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SOMOS TODOS IGUAIS

SOMOS TODOS IGUAIS

SOMOS TODOS IGUAIS ?

SOMOS TODOS IGUAIS?

Produção social da diferença X romantização da Diversidade Hierarquização das relações de poder na vida

Produção social da diferença X romantização da Diversidade

Hierarquização das relações de poder na vida social Diferença = o que foge da norma

Qual é a norma?

Etnização e racialização de exclusões sociais

Etnização e racialização de exclusões sociais

Etnização e racialização de exclusões sociais RAÇA – “noção ideológica”

Etnização e racialização de exclusões sociais

RAÇA – “noção ideológica”

Etnização e racialização de exclusões sociais RAÇA – “noção ideológica” Apesar de estar fundamentada em

Etnização e racialização de exclusões sociais

RAÇA – “noção ideológica”

Apesar de estar fundamentada em qualidades biológicas, principalmente a cor da pele, raça sempre foi definida no Brasil em termos de atributo compartilhado por um determinado grupo social, tendo em comum uma mesma graduação social, um mesmo contingente de prestígio e mesma bagagem de valores culturais. (Neusa Santos Souza )

[metonímia] REPRESENTAÇÃO (ou sobre a falta de representações positivas)

[metonímia]

REPRESENTAÇÃO

(ou sobre a falta de representações positivas)

Quantos filmes, livros ou programas de TV com protagonistas negras você conhece?

Quantos filmes, livros ou programas de TV com

protagonistas negras você conhece?

Quais super-heróis negros ou super-heroínas negras você conhece?

Quais super-heróis negros ou super-heroínas

negras você conhece?

Em quais situações as mulheres negras aparecem como protagonistas na nossa sociedade?

Em quais situações as mulheres negras aparecem como protagonistas na nossa sociedade?

PESQUISA Raça e Gênero no Cinema Brasileiro (GEEMA/UERJ) PAPÉIS PRINCIPAIS [2002 – 2014] Homens brancos

PESQUISA Raça e Gênero no Cinema Brasileiro (GEEMA/UERJ)

PAPÉIS PRINCIPAIS

[2002 2014]

Homens brancos 45%

Mulheres brancas 35%

Homens negros 15% Mulheres negras 5%

PESQUISA Raça e Gênero nas Novelas (GEEMA/UERJ) PROTAGONISTAS [1994 – 2014] Mulheres brancas – 52%

PESQUISA Raça e Gênero nas Novelas (GEEMA/UERJ)

PROTAGONISTAS [1994 2014]

Mulheres brancas 52% Homens brancos 43% Mulheres não-brancas 4% Homens não-brancos 1% (nenhum protagonista foi considerado negro)

Tem criança negra que sofre racismo

todo dia na escola, e isso a televisão

não mostra. Tem criança que fica com

trauma, trancada em casa, não quer sair

Quando eu era menor já falaram

do meu cabelo, já falaram da minha cor.

Eu não gosto de ficar lembrando. Eu

sempre digo que meu cabelo não é duro, e sim o preconceito das pessoas. Minha música fala sobre racismo, sobre as meninas aceitarem seus cabelos e

sobre crianças negras. Quero muito que

todas as meninas que escutam meu som passem a se aceitar mais

na rua

MC Soffia

UM OLHAR SOBRE OS QUILOMBOS DO BRASIL Direção: Cida Reis Episódio Barra/Bananal (Bahia)

UM OLHAR SOBRE OS QUILOMBOS DO BRASIL Direção: Cida Reis Episódio : Ivaporunduva (Sâo Paulo)

UM OLHAR SOBRE OS QUILOMBOS DO BRASIL Direção: Cida Reis Episódio : Gurutuba (Minas Gerais)

Como lidar com os processos de exclusão simbólica interiores a cada um/uma de nós? Como

Como lidar com os processos de exclusão

simbólica interiores a cada um/uma de nós?

Como incentivar a formação e autonomia de

pessoas negras em uma sociedade que não as

deixa se verem como protagonistas e que

perversamente privilegia a meritocracia entre

desiguais?

INDICADORES SOCIAIS Pessoas negras são 53,6% da população brasileira Pessoas negras são 17,4% da faixa

INDICADORES SOCIAIS

Pessoas negras são 53,6% da população brasileira

Pessoas negras são 17,4% da faixa populacional brasileira com renda mensal maior que R$ 11,6 mil

Pessoas negras são 76% da faixa populacional brasileira

com renda familiar mensal média de R$ 130,00 por pessoa. Isso significa que 3 em cada 4 pessoas brasileiras pobres são negras.

*Síntese de indicadores sociais realizados no âmbito da PNAD Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios e divulgados pelo IBGE em 2015.

ENSINO SUPERIOR* Crescimento de 232% no acesso de pessoas negras ao ensino superior no Brasil

ENSINO SUPERIOR*

Crescimento de 232% no acesso de pessoas negras ao

ensino superior no Brasil entre a 1ª e 2ª décadas do

século XXI

Em 2014

- 26% dos estudantes de graduação brasileiros são negrxs - 28,9% dos estudantes de pós-graduação são negrxs

*Síntese de indicadores sociais realizados no âmbito da PNAD Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios e divulgados pelo IBGE em 2015.

ENSINO SUPERIOR* Crescimento de 232% no acesso de pessoas negras ao ensino superior no Brasil

ENSINO SUPERIOR*

Crescimento de 232% no acesso de pessoas negras ao

ensino superior no Brasil entre a 1ª e 2ª décadas do

século XXI

Em 2014

- 26% dos estudantes de graduação brasileiros são negrxs - 28,9% dos estudantes de pós-graduação são negrxs

*Síntese de indicadores sociais realizados no âmbito da PNAD Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios e divulgados pelo IBGE em 2015.

Ser negro no Brasil é, pois, com frequência, ser objeto de um olhar enviesado. A

Ser negro no Brasil é, pois, com frequência, ser objeto de um olhar enviesado. A chamada boa sociedade parece considerar que há um lugar predeterminado, lá em baixo, para os negros e assim tranquilamente se comporta. Logo, tanto é incômodo haver permanecido na base da pirâmide social quanto haver "subido na vida". Pode-se dizer, como fazem os que se deliciam com jogos de palavras, que aqui não há racismo (à moda sul-africana ou americana) ou preconceito ou discriminação, mas não se pode esconder que há diferenças sociais e econômicas estruturais e seculares, para as quais não se buscam remédios. A naturalidade com que os responsáveis encaram tais situações é indecente, mas raramente é

adjetivada dessa maneira. Trata-se, na realidade, de

uma forma do apartheid à brasileira, contra a qual é urgente reagir se realmente desejamos integrar a sociedade brasileira de modo que, num futuro próximo, ser negro no Brasil seja, também, ser plenamente brasileiro no Brasil.

Milton Santos

Trecho de artigo publicado na Folha de S. Paulo em 7 de maio de 2000.