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Correio Braziliense 30/06/10 19:27

Brasília, quarta-feira, 30 de junho de 2010 Assine | Assinante | Busca CB | Contato

CONTAS PÚBLICAS

Não ao Judiciário
Preocupado com o risco de desequilíbrio fiscal incalculável, o governo
escala o discreto secretário do Tesouro para negar reajuste aos 100
mil funcionários de tribunais federais do país

Gabriel Caprioli
Luciano Pires
Wilson Dias/ABr
Disposto a barrar toda e qualquer iniciativa do funcionalismo por novos
aumentos salariais, o governo escalou ontem um de seus quadros mais
técnicos para tentar sepultar de vez o reajuste dos servidores do
Capa
Índice Judiciário. Em uma manifestação inédita, abandonando o estilo discreto
Política e as frases genéricas, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin,
Brasil disparou diretamente contra a proposta que prevê correções de 56%,
Economia em média, aos 100 mil empregados dos tribunais federais espalhados
Opinião pelo Brasil. A área econômica considera a reivindicação exagerada e
Mundo adverte que, se for autorizada, provocará desequilíbrios fiscais
Tecnologia incalculáveis.
Saúde CITY Sedan
Ciência EX 1.5 Flex
Cidades As mudanças nos contracheques de analistas e técnicos judiciários representariam um incremento 16V 4p Aut.
Ano: 2010
Super Esportes financeiro extra da ordem de R$ 7 bilhões anuais nas despesas com pessoal, conforme estudos R$ 58900.00
oficiais. O gasto, além de não estar previsto no Orçamento 2010, ainda deverá crescer por força de
Diversão & Arte um efeito cascata sobre outras carreiras da máquina pública. “O problema fiscal que isso vai gerar D-20 CD Lx
para este momento e para o futuro é bem forte. Sem falar no efeito sobre outras categorias. Acho S4T/Trop.
Direito & Justiça Plus/Lx 4.0
que essa questão tem que ser avaliada com muito cuidado”, disse Augustin. “Normalmente, a TB Dies
Eu estudante gente evita comentários (sobre outros Poderes da União), mas a preocupação fiscal neste caso é Ano: 1992
Informática R$ 30900.00
muito grande. Por isso, acho necessário alertar o país”, completou o secretário.
Turismo
Veículos Fiesta Street/
Divirta-se Em greve há cerca de um mês, os servidores do Judiciário acompanham com ansiedade a Action 1.0 8v
5p
Pensar tramitação na Câmara dos Deputados do projeto de lei que prevê o aumento. O texto original Ano: 2007
Super! enviado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) já foi aprovado pela Comissão de Trabalho, de R$ 17900.00
Revista do Correio Administração e Serviço Público. Resta o aval das comissões de Finanças e de Constituição e Justiça
Trabalho para, aí sim, ir a plenário. Pressionada, a base governista articula votar a proposta só depois das Gol (novo)
TV 1.0 Mi Total
eleições, mas o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), adiantou aos colegas que pretende Flex 8V 4p
Ano: 2009
rediscutir os valores.
360 graus R$ 24900.00
Ari Cunha
Visto, Lido e Ouvido A folha com servidores e encargos cresceu R$ 440,9 milhões entre abril e maio, totalizando R$
Brasil S/A 12,4 bilhões. A elevação ocorreu devido ao pagamento de passivos judiciais e administrativos do
Brasília-DF Poder Judiciário e do Ministério Público da União (MPU). Em relação ao crescimento nominal do
Charge Produto Interno Bruto (PIB), os gastos com pessoal apresentam queda real de 4,6%, mas o
Crônica da Cidade percentual deverá aumentar com a tendência de avanço da produção de riquezas no país para este
Desabafo ano.
Dicas de Português
Grita Geral
Memória do Correio Xadrez
Nas Entrelinhas O secretário do Tesouro defendeu os reajustes que foram concedidos de forma escalonada pelo
Sr. redator governo desde 2008. O superpacote de bondades (1) beneficiou todos os servidores do Executivo
Tantas palavras com ganhos para algumas carreiras de mais de 150%. Segundo Augustin, as mudanças são
Tome Nota “compatíveis com o ritmo de crescimento do Brasil” e ajudaram a alinhar os recursos humanos da
burocracia estatal. “Os novos aumentos é que não são”, advertiu. A terceira e última parcela da
correção será paga em julho e custará, conforme o Ministério do Planejamento, cerca de R$ 11

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bilhões.

Para o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, aumentos de salários como os
exigidos pelos servidores do Judiciário devem ser evitados. “São totalmente prejudiciais para a
gestão das contas públicas. É um absurdo, do ponto de vista econômico, dar reajustes quatro,
cinco ou seis vezes acima da inflação”, ponderou. Bastante criticado por aumentar a conta de mão
de obra em 2009, mesmo em um ano de crise, o governo tem procurado agora controlar as
despesas dessa natureza. Entre janeiro e maio deste ano, os gastos com pessoal avançaram 8,4%
em termos nominais, enquanto que no mesmo período do ano passado cresceram 22,6%, de
acordo com o Tesouro Nacional.

A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União


(Fenajufe) saiu em defesa do pleito de seus associados e comparou os ataques do governo a um
jogo de xadrez. Ramiro López, coordenador-geral da entidade, disse que a resistência faz parte de
uma estratégia e já era esperada pela categoria, mas destacou que o projeto de aumento é viável.
“A proposta levou em conta a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e outras questões. Está tudo de
acordo. Achamos que o pedido é justo”, disse.

1 - No atacado
Os reajustes salariais autorizados pelo governo federal em 2008 vêm sendo pagos aos servidores
de forma escalonada. Civis e militares foram contemplados. As categorias aguardam para este ano
a complementação do aumento. Do outro lado, partidos de oposição na Câmara e no Senado
acusam o Palácio do Planalto de aumentar as despesas fixas que terão de ser honradas pelo
próximo presidente da República.

O problema fiscal que isso vai gerar para este momento e para o futuro é
bem forte. Sem falar no efeito sobre outras categorias. Essa questão tem
que ser avaliada com muito cuidado”
Arno Augustin, secretário do Tesouro

Normalmente, a gente evita comentários (sobre outros Poderes da União),


mas a preocupação fiscal neste caso é muito grande. Por isso, acho
necessário alertar o país”
Arno Augustin, secretário do Tesouro

ANÁLISE DA NOTÍCIA

Mudança de postura
As reações que partem do governo contra a proposta de reajuste dos servidores do Judiciário têm
servido de recado para carreiras do Executivo que, a despeito do calendário eleitoral, se assanham em
pedir aumentos salariais neste ano. Ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha dito que
não cometerá “sandices” e que o ministro do Planejamento Paulo Bernardo tenha repetido que não há
dinheiro em caixa, alguns setores da administração direta acreditam ser possível dobrar o Palácio do
Planalto.

Mas não são as pressões vindas dos ministérios as que mais incomodam a União. Recentemente, o
Legislativo aprovou planos de cargos que terão custos pesados neste e nos próximos anos. Agora, é a
vez da Justiça, que já possui, na média, salários competitivos. Tradicionalmente, o Executivo não
interfere em negociações envolvendo empregados de outros Poderes em respeito ao princípio da
autonomia. Desta vez, no entanto, é diferente. A postura mais explícita dos donos do cofre indica uma
mudança importante de comportamento. (LP)

Editor: Vicente Nunes // economia.df@dabr.com.br


Tel. 3214-1191

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