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Balanço Material

Introdução

“A massa do universo (em estudo) não pode ser criada ou destruída”; esta é a lei sobre a qual estão baseados os balanços de massa. O balanço de massa representa uma peça fundamental do projeto de equipamentos e torna-se complexo quando tratamos de processos constituídos por diversos equipamentos interligados. Esta complexidade aumenta em sistemas multifásicos, heterogêneos e com reações químicas. Por isso, é necessária uma sistematização das informações disponíveis para que seja possível uma solução clara e objetiva. Dois tipos de Balanços podem ser realizados: um Balanço Global e os Balanços Individuais para cada uma das espécies químicas. Assim sendo, será obtido um sistema de equações, as quais devem ser independentes, ou seja, uma equação não pode ser obtida pela combinação de outras. A partir do balanço de massa, podem ser obtidas tantas equações, quantos forem os componentes do processo.

BALANÇO DE MASSA GLOBAL

O balanço de massa global é responsável por computar as quantidades totais das correntes que fluem em um processo. Portanto para um sistema fechado (processamento em batelada [BATCH],por exemplo) este balanço não se aplica. Em todo balanço a primeira tarefa a ser adotada é compreender as origens, destinos e transformações a que estão sujeitas as correntes. A equação a seguir resume a aplicação do balanço de massa global.

Σ F ENTRAM - ΣF SAEM = M ACUMULADA

Onde: M, F= massa/tempo

Os balanços de massa são ditos em Estado Estacionário (Steady State) quando não apresentam termo de acúmulo, ou seja, o conteúdo do sistema não apresenta variação ao longo do tempo. São ditos em Estado Transiente em caso contrário.

BALANÇO DE MASSA INDIVIDUAL PARA UMA ESPÉCIE QUÍMICA

No balanço de massa (ou molar) individual, são consideradas as espécies químicas, individualmente, contidas em cada uma das correntes que transitam no sistema, bem como a variação da quantidade destas espécies presentes neste e as quantidades geradas ou consumidas quando da presença de reação química. A equação a seguir resume a aplicação do balanço de massa para uma espécie j.

ΣFJ ENTRAM –Σ FJ SAEM + [MJ GERADA – MJ CONSUMIDA]tempo = MJ ACUMULADA

Os balanços de massa individuais também são classificados como em Estado Estacionário (Steady State) e Transiente. O estado estacionário referente à uma espécie química é caracterizado quando a quantidade de tal espécie, no sistema, não apresenta variação ao longo do tempo.

ACÚMULO DE MASSA

Quando realizamos o balanço de massa em um sistema, seja global ou para uma espécie qualquer, avaliamos a evolução da massa no interior do sistema ao longo do tempo. O acúmulo de massa no interior do sistema refere-se a variação da massa neste. O acúmulo de uma espécie química refere-se a variação da quantidade da espécie no sistema ao longo do tempo.

Tomemos, como exemplo, o processo representado na seguinte ilustração:

exemplo, o processo representado na seguinte ilustração: Considerações: Estado Estacionário e Processo sem

Considerações:

Estado Estacionário e Processo sem reação Química

Número de correntes: 3 (F1, F2, F3); Número de componentes: 4 (A, B, C, I)

As quantidades das espécies, relativas às correntes em que estão contidas podem ser expressas como:

correntes em que estão contidas podem ser expressas como: As composições em cada uma das correntes

As composições em cada uma das correntes podem ser expressas por:

Se temos um processo em estado estacionário e sem reação química podemos realizar todos os

Se temos um processo em estado estacionário e sem reação química podemos realizar todos os balanços em qualquer unidade (molar ou de massa).

estado estacionário e sem reação química podemos realizar todos os balanços em qualquer unidade (molar ou
BALANÇO DE MASSA ESTEQUIOMÉTRICO Consiste, simplesmente, em aplicar as relações estequiométricas sobre as massas ou

BALANÇO DE MASSA ESTEQUIOMÉTRICO

Consiste, simplesmente, em aplicar as relações estequiométricas sobre as massas ou fluxos de massa que participam de processos químicos. Qualquer balanço deve ser calcado em uma Base de Cálculo. Para reações químicas a Base de Cálculo a ser adotada deve estar relacionada ao Reagente Limite. O “Reagente Limite’’ é aquele que ‘’Limita’’ a reação por esgotar-se antes dos demais reagentes. Ou seja, aquele que se apresenta em uma proporção menor em relação a estequiometria da reação. Consideremos a reação entre carbonato de cálcio e ácido clorídrico:

menor em relação a estequiometria da reação. Consideremos a reação entre carbonato de cálcio e ácido

A relação entre as massas alimentadas é 2,4:4 que simplificada fica 1,2:2. As quantidades que alimentamos fornecem 1,2gmol de CaCO3 para cada 2gmol de HCl, ou seja, 0,2gmol além do requerido na reação. Temos, portanto, excesso de CaCO3 e a reação será limitada pela massa de HCl.

Definimos o Grau de Complementação (X) ou Conversão de uma reação como o número de mols do Reagente Limite reagidos em relação ao número de mols, deste, alimentados:

X= Nreagido/Nalimentado

número de mols, deste, alimentados: X= Nreagido/Nalimentado . EQUAÇÕES ESTEQUIOMÉTRICAS (TABELA ESTEQUIOMÉTRICA) A

. EQUAÇÕES ESTEQUIOMÉTRICAS (TABELA ESTEQUIOMÉTRICA)

A tabela estequiométrica é uma forma algébrica de equacionar as espécies químicas envolvidas em uma reação, relacionando-as com o Reagente Limite. Tomemos com exemplo a reação hipotética:

2A + B → 4C + 6D (Lembre-se “A” é o reagente limite) * Primeiro, vamos dividir os coeficientes da equação química pelo coeficiente estequiométrico do reagente limite, resultando em:

estequiométrico do reagente limite, resultando em: Desta forma, todos os componentes da reação aparecem

Desta forma, todos os componentes da reação aparecem relacionados ao Reagente Limite. Cada 1gmol de B, por exemplo, requer 2gmol A (R.L.). Cada 4gmol de C são formados a partir de 2gmol de A. Se quisermos determinar quantos gmol de A, B, C ou D existem após um tempo “t”, temos, apenas, que subtrair a massa consumida (Reagente) ou gerada (Produto) da massa inicial (no tempo t = 0) do componente em questão. Vamos determinar a massa no tempo “t” para a reação anterior: * Para o reagente limite (A):

Observe que todas equações são semelhantes e relacionadas ao reagente limite (A). Podemos escrever estas

Observe que todas equações são semelhantes e relacionadas ao reagente limite (A). Podemos escrever estas equações de uma forma genérica para a seguinte reação:

e relacionadas ao reagente limite (A). Podemos escrever estas equações de uma forma genérica para a
BALANÇO DO MASSA ALGÉBRICO COM REAÇÃO QUÍMICA O balanço de massa em processos com reação

BALANÇO DO MASSA ALGÉBRICO COM REAÇÃO QUÍMICA

O balanço de massa em processos com reação química é semelhante ao sem reação,

bastando incluir o Termo de Geração no balanço das espécies químicas. O estudo de processos com reação química, passa pelo estudo dos Reatores ideais: Reator descontínuo- Batelada; Reator contínuo tipo tanque agitado - CSTR (continuous-stirred tank reactor); Reator contínuo tipo Tubular - PFR (plug-flow reactor).

REATOR DO TIPO BATELADA

É um reator que não apresenta fluxos de entrada ou saída. Comumente, empregado

em pequenas produções ou na fabricação de produtos de alto valor agregado. Consideramos que um reator batelada é perfeitamente misturado, ou seja, espacialmente

uniforme. O balanço de massa para uma espécie j fica:

uniforme. O balanço de massa para uma espécie j fica: Gj = Massa gerada ou consumida

Gj = Massa gerada ou consumida da espécie j. Gj = (+) Formação Gj = (-) Consumo.

Em termos molares, o balanço reduz-se a :

CSTR Um reator CSTR ou Backmix consiste de um tanque com entrada e saída contínuas,
CSTR Um reator CSTR ou Backmix consiste de um tanque com entrada e saída contínuas,
CSTR Um reator CSTR ou Backmix consiste de um tanque com entrada e saída contínuas,

CSTR

Um reator CSTR ou Backmix consiste de um tanque com entrada e saída contínuas, normalmente, operado em estado estacionário. A principal condição de idealidade diz respeito a mistura perfeita no meio reacional.

diz respeito a mistura perfeita no meio reacional. Conversão = X O balanço de Massa para

Conversão = X

O balanço de Massa para uma espécie j é

Fj entrada - Fj saida + Gj = dmj dt dmj/dt=0

Fj = Fluxo de massa da espécie j Fj entrada + Gj = Fj saída

Em termos molares, o balanço reduz-se a :

Em termos molares, o balanço reduz-se a : PFR Um reator PFR consiste de um tubo
Em termos molares, o balanço reduz-se a : PFR Um reator PFR consiste de um tubo

PFR

Um reator PFR consiste de um tubo cilíndrico, normalmente, operado em estado estacionário. É dito de fluxo pistonado (Plug-Flow) dado que a concentração de uma espécie é constante na posição radial de tubo. Os reagentes são consumidos à medida que percorrem o tubo, de forma que a concentração destes decresce na direção Entrada-Saída. O Balanço de massa para este tipo de reator fica:

O Balanço de massa para este tipo de reator fica: Para este reator, Gj é uma

Para este reator, Gj é uma função do ponto de reator onde avaliamos a concentração de j (Cj). Reatores desta espécie são aplicados, principalmente para reações em fase gasosa. Se acrescidos de catalisador (Acelerador de reação) correspondem a um dos processos mais complexos dos pontos de vista de modelagem matemática e operação industrial. O termo de geração (ou reação), Gj, pode ser determinado de várias formas. Para processos contínuos em estado estacionário, pode-se utilizar a tabela estequiométrica (GA=FA-FA0) ou uma expressão cinética (rjV). Para sistemas abertos ou fechados em estado transiente deve ser utilizado o produto da equação cinética pelo volume do reator (rjV).

BALANÇO DE MASSA EM ESTADO TRANSIENTE Muitos processos não são operados durante todo o tempo
BALANÇO DE MASSA EM ESTADO TRANSIENTE Muitos processos não são operados durante todo o tempo

BALANÇO DE MASSA EM ESTADO TRANSIENTE

Muitos processos não são operados durante todo o tempo em estado estacionário, embora sejam mantidos durante o maior tempo neste estado, ao menos, durante a partida (startup) ou parada (shutdown) todos os processos apresentam estados transientes. A variação da massa, no sistema, ao longo do tempo é denominada acúmulo de massa.

A variação da massa, no sistema, ao longo do tempo é denominada acúmulo de massa. Consideremos

Consideremos um sistema de mistura :

REAÇÕES QUÍMICAS E O BALANÇO DE MASSA TRANSIENTE O aparecimento de reações químicas não implica
REAÇÕES QUÍMICAS E O BALANÇO DE MASSA TRANSIENTE O aparecimento de reações químicas não implica
REAÇÕES QUÍMICAS E O BALANÇO DE MASSA TRANSIENTE O aparecimento de reações químicas não implica

REAÇÕES QUÍMICAS E O BALANÇO DE MASSA TRANSIENTE

O aparecimento de reações químicas não implica em operações transientes, porém o termo de reação sempre representa o consumo (reagentes) ou formação (produtos) ao longo do tempo. Existem diversas formas de se expressar a velocidade de reações químicas, porém a forma mais comum, em sistemas homogêneos, é: - rA= f(concentração dos reagentes)

Exemplo:

Exemplo: Consideremos o seguinte sistema com reação química:

Consideremos o seguinte sistema com reação química:

Exemplo: Consideremos o seguinte sistema com reação química:
Exemplo: Consideremos o seguinte sistema com reação química:
Referências Introduction to Chemical Reaction Engineering and KineticsR.W.Missen, C.A.Mims and B.A.Saville - Edit. John
Referências Introduction to Chemical Reaction Engineering and KineticsR.W.Missen, C.A.Mims and B.A.Saville - Edit. John

Referências

Introduction to Chemical Reaction Engineering and KineticsR.W.Missen, C.A.Mims and B.A.Saville - Edit. John Wiley & Sons An Introducion to Chemical Reaction Engineering & Reactor DesignCharles G. Hill - Editora John Wiley & Sons. Cinética Química Aplicada e Cálculo de ReatoresM. Schmal - Editora Guanabara Dois Cinética Química das Reações Homogêneas

HIMMELBLAU, D. M., Engenharia Química Princípios e Cálculos, Prentice-Hall. GOMIDE R., Estequiometria Industrial, Edição do Autor, FEI Gráfica.