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S I NDI CATO

ANDES

NACIONAL

S I NDI CATO ANDES NACIONAL SEDUFSM Impresso Especial 9912248799/2009-DR/RS Sedufsm CORREIOS Publicação

SEDUFSM

S I NDI CATO ANDES NACIONAL SEDUFSM Impresso Especial 9912248799/2009-DR/RS Sedufsm CORREIOS Publicação

Impresso

Especial

9912248799/2009-DR/RS

Sedufsm

CORREIOS

Publicação mensal da Seção Sindical dos Docentes da UFSM / ANDES - Março de 2010

Servidor se mobiliza contra projetos que afetam sua vida

CONGELAMENTODOSALÁRIODOFUNCIONALISMO PÚBLICOFEDERALPOR10 ANOS PLP: 549/2009 Autor: Senador Romero Jucá – PMDB/RO
CONGELAMENTODOSALÁRIODOFUNCIONALISMO
PÚBLICOFEDERALPOR10 ANOS
PLP: 549/2009
Autor: Senador Romero Jucá – PMDB/RO
FIMDAESTABILIDADE DOSERVIDORPÚBLICO
PLP: 248/1998
Autor: Poder Executivo
CONTROLE E RESTRIÇÃODODIREITODE GREVE
PL: 4497/2001
Autora: Deputada Fed. Rita Camata – PMDB/ES
O mês de abril será de mobilização dos servidores públicos federais. Essa
mobilização se dará especialmente junto ao Congresso Nacional, onde projetos
de interesse do governo tramitam em passo acelerado e podem trazer sérios
prejuízos às categorias do funcionalismo. Um dos mais graves é o PLP 549/09,
que limita os gastos com os servidores federais por 10 anos. Mas, além deste,
existem pelo menos mais dois projetos preocupantes: o PLP 248/98, que trata da
avaliação de desempenho do servidor e a Emenda (EC 41), que retira direitos
sociais da Constituição. Leia mais nas págs. 02, 06 e 07
sociais da Constituição. Leia mais nas págs. 02, 06 e 07 Expansão das universidades está sendo

Expansão das universidades está sendo feita com qualidade?

Ponto & Contraponto, págs. 04 e 05

ARQUIVO PESSOAL
ARQUIVO PESSOAL

Professores do Centro de Ciências Rurais consolidaram relações com países africanos, entre os quais, Moçambique (foto).

Pesquisadores da UFSM estreitam relações com países africanos

Extra-classe, pág. 10

Ainda nesta edição:

Docentes mantêm luta pela progressão na carreira

Radar, pág. 03

Economista vê Brasil fragilizado pela crise mundial

Com a palavra, págs. 08 e 09

Conheça mais a Orquestra Sinfônica de Santa Maria

Extra-classe, pág. 11

02

MARÇO 2010

Publicação da Seção Sindical dos Docentes da UFSM / ANDES

EDITORIAL Clauber É preciso dizer “Não” Enquanto o presidente Lula posa de estadista, fazendo visitas
EDITORIAL
Clauber
É preciso dizer “Não”
Enquanto o presidente Lula posa de estadista, fazendo
visitas a países árabes e a Israel, buscando se consolidar
como uma liderança mundial, internamente a máquina
governamental ameaça esmagar o serviço público federal.
Diversos projetos que tramitam no Congresso Nacional
com o apoio do governo, alguns deles, inclusive,
apresentados por aliados, tornam sombrio o futuro dos
servidores públicos.
Um dos mais prejudiciais ao funcionalismo é o PLP
549/09, que simplesmente permite que a União congele o
salário dos servidores por 10 anos. É a política do governo
FHC retornando com toda a força. O autor dessa
verdadeira aberração é o senador Romero Jucá (PMDB-
RO), líder de Lula na casa senatorial. Mas, não se resume a
esse projeto. O PL 4497/2001, da deputada Rita Camata
(PMDB-ES), propõe restrições ao direito de greve dos
servidores. E, o PLP 248/98, de autoria do Executivo,
pretende acabar com a estabilidade do funcionalismo
público.
Por mais que os projetos não sejam de autoria direta de
Lula, o fato é que o governo nunca se manifestou contra
essas propostas. Ao contrário, alguns integrantes da
equipe lulista, como o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deram
declarações favoráveis aos projetos, especialmente em
relação ao que trata do congelamento de salários.
Essa é a realidade nua e crua. Um Presidente da
República que há meses navega em uma das maiores ondas
de apoio popular da história, nos bastidores insiste em
desenvolver políticas que, de um lado, precarizam o setor
público, como é o caso da expansão açodada das
universidades, e, por outro, investe contra direitos
conquistados a duras penas pelo funcionalismo público.
Diante desse quadro funesto não há alternativa que não
seja a de mobilizar-se. E se mobilizar significa, em
primeiro lugar, fazer a denúncia do que está acontecendo.
Em segundo lugar, é preciso unir-se coletivamente. E nessa
linha, no dia 14 de março, a coordenação nacional de
entidades de servidores se reuniu e decidiu promover atos
públicos e manifestações em Brasília. O primeiro grande
ato está marcado para o dia 15 de abril. Afinal, é preciso
mobilização e união para se dizer “não” a esses absurdos
que estão sendo propostos.
PONTO A PONTO
Chapa única
FRITZ NUNES
A Comissão Eleitoral
Central/Eleições ANDES-
SN 2010 (CEC) aceitou o
pedido de registro definitivo
de apenas uma das duas
chapas que havia requerido o
registro provisório durante o
29º Congresso da categoria
docente, realizado em Belém
(PA), de 26 a 31 de janeiro.
Trata-se da Chapa 1,
“ANDES autônoma e
democrática” (foto de integrantes da chapa, durante o 29º Congresso), que em prazo regimental
hábil cumpriu todas as exigências necessárias para pleitear o registro definitivo, conforme prevê
o
Regimento Eleitoral, aprovado pela plenária do 29º Congresso, e o Estatuto doANDES-SN.
Dados incompletos
EXPEDIENTE
A diretoria da SEDUFSM é composta por : Presidente em exercício: Fabiane A.
Tonetto Costas (Dep. Fundamentos da Educação – CE); Vice-Presidente- Júlio
Ricardo Quevedo dos Santos (Dep. História – CCSH); Secretário-Geral: Rondon
Martin Souza de Castro (Dep. Ciências da Comunicação - CCSH); Primeiro
secretário - Maristela da Silva Souza (Dep. Desportos Individuais - CEFD);
Tesoureiro-geral – Hugo Blois (Dep. Arquitetura – CT); Primeiro tesoureiro-
Cícero Urbanetto Nogueira (Colégio Politécnico); Primeiro suplente: Hélio Neis
( Aposentado); Segundo suplente: Ricardo Rondinel ( Dep. Ciências Econômicas -
CCSH)
Jornalista responsável: Fritz R. F. Nunes (MTb nº 8033)
Relações Públicas: Vilma Luciane Ochoa
Arquivista: Cláudia Rodrigues
Demais funcionários: Claudionéia Petry, Márcio Prevedello, Paulo Marafiga e
Maria Helena Ravazzi da Silva.
Diagramação e projeto gráfico: J. Adams Propaganda
Ilustrações: Clauber Sousa e Reinaldo Pedroso
Impressão: Gráfica Pale, Vera Cruz (RS) Tiragem: 1.500 exemplares
Obs: As opiniões contidas neste jornal são da inteira responsabilidade de quem
as assina. Sugestões, críticas, opiniões podem ser enviadas via fone(fax)
(55)3222.5765 ou pelo e-mail sedufsm@terra.com.br
Informações também podem ser buscadas no site do sindicato:
Já a Chapa 2, “ANDES para os
professores”, teve, por unanimidade, seu
pedido de registro definitivo rejeitado
pelos membros da CEC. A nominata
estava incompleta, com o registro dos
nomes de apenas 67 candidatos. Destes,
12 postulavam cargos em regionais
diferentes da base territorial das seções
sindicais as quais estão vinculados. Por
fim, 16 dos termos de compromisso
entregues não eram originais ou não
apresentavam documentos para compro-
vação da autenticidade da identidade e
assinatura. As eleições para eleger a
diretoria do Sindicato Nacional aconte-
cem nos dias 11 e 12 de maio.
Encontros de Comunicação
O Grupo de Trabalho de Comunicação e Arte (GTCA) do ANDES-SN, reunido em Brasília de
26 a 28 de fevereiro, definiu a realização dos encontros regionais de comunicação no mês de abril
e
o encontro nacional de comunicação no mês de maio. Os encontros regionais acontecerão em
quatro capitais: de 16 a 18 de abril, em Curitiba (PR) e Manaus (AM) e, de 23 a 25 de abril, em
São Paulo (SP) e em Salvador (BA). Já o encontro nacional, que terá as resultantes de todos os
encontros regionais, objetivando apontar uma política de comunicação do ANDES-SN,
acontece de 21 a 23 de maio, em Brasília. Nos debates de Brasília está prevista a abordagem de
www.sedufsm.com.br
A SEDUFSM funciona na André Marques, 665, cep 97010-041, em Santa
Maria(RS).
temas como “Disputa da hegemonia: o papel da imprensa”e “Movimentos Sociais e suas
assessorias de comunicação”.

Publicação da Seção Sindical dos Docentes da UFSM / ANDES

MARÇO 2010

03

RADAR

RADAR

A novela da progressão na Carreira

Fotos: FRITZ NUNES

Um misto entre burocracia e preconceito. Esses são alguns dos argumentos levantados para explicar o fato de que mais de uma centena de professores, que já teriam tempo para progredir na carreira, ainda continuam estacionados em Auxiliar 4 (para aqueles que não possuem mestrado) e Assistente 4 (para aqueles que não possuem doutorado). A burocracia a ser cumprida consiste em encaminhar uma ‘justificativa’ pedindo que seja criada uma comissão para avaliação de desempenho ao qual o professor deve se submeter para progredir na Carreira. O pedido vai à Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) que, após avaliá-la, faz o encaminhamento ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE). A previsão de ser avaliado por uma comissão está no PUCRCE e no decreto que regulamenta o PUCRCE (46.664 de 23 de julho de 1987). Entretanto, a necessidade de o docente apresentar uma “justificativa” explicando o motivo pelo qual não pode fazer o mestrado ou o doutorado apareceu numa portaria do MEC (475/87) e, posteriormente, na resolução 004/90 da UFSM. Ao interpretar ao pé da letra a portaria e a resolução, os órgãos encarregados em

a portaria e a resolução, os órgãos encarregados em Sindicato reuniu professores para buscar alternativas à

Sindicato reuniu professores para buscar alternativas à burocracia na UFSM

levar adiante o processo de avaliação acabam travando a própria progressão. A tal ponto que hoje o que, em termos práticos, tem sido considerado válido para a ascensão é o título. Para a professora Lorena Marque- zan, do departamento de Fundamentos da Educação da UFSM, “há um

preconceito contra os mestres na

universidade”. A frase foi dita no dia 11 de março, durante a reunião ocorrida na SEDUFSM, com diretores

do sindicato e assessoria jurídica com

o

objetivo de discutir alternativas para

o

problema da progressão. Em relação

a

essa percepção da professora,

existem outras pessoas que concordam com esse ponto de vista. Além do caso do professor do curso de Arquitetura e Urbanismo, Hugo Blois Filho (destaca- do na edição de fevereiro, coluna Radar, pág. 03), que levou cerca de um ano até que conseguisse ser avaliado por uma comissão e ainda continua com seu processo tramitando na instituição, outras situações parecidas têm se repetido na instituição. Na reunião do dia 11 de março, foi relatado um fato envolvendo um professor do curso de Medicina, que teve seu pedido para avaliação rejeitado no CEPE. Os argumentos usados foram de que se o professor não havia feito doutorado, isso era uma situação inexplicável, pois “Porto Alegre é perto”. É justamente essa condição de ter que expor motivações, muitas vezes pessoais, na justificativa que acompa- nha o pedido para submeter-se a avaliação é que causa perplexidade. Para o advogado Heverton Padilha, da assessoria jurídica da seção sindical, no momento em que o servidor público precisa expor questões pessoais num documento público, isso acaba ferindo um dos princípios da administração pública, que é o da “impessoalidade”.

Hierarquia das leis

 
Docentes rejeitam "justificativa" para obter ascensão na Carreira

Docentes rejeitam "justificativa" para obter ascensão na Carreira

A SEDUFSM realizou dois encontros com professores inte- ressados em discutir os entraves e as possíveis soluções à progressão na Carreira. O primeiro, no dia 11 de março, com 18 pessoas e, o segundo, no dia 18, com 12 pessoas.Além dos diretores, Hugo Blois Filho e Rondon de Castro, também esteve presente, na primeira oportunidade, o advo- gado Flavio Ramos e, na segunda, o advogado Heverton Padilha. Os dois assessores da seção sindical enfatizaram que a legislação maior, ou seja, tanto o Plano Único de Classificação e

Formação Sindical

O ANDES-SN e a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Espírito Santo – ADUFES Seção Sindical promovem um Curso de Formação

Sindical, em Vitória - ES, de 23 a 25 de abril. A atividade atende a deliberações congressuais, a demandas da base

e,

de acordo com análise da diretoria do ANDES-SN,

tem como principal objetivo formar novos quadros de militância que possam participar mais efetivamente das lutas empreendidas pelos trabalhadores e pelo ANDES- SN. As inscrições estão abertas para sindicalizados até 5 de abril. Os interessados podem procurar as Seções Sindicais para que elas efetivem as inscrições na Secretaria doANDES-SN.

Retribuição em Cargos e Empre-gos (PUCRCE), como o decreto (1987) que regulamentou o Plano, não preveem a existência de uma “justificativa” a ser analisada antes de o professor solicitar a progressão na Carreira. Esse adendo acabou aparecendo numa Portaria do MEC em 1987 e na

 

Alguns Alguns dos dos temas temas da da programação: programação:

 

-

A construção do ANDES-SN em oposição à estrutura

resolução da UFSM, em 1990. Heverton Padilha explica que existe uma “hierarquia nas leis”. Isso quer dizer que portarias ou mesmo resoluções internas de uma instituição não são superiores a um decreto federal. O advogado ressaltou que isso faz parte do que na administração pública se chama de princípios básicos, que são: o da legalidade, da razoabilidade, hierarquia das leis e o da impessoalidade.

sindical vigente – MárcioAntônio de Oliveira;

 

-

As transformações recentes do processo produtivo e

a

reorganização da classe trabalhadora: suas formas

materiais e organizacionais –Antonio de Pádua Bosi;

 

-

O processo de luta dos trabalhadores, suas formas

DEFINIÇÃO DEFINIÇÃO

 

organizativas até o assim chamado neoliberalismo –

Oswaldo Coggiola;

Das duas reuniões que aconteceram na SEDUFSM foi tirado como conclusão que os docentes que preenchem os requisitos para progressão na Carreira deverão elaborar um requerimento padrão para ser encaminhado à Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD). Esse requerimento será montado pela assessoria jurídica do sindicato e deverá ficar pronto ainda na primeira quinzena de abril.

 

-

A construção da CONLUTAS como resultante do

processo de reorganização progressiva da classe trabalhadora – Hélvio Alexandre Mariano. (Fonte:

ANDES-SN)

04

MARÇO/2010

Publicação da Seção Sindical dos Docentes da UFSM / ANDES

PONTO &

PONTO &

SIM

Dalvan José Reinert

A atual expansão das universidades

REUNI: novo patamar de desenvolvimento

Professor Titular do departamento de Solos. Vice-reitor da UFSM

Com a sua fundação em 1960, a UFSM se fez pioneira na interiorização do ensino superior federal no país, o que significou propiciar aos jovens da nossa região o acesso facilitado à universi- dade pública e gratuita. Quase 50 anos depois, com sua adesão ao REUNI, a nossa Universidade mantém esse espíri- to republicano e democrático, partici- pando do esforço do MEC em dispor condições de ingresso a uma parcela mais expressiva da população brasi- leira. Perdura no momento atual a mesma preocupação em trazer qualida- de à formação dos estudantes universi- tários. Naquele início, ainda na década de 60, era quase impensável ter uma Instituição Federal de Ensino fora das capitais, para onde os egressos do ensino médio precisavam se deslocar para adquirir conhecimento. A razão para que houvesse esta centralização era justamente a crença de que só os grandes centros urbanos detinham as condições para que se oferecesse “qualidade”. No entanto, estamos hoje comemorando meio século em que a UFSM se afirma como uma das melhores IFES do país, em vários quesi- tos que vão de qualificação docente, assistência estudantil à expansão física. E não se trata de um fenômeno que se verifica apenas aqui, em Santa Maria, pois a totalidade das Universidades Federais aderiu ao programa. Além disso, todas as Unidades de Ensino da UFSM se engajaram na elaboração do nosso projeto. Com o REUNI podemos dizer que inauguramos um período de investi- mento no sentido de elevar a UFSM a um novo patamar de desenvolvimento, cujos indicadores sinalizam para uma melhoria na qualidade. Houve um crescimento do número de cursos e de vagas de graduação, respectivamente, de 67 em 2008 para 100 em 2010 e de 2.826 em 2008 para 4.847 em 2010, o que significa a inclusão social de jovens que só puderam acessar um ensino público de qualidade, em razão das oportunidades criadas. O programa também possibilitou o ingresso de novos docentes, o que significa uma renovação no quadro de professores (326 até 2012); novos equipamentos e prédios ampliaram a capacidade da

novos equipamentos e prédios ampliaram a capacidade da melhorar a infraestrutura disponibi- lizada (até 2009 foram

melhorar a infraestrutura disponibi- lizada (até 2009 foram R$ 31 milhões em obras contratadas e R$ 10,3 milhões empenhados em equipamen- tos). Dezenas de obras novas e refor- mas estão sendo realizadas represen-

tando um investimento que há décadas não se via. Com isso se pode dizer que se efetiva a oferta de ensino e pesquisa com desempenho cada vez mais reconhecido nacional e internacionalmente.

(em 2010 são 118 bolsas de mestrado

e doutorado) com impacto claro nos cursos de graduação.

Nos últimos anos, havia uma oferta em torno de 2.800 vagas para ingresso na UFSM, disputadas por, em média, 20.000 candidatos. Colocava-se, portanto, o desafio de implantar uma nova política de expansão conciliando

o aumento de vagas com a qualidade

de ensino. Diante das dificuldades, durante décadas observou-se uma estagnação, que não

“O programa REUNI pode ser um vigoroso alicerce dos cursos já existentes”
“O programa
REUNI pode
ser um vigoroso
alicerce dos
cursos já
existentes”

O

REUNI

propiciou

que se criassem novas oportunidades aos candidatos a um curso superior, com novas licenciaturas e cursos noturnos, per- mitindo uma maior abrangência de público

fazia frente à demanda crescente por mais vagas e opções de formação. E isso não corresponde à função social da Instituição, no sentido de dar aten- ção aos jovens egressos

interessado, com um perfil social de ingressantes que necessitam da oferta de horários diferentes daquela de cursos diurnos. Além de preservar a qualidade está contribuindo para

melhoria dos cursos de pós-graduação

do ensino médio. Ter aderido ao REUNI signifi- cou a possibilidade de mudar uma realidade que não apresentava soluções no curto prazo. Agora, os críticos do programa colocam em questionamento a atenção à qualida-

de. Mas afinal o que vem a ser qualidade

de ensino?

De um modo geral, o conceito de qualidade e a disseminação de seu uso baseado nos resultados indicam que a sua mensuração se dá à medida que uma instituição é criada, implantada e se desenvolve. Disso se depreende, gene- ricamente, sem muito aprofundamento, que, em uma instituição de ensino, a infraestrutura deve ser adequada para atender às demandas de modo satisfa- tório, os professores e técnicos adminis-

trativos em educação devem cumprir satisfatoriamente os seus papéis, e os estudantes devem estudar com diligên- cia – é a medida de sucesso garantido. Como um processo que abrange ação e avaliação, há necessidade de indica-

dores que a instituição deve adotar para quantificar o seu desempenho. No que se refere às IFES, os indicadores de qualidade comportam dados da Avaliação institucional, dos relatórios

da Capes, das avaliações do Inep, como

Enade, SINAES, etc. Como o REUNI é ainda um programa que está sendo implantado, embora já se percebam resultados positivos, estes dados

poderão, em um futuro breve, indicar o acerto das medidas tomadas hoje.

A UFSM se soma às demais IFES no

esforço de fazer frente às necessidades geradas por um expressivo contingente

de jovens ainda sem acesso ao ensino

universitário, a característica perversa- mente seletiva do alunado matriculado no ensino superior, o crescimento desproporcionado do sistema privado e

a necessidade de contar com mais

quadros com formação científica,

tecnológica e cultural para o desenvol- vimento do país.

O programa REUNI pode se consti-

tuir em um vigoroso alicerce dos cursos

já existentes, pois traz o aumento de

salas de aula e laboratórios, de equipa- mentos e, com a chegada de novos do-

centes, propicia-se uma oxigenação na UFSM. Serão 326 novos professores, na sua grande maioria com o título de doutor. Certamente que o programa REUNI, garantidos os instrumentos que encerra, tem amplas condições para contribuir para o permanente desenvol- vimento da universidade brasileira, meta compartilhada por todos nós.

Publicação da Seção Sindical dos Docentes da UFSM / ANDES

MARÇO/2010

05

CONTRAPONTO

CONTRAPONTO

tem ocorrido com qualidade?

NÃO

Universidade na contramão da qualidade

Glades Tereza Felix

Clóvis Renan Jacques Guterres

Professora Adjunta do departamento de Administração Escolar da UFSM

Não há espaço suficiente aqui para abordar os vários aspectos relativos à

Reforma universitária do Governo Lula e as suas conseqüências para a socie- dade brasileira. É perfeitamente possí- vel, entretanto, tratar dos primeiros sintomas vivenciados após a propalada “democratização do ensino superior” pelo formato REUNI.

O principal argumento que deseja-

mos apresentar neste ensaio é a perda

do comprometimento da qualidade da educação superior por conta da recon- figuração do modelo de universidade preconizado na Constituição Federal de 1988 pelo tipo ensino de massas, tanto em volume como em soma de alunos,

fragmentos têm relação direta

com a concepção de profissionais e,

sobretudo, com a concepção hegemô- nica de educação no país.

Por conta disso, as IFES antigas e consolidadas estão hoje, enfrentando um dilema em relação ao qual elas, desde sempre, estiveram mal prepara- das para responder; a expansão com qualidade. O plano de expansão longe de ter sido só uma ameaça, por seu conteúdo e a metodologia nunca representaram a sociedade brasileira uma transição resultante de uma política planejada, porque eivado de intenções políticas e mercantis, está gerando um colapso, na maioria de nossas IFES, conforme atesta o Dossiê-denúncia, “o Livro cinza do REUNI” (jul/09). A título de ilustração vamos abordar como se coloca a inserção de algumas IFES no Plano e como está sua implementação, o que possibilita confirmar com fatos e medidas o plano que gerou grande expectativa aos desavisados e temores no movimento estudantil e docente.

A Coordenadora do Curso de Artes

cujos

Cênicas da UFSC, diz que como qualquer curso novo, o seu também se depara com demandas de espaço e isso vai ocorrer até que a comunidade se acostume a compartilhar espaços. Na UFMG falta professor devido a atrasos

na autorização para con- tratação. Na UFABC dos seis blocos previstos, só um funciona. FURG au- mentou 35% de vagas/

aluno e 7,7% de professores. UFF aumento alunos em 66% e 9% de professores. Em nível local, nos depa- ramos com o atraso na entrega da maioria das obras, na UDESS em Silveira Martins os

C u r s o s

Tecnólogos

oferecidos

s e m

vestigação

têm baixa

procura. Já o

E d i t a l

39/2009 que

t r a t o u

ingresso e reingresso revela grande número de vagas ociosas, dada à falta de assistência estudantil e condições que denotem a qualidade dos cursos, prin- cipalmente no CESNORS, nas Licenciaturas e Cursos Noturnos da UFSM.

No Relatório de Auto-avaliação/ 2008 do Centro de Educação detectamos a falta de elementos básicos como iluminação

precária no Campus à

noite, falta de servi- dores e de espaço físico adequado para aulas, fotocopiadora

e setores nos três tur-

nos. Portanto, qual- quer análise alardean- do sucesso relacionado à qualidade, quantidade e

financiamento são tendenciosas dadas às condições atuais e futuras das IFES.

A correção dessas falhas passa pelo

Professor Associado do departamento de Fundamentos da Educação da UFSM d e n º d
Professor Associado do departamento de Fundamentos da Educação da UFSM
d e
n º
d e
mínimo de qualidade, o que se
subentendem boas condições

i n -

pedagógicas e estruturais. Seria um erro ver esta situação mera- mente como um problema

“O plano de expansão está gerando um colapso na maioria das IFES”
“O plano
de expansão está
gerando um
colapso na
maioria das
IFES”

temporário, prestes a ser superado pelos próxi- mos governos, como advogam muitos defensores. De fato, pode-se argumentar que a própria estru- tura da abordagem

dominante na teoria democrática liberal possi- bilita o consenso de que com o tempo as coisas se resolvem bem ao estilo dos reformistas. Isso comprova que não adianta só

criar cursos, aumentar alunos e contratar docentes sem o aporte financeiro necessário para recuperação da infraestrutura das IFES e requali- ficação do quadro de servidores, se até o Ministro da Educação já anunciou que os R$ 2,5 bilhões referente aos quatro anos do Plano já foram gastos em dois anos. Como manter tal herança sem investimentos? Depois disso nada mais será como antes, nem, no Quartel de Abrantes já que o novo tipo de IES já se instalou pela contramão da qualidade através de novas formas de expansão, métodos, organização e coerção, novos tipos de docência, investigação e difusão funcionais, relativamente à ordem existente.

06

MARÇO 2010

Publicação da Seção Sindical dos Docentes da UFSM / ANDES

OPINIÃO OPINIÃO

A expansão do ensino superior está acontecendo com qualidade?

 
A expansão do ensino superior está acontecendo com qualidade?  

Fotos: FRITZ NUNES

Maristela Souza, 40 anos, professora do departamento de Desportos Individuais do CEFD. “No meu entendimento,

Maristela Souza, 40 anos, professora do departamento de Desportos Individuais do CEFD. “No meu entendimento, uma universidade que se sujeita a atingir as metas do REUNI (18 por 1 e 90% de conclusão) em troca de poucas verbas adicionais, se transforma em universidade apenas de ensino, além do que, este ensino será de baixa qualidade devido à ausência da pesquisa e da extensão. Essa questão pode ser observada na relação

entre o aumento do número de vagas na UFSM através do REUNI e o número de bolsas de incentivo à pesquisa

à extensão. Os números demonstram o distanciamento

da universidade pública das suas funções de produção e

e

socialização de conhecimento científico, tecnológico e cultural.”

Luiz Antonio Rossi de Freitas, 5 2 a n o s , p r o f e s s o r d o departamento de Ciências Econômicas do CCSH. “Do meu ponto de vista, a expansão como está colocada hoje leva para uma redução na qualidade em função da estrutura. A universidade não tem um respaldo suficiente para enfrentar uma expansão nesse nível. A ideia é boa, com um alcance muito significativo, mas precisa de um acompanhamento, de uma estrutura, até mesmo em função da situação pessoal de cada professor e

mas precisa de um acompanhamento, de uma estrutura, até mesmo em função da situação pessoal de

Servidor federal unificado contra medidas do governo

O domingo, dia 14 de março, foi marcado, em Brasília, pela retirada de ações unificadas dos servidores públicos para temas comuns que os afetam. As ações foram discutidas durante a plenária dos Servidores Públicos Federais (SPFs), organizada pela Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais (CNESF), na qual o ANDES-SN possui assento. Nesta reunião foram discutidos os eixos de luta para 2010 e também um calendário de atividades para deflagrar a Campanha Salarial. Os eixos de lutas encaminhados correspondem a cinco pontos e expressam a gravidade da conjuntura:

Oposição ao Projeto de lei complementar (PLP 549/09), que limita os gastos com os servidores federais por 10 anos (veja matéria tratando do tema abaixo);

*

* Oposição ao PLP 248/98 (que trata da avaliação de desempenho do servidor);

* Contra a regulamentação do direito de greve;

 

Contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 341), que retira da Constituição Federal todos os direitos sociais.

*

*

Defesa da paridade entre ativos e aposentados, com garantia de integralidade de vencimentos

funcionário, para que possam suportar esse novo alcance

para os últimos. Na plenária dos SPFs também foi retirado o 1º de abril como a data para a realização de atos e protestos e mobilizações nos estados. Ficou definido também que os servidores públicos federais realizarão um grande ato nacional em Brasília no dia 15 de abril, a partir das 9h, com a presença de caravanas vindas de todos os Estados.

atendimento. Então, nós estamos hoje numa situação de difícil operacionalização da universidade”.

e

de difícil operacionalização da universidade”. e Beatriz Pippi Quintanilha, 58 a n o s , p

Beatriz Pippi Quintanilha, 58 a n o s , p r o f e s s o r a d o departamento de Artes Cênicas do CAL. “Sou bastante otimista com a questão da expansão através do R E U N I , d e s d e q u e , evidentemente seja cumprido aquilo que nos foi prometido.

Existe um aceno para uma série de melhorias na universidade. Em função disso, nós criamos a licenciatura em teatro. Por enquanto, fomos atendidos na nossa demanda. Fizemos um acordo interno com o nosso departamento de que o espaço físico que nos for destinado ficará dentro do Centro. Temos, sim, uma preocupação de que esses espaços novos prometidos vão ser entregues dentro dos prazos. Por enquanto, por exemplo, os novos professores solicitados foram contratados no ano passado. Agora solicitamos três vagas para 2010, que foram prometidas, e estamos no aguardo. Então, nosso otimismo tem relação direta com

Congelamento salarial

O PLS 611/07 (complementar), dos líderes do Governo no Senado, que já foi aprovado naquela

Casa do Congresso e que tramita agora na Câmara sob a sigla PLP 549/09, congela o gasto com servidores federais no período de 2010 a 2019, permitindo apenas a reposição da inflação, mais 2,5% ou a taxa de

além da desvinculação da despesa de pessoal com um percentual da receita líquida corrente da União, haveria o congelamento dos valores

gastos com a folha a partir de 2010, os quais se encontram muito abaixo do limite de 55% da receita líquida do Governo Federal. Considerando que o índice

“Aprovação do PLP 549/09 significa suspensão da atualização salarial até 2019” (Antonio Queiroz, analista
“Aprovação
do PLP 549/09
significa suspensão
da atualização
salarial até 2019”
(Antonio Queiroz, analista
do DIAP)

crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), o que for infe- rior, a título de aumento real. Aparentemente, o projeto garante reajuste salarial nesse período, porque repõe a infla- ção e ainda dá ganho real de até 2,5%, mas as aparências enga-

correspondente à inflação mais o aumento real de até 2,5% previstos no projeto se destinam a cobrir todas as despesas com pessoal - tanto as decorrentes do crescimento vegetativo da folha, que consome mais de 2%, quanto às oriundas de novas

nam, avalia Antonio Augusto de Queiroz, analista político e diretor

contratações por morte ou aposentadoria, de reestruturação ou

o

cumprimento das metas acordadas, principalmente na

de documentação do departamento Intersindical deAssessoria Parlamentar (DIAP). Segundo Queiroz, a eventual aprovação conclusiva desse projeto significará a suspensão de qualquer atualização salarial até 2019, já que,

até de ampliação de vagas em face da ampliação da presença do Estado na prestação de serviços essenciais - não sobrariam recursos para reajustes lineares, ressalta o analista do DIAP.

questão da ampliação do espaço físico. Isso porque a partir do semestre que vem não temos mais como acomodar alunos do bacharelado e da licenciatura”.

Publicação da Seção Sindical dos Docentes da UFSM / ANDES

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Pressão aos deputados

Valeska Fortes de Oliveira, 45 a n o s , p r o f e

Valeska Fortes de Oliveira, 45 a n o s , p r o f e s s o r a d o departamento de Fundamentos da Educação do CE. “Penso que as atuais políticas governamentais têm sido, em primeiro lugar, pouco discutidas no espaço da universidade. Quando entram nos debates, temos a sensação de que já está tudo decidido e que, uma opinião contrária, soa, muitas vezes, como uma oposição à idéia da expansão do ensino público superior. O que se percebe, nessa expansão, é a criação de cursos sem a garantia das vagas para novos profissionais que atendam as demandas, que, agora, começam a aparecer. Mas, se considerarmos que não são somente os professores e técnico-administrativos que garantirão uma qualidade esperada, mas, ainda é preciso uma infra-estrutura mínima, então, podemos dizer que a expansão não tem sido com qualidade.”

dizer que a expansão não tem sido com qualidade.” Gilmor José Farenzena, 53 anos, professor do

Gilmor José Farenzena, 53 anos, professor do departamento de Saúde da Comunidade do CCS. “O que a gente pode dizer atualmente é que nós tínhamos uma previsão de aumento nas vagas em 20% até 2012. Mas, a gente está em 2010, e esse semestre especificamente, o número de matriculados em algumas disciplinas do primeiro semestre de Medicina já ultrapassa essa previsão. A gente já tinha exatamente 61 alunos matriculados ou pré-matriculados. E isso preocupa na medida em que a gente não tem, no caso da Medicina, nem área física, nem salas com esse número de assentos. Então, já dá para ver que para ministrar algumas disciplinas vai ser complicado. Esses alunos, no futuro, estarão em atividades de internato, em atividades que necessitam de grupos pequenos. Vão ter docentes suficientes para isso? São grandes interrogações que a gente tem”.

CRIS MAIA/SINASEMPU

Representantes dos servidores públi- cos federais se reuniram, na quarta, 17 de março, com o deputado Luiz Carlos Buzato (PTB-RS), que será o relator do Projeto de Lei Complementar nº 549/09. O PL, já aprovado no Senado Federal e agora em tramitação na Câmara, congela os gastos dos órgãos federais com folha de pessoal por dez anos. A iniciativa de procurar e pres- sionar os deputados foi retirada na Plenária dos Servidores Públicos Fede- rais, no dia 14 de março (ver matéria à página 06). A 1ª vice-presidente da Secretaria Regional Sul do ANDES-SN, Bartira

Silveira Grandi, o representante do Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério Público da União – Sinasempu, Laércio Bernardes dos Reis, e os demais servidores públi- cos presentes à reunião explicaram ao deputado o quanto o PLP-549/09, se aprovado, poderá preju- dicar a categoria e, conseqüentemente, afetar a qualidade da prestação dos servidos públicos à sociedade brasileira. Bartira relatou ao deputado que, na Plenária dos Servidores Públicos Federais (SPFs), realizada com a presença de mais de 150 delegados de dez entidades representativas da categoria, a luta contra o PLP-549/09 foi apontada como uma das principais bandeiras para 2010. “Se aprovado, este projeto impedirá qualquer perspectiva de reajuste salarial para os servidores por dez anos, já que os

salarial para os servidores por dez anos, já que os Laércio Reis (Sinasempu), deputado Buzato (PTB-RS)

Laércio Reis (Sinasempu), deputado Buzato (PTB-RS) e

Bartira Grandi (ANDES-SN)

limites orçamentários propostos para os próximos anos são inferiores ao crescimento vegetativo da folha de pagamentos”, esclareceu. Conforme Bartira, o projeto impede a contratação de novos servidores e limitará até mesmo a execução de obras como reformas em escolas e hospitais, já que não considera o crescimento da população e o conseqüente aumento da demanda por serviços públicos. O deputado afirmou que ainda não havia se inteirado do teor do projeto para o qual acabava de ser designado relator, mas se comprometeu a analisar com atenção os documentos encaminhados pela Coordenação Nacional das Entidades dos Servidores Públicos – CNESF.

Funcionalismo afrontado

As preocupações com propostas que alteram direitos importantes dos servidores federais não se resumem à questão do congelamento salarial, como foi destacado à página 06. Neste caso, a referência é ao Projeto de Lei Complementar (PLP 248/98), enviado ao Congresso ainda no governo FHC, mas não retirado pelo governo Lula. Esse projeto disciplina a dispensa do servidor por insuficiência de desempenho. O projeto regulamenta o inciso III do parágrafo 1º do artigo 41 e o artigo 247 da Constituição, que dispõe sobre avaliação de desempenho para efeito de dispensa por insuficiência de desempenho e definição de critérios e garantias especiais para a perda do cargo pelos servidores que desenvolvem atividades exclusivas de Estado (EC 19/98), as chamadas carreiras exclusivas. No projeto, o que se prevê é que:

1) O servidor estável poderá ser demitido, com direito ao contraditório e a ampla defesa, se receber: a) dois conceitos sucessivos de desempenho insuficiente, ou; b) três conceitos intercalados de desempenho insuficiente, computados os últimos cinco anos; 2) A avaliação anual terá por finalidade aferir: a) cumprimento de normas de procedimentos e de conduta no desempenho das atribuições do cargo; b) produtividade no trabalho; c) assiduidade; d) pontualidade; e e) disciplina; 3)Acomissão de avaliação é composta de quatro servidores, pelo menos três deles estáveis, com três ou mais anos em exercício no órgão e com nível hierárquico não inferior ao do servidor a ser avaliado, sendo um deles seu chefe imediato do servidor a ser avaliado. As entidades de servidores federais (CNESF) também estão protestando contra outra proposta em tramitação na Câmara Federal: é a Proposta de Emenda (PEC 341/09), do deputado Regis de Oliveira (PSC-SP), que reduz de 250 para 60 os artigos do texto permanente da Constituição Federal e de 95 para apenas um os artigos doAto das Disposições Transitórias. Se aprovada, a PEC retira do texto da Constituição todos direitos e garantias que signifiquem despesas, como os direitos sociais dos trabalhadores, os direitos dos servidores públicos, e, principalmente, os direitos, garantias e regras da previdência pública, tanto dos trabalhadores quanto dos servidores. AVALIAÇÃO- A presidente da SEDUFSM, professora Fabiane Costas, considera “interessante” que no apagar das luzes do governo Lula existam três projetos tramitando, que foram encaminhados pelo governo FHC, mas “ressuscitados” pelo atual governo. Para Fabiane, a tentativa de aprovar “de afogadilho” propostas que tratam de temas amplos e graves como o “fim da estabilidade” e “regulamentação do direito de greve” confirma a necessidade de cumprir a agenda internacional que serve aos interesses de uma economia globalizada e perversa, que coloca o Brasil e seu presidente "trabalhador" como expoentes. Tudo isso, diz ela, à custa do barateamento da educação, da precarização do trabalho docente e do desrespeito aos trabalhadores.

ELES DISSERAM

“Ela (Dilma Roussef) é a Dilminha Barrichello – ameaça, mas não conquista nenhuma pole

position.” (Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, no Correio do Povo de 29.03.2010, pág. 03)

“É bom para ninguém ficar achando que a eleição vai ser fácil, para alguns setores do PT não ficarem com o clima de euforia que estava tomando conta”.

(Deputado Fernando Ferro, do PT-PE, sobre a pesquisa mais recente que mostra que se ampliou a diferença de José Serra para Dilma Roussef na pesquisas. Folha de São Paulo, 28.03.2010,

pág.A6)

“O Brasil e o PSDB têm uma enorme dívida com FHC. Ele merece todo o respeito pela contribuição

que deu ao país”. (Arnaldo Madeira, ex-líder do governo FHC na Câmara. Folha de São Paulo, 27.03.2010, pág.A22, especial).

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COM A PALAVRA

COM A PALAVRA
Fotos: FRITZ NUNES
Fotos: FRITZ NUNES

Numa entrevista publicada no Jornal da SEDUFSM de novembro de 2008, o professor de História Contemporânea da Universidade Estadual de São Paulo (USP), Osvaldo Coggiola, previu que a crise econômica em andamento causa- ria “demolição dos mercados emergen- tes”. Passados 15 meses, em janeiro de 2010, o docente da USP, que apesar de ter nascido na Argentina e hoje morar no Brasil, teve sua formação superior em História e Economia na França, continua defendendo o mesmo ponto de vista. Segundo ele, a crise tem um ritmo

próprio e não afeta a todas as economias de uma mesma forma. A prova, segundo ele, é que, agora, quase um ano e meio depois, que a Grécia, um país europeu, passou a ser afetado drasticamente, e levando o governo daquele país a adotar medidas que sacrificam a maioria da sociedade. Para Coggiola, no Brasil, onde já se fala que economia já está recuperada, os resquícios da crise não são pequenos. Além de ter sido ampliado

o desemprego, problematizando ainda

mais a questão social para um país já carente de vagas de trabalho, o cenário conjuntural ainda é complexo. Não apenas o historiador da USP, mas alguns especialistas em Economia já começam a enfatizar o crescimento do

défciit comercial brasileiro e o déficit em contas correntes. “A crise no Brasil não

se manifestou na forma financeira, mas,

com certeza, não se resume a uma marolinha”, destaca Osvaldo Coggiola. Acompanhe a seguir a entrevista concedida em Belém, ainda durante o 29º Congresso do ANDES-SN:

Osvaldo Coggiola

Crise econômica ‘ não é uma marolinha'

PERGUNTAS&RESPOSTAS

P- Professor Coggiola, o sr. tem

falado que a crise econômica deu uma trégua, mas não acabou. Existe um prazo para ela voltar. Qual a sua avaliação? R- A palavra não seria bem trégua. As crises não estabelecem tréguas. Toda a crise, toda a depressão, passa por momentos de maior agravamento ou de menor agravamento. Agora, o que tem sido feito é a injeção de fundos públicos para a salvação dos capitais falidos. Isso foi conseguido ao custo de um brutal endividamento dos grandes estados capitalistas e da desvalorização do dólar a partir de uma emissão monetária sem precedentes. Então, nós estamos passando de uma fase da crise que foi caracterizado pelo afundamento do crédito privado para uma fase que, em pouco tempo, será caracterizada pelo afundamento do crédito público. Isso será uma fase ainda mais aguda. Não se pode dar datas exatas, mas isso já está acontecendo. Um exemplo, é a bolha dita islâmica, ou seja, o afundamento de Dubai (Emirados Árabes) é uma expressão disto. A crise atual não é igual às precedentes, mas, reconhece os mesmos funda- mentos de todas as crises capitalistas. Ou seja, é uma crise de super produção, de desvalorização dos capitais, que se expressa na forma de uma falência generalizada dos capitais, que só conseguem sobre- viver na base de uma destruição importante das forças produtivas

sociais, a falência de muitos desses capitais, com um processo de concentração de capital, do uso de recursos públicos para salvar o capital, à custa dos trabalhadores, que são os principais contribuintes das finanças públicas e que servem para salvar o capitalismo. Mas, os remédios até agora têm sido paliativos, conjunturais, e não conseguem responder, pois a crise está longe de acabar.

P- Em novembro de 2008, no auge

da crise, em entrevista ao Jornal da SEDUFSM, o sr. chegou a dizer que os mercados emergentes estavam sendo “demolidos”. Isso aconteceu ou ainda vai acontecer?

R- Isso já está se verificando. O

Brasil, que era considerado líder dos BRICs (sigla que representa os países de rápido desenvolvimento: Brasil, Rússia, Índia e China), passou a ter um déficit comercial e um déficit em conta corrente maior em duas décadas. Então, nós temos uma situação em que isso já está acontecendo. Claro, temos também as altas taxas de crescimento da China e da Índia. Mas, não se deve confundir taxa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) com desenvolvimento das forças produti- vas sociais. Até porque muitas vezes essas taxas de crescimento incluem inchaço artificial e financeiro dos capitais existentes. O que parece é que a China manteve a superva-

lorização da sua moeda, que está sendo pressionada por ser valorizada pelos Estados Unidos e Europa. O que aquele país tem feito para superar essa situação é tentando desenvolver o mercado interno. O problema é que o mercado interno da China não se desenvolve porque com a queda dos mercados externos, houve aumento no desemprego e toda uma série de elementos da crise mundial que prejudicaram essa possibilidade. Ou seja, a crise se desenvolve seguindo ritmos diferenciados por regiões do mundo. Mas, o que se vê é uma acumulação crescente de problemas. Os dados da conjuntura muitas vezes são extrapolados de forma unilateral. Já se chegou a anunciar que a crise havia acabado. Contudo, a crise continua aí. E o que se chama de queda dos mercados emergentes é um processo que já está em curso no Brasil e na Rússia, e com ritmos menores, chegará ainda a China e Índia, que são os outros dois considerados grandes mercados emergentes. No Brasil, por exemplo, o financiamento de R$ 120 milhões do PAC para obras público- privadas justamente para salvar as empresas brasileiras. Isso significa que aqui temos o mesmo cenário que Europa e Estados Unidos, injetando dinheiro público para salvar empresas.

P- Na sua avaliação, como o Brasil se saiu diante da crise econômica internacional? R- Na América Latina em geral, houve

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um retrocesso produtivo, uma queda de crescimento do PIB, mas a crise não se manifestou na sua forma financeira. Ou seja, não houve falência de grandes instituições financeiras como nos Estados Unidos e na Europa. Isso deu a impressão que se tratava de uma “marolinha”. Mas, na verdade houve uma queda do crescimento econômico, um déficit comercial, e principalmente se manifestou no setor dos trabalha- dores, com altas taxas de desemprego, sendo que o Brasil já possui uma taxa de desemprego estrutural entre as mais altas do mundo (nas grandes capitais chega a atingir 15%). Portanto, temos uma situação de falência potencial em diversos setores da economia. Possivel- mente, o setor de cartões de crédito

venha a ser um dos primeiros a mani- festar situação falimentar aqui no Brasil.

E o fato de o desemprego, no Brasil,

aumentar, significa que a crise está

sendo descarregada nas costas dos trabalhadores. Mas, isso não significa que a crise já acabou. A política do governo para combater isso será manter

ou até incrementar os programas sociais focalizados. Mas, o aprofundamento

desses programas é questionado justa- mente pela situação de déficit comercial

e em conta corrente, ou seja, pela

situação de crise em que se encontram as contas nacionais. Por isso, o governo pode mantê-los durante um certo perío- do, mas em dado momento não haverá mais dinheiro para expandir esses programas. A ideia seria expandi-los muito nos próximos anos. A tal ponto que, no mundo, se começa a falar numa espécie de modelo brasileiro. Um liberalismo de mercado com sensibili- dade social. O Bolsa Família foi proposto por economistas para ser implementado em países com economias em crise, inclusive nos Estados Unidos e Europa. O problema é se esse modelo entrar em crise. Nos Estados Unidos nós já temos o alarme de que 6 milhões de chefes de família não têm renda alguma e vivem dos subsídios governamentais. Mas, no Brasil, que tem uma população menor e uma economia menor que a dos Estados Unidos, o número de desempregados é maior. Portanto, nós temos uma situação em que esse modelo revela toda a sua precariedade. Agora se fala em transformar esses programas sociais em lei, passando assim a fazer parte do arcabouço institucional e constitucio- nal. Porém, isso seria uma medida mais de caráter propagandístico, pois se o número de pessoas beneficiadas não se amplia, mas se reduz e, por outro lado, se o poder aquisitivo dessas forças se reduz em virtude de um processo inflacionário, daí não adianta virar lei. Pode vir a acontecer da mesma forma que o salário-família que os professores recebem em seus contracheques. Alguém com quatro filhos, o valor não supera 1 real. Então, é uma lei social,

o valor não supera 1 real. Então, é uma lei social, mas que não vale nada.

mas que não vale nada.

No período de vacas gordas, (Hugo) Chávez podia manter uma face de bom negociante, de bom pagador perante os Estados Unidos e as empresas estrangeiras e, ao mesmo tempo, investir nas políticas sociais. Agora não vai dar mais. A Venezuela agora

vai ter que optar se avança ou não no sentido de expropriar empresas estrangeiras sem compensação e nacionalizar os recursos produtivos. E, principalmente, vai ter que atacar o problema da dívida, pois o país está totalmente endividado. Não uma grande dívida externa, mas uma dívida interna fabulosa. O Estado venezue- lano está endividado junto aos bancos privados, nacio-

P- Em relação à Venezuela. A gente sabe que um dos efeitos da crise foi a queda do preço do petróleo no mer- cado internacional. E a gente obser- va, à distância, que a crise tem se ampliado naquele país, com congela- mento de preços, entre outras coisas. Como o sr. avalia o quadro vivencia- do pela Venezuela? É grave, pode levar a que o ‘chavismo’seja posto em xeque? R- Na verdade já há uma crise muito

forte nesses países. Eles se beneficia- ram, mesmo no período da crise, com a especulação do preço das matérias-primas, como o

“Brasil enfrenta falência potencial em diversos setores da economia”
“Brasil
enfrenta falência
potencial em
diversos setores
da economia”

petróleo e o gás. Só que a fase dos preços altos das comoddities aca- bou. Houve uma queda abrupta dos preços e com isso caiu muito a renda nacio-

nal. Em função disso, nós tivemos uma situa- ção de inflação muito forte

nais e estrangeiros. Se essa dívida for rolada, pagando apenas os juros e ela se transfor- mar em cada vez maior, pode abrir es- paço para a volta da

direita, com a ocorrên- cia de mercado negro, desabastecimento nos mer- cados.

na

Venezuela, fazendo com que

o

poder aquisitivo do país caísse

bastante. E, agora, para piorar as coisas, está havendo racionamento de energia, coisa que parece absurda num país que produz energia, sendo um dos maiores exportadores de petróleo. E

por que isso ocorre? Porque não há infraestrutura, não se investe em infraestrutura.

P- O tempo das vacas gordas teria

acabado?

R- Exatamente. O superávit comer-

cial, principalmente, foi usado para

que? Para nacionalizações de empre- sas, que foram feitas através de pagamento, pelo valor de mercado ou mesmo por valores maiores que os de mercado. E em maior medida também

foi usado para programas sociais. Mas,

se esse superávit tivesse usado em infraestrutura ou se as empresas estrangeiras tivessem sido nacionali- zadas sem nenhuma espécie de compensação, a situação seria outra.

P- E ainda tem a pressão da própria Colômbia, país vizinho.

R- Sim, a Colômbia do lado e uma

situação tipo a chilena, em 1973, que tinha forte inflação, mercado negro, desabastecimento, racionamento de energia. E, uma parte da classe média, que hoje apóia as mudanças de Chávez, pode passar para o outro lado, criando a situação de uma ofensiva da direita para recuperar o poder. Essa tentativa de retomada pode ser por um golpe de estado ou mesmo por um golpe institucional, através das elei- ções. A direita pode usar qualquer um dos instrumentos, desde que tenha certeza que vai dar certo. O processo é bem mais complexo. E agora, por exemplo, temos a questão do Haiti, que está sendo aproveitada pelos Estados Unidos para mandar mais soldados para a região do Caribe. Não devemos esquecer que esses soldados, cerca de 10 mil, estarão em situação de

grande proximidade tanto de Cuba co- mo da Venezuela, numa região que já possui sete bases norte-americanas instaladas.

P- Justamente eu iria perguntar sobre qual o papel dos Estados Unidos nesse contexto de crise econômica. R- Os Estados Unidos sabem perfeita- mente que eles não saíram da crise de 1930 (Grande Depressão) através do New Deal (o ‘Novo Trato’ de Rosse- velt). Esse acordo foi paliativo e o que fez o país sair da crise foi a guerra (Segunda Guerra Mundial). Está claro que os Estados Unidos estão aprovei- tando todos os acontecimentos para criar cenários do tipo bélico. Disseram que se retirariam do Iraque, mas até agora não se retiraram e ainda incremen- taram a presença no Afeganistão. Então, no caso do Caribe, se antes era a Minustah, agora os Estados Unidos terão uma presença direta. Também incorporaram as bases militares na Colômbia. Por isso, temos uma situação em que as tendências belicistas do imperialismo norte-americano vão crescendo em função da própria crise.

P- O sr. tem dito que os capitalistas não têm uma solução para a crise que assolou e ainda causa estragos na economia mundial. Contudo, também enfatiza que os trabalhadores também não possuem essa solução. Qual seria o caminho então?

R- Os capitalistas nunca têm uma

solução para a crise. A solução, em geral, como aconteceu na crise de 30, em que os capitalistas se dirigiram cons- cientemente para a guerra porque sabiam que era a única solução para a crise. Mas isso foi acontecendo devido a uma dinâmica que escapa em grande medida ao controle dos capitalistas. E (a guerra) acabou sendo a saída capitalista para a crise. Uma saída extremamente custosa, até para eles, pois custou ao mundo um retrocesso econômico e social espetacular. Por outro lado, no movimento dos trabalhadores, não existe atualmente nenhum tipo de unida- de política, nenhum projeto alternativo. O máximo que existe do ponto de vista do que seria uma esquerda que teria propostas mundiais é o Fórum Social Mundial e coisas desse tipo, das quais certamente existem pessoas com boas intenções, mas que evidentemente não se constituem em nenhuma alternativa política. No máximo propõem soluções parciais para os problemas, mas não se estruturam como uma alternativa anti- capitalista baseada entre os trabalhado- res e em escala internacional. Isso não existe. Os trabalhadores não existem enquanto força política independente em escala internacional. Agora isso não significa que não existam tentativas, que não existam debates. Que não exista um acúmulo político. O que é necessário é retomar essas discussões.

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EXTRA-CLASSE

EXTRA-CLASSE

A UFSM com um pé na África

Fotos: ARQUIVO PESSOAL

A UFSM com um pé na África Fotos: ARQUIVO PESSOAL Mohamed Benkhelifa, professor argelino, na exposição

Mohamed Benkhelifa, professor argelino, na exposição feita no auditório do CCR

Um projeto desenvolvido com recursos do CNPq, envolvendo a UFSM, a UFPel e a Universidade de Passo Fundo pode garantir em breve, uma importante con- tribuição do Brasil, em especial da Uni- versidade Federal de Santa Maria, na capacitação de professores e na gestão de políticas públicas para a área rural em dois países africanos: Argélia e Moçam- bique. As “visitas exploratórias” possibilitaram que um grupo envolvido no projeto “Pró-África” visitasse a

Argélia entre o final de maio e o inicio de junho de 2009 e, no mês de agosto, a visita fosse feita a Moçam-bique. No mês de novembro, foi a vez de integrantes do projeto pelo lado argelino e moçambicano visitarem a UFSM e demais instituições parceiras.

A continuidade dessa relação está

sendo analisada pelos órgãos competen- tes dos três países envolvidos. Contudo, durante a visita a Santa Maria, já houve manifestação de interesse por parte das representações dos dois países africanos no sentido de uma “cooperação ampla e duradoura”, explica o professor Danilo Rheinheimer dos Santos, coordenador do Núcleo de Estudos em Agricultura Familiar (NESAF) da UFSM e também coordenador do projeto “Pró-África”.

No caso da Argélia, um país com uma boa renda per capita (2.665 dólares), que possui 70% da população alfabeti- zada, sendo o terceiro maior exportador de gás do mundo, a perspectiva é de apoio em várias áreas, especialmente na formação em pós-graduação. O país possui 61 universidades, todas públi- cas/estatais, cerca de 1,2 milhão de estudantes universitários, 7 mil profes- sores, sendo que a maioria possui mestrado, mas não doutorado. Além da qualificação em âmbito de pós-gradua- ção, a proposta é que haja desenvol- vimento conjunto de programas que trabalhem a questão da recuperação do solo degradado, e ainda apoio para a criação de um centro de conservação genética e aqüicultura. Em relação a Moçambique, país africano que tem proximidade com o Brasil a partir da língua falada - português- a situação é um pouco mais delicada do que na Argélia. Com uma renda per capita de apenas 1.300 dóla- res, Moçambique está incluído entre as nações definidas pela sigla PMA (Países Menos Adiantados). No país africano, 70% da população estão colo- cadas abaixo da linha da pobreza, sendo que a maioria vive na zona rural. O que

se observa, segundo o professor Danilo Rheinheimer, é a ausência de política agrícola e também de política agrária. Existe pouco interesse do Estado em relação à agricultura familiar, o que se reflete na pobreza do campo. A contribuição da UFSM para Moçambique seria na formação de quadros técnicos, tanto em nível de graduação como na pós-graduação. Se- gundo relato da professora da Facul- dade de Agronomia e Engenharia Flo- restal, Eunice Cavane, da Universidade

Eduardo Mondlane, “Moçambique tem muitos técnicos de extensão rural que não possuem sequer graduação”. A própria faculdade moçambicana citada possui cerca de 550 alunos e uma duração para o curso de apenas três anos. Apesar da precarização, a curta duração do curso está relacionada à necessidade de aceleração da formação. “No atual estágio do desenvolvimento de Moçam- bique a meta mais importante é obter um aumento acentuado na quantidade de graduados”, afirma Eunice.

Os próximos passos do projeto

A partir das visitas realizadas à Argélia e Moçambique e, também, da visita do representante da Universidade de Mostaganen (Argélia), Mohamed Benkhelifa e da representante da Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique), Eunice Cavane, fica a pergunta: e agora, quais os próximos passos? O coordenador do projeto, professor Danilo Rheinheimer, da UFSM, explica que o que se aguarda agora é a aprovação do termo de cooperação com os dois países. Deverá ser elaborado um novo projeto para a segunda etapa do Pró-África. Para tanto, aguarda-se a publicação de um edital. No projeto estarão previstas a realização de eventos nos três países envolvidos, relacionando, por exemplo, temas como o da água e da extensão rural na agricultura familiar. No que se refere a Moçambique, a previsão é de que será utilizado o método do Ensino a Distância (EaD) na formação de técnicos ligados ao Ministério da Agricultura que trabalham diretamente com a agricultura familiar.

Questionado sobre o porquê do EaD, o professor Rheinheimer considerou que: “o governo de

Moçambique não tem condições alguma de formar seus técnicos (mais de 1.200) que atuam diretamente com os agricultores”. Acrescentou que na forma presencial seria impossível ofertar cursos de formação, por isso a indicação do EaD. Segundo o professor da UFSM, talvez seja possível, mediante viabilização financeira, que os técnicos de Moçambique tenham aula na Universidade Eduardo Mondlane, caracterizando um sistema misto ou de 'Alternância', ou seja, intercala aulas presenciais e o restante de tempo de convivência ou tempo na comunidade. O Centro de Ciências Rurais da UFSM ofereceria, conforme Rheinheimer, a Graduação Tecnológica em Agricultura Familiar e Sustentabilidade.

Tecnológica em Agricultura Familiar e Sustentabilidade. Eunice Cavane , professora de Moçambique, palestra durante

Eunice Cavane, professora de Moçambique, palestra durante visita à UFSM

Realidade da terra

Os professores Mohamed Benkhelifa, da Universida-

de Mostaganen (Argélia), a professora Eunice Cava-

da Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique),

também tiveram a oportunidade de participar, em Júlio de Castilhos, de um seminário chamado “Reforma Agrária no Brasil e Questões Agrárias na Argélia e em Moçambique”. A atividade aconteceu dia 11 de novem- bro de 2009, na Escola 25 de Março, no assentamento Nova Ramada. Do evento participaram alunos, professores e a diretora da escola do assentamento, agricultores assentados, alunos da UFSM, diretoria do DCE/UFSM, representantes de entidades que têm vínculo com o assentamento (Incra, Embrapa, Emater, UFSM/NESAF-Somar, UFSM/NESAF-Articuladores e MST), professores da UFSM e do Instituto Federal Farroupilha – campus de Júlio de Castilhos.

ne,

de

Federal Farroupilha – campus de Júlio de Castilhos. ne, de Visita ao assentamento Nova Ramada ,

Visita ao assentamento Nova Ramada, em Júlio de Castilhos

Envolvimento

Os envolvidos no projeto Pró-África são:

Coordenação- Danilo Rheinheimer dos Santos (Brasil); Mohamed Benkhelifa (Argélia) e Eunice Cavane (Moçambique). Equipe científica (Brasil): Danilo Rheinheimer dos Santos, João Kaminski, Leandro Souza da Silva, José Marcos Froehlich, Pedro Selvino Neumann, Vivien Diesel, Paulo Roberto Silveira, Edson Campanhola Bortoluzzi, Cláudia Petry, Flávio Sacco dos Anjos, Antônio Jorge Amaral Bezerra, Nádia Velleda Caldas. Equipe científica (Moçambique): Eunice Cavane e Lucas Rogério Sete. Equipe científica (Argélia): Attou Sahnoun, Bakhti Abdallah, Bendahmane Abbou Bakhr Essedik, Bouderoua Kaddour, Reguieg Yssaad HoucineAbdelhakim e Kradia Laïd.

Publicação da Seção Sindical dos Docentes da UFSM / ANDES

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EXTRA-CLASSE

EXTRA-CLASSE

Sinfonia ao alcance de todos

RENATAO SEERIG/Arquivo SEDUFSM

Sinfonia ao alcance de todos RENATAO SEERIG/Arquivo SEDUFSM Enio Guerra: professor da UFSM e maestro da

Enio Guerra: professor da UFSM e maestro da Orquestra Sinfônica de Santa Maria

Com uma história de quase 44 anos no cenário cultural, a Orquestra Sinfônica de Santa Maria está sempre a procura de novas oportunidades e formas de manter o seu trabalho atuante. Dirigida, desde 1998, pelo professor do curso de Música da UFSM e maestro, Enio Guerra, a orquestra tem buscado a sua sustentabilidade e meios de estar ainda mais próxima do público. Com 54 membros entre alunos e egressos do curso de Música e pessoas da comunidade, o trabalho do grupo é intenso, com dois ensaios semanais e ensaios extras em períodos de concer- tos. Todo esse empenho é justificável:

para 2010 já estão agendadas mais de 20 apresentações. Violinos, violas, violoncelos, contra-

baixos, flautas transversas, clarineta, trombone, trompete, trompa e percus- são, são alguns dos instrumentos tocados na orquestra. Porém, manter essa diversidade sonora e seus músicos não tem sido tarefa fácil. A orquestra é mantida por 40 bolsas da UFSM no valor de R$ 150,00 cada e pela Associação Cultural Orquestra Sinfônica de Santa Maria, entidade sem fins lucrativos, e que qualquer pessoa pode se associar. Conforme o professor Ênio Guerra, os recursos provenientes da universidade e da associação destinam-se a conserva- ção da parte instrumental e ao paga- mento das bolsas para as pessoas que não possuem vínculo com a UFSM. A orquestra também está em vias de

Orquestra de Câmara, Sinfônica e Filarmônica.

Qual a diferença?

A orquestra de câmara é uma orquestra pequena, basicamente formada por cordas, não tem todos os naipes e pode variar de 8 a 25 músicos. A orquestra sinfônica envolve todos os naipes. Além das cordas da orquestra de câmara, tem os naipes de sopros, madeiras, metais e percussão. Já a filarmônica é como se fosse uma sinfônica, com todos os naipes, o que as diferencia é a questão dos recursos para manutenção. A orquestra filarmônica normalmente se baseia em pessoas amigas, que tem muitos recursos e doam para manter a orquestra e a sinfônica geralmente é mantida pelo poder público.

Como ser um integrante da Orquestra

Pessoas da comunidade interessadas em fazer parte da orquestra devem entrar em contato pelo telefone 3020.9223 ou pelo e-mail sinfonia@adm.ufsm.br. O primeiro passo é haver vaga no instrumento desejado para depois passar por uma avaliação musical que irá verificar se há condições do candidato acompanhar os demais músicos. Caso a pessoa não tenha as condições musicais necessárias para tocar na orquestra, é encaminhada para um curso de formação da UFSM. “A gente jamais desencoraja a pessoa”, ressalta o maestro Ênio Guerra.

assinar um convênio com a prefeitura. “Hoje basicamente a orquestra é man- tida pela universidade, mas ela leva o nome da cidade para todo o Estado e para fora dele. É justo que o poder público municipal também faça parte desse envolvimento para a manu- tenção do grupo, pois poucas cidades têm o privilégio de ter uma orquestra sinfônica”, observa Ênio Guerra. Segundo o maestro, os recursos financeiros têm sido o principal obstáculo para a profissionalização da orquestra desde a sua fundação. “Eu já não sonho tanto, se pudéssemos pagar um salário mínimo por músico durante a temporada eu estaria super feliz, porque eles fazem pela boa vontade. A gente trabalha com amor e se não for assim você está fazendo algo que realmente não vale a pena”. Na associação, os contribuintes que auxiliam para manter a orquestra atuante recebem como benefício

convites cortesia para assistir os

concertos. Para se associar basta entrar

e - m a i l

sinfonia@adm.ufsm.br ou pelo telefone 3020.9223 e solicitar uma proposta, que será encaminhada uma pessoa até a residência do interessado para preencher o formulário. Isso além de auxiliar na manutenção da orquestra propicia uma maior aproximação com a comunidade. “Você tem que dar oportunidade para as pessoas conhecerem o que é uma sinfônica, como ela atua, qual o repertório que executa. Isso faz as pessoas pensarem um pouco e sair daquela coisa comercial do rádio e da televisão, que são coisas passageiras. A música orquestral é uma coisa perene, é uma música que fica. Quando você apresenta essas obras e vê que o público se identifica e reage de uma maneira plena, e isso é o maior reconhecimento que podemos ter”, explica o maestro.

e m

c o n t a t o

p e l o

Um pouco da história da Orquestra

Um pouco da história da Orquestra Fundada em abril de 1966 por Frederico Richter e Jean

Fundada em abril de 1966 por Frederico Richter e Jean Jacques Paiol, a orquestra iniciou como uma orquestra de câmara, com oito músicos. No final da década de 70 e início dos anos 80 o grupo chegou a ter 35 músicos entre alunos e professores da universidade. Mas, foi em 1988, com a ampliação do quadro de professores do curso de Música, na área de metais, percussão, madeiras, flauta, clarineta, trompete e trombone, entre outros, que aconteceu um grande desenvolvimento da orquestra. Foi também nesse período que ocorreu a fundação da Associação Cultural Orquestra Sinfônica de Santa Maria que atua junto ao grupo até hoje.

que ocorreu a fundação da Associação Cultural Orquestra Sinfônica de Santa Maria que atua junto ao

REINALDO PEDROSO

de Santa Maria que atua junto ao grupo até hoje. REINALDO PEDROSO Geraldão, personagem de Glauco.

Geraldão, personagem de Glauco. In memoriam.

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MARÇO 2010

Publicação da Seção Sindical dos Docentes da UFSM / ANDES

ARTIGO

ARTIGO

Antes tarde do que nunca

dos Docentes da UFSM / ANDES ARTIGO Antes tarde do que nunca Brasília e Curitiba. Em

Brasília e Curitiba. Em Curitiba eu

havia residido alguns anos antes para fazer minha especialização e presen- ciei esta mudança.

Munido da maior boa vontade, elaborei e apre- sentei um minucioso projeto de lei em 1990, que levou o número 4.100, com a seguinte ementa: "Estabelece a

população se mostrou favorável,

através dos sindicatos, associações de bairros e estudantes. No entanto, os empre-

“Sempre me chamou atenção o grande número de atropelamentos nas paradas”
“Sempre
me chamou
atenção o grande
número de
atropelamentos
nas paradas”

sários e proprietários das empresas de ônibus (eram cinco empresas àquela época) move- ram tenaz combate contra a aprovação do projeto, alegando gastos,

porta dianteira do ônibus como entrada e a porta tra- seira como saída e dá outras provi- dências". O projeto ganhou grande espaço na mídia local e tive a oportu- nidade de apresentar mapas, estatís- ticas, etc., na televisão. A maioria da

perda de tempo, etc. Eu presenciei uma comissão desses empresários visitando os gabinetes dos outros vereadores pedindo que votassem contra o mesmo quando fosse a plenário. Um dos vereadores mais chegados a

Estive vereador em Santa Maria na legislatura 1988/1992, quando Evandro Behr foi prefeito municipal. Sempre me chamou atenção o grande número de atropelamentos nas paradas de ônibus quando os mesmos acaba- vam de estacionar. Falei com técnicos, com policiais, pesquisei, entrei em con- tato com prefeituras de outras cidades. E todos me diziam que uma das razões principais era o fato da porta de saída para os passageiros ser a da frente, pois os mesmos desembarcavam e tentavam atravessar a rua pelo lado dianteiro do ônibus. Naquela época, apenas duas cidades no Brasil tinham a entrada dos passa- geiros pela porta da frente do ônibus:

DICA CULTURAL

mim disse claramente: "Pizarro, a pres- são empresarial é muito grande e teu projeto vai receber o voto só teu. Acho melhor tu fazer a retirada do projeto de pauta e deixar para outra oportuni- dade". Esse foi um dos capítulos que mais me entristeceu enquanto estive verea- dor. Porque eu percebi na prática o que significava sociedade de consumo de feroz mundo capitalista. O que menos interessava e menos se discutia era poupar vidas nos atropelamentos. Mas, fico feliz que agora, 20 anos depois, a idéia vai ser executada, mesmo que com um leve atraso de duas décadas.

James Pizarro

Professor aposentado da UFSM, associado à SEDUFSM

FILME
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Bastardos

Inglórios

Quem viu? Alexandre Maccari Ferreira (* ) Direção: Quentin Tarantino

Ano e duração: 2009, 153 minutos

Atores:

Eli Roth, Mélaine Laurent, Diane Kruger, Daniel Brühl, Til Schweiger

Brad Pitt, Christoph Waltz,

É preciso avisar ao leitor desta breve dica cinematográfica que qualquer filme do diretor norte-americano Quentin Tarantino é uma viagem em busca da irreverência, da ironia, do cinismo, do sarcasmo, do inovador. E Bastardos Inglórios une todos esses atributos. Ao subverter e não se importar com a história oficial, Tarantino cria uma divisão de soldados judeus, comandada pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt), que tem como missão caçar nazistas. O combate adquire um sentido de confrontos pessoais, em que a principal ameaça passa a ser o inteligente coronel da SS, Hans Landa (Cristoph Waltz). A vingança é tema recorrente nas obras do diretor, mas Bastardos é mais do que isso, sendo um ajuste com a história e com o cinema. Ao aliar altas doses de violência e sangue, orquestradas pela trilha sonora inspirada em Ennio Morricone, Tarantino desenvolve a trama com cores de faroeste, suspense, filmes de ação e de guerra, tecendo longos e primorosos diálogos que impregnam à obra uma inspiração que conduz o espectador pelas minúcias do roteiro. Toda a história converge para uma catarse final que, poderá deixar alguns historiadores revoltados e decepcionados, mas que permitirá ao grande público vaiar ou aplaudir de pé esta obra-prima e bastarda da história. (* Professor do curso de História da Unifra. Organizador dos Ciclos de Cinema Histórico da UFSM)

bastarda da história. (* Professor do curso de História da Unifra. Organizador dos Ciclos de Cinema