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LABORATÓRIO DE MECÂNICA DE ROCHAS DO

CENPES: SETE ANOS DE ATUAÇÃO EM


ATIVIDADES DE E&P

ROCKS MECHANICS LAB OF CENPES: SEVEN YEARS


WORKlNG IN E&P ACTIVITIES

LABORATORIO DE MECANICA DE ROCAS DEL CENPES:


SIETE ANOS DE ACTUACIÓN EN ACTIVIDADES DE E&P

José Eduardo de Oliveira 1


Mauro Bloch 1
Antônio Cláudio Soares 1
Sérgio Muri/o Santos 1
Cézar Augusto Monteiro Siqueira 1
Marcos Antônio Ribeiro Dantas 1
Júlio Cézar Beltrami 1
José Agnelo Soares 2
Alvaro Maia da Costa 3

RESUMO
O Laboratório de Mecânica de Rochas (LMR) do Centro de Pesquisas da PETROBRAS (CENPES) foi inaugurado em
1990, com o objetivo de prestar apoio às operações de fraturamento hidráulico. Desde então, vem atuando na áre~ de
estabilidade de poços pela determinação dos parâmetros elásticos e de resistência de formações rochosas em diversas
bacias sedimentares brasileiras. Outra importante área de estudo do LMR é o desenvolvimento de rotinas para obtenção
de corpos-de-prova (CP). Foram criadas metodologias de preparação de amostras para as rochas mais difíceis de serem
ensaiadas em laboratório: arenitos inconsolidados (principal rocha-reservatório dos campos gigantes da Bacia de
Campos) e folhelhos. O LMR e o Laboratório de Física de Rochas (LFR) do CENPES vêm trabalhando em conjunto
para fazer a caracterização mecânica das formações sedimentares brasileiras. Os métodos e as ferramentas de trabalho
são próprios de cada laboratório. No LMR, são utilizadas as relações entre as tensões impostas e as conseqüentes
deformações sofridas por uma amostra de rocha ensaiada em compressão para análise de seu comportamento mecânico.
Os estudos feitos no LFR tomam como base as relações existentes entre a velocidade de propagação de ondas elásticas
nas rochas para inferir as propriedades mecânicas do material. O trabalho destes dois laboratórios propiciou a
otimização de diversas operações de campo na PETROBRAS e ainda permitiu a criação de um banco de dados de
propriedades estáticas e dinâmicas. As atividades de poço e reservatório da área E&P são as grandes clientes, e
aplicam os resultados obtidos em simuladores de estabilidade mecânica de poços, no controle da produção,
na análise do colapso de poros e da redução da permeabilidade no decorrer da produção do campo
de petróleo. Espera-se, com a divulgação das atividades do LMR, ampliar a dimensão desta atuação.

I Setor de Tecnologia de Engenharia de Poços (SETEP), Divisão de Explotação (DIPLOT), Centro de Pesquisas
(CENPES).
2 Setor de Geologia de Reservatórios (SEGRES), Divisão de Geologia e Engenharia de Reservatórios (DIGER), Centro

de Pesquisas (CENPES).
3 Setor de Desenvolvimento de Métodos (SEDEM), Divisão de Projetos de Explotação (DIPREX), Centro de Pesquisas

(CENPES).
BoI. téc. PETROBRAS, Rio de Janeiro, 41 (1/2): 31-43, jan./jun. 1998 31
ABSTRACT
The Rocks Mechanics Lab (LMR) ofthe PETROBRAS' Research Center (CENPES) was established in /990, wilh lhe
pU/pose of Sl/pporling hydraulic fracturing operations. Since then, il has been working in lhe area of well slability, in
order lO delermine lhe elastic and strength parameters of lhe rocky formations in different Brazilian sedimentaJ)'
basins. Another important area ofstudy at the LMR is the development ofrol/tines in order to oblain the test COl/pons
(TC). Methodologies ofsample preparation have been createdfor the JI10st difficIIl1 rocks lo be lesled in a laborolory
environment: non consolidated sandstones (main reservoir-rock ofthe gianlfields oflhe Campos Basin) and strolified
c1ay-rish rocks. CENPES' LMR and Rock Physics Lab (LFR) have been working logether in order lo create the
mechanical characlerization of the Brazilian sedimentaJY formalions. The lI1ethods and lhe work lools are appropriale
for each lab: in the LMR, studies are based on lhe relalionships belween lhe stresses imposed and the consequent
deformations suJfered by a sample of a rock tested on compression in order lo analyze ils mechanical behavior. A I the
LFR the existing relalionships between the velocity ofpropagation oflhe elastic waves in lhe rocks are used lo infer
lhe lI1echanical properties oflhe material. The work oflhese two labs has allowed lhe oplimization of several field
operations at PETROBRAS and it has also al/owed the creation of a dala base conlaining the slalic and dynamic
properlies. The well and reservo ir activities from E&P area are lhe main c1ients, which apply the results obtained in
rock mechanics stability simulator of applied lo bolh drilling and prodllclion operations, analysis ofpore collapse and
permeability reduction dllring lhe produclion in oil field. fI is expecled thal, wilh the divulgation of
LMR activilies, lhe dimensions of LMR alllalion expand.

RESUMEN
El Laboratorio de Mecánica de Rocas (LMR) dei Cenlro de fnvesligaciones de la PETROBRAS (CENPES) file
inaugurado en /990, con el objetivo de apoyar las operaciones defraclura hidráulica. Desde ese enlonces, viene
actuando en el área de estabilidad de pozos, para delerlllinw los parámelros elásticos y de resistencia deformaciones
rocosas en dislintas cuencas sedimentares brasilePías. Olra area importanle de estlldio en el LMR es el desarrollo de
rutinas para obtener los cuerpos de prueba (CP) . Fueron creadas melologías de preparación de mllestras para las
rocas más dificiles de ser probadas en laboratorio: arenitos 170 consolidados (principal roca-prodllctiva de los campos
gigantes de la Cuenca de Campos) y rocas arcillosas eslralificadas. EI LMR y el Laboralorio de Física de Rocas (LFR)
deI CENPES vienen trabajando conjuntamenle para hacer la caracterización mecánica de lasformaciones
sedimentares brasilePías. Los métodos y las herramientas de Irabajo son propios de cada laboratorio: en el LMR, se
IItulizan las relaciones entre las tensiones ill1pueslas y las consecllentes defonnaciones que suji-e la mlleslra de roca
probada en compresión para analizar .lU comportall1iento mecánico. Los esludios dei LFR se basean en las relaciones
que existen enlre la velocidad de propagación de ondas elásticas en las rocas para inferir las propiedades mecánicas
dei material. EI trabajo desde la creación de estos dos laboralorios propició la oplimización de varias operaciones de
campo en la PETROBRAS y además permitió la creación de una base de dalos de propiedades estáticas y dináll1icas.
Las actividades de pozo y reservatorio dei E&P son las que más aplican resultados oblenidos en simuladores de
estabilidad mecánica de pozos en ef control de la producción, en el análisis dei colapso de poros y de la reducción de
la permeabilidad duranle la prodllcción dei campo de pelroleo. Com la divulgación de las
actividades dei LMR, se objeliva ampliar la dimensión de esta actuaciól1.

(Originais recebidos em 28.07.97 .)

1. INTRODUÇÃO poços horizontais. O estudo de estabi Iidade


mecânica passou, então, a fazer parte dos projetos
O LMR foi inicialmente concebido para apoiar de perfuração e dimensionamento de poços.
operações de perfuração, completação e
estimulação na PETROBRAS, com ênfase para a Dentre as propriedades geomecanlcas de maior
atividade de fraturamento hidráulico - que estava relevância para a engenharia de petróleo estão as
em alta na década de 80. Depois de analisar constantes elásticas (módulo de Young e
diversos cenários, decidiu-se montar no CENPES coeficiente de Poisson), os parâmetros de
um laboratório próprio e com isso criar um grupo resistência (coesão e ângulo de atrito) e as
de técnicos especializados na análise do constantes poroelásticas (parâmetro de Biot e
comportamento mecânico das rochas (foto 1). coeficiente de Skempton). Estes parâmetros
podem ser obtidos de duas maneiras:
A aplicação da mecânica de rochas na perfuração e
completação de poços cresceu muito na • ensaios de compressão em laboratóriô de
Companhia com a utilização da tecnologia de amostras obtidas na testemunhagem de poços;

32 BoI. téc. PETROBRAS, Rio de Janeiro, 40 (1): 31-43, jan./jun . 1998


d. Produção: previsão do desempenho e produção


do poço e do reservatório durante sua vida útil.

e. Estimulação: projetos de estimulação de


poços; definição de parâmetros para a
simulação de fraturamento h idrául ico;
obtenção da direção preferencial de fratura
para permitir o controle do número de fraturas
geradas em poços direcionais por meio de
ensaios de relaxação de tensões; verificação do
grau de alteração da amostra acidificada pela
compressão e dureza, visando à seleção da
formulação ideal para estimulação ácida de
Foto 1 - Laboratório de Mecânica das Rochas (LMR). aren itos.
Foto J - Rock Mechanics Lab (LMR).
f. Reservatório: previsão da ocorrência do
• interpretação de perfis sônicos para o cálculo colapso de poros e da redução da
das constantes elásticas dinâmicas . permeabilidade com o decorrer da produção da
reserva .
Na realidade, os dois métodos devem ser usados,
uma vez que os valores dinâmicos obtidos pela
perfilagem têm aplicação distinta nos resultados 2. EQUIPAMENTO
estáticos de laboratório. Servem, também, para
cal ibração das ferramentas de perfi lagem. ·0 LMR dispõe de um sistema de testes
geomecânicos (STG) MTS 315 .02, com
As principais aplicações de mecânica de rochas na capacidade de 270 tf de compressão axial e
PETROBRAS são: 12000 psi de pressão confinante. O equipamento e
a instrumentação perm item ensaios em amostras
a. Exploração: calibração de perfis elétricos de de 4,2 e 1,5 pol de diâmetro.
identificação de I itologia por ensaIos de
propagação de ondas acústicas; prevlsao de O Grupo de Mecânica das Rochas desenvolveu,
subsidência pela análise de propriedades ainda, um circuito hidráulico extra que permite o
dinâmicas e elasto-mecânicas. fluxo de fluido através da amostra para a
determinação contínua e simultânea da
b. Perfuração: defin ição de ferramentas de permeabi I idade no ensaio de com pressão.
perfuração com base na dureza e
compressibilidade das rochas; análise de Outra adaptação ao sistema MTS original foi
estabi I idade de poços (com destaque para os realizada em conjunto com a equipe do LFR,
de grande inclinação e horizontais), permitindo a determinação das velocidades de
fornecendo o peso do fluido de perfuração a propagação de ondas elásticas, também de forma
ser utilizado; simulação do estado de tensão in simultânea e contínua ao ensaio de compressão,
si/li ao redor do poço. para determ inação das propriedades d inâm icas
com alta velocidade de solicitação.
c. Completação: determinação do tipo de
completação em função da análise de As duas modificações - fluxo pela amostra e
estabi I idade durante a produção do determ inação da velocidade - podem ser usadas
reservatório; análise de estabilidade de poços conj untamente.
para controle da produção de areia utilizando
propriedades elásticas, resistência à Recentemente, adquiriu-se para o LMR
compressão simples e triaxial, ângulo de atrito equipamento para determinação da direção e da
interno, dilatância e coesão; obtenção do magnitude das tensões in sitll ao redor de um poço,
gradiente de propagação de fratura por o ASR-3D . Nele é realizado o ensaio conhecido
modelos de cálculo que utilizam as tensões in como anelastic s/rain recovery tes! (ASRT), com
situ (coesão, resistência à tração e base na medição das deformações oriundas da
compressão) e as propriedades elásticas. relaxação de uma amostra de rocha imediatamente
BoI. téc. PETROBRAS, Rio de Janeiro, 4/ (1/2): 31-43, jan ./jun. 1998 33
após a testemunhagem, que deve ser feito na 3.1. Compressão Uniaxia/
própria sonda de perfuração.
Realizado no STG, é feito com a compressão
o ensaio para medição de relaxação de corpos-de- simples de uma amostra cilíndrica de rocha até a
prova provenientes de testemunhagem orientada ruptura (foto 2). Neste ensaio, podem ser obtidas
tem como objetivo determ inar a orientação das as constantes elásticas (módulo de Y oung e
deformações principais. Por similaridade, são coeficiente de Poisson) e a tensão-limite de
determ inadas as direções das tensões pri nci pa is ruptura do material.
originais da formação. Com base na teoria
viscoelástica, pode-se estimar a magnitude das
tensões in situo O ensaio, que tem a característica
de ser não-destrutivo, é real izado com amostras
provenientes de testemunho orientado recém-
sacado do barri lete. A amostra deve ter diâmetro
de 3 a 4 pol e aproximadamente 20 cm de
comprimento. Recomenda-se acondicionamento
em uma membrana plástica para preservar sua
umidade.

O ensaio pode ser realizado simultaneamente em


duas amostras, colocadas em uma câmara com
temperatura controlada, e instrumentadas por doze
transdutores de deslocamento (L YDT),
apresentando seis deformações por amostra . Há
um painel acoplado a um microcomputador
;portátil para aquisição de dados . Este ensaio pode
durar até 72 horas. Depois do processamento, são
gerados arquivos para cada amostra e gráficos das
med ições versus tem po do ensaio.

3. ENSAIOS DE MECÂNICA DAS


ROCHAS Foto 2 - Ensaio de compressão uniaxial.
PIlOto 2 - Uniaxia/ cOlllpression test.
Os ensaios de mecânica das rochas estão
padron izados de acordo com as normas e 3.2. Compressão Triaxia/
sugestões de diversas entidades internacionais, de
forma similar aos ensaios com materiais metálicos. Assim como no ensaio uniaxial, este método
As principais entidades normalizadoras são a também tem como base a compressão axial de
American Society for Testing and Materiais uma amostra ci Iíndrica de rocha até a ruptura, mas
(ASTM) e a International Society for Rock com pressão lateral superior à atmosférica. É
Mechanics (ISRM). As normas editadas por estas realizado no interior de uma célula triaxial
entidades indicam os equipamentos adequados e o instalada no STG (foto 3).
correto procedimento para cada tipo de ensaio.
As tensões principais menores são mantidas
As propriedades elásticas das rochas podem ser constantes e iguais a um valor predefinido, que
estáticas ou dinâmicas. As propriedades estáticas geralmente é a pressão confinante à profundidade
são obtidas em ensaios com baixas taxas de de extração da amostra. Este fato prova que, na
aplicação de carga, em máquinas universais de real idade, o experimento é biaxial.
ensaios que realizam compressão e tração. As
propriedades dinâmicas são obtidas em ensaios de Este ensaio perm ite a obtenção das constantes
propagação de ondas acústicas, com alta elásticas sob condições que representam o interior
velocidade de sol icitação. A seguir, descrevem-se do maciço rochoso longe do poço, e tem como
os ensaios mais utilizados para obtenção das principal finalidade o levantamento da envoltória
propriedades estáticas. de resistência da rocha.
34 BoI. téc . PETROBRAS, Rio de Janeiro, 4/ (J 12): 3 J-43, jan./jun. J998
Foto 4 - Ensaio brasileiro.
Piloto 4 - Brazi/ian test.
Foto 3 - Ensaio triaxial com medição de velocidades de
propagação de ondas elásticas.
Piloto 3 - Triaxia/ lesl measlIring lhe propágaliol1 3.5. Determinação de Tensões in situ pela
ve/ocity 0/ e/astic lI'aves.
Deformação Residual (Anelastic Stl'ain
Recovery Test - ASRT)
3.3. Tração (Ensaio Brasileiro)
o equipamento do CENPES (ASR-3D) tem como
principal função determinar a direção e. a
o ensaio de compressão diametral, também
magnitude das tensões principais in situo Neste
conhecido como ensaio brasi leiro, é feito com
ensaio, monitora-se a deformação de uma amostra
rocha preparada em forma de disco alojada em um
de rocha recém-testemunhada até a estabilização.
dispositivo especial e comprimida no STG. Como
Assumindo que esta relaxação se dá em função do
no ensaio a ruptura da amostra ocorre por tração, o
alívio das tensões originais, a direção de maior
método indica, imediatamente, a resistência do
alívio estará, então, associada à direção da maior
material à tração (foto 4).
tensão principal, assumindo-se, dentre outras
hipóteses, que a rocha é homogênea, isotrópica e
3.4. Deformação Uniaxial linearmente viscoelástica.

É realizado em célula triaxial instalada no STG . Para poços verticais, assume-se, geralmente, que
Consiste na compressão de uma amostra cilíndrica uma das direções principais é vertical, e as
em que a deformação lateral é mantida nula pelo deformações podem ser obtidas mon itorando-se a
incremento progressivo da pressão confinante. relaxação somente em quatro direções (uma
Apl icado a formações calcárias, perm ite a vertical e três horizontais). Para poços inclinados,
obtenção da tensão de colapso dos poros do o tensor deformação deve ser totalmente obtido.
maciço rochoso e a verificação da variação da Doze med idores tem de ser instalados em seis
permeabilidade com o estado de tensão aplicado. direções diferentes ao redor da amostra (foto 5).

BoI. téc. PETROBRAS, Rio de Janeiro, 41 (1/2): 31-43, jan./jun. 1998 35


Observa-se um rápido aumento da velocidade da
onda compressional (Vp) no ponto em que ocorre
o colapso dos poros e conseqüente quebra da curva
de deformação axial.

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PIlOto 5 - ASR lesl. o 20 40 60 80


Módulo de Elasticidade Dinâmico (GPa)
4. ENSAIOS DINÂMICOS
Fig. t - Correlação entre os módulos de elasticidade
Os ensaios dinâmicos são realizados no LFR, com dinâmico e estático para diversas litologias brasileiras.
base na velocidade de propagação de ondas Fig. I - Corre/alion belween lhe r(j'namie and slalie
elásticas compressionais e cisalhantes, podendo e/aslie JIIodl/lifor d(/Jerenl Brazilian Iilh% gies.
ser feitos em conjunto com os ensaios estáticos do
LMR. São descritas, a seguir, as aplicações mais 4.3. Anisotropia Circunferencial de
comuns nos dois laboratórios. Velocidade Acústica (CVA)

4.1. Correlação entre Módulos Estáticos e Este ensaio tem como objetivo detectar as direções
Dinâmicos dos principais componentes de tensão in situ em
testemunhos orientados. O ensaio se baseia na
Correlações entre os módulos elásticos estáticos e premissa de que o testemunho, ao ser retirado do
dinâmicos vêm sendo estudadas por dive.rsos poço, sofre um microfissuramento preferencial no
pesquisadores no Brasil e no exterior com o plano' perpendicular à direção da maior tensão in
objetivo de aumentar a precisão das ferramentas situ devido à relaxação das tensões.
de perfilagem . Na figura 1, apresenta-se a
correlação entre os módulos de elasticidade A direção das tensões in si/u em um poço da Bacia
estática e dinâmica para diversos tipos de rochas Potiguar foi confirmada pela comparação de
sedimentares brasileiras. resultados obtidos com o CVA e o ASR (fig. 3).

4.4. Parâmetros de Resistência


4.2. Colapso de Poros
Os ensaios de obtenção simultânea de parâmetros
A propagação de ondas elásticas durante os estáticos e dinâmicos permitem que sejam
ensaios triaxlals de deformação uniaxial estabelecidas correlações entre os módulos
demonstrou a capacidade do ensaio não-destrutivo elásticos dinâmicos e os parâmetros de resistência
de detectar a ocorrência do colapso de poros em (coesão e ângulo de atrito) da amostra ensaiada .
. amostras de calcário impedidas de se deformar Os parâmetros de resistência da rocha, ao lado das
lateralmente e sob tensão vertical crescente. Na tensões in situ, são parâmetros fundamentais de
figura 2, apresenta-se um dos resultados obtidos. qualquer estudo de estabi Iidade mecân ica de poço .

36 BoI. téc. PETROBRAS, Rio de Janeiro, 4/ (1/2): 31-43, jan./jun. 1998


informações, identificação, geometri a, parâmetro S
e resultados dos ensa ios .

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Fig. 3 - A direção da ten são horizontal máx ima obtida
pelo CVA (a) é seme lhante à determinad a pelo ASR (b)
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Fig. 3 - The direcliol1 of lhe JIIaxil/1ul/1 horizonlal slress
oblained by lhe CVA (a) is delerll1ined by lhe ASR (b).
2 4 6 8
Deformação axial (%) o banco de dados foi desenvolvido em um
ambiente Jo.licl'osoft Windows/Access. Funcionando
Fig. 2 - Ensaio triaxial de deformação uniaxial. O há três anos, atualmente dispõe de
ponto A (nas duas curvas) indica o momento de aproximadamente 750 ensaios cadastrados.
ocorrência do colapso de poros.
Fig. 2 - Triaxial lesl of uniaxial deformalion. Poinl A Além da preservação dos dados, objetiva-se
(on bolh curves) indicales lhe lil/1e lhe pores' collapse disponibilizá-los aos órgãos da Companhia
occurred.
interessados e envolvidos em mecânica de rochas,
evitando, muitas vezes, a realização de novos
Diversos outros parâmetros podem ser obtidos
testes.
durante as etapas dos ensaios já mencionados.
Dentre eles, destacam-se:
5. PREPARAÇÃO DAS AMOSTRAS
compressibilidade: é determinada durante a fase
hidrostática de ensaios de compressão, seja na A preparação de amostras de rochas para ensaios
forma volumétrica (bulk compressibility) ou de de compressão é uma atividade crítica da
grãos; mecânica de rochas. Uma amostra mal preparada
pode levar a resultados falsos ou até mesmo à
parâmetros poroelásticos: a) coeficiente de Biot perda do testemunho por manuseio inadequado.
- calculado em função da compressibilidade da Por essa razão, especial atenção tem sido dada à
rocha, este parâmetro é de grande aplicação na preparação de amostras de rochas para ensaios no
avaliação das tensões efetivas na rocha, indicando LMR, depois da criação do Laboratório de
o percentual de poropressão que deve ser Preparação de Amostras (LPA).
descontado das tensões totais; b) parâmetro B de
Skempton - calculado na fase hidrostática de As dificuldades de preparação de amostras não se
ensaios não-drenados, este parâmetro indica o restringem, no entanto, ao equipamento utilizado.
quanto aumenta a poropressão em uma rocha É consenso em todos os laboratórios de mecânica
saturada em função do aumento da pressão de rochas que o técnico designado para esta função
confinante. deva ser detalhista e paciente, além de conhecedor
das máquinas e ferramentas com que trabalha.

4.5. Banco de Dados de Constantes Elásticas As amostras cilíndricas devem ter topo e base
perfeitamente paralelos, além de planos. As faces
Nos últimos anos, o Grupo de Mecânica de Rochas laterais devem ser, ainda, perfeitamente
tem-se preocupado com a preservação de dados perpendiculares às superfícies de topo e base.
referentes aos ensaios realizados . Neste sentido, Estas características são obtidas somente pelo
criou-se um banco de dados onde estão registradas
BoI. téc. PETROBRAS, Rio de Janeiro, 41 (\ /2) : 31-43, jan./jun. 1998 37

tnz
trabalho cuidadoso em todas as etapas de
preparação de amostras, como:

• corte do testemunho em serra circular (foto 6) ;


• plugagem ou desbaste de amostra ci Iíndrica
(foto 7);
• faceamento de topo e base em torno mecâm ico
(foto 8);
• limpeza dos poros da amostra (foto 9).
• saturação dos poros das rochas (foto 10).

Foto 8 - Facealll ento elll torno Illecânico.


P/lOto 8 - Surfác ing in a lIlechal1icallathe.

Foto 6 - Corte em serra de amostra no LPA.


Piloto 6 - Cut in a sample lI10untain in the LPA .

Foto 9 - Extração de óleo elll sox hlet.


P/lOto 9 - Oil extraction in soxhlet.

Foto 7 - Plugagem de CP cilíndrico. Foto 10 - Saturação no LPA .


P/lOto 7 - PllIgging lhe cylindrical Te. P/lOto 10 - Satll/'otion at lhe LPA.

38 BoI. téc. PETROBRAS, Rio de Janeiro, 4/ (1/2): 31-43, jan./jull. 1998


De todas as rochas já trabalhadas no LPA, pode-se aplicação de pressão confinante de 1 MPa e
ressaltar o progresso no manuseio de amostras pressão à montante no fluxo de óleo intraporos de
especialmente difíceis, como folhelhos e arenitos 0,5 MPa. Este não é o processo usual, que consiste
inconsolidados. na saturação inicial por imersão no líquido
intraporos no interior de dessecadores, com
A preparação de amostras em arenitos aplicação de vácuo na superfície do fluido. Esta
inconsolidados apresenta diversas dificuldades mudança de procedimento teve o objetivo, mais
devido à baixíssima coesão entre os grãos uma vez, de preservar a integridade dos CPs.
constituintes da rocha. A plugagem convencional,
com resfriamento da ferramenta de corte com Existe grande discussão sobre a validade da
líquido (óleo ou água), não pode ser realizada, pois preparação de amostras de arenitos inconsolidados
a amostra se desintegra durante a operação. O com a técnica de congelamento. Alguns
faceamento das superfícies de topo e base da pesqu isadores argumentam que o congelamento
amostra em torno mecânico, conforme utilizado pode levar à expansão dos fluidos intraporos e
em materiais mais bem consolidados, também não conseqüente enfraquecimento das ligações
se aplica a arenitos mal consolidados. meca l11cas do arcabouço só lido, produzindo
resultados erroneamente baixos de resistência à
Os arenitos da Bacia de Campos, por exemplo, são compressão. Exames de petrografia, no entanto,
mantidos coesos pela pressão capilar exercida pelo demonstraram que o congelamento das amostras
petróleo nos poros da rocha, que se desmancham não produz microfissuras na matriz rochosa.
ao menor impacto ou manuseio menos cuidadoso.
Adotou-se congelar este tipo de material Outra inovação técnica introduzida para o ensaio
imediatamente após a retirada do testemunho do de arenitos inconsolidados é a utilização de caps
barrilete, ainda na sonda de perfuração, garantindo de tejlon, especialmente desenvolvida pelos
a integridade da rocha no transporte até o técn icos do laboratório. A grande vantagem está
laboratório. Dois procedimentos foram uti Iizados no peso reduzido, em relação aos caps de aço,
no LPA para a obtenção dos CPs após o corte evitando assim que o CP seja carregado durante a
inicial das amostras congeladas. No primeiro, o instrumentação, influenciando o resultado final
testemunho foi descongelado e os plugues, dos ensaios.
cortados com gabarito cilíndrico de paredes finas,
com uma das extrem idades afiadas e diâmetro Proced imentos para a preservação de amostras de
interno nominal de 1,5 pol. As superfícies de topo folhelhos após a testemunhagem, embalagem para
e base foram acertadas por raspagem com faca, o transporte, preparação de amostras no LPA e
passada rente ao gabarito logo após a plugagem. armazenagem também foram desenvolvidos pela
Para retirar a amostra intacta de dentro do Divisão de Explotação (DIPLOT) e Setor de
g~barito, foi preciso congelar novamente a rocha Tecnologia de Engenharia de Poços (SETEP) .
(inclusive o gabarito).
A presença de materiais expansivos nas argilas
No outro procedimento, o testemunho foi mantido obriga o isolamento da rocha no interior de tubos
congelado para o cOlte na plugadeira, refrigerada, de fibra de vidro, completamente preenchidos com
neste caso, com ar comprimido. As superfícies de óleo inerte. Dessa forma, evita-se o contato com a
topo e base foram preparadas no torno mecânico, umidade do ar atmosférico - que pode fazer a
com amostra ainda congelada. amostra se rachar por completo (foto 11) -, e o
testemunho pode ser transpOltado e armazenado.
A limpeza de arenitos inconsolidados com soxhlet
só foi possível com encapsulamento das amostras A grande dificuldade na preparação de folhelhos
em uma lâmina de estanho, permitindo a extração advém da fragilidade do material, que tende a se
do óleo e dos demais fluidos do interior da rocha desagregar segundo as camadas deposicionais . As
sem destruir o CP. Considerando-se que algumas primeiras tentativas de se extrairem corpos-de-
amostras são ainda saturadas com óleo inerte, é prova de folhelhos foram realizadas com
preferível, em alguns casos, não realizar a limpeza plugadeira e broca diamantada de duas polegadas
com o soxhlet para evitar o risco de perda dos CPs. de diâmetro.

A saturação de arenitos inconsolidados é realizada Este método apresentou problemas devido à


na célula triaxial de ensaios de compressão, com vibração da broca dentro da amostra. Foi, então,
BoI. téc. PETROBRAS, Rio de Janeiro, 41 (112): 31-43, jan./jun . 1998 39
desenvolvido um sistema de fixação do CP na base de resistência . Na figura 4, apresenta-se uma típica
da plugadeira, conferindo maior estabilidade à curva de tensão-deformação.
amostra durante a plugagem. Ainda assim era
grande o número de amostras perdidas durante o 7.5 r----------r-----------,

procedimento.

Para contornar esse problema, decidiu-se preparar


amostras cilíndricas em torno mecânico. Este
""" .
método consiste na redução do diâmetro do
testemunho por desbaste lateral, até atingir o
diâmetro padrão de ensaio. O resfriamento da
ferramenta de corte é obtido com óleo inerte,
também utilizado com a finalidade de manter a
superfície da amostra isolada do ar ambiel~te do
LPA. Toda a operação é realizada com extremo
cuidado para não fraturar a rocha. -----6- IX-F !VI.( M

-B-- IX'l-: AXW.

ao L_~_~_ __ L_ _~_ _L __ _L_~_ _~


H

-2.0 -1.0 0.0 1.0 2.


DEFORMAÇÃO (%)

Fig. 4 - Gráfico tensão verslIs deformação para confinamento


de2,5 MPa.
Fig. 4 - Graphic lension verslls deformalion for conjinement
of2,5 MPa.

Pela envoltória de Mohr-Coulomb (fig. 5), obtêm-


se o ângulo de atrito interno e a coesão da rocha.

OO .-------------~------------------_.

20 60 00 100 120 l-O 160


Foto 11 - Amostra de folhelho sem preservação. TEI/SÃO UORMAL (MPa)
PIlOto 11 - Sha/e samp/e not presel1l ed.
Fig. 5 - Duas envoltórias de resistência traçadas a partir
dos círculos de Mohr dos ensaios triaxiais .
6. RESULTADOS OBrIDOS EM UM Fig. 5 - Two cases ofslrenglh p/olledJi'oll1lhe Mohr circles of
ESTUDO TÍPICO DE MECÂNICA DE lhe Iriaxia/lesls.
ROCHAS PARA A BACIA DE CAMPOS
A simulação de estabilidade demonstrou, então, a
Amostras de arenitos inconsolidados do Campo de região do poço sujeita à plastificação em função
Marlim foram estudadas no LMR para subsidiar das tensões atuantes e dos parâmetros de
estudos de estabilidade dos poços. O objetivo do resistência da rocha (fig. 6).
ensaio era fazer o levantamento da envoltória de
resistência do material nas condições do 7. ENSAIOS COMPLEMENTARES
reservatório, definindo o estado crítico de tensões
durante a produção do poço. Foi realizada uma O LMR realiza grande parte dos ensaios
série de ensaios triaxiais com diferentes pressões necessaJ'los para a definição dos parâmetros de
confinantes, permitindo o cálculo dos parâmetros operações com poços de petróleo, podendo, ainda,

40 BoI. téc. PETROBRAS, Rio de Janeiro, 4/ (1/2): 31-43,jan./jun. 1998


apoiar outras atividades, como escavação o modelo de ruptura nestas rochas depende de
subterrânea para armazenagem de gás. tempo; nível de confinamento e temperatura.

Os ensaios de cisalhamento direto e protodiakol1ov


são também muito utilizados em outros tipos de
H.AT J. Q
rochas brandas. Assim, o problema em estudo
definirá qual o melhor ensaio para a solicitação a
que estará submetida a estrutura em rocha.

Hoje, a PETROBRAS tem como meta produzir


petróleo em reservatórios profundos abaixo da
zona de sal, que ocorrem nas bacias da margem
continental brasileira. Neste caso, além elas
propriedades de cisalhamento mencionadas, torna-
FIGLRA 6 se necessário determ inar o com portamento de
fluência do sal para altos níveis de tensão
desviatória e temperatura .
Fig. 6 - Simulação numérica de estabilidade.
Fig. 6 - NlImeric simulation ofstability. Os ensaios de fluência devem ser realizados em
estruturas especiais para não ocupar o STG por
Os ensaios de compressão triaxial fornecem os muito tempo com um mesmo teste, já que alguns
parâmetros de resistência ao cisalhamento (coesão experimentos de fluência pode durar alguns meses .
e ângulo de atrito) para a maioria das rochas das
bacias brasileiras. No caso de rochas sujeitas ao
8. CONCLUSÃO
fenômeno viscoplástico de fluência, no entanto,
torna-se difícil obter uma envoltória de ruptura por
O balanço das atividades elo LMR é pOSitiVO na
cisalhamento somente a partir dos ensaios
contribuição às atividades de E&P, consolidando,
triaxiais, pois as deformações plásticas trazem em
principalmente, o subsídio à análise de
si um componente fortemente dependente do
estabilidade de poços horizontais e ele geometria
tempo. Seria necessário, então, desenvolver uma
não-convencional to mo os raelia.is e os _de grande
prática experimental para análise deste tipo de
afastamento. Espbra-se com a dlvulgaçao de suas
rochas, associando-se, por exemplo, ensaios de
atividades, que a dimensão de sua atuação passe a
creep aos de envoltória de resistência.
ser mais abrangente na PETROBRAS.
No caso de rochas com comportamento
dependente do tempo, os ensaios triaxlals NOMENCLATURA
poderiam ser complementados por ensaios de
cisalhamento direto e cisalhamento protodiakol1ov. 0'1 - pressão total de ruptura
Estes parâmetros de resistência são apl icados, por 0'3 - pressão total de confinamento
exemplo, em escavações de rochas salinas, já que

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