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TERAPIA OCUPACIONAL NA PROMOÇÃO DA

QUALIDADE DE VIDA DO TRABALHADOR

“O trabalho, hoje em dia,


ocupa um espaço muito
importante na vida de todos,
ou seja, quase todo o mundo
trabalha, e uma grande parte
de nossa vida é passada dentro
do ambiente de trabalho”.

O trabalho possui importante valor em nossas


sociedade e as pessoas começam a nele ingressar cada vez mais jovens.
Contudo, o trabalho determina, direta ou indiretamente, ao indivíduo
formas diferenciadas de adoecer e morrer. A qualidade de vida no trabalho
tem sido uma preocupação constante do indivíduo, visto que sua
satisfação dependerá da capacidade de realização de todo seu potencial de
imaginação, iniciativa e habilidade no trabalho.
Assim como o trabalho pode trazer satisfação ao
indivíduo, também pode ser fonte de adoecimento se não proporcionar ao
trabalhador adequadas condições de trabalho, podendo acarretar várias
doenças ocupacionais.
A terapia ocupacional em saúde do trabalhador
apresenta-se como uma ciência que realiza um trabalho integrado com
outras ciências relacionadas à saúde, buscando a melhoria da qualidade
de vida dos trabalhadores e orientando a participação dos mesmos em
atividades selecionadas para facilitar, restaurar, fortalecer e promover a
saúde. A terapia ocupacional utiliza como tratamento a ocupação,
trazendo, assim, muitos benefícios aos indivíduos, como por exemplo,
estimular seus interesses, seus pensamentos, suas reflexões, sendo esta
uma forma de tratamento mais durável e eficaz, levando em conta,
principalmente, as necessidades físicas, mentais e socio-culturais de cada
indivíduo.
A terapia ocupacional já vem desenvolvendo suas
atividades em empresas nos mais diversos programas que visam à saúde
do trabalhador, propiciando a melhoria da produtividade, das condições de
trabalho, do desempenho profissional por parte do funcionário.
A terapia ocupacional utiliza-se de técnicas associadas
às atividades com o objetivo de estimular a participação biopsico e social
do indivíduo. Entre essas técnicas estão as atividades lúdicas, laborativas
e/ou reeducativas, dependendo do objetivo do tratamento (primário,
secundário e terciário).
No nível primário ou preventivo o terapeuta ocupacional
busca analisar o processo de trabalho, conhecimento detalhadamente a
função de cada trabalhador sugerindo aos responsáveis pela empresa ou
instituição, quando necessário, a modificação no processo do mesmo
(ambiente, organização, rotina, mobiliário, etc.). Este trabalho é realizado
sob a supervisão do terapeuta ocupacional no ambiente de trabalho e sob
a forma de palestras educativas, informativas, conscientizando o
funcionário sobre a importância do uso dos equipamentos de proteção
individual (EPI), sobre patologias relacionadas ao trabalho e de uma
postura adequada na realização do mesmo. Neste nível o terapeuta
ocupacional utiliza-se de um programa de atividades terapêuticas como
ginástica laboral, dinâmica de grupos, exercícios de alongamento e
relaxamento, visando à prevenção ou diminuição de acidentes e doenças
ocupacionais, promovendo uma melhor relação interpessoal (trabalhadores
x trabalhadores, trabalhadores x empresa), proporcionando momentos de
satisfação, lazer e autoconhecimento, aumentando assim a produtividade,
a motivação e a diminuição do absenteísmo.
No nível secundário ou curativo o terapeuta
ocupacional realiza uma avaliação do trabalhador, observando aspectos
como dor, limitação da amplitude de movimento (ADM), presença de
encurtamentos, força muscular (FM), coordenação motora e níveis de
stress, objetivando o interesse pela atividade que exerce, trabalhando os
aspectos alterados por meio do processo terapêutico individual e/ou
grupal, utilizando atividades auto-assistidas, ativas e ativo-expressivas,
atividades auto-expressivas, lúdicas, alongamentos, relaxamentos, além de
orientações para as atividades de vida diária e de vida prática. Quando o
trabalhador se encontra neste nível deve ser afastado do trabalho ou
remanejado para realizar outra atividade.
No nível terciário ou reabilitador o terapeuta
ocupacional trabalha aspectos alterados, contribuindo para a prevenção de
deformidades e para a manutenção da capacidade residual, promovendo,
quando necessário, a troca de lateralidade, indicando junto ao trabalhador
e à equipe uma nova função (readaptação) ou a indicação de órteses ou
próteses que facilitem o desempenho das diversas atividades como as
atividades de vida diária (AVD) e atividades de vida prática (AVP), o
terapeuta ocupacional acompanha cada trabalhador a nova e/ou antiga
função.
A saúde do trabalhador é uma área em que a terapia
ocupacional vem desenvolvendo, contribuindo e obtendo resultados
satisfatórios, com o trabalho preventivo, curativo e reabilitador, sendo uma
ciência em ascensão, construindo e instrumentalizando a autonomia social
e a qualidade de vida do trabalhador.

<<tema da Revista Cipa nº 287 – Out.03>>