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Friedrich Nietzsche

Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1844 — Weimar, 25 de
Agosto de 1900) foi um influente filósofo alemão do século XIX.

Nietzsche em 1882
Nascimento 15 de Outubro de 1844
Röcken, Alemanha
Morte 25 de Agosto de 1900 (55 anos)
Weimar, Alemanha
Nacionalidade Alemã
Ocupação Filósofo, filólogo
Magnum opus Assim falou Zaratustra
Escola/tradição Filosofia Contemporânea, Filosofia continental, Romantismo
Principais interesses Epistemologia, Ética, Ontologia, Filosofia da história, Psicologia
Idéias notáveis Morte de Deus, Vontade de Poder, Eterno retorno, Super-Homem,
Perspectivismo, Apolíneo e Dionisíaco
Influências Heráclito, Platão, Montaigne, Spinoza, Kant, Goethe, Schiller, Schopenhauer,
Heine, Emerson, Poe, Wagner, Dostoiévski
Influenciados Rilke, Jung, Iqbal, Jaspers, Heidegger, Bataille, Rand, Sartre, Camus,
Deleuze, Foucault, Derrida, Sigmund Freud

Biografia
Friedrich Nietzsche nasceu numa família luterana em 1844, sendo destinado a ser pastor
como seu pai, que morreu jovem em 1849 aos 55 anos, junto com seu avô (também
pastor luterano). Entretanto, Nietzsche rejeita a fé durante sua adolescência, e os seus
estudos de filologia afastam-no da tentação teológica. Iniciou seus estudos no semestre de
Inverno de 1864-1865 na Universidade de Bonn em Filologia Clássica e Teologia
evangélica. Em Bonn, participou da Burschenschaft Frankonia, a qual acabou
abandonando em razão de atrapalhar seus estudos. Por diferentes motivos transfere-se
depois para Universidade de Leipzig, mas isso se deve, acima de tudo, a transferência do
Prof. Friedrich Ritschl (figura paterna para Nietzsche) para essa Universidade. Durante os
seus estudos na universidade de Leipzig, a leitura de Schopenhauer (O Mundo como
Vontade e Representação, 1820) vai constituir as premissas da sua vocação filosófica.
Aluno brilhante, dotado de sólida formação clássica, Nietzsche é nomeado aos 25 anos
professor de Filologia na universidade de Basiléia. Adota então a nacionalidade suíça.
Desenvolve durante dez anos a sua acuidade filosófica no contacto com pensamento
grego antigo - com predileção para os Pré-socráticos, em especial para Heráclito e
Empédocles. Durante os seus anos de ensino, torna-se amigo de Jacob Burckhardt e
Richard Wagner. Em 1870, compromete-se como voluntário (exército) na guerra francoprussiana. A experiência da violência e o sofrimento chocam-no profundamente.

Nietzsche em agosto de 1868
Em 1879 seu estado de saúde obriga-o a deixar o posto de professor. Sua voz, inaudível,
afasta os alunos. Começa então uma vida errante em busca de um clima favorável tanto
para sua saúde como para seu pensamento (Veneza, Gênova, Turim, Nice, SilsMaria… ) : "Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio
dos livros - o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando
(… )." Em 1882, ele encontra Paul Rée e Lou Andreas-Salomé, a quem pede em
casamento. Ela recusa, após ter-lhe feito esperar sentimentos recíprocos. No mesmo ano,

começa a escrever o Assim Falou Zaratustra, quando de uma estada em Nice. Nietzsche
não cessa de escrever com um ritmo crescente. Este período termina brutalmente em 3 de
Janeiro de 1889 com uma "crise de loucura" que, durando até à sua morte, coloca-o sob a
tutela da sua mãe e sua irmã. No início desta loucura, Nietzsche encarna alternativamente
as figuras míticas de Dionísio e Cristo, expressa em bizarras cartas, afundando depois em
um silêncio quase completo até a sua morte. Uma lenda dizia que contraiu sífilis. Estudos
recentes se inclinam antes para um câncro (câncer) do cérebro, que eventualmente pode
ter origem sifilítica. Sua irmã Elizabeth Vöster Nietzsche falseou seus escritos após a sua
morte para apoiar uma causa anti-semita. Falácia, tendo em vista a repulsa de Nietzsche
ao anti-semitismo em seus escritos. Entretanto, sua irmã morre confortavelmente sob a
tutela nazista.[2]
Durante toda sua vida sempre tentou explicar o insucesso de sua literatura, chegando a
conclusão de que nascera póstumo, para os leitores do porvir. O sucesso de Nietzsche,
entretanto, sobreveio quando um professor dinamarquês leu a sua obra Assim Falou
Zaratustra e, por conseguinte, tratou de difundi-la, em 1888.
Muitos estudiosos da época tentaram localizar os momentos que Nietzsche escrevia sob
crises nervosas ou sob efeito de drogas (Nietzsche estudou biologia e tentava descobrir
sua própria maneira de minimizar os efeitos da sua doença).

Obra

Nietzsche ao lado de sua mãe.
Crítico da cultura ocidental e suas religiões e, conseqüentemente, da moral judaico-cristã.
Associado equivocadamente, ainda hoje, por alguns ao niilismo e ao nazismo - uma
visão que grandes leitores e estudiosos de Nietzsche, como Foucault, Deleuze ou
Klossowski procuraram desfazer - Nietzsche é, juntamente com Marx e Freud, um dos
autores mais controversos na história da filosofia moderna, isto porque, primariamente,
há certa complexidade na forma de apresentação das figuras e/ou categorias ao leitor ou
estudioso, causando confusões devido principalmente aos paradoxos e descontruções dos
conceitos de realidade ou verdade como nós ainda hoje os entendemos.
Nietzsche, sem dúvida considera o Cristianismo e o Budismo como "as duas religiões da
decadência",embora ele afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O
budismo para Nietzsche "é cem vezes mais realista que o cristianismo" (O anticristo).
Religiões que aspiram ao Nada, cujos valores dissolveram a mesquinhez histórica. Não

A vida só se pode conservar e manter-se através de imbricações incessantes entre os seres vivos. a alegria. a disciplina da intelectualidade superior. Friederich Nietzsche quis ser o grande "desmascarador" de todos os preconceitos e ilusões do gênero humano. a vontade inabalável. segundo ele. seja ela kantiana ou hegeliana. propondo uma nova abordagem: a genealogia dos valores. a vontade de poder. então. A moral. corpo e vontade não somente de sobreviver. a inimizade.obstante. para Nietzsche. mas de vencer. que as máscaras se tornam inevitáveis pela própria vida. também se auto-intitula ateu: "Para mim o ateísmo não é nem uma conseqüência. Neste sentido a vida é vontade de poder ou de domínio ou de potência. O homem é um filho do "húmus" e é. Suas verdadeiras "virtudes" são: o orgulho. entre aceitação da vida e renúncia. Vontade essa que não conhece pausas. e por isso está sempre criando novas máscaras para se esconder do apelo constante e sempre renovado da vida. af. Com efeito. De fato. os bons hábitos. através da luta entre vencidos que gostariam de sair vencedores e vencedores que podem a cada instante ser vencidos e por vezes já se consideram como tais. é sempre incerteza e perigo. por um lado.II. o amor sexual. e principalmente esboçada por Kant. Nietzsche procurou arrancar e rasgar as mais idolatradas máscaras. nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto" (Ecce Homo. Porém as máscaras. aquele que ousa olhar. Essa traição ao "mundo da vida" é a moral que reduz a uma ilusão a realidade humana e tende asceticamente a uma fictícia racionalidade pura. Nietzsche é contrário a qualquer tipo de igualitarismo e principalmente ao disfarçado legalismo . Mas a questão é: que máscaras são essas? Responde. sem temor. por trás dos ideais que serviram de base para a civilização e nortearam o rumo dos acontecimentos históricos. segundo Nietzsche.1) A crítica que Nietzsche faz do idealismo metafísico focaliza as categorias do idealismo e os valores morais que o condicionam. sofre de má consciência e cria a ilusão de que mandar é por si mesmo uma forma de obediência. que é explosão de forças desordenadas e violentas. Para salvála. a vida é tudo e tudo se esvai diante da vida humana. E assim a moral tradicional. pois. e até a catharsis aristotélica são caminhos mais fáceis de serem trilhados para se subtrair à plena visão autêntica da vida. das classes subalternas e escravas contra a classe superior e aristocrática que. ao mesmo tempo em que a deformam. Mas essas virtudes são privilégios de poucos. Nietzsche golpeou violentamente essa moral que impele à revolta dos indivíduos inferiores. é mister arrancar-lhe as máscaras e reconhecê-la tal como é: não para sofrê-la ou aceitá-la com resignação. o seu merismático júbilo. mas para restituir-lhe o seu ritmo exaltante. por trás das grandes e pequenas verdades melhor assentadas. e por isso. finalmente. ameaçam destruí-la. mortificando-a à base de cicuta e. cuja visão é difícil de suportar. a saúde. portanto. a religião e a política não são para ele nada mais que máscaras que escondem uma realidade inquietante e ameaçadora. pelo influxo dessa mesma moral. aquilo que se esconde por trás de valores universalmente aceitos. e é para esses poucos que a vida é feita. a veneração. tornam a vida mais suportável. Não existe via média. pt.

ou seja. à semelhança de máscaras de que pode e deve libertar-se. o homem desprezador de qualquer verdade estabelecida ou por estabelecer e apto a se exprimir a vida. deve-se reconhecer uma matriz comum entre Kant e Nietzsche. que atenta o bom senso através de uma lei inflexível. . como esperançosamente acreditava Kant. em todos os seus atos . Para Nietzsche o homem é individualidade irredutível. Em Nietzsche. uma tarântula catastrófica. apesar de todas as diferenças e oposições. Para ele. com sua revolta contra os limites e condicionamentos do homem. Na obra nietzscheana. Mesmo assim. Nietzsche cria e cai em seu próprio Imperativo Categórico. como que um substrato tácito mas atuante. Essas críticas se deveram à hostilidade de Nietzsche em face do racionalismo que logo refutou como pura irracionalidade. mas a realidade que ele mesmo tentava personificar. o imperativo categórico: "Proceda em todas as suas ações de modo que a norma de seu proceder possa tornar-se uma lei universal". Nietzsche queria que o governo da humanidade fosse confiado aos filósofos. o mundo não tem ordem. Para Nietzsche a liberdade não é mais que a aceitação consciente de um destino necessitante. imperativo este baseado na completa liberdade do ser e ausência de normas. O homem libertado de qualquer vínculo. à qual os limites e imposições de uma razão que tolhe a vida permanecem estranhos a ela mesma. estrutura.era este não apenas o ideal apontado por Nietzsche para o futuro. mas não a filósofos como Platão ou Kant. por certo.kantiano. livre pelo imperativo categórico. necessário se faz perceber que. Essa matriz comum é a alma do romantismo do século XIX com sua ânsia de infinito. Nele as coisas "dançam nos pés do acaso" e somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida. senhor de si mesmo e dos outros. involuntariamente. Aqui. diferentemente de Kant. a proclamação de uma nova moral contrapõe-se radicalmente ao anúncio utópico de uma nova humanidade. forma e inteligência. que ele considerava simples "operários da filosofia". À semelhança de Platão. Kant nada mais é do que um fanático da moral.

do neonacionalismo alemão. nos seus limites. ao acaso. Nietzsche fotografado por Hans Olde no verão de 1899. e por isso se está dissolvendo e transformando-se em um constante devir. enclaustrando a vida humana digna e livre. Portanto toda a teleologia de Kant de nada serve a Nietzsche: a idéia do sujeito racional. Hitler descreve-se como a encarnação do super-homem (Übermensch). condicionado e limitado é rejeitada violentamente em favor de uma visão filosófica muito mais complexa do homem e da moral. O mundo para Nietzsche não é ordem e racionalidade. simpatizante do regime hitleriano. mas desordem e irracionalidade. A figura de Nietzsche foi particularmente promovida na Alemanha Nazi. superando as formas limitadoras da tradição que só galgou uma "liberdade humana" baseada no ressentimento e na culpa. . Em Nietzsche encontra-se uma filosofia antiteorética à procura de um novo filosofar de caráter libertário. que só faz apertar-lhe os grilhões. Seu princípio filosófico não era portanto Deus e razão. A propaganda nazi colocava os soldados alemães na posição desse super-homem e. Nietzsche era um crítico das "idéias modernas". Por estas razões. trata-se de uma libertação escravizada pela razão. Nietzsche acreditava que a base racional da moral era uma ilusão e por isso. emancipação feminina não eram senão expressões da decadência do "tipo homem". fomentado esta associação. o livro "Assim Falou Zaratustra" era dado a ler aos soldados na frente de batalha. faz o homem compreender-se a si mesmo e o dispõe para a libertação. descartou a noção de homem racional. é por vezes apontado como um precursor da pós-modernidade. segundo Peter SchollLatour. igualitarismo.mais uma máscara que a razão não-autêntica impôs à vida humana. segundo Nietzsche. mas a vida que atua sem objetivo definido. Para ele os ideais modernos como democracia. Mas. impregnada pela utópica promessa . socialismo. da vida e da cultura moderna.Para Kant a razão que se movimenta no seu âmbito. Em A minha luta. tendo sua irmã. é a vida humana tomada e corroborada pela vivência do instante. A única e verdadeira realidade sem máscaras. para Nietzsche.

embora com outro cheiro. Contudo. buscam incitar o gado de chifres que há no povo… Sem dúvida. Idéias Seu estilo é aforismático. a afetação moral. A este respeito pode-se ler a posição do filósofo: Antes direi no ouvido dos psicólogos. uma espécie de confraria. posteriormente promovido por Adolf Hitler e seus partidários. Nietzsche em 1862. Algumas . ele próprio nietzscheano. Nietzsche tentou juntar seus amigos e pensadores para que um fosse professor do outro. "na Alemanha se era contra ou a favor de Nietzsche". e Nietzsche continuou sozinho seus estudos e desenvolvimento de idéias. escrito em trechos concisos. Por vários momentos. ele não conseguia ler.para motivar o exército. nos momentos de crise profunda. esta idéia fracassou. Como dizia Heidegger. Ainda hoje é um dos filósofos mais estudados e fecundos. … tampouco me agradam esses novos especuladores em idealismo. e dos quais são pinçadas máximas. aliás onde sempre floresceu. inclusive. os anti-semitas. através do abuso exasperante do mais barato meio de agitação. gerando muitas distorções e confusões. a obra de Nietzsche sobreviveu muito além da apropriação feita pelo regime nazista. Muitas de suas frases se tornaram famosas. e. que hoje reviram os olhos de modo cristão-ariano-homem-de-bem. como a violeta. muitas vezes de uma só página. sendo repetidas nos mais diversos contextos. ajudado apenas por poucos amigos que liam em voz alta seus textos que. Isto também já acontecera na Primeira Guerra Mundial. supondo que desejem algum dia estudar de perto o ressentimento: hoje esta planta floresce do modo mais esplêndido entre os anarquistas e anti-semitas. Todavia. na sombra. Nietzsche era explicitamente contra o movimento anti-semita.

" 5." 6.Vitória!"." 19-"Em qualquer lugar onde encontro uma criatura viva. encontro desejo de poder. O cristianismo promete tudo."Há homens que já nascem póstumos."O padre está mentindo." 12."A diferença fundamental entre as duas religiões da decadência: o budismo não promete.no nada -. mas não cumpre nada. tira-se da vida o seu centro de gravidade." 10."Como são múltiplas as ocasiões para o mal-entendido e para a ruptura hostil!" 3." 14."Há sempre alguma loucura no amor. até o momento."Deus está morto mas o seu cadáver permanece insepulto." 21." 26." 28. Qual o melhor remédio? . Viva Perigosamente."Torna-te quem tu és!" 27.delas: 1. 4." 17-"A moralidade é o instinto do rebanho no indivíduo."Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos. Mas há sempre um pouco de razão na loucura."A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade. a vida seria um erro. a maior desgraça da humanidade."Até os mais corajosos raramente têm a coragem para aquilo que realmente sabem. mas assegura." 23."Quando se coloca o centro de gravidade da vida não na vida mas no "além" ." 9." 8."Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal." 11-"As convicções são cárceres."O cristianismo foi. existem macacos!" 24. Diante de tanta sujeira."Para ler o Novo Testamento é conveniente calçar luvas."Deus está morto." 25. por ter desprezado o Corpo." ." 2." 20. menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar." 7."Aquilo que não me destrói fortalece-me" 15 "Sem música. faz um ideal do seu inferno. tal atitude é necessária."O idealista é incorrigível: se é expulso do seu céu." 18."O Homem evolui dos macacos? É. não seriam loucuras." 13."A filosofia é o exílio voluntário entre montanhas geladas." 22-"Se minhas loucuras tivessem explicações." 16."Quanto mais me elevo."E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras."O Evangelho morreu na cruz.

Referências nietzscheanas Contudo. no qual unemse palavras que não poderiam estar próximas ("Nascer póstumo". Gogol. à metafísica. com a primeira grande guerra e a gestação do Nazismo. das guerras dos pré-socráticos e das culturas helénicas. para que não te tornes um." Longe de ser um escritor de simples aforismas. Leibniz. o imperativo categórico. budismo. ele é considerado pelos seus seguidores um grande estilista da língua alemã. . anti-semitismo. Spinoza. porque acreditava que eram terras de homens com espíritoslivres. à concepção de Deus. Kleist. Pascal. fatalismo. sem dúvida. Adorava a França e a Itália. Dentre os poucos elogios deferidos por Nietzsche. ainda assim fizeram pouco ou nenhum sucesso. o que de fato se confirmou catorze anos após sua morte. teologia. Shakespeare. Muito pode ser compreendido na obra de Nietzsche como exercício de pesquisa filológica.o rigor germânico. Dostoiévski. Wagner. "Deus Morreu". Lord Byron. cristianismo. É sumamente importante notar que Nietzsche perdeu o pai muito cedo. muitas vezes com ressalvas a Schopenhauer. Anteviu o seu país em caminhos perigosos. Platão. humanista como Voltaire. ao pessimismo. e sempre perseguido por surtos de doença. Admirava Voltaire. ao utilitarismo. seus primeiros livros publicados até 1878. socialismo. Na sua obra vemos críticas bastante negativas a Kant."Acautela-te quando lutares com monstros. "delicadamente mal-educado". Aristóteles. anarquismo. e considerava como último grande alemão Goethe. livro que ainda hoje é de dificílima compreensão estilística e conceitual. Detestava a arrogância e o anti-semitismo prussianos. que não expunham suas idéias mais ácidas. ao iluminismo e à democracia. estoicismo. Edgar Allan Poe. Martinho Lutero.29. Naqueles países passou boa parte de sua vida e ali produziu seus mais memoráveis livros. antípoda de seu espírito-livre. Xenofonte. coletamos citações. com poucos amigos. Ele era. Dante. etc… ). Darwin. grande amigo e confidente de Nietzsche até certo momento. o anti-semitismo. Voltaire e ao próprio Wagner. Leopardi. Teve uma vida errante. chegando a romper com a irmã e com Richard Wagner. Que ele ficou extremamente desapontado com o sucesso de Richard Wagner. o espírito aprisionado. no próprio legado do filósofo podemos inferir suas opiniões em relação a outras filosofias e posições. Musset. Goethe. muito apreciador da Natureza. Sócrates. como o provaria Assim Falou Zaratustra. por ver neles a personificação do que combatia . o qual se aproximou do cristianismo.

Mas certo é que Nietzsche passou os últimos 11 anos da sua vida sob observação psiquiátrica. onde. não pensam que Nietzsche seja um autor do nihilismo. para ele o homem pode ser. Tal afirmação se baseia na obra Assim falou Zaratustra. verdades indubitáveis. Pois. Ou um "nihilismo positivo". foram escritas em meio à sua crise que se aprofundava. Nietzsche sofreu em Turim um colapso nervoso. associam suas idéias ao niilismo. eterna. em sua plenitude e globalidade. Como causa foi-lhe diagnosticada uma possível sífilis. sobretudo o seu autobiográfico Ecce Homo (1888). Este diagnóstico permanece também controverso. O eterno retorno significa o trágico-dionisíaco dizer sim à vida. Outros. há os que. não deixando escapar de suas críticas nem mesmo seu mestre Schopenhauer nem seu grande amigo Wagner. . Nietzsche. para Heidegger. "a eterna. E os valores a serem destruídos. objectivas e eternas não são reconhecíveis. defendendo que para Nietzsche: "A moral não tem importância e os valores morais não têm qualquer validade. um dia seriam substituídos pela saúde. onde se faz clara a vinda do super-homem. ainda hoje. A verdade é sempre subjectiva". mas ao contrário um crítico do nihilismo. não há progresso nem objectivo". entre outros. O Homem depende apenas de si mesmo". contrário ou não. depois em casa de sua mãe em Naumburg e finalmente na casa chamada Villa Silberblick em Weimar. É esta a concepção fundamental de sua obra Zaratustra. como os cristãos (na sua obra. "Deus está morto: não existe qualquer instância superior. inicialmente num manicômio em Jena. procurou denunciar todas as formas de renúncia da existência e da vontade. pelo menos em princípio. Em Janeiro de 1889. Assim. um criador de valores. sendo criar a finalidade do ser. "A verdade não tem importância. além de um destruidor. É a afirmação incondicional da existência. As suas últimas obras. "O eterno retorno do mesmo: A história não é finalista. Talvez a falta de consenso na apreciação da obra de Nietzsche tenha em parte a ver com os paradoxos no pensamento do próprio autor. Tal correspondência é totalmente contrária ao nihilismo. entretanto. só são úteis ou inúteis consoante a situação". a inteligência. Todavia.Niilismo Nietzsche em 1869 O legado da obra de Nietzsche foi e continua sendo ainda hoje de difícil e contraditória compreensão. à ignorância). faz menção à doença. suprema afirmação e confirmação da vida".

mas que se sabe ter sido intenção de Nietzsche publicar. . Anaximandro. interpreta a cultura clássica grega como um embate de impulsos contrários: o dionisíaco. Obras de Friedrich Nietzsche. representada pelo deus Apolo. que pôs fim à afirmação do homem trágico e desencaminhou a cultura ocidental. cuja marca é a figura de Sócrates. à medida das formas e das ações. reeditado em 1886 com o título O Nascimento da Tragédia. Trata-se.após a morte de sua mãe. de um escrito ainda filológico mas já de matriz filosófica disfarçada por uma pretensa intenção histórica. — Contra a concepção dos séculos XVIII e XIX. da calma e da serena racionalidade. a vitalidade da cultura e do homem grego. na ordem em que foram compostas:  O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik. Parménides e Anaxágoras sob uma perspectiva inovadora e interpretativa. deus do vinho. então influenciado pelo romantismo. da dança e da música. Considera os casos gregos de Tales. Nietzsche. Trata-se de um livro deixado incompleto. que tomavam a cultura grega como epítome da simplicidade. 1872). deveu-se ao desenvolvimento de ambas as forças. que acabou vítima do cristianismo durante séculos.provavelmente os textos que o compõem remontam a 1873 . Alemanha. Segundo Nietzsche. à embriaguez extática e mística e à supremacia amoral dos instintos. no fundo. Heráclito. cuja figura é Dionísio. face ligada à perfeição. ligado à exarcebação dos sentidos. à palavra e ao pensamento humanos (logos).  A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (Philosophie im tragischen Zeitalter der Griechen . Oder: Griechentum und Pessimismus) e com um prefácio autocrítico. ou Helenismo e Pessimismo (Die Geburt der Tragödie. que guarda muitos de seus manuscritos.publicado postumamente). Escritos O arquivo de Nietzsche em Weimar. e o apolíneo. foi cuidado por sua irmã. atestadas pelo surgimento da tragédia. e o adoecimento da mesma sobreveio ao advento do homem racional.

 David Strauss.  Richard Wagner em Bayreuth (Richard Wagner in Bayreuth. Demasiado Humano. Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. de crítica à modernidade.  Considerações Extemporâneas ou Considerações Intempestivas (Unzeitgemässe Betrachtungen. Ein Buch für Alle und Keinen. um além-do-homem. metonímias e antropomorfismos". 1883-85).publicado postumamente. — Primeiro de estilo aforismático do autor. — Série de quatro artigos (dos treze planejados) que criticam a cultura européia e alemã da época de um ponto de vista antimoderno. afirma que o princípio da vida é mais importante que o do conhecimento. Deus continua morto. aparece Zaratustra. complementada com Opiniões e Máximas (Vermischte Meinungen und Sprüche. 1873) no qual. Ein Buch für freie Geister.  Humano. como personagem na obra posterior. 1873 a 1876). 1882).  Assim Falou Zaratustra. um Livro para Todos e para Ninguém (Also Sprach Zarathustra.  Sobre a verdade e a mentira em sentido extramoral[4] (Über Wahrheit und Lüge im außermoralischen Sinn. que a busca de conhecimento (posteriormente discutida no conceito de "vontade de verdade") deve servir aos interesses da vida. e anti-histórico. pela idéia de poder. — Ensaio no qual afirma que aquilo que consideramos verdade é mera "armadura de metáforas. 2008). o Confessor e o Escritor (David Strauss. E no último. Allzumenschliches. — No terceiro capítulo deste livro é lançada o famoso diagnóstico nietzschiano: "Deus está morto. que só seriam explicitadas em Assim Falou Zaratustra. um Livro para Espíritos Livres (Menschliches.  Schopenhauer como Educador (Schopenhauer als Erzieher. 1873 . edição brasileira.  A Gaia Ciência. sensação de poder. 1879) e com O Andarilho e sua Sombra ou O Viajante e sua Sombra (Der Wanderer und sein Schatten. proferido pelo Homem Louco em meio aos mercadores ímpios (§125). der Bekenner und der Schriftsteller. E fomos nós que o matamos". finalmente superará sua própria criação e anunciará o advento de um novo homem. 1881). 1874).  Dos Usos e Desvantagens da História Para a Vida (Vom Nutzen und Nachteil der Historie für das Leben. No penúltimo parágrafo surge a idéia de eterno retorno. o criador da moral corporificada do Bem e do Mal que. . verão final publicada em 1886). pela primeira vez. traduzida também com Alegre Sabedoria. início das reflexões sobre a vontade de poder. 1880).  Aurora. Apesar de póstumo é considerado por estudiosos como elemento-chave de seu pensamento. 1876). ao atacar a idéia proposta por David Friedrich Strauss de uma "nova fé" baseada no desvendamento científico do mundo.relevadora da filosofia que é de Nietzsche. — A compreensão hedonística das razões da ação humana e da moral são aqui substituídas. 1874). primeira parte originalmente publicada em 1878. ou Ciência Gaiata (Die fröhliche Wissenschaft. Gedanken über die moralischen Vorurteile.

ciente de sua importância e acometido por delírios de grandeza. santificado. requerido. Ein MusikantenProblem. dizendo saber o que o espera. setembro 1888) . (… ) Pois quando a verdade sair em luta . e fala da criação de valores como prerrogativa nobre que deve ser posta em prática por uma nova espécie de filósofos. Complementar ao anterior — como que sua parte prática. anuncia o apocalipse: "Conheço minha sina. de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo. antes de expor ao mundo a sua obra definitiva (jamais concluída). Oferece uma consideração sobre o significado de Zaratustra. Critica demolidoramente as filosofias metafísicas em todas as suas formas. como sintoma de uma decadência análoga à que possibilitou o surgimento do Budismo. os ídolos (ideais ou autores do cânone filosófico). 1886). e analisa toda a gênese da culpa no ser humano. uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral. 1887). agosto-setembro 1888). o codificador do cristianismo e fundador da Igreja. aplicada — este livro desvenda o surgimento e o real significado de nossos corriqueiros juízos de valor. a natureza da realidade considerada de dentro dela mesma. (… ) Tenho um medo pavoroso de que um dia me declarem santo: perceberão que público este livro antes.  Ecce Homo.  O Anticristo . de uma decisão conjurada contra tudo o que até então foi acreditado. perspectivismo e outras noções importantes do pensador. como diz no livro que seria o início de uma obra maior a que deu sucessivamente os títulos de Vontade de Poder e Transmutação de Todos os Valores: uma grande composição sinótica da qual restam apenas meras peças (O Anticristo. dizer quem ele é. por que escreve o que escreve e por que "é um destino". E por fim. Fluch auf das Christentum. O Crepúsculo dos Ídolos e o Nietzsche contra Wagner) não menos brilhantes que a restante obra. realizada nele mesmo e não em promessas de um Além — forjando o mundo de Deus como a cima e além deste mundo. Um dia. "O único cristão morreu na cruz". ou como Filosofar com o Martelo (GötzenDämmerung. outubro-novembro 1888) — Uma autobi(bli)ografia. acha necessário. um Problema para Músicos (Der Fall Wagner. Acusa-o de deturpar o ensinamento de seu mestre — pregador da salvação no agora deste mundo.Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist. Além do Bem e do Mal. oder Wie man mit dem Hammer philosophiert. Wie man wird.Apesar de apontar Cristo.  O Crepúsculo dos Ídolos. sem apelar a ilusórias instâncias transcendentes. Neste livro denso são expostos os conceitos de vontade de poder. ele deve evitar que se cometam abusos comigo. meu nome será ligado à lembrança de algo tremendo — de uma crise como jamais houve sobre a Terra. Eine Streitschrift. mesmo em sua concepção "própria". Obra onde dilacera as crenças. Comenta as suas obras então publicadas.  Genealogia da Moral. Prelúdio a uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse. maio-agosto 1888). onde Nietzsche. Vorspiel einer Philosophie der Zukunft.  O Caso Wagner. da mais profunda colisão de consciências. was man ist. nesta obra Nietzsche dirige suas críticas mais agudas a Paulo de Tarso.

por outro. dizem não à democracia. Aktenstücke eines Psychologen. A noção de política estará então completamente dissolvida em uma guerra de espíritos. Ele tenta unir duas categorias de valores que dificilmente se relacionam: por um lado ele ama a crueldade. visto que este constitui para o filósofo da Floresta Negra "uma tomada de decisão no que tange o pensamento nietzscheano". dezembro 1888). Em Heidegger eis aí que só pode fundar a essência humana em Nietzsche. de modo que não é surpreendente que Nietzsche seja um grande admirador de Byron. os textos não acompanham a sequência das preleções de Marlburg de 1931 a 1936 e de Marlburg de 1940 a 1946. a guerra e o orgulho aristocrático e. segundo Nietzsche. são autenticamente não-conformistas. Ambos. arte e antes de tudo a música". embora a obra sempre retorne devido sua compleição didática. A obra de Heidegger sobre Nietzsche compreende duas etapas. única via para superá-lo. difundida pela práticas eleitorais e parlamentares". Eles têm horror da vulgaridade. Bertrand Russell Bertrand Russell escreve em "A History of Western Philosophy": "Apesar de Nietzsche criticar os românticos. enquanto que o primeiro proclamando a morte de Deus. é o ponto de vista do anarquismo aristocrático que Byron também representara. ao regime das massas. um em nome de um futuro pressentido. ao socialismo. todas as formações de poder da velha sociedade terão explodido pelos ares — todas se baseiam inteiramente na mentira: haverá guerras como ainda não houve sobre a Terra. onde teve início o nascimento da obra e o pensamento que já o acompanhava desde antes de seu doutorado tomou forma. . um deslocamento de montes e vales como jamais foi sonhado.contra a mentira de milênios. o outro invocando uma imagem idealizada do Ancien Régime. Eles são hostis ou indiferentes à elevação do nível de vida." [5]  Nietzsche contra Wagner (Nietzsche contra Wagner. Martin Heidegger No entender de Heidegger a noção de Vontade de potência e o pensamento do Eterno Retorno do Mesmo formam uma totalidade indissolúvel e não uma incoerência. a filosofia. da baixeza. Pensar a fundo o Eterno Retorno é ir de encontro até ao extremo nihilismo. este último um crente. a sua atitude é fortemente determinada por eles. teremos comoções. Raymond Aron escreve: "Nietzsche e Bernanos. A primeira delas constitui uma exegese dos escritos de Nietzsche em Nietzsche I e Nietzsche II é a expressão da filosofia que toma forma a medida que interrelaciona os interesses dos dois. um espasmo de terremoto. à generalização da pequena burguesia. Comentários de terceiros sobre Nietzsche Raymond Aron Em O ópio dos intelectuais. Heidegger adverte que. Pensar a fundo o nihilismo de Nietzsche para Heidegger é pensar a fundo a ausência de fundamento da verdade do Ser. ao progresso da técnica. a literatura.

26 de março de 1941) é um eminente zoólogo. Em 1982. exposta em seu livro O Gene Egoísta. religião e política. mas sim de que o efeito influencia no ambiente em que vive este organismo.Ver também  Teoria do Eterno Retorno do mesmo  Super-Homem (filosofia)  Vontade de poder  Morte de Deus  Perspectivismo  Niilismo  Existencialismo Richard Dawkins Clinton Richard Dawkins (Nairobi. criacionismo. Richard Dawkins ficou com a terceira posição. . natural do Quênia. publicado em 1976. apresentada em seu livro O Fenótipo Estendido. além de professor da Universidade de Oxford. um delírio". Dawkins é conhecido principalmente pela sua visão evolucionista centrada no gene. em alusão ao apelido de Thomas H. Desde então escreveu outros livros sobre evolução e apareceu em vários programas de televisão e rádio para falar de temas como biologia evolutiva. um dos maiores intelectuais conhecidos no mundo. recebeu o apelido de "rottweiler de Darwin" (Darwin's rottweiler). religião. evolucionista e popular escritor de divulgação científica britânico. Também é um entusiasta do movimento bright e. sobre os maiores intelectuais da atualidade. Esses assuntos são retratados em "Deus. etólogo. atrás somente de Umberto Eco e Noam Chomsky. Em enquete realizada pela revista Prospect em 2005. ceticismo e humanismo. que era chamado de "buldogue de Darwin" (Darwin's bulldog). Através de diversos fatos científicos. Dawkins nos mostra sua idéia da inexistência de Deus. Ele também defende e divulga correntes como o ateísmo. o que ajudou na criação da memética. livro de sua autoria que se tornou best-seller em vários partes do mundo. O livro também introduz o termo "meme". Huxley. como comentador de ciência. de que o efeito fenotípico não se limita ao corpo de um organismo.[1] Por sua intransigente defesa à teoria de Darwin. ele realizou uma grande contribuição à ciência da evolução com a teoria.

Inglaterra Nacionalidade Britânica Etnicidade Inglês Campo(s) Etólogo e biólogo evolutivo Instituições Universidade de Berkeley Universidade de Oxford New College. em 2008. Nascimento Clinton Richard Dawkins 26 de Março de 1941 (68 anos) Nairobi. Quênia Residência Oxford. Oxford Alma mater Balliol College Conhecido(a) por Publicação "O Gene Egoísta" Introduzir o conceito meme Defensor do ateísmo e do racionalismo Crítico da religião Prêmio(s) Medalha de prata da Sociedade Zoológica de Londres (1989).Dawkins na 34ª conferência anual dos American Atheists. Prêmio Michael Faraday (1990) Prêmio Kistler (2001) Postura religiosa Ateu .

de orientação esquerdista. Além de sua carreira acadêmica. Em 2005 a organização alemã Alfred Toepfer Stiftung concedeu-lhe o prêmio Shakespeare. Em 1997 Dawkins ganhou o International Cosmos Prize e em 2001 o prêmio Kistler. algum tempo depois. Durante 1959 e 1962. — Richard Dawkins Clinton Richard Dawkins nasceu em 26 de março de 1941 na capital do Quênia.[2] Apesar de seu pai ter sido convocado para servir na guerra. como o maior intelectual britânico. onde foi influenciado pelas idéias do biólogo dinamarquês Nikolaas Tinbergen.a Etologia (Tinbergen acabou ganhando um prêmio Nobel em 1973 pelo seu estudo pioneiro do comportamento dos animais). ele foi criado no leste da África até 1949. com colunas publicadas em jornais britânicos como o The Guardian. Clinton John Dawkins. foi chamado para servir em Malawi ao lado Forças Aliadas. defendendo sempre que a escola (e a sociedade em geral) deveria dar mais atenção a esses aspectos. . Dawkins trabalhou como estagiário de zoologia no Balliol College. Logo depois. Richard Dawkins também é um intelectual polêmico. Tinbergen. Nairobi.1969). e. quando finalmente mudou-se com a família para a Inglaterra. foi um dos primeiros biólogos a explorar a natureza do comportamento animal. autor de The Study of Instinct (1951). onde seu pai. ganhou o título de membro do New College. em reconhecimento da sua "apresentação concisa e acessível do conhecimento científico". em Berkeley (1967 . Voltou para Oxford como auxiliar de ensino em Zoologia. quando então desenvolveu um bom relacionamento com seu tutor. o qual Dawkins gostaria de ver diminuído. Dawkins foi agraciado com o título de professor assistente de Zoologia na Universidade da Califórnia. era um fazendeiro que. recebendo mais do que o dobro dos votos do que o vice-colocado. Suas opiniões estão geralmente voltadas ao papel da religião na sociedade. mudando-se então da Inglaterra para o Quênia. no mesmo ano em que foi eleito membro da Royal Society. por causa da Segunda Guerra Mundial. Dawkins formou-se em 1962 e partiu para o doutorado sob a direção de Tinbergen. em Oxford. Ele também é um divulgador da ciência e do pensamento científico. Tal empenho fez surgir um novo ramo da ciência . Em 2005 encabeçou a lista da revista Prospect.Biografia O mundo e o universo são lugares extremamente belos. e quanto mais os compreendemos mais belos eles parecem.

Esta idéia foi divulgada por Dawkins no seu livro de divulgação científica. a competição pelos recursos ambientais na seleção natural não se daria apenas entre indivíduos. que acabou trazendo para muitos a imagem de Dawkins como autor dessa visão que seria mais propriamente creditada a W. Dawkins deparou-se com o conceito de genes como unidades de seleção. 2006. entre diferentes genes possuídos por esses diferentes organismos. Bransgore. Hamilton. Trabalho Falando em Reykjavík. uma combinação de outras duas expressões de Tinbergen. por influência de W. Dessa forma. D. Hamilton. Tradicionalmente a seleção natural é vista como um processo que seleciona os indivíduos mais adaptados. . a visão centrada nos genes vai mais profundamente e entende isso como uma seleção indireta dos genes que determinam esse fenótipo mais adaptado nesses indivíduos. Foi durante os estudos em Oxford que Dawkins desenvolveu as principais linhas de trabalho que norteiam seu ponto de vista científico. "máquina de comportamento" e "equipamento para sobrevivência". D.Dawkins em março de 2005. que sempre lhe vinham à cabeça quando lecionava em Oxford. "O Gene Egoísta". Ele é freqüentemente citado pela expressão "máquina de sobrevivência".

são passados adiante (seja entre corpos ou entre mentes).Dawkins acrescentou mais uma idéia àquela da seleção natural focada nos genes. organizados para explorar ou construir objetos úteis para sua sobrevivência. Dawkins supôs que tanto os genes quanto os memes seriam eficientes. de acordo com sua hipótese. Estes memes são. Um meme pode ser um trecho de uma música (que "gruda" nas mentes de quem a ouve). Em biologia. através de suas cópias (nem sempre fiéis. o que permitiria mutações). ou mesmo uma religião (que seria considerada um conjunto de memes associados. nos casos de organismos mais sofisticados. O desenvolvimento do conceito de replicador por Dawkins incluía a idéia de que é insensato pensar na evolução das aves sem reconhecer que elas fazem ninhos. também. Genes e memes. habilidade esta decorrente da herança genética. cooperar e competir entre si. Para não acreditar na evolução você deve ser ignorante. estúpido ou insano. os caminhos da evolução dos organismos. e que é igualmente insensato considerar a evolução dos castores sem reconhecer a vital importância da habilidade herdada por eles em construir barragens e abrigos eficientes. um memeplexo). a herança genética de um indivíduo é chamada genótipo. Os organismos possivelmente são organizados para terem corpos e comportamentos determinados largamente pela sua herança genética e. já que. enquanto a aparência física é chamada fenótipo. Dawkins levou adiante seu conceito de fenótipo estendido para além da associação organismo-artefato e abrangeu também a família do organismo. o seu grupo social e todos os instrumentos e ambientes criados pelo indivíduo e grupo. uma metáfora para caracteres da herança cultural com os genes estão da herança biológica. [4] — Richard Dawkins . conseqüentemente. chamando essa associação de fenótipo estendido. de mais a mais. idéias e costumes que podem se comunicar. são replicadores . e esta idéia foi a de existem "memes". que age através do fenótipo estendido. Sua hipótese pretende explicar muitos fenômenos como uma manifestação física do código genético do indivíduo. portanto. poderiam agir juntos influenciando a sobrevivência e. Dawkins estabeleceu um postulado que associava organismo e artefato (objeto útil produzido pelo organismo) ligado ao código genético do organismo.

escrito e apresentado por Richard Dawkins.Fotografia de Richard Dawkins durante uma conferência em Reykjavík. evidenciando possíveis vantagens para a humanidade advindas de sua inexistência. lançado em português em 2007 como A Grande História da Evolução  O Maior Espetáculo da Terra .As Evidências da Evolução (2009) Documentários  The Root of All Evil? .Documentário feito para a televisão inglesa. que tem como foco demonstrar a desnecessariedade das religiões. 2003)  Deus. 1989)  O Fenótipo Estendido (1982) Edição revisada de 1999  O Relojoeiro Cego (1986). em 24 de junho de 2006. um Delírio (2006)  The Ancestor’s Tale: A Pilgrimage to the Dawn of Life (2004). Publicações Livros  O Gene Egoísta (1976.  Nice Guys Finish First  The Blind Watchmaker  Atheism: A Rough History of Disbelief . Islândia. segunda edição. relançado em 1996 e 2007  O Rio Que Saía do Éden (1995) Edição reimpressa (1996) ISBN 0465069908  A Escalada do Monte Improvável (1997)  Desvendando o Arco-íris (1998)  O Capelão do Diabo (ensaios selecionados.

 The Atheism Tapes  The Enemies of Reason (Os Inimigos da Razão) . A idéia de "Deus" Existem diferentes definições para Deus. o ser do qual não se pode pensar outro maior deve existir também na . atacam nossa sociedade racional.  Logo. amado ou temido. Os passos do raciocínio anselmiano são os seguintes:  Existe na mente de todo homem a idéia de um ser que não se pode pensar outro maior. segundo Dawkins.  Existir só na mente é menos perfeito do que existir na mente e também na realidade. Argumentos pela existência de Deus Argumento ontológico O assim denominado argumento ontológico da existência de Deus foi desenvolvido por Santo Anselmo de Canterbury na obra "Proslogion".  Se o ser maior do que o qual não se pode pensar outro só existisse na mente seria menor do que qualquer outro que também existisse na realidade.porque de ninguém recebeu a existência. o qual tanto pode ser um ser com poderes sobrenaturais. ninguém O fez . sempre existiu e sempre existirá.e de quem todos os outros seres recebem a existência.  The Genius of Charles Darwin (O Génio de Charles Darwin) Prêmios  Zoological Society of London Silver Medal (1989)  Prêmio Michael Faraday (1990)  Kistler Prize (2001)  Kelvin Medal (2002) Existência de Deus Este artigo pretende resumir argumentos favoráveis e contrários a existência de Deus que têm sido recorrentes ao longo da história da teologia cristã e da filosofia ocidental. Deus é Aquele que é. infinitamente perfeito que existe por si mesmo . um espírito dotado de entendimento e de vontade. A definição de Deus abraâmico é de um Ser Supremo. quanto representar o princípio criador e mantenedor de todas as coisas do universo.documentário de dois episódios sobre os misticismos e as superstições que. É o único Ser necessário que existe desde toda a eternidade.

isto é cuja existência não é indispensável e que podem existir e depois deixar de existir. Karl Bath. O movimento aqui é considerado no sentido metafísico. logo conclui-se que existe Deus e esse ser é perfeitíssimo. nem é possível. logo. 3a. As Cinco Vias de São Tomás de Aquino Santo Tomás de Aquino. para isto propõe cinco vias de demonstração de natureza exclusivamente filosófico-metafísica. e um tal ser todos entendem: é Deus.Causa Primeira ou Causa Eficiente Decorre da relação "causa-e-efeito" que se observa nas coisas criadas. do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita e não se chegaria ao efeito atual. chamados de contingentes. porque desse modo seria anterior a si prórpio: o que é impossível. Malcom.Primeiro Motor Imóvel Nossos sentidos atestam. logo é preciso que haja um Ser Necessário e que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser. aparecem. na sua obra Suma Teológica ensina que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas e que. Mas. é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos. existe também no mundo material!". Todos os seres que existem no mundo são contingentes. aplicando o princípio da causalidade. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada.Ser Necessário e Ser Contingente Existem seres que podem ser ou não ser. Defenderam esta tese com argumentos distintos São Boaventura. Leibniz. isto é passagem da potência como sendo aquilo que uma coisa pode vir a ser. Logo é necessário afirmar uma Causa eficiente Primeira que não tenha sido causada por ninguém. via . Em poucas palavras: "algo existe em meu pensamento. que têm como ponto de partida as criaturas enquanto entes causados para se atingir como termo de chegada a necessidade da existência de Deus. Descartes.realidade (existência real necessária). N. pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente. Deus é ato puro e não sofre mudança o seu Ser confunde-se com o Agir. . sem ter de recorrer a nenhum outro argumento de natureza religiosa ou dogmática. nem todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria.aquilo que a coisa é no momento. fazendo apenas o uso da luz natural da razão a partir das coisas criadas. Esta Causa todos chamam Deus.[1] 1a. Assim se explica a causa da existência do Universo. que neste mundo algumas coisas se movem. Hegel. Duns Scoto. isto é. é possível demonstrar a Sua existência. duram um tempo e depois desaparecem. são demonstrações metafísicas (causalidade do ser) e não científicopositivas (causalidade apenas dos fenômenos). para o ato . algo que seja a causa eficiente de si próprio. pois a todo efeito é atribuída uma causa. via . via . logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido. alguma vez nada teria existido. mostram ser impossível se proceder ao infinito na cadeia de causas. com toda a certeza. 2a. As cinco vias são provas a posteriori. Não se encontra. Tudo o que se move é movido por alguém. mesmo partindo da experiência sensível e.

seres racionais corpóreos. Há uma ordem em todos os seres. via . Portanto.Igualmente. uns são mais perfeitos que outros. a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente. o menor vegetal. tudo o que é necessário tem. o universo está ontologicamente hierarquizado . que não encontra em outro a causa de sua necesidade. 4a. logo há um ser inteligente que dispôs o universo na forma ordenada. Como se observa que as coisas existem. pois a ordem não vem do caos e nem do acaso. mas que é causa da necessidade para os outros: o que todos chamam Deus. não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos. 1509) concluíram pela necessidade da existência de uma inteligência ordenadora do universo. via . 5a. Platão e Aristóteles (por Rafael Sanzio.Inteligência Ordenadora Existe uma ordem admirável no Universo que é facilmente verificada. tem órgãos para cada função ordenados para a preservação da espécie. Da mesma forma as letras de . Esta ordem pressupõe uma Inteligência ordenadora. Logo existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim. ou não. vegetais e inanimados) qualquer graduação pressupõe uma parâmetro máximo. animais. p. ora toda ordem é fruto de uma inteligência ordenadora. logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a Causa da Perfeição dos demais seres.Ser Perfeito e Causa da Perfeição dos demais Verifica-se que há graus de perfeição nos seres. a causa da sua necessidade de um outro. Aqui também não é possível continuar até o infinito na série das coisas necessárias que têm uma causa da própria necessidade. e a isso nós chamamos Deus. é necessário afirmar a existência de algo necessário por si mesmo. não pode ter havido um momento de Nada Absoluto. pois daí não se brotaria a existência de algo ou coisa alguma. ex. como a flecha pelo arqueiro. Do Nada não surge e nem advém o Ser. Com efeito aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim.

ou pelo menos. mas não é capaz? então é impotente. Portanto. os seus sofrimentos serão superados com sobra pela felicidade futura". que são incorpóreos. que se chama Deus. O Mal no Mundo A existência do "mal" tem sido usada como argumento para a inexistência. é segundo o intelecto e a razão. ou a presença de órgão vestigiais têm sido usados como argumentos contra a existência de Deus. O mal. Assim como um edifício pressupõe um engenheiro ou um quadro o pintor. Todo o ser que começa a existir tem uma causa. Argumento da existência do Mundo O mundo exige uma causa de si. Em relação a estes argumentos. decorre do fato da criatura ser limitada e imperfeita. Se o inocente e o justo têm de sofrer a maldade dos maus. Assim. segundo Santo Tomás de Aquino deve-se dizer que o homem é a imagem de Deus. mas segundo aquilo pelo que o homem supera os outros animais. da incongruência da existência de Deus. à infinita bondade de Deus pertence permitir males para deles tirar o bem". Terá tanto o desejo como a capacidade? então porque é que existe o mal?".um livro não são colocadas ao acaso. o justo do injusto e o impelem a praticar o bem e a evitar o mal. Esse Ser chama-se Deus. O homem é superior aos outros animais pela razão e pelo intelecto. o certo do errado. teria três condições: . "O mal é ideia do homem. que o homem seria a imagem de Deus. não interfere continuamente para tirar ao homem o dom da liberdade. que deu ao homem o livre-arbítrio e pôs em marcha o Seu plano para a humanidade. Assim. porque dele pode tirar um bem maior: aprendizados que geram novas virtudes e méritos pela superação das condições adversas. Não há efeito sem causa. Ele. não segundo seu corpo. Logo a ordem existente no mundo prova a existência de uma Inteligência que ordenou todas as coisas nos mínimos detalhes. mas não o deseja? então é malévolo. o mal teria a função de ensinar aos homens os seus próprios limites. A lei moral. Santo Tomás explica que "Deve-se dizer com Santo Agostinho: 'Deus soberanamente bom. Argumento da Lei Moral Dá-se o nome de Lei Moral ao conjunto de preceitos que o homem descobre na sua consciência e que o fazem distinguir o bem do mal. segundo os teólogos Ricardo Sada e Pablo Arce. se não fosse poderoso e bom a tal ponto de poder fazer o bem a partir do próprio mal'. a sua recompensa no final será maior. não de Deus. O universo tem um grau de complexidade superior a qualquer obra humana conhecida. Hume (1711-1776) adianta: "Quererá [Deus] impedir o mal. no entanto. Será que é capaz. corrigindo e reordenando a criatura pela aplicação de provas e expiações. ou infortúnio. Logo não se pode admitir que tenha aparecido sem que um Ser lhe tenha dado a existência. não permitiria de modo algum a existência de qualquer mal em suas obras. É necessário que exista uma Inteligência Suprema que tenha ordenado o Universo criado. Imagem e semelhança de Deus A existência de deficiências fisicas nos humanos.

. ninguém poderá fazer com que o estupro de uma criança seja algo bom. Não se tem notícia de sociedade humana que não tivesse culto à divindade. mesmo que às ocultas. Assim. Logo deve existir um bem cuja posse seja capaz de dar ao homem a felicidade infinita e eterna que tanto busca.é indivisível (tanto em ato como em potência). e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Vós» (Confissões). Este argumento é usado para mostrar que não se consegue provar a inexistência.  Suprema perfeição . isto é quando a cumprimos. Funda-se na constatação de que todo homem busca a felicidade e que esta felicidade plena e eterna não dura se se alcança. pois a falta de prova não é prova. ninguém pode mudá-la ou revogá-la. não pode haver mais que um Deus. este grande consenso histórico e quase universal tem grande probabilidade de ser retrato da realidade existente. sentimos a satisfação do dever cumprido. e mesmo quando se alcança não dura pois um dia chega a morte. quando a transgredimos. Argumento da impossibilidade científica da negação Não se pode cientificamente provar que Deus não existe. a onipotência de um comprometeria a do outro. É superior ao homem. que possa obrigar a todos e que lhes possa ler na consciência. Conhecimento de Deus por analogia A partir do conhecimento das criaturas pode-se atribuir a Deus todas as perfeições que nelas se encontram e as que se pode conceber.  Unicidade . mas não prova a existência. não possui composição alguma. senador romano.Obriga a todos os homens. bem como n'Ele negar tudo o que as criaturas têm de limitado e imperfeito. a este legislador chamamos Deus. são atributos de Deus. segundo Santo Tomás:  Unidade ."perfeito é aquilo que está totalmente feito". A lei moral supõe um legislador que atenda a estas três condições. Argumento Histórico Cícero. por exemplo prescreve-lhes o respeito à vida e à propriedade alheia. Senhor. Este argumento trata-se da falácia argumentum ad ignorantiumexplicado no guia das falácias de Stephen Downes. Obriga em consciência. por exemplo. Argumento Psicológico Conhecido também como argumento eudenomológico. É um caso de falso dilema. Todas as perfeições das criaturas (efeitos) se encontram em Deus de modo indiviso e em grau eminente (causa). parte da constatação da universalidade do fenômeno religioso.é unico. que seja superior ao homem. funda-se na afirmação de Agostinho de Hipona: «Criaste-nos para vós. sentimos remorsos. proíbe o assassinato e o roubo.

pode estar em todos os lugares sem estar circunscrito a eles. tudo sabe e tudo conhece.não está sujeito a espaço.é a suprema harmonia de todas as perfeições criadas e o seu conhecimento é a máxima felicidade possível  Simplicidade .não teve princípio e não terá fim. o que implica que não tem corpo e nem partes de nenhuma espécie.tem a capacidade da ubiqüidade. pode estar em todos os lugares e.  Onipotência . dá a existência ao próprio lugar. e é perfeitamente boa e justa.  Misericordioso .A criação de Adão.  Transcendência . mais do que estar num lugar.  Onipresença .é infinito. não tem limites. Deus é o mais desejável dos seres é o Bem Supremo. tem todas as perfeições em grau máximo e ilimitado.  Eternidade . pelo contrário. Vaticano.Deus é todo misericórdia. Se pudesse ser aperfeiçoado não seria Deus e sim aquele que Lhas desse. Capela Sistina. é a decisão do homem de praticar o ato que permite que Deus .é mais que sábio.  Imensidade . está fora do mundo e acima da realidade material.  Santidade . é a própria Sabedoria ilimitada.  Sabedoria .a vontade de Deus é onipotente.  Infinidade .  Onisciência .não está sujeito a mudanças nem no seu Ser e nem nos seus desígnios. Sendo infinitamente justo retribui a cada um segundo as suas obras.possui inteligência e entendimento ilimitados.não se confunde com o mundo.não é composto de partes.Deus é a bondade infinita.é infinitamente santo e belo e fonte de toda a beleza e santidade.  Suprema bondade . Conhecimento divino e liberdade humana Que Deus saiba quais os atos o homem praticará não implica dizer que Ele seja a causa destes atos. Quanto mais perfeito é um ser tanto mais é desejável. por Miguelângelo.  Imutabilidade . perdoa tantas vezes quantas nos arrependemos.  Beleza suprema . sempre existiu e não deixará de existir.

pode-se supor duas possibilidades em relação ao fato de existir: 1ª. então para ser considerado como uma entidade concreta. pode-se supor que. Ex: Tentativa de prova da existência de uma hipotética quantidade de água em um hipotético copo: Supondo que ao virar o referido copo. logo prova-se que Deus não teria sido criado. esta previsão não o torna a causa do tornado. gasosa. comprovada. neste caso onde existem apenas duas possibilidades (existência ou inexistência). então significa que a "matéria" que o compõe e o "lugar" que ocupa. onisciente e onipotente. que também é o "lugar" que ocupa. prova-se então o contrário. Ao contrário. Deus foi criado: Se Deus foi criado.Alguma matéria: sólida. tal impossibilidade de prova determina a prova da possibilidade contrária. também sempre existiram. Se Deus possui alguma matéria e ocupa algum lugar em algum "espaço" não abstrato. onipresente. líquida. pode-se dizer que ao tentar provar a existência de Deus e esta tentativa resultar em uma. logo Deus não poderia ser . Ex2: Tentativa de prova da existência de Deus: Se Deus existe. sendo assim existiria uma entidade criadora que teria criado Deus. é TUDO.saiba que ele será praticado. quem teria o criado? O fato de ter sido criado requisita uma ação criadora. Deus não foi criado: Mesmo utilizando o pressuposto de que algo pode existir sem ser criado. Da mesma forma. percebe-se que não cai nenhuma quantidade de água e que o fato de a água cair ao virar o copo provaria a existência da mesma. quando o serviço de meteorologia prevê a ocorrência de um tornado amanhã. Porém o "TUDO" é a abstração do conjunto concreto do todo.Alguma forma: mutável ou não. Argumentos pela inexistência de Deus (Aplicáveis principalmente para o Deus abraâmico. 2ª. o que é impossível. ou seja. logo conclui-se que Deus. se Deus sempre existiu. significa que o "lugar" que ele ocupa é o conjunto do todo. ou seja a "matéria" e o "lugar" também são Deus.impossibilitando a sua criação por uma entidade superior. impossibilidade da prova. ele deveria ter: I. já que as propriedades de Deus o caracterizam como atemporal. aquilo mesmo que fará com que haja a tempestade amanhã é que proporciona ao meteorologista a base da sua previsão. ou qualquer outra desconhecida. ou seja. não poderia haver outra entidade mais poderosa que Deus. dotado de omnisciência.Ocupar algum lugar no "espaço" ou qualquer outro "lugar" desconhecido não abstrato. III. II. a impossibilidade de provar a existência de Deus conclui determinadamente a prova de sua inexistência. Supondo que Deus seja onipresente. ação esta que requisita uma entidade criadora. omnipotência e benevolência suprema e adotado pelo Judaísmo. não existe nenhuma quantidade de água no copo neste caso hipotético. Cristianismo e Islão) Argumento da inexistência de Deus segundo a contrariedade da existência Utilizando métodos da lógica e racionalidade humanas. ou seja.

é impotente para mudá-lo visto que este futuro (que já é conhecido de antemão) já está determinado. Qualquer coisa para existir necessitaria ter existência no espaço-tempo. O Darwinismo. como resultado de uma oportunidade ou necessidade cegas. de conceber este universo imenso e maravilhoso. ou quase impossibilidade.o "TUDO". evoluindo. enquanto este planeta vinha orbitando de acordo com a lei da gravidade estabelecida. logo."[9] Esse discurso. que tem todo o conhecimento acerca dos acontecimentos futuros. Um Deus onisciente. com seus vários poderes. escreveu: "pela extrema dificuldade. segundo Francis S. Darwin concluiu a obra A Origem das Espécies com o seguinte texto: "Há uma grandeza nessa visão da vida. Collins. possivelmente ele não existiria. Argumento da imaterialidade Existem aqueles que crêem que se não conseguimos ver. Darwin expressou acreditar na origem divina da existência quando. tendo ela sido lançada como o sopro da vida originalmente pelo Criador em poucas formas ou em uma. logo prova-se o contrário. sendo assim Deus não poderia ser onipresente. Argumento da Evolução Darwiniana A evolução Darwiniana fornece explicação para a complexidade dos seres vivos. Até o momento Deus não foi medido através de qualquer equipamento científico desenvolvido pelo homem. então comprova-se que a tentativa de provar que Deus existe é impossível. Quando medito dessa maneira. e continuam. Argumento da incoerência ou das propriedades incompatíveis Uma versão popular do argumento das propriedades incompatíveis questiona a possibilidade de um Deus ser ao mesmo tempo onisciente e onipotente. em outra oportunidade. Tanto é assim que. inúmeras formas. e que. Conclui-se que se Deus não pode ter sido criado e que não poderia existir desde sempre como um ser concreto. incluindo o homem com sua capacidade de examinar o passado tão distante e o futuro tão longínquo. então não poderia ser onipotente. da mesma forma que a consciência humana não foi devidamente localizada no corpo. mas tenta apenas explicar a grande diversidade das espécies pelo mundo com base meramente no que é observado na natureza. sinto-me atraído a observar a Primeira Causa como tendo uma mente inteligente em algum grau análoga a . é totalmente incompatível com a intenção de provar a não existência de Deus. pois não seria concreto. é impossível a existência de uma entidade concreta que tenha as características divinas. todavia. não se propõe a "provar" a não existência de Deus. que ocorreria sem nenhuma necessidade de intervenção divina. medir ou testar Deus de nenhuma forma rigorosa com métodos físicos e experimentais. então não poderia ser onisciente. sendo assim Deus não poderia ser concreto e não sendo concreto ele não poderia sempre existir. cada vez mais belas e maravilhosas foram. pois não PODERIA saber de tudo. ao admitir a possibilidade de existir um "Criador". Se Deus não poderia ser onipresente. pois não PODERIA estar em qualquer lugar. Se Deus não poderia ser onipotente. a partir de um início tão simples. embora o cristianismo aponta que o ser humano possui livre arbítrio então o futuro já não precisa ter sido alterado.

Mas se ele é omnipotente. Outros argumentos  Teodicéia ou o Problema da Existência do Mal  Argumento do Livre-Arbítrio  Crítica do Argumento Cosmológico  Crítica do Argumento Teleológico (ou Argumento do Desígnio)  Crítica do Argumento Ontológico  Argumento da Dor e Prazer  Navalha de Occam  Argumento das Revelações Inconsistentes  Problema da Erraticidade Bíblica  Variante da Aposta de Pascal É notável também a questão do ônus da prova. o nosso presente e o nosso futuro. Actualmente não existe nenhuma prova científica conclusiva de existência ou inexistência de Deus. muitos declaram a inexistência de Deus. então Deus não é nem omnisciente nem omnipotente. deixaria de ser omnipotente. pela impossibilidade de medir Deus através de instrumentos científicos. O único meio de pesquisa e estudo das demais dimensões que constituem o universo só pode se dar através de conceitos de física. Posição da Ciência A comunidade científica tende a distanciar-se de uma corroboração ou refutação de Deus. Devido a isto. deixaria de ser omnipotente. ele poderia criar uma pedra tão pesada que nem mesmo ele poderia erguer. se não conseguisse criar tal pedra. Se não a conseguisse erguer. . então ele deveria ter força suficiente para erguer qualquer peso. se Deus é omnipotente. Segundo Argumento da Incoerência Este argumento prende-se no facto da existência de certas incoerências nas propriedades de Deus."[10] Argumento da improbabilidade Não se tem como provar cientificamente a existência de um ser que. caso exista. Sabe o que já fizemos e o que vamos fazer (apesar de nos conceder livre-arbítrio). que são todas imateriais. Se Deus é omnisciente. e não há razão para não nascermos logo no paraíso ou no inferno.essa dos homens. então o livre-arbítrio não faz qualquer sentido. extrapolaria o espaço-tempo perceptível ao homem e aos equipamentos por este criado. Por exemplo. Se sabe. e mereço ser chamado de Teísta. No entanto. o que é perfeitamente coerente com a declaração de que Deus não faz parte do escopo analítico da Ciência. então ele sabe tudo sobre o nosso passado. Se não conhece as nossas acções futuras. de filosofia e de fórmulas matemáticas.

A maior parte dos cientistas da Pontifícia Academia das Ciências e da qual fazem parte. Lineu. mas exprimi-o com clareza. por exemplo) de hoje.[12] Aristóteles e Sócrates estavam convencidos da necessidade da existência de Deus. Porém. Estudos apontam que uma larga maioria. Isaac Newton. Johannes Kepler. Rene Descartes. entre elas muitos biólogos".[16] dos cientistas de elite (entre a NAS. Bruce Alberts observa: "Existem muitos destacados membros de nossa academia que são pessoas religiosas.  Ateísmo  Ateísmo forte  Ateísmo fraco . Contudo. A religiosidade de Albert Einstein tem sido contestada. existem cientistas de elite da própria NAS que acreditam em Deus e são pessoas religiosas como o próprio presidente da NAS. Se há algo em mim a que se pode chamar religioso. Galileu Galilei.[11] defende evidências da existência divina e afirma não haver incompatibilidades entre Deus e a ciência. Encíclica de João Paulo II sobre as relações entre a fé a razão. No entanto. por exemplo. a própria NAS publicou um documento manifestando a opinião de que A existência ou não de Deus é uma questão para a qual a ciência é neutra [16] ("Whether God exists or not is a question about which science is neutral"). Michael Faraday. ele mesmo proferiu: "Eu não acredito num Deus pessoal e nunca o neguei. em seu livro "A Linguagem de Deus". no seu livro "The God Delusion".[16] Ao mesmo tempo. e Jérôme Lejeune. Gregor Mendel. é provável que ele acreditasse em um Deus "impessoal" (seja lá o que isso signifique). Independentemente das convicções. Ver também  Argumento ontológico  Paradoxo de Epicuro  Paradoxo da omnipotência  Fides et Ratio. cientistas não deixam de expressar suas convicções em relação ao tema. A frase "Deus não joga aos dados" tem sido vista como uma demonstração de religiosidade.Por outro lado. então esse algo é a infinita admiração pela estrutura do mundo tanto quanto a nossa ciência o consegue revelar". Academia das Ciências dos EUA. bastaria apenas mencionar "Deus". discute e defende a improbabilidade de Deus existir. Alexis Carrel. que presidiu a Pontifícia Academia das Ciências. dentre outros. não acreditam em Deus. individualmente. pessoas que acreditam na evolução. dois prêmios Nobel: o físico alemão Klaus von Klitzing e o químico taiwanês Yuan Tseh-Lee[17] acreditam na existência de Deus e consideram que fé e ciência podem conviver harmoniosamente. Richard Dawkins. Einstein parecia ser deísta e via Deus como a maravilha do universo complexo. caso contrário a especificação "Deus pessoal" não faria sentido e seria redundante. enquanto o diretor do Projeto Genoma Humano.[15] Carlos Chagas Filho. juntamente com Nicolau Copérnico. os cientistas actuais nunca demonstraram a existência ou inexistência de Deus. Francis Collins. Max Planck[13][14] von Braun.

na divindade de Jesus. sentia que a religião nasceu do medo e da ignorância. especialmente no Reino Unido. mas que ainda assim acreditavam em um deus. como Epicuro. Escrevendo em 1776 sobre os antigos romanos. e que todos os fenômenos poderiam ser entendidos como resultantes de causas puramente naturais. a religião era apenas uma ferramenta útil para um governante que pretende manipular a opinião pública. Ele continua a existir até hoje. Um filósofo do escola epicurista. A crítica religiosa tem uma longa história. validade. História O poeta romano do século I antes da era comum. . porque a Igreja e seus representantes deram a nós o pior exemplo. ou na inerrância bíblica. ele não formou qualquer congregação. pelo filósofo como igualmente falso." Niccolò Machiavelli.. Tito Lucrécio Caro. voltado ao que diz respeito ao primeiro século antes da era comum em Roma e prossegue até os dias atuais com o advento do novo ateísmo. tais como o Unitarianismo e o Universalismo. O deísmo se tornou destaque nos séculos 17 e 18 durante a era do Iluminismo. italianos. e as consequências da religião. Lucrécio. nos milagres. sob a forma tanto do deismo clássico quanto do deismo moderno. França e Estados Unidos. Inicialmente." Para Maquiavel. Crítica da religião Crítica da religião implica crítica do conceito. Religião tem sido alegado pelos críticos de ser prejudicial para o indivíduo e para a sociedade. e que a compreensão do mundo natural poria as pessoas livres de seus grilhões. no início do século XVI disse: "Nós. em seu trabalho hercúleo De Rerum Natura. práticas. Deísmo  Agnosticismo  Panteísmo  Pandeísmo  Argumento Cartesiano para a existência de Deus. que desenvolveram-se a partir dele. criticou a religião. Lucrécio acreditava o mundo era composto exclusivamente de matéria e vácuo.. e para promover a irracionalidade e encorajar o terrorismo. Edward Gibbon declarou: "Os vários modos de adoração que prevaleceram no mundo romano foram todos considerados pelo povo como igualmente verdadeiros. e pelo magistrado como igualmente útil. principalmente entre os apontados como cristãos que descobriram que poderiam não acreditar nem na doutrina da Trindade. somos irreligiosos e corruptos mais do que os outros . mas com o tempo o deismo influenciou fortemente outros grupos religiosos.

e ao aparecimento de cometas (por exemplo. dizem que existem argumentos razoáveis para apoiar a existência de Deus. bem como a natureza das estrelas e planetas. ela é a antítese do secularismo. Richard Dawkins. química e física. Christopher Hitchens e Michel Onfray . elas podem ter servido para várias funções importantes em sociedades antigas. o funcionamento do organismo. portanto." Apologistas da religião. geralmente através de uma narrativa dramática descrevendo o modo como o mundo e sua comunidade surgiram. normalmente sem qualquer tentativa de obter o seu consentimento e frequentemente não permitem críticas de suas políticas (um bom exemplo é o que aconteceu com José Saramago quando do lançamento do livro Caim). a astrologia). algumas religiões podem ser vistas como autoritárias. e a fé Baha'i. Jesus . e tentaram explicar uma existência assustadora. porque a ciência tem sido bem sucedido.[7] Algumas religiões também pregam que existiu.incluindo Sam Harris. como William Lane Craig. mas que isso está tendo um impacto negativo sobre as questões éticas e sociais atuais. ou um estado que impõe fortes e algumas vezes opressivas medidas contra aqueles que estão em sua esfera de influência. na medida em que o seu objetivo é definirem-se como a suprema autoridade em conformidade com a qual o direito de um dado local é estabelecido e interpretado (um bom exemplo disso é o direito natural tomista. Estas narrativas foram tencionadas para dar conforto e uma sensação de relacionamento com forças maiores. Um país em que a situação acima descrita está estabelecida é chamado de teocracia. também muito chamado de "aristotélico-tomista". Exemplos incluem as ideias que muitas religiões tradicionalmente tinham a respeito de eclipses solares e lunares. onde o nosso conhecimento tem aumentado dramaticamente. e a ciência é a melhor abordagem para a solução dos mistérios que ainda subsistem. Nesse sentido. ou existe. embora tenha pouco do pensamento original de Aristóteles). como o Raelianismo. Crítica do conceito de religião Com algumas exceções. no entanto. muitos críticos . John McCarthy afirma: "Nós também não temos a necessidade da hipótese de Deus. Poder político autoritário O termo "autoritário" é utilizado para descrever uma organização. Desse modo. Os sistemas religiosos tentaram abordar questões emocionais pessoais significativas. De maneira que essa fonte de autoridade divina não deve ser criticada com argumentos não-religiosos. A preocupação deles é não só de que esse resquício de concepções relativamente primitivas de vida entre nós atrapalhe os modernos desenvolvimentos científicos e a evolução dos valores culturais. psicologia. principalmente devido ao crescimento do chamado neo-ateísmo. uma instituição. Muitos críticos da religião veem dificuldades significativas e porções da população em geral continua a subscrever a essas antigas tradições. um ser divino entre nós ou um ser humano que age guiado pela divindade e que é. Dado o atual nível de compreensão em áreas como a biologia. infalível: por exemplo.Interesse no e controvérsia sobre a crítica das religiões tem aumentado nos últimos anos.argumentam que continuar a sustentar esses sistemas de ideias é absurdo e irracional. foram mal compreendidas. a maioria das religiões foram formuladas em um momento em que a origem da vida.

uma área de estudos da psicologia dedicada ao estudo de fenômenos dos quais a chamada psicologia empírica não se propõe a estudar. tem também um outro significado bastante específico. O termo foi cunhado por Freud em seus estudos sobre as relações entre o inconsciente e a consciência para designar um conhecimento psicológico que considere as dimensões dinâmica. O vocábulo é o resultado do senso comum. Metapsicologia O termo metapsicologia pode ser encarado como sinônimo de psicologia metafísica. um sinónimo da parapsicologia. que tal teoria dos lugares não corresponde a uma busca por localizações físicas para os aconteceres psíquicos. é um ramo da psicologia que se dedica ao estudo dos fenómenos que ultrapassam a psicologia empírica. Psicologia metafísica A psicologia metafísica ou a metapsicologia. (caminho para chegar a um fim). o Papa. por não serem acessíveis ao conhecimento pela experiência e que não pode ser provado pelo método científico proposto pelo positivismo para as ciências. O termo metapsicologia. Esta ciência estuda todos os fenómenos que não podem ser explicados segundo teorias científicas como a telepatia. Assim. Método científico A palavra método vem do grego μέθοδος (méthodos). De maneira breve e bastante simplificada. uma teoria dos lugares¹. O método científico é um conjunto de regras básicas para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo conhecimento. que se mostram nessas relações. ¹Convém observar. dinâmico e econômico poderiam ser descritos como.e. porém. respectivamente. Na verdade. bem como corrigir e integrar conhecimentos préexistentes. associado à psicanálise.por vezes conflitantes. É uma tentativa de formular teorias que expliquem tudo o que os outros ramos da psicologia não conseguem explicar e que se enquadre nesta área do paranormal. Na maioria das disciplinas científicas consiste em juntar evidências . o aspecto tópico. a metapsicologia é considerada. porém. mas sim de delimitar instâncias responsáveis por diferentes funções. das forças e da energia psíquicas. etc. tópica e econômica do psiquismo. que não pode ser provado pelo método científico. a metafísica estuda a natureza do homem e do universo. que não se conhece através da experiência. por vezes. a clarividência. no sentido dos milagres ou do sobrenatual. que trata a metafísica como o estudo dos fenômenos ultrapassam "a física". em algumas circunstâncias.

observáveis. e então desenvolvem experimentos que testam essas hipóteses. reproduzir e verificar a confiabilidade dos resultados. O contexto de uma pesquisa Primeiramente os pesquisadores definem proposições lógicas ou suposições (hipóteses) para explicar certos fenômenos e observações. teses e dissertações) de um simples estilo (padrão) ou arquitetura de texto orientados pelo que caracteriza as normas da Retórica ou estudo do uso persuasivo da linguagem. pesquisador canadense que formulou a moderna concepção de stress: "Quem não sabe o que procura não entende o que encontra" referindo-se a necessidade de formulação de definições precisas (a essência dos conceitos) e que possam ser respondidas com o simples sim ou não. especialmente. Contudo pesquisadores contemporâneos vêem nessas duas abordagens uma oposição complementar. diferenciadas por seus distintos objetos de estudo.religiosos). atente às propriedades do objeto e não do sujeito (subjetividade) é conhecida a afirmação de Hans Selye. quando possível. monografias.). enquanto as pesquisas quantitativas visam descrever e explicar fenômenos que produzem regularidades mensuráveis são recorrentes (ou discrepantes) e exteriores . empíricas (ou seja. descrever. Tanto a imparcialidade (evidência) como a objetividade foram incluídas por René Descartes (1596 – 1649) nas regras lógicas que caracterizam o método científico. as hipóteses podem gerar leis e teorias. tanto no que diz respeito à fonte de dados como as regras de análise. Metodologia literalmente refere-se ao estudo dos métodos e. Outra característica do método é que o processo precisa ser objetivo. o procedimento precisa ser documentado. É comum o uso da análise matemática ou estatística. Para muitos autores o método científico nada mais é do que a lógica aplicada à ciência. A divisão da ciência em áreas ou distintas disciplinas cientificas tem levado a tais adequações da metodologia. Integrando-se hipóteses de certa área em uma estrutura coerente de conhecimento contribuí-se na formulação de novas hipóteses. É comum a afirmação de que em função da evolução do método cientifico num extremo temos a física e química seguida da biologia e por último as ciências sociais. analisar) que pode ser basicamente quantitativa ou qualitativa. do método da ciência. em função da eloqüência. ou aproximação de modelos abstratos (tipos ideais) e categorias de classificação a depender do objetivo da pesquisa (identificar. Se confirmadas. que se supõe universal. Embora procedimentos variem de uma área da ciência para outra (as disciplinas científicas). psicologia e ciências jurídicas quase se aproximando da filosofia e estudo das crenças (senso comum) ou ciências do espírito (sistemas mítico . Além disso. baseadas apenas na experiência) e mensuráveis e as analisar com o uso da lógica. Assim se distingue os relatos científicos (artigos. etc. Sobre a objetividade o seja. algoritmo – matemático. consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos (filosófico. e o cientista deve ser imparcial na interpretação dos resultados. para que outros cientistas possam re-analisar. bem como coloca as hipóteses em um conjunto de conhecimento maior que são as leis e teorias reconhecidas consensualmente pela comunidade científica e/ou o paradigma de seu tempo.

É importante ter em mente que as pesquisas cientificas relacionam-se com um modelo (paradigmático) ou uma constelação de pressupostos e crenças. ele próprio.ciência consiste em agrupar factos para que leis gerais ou conclusões possam ser tiradas deles. Elementos do método científico Estátua de Charles Darwin em Londres "Ciência é muito mais uma maneira de pensar do que um corpo de conhecimentos.Quantificações. observações e medidas. Experiência controlada é aquela que é realizada com técnicas que . escalas de valores. no presente e no futuro. ou pode exigir a utilização de instrumentos apropriados.Para maior segurança nas conclusões. isto é.  Descrição . uma parte de sua observação (o subjetivo).  Experimentos . feita a olho nu." Carl Sagan ".  Controle .  Previsão .Uma observação pode ser simples.O experimento precisa ser replicável (capaz de ser reproduzido).ao sujeito (objetivos) na pesquisa qualitativa o observador (sujeito) é da mesma natureza que o objeto de sua análise e.Explicações hipotéticas das observações e medidas. toda experiência deve ser controlada.Testes dos três elementos acima..Deduções lógicas das hipóteses. O método científico consiste dos seguintes aspectos:  Observação ." .Charles Darwin O método científico é composto dos seguintes elementos:  Caracterização ..As hipóteses precisam ser válidas para observações feitas no passado.  Previsões .  Hipóteses . técnicas e conceitos compartilhados pelos membros de uma determinada comunidade científica num determinado momento histórico.

O método científico não é uma receita: ele requer inteligência. para testar a validade da hipótese  Análise dos resultados  Interpretar os dados e tirar conclusões. seqüência temporal (assimetria).  Definir o problema.  Publicação dos resultados em monografias.  Explicação das Causas . não sendo obrigatória a existência de todos esses passos. previsibilidade/ estabilidade. transitividade (evidência experimental). na maioria dos casos não se seguem todos esses passos. o que serve para a formulação de novas hipóteses. imaginação e criatividade. se ele realmente for falso.As causas precisam se correlacionar com as observações. ou mesmo parte deles.permitem descartar as variáveis passíveis de mascarar o resultado. Uma maneira linearizada e pragmática de apresentar os quatro pontos acima está exposto a seguir passo-a-passo. O importante é que os aspectos e elementos apresentados acima estejam presentes. Nessas condições os seguintes requerimentos são vistos como importantes no entendimento científico:  Identificação das Causas  Correlação dos eventos .  Recolhimento de dados  Proposta de uma hipótese  Realização de uma experiência controlada.toda hipótese tem que ser falseável ou refutável. dissertações. Isso não quer dizer que o experimento seja falso.Na maioria das áreas da Ciência é necessário que haja causalidade. Na verdade. Na área da saúde a natureza da associação causal foi formulada por Hence e adaptada por Robert Koch em 1877 para demonstração da relação causal entre microrganismos e patologias consistindo basicamente no enunciado acima ou seja: força da associação (conectividade).  Falseabilidade[ . deve ser possível prová-lo. . Observe-se que nem todas as hipótese podem ser confirmadas ou refutadas por experimentos e que em muitas áreas do conhecimento o recolhimento de dados e a tentativas de interpretá-los já é uma grande tarefa como nas ciências humanas e jurídicas (criminologia). artigos ou livros aceitos por universidades e ou reconhecidos pela comunidade científica.  Ordem dos eventos . teses.As causas precisam preceder no tempo os efeitos observados. Vale a pena notar que é apenas um exemplo. mas sim que ele pode ser verificado. contestado. Ou seja.

."uma base de dados quando bem trabalhada teórica e praticamente. isto é. devia evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção. os primeiros indícios do método científico começam a aparecer. ou a natureza histórica do objecto das ciências sociais.''E como a multiplicidade de leis serve frequentemente para escusar os vícios. Nas ciências sociais identifica-se três grandes correntes de pensamentos:  Positivismo / Auguste Comte. e nada incluir em meus juizos que não se apresentasse tão claramente e tão distintamente ao meu espírito que não tivesse nenhuma ocasião de o pôr em dúvida. individual e particular psiquismo humano. Dialéctica / Marxismo A evolução do conceito de método A história do método científico se mistura com a história da ciência. por verdadeira. principalmente no uso de experimentos para decidir entre duas hipóteses.  Fenomenologia (Fenomenologia do Espírito / Estruturalismo)  Materialismo dialéctico. elas são aí rigorosamente aplicadas. O segundo – dividir cada uma das dificuldades que examinasse em tantas parcelas . o estudo das subjectividades ou essencialmente subjectivo. A metodologia científica tem sua origem no pensamento de Descartes. contanto que tomasse a firme e constante resolução de não deixar uma vez só de observá-los O primeiro consistia em nunca aceitar. assim. que foi posteriormente desenvolvimento empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton.. parafraseando Minayo.. em lugar de um grande número de preceitos dos quais a lógica é composta.Ciências humanas A limitação ética da realização experimentos com seres humanos. Contudo. acrediteis que já me seriam bastante quatro. possuindo poucas. As principais divergências na análise dos resultados de pesquisas em ciências sociais ou humanas se dão no plano da contextualização dos dados ou informações obtidas em campo nos diversos sistemas teóricos ou seja conjunto de teorias e leis reconhecidas como consensuais em distintos momentos históricos e/ou segmentos das comunidades científicas. Grande avanço no método foi feito no começo da filosofia islâmica. coisa nenhuma que não conhecesse como evidente. René Descartes propôs chegar à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição do problema em pequenas partes.. Francis Bacon. Documentos do Antigo Egito já descrevem métodos de diagnósticos médicos. de sorte que um estado é muito melhor governado quando. produz riqueza de informações. Os principios fundamentais do método científico se consolidaram com o surgimento da Física nos séculos XVII e XVIII. Lê-se no livro o Discurso do método: . Na cultura da Grécia Antiga. conduziram os pensadores a distintos caminhos ou proposições de estudo para o método científico... em seu trabalho Novum Organum(1620)-uma referência ao Organon de Aristóteles-especifica um novo sistema lógico para melhorar o velho processo filosófico do silogismo. características que definiram a base da pesquisa científica. aprofundamento e maior fidedignidade interpretativa"..

que ficasse certo de nada omitir''. O terceiro – conduzir por ordem os meus pensamentos. até o conhecimento dos mais compostos. A hipótese A Hipótese (do gr. o que é possível afirmar à luz da observação científica é que terão sido parcialmente acidentais. e supondo mesmo certa ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. então ela será aceita como uma lei e integrada à uma teoria e/ou sistema téórico. 2 – da divisão ou análise.. especificar). conscientes de que observaram algo novo e interessante. tem dois objetivos: explicar um fato e prever outros acontecimentos dele decorrentes (deduzir as consequências). No método científico.. A hipótese deverá ser testada em experiências laboratoriais controladas. tais como as descobertas da radioatividade por Henri Becquerel ou da penicilina por Alexander Fleming. O acidente (serendipity) É comum considerar alguns dos mais importantes avanços na ciência. ou um mecanismo da experiência a explicar. a hipótese é o caminho que deve levar à formulação de uma teoria. que segue um caminho mais ou menos sistemático na busca de respostas a questões científicas. na sua hipótese. estando. começando pelos objetos mais simples e fáceis de serem conhecidos. Hypóthesis) é uma proposição que se admite de modo provisório como princípio do qual se pode deduzir pelas regras da lógica um conjunto dado de proposições. É este o caminho denominado de método científico. 3 – da ordem ou dedução. O cientista. pouco a pouco. quer pelo encontro de novos caminhos de investigação (novas hipóteses e novos experimentos). para subir. Correntemente estas regras são 1 – da evidência.quantas pudessem ser e fossem exigidas para melhor compreendê-las. 3 da enumeração (contar. Se. conjetura que orienta uma investigação por antecipar características prováveis do objeto investigado e que vale quer pela confirmação através de deduções lógicas dessas características. e o último – fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais. como por degraus. portanto. como tendo ocorrido por acidente. classificação. No entanto. após muitas dessas experiências.". . uma vez que as pessoas envolvidas haviam aprendido a "pensar cientificamente". Os progressos da ciência são acompanhados de muitas horas de trabalho cuidadoso. os resultados obtidos pelos pesquisadores não contrariarem a hipótese. Literalmente pode ser compreendida como uma suposição ou pergunta.