RAUL MARCELO

DEPUTADO ESTADUAL - PSOL

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SÃO PAULO,

REPRESENTAÇÃO

DEPUTADO ESTADUAL RAUL MARCELO, advogado,
brasileiro, casado, portador da cédula de identidade n° 30.351.354
SSP/SP e inscrito no CPF/MF sob n° 288.123.258-23, domiciliado na
Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Av. Pedro Álvares
Cabral, 201, gabinete 1006, 1º andar, São Paulo/SP, CEP 04097-900,
no exercício da função constitucional de fiscalização da
Administração Pública inerente ao cargo de deputado estadual, vem
requerer a INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO PARA APURAR VIOLAÇÃO AO
ARTIGO 255 DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO, pelos fatos e
fundamentos a seguir delineados:
1. Em matéria veiculada pelo jornal Folha de São
Paulo em 08/06/20171 apontou-se que o governo do estado de São
Paulo em computando despesas que não se referem a investimento e
manutenção com a educação pública, como aposentadoria, para
calcular o percentual mínimo de receita a ser aplicado na educação
pública.

1
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/03/25/funcionarios-sem-
concurso-dominam-secretarias-e-estatais-do-governo-de-sao-paulo.htm

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Av. Pedro Álvares Cabral, 201, gabinete 1006, 1º andar Av. Dr. Armando Sales de Oliveira, 94 - Vila Trujillo
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(11) 3886-6500 (15) 3411-3465 1

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2. É de conhecimento público que somente serão
superadas as desigualdades sociais e econômicas com uma educação
pública de qualidade. É inegável que a educação pública enfrenta
dificuldades que impedem o seu desenvolvimento satisfatório. Na
rede pública de ensino falta de valorização dos professionais tal
como outras carreiras públicas de nível superior, fatal estrutura e
equipamentos de trabalhos, entre dezenas de outros problemas que
todo cidadão que depende desse serviço público conhece muito bem, a
solução para essa crise da educação pública parece muito simples:
investir recursos do orçamento na educação. Diante desse cenário o
constituinte estadual estabeleceu um piso mínimo de gasto de
recursos do orçamento com a educação pública, é o que dispõe o
artigo 255 da Constituição Estadual:
Artigo 255 - O Estado aplicará, anualmente, na
manutenção e no desenvolvimento do ensino público,
no mínimo, trinta por cento da receita resultante
de impostos, incluindo recursos provenientes de
transferências.

3. Desse modo, trinta por cento da receita de
arrecadações tributárias deve ser aplicada na educação pública,
evidentemente com o objetivo de atingir seu pleno desenvolvimento.
Ocorre que segundo noticiado pelo jornal Folha de São Paulo, o A
Administração Pública Estadual tem sistematicamente desrespeitado
esse dispositivo constitucional, usando uma manobra contábil para
burlar seu cumprimento. A manobra basicamente consiste em incluir
despesas alheias à educação (aposentados que erram vinculados à
secretaria de educação) para atingir o piso mínimo de 30% de
investimento estabelecido pelo art. 255 da Constituição Paulista
4. O servidor público estadual que integra a
secretaria da educação é vinculado ao regime próprio de previdência
gerido pelo São Paulo Previdência (SPPREV) instituído pela lei

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complementar estadual 1.010/2007 que extinguiu o IPESP, à exceção
daqueles contratados de forma temporária sob a égide da lei
complementar 1.093/09, que estão vinculados ao regime geral de
previdência gerido pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
Quando o servidor público se aposenta formalmente e juridicamente o
pagamento de seus vencimentos é considerado responsabilidade da
autarquia previdenciária estadual, tanto que se se houver qualquer
problema em seu pagamento o sujeito passivo é o SPPREV, que possui
personalidade jurídica própria distinta da Fazenda Pública
Estadual.
5. Sob a perspectiva jurídica não há qualquer
dúvida de que a responsabilidade pelo pagamento dos vencimentos dos
pensionistas e a aposentados vinculados ao regime próprio de
previdência, qualquer que seja à secretaria de origem, é
exclusivamente do SPPREV. Não há dúvida de que esses recursos devem
integrar o orçamento da autarquia previdenciária e saem do caixa do
SPPREV.
6. Desse modo, não se pode considerar, para
nenhum efeito, que as despesas com pensionistas ou servidores
aposentados, que pertenciam à secretaria de educação, seja
classificada como despesa para “manutenção e no desenvolvimento do
ensino público”.
7. Há alguns anos, em 20012, de forma idêntica, a
prefeitura de São Paulo tentou burlar o investimento mínimo em
educação considerando despesas alheias à educação, como inativos e
pensionistas. À época o Tribunal de Contas do Município afirmou ser
irregular o computo dessas despesas para atingir o percentual
mínimo de investimento na educação. Igualmente esse E. Tribunal,
segundo noticiado pelo jornal Folha de São Paulo, entende ser

2 http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0506200201.htm

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irregular somar gasto com aposentados para atingir o percentual
mínimo de investimento na educação.
8. É inegável que está havendo uma fraude ao
comando constitucional. A inclusão de despesas alheias à educação
no computo da percentagem de 30% prevista no art. 255 da
Constituição Estadual importa em prejuízo substancial aos
investimentos na educação. Segundo o jornal representa um desfalque
de 13 bilhões de reais nos últimos três anos.
9. Diante do exposto, requerer que seja
instaurado procedimento perante esse E. Tribunal para assegurar que
a Administração Pública estadual aplique percentual mínimo de 30%
das receitas tributárias com manutenção e investimentos na educação
conforme artigo 255 da Constituição Paulista, sem a inclusão de
despesas alheias à educação como pagamento dos aposentados.
Nestes termos pede deferimento.
Sorocaba, 08/06/2017.

Raul Marcelo
Deputado estadual

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