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EXTENSOMETRIA

HISTÓRIA,USOSEAPARELHOS

Sumário

Introdução

Strain­Gauge

PrincípiodeFuncionamentoeUso

TiposdeExtensômetrosElétricos(Strain­Gauges)

Extensômetroaxialúnico

Extensômetroaxialmúltiplo

ComentáriosFinais

ReferênciasBibliográficas

Introdução

MarcosPortnoi

Aextensometriaéumatécnicautilizadaparaaanáliseexperimentaldetensõesedeformações em estruturas mecânicas e de alvenaria. Estas estruturas apresentam deformações sob carregamento ou sob efeito da temperatura. É importante conhecer a extensão destas deformaçõesemuitasvezesprecisamsermonitoradasconstantemente,oquepodeserfeito dediversasformas.Algumassãoorelógiocomparador,odetetoreletrônicodedeslocamento, porcamadafrágil,porfotoelasticidadeeporstrain­gauge. Dentre todas, o strain­gauge, do inglêsmedidordedeformação,éumdosmaisversáteismétodos.

Osextensômetroselétricossãolargamenteutilizadosparamedirdeformaçõesemestruturas comopontes,máquinas,locomotivas,navioseaindaassociadosatransdutoresparamedir pressão,tensão,forçaeaceleração.Sãoaindaassociadosaoutrosinstrumentosdemedidas para uso desde análise experimental de tensão até investigação e práticas médicas e cirúrgicas.

Strain­Gauge

Em1856WilliamThomson,ouconhecidocomoLordKelvin,apresentouàRoyalPhilosophical

Society de Londres os resultados de um experimento envolvendo a resistência elétrica do cobreeferroquandosubmetidosaestresse.AsobservaçõesdeKelvinforamconsistentes com a relação entre resistência elétrica e algumas propriedades físicas de um condutor, segundoaequação:

R=rL/A

onde R é a resistência elétrica, ré a constante de condutividade, L é o comprimento do condutoreAéaáreadaseçãotransversaldeste.Aresistênciaédiretamenteproporcionalao comprimentoeinversamenteproporcionalàáreadaseçãotransversal.

Quando uma barra metálica é esticada, ela sofre um alongamento em seu comprimento e tambémumadiminuiçãodoseuvolume,resultadodadiminuiçãodaáreadaseçãotransversal destabarra.Aresistênciaelétricadametálicaaumentaquandoestabarraéesticada,também resultadodadiminuiçãodaáreadaseçãotransversaledoaumentodocomprimentodabarra. Damesmamaneira,quandoabarraécomprimida,aresistênciadiminuidevidoaoaumento daáreatransversalediminuiçãodocomprimento.

Arelaçãoentrecomprimentoedimensãodaseçãotransversalpodeserexpressaatravésdo

coeficientedePoisson:

n=­(dD/D)/dL/L=e L /e a

coeficientedePoisson: n =­(dD/D)/dL/L= e L / e a Figura1:Extensômetrodefio. onde n (ni) é o coeficiente

Figura1:Extensômetrodefio.

onde n (ni) é o coeficiente de Poisson, D é a dimensão da seção transversal, L é o comprimento, e L (epslon) é a deformação lateral e e a é a deformação axial. Esta relação demonstrabasicamenteque,quandoocomprimentodiminuiparaummaterial(compressão),a seção transversal aumenta, e vice­versa para um aumento no comprimento (tensão) do material.

Experimentosrealizadospelonorte­americanoP.W.Bridgmanem1923mostraramalgumas

aplicaçõespráticasdadescobertadeKelvinpararealizaçãodemedidas,masfoiapartirde

1930queestastomaramimpulso.ÉcreditadoaRoyCarlsonumadasprimeirasutilizaçõesde

umfioresistivoparamediçõesdeestresseem1931.Entre1937e1939,EdwardSimmons

(Califórnia Institute of Technology, ­ Pasadena, CA, USA) e Arthur Ruge (Massachusetts InstituteofTechnology­Cambridge,MA,USA)trabalhandoindependentementeumdooutro, utilizarampelaprimeiravezfiosmetálicoscoladosàsuperfíciedeumcorpodeprovapara medidadedeformações.Estaexperiênciadeuorigemaosextensômetrosquesãoutilizados atualmente. A Figura 1 mostra um a construção geral de um extensômetro à base de fio colado.

Apartirde1950,oprocessodefabricaçãodeextensômetrosadotouométododemanufaturar

finasfolhasoulâminascontendoumlabirintoougrademetálica,coladoaumsuporteflexível feito geralmente de epóxi (Figura 2). As técnicas de fabricação de circuitos impressos são usadas na confecção dessas lâminas, que podem ter configurações bastante variadas e

intrincadas,comomostraaFigura3.

bastante variadas e intrincadas,comomostraaFigura3. Figura2:Diagramadostrain­gauge.

Figura2:Diagramadostrain­gauge.

Figura2:Diagramadostrain­gauge. Figura3:Tiposdeextensômetroselétricos. Os extensômetros
Figura2:Diagramadostrain­gauge. Figura3:Tiposdeextensômetroselétricos. Os extensômetros
Figura2:Diagramadostrain­gauge. Figura3:Tiposdeextensômetroselétricos. Os extensômetros
Figura2:Diagramadostrain­gauge. Figura3:Tiposdeextensômetroselétricos. Os extensômetros
Figura2:Diagramadostrain­gauge. Figura3:Tiposdeextensômetroselétricos. Os extensômetros
Figura2:Diagramadostrain­gauge. Figura3:Tiposdeextensômetroselétricos. Os extensômetros

Figura3:Tiposdeextensômetroselétricos.

Figura3:Tiposdeextensômetroselétricos. Os extensômetros elétricos têm as seguintes
Figura3:Tiposdeextensômetroselétricos. Os extensômetros elétricos têm as seguintes

Os extensômetros elétricos têm as seguintes características gerais, que denotam sua

importânciaealtouso:

altaprecisãodemedida;

baixocusto;importânciaealtouso: altaprecisãodemedida; excelentelinearidade; excelenterespostadinâmica; fácilinstalação;

excelentelinearidade;importânciaealtouso: altaprecisãodemedida; baixocusto; excelenterespostadinâmica; fácilinstalação;

excelenterespostadinâmica;

fácilinstalação;excelentelinearidade; excelenterespostadinâmica;

podeserimersoemáguaouematmosferadegasescorrosivos(comtratamento

adequado);

possibilitarealizarmedidasàdistância.

Abasedoextensômetropodeserde:poliamida,epóxi,fibradevidroreforçadacomresina

fenólica,baquelita,poliéster,papeleoutros.Oelementoresistivopodeserconfeccionadode

ligasmetálicastaiscomoConstantan,Advance,NicromoV,Karma,Níquel,Isoelaticeoutros.

Oextensômetropodeserconfeccionadotambémcomelementosemicondutor,queconsiste basicamente de um pequeno e finíssimo filamento de cristal de silício que é geralmente montadoemsuportedeepóxioufenólico.

Ascaracterísticasprincipaisdosextensômetroselétricosdesemicondutoressãosuagrande capacidadedevariaçãoderesistênciaemfunçãodadeformaçãoeseualtovalordofatordo extensômetro, que é de aproximadamente 150, podendo ser positivo ou negativo. Para os extensômetrosmetálicosamaiorvariaçãoderesistênciaédevidaàsvariaçõesdimensionais, enquantoquenosdesemicondutoravariaçãoémaisatribuídaaoefeitopiezo­resistivo.

Paraumextensômetroideal,ofatordeextensômetrodeveriaserumaconstante,edemaneira geral os extensômetros metálicos possuem o fator de extensômetro que podem ser considerados como tal. Nos extensômetros semicondutores, entretanto, o fator do extensômetro varia com a deformação, numa relação não linear. Isto dificulta quando da interpretação das leituras desses dispositivos. Entretanto é possível se obter circuitos eletrônicosquelinearizemessesefeitos.Atualmente,osextensômetrossemicondutoressão bastante aplicados quando se deseja uma saída em nível mais alto, como em células de cargas,acelerômetroseoutrostransdutores.

PrincípiodeFuncionamentoeUso

Nasuaformamaiscompleta,ostrain­gaugeouextensômetroelétricoéumresistorcomposto deumafiníssimacamadadematerialcondutor,depositadoentãosobreumcompostoisolante. Este é então colado sobre a estrutura em teste com auxílio de adesivos como epóxi ou cianoacrilatos. Pequenas variações de dimensões da estrutura são então transmitidas mecanicamenteaostrain­gauge,quetransformaessasvariaçõesemvariaçõesequivalentes desuaresistênciaelétrica(porestarazão,osstrain­gaugessãodefinidoscomotransdutores).

Osstrain­gaugessãousadosparamedirvariaçõesdecarga,pressão,torque,deslocamento, tensão, compressão, aceleração, vibração. A seleção do strain­gauge apropriado para determinada aplicação é influenciada pelas características seguintes: material da grade metálica e sua construção, material do suporte isolante, material do adesivo, tratamento e

proteçãodomedidoreconfiguração.Odesigndosgaugesincorporaváriasfuncionalidades comoaltofatordemedição,altaresistividade,insensibilidadeàtemperatura,altaestabilidade elétrica, alta resistência mecânica, facilidade de manipulação, baixa histerese, baixa troca termal com outros materiais e durabilidade. A sensibilidade à temperatura é um ponto fundamental no uso de strain­gauges, e freqüentemente o circuito de medição contém um compensadordetemperatura.

Da mesma forma, o tipo de adesivo usado para fixar o strain­gauge à estrutura a ser monitoradaédesumaimportância.Oadesivodevetransmitirasvariaçõesmecânicascomo mínimodeinterferênciapossível,porissodeveteraltaresistênciamecânica,altaresistência ao cisalhamento, resistência dielétrica e capacidade de adesão, baixas restrições de temperaturaefacilidadedeaplicação.

Arelaçãobásicaentredeformaçãoeavariaçãonaresistênciadoextensômetroelétricopode

serexpressacomo:

e=(1/F)(DR/R)

onde e é a deformação, F é o fator do medidor e R é a resistência do medidor. Para um

medidortípico,Fé2.0eRé120ohm.

TiposdeExtensômetrosElétricos(Strain­Gauges)

Extensômetroaxialúnico

Utilizadoquandoseconheceadireçãodadeformação,queéemumúnicosentido(Figura4).

Figura4:Extensômetroaxialúnico.

Figura4:Extensômetroaxialúnico.

Extensômetroaxialmúltiplo

Roseta de 2 direções. São dois extensômetros sobre uma mesma base, sensíveis a duas direções. Utilizada para medir deformações principais quando se conhecem as direções

(Figura5).

Figura5:Rosetade2direções. Roseta de 3 direções. São três extensômetros sobre uma mesma base, sensíveis a três

Figura5:Rosetade2direções.

Roseta de 3 direções. São três extensômetros sobre uma mesma base, sensíveis a três direções.Utilizadaquandoasdireçõesprincipaisdedeformaçõesnãosãoconhecidas(Figura

6).

6). Figura6:Rosetade3direções.

Figura6:Rosetade3direções.

AFigura7(a)apresentaumextensômetrotipodiafragma,quesãoquatroextensômetrossobre

uma mesma base, sensíveis a deformações em duas posições diferentes. Usado para

transdutoresdepressão.AFigura7(b)apresentaumextensômetroparamedidadetensão

residual, que são três extensômetros sobre uma base devidamente posicionados para utilização em método de medida de tensão residual. Finalmente, a Figura 7(c) mostra um extensômetroparatransdutoresdecarga(strain­gaugeloadcell),quesãodoisextensômetros dispostos lado a lado, sobre a mesma base, para utilização em células de cargas (para mediçãodetensãoecompressão).

em células de cargas (para mediçãodetensãoecompressão). (a) (b) (c)

(a)

de cargas (para mediçãodetensãoecompressão). (a) (b) (c)

(b)

de cargas (para mediçãodetensãoecompressão). (a) (b) (c)

(c)

Figura7:Extensômetrostipo(a)diafragma,(b)paramedidadetensãoresiduale(c)loadcell.

ComentáriosFinais

A extensometria, como técnica de medição de deformações ocorridas em materiais, é essencial para monitoramento dinâmico de estruturas sujeitas a carregamentos e tem no extensômetroelétricooustrain­gaugeseuinstrumentoprincipal.

Os strain­gauges têm aplicações tão variadas quanto monitoramento de deformações em pontes, vigas, medição de vibração em máquinas, medição de pressão, de força, em acelerômetrosetorquímetros.Devidoàsvantagenseimportânciadosextensômetroselétricos, estesaparelhossãoindispensáveisaqualquerequipequesedediqueaoestudoexperimental demedições.

ReferênciasBibliográficas

BRAADFIELD,Terry.StrainGauges[online].DisponívelnaInternetvia

URL:

Arquivo

capturadoem12/04/2001.

http://arapaho.nsuok.edu/~bradfiel/advlab/strain/.

BARRETOJr.ConsultoriaTécnica.Extensometria[online].Disponível

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http://www.barretojunior.hpg.com.br/euler/ext_05.htm.Arquivocapturado

em12/04/2001.

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WINDLIN, Fernando Luiz; SOUZA, João José de. Extensometria. Material didático do Curso de Engenharia Mecânica da Universidade SantaCecília–USC,disciplinaLaboratórioemEngenhariaMecânicaII, na área de Resistência dos Materiais com foco na Extensometria Elétrica. Santos, 1999. Disponível na Internet via URL:

http://usc.stcecilia.br/~mecanica/labmec/joaojose.html. Arquivo

capturadoem12/04/2001.