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Só o instinto não chega BEBÉS INTELIGENTES PODEMOS INFLUENCIAR? AMAMENTAÇÃO Verdades e mentiras AJUDE O
Só o instinto não chega BEBÉS INTELIGENTES PODEMOS INFLUENCIAR? AMAMENTAÇÃO Verdades e mentiras AJUDE O
Só o instinto não chega BEBÉS INTELIGENTES PODEMOS INFLUENCIAR? AMAMENTAÇÃO Verdades e mentiras AJUDE O

Só o instinto não chega

Só o instinto não chega BEBÉS INTELIGENTES PODEMOS INFLUENCIAR? AMAMENTAÇÃO Verdades e mentiras AJUDE O SEU
Só o instinto não chega BEBÉS INTELIGENTES PODEMOS INFLUENCIAR? AMAMENTAÇÃO Verdades e mentiras AJUDE O SEU

BEBÉS INTELIGENTES

PODEMOS INFLUENCIAR?

AMAMENTAÇÃO

Verdades e mentiras

AJUDE O SEU FILHO A GERIR AS EMOÇÕES

Gripe ou constipação?

vamos todos os dias ser melhores pais
vamos
todos os dias
ser melhores pais

FENG SHUI

Encha o quarto de boas energias

ser melhores pais FENG SHUI Encha o quarto de boas energias www.paisefilhos.pt REVIS TA S PA
ser melhores pais FENG SHUI Encha o quarto de boas energias www.paisefilhos.pt REVIS TA S PA
REVIS TA S PA RENTAIS N. 300
REVIS TA S
PA RENTAIS
N. 300

janeiro 2016

PASSATEMPO “Um estranho no coração” Eduardo Sá temos 10 livros de para oferecer veja como
PASSATEMPO
“Um estranho no coração”
Eduardo Sá
temos 10 livros de
para oferecer
veja como
na pág.
35

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Riscos e vantagens

MODA VAMOS AOS SALDOS!
MODA
VAMOS
AOS SALDOS!
HISTÓRIA de Gonçalo Tavares M.
HISTÓRIA
de
Gonçalo
Tavares M.

DEPENDENTES DA TECNOLOGIA?

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de Gonçalo Tavares M. DEPENDENTES DA TECNOLOGIA? BELEZA ROTEIRO LEITURAS mensal PVP continente 3.50€ LIFESTYLE

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LEITURAS

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LIFESTYLE

sumário

JANEIRO

edição 300

ANO NOVO

Aprenda a viver melhor!

Conselhos para pais e filhos. De A a Z, verbos a conjugar todos os dias.

14
14

Fase de ouro

O primeiro trimestre

Amamentação

Fim aos mitos

Bebés inteligentes

Genética ou ambiente?

Animais de estimação

Prós e contras

30 00 20 24
30
00
20
24
38
38

Emoções

Saber como gerir

Internet

Já é um vício?

Feng Shui

Casa em harmonia

Vírus

Gripe ou constipação?

42 52 48 64
42
52
48
64

CRÓNICAS: 12 Eduardo Sá

28 Mário Cordeiro

36 Isabel Stilwell 46 Sónia Morais Santos

58 Paulo Farinha

71 76

CADERNOS

MODA

82

ROTEIRO

86

LER

90 97

HISTÓRIA

LIFESTYLE

editorial Uma pepita de chocolate

editorial Uma pepita de chocolate Helena Gatinho [diretora] O ritual repete-se e, com ele, pa- recemos

Helena Gatinho

[diretora]

O ritual repete-se e, com ele, pa- recemos renascer. É tempo de fazer contas, arrumar a casa e jurar promessas. De deitar fora os trastes velhos, quebrar engui-

ços e renovar planos. De desfazer nós e selar compromissos. De recordar os momentos bons

e esquecer os maus. De enterrar e celebrar. De

rir e chorar. Como se o fim de um ciclo – tra- duzido na simples passagem de uma folha de

Este mero enunciar de intenções ajuda-nos

a

reencontrar o norte e a voar mais alto.

E,

assim, inspira-nos a sermos melhores

mais alto. E, assim, inspira-nos a sermos melhores Foto: Sisley Young Coleção outono-inverno 2015/16

Foto: Sisley Young Coleção outono-inverno

2015/16

calendário – tivesse o condão de nos despojar de mágoas e inundar de esperança. Ridículo ou desnecessário, a verdade é que este mero enunciar de intenções nos ajuda, nem que seja por uns dias, a reencontrar o norte e

a voar mais alto. E, assim, inspira-nos a sermos

melhores e maiores. Por isso, há que aproveitar

o estado de graça! O que não significa (apenas)

uns quantos sacos no lixo, os papéis arrumados ou a roupa “revista”. Troque a cara de pau por um sorriso rasgado, abrande o passo e observe à volta com atenção,

escreva (ou pense!) todos os dias sobre aquilo que o fez sentir bem, saia mais cedo para namo- rar e desligue o telefone quando chega a casa, leve o seu filho a ver o pôr do sol na praia e invente uma caça ao tesouro, cumprimente os desconhecidos e cante na fila do trânsito, salte ao pé coxinho e jogue às escondidas, distribua abraços e não regateie colos, grite de alegria e chore de comoção. E, sobretudo, não se tente “armar” em mãe ou pai exemplar. Nem se coiba de ter dúvidas, vacilar nas ordens, rever as re- gras, admitir os erros e exagerar nos mimos. A imperfeição também tem os seus méritos… e as suas vantagens. Por isso, solte aquele berro, descalce os sapatos, atire as almofadas, rodopie até cair, ceda à tentação e saboreie uma pepita de chocolate…e todos os minutos deste ano que agora começa. Para a Pais&filhos, 2016 começa com uma re- vista “arredondada”: nesta edição de janeiro, atingimos o número 300!!! Múltiplos à parte (que a matemática não é o meu forte) é sabido que os números redondos sempre exerceram um fascínio especial, seja pela facilidade de “aproximar” quantidades ou pelo simbolismo do círculo, espécie de augúrio para um futuro risonho. Acredito que o três e os dois zeros são, de facto, um bom prenúncio. Para os que a fazem… e para os que a leem. Um Bom Ano.

Eles dizem “Não contem com a simpatia do diretor- -geral da Saúde para a promoção
Eles
dizem
“Não contem com a
simpatia do diretor-
-geral da Saúde para
a promoção de partos,
não só em casa, como
também assistidos
autonomamente por
enfermeiros. Não vamos
voltar para trás”.
“Após uma semana sem
Facebook, as pessoas
estudadas sentiram-se
mais felizes, com uma vida
social mais ativa e com
menos dificuldades de
concentração.”
Francisco George
Meik Wiking
[diretor-geral da Saúde]
[CEO do The Happiness
Research]

Notícias

bloco de notas

Notícias bloco de notas ONDE MORA A FELICIDADE? A felicidade reside no cérebro. Mais propriamente em

ONDE MORA A FELICIDADE?

A felicidade reside no cérebro. Mais

propriamente em estruturas neurológicas do lobo parietal chamadas pré-cúneos. Pelo menos é o que garantem investigadores da Universidade de Quioto (Japão), que publicaram um “mapa” deste estado de alma na revista “Scientific Reports”.

A equipa de cientistas defende que quem

apresenta sinais de felicidade regular e repetida tem um maior volume de massa cinzenta naquela zona específica do córtex cerebral. Mais: este acréscimo é constante e independentemente de se tratarem de homens ou mulheres, crianças, adultos ou idosos e também das capacidades cognitivas ou intelectuais.

CASAR NÃO É ESSENCIAL

Não há receitas iguais para todos

que era. Um novo estudo sugere que viver junto ou casar traz

a mesma sensação de felicidade e compromisso. Ou seja, a

troca de alianças não é essencial para a felicidade do casal. Segundo um estudo efetuado por investigadores da

Universidade de Ohio (EUA), ir viver com o companheiro causa a mesma sensação do que se casarem efetivamente.

“Quando analisamos as sensações dos indivíduos que viviam juntos e decidiram casar-se, vemos que essa transição não provocou um aumento significativo da felicidade emocional”, explicou Sara E. Mernitz, uma das investigadoras, ao “Washington Post”. Antes, o casamento era a única forma de os jovens obterem a aprovação social e o companheirismo que é importante para

a saúde emocional. Mas já não é assim. Percebemos que o

casamento não é essencial para se ter os benefícios de viver juntos, pelo menos no que diz respeito à saúde emocional”,

explicou Kamp Dush, co-autora do estudo.

e o casamento já não é o

emocional”, explicou Kamp Dush, co-autora do estudo. e o casamento já não é o 6 Pais&filhos

Portuguesas penalizadas por serem mães

A opção de ficar em casa com as crianças, após o fim da licença de maternidade, cobra uma pesada fatura financeira às mães portuguesas,

De acordo com o documento, a diferença entre o valor da pensão da mulher que esteve dez anos fora do mercado de trabalho e o da que se

de acordo com a OCDE. Segundo o

manteve ativa é de 21 por cento, quase

relatório “Pensions at a Glance” de

o

dobro da média de 11 por cento para

2015, as mulheres que fazem um

o

conjunto da organização, e uma

intervalo nas carreiras profissionais quando nascem os filhos perdem cerca de um quinto da sua pensão de reforma. E são as mais prejudicadas no conjunto dos 34 países da organização.

percentagem muito semelhante à do México, da Alemanha ou da Itália. E isto sucede porque esse período de cuidado à infância não é considerado nos cálculos finais que determinam o valor da reforma.

nos cálculos finais que determinam o valor da reforma. “EPIDEMIA” DE AÇÚCAR COM CONSEQUÊNCIAS DEVASTADORAS

“EPIDEMIA” DE AÇÚCAR

COM CONSEQUÊNCIAS DEVASTADORAS

Os Estados Unidos são o maior consumidor de açúcar no mundo, mas, de acordo com um estudo publicado no jornal “Lancet Diabetes and Endocrinology”, nas próximas décadas muitos outros países vão apresentar números idênticos de alto uso de alimentos e bebidas açúcarados. As perspetivas das universidades de Londres e da Carolina do Norte são tão sombrias que os investigadores de ambas as instituições não hesitam em falar de uma “epidemia com consequências devastadoras” para a saúde pública planetária. Obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes de tipo II são apenas, segundo os cientistas, o “topo da pirâmide”, já que ainda não existem estudos suficientemente extensos e a longo prazo sobre as consequências metabólicas, endocrinológicas e genéticas do açúcar nas novas gerações.

e genéticas do açúcar nas novas gerações. “As crianças fazem escolhas saudáveis” [Joana Byscaia,
e genéticas do açúcar nas novas gerações. “As crianças fazem escolhas saudáveis” [Joana Byscaia,

“As crianças fazem escolhas saudáveis”

[Joana Byscaia, chef e diretora da Academia Petit Chef]

Na Academia Petit Chef, Joana Byscaia ensina os mais novos a pôr as mãos na massa e a fazer pratos deliciosos e saudáveis.

Como surgiu a ideia de criar uma cozinha pedagógica? Foi muito natural: num processo de redefinição da minha vida profissional, deparei-me com a curiosidade e vontade dos meus filhos em ajudar-me enquanto cozinhava – algo que me está no sangue e que o facto de ser mãe não alterou. Daí a surgir a ideia da cozinha pedagógica foi um passo.

Daí a surgir a ideia da cozinha pedagógica foi um passo. Como são as aulas na

Como são as aulas na Academia Petit Chef? Pedagógicas mas divertidas e com pinceladas de regras para permitir que todos os que participam tenham uma aprendizagem rica, mas com critério. São verdadeiramente multidisciplinares. Em termos simplistas, seguir uma receita requer concentração, método, vontade e criatividade. Isto permite que venha ao de cima o estímulo dos sentidos, o aumento da autoestima por meio da realização pessoal e aspetos tão subjetivos como a socialização que advêm da realização interpessoal.

Partilhar a cozinha com crianças é um desafio? As crianças aprendem como e quando querem e cabe a nós adultos conduzi-las neste processo de descoberta. Sem dúvida que é um desafio, no entanto, para os meus “petit chefs”, também o é. Seria fácil dizer-lhes passo a passo como fazer mas prefiro ensinar-lhes a ser autónomos e a procurarem superar-se a cada aula.

Um “petit chef” consegue pôr os pais a comer melhor? Acredito que sim. O processo pode não ser imediato mas a semente fica lá e ao longo do tempo acabam por fazer escolhas mais saudáveis e creio que por arrasto levam os pais a fazerem-nas também.

Teresa Martins

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bloco de notas

bloco de notas BRINCAR PARA CRESCER (II) Desde o nascimento, os brinquedos são uma importante forma

BRINCAR PARA CRESCER (II)

Desde o nascimento, os brinquedos são uma importante forma de estimular o desenvolvimento sensorial da criança.

Brinquedos fáceis de agarrar, divertidos, coloridos e barulhentos são muito estimulantes para o seu desenvolvimento nesta fase. Dos seis meses em diante, os brinquedos têm a importante tarefa de permitir que os bebés se tornem mais conscientes das suas capacidades e comecem a controlar o seu comportamento sensório-motor. À medida que progridem, isto vai permitir-lhes imitar o comportamento dos adultos. Por outro lado, tornam- se também cada vez mais interessados no que as rodeia e desenvolvem a necessidade de se divertirem e aprenderem coisas novas. E os brinquedos que eram inicialmente utilizados para estabelecer uma ligação com o mundo à sua volta, agora transformam-se numa fonte de conhecimento essencial para o seu desenvolvimento. Agarrar e atirar, abanar e pôr no chão, esconder e redescobrir objectos são apenas alguns dos movimentos que fazem parte de um “jogo”. Brincar também desperta uma série de diferentes emoções:

vão da pura alegria à desilusão e regressam novamente à alegria. Brincar é uma forma de criar dificuldades e encontrar depois formas de ultrapassá-las, de crescer e aprender. As crianças que brincam são crianças felizes e que se desenvolvem de uma forma correcta. Muitas vezes, as crianças pedem para brincar com os papás e

é muito importante que eles se juntem à brincadeira, mostrando entusiasmo. Brincar com as crianças e observá-las enquanto brincam são formas importantes de conhecê-las melhor, observando as suas complexas emoções e o desenvolvimento das suas capacidades. Brincar é o “trabalho” da criança e uma das formas que tem de se conhecer a si própria e ao mundo que

a rodeia.

B Ó
B
Ó

O observatório Chicco acompanha o desenvolvimento da criança nos primeiros anos de vida, com a colaboração de mães, médicos, especialistas em puericultura, associações e creches, para propor produtos simples e seguros para cada fase do crescimento. www.chicco.pt

Vigilância da gravidez mais abrangente

Pela primeira vez, o Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco inclui temas como

a alimentação, sexualidade, saúde oral, atividade

física, tabagismo, álcool e substâncias psicoativas.

A Direção Geral da Saúde reuniu, assim, num único

manual atualizado, uma série de “recomendações e intervenções adequadas na preconceção, na gravidez

e no puerpério”. A decisão de incluir temas mais

abrangentes partiu do princípio de que a gravidez é uma “oportunidade única” para os profissionais de saúde

abordarem e detetarem situações tão distintas como a violência doméstica ou até a mutilação genital. Médicos

e enfermeiros vão, por isso, ter um papel mais ativo, desde a preconceção ao puerpério.

O novo programa dá também atenção ao bem-

-estar emocional da mulher, da criança e da família, nomeadamente através do despiste e acompanhamento de situações como a depressão pós-parto.

acompanhamento de situações como a depressão pós-parto. AUSÊNCIA DOS PAIS afeta cérebro das crianças Milhões de

AUSÊNCIA DOS PAIS afeta cérebro das crianças

Milhões de pais são obrigados a deixar os filhos em busca de trabalho ou de melhores condições de vida, mas o fenómeno poderá ter consequências nefastas para o futuro das criança, já que a ausência dos progenitores impede o normal desenvolvimento cerebral, de acordo com um estudo divulgado no encontro anual da Sociedade Norte-Americana de Pediatria. Os resultados mostraram que as crianças que viviam com os pais apresentavam volumes de massa cinzenta maiores em várias regiões do cérebro, especificamente nos circuitos do cérebro envolvidos nas emoções. Uma vez que um maior volume da massa cinzenta pode refletir uma maturidade insuficiente do cérebro, a correlação negativa entre o volume de massa cinzenta e a pontuação do QI sugere que crescer longe dos pais pode atrasar o desenvolvimento cerebral.

bloco de notas

DICAS DE SEGURANÇA Artigos de Puericultura em 2ª mão Um recém-nascido necessita de uma série
DICAS DE SEGURANÇA
Artigos de Puericultura em 2ª mão
Um recém-nascido necessita de uma série de artigos
de puericultura para os seus cuidados o que leva muitas
famílias a utilizarem artigos emprestados por amigos
e
familiares ou comprados em 2ª mão. A APSI dá-lhe
algumas dicas que ajudam a garantir a segurança do seu
bebé:
l
Esta opção só é aconselhável para artigos que se utilizam
durante pouco tempo;
l
Verifique sempre se o artigo está em bom estado de
conservação, se tem instruções e avisos em Português, e se
o
modelo é relativamente recente;
l
Evite utilizar artigos muito antigos. Podem não cumprir
as normas de segurança mais recentes e esconder algum
risco de acidente, nem sempre fácil de identificar;
l
Utilize desde o nascimento uma cama de grades que
cumpra os requisitos da norma dos artigos de puericultura.
Deve ser estável e sem aberturas superiores a 6 cm. As
grades devem ter no mínimo 60 cm de altura e o colchão
deve ser firme e bem adaptado ao tamanho da cama,
para que não fique qualquer espaço entre o colchão e as
grades;
l
A cadeira para o automóvel deve ser nova para cada
criança. Nunca devem ser utilizadas cadeirinhas, cuja
história não seja bem conhecida: não deve ter sido
utilizada por mais de 2 crianças, devido ao desgaste da
mola do fecho do cinto interno (arnês); não deverá ter
sofrido nenhum acidente, nem ter sido exposta a altas
temperaturas. É fundamental que seja um modelo recente,
que tenha a etiqueta de homologação e as instruções de
instalação, utilização e manutenção.
APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil
www.facebook.com/apsi.org.pt
www.apsi.org.pt | apsi@apsi.org.pt | 21 884 41 00

“Nascer em amor”:

um encontro para falar de parto

Como se nasce em Portugal, o papel do pai no parto e o parto na água são alguns dos temas que vão estar em análise no 1º Encontro da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez

e Parto, no dia 30 de janeiro, no Centro Cultural de

Cascais. “Um dia de inspiração, partilha e informação,

para famílias, profissionais e representantes de organizações da sociedade civil”, segundo

a organização, que convidou para o evento o

enfermeiro parteiro Mark Harris, conhecido pelo seu trabalho na área da educação para o parto, em especial no papel do pai neste processo. Mais informações e inscrições em www.nasceremamor. wordpress.com.

INTERNET AO DEITAR baixa as notas

Está cansado de dizer aos seus filhos para desligarem os smartphones ou o computador antes de irem para a cama? Não desista. Ao fazê-lo poderá estar a contribuir para um bom desempenho escolar. Pelo menos esta é a conclusão de um estudo realizado na University College de Londres, que avaliou o efeito do uso da tecnologia e das redes sociais antes do período de descanso noturno e os resultados académicos. Estar nas redes sociais é especialmente nocivo, dizem os investigadores, já que a interação com os pares faz com que o cérebro seja hiperestimulado, impedindo que entre rapidamente em modo efetivo de sono e descansando muito menos que as dez horas recomendadas. No decorrer do trabalho foram inquiridos 48 adolescentes a partir dos 16 anos e 70 por cento revelaram que usam as redes sociais menos de meia hora antes de irem para a cama. E são estes que apresentam, em média, notas 20 por cento mais baixas que os que desligam o telemóvel antes de dormir.

baixas que os que desligam o telemóvel antes de dormir. PARTOS À SEMANA mais seguros? Os

PARTOS À SEMANA mais seguros?

Os partos que acontecem durante os dias úteis têm tendencialmente melhores resultados para a mulher e o recém-nascido do que os nascimentos que ocorrem aos fins--de-semana. Um estudo britânico, publicado no “British Medical Journal”, aponta para esta discrepância em termos estatísticos, mas os cientistas ainda não conseguem apontar exatamente o que está na origem das diferenças. Os responsáveis defendem que os recém-nascidos que chegam ao mundo ao sábado e ao domingo têm um acréscimo ligeiro do risco de morte na primeira semana. Em paralelo, as mães também desenvolvem mais infeções pós-parto.

A IMPORTÂNCIA DO FERRO O défice de ferro no organismo da grávida afeta o desenvolvimento

A IMPORTÂNCIA DO FERRO

O défice de ferro no organismo da grávida afeta o desenvolvimento cerebral do bebé, em especial as futuras capacidades de aprendizagem e memória. E o pior é que, segundo afirmam investigadores norte- -americanos, os efeitos indesejáveis podem ocorrer mesmo se a falta deste micronutriente for ligeira. No entanto, pequenas mudanças na dieta da futura mãe podem resolver o problema rapidamente.

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meses é a duração que a Organização Mundial de Saúde recomenda para a licença de maternidade paga

de Saúde recomenda para a licença de maternidade paga “APETITE” DO PAI HERDA-SE Podem os hábitos

“APETITE” DO PAI HERDA-SE

Podem os hábitos de um homem transmitir-se geneticamente aos filhos? As teorias científicas clássicas dizem que não, mas uma recente linha científica garante que os espermatozoides transportam, no seu genoma, informação sobre os excessos alimentares masculinos, que assim são passados à descendência. Os genes que controlam a regulação do apetite adaptam- -se aos hábitos alimentares do pai e transmitem esses mesmos hábitos à criança, num caso claro da chamada “herança epigenética”. As equipas da Universidade de Copenhaga (Dinamarca) e do Instituto Karolinska de Estocolmo (Suécia) demonstraram que os espermatozoides dos homens com e sem excesso de peso são muito diferentes. O efeito concentra-se sobretudo nos genes que determinam o desenvolvimento e função do controlo neurológico do apetite. As boas notícias é que as marcas epigenéticas indesejáveis nos homens obesos desaparecem do sémen logo que estes perdem peso. O que parece indicar que os filhos concebidos antes e depois do excesso de quilos podem vir a apresentar tendências diferentes no que respeita ao risco de obesidade.

Sabe o que é o balanço energético?

Comer o menos possível é a melhor ajuda para perder peso? Não necessariamente. Segundo o catedrático em pediatria James O. Hill, há uma “maneira mais inteligente” de fazer as coisas, baseada no que denomina por “balanço energético”. Para manter o balanço energético, o especialista recomenda o aumento da atividade física, promover novas formas de comer – que inclui ter consciência do tamanho das porções e escolher os alimentos menos calóricos – bem como ensinar à população técnicas de balanço energético. De acordo com O. Hill, conhecer e compreender o conceito de balanço energético permite modificar os fatores que causam um balanço energético positivo e aumento de peso. “Os principais componentes do balanço energético são o consumo de energia, as reservas de energia e o gasto de energia”, e todos eles estão interligados, “de forma que uma mudança em qualquer um desses componentes afeta os outros”, refere.

crónica Porque sim não é resposta

crónica Porque sim não é resposta N ós, abaixo assinados – pais de todas as cores,

N ós, abaixo assinados – pais de todas as cores, credos e convicções – declaramos,

por nossa honra, que cumpriremos, com lealdade, ao longo do próximo ano, as

funções que nos são confiadas. E, por mais que nos assolem índices de abstenção

que possam ir para além de todos os compromissos razoáveis, declaramos que

“governaremos” em coligação, e que qualquer decisão minoritária que tenhamos

de tomar nunca será levada a efeito à margem dum “amplo debate”.

E que as nossas decisões passarão a ser – até para nós – objeto de “moções de censura” desde

que tragam debate e contraditório às nossas mais profundas convicções “programáticas”. E desde que elas estejam sempre obrigadas a uma regra: culpa-te o quanto te baste, mas não te desculpes demais! Nós, os abaixo assinados – pais de todas as cores, credos e convicções – assumimos, com

determinação, que os pais sabem sempre mais que os filhos. E que, por isso mesmo, pende sobre nós o ónus de decidir por eles. E que, embora reconheçamos mérito aos argumentos da “oposição”, e lidemos com bravura com todas as manifestações que ela entenda convocar, assumimos que não iremos ceder aos seus mais demagógicos exercícios, venham eles ao pequeno almoço – através dum qualquer: “hoje, não vou à escola!” – ou num ímpeto de fim de tarde quando, depois de os chamarmos vinte vezes (e após eles responderem outros tantos

“Já vou!), os nossos filhos parecem talhados para as lides sindicais e agem como se quem chama vinte os poderá chamar vinte e duas vezes, e fosse normal tudo acabar com o “corpo de intervenção” a chegar-se para a “cabeça do protesto”).

E, mais, reconhecemos que, na repartição de direitos e de responsabilidades numa família,

os pais e os filhos não têm sempre os mesmos direitos. Mais responsabilidades significa mais

Ano novo,

Eduardo Sá

[psicólogo]

melhores pais!

Embora reconheçamos mérito aos argumentos da “oposição”, e lidemos com bravura com todas as manifestações que ela entenda convocar, assumimos que não iremos ceder aos seus mais demagógicos exercícios

direitos (e vice-versa). E, sendo assim, nós – os pais – temos mais direitos! Porque é suposto que sejamos capazes de ser sábios, justos e bondosos e que, por isso mesmo, tenhamos sobre nós a

tarefa de ler e de interpretar os sonhos e as aspirações dos nossos filhos, de lhes definir regras e rotinas, e de lhes exigir que tenham para com todos a educação e os cuidados que temos com eles. Nós, os abaixo assinados – pais de todas as cores, credos e convicções – assumimos que são raras as vezes que nós, os pais, temos a mesma opinião sobre os nossos filhos: seja isso irrelevante ou não. E mesmo que pareça que estamos ligados em parcerias de sucesso, é verdade que a forma, os motivos e a robustez dos nossos acordos – diante da escola, dos amigos, do “direito à preguiça” ou do brincar dos nossos filhos – depende muito das “disposições programáticas” de cada um dos nossos momentos. O que não é trágico, mesmo quando vacilamos diante de insurreições do género: “a reação não passará!”, com que eles, os filhos, com lealdade, põem à prova a nossa “queda” para o governo. Seja como for, os bons pais são os

bons

melhores amigos das contradições. E sempre que não as têm estão, ainda, longe de serem pais.

Nós, os abaixo assinados – pais de todas as cores, credos e convicções – temos sempre a mania de nunca ter tempo. Mas, com verdade, reconhecemos que isso é um “slogan” que,

depois de muito repetido, parece ser verdade. Ou, se preferirem, não passa duma desculpa. Em primeiro lugar, porque os bons filhos não precisam de muito tempo diário de pais, embora necessitem de ser “filhos únicos”, à vez, da mãe ou do pai, uma vez por semana. E, em segundo lugar, porque os bons pais fazem escolhas e definem prioridades. E têm sobre

si a exigência de conjugar todos os seus compromissos diante dos quais definam uma

hierarquia. E se é verdade que os bons pais nunca colocam o trabalho à frente de tudo o mais, reconhecemos que bons pais serão, unicamente, aqueles que, gostam (ardentemente) dos filhos mas que, ao mesmo tempo, e de forma árdua, reconhecem a bênção de estar (em “suaves prestações”) sem eles. Nós, os abaixo assinados – pais de todas as cores, credos e convicções – temos o coração grande. E isso é bom. E se ainda não chorámos numa festa de Natal ou nos falta coragem para estar, no escuro dum teatro, levantados, e quase aos pulos, a esbracejar para que os nossos filhos, sempre que atuem, o façam, unicamente, só para nós, então, ainda estamos “em estágio” para sermos bons pais. Porque os bons pais comovem-se quando, depois duma briga,

Bons pais serão, unicamente, aqueles que, gostam (ardentemente) dos filhos

mas que, ao mesmo tempo, e de forma árdua, reconhecem a bênção de estar (em “suaves prestações”) sem eles

veem os seus pequenos guerreiros a “dormir como anjos”. E guardam, história a história,

todos os pequenos-nada com que a pequenada os surpreende, como quem, ao dar a entender que os filhos são os reis da manhosice, não deixa de reconhecer que esses “jovens astros” são

assim – astutos, furões e malandrotes – porque são filhos

por quase nada. E reclamam por férias e fins de semana. E, ao fim de uma hora sem os filhos, são os campeões mundiais da desolação. E dão colo e mimo, e colo e mimo! E, depois, quase

surpreendidos, barafustam “enxofrados” que as crianças são umas mal-habituadas – ou, mesmo (pasme-se!) umas mimadas! – enquanto lhes arrumam o quarto ou lhes apanham a roupa do chão. Em vez de as intimarem a serem elas o fazê-lo

Nós, os abaixo assinados – pais de todas as cores, credos e convicções– assumimos que

temos a cabeça quente. E que fazemos birras. De formato XXL

desabafos – “sensatos e refletidos” – do género: “Qualquer dia, tiro férias de mãe e vocês vão ver!” Ou, quando nos faltam argumentos mirabolantes para os cativar, que repetimos uma fórmula que anuncia a nossa rendição. Desta maneira: “Não me falas assim, que eu sou o teu pai!” Aliás – nós, os bons pais – reconhecemos que sempre que estamos muito quietos,

a bulir com o nosso “feitiozinho” de pais, isso anuncia “doença”. E não perdemos de vista

que enquanto não esgotarmos as “quotas de parvoíce” a que temos direito, nos falta uma “pitadinha” de calor para sermos bons pais. Nós, os abaixo assinados – pais de todas as cores, credos e convicções – sabemos sempre “o mapa do tesouro” para que os nossos filhos sejam melhores. Mas gostamos tão loucamente que eles existam que vacilamos, e nos engasgamos e nos esgadanhamos a fazer de todos os momentos desafios tão preciosos que nos fica esta “fezada” de sermos o melhor dos seus presentes. A ponto de, quando um deles nos pergunta: “Quem é a minha mãezinha linda?

passar a ser logo Natal. E, embora nunca sejamos dados a subornos, reconhecemos que é, por

coincidência, nesse dia, que o cobrimos com mais beijos e lhe damos uma prenda pela qual ele nos andava a zurzir há “um milénio”. Nós, os abaixo assinados, reconhecemos que falamos demais. Há quem ache, por isso, que seremos os “ases do patoá”. Mas isso importa? É que amamos os nossos filhos tão fora de todas as medidas que, para o ano, à frente dos outros, queremos doze vezes o melhor de

todos os desejos: queremos ser, isso sim, “os seus”

dos pais. Os bons pais irritam-se,

E que amuamos e temos

pais!

ser, isso sim, “os seus” dos pais. Os bons pais irritam-se, E que amuamos e temos

tema de capa Viver melhor

[texto] Ana Sofia Rodrigues [ fotografia] Fotolia

viver melhor em

de A a Z

Conselhos para pais e filhos para um novo ano física e psicologicamente mais feliz. De A a Z, verbos a conjugar na prática todos os dias, na melhor das companhias.

A – Abraçar

A duração média de um abraço entre duas

pessoas é de três segundos. É muito pouco! Investigadores descobriram que, quando um abraço dura pelo menos 20 segundos, surte um efeito terapêutico sobre o corpo e a mente. Abraçar reduz o stresse, o medo, a ansiedade

e melhora a memória. A “hormona do amor”,

libertada na corrente sanguínea das duas pes- soas que se abraçam, relaxa o corpo, diminui o ritmo cardíaco, a pressão arterial e os níveis de

cortisol. Abraços frequentes podem até atuar como catalisadores de cura de problemas fí- sicos, reforçando o sistema imunológico. A psicoterapeuta americana Virginia Satir de- fende que precisamos de quatro abraços por

dia para “sobreviver”, oito para manutenção do bem-estar e 12 para crescer emocionalmente.

tatou que os mais saudáveis e com um estilo de vida mais ativo tiveram uma infância cheia de brincadeiras. Crianças que foram criadas com restrições a brincadeiras tornaram-se adul- tos com tendência a excesso de peso e hábitos menos saudáveis. Por isso, “talvez se devesse fechar os pais no quarto com os filhos, em jeito de castigo: só saem daí depois de brincarem uma hora”, sugere a divertida cronista Sofia Anjos. E remata: “Para os pais aprenderem que uma brincadeira por dia, não sabem o bem que lhes fazia”.

C – Cozinhar

Especialistas das mais variadas áreas têm che- gado à conclusão que uma das coisas mais im- portantes que podemos fazer pela nossa saúde

é cozinharmos a nossa própria comida. Ensinar

abraçou alguém hoje?

os filhos a cozinhar garante, assim, um hábito saudável para o resto da vida. São vários os

B

– Brincar

estudos que demonstram que as crianças que

Livros para colorir. Brincadeira de criança? Poderia ser, mas só até há pouco tempo. No

último ano, o êxito entre os adultos tem sido

a

importância de recuperarmos o lado lúdico

ajudam a preparar as suas próprias refeições consomem mais vegetais, melhoram a sua autoestima, despendem mais tempo à mesa

enorme, provando que para certas atividades

e

não têm tanto medo de experimentar novos

não há idade. O brasileiro Cacau Rhoden lançou,

sabores. Além disso, cozinhar em família dá

em 2014, um documentário intitulado “Tarja

a

oportunidade de conversarem sobre saúde,

Branca – A Revolução Que Faltava”, que mostra

mas também contar histórias e piadas e des- contraírem juntos, o que faz bem ao corpo e à

da

vida na idade adulta. “A brincadeira foi aba-

alma de miúdos e graúdos.

fada pela produtividade e parece desperdício de tempo”, diz Rhoden. O próprio realizador vivenciou a revolução sugerida no título. “Eu era o tipo de pessoa que não acreditava que deitar-me na relva do parque, a meio da tarde,

e ler um livro tivesse algo a oferecer para o meu crescimento pessoal. Estava enganado”. Uma pesquisa da Universidade de Ulster, na Irlanda do Norte, feita com 500 adultos, cons-

D – Dormir

Dormir bem mantém o coração saudável, pre- vine o aumento de peso, fortalece o sistema imunitário, aumenta a concentração e a fun- ção cognitiva, pode prevenir dores de cabeça, melhora a velocidade, a coordenação e a recu- peração muscular, estimula o humor, aumenta

o limiar da dor, reforça as relações… A lista dos benefícios de noites bem dormidas não para. Mas atenção: dormir horas a mais também não faz bem. Nem vale fazer uma média semanal, do género: hoje só dormi cinco horas, mas amanhã compenso e durmo 11. De acordo com as mais recentes in- dicações da National Sleep Foundation, entre os três e os cinco anos, as crianças devem dormir entre dez a 13 horas; dos seis

Cozinhar

Cozinhar em família dá a oportunidade de conversarem sobre saúde, contar histórias e piadas e descontraírem juntos, o que faz bem ao corpo e à alma de miúdos e graúdos

tema de capa Viver melhor

aos 13, o intervalo desce para nove a 11 horas; dos 14 aos 17, basta de oito a dez horas; dos 18 aos 64 anos, o ideal é dormir sete a nove horas por noite. Experimente e… bom sonhos!

Abertura à novidade

Manter a cabeça aberta

a novos experiências

é um ótimo ponto de

partida. Propomos, para 2016, meditar em família. Segundo o Dalai

Lama, “se for ensinada meditação às crianças de oito anos, iremos eliminar a violência do mundo numa geração”. Não quer experimentar?

E – Exercitar

Não é nenhuma novidade dizer que o exercí- cio físico faz bem à saúde, mas nos últimos tempos, a par com os cuidados com a alimen- tação, passou a ser um hábito praticamente obrigatório para quem pretende viver melhor. As orientações europeias e da OMS são cla- ras: crianças e adolescentes devem fazer, pelo menos, 60 minutos de atividade física diária. Deve, por isso, incentivar o seu filho a participar em desafios diversos, que sejam adequados à sua idade e que contemplem vários tipos de

atividade física, como atividade aeróbia, for-

talecimento muscular e fortalecimento ósseo. Caminhadas rápidas, correr, fazer ginástica, saltar à corda são programas que até podem fazer em conjunto. Até porque os adultos pre- cisam de, pelo menos, duas horas e meia se- manais de atividade aeróbia de intensidade moderada, como andar rápido, fazer hidrogi- nástica, andar de bicicleta em terreno plano ou com poucos desníveis, jogar ténis a pares ou empurrar um cortador de relva. Uma regra de ouro é que um minuto de atividade de inten- sidade vigorosa é aproximadamente o mesmo que dois minutos de atividade de intensidade moderada. Mas cuidado, se não tem sido muito ativo nos últimos tempos, deve aumentar o seu nível de atividade lentamente. Não comece logo a treinar para uma maratona…

H – Hidratar

Todos os dias ouvimos falar de novos conse- lhos para uma alimentação saudável, mas com

muito menos frequência se foca a importância do consumo regular de água. Não basta beber água quando se tem sede e é desde pequenos

que se podem incutir certos hábitos. Sabia que

a água regula a temperatura corporal, mas

também lubrifica e protege as articulações, promovendo um melhor desempenho físico? E que contribui para o bom funcionamento cogni-

tivo, bom estado de humor e ajuda a maximizar

a atenção, a concentração e a capacidade de

memória a curto prazo? No novo ano, enco- raje os mais novos a beber com frequência, ao longo do dia, pequenas quantidades de água, antecipando a sensação de sede. A European Food Safety Authority publicou, em 2010, va- lores de referência para a ingestão total de água e estes valores foram transformados em recomendações para a população portuguesa pelo Instituto de Hidratação e Saúde. Assim, as crianças de dois e três anos deveriam beber um litro de água por dia; dos quatro aos oito anos, 1,2 litros; dos nove aos 13 anos, 1,4 litros (raparigas) e 1,6 litros (rapazes). Por isso, que tal fazer uma pequena pausa para beber um copo de água, antes de continuar a ler este texto?

beber um copo de água, antes de continuar a ler este texto? L – Ler Com

L – Ler

Com tanto apelo tecnológico, a revista TIME

resolveu fazer uma lista de razões para voltar- mos a um hábito quase em vias de extinção. Sabia que um livro infantil expõe a criança a mais palavras do que um programa de televi- são? Ler ajuda a melhorar a memória, torna- -nos mais empáticos, pode ajudar a prevenir a doença de Alzheimer, favorece o relaxamento

e, como hábito noturno, ajuda a adormecer.

Para quem diz que tanto faz ler um livro ou um ebook, por incrível que pareça não é: mudar de página ajuda-nos a contextualizar aquilo que estamos a ler, o que pode proporcionar um me- lhor entendimento e uma maior compreensão do que lemos. E mesmo quando os seus filhos

aprendem a ler sozinhos, continue a ler-lhes histórias à noite. Ler é contagiante e só lhes vai fazer bem, aos dois, no presente e no futuro.

M – Meditar

“Mindfulness é uma técnica de meditação que nos ajuda a afastar todos os pensamentos que estão ao mesmo tempo na nossa mente e a concentrarmo-nos naquilo que estamos a fazer no momento presente”. Uma declaração de um monge budista? Nada disso. Quem o disse foi Catarina, uma criança de 11 anos, que frequen- tou este ano um curso de Mindfulness para jovens. Nos últimos tempos, foram publicados mais de 3000 estudos científicos sobre o tema. Foi capa de revistas e jornais como a TIME, Huffington Post, Forbes, New York Times, The Economist. É um dos benefícios laborais da Google, do Facebook e até do Exército dos Es- tados Unidos. É praticado em hospitais, prisões e escolas de liderança. O Mindfulness é uma ferramenta poderosa para reduzir a ansiedade,

Namorar dá saúde. Pais bem amados têm melhor autoestima e uma dose extra de energia e determinação

aumentar o foco, incrementar a autoconsciência

e o autoconhecimento, promovendo relações

pessoais mais gratificantes. É um caminho para

o bem estar, com a noção de que as respostas

estão no nosso interior. Se confiarmos nas pa- lavras de Dalai Lama – “Se for ensinada medi-

tação às crianças de oito anos, iremos eliminar

a violência do mundo numa geração” – vale a

pena o desafio e experimentar em família, já em 2016.

N – Namorar

Este não é um verbo a aplicar já pela grande maioria dos filhos dos leitores da Pais&filhos,

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N – Namorar Este não é um verbo a aplicar já pela grande maioria dos filhos

tema de capa Viver melhor

mas é certamente um conselho imediato para os pais. Como costuma afirmar o psicólogo Eduardo Sá, “pais mal-amados, por melhores pessoas que sejam, são sempre piores pais”, por isso marque como prioridade, para o novo ano, namorar mais! A própria OMS já considera a sexualidade saudável como um dos quatro prin- cipais indicadores de qualidade de vida de uma população. Na dimensão de sexualidade estão envolvidos o afeto, a comunicação, o carinho e o erotismo. “A pessoa sexualmente realizada tem mais autoestima, o que se reflete numa dose extra de energia e determinação. Por isso, dizemos que namorar dá saúde”, diz a socióloga Silvana Barolo no seu livro “Namoro é saúde”.

Silvana Barolo no seu livro “Namoro é saúde”. “Porquê?” Manter o gosto de questionar leva a

“Porquê?” Manter o gosto de questionar leva a melhor pensar, melhor aprender e viver

P – Perguntar

Como sinónimo de questionar o mundo, as ideias feitas e tudo aquilo que nos apresentam. O hábito infantil de estar sempre a perguntar “porquê” é algo que se deveria manter a vida toda. Só questionando, se avança, se pode pen- sar em todos os lados das questões, se pode (como agora se gosta de dizer) “pensar fora da caixa”. Com esse intuito, em algumas es- colas portuguesas, os mais pequenos tomam contacto com a Filosofia para Crianças, que se baseia neste conceito de aprender a fazer perguntas, para melhor pensar, logo para me- lhor aprender e viver. Já há muitos livros que os pais podem comprar para treinar com os seus

filhos. “Brincar a Pensar?” de Dina Mendonça e a coleção “Filosofia para Crianças” de Oscar Brenifier são as nossas sugestões.

R – Rir

Rir é o melhor remédio. Não ouviu já dizer tan- tas vezes? Pois bem, está estudado que dez a 15 minutos de riso queimam cerca de 50 ca- lorias. Rir relaxa o corpo, estimula o sistema imunitário, protege o coração, diminui a dor, alivia a ansiedade e o medo, além de fortificar as relações, promover a união do grupo e con- tribuir para que os outros se sintam atraídos por nós. O riso tornou-se tema de investigação e intervenção na área do bem-estar, numa lógica individual, conjugal, familiar e até das relações de equipa e organizacionais. Em 2016, porque não experimentar em família uma sessão de Yoga do Riso? Uma boa gargalhada nunca é demais.

S – Sonhar

Por vezes é difícil manter a capacidade de sonhar, mas devia ser obrigatória. São os sonhos que transformam os nossos dias em uma grande aventura. E não são os mais pe- quenos os maiores especialistas nesta arte de muito sonhar? Para eles é perfeitamente possível virem a ser astronautas, presidentes da república ou mesmo acabar com todas as guerras no mundo. Inspire-se neles e sonhem em conjunto, umas vezes mais com os pés na terra, outras sem limites. Façam uma lista de sonhos a realizar, neste novo ano. Pode ser que se realizem mesmo alguns projetos desejados por todos.

Z – Zarpar

Terminamos mesmo com o Z, mostrando que todas as letras, mesmo as mais improváveis, têm bons verbos para conjugar numa vida mais plena e feliz. Zarpar significa levantar âncora, partir, sair. E viajar não é das melhores experiências que podemos ter? Psicólogos da Cornell University, em Nova Iorque, concluíram, nos seus estudos, que os bens materiais não fornecem tanta felicidade duradoura como as experiências de vida. Quer ser mais feliz? Es- queça o último modelo de telemóvel, aproveite as promoções de janeiro, planeie um fim-de- -semana fora e… bom ano novo!

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gravidez & parto Primeiro trimestre

[texto] Ana Sofia Rodrigues [ fotografia] Fotolia

fase de

ouro

A gravidez é uma das experiências mais emocionantes da sua vida. Saiba o que acontece no seu corpo, o que passa pela sua cabeça e como o bebé está a evoluir nos tão importantes primeiros meses da gestação.

O teste deu positivo. Aquela risca

não engana! Tem a confirma-

ção que está grávida e nem sabe

o que pensar. O turbilhão de

emoções começa. “A aceitação

da gravidez é um dos aspetos psicológicos fun-

damentais do primeiro trimestre da gravidez.

É comum a grávida e o casal sentirem-se ambi-

valentes, confusos e receosos com a gravidez, mesmo quando é desejada e planeada. Nesta fase, surgem geralmente sentimentos contra-

ditórios e o casal pode ser sobressaltado por inúmeras preocupações, dúvidas e receios. Es- tarei mesmo grávida?, Será mesmo o melhor momento para ter um filho?, Seremos capazes de ser bons pais?… estes medos e ansiedades são naturais e universais, e desempenham a importante função de preparar o casal para

a parentalidade”, resume a psicóloga clínica Cláudia Madeira Pereira.

À espera do sim oficial Após a confirmação, nada melhor do que mar- car consulta com o seu obstetra. Idealmente,

já teria feito com ele uma consulta pré-conce- cional, mas muitas vezes isso não acontece. E, por vezes, até precisa de escolher agora um novo médico. “Procure alguém de quem tenha referências. Terá de ser alguém em quem confie plenamente, a quem poderá colocar as suas dúvidas, mesmo as que considera íntimas ou idiotas; e procure que seja alguém disponível, com quem poderá entrar em contacto em caso

de urgência”, aconselha a ginecologista e obste- tra Marcela Forjaz, no seu livro “O Grande Livro da Grávida”. Até à data da consulta, parece ter que esperar uma eternidade. É um compasso de espera algo ingrato, pois não sente o bebé, não vê a barriga a crescer e não há nada que lhe garanta que está tudo a correr bem. “Habitualmente, as grávidas já anteriormente minhas pacientes vão à consulta pela primeira vez às seis semanas desde o primeiro dia da última menstruação. Nessa altura, costuma- mos confirmar por ecografia que a gravidez está ‘in útero’, é única, isto é, não são gémeos

e se o forem que tipo de gémeos são, medimos

a placa embrionária e verificamos os batimen-

tos cardíacos, visíveis a partir desta altura por sonda vaginal.”, descreve a ginecologista e obstetra

tos cardíacos, visíveis a partir desta altura

por sonda vaginal.”, descreve a ginecologista

e obstetra Maria Augusta Rebordão. As grávi-

das passam, geralmente, a consulta ansiosas

“até confirmarem que tudo está adequado ao momento da gravidez”. Aí, a tensão diminui

e Maria Augusta Rebordão partilha: “Enter-

nece-me ver as lágrimas dos pais ao ouvir ou ver os batimentos cardíacos do bebé”. O cora-

ção bate desde o vigésimo primeiro dia após a conceção, mas às seis semanas não tem ainda

a forma definitiva. A maior parte dos órgãos

está no seu estádio inicial e o bebé pesa cerca de 0,4 gramas.

Mudar ou melhorar A grávida sai da primeira consulta com uma

série de desafios. Dizer não ao tabaco e ao álcool

é prioritário. Depois, é imprescindível rever a

dieta alimentar. Uma regra essencial é fazer várias refeições. Ao fim do dia, não terá ingerido uma maior quantidade de alimentos do que

o habitual, mas terá feito um maior número

de pequenas refeições. Saudável será o adje-

tivo que deverá guiar as suas escolhas. Maria Augusta Rebordão deixa algumas sugestões:

“Devem tentar incluir sopa ao almoço e jantar, se possível alternar carne e peixe e escolher muitos legumes. Evitar doces, sumos, carnes

e peixes crus e carnes fumadas (podem comer fiambre desde que não seja fumado, podem comer enchidos desde que cozinhados). Em

casa, saladas bem lavadas e, quem gosta, pode comer caracóis, mas evitar os bivalves”. Fazer algum exercício físico moderado costuma tam- bém ser um dos conselhos para tornar os seus dias mais saudáveis. Fazer uma caminhada de 45 minutos, três vezes por semana, é uma boa opção, que lhe irá trazer vários benefícios, entre eles a redução do stresse.

Saudável será o adjetivo que deverá guiar todas as suas escolhas durante esta fase da gravidez tão importante

Caso ainda não tenha começado, deverá iniciar já a toma de ácido fólico, suplemento muito importante para a diminuição de malformações fetais do tubo neural. A suplementação com iodo vai ganhando cada vez mais adeptos e a própria Direção Geral de Saúde recomenda:

“um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio (150 a 200 µg/dia), durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo e a substituição do sal co- mum por sal iodado”. “Cada vez mais, há a ideia que esta é a ‘Fase de Ouro’, isto é, a fase em que devemos investir porque podemos fazer alguma coisa. Os suplementos, por exemplo, podem fazer toda a diferença em evitar certas doenças e o rastreio da restrição de crescimento

gravidez & parto Primeiro trimestre

intrauterino e pré-eclâmpsia precoce assume um papel muito importante”, defende Maria Augusta Rebordão.

papel muito importante”, defende Maria Augusta Rebordão. Maria Augusta Rebordão “Enternece-me sempre ver as

Maria Augusta

Rebordão

“Enternece-me sempre ver as lágrimas dos pais ao ouvir ou ver, pela primeira vez, os batimentos cardíacos do bebé”

Pequenas maleitas No entanto, por vezes, os planos de fazer uma alimentação saudável e permanecer ágil e em boa forma tornam-se difíceis de concretizar por algumas pequenas maleitas. Por volta das seis semanas, podem surgir os tão famosos enjoos, acompanhados ou não de vómitos, e uma sonolência e cansaço, que lhe retiram a iniciativa. “Se a esta sonolência natural juntar- mos o agravamento causado pelos fármacos para os vómitos, em determinados momen- tos do dia ficar acordada e produtiva revela- -se mesmo uma missão impossível”, descreve Marcela Forjaz. Maria Augusta Rebordão identifica outros mal estares habituais, nesta fase da gravidez: “Aumento da sensibilidade mamária; vontade mais frequente em urinar; inicialmente, na ‘luta’ do útero entre o que lhe pertence e o que está a mais, umas dores tipo menstruação para baralhar; e, quase no final

No primeiro trimestre, a grávida alterna momentos de alegria e aceitação com fases

de medo e angústia. É perfeitamente normal

com fases de medo e angústia. É perfeitamente normal Cláudia Madeira Pereira “É fundamental o diálogo

Cláudia Madeira

Pereira

“É fundamental o

diálogo no seio do casal, a partilha de sentimentos, dúvidas, medos e ansiedades,

o apoio mútuo e a

compreensão do companheiro em relação às oscilações de humor da grávida”

deste trimestre, com as hormonas a fazerem

com que o intestino mexa devagar, a grávida chega ao fim do dia com uma barriga enorme

E ficamos sensíveis, choronas, mas felizes. É estranho e lindo ao mesmo tempo!”

A psicóloga Cláudia Madeira Pereira chama a

atenção para o facto de ser muito comum esta ambivalência, caracterizada por sentimentos contraditórios. “A grávida pode ter momentos de aceitação, alegria e felicidade e outros de medo, angústia e rejeição. É comum surgirem dúvidas, medos e ansiedades. A grávida pode duvidar da sua capacidade para exercer a ma- ternidade, ter medo que alguma coisa não esteja bem com a sua gravidez, ter medo de abortar e

demonstrar preocupações e dúvidas relaciona- das com a sua capacidade de lidar com todas

as mudanças e transformações futuras que a gravidez irá comportar”. Durante esta fase, o apoio e a qualidade da relação com o compa- nheiro são muito importantes, nomeadamente para o bem-estar emocional da grávida e para

uma vivência psicológica saudável da gestação. “É fundamental o diálogo no seio do casal, a partilha de sentimentos, dúvidas, medos e ansiedades, o apoio mútuo, a compreensão do companheiro em relação às oscilações de humor da grávida, a sua disponibilidade para escutar as preocupações e inquietações da

companheira, a prestação da sua ajuda e do seu apoio emocional à grávida e a sua presença

e companhia nos exames e nas consultas. Tudo

isto irá contribuir para uma vivência psicoló- gica mais saudável da gravidez”, aconselha.

Aproveitar o momento

Após as primeiras análises, só no final do pri- meiro trimestre costuma ser pedida uma nova bateria, acompanhada pelo rastreio bioquí- mico. São momentos importantes, que ajudam

a grávida a ganhar confiança de que tudo está

a correr de acordo com o esperado. Entretanto,

dentro da sua barriga, mesmo não sentindo, passam-se transformações maravilhosas. Até às 12 semanas, o sistema circulatório do bebé está em pleno funcionamento, o coração

bombeia o sangue, o sistema digestivo já está completamente formado e funcional. A pele

é translúcida, mas os dedos das mãos e dos

pés já não estão ligados e as unhas começam

a desenvolver-se. Todos os ossos estão no seu

lugar e vão ficando cada vez mais resistentes. Os principais órgãos estão formados, preci- sando agora de amadurecer. O cérebro, ainda em desenvolvimento, já envia mensagens que passam entre a medula espinal e os músculos. Os olhos já se deslocaram dos lados da cabeça para a parte frontal e as pálpebras estão fe- chadas e coladas. Percebe agora porque está com tanto sono? Maria Augusta Rebordão finaliza com um con- selho sensato: “Goze o momento, não vai voltar atrás. Escreva um diário. Aproveite para rees- tabelecer metas na sua vida e na sua relação! Mas não esqueça nunca: a Natureza é sábia e, pelo menos até às 12 semanas, proteja-se emo- cionalmente e aprenda a esperar pela boa nova:

está tudo bem!” A primeira ecografia “oficial” costuma ser feita entre as 11 e as 13 semanas, revelando-se um marco, que sinaliza o final deste primeiro trimestre. A habitual confir- mação que está tudo a correr bem é um novo fôlego de alegria para o casal. E, agora sim. É hora de contar ao mundo: “Estou grávida!”

alegria para o casal. E, agora sim. É hora de contar ao mundo: “Estou grávida!” 22
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gravidez & parto Amamentação

[texto] Ana Sofia Rodrigues [ fotografias] Fotolia

Uma série de ideias feitas sobre

a amamentação assombram

a cabeça das grávidas. A maioria são mitos, mas acabam por fazer as mães desistir de uma experiência única.

Q uaissãoascondiçõesnecessárias,

à partida, para a mulher conse-

guir amamentar? A questão pa-

rece complexa, mas a resposta

não poderia ser mais simples.

“Duas mamas. Aliás, chega ter só uma, para se conseguir amamentar”. Graça Gonçalves, pediatra e consultora de lactação na clínica Amamentos, é perentória, mas também des- taca: “Ainda que saia pelas maminhas, o leite faz-se na cabeça. A amamentação tem uma componente psicológica muito grande”. Por isso, convém esclarecer todas as ideias (mal) feitas sobre o tema. Eis as principais.

Mamas pequenas demais

Se há questão em que o tamanho não interessa mesmo é esta. O tamanho apenas revela a quan- tidade de gordura armazenada e a produção de leite depende é do tecido glandular, que existe em quantidade suficiente, seja em peitos peque- nos, médios ou grandes. Elsa Paulino, pediatra e consultora de lactação na clínica Amamen- tos, acrescenta: “A produção de leite depende

com a própria sucção, consegue extraí-lo para fora. Se o bebé pegar bem na mama, quase que não precisa do mamilo para nada. O leite sai na mesma”. Graça Gonçalves concorda: “O bebé consegue mamar em qualquer mama! Ele adapta-se à mama da mãe. É preciso é que não lhe dificultem a vida. E nem pensar em usarem aqueles bicos de silicone! São um estorvo para um bebé pequenino e, dessa forma, não fazem estimulação da mama”.

Não consegui no primeiro filho…

Se não conseguir amamentar o seu primeiro bebé, não quer dizer que não conseguirá no segundo ou, até mesmo, só no terceiro. A ama- mentação é um trabalho conjunto mãe/bebé e não há dois filhos iguais. “Se houver querer (real vontade), informação (saber o que pode esperar e que dificuldades pode encontrar) e apoio (do pai

e família), terá todas as possibilidades de correr bem”, reforça Isabel Loureiro. Inclusivamente, em cada nova gravidez, o corpo da mulher aper- feiçoa a sua preparação e “trabalha” ainda mais em pleno. Em cada gravidez, a experiência parte

é verdade?

de outros fatores que não o tamanho da mama, nomeadamente do estímulo, do número de vezes que o bebé mama, da eficácia com que ele mama ou, por exemplo, da mãe pôr o bebé em horário livre à mama sempre que ele mostrar vontade”.

Mamilos planos ou invertidos? Impossível!

Não é verdade que uma mulher que tenha os mamilos planos ou invertidos não possa ama- mentar. Isabel Loureiro, coordenadora do apoio ao aleitamento materno da IBFAN Portugal (Rede Internacional Pró-alimentação Infantil), explica: “Para mamar, o bebé deve abocanhar grande parte da auréola, abrir bem a boca e trabalhar a língua e o maxilar todo e não pegar apenas no mamilo. Se a mãe tiver o mamilo verdadeiramente invertido, muitas vezes o bebé,

do zero, mas “há mulheres que têm uma primeira

experiência negativa tão marcante, que sentem

que falharam e que irão ter muitas dificuldades num segundo aleitamento”, reconhece Graça Gonçalves. Para esses casos, aconselha: “Essas mulheres devem logo procurar ajuda, mesmo ainda durante a gravidez. Perceber o que não correu bem e desconstruir a situação. Terá sido

a pega? Seria o bebé que tinha um freio curto? ”

O meu leite será suficiente?

A ideia de que a maioria das mulheres não

produz leite suficiente é absolutamente er- rada. Apenas em um por cento dos casos isso acontece. A maioria das mulheres produz leite em abundância, mas há uma série de fatores

que podem condicionar temporariamente essa

gravidez & parto Amamentação

Amamentar

não dói

Qualquer sinal de dor no nosso corpo indica que algo não está bem e a amamentação não é exceção

“A expectativa que o bebé mama sempre de três em três horas é a maior mentira que se tem contado

às mães nos últimos tempos”

produção. Aqui ficam alguns exemplos: uma

cesariana programada; não haver um início precoce do aleitamento na primeira hora após

o nascimento; oferecerem ao recém-nascido

biberão ou chupeta enquanto a amamentação não está bem estabelecida; o peito não ser esti-

mulado por uma pega adequada (forma como

o bebé abocanha a mama da mãe).

Leite fraco? O da minha mãe era…

Isabel Loureiro não tem dúvidas: “Não há leite

fraco! O leite materno é uma peça de roupa feita

à medida, que assenta perfeitamente ao nosso bebé. É uma comunicação tão perfeita que a todo o momento o corpo da mãe sabe o que produzir na próxima mamada”. E dá exemplos

surpreendentes: “Se o meu bebé está constipado,

o meu corpo sabe que na próxima mamada o

meu leite tem que lançar mais anticorpos ou, quando está muito calor, na próxima mamada

o leite tem mais água… De mamada para ma-

mada a composição varia. O leite materno é um alimento vivo, pois está sempre a adaptar-se àquele bebé”. E conta que um estudo recente mostrou que, se habituarmos cada gémeo a uma mama, a composição do leite de cada mama

torna-se diferente… E remata: “A natureza é mesmo sábia!”

Dar de mamar dói imenso

Dor e amamentação não são compatíveis! “Pode haver uma dor muito ligeira, um incómodo quando o bebé pega, correspondente à injeção do leite, mas que rapidamente desaparece e que

se vai atenuando”, esclarece Graça Gonçalves.

E reforça: “Não é normal doer e, muito menos,

fazer ferida. Algumas mães ouvem: ‘É até ca-

lejar!’. Que horror, não há nada para calejar!” Se há feridas, fissuras ou dores nos mamilos,

é sinal que há uma má pega ou uma condição

anatómica na boca ou no maxilar do bebé. Isa- bel Loureiro aconselha: “Qualquer sinal de dor no nosso corpo indica que algo não está bem

e a amamentação não é exceção. Pode haver

alguma questão fisiológica do bebé, pode ser

apenas uma adaptação do bebé à mama, pode ser a pele mais sensível da mãe. Mas é quase sempre algo ultrapassável com a ajuda de um bom técnico”.

Não vou poder comer nada!

Muitas mulheres acham que a amamentação limita muito a sua própria alimentação. “Passa tudo para o leite!”, costuma-se ouvir. Mas o único alimento ingerido pela mãe, que está compro- vado cientificamente causar efeito no bebé, são alimentos com lactose. Depois, caso a caso, pode haver bebés mais sensíveis a certas comidas… Isabel Loureiro é muito prática: “Durante as primeiras semanas, a mãe deve fazer a sua alimentação normal. O que comia durante a gravidez, continua a comer. Às mães indianas nunca ninguém lhes disse que não podiam co- mer picante, porque o bebé ia sofrer!” E explica:

“O leite é produzido a partir dos elementos que estão no nosso sangue. Quando dizem, ‘não co- mas grão nem feijão pois produz gazes. Sim, produz gazes, mas em nós. O gás não passa pelo

sangue para o leite!” E não vale a pena beber muito leite, pensando que assim produz mais leite… Esse é outro mito.

É muito cansativo

De acordo com as recomendações da OMS, o leite artificial deve ser preparado com água fer-

vida e arrefecida a 70º, ao que deve misturar logo

o pó muito bem medido e depois arrefecer para

dar ao bebé. “Fazer tudo isto às três da manhã?! Isso é que é cansativo!”, considera Isabel Lou- reiro. “O leite materno está sempre disponível, à

temperatura ideal, basta tirar o bebé do berço e pô-lo ao peito. Não há nada mais prático”. Além disso, a natureza cuida das mães que amamen- tam, pois uma das hormonas que se libertam na amamentação, a prolactina, é indutora de sono. Um sono rápido mas profundo e reparador. Elsa Paulino revela um estudo recente: “Mediram

o tempo que uma mãe que amamenta e uma

que não demoram até adormecer. Verificou-se

que, após amamentar, as mães entram em sono profundo mais rapidamente que as outras mães

e têm um sono mais retemperador”.

Torna-se um vício

“Vício é álcool, tabaco e drogas. A mama não é um vício!”, defende Isabel Loureiro e esclarece:

“A OMS recomenda que o bebé mame quando quer, mas em Portugal ainda temos muito a ditadura dos intervalos de três em três horas”. Elsa Paulino não podia estar mais de acordo

e alerta: “A expectativa que o bebé mama de

três em três horas é talvez a maior mentira que se tem contado às mães nos últimos tempos!

É um dos mitos que mais tem prejudicado a

amamentação”. Isso porque, quando os bebés começam a fazer intervalos menores, as mães pensam logo que o seu leite é fraco ou que não chega e desistem. “Ninguém lhes explica que os bebés têm um ritmo diferente conforme a fase do dia. De manhã, dormem muito e fazem intervalos maiores entre as mamadas. À medida que o dia caminha para o fim, principalmente entre as 21 horas e as duas/três da manhã, os bebés mamam, se calhar, tantas vezes como mamaram nas restantes 24 horas. E isso é típico das primeiras noites”. E depois surge o mito do “estão a acostumá-lo mal”. Isabel Loureiro de- fende: “Amamentá-los em livre demanda não é habituá-los mal. Estamos a satisfazer as suas necessidades. E é só nos primeiros tempos que são mais exigentes. Depois passa. E depois va- mos sentir saudades!”

Depois passa. E depois va- mos sentir saudades!” DENTRO DA NOSSA PELE A BIODERMA ENCONTRA INSPIRAÇÃO
DENTRO DA NOSSA PELE A BIODERMA ENCONTRA INSPIRAÇÃO PARA PROTEGER A PELE SENSÍVEL DOS BEBÉS
DENTRO DA
NOSSA PELE
A BIODERMA ENCONTRA
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BEBÉS E CRIANÇAS
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Muda da Fralda

Higiene e Cuidado que respeita o equilíbrio das peles mais frágeis

Higiene e Cuidado que respeita o equilíbrio das peles mais frágeis A SEGURANÇA DERMATOLÓGICA AO SERVIÇO

A SEGURANÇA DERMATOLÓGICA AO SERVIÇO DA PEDIATRIA

Higiene e Cuidado que respeita o equilíbrio das peles mais frágeis A SEGURANÇA DERMATOLÓGICA AO SERVIÇO

crónica A Sedução do SER

crónica A Sedução do SER Mário Cordeiro [pediatra] A no novo, vida nova”, diz o ditado.

Mário Cordeiro

[pediatra]

A no novo, vida nova”, diz o ditado. Mas outro ditado também nos diz: “De boas intenções

está o Inferno cheio

”,

e como a nossa vida está condicionada por múltiplos fatores

torna-se difícil mudá-la a cem por cento. Nem isso seria provavelmente necessário ou

desejável, já que temos muita coisa boa, certa e correta no nosso quotidiano. Mas…

porventura poderemos melhorar a nossa relação com as crianças, para que aprendam

a ser melhores pessoas e cidadãos e a parentalidade dê mais gozo e sentido de realização.

Aqui ficam, pois, algumas sugestões:

Estar mais tempo com os nossos filhos e melhorar a qualidade do tempo em que estamos com eles.

Se a nossa vida não nos deixa mais do que “cinco minutos” ao fim do dia para estarmos com filhos

e netos, vamos aproveitar esse tempo com rigor. As próprias atividades do dia-a-dia poderão ser

feitas com menos stresse e mais alegria, para melhor entender os aspetos subliminares das relações humanas. Ao fim-de-semana poderemos organizar melhor o tempo para atividades em conjunto, em vez de

estarmos especados em frente do televisor ou nas redes sociais, mas interagir, ensiná-los, comunicar com eles, contar-lhes histórias verdadeiras ou de ficção. Entre as atividades diárias, talvez reservar umas três horas por semana, para uma “aula de pais”. Apenas isso. Sair da escola e ter uma lição “de pais” três vezes por semana seria bom para todos. Conjugar o verbo estar no plural. Sermos mais cuidadosos com a saúde das crianças, no que diz respeito à alimentação, cumprindo

o esquema de vigilância da saúde e de vacinação e ter em atenção a saúde oral ou prevenir os

acidentes, entre outras coisas. Dar mais mimo e afeto, o que não significa ceder a chantagens ou utilizar o mimo como moeda de

Ano Novo

vida nova?

Estou firmemente convicto que poderemos, todos os dias deste

novo ano, adicionar mais uns graus de liberdade à nossa vida

e, consequentemente, à nossa qualidade de vida

troca. Que tal investir no ensino/aprendizagem e na educação, sem prescindir de regras e firmeza educativa mas educando com amor e justiça, e valorizando o que é positivo? Criar na família um ambiente de solidariedade mas respeitando a privacidade e a intimidade dos momentos e dos espaços de cada um, e respeitar mais o direito aos sentimentos e aos estados de espírito. E à sua verbalização, incluindo a tristeza. Investir no ambiente familiar, evitando que seja de discussão, de stresse, de incompreensão ou de guerrilha, emitindo menos juízos de valores. Dialogar um pouco mais com as outras pessoas que tomam conta dos nossos filhos, como os educadores e professores, profissionais de saúde, etc.

Sermos um pouco mais nós próprios, mais naturais, estarmos mais disponíveis e mais descontraídos, sem andar a querer provar, em todos os momentos, que somos perfeitos ou que nunca nos enganamos. A fraqueza não está nos erros, está em não se saber reconhecê-los. Relembrar o nosso passado e as histórias da nossa família e dos lugares a que pertencemos. Que

a memória de cada um traga à luz do dia os encantos do tempo que passou e permita que esses

episódios e a sabedoria que os acompanha sejam partilhados com os mais novos. Se melhorarmos estas pequeninas (grandes) coisas, o ano de 2016 vai ser certamente muito melhor do que os anteriores e a nossa função como pais mais eficaz e agradável. Seja qual for a evolução do mundo, o que está acima escrito depende só de nós. É uma vantagem, mas também uma grande responsabilidade. Boas Festas e um excelente 2016 para todos os Leitores.

uma grande responsabilidade. Boas Festas e um excelente 2016 para todos os Leitores. 28 Pais&filhos janeiro
Cold-Cream Elevada eficácia nutritiva, suavizante e protetora das agressões externas. Texturas cremosas, para máxima
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Elevada eficácia nutritiva, suavizante
e protetora das agressões externas.
Texturas cremosas, para máxima
hidratação e conforto.

Ninguém é mais precioso do que o seu bebé!

A delicadeza da sua pele, a ternura do seu sorriso, a inten- sidade das suas emoções e o seu olhar inocente, despertam em nós o instinto irresistível de protegê-los, de lhes proporcio- nar toda a suavidade e ternura possíveis. Foi a pensar nesta necessidade diária de prote- ção, segurança e conforto, que os Laboratórios BIODERMA , estenderam à pediatria o seu conhecimento dermatológico, desenvolvendo a gama ABCDerm – fórmulas rigorosas, de ele- vada segurança e eficácia, que

satisfazem as exigências da pele delicada dos mais pequenos. A pele dos bebés é muito sensível e mais vulnerável às agressões externas, tais como: alterações climáticas (frio, vento), ambien- tes superaquecidos, exposição solar, ar condicionado, produtos de higiene inadequados (que removem os lípidos naturais da pele). O seu filme hidrolipídico é fino e incapaz de cumprir ple- namente a própria função de barreira protetora. É portanto, de primordial importância, acal- mar a pele seca das crianças e

protegê-las das agressões, utilizando produtos de cuidado nutritivos e protetores e produ- tos de higiene não deslipidantes.

das agressões, utilizando produtos de cuidado nutritivos e protetores e produ- tos de higiene não deslipidantes.
das agressões, utilizando produtos de cuidado nutritivos e protetores e produ- tos de higiene não deslipidantes.

bebés Inteligência

[texto] Sofia Castelão [ fotografia] Fotolia

bebés Inteligência [texto] Sofia Castelão [ fotografia] Fotolia 30 Pais&filhos janeiro 2016

QIde fraldas

O bebé adquire conhecimentos desde que está na barriga da mãe. E até aos dois anos dá-se o grande desenvolvimento das suas capacidades intelectuais.

S entado no sofá, a tentar completar as palavras cruzadas do jornal, o avô contou as letras que lhe faltavam para preencher a linha: “Ora, um, dois, três…”. Às voltas com os legos e as

plasticinas, aparentemente alheada de tudo o

resto, a Raquel, a três meses de completar dois anos, continuou: “Quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez. Já está!”. E abriu um sorriso escanca- rado, como que a celebrar a façanha. José António, 65 anos e antigo enfermeiro, não queria acreditar. “Primeiro pensei que tinha ou- vido mal. Depois pensei que tinha sido uma vez sem exemplo. Mas, para tirar as teimas, chamei

a minha mulher e voltei a dizer “um, dois três…”. E, mais uma vez, a neta chegou à dezena. “Tele-

fonei à minha filha e reclamei. ‘Então a miúda já conta até dez e não me dizias nada!?’ Ela ainda ficou mais espantada do que nós! Está bem que, desde que entrou para a escolinha que temos vindo a notar uma grande evolução, mas nunca esperámos isto tão cedo”, confessa, sem disfarçar

o orgulho.

Desde que o bebé nasce, todas as conquistas são celebradas. Do primeiro olhar com inten- ção ao primeiro sorriso, da primeira palavra aos

primeiros passos, todos os patamares de desen- volvimento motivam aplausos, troca de palavras orgulhosas e até a muito humana tentação de achar que as crianças lá de casa são dotadas de aptidões acima da média. Mas até que ponto as capacidades têm uma base inata e até que ponto são resultado das chamadas experiências ambientais e de socialização?

das chamadas experiências ambientais e de socialização? Sónia Frota “Numa primeira fase, as crianças têm

Sónia Frota

“Numa primeira fase, as crianças têm capacidade para captar muita informação. Sabemos que os bebés distinguem idiomas, sotaques e entoações diferentes e até sabem se estão a ouvir palavras reais ou apenas ‘linguajar’”

bebés Inteligência

Inteligência

Inata ou resultado do ambiente?

Estímulos

Sem eles, não há inteligência que resista

Estímulos Sem eles, não há inteligência que resista Os três tipos de inteligência Desde o final
Estímulos Sem eles, não há inteligência que resista Os três tipos de inteligência Desde o final

Os três tipos de inteligência

Desde o final dos anos 30 do século passado, o Departamento

de Desenvolvimento Infantil e Familiar da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, tem vindo a realizar estudos de larga escala sobre a evolução das estruturas intelectuais na infância. Recentemente,

a instituição lançou um

programa denominado “Better Brains for Babies”, no qual identifica três “janelas de oportunidade” em que os diversos estímulos são melhor recebidos e interiorizados. Mais do que uma só inteligência, os cientistas falam em três tipos de inteligência que se manifestam em diferentes etapas cronológicas. Inteligência Emocional (do nascimento aos 18 meses)

Este tipo de inteligência envolve

a compreensão da existência

dos outros e da necessidade de os levar em linha de conta.

Manifesta-se em emoções como empatia, felicidade, esperança ou tristeza e, de acordo com os investigadores norte-americanos, embora se continue a desenvolver até à adolescência, é essencialmente definida pelas experiências e estímulos emocionais que a criança recebe até ao ano e meio.

Inteligência Oral (do nascimento aos dez anos) Os bebés nascem com a capacidade de aprender qualquer idioma. Quanto mais forem expostos à comunicação oral, mais depressa e mais solidamente adquirem esses conhecimentos. Para além

disso, na primeira década, as crianças interiorizam as regras gramaticais, sintáticas e de construção de frases de um modo automático, ao contrário dos adolescentes e adultos expostos a uma nova língua.

Inteligência Lógica (dos 12 meses aos 5 anos) As capacidades de resolução de problemas matemáticos e lógicos está diretamente relacionada com os sentidos de visão, audição e tato.

Curiosamente, os investigadores da Universidade da Georgia chegaram à conclusão que as capacidades musicais podem ser desenvolvidas em paralelo, através de estímulos sensoriais idênticos, que se centrem no sentido de espaço físico e, posteriormente, raciocínio que vá do físico ao não-físico, ou seja, ao abstrato.

“É impossível responder a essa pergunta. Apetece dizer que se trata de uma situação como a do ovo e a da galinha. O que surge primeiro? Não se sabe. O que sabemos é que o potencial cognitivo sem estímulos não vai longe, mas que é necessário uma base cognitiva para se obterem resultados da estimulação. Se tivesse mesmo de dar uma resposta, diria que são dois lados, inseparáveis, da mesma moeda”. As palavras são do neuropediatra Luís Mário Borges, com uma carreira dedicada à intervenção em casos de perturbações cognitivas e comportamentais e também ao estudo do processo de aquisição precoce de capacidades. O processo de receção de estímulos sensoriais começa mesmo antes do parto. Dentro da barriga, o bebé consegue ouvir, reagir a mudanças na luminosidade ou no tom de voz, tatear e, dizem estudos recentes, até percecionar o estado de espírito não só da mãe como também das pessoas que a rodeiam. Ou seja, nesse momento o recém-nascido está longe de ser uma tela em branco, à espera das primeiras experiências. No entanto, é no intervalo entre o nascimento e os dois anos que se dá o maior salto de desenvolvimento físico e cognitivo em toda a vida.

Equações de terceiro grau

Luís Mário Borges é avesso a apresentar uma definição estanque e definitiva de inteligência, neste caso a dos bebés até aos 24 meses. Em primeiro lugar porque “existe mais do que uma” (ver caixa) e em segundo porque o que, de forma corrente, passa por inteligência é o resultado de uma equação com inúmeras variantes, que é diferente para cada um de nós. “Existe, certamente, uma base biológica ou genética, que determina as estruturas neurológicas e cerebrais. Qualquer profissional de saúde sabe disso e usa me- todologias para as avaliar, especialmente nos casos

Muitas coisas podem acordar o seu bebé, mas uma fralda húmida não será uma delas.

o seu bebé, mas uma fralda húmida não será uma delas. Porque tem o primeiro dente

Porque tem o primeiro dente a nascer ou tem saudades suas. Há muitas razões pelas quais o seu bebé pode acordar de noite, mas com Dodot não será por culpa de uma fralda húmida. Só Dodot fica mais seca em menos tempo, proporcionando até 12 h de secura para uma noite de sono sem interrupções.

Mais seco mais rápido.

em menos tempo, proporcionando até 12 h de secura para uma noite de sono sem interrupções.

bebés inteligência

Falar, cantar, ler, brincar e dar colo

Os cuidadores principais desempenham um papel insubstituível. A boa notícia é que estimular o bebé é um prazer. “Interagir com os outros é a melhor maneira de aumentar as ligações cerebrais, chamadas sinapses, que estão relacionadas com o desenvolvimento cognitivo”, refere Luís Mário Borges. Por isso, é importante:

Falar = Em todas as ocasiões possíveis e desde que o bebé nasce. Por exemplo, ao colocá-lo na cadeirinha do carro “por que não dizer onde se vai, com que objetivo, quem se vai encontrar e tudo o mais que faça sentido? Mesmo que pareça o contrário, a criança regista e beneficia

dessa informação”. Cantar = Canções de embalar. Rimas.

Trava-línguas. O último êxito de kizomba ou um clássico do rock. Não importa o quê, o que interessa é que

a criança receba impressões musicais desde cedo, em especial na versão cantada. “As rimas e os diferentes ritmos ajudam-na, não só no aspeto da linguagem como nas capacidades

de elaboração abstrata, sem suporte físico”, confirma o neuropediatra. Ler = Numa primeira fase, não interessa muito o quê, desde que

o som da voz esteja presente. “As

mensagens incluídas nos materiais de leitura só começam a ser compreendidas mais tarde”. Por isso,

mesmo que esteja a ler a bula de um medicamento ou a lista das compras, “o bebé vai prestar atenção e ganhar ferramentas de linguagem”. Brincar = “É ótimo que o bebé tenha

brinquedos adaptados às diversas fases de desenvolvimento, mas toda a gente sabe que não são necessárias coisas muito sofisticadas para o interessar”, refere Luís Mário Borges. “Quem nunca viu uma criança pequena encantada a rasgar papéis ou a descobrir as caixas plásticas para guardar alimentos?”, acrescenta. Para

o especialista, “o melhor brinquedo de todos é a atenção do cuidador. Só ela potencia a aquisição de noções de volumetria, formatos e pesos”.

aquisição de noções de volumetria, formatos e pesos”. O meu é mais esperto do que o

O meu é mais esperto do que o teu

São de evitar as comparações de inteligência entre crianças

de evitar as comparações de inteligência entre crianças de crianças com sinais de perturbações ou com

de crianças com sinais de perturbações ou com um desenvolvimento atípico”, recorda o espe- cialista. Quando esse não é o caso, “diria que estamos perante um bebé de desenvolvimento típico quando ele adquire, de forma crescente, ferramentas para interagir com o mundo, apren- der com o que lhe acontece, replicar atitudes na procura de obter um determinado resultado e mostrar sinais de criatividade”. E será a inteligência “educável”? “Dito assim, parece-me muito perigoso”, diz, a sorrir, Luís Mário Borges. “Se há coisa que procuro com- bater e travar é a ânsia competitiva de algumas famílias. As capacidades dos bebés estimulam-se através da vida quotidiana, sem que seja neces-

sário qualquer ‘plano’ específico. É isso a que

chamamos de estímulos ambientais, mas mais que ambientais, eu diria estímulos naturais” (ver caixa). Dito de outra maneira, a vida de todos os dias, desde que seja rica em afeto, em palavras, em experiências e em diversidade é o terreno fértil necessário para que o bebé floresça.

É precisamente isso que a educadora de infância

Ana Margarida Cunha observa, todos os dias, em primeira mão. “Trabalho nesta área há mais de 15 anos e continuo a achar impressionante a forma como os bebés se desenvolvem desde que aqui chegam e até passarem para o grupo dos dois anos. É a noite e o dia!”. Na sala de que é res- ponsável convivem oito crianças, dos seis meses até completarem os dois anos. “São autênticas

‘esponjas’ a apreenderem tudo o que fazemos e

o engraçado é que os mais novos também são

‘esponjinhas’ do que veem os mais crescidos faze- rem. Para o bem e para os pequenos disparates”, conclui. Curiosamente, refere, “no diálogo que

temos com os pais, chegamos à conclusão de que há sempre coisas novas para falar. Ou é uma

‘gracinha’ que eles fazem aqui e que surpreende em casa, ou algo que acontece no fim-de-semana

e, na segunda-feira, até parece que ‘deram um

pulo’ e estão mais crescidos!”

Esquecimento essencial

Numa sala da Faculdade de Letras da Universi- dade de Lisboa encontra-se um ecrã onde vão passando imagens e sons simples, destinados

a captar a atenção de bebés. Estamos no “Baby

Lab Lisboa”, uma instituição criada em 2010 no âmbito do departamento de Linguística que tem por objetivo estudar o desenvolvimento das capacidades cognitivas das crianças até aos dois anos, neste caso aplicadas ao processo de aquisição da linguagem. Sónia Frota, linguista e coordenadora do “Baby Lab” não hesita em dizer que, no campo da inteligência, a linguagem é, provavelmente, “uma das ferramentas em que se consegue observar melhor a evolução dos bebés”. Primeiro, de uma forma “apenas rece- tiva” e, depois, de “uma forma crescentemente expressiva”. A equipa multidisciplinar do “Baby Lab” tem vindo a estudar não só crianças de desenvolvimento considerado típico, como também as que apresentam riscos acrescidos de perturbações de desenvolvimento e ainda as que já foram diagnosticadas. O trabalho já realizado permite não só perceber tudo o que está à volta da aquisição da linguagem de uma forma regular como também dá “ferramentas para deteção precoce de problemas, o que, como se sabe, é essencial para o sucesso das terapias de intervenção”. Estes investigadores não conhecem

a Raquel, mas o facto de a bebé, antes dos dois

anos, saber dizer os números até ao algarismo dez não os surpreenderia. “Numa primeira fase da aquisição da linguagem, as crianças têm capaci- dade para captar muita informação, mesmo que não a consigam aplicar ou replicar no contexto adequado. Sabemos que os bebés distinguem idiomas, sotaques e entoações diferentes e até

O afeto, palavras e experiências do dia-a-dia são o terreno ideal para o bebé florescer

sabem se estão a ouvir palavras reais ou apenas ‘linguajar’”, revela Sónia Frota. O que importa

é que os bebés tenham ferramentas para, ao

longo do tempo, irem esquecendo coisas. “É impossível reter tudo e nem sequer é desejável que isso aconteça. É fundamental que a criança tenha uma capacidade seletiva que lhe permita reter aquilo que é necessário nas várias etapas, abandonando o que já não lhe é útil e que, se permanecer, a impede de avançar”.

necessário nas várias etapas, abandonando o que já não lhe é útil e que, se permanecer,
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necessário nas várias etapas, abandonando o que já não lhe é útil e que, se permanecer,

crónica Diário de uma avó galinha

crónica Diário de uma avó galinha Isabel Stilwell [jornalista] A Madalena recusava-se a ir para a

Isabel Stilwell

[jornalista]

A Madalena recusava-se a ir para a cama, já a Carminho dormia ferrada. Pendurava-se

na perna do pai, que continuava a conversar com um amigo, nesta casa onde todos

estávamos a passar o fim de semana juntos. O pai não parecia dar por ela, e ela de

vez em quando lançava-me um relance fugido, visivelmente a preparar a reação, caso

eu me decidisse a intervir.

Tentei disfarçar e olhar para os troncos que ardiam na lareira: não era nada comigo, estava ali o pai, e não muito longe a mãe, o problema era deles. Peguei no jornal para distrair o nervoso

miudinho. É difícil alternar entre ter o comando da situação, e passar a segundo plano, e já me ouvia a mim mesma a, mais minuto, menos minuto, dizer qualquer coisa trágica como “Mana, venha lá que a avó a põe na cama”. A que se seguiria uma birra, a tensão estava no ar, que suspeito que remataria com um “Porque é que está a portar-se assim, quando com a avó vai sempre para a cama com tanto juízo?” Decididamente, havia todos os motivos para virar a minha atenção para o jornal, em lugar de agitar as águas. Foi o que fiz, quando comecei indiscretamente a ouvir, a voz suave do pai que, percebi, tinha pegado na Mana ao colo. O tom era suave, de embalo: “Queria fazer mais desenhos, agora? Os seus desenhos são tão bonitos. Sabe que o meu avô, que era seu bisavô, pintava tão, tão bem? A avó tem um quadro dele em casa, quando lá formos da próxima vez, mostro-lhe. Eu acho que o seu jeito para desenhar vem desse bisavô, acho que você um dia vai ser uma grande pintora como ele. Eu gosto de desenhar, mas não desenho tão bem, mas gosto de

desenhar elefantes. Não sei porque é que gosto de desenhar elefantes, mas gosto

continuava, cheia de detalhes, mágica. Não admira que quando é ele a deitá-las, nunca queiram

adormecer!

”, e a conversa

O rei dos elefantes

e a hora de ir para a cama

36 Pais&filhos janeiro 2016

Sentei-me outra vez a olhar para a lareira, o jornal atirado para um canto, as histórias do meu pai de que julgava já me ter

esquecido, os passeios pelo jardim de mão dada com ele

Aos poucos, a Madalena deixava-se encaminhar para o quarto, sem pressa, e quando parecia ter, finalmente, desaparecido, oiço uns passos descalços, e o regresso sozinha à sala. Na mesa onde estavam papéis e lápis, pegou numa caneta e começou a desenhar. Levantei-me e espreitei por cima do ombro e lá estava um elefante, a tromba comprida, as patas grossas e as unhas desenhadas. Fez um último rabisco e anunciou: “É uma coroa, é o rei dos elefantes”, e sem mais voltou de novo para o quarto. Pode dormir menos horas do que quando sou eu que a meto na cama, mas que posso eu contra o rei dos Elefantes!?!

Sentei-me outra vez a olhar para a lareira, o jornal atirado para um canto, as histórias do meu pai de que julgava já me ter esquecido, os passeios pelo jardim de mão dada com ele, enquanto

me explicava o nome das flores e das plantas

almofada à porta da sala, indignada por não me deixarem ficar levantada até mais tarde, e ele me levou ao colo para a cama, enquanto a minha mãe barafustava que era mais um dos meus teatros dramáticos (e era!), ou quando acreditou nos meus queixumes, e deixou que não fosse à escola e, bem feita, nesse dia a febre subiu e era papeira! Que saudades que tenho do meu pai que sorte, que sorte, que as minhas netas têm em ter o pai que têm.

e

E aquela vez em que me deitei com uma

do meu pai que sorte, que sorte, que as minhas netas têm em ter o pai

Crianças Animais de estimação

[texto] Paulo Oom, pediatra

posso ter um

cão?

Animais de estimação fazem parte da vida de muitas crianças. Algumas vezes por imposição dos pais, noutras por pedido da criança. Ter um cão ou gato em casa pode ter algumas vantagens mas também alguns inconvenientes.

U m animal é sempre uma com- panhia. E pode ser aprovei- tada pelos pais na educação da criança se esta for, desde o início, envolvida nos afazeres e

nos cuidados que qualquer animal envolve. Isto

significa ajudar a alimentar, ajudar na higiene

e acompanhar os pais quando é necessária

uma visita ao veterinário para um exame ou para vacinas. Se a criança participar em to- das estas actividades é ajudada a desenvolver

sentimentos de autonomia, responsabilidade

e confiança.

Para além disso um animal pode ser sempre

um companheiro de brincadeiras e aventuras

e são muitas as crianças que vivem momen-

tos de grande felicidade junto do seu melhor amigo. Claro que nem todos os animais são iguais. Habitualmente um cão é mais amis- toso que um gato. E mesmo dentro dos cães nem todas as raças se comportam da mesma forma e algumas são naturalmente mais sim- páticas para as crianças. É um fator a ter em

conta antes da compra. Mas não há bela sem senão. No outro extremo está a criança que é alérgica ao pelo do cão ou do gato e que desenvolve crises de falta de ar sempre que está em contacto com estes animais. Também pode acontecer a criança ser alérgica à saliva do animal. Muitas vezes basta estar num lo- cal por onde os animais passaram, como por exemplo a criança que vai visitar os avós e nesta altura o cão é levado para o jardim. Esta atitude nada resolve pois qualquer animal vai deixando o seu pelo espalhado pela casa e a criança não é alérgica à presença do animal mas ao pelo deste. Estas alergias são frequentes e muitas vezes passam despercebidas, mas acabam por ser descobertas quando se consegue estabelecer uma relação entre a presença de pelos do ani- mal e as crises de sibilância da criança. Cerca de 10 por cento das pessoas (uma em cada dez) podem ser alérgicas a animais, e 20 a 30 por cento dos asmáticos têm alergia a animais. Os gatos são geralmente mais alergénicos do

que os cães. Apesar de certas raças de cães poderem ser mais ou menos alergénicas

que os cães. Apesar de certas raças de cães poderem ser mais ou menos alergénicas que

outras, não parece ser um aspeto muito im- portante. Mais importante que a raça poderá ser a quantidade de pelo, pois é habitualmente

a este que as crianças são alérgicas. Já pelo

contrário, outros animais de estimação como répteis, peixes ou anfíbios não são geralmente causas de alergias.

Contactos ocasionais Em casos de dúvida, o mais sensato é deixar que a criança contacte com cães ou gatos em casa de outras pessoas durante alguns meses antes de decidir trazer um desses animais para dentro de sua casa. Se após esses contactos ocasionais (em casa dos avós, dos tios ou de amigos) a criança nunca desenvolver sintomas de alergia, então a segurança será maior e a possibilidade de iniciar uma alergia já com o animal em casa será menor.

Por vezes os pais ficam presos entre a espada e

a parede. Isso pode acontecer quando a criança

É necessário os pais estarem atentos às alergias

ao pelo e à saliva dos animais. Uma em cada dez pessoas podem ser alérgicas

adora um animal de estimação e se vem a descobrir que é alérgica ao animal. Quando

isso acontece, a ideia de ter de encontrar outra casa para um animal de estimação é difícil de aceitar para os pais e principalmente para

a criança.

Em muitos casos a decisão é mesmo a saída do animal mas alguns pais decidem experi- mentar manter a convivência tomando cui-

dados extra como manter o animal fora de casa (no mínimo fora do quarto da criança)

e ter cuidados extra com a limpeza da casa.

Nestes casos a higiene do animal assume uma importância ainda maior pois um animal que tome banho com frequência tem menos ten- dência para provocar alergias, apesar de isso nem sempre funcionar.

Crianças Animais de estimação

No entanto, há também que ter o cuidado de não culpar o animal por qualquer sintoma de alergia que surja na criança. Habitualmente as manifestações de alergia ao animal são bastante óbvias e surgem sempre depois de

a criança estar a brincar com o cão ou o gato.

depois de a criança estar a brincar com o cão ou o gato. Paulo Oom “Ter

Paulo Oom

“Ter um animal em casa pode ser estimulante e ao mesmo tempo educativo para as crianças”

Limitar as divisões Algumas vezes as manifestações são menos evidentes e podem levantar dúvidas sobre o ou os verdadeiros culpados. Caso apareça al- guma manifestação que possa indicar uma alergia, existem testes específicos (cutâneos ou análises ao sangue) para confirmar se essa alergia é mesmo provocada pelo novo animal de estimação. Se mesmo assim subsistem al- gumas dúvidas existe sempre a possibilidade de o animal sair de casa durante umas sema- nas, fazer uma limpeza a preceito de todas as divisões, e esperar para ver se a criança melhora dos seus sintomas ou se estes deixam de aparecer. Só em casos provados de alergia as medidas mais drásticas devem ser tomadas.

De qualquer forma é sempre boa prática limitar

o número de divisões que o animal frequenta.

É importante, no entanto, ter a noção de que

mesmo que um animal não frequente uma determinada divisão da casa, existem sempre correntes de ar e correntes de ar condicionado

É fundamental que os pais não deixem uma criança pequena brincar sozinha com o animal de estimação

ou ventoinhas que podem levar os pelos do animal de um lado para o outro. Em casas com ar condicionado, os filtros adequados podem ser muito eficazes na remoção de muitos aler- génios, incluindo os provenientes de animais. Estes filtros devem ser usados pelo menos qua- tro horas por dia. O uso de aspiradores com filtros HEPA (de High Efficiency Particulate Arresting) são também muito úteis quando se trata de limpar tapetes, sofás, cortinados ou mesmo paredes.

Regras e limites Muitos pais têm medo que o animal possa magoar a criança e, de facto, isso acontece ocasionalmente. Felizmente não é muito fre- quente. Quando o animal cresce sempre dentro

do mesmo ambiente aprende a comportar-se e

a respeitar algumas regras básicas. Claro que

animais com mais idade são habitualmente mais dóceis que animais mais jovens. Também algumas atitudes podem ter influên- cia no comportamento dos animais. Por exem- plo, animais que são muitas vezes deixados em espaços fechados e pequenos, ou presos com pouca liberdade, têm tendência a tornar-se mais agressivos quando se sentem mais livres. De qualquer forma é fundamental que os pais

não deixem uma criança pequena brincar sozi- nha com o animal de estimação pois ela pode não se aperceber quando está a ultrapassar os limites, o que pode levar o animal a morder, seja por estar muito excitado, seja porque a criança, sem se aperceber, o magoa ou sim- plesmente faz alguma coisa de que o animal não gosta, como retirar-lhe um brinquedo. É também muito importante que a criança saiba que não deve incomodar o animal quando este está a dormir ou a comer. Os pais devem também ensinar os filhos a lidar com situações inesperadas como a ficar parados se são abordados ou perseguidos por um cão desconhecido. A criança deve saber que não deve correr, montar na sua bicicleta, chutar uma bola, ou fazer quaisquer gestos ameaçadores. Pelo contrário, devem enfrentar

o cão com serenidade e recuar lentamente até que esteja fora do seu alcance.

Transmitem doenças?

Uma dúvida frequente dos pais diz respeito

à possibilidade de transmissão de doenças.

Atualmente os animais são vigiados com re- gularidade por veterinários e os seus donos são obrigados a manter em dia uma série de vacinas. Por esta razão, os animais domésti- cos não são habitualmente causa de outras doenças, nomeadamente responsáveis pela infeção da criança por parasitas intestinais.

Não faz muito sentido, por isso “desparasitar”

a criança com regularidade só porque existe em casa um cão ou um gato.

Em resumo, ter um animal em casa pode ser estimulante e ao mesmo tempo educativo para uma criança. A principal preocupação

é a possibilidade de alergias, que se podem

manifestar algum tempo após o contacto com os pelos ou a saliva do animal. Algumas me- didas simples podem ajudar a lidar com uma eventual alergia caso esta surja.

me- didas simples podem ajudar a lidar com uma eventual alergia caso esta surja. 40 Pais&filhos

comportamento Emoções

[texto] Teresa Martins [ fotografia] Fotolia

que

fúria

é esta?

A gestão emocional

é um processo

complexo e nem sempre fácil, mas

tal como ensinamos as crianças a atar os sapatos também podemos ajudá-las

a gerir as emoções.

P or vezes, quando Francisco, de seis anos, era contrariado com

ordens como “desliga a televisão

vem para a mesa” (repetidas até

e

à

exaustão), desatava aos ponta-

pés no sofá, cerrava os punhos e os dentes e enfurecia-se. O mesmo acontecia quando ia ao

supermercado com a mãe e ela lhe negava um brinquedo. A raiva crescia dentro dele e explodia de forma desmedida. Uma ou outra vez, chegou

a casa enfurecido depois de uma festa de ani-

versário porque queria um Lego igual ao que o amigo tinha recebido de presente. Apesar de, na maior parte do tempo, ser uma criança meiga, sociável e feliz, tinha uma dificuldade notória

Saber lidar com a frustração e a tristeza evita transformar estas emoções em agressividade e zangas desnecessárias

em lidar com as emoções negativas. Aprender

a gerir a raiva e a frustração foi um processo

demorado e nem sempre fácil, mas com a ajuda dos pais e da educadora, Francisco conseguiu e

hoje sabe lidar com as contrariedades de uma forma mais moderada e contida. Na verdade, a gestão emocional “não é fácil”, admite o pedopsiquiatra João Guerra. “É um processo contínuo, com avanços e recuos, com diversas variáveis, internas e externas, que o influenciam”. E que começa no berço: “O bebé não é um ser passivo, está equipado com um conjunto de mecanismos para estabelecer liga- ções com os seus cuidadores, que poderão ser mais ou menos atentos e contentores. Por outro lado, os bebés têm características individuais com uma base biológica ou genética, descritas como temperamento”, explica. Essas características “podem ser agrupadas de uma forma sucinta em nível de atividade, impulsividade, sociabilidade e emocionalidade, que diz respeito à expressão de emoções. Um

Desde cedo

Os bebés têm temperamento e isso revela-se na forma como se relacionam com os seus cuidadores

comportamento Emoções

Quatro passos para controlar emoções negativas

- Pais como modelos: as crianças

aprendem por observação, logo é importante que os pais resistam a fazer as suas próprias birras e evitem gritar. Ter um bom controlo das emoções é a melhor forma de

ensinar a criança a regular as suas.

- Aceitar as emoções, mesmo

quando são inconvenientes: sentir empatia é essencial para que a criança aceite mais facilmente o que sente e coopere com os pais. Colocar limites ao comportamento da criança não significa negar ou desvalorizar

os seus sentimentos.

- Resistir aos castigos: palmadas,

gritos e consequências são contraproducentes e apenas servem para a criança reprimir as suas emoções. É sempre preferível optar

por uma orientação positiva e ajudá-

-la a processar e a gerir o que sente.

- Transmitir segurança: é importante

que a criança se sinta segura com os pais para dizer tudo o que sente, mesmo quando estes lhe limitam o comportamento (“Podes dizer o que quiseres, mas não podes bater”).

(“Podes dizer o que quiseres, mas não podes bater”). O primeiro desafio dos pais é desenvolverem

O primeiro desafio dos pais é desenvolverem a sua própria literacia emocional

dos pais é desenvolverem a sua própria literacia emocional Boas e más É importante não ter
dos pais é desenvolverem a sua própria literacia emocional Boas e más É importante não ter

Boas e más

É importante não ter receio de falar de emoções negativas, nem de exprimir as positivas

temperamento difícil, por exemplo, com uma maior irritabilidade, com maior dificuldade na autorregulação do ritmo do sono e da ali- mentação, é acompanhado de uma maior difi- culdade em gerir as emoções.” E muitas vezes esta dificuldade “condiciona a relação com os cuidadores”. Este processo de autorregulação emocional começa, assim, a desenvolver-se “desde o nascimento e é essencial para a vida presente e futura”. Saber gerir emoções – positivas e negativas – traduz-se numa maior capacidade da criança “se adaptar ao longo da vida, de se desenvolver cognitivamente, de obter um sentimento de segurança, promover a confiança e a expressão de afeto, de desenvolver a sua capacidade de resiliência, e de um dia – quando adulta – tam- bém ser capaz de ajudar outras (suas) crianças nesse processo”, salienta João Guerra.

O desafio de ser modelo Apesar de ser um processo complexo, não só para as crianças como também para os adultos, os pais podem (e devem) ajudar. “Tal como ensi- namos os filhos a atar os atacadores e a comer sozinhos, também os ensinamos a identificar, regular e expressar emoções. É uma tarefa de

todos os dias, essencial para a construção equi- librada e saudável da personalidade”, sublinha

Rita Castanheira Alves, psicóloga clínica e au- tora da coleção de livros infantis “Emoções” (ver caixa). E esta tarefa passa por ajudar a criança

a “identificar e nomear emoções, expressar o

que sente, identificar o que faz os outros sentir

e ajudá-la a explorar formas de lidar com as

emoções”.

O primeiro desafio dos pais é “antes de tudo

desenvolverem a sua própria literacia emocio-

nal”. Só assim vão conseguir “ajudar a criança a contactar com as diversas emoções e a dar-lhes significado, sempre num exercício de respeito por características individuais, níveis de de- senvolvimento e formas de as viver”.

É preciso não esquecer que “as crianças apren-

dem muito por observação, pelo que a forma como o próprio adulto vivencia as emoções vai influenciar a gestão emocional da criança”,

sublinha a psicóloga. João Guerra reforça: “So- mos modelos! É mesmo importante que os pais compreendam as suas emoções, nas diferen- tes situações do dia-a-dia, na interação com os filhos, mas também, quando for o caso, na interação com o outro elemento do casal ou com a família alargada.” E ao radar da criança nada escapa, desde a “linguagem não-verbal,

à tonalidade emocional de cada momento”.

Birras inevitáveis

Na infância, explica Rita Castanheira Alves,

o nível de “imaturidade emocional, as carac-

terísticas de cada fase de desenvolvimento, o contexto da criança, o acesso e contacto com novas experiências e sensações e as caracte-

rísticas do próprio funcionamento neurológico podem dificultar” a gestão emocional.

É preciso, portanto, adequar discursos e com-

portamentos e respeitar o grau de maturidade de cada criança. E lembrar que há birras que são inevitáveis (e necessárias) para o seu de- senvolvimento. “Partimos habitualmente do pressuposto, ir- realista, de que é normal uma criança com- portar-se bem, obedecer, o que não é de todo verdade”, nota João Guerra. De facto, acrescenta Rita Castanheira Alves, há “birras normativas que irão e deverão existir”, no entanto, “uma boa gestão emocional e a competência a nível emocional, permitirá evitar birras constantes e

Emoções em coleção

A psicóloga Rita Castanheira Alves acaba

de lançar uma coleção de livros para ajudar os mais pequenos a lidar com as grandes emoções.

Como apresentaria a nova coleção “Emoções”?

É uma coleção de livros infantis ilustrados, para crianças a partir dos três anos em que, de forma lúdica, se pretende promover o desenvolvimento emocional desde a infância. Cada livro aborda uma emoção específica, através de uma pequena história na qual uma personagem, sempre criança, passa por uma situação/ acontecimento específico que a faz sentir determinada emoção, encarada sempre como uma transformação, apelando à fantasia e imaginação: a Maria transforma-se em Maria do Medo,

o Filipe Silva em Filipe Feliz e o Zé em Zé Zangado. A partir daí, são exploradas as sensações corporais associadas à emoção em questão, a identificação

associadas à emoção em questão, a identificação da emoção, pensamentos associados, a expressão da mesma e
associadas à emoção em questão, a identificação da emoção, pensamentos associados, a expressão da mesma e
associadas à emoção em questão, a identificação da emoção, pensamentos associados, a expressão da mesma e

da emoção, pensamentos associados,

a expressão da mesma e posterior

regulação emocional, sempre recorrendo

a uma linguagem simples, adequada à

idade, com pormenores bem-dispostos, surpreendentes e fantasiados. Embora com recurso à fantasia e imaginação,

os cenários criados e as personagens escolhidas são feitas de forma a promover

a identificação da criança com a história e seu protagonista.

Por que razão começou por estas três emoções?

Tratando-se de livros que são destinados

a crianças desde os três anos, o medo e

a zanga são emoções muito presentes e

frequentes nas fases de desenvolvimento destas idades. A felicidade surgiu pela vontade de alertar para a importância

de fomentar, desenvolver e aprofundar

emoções positivas, essenciais para um desenvolvimento saudável, saúde mental,

maior resiliência, crianças mais satisfeitas, com maior segurança e otimismo e futuros adultos mais capazes, mais corajosos, satisfeitos e logo, com maiores níveis de felicidade e sucesso.

Para criar o Filipe, a Maria e o Zé, baseou-se nas crianças que tem acompanhado como psicóloga? As personagens são construções com diversas fontes de inspiração: a minha infância, memórias, fantasias, histórias

reais e imaginadas e também do meu

contacto privilegiado com as crianças que acompanho, suas características e problemáticas.

Ana Sofia Rodrigues

suas características e problemáticas. Ana Sofia Rodrigues ciclos viciosos de má comunicação, castigos e desgaste de

ciclos viciosos de má comunicação, castigos e desgaste de todos os elementos, tanto das crian- ças como dos adultos”. Ou seja, é importante que a criança consiga desde cedo “substituir a queixa através de gritos e birras pela expressão emocional do que estão a sentir, e os adultos substituírem os berros, castigos ou palmadas por diálogo, identificação e expressão emocio- nal adequada, com resultados mais efetivos e mais duradouros”. O que nem sempre é fácil, admite o pedopsiquiatra: “Uma grande parte das famílias vive com uma enorme pressão, económica e social, e receio do futuro e isto coloca questões aos pais em termos da gestão das suas emoções, o que inevitavelmente se repercute nos seus filhos.”

Estou feliz Quando se fala em gestão emocional não se fala apenas de emoções negativas, como a raiva ou medo. Fala-se também de emoções positivas. Embora sejam os sentimentos nega- tivos e os comportamentos agressivos os que mais inquietam os pais (e os mais difíceis de

gerir), é essencial que a criança saiba também identificar, expressar e lidar com as emoções positivas. Porque só assim a sua balança fica

equilibrada e calibrada para a vida. Por isso,

a gestão das emoções deve ser um trabalho

diário e precoce, que passa por ajudar a criança

a identificar e a nomear o que está a sentir, a

valorizar o que sente e a ensiná-la a expressá-lo

da melhor forma. Esconder, ignorar ou desva-

lorizar emoções – boas ou más – é prejudicial

e pode resultar num bloqueio.

“Há que valorizar aquilo que está a ser sentido, contextualizando e desenvolvendo estratégias para lidar com isso”, sublinha Rita Castanheira Alves. Esta valorização promove um repertório emocional diversificado: “Não ter receio de falar de emoções negativas, nem de exprimir as posi- tivas”. E é isso que se pretende, porque a literacia emocional é o que “permite colorir as nossas experiências e atribuir-lhes um significado”, salienta a psicóloga. E só com um bom reper- tório emocional é possível evitar transformar tristeza em zanga, culpa em agressividade ou frustração em raiva.

evitar transformar tristeza em zanga, culpa em agressividade ou frustração em raiva. www.paisefilhos.pt 4 5
evitar transformar tristeza em zanga, culpa em agressividade ou frustração em raiva. www.paisefilhos.pt 4 5
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evitar transformar tristeza em zanga, culpa em agressividade ou frustração em raiva. www.paisefilhos.pt 4 5

* Autora do Blogue Cocó na Fralda.

crónica Quatro em Linha

O despertador toca às 6h50 e a vontade que dá é saltar-lhe em cima com os dois pés, espatifando-o para sempre. Não adianta. A culpa não é do mensageiro. O corpo está moído e pede clemência. Não dá para ceder. É preciso levar o cão à rua, despachar os filhos do meio, tentar não acordar o bebé. Cruzo-me com o filho mais velho no corredor e sorrio para dentro – há meses que já não é preciso

acordá-lo nem andar a chatear para que se mexa. Põe o seu próprio despertador e arranja-se

antes de todos os outros porque vai com os amigos a pé para a escola e entra todos os dias às 8h

e pouco.

O Ricardo acorda o Martim, dá-lhe o pequeno-almoço, eu ando atrás a certificar-me que ele se veste em tempo útil e que não se perde a ver os desenhos animados. Saem de casa um pouco antes das 8h, eu tomo o pequeno-almoço, acordo a Madalena, despacho-a, levo-a à escola com o cão enquanto a minha mãe fica com o Mateus que ainda dorme ou então já acordou (dependendo do nível de ruído que conseguimos ou não evitar), volto, passo pela mercearia, faço uma sopa, sento-me ao computador, levanto-me duzentas vezes para salvar o pequeno rastejante de se atirar pelas escadas abaixo ou para lhe pegar porque está a choramingar, ou para impedir que engula uma porcaria qualquer que apanhou pelo caminho. Visto-o, saímos até ao café, onde há sempre pessoas com crianças e avós pacientes com vontade de brincar e tomar conta. A minha mãe trabalha em casa e nem sempre pode ficar com ele. Levo o computador e ali fico, a trabalhar o mais que posso enquanto ele se diverte e há sempre alguém de olho. A seguir voltamos para casa, se é dia de treino equipo-me e esfalfo-me com o Ricardo e o mister, se não é dia de treino preparo o almoço. Às vezes somos cinco a almoçar, às vezes quatro, outras vezes só nós os dois e o Mateus. Saber isto de cor levou o seu tempo. Isso e as atividades. Há um dia em que um tem piano, outro dia em que há guitarra para dois, outro em

Sónia
Sónia

Morais Santos

[jornalista*]

2016: ano novo,

correria do costume

Há dias em que acordo tão cansada e não percebo porquê. Depois basta-me parar para pensar um bocadinho. Se não estivesse cansada era a super mulher. E desgraçadamente não sou.

que um tem ténis, dois dias em que outros dois têm ténis, um dia em que um tem explicação de Matemática. À tarde repete-se tudo, e começam todos a regressar ao ninho, com os banhos, as gritarias, o jantar, as histórias para adormecer. Há dias em que juro que não sei como é que tudo se fez. Como é que chegaram a horas, como

é que almoçaram e jantaram e tomaram banho e foram às atividades e tudo correu bem. Há

dias em que fico impressionada com esta máquina bem oleada em que nada falhou. Porque há dias em que falha alguma coisa e não me espanto. Para mim o milagre é mesmo conseguirmos cumprir tudo. E ainda termos tempo para nós, para rir, para fazer os trabalhos, para estudar, para brincar, para namorar. É de doidos? É. Mas não trocava esta correria de família numerosa por nadinha deste mundo. Janeiro chegou, um ano novinho em folha está aí, pronto a ser estreado, mas a vida tal como ela é segue e soma, na loucura do costume. Há dias em que acordo tão cansada e não percebo porquê. Depois basta-me parar para pensar um bocadinho. Se não estivesse cansada era a super mulher. E desgraçadamente não sou.

bocadinho. Se não estivesse cansada era a super mulher. E desgraçadamente não sou. 46 Pais&filhos janeiro

adolescentes Comportamento

[texto] Teresa Paula Marques, psicóloga [ fotografia] Fotolia

Dependentes da

tecnologia

João, 17 anos

“Muitas noites não dormi para ficar a

jogar ou a teclar com amigos no Facebook

e no WhatsApp. Até

que as minhas notas baixaram muito e a minha mãe descobriu o

que se passava. Cortou

a internet em casa e

proibiu-me de mexer no computador. Nos

primeiros dias senti que

ia enlouquecer. Não

sabia o que fazer. Ficava com a mão vazia, no ar, como se estivesse a jogar. Era uma espécie

de tique (

momento sinto-me melhor porque tenho

ajuda de um psiquiatra

e de uma psicóloga.

Pouco a pouco vou descobrindo outras maneiras de viver ”

).

Neste

A tendência para excessos começa

a preocupar os profissionais de saúde

mental. A que estar atento e como ajudar?

O uso de novas tecnologias tem aumentado de frequência e in-

tensidade. Ainda assim, até ao momento não existe consenso entre os investigadores, no que

respeita a considerar se estamos perante uma perturbação mental. Poderemos chamar-lhe vício? Uso patológico? Uso problemático? De- pendência? A comunidade cientifica é unâ-

nime ao afirmar que a primeira tarefa é chegar

a um acordo, tanto ao nível da designação,

como dos critérios de definição. O facto de

o Manual de Diagnóstico e Estatística das

Perturbações Mentais, na sua quinta e úl- tima edição, fazer referência apenas ao jogo online, faz com que os técnicos mantenham

alguma cautela e optem por falar em “uso problemático” ao invés de vício.

Critérios O termo “net adicction” foi avançado pela professora norte-americana de psicologia, Kimberly Young, em 1996, para designar a utilização excessiva de tecnologias. Esta e outros especialistas tentam estabelecer o padrão a partir do qual se pode considerar dependência. A média de uso semanal da- queles que preencheram os critérios para de- pendência foi de 38 horas semanais, cerca de quatro a 10 horas por dia, aumentando para 10 a 14 horas nos fins-de-semana. A maior parte das pessoas, mesmo que faça uso da

tecnologia durante demasiadas horas, ainda não o encara como um vício, uma vez que se

tecnologia durante demasiadas horas, ainda não o encara como um vício, uma vez que se trata de um comportamento muito aceite e integrado na nossa sociedade. Certo é que existem pessoas, sobretudo adolescentes, que não conseguem passar muito tempo longe da internet e, sobretudo, das redes sociais e esta situação acaba por ter impacto negativo em diversas áreas da vida. É fácil perceber que passar tantas horas online, não deixa muito tempo livre para outras atividades, seja fre- quentar aulas ou estar com os amigos. As implicações ultrapassam largamente a saúde mental, havendo também impacto ao nível da saúde física, como seja nos padrões de sono e de alimentação.

A dependência da internet e das redes sociais tem impactos em diversas áreas da vida

Num estudo recente levado a cabo por inves- tigadores do ISPA – Instituto Universitário, 13 por cento dos jovens inquiridos revelavam fazer uma utilização muito problemática da internet e 70 por cento situavam-se num ní- vel considerado de risco. Os investigadores afirmam que os rapazes são mais propensos a desenvolver este tipo de perturbação, uma vez que sendo mais ativos encontram nas tecnologias um meio de se manterem entre-

adolescentes Comportamento

Sinais de alerta

Os pais deverão manter-se atentos a alguns sinais e sintomas e, caso se verifique mais do que três itens desta lista, é importante procurar a ajuda de um psicólogo ou pedopsiquiatra:

1 - A criança/adolescente começa

a apresentar insónias;

2 - Quebra no rendimento escolar;

3 – Oscilações de humor sem motivo aparente;

4 – Isolamento social;

5 - Comportamento apático;

6 - A criança/jovem altera

rapidamente o que está a fazer no computador ou desliga-o quando um adulto se aproxima.

no computador ou desliga-o quando um adulto se aproxima. As novas gerações estão a dormir menos
no computador ou desliga-o quando um adulto se aproxima. As novas gerações estão a dormir menos

As novas gerações estão a dormir menos horas do que deviam. Um dos motivos: o efeito da luz azul dos aparelhos eletrónicos

tidos e, por conseguinte, mais calmos. Por seu turno, os pais acabam por aperceber-se da relação entre o estado de maior acalmia e a exposição à internet, por isso não fazem nada para o limitar, acabando por contribuir para o acentuar do problema.

Impacto negativo em diversas áreas O uso excessivo de tecnologias tem um im- pacto negativo ao nível dos padrões de sono. Estima-se que as novas gerações durmam cerca de duas horas a menos, quando compa-

radas com a década de 1960. Um dos motivos

é o efeito da luz azul (blue light), emitida de

forma quase impercetível pela maioria dos aparelhos, que ao chegar à retina dá ao cé-

rebro o sinal para interromper a produção de

melatonina, evitando o surgimento do sono.

Além disso, é ao fim do dia que os mais novos intensificam a utilização da internet, o que faz com que vão para a cama mais tarde. Os estudos mostram que nenhuma criança ou adolescente deveria ir para a cama depois das 22h, já que quem dorme após as 23h está mais exposto ao surgimento de dependência.

O facto de as tecnologias poderem viciar pren-

de-se com o mesmo fenómeno ocorrido em qualquer atividade que se pratica compulsi- vamente. Há uma reação bioquímica que leva

a que o corpo liberte dopamina, produzindo

uma sensação de prazer. Por fim, a geração digital está a adquirir o costume de ler nos tablets e smartphones, onde o padrão de aten- ção exigido para descodificar e absorver as informações virtualmente é mais disperso. Assim, o uso indiscriminado da tecnologia poderá futuramente conduzir a um acrés- cimo de crianças com diagnóstico de défice de atenção.

Outras perturbações associadas

Várias perturbações estão ligadas ao uso problemático da internet e das redes sociais.

A ansiedade FOMO – Fear Of Missing Out,

que se materializa na necessidade de estar permanentemente a consultar a rede social, com medo de não estar a par do que os amigos publicaram. Existe também a Nomofobia, que consiste no medo irracional e intenso de se ver privado do telemóvel. Recentemente os investigadores chamaram também a aten- ção para a “Depressão Facebook”, patologia que está ligada ao visionamento do mural dos outros e à constante comparação entre aquilo que veem (habitualmente imagens de felicidade e sucesso) e as suas vidas, bastante mais rotineiras e aborrecidas.

Papel dos pais Os pais têm um importante papel na preven- ção deste distúrbio. Dificuldades na imposição de regras e o facto de não estimularem nos mais novos as capacidades de autorregulação constituem aspetos fundamentais. Contudo,

muitos pais também usam de modo desre- grado as novas tecnologias ou, no extremo oposto,

muitos pais também usam de modo desre- grado as novas tecnologias ou, no extremo oposto, são infoexcluídos (não têm quaisquer

conhecimentos acerca da internet). Nos dois cenários, torna-se difícil colocarem em prática

a

regra OCLA – “Observar, Controlar, Limitar

e

Ajudar”, que resume o que se espera dos

educadores. Uma estreita observação dos hábitos dos seus filhos, um controle ativo das utilizações potencialmente perigosas, o

estabelecimento de limites e regras e procu- rar ajuda no caso de esta questão começar

a ter um impacto negativo no dia-a-dia de

uns ou outros. Finalmente, como dizem os especialistas da Comissão Europeia, a educação é a melhor ferramenta para se conseguir um uso sau- dável da Internet e das novas tecnologias. Longe da proibição e censura, apostar numa educação plena de valores, desenvolvendo as

habilidades para a vida e trabalho, a asser- tividade e autoestima dos adolescentes são

as melhores armas para um futuro longe de perturbações mentais.

A intervenção

O número de casos com necessidade de in-

tervenção vai tender a aumentar, quer pela

A educação é a melhor ferramenta para

se conseguir um uso saudável da internet

e das novas tecnologias

dificuldade que os jovens têm em admitir o problema, quer pelas características desta faixa etária, uma vez que há a constante ten- dência para testarem os limites. O internamento surge habitualmente num momento de crise, por exemplo, quando os pais decidem abruptamente retirar o compu- tador e o telemóvel, ou cortar-lhes o acesso á internet. A intervenção passa pelo acompa- nhamento psicológico, paralelamente ao uso de fármacos para controlar a ansiedade. Ao mesmo tempo é de extrema importância que seja feita uma intervenção junto dos pais, já que quando os jovens saem do hospital ten- dem a assumir o mesmo comportamento, uma vez que não conhecem outro estilo de vida. Cabe aos pais a tarefa de os ajudar a mudar de atitude, ao mesmo tempo que têm de lhes controlar o tempo de utilização das tecnologias.

de atitude, ao mesmo tempo que têm de lhes controlar o tempo de utilização das tecnologias.

bem-estar Feng Shui

[texto] K. Léa Viallet* [ fotografia] Fotolia

bem-estar Feng Shui [texto] K. Léa Viallet* [ fotografia] Fotolia 52 Pais&filhos janeiro 2016

o sítio

certo

O Feng Shui pode ajudar a proporcionar bem-estar, saúde e felicidade aos nossos filhos. Saiba como.

O s nossos queridos filhos… esperamos sempre o melhor para eles, gastamos muita energia para o seu sucesso e desenvolvimento e preocupa-

mo-nos com o seu bem-estar material, saúde e felicidade. Os meios de satisfazer todas estas ambições são variadas. Certos métodos, em-

bora menos convencionais, oferecem resulta- dos prováveis, senão mesmo surpreendentes. O Feng Shui é dos mais divulgados na Europa atualmente. Mas, como é que ele nos ajuda a promover o bem-estar dos nossos filhos e a facilitar a sua vida ? O Feng Shui, que definimos como a Acupuntura da Habitação, não se trata de uma medicina tradicional chinesa, mas sim de uma antiga Ciência Taoísta que tem por objetivo equilibrar os fluxos energéticos da nossa casa e adaptá-los às energias de cada habitante. Sem querer entrar em detalhes – o que seria muito longo, muito técnico e pouco legível

neste artigo –, é importante, todavia, enun- ciar os princípios fundamentais. Esta Ciência Taoísta milenar baseia-se na análise sobre o equilíbrio entre as polaridades Yin e Yang, mas também entre as interações energéticas dos cinco elementos (Água, Madeira, Fogo, Terra e Metal). Integra igualmente as energias espaciais (os oito setores cardinais), as ener- gias temporais (ligadas à data de construção da casa), assim como os dados energéticos de cada habitante. Trata-se portanto de um estudo completo e meticuloso do conjunto dos fatores energéticos que agem sobre nós. E isto, seja numa casa, numa empresa ou noutro local (como a escola onde os nossos filhos passam grande parte do seu tempo durante a semana). Dentro de casa, cada morador tem uma parte importante na análise Feng Shui. Contudo, os nossos filhos beneficiam de uma atenção particular. Com efeito, cada setor cardinal da sua habitação tem uma correspondência “sim- bólica” e representa um membro da família. Assim, o setor Este corresponde ao primeiro filho, o Sudeste à primeira filha, o Sul às filhas do meio, o Oeste à última filha, o Norte ao

bem-estar Feng Shui

Um desequílibrio energético impacta diretamente na criança, o que pode provocar mau estar, irritabilidade, timidez, angústias

ou problemas de sono

irritabilidade, timidez, angústias ou problemas de sono Quais as influências energéticas do ano 2016? Os filhos
irritabilidade, timidez, angústias ou problemas de sono Quais as influências energéticas do ano 2016? Os filhos

Quais as influências energéticas do ano 2016?

Os filhos primogénitos e os do meio serão constantemente bafejados pelas energias deste novo ano (mas isto não impede

que os jovens e as raparigas da família beneficiem das mesmas belas influências).

O ano 2016 caracteriza-se

pela produtividade, o humor,

a abertura aos outros e a

popularidade. Isso permitirá aos nossos queridos meninos dar o melhor deles na aprendizagem escolar e académica e na prática dos lazeres. E isso, em particular, em matérias como matemática, física, história,

geografia e geologia, áreas em que lhes será mais fácil obter bons resultados escolares e recompensas, permitindo ainda ter o reconhecimento dos outros. No plano das relações, o ano 2016 é muito propício ao

desenvolvimento de novas amizades ou ao reforço das relações já existentes.

Por outro lado, se o seu filho dá mais importância à sua aparência, não se surpreenda. Porque o ano novo é também

o ano da beleza.

No entanto, atenção à excitação

e às zangas. As influências

energéticas do ano 2016 estão ligadas aos dois elementos Fogo

Yang e Metal Yang: uma forma de stresse e pequenas brigas podem aparecer depressa. Aconselha-se

a encorajar a criança a praticar

uma atividade de artes marciais que lhe permita canalizar as suas próprias energias de um modo mais saudável. Felizes Festas de fim de ano e votos de um bom ano 2016.

filho do meio e o Nordeste ao último filho. E quanto aos dois outros setores restantes, o Sudoeste corresponde a mãe e o Noroeste ao pai. Assim, de uma maneira inconsciente ou imper- cetível, cada filho vai buscar os seus recursos energéticos aos setores que lhe corresponde. De outra forma, um desequílibrio energético num desses setores impacta diretamente na criança ao qual está ligado, o que pode provocar mau estar, irritabilidade, timidez, angústias, problemas de sono… Resumindo, uma quantidade de riscos e dissabores que não desejamos aos nossos filhos. Por isso é importante que cada um desses setores seja limpo, organizado e bem agen- dado em função da meta que pretende e do equílibrio energético sugerido numa análise efetuada por um especialista.

Como harmonizar a energia no quarto?

Independentemente desses laços energéticos da criança com o seu setor, existem outros fatores que influenciam o seu bem-estar. O mais importante deles é o seu quarto porque ele representa o seu Universo uma vez que é ali que passa a maior parte do tempo. Então, como harmonizar os fluxos energéti- cos e o ambiente do quarto? Para vos ajudar nesta ação, proponho-vos o primeiro nível de equilíbrio que é simples e transmissível. Relembro que numerosos fatores entram em linha de conta numa análise completa. Assim, compreenderá facilmente que não é possivel evocar cada situação. Todavia, esta primeira meta, que é incontornável, é já uma contribui- ção essencial para o bem-estar do seu filho.

Para começar, é preciso determinar os oito setores cardinais no quarto da criança, com

ajuda duma bússola. Agendando cada setor em função da sua energia, realiza-se o primeiro nível do equilíbrio energético.

Como fazer do quarto um pequeno oásis para o bem-estar?

l O setor Norte está ligado à energia da car- reira. Aí, deve instalar unicamente o seu es- critório (secretária) e afazeres escolares. l O Nordeste corresponde à energia da educa- ção e da sabedoria. Aí, instale a biblioteca ou estantes para os livros (sem ser livros escola- res). Pendure também postais dos sítios que ele visitou, um mapa do mundo, recordações

de viagens e de férias. l O Este está ligado à energia da saúde e
de viagens e de férias. l O Este está ligado à energia da saúde e

de viagens e de férias.

l O Este está ligado à energia da saúde e da família. Afixe na parede imagens e desenhos de frutas, legumes e árvores… porque eles simbolizam saúde. Afixe também fotografias felizes da família.

l O Sudeste corresponde à energia do cres- cimento e da prosperidade. Aí, deve colocar todos os objetos de grande valor para ele (os seus tesouros).

l O Sul está ligado à energia do reconheci- mento e da fama. Vai afixar os seus boletins escolares, diplomas e troféus.

l O Sudoeste corresponde à energia que fa- vorece as boas relações. Coloque aí fotos dos seus amigos e de todas as outras pessoas com quem o seu filho tem relações de afeto, bem como imagens que simbolizam a amizade.

l O Oeste está ligado à energia das crianças e das realizações. Aí, deve criar um espaço de jogos, bem como afixar fotografias do seu fiho, os seus desenhos e obras. Atenção, não colocar aí o seu escritório nem o material escolar porque este setor corresponde tam- bém ao divertimento. Isso pode provocar-lhe dificuldades de concentração quando faz os deveres escolares.

l Enfim, o setor Noroeste está ligado às ajudas exteriores. Coloque aí fotos ou imagens que simbolizem a ajuda e a cumplicidade.

E a cama?

Passamos lá muito tempo todos os dias, pelo que é importante que esteja localizada no se- tor onde as energias são benéficas. Portanto, trata-se de outro nível do equílibrio energé- tico que não podemos explicar neste artigo, porque precisamos da orientação da fachada

Evite as cores vivas no quarto das crianças.

É preferível escolher cores suaves ou pastel

da casa, da data de construção e da data de nascimento do seu filho. No Feng Shui não há um lugar nem uma orientação “mágica” ou por acaso. É por isso que cada coisa tem que estar no sítio certo consoante as energias que lhe são adaptadas. Para além das influências energéticas da sua casa, o seu filho, como todos os indivíduos, interage simultaneamente com as influências ligadas ao Espaço e ao Tempo.

As cores do quarto

Tal como para a localização da cama, as cores das paredes e do mobiliário que o Feng Shui pode sugerir dependem da data de nascimento da criança, da data de construção da casa, bem como da sua orientação. O que não impede de dar alguns conselhos de ordem geral. Para que o quarto guarde a função de um local de repouso, evite as cores vivas que são consi- deradas excessivamente Yang pois são muito dinâmicas para dormir. Por isso, é preferível utilizar cores suaves ou cores pastel. O ver- melho, por exemplo, é uma cor que favorece a excitação e ação, pelo que não é apropriada para um quarto. Contudo pode escolher um tom mais suave que se aproxime, como o rosa ou o roxo.

um tom mais suave que se aproxime, como o rosa ou o roxo. K. Léa Viallet
um tom mais suave que se aproxime, como o rosa ou o roxo. K. Léa Viallet

K. Léa Viallet

Especialista francesa em Feng Shui, aconselha muitas famílias em relação à forma como organizar a sua casa, segundo os princípios desta ciência milenar

*Especialista em Feng Shui e pesquisadora em Ciências Taoístas, autora do Calendario Feng Shui “Os meus dias da sorte 2016” (Chiado Editora); contactos: aspiration.fengshui@gmail.com

educação Escola

[texto] Renato Paiva, pedagogo [ fotografia] Fotolia

P ensar a escola, a sua envolvência e a sua constante melhoria e evo- lução é uma preocupação social de pais e profissionais. Dotar a escola de melhores pensadores,

de melhores executantes, de um sistema mais atual e competente é o desejo da comunidade para tornar a escola mais feliz e mais atraente para quem com ela convive. Numa entrevista recente, o psicólogo Eduardo

Sá referia que a escola devia fechar para balanço

e abrir com nova gerência. Porque só saindo da

escola e olhando para ela conseguimos ter uma visão mais ampla. Ouvindo críticas, aplaudindo virtudes, apontando caminhos. É este o objetivo

fechados para

balanço

Tudo quase igual

Continuamos com os mesmos pressupostos da era industrial

Alunos felizes

E não só. Também professores, auxiliares, vigilantes

desse mesmo “encerramento”. Proporcionar um momento de reflexão em torno de algumas das questões emergentes que a escola vivencia na atualidade. Imersos no mundo da escola, torna-se difícil ter uma perspetiva abrangente e saudável da

mesma. Necessitamos refrear rotinas, ouvir críticas, pensar sobre elas, refutar e debater pontos de vista para construir uma escola mais feliz. E é importante que não só os alunos se sintam felizes na escola. Todo o contexto

e seus intervenientes devem ter semelhante

sentimento. Com igual relevância, auxiliares,

professores, vigilantes.

A escola é um local de encontros. Encontros com

saberes, encontros com amizades, encontros com amores, encontros com diferenças, encon- tros com igualdades, encontros com realidades que nos preenchem, nos desafiam e nos levam

a satisfazer a curiosidade inata de quem, sendo curioso por natureza, quer saber. Nem sempre o que se quer saber é atendido

e compreendido. Nem sempre o que se quer

saber vai ao fundo do que se quer saber. Nem sempre na escola está o nosso foco de atenção

e motivação. Mas tendo uma escola a tempo

inteiro há que repensar a escola. Não que se torne a escola no interesse principal, mas sim, na perceção da mesma como um caminho de

auxílio nesse interesse que é, e sempre será, individual. Ainda continuamos com os mesmos pres- supostos que massificaram a escola na era industrial. Ainda se aplicam os mesmos prin-

É preciso “fechar” a escola, repensá-la e reabri-la com novas perspetivas. Para bem de todos.

cípios de avaliação, de percurso, do modo de ensinar demasiadamente expositivo agravado com um currículo cada vez mais longo. Ensi- na-se pela razão e cuida-se pouco da emoção. Em contextos rotulados que envolvem uma constante afronta à autoestima das crianças

e adolescentes onde se primazia demasiado o erro em detrimento do sucesso.

Espaço para a criatividade

Uma escola a tempo inteiro não deixa espaço para se desfrutar de ser criança, de viver a adolescência, de pensar e refletir acautelada- mente um percurso de vida cada vez menos linear. A perspetiva da escola de formar para um emprego estável e duradouro de uma vida

é cada vez mais excluída pela vontade de se ser

livre nas escolhas. De poder estar preparado para assumir diferentes desafios, de lidar com

Escola mais feliz O propósito da escola fechar para balanço pareceu, aos responsáveis da Clínica

Escola mais feliz

O propósito da escola fechar para balanço pareceu, aos responsáveis da Clínica da Educação, um excelente mote para organizar um encontro onde se pretende apresentar visões, ouvir perspetivas e práticas sustentadas que apresentem contributos e sugestões para uma escola mais feliz. “Escola fechada para balanço”, a realizar no dia 30 de janeiro em Palmela, vai contar com as presenças da psicóloga Cristina Valente, psicóloga da educação positiva, Ana Rodrigues da Faculdade

de Motricidade Humana e PIN, Carla Ferreira do projeto Crescer a Sentir, Ângela Lemos da Escola Superior de Educação de Setúbal, Rafael Almeida, diretor do Colégio Campo

de Flores, Renato Paiva, da Clínica da Educação, Teresa Matos do colégio do Vale e Eduardo Sá juntam-se num encontro onde todos são convidados

a participar. Os temas em debate

são: “Felicidade: caminhos dentro

e fora da escola”; “As emoções e a

aprendizagem de mãos dadas”; “Pré- -escolar: adultizamos a infância?”

e “Dificuldades na aprendizagem:

para além dos rótulos”. O formato mais aberto e menos expositivo típico das conferências abrirá espaço a que os participantes deste encontro interajam com os oradores, lhes coloquem questões, acrescentem pontos de vista e situações para análise.

Certamente não serão resolvidos os problemas da escola, mas a

escola abrirá posteriormente com perspetivas enriquecidas dos participantes do encontro.

com perspetivas enriquecidas dos participantes do encontro. diferentes desafios que envolvem um mundo em mudança. A

diferentes desafios que envolvem um mundo em mudança. A adaptabilidade será uma ca- racterística chave num futuro próximo. Numa sociedade futura mais imprevisível onde

a rotina deixará de ser o comum, a criatividade

terá lugar de destaque. Ken Robinson refere que

a escola mata a criatividade. Que entorpece o pensamento criativo e favorece uma postura

pouco crítica e com pouca liberdade de decisão

e descoberta.

Preparar para a vida implica muito mais que preparar para a profissão. A escola tem-se alheado dessa função de preparação social para os emergentes hábitos sociais. Contudo não só a escola tem a função dessa mesma

preparação. Importa por isso articular trabalho entre escolas, instituições, empresas, contex- tos, em que o saber em ação e os parceiros integrados na sociedade atribuem cada vez mais um sentido útil à escola. Urge minimizar a longa lengalenga do não sei porque estou a aprender isto! Como refere Eduardo Sá, a escola devia, de vez em quando, fechar para balanço e abrir com novas perspetivas. Mais atuais, mais encorajadoras, mais envolventes, mais sim- páticas para com a autoestima das crianças. Valorizar o potencial humano não é enchê-lo de informações, mas sim dotá-lo da capacidade excecional de usar as que tem.

é enchê-lo de informações, mas sim dotá-lo da capacidade excecional de usar as que tem. www.paisefilhos.pt

* Autor do blogue A Farmácia de Serviço (www.afarmaciadeservico.com) e editor executivo da Notícias Magazine, onde assina semanalmente as crónicas ‘Isto Não é o Que Parece’.

crónica Pai p’ra toda a obra

P or causa dos prazos de fecho de uma revista mensal, escrevo estas linhas no início

de dezembro. O mesmo dia em que levei para o jardim de infância o presépio que

as educadoras desafiaram as famílias a fazer e que a minha filha de três anos tão

orgulhosamente transportou com cuidado para não se desconjuntar. O desafio

era igual para toda a gente: fazer um presépio dentro de uma caixa de sapatos, que

a Hmmm O Paulo Farinha [jornalista*]
a
Hmmm
O
Paulo Farinha
[jornalista*]

depois seria colocada junto das outras, para formar uma grande árvore de natal. Os materiais

usar, o tamanho das figuras ou a quantidade de personagens ficaram ao critério de cada

uma. Parece divertido e uma boa atividade para pais e filhos? Sim. Revela iniciativa da equipa educativa, de forma a estimular o espírito da época e a partilha de tarefas? Sem dúvida. Implica que os pais puxem pela imaginação e tenham tempo disponível para fazer o trabalho de casa? Obviamente. Faz com que tenhamos momentos de harmonia, dignos de postal de Boas Festas,

com as mãos pequenas das nossas filhas a colocar a estrela final ou a escolher a cor do burro?

não. Tenham paciência, mas isso não.

No caso da creche e jardim de infância das minhas filhas, não temos grande razão de queixa.

que habitualmente pedem para fazermos em casa com as miúdas está dentro dos limites

do razoável e, sobretudo, deixa espaço para fazermos o que quisermos, dentro da nossa disponibilidade, rotinas, dinâmicas e pachorra para trabalhos manuais. Mas ouço com frequência lamentos de amigos e colegas sobre essa ideia de desenvolver em família atividades que impliquem juntar a imaginação ao jeitinho para a bricolage. Não só porque muita gente não tem nenhuma destas coisas em abundância, mas também porque, não raras vezes, os pedidos são tão frequentes ou ambiciosos, que não permitem grande margem de manobra para

Trabalhos manuais

com crianças? Menos

58 Pais&filhos janeiro 2016

Não é fácil explicar a uma criança que uma grande bola de plasticina multicolor com uma mola de roupa enfiada e uma mala da Barbie não representa bem a ideia de rei mago. A menos que Belchior fosse oriundo do planeta Kormak

os pais. Comparado com algumas tarefas que têm de levar a cabo, envolvendo o uso das mãos,

da cabeça e de tempo, as empreitadas a executar são, por vezes, mais complicadas do que cumprir o prazo de entrega de um relatório profissional.

E depois, claro, há que contar com o feitio das crianças e com a capacidade para a birra que elas

podem ter quando lhes tentamos explicar que uma grande bola de plasticina multicolor com uma mola de roupa enfiada e uma mala da Barbie não representa bem a ideia de rei mago, e que é capaz de não ficar bem no presépio, que já leva quatro horas de trabalho de uma tarde de feriado. A menos que Belchior fosse oriundo do planeta Kormak. Hoje, quando a educadora colocou o nosso presépio ao lado dos outros que já estavam entregues, vi um com figuras de papel recortadas e achei mais piada ao nosso. Depois vi um com luzes e pensei: “Raios, como é que não nos lembrámos disso?”. Ao voltar para o carro, trouxe os pés de volta à terra e lembrei-me da cara excitada da minha filha a entregar o resultado do nosso trabalho. E deixei-me de comparações. Mas quando dei à chave e arranquei, ocorreu-me que, em menos de nada, estaremos no Carnaval. O que significa que teremos de inventar um fato qualquer. Porque aquela gente vai lembrar-se de dizer que não pode ser comprado e tem de ser feito com material reciclado. Ou outra dificuldade qualquer. Ora bolas,

lá vamos nós outra vez

ser comprado e tem de ser feito com material reciclado. Ou outra dificuldade qualquer. Ora bolas,

mães como nós

[texto] Lara Alvarenga Silva [ fotografia] Marta Barreiro

Pequenas confidências “O tempo que tenho com o meu filho é sempre de qualidade e

Pequenas confidências “O tempo que tenho com o meu filho é sempre de qualidade e nunca faltam elogios das professoras e das pessoas que nos rodeiam acerca do seu desenvolvimento e do seu comportamento confiante. Com as dificuldades que tive e tenho, acabo por conseguir ser uma

dificuldades que tive e tenho, acabo por conseguir ser uma mulher de sorte, até porque o

mulher de sorte, até porque o meu filho é a

minha grande prioridade

e a minha grande paixão.”

é a minha grande prioridade e a minha grande paixão.” “Ser mãe sempre fez parte dos

“Ser mãe sempre fez parte dos meus planos e graças

a Deus fui abençoada pelo

milagre da vida. Tive um filho maravilhoso, que foi, sem dúvida, o maior presente que a vida me deu.”

Cuca

O filho trouxe-a à terra

há sete anos, mas permanece sonhadora,

espiritual, apaixonada

e lutadora.

Ser mãe era um plano de sempre? Cuca Roseta: Sempre sonhei ser mãe… Te- nho uma família grande e normalmente quem tem muitos irmãos não consegue imaginar uma família diferente para si.

Canta muito para o seu filho? CR: Hoje em dia não tanto, mas ele canta para mim. Adora cantar e canta muito bem, tem um ouvido extraordinário. Quando era bebé cantava todas as noites para ele até adormecer, inclusive compus uma música a embalá-lo que foi um dos sucessos do meu primeiro disco.

O que mudou em si depois de ser mãe?

CR: Sempre fui muito sonhadora, filosó- fica e espiritual. Ser mãe trouxe-me à terra, enraizou-me, deu-me o equilíbrio de que precisava para viver entre a terra e o céu, que era essencial para o meu bem estar.

Considera-se uma pessoa diferente? CR: Sempre fui diferente desde pequenina:

aérea, sonhadora, apaixonada, hipersensí- vel. Sempre acreditei que o mundo podia ser cor-de-rosa, mas nem sempre fui feliz ou compreendida. Mais tarde quando percebi que tinha nascido para ser fadista tudo pas- sou a fazer sentido. Todas as memórias do passado e todas as experiências ganharam solidez e passaram a fazer de mim uma

pessoa resolvida. Aprendi a aceitar-me e a amar-me como sou.

Como concilia a maternidade com a carreira? CR: Educar o meu filho sempre foi uma paixão. Sou uma mãe aparentemente menos presente que as outras, mas na verdade con-

Roseta

sigo ser muito mais presente que uma mãe que pode passar 24 horas com o seu filho.

O facto de ter estudado Psicologia aju- dou-a? CR: Ajudou-me muito. O comportamento

e o desenvolvimento sempre foram uma

paixão. E acho que foi essa paixão que in-

fluenciou a qualidade da relação que tenho com o meu filho e o seu desenvolvimento mesmo com a dificuldade que tenho para estar a 100 por cento com ele.

Foi difícil criar o seu filho sozinha? CR: Foi difícil, mas tive muita ajuda da avó paterna que é uma pessoa extraordinária

e que me deu um apoio incondicional. Há

momentos que fazem sentido serem parti-

lhados e a tristeza de não os poder partilhar

é sempre grande, mas isso torna-nos mais

fortes. Tudo na vida faz sentido, sejam as ex- periências mais felizes ou as mais dolorosas.

Porquê escrever tudo sobre o Lopo num livro?

CR: Foi a forma de poder partilhar com ele os seus momentos. A primeira ideia de fazer um livro foi contar-lhe como ele era, mês

a mês, desde o nascimento. Há momentos

que vivemos e que rapidamente esquecemos

porque eles crescem rápido. Aconselho as outras mães a fazerem isso.

Que pessoa gostaria que ele fosse? CR: Desejo acima de tudo que ele seja livre para escolher o seu caminho, que se descu- bra a si próprio e que tenha amor próprio com o máximo discernimento. Outros valores que considero importantes são ter confiança e atitude, ser lutador e perceber que muitas vezes perdemos na vida, mas o

erro e a perda faz-nos mais fortes e sábios.

A disciplina é um dos valores que considero

mais importantes, tal como a persistência

e a paciência.

dos valores que considero mais importantes, tal como a persistência e a paciência. 60 Pais &filhos

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saúde Vírus

[texto] Rosa Cordeiro [ fotografia] Fotolia

É gripe ou

constipação?

Estamos na altura dos espirros, tosses e narizes entupidos, mas quando nos ligam da escola para ir buscar o nosso filho porque está com febre, será que apanhou aquela gripe que anda por aí, ou é apenas uma constipação?

É verdade que os sintomas da gripe

deixam o paciente a sentir-se pior

do que os da constipação, mas, por-

que nem todas as crianças reagem

da mesma maneira, nem sempre

é fácil distinguir. Na dúvida, o melhor é que a

criança seja vista pelo médico, principalmente se existem condições crónicas prévias. Algumas

doenças bacterianas, como infeções da garganta ou pneumonia, também podem parecer-se com uma gripe ou constipação.

A primeira coisa a fazer é avaliar os sintomas. A

doença instalou-se subitamente ou foi progre-

dindo devagar? A criança tem febre alta ou não tem febre ou tem febre baixa? Sente-se muito cansada, ou apenas um pouco? Dói-lhe a cabeça, ou não? Tem dores musculares, ou nem por isso?

O seu apetite diminuiu, ou come normalmente?

Sente arrepios no corpo, ou não? Se as respos- tas forem positivas para a primeira parte destas perguntas, é provável que o seu filho esteja com

gripe. Se o “sim” for para a segunda parte das perguntas, trata-se, presumivelmente, de uma constipação. Aferidos os sintomas, convém estar atento à sua progressão, pois a resposta às perguntas anterio- res pode mudar à medida que a doença avança. Se a criança piorar, há que a levar ao médico.

Constipação comum Não é à toa que se lhe chama “comum”, uma vez que todos a temos de tempos a tempos, várias vezes por ano. Trata-se de uma infeção das vias respiratórias superiores, provocada por um vírus, e costuma ser ligeira. “A maioria das constipa- ções é causada por rinovírus que se encontram em gotículas invisíveis no ar que respiramos ou nas coisas em que tocamos”, explica a pediatra Lia Ana Silva. É, por isso, bastante contagiosa. Há mais de 100 rinovírus diferentes que se podem infiltrar no nariz e na garganta, provocando uma reação do sistema imunológico que causa os

Febre alta

Gripe

Sem febre ou febre baixa

Constipação

saúde Vírus

sintomas da constipação. Por isso, normalmente as crianças começam por sentir comichões na garganta, nariz ranhoso ou entupido e espirros. Eventualmente podem também ter tosse seca, febre baixa, dor de cabeça, mas tudo em doses ligeiras. Os ambientes secos podem reduzir a resistência aos vírus causadores das constipa- ções, bem como ambientes poluídos pelo fumo do tabaco, mas a pediatra assegura que, apesar

Os sintomas da gripe afetam mais do que as vias respiratórias superiores e são mais severos que os da constipação

superiores e são mais severos que os da constipação Dor de cabeça Muito comum nas gripes,

Dor de cabeça

Muito comum nas gripes, pouco frequente nas constipações

do que ouvíamos das nossas mães ou avós, “não vestir um casaco quando está frio lá fora ou sair para a rua com o cabelo molhado não provocam constipações”. As constipações são altamente contagiosas, dada a forma simples como o vírus se propaga, através do contacto com as secreções respiratórias da pessoa infetada: basta que a criança constipada tussa, espirre ou fale muito próxima de outra para que a contaminação aconteça. Outra forma de transmissão é o contacto direto com essas gotículas (através das mãos que tocam em su- perfícies infetadas e depois são levadas à boca ou ao nariz, por exemplo). “São contagiosas desde dois a três dias antes dos sintomas aparecerem, mas podem continuar a sê-lo até cerca de uma semana depois”, refere Lia Ana Silva. Os sintomas aparecem normalmente dois ou três dias depois da exposição ao vírus, e a maioria dura cerca de uma semana, embora algumas possam chegar às duas semanas.

Gripe A gripe é uma infeção aguda viral, altamente contagiosa. Os vírus que a provocam são dife- rentes dos da constipação – ainda que as for-

mas de contágio sejam idênticas –, pelo que

os sintomas são, geralmente, mais severos. Começam cerca de dois dias após o contágio

e podem incluir febre alta, arrepios no corpo, dor de cabeça, dores musculares, tonturas, perda de apetite, cansaço extremo, tosse, garganta dorida, nariz ranhoso, náuseas ou vómitos, fraqueza, dores de ouvidos e diarreia. Ou seja, “as complicações associadas vão além das vias superiores”, diz a pediatra. Normalmente espalha-se em pequenos focos, mas de vez em quando dão-se epidemias de gripe – quando a doença se espalha rapidamente

e afeta muita gente em determinada área, ao

mesmo tempo. Quando uma epidemia se espalha pelo mundo inteiro, tem o nome de pandemia. A última pandemia de gripe aconteceu em 2010, com o vírus H1N1 (gripe A). Após cinco dias, a febre e os outros sintomas costumam desaparecer, mas a tosse e a fra- queza continuam. Dentro de uma a duas se- manas, os sintomas já devem ter desaparecido

todos. No entanto, se a criança sofre de alguma doença crónica (asma, cardiopatias congénitas, diabetes…) ou se tem menos de seis meses, é importante ir ao médico e tratar a gripe com

a seriedade que ela merece, para evitar compli-

cações graves como a pneumonia, por exemplo. De resto, em crianças saudáveis, o seu sistema imunitário tem capacidade para lidar com a gripe e vencê-la. É por isso que a Direção Geral de Saúde (DGS) apenas recomenda a vacina da gripe a grupos de risco, que, no caso das crianças, incluem as que sofrem de doenças crónicas. Ao contrário das constipações, que são causadas por tantos vírus diferentes, na gripe os vírus são de dois tipos (A e B), pelo que é possível desen- volver uma vacina preventiva. Todos os anos os especialistas criam uma vacina que imuniza contra os vírus que acreditam serão mais co- muns na próxima altura das gripes. Os grupos

mais co- muns na próxima altura das gripes. Os grupos Prevenir é o melhor remédio Não

Prevenir é o melhor remédio

Não há forma de garantir a 100 por cento que a criança não se vai constipar ou apanhar uma gripe, mesmo, neste último caso, estando vacinada. Mas podemos incutir-lhe alguns procedimentos que ajudem na prevenção e que reduzam o risco de contágio:

- Lavar as mãos frequentemente,

especialmente depois de tossir,

espirrar e assoar-se, e sempre antes de comer ou de preparar comida.

- Nunca se assoar ao lenço de outra

pessoa.

- Não partilhar copos e utensílios de

refeição.

- Cobrir a boca e o nariz com um lenço de papel quando se tosse ou se espirra, e depois deitá-lo fora. Se não tivermos um lenço à mão, tossir

ou espirrar para o braço, na zona do cotovelo, e nunca para as mãos.

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PF 300

saúde Vírus Nariz entupido É dos primeiros sintomas da constipação
saúde Vírus
Nariz entupido
É dos primeiros
sintomas da
constipação

Conhecer os sintomas

Sintomas Constipação Gripe Febre Dor de cabeça Dores no corpo Cansaço Exaustão Nariz entupido Espirros
Sintomas
Constipação
Gripe
Febre
Dor de cabeça
Dores no corpo
Cansaço
Exaustão
Nariz entupido
Espirros
Garganta irritada
Tosse
Não, ou baixa
Pouco frequente
Pouco frequentes
Ligeiro
Nunca
Sim
Sim
Sim
Ligeira, seca
Sim, alta
Sim, forte
Frequentes, por vezes fortes
Pode durar 2 a 3 semanas
Intensa, no início
Às vezes
Às vezes
Às vezes
Sim, com expetoração

de risco devem ser vacinados entre outubro e dezembro, idealmente, mas, dado que a época das gripes se estende de dezembro a março, é útil fazê-lo em qualquer altura deste período. A pediatra Lia Ana Silva explica o procedimento:

“As crianças são vacinadas por via injetável, a partir dos seis meses. Entre os seis meses e os três anos, recebem metade da dose. A partir dos seis anos levam a dose inteira, tal como os adul- tos. No primeiro ano em que recebe a vacina, uma criança até aos oito anos deve ser vacinada duas vezes, com intervalo de quatro semanas; a partir desse primeiro ano, independentemente da idade, a vacina faz-se numa única toma. As orientações da DGS recomendam que não se vacinem crianças com “alergia grave à proteína do ovo e crianças que tenham tido reações ad- versas à vacina anteriormente”.

Só o tempo cura Não há medicamentos para curar a constipa- ção ou a gripe, mas podemos socorrer-nos do paracetamol ou do ibuprofeno para aliviar os sintomas como a febre e as dores de cabeça ou de corpo. Embora a tentação de dar ao nosso filho descongestionantes e anti-histamínicos para aliviar alguns sintomas seja grande, a verdade é que há poucas ou nenhumas pro- vas de que funcionem nestes casos, pelo que o melhor é abstermo-nos, pelo menos sem conselho médico. Podemos pôr-lhes gotas de solução salina, para aliviar a congestão nasal, usar um humidificador para tornar o ar menos seco, dar-lhes um banho quente para aliviar as eventuais dores de corpo e utilizar o vapor do duche para os ajudar a respirar melhor. Também lhes podemos dar a tradicional canja – não há qualquer evidência de que cure constipações, como as nossas avós diziam, mas mal não faz! De qualquer forma, o ideal é que coma quando tiver fome e que beba muitos líquidos (água, chá, sumos…) para ajudar a repor os líquidos perdidos com a febre ou a produção de muco. As crianças devem abster-se de ir à escola quando estão constipadas ou com gripe. No

primeiro caso não pioram se saírem, mas vão estar a espalhar o vírus. No caso da gripe, além do contágio, como os sintomas são mais seve- ros, a criança precisa mesmo de ficar em casa a descansar. Os pais devem avaliar se a criança consegue manter-se hidratada (um bom indica- dor é se continua a fazer xixi normalmente) e se

a febre, mesmo sendo alta, reage à medicação. Se assim for, tudo corre normalmente. No entanto, se após dois ou três dias os sintomas piora- rem em vez de melhorarem, é preferível levar

a criança ao pediatra. Ele pode avaliar melhor

a garganta e os ouvidos, verificar se entretanto

se evoluiu para alguma infeção bacteriana e, em caso positivo, receitar um antibiótico. E é só nestes casos que o antibiótico se justifica:

“As gripes são provocadas por vírus, e os anti- bióticos combatem bactérias, pelo que, numa fase inicial do quadro gripal, não faz qualquer sentido tomar antibióticos”, explica a pediatra. Portanto, se tudo se mantiver dentro da norma- lidade, há que dar tempo ao tempo e esquecer os hospitais. Quer se trate de uma constipa- ção comum ou de uma gripe, deixar a criança descansar e dar-lhe muitos líquidos e muitos mimos costuma ser o suficiente.

criança descansar e dar-lhe muitos líquidos e muitos mimos costuma ser o suficiente. 68 Pais&filhos janeiro

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exponha-nos as suas questões

CONSULTÓRIO

exponha-nos as suas questões CONSULTÓRIO paisefilhos@motorpress.pt “POSSO BEBER SÓ UM COPO DE CHAMPANHE?” Se está

“POSSO BEBER SÓ UM COPO DE CHAMPANHE?”

Se está grávida, nem na passagem de

ano deve abrir

exceções.

[ saiba mais na página 72 ]

72 Gravidez & parto CAFÉ: SIM OU NÃO? Um por dia não faz mal. 73 Pediatria A PRAGA DOS PIOLHOS Como tratar e evitar o contágio. 74 Pedagogia GAMIFICAÇÃO Aprender pode tornar- -se um vício positivo. 75 Coaching DESEJOS PARA O ANO NOVO 2016: O ano da generosidade.

consultório

consultório Gravidez & parto [Marcela Forjaz] [ginecologista e obstetra - forjaz.marcela@gmail.com] VAI UM

Gravidez & parto

[Marcela Forjaz]

[ginecologista e obstetra - forjaz.marcela@gmail.com]

VAI UM CAFEZINHO?

Sim, um cafezinho pode “ir”; mais é que não convém. A cafeína tem benefícios inegáveis mas é, no entanto, um reconhecido estimulante cerebral e a repercussão que poderá ter no sono da grávida pode também ser idêntica no feto.

Assim, discute-se se a grávida poderá ou não ingerir bebidas com

cafeína e, podendo, qual o limite seguro. Não há ainda consenso quanto

a este tema. Estudos em animais associaram a cafeína ao risco de

parto prematuro e baixo peso ao nascer, mas os estudos em humanos, além de limitados, são inconclusivos: se um estudo indica que a ingestão de cafeína em quantidade moderada pode duplicar o risco

de aborto, já outro diz que não tem qualquer impacto. Assim, perante esta inconsistência de resultados, opta-se por uma posição prudente e recomenda-se que as grávidas não ultrapassem as 200 mg de cafeína por dia. Traduzindo em miúdos, e lembrando que uma “bica” tem entre 60

a 90 mg de cafeína, é só fazer contas

bebidas e alimentos que contêm cafeína. Bebidas como o chá preto (uma chávena tem 45 mg), a cola (uma lata 34 a 38 mg) ou o iced tea (uma lata 20 a 26 mg) contêm, como verificamos, quantidades apreciáveis de cafeína e alimentos como o chocolate têm também esta substância, embora em quantidades menos significativas (uma chávena de leite achocolatado 4 mg, dois “quadrados” de chocolate preto 6,4 mg e a mesma porção de chocolate de leite 1,6 mg). E aqueles copos grandes de café, aromatizados, compostos com outros aromas como chocolate,

frutos secos

260 e 400 mg de cafeína! Conclusão: esta é uma bebida para partilhar! Muitas vezes, ambicionando proporcionar as melhores condições ao seu bebé, a grávida suspende a ingestão de substâncias que considera nocivas e, entre essas, muitas vezes está incluído o café. Habituadas

a tomar dois, às vezes três por dia, não é raro queixarem-se de dor de

cabeça, que nem relacionam com essa falta do café. Por vezes temos de fazer trabalho detetivesco, perceber que houve essa alteração nos seus hábitos e, além de esclarecer que pode tomar um simples paracetamol, recomendar que tome o seu cafezinho!

mas lembrando ainda as outras

?

Esses mesmo em que está a pensar: podem variar entre os

Sabia que A exposição pré- -natal ao álcool é a
Sabia
que
A exposição pré-
-natal ao álcool é a

principal causa conhecida de defeitos congénitos e atraso mental na população da União Europeia, atingindo cinco milhões de pessoas, sendo uma causa 100% evitável.

ÁLCOOL NA GRAVIDEZ

Tolerância zero!

Um copo de vinho, para a grávida, pode ser algo inconsequente. Mas

para o bebé? O fígado da grávida tem a capacidade de metabolizar o álcool mas o feto não tem ainda enzimas no seu fígado que possam fazer esse trabalho. Desta forma, enquanto uma grávida bebe um copo de champanhe para celebrar o novo ano e no fim do reveillon a taxa de alcoolemia já desceu significativamente (levará 116 minutos a “limpar” esse álcool de circulação), para o bebé as condições são diferentes: o álcool passou a placenta, entrou em circulação numa concentração semelhante à da mãe, e

como costumo dizer algo cruamente, fica a “banhar o miúdo” pondo-lhe

inclusivamente as células do cérebro

e

em “banho-maria” de álcool

levando muito mais tempo a eliminar esse álcool. Perante estes factos, não se consegue determinar a quantidade segura de álcool (se é que existe) que uma grávida pode ingerir. Sabe-se, no entanto, que a ingestão crónica, a ingestão apenas em festas ou até a ocasional podem ter consequências que pesarão para essa criança eventualmente toda a sua vida. Não há assim qualquer dúvida: nesta passagem de ano entre em 2016 com um sumo natural!

e

há assim qualquer dúvida: nesta passagem de ano entre em 2016 com um sumo natural! e
Pediatria [João Núncio Crispim] [pediatra - facebook.com/joaonunciocrispim] PIOLHOS!? É importante que todas as

Pediatria

[João Núncio Crispim]

[pediatra - facebook.com/joaonunciocrispim]

PIOLHOS!?

É importante que todas as crianças afetadas façam o tratamento em simultâneo. O mesmo deve acontecer em cada agregado familiar.

A infestação do cabelo e couro