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Lei dos Gases ideais

Gás Perfeito

A equação de estado mais simples é a de um gás perfeito à baixa pressão. Considere um


recipiente cujo volume possa variar, como, por exemplo, um cilindro provido de pistão
móvel. Uma bomba introduz ou retira qualquer quantidade de qualquer gás e o cilindro dispõe
de um manômetro e de um termômetro. Os valores de m, p, V e T podem ser, então,
determinados. Em vez da massa m, costuma-se exprimir Os resultados em termos do número
de moles, n. Como a massa molecular M a massa de um mole, a massa total m dada por:

m = nM.

Em cálculos com gases, 0 número de moles em geral é o modo mais conveniente de


especificar-se a quantidade do material.
Das medidas de pressão, volume, temperatura e número de moles, tiram-se algumas
conclusões. Observa-se, primeiro, que o volume é proporcional ao número de moles.
Dobrando a quantidade de gás e mantendo a pressão e a temperatura constantes, o volume
também dobra. Segundo, o volume varia inversamente com a pressão; assim, dobrando-se
esta e mantendo a temperatura e a quantidade de material constantes, o gás será comprimido à
metade de seu volume inicial. Finalmente, a pressão é proporcional à temperatura absoluta;
dobrando-se esta ultima e mantendo o volume e o número de moles constantes, a pressão
dobrará.
Estas condições podem ser resumidas claramente numa única equação de estado, que
representa a Lei dos gases ideais.

pV=nRT.

A constante de proporcionalidade, R, cujo valor se poderia esperar que fosse diferente


para cada gás, e a mesma para todos os gases, ao menos no caso de temperaturas
suficientemente altas e pressões baixas. Denomina-se constante universal dos gases a essa
quantidade. O valor numérico de R depende das unidades de p, V, n e T. O adjetivo universal
significa que, em qualquer sistema de unidades, R tem o mesmo valor para todos os gases. No
sistema SI (MKS), onde a unidade de p é 1 Pa ou 1 N.m² e a unidade de V é o m³, o valor
numérico de R é

R = 8,314 (N.m²) .m³ .mol-1 .K-1 = 8,314 J mol-1. K-1

No sistema CGS, onde p é expressa em din.cm-2 e V em cm³, o valor de R é

R = 8,314X l07(din.cm-2).cm3.mol-1.K-1 = 8,314 X l07 erg.mol-1.K-1

Nota-se que as unidades de pressão vezes volume são as mesmas de energia, de modo
que, em todos 95 sistemas de unidades, R tem unidades de energia por mole, por unidade de
temperatura absoluta. Em termos de calorias,

R = l,99 cal.mol-1.K-1.

Em Química, Os volumes são geralmente expressos em litros (1), as pressões em


atmosferas e as temperaturas em graus Kelvin. O valor de R, nesse sistema, é

R = 0,082071.atma.mol-1.K-1

Define-se agora um gás perfeito como aquele para o qual a Eq. I se apresenta precisa em
todas as pressões e temperaturas. Como o termo sugere, o gás perfeito e um modelo
idealizado que representa bem o comportamento de gases em certas circunstâncias e não tão
bem em outras. Em geral, o comportamento dos gases aproxima-se do modelo do gás perfeito
para baixas pressões, quando as moléculas do gás estão longe umas das outras. No entanto, os
desvios não são muito grandes no caso de pressões moderadas e temperaturas não muito
próximas daquela em que o gás se liquifaz.
Os desvios do comportamento do gás perfeito são mostrados na Fig. 1.1, onde a razão
pV/nT é lançada em gráfico em função de p e em várias temperaturas. No caso de um gás
perfeito, esta razão é constante, mas no de gases reais, ela varia cada vez mais, á medida que a
temperatura diminui. Para temperaturas suficientemente altas e pressões suficientemente
baixas, esta razão aproxima-se do valor R do gás perfeito.

Fi.g. 1. 1 O valor –limite de pV;nT é independente de T para todos os gases.


Para um gás perfeito, pV;nT é constante.

Para uma massa constante (ou um número fixo de moles) de um gás perfeito, o produto
nR é constante e, portanto, pV/T também é constante. Assim, se os índices 1 e 2 se referirem a
dois estados da mesma massa de um gás, mas em diferentes pressões, volumes e
temperaturas, tem-se:
p1V1 - p2V2
T1 T2 = constante.
Se as temperaturas T1 e T2 forem iguais,

p1 V1 = p2 V2 = constante.

O fato de o produto p V de uma massa fixa de gás, à temperatura constante ser


praticamente constante, foi descoberto experimentalmente por Robert Boyle em 1660 e a
equação acima conhecida como Lei de Boyle. Embora seja verdadeira para os gases perfeitos,
por definição, só se aplica aproximadamente aos gases reais e, por isso, não é uma lei
fundamental, como as de Newton ou a da conservação de energia.