva. A lista que está no nº2 é exaustiva,,, (o artigo 13 nº2 proclama o principio da não tipicidade)

Igualdade de oportunidades: concretiza a dimensão social do princípio da igualdade. Esta dimensão impõe ao Estado a eliminação, actuação das desigualdades de natureza social e económica e cultural entre as pessoas. Este principio comporta uma obrigação de diferenciação na medida em que, para atingir esse objectivo é necessário tratar mais favoravelmente certas pessoas (discriminação positiva) Exemplo: Rendimento mínimo garantido.

Igualdade perante os encargos públicos:

Exemplo: custas judiciais Impostos Restrição ao direito de propriedade Devem ser repartidas de igual modo por todos, no caso de haver o sacrifício de algumas pessoas ou categorias de pessoas, então deverá justificar-se (por razoes de interesse publico), então deverá reconhecer-se uma indemnização ou compensação por aqueles que são sacrificados:

exemplo: A expropriação de terrenos.

2º SEMESTRE

Regime Especifico dos direitos fundamentais:

Resolve quatro questões fundamentais:

a) Aplicabilidade directa artigo 18º, nº1 CRP.

b) Vinculação das entidades públicas artigo 18, nº1 CRP

c) Vinculação das entidades privadas artigo 18, nº1 CRP

d) Limites dos limites artigo 18º nº2 e 3 CRP

a) Aplicabilidade directa: artigo 18º nº1 CRP: Os direitos liberdades e garantias (DLG´S) são directamente aplicáveis. São direitos que valem sem lei e valem contra a própria lei. A sua consagração na CRP é suficiente para serem aplicados no caso concreto. A aplicabilidade directa é opção da nossa CRP. No entanto, existe, uma doutrina Francesa, que por sua vez defende a aplicabilidade indirecta. Esta doutrina é conhecida pela ―teoria da regulamentação de liberdades‖. A doutrina da regulamentação de liberdades, é uma doutrina perigosa, coloca nas mãos do legislador a tarefa de concretizar os direitos fundamentais, pois o legislador pode ser ―inimigo‖ dos DLG´S. A aplicabilidade directa é uma característica só dos DLG´S , que só valerá também para os direitos análogos. Os DLG´S, são direitos de defesa contra o Estado (direitos negativos), e este tem que estar ―quieto‖ logo podem ser aplicados directamente. Por seu lado os DESC são direitos que exigem uma acção do Estado, estes requerem a intervenção do Estado. Há direitos que apesar da sua representação/consagração Constitucional não podem ser directamente aplicados (exemplo: artigo 41 nº6 objecção de consciência, artigo 52 petições). Os DLGS valem contra a lei se esta for inconstitucional, isto é, uma lei que lesa os direitos consagrados na CRP. Quer dizer que em vez de se aplicar a própria lei, aplica-se directamente a CRP.

Entidades Publicas e Privadas vinculadas pelos DLGS Artigo 18º Nº1 CRP Entidades Publicas e Privadas destinatários ou sujeitos dos DLGS Artigo 18º Nº1 CRP

Entidades públicas e privadas estão obrigadas a respeitar os DLGS.

b) Vinculação das entidades publicas pelos DLGS:

ESTADO destinatário dos DLGS

Relação vertical

DLGS: ESTADO – destinatário dos DLGS Relação vertical PARTICULARES – titulares dos DLGS b.1) Vinculação da

PARTICULARES titulares dos DLGS

b.1) Vinculação da Administração pública: A administração está duplamente vinculada: está vinculada à lei (principio da legalidade da administração) e está vinculada à CRP (principio da constitucionalidade). Os dois princípios têm o mesmo valor. Sempre que a administração ao cumprir a lei entende que a lei é inconstitucional, terá que continuar a cumpri-la, porque não é à administração que compete decidir se a lei é constitucional ou não, mas sim o Tribunal Constitucional. A administração tem que se dirigir ao seu superior hierárquico para tentar pedir que o seu superior retire a ordem de cumprimento da lei. No entanto, há um caso em que a aplicação da lei não é obrigatória pela Administração, caso esse, quando a aplicação dessa lei resultar de um crime. Segundo o Doutor Gomes Canotilho, é um crime quando forem postos em causa os núcleos essenciais dos DLGS ou quando for posta em causa o direito à vida ou integridade física / psicológica sejam atingidas de forma específica. b.2) Vinculação do legislador: Tem uma dimensão negativa ou proibitiva, significa que as normas constitucionais, que consagram DLGS, funcionam como normas negativas de competência, impõe limites

à actividade do legislador. Dimensão positiva da vinculação do legislador, pode ser entendida de duas

maneiras:

1- Significa que o legislador ao regular as relações da vida, seja relações individuo / Estado seja Individuo/individuo tem que ter em consideração os DLGS, procurando dar-lhes concretização. 2- Significa que o legislador tem que dar operatividade adequada aos DLGS, ou seja, a consagração Constitucional não é suficiente para a sua aplicação. Sentido extensivo do legislador (órgãos que tem poder legislativo), a AR faz lei Governo faz decreto- lei, assembleia legislativa das regiões autónomas faz decretos legislativos. Gomes Canotilho fala de um sentido extensivo do legislador, logo deve ter em conta todos os actos normativos ( regulamentos, estatuto de uma empresa publica )

Actos praticados por entidades privadas aos quais as leis reconhecem valor normativo publico, ex:

convenções colectivas de trabalhadores. Actos de eficácia externa praticados por órgãos legislativos que no entanto não se configuram actos legislativos.

b.3) Vinculação dos Tribunais: É aos tribunais que compete proteger os DLGS, mas eles também tem de os respeitar. Exemplo: num caso de violação, os juízes não podem permitir que o julgamento seja

filmado, fotografado… ia contra os DLGS, exemplo: direito à integridade. A organização dos tribunais e

o seu funcionamento devem respeitar os DLGS (artigo 32 CRP), no funcionamento, quando se está num

processo, nós temos o direito a ser ouvidos, na organização (artigo 9º), direito ao juízo natural, a causa

não pode ser julgada por outro juiz que não da região onde aconteceu o caso julgado. Vinculação do conteúdo dos actos jurisdicionais pelos DLGS

A constitucionalidade da jurisdição, os tribunais têm que respeitar simultaneamente a lei e a constituição,

o artigo 204º, dá-se prevalência à CRP, nisto os juízes na sua actuação são obrigados a respeitar a Constituição, não podendo aplicar leis que estejam contra ela.

c) Vinculação de entidades privadas pelos direitos, liberdades e garantias:

Titular dos DLGS

pelos direitos, liberdades e garantias: Titular dos DLGS Particular Destinatário do DLGS Particular Artigo 18º,

Particular

Destinatário do DLGS Particular
Destinatário do DLGS
Particular

Artigo 18º, nº1 CRP Aplicação dos direitos, liberdades e garantias às entidades privadas. Relação horizontal, exemplo: relação entre pai e filho.

Esta problemática é conhecida por outros nomes:

-Eficácia horizontal -Eficácia externa -Eficácia dos DLGS em relação a terceiros

Inicialmente os DLGS aplicavam-se apenas em relações verticais:

ESTADO PARTICULAR
ESTADO
PARTICULAR
PARTICULAR ESTADO
PARTICULAR
ESTADO

As relações particulares eram reguladas exclusivamente pelo direito privado. O direito ao regular as situações entre particulares também protege os cidadãos.

Principio da autonomia privada: inspira relações entre particulares onde existe uma liberdade pessoal. Doutrina Alemã: nos anos 50 do século XX, é que se coloca a questão, se não se devia trazer os DLGS para as relações entre particulares.

CRP de 76: consagra a vinculação directa das entidades privadas só que não estabelece os termos dessa vinculação. A maior parte da doutrina entende que se passa apenas de uma vinculação meramente parcial.

Só casuisticamente é que se deve aplicar só perante o caso concreto é que se vai decidir se se deve aplicar ou não. Doutor Gomes Canotilho fala nesse sentido em ―soluções diferenciadas‖ (para cada caso há uma solução diferente). Há DLGS que não se coloca o problema da vinculação de entidades privadas, porque a CRP já resolve esse problema. Há direitos que só podem ter como destinatário o Estado, por exemplo artigo 31º CRP habeas corpus tribunais, só os tribunais é que podem conceder o habeas corpus, artigo 52º direito de petição que só pode ter como destinatário os órgãos de soberania, direitos em relação a CRP admite que podem ter como destinatário as entidades privadas direitos entre conjugues pai e mãe em relação aos filhos 36º nº3, 38ºnº2 liberdade de criação jornalística, em relação aos proprietários dos meios de comunicação sociais. Antes de se decidir se se aplicam ou não os DLGS a relação entre particulares, temos que saber que tipo de relação:

- IGUALITÁRIA

- DESIGUALITÁRIA

Não se devem aplicar os DLGS nas relações igualitárias, estes devem se aplicar nas relações entre particulares, relações estas:

- Manifestamente desigualitárias

- Não sendo manifestamente desigualitarias, ainda assim uma das partes tem o poder de influência o livre desenvolvimento da outra parte.

A decisão de aplicar ou não os DLGS nas relações privadas não pode conduzir a uma dupla ética, no âmbito das relações sociais.

a uma dupla ética , no âmbito das relações sociais. Duas senhoras concorrem a um banco,

Duas senhoras concorrem a um banco, uma a um banco privado e outra a um banco público. No entanto os bancos exigem um teste de gravidez. Ambas não gostam da situação e dirigem-se ao tribunal. Neste caso o juiz tem que decidir da mesma forma sob pena de cair numa dupla ética….

Relações igualitárias: (não se aplicam os dlgs)

- Testamento: não se aplica os DLGS pai-filho

Pai testa a favor do filho e discrima os filhos, no entanto, estes tem que se resignar pois é uma situação igualitária. Relação Senhorio inquilinos: Um senhorio tem dois inquilinos, um é amigo o outro não. Ambos os inquilinos não pagam a renda. O inquilino que não é amigo é despejado e o que é amigo não o é. Como estamos perante uma relação igualitária não pode contestar.

d) Limites dos limites: Os DLGS podem ser restringidos ou limitados desde que seja para proteger outros direitos ou bens constitucionalmente protegidos bens do Estado (segurança interna, despesas ou bens da comunidade (saúde). Exemplo: uma lei proíbe pagar resgate, provocando a morte (direito à vida) de sequestrar, isto para proteger a segurança do Estado. Obrigar uma pessoa a apanhar uma vacina contra a meningite mesmo contra a sua vontade desta (direito à integridade física, artigo 26º e contra liberdade 27º) põe em causa para garantir a saúde da comunidade. Objecção de consciência que não se pode convocar quando o país estiver em guerra artigo 41 nº6 CRP proteger a defesa nacional. Só existe restrições aos direitos quando existir um âmbito de protecção (bem protegido e extensão dessa restrição) Doutor Gomes Canotilho: Cada direito pode ser exercido de varias maneiras mas a Constituição não protege todas essas pessoas de exercer só algumas:

Exemplo: direito à vida artigo 24ºCRP

1-

Não deve haver pena de morte

2-

Direito de embrião à implementação uterina

3-

Direito a um rendimento mínimo de garantia

4-

Direito de dispor da própria vida

Âmbito de protecção: Conteúdo Constitucional protegido:

- Tipos de restrições ou limites aos DLGS:

1- Constitucionais directos (são feitos pela própria constituição), exemplo: artigo 45ºnº1 há uma reserva restritiva. (desde que pacifica)

Artigo 46º nº1 (todos tem o direito de se associar) restrição, desde que não haja violência

2- Feitos pela lei ou legislador ordinário mas expressamente autorizados pela Constituição: artigo 34º nº2 34 nº4 há autorização para restringir 47º há autorização para restringir.

(em baixo o resto, vai repetir o nº1 e 2º)

Aula teórica 14/03/2006

o resto, vai repetir o nº1 e 2º) Aula teórica 14/03/2006 TIPOS DE RESTRIÇÃO OU LIMITES

TIPOS DE RESTRIÇÃO OU LIMITES AOS DLG´S:

1- Constitucional directas: feitas pela própria CRP: 45 nº1 CRP- liberdade de

reunião (restrição: se for pacifica e sem armas) 46 nº1 CRP- liberdade de associação (restrição : as associações não se destinam a proclamar a violência). 2- Restrições feitas por lei/ pelo legislador ordinário mas expressamente autorizadas pela Constituição: artigo 47CRP : todos têm o direito de escolher as profissões (restrição:”salvo as restrições legais impostas‖. Artigo 34 nº2 CRP: as autoridades não podem entrar em casa das pessoas(restrição: salvo nos casos em que a lei o permite). Artigo 32º nº4 CRP (salvo nos casos previstos na lei)

). Artigo 32º nº4 CRP ( salvo nos casos previstos na lei ) Estão sob reserva

Estão sob reserva de lei restritiva (direitos em relação aos quais a CRP admite que o legislador ordinário pode vir a restringir esses direitos)

Há outros direitos que não tem qualquer tipo de referência à Constituição para serem restringidos: artigo 45º Não é restringido e como tal, houve que se inventar o 3º tipo de restrição Chamadas restrições não expressamente autorizadas pela Constituição (limites imanentes)

3- Restrições não expressamente autorizadas pela Constituição: Não estão nem

autorizados sob a CRP nem plasmado na CRP. Foi criado pela doutrina para restringir o que a CRP não restringe.

pela doutrina para restringir o que a CRP não restringe. Traz problemas: a sua exigência levanta

Traz problemas: a sua exigência levanta

problemas:

1-

Ao nível da sua legitimidade Constitucional. Porque de facto, eles não estão justificados pela Constituição, são limites criados pela Doutrina. A CRP nem sequer fala deles, muito menos o legislador.

2-

Ao nível da modelação concreta do âmbito de protecção (conteúdo juridicamente garantido dos DLGS) ou seja, à partida não sabemos como é que vai ser o direito, só depois de ter ocorrido uma colisão com outros direitos. Em casos concretos é que sabemos como ele vai ser limitado. Só caso a caso é que vamos saber como o direito vai ser restringido, não o sabemos antecipadamente, logo isso é perigoso do ponto de vista do cidadão, pois não sabemos como esses direitos vão ser restringidos porque é casuístico.

Orientação valorativa:

a) Os DLGS em relação aos quais não está prevista nem uma restrição constitucional directa nem uma reserva de lei restritiva podem, também eles, vir a ser restringidos não são direitos

irrestritivos ou irrestringiveis.

b) Eles são sujeitos:

a. Aos limites básicos decorrentes de espécies que só podem restringir quando seja necessário proteger bens que já estão garantidos pela CRP, ordem jurídico- constitucional.

b. Os limites que decorrem de necessidades ou de tutelar o conteúdo jurídico não protegido dos direitos dos outros, significa que só pode restringir um DLG quando for para garantir DLG dos outros. Exemplo: resolveram não permitir a manifestação de um grupo de esquerda violento invocando a figura dos limites imanentes porque é necessário proteger outros bens como a segurança interna do Pais e por outro lado quis respeitar a integridade física das pessoas e liberdade de circulação. Nota: o juiz não pode invocar os limites imanentes tem de os justificar. (justifica)

Estas restrições podem e devem em alguns casos ser positivadas pelo legislador ordinário, o que, nessa sua tarefa, deve respeitar os requisitos de restrição dos DLGS positivados na crp-18º nº 2 e 3. Exemplo: quando existe direito à greve, garantia dos serviços mínimos. Só se podem invocar os limites imanentes se for para proteger os direitos das pessoas e os direitos do Estado. Artigo 18 nº2 e 3º Prevê os chamados limites dos limites que são requisitos de restrição dos DLGS. Estes requisitos foram pensados para que tipo de restrição?

Exigência de lei da AR ou de decreto-lei autorizado pelo governo: artigo 18º2. É através da lei que se restringe. A lei pode ser entendida num sentido mais amplo ou menos estrito. Neste sentido, devemos começar por ver as competências da AR artigo 164 e 165 CRP.

Artigo 18 nº2 da CRP

Artigo 165 nº1 al.b

Artigo 164º al.h) i) f) l) direito sob reserva de lei do parlamento.

Alguns direitos estão previstos na reserva absoluta do art. 164 da CRP, direito sob reserva de lei do parlamento: só lei da AR.

Pode haver uma cadeia de legitimidade legal:

Acto administrativo

acto administrativo

legitimidade legal : Acto administrativo acto administrativo Regulamento Lei, decreto- lei autorizado regulamento Cadeia

Regulamento

legal : Acto administrativo acto administrativo Regulamento Lei, decreto- lei autorizado regulamento Cadeia de

Lei, decreto- lei autorizado

regulamento

Cadeia de legitimidade legal

não há cadeia de legitimidade legal

Há fundamento legal

não há cadeia de legitimidade legal Há fundamento legal Principio da legalidade da administração, sub-principio da

Principio da legalidade da administração, sub-principio da reserva de lei.

LIMITES MATERIAIS:

1- Principio da proporcionalidade ou proibição de excesso: 18nº2 CRP, as restrições não devem ser excessivas, não devemos ir alem do estritamente necessário. (ver as várias dimensões (principio do Estado de direito)

2- Principio da generalidade e abstracção: 18ºnº3 CRP… tem que revestir carácter geral e abstracto.

Caso prático:

Uma lei estabelecia que qualquer reunião com mais de vinte pessoas tinha que ser autorizada pelo governo civil.

- Condiciona a liberdade de reunião restrição da liberdade de reunião.

É uma restrição excessiva, não é preciso ir tão longe, pois a segurança interna não é posta em causa.

longe, pois a segurança interna não é posta em causa. Violação do principio da proporcionalidade. GENERALIDADE

Violação do principio da proporcionalidade.

GENERALIDADE As leis têm que se dirigir a um número indeterminado ou indeterminável de pessoas.

ABSTRACÇÃO As leis têm que se dirigir a um número indeterminado ou indeterminável de casos/situações

―Quando se restringe, restringe-se para todos‖ Pressuposto: Principio da igualdade artigo 13º CRP.

Não são admitidas leis restritivas:

1-

Individuais e concretas.

2-

Gerais e concretas

3-

Individuais e abstractas

4-

Leis ampliativas dos DLGS, individuais e concretas.

Exemplo: segundo o Doutor Gomes Canotilho: Num acidente de comboio morreram vários bombeiros, então o governo decidiu dar uma compensação às viúvas pela perda dos maridos. Excepcionalmente admite-se leis ampliativas de direitos.

3- Principio da proibição da retroactividade artigo 18ºnº3 da CRP (… e não podem ter efeito retroactivo): Quando se restringe um direito é só para o futuro e nunca para o passado.

- Casos em que a Constituição proíbe a retroactividade

- Principio do Estado de Direito

Principio da segurança jurídica e da protecção da confiança, aplicados aos actos normativos.

Divergência entre a escola de Coimbra e a escola de Lisboa: A escola de Coimbra entende que qualquer tipo de retroactividade é proibitivo. Por sua vez acha que existem tipos de retroactividade que não podem ser proibidos.

4- Principio da salvaguarda do núcleo / conteúdo essencial dos DLGS artigo 18º nº 3 CRP (…

nem diminuir a extensão e o alcance do conteúdo essencial dos preceitos constitucionais):

a. Todos os DLGS têm um núcleo essencial que não pode ser restringido.

b. Este requisito não se confunde com o princípio da proporcionalidade, pois são requisitos diferentes.

c. O núcleo essencial é considerado uma válvula de segurança do direito, é uma barreira última intransponível para qualquer medida legal legislativa restritiva. Perante uma restrição temos que ver se estão determinados todos os requisitos.

d. Tem que ter um sentido útil para os seus destinatários.

e. Meios de protecção dos DLGS.

Aula teórica 27/03/2006

PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO:

1) Processo de fiscalização abstracta preventiva 2) Processo de fiscalização abstracta sucessiva 3) Processo de fiscalização concreto sucessiva 4) Processo de declaração de inconstitucionalidade 5) Processo ou fiscalização de inconstitucionalidade por omissão

Nota: há quem diga que são quatro porque não autoriza o quarto…….

O que significa abstracto e preventivo:

Abstracto: o controlo é feito independentemente de a norma estar ou não a ser aplicada num caso concreto. Preventiva: é feita antes de a norma entrar em vigor.

O controlo preventivo é necessariamente abstracto?

Sim, porque a norma quando está a ser controlada não pode ser aplicada a um caso concreto, pois ainda não entrou em vigor.

PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO ABSTRACTA-PREVENTIVA: artigo 278º e artigo 279º

Requisitos processuais 278º

- Órgão encarregado de fiscalização é o Tribunal Constitucional, é requerida apenas ao TC. (o TC por ele próprio não pode iniciar a fiscalização tem que esperar pedido)

- É um controlo concentrado, cabe a um único órgão. O TC funciona em plenário, funciona com todos os juízes que são 13.

Objecto da fiscalização preventiva: o seu objecto é restrito, só algumas normas podem ser objecto de fiscalização preventiva, logo é restrita.

Só são cinco:

1-

Tratado Internacional

2-

Lei

3-

Decreto-Lei

4-

Acordo Internacional

5-

Decreto Legislativo Regional

Entidades com legitimidade processual activa: São os órgãos que têm legitimidade para pedir a fiscalização:

1- Presidente da Republica (artigo 278 nº1)

2-

Representante da Republica (artigo 278 nº2)

Observações: Um representante da república quer pedir a fiscalização preventiva de uma lei da AR

será que pode? Não! Só o Presidente da Republica segundo reza o artigo 278º nº2.

O PR pode pedir a fiscalização do decreto regional? Não! Só pode pedir dos actos do artigo 278º nº1.

Os cidadãos não têm legitimidade processual activa. Quer individualmente quer em grupo, não tem legitimidade activa.

O cidadão tem o direito de petição artigo 52º CRP.

Quando uma lei da AR tem que ser fiscalizada deve-se recorrer a que órgão? Tem de se recorrer ao Presidente da Republica para se requerer ao Tribunal Constitucional se fosse uma lei.

O presidente da Republica é obrigado a pedir ao TC a fiscalização?

Não, o presidente da república é obrigado a concretizar essa petição.

Quando a norma de fiscalização preventiva for uma lei orgânica pode também pedir a fiscalização?

- O presidente da republica

- O Primeiro-ministro

- 1/5 dos deputados à AR em efectividade de funções

Tipo de questões colocadas:

Apenas a questão da inconstitucionalidade.

Prazo: Para pedir a fiscalização: artigo 278º nº3 há oito dias a contar com a data de recepção do diploma. Porque um prazo tão curto? Porque a norma ainda está a ser feita e assim pode-se avançar com o processo, tem o facto de estar ainda em transformação. Para decidir: art. 278º nº8 CRP.

Fiscalização abstracta preventiva:

EFEITOS:

- Ou o TC não se pronuncia pela inconstitucionalidade (não detectou vícios) a decisão do TC não tem efeito propulsivos.

- Ou o TC pronuncia-se pela inconstitucionalidade (detectou vícios): Efeitos do artigo 279º1:

- Veto (por inconstitucionalidade), é obrigatório.

-
-

Devolvido: reenvio ao órgão que o tiver aprovado (279º nº1)

Veto pode ser ultrapassado através:

- Ex purgue

nº1) Veto pode ser ultrapassado através: - Ex purgue - artigo 279 nº2 CRP artigo 279

- artigo 279 nº2 CRP

artigo 279 nº3 CRP

- Reformulação

Confirmação

Ex purgue: retirar as normas consideradas inconstitucionais, vão sair do diploma, vão ser retirados do diploma. Sendo assim, o diploma entra em vigor sem vícios que foram previamente retirados. Confirmação: é uma segunda aprovação, a lei foi ao TC e mandou para o PR e o PR envia para a AR e esta pode voltar a aprovar/confirmar a lei. É submetida a uma votação e será confirmada se tiver uma maioria superior a 2/3 dos deputados presentes votarem a favor dessa lei. Se a norma for confirmada, a norma entra em vigor com os vícios que tem. Reformulação: refazer o diploma. (incompleta a definição)

Decreto-lei do governo só pode expurgar não pode haver confirmação. Se o governo quiser o mesmo decreto-lei como fazer?

Pode abdicar do decreto-lei e apresentar a Assembleia da república um com conteúdo igual. Se a lei for vetada já pode ser confirmado porque é uma lei. É exactamente o mesmo acto, mas em vez de ser um decreto-lei passa a ser lei.

Tratados internacionais: Confirmação, só a assembleia da república é que pode confirmar os tratados internacionais.

Acordos internacionais:

Do governo: expurgação Da AR: submetidos à aprovação pelo governo: Confirmação.

Um acordo com Espanha sobre o abrir/fecharas comportas for aprovado pelo governo mas ainda não

foi assinada pelo presidente da república que o enviou para o TC que foi considerado inconstitucional?

O

governo precisa de reabrir as negociações do acordo com o outro Pais e se a Espanha não quiser, deixa

de

haver acordo.

Decreto legislativo regional expurgação e também confirmação?

- A doutrina portuguesa está dividida quanto à confirmação. A maioria da doutrina entende que não pode

ser confirmado. Porque é que não pode ser confirmado? Porque se assim fosse um órgão inferior ia impor

a vontade a um órgão ou soberania.

Se houver confirmação do decreto legislativo regional? TC e as Assembleias regionais, o TC é um órgão de soberania e as assembleias regionais não o são, logo não faz sentidas as assembleias regionais, imporem-se a um órgão de soberania. A assembleia da república impõe a sua vontade porque também é um órgão soberano! Damos preferência aquele que é considerado mais democrático…

PROCESSO DE FISCALIZAÇAO ABSTRACTA SUCESSIVA:

Artigo 281º da CRP:

Abstracta: ―a norma é controlada independentemente desta o ser ou não‖ Sucessiva: porque a norma é controlada depois de entrar em vigor, ou seja de forma de lei.

Exemplo: Uma lei aprovada pelo presidente da republica, qual a fiscalização que se pode pedir? A preventiva porque?

Lei

Aprovada AR
Aprovada
AR

PR (promulgação)

Requisitos procedimentais:

Governo referenda
Governo
referenda

Publicar.

Objecto: alargado: “quaisquer normas”

Entidades com legitimidade processual activa: são todas aquelas que estão previstas no artigo 281º nº2 CRP. Nota: os cidadãos não têm legitimidade activa mas podem utilizar o direito de petição (artigo 52º CRP)

Tipo de questões colocadas: artigo 281º, nº1 al.a) b) c) d)

- Questões inconstitucionais

- Questões de ilegalidade

O que é violado?

- Quando um acto legislativo viola um acto de valor reforçado, artigo 281º nº1 al b) CRP

Violação de uma lei abstracta que viola uma norma de diploma regional, exemplo: decreto-lei regional,

artigo 281 nº1 al.c). Violação do Estatuto.

Prazo: não existe qualquer tipo de prazo para requerer.

Efeitos: O TC não declara a norma inconstitucional: a decisão do TC não tem efeito propulsivo pode voltar a ser fiscalizada, não impede que volte a ser fiscalizada.

O TC declara a norma inconstitucional:

Efeito regra (efeitos habituais) Efeitos mais restritos (são efeitos excepcionais)

A) Efeito regra: artigo 282 CRP

- Força de caso julgado (a decisão do TC é definitiva, insusceptível de recurso)

- Força obrigatória geral (eficácia erga omnes):

Vinculação geral: nenhum órgão do Estado pode desrespeitar o TC. Força de lei: os cidadãos, os particulares também estão vinculados pelo TC, nenhum de nós pode invocar uma lei que o TC disse que era inconstitucional.

Como é que o legislador desrespeita o TC? Se voltasse a fazer uma lei com o mesmo conteúdo.

E os juízes como desrespeitam o TC? Se aplicarem a lei declarada inconstitucional pelo TC.

Eficácia retroactiva (ex tunc) Os efeitos vão ser todos destruídos porque a norma é inválida. Este efeito trás insegurança para os cidadãos, o legislador pensando nos cidadãos declarou que os casos julgados não podem ser abertos 282 nº3 da crp, isto é ficam ressalvados os casos julgados. Principio do caso julgado.

Doutor Gomes Canotilho: interpretação extensiva da ressalva- todos as situações juridicamente consolidadas (por caducidade , por incumprimento de obrigações…

Há casos em que

vale a pena a reabertura do caso julgado, e por isso têm que se verificar três

pressupostos:

1-

Quando a norma disser respeito ao direito Penal.

2-

Quando da reabertura do caso resultar uma situação mais favorável para o arguido.

3-

Se o TC decidir a reabertura dos casos julgados.

Repristinação: repesar?? a norma que tenha sido revogada pela lei B:

 

normaA

normaB

normaB declarada inconstitucional

1987

revisão da norma A

2006

Reentrada em vigor da norma que tinha sido declarada inconstitucional.

B) Efeitos mais restritos (artigo 282, nº4 CRP)

Podem se aplicar em casos de:

1-

Segurança jurídica

2-

Casos de equidade ou interesse público de excepcional relevo

3-

Validade parcial em vez de validade total, só parte da norma é que é declarada inconstitucional

4-

Efeitos prospectivos (efeitos ex nunc) em vez de efeitos retroespectivos (ex tunc)

5-

Efeitos não repristinatorios em vez de efeitos repristinatorios , há dois casos em que não há efeitos repristinatorios:

a. Quando não havia nenhuma norma anterior

b. Havia uma norma anterior mas ela própria não pode ser represcada porque também é inconstitucional (basta que se suscite que seja inconstitucional, não é necessário ter-se a certeza. Nota: A norma passa a produzir efeitos ex tunc desde o momento da sua publicação.

Inconstitucionalidade originária: Uma norma nasce e já viola a Constituição, desde o inicio que a lei tem vícios.

Inconstitucionalidade superveniente ( não nasce com a norma , surge depois da norma ter surgido) : Uma lei que entra em vigor não tem nenhum vicio, mas a partir de certo momento viola a Constituição, como é possível? É possível através de parâmetros que acontecem quando a Constituição sofre alterações, ou então, pela criação de uma nova Constituição.

CRP 1933 CRP 1976 1976 198 2 lei é declarada inconstitucional CRP 1976 2006 Lei
CRP 1933
CRP
1976 1976
198 2
lei é declarada inconstitucional
CRP 1976
2006
Lei 1998
norma é declarada inconstitucional

PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO CONCRETO SUCESSIVA:

Artigo 280º CRP

Características:

-Concreta

-Difusa

- Incidental

Problemas:

- É mais completa do que as anteriores

- Está menos explicada na CRP

Concreta: a norma que vai ser controlada está a ser aplicada num caso concreto. Estando este caso concreto a decorrer num tribunal ordinário. Exemplo: O senhor A e a senhora B querem divorciar-se e ainda querem a custódia dos filhos questão de fundo/mérito juiz aplica o código civil ex. uma norma que diz que os filhos têm que ficar sempre com a mãe, o pai pode dizer que a norma é inconstitucional.

Difusa: ou Norte-Americana todos os tribunais podem fiscalizar artigo 204º, o que dá a entender que os juízes ordinários têm competência para fiscalizar. Incidental: porque surge ―encravada‖ na questão principal.

Este processo pode desenrolar-se em duas fases distintas:

- A primeira fase que tem sempre lugar, desenrola-se nos tribunais ordinários

- A segunda fase que pode ocorrer ou não desenrola-se perante o TC (a pessoa pode ou não querer recorrer)

1ª Fase: num dos tribunais ordinários, onde está a decorrer o processo:

Legitimidade processual activa: quem pode suscitar o incidente de inconstitucionalidade? - As partes - O próprio juiz “ex officio(por dever de oficio/ de não aplicar a norma inconstitucional) - Ministério Público quando seja parte no processo.

Objecto: qualquer norma desde que haja uma norma relevante para o processo. Exemplo: o senhor A é caçador e durante o processo de atribuição da custódia, pede ao juiz para fiscalizar uma norma de caça que saiu não é fiscalizado porque não é relevante para o processo. (mais um exemplo parvo!!!).

Tipo de questões colocadas:

- Questões de inconstitucionalidade - E algumas questões de ilegalidade.

Prazo: durante o processo (pode passar por vários tribunais, em principio é apenas até ao 1º tribunal (ao 1º juízo). Estabelece-se esta regra que é para evitar o incidente de inconstitucionalidade, através ao expediente declaratório (é uma forma de os advogados ganharem tempo…….)

Decisões do tribunal ordinário:

A- Decisão positiva ou de acolhimento de inconstitucionalidade (artigo 280º nº1 al.a) (Julgo a norma inconstitucional, logo não a aplico) B- Decisão negativa ou de rejeição de inconstitucionalidade (artigo 280º nº1 al.b) não julgar a norma inconstitucional logo aplica-la.

C- Decisão aplicadora de normas já anteriormente julgadas inconstitucionais.

D- Decisões jurídicas que apliquem normas constantes de actos legislativos com fundamento na sua contrariedade com uma convenção internacional ou a apliquem em desconformidade com o anteriormente decidido pelo TC.

2ª Fase: junto do TC Fase de recurso

A- Decisão positiva ou de acolhimento: o juiz julgou a norma de inconstitucional.

Quem pode recorrer?

- Ambas as partes

- Ministério Público

Em que termos se pode recorrer?

- Recurso facultativo ou obrigatório? Quanto ás partes no processo: facultativo

Quanto ao MP em certos casos é obrigatório artigo 280º nº3 CRP, nos restantes é facultativo. Só é obrigado a recorrer se a norma que é inconstitucional, constar de:

- Uma convenção internacional

- Um acto legislativo

- Um decreto regulamentar

Porque é obrigatório? Princípio do favor legis estabelece uma presunção de constitucionalidade das leis, se esta presunção é posta em causa o MP é obrigado a recorrer.

Qual o acto que está a mais no art. 280º nº3 ? É o decreto-regulamentar porque tem um valor inferior ás leis, não é um acto equiparado.

- Partes podem optar

- MP: quando o recurso é obrigatório, o recurso é directo, fora destes casos pode optar.

B- Decisão negativa ou de rejeição: Quem pode recorrer para o TC?

Apenas uma das partes, mais especificamente aquela que suscitou a inconstitucionalidade da norma durante o processo artigo 280º nº4 O Ministério Publico pode recorrer, se for parte no processo e se tiver sido ele a suscitar o incidente.

Em que termos se pode recorrer?

- O recurso é sempre facultativo.

- Tem que haver sempre exaustão dos recursos

C- Decisão aplicadora de normas já anteriormente julgadas inconstitucionais: é uma decisão negativa com a particularidade de a norma já ter sido julgada inconstitucional:

- Em sede de fiscalização concreta

- Em sede de fiscalização abstracta preventiva quando houve a confirmação da norma (hipostese duvidosa)

- Julgado inconstitucional num processo de outra natureza.

Quem pode recorrer para o TC?

- Ambas as partis no processo

- O Ministério Público

Em que termos se pode recorrer? - O recurso é facultativo para as partes - O recurso é sempre obrigatório para o MP artigo 280º nº5 (principio do primado ou prevalência das decisões dos tribunais em questões de inconstitucionalidade, presente também a ideia de uniformização de jurisprudência. Exemplo: uma comarca aplica uma norma que o TC declarasse inconstitucional, logo o primado do TC esta a ser posto em causa

Em que termos se pode recorrer?

- O recurso é directo para o TC ou é necessária a exaustão de meios?

- As partes podem optar

- MP: o recurso sendo sempre obrigatório é directo para o TC.

EFEITOS DAS DECISÕES DO TC:

-Decisão com juízo de inconstitucionalidade, o TC julga a norma inconstitucional:

Efeitos:

a) Directos: Artigo 80º LTC)

b) Indirectos ou reflexos

a) Directos:

i. Efeitos do caso julgado (insusceptível de recurso) Efeitos limitados ao caso concreto (ef. Inter partes) Os efeitos da decisão só valem para o caso concreto, a norma continua a ter validade, só não é aplicada neste caso.

ii. Efeitos restritos à questão de inconstitucionalidade ou ilegalidade o TC não se têm que preocupar com a questão de mérito ou de fundo, apenas com a questão jurídica.

b) Indirectos ou reflexos: (efeitos que se vão repercutir com outros processos)

i. A decisão do TC serve de pressuposto ao processo de fiscalização mista (artigo 281º nº3 CRP e artigo 82 LTC.

ii. Ordenação ao TC serve de pressuposto ao recurso organizatório do MP previsto no artigo 280º nº5 CRP.

João Armindo Ferreira Rebelo

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TC

Fiscalização concreta (fase de recurso)

Julga inconstitucional norma Dez. 2004 Aula teórica 04/04/2006

Tribunal ordinário

Aplica norma Jan.2005

Recurso obrigatório MP artigo 280º, nº5 CRP

Processo Misto (artigo 281º nº3 e artigo 82º LTC)

Mistura duas fiscalizações a concreta e a sucessiva.

Qual o tipo de processo? (artigo 82 LTC)- Fiscalização abstracta sucessiva.

Uma mesma norma ter sido ―pelo menos julgada inconstitucional três vezes, aí pode ser desencadeando o processo de fiscalização sucessiva. Porque se passa para uma fiscalização sucessiva?

- A norma é julgada inconstitucional dez vezes!!! com que intuito?? Retirar a norma do ordenamento jurídico.

Requisitos processuais? Juízes do TC, Magistrado do MP , Porquê? Porque eles sabem quantas vezes uma norma foi julgada inconstitucional, por isso, são as únicas entidades que sabem quantas vezes se julga uma norma inconstitucional.

Pressuposto: Uma norma ser julgada inconstitucional três vezes. (para ser retirada do ordenamento jurídico).

TC julga norma inconstitucional em Julho 99 Fiscalização concreta

Julga a mesma norma inconstitucional em Setembro de 2001 Fiscalização concreta

Julga norma inconstitucional em Setembro de 2005 Fiscalização concreta

 

Pode iniciar: fiscalização abstracta art. 281º nº3 CRP e 82º LTC

Se um processo sucessiva artg. LTC

Porque é um efeito reflexo? Porque serve de pressuposto à decisão do tribunal

Nota: Não é um processo automático, são necessários três casos.

Fiscalização Mista

Processo de declaração de inconstitucionalidade com base no caso concreto

Nota: Um efeito da fiscalização concreta é dar origem à fiscalização mista.

INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSAO:

Omissão relevante para o efeito de fiscalização: não cumprimento de uma norma constitucional imperativa tem que haver uma exigência constitucional de acção, não basta um dever geral do legislador.

Quando é que o silêncio do legislador dá origem ao controlo?

- Desrespeitando uma norma constitucional impositiva, porque ela contem uma norma de exigência de actuação. Relevante: quando não for cumprida uma norma impositiva.

Norma Constitucional impositiva:

- Imposição constitucional legiferante

- Ordem do legislador

Qual o fim? Exige uma actuação do legislador.

A) Concreta e permanente: exemplo: obrigar o Estado a criar um serviço de acção social obriga que o que se cria se mantenha. Artigo 63º nº2 artigo 64º CRP.

B) Concreta e única: esgota-se com a utilização, exemplo: uma norma que havia que obrigar o Estado a criar um TC.

Normas Constitucionais impositivas (quando o Estado não actua de forma concreta) Normas Programáticas (normas fim, quando o estado não actua de forma abstracta não se pode levar esta questão para o TC. Também exige qualquer coisa do Estado mas abstracta exemplo artigo 9º al.d) e )

Requisitos processuais: Órgão que fiscaliza: Apenas o TC (logo é uma fiscalização concentrada, pois é o único).

Entidade com legitimidade processual activa: o Presidente da Republica, Provedor de Justiça, Presidente das Assembleias regionais. E os cidadãos? Não… mas podem usar o direito de petição ….

Objecto:

Omissão de medidas legislativas

Prazo: em regra não há, e o cumprimento e a indispensabilidade de medida legislativa orienta a actuação do TC.

Efeitos da decisão: artigo 283º O TC aprecia e verifica a existência de uma omissão legislativa constitucionalmente relevante:

O TC ―da conhecimento ao órgão legislativo competente‖

Qual o principio que justifica a ―leveza desta medida‖ Princípio da separação dos poderes, o TC não pode assegurar apenas dar conhecimento.

Aula Teórica 18/04/2006 (Dr.ª Paula Veiga)

ESTRUTURAS NORMATIVAS E FONTES DE DIREITO:

De uma forma clássica:

O corpo é a CRP

FONTES DE DIREITO: De uma forma clássica: O corpo é a CRP Actualmente: CRP NORMAS DE

Actualmente:

CRP

NORMAS DE DTO INTERNACIONAL

NORMAS DIREITO COMUNITARIO

Por isso se fala de um pluralismo legislativo, porque o direito não emana só da CRP.

CRP 76:

- Identifica as fontes de Direito

Critério de validade das fontes de direito

Exemplo: Artigo 8º Artigo 115º (se for vinculativo tem eficácia jurídica) Artigo 112º

A CRP serve para identificar as fontes e para ―impor‖ os critérios:

Três Princípios fundamentais em critérios de fontes (segundo o doutor Gomes Canotilho):

- Leis da AR

- Tipologia dos Decretos de lei

- Decretos legislativos Regionais

I-

1- Principio da hierarquia: as normas não se encontram todas num mesmo plano, a estrutura da organização das normas é vertical. 2- Principio da prevalência ou superioridade dos actos legislativos em relação aos actos normativos regulativos ou estatuários 112ºCRP. Nota: o artigo 112º nº6 e 7º diz-nos a superioridade de uns actos normativos sobre outros Nº6: lei é superior ao regulamento Nº7: os regulamentos ao indicarem a lei, significa que a lei é superior ao regulamento. 3-Principio da tendencial paridade ou qualidade entre leis e decretos-lei 112º nº2 CRP Nota: Superioridade das normas complementares logo a lei e o decreto-lei não tem o mesmo valor 112º nº2 CRP.

4-

Principio da superioridade das leis de autorização …… (ver artigo 112º nº3 e deduzir de lá o principio que lá tem.

5-

Principio de aplicação diferente de normas europeias em relação a normas internacionais

6-

Principio da inderrogabilidade das normas de grau inferior por normas inferiores.

II- TIPICIDADE DAS COMPETENCIAS NORMATIVAS:

- Ideia de divisão de competências em algumas relações é uma divisão espacial.

- Competência (normativa) reservada a AR (164º e 165º)

- Competência (normativa) reservada ao governo (198ºnº2)- tem que haver com a sua organização e o seu funcionamento. Tirando isso, todos as outras competências concorrentes.

- Competência normativa das regiões autónomas (227º)- poderes das regiões autónomas : tem competência legislativa (normativa) e tem competência regulamentar legislativa.

- Competência regulamentar das autarquias locais (241º)

III- Principio básico sobre a produção jurídica (artigo 112º nº5): diz basicamente respeito às leis, mas pode ser adaptada à ―produção genérica jurídica‖

- Nenhuma fonte pode criar outras fontes com eficácia igual ou superior, podem apenas criar fontes de eficácia inferior, assim:

- Nenhuma fonte pode atribuir a outra uma eficácia / força que ela própria não dispõe.

- Nenhuma fonte pode atribuir a outra fonte valor idêntico ao seu.

- Nenhuma fonte pode dispor do seu valor jurídico, acrescentando ou diminuindo-o.

- Nenhuma fonte pode transmitir para actos de outra natureza o seu valor jurídico.

PARLAMENTO

GOVERNO

ASSEMBLEIAS REGIONAIS

LEI

DECRETO-LEI

DEC. LEG. REGIONAIS

Como é que estes órgãos emanam fontes?

Qual o seu valor?

(art.112ºnº1)

Categorias de leis da AR:

Nota:A AR quando emana actos não emana apenas leis leis (artigo 161, 164, 165, 166).

Existem categorias específicas:

- Lei: existem leis específicas que têm valor reforçado, que tem consequências

- Lei Constitucional: as leis que aprovam as revisões Constitucionais (161º nº1 ) Procedimentos previstos no artigo.284º ss LC1/82; LC1/89; LC1/92; LC1/97; LC1/2002; LC1/2004; LC1/2005

- Lei de autorização :· Lei de autorização (ou delegação): a AR habilita o governo a emanar actos legislativos em matéria de sua reserva relativa de competência (165º) Definição em quatro aspectos: (165º nº2)

Artigo165º Reserva de competência legislativa: nº 2: ―2. As leis de autorização legislativa devem definir o objecto, o sentido, a extensão e a duração da autorização, a qual pode ser prorrogada

- Objecto

- Sentido

- Extensão

- Duração

- O objecto das leis de autorização deve coincidir com a função legislativa do Parlamento (excluindo-se

as autorizações em funções de fiscalização ou politicas do Parlamento, mesmo quando estas ultimas assumam a forma de leis.

Lei de autorização Decreto – lei autorizado
Lei de autorização
Decreto – lei autorizado

- Leis de bases:

Configura-se a excepção do artigo

112ºnº2.

O decreto-lei não pode derrogar a

lei de autorização, neste caso não

há paridade.

Leis de bases ou de princípios: consagram os princípios vectores, ou bases gerais de um regime jurídico, deixando a cargo do executivo o desenvolvimento desses princípios ou bases. Exemplo: artigo 165º nº1 o que está reservado à AR é as bases do sistema de segurança social.

Quer o artigo 164º, quer o artigo 165º se referem às leis de bases quando? Quando está dito na CRP.

- Artigo 164º, al. d) (2ª parte) 164º, al. i)

- Artigo 165º, al. f) g) n) t) n) z)

O que configura uma situação similar à deste aspecto:

A lei de bases é inferior ao decreto (artigo 198 al.c)

Aula Teórica 02/05/2006

ao decreto (artigo 198 al.c) Aula Teórica 02/05/2006 Lei de bases Decretos-lei João Armindo Ferreira Rebelo

Lei de bases

Decretos-lei

IV- O critério da maioria reforçada, com a qual as leis são reforçadas, porque reforçada é a maioria de 2/3 exigida para a sua aprovação. Exemplo: Leis das cotas para as mulheres para os cargos políticos. As leis eleitorais exigem a maioria de 2/3 (artigo 168º, nº6 CRP)

V- O critério da parametricidade geral: Segundo Gomes Canotilho, é um critério visto pelo legislador cria um critério residual, com o intuito de qualificar com lei de valor reforçado, leis estas da CRP, que esta atribui um valor reforçado. Artigo 112º nº3 Há leis que já têm valor reforçado através deste critério residual, exemplo leis estatutárias.

FASES DO PROCEDIMENTO LEGISLATIVO: (ta uma merda)

1- Fase da iniciativa artigo 167º CRP

Há certos tipos de leis que só podem ser iniciadas:

- Leis estatutárias Regiões autónomas. - Leis de autorização - Governo / pelas regiões autónomas (consoante a matéria)

2-

Fase da (feita pelas comissões parlamentares especificas)

3-

Fase de destinçao? de aprovação de lei: AR

4-

Fase da promulgação pelo PR : não é obrigado a promulgar, pode vetar, veto político ou enviar para o TC em sede de fiscalização abstracta preventiva.

5-

Fase da referenda: é um acto de co-responsabilização.

Origem Histórica: durante muito tempo o Rei tinha o poder todo, o rei nunca era responsabilizado. A certa altura, muda-se de opinião, uma vez que não era possível responsabilizar o Rei, responsabiliza-se o governo pelos actos do monarca.

6- Fase da publicação no Diário da Republica (sobre a eficácia).

Competência legislativa do Governo (artigo 198º CRP) decretos-lei.

Tipo de decretos-lei que existem:

1-

Decretos-lei originários (198º al. a) em matérias não reservadas a AR, matéria de competência concorrente, não são reservadas nem ao governo, nem a AR), tanto a AR como o

governo podem legislar em pé de igualdade. Exemplo: uma lei da AR numa matéria de

competência, se o governo não concordar pode revogar a lei da AR, com um decreto-lei do governo.

2-

Decretos lei autorizados (198ºal.b)- em matéria de reserva relativa da AR (165º) competência dependente, pois precisa de uma lei de autorização, o governo (165º nº2)

3-

Decretos-lei de desenvolvimento (198º al.c) complementam as leis de bases, competência do governo.

a. Leis de bases em matéria de reserva da AR, 164º, 165º - competência dependente.

b. Leis de bases em matérias de natureza concorrente - competência independente.

Segundo o Doutor Gomes Canotilho há duas hipóteses:

Governo:

1-

Auto limita-se à lei de bases, o que teríamos uma competência dependente.

2-

Uma vez que é matéria concorrente pode revogar-se a lei de bases e fazer um decreto-lei e substituir a lei de bases.

3-

Decretos-leis de competência exclusiva do governo.

3- Decretos-leis de competência exclusiva do governo. Organização Funcionamento João Armindo Ferreira Rebelo

Organização

Funcionamento

4-

Decretos-leis de directivas comunitárias, artigo 112º nº8 têm que ser transportadas para a

nossa ordem jurídica. As directivas comunitárias também podem ser transpostas para a nossa ordem jurídica através de um decreto-lei decreto-lei de transposição de directivas (112º nº8) A competência para fazer decretos-lei pertence ao governo, e não a outro órgão exigindo-se que outros, todos os decretos-lei sejam aprovados em conselho de ministros 200º nº1 al.d)

ESTRUTURAS NORMATIVAS:

- Artigo 112 nº2: 1ª parte: lei e decreto-lei têm igual valor.

- Artigo 112º nº2: 2ª parte: sem prejuízo da subordinação.

- Dos DL autorizados as respectivas leis de autorização

- Dos DL de desenvolvimento às leis de bases

Apreciação parlamentar dos decretos-leis (artigo 169º)

A AR pode controlar a actividade legislativa do governo. Pode pedir a apreciação dos

Decretos-leis do governo com o propósito de:

- Fazer cessar a sua vigência.

- Introduzir alterações.

Aula teória de 15/05/2005

FORMAS DE GOVERNO

Formas de governo = formas de governação. Modo, como no âmbito de um determinado Estado, se relacionam entre si os órgãos que exercem o poder político. Para a caracterização da forma do governo nos interessa saber:

- Quais os órgãos que exercem poder politico (regra geral, chefe Estado, Parlamento e Governo)

Como está distribuído o poder politico por esses órgãos?

O modo como se relacionam reciprocamente (relação de controlo, de subordinação,

cooperação)

FORMAS DE GOVERNO PARLAMENTAR

Existem várias variantes esta é a forma mais antiga.

Paradigma: forma de governo Inglesa (quando a partir do século XVIII, o parlamento aos poucos vai tirando poderes ao monarca e atribui-os a si). Separação de poderes: flexível: há um relacionamento razoável entre os principais órgãos detentores do poder político (Parlamento e Governo)

Países que utilizam a forma Parlamentar

e Governo) Países que utilizam a forma Parlamentar Inglaterra Espanha Suécia Alemanha Itália O chefe de

Inglaterra

Espanha

Suécia

Alemanha

Itália

O chefe de Estado pode ser um monarca ou um Presidente, mas é uma figura simbólica. Nos casos em que o chefe de Estado é o Presidente (Alemanha, Itália) a eleição deste, é uma eleição indirecta é o parlamento que elege o Presidente, é uma eleição orgânica.

Traços Característicos:

- Responsabilidade politica do governo perante o parlamento (mecanismo de responsabilização

do governo: moção de censura e moção de confiança, interpelação ao governo através de perguntas escritas, comunicação de inquéritos à actividade do governo.

- Moção de censura: apresentada pelos seus deputados e caso seja aprovado ele cai.

- Moção de confiança: apresentada pelo governo, se for aprovado o governo não cai , se não for aprovado cai.

- Existência de um executivo dualista o poder executivo está nas mãos de dois órgãos

(governo/ chefe de Estado) o Chefe de Estado já não exerce praticamente poder nenhum.

- Existência de um governo, que é um órgão colegial, solidário e autónomo, tendo uma estrutura

piramidal, com um chefe no seu topo que concentra em si, a forma do poder governamental. Governo: Colegial: individual Solidário: se cair o Primeiro-ministro cai o Governo todo, é uma responsabilização colectiva. Autonomia em relação aos outros órgãos.

- A função de orientação e decisão politica está distribuída entre o governo e o parlamento.

- O governo é constituído pelo líder que saiu vencedor nas eleições e pelos ministros que ele

escolhe.

- O governo pode dissolver o parlamento (o acto formal de dissolução é pelo chefe de Estado, mas a decisão de decisão pertence ao governo)

FORMA DE GOVERNO PRESIDENCIAL:

Paradigma: forma de governo Norte-Americano. A forma de governo Norte-Americano foi

criadas pelos pais fundadores “founding fathers‖ e foi cristalizada na Constituição Norte-Americana de

1787.

foi cristalizada na Constituição Norte -Americana de 1787. Venezuela Argentina Brasil América Latina Outros Países
foi cristalizada na Constituição Norte -Americana de 1787. Venezuela Argentina Brasil América Latina Outros Países

Venezuela