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Apelação Cível nº 1460781-7, da Comarca de Guarapuava – 2ª Vara Cível e da Fazenda Pública. Apelante 1: Antônia Kanchuski de Oliveira. Apelante 2: Empresa de Transportes Norsul Ltda. e outro. Apelados: os mesmos. Relator: Desembargador Francisco Luiz Macedo Júnior.

APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. ACIDENTE DE TRÂNSITO COM MORTE. PEDIDO DE RECEPÇÃO APENAS NO EFEITO DEVOLUTIVO. NÃO CONHECIMENTO. RESPONSABILIDADE PELO ACIDENTE. CULPA DO MOTORISTA QUE INVADE PISTA CONTRÁRIA, ATINGINDO, FRONTALMENTE, VEÍCULO QUE SEGUIA PELA PISTA OPOSTA. DEVER DE INDENIZAR CONFIGURADO. ACIDENTE COM VÍTIMA FATAL. DANO MORAL CONFIGURADO. MORTE DE FILHO E NETA. DANO IN RE IPSA. QUANTUM CORRETAMENTE ARBITRADO. LUCROS CESSANTES. PENSÃO MENSAL. DESCABIMENTO. INEXISTÊNCIA DE PROVAS QUANTO À DEPENDÊNCIA ECONÔMICA DOS ASCENDENTES. RESPONSABILIDADE DA SEGURADORA DENUNCIADA PELOS DANOS MORAIS. APÓLICE QUE PREVÊ COBERTURA PARA DANOS CORPORAIS E DANOS MORAIS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE DENUNCIANTE E DENUNCIADA. VALOR DOS HONORÁRIOS. CORREÇÃO. RECURSO DE APELAÇÃO “1” PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, PARCIALMENTE PROVIDO.

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RECURSO DE APELAÇÃO “2” CONHECIDO PARCIALMENTE PROVIDO. E Trata-se de ação de indenização ajuizada por

RECURSO DE APELAÇÃO “2” CONHECIDO PARCIALMENTE PROVIDO.

E

Trata-se de ação de indenização ajuizada por Antonia

Kanchuski de Oliveira, em face de Empresa de Transportes Norsul Ltda. e

Eriton Alves de Camargo, alegando, em síntese, que os réus são

responsáveis pelo acidente de trânsito que causou a morte de seu filho

(Maurício), sua neta (Maria Clara) e sua nora (Audete), em 20/10/2011.

A empresa ré efetuou a denunciação da lide à sua

seguradora, Companhia Mutual de Seguros, que foi deferida em audiência

(fl. 222 – mov. 51.1).

Devidamente instruído o feito, sobreveio sentença às fls.

710/718 (mov. 252.1), que julgou parcialmente procedentes os pedidos,

condenando os requeridos a pagar R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) a

título de danos morais, limitando a condenação da seguradora

litisdenunciada a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).

Determinou, ainda, que sobre referido valor incidam juros

de mora desde o evento danoso (súmula 54 do STJ), e “correção monetária

pela média do INPC e IGP-DI, a partir da sentença” (fl. 718).

Em razão da sucumbência recíproca, condenou a autora

ao pagamento de 60% das custas, deixando aos réus e à litisdenunciada os

outros 40%. Por fim, quanto aos honorários advocatícios, determinou que a

fim, quanto aos honorários advocatícios, determinou que a Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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autora e os requeridos pagassem, respectivamente, 15% e 10% sobre o valor da condenação, permitida

autora e os requeridos pagassem, respectivamente, 15% e 10% sobre o valor da condenação, permitida a compensação.

Inconformada, a requerente apela (fls. 728/747 – mov. 261.1), pleiteando, em síntese, a reforma da sentença quanto à pensão mensal e quanto aos honorários advocatícios, que entende desproporcionais.

Os requeridos também apelam (fls. 751/762 – mov. 262.1), arguindo, primeiramente, a ausência de prova da sua responsabilidade pelo acidente. Sucessivamente, alegam a necessidade de redução do montante arbitrado a título de danos morais. Por fim, pedem a reforma da decisão quanto à limitação da lide secundária, para que os valores previstos a título de danos corporais e morais sejam somados (fls.

758/759).

Os dois apelos foram recebidos no duplo efeito (fl. 786 – mov. 272.1). Em diversas ocasiões a autora pleiteou o recebimento da apelação apenas no efeito devolutivo, alegando urgência (fls. 728, 784 e 842, bem como na petição de fl. 16-TJ).

Contrarrazões às fls. 811/818 (mov. 287), pela seguradora da transportadora ré; às fls. 826/842 (mov. 289), pela autora; e às fls. 857/861 (mov. 301), pelos réus.

Diante da petição de fl. 771 (mov. 264.1), informando a

Diante da petição de fl. 771 (mov. 264.1), informando a Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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existência de outras duas demandas referentes ao acidente em questão, solicitou-se o envio de cópias,

existência de outras duas demandas referentes ao acidente em questão, solicitou-se o envio de cópias, juntadas em mídia digital às fls. 17 e 23-TJ.

É o Relatório, VOTO:

Primeiramente, nota-se que a primeira apelante/autora requereu o recebimento de seu recurso apenas no efeito devolutivo. Tal pedido, feito com o apelo, foi reiterado em diversas ocasiões (fls. 784 e 842, bem como na petição de fl. 16-TJ). A requerente, inclusive, propôs ação (autos n. 0012587-18.2015.8.16.0031 – mídia de fl. 23-TJ), buscando a execução provisória da sentença recorrida.

O pedido não merece ser conhecido.

A decisão de fl. 786 (mov. 272.1) recebeu os apelos no duplo efeito, com base no artigo 520 do CPC/73. Tal decisão não sofreu qualquer impugnação, estando acobertada pela preclusão.

Ademais, não bastasse a inadequação formal dos pedidos, nota-se que a primeira apelante não juntou documentos que corroborassem suas alegações.

de

intrínsecos e extrínsecos, de se conhecer ambos os apelos.

No

mais,

presentes

os

requisitos

Prova da culpa pelo acidente.

admissibilidade,

requisitos Prova da culpa pelo acidente . admissibilidade, Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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Infere-se dos autos que, em 20 de outubro de 2011, ocorreu um acidente envolvendo um

Infere-se dos autos que, em 20 de outubro de 2011, ocorreu um acidente envolvendo um caminhão, uma moto e dois carros, que ocasionou a morte de quatro pessoas.

Alega a autora, em síntese, que os réus são responsáveis pelo acidente que levou a morte de seu filho (Maurício Caetano de Oliveira), de sua neta (Maria Clara Klossoski de Oliveira) e de sua nora (Audete Klossoski), que estavam em um dos carros.

Os réus afirmam, em suas razões de apelação, que a apelada não se desincumbiu do ônus de comprovar os fatos constitutivos de seu direito. Sustentam, em síntese, que a decisão apelada é contrária à prova dos autos.

Sem razão, contudo.

Extrai-se do boletim de acidente de trânsito (fls. 47/48) que foi o caminhão da empresa ré, conduzido pelo réu Eriton Alves de Camargo, que invadiu a pista contrária, ao final de uma curva, colidindo com o veículo dos familiares da autora.

A testemunha João Loacir Correa (fl. 42 – mov. 1.14) relatou que o caminhão dos requeridos “vinha comendo faixa”, o que lhe forçou a retirar o carro para o canteiro, onde colidiu com uma placa. Assim, conseguiu desviar, por pouco, do caminhão, que acabou colidindo com o carro dos familiares da autora e com uma moto.

com o carro dos familiares da autora e com uma moto. Documento assinado digitalmente, conforme MP

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Ainda, o laudo de mov. 112 chegou à seguinte conclusão : e 114 (fls. 446/463)

Ainda, o laudo de mov. 112 chegou à seguinte conclusão:

e 114 (fls. 446/463)

Diante dos elementos técnicos observados e interpretados por ocasião do exame de corpo de delito, aliado ao estudo da dinâmica desta ocorrência de trânsito, conclui o Perito Criminal, que “V3-Caminhão” era conduzido no momento em que precedeu o acidente, pela BR-277, deslocando-se no sentido de quem se dirige de Guarapuava à Prudentópolis. Ao descrever a curva que precede o KM334, sem motivos que deixassem vestígios, “V3-Caminhão” sobrepassou a faixa que divide os sentidos opostos da rodovia, tomou a pista de rolamento de sentido contrário e invadiu também a faixa adicional. Nesse instante o condutor de “V4-GOL” que seguia em sentido contrário, executando manobra evasiva, esterçou a direção à direita, saindo da pavimentação asfáltica, transpondo a vegetação adjacente à sua direita, vindo a chocar-se contra a sinalização vertical existente e posteriormente imobilizando-se na posição em que foi examinado.

Na sequência, o condutor de “V3-Caminhão” fez o uso abrupto dos freios por uma distância de 9,70m (nove metros e setenta centímetros), instante que colidiu o seu terço médio anterior contra o terço anterior do “V2-Classic” que seguia em sentido contrário, em sua mão de direção e que já freava imprimindo marcas de 17,00m (dezessete metros) em direção à sua margem direita. Após o engajamento correspondente a primeira colisão, continuando em sua trajetória, com o uso agudo dos freios, “V3-Caminhão” colidiu seu terço anterior direito contra o terço anterior de “V1-Motocicleta”, que seguia em sentido contrário, em sua mão de direção, posicionada rente à lateral esquerda de “V2-Classic”. “V3-Caminhão” imprimiu marcas de frenagem por mais 19,0m (dezenove metros) até a imobilização na posição em que foi examinado”.

Como se vê, a sentença recorrida está em consonância com toda a prova coligida aos autos (fls. 42, 47/48, 391, 446/463), tanto documental quanto testemunhal.

47/48, 391, 446/463), tanto documental quanto testemunhal. Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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O réu Eriton Alves de Camargo, motorista do caminhão, em seu depoimento pessoal, sustenta que

O réu Eriton Alves de Camargo, motorista do caminhão,

em seu depoimento pessoal, sustenta que o responsável pelo acidente foi o

Sr. Carlos Ribeiro Correa, que também faleceu com a colisão.

O Sr. Carlos, que conduzia a moto, estaria efetuando uma

ultrapassagem pela contramão, o que teria feito com que o Sr. Eriton

perdesse o controle do caminhão.

Em que pese o esforço dos réus, no sentido de imputar a terceiro a culpa pelo acidente, não é isso que se extrai do conjunto probatório. O condutor do veículo “Gol”, João Loacir, que, como se extrai das fls. 48 e 461/462 (mov. 1.20 e 114.2), conseguiu desviar do caminhão saindo da pista, prestou o seguinte depoimento (mídia na fl. 23-TJ):

“Antes de contornar a segunda curva eu avistei o caminhão atravessando para a minha faixa de rodagem, e consegui, tive tempo de desviar, o que não ocorreu com o carro de trás, que vinha atrás. Posteriormente, acabei vendo o motoqueiro deitado na via, mas não avistei que ele estava atrás de mim”. ( )

O veículo branco estava atrás do senhor? “Isso, estava atrás de mim”. A motocicleta, o senhor em algum momento visualizou ela pelo retrovisor? “Não, em momento algum”. O senhor se recorda da motocicleta estar ultrapassando, em algum momento? “Não”. O senhor chegou a

visualizar o caminhão que era conduzido pelo Sr. Eriton na sua

pista de rolamento? “Sim”. (

O senhor conseguiu visualizar

com um pouco de antecedência, para retirar o veículo? “Sim, eu vi que ele fazia a manobra para tentar segurar o caminhão, mas não freando, ele estava tentando recolocar ele na pista, e quando ele atravessou, ele veio na minha direção e eu consegui desviar”.

)

Como se vê, a testemunha afirma que o caminhão invadiu

) Como se vê, a testemunha afirma que o caminhão invadiu Documento assinado digitalmente, conforme MP

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a sua pista, e que não viu o motoqueiro efetuando uma ultrapassagem. O laudo de

a sua pista, e que não viu o motoqueiro efetuando uma ultrapassagem.

O laudo de fl. 462 demonstra que havia duas faixas no sentido dos carros, sendo que os dois carros estavam na pista da direita, e a moto na pista da esquerda, quando o caminhão invadiu estas duas faixas. Assim, a moto até poderia estar ultrapassando o veículo dos familiares da autora, mas sem entrar na contramão, portanto, sem obstruir a faixa pela qual vinha o caminhão.

Ainda, à fl. 453 (fl. 8 do laudo de mov. 114), concluiu-se que, no momento do acidente, o caminhão “desenvolvia velocidade não inferior a 76km/h (setenta e seis quilômetros por hora)”. Assim, correta a sentença recorrida, ao entender que o réu estava em “velocidade não compatível com o local do acidente, bem como com as características de seu veículo de grande porte” (fl. 714).

Assim, a prova coligida aos autos indica que a causa do acidente foi a invasão, pelo caminhão conduzido pelo requerido, da pista em que trafegavam os dois carros e a moto.

Do exposto, extrai-se que a sentença está em consonância com a prova constante dos autos, sendo descabida a alegação dos réus, de inexistência de provas aptas a justificar sua condenação.

Do valor da indenização por danos morais

Em suas razões de apelação, os réus pleiteiam também a

Em suas razões de apelação, os réus pleiteiam também a Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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redução do valor fixado a título de danos morais. O acidente em análise levou à

redução do valor fixado a título de danos morais.

O acidente em análise levou à morte o filho e a neta da autora, além de sua nora e de um terceiro. A sentença recorrida fixou a indenização por danos morais em R$ 100.000,00 (cem mil reais) para cada óbito, considerando apenas o falecimento do filho e da neta da autora, o que totaliza R$ 200.000,00 (duzentos mil reais).

No caso dos autos, vemos uma senhora já idosa, mãe e avó, vivenciar verdadeiro drama, que, com certeza, marcou de forma definitiva a sua vida, pois ficou impossibilitada de desfrutar da convivência de seus familiares.

Não se pode perder de vista que o fato que embasa a pretensão de reparação é a perda de duas vidas e todos os seus reflexos sobre outras vidas. Essa dor é irreparável e se constitui no dano moral puro, eis que qualquer valor econômico não terá o efeito de desfazer os efeitos dessa morte na intimidade dos lesionados.

Na esfera emocional os direitos são ilimitados, variando de pessoa a pessoa, sendo impossível se medir a extensão da dor ou se tentar fazer analogia, com sentimentos de outras pessoas, para uma comparação.

Desde os tempos idos se tenta encontrar uma definição para sentimentos como o amor e a saudade, ou a dor pela perda deste amor

como o amor e a saudade, ou a dor pela perda deste amor Documento assinado digitalmente,

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(como no caso), mas em virtude da não limitação deste direito emocional de cada um,

(como no caso), mas em virtude da não limitação deste direito emocional de cada um, tal matéria tem restado indefinida, relegada à seara dos poetas

e filósofos, sem que se encontre uma coesão de pensamentos, que pudesse dimensioná-los.

Embora tais sentimentos sejam indefiníveis, sem

dimensões ou limites intransponíveis, sendo variáveis conforme o sujeito e

a situação e próprios de cada ser humano, sempre nos foi possível, através

de um processo cognitivo próprio de tal esfera, imaginar a sua extensão, embora para isto se use a materialidade da situação e não a subjetividade do sentimento.

Por isso é que se diz que o dano moral, próprio da esfera sentimental, é in re ipsa, dispensando prova quanto a sua ocorrência.

A indenização por danos morais tem por finalidade uma devida compensação pela dor sofrida e daí a dificuldade, pois o "preço da dor" traz, em si, uma característica extremamente subjetiva.

Tal dificuldade quanto à fixação dos danos morais reside, exatamente, em conseguir abstrair o cunho emocional que o pedido, normalmente, carrega.

Nesse sentido, cumpre ressaltar, aqui, que os danos morais, ao contrário do que entende parte da doutrina, não devem ter caráter punitivo, mas tão somente um caráter compensatório - reparatório.

mas tão somente um caráter compensatório - reparatório. Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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A indenização devida a título de danos morais deve consistir, então, numa forma de compensar

A indenização devida a título de danos morais deve

consistir, então, numa forma de compensar a vítima, pelo sofrimento experimentado, isto sem que se insira em indevidos efeitos punitivos.

No caso, considerando o grau de culpa do réu, as circunstâncias do acidente, a dor suportada pela autora, em virtude da morte de seu filho e de sua neta, bem como os valores comumente fixados pela jurisprudência em casos tais, entendo adequado o valor fixado na sentença monocrática.

Do pedido de pensão vitalícia.

Em suas razões de apelação, a autora pede a alteração da sentença para que lhe seja concedida pensão mensal, em razão da morte de seu filho. Alega ter transferido seus bens para o filho, em vida, como adiantamento de herança.

O juízo a quo entendeu não haver provas aptas a

comprovar a dependência financeira da requerente em relação ao seu filho, pois ela se limitou “a juntar na petição inicial contratos de compra e venda

e arrendamento de propriedade rural, mas que não possuem o condão de comprovar suas alegações” (fl. 717).

A sentença merece ser mantida, em razão da falta de

provas de que a autora dependia economicamente de seu filho.

Não houve prova cabal de que a requerente residia com

Não houve prova cabal de que a requerente residia com Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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seu filho e de que dependia dele para o seu sustento, como defendem os requeridos

seu filho e de que dependia dele para o seu sustento, como defendem os requeridos em contrarrazões (fl. 859).

Assim tem entendido esta Corte:

APELAÇÃO CÍVEL - RESPONSABILIDADE CIVIL - ACIDENTE DE TRÂNSITO - ABALROAMENTO LATERAL ENVOLVENDO CAMINHÃO E BICICLETA - MANOBRA DE CONVERSÃO À DIREITA - INTERCEPTAÇÃO DA TRAJETÓRIA DA CICLISTA QUE VINHA NO MESMO SENTIDO - CULPA PATENTEADA - DEVER DE INDENIZAR - PENSÃO MENSAL - VERBA INDEVIDA - INEXISTÊNCIA DE PROVAS QUANTO À DEPENDÊNCIA ECONÔMICA DOS ASCENDENTES - DANOS MORAIS

2 –

). (

VERIFICADOS. RECURSO PROVIDO. 1 - (

3 - Inexistindo nos autos, documentos

hábeis a atestar a dependência econômica dos ascendentes, a autorizar a concessão de pensão alimentícia, inviável a condenação dos requeridos a reparar tais danos. 4 – (

).

1

No caso em tela, os documentos de fls. 53 (mov. 1.25) e 55/63 (1.27 a 1.32) apenas demonstram a venda de propriedade da autora a um terceiro, e a realização de arrendamento rural por seu filho.

Com o falecimento de seu descendente, é de se presumir que a própria autora tenha herdado a propriedade arrendada, podendo auferir seus frutos civis. Nota-se, ainda, que a autora recebe aposentadoria por idade (fls. 81/82).

1 TJPR, 10ª C. Civel, Ap. Cível n. 687973-2, Rel.: Luiz Lopes, J. 19/08/2010, grifamos.

n. 687973-2, Rel.: Luiz Lopes, J. 19/08/2010, grifamos. Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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Diante do exposto, com a falta de comprovação de que a requerente dependia economicamente de

Diante do exposto, com a falta de comprovação de que a requerente dependia economicamente de seu filho, a sentença deve ser mantida também neste ponto.

Dos limites da apólice.

A sentença recorrida, analisando a apólice de mov. 66.2 (fls. 303/305), distinguiu a cobertura por danos materiais (R$ 500.000,00), por danos corporais (R$ 500.000,00) e por danos morais (R$ 50.000,00). Assim, limitou a responsabilidade da seguradora ao valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).

Alegam os requeridos, em suas razões de apelação, que a seguradora denunciada deveria responder pela totalidade da indenização, pois os limites previstos para danos corporais e danos morais devem ser somados, em conformidade com o que determina a súmula 402 do STJ.

Assiste-lhes razão.

No presente caso, além de inexistir provas de que o princípio da informação foi observado, ou seja, de que o segurado estava ciente da abrangência dos termos utilizados, ocorreu o esvaziamento do objeto da contratação (na medida em que se atribui aos danos corporais a mesma função da cobertura por danos materiais), o que viola o princípio da boa-fé objetiva.

Descabe, porém, aplicar a

Súmula

402,

do

Superior

Descabe, porém, aplicar a Súmula 402, do Superior Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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Tribunal de Justiça, já que tal súmula diz respeito à cobertura para danos pessoais, situação

Tribunal de Justiça, já que tal súmula diz respeito à cobertura para danos pessoais, situação que já não se verifica mais em grande parte dos casos concretos, tendo em vista modificação na nomenclatura das coberturas, determinada pela SUSEP.

As cláusulas limitativas impõem restrições ao direito do segurado. Tais cláusulas não são proibidas pelo ordenamento jurídico e nem poderiam ser, visto que a seguradora não pode ser obrigada a assumir risco maior do que aquele que poderia suportar. Aliás, se fosse vedada a inserção de cláusulas limitativas, provavelmente, o contrato de seguro se tornaria impraticável.

Contudo, muito embora tais cláusulas sejam admitidas pelo ordenamento jurídico, para que não se tornem abusivas, devem observar determinadas diretrizes, dentre as quais se destaca a chamada “causa contratual”, definida como sendo o legítimo interesse do segurado em relação aos riscos predeterminados.

O consumidor, em regra, ao assinar uma proposta de seguro de responsabilidade civil, para cobertura de danos decorrentes de acidente automobilístico, tem em mente a ideia de que todo e qualquer dano, seja material ou moral, será indenizado pela seguradora (nos limites dos valores fixados na apólice, é claro).

A definição de interesse legítimo, portanto, está intimamente relacionada com esta expectativa razoável do consumidor em

relacionada com esta expectativa razoável do consumidor em Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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relação à extensão e ao conteúdo da garantia contratada. Bruno Miragem 2 define interesse legítimo

relação à extensão e ao conteúdo da garantia contratada.

Bruno Miragem 2 define interesse legítimo da seguinte

forma:

a noção de interesse legítimo comporta em si a

noção igualmente relevante no presente caso de expectativa legítima, ou seja, de compreensão razoável do segurado- consumidor, mediante a ausência de qualquer óbice expresso ou informado pelo segurador-fornecedor, acerca da garantia a determinados interesses que considera abrangidos pela apólice, e em relação aos quais não se admite que seja surpreendido após a ocorrência do evento danoso, com a negativa de pagamento da indenização, em face de exclusão que não tenha sido adequadamente informada ou comprometa a própria causa do contrato.

) (

O legítimo interesse deve, ainda, ser interpretado de acordo com a finalidade do contrato. No caso, como se trata de seguro de responsabilidade civil, o papel do seguro é fundamental na questão da socialização dos riscos.

Segundo Melissa Cunha Pimenta: “existe uma correlação ou reciprocidade entre o desenvolvimento do fenômeno do seguro e as modificações ocorridas na disciplina jurídica da responsabilidade civil” 3 .

2 MIRAGEM, Bruno. Os contrato de seguro e os direitos do consumidor. IN: Direito do consumidor:

contratos de consumo/ Cláudia Lima Marques & Bruno Miragem (organizadores.). São Paulo: RT, 2011, p. 589.

3 PIMENTA, Melissa Cunha. Seguro de responsabilidade civil. São Paulo: Atlas. 2010, p. 21

de responsabilidade civil. São Paulo: Atlas. 2010, p. 21 Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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O instituto da responsabilidade civil surge, historicamente, com a finalidade de compensação pelo ato ilícito

O instituto da responsabilidade civil surge, historicamente, com a finalidade de compensação pelo ato ilícito praticado. Contudo, com a evolução do capitalismo e as transformações industriais, tecnológicas e científicas, houve um considerável aumento dos riscos que envolvem a vida em sociedade, o que exige da responsabilidade civil um enfoque essencialmente voltado à reparação dos danos, na medida em que não é mais possível evitá-los.

Portanto, na mesma proporção em que a vida em sociedade evolui, as relações jurídicas se tornam mais complexas e os riscos a que as pessoas estão submetidas aumentam. Isso reflete diretamente no instituto da responsabilidade civil, que passa a assumir, também, uma função social, ou seja, a de garantir a solução indenizatória, de interesse das vítimas e da sociedade em geral.

Nesse novo contexto, o seguro surge como um mecanismo capaz de garantir a reparação do dano e de evitar que o responsável se torne uma vítima do ponto de vista econômico, em virtude do desfalque patrimonial que poderá sofrer com a reparação do dano.

Portanto, na atualidade, o contrato de seguro tem a função de garantir o patrimônio do segurado, mas também e, principalmente, a de tutelar os interesses da vítima, garantindo a efetiva reparação dos danos. Essa segunda finalidade atribui ao contrato de seguro um cunho social, de forma que as cláusulas limitativas da responsabilidade devem ser

que as cláusulas limitativas da responsabilidade devem ser Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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interpretadas partindo desta conotação social. Assim, embora as cláusulas restritivas nasçam, aparentemente, em

interpretadas partindo desta conotação social.

Assim, embora as cláusulas restritivas nasçam, aparentemente, em conformidade com o ordenamento jurídico, “podem tornar-se abusivas conforme delas faça uso o fornecedor, no exercício do direito que as mesmas consagram” 4 , especialmente quando houver ofensa à legítima expectativa do consumidor em relação ao contrato.

Referido autor esclarece, ainda, que: “esta abusividade do exercício do direito aproxima o regime das cláusulas abusivas do Código de Defesa do Consumidor e a teoria do abuso de direito, do direito civil, a qual também assume caráter objetivo, prescindindo da demonstração do dolo ou da culpa (vide art. 187, do CC/2002). O que determina a abusividade seria o modo como o titular exerce uma determinada prerrogativa jurídica, ainda que esta, a priori, esteja em absoluta conformidade com o ordenamento jurídico” 5 .

As normas que regem o contrato de seguro impõem deveres resultantes da boa-fé e da lealdade contratual, a serem observados na fase pré-contratual, de execução do contrato e pós-contratual; tanto pelo segurado, quanto pela seguradora. Tais deveres acabam por nortear a análise da abusividade no exercício da prerrogativa objeto da cláusula restritiva.

4 Op. cit., p. 587.

5 Op. cit., p. 587.

restritiva. 4 Op. cit., p. 587. 5 Op. cit., p. 587. Documento assinado digitalmente, conforme MP

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Discorre contratos de seguro: Walter Polido 6 sobre a boa-fé objetiva nos A boa-fé, essencial

Discorre contratos de seguro:

Walter

Polido 6 sobre

a boa-fé objetiva

nos

A boa-fé, essencial em qualquer tipo de contratual, no caso específico do seguro se apresenta de forma integrativa absoluta. Não há seguro sem boa-fé objetiva. Na condição de princípio geral de direito e especificamente pelo fato de se apresentar com textura aberta, a ser colmatada através da interpretação do caso concreto que se apresenta, cuja atividade é preenchida pelo juiz, a boa-fé tem várias nuances no sistema, mas certamente todas elas valorativas e integrativas.

Dentre os deveres da seguradora, tem-se que o mais importante, na fase pré-contratual, é o de informação e esclarecimento sobre o conteúdo do contrato, como esclarece Adriana Cristina Dullius Britto 7 :

Sobre o mesmo tema, Judith Martins-Costa elenca os deveres instrumentais que entende serem violados para que se possa caracterizar a responsabilidade pré-contratual, aduzindo que “Na responsabilidade pré-negocial, os deveres que se violam, portanto, não são os deveres (obrigações) principais, que só se concretizam com o contrato formado, mas os deveres instrumentais, que em algumas hipóteses se concretizam previamente à formação do vínculo negocial, deveres de cooperação, de não contradição, de lealdade, de sigilo, de correção de informação e esclarecimento – em suma,

6 POLIDO, Walter A. Contrato de seguro: Novos paradigmas. São Paulo: Editora Roncarati, 2010. P. 97

7 BRITTO, Adriana Cristina Dullius: REFLEXÕES SOBRA A APLICAÇÃO DA BOA-FÉ OBJETIVA À FORMAÇÃO DOS CONTRATOS DE SEGUROS. IN: Revista de Direito Mercantil industrial, econômico e financeiro. Vol. 159/160. Editora Malheiros. São Paulo - SP. 2011.

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deveres que decorrem da boa-fé objetiva, como mandamento de atenção à legítima confiança despertada no

deveres que decorrem da boa-fé objetiva, como mandamento de atenção à legítima confiança despertada no futuro contratante e de tutela aos seus interesses”.

Dentre os deveres acima listados pela insigne doutrinadora, enfatiza-se o dever de informação, que, segundo Daniela Moura Ferreira Cunha, relaciona-se ao desnível de informação entre as partes contratantes, oriundo da especial competência técnica de uma das partes ou de suas circunstâncias pessoais.

Não há como desconsiderar o fato de que a previsão, no art. 765 do Código Civil de 2002, do contrato de seguro como contrato de máxima boa-fé (uberrimae fidae), advém do reconhecimento acerca da assimetria informacional existente entre as partes. Isso porque se verifica, conforme maciçamente apregoado pela doutrina, que o segurado dispõe dos conhecimentos específicos acerca de sua situação, o que o coloca em vantagem, neste aspecto, em relação ao segurador. Em outras palavras, o segurado conhece as especificidades do caso concreto que podem influir, decisivamente, na ponderação do risco a que ele está exposto, razão pela qual deve prestar informações verdadeiras ao segurador no momento do preenchimento dos formulários por este elaborados.

E é exatamente por este motivo que a seguradora, para que possa se beneficiar validamente de cláusula restritiva, deve “prestar ampla informação das cláusulas limitativas do seguro no momento da proposta, e não apenas após a celebração do contrato, quando envia para a residência do consumidor o manual do segurado” 8 .

Novamente

sobre

a

boa-fé

objetiva,

discorre

Walter

8 MARTINS, Guilherme Magalhães. Responsabilidade civil do segurador.: diálogos entre o código civil e o código do consumidor. Revista de Direito do Consumidor. Ano 20, vol. 79, julho/setembro de 2011, pag.

148

Ano 20, vol. 79, julho/setembro de 2011, pag. 148 Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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Polido 9 : Em relação ao contrato de seguro a boa-fé objetiva nele se insere

Polido 9 :

Em relação ao contrato de seguro a boa-fé objetiva nele se insere de tal forma, que passa a fazer parte inerente; há reciprocidade nessa materialização. Não há como tratar do

seguro, sem automaticamente emergir a ideia subjacente da boa-fé objetiva. Esse princípio é inerente ao contrato em todas as suas fases e é igualmente considerado para as partes

contratantes e para as partes intervenientes. (

contratual pode acontecer do não cumprimento exato da

obrigação de informar, por parte do proponente do seguro, a qual deve se dar de maneira adequada e exaustiva – sobre o risco oferecido ao segurador; igual comando obrigacional determina ao segurador informar ao proponente do seguro sobre todas as características do produto ofertado: sua abrangência (riscos cobertos e riscos excluídos); custos

É

envolvidos; limites das importâncias seguradas; (

inescusável qualquer omissão do dever-anexo de informar.

Na fase pré-

)

).

Isto implica, no caso ora analisado, na conclusão de que o segurado, no momento em que formalizou a proposta de seguro, deveria ter sido amplamente informado sobre a diferença entre a cobertura por danos materiais, corporais e morais, para que pudesse avaliar a viabilidade e conveniência da contratação do seguro.

É que, não se pode exigir do segurado que faça uma distinção técnica entre danos corporais e morais, sobretudo porque até mesmo os operadores do direito encontrarão dificuldade para fazer tal diferenciação, já que o nosso ordenamento jurídico só divide os danos em:

patrimoniais (danos materiais) e extrapatrimoniais (danos morais), sem adotar outras classificações.

9 Op. Cit. P 98-100

sem adotar outras classificações. 9 Op. Cit. P 98-100 Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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Antônio Jeová Santos, em seu livro “Dano moral indenizável”, ao analisar a diferença entre as

Antônio Jeová Santos, em seu livro “Dano moral indenizável”, ao analisar a diferença entre as expressões “dano moral” e “dano pessoal”, faz um breve estudo sobre as legislações estrangeiras, em especial a italiana, que tipifica as situações capazes de gerar dano moral e acaba concluindo que, no direito brasileiro, tal diferenciação não faz sentido, porque a expressão “dano moral” foi inserida na constituição em sentido amplo, o que permite caracterizar como dano moral ofensas distintas.

Sobre o tema, importante citar as reflexões do referido

autor:

Não convém, portanto, modificar conceito que, a pouco e pouco vai sendo introduzido no Direito Brasileiro tendo contornos próprios. Nem o Brasil adotou o sistema italiano em que o dano moral é, apenas, o dano biológico ou à saúde, reservando a indenização do dano moral quando a conduta estiver descrita na lei, como se fosse típica, idêntica à descrição de crimes, do ponto de vista do Direito penal.

Deve ser considerado, ainda, que no Brasil não existe um terceiro gênero de danos. Ou a lesão é patrimonial, representada pelo dano emergente e lucros cessantes, ou é moral. Não existe espaço, no plexo normativo brasileiro, para outra categoria de dano que não acoberte um dos dois já mencionados. Por isso, muito embora a expressão dano moral possa traduzir certa ambiguidade, pelas características da língua portuguesa que não está habituada em ver no vocábulo moral o conjunto de faculdades do espírito, deve permanecer a expressão, competindo à doutrina e jurisprudência decantar os vocábulos, escoimá-los de impurezas e encontrar o seu sentido mais puro e verdadeiro. 10

10 SANTOS, Antônio Jeová. Dano moral indenizável. 4. ed. São Paulo: RT, 2003, p. 91

Dano moral indenizável. 4. ed. São Paulo: RT, 2003, p. 91 Documento assinado digitalmente, conforme MP

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Exemplificando seu raciocínio, o autor acima esclarece que: O dano biológico, no Direito Constitucional brasileiro,

Exemplificando seu raciocínio, o autor acima esclarece

que:

O dano biológico, no Direito Constitucional brasileiro,

pode ser considerado como o dano ao bem-estar geral, o dano à saúde que, se repercutir na esfera anímica de alguém, produzirá dano moral e se, pelo contrário, vier a se caracterizar pelo detrimento ao patrimônio, o dano será material. Um grave ferimento no rosto de uma jovem que dê origem a uma cicatriz deformante, será causadora apenas de dano moral. Mas se essa jovem tiver a profissão de modelo e deixar de posar para fotografias, em razão da deformidade, e, assim, não ganhar o dinheiro que poderia ter obtido se a foto fosse publicada em revistas, claro está a existência do dano patrimonial de par ao dano moral, pois a cicatriz foi motivo de angústia. No direito brasileiro não há lugar a uma nova classificação de dano. Ou ele é moral ou patrimonial; ou ocorrem ambos, simultaneamente. 11

Aliás, a jurisprudência, há muito vem se manifestando no sentido de que os danos pessoais, corporais e morais se enquadram numa categoria mais ampla, que é a dos danos à pessoa.

Nesse sentido, vale transcrever passagem do voto proferido pelo ministro Aldir Passarinho Júnior, no voto proferido no AgRg no Ag 935821:

A saúde corporal deve ser entendida como o estado

do indivíduo em que as funções físicas e mentais se acham em situação de normalidade e equilíbrio, não se podendo apartar do dano corporal tal como do dano pessoal, aquele decorrente do sofrimento mental e da angústia da vítima.

11 SANTOS, Antônio Jeová. Dano moral indenizável. 4. ed. São Paulo: RT, 2003, p. 89

Dano moral indenizável. 4. ed. São Paulo: RT, 2003, p. 89 Documento assinado digitalmente, conforme MP

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Um breve estudo da jurisprudência brasileira, sobretudo a do Superior Tribunal de Justiça, revela a

Um breve estudo da jurisprudência brasileira, sobretudo a do Superior Tribunal de Justiça, revela a resistência das seguradoras, sem motivo aparente, em indenizar o dano moral, o que torna inquestionável a abusividade de cláusulas deste gênero, como explica Guilherme Magalhães Martins 12 :

Num primeiro momento, as seguradoras inseriram nas condições gerais dos contratos cláusulas restringindo suas responsabilidades aos danos pessoais, de modo a excluir a compensação pelos danos morais. Em reação à abusividade de tais estipulações, a jurisprudência passou a assentar que se inclui no dano pessoal – que desenganadamente se encontra no contrato de seguro – tanto o de natureza patrimonial como o extrapatrimonial, ou moral. Tudo é dano pessoal e por ele se responsabilizou a seguradora” (STJ, REsp 106.326/PR, 4ª T., j. 25.03.1997, rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar Jr.).

Num segundo momento, as seguradoras passaram a restringir sua responsabilidade aos danos corporais, em mais uma tentativa de ver excluída a cobertura por danos morais. Tais cláusulas de exclusão de responsabilidade contrariam a hierarquia constitucional do direito do consumidor (arts. 5º, XXXII, e 170, V, da CF/1998), observado o disposto nos arts. 25 e 51, I, da Lei 8078/1990.

Neste contexto, a cláusula contratual que diferencia danos morais de corporais, sem esclarecer tal diferença ao consumidor, antes da contratação, deve ser considerada abusiva, porque desnatura o vínculo obrigacional, que decorre da própria natureza do contrato.

Além disso, a falha ou a falta de informação gera um

12 MARTINS, Guilherme Magalhães. Responsabilidade civil do segurador: diálogos entre o código civil e o código do consumidor. Revista de Direito do Consumidor. Ano 20, vol. 79, julho/setembro de 2011, pag.

131

Ano 20, vol. 79, julho/setembro de 2011, pag. 131 Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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desequilíbrio no contrato, desde o seu nascimento, pois é evidente que a informação omitida exerce

desequilíbrio no contrato, desde o seu nascimento, pois é evidente que a informação omitida exerce influência sobre o contratante, que, na maioria dos casos, não tem conhecimento sobre a complexidade técnica dos termos utilizados e da implicância prática desta diferenciação.

Veja-se que se o consumidor estivesse plenamente informado poderia ter optado por formalizar o contrato sob outras condições, obviamente mais favoráveis, fato que abrandaria a desigualdade existente entre contratante (detém as informações) e contratado.

E, no caso, como a seguradora não se desincumbiu do ônus de comprovar que o segurado tomou ciência prévia do sentido e do alcance da cobertura contratada, especificamente quanto aos limites da cobertura para danos morais ou corporais, ou seja, da diferença existente entre ambos os institutos, o valor previsto para ambos deve ser somado para abarcar todos os danos extrapatrimoniais.

Na verdade, mais do que uma limitação abusiva, por ferir o direito à informação e o legítimo interesse do segurado, tamanha limitação dos danos morais esvazia a própria cobertura contratual, provocando desequilíbrio contratual e onerosidade excessiva.

Ora, se os danos corporais não compreendem os morais, o que resta para indenizar nos danos corporais quando o contrato prevê cobertura para danos materiais?

quando o contrato prevê cobertura para danos materiais? Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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Historicamente, a expressão “danos corporais” nasceu atrelada ao direito do trabalho, especificamente aos acidentes

Historicamente, a expressão “danos corporais” nasceu atrelada ao direito do trabalho, especificamente aos acidentes do trabalho, e se referia ao prejuízo econômico decorrente da incapacidade para o trabalho.

A indenização por danos corporais tinha o fim exclusivo

de reparar os danos gerados pela perda da capacidade laboral, ou seja, tinha

a finalidade de ressarcir a vítima pelas despesas com tratamento

terapêutico, com medicamentos, bem como a perda da capacidade de ganho em razão da incapacidade temporária ou permanente para o trabalho, ou seja, a indenização tinha cunho essencialmente patrimonial.

Contudo, a análise de alguns casos concretos, especificamente daqueles em que a vítima não tinha rendimentos ou se tinha eram escassos (como é o caso da dona de casa), fez com que a jurisprudência ampliasse o campo de abrangência dos danos corporais para que abarcassem também os prejuízos psicossomáticos gerados pelas incapacidades funcionais (os danos não patrimoniais).

Partindo desta evolução conceitual, tem-se que o dano corporal é expressão ampla que abrange tanto os danos materiais, como os morais. E, dentro da sistemática adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro, que divide os danos em patrimoniais ou não patrimoniais, não há razão para se pensar num dano corporal autônomo, pois o que se pretende indenizar com este terceiro gênero (dano patrimonial específico) configura

terceiro gênero (dano patrimonial específico) configura Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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dano patrimonial. O dano patrimonial abrange os prejuízos suscetíveis de avaliação pecuniária e está diretamente

dano patrimonial.

O dano patrimonial abrange os prejuízos suscetíveis de avaliação pecuniária e está diretamente relacionado com a perda patrimonial, expressada em valores monetários, sofrida pela vítima. Já os danos não patrimoniais são aqueles que não comportam avaliação pecuniária. São, na verdade, uma forma de compensação do lesado pelos danos que não podem ser traduzidos em dinheiro.

A

seguradora

utiliza

esta

diferenciação,

muito

ultrapassada, para definir as garantias contratadas.

É que, ao se excluir os danos morais dos danos corporais, ocorre um esvaziamento da cobertura por danos corporais, porque os “outros danos”, que podem decorrer de um acidente automobilístico, já estão sendo objeto da cobertura por danos materiais.

Assim, quando o contrato prevê cobertura para danos materiais e corporais, excluindo os danos morais, o segurado está, em verdade, pagando duas vezes pela cobertura por danos materiais, o que torna abusiva a diferenciação efetuada pela seguradora.

Há, nesse caso, clara ofensa ao princípio da boa-fé objetiva, que “se estampa pelo dever das partes de agir de forma correta, eticamente aceita, antes, durante e depois do contrato, isso porque, mesmo após o cumprimento de um contrato, podem sobrar-lhes efeitos

o cumprimento de um contrato, podem sobrar-lhes efeitos Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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residuais” 1 3 . Tal princípio impõe aos contratantes deveres de lealdade, veracidade, de informação,

residuais” 13 .

Tal princípio impõe aos contratantes deveres de lealdade, veracidade, de informação, de cooperação, dentre outros, que, se violados, permitem a declaração de nulidade da cláusula limitativa.

Nesse sentido, vale transcrever a lição de Humberto Theodoro Júnior 14 :

A apreciação desse desequilíbrio interno no contrato

de adesão normalmente é feita a partir do confronto dos termos ajustados com as regras supletivas do ordenamento jurídico para o tipo de contrato em questão, e que eventualmente tenham sido afastadas pelo acordo concreto de vontades, regras essas que servem de parâmetro para aferir o modelo de equilíbrio desejado. Outro critério de aferição do equilíbrio contratual se apóia no cotejo do tipo de contrato corrente com a teleologia do negócio praticado.

A boa-fé objetiva não é outra coisa senão o velho

princípio da lealdade contratual com nova roupagem. Assim pode-se dizer que a boa-fé como princípio de comportamento contratual objetivo “não admite condutas que contrariem o mandamento de agir com lealdade e correção, pois assim se estará a atingir a função social que lhe é cometida”. Nesse sentido, aponta-se para a boa-fé objetiva a função de atuar como “limite ao exercício de direito subjetivos”.

Essa boa-fé objetiva, equivalente à conduta leal dos contratantes, corresponde ao modelo de conduta social, arquétipo ou standard jurídico, segundo o qual “cada pessoa deve ajustar a própria conduta a esse arquétipo, obrando como obraria um homem reto: com honestidade, lealdade, probidade.

As partes do contrato, mais do que dois indivíduos

13 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito civil: teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos. 9. ed. São Paulo: Atlas. 2009, p. 368

14 THEODORO JR., Humberto. Direito do consumidor. 4.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 21

do consumidor. 4.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 21 Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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isolados, são vistas como membros do conjunto social que é juridicamente tutelado. Diversamente do que

isolados, são vistas como membros do conjunto social que é juridicamente tutelado. Diversamente do que se passa com a boa-fé subjetiva (ligada exclusivamente a interesses individuais), o moderno tratamento da boa-fé objetiva faz com que a invocação da retidão, lealdade e principalmente dos interesses gerais se dê tomando como base “as expectativas legitimamente geradas, pela própria conduta, nos demais membros da comunidade, especialmente no outro pólo da relação obrigacional.

No caso, a conduta da seguradora é manifestamente contrária ao princípio da boa-fé objetiva, primeiro porque torna o contrato excessivamente oneroso para o consumidor, em virtude da desproporção existente entre as coberturas contratadas e o prêmio pago.

Segundo, porque contraria a própria causa do contrato, consubstanciado na expectativa razoável do consumidor quanto à extensão e ao conteúdo da garantia securitária. Afastando da garantia risco razoavelmente previsível no momento do pagamento da indenização, a seguradora causa surpresa ao consumidor, o que não é admissível, porque contraria todo o sistema consumerista.

Aliás, para melhor atender à principiologia consumerista- constitucional, fundada na dignidade da pessoa humana e na solidariedade social, o correto seria que as seguradoras, ao contratar seguros de responsabilidade civil, não diferenciassem sequer danos materiais e morais, em virtude da função social do seguro, em relação à responsabilidade civil.

Assim e por tudo isso, a fim de restabelecer o equilíbrio contratual entre as partes, impõe-se afastar a limitação contratual constante da

impõe-se afastar a limitação contratual constante da Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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apólice de seguro, devendo a seguradora arcar com o pagamento da indenização por danos morais

apólice de seguro, devendo a seguradora arcar com o pagamento da indenização por danos morais a que o réu foi condenado, isto nos limites das coberturas contratuais previstas para os danos corporais e morais (somados).

Como no caso em apreço, conforme se verifica da apólice colacionada às fls. 303/305, existe referência expressa à cobertura por danos corporais (até R$ 500.000,00) e por danos morais (até R$ 50.000,00), tais valores deverão ser somados.

Assim, o apelo dos requeridos merece provimento, no ponto, para que sejam somados os valores previstos para danos corporais e morais, limitando-se a responsabilidade da seguradora em R$ 550.000,00 (quinhentos e cinquenta mil reais).

Dentro destes limites, os requeridos e a seguradora ficam solidariamente responsáveis pelo valor da condenação.

Dos honorários advocatícios

Quanto aos honorários advocatícios, a sentença recorrida determinou que a autora e os requeridos pagassem, respectivamente, 15% e 10% sobre o valor da condenação, permitida a compensação.

Irresignada, a autora sustenta que a forma como os honorários foram fixados não se coaduna com os parâmetros estabelecidos no artigo 20, §§ 3º e 4º, do CPC/73.

estabelecidos no artigo 20, §§ 3º e 4º, do CPC/73. Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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De fato, a sentença recorrida merece pequeno reparo quanto à fixação dos honorários advocatícios. Considerando

De fato, a sentença recorrida merece pequeno reparo quanto à fixação dos honorários advocatícios.

Considerando os pedidos da parte autora, sua relevância e o resultado do processo, bem como o tempo exigido dos advogados, entendo que os honorários devem ser fixados em 15% sobre o valor da condenação, a serem pagos pelos réus e pela litisdenunciada em favor da parte autora, e em R$ 10.000,00 (dez mil reais), a serem pagos pela autora aos advogados dos réus e da litisdenunciada.

Seguindo o entendimento desta Câmara, fica vedada a compensação dos honorários advocatícios.

Assim, por todo o exposto, o recurso da autora merece parcial provimento, apenas quanto aos honorários advocatícios. O apelo dos réus, por sua vez, merece parcial provimento no que se refere à lide secundária, para que sejam somados os limites da apólice referentes a danos corporais e morais, nos termos do voto.

Diante do exposto, VOTO por CONHECER EM PARTE o recurso de apelação “1” e, nesta parte, DAR PARCIAL PROVIMENTO, apenas para corrigir o valor dos honorários advocatícios, e por CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso de apelação “2”, para estabelecer a responsabilidade da seguradora pelo valor previsto para danos corporais e morais, solidariamente com os réus, nos termos da fundamentação.

solidariamente com os réus, nos termos da fundamentação. Documento assinado digitalmente, conforme MP n.°

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ACORDAM os Membros Integrantes da Nona Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, por

ACORDAM os Membros Integrantes da Nona Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE o recurso de apelação “1”, para DAR- LHE PARCIAL PROVIMENTO, e em CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso de apelação “2”, nos termos do voto do Relator.

Participaram do julgamento os Excelentíssimos Senhores Desembargadores José Augusto Gomes Aniceto (presidente sem voto), Domingos José Perfetto e Coimbra de Moura.

Curitiba, 30 de junho de 2016.

Perfetto e Coimbra de Moura. Curitiba, 30 de junho de 2016. Documento assinado digitalmente, conforme MP
Perfetto e Coimbra de Moura. Curitiba, 30 de junho de 2016. Documento assinado digitalmente, conforme MP

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