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ÁREA TEMÁTICA: Ensino de Administração

Técnicas Administrativas, Formação Humanística ou Pesquisa? um Estudo sobre a


Preferência dos Alunos de Graduação em uma Instituição Federal de Ensino Superior
situada no Estado de Minas Gerais.

AUTORES
DIONYSIO BORGES DE FREITAS JUNIOR
Universidade Federal de Lavras
dionysiofreitas@uol.com.br

ALEX FERNANDO BORGES


Universidade Federal de Lavras
alexborges@administracao.ufla.br

CAROLINA LESCURA DE CARVALHO CASTRO


Universidade Federal de Lavras
carolescura@yahoo.com.br

PEDRO BARATTI LIMA


Universidade Federal de Lavras
pedrobaratti@yahoo.com.br

Resumo

Este trabalho tem por objetivo identificar se a preferência dos alunos do curso de graduação
em administração de uma Instituição Federal de Ensino Superior (IFES) encontra-se mais
inclinada para as técnicas administrativas, formação humanística ou pesquisa, buscando
investigar as possíveis causas de tal preferência. Buscou-se inicialmente apresentar uma
discussão acerca dos agentes que exercem influência um curso de graduação, considerando-se
a atuação de forças como o mercado, com sua racionalidade instrumental, e a sociedade, a
partir de uma racionalidade substantiva. Traçou-se um breve histórico do ensino de
administração no Brasil, bem como uma discussão sobre o ensino de técnicas administrativas,
formação humanística e pesquisa nesses cursos. Para a consecução do objetivo, foi aplicado
um questionário estruturado junto alunos do curso. As análises apresentam um breve perfil
sócio-econômico dos respondentes, os resultados referentes à preferência dos alunos em
relação ao curso e, por fim, uma análise de clusters. A principal conclusão que pode ser
auferida é que os alunos preferem um curso que integre técnicas administrativas, formação
humanística e pesquisa, e que esteja voltado para o atendimento das necessidades das
empresas.

Palavras-Chave: Ensino em Administração, Preferências dos Estudantes, Instituição Federal


de Ensino Superior

Administrative Techniques, Humanistic Formation or Research Training? A Study


about the Students’ Preferences from a Federal University from the State of Minas
Gerais

1
Abstract

The purpose of this paper is to identify if the preference of students from a Federal University
Management course is directed to the learning of administrative techniques, to a humanistic
formation or to research training, and finding possible explanations for such preference. First,
we present a discussion about the agents that make influence upon a Management course,
considering the action of agents like market and its instrumental rationality, and society and
its substantive rationality. Second, we made a brief of the Management education in Brazil,
and discussed the teaching of administrative techniques, humanistic formation and research
training in these courses. In order to accomplish the purpose of this paper, a survey was
applied to the students in the case. As the results, we present the economic and social profile
of the students, the results related to their preferences about the course, and a cluster analysis.
The main conclusion of this paper is that students prefer a Management course that integrate
both administrative tools, humanistic formation and research training, and that this course
should be directed do the attendance of business purposes.

Key-words: Management Education, Students’ Preferences, Case Study of a Federal


University situated in the State of Minas Gerais

2
1. Introdução

De maneira geral, um aluno possui expectativas em relação ao curso de graduação que


escolheu. Pode-se dizer que tais expectativas estão relacionadas com as perspectivas futuras
que este curso pode lhe oferecer, tanto em relação ao mercado de trabalho quanto à sua
realização pessoal.
Ao considerar-se que a Instituição de Ensino Superior (IES) é responsável por
“fornecer” tal curso ao estudante, e que o mercado de trabalho busca profissionais cuja
formação atenda às suas necessidades, são estabelecidos dois “consumidores” cujas demandas
deverão ser atendidas pelo curso de graduação: aluno e mercado de trabalho.
Entretanto, as IES devem considerar um terceiro “cliente” nessa relação: a sociedade,
onde o coletivo é mais importante que o individual, e valores substantivos devem ter mais voz
do que fins utilitaristas, sobretudo em uma sociedade caracterizada por profundas diferenças
sociais, como a brasileira. Neste sentido, observa-se que um curso de graduação sofre
pressões que oscilam entre a instrumentalidade e a substantividade, ou seja, coexistem
interesses tanto do mercado quanto da sociedade nessa relação. Os alunos, por sua vez,
oscilam entre um e outro pólo, fator que pode se refletir em suas preferências sobre o
conteúdo do curso. Além dos alunos, outros atores estão envolvidos nesse “jogo de forças”,
tais como professores, instituições de ensino e Governo.
Em relação a esses atores, pode-se dizer que as IES, devem preocupar-se em oferecer
cursos que atendam as expectativas dos alunos, supram a demanda das empresas, e
contribuam, efetivamente, para com a sociedade. A IES possui interesse na formação dos seus
alunos, pois sua função relaciona-se não apenas com o ensino, mas também com a pesquisa.
Necessitando formar pesquisadores para os seus quadros, constitui-se ela mesma em mais
uma força que atua no desenho e oferta de um curso de graduação, embora possa se
argumentar que a pesquisa acadêmica seja influenciada tanto por interesses empresariais
quanto sociais.
As empresas, por sua vez, demandam profissionais que possuam domínio das técnicas
administrativas, enquanto a sociedade necessita de profissionais com formação e visão mais
crítica, interdisciplinar, humanística, e cuja atuação vá além do simples preenchimento das
necessidades das empresas.
Além desses atores, pode-se dizer que os professores constituem outro importante
foco de influência em um curso, cuja formação, interesses, ideologia e posições podem
conduzir o conteúdo ministrado em uma disciplina em direção a uma ou outra polaridade. O
Governo e suas diretrizes legais, como o currículo mínimo, também representam outro
importante ator a influir no formato de um curso.
Nesse trabalho será explorado, especificamente, apenas um desses atores: o aluno,
buscando identificar sua inclinação diante desse quadro de forças atuantes. Desse modo, o
objetivo deste trabalho consiste em identificar se a preferência dos alunos do curso de
graduação em administração de uma Instituição Federal de Ensino Superior – IFES,
localizada no Estado de Minas Gerais, encontra-se mais inclinada para as técnicas
administrativas, formação humanística ou pesquisa, buscando investigar as possíveis causas
de tal preferência.
Este trabalho compreende, além desta introdução, as seguintes seções: primeiramente,
apresenta um breve referencial sobre a evolução do ensino de administração no Brasil, bem
como uma discussão sobre a utilização de técnicas administrativas, formação humanística e
pesquisa; posteriormente, explana-se a metodologia adotada na construção da pesquisa e são
apresentados os principais resultados alcançados; por fim, são apresentadas algumas
considerações finais, limitações do trabalho e direções para futuras pesquisas.

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2. O ensino de administração no Brasil

O ensino de administração no Brasil teve seu início na década de 1940. O então


presidente, Getúlio Vargas, cria o Departamento de Administração do Serviço Público
(DASP), buscando profissionalizar a administração pública e aumentar a eficiência
administrativa do Estado (PAES DE PAULA, 2005), além de lançar a base de uma economia
industrial no país. A partir de então, inicia-se um movimento de criação e desenvolvimento do
ensino de administração no país, até então inexistente.
O quadro abaixo resume os principais fatos desse início do ensino de administração no
país:
QUADRO 1: Cronologia do ensino de administração no Brasil
1941 ESAN – Escola Superior de Administração de Negócios (São Paulo) – primeiro curso de
administração no Brasil
1944 Criação da FGV – Fundação Getúlio Vargas, através do Decreto-Lei n. 6693
1946 Criação da FEA/USP – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, da
Universidade de São Paulo
1952 A FGV cria a EBAP, hoje EBAPE – Escola Brasileira de Administração Pública e de
Empresas, no Rio de Janeiro
1954 A FGV cria a EAESP – Escola de Administração de Empresas de São Paulo, cujo currículo
foi o primeiro especializado em administração e que serviu de base para os novos cursos
que foram surgindo no país
1963 É criado o curso de administração da FEA/USP
FONTE: Elaborado pelos autores com base em CFA (2007) e Covre (1982)

A partir da década de 1970, a quantidade de cursos de administração no Brasil passou


por uma grande expansão, refletindo, sobretudo, as diretrizes da política econômica e
educacional da época. Segundo dados do Ministério da Educação e Cultura – MEC
(CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO, 2007), existiam, em 1960, 31 cursos de
graduação em administração no país. Em 1970, os cursos existentes passaram a 164, saltando
para 247 em 1980 e 320 em 1990. Durante a década de 1990 observou-se um novo
movimento de expansão, pode ser observada: os cursos atingem o número de 821 em 2000 e
1684 em 2006. Para se melhor entender esse crescimento do número de cursos, é necessário
examinar alguns fatos político-econômicos do Brasil desde a década de 1950.
O governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1960) pode ser caracterizado por
seu desenvolvimentismo e abertura econômica (COVRE, 1982), onde se passa de um modelo
de desenvolvimento centrado em um projeto nacionalista para um modelo baseado no capital
estrangeiro, particularmente o da indústria automobilística. Este movimento passa a se
constituir, portanto, como uma espécie de ensaio para o modelo de desenvolvimento adotado
após o golpe militar de 1964.
Pode-se dizer, de maneira sintética, que tal modelo trouxe consigo a “...valorização da
planificação, da técnica, da necessidade de profissionais especializados...” (COVRE, 1982.
p. 68).
E essa necessidade de profissionais especializados deveria atender às necessidades das
grandes empresas estrangeiras que desembarcavam no país. Nesse contexto, ocorre a
regulamentação da profissão de Administrador no Brasil, através da Lei n. 4769 de 9 de
setembro de 1965.

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Logo após 1968, o governo militar passa a promover uma reforma educacional no
país, e um dos principais componentes dessa reforma é a promoção da expansão do ensino
superior (COVRE, 1982).
Um elemento a ser destacado nessa reforma consistiu em um plano de assistência
técnica financeira, em diversas áreas (FÁVERO, 2006), construído a partir de acordos
efetuados entre o Ministério da Educação (MEC) e a United States Agency for International
Development (USAID). Na área educacional, particularmente no que se refere ao ensino
universitário, Covre (1982) destaca que tais acordos possuíam três elementos.
O primeiro elemento refere-se ao controle dos trabalhos das universidades, por meio
da burocratização de sua estrutura – reflexo de reformas que aconteciam à época, no sistema
educacional norte-americano. No que se refere ao segundo elemento, a autora destaca que a
idéia era que a comunidade fosse representada pela escola e que esta correspondesse à
satisfação de suas necessidades. No entanto, a representação da comunidade estaria a cargo de
setores do patronato brasileiro, tais como as federações das indústrias e do comércio. O
terceiro elemento refere-se à democratização do ensino, buscando conferir uma certa
“racionalidade instrumental em termos de eficiência tecnoprofissional, que tem por
conseqüência o aumento de produtividade dos sistemas econômicos” segundo aponta o
relatório do grupo de trabalho sobre a reforma universitária, em 1968, citado por Covre
(1982).
Dessa maneira, pode-se ver onde se encontram as raízes de nosso atual sistema
educacional, que obedece apenas a uma “lógica de reprodução” (AKTOUF, 2005) do
mainstream. Para essa corrente central, o que pode ser considerado válido é o pragmatismo
pedagógico, o treino técnico-científico, voltado exclusivamente para o fundamentalismo de
mercado (FREIRE, 1996).
O primeiro currículo mínimo do curso de administração foi estabelecido em 1966
(BRASIL, 1966), refletindo toda a diretriz política aqui referenciada. Tal currículo esteve em
vigor até 1993, quando um segundo currículo mínimo foi então estabelecido (BRASIL, 1993).
Este segundo currículo vigorou até 2005, quando foi substituído pelo atual (BRASIL, 2005).
Os currículos variaram durante o tempo em função da própria evolução da
administração e, ainda, em função da evolução tecnológica. Cabe destacar no currículo atual a
presença dos “Estudos Opcionais de Caráter Transversal e Interdisciplinar”, que legitimam a
questão da interdisciplinaridade e conferem certa liberdade às instituições de ensino quanto ao
desenho e oferta de novas disciplinas (BRASIL, 2005).
Chanlat (2000), em sua discussão sobre as ciências sociais e o management, aponta
certas transformações nas sociedades contemporâneas relacionadas justamente ao domínio do
econômico, à atribuição de um espaço central à empresa e à influência do pensamento
empresarial sobre as pessoas. Essas transformações remetem a Weber (1996), que já em sua
época apontava a invasão da racionalidade econômica para esferas além da vida empresarial.
Ainda, Alcadipani e Bresler (2000) consideram que:

“há uma exagerada ênfase na instrumentalização banalizada dos alunos,


condicionando, através de receitas de bolo, os estudantes a darem respostas
padronizadas para as necessidades do mercado e fechando a porta da reflexão e da
busca de suas próprias soluções” (ALCADIPANI e BRESLER, 2000)

E, em busca de uma maior reflexão e busca de soluções próprias, é que discute-se


elementos que se associam ao tipo de constituição do curso de graduação em administração,
tais como cursos voltados para técnicas administrativas, formação humanística ou pesquisa.

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3. Direcionamentos de ensino: técnicas administrativas, formação humanística e
pesquisa

Considerando-se o objetivo proposto nesse trabalho, de verificar a preferência dos


estudantes do curso de graduação em administração de uma IFES, faz-se necessário
compreender os possíveis direcionamentos que esses cursos podem assumir: técnicas
administrativas; formação humanística; pesquisa.
No que se refere às técnicas administrativas, estas podem ser compreendidas como um
conjunto de procedimentos aplicáveis diretamente às atividades das empresas, sendo,
portanto, um requisito fundamental para a formação de um profissional que objetiva atuar no
mercado competitivo.
As ciências humanas são aquelas que estudam o comportamento do homem, em sua
coletividade ou individualidade, tais como a psicologia, a filosofia, a sociologia, a literatura, a
lingüística e a história (PAVIANI; BOTOMÉ, 1993). Isto permite dizer que a formação
humanística implica em muito mais do que a simples preparação técnico-científica.
A pesquisa científica, por sua vez, se constitui como a realização de uma investigação
planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as normas da metodologia consagradas e
comumente aceitas pela ciência (RUIZ, 1991). Essas pesquisam podem se voltar tanto para
interesses empresariais quanto para interesses da sociedade.
Dessa forma, a partir desse conjunto de elementos, pode-se verificar a existência de
uma certa interdependência entre empresa e academia, na medida em que ambas podem ser
consideradas como fontes de geração de conhecimento. A pesquisa acadêmica busca, no
conhecimento gerado pelas empresas, as fontes de suas evidências teóricas. Paralelamente, as
empresas buscam, no conhecimento gerado pela academia, a fundamentação de suas práticas.
Esses direcionamentos de ensino podem, por sua vez, refletir uma dicotomia de
interesses entre mercado e sociedade, na medida em que essas vertentes se fundamentam em
lógicas distintas. Desse modo, abre-se a possibilidade para a inserção do conceito de
racionalidades.
Sobre a racionalidade, é importante relembrar a distinção feita por grandes pensadores
como Weber, Kant, Manheim e Habermas, sintetizadas por Ramos (1989). De maneira geral,
pode-se dizer que existem dois tipos de racionalidades, as quais Weber chama de instrumental
e substantiva.

A racionalidade instrumental pode ser definida como:

“...expectativas quanto ao comportamento de objetos do mundo exterior e de outras


pessoas, utilizando essas expectativas como ‘condições’ ou ‘meios’ para alcançar
fins próprios, ponderados e perseguidos racionalmente, com sucesso” (WEBER,
1991).

Essa racionalidade encontra-se relacionada justamente com a razão econômica,


apropriada pelo capitalismo, e, para Barreto (1993) orienta os valores das organizações
ligadas aos negócios, onde aspectos como maximização do lucro, eficiência e eficácia
encontram guarida.
Assim, tendo em vista que a racionalidade econômica têm extrapolado as fronteiras do
mercado e influenciado a vida dos indivíduos, há de se supor que nas relações entre alunos e
universidades a instrumentalidade também prevaleça.
No entanto, a racionalidade substantiva, orientada para valores, surge em contraponto
à racionalidade instrumental, na medida em que se constitui uma “ação racional com relação

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a valores”, como uma crença consciente no valor absoluto, algo independente do resultado
(WEBER, 1996).
Serva (1997), baseando-se em Habermas e Ramos, cita alguns aspectos importantes da
racionalidade substantiva, como auto-realização, entendimento, julgamento ético,
autenticidade, valores emancipatórios e autonomia. Tais aspectos contrapõem-se a
características da racionalidade instrumental, sendo estes: cálculos, fins, maximização de
recursos, resultados, desempenho, utilidade, rentabilidade.
Ramos (1966), fundamentado em Weber, considera que, apesar dessas duas
racionalidades serem “irredutivelmente opostas”, elas possam coexistir.
Ramos, na mesma obra, ao discorrer sobre os problemas éticos de uma organização,
faz correspondência entre os conceitos weberianos de “ética da responsabilidade” e “ética do
valor”, com os conceitos de racionalidade instrumental e racionalidade substantiva. Para ele,
“as duas éticas não são necessariamente antagônicas”, podendo-se admitir congruência entre
elas.
Gondim et al (2006, p. 3), corroboram com esta visão ao afirmarem que:

“apesar de Weber tecer uma análise crítica das referidas racionalidades, reafirma
que todas se fazem presentes na ação social, e a racionalidade com relação a fins e a
racionalidade com relação a valores não seriam necessariamente excludentes,
embora alguns teóricos que lhe sucederam tenham interpretado desta maneira”
(GONDIM et al., 2006, p.3).

Assim, pode-se dizer que a racionalidade substantiva encontra-se mais relacionada a


uma formação humanística, ao passo que a racionalidade instrumental pode ser relacionada às
técnicas administrativas, considerando-se o objeto desta pesquisa. Dessa forma, assim como
não existem tipos puros de racionalidade, pode-se dizer que um curso totalmente relacionado
a uma ou outra vertente também não seria possível. Portanto, um curso que balanceasse
técnicas administrativas, formação humanística e pesquisa torna-se uma possibilidade de
apreensão de uma perspectiva integracionista para o ensino de administração.

4. Metodologia de pesquisa

Neste trabalho, foi utilizada abordagem quantitativa, que pode ser classificada como
descritiva segundo a definição utilizada por Hair Jr. et al (2006). O procedimento de coleta de
dados adotado foi o questionário estruturado.
A pesquisa teve por inspiração o trabalho de Covre (1982). Esta autora, em trabalho de
campo junto a alunos e ex-alunos da EAESP/FGV, buscou identificar, entre outros aspectos
de sua pesquisa, a questão da formação em administração encontrar-se mais voltada para a
técnica ou para um lado mais humanístico, na preferência de seus respondentes, havendo,
portanto, objetivos em comum com este trabalho.
A população alvo foi o conjunto dos alunos de graduação em administração de uma
IFES localizada no Estado de Minas Gerais. A amostra foi obtida por conveniência,
representado cerca de 40% do universo dos alunos, e optou-se por excluir os alunos do
primeiro e do último período do curso. Deve-se observar que os resultados obtidos
restringem-se à amostra investigada. Devido ao fato dos questionários terem sido aplicados
em início de semestre, julgou-se que os alunos do primeiro período não estariam
suficientemente preparados para fornecer informações a respeito de algumas questões
relativas ao curso. Com relação aos alunos do último período, estes se encontram em estágio

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supervisionado em empresas da região, o que dificultou o acesso aos mesmos. A tabela 1
relaciona o número de alunos respondentes na pesquisa:

TABELA 1: Número de respondentes por período do curso

PERÍODO RESPONDENTES
2º 20
3º 11
4º 13
5º 18
6º 22
7º 10
Em Branco 1
TOTAL 95
Fonte: dados da pesquisa

O questionário aplicado apresentou dois grupos de variáveis: o primeiro grupo foi


composto por questões de cunho demográfico e sócio-econômico, permitindo conhecer o
perfil dos respondentes; e o segundo grupo abrangeu questões ligadas ao curso de
administração e à preferência dos respondentes quanto a ele. A análise foi realizada
utilizando-se técnicas de estatística descritiva e análise de clusters, através do software SPSS
(Statistical Package for the Social Sciences).

5. Análise dos resultados

Nesta seção, serão apresentados e discutidos os resultados da pesquisa, de modo a


permitir a identificação da preferência dos estudantes do curso de graduação em
administração de uma Instituição Federal de Ensino Superior: afinal, o que é mais desejável
para estudantes, um curso voltado para técnicas administrativas, formação humanística ou
pesquisa?
Para tanto, primeiramente, serão apresentados o perfil demográfico e sócio-econômico
dos respondentes. Em seguida, serão apresentados os resultados referentes à preferência dos
estudantes em relação ao curso, bem como será feita uma análise de clusters, buscando
estabelecer agrupamentos de respondentes com respostas semelhantes com relação à
preferência dos estudantes; e, por fim, serão discutidos esses resultados, de modo a
problematizar a preferência dos estudantes por um curso mais voltado para as técnicas
administrativas, formação humanística ou pesquisa.

5.1. Perfil demográfico e sócio-econômico da amostra

Conforme vem sendo evidenciado ao longo deste artigo, a amostra da pesquisa é


composta por estudantes do curso de graduação em administração de uma IFES localizada no
Estado de Minas Gerais. Para a definição do perfil demográfico e sócio-econômico da
amostra, foram selecionadas variáveis como idade, renda, gênero, tipo de atividade
remunerada ou não exercida pelo estudante, local de realização do ensino médio, e visão
política dos respondentes.
Quanto à idade dos respondentes, verifica-se que a faixa etária dos estudantes vai de
19 a 22 anos, representa 83,16% da amostra (TABELA 2):

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TABELA 2: Número de respondentes por idade

IDADE RESPONDENTES
18 7
19 19
20 22
21 26
22 12
23 5
24 1
25 1
Em Branco 2
TOTAL 95
Fonte: dados da pesquisa

No que se refere à renda familiar, observa-se que 50 respondentes, representando


52,63% da amostra, possuem renda situada em uma faixa que vai de R$ 1.821,00 até R$
5.200,00. Seis respondentes informaram renda superior a R$ 7.800,00, enquanto apenas 4
possuem renda familiar inferior a R$ 760,00, conforme tabela abaixo (TABELA 3):

TABELA 3: Número de respondentes por renda familiar

RENDA FAMILIAR RESPONDENTES


Até R$ 380,00 0
R$ 381,00 a R$ 760,00 4
R$ 761,00 a R$ 1.300,00 11
R$ 1.301,00 a R$ 1.820,00 9
R$ 1.821,00 a R$ 2.600,00 16
R$ 2.601,00 a R$ 3.900,00 17
R$ 3.901,00 a R$ 5.200,00 17
R$ 5.201,00 a R$ 6.500,00 9
R$ 6.501,00 a R$ 7.800,00 5
Acima de R$ 7.800,00 6
Em Branco 1
TOTAL 95
Fonte: dados da pesquisa

No que tange ao tipo de atividade remunerada pessoal dos respondentes, pode-se dizer
que nenhum deles possui emprego com carteira assinada. A maioria, 55 respondentes (57,89%
do total), não possui nenhuma atividade remunerada (TABELA 4):

TABELA 4: Número de respondentes e atividade remunerada

ATIVIDADE REMUNERADA RESPONDENTES


Não possui 55
Trabalho com carteira assinada 0
Trabalho sem carteira assinada 2
Estágio remunerado 5
Bolsa iniciação cientifica 14
Bolsa Atividade da IFES 10
Outra 9
TOTAL 95
Fonte: dados da pesquisa

9
Quanto ao gênero, a amostra compõe-se de 43 homens (45,23% do total) e 51
mulheres (53,68%). Em relação ao tipo de instituição de ensino em que os alunos cursaram o
ensino médio, percebe-se, que 69 deles (72,63% do total) cursaram o ensino médio totalmente
em escolas particulares, enquanto apenas 11 respondentes (11,58% do total) fizeram o ensino
médio totalmente em escola pública, como pode ser visto na tabela 5:

TABELA 5: Número de respondentes e ensino médio

ONDE FEZ O ENSINO MÉDIO RESPONDENTES


Totalmente em escola pública 11
A maior parte em escola pública 7
Totalmente em escola particular 69
A maior parte em escola particular 8
No exterior 0
TOTAL 95
Fonte: dados da pesquisa

E, finalizando, perguntou-se o tipo de visão política dos respondentes. Observa-se que


32 alunos (33,68% do total) responderam possuir uma visão política de direita; 12 respndentes
(12,63%) consideram-se de centro e 26 (27,37%) posicionaram-se como de esquerda. Chama
a atenção o percentual de alunos que se identificaram como “apolíticos” (24,21%) (TABELA
6):

TABELA 6: Número de respondentes e posição política

POSIÇÃO POLÍTICA RESPONDENTES


Direita 32
Centro 12
Esquerda 26
Apolítico 23
Outra 2
TOTAL 95
Fonte: dados da pesquisa

5.2. Preferência dos alunos: técnicas administrativas, ciências humanas ou pesquisa?

A segunda parte desta análise, sobre a preferência dos alunos por um curso mais
voltado para as técnicas administrativas, formação humanística ou pesquisa, pode-se dizer
que, ao serem diretamente questionados sobre como deveria ser a formação de um
administrador, colocando quatro opções na ordem de sua preferência, os alunos responderam
como mais importante (TABELA 7):

TABELA 7: O mais importante na formação do administrador

O MAIS importante na formação do administrador é que o curso... Qtde %


...deve ser mais voltado para as técnicas administrativas 15 16,0
...deve ser mais voltado para as ciências sociais e humanas 10 10,6
...deve ser mais voltado para a pesquisa 8 8,5
...deve conciliar técnicas, ciências sociais e pesquisa 59 62,8
Sem resposta 1 1,1
TOTAL 94 100
Fonte: dados da pesquisa

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E, como item menos importante para a formação do administrador, os alunos
responderam (TABELA 8):

TABELA 8: O menos importante na formação do administrador

O MENOS importante na formação do administrador é que o curso... Qtde %


...deve ser mais voltado para as técnicas administrativas 6 6,4
...deve ser mais voltado para as ciências sociais e humanas 14 14,9
...deve ser mais voltado para a pesquisa 60 63,8
...deve conciliar técnicas, ciências sociais e pesquisa 13 13,8
Sem resposta 1 1,1
TOTAL 94 100
Fonte: dados da pesquisa

Em outra questão, semelhante a esta, buscou-se saber se o curso de administração deve


formar profissionais que sejam bons pesquisadores, que atendam às necessidades de
mudanças na sociedade ou que atendam às necessidades das empresas. Nesta questão não foi
colocada nenhuma opção que conciliasse as alternativas propostas, diferentemente da
primeira. Tal fato se deve a necessidade de se identificar uma única preferência quanto ao tipo
de formação profissional. As opções apontadas como mais importantes foram (TABELA 9):

TABELA 9: Tipo de profissionais que o curso deve formar – mais importante

O curso de administração deve formar profissionais.... Qtde %


...que sejam bons pesquisadores 11 11,7
...que atendam a necessidades de mudanças sociais 22 23,4
...que atendam às necessidades das empresas 59 62,8
Sem resposta 1 1,1
TOTAL 94 100
Fonte: dados da pesquisa

E, por sua vez, as opções apontadas como menos importantes foram (TABELA 10):

TABELA 10: Tipo de profissionais que o curso deve formar – menos importante

O curso de administração deve formar profissionais.... Qtde %


...que sejam bons pesquisadores 62 66
...que atendam a necessidades de mudanças sociais 20 21,3
...que atendam às necessidades das empresas 12 12,8
Sem resposta 1 1,1
TOTAL 94 100
Fonte: dados da pesquisa

Algumas conclusões podem ser auferidas a partir dessas duas questões.


Primeiramente, pode-se dizer que, para os respondentes, o menos importante é que o curso
seja voltado para a pesquisa. Em concordância, também não é importante que o curso forme
profissionais que sejam bons pesquisadores. Dessa maneira, pode-se concluir que poucos
estudantes têm o intuito de seguir carreira acadêmica. Outro ponto que pôde ser notado foi
que, embora os alunos prefiram um curso que concilie técnicas administrativas, formação
humanística e pesquisa, o aspecto mais importante entre os três é que este curso atenda às
necessidades das empresas.
Dito de outra forma, os alunos preferem um curso que atenda às necessidades das
empresas, no entanto, a formação de um administrador não deve se restringir ao aprendizado
das técnicas administrativas.

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5.3. Análise de Clusters

Buscou-se, nesta análise, verificar a existência de grupos de alunos com perfis


semelhantes, com o intuito de melhor entender seu posicionamento em relação às questões
apresentadas. Para tanto, utilizou-se a técnica de análise de clusters. A análise de clusters,
segundo Cooper e Schindler (2003), é definida como um conjunto de técnicas estatísticas
utilizadas para agrupar objetos ou indivíduos similares.
A utilização desta técnica permitiu dividir a amostra em três grupos distintos, cujo
perfil é demonstrado na TABELA 11:

TABELA 11: Perfil dos clusters encontrados

VARIÁVEIS DE CLUSTER 1 CLUSTER 2 CLUSTER 3


PERFIL
No. De Indivíduos 33 20 24
Previsão de Formatura 2008/09 (87,9%) 2008/2009 (65,0%) 2010/2011 (50,0%)
Visão Política Direita (41,2%) / Direita (50,0%) Esquerda/Apolítico
Esquerda (29,4%) (36%)
Sexo Predominante Masculino (60,6%) Feminino (60,0%) Feminino (60,4%)
Preferência por Tipo de curso mais curso mais técnico curso mais balanceado
Curso balanceado (70,6%) (35,0%) e curso mais (70,8%)
balanceado (40,0%)
Tipo de profissional que o Que atendam às Que atendam às Que atendam às
curso deve formar necessidades das necessidades das necessidades das
empresas (61,8%) empresas (75,0%) empresas (50,0%)
Pretensões Profissionais Trabalhar em Trabalhar em empresa Prestar concurso
empresa (47,1%) (35,0%) público (21,7%)
Abrir negócio Abrir negócio próprio Trabalhar em empresa
próprio (20,6%) (20,0%) (17,4%)
Fazer pós-graduação Prestar concurso Abrir negócio próprio
(11,8%) público (21,1%) (17,4%)
Fazer pós-graduação Fazer pós-graduação
(20,0%) (13,0%)
Fonte: dados da pesquisa

O Cluster 1 pode ser caracterizado a partir dos seguintes elementos: predomínio de


estudantes do sexo masculino; que se encontram nos períodos finais do curso; que possuem
visão política dividida entre direita e esquerda; que preferem um curso mais balanceado entre
técnicas administrativas, formação humanística e pesquisa e atenda às necessidades das
empresas; e cujo objetivo principal, em relação a pretensões profissionais, é trabalhar em
empresas.
O Cluster 2 caracteriza-se a partir dos seguintes elementos: predomínio de estudantes
do sexo feminino; que se encontram nos períodos finais do curso; que possuem visão política
de direita; cuja preferência divide-se entre um curso mais técnico e um curso mais
balanceado, que atenda às necessidades das empresas; e cujo objetivo principal encontra-se
bem dividido: trabalhar em empresas, abrir um negócio próprio, prestar concurso público e
fazer pós-graduação.
O Cluster 3, por fim, possui as seguintes características: predomina estudantes do sexo
feminino; que encontram-se nos períodos iniciais do curso; possuem visão política dividida
entre esquerda e apolítica; preferem um curso mais balanceado que atenda às necessidades das

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empresas e cuja principal pretensão profissional também se encontra dividida entre prestar
concurso público, trabalhar em empresa, abrir negócio próprio e fazer pós-graduação.
A partir de uma análise agregada dos dados, observa-se que os integrantes do Cluster
1 e do Cluster 2 possuem um posicionamento político mais tendente à direita em termos
percentuais, e encontram-se nos períodos finais do curso. Por outro lado, o Cluster 3
caracteriza-se por um posicionamento político em parte mais tendente à esquerda, e em parte
mais tendente a uma visão apolítica. Esse mesmo Cluster 3 é composto por estudantes que
encontram-se nos períodos iniciais do curso. Desse modo, seria possível supor que o período
de estadia na universidade pode alterar o posicionamento político dos estudantes?
O Cluster 2 apresenta uma preferência por um curso mais voltado para as técnicas
administrativas. Em concordância, considera mais importante que o profissional de
administração deva atender às necessidades das empresas. Levando-se em consideração que
este cluster é o que apresenta um maior índice de posicionamento político tendente à direita,
em comparação com os outros clusters, seria possível afirmar que a preferência por técnicas
administrativas no curso encontra-se associada a um posicionamento político mais à direita,
por parte dos estudantes?
Paralelamente, considerando-se esse posicionamento político do Cluster 2, o fato de
que esse cluster valoriza o atendimento às necessidades das empresas, e o fato de que existe
nele um maior percentual de estudantes que pretendem fazer pós-graduação, questiona-se:
seria possível supor que existem relações entre a valorização do atendimento às necessidades
das empresas e a intenção de cursar uma pós-graduação, dado que essa formação pode
fornecer um diferencial competitivo no mercado de trabalho?
O Cluster 3 apresenta uma menor concordância, em relação aos outros dois clusters,
quanto à afirmativa de que o profissional em administração deve atender às necessidades das
empresas. Tendo em vista que tal grupo assume um posicionamento político mais à esquerda
e apolítico do que os demais, seria possível inferir que este posicionamento político é
responsável por esta menor concordância?
Ao mesmo tempo, tendo em vista que o Cluster 3 se diferencia dos demais por atribuir
menor importância ao fato de se trabalhar em empresas, seria possível supor que o
posicionamento político desse grupo pode influenciar tal preferência?
Por fim, resgatando as análises acima efetuadas e retomando a discussão sobre
racionalidades, pode-se dizer que o Cluster 2 apresenta características de uma racionalidade
mais instrumental. O Cluster 1 também possui traços de instrumentalidade, apesar de serem
menos acentuadas do que o Cluster 2. Em contrapartida, o Cluster 3 possui características
relacionadas à presença de uma racionalidade mais substantiva. Dessa forma, pode-se dizer
que essas categorias permitiram verificar se esses clusters encontram-se dentro de uma lógica
mais voltada para a racionalidade instrumental ou mais voltada para a racionalidade
substantiva, ou seja, se os mesmos apresentam uma inclinação maior ou menor para o
atendimento das necessidades do mercado.

6. Considerações finais

Este trabalho teve o objetivo de identificar se a preferência dos alunos do curso de


graduação em administração de uma IFES localizada no Estado de Minas Gerais encontra-se
mais inclinada para as técnicas administrativas, formação humanística ou pesquisa, buscando
investigar as possíveis causas de tal preferência.
Para tanto, primeiramente, foi efetuada uma breve revisão sobre a evolução do ensino
de administração no Brasil. Paralelamente, também foi empreendida uma discussão sobre a
utilização de técnicas administrativas, formação humanística e pesquisa, finalizando com uma

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discussão acerca dos tipos de racionalidade. Posteriormente, foi apresentada a metodologia
adotada na construção dessa pesquisa e os principais resultados alcançados.
De maneira geral, partindo-se da questão apresentada: o que é mais desejável para
estudantes, um curso voltado para técnicas administrativas, formação humanística ou
pesquisa?
Verificou-se que os estudantes preferem um curso em que os elementos técnicas
administrativas, formação humanística e pesquisa encontrem-se integrados. Outro aspecto
relevante a ser considerado é que este curso deva atender às necessidades das empresas,
embora a formação de um administrador não deve se restringir ao aprendizado de técnicas
administrativas.
Adicionalmente, foram realizadas análises de cluster com o objetivo de verificar a
existência de grupos de alunos com perfis semelhantes. Considerando-se a existência de 3
clusters, verificou-se que o Cluster 2 apresenta características de uma racionalidade mais
instrumental, enquanto o Cluster 1 também possui traços de instrumentalidade, apesar de
serem menos acentuadas do que o Cluster 2. Não obstante, o Cluster 3 possui características
relacionadas à presença de uma racionalidade mais substantiva. Dessa forma, quando
consideradas as forças atuantes – mercado e sociedade – pode-se dizer que os grupos
apresentam uma inclinação maior ou menor em relação à lógica de reprodução, característica
do mainstream.
As questões levantadas a partir da análise dos resultados podem se constituir como
possibilidades para a realização de futuras pesquisas a respeito da problemática envolvida
nesse trabalho, na medida em que podem fornecer subsídios para uma melhor compreensão
desse “jogo de forças” que incide sobre o ensino em administração. Algumas pesquisas
suplementares poderão ser realizadas, buscando a ampliação da amostra, bem como a inclusão
de outras instituições de ensino, fornecendo um parâmetro maior de comparação e aplicação
dos resultados. A realização de pesquisas qualitativas e de estudos longitudinais com
elementos da amostra também poderá auxiliar no detalhamento das conclusões e fornecer
subsídios para novas pesquisas.
Uma agenda de pesquisas deverá considerar também a questão das forças atuantes no
desenho de um curso de administração, conforme visto na introdução deste artigo, buscando
investigar a questão da inclinação dos cursos a uma perspectiva mais mercadológica ou social,
estudando-se outros atores como professores, instituições e a regulamentação governamental.
Não obstante, os resultados da pesquisa podem fornecer importantes indicações em relação a
diretrizes para o ensino em administração.

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