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Curso de Pós-Graduação em Dinâmica dos Grupos desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos

Curso de Pós-Graduação em Dinâmica dos Grupos

desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Dinâmica dos Grupos SBDG em parceria com a FATO Faculdades Monteiro Lobato

SBDG em parceria com a FATO – Faculdades Monteiro Lobato EMPATIA: UMA ATITUDE QUE FORTALECE AS

EMPATIA: UMA ATITUDE QUE FORTALECE AS RELAÇÕES E O

DESEMPENHO DE UMA EQUIPE DE TRABALHO

Caroline R. Abella Taiani dos Santos 1

Elisandra Bergamin Guerra 2

Patricia Cristina Sartor 3

Resumo: O ambiente organizacional é constituído por indivíduos em constante interação e seus impactos repercutem nos resultados organizacionais. Este trabalho tem como objetivo avaliar a importância da empatia numa equipe de trabalho e os impactos nos seus resultados, tendo como base os conhecimentos e experiências no Pós Graduação em Dinâmica dos Grupos SBDG/Fato. Para o estudo do tema foi realizada pesquisa aplicada de cunho exploratório descritivo numa equipe composta de seis gerentes de uma empresa do ramo plástico de médio porte da região sul. A abordagem foi do tipo quantitativa e qualitativa, com a aplicação de um questionário. Os resultados apontam para o reconhecimento da importância da empatia na equipe e de sua influência nas relações de trabalho, sendo importante investir no seu desenvolvimento. Os benefícios da empatia citados pelos participantes do estudo se manifestam na dinâmica da interação entres os membros e no sentimento individual de pertencimento.

Palavras Chaves:Empatia, Interação, Equipe, Resultados.

Abstract:The purpose of this job is to evaluate the importance of empathy in a work group and the impact of the results using basis of knowledge and experiences acquired in the Post-Graduation in Group Dynamic SBDG/Fact. In order to complete this project, it was performed applicable research exploratory descriptive in a team composed of six managers, in a medium size plastic line business, with a quantitative and qualitative questionnaire approach. The results indicate recognition of the importance of team empathy and its impact on work relationships, been crucial to invest on its development. The benefits of empathy described by participants of this study were demonstrated in dynamic interaction among members and in the individual sense of belonging.

Key words:Empathy, Interaction, Team, Results.

1.

INTRODUÇÃO

O processo de interação humana presente nas organizações influencia os

resultados de toda a empresa. Conviver com o outro não é uma tarefa fácil, e conviver com o outro no trabalho sem entender o comportamento de cada um é praticamente impossível. Hoje as organizações exigem de suas equipes, cada vez mais, melhores e maiores resultados, porém ficamos com dúvidas se de fato essas empresas estão olhando

atentamente para os fatores comportamentais que podem estar por trás desses resultados.

A tarefa geralmente é clara e objetiva, porém os fenômenos que surgem na

dinâmica grupal ultrapassam o campo da objetividade e o indivíduo em grupo precisa desenvolver habilidades para continuar inserido no grupo e assim alcançar os objetivos esperados. Segundo Moscovici (2008), nas empresas a interação humana acontece em dois níveis distintos, porém concomitantes e interdependentes: o da tarefa e o sócio emocional. O da tarefa é o nível das atividades definidas de forma racional, facilmente

mensurável. Já o sócio emocional é o nível das sensações e sentimentos variados, gerados pela convivência e atividades do grupo.

Na nossa experiência como membros de um grupo, percebemos que a empatia é

uma capacidade indispensável para o bom andamento do grupo e o desenvolvimento do mesmo, porque aproxima e fortalece as relações. Porém, olhando de uma forma generalista para a sociedade temos a sensação que estamos vivendo uma era de déficit de empatia. Isso porque nossa cultura e sistema social reforçam uma vida individualista. Um dos fatores que contribuem para que isso aconteça é o uso destemido da tecnologia para contatos virtuais, que de certa forma esta sendo capaz de tornar as relações humanas mais superficiais e os laços mais enfraquecidos diante da diminuição dos contatos pessoais. Bauman (2004) em sua leitura da sociedade moderna, caracterizada por ele como “líquida e individualizada”, nos faz refletir sobre os relacionamentos hoje a partir do uso dos celulares, chats, serviços de texto 24hs, revelando a fraqueza, a debilidade e a vulnerabilidade dos laços humanos, onde não importa a mensagem o importante é estar

conectado na rede virtual. A proximidade que o mundo virtual nos propicia hoje é apenas topográfica, pois as interações na rede apesar de serem mais frequentes são breves e banais, a qualquer momento ela pode ser encerrada com um simples tocar de um botão. O contato virtual é mais seguro, não exige tempo e nem esforço para ser estabelecido, porém não garante engajamento e envolvimento das partes, o que prejudica a construção e manutenção de vínculos. Diante dessa realidade será que o estreitamento das relações presenciais no funcionamento de uma equipe de trabalho é importante? Queremos explorar com este estudo a influência da empatia no relacionamento dos membros de uma equipe de trabalho e compreender como este fenômeno impacta nas relações da equipe e repercute nos resultados da mesma e verificar como os fatores sensibilidade e compreensão nas relações podem favorecer o desenvolvimento da empatia. Este trabalho também tem como objetivo a conclusão do Pós Graduação em Dinâmica dos Grupos da SBDG/Fato. O estudo do tema nos auxiliará a compreender um pouco mais sobre os processos e mecanismos de grupos. Para investigar o tema proposto utilizamos uma pesquisa aplicada com o objetivo exploratório descritivo. A abordagem será quantitativa e qualitativa e terá como instrumento de coleta de dados a aplicação de um questionário com membros de uma equipe de trabalho. O universo pesquisado foi uma equipe composta de seis gerentes de uma empresa do ramo plástico de médio porte da região sul, com duzentos e setenta colaboradores. Nesta equipe, uma pessoa é do sexo feminino e cinco são do masculino. Cinco são casados e um solteiro. A faixa etária é de trinta a quarenta anos. A formação de três deles é graduação completa em Engenharia Mecânica e os outros três são em Administração de Empresas. Trata-se de uma equipe nova, sendo que o membro mais antigo tem um pouco mais de dois anos e o membro mais novo tem mais ou menos um mês de tempo de empresa. Procuramos identificar a presença da empatia nesta equipe de trabalho pela mesma ser de nível gerencial e alinhada aos propósitos da empresa, já que tem encontros semanais de alinhamento das estratégicas e de análise de resultados. Os membros desta equipe têm encontros periódicos com o diretor da empresa e participam do ciclo anual de avaliações de desempenho 360º. A partir das necessidades de desenvolvimento

identificadas pela empresa, eles participam de programas de desenvolvimento individual e grupal.

Por tratar-se de uma equipe que compreende seus objetivos e tenta alcançá-los de forma compartilhada, entendemos que isso pode propiciar o aparecimento da empatia entre os membros, e entendemos ser um campo rico para verificar, no caso da existência deste sentimento, como se apresenta e em que medida contribui para atingir os resultados. E, no caso de não ser um sentimento percebido entre os membros desta equipe, poder levantar possíveis motivos para sua não ocorrência e perspectivas para seu desenvolvimento na equipe.

2.

CONSIDERAÇÕES SOBRE EQUIPES E EMPATIA NO AMBIENTE DE TRABALHO

O homem é um ser social, com necessidade de se relacionar. Quer seja na família, na escola ou na organização ele está inserido em grupos e a interação com estes grupos gera mudanças tanto no nível pessoal como no grupal. Como afirma Chiavenato (1993, p.20),

O ser humano é eminentemente social: ele não vive isolado, mas em contínua interação com seus semelhantes. Nas interações humanas, ambas as partes envolvem-se mutuamente, uma influenciando a atitude que a outra irá tomar, e vice-versa.

Nós convivemos e reagimos às outras pessoas com as quais entramos em contato. Essas interferências ou reações constituem o processo de interação humana, que se desenvolvem permanentemente sobre as formas de comportamentos manifestos e não- manifestos, verbais e não-verbais, pensamentos, sentimentos, reações mentais e/ou físico- corporais. A forma de interação humana mais frequente é representada pelo processo da comunicação, que funciona como um mecanismo de permissão para o relacionamento interpessoal. Para Moscovici (2008, p.67) a interação pode se dar através de outras formas:

Assim, um olhar, um sorriso, um gesto, uma postura corporal, um deslocamento físico de aproximação ou afastamento constituem formas não verbais de interação. E mesmo quando alguém vira as costas e fica em silêncio, isto, também, é interação e tem um significado, pois comunica algo aos outros. O fato de “sentir” a presença dos outros já é interação.

Segundo Bock (2001), as relações acontecem a partir da percepção social, onde

percebemos não só a presença do outro, mas também o seu conjunto de características.

A transformação de pessoas e de realidades só é possível, via comunicação, pela

qual transitam ideias, sentimentos e experiências. É na interação com o outro que a percepção da realidade e das suas variáveis é introjetada, pois “educa-se através do trabalho, através da convivência, do relacionamento informal das pessoas entre si” (Saviani, 1994, p. 158).

O ambiente de trabalho, ao ser constituído por pessoas em constante interação,

também é influenciado pelas interações que aí acontecem. A forma como se estabelecem essas interações influencia diretamente nos resultados da organização. Para Chiavenato (1989), a interação entre os indivíduos que constituem a organização é importante, pois viabiliza que as metas e os objetivos possam ser atingidos. Nas mais diversas situações de trabalho, percebemos que a tarefa geralmente é clara e de certa forma o comportamento esperado já existe, e em algumas vezes chega a ser declarado. Algumas empresas já têm esse conteúdo apresentado desde o processo de

integração do novo colaborador. Costumam passar seus valores e expectativas sobre comportamentos que esperam de seus colaboradores no ambiente profissional: ética, respeito, transparência, cooperação, entre outros. Entretanto, como aborda Moscovici

A medida que as atividades e interações prosseguem, os sentimentos despertados podem ser diferentes dos indicados inicialmente, e então, inevitavelmente os sentimentos influenciarão as interações e as próprias atividades. Assim, sentimentos positivos de simpatia/empatia e atração provocarão aumento da interação e cooperação, repercutindo favoravelmente nas atividades e ensejando maior produtividade. Por outro lado, sentimentos negativos de antipatia e rejeição tenderão à diminuição das interações, ao afastamento, à menor comunicação repercutindo desfavoravelmente nas atividades, com provável queda de produtividade. (Moscovici, 2008, p.69)

Isso acontece porque cada pessoa carrega consigo uma base interna de diferenças que englobam conhecimentos, informações, opiniões, atitudes, valores, gostos, crenças, experiências, sentimentos, que vão interferir diretamente na dinâmica do grupo ao qual ela está inserida. A maneira como essas diferenças existentes entre os membros do grupo serão tratadas, determinará o relacionamento, andamento e clima do grupo, possibilitando ou não o trabalho em equipe, fundamental para o alcance dos objetivos da tarefa.

Considerando o momento atual, caracterizado por Bauman (2004) como sociedade líquida, onde tudo muda rapidamente antes que o tempo possa solidificar, e que tem impacto direto nas relações. O autor utiliza o termo liquidez, pois os líquidos não têm forma, são fluídos que se alteram muito rapidamente. Um mundo em constante mudança, extremamente rápido, sem nenhum tipo de segurança não propicia o desenvolvimento das relações humanas, pelo contrário incentiva

a relação com o universo virtual, onde o contato é mais fácil e menos arriscado. O

resultado disso são relações enfraquecidas, pois ao não praticar, não criamos as

habilidades necessárias para estabelecer relações com outras pessoas.

A partir dessa perspectiva atual, abordar o assunto sobre relacionamento é um

desafio. Deixar de agir de forma individualizada e passar a interagir como uma equipe pode ser a solução, conforme nos mostra Moscovici (2002). Paradoxalmente, cada vez mais os resultados dependem das relações. O mercado de trabalho mostra que hoje as empresas estão em busca de perfis que consigam desenvolver atitudes de trabalho em equipe, que consigam compartilhar e trocar ideias e que consigam trabalhar junto aos membros de sua equipe em prol de alavancar os resultados almejados. Do contrário,

perfis individualistas, tendem a não mais despertar interesse das equipes de recrutamento

e seleção, já que as empresas têm clareza de que é o trabalho em equipe que fará diferença em seu resultado. Para Moscovici (2002), grupos são diferentes de equipe, pois as equipes são grupos que possuem um funcionamento qualificado.

Pode-se considerar equipe um grupo que compreende seus objetivos e está engajado em alcançá-los, de forma compartilhada. A comunicação entre os membros é verdadeira, opiniões divergentes são estimuladas. A confiança é grande, assumem-se riscos. As habilidades complementares dos membros possibilitam alcançar resultados, os objetivos compartilhados determinam seu propósito e direção. Respeito, mente aberta e cooperação são elevados. O grupo investe constantemente em seu próprio crescimento. (Moscovici, 2002,

p.5)

Um grupo que se desenvolve como equipe adquire habilidades de autoanálise, ou seja, se dá conta da sua própria forma de operar e apartir dessa conscientização procura resolver os problemas que surgem.

O desempenho de uma equipe é significativamente maior que de um grupo,

consequentemente o resultado alcançado supera o desempenho de indivíduos agindo

sozinhos ou em pequenos grupos.

Muitos são os fatores que influenciam na transformação de um grupo em equipe, um ambiente saudável e agradável, um bom líder, objetivos claros, profissionais maduros, enfim, a lista é grande. Nós queremos destacar e focar, nesta pesquisa, em uma atitude indispensável nesse processo, a empatia. Segundo Camargo (2002), o termo empatia foi utilizado pela primeira vez na década de vinte por E. B. Titchener e vem de duas expressões. A primeira com o sentido de mímica motora (um reproduz o mesmo gesto do outro) e a segunda vem do grego empatheia com o significado de entrar no sentimento. A empatia para Camargo (2002) é a capacidade do indivíduo de se colocar no lugar do outro, de perceber o que se passa com ele pelas vias da sensibilidade. Para Briggs (2000) a empatia é um tipo de compreensão que todos desejamos. Assim, a sensibilidade e a compreensão são pré-requisitos para a empatia. Segundo Goleman (1998), empatia é perceber o que outras pessoas sentem sem que elas o digam. Para ele, as pessoas raramente nos dizem em palavras aquilo que sentem, mas revelam por seu tom de voz, expressão facial ou outras maneiras não verbais.

Os canais não verbais são os condutores das emoções e precisamos saber escutar o que está além das palavras a partir da nossa sensibilidade. A sensibilidade é essencial no processo, entrar no sentimento do outro, sentir o que ele está sentindo, se dá a partir da sensibilidade, da nossa capacidade de sentir. Para sermos empáticos e levarmos em conta os sentimentos das outras pessoas, é requisito termos uma boa habilidade de leitura de nossos próprios sentimentos. Por isso, pessoas que possuem um bom nível de autopercepção e que se preocupam com seu autoconhecimento, costumam ser melhores nas habilidades sociais e, portanto, no exercício da empatia, conforme Goleman (1998). Para Briggs (2000) a compreensão provoca sentimentos de conforto e segurança, ao sermos compreendidos sentimos segurança em falar. Por isso afirma que a empatia estimula a proximidade e a intimidade. Ao exercer a empatia, aumentamos a nossa capacidade de estabelecer o entrosamento ou afinidade que existe ou se cria entre as pessoas em uma determinada interação.

Goleman (1998) destaca também que é preciso ter equilíbrio e temperança em relação à empatia, tanto quanto em qualquer outra competência. O excesso de empatia pode significar se preocupar muito com os relacionamentos, tentando satisfazer as necessidades emocionais das pessoas, em detrimento do que a organização necessita.

3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Como explanado, o questionário aplicado foi constituído de dez questões, cujos resultados apresentamos a seguir.

A primeira pergunta teve o intuito de investigar como os participantes da

pesquisa classificavam o grau de interação da equipe gerencial, justificando sua resposta. Tivemos uma divisão do grupo avaliando em Bom e Muito Bom, o que nos faz concluir que a interação é percebida positivamente por todo o grupo. Três dos participantes justificaram suas respostas entendendo que o grupo está muito bom assim, que existe uma comunicação direta e franca, que os membros do grupo têm boa afinidade e um canal de troca aberto, e que sentem o grupo compartilhando e disposto a cooperar.

Já os outros três participantes, trazem o olhar para algumas oportunidades de melhoria frente ao tema. O participante 1 ressalta que mesmo percebendo uma interação no grupo, entende que o mesmo deve evoluir para uma maior sincronização entre os pares. O participante 2 traz a análise de que em alguns momentos percebe que a interação no

grupo é superficial. O participante 4 diz que o grupo é jovem enquanto time e que precisa finalizar admissões e ter mais tempo juntos.

A segunda questão explorou a percepção de empatia no grupo. Quatro dos

participantes responderam que sim, que existe empatia entre os membros. Já os outros dois participantes percebem que isso ocorre às vezes. O participante 2 justifica dizendo que a equipe respeita a experiência de cada um, o papel de cada área e as dificuldades enfrentadas. Os participantes 3 e 4 trazem claramente na justificativa que percebem o coleguismo, afinidades, que há vontade de estar juntos e de ajudar, bem como a liberdade de pedir ajuda. Já o participante 5 traz em sua justificativa a informação que muitas vezes pela pressão dos processos internos não são tomadas as melhores decisões e o participante 6 relata que percebe a empatia em alguns momentos, porém apenas entre alguns pares.

Observando as respostas destas duas primeiras questões percebemos que para esta equipe o conceito de empatia pode não estar claro, pois há uma contradição nas respostas. Se o grau de interação é considerado positivo (Muito Bom e Bom), como ainda não é perceptível para dois membros a existência da empatia? Na sequência, ao abordar a questão de conseguir ou não se colocar no lugar do outro, somente um participante se posiciona justificando que consegue entender o que os pares sentem e busca apoiá-los. Os outros cinco participantes optaram pela resposta Às vezes. Avaliando as justificativas dos mesmos, ilustradas abaixo, percebemos que esta equipe busca se colocar no lugar do outro, porém existem aspectos que dificultam o alcance do objetivo. O participante 1 traz que “O que dificulta são os costumes, pontos de vista e pré-conceitos que temos ao avaliar a posição do outro”. O participante 6 relata que faz esse exercício nos momentos críticos, mas percebe que deveria fazer esse exercício mais vezes. O participante 4 diz que dentro do que consegue perceber sim, consegue se colocar no lugar do outro, mas tem consciência de que não consegue alcançar todos os sentimentos dos seus pares. E o participante 5 traz que: “Em alguns momentos damos muito foco em nossos processos e metas, não se colocando no lugar dos outros.” Cabe comentar a autocrítica que essa equipe gerencial possui e a consciência que a mesma tem da importância de conseguir se colocar no lugar do outro, porem ressaltamos que ao mesmo tempo a equipe tem dificuldades de realizar na prática esse exercício. Com o intuito de avaliar o outro a partir da percepção individual, a questão quatro revela que dois participantes se sentem compreendidos pela equipe, sendo que um participante se sente compreendido e apoiado e o outro somente apoiado. Os demais participantes percebem que há por parte da equipe uma flexibilidade para a discussão e aprofundamento das ideias, necessidades, sentimentos, forças e/ou fragilidades individuais, porém revelam que somente às vezes se sentem compreendidos pelos demais.

Chama a atenção o fato de que todos os participantes consideram que a empatia interfere muito nas relações de trabalho. Eles percebem que a existência de empatia gera uma comunicação mais eficaz, melhor interação entre os membros, maior compreensão das ações do outro, maior sinergia na equipe aumentando o empenho na condução dos projetos comuns. Entretanto, a empatia não é percebida por todos os membros em todos os momentos, o que nos mostra uma oportunidade de desenvolvimento, visto que todos

acreditam nos benefícios da empatia nas relações de trabalho mas, ainda há dificuldade de serem compreendidos e de compreenderem o outro. Buscando avaliar o impacto da empatia no resultado da equipe quanto à entrega das tarefas profissionais cinco participantes acreditam que a empatia impacta no resultado da equipe. Para estes participantes a empatia proporciona melhor sinergia no time, aumenta o sentimento de equipe, possibilita alinhar objetivos e expectativas, aumenta a visão do todo, reduz o atrito e a perda de tempo com realinhamento, gerando, aumentando os resultados. Apenas um participante revela que a empatia não impacta no resultado da equipe, este justifica sua resposta pelo fato da equipe estar ainda em formação. É importante ressaltar o entendimento deste membro. Podemos levantar a hipótese de que este membro ainda não se sente parte do grupo. Considerando a sensibilidade e a compreensão como pontos “chave” para atitude empática, exploramos nas questões 7 e 8, junto aos participantes estes temas. Quanto a sensibilidade, por unanimidade, eles entendem que para haver empatia, é necessário ser sensível nas relações. Isso reforça que é importante que se tenha sensibilidade para compreender como a pessoa se sente frente a uma determinada situação ou sentimento. Para um dos integrantes dessa equipe gerencial é muito importante o bom relacionamento e o alinhamento. De acordo com Schutz (1989) num grupo devem ser criados vínculos pessoais entre seus membros, pois se nenhuma atenção for dada aos sentimentos das pessoas umas pelas outras, crescem as rivalidades, os desejos pessoais não satisfeitos, de modo que as pessoas sabotam ou abandonam o grupo e a vida grupal se encerra. Nota-se que para um deles é claro que quando a equipe percebe que seu líder busca relações empáticas, tende a buscar também. Entende-se assim, que a qualidade de uma equipe é a representação da qualidade do seu líder. No que diz respeito à compreensão entre os membros ser um fator importante para o desenvolvimento da atitude empática na equipe de pares, todos concordam. Um dos participantes ressalta que compreender sem pré-conceitos é a chave para o desenvolvimento da empatia. Percebemos que quando há melhoria na relação com o outro, existe também a disposição para compreender o que cada um precisa, respeitando suas necessidades. Essa compreensão deve partir de uma disposição interna. Faz-se necessário então adquirir um autoconhecimento, uma compreensão empática, para que se aprenda a conviver em grupo, pois o mundo moderno cada vez mais exige essa

capacidade de relacionamento consigo mesmo e com o próximo. Nesse sentido, quanto maior o autoconhecimento dos indivíduos, melhor o seu desenvolvimento interpessoal. Em relação aos itens considerados necessários numa equipe de trabalho, foram considerados como mais importantes para essa equipe gerencial: empatia, planejamento, relacionamento interpessoal e feedback. Percebe-se então, que a empatia está entre os itens mais importantes, reforçando assim a importância para os integrantes dessa equipe gerencial, de colocar-se no lugar do outro, mediante sentimentos e situações vivenciadas. Apontado pela equipe a importância do planejamento, uma das principais funções administrativas, o “P” do PODC (Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar), como função é fundamental para as organizações, pois é desta função que parte todas as ações previstas da organização. É interessante fazer essa associação do PODC, pois metade dos participantes são Administradores de formação. Considerando que o Planejamento é uma ferramenta de gestão empresarial amplamente utilizada pelas empresas, Orlickas (2010, p.37) destaca que “o planejamento visa prever e minimizar os inibidores dos resultados e maximizar os facilitadores no processo de tomada de decisão, pois permitem que o gestor tome decisões mais assertivas”. Dentro das organizações o processo de planejamento é tão importante quanto o processo produtivo, pois é ele quem encoraja os seus membros a pensar sobre o que aconteceu sobre o que está acontecendo e o que acontecerá. Referente ao relacionamento interpessoal, outro item importante para essa equipe, vem ao encontro do que Mailhiot (1976, p. 66) constatou em uma de suas pesquisas: “A produtividade de um grupo e sua eficiência estão estreitamente relacionadas não somente com a competência de seus membros, mas, sobretudo com a solidariedade de suas relações interpessoais.” Constata-se assim, que as relações interpessoais têm relevância tanto para os integrantes dessa equipe quanto para a organização, relativamente à produtividade, qualidade de vida no trabalho e efeito sistêmico. O feedback, outro item apontado como mais importante, é estimulado para esses membros, em reuniões semanais da equipe de gestão e na avaliação 360°, na qual eles são avaliados por dois integrantes da equipe, por um subordinado e pelo diretor. No nosso grupo de formação da SBDG, constatamos que o processo de feedback pode ser útil na modificação de comportamentos. Segundo Moscovici (2012), feedback é um processo de ajuda para a mudança de comportamento; é comunicação a uma pessoa, ou grupo, no

sentido de fornecer-lhe informações sobre como sua atuação está afetando outras pessoas. Feedback eficaz ajuda e melhorar o desempenho e alcançar os objetivos. Chama atenção que o item confiança foi acrescentado por um dos participantes, o que reforça que á necessário uma relação de confiança recíproca para superar as dificuldades de dar e receber feedback já que é um processo conjunto. Os participantes entendem ser importante investir no desenvolvimento da empatia na equipe de pares e de liderados para aperfeiçoar os resultados. O desenvolvimento da empatia é considerado por alguns autores como relacionado à expressividade emocional (Roberts &Strayer, 1996). Empatia está associada com a habilidade para experienciar e expressar tanto emoções positivas como negativas. O líder deve ter uma percepção bastante clara das características emocionais de seu time e influenciá-las frente as necessidades de resultado da empresa. A partir das respostas obtidas e da análise de cada questão, podemos levantar as seguintes hipóteses:

A habilidade de lidar com o outro e com as exigências de cada situação é algo que esta equipe almeja, porém ainda precisa ser desenvolvida. Por se tratar de uma equipe “nova” onde recentemente houve a entrada e saída de alguns membros, devido a reestruturação da empresa, verificamos que tal aspecto está influenciando na qualidade da interação dos membros desta equipe.

A equipe encontra-se na fase de inclusão, definida por Schultz, citada por Moscovici (2002), nesta fase, cada indivíduo procura o seu lugar, através de tentativas para identificar e estabelecer os limites de sua participação e como se mostrará ou que papel desempenhará primordialmente. A equipe está se estruturando, cada membro busca ter uma identidade na equipe, portanto os membros ainda estão conquistando espaço e se mostrando, por isso, conseguir se colocar no lugar do outro e se sentir compreendido pelo outro ainda são aspectos que a equipe percebe que poderiam melhorar. Nesse cenário a confiança no grupo é importante para a inclusão dos membros, caso contrário a não divulgação de reais situações emocionais, para preservar a si mesmo, pode ser um artifício ainda utilizado pelos membros. O termo confiança é mencionado por um participante quando questionados sobre os itens necessários numa equipe de trabalho, o mesmo aponta a confiança. Pode-se perceber que o engajamento e a interação

só poderão ser satisfatórios se existir a confiança. Segundo Sato (2003), a existência de confiança entre os indivíduos numa equipe de trabalho gera cooperação e facilita as tarefas e o desempenho da organização. Um membro sente-se definitivamente incluído no grupo ao se perceber como um participante integral de cada uma das fases do processo de tomada de decisão. Sentimentos como apoio e respeito já são identificados na equipe, porém nem todos os sentimentos que estão presentes na relação com o outro estão sendo alcançados pelos membros desta equipe. De acordo com Moscovici (2002) a interação sócio- emocional, aquela que se passa pelo nível das sensações e sentimentos, é responsável pela manutenção do grupo, por seu crescimento e amadurecimento e pela produtividade e satisfação de cada participante. Ainda de acordo com a autora o clima emocional afeta o desempenho da tarefa o que se pode perceber na fala dos participantes, quando revelam que o foco está nos processos e nas metas e a pressão dos processos prejudica a tomada das decisões. Somente quando os membros desta equipe lidarem com o clima emocional produzido pelas suas relações poderão desempenhar melhor as tarefas produzindo um melhor resultado para a organização. Fica clara para esta equipe, a importância da empatia no processo de interação entre os membros, eles conseguem visualizar melhorias na dinâmica, porém a mesma precisa desenvolver habilidades interpessoais, inclusive a empatia entre os membros para conseguir medir o impacto na produtividade e na qualidade das tarefas.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No presente estudo buscamos avaliar a importância da empatia numa equipe de trabalho, sua influência na interação dos membros dessa equipe e os impactos no resultado das atividades profissionais. Para tanto realizamos uma pesquisa aplicada com o objetivo exploratório descritivo a partir da aplicação de um questionário com membros de uma equipe de trabalho composta por seis gerentes de uma empresa de médio porte da região sul. Através das respostas percebemos que os participantes reconhecem a importância da empatia na equipe, consideram que a empatia interfere nas relações de trabalho e entendem ser importante investir no desenvolvimento da mesma. Os benefícios

da empatia citados pelos participantes do estudo se manifestam na dinâmica da interação

entre os membros da equipe e no sentimento individual de pertencimento. Aspectos como

comunicação eficaz, maior afinidade, cooperação, maior possibilidade de troca e melhor

compreensão foram citados pelos participantes para justificar a importância da empatia

na equipe.

Verificamos que esta equipe ainda está em processo de construção, ainda não há

uma relação de confiança estabelecida entre todos os membros, bem como uma

comunicação autentica. A partir da revisão teórica e de nossa vivencia como membros de

um grupo em desenvolvimento, constatamos que o relacionamento evoluiu quando houve

a presença da empatia.

Observando o funcionamento desta equipe entendemos que seria oportuna a

inserção de um programa de desenvolvimento de equipe (DE), conforme Moscovici

(2002), onde o grupo deixa de agir de forma individualizada e passa a agir como uma

equipe e o resultado depende da interação entre eles. A empatia é um elemento

fundamental a ser desenvolvido nesse processo.

Com este trabalho, sugerimos mudanças no modo de operar, fortalecendo o

senso de “equipe”, onde responsabilidades, objetivos e resultados são pensados e

produzidos em conjunto. Assim, a equipe ganhará em efetividade de relacionamento e

consequentemente em resultado.

A dinâmica do funcionamento desta equipe será qualificada, propiciando maior

confiança entre os membros, comunicação verdadeira, respeito, cooperação, com a

tendência de qualificar ainda mais os impactos nos resultados de suas atividades.

REFERENCIAS

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Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2004.

BOCK, Ana Mercês Bahia (org). Psicologias Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13 ed. São Paulo: Saraiva, 2001.

BRIGGS, Dorothy Corkille. A auto-estima do seu filho. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

CAMARGO, Jason de. Educação dos Sentimentos. 2º ed. Porto Alegre: Letras de Luz,

2002.

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a teoria geral da administração. São Paulo:

Makron Books; McGraw-Hill, 1993.

Recursos Humanos na empresa. São Paulo: Atlas, 1989.

GOLEMAN, Daniel. Trabalhando com a inteligência emocional. Rio de Janeiro:

Editora Objetiva, 1998.

MOSCOVICI, Fela. Equipes dão certo a Multiplicação doTalento Humano. 10. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2002.

Desenvolvimento interpessoal: treinamento em grupo. 17ª. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008.

LEWIN, Kurt. Teoria de campo em ciência social. São Paulo: Livraria Pioneira,1965.

MAILHIOT, G. B. Dinâmica e gênese dosgrupos. 3. Ed. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1976.

em

<http://www.duomoeducacao.com.br/index.php/Equipes/empatia.html>. Acesso em 22

MARI

MARTINS

E

PAMELA

SELIGMAN.

O

que

é

empatia.

Disponível

nov. 2013.

MOSCOVICI, Fela. Desenvolvimento Interpessoal: treinamento em grupo. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012.

ORLICKAS, Elizenda.Modelos de gestão: das teorias da administração à gestãoestratégica. São Paulo: IBPEX, 2010.

ROBERTS ,W. & STRAYER, J. Empathy, emotional expressiveness, and prosocial behavior. ChildDevelopment, 67, 449-470, 1996.

SATO, Carolina Tiemi. Gestão baseada em relações de confiança. RAE-eletrônica, v. 2, número 1, jan-jun/2003. ISSN 1676-5648.

SAVIANI, D. Novas tecnologias trabalho e educação: um debate multidisciplinar. São Paulo: Makron Books, 1994.

SCHUTZ, W. Profunda simplicidade Uma nova consciência do eu interior. São Paulo, Agora, 1989.

Significado de empatia:

O

que

é

empatia.

Disponível

em

<http://www.significados.com.br/empatia/>. Acesso em 20 nov. 2013.

 

Wikipédia,

a

enciclopédia

livre.

Empatia.Disponível

em

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Empatia>. Acesso em 28 out. 2013.

ANEXO

Questionário

1.

Como você classifica o grau de interação da sua equipe gerencial?

(

)Excelente

(

) Muito Bom

(

) Bom

(

) Ruim

(

) Péssimo

Justifique:

A interação humana supõe necessariamente comunicação. Estamos sempre

comunicando algo, seja por meio de palavras ou outros meios não verbais, tais como

gestos, postura corporal, posição e distância em relação ao outros. O simples fato de

estar em presença do outro modifica o contexto perceptivo de cada um, promovendo

interação que é, afinal, comunicação, com mensagens emitidas e recebidas de cada

participante da situação conjunta.

2.

Em sua opinião, existe empatia na sua equipe gerencial?

(

) Sim

(

) Não

(

) Às vezes

Justifique:

Empatia é a habilidade de colocar-se no lugar do outro, saber ouvir, compreender sem julgamentos.

3.

Olhando para essa equipe, você consegue se colocar no lugar do outro?

(

) Sempre

(

) Às vezes

(

) Nunca

Justifique:

4. Você sente que os membros desta equipe conseguem se colocar no seu lugar,

compreendendo

seus

sentimentos,

suas

necessidades,

ideias,

suas

forças e/ou

fragilidades?

 

(

) Sim

(

) Não

(

) Às vezes

Justifique:

 

5.

Você acredita que a empatia pode interferir nas relações de trabalho?

 

(

) Muito

(

) Pouco

(

) Não interfere

Por

 

quê?

6.

Você acredita que a empatia impacta no resultado dessa equipe quanto à entrega

das tarefas profissionais? De que forma?

(

) Aumentando o resultado

(

) Diminuindo o resultado

(

) Não impacta

Justifique:

7. Você percebe que a sensibilidade nas relações entre os membros é um fator

importante para o desenvolvimento da atitude empática na sua equipe?

(

(

Justifique:

) Sim

) Não

Sensibilidade: Capacidade de sentir. Refere-se à capacidade de perceber, entrar em contato com os próprios sentimentos e também de perceber, sentir o que o outro está sentindo, entrar em contato com as emoções de outro indivíduo.

8. Você percebe que a compreensão entre os membros é um fator importante para o

desenvolvimento da atitude empática na sua equipe?

(

(

Justifique:

) Sim

) Não

Compreensão: Capacidade de entender o significado verdadeiro de algo. Condição, característica ou pré-disposição para aceitar e respeitar opiniões ou comportamentos alheios sem julgamento. Compreender a totalidade, atitudes e sentimentos.

9. Classifique

necessários numa equipe de trabalho:

por

grau

de

importância

os

itens

(

) Empatia

(

) Feedback

(

) Afetividade

(

) Relacionamento interpessoal

abaixo

que

você

considera

(

) Recursos adequados

(

) Treinamento adequado

(

) Administração do tempo

(

) Participação

(

) Planejamento

(

) Informação

(

) Inteligência emocional

(

) Outro. Qual?

gestor, entende ser importante investir no desenvolvimento da

empatia na sua equipe de pares e na sua equipe de liderados, tendo em vista otimizar resultados?

(

(

Justifique:

10. Você como

) Sim

) Não

Esse questionário foi elaborado pelas autoras com base na teoria de Fela Moscovici, com apoio da orientadora Inês Amaro e inspiradas na vivência da turma 216 do Pós em Dinâmicas de Grupo pela SBDG/Fato.