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FALSUM COMMITTIT, QUI VERUM TACET

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Escrevinhação n. 839
TIRANDO A CERA DO OUVIDO
Redigido em 06 de junho de 2010, dia de Santa Maria Goretti e da Bem-
aventurada Maria Teresa Ledochowska.

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Em alto e bom som temos de ouvir os estardalhaço vindo

dos lábios dos (de)formadores de opinião sobre a tal liberdade de

pensamento e o direito a livre expressão. Maravilha! Todavia, para o

exercício de tais regalos é imprescindível que se tenha algo em mente

que mereça ser pensado e que se tenha algo que merecidamente deva

ser expresso. De mais a mais, se temos o direito de manifestar o que

supostamente pensamos, todos também tem o sacrossanto direito de

não ouvir e mesmo desprezar o que estará sendo dito. Ou de ouvir a

preleção e desaprová-la, não é mesmo?

Pois é, desta primeira observação poderíamos desdobrar

inúmeras considerações. Porém, procuraremos restringir à apenas

algumas poucas. Primeiro: donde advém esse culto obsessivo ao “direito

a expressar a sua opinião”? Simplesmente devido ao diabólico desdém

pela verdade que cultivamos em nossa alma. Ora, se a maioria das

pessoas não cultiva o amor pela verdade, pelo estudo, e não procura

amorosamente devotar-se a procura dela, mais do que naturalmente

que estes indivíduos terão seu ser tomado pelo orgulho e pela vaidade e

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passarão a imaginar que estes, juntamente com suas vagas impressões

sobre o real, são os detentores de verdades incontestes, mesmo que

nunca tenham sequer cogitado a necessidade de procurá-la.

E o pior de tudo, meu caro Watson, é que tal disparate, é

ensinado atualmente com filosofia de elevado valor. Isso mesmo! Em

todas as direções que voltamos nossas vistas vemos critérios

relativistas, ceticistas, niilistas, materialistas e tutti quanti,

fundamentando as ações humanas. É claro que as pessoas que assim

agem dirão que não atuam assim de modo algum e que não utilizam

tais critérios. Isso se deve, provavelmente, porque nunca desejaram

conhecer a verdade sobre as suas parvas opiniões e, por isso mesmo,

desconhecem o significado destes conceitos que, queiram ou não, estão

presentes em suas falas e ações.

Antes de qualquer consideração, antes de exercermos o

nosso jus esperniandi expressando nossos resmungos rotos,

deveríamos, penso eu, reivindicar o nosso direito divinal ao silêncio. Ao

silêncio interior e ouvirmos as inúmeras vozes que ecoam no âmago de

nossa alma para assim, em um primeiro momento, distinguirmos as

vozes do engodo opinante da voz da Verdade suplicante. Falamos tanto,

nos dedicamos com tanto afinco a parlar que nos esquecemos da

basilar necessidade de limpar bem os ouvidos e nos calar.

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Ué! Como poderemos conhecer se não somos capazes de

ouvir? Como poderemos falar com propriedade se não sabemos

apropriadamente o que invadiu o nosso ouvir?

É por essas e outras que dia após dia o sistema educacional

e a sociedade hodierna como um todo vem se tornando um imenso

manicômio, similar ao descrito pelo cineasta Fritz Lang em seu clássico

“Doutor Mabuse – o jogador”.

E, como sempre, os nossos ancestrais têm muito a nos

ensinar, mesmo que continuemos a ser arrogantes por demais para

aprender. Plutarco, grande escritor latino, nos legou um pequeno

grande livreto intitulado COMO OUVIR. Ora, para aprender temos que

saber como aprender e, para tanto, temos que saber ouvir. E ouvir bem.

Saber exercer essa faculdade com atenção, discernimento, parcimônia,

generosidade, argúcia, humildade, perseverança, honestidade

criteriosidade e longanimidade. Qualidade estas que, por sua deixa,

irão refletir na forma de pensar, se expressar e de viver.

Por essa razão que Plutarco, em seu livreto citado, nos

ensina que apenas quando se aprende o que se deve pode-se viver como

se deseja, pois, quem aprende o que deve, vive como se deseja. Quando

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essa ordenação se inverte, o que temos é uma alma humana entregue

aos impulsos e ações estúpidos e irracionais que, por sua deixa, torna a

livre vontade envilecida e diminuída na intensa mudança das intenções,

fragilizando-a, como uma folha seca lançada ao relento que se permite

arrastar ao mais leve sopro de uma brisa, deixando-se manipular pelos

modismos e, mesmo assim, crê estar agindo por conta própria.

Pax et bonum
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