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Análise de Sistemas Elétricos de Potência 1 (ENE005) 5.1 Cálculo Matricial de Curto Circuito Prof.

Análise de Sistemas

Elétricos de Potência 1

(ENE005)

5.1 Cálculo Matricial de

Curto Circuito

Prof. Abilio Manuel Variz

Engenharia Elétrica Universidade Federal de Juiz de Fora

Ementa

2

1. Aspectos gerais dos sistemas elétricos de potência;

2. Revisão de (i) circuitos trifásicos, (ii) representação

de componentes de rede, (iii) representação por

unidade (p.u.) e (iv) componentes simétricos com

abordagem sistêmicos aplicados a sistemas elétricos

de potência;

3. Cálculo de curto-circuito simétrico e assimétrico;

4. Representação matricial da topologia de rede (matriz

admitância nodal, Ybarra);

5. Cálculo matricial e computacional de curto circuito;

Introdução

3

Cálculo Matricial de Curto-circuito

Objetivo e Vantagens:

Matricial de Curto-circuito  Objetivo e Vantagens:  Cálculo Sistêmico  Utilização Computacional 

Cálculo Sistêmico

Utilização Computacional

Independe da Topologia da Rede

Tipos:

Método Convencional Clássico

Método Direto através de Matrizes de Falta

Cálculo Matricial de Curto-Circuito através do Método Convencional

4

Etapas (algoritmo) do Método Convencional Clássico:

1. Cálculo das Impedâncias em PU de Sequência 0, 1 e 2 dos elementos da rede;

2. Montagem dos Modelos de seqüência 0, 1 e 2 dos elementos da rede;

3. Obtenção das Condições Pré-Falta (tensão e corrente) nos circ. de seq. 0, 1 e 2;

4. Construção das Matrizes de Admitância Nodal (Ybus) dos circ. de seq. 0, 1 e 2;

5. Cálculo da Matriz de Impedância Nodal (Zbus =1/Ybus) dos circ. de seq. 0, 1 e 2;

6. Calculo das Correntes de Curto em componente simétrica (012) utilizando-se dos

circuitos equivalentes de curto (apresentados no capítulo 3) com as impedâncias

equivalentes de Thevenin (obtidas de Zbus) no ponto de defeito;

7. Calculo das Contribuições das Correntes de Curto na rede através do sistema

matricial da rede (V = Z.I) com atenção às rotações (30º) dos transformadores;

8. Calculo do Estado da Rede em Defeito (tensão e corrente) nos circuitos de

seqüência 0, 1 e 2 através do teorema da superposição;

9. Obtenção Matricial dos Valores (tensão e corrente) de interesse em componentes de fase (A, B e C).

Cálculo das Correntes de Curto (etapa 6)

5

Curto Trifásico:

I

1

Z

1

E

1

Z

g

I

0

I 0

2

E  Curto Fase-Terra: 1 I   I   I   0
E
 Curto Fase-Terra:
1
I 
I 
I 
0
1
2
Z
Z
Z
 3
Z
0
1
2
g
E
 Curto Dupla-Fase:
I 

I 
1
I
 0
1
2
0
Z
Z
 Z f
1
2
 Curto Dupla-Fase
E
1
I
1
com Terra:
(
Z
Z
)
[(
Z
Z
) //(
Z
Z
3
Z g
)]
1
f
2
f
0
f
(
Z
Z
3
Z
)
I
(
Z
Z
)
I
0
f
g
1
2
f
1
I
I
2
0
(
Z
Z
)
(
Z
Z
3
Z
)
(
Z
Z
)
(
Z
Z
3
Z
)
2
f
0
f
g
2
f
0
f
g

Contribuições da Corrente de Curto (etapa 7)

6

Para cada sistema matricial simétrico calcular:

V

'

'

1

Z

11

K

N

1

1

V

'

   Z

Z

K

V

N

Z

Z

Z

1

K

KK

NK

Z

Z

Z

1

N

KN

NN

  0

I

K

0

.

  

onde:

o nó K é o de defeito

Calcular as contribuições das correntes de interesse através de:

 

'

I

ij

y

ij

(

V

'

i

'

j

V

)

onde :

yij é a admitncia no

ramo entre os nós i e j.

Atenção às rotações (30º) dos trafos.

Estado da Rede em Defeito (etapa 8)

7

Teorema da Superposição

estado defeito = estado pré-falta + contribuição

Para cada componente de seqüência simétrica:

I

defeito

ij

I

pre

ij

falta

I

'

ij

Correntes de Curto em Componentes de Fase (etapa 9)

I

defeito

ij

ABC

 

T

.

I

defeito

ij

012

Exercício 1

8

Abaixo são mostrados os sistemas 1 e 0 de um SEP.

Caso ocorra um curto trifásico franco na barra 2,

calcule matricialmente em 012 e ABC considerando a

rede operando a vazio:

em 012 e ABC considerando a rede operando a vazio:  Corrente alimenta que o curto;

Corrente

alimenta

que

o

curto;

Corrente na Linha 2-3;

Corrente injetada pela SE

na barra 1;

Corrente consumida pela

carga na barra 4.

Exercício 2

9

Refaça o exercício anterior considerando o curto da

barra 2 sendo do tipo:

a) Monofásico franco (Fase A-Terra);

b) Bifásico Franco (Fases B e C);

c) Bifásico Franco com envolvimento de terra (Fases B-C e

Terra).

Cálculo de Curto através de Matriz de Impedância de Falta

10

Cálculo de Curto Circuito através de Matriz de Falta:

Z f : matriz impedância de Falta;

Y f : matriz admitância de Falta.

Características do Método:

Solução totalmente matricial.

Compatível com redes desequilibradas.

Obtenção direta das:

Correntes que alimentam a falta

Correntes nos ramos de rede em condição de defeito

Tensões nodais em condição de defeito

Cálculo de Curto através de Matriz de Impedância de Falta

11

 Supondo ‘p’ o ponto de falta: i  Índice:  0 : em regime
 Supondo ‘p’ o ponto de falta:
i
 Índice:
0
: em regime pré-falta;
f
: em condições de falta;
abc
E
cc
: corrente que alimenta a falta
i
0
p
no ponto p.
Z
p
th
Icc ( f )
p
E
E
( f )
Z
p(0)
p
F
I
(f)
abc
E
p
p (0)

Equações de Desempenho

12

Tensão Nodal devida Corrente Icc p :

 


 

E

E

abc

1(

cc

)

abc



)

2(

cc

abc

E

)

p

(

abc

  )

E

n

(

cc

cc

 

Z

Z

Z

Z

abc

11

abc

21

abc

p

1

abc

n

1

Z

Z

Z

Z

abc

12

abc

22

abc

2

p

abc

2

n

Z

Z

Z

Z

abc

1

p

abc

p

2

abc

pp

abc

np

Z

Z

Z

Z

abc

1

n

abc

n

2

abc

pn

abc

nn

 







 

0

0

I

abc

CCp

0

(

f

)

abc E i  0  abc E p (0)
abc
E
i
0
abc
E
p (0)

Z th

I

p (f)

 Índice: Icc ( f ) p  : contribuição da corrente de falta; cc
Índice:
Icc ( f )
p
 : contribuição da corrente de falta;
cc
 : em condições de falta.
f
E
E
( f )
Z
p(0)
p
F
 cc p : corrente que alimenta a falta
no ponto p.
Abilio M. Variz - UFJF - Eng. Elétrica
An. de Sist. Elét. de Potência 1 (5.1)

Teorema da Superposição

13

E

E

abc

f

abc

f

1(

)

2(

abc

(

f

)

)

E

p

E

abc

n

(

f

)

E

E

abc

1(0)

abc

2(0)

E

abc

p

(0)

abc

(0)

E

n

E

E

 

abc

1(

abc

2(

cc

cc

abc

(

cc

)

)

)

E

p

E

abc

n

(

cc

)

Índice:

: em regime (antes da falta);

0

: em condições de falta;

: contribuição da corrente de falta;

= ponto de falta.

f

cc

p

E


E

abc

f )

1(

abc

2(

f )

abc

(

p

f

)

abc

n (

f )

E


 

E


E

E

E

abc

1(0)

abc

2(0)


  



abc

p (0)

abc

n (0)

 

E

  Z

   

Z

Z


 

Z

abc

11

abc

21

Z

Z

abc

12

abc

22

 

abc

p 1

Z

abc

2

p

 

abc

n 1

Z

abc

n 2

Z

Z

Z

Z

abc

1

p

abc

p

2

abc

pp

abc

np

Z

Z

Z

Z

abc

1 n

abc

2 n

abc

pn

abc

nn

  
 

  

  

0

0

abc

I

(

CCp

  


0

f )

Generalização do Sistema Matricial

14

Reescrevendo abaixo todas as

expressões do sistema tem-se:

abc

1(

abc

f )

2(

f )

E

E

abc

p

( f

E

)

E

abc

n

( f

)

abc

1(0)

abc

2(0)

abc

p

E

E

E

(0)

E

abc

n (0)

Z

abc

abc

1

p

Icc

abc

(

p

f

)

abc

p

abc

(

Z

2

Icc

p

abc

p (

f

)

f

)

abc Icc

pp

Z

Z

abc

np

Icc

abc

p (

f

)

Z th Icc ( f ) p E ( f ) Z E p(0) p
Z th
Icc ( f )
p
E
( f )
Z
E p(0)
p
F
abc
abc
abc
E
 Z
Icc
p
(
f
)
f
p
(
f
)
F abc abc abc E  Z Icc p ( f ) f p ( f

Z F depende do tipo de falta

Cálculo de Curto Circuito com Z F

15

• Corrente que alimenta a falta:

(1) • A tensão na barra em falta (p): (2) • A tensão nas demais
(1)
• A tensão na barra em falta (p):
(2)
• A tensão nas demais barras i (i  p) é calculada por:
(3)

Cálculo de Curto Circuito com Y F

16

Em alguns tipos de falta é desejável expressar a matriz

de Falta através de sua admitância:

expressar a matriz de Falta através de sua admitância:  Portanto, reescrevendo as expressões (1), (2)

Portanto, reescrevendo as expressões (1), (2) e (3)

tem-se, respectivamente:

as expressões (1), (2) e (3) tem-se, respectivamente: (4) (5) (6)  Onde U é uma
as expressões (1), (2) e (3) tem-se, respectivamente: (4) (5) (6)  Onde U é uma
as expressões (1), (2) e (3) tem-se, respectivamente: (4) (5) (6)  Onde U é uma

(4)

(5)

(6)

Onde U é uma matriz Identidade

Cálculo das correntes nos elementos em condição de falta

17

Seja i

abc

ij

corrente trifásica no ramo ij

abc

ij

V

E

abc

i

(

f

)

E

abc

f

j

(

)

a) O elemento ij não está acoplado a outro elemento

abc

i

ij

(

f

)

abc

ij ij

Y

abc

*V

ij

b) ij acoplado com kl

i

(

ij

i

kl

(

f

)

f )

 

abc

ij ij

Y

abc

ij kl

Y

abc

kl ij

Y

abc

kl kl

Y

V

ij

V

kl

Cálculo usando Componentes Simétricas

18

Reescrevendo as expressões (1), (2) e (3) em componentes

simétricas (012) tem-se respectivamente:

(3) em componentes simétricas (012) tem-se respectivamente:  Reescrevendo as expressões (4), (5) e (6) em
(3) em componentes simétricas (012) tem-se respectivamente:  Reescrevendo as expressões (4), (5) e (6) em
(3) em componentes simétricas (012) tem-se respectivamente:  Reescrevendo as expressões (4), (5) e (6) em

Reescrevendo

as expressões (4), (5) e (6) em componentes

simétricas (012) tem-se respectivamente:

(6) em componentes simétricas (012) tem-se respectivamente: Abilio M. Variz - UFJF - Eng. Elétrica An.
(6) em componentes simétricas (012) tem-se respectivamente: Abilio M. Variz - UFJF - Eng. Elétrica An.
(6) em componentes simétricas (012) tem-se respectivamente: Abilio M. Variz - UFJF - Eng. Elétrica An.

Modelo Base para Matrizes de Falta

19

Em Componentes de Fase:

V

 

  V

a

V

b

c

Z

abc

F

.

I

 

a

I

b

  I

c

abc

F

Y

Z

abc

F

-1

Z cf Z cf Z cf Z cg
Z cf
Z cf
Z cf
Z cg

Falta Trifásica para a Terra:

20

Componentes de Fase:

Z cf Z cf Z cf Z cg
Z cf
Z cf
Z cf
Z cg

Z

abc

F

Y

abc

F

Z

cf

Z

Z

Z

cg

cg

cg

Y

 

0

Y

0

Y

0

2

Y

Y

cf

Y

cf

cf

Z

cg

Z

Y

0

Y

0

Y

0

Z

Z

cg

cf

Y

cf

2 Y

Y

cf

cf

cg

Y

0

1

Z

cf

3

Z

cg

Y cf

Z

Z

Z

cg

cg

cf

Z

Y

0

Y

0

Y

0

Y

Y

cf

cf

Y

cf

2

1

Z

cf

cg

Falta Trifásica para a Terra:

21

Componentes Simétricos:

Z cf Z cf Z cf Z cg
Z cf
Z cf
Z cf
Z cg

Z

012

F

Z

 

cf

3

Y

0

Y

012

F

1

Y

0

Z

cf

3

Z

cg

Z

cg

Y

cf

Z

cf

Y

cf

Y cf

Z

cf

1

Z

cf

Curto Trifásico Sem Fechamento com Terra

22

Z cf Z cf Z cf
Z cf
Z cf
Z cf

012

Y

F

Y

cf

0

1

1

Z

012

F

Z

abc

F

indefinido, pois Z



cg

abc

Y

F



 

2

  

Y

cf

3

1

1

Z

cf

Z

cf

1

1

 

1

2


 

1

2

indefinida

Falta Monofásica (Fase-Terra)

23

Z cf
Z cf

Z

abc

F

abc

Y

F

Z

cf

Y

cf

0

0

indefinida

Z

012

F

indefinida

012

Y

F

Y

cf

3

1

1

0

1

1

0

1

1

0

Falta Fase-Fase-Terra

24

Componentes de Fase:

Z cf Z cf Z cg
Z cf
Z cf
Z cg

Z

abc

F

abc

Y

F

 

0 Z

0 Z

cf

cf

0

Z

Z

cg

cg

0

Z

Z

cg

cg


indefinida

0

0

0

Z

cf

0

Z

cg

Z

2

cf

2

Z

cf

Z

cg

Z

cg

Z

2

cf

2

Z

cf

Z

cg

0

Z

cg

Z

2

cf

Z

cf

2

Z

2

cf

Z

Z

cg

cg

Z

2

cf

2

Z

cf

Z

cg

Falta Fase-Fase-Terra

25

Componentes Simétricos:

Z cf Z cf Z cg
Z cf
Z cf
Z cg

012

Y

F

1

3

Z

2

cf

2

Z

cf

Z

cg

Z

012

F

indefinida

  

2 Z

cf

Z

Z

cf

cf

2

Z

cf

Z

cf

Z

cf

3

Z

cg

3

Z

cg

Z

cf

2

Z

cf

Z

cf

3

Z

3

Z

cg

cg

Falta Fase-Fase (sem terra)

26

Z cf Z cf
Z cf
Z cf

Z

Z

abc

F

012

F

indefinida

indefinida

Y

ABC

F

Y

cf

2

0

0

0

0

1

1

0

1

1

Y

012

F

Y

cf

2

0

0

0

1

0

1

0

1

1

Observações

27

Note que dependendo do tipo de falta, a matriz de

impedância de falta, Z F , é indefinida. Este problema

não ocorre com a matriz de admitância de falta, Y F .

Portanto, o uso da matriz Y

F é mais geral que o Z

F .

A matriz de falta pode representar um curto de alta

complexidade (por ex. um curto trifásico

assimétrico)

Existe na literatura outros métodos para cálculo

matricial de curto como por exemplo através do uso de um Fluxo de Potência Continuado.

Exercício 3

28

Abaixo são mostrados os sistemas 1 e 0 de um SEP.

Caso ocorra um curto trifásico na barra 2 com

impedância de curto de j0,1, calcule matricialmente

usando matriz de falta e considerando a rede

operando a vazio:

Corrente

curto;

que

alimenta

o

Corrente na Linha 2-3;

Corrente injetada pela SE

na barra 1;

Corrente consumida pela

carga na barra 4.

na barra 1;  Corrente consumida pela carga na barra 4. Abilio M. Variz - UFJF

Exercício 4

29

Refaça o exercício anterior considerando o curto da

barra 2 sendo do tipo:

a) Monofásico franco (Fase A-Terra) com impedância de j0,1;

b) Bifásico Franco (Fases B e C) com impedância de j0,1;

c) Bifásico Franco com envolvimento de terra (Fases B-C e

Terra) com todas as impedâncias de curto iguais a j0,1.

Lista de Exercícios

30

Exercício 1;

Exercício 2;

Exercício 3;

Exercício 4;

Informações

31

Aulas:

Presença obrigatória

Dúvidas:

E-mail: prof.variz@gmail.com

Atendimento pessoal: Galpão do PPEE, 2º Andar.

Informações, Avisos e Material Didático:

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