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Introdução

O presente trabalho tem como título mudanças familiares nas sociedades contemporâneas e
surge no âmbito da Disciplina Sociologia da Família. Falar de família actualmente pressupõe
uma análise histórica, visto que esta está a sofrer profundas transformações sociais, políticas e
até culturais que muitas vezes trazem grandes implicações nos indivíduos.
Com o presente trabalho pretendemos analisar aspectos estritamente ligados a família, mostrar e
frisar uma vez mais a importância desta instituição que é considerada a base de todas as
sociedades, analisar aspectos que de alguma forma estão a contribuir para a transformação do
que era família em tempos mais remotos e o que estará a acontecer com esta nos tempos actuais e
que soluções propor para que esta permaneça e continue a servir de suporte e o meio onde o
indivíduo adquire a sua identidade.
O trabalho resulta basicamente de pesquisas bibliográficas e consultas de sites na Internet.
Em termos de estrutura, o trabalho conta com três partes principais, sendo a primeira, a presente
introdução, a segunda parte é preenchida pelo tema e aspectos relacionados ao tema, na terceira
parte ressaltamos pontos principais a reter sobre o tema e por fim apresentamos na última parte
as referencias bibliográficas de todo o material usado para a composição do trabalho e os
respectivos sites consultados na Internet.
Quadro teórico
Nesta parte do trabalho, procuramos trazer as perspectivas teóricas que vão servir de suporte para
a análise do estudo. Para além das perspectivas teóricas vamos fazer uma breve definição dos
principais conceitos usados para explicar o fenómeno em estudo. sendo assim, afigura-se
relevante, discutir os conceitos de família e casamento, pois, e a partir delas que podemos tirar
inferências sobre as mudanças que ocorreram no seio desta instituição básica da sociedade

Conceito de família
A família é a mais antiga instituição humana que se conhece. Segundo a WLSA Moçambique
(1998), família é entendida como corpo institucionalizado onde, através de relações de
cooperação estabelecidas se faz a socialização dos seus membros.
Messa (s.d), sugere que a família é o primeiro grupo no qual o homem está inserido ou seja, é a
rede inicial de relações do indivíduo que funciona como uma matriz de identidade, dando
oportunidade de pertença a um grupo específico e também de ser separado e ter participação em
subsistemas e grupos sociais externos.
Riviere (1998) citado pelo autor supracitado afirma que a família é a estrutura social básica que
deve ter seus papeis delimitados com diferenças específicas, porém relacionadas ao seu
funcionamento que depende das diferenças desses papeis.
Na concepção do grupo, família é meio social onde o individuo é moldado, procedendo-se a
transmissão de valores costumes e tradições do seu grupo social através de uma educação sem
uso de técnicas, onde constitui maior relevância aquilo que o individuo é e não aquilo que ele é
capaz de fazer.
Na cultura ocidental, uma família é definida especificamente como um grupo de pessoas de
mesmo sangue ou unidas legalmente como no casamento e na adopção, isto para dizer que são
membros da família progenitora e filhos. Concordando com Watch Tower Bible (2006), nos
países ocidentais, a família normalmente consiste em pai, mãe e filhos. Os avós em geral moram
nas suas próprias casas enquanto podem, mas mantém o contacto com parentes mais distantes e
os deveres para com estes são limitados.
Giddens (2000), define uma família como sendo um grupo de pessoas unidas directamente por
laços de parentesco, no qual os adultos assumem a responsabilidade de cuidar das crianças. Para
ele, os laços de parentesco entre indivíduos estabelecidas através do casamento ou por meio de
linhas de descendência que ligam familiares consanguíneos (mães, pais, filhos e filhas, avos, etc)
Na perspectiva africana Osório (2002), citada por Borsa e Feil (2008), apresenta uma visão
operatória de família tipicamente africana, definindo-a como uma unidade grupal na qual se
desenvolvem três tipos de relações: i) aliança (casal), ii)filiação (pais/filhos) e
iii) consanguinidade (irmãos) e que a partir dos objectivos genéricos de preservar a espécie,
nutrir e proteger a descendência e fornecer-lhe condições para a aquisição de suas identidades
pessoais tendo em conta que cada membro ocupa uma posição com a qual se deve identificar.
Neste contexto podemos ver a família como um conjunto invisível de exigências funcionais que
organiza a interacção dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um sistema,
que opera através de padrões transaccionais e no seu interior os indivíduos podem constituir
subsistemas, podendo estes ser formados pelas gerações, sexo, interesse e/ ou função, havendo
diferentes níveis de poder, e onde os comportamentos de um membro afectam ou influenciam os
outros membros.
De acordo com Garcia (2001), em Moçambique assim como noutras sociedades africanas, a
unidade fundamental das sociedades é a família extensa, que funciona como elemento mítico -
espiritual, social e até juridicamente solidário. Aquelas estruturas possuem um carácter
intensamente comunitário; desempenhando o indivíduo funções com importância colectiva; o seu
interesse é subordinado ao geral. O comunitarismo faz ainda parte da religião, das formas de vida
económica e da existência de inúmeras sociedades especiais (no espaço entre família e a tribo).
Visto que as famílias moçambicanas são no geral colectivistas, onde o papel de cada um dos
membros está bem definido e, um possível erro de um dos membros pode ser analisado como
sendo um erro de toda família no geral.
Após a discussão que se fez do conceito de família nas várias realidades, importa referir, em jeito
de conclusão, que, embora, o conceito família seja polimorfo, não podemos a (família) dissociar
das suas funções básicas, nomeadamente: a procriação, a socialização dos novos membros,
controlo sobre a sexualidade.
Revisão da literatura
Este ponto do trabalho visa mostrar o conhecimento do que tem sido realizado dentro da área do
tema da pesquisa. Para a realização de um trabalho de pesquisa, é imprescindível proceder-se a
uma revisão da literatura pertinente ao assunto que se pretende estudar de modo a aprofundar o
conhecimento sobre a temática, bem como apreender os procedimentos teórico-metodológicos
mais adequados ao fenómeno a ser pesquisado.

1. Mudanças familiares nas sociedades contemporâneas


Desta forma afigurou-se relevante para o efeito a obra François de Singly (2000), sociólogo
francês. Este autor não duvida das “mudanças que essa instituição (a família) conheceu e
conhece ao longo da segunda metade do século XX - sobretudo nos países ocidentais: o
decréscimo dos casamentos, das famílias numerosas, o crescimento das concubinagens, dos
divórcios, das famílias pequenas, das famílias monoparentais, recompostas, do trabalho
assalariado das mulheres”. O autor encontra as orientações teóricas explicativas de tais mudanças
no crescimento, desde o início do século XX da centralidade da lógica do grupo familiar em
torno do amor e da afeição, grupo estruturado na conjugalidade (com atribuições diferenciais por
sexo) e na filiação. A partir dos anos sessenta, no deslocamento da importância do grupo para a
importância dos membros do grupo, da crescente idéia de que o amor passa a ser condição da
permanência da conjugalidade, e da tendência à não diferenciação de funções por sexo nas
relações amorosas e conjugais e na substituição de uma “educação retificadora” (corretora e
moral) das crianças por uma “pedagogia da negociação”.

Casamento
O conceito casamento é objecto de grandes debates nas ciências sociais, principalmente na
antropologia e sociologia. Segundo Martinez (2009), o casamento é uma instituição social que
visa estabelecer vínculos de união estáveis entre indivíduos de sexo oposto, como não, baseada
no reconhecimento do direito de prestações recíprocas de comunhão de vida e de interesses,
segundo as normas das respectivas sociedades. Não se trata de um tipo de partilha qualquer,
deixado ao livre arbítrio e inclinações dos intervenientes, mas de uma comunhão de interesses
mútuos.
Casamento nas sociedades antigas
Segundo SEGALEN (1999)

No que diz respeito as modalidades de matrimónio e as vicissitudes que ocorreram no seio da


instituição família, Demartis (2006) advoga que é notável, hoje a diminuição e adiamento dos
casamentos; aumento das convivências (ou famílias de facto, ou uniões livres); o aumento de
separações e dos divórcios; ou aumento das famílias com um só progenitor; o aumento das
famílias reconstituídas (em que pelo um dos cônjuges ou parceiros provem de uma anterior
união); a diminuição global dos nascimentos; o aumento dos nascimentos fora dos matrimónios,
aumento de famílias unipessoais (compostos por uma só pessoas). Segundo a autora trata-se de
fenómenos que evidenciam a mudança global da mentalidade no seio da sociedade,
consequentemente na família. Uma mudança cultural que implica a reestruturação familiar e que
se exprime, no actual pluralismo dos seus modelos. Por exemplo, a abaixa do numero dos
matrimónios, o aumento das uniões de facto e das famílias unipessoais e diminuição da
natalidade podem estar, pelo menos, em parte, ligados mudança, já mencionada, da condição
social da mulher (para a qual a condição social de domestica mãe perdeu atractivo) e à
consequente exigência, por parte desta, autonomia e de igualdade em relação ao homem. A a
mulher, em suma, tem cada vez menos necessidade do matrimónio para realizar sua identidade e
sente como cada vez mais constritivo o peso de uma difícil conciliação entre vida de trabalho e
vida familiar, alem disso, o trabalho e a consequente maior autonomia económica permitem as
mulheres um maior poder contratual dentro da família. Este aspecto, se por um lado provoca
tensões quanto as expectativas do parceiro, muitas vezes, não disposto a abdicar dos privilégios
que eram garantidos pela divisão tradicional dos papeis, por outro lado, dá às mulheres a garantia
económica considerada necessária para o divorcio possível. Demartis (2006, pp 148-149)

Casamento e sexualidade
Giddens ao abordar a sexualidade, procura analisar ou reflectir sobre as vicissitudes que afectam
a hodierna sexualidade. Giddens, a partir duma novela de “Julian Barnes : Before She Met Me”,
evidencia o paradigma vigente hoje no campo de sexualidade. Demonstra a busca incessante, por
parte das mulheres, pela igualdade sexual entre os homens e as mulheres
Nas sociedades “tradicionais” a sexualidade era (é) vista sob ponto de vista androcêntrico, onde a
a mulher deve reprimir os seus desejos sexuais, sob pena de ser considerada “perdida”. Como
refere Giddens “Há muito tempo a virtude tem sido definida em termos da recusa de uma mulher
em sucumbir à tentação sexual”. E o homem, em contrapartida é considerado u ser que por
natureza tem necessidade de variedade sexual para sua saúde física e, é legitimo que o mesmo
tenha varias parceiras sexuais.
Nas sociedades actuais, que prevêem igualdade sexual, ambos sexos são levados a realizar
mudanças fundamentais em seus pontos de vista e em seu comportamento, em relação um ao
outro. Giddens, com auxilio da novela acima cita, refere ainda que o casamento tradicional era
convencional e extremamente rígida no que concerne a separação dos papeis no seio do casal,
enquanto que, o casamento actual, é marcado pela negociação sexual, de “relacionamentos”, em
que novas terminologias de “compromisso” e intimidade vieram a tona
Por outro lado, faz uma análise sociológica sobre as nuances e o tipo de comportamento que era
esperado dos indivíduos antes contraírem o matrimónio. Giddens busca relatos, nos estudo
realizado por Lilian Bubim sobre as historia sexuais, onde constatou-se que, outrora, a
virgindade antes do casamento, por parte das garotas, era apreciada por ambos os sexos.
Entretanto, na actividade sexual dos adolescentes de hoje, é radicalmente diferente das épocas
passadas, pois, as garotas acham que tem o direito de envolverem na actividade sexual em
qualquer idade que lhes pareça apropriada. A inocência juvenil, hoje, não é dado relevância, é
esperado que ambos cheguem a fase do casamento relativamente “maduros” no campo da
sexualidade.

O divorcio
O fenómeno social que mais força, manisfesra a crise da família conjugal é o divrocis. A
possibilidade, legalmente reconhcida, de se divorciar faz parte da mentalidade comum do
ocidente industrializado, se excetuarem os grupos, cada vez mais restritos, que o escluem por
motivos religioso. Outrora, o divorcio era considerado como uma sanção contra o cônjuge que se
tinha maculado com alguma culpa. Primeiramenet, era concedido so em caso de adultérios. No
decurso dos anos 70, o sistema do divorcio foi abandonado e substituído pelo divorcio-fracasso.
Para que um tribunal decrete hoje ruptura de um matrimónio já não é necessário a culpa de um
dos cônjuges: basta que entre o marido e a mulher haja diferenças inconcialiveis, que tornam a
convivência “intoleravel’
Porvenutura, afirmacao desta mentalidade deve-se aos reforço da autonomia individual no campo
dos sentimentos e dos afectos, alem do das escolhas, que culminou na afirmação do amor
romatico. Se casamento é uma aliança de um interesses em que os sentimentos carecem de
relevo, e a família é relativamente uma empresa económica e poder, é a propira conservação dos
interesses que fundamenta a união. Mas quando, em vez do intereese, intromete a esperença de
felecidade, as expectivas dos indivíduos situam-se num solo muito mais instável e arriscado

Referências bibliográficas
DMARTIS, Lucia,(2006) Compendio de Sociologia, Edicoes 70 Lda, Lisboa