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CENA 1

Mãe : Querida . Olhe o dia está tão bonito lá fora . Largue esse livro Alice , a vida não é só feita
de textos . (ela se aproxima de Alice e abaixa o livro) Você tem que sair desse quarto , respirar
um ar puro , pensar em outras coisas minha querida .

Alice : Eu tô muito bem aqui , eu não preciso de nada disso , Eu posso viajar com meus livros ,
eles me levam há tantos lugares incríveis . Mamãe olhe , veja Olhe como ele é magnífico , é tão
rico .

Mãe : Deus que me perdoe . Mas as vezes não te vejo como as outras garotas da sua idade . Já
era pra ter namorados nessa idade .

Alice : Eu não quero falar sobre isso , mais uma vez com a senhora . Essa conversa me cansa . A
senhora sabe muito bem disso . Deixe eu viver tranquilamente em meu mundo .

Mãe : E como é esse mundo filha ?! Eu não consigo entender a forma que você pensa , para
poder te entender .

Alice : Ninguém me entende , só eu me entendo . Só eu vivo de acordo de que como quero


viver . Só eu penso , como eu quero pensar .

Mãe : Como eu queria poder te ajudar . Tirar você desse quarto escuro . Te mostrar um mundo
novo lá fora .

Alice : E o que há de novo no mundo , me diga ? O mundo sempre vai ser o mundo . Pode se
passar dias , horas , meses , séculos e milênios . O mundo não mudará em nada , Mas o meu
mundo , nele sempre há algo de novo.

Mãe : E o que é seu mundo ? Vamos me diga !

Alice : Meu mundo é isso que a senhora pegou em suas mãos .

Mãe : O quê . Um livro ?

Alice : Sim , um livro . Uma frase , um texto pode se tornar ,uma ilha , um continente , cheio de
informação , magia .

Mãe : Eu sempre te vejo , sempre sozinha . Sem nenhum amigo .

Alice : Isso não é verdade . Eu tenho alguns colegas de escola .

Mãe : Mas não vejo nenhum deles vir te procurar ou virem aqui em casa , para alguma coisa .

Alice : Não precisa virem aqui . Eu nem quero . Eu fico bem sozinha .

Mãe : Mas ninguém vive sózinho nesse mundo Alice . Você já viu algo se desenvolver no
mundo , sem ajuda de uns aos outros ? Alice querda , por favor , tente largar esse livro , o seu
mundo para abraçar esse aqui , o que eu vivo , seu pai vive . Ele não é tão terrível quanto
pensa .
Alice : Eu insisto . Eu não quero viver isso pra mim. O que o mundo te trouxe , vamos conte pra
mim ?

Mãe : É muito complicado convencer você a fazer alguma coisa boa , alguma coisa que pode te
ajudar , a acordar . O mundo roda Alice , e todos tem a rodar conforme ele !

(A mãe sai de cena , e Alice fica sozinha.)

Alice : O mundo que você ama eu não o amo mamãe; Seres humanos são estranhos ,
incalculáveis . Nunca se sabem o que estão pensando , armando . Mamãe quer que eu veja o
mundo lá fora . O que tem lá fora ? Aqui eu tenho textos lidos , me mostram caminhos ,portas
para lugares incríveis

Irmã : Falando ai mais uma vez sozinha Alice ?

Alice : Não . Quem disse que eu falo sozinha , apenas reflito sobre tudo o que acontece comigo
.

Irmã : E está refletindo sobre o quê ?

Alice : Agora mesmo , sobre uma conversa que estava tendo com a mamãe .

Irmã : E sobre o que falavam ?

Alice : Sobre mundos . No caso o meu e o dela .

Irmã : E você acha , que o seu mundo é tão diferente do nosso . Alice minha irmã , eu te amo
muito , mas a sua cabeça eu não consigo entender . Talvez , Você precise estar em um lugar
para poder colocar tudo ai dentro no lugar .

Alice : O que você quer dizer com isso Lilian ?!

Irmã : Ah , você está muito confusa .

Alice : Você acha que eu estou ficando louca .

Irmã : Não disse isso . Nunca minha boca , pronunciou isso em relação a você . Oras ! Eu teria
vergonha de ter uma irmã louca; Eu vou deixar você sozinha . Não quero te deixar mais
confusa do que já está .(Sai)

CENA 2.

Mãe : Você parece tão irritada . O que houve?

Irmã : Será que Alice precisaria de um psiquiatra ? Talvez , com uma pequena ajuda ela volte
ao normal. Olha Mãe eu já falei um Doutor Oscar, ele esta chegando...

Mãe : Será que ele vai conseguir ajuda-la? A mente dela , é cheio de enigmas . Sempre pensei
que Alice seria aquela menina doce , que ama todo mundo , que se casaria logo , com um bom
marido . Mas ela vive lá , naquele quarto ,

Irmã : Mamãe . O Doutor Oscar vai chegar já, ele é um bom psiquiatra .
Mãe : Você tem certeza que ela precisa de um ?

( DR Oscar Entra)

Doutor Oscar : Ola Senhoras, me explique o que ela tem realmente ?

Irmã : Doutor . Eu não sei . Alice não sai do quarto . Fica sentada naquela cama o dia todo, com
o livro na mão , e quando termina um livro é outro , depois outro .

Doutor Oscar : Ela então gosta muito de livros . Sua irmã deve possuir uma mente muito
inteligente . E ela se relaciona com outras pessoas ?

Irmã : De alguma forma sim , pois ela é obrigada a ir a escola . Mas não sei , como ela fica lá .

Doutor Oscar : Será que alguém a reprimi. Normalmente sempre há um grupo, que ficam
zombando de um aluno , ainda mais o caso dela .

Irmã : Pode até ser . Eu nunca pensei nessa hipótese .

Mãe : Com licença . (Doutor Oscar se virá e se levanta ao ver Alice junto com a mãe) Alice .
Esse aqui é um amigo do Pedro . Doutor Oscar . Ele veio aqui pra poder conversar com você .

Alice : E que o senhor quer conversar comigo ?

Doutor Oscar : Primeiro . Deixe-me apresentar . Sou o Oscar , e quero poder conversar com
você , sobre tudo que está se passando na sua vida . Com licença (ele olha para a Mãe e Irmã) ,
poderia nos deixar sozinhos .

Mãe : Claro . Sim sem problemas . Assim que terminar nos avise por favor , Doutor Oscar .

Doutor Oscar : Claro .

Doutor Oscar : Bem . Antes de mais nada . Eu vou pedir para me conte sem medo , tudo o que
está acontecendo com voce .

Alice : Eu sei que me chamam de louca pelas costas . Sei que está aqui por causa disso , mas eu
sou normal . Sou sim !

Doutor Oscar : Não precisa ficar exaltada Alice . Vamos tocar em outro assunto então . Fale
outra coisa , Deixa eu ver , o que te faz bem ?

Alice : Livros . Livros me fazem muito bem .

Doutor Oscar : E que tipo de livros você gosta de ler ?

Alice : Todos . Mas os de aventura , magia . Eles me fascinam .

Doutor Oscar : Tem algum amigo , uma amiga quem sabe , que tenha o mesmo gosto que você
tenha ?

Alice : Eu não sou de fazer amizades fácil . Eu já tentei .Acredite ! Já tentei várias vezes.
Doutor Oscar : As pessoas , se afastam de você ?

Alice : Algumas sim, outras não . Talvez me achem estranha .

Doutor Oscar : E por que achariam isso ?

Alice : Por causa do meu jeito . Olhe pra mim , pareço estranha não é ? As vezes nem eusei
quem eu sou . as vezes vejos os personagens dos livros criando vida...

Doutor Oscar : O que você gostaria de ter na vida ?

Alice : Chega de perguntas . Sai da minha casa !

Doutor Oscar : Me ajudem aqui ! Ela está descontrolada ! (aparecem em cena a Mãe e a

Irmã) .

Mãe : Alice ! Solta ele . Solta ! (a mãe a agarra)

Alice : Eu não sou louca , Eu não tenho culpa de serassim. (T) Vejam , estão vendo? É um
buraco logo ali.. Olhem? Um coelho... ( pegam ela pelos braços) Me solta, Me solta, Me solta !!

Doutor: Alice vai ser internada , hoje mesmo . Ela está sofrendo de uma bipolaridade muito
forte junto com depressão .Casos assim são complicados.

Irmã : Você se aprisionou em um mundo só seu Alice , Não nos culpe .

Mãe: Não fale assim com ela Lilian ( segurando Alice , chorando) .

Alice : Não me deixe ir mamãe . Me perdoe ! Não me deixe ir . Eu não posso ficar sem essa
casa . Tudo o que eu sou , está em meu quarto . Minha essência , minha vida está nas páginas
de todos aqueles livros .

Mãe : Eu prometo querida , que eu levarei tudo para você . Todinho .

Alice : Não me deixe ir Mamãe..

. CENA 4

(No palco agora , aparece um local ,parecido com uma cela de cadeia mas com camas)

Alice : Por quanto tempo eu vou ter que ficar aqui Jefferson : Já há muito tempo que ninguém

Chapeleiro1: Quem sabe dizer ? Eu não sei.

Chapeleiro 2: Talvez dias , semanas , meses . O tempo aqui dentro é muito diferente do tempo
lá fora .
Alice : Isso é verdade ? quem são vocês ?

Chapeleiro1: eu me chamo Chapeleiro,

Chapeleiro 2: Xiiii não fala isso seu maluco, a Rainha de copas pode ouvir...

Chapeleiro1: desculpas, desculpas, Meu nome é Jefferson , prazer .E qual é o seu nome ?

Alice : Alice . Eu sou Alice , muito prazer Jefferson . Há quanto tempo está aqui ? quem é essa
Rainha de copas??

Chapeleiro2: Ele não sabe o que diz, nossos pensamentos voa aqui...

Alice : É o meu primeiro dia aqui e confesso muito que estou assustada .

Chapeleiro1: Você se acostuma . Todos nós nos acostumamos com esse lugar . Não é tão
terrível assim. O Coelho vive correndo solto por ai

Alice : O que ? que Coelho??

(troca de Cenário)

Vozes Em off ao fundo, os personagens começam a correr pelo palco, ao mesmo tempo que o
Cenário começa a se transforma em uma sala antiga.

IRMÃ off : Napoleão Bonaparte, o segundo de oito filhos, nasceu na Casa Bonaparte, na cidade
de Ajaccio, Córsega, em 15 de agosto de 1769...

IRMÃ off: Alice! Você quer prestar atenção na lição de história!

VOZ off: Sonhando! É isso, se esse mundo fosse só meu, tudo seria diferente. Nada era o que
é, porque tudo era o que não é, e também tudo que é por sua vez não seria, o que não fosse
seria. No meu mundo os gatos não diriam: Minhau! Diriam: Sim, dona Alice...

(Nesse instante o Coelho, vestido com um colete passa a frente delas, assoviando. )

COELHO : Oh, puxa! Devo estar muito atrasado! Oh, não! É tarde! É tarde! Estou muito
atrasado!

ALICE : Oh, me espere! Senhor coelho, me espere!

COELHO: (sem olhar para Alice) Não posso, estou muito atrasado! É tarde!

(uma enorme tempestade de ventos se forma e Varias Alices começam a aparecer e formar
um século como em uma cantiga de roda)

Alice está deitada no chão, ela se senta e olha em volta. Cenário: Uma sala cheia de portas. E
uma mesa de vidro bem atrás dele, mas ela ainda não a viu... Uma pequena porta está
montada na direção em que o coelho sairá de cena...

Alice 1: Estou tonta... espera ai... quem são vocês?


Alice 2: eu sou Alice... e vocês?

Alice 3: eu me chamo Alice e vejam como estou suja...

Todas: somos três?

Alice 1: Caramba... Acho que não estou mais no Hospital....Acorda Alice , acorda...

(as outras Alices Imitam umas as outras)

ALICE 2: Esse sonho não acaba mais!

ALICE 3: Eu adoraria saber quantas milhas eu caí até agora, Agente deve estar em algum lugar
do centro da terra.

( Coelho passa e sua frente, apressando.)

COELHO : Oh! Minhas orelhas e minhas vibrissas, como está ficando tarde!

O Coelho saí. Alice se levanta e olha para o lado em que o Coelho sumiu. Olha para trás e vê a
mesa, vai até ela e pega uma pequena chave dourada. Olha em volta...

ALICE 1: Deve ser de algumas dessas portas, mas qual? Se ao menos eu tivesse prestado
atenção para qual delas que o coelho entrou...

FECHADURA: Quem é você?

(Alice olha pros lados, procurando de onde vem aquela voz. )

FECHADURA: Sou eu. A fechadura, Bem aqui em baixo.

ALICE2: Eu sou Alice, uma menina!

ALICE1: não é não, eu sou a Alice!!

ALICE 3: todas nós somos Alice

FECHADURA: O que você procura, jovem Alice? Quero dizer jovens Alices ( dar uma risada)

ALICE1: O Coelho de colete, o senhor sabe para onde ele foi?

FECHADURA: Não sei, senhorita Alice, para onde ele foi, mas sei por onde ele passou.

ALICE2: E por onde ele passou?!

FECHADURA: Passou por mim, oras!

ALICE 3: Ah, obrigada!

As meninas enfiam a chave na fechadura e forçam a abertura todas ao mesmo tempo, a


Fechadura solta um grito...
ALICE1: Oh, desculpe!

FECHADURA: Antes vocês devem me responder uma pergunta! Menininhas!

Alice 2: Já sei a Resposta, eu sei eu sei..

ALICE3: Mas ele nem perguntou ainda... Fica quieta Alice..

FECHADURA: Então, lá vamos nós. Qual é o sabor da minha torta favorita?

ALICE 1: Oh, puxa! Essa pergunta não vale, como eu haveria de saber de qual torta você gosta
mais!

FECHADURA: Quem faz as perguntas aqui sou eu, Menininha! Se não responder, não passa!

FECHADURA: Vamos, menina Alice... vamos, você consegue... continue tentando... pense com
criatividade...

ALICE2: Pensa Alice, pensa!

ALICE 3: Já sei! Fechaduras não tem estômagos, por isso não podem comer tortas! Mas podem
beber óleo, senão, a chave com certeza ficaria emperrada! Estou certa, senhor Fechadura?

FECHADURA: Oh, acertou... você é uma garotinha esperta, senhorita Alice, com certeza vai
encontrar o coelho de colete rapidamente. Pode passar!

Alice 2: conseguimos!! Quero dizer, você conseguiu...

FECHADURA: Boa sorte Alice!!!

ATO: 02

• CENA UM:

ALICE 1: Vamos ver, por onde é? Que caminho devo tomar?

(GATO LISTRADO começa a cantarolar. Ele está escondido... )

ALICE 2: Ora, quem estaria cantando?

Quando Alice olha atrás de uma árvore...

GATO LISTRADO: Perdeu algo?

ALICE 3: Não, não... isto é, eu estava pensando...

GATO LISTRADO: (interrompe) Estou muito bem.

GATO LISTRADO: Segundo verso. ♫ (volta a cantarolar)

Alice se aproxima do gato...

ALICE 1: Oh, você é um gato!


GATO LISTRADO: Mestre Gato. (volta a cantarolar)

ALICE 2: Oh, espere! Não vai, espere!

Luzes se ascendem e o gato volta a ser visto...

GATO LISTRADO: Muito bem!Terceiro verso...

ALICE 3: Não, não, não... Obrigada, mas eu só queria saber que caminho tomar.

GATO LISTRADO: Isso depende... do lugar! E onde quer ir...

ALICE 2: Oh, isso não importa, desde que eu.../

GATO LISTRADO: Então, não importa... que caminho tomar?

GATO LISTRADO: Então vamos ver. Se você quer saber, ele foi por ali! (aponta para os dois
lados do cenário)

Próximas falas são ditas bem rápidas pelos dois personagens.

ALICE 1: Ele quem?

GATO LISTRADO: O coelho branco!

ALICE 2: (hesita) Foi?

GATO LISTRADO: Foi o que?

ALICE3: Por ali (aponta para um lado de cenário).

GATO LISTRADO: Quem foi?

ALICE 1: (sem paciência) O coelho branco!

GATO LISTRADO: Que coelho?

ALICE 2: Mas não me disse que/... que coisa! (se vira com os braços cruzados)

GATO LISTRADO: Eu aqui... se eu procurasse o coelho branco... iria ao chapeleiro maluco?

ALICE 3: Ele é maluco? (olha para a arvore que há a placa escrita “Chapeleiro Maluco””)... Não,
não. Não quero.

ALICE 2: Eu não gosto de Maluco...!

ALICE 3: Esse nome não me é estranho.. Chapeleiro Maluco??

GATO LISTRADO: Então a Lebre? Naquela direção! (aponta pra placa escrita “Lebre”).
ALICE 1: Oh, obrigada, então eu vou visitar... Vamos Por ali.

GATO LISTRADO: (interrompe) Ele também é maluco...

ALICE 2: Mas eu não quero ver gente maluca!

ALICE1: Só tem maluco nessa Historia?

GATO LISTRADO: Oh... não pode evitar. Tudo aqui é maluco... (dá uma risada) Você não notou
que eu... estou mais lá, do que aqui?

ALICE 3: Se todos são assim, é melhor não contrariar. Vamos Ver esse Chapeleiro..

(mesa cumprida ao centro, com várias xícaras sujas e quebras, vários bules e jarras de café e
chá. )

O Chapeleiro Maluco e a Lebre estão sentados noutro lado da mesa, bebendo chá... Atenção: A

CHAPELEIRO 1: Tá cheio! Tá cheio! Não tem lugar! Não tem lugar! (diz andando sobre a mesa)

ALICE 1: Tem muito lugar! Espera ai...

ALICE 2: Nos conhecemos Vocês?

ALICE 3: É O Jeferson, o Maluco do Hospital...

CHAPELEIRO 1: eu sou o Chapeleiro, não conheço estes homem...

(Alice se senta na poltrona. O Chapeleiro desce da mesa e se senta em uma cadeira ao lado de
Alice. A Lebre pega uma jarra e uma xícara e corre até Alice... )

LEBRE: Tome um pouco de suco!

ALICE 2: Eu não vejo nenhum suco...

LEBRE: Não tem nenhum mesmo.

ALICE 3: (raiva) Então não é muito educado de sua parte oferecer!

LEBRE: E não é muito educado da sua parte sentar-se sem ser convidada!

ALICE 1: Eu não sabia que era sua mesa. Ela está arrumada para muito mais que dois
convidados!

CHAPELEIRO 2: (calmamente) Seu cabelo está precisando ser cortado.

ALICE 2: Você deveria aprender a não fazer esse tipo de comentário pessoal! Isso é muito
grosseiro!

CHAPELEIRO 1: Por que um corvo se parece com uma escrivaninha?

ALICE 1: Acho que posso adivinhar essa!


LEBRE 3: Você acha que pode encontrar a resposta dessa?

ALICE 2 : Exatamente!

LEBRE: Então você pode dizer o que acha!

ALICE 1: Eu vou... pelo menos... pelo menos... eu acho o que digo... o que é a mesma coisa,
você sabe.

CHAPELEIRO 1: Não é a mesma coisa nem um pouco! Senão você também poderia dizer!

Todos ficam em silêncio por alguns segundos. O Chapeleiro tira um relógio do bolso.

CHAPELEIRO 2: Que dia do mês é hoje?

ALICE 2: É dia 4!

CHAPELEIRO 1: (suspira) Dois dias errados! Eu disse a você que a manteiga não ia adiantar
nada! (para a Lebre)

LEBRE 1: Era a melhor manteiga!

CHAPELEIRO 2: Sim, mas algumas migalhas devem ter caído! Você não deveria ter passado
com uma faca de pão!

A Lebre pega o relógio e o analisa-o... depois de analisá-lo por alguns segundos...

LEBRE 2: Era a melhor manteiga, você sabe.

ALICE 3: Que relógio engraçado, ele mostra o dia do mês e não à hora!

CHAPELEIRO 1: (resmunga) Por que deveria? Por acaso o seu relógio diz o ano que é?

ALICE 1: É claro que não! Mas é que o ano permanece por muito tempo o mesmo!

CHAPELEIRO 1: Este é exatamente o caso do meu...

ALICE 2: Eu não estou entendendo nada.

CHAPELEIRO 2: Você já adivinhou a charada?

ALICE 3: Não, eu desisto. Qual é a solução?

CHAPELEIRO 1: Eu não tenho a mínima idéia.

LEBRE: Nem eu.

CHAPELEIRO 2: (lamento) Eu e o tempo tivemos uma disputa março passado...

CHAPELEIRO 1: um pouco antes dela enlouquecer, você sabe... (cutuca a Lebre) Foi na grande
concerto dado pela Rainha de Copas e eu tinha que cantar:

CHAPELEIRO 2: Pisca, pisca, pequeno morcego! Como eu queria saber onde você está!.
CHAPELEIRO 1: Conhece a canção, por acaso?

ALICE 1: Já ouvi alguma coisa parecida.

CHAPELEIRO 1: Ela continua, você sabe, dessa maneira... (ele sobe em cima da mesa, cantando
com seu rosto bem próximo do de Alice)

CHAPELEIRO 2: Muito acima do mundo você voa, Parece uma bandeja de chá no céu, pisca,
pisca...!.

CHAPELEIRO 1: Eu mal tinha acabado de cantar o primeiro verso, quando a Rainha berrou:
Cortem-lhe a cabeça!

ALICE 1: Que selvageria!

ALICE 2: QUE TRISTE

ALICE 3: QUE MALDADE...

CHAPELEIRO 2: E desde então... ele não faz nada do que eu peço. É sempre seis ta tarde agora!

LEBRE: Tome mais um pouco de chá.

ALICE 1: Mas eu não tomei nada! Portanto eu não posso tomar mais!

CHAPELEIRO 1: Você quer dizer que não pode tomar menos. É mais fácil tomar mais do que
nada!

ALICE 2: Ninguém perguntou sua opinião!

CHAPELEIRO 2: Quem está fazendo observações pessoais agora?

(O Coelho de colete atravessa o cenário rapidamente...)

COELHO: Está tarde! Oh, como está tarde! É tarde! É tarde!

(O Chapeleiro tropeça na cadeira a cai no chão, se levanta rapidamente, sobe em cima da


mesa...)

CHAPELEIRO 1: (grita) O coelho! O coelho!

ALICE 3: É verdade, o coelho!

ALICE 2: Temos que continuar nossa caminha... Estou com Saudades de Casa...

ALICE 1: Obrigada pelo chá maluco, senhor Chapeleiro.

CHAPELEIRO 2: Chá?!

LEBRE: Maluco?!

Alice segue o coelho que já saiu de cena...


• CENA TRÊS:

ALICE 1: Que chá mais bobo!

ALICE 2: Ainda bem que tem esse caminho, com certeza o coelho branco deve ter passado por
aqui.

ALICE 1: E agora? Para onde nós vamos?

ALICE 3: Já está ficando escuro!

ALICE 2:(começa a chorar/ senta na rocha) Eu quero ir para casa! Mas como eu vou sair daqui,
quem vai me encontrar aqui?

(O Gato listrado começa a cantarolar, mas ele não pode ser visto ainda. Alice se levanta
enxugando as lágrimas... )

ALICE 1: É você, senhor Gato?

Efeito de luz. O gato aparece encostado na árvore que há uma porta no caule... (obs.: a árvore
só pode ler iluminada depois do efeito de luz)

GATO LISTRADO: E quem esperava? O coelho branco, por acaso?

ALICE 3: Oh, não, não... eu não quero o coelho... eu, (chorando) eu quero ir pra casa! Mas não
acho o caminho...

GATO LISTRADO: Naturalmente é porque você não pode. Tudo aqui é da Rainha! (faz uma
reverência)

ALICE 2: Mas eu nunca vi uma Rainha.

GATO LISTRADO: Não... nunca viu? Oh... espere! Ela ficara louca, louca por você... (dá uma
risada).

ALICE 1: Mas, como vou achá-la?

GATO LISTRADO: Uns vão por ali (aponta para um lado) Outros por aqui (aponta para o outro
lado)... Mas, quanto a mim, pessoalmente, eu prefiro por aqui (abre a porta do caule).

ALICE 2: Oh, obrigada!

Cenário: Várias arvores com formas de coração. Um castelo pintado logo ao fundo... tem que
haver bastante espaço neste cenário, para que tudo posso ocorrer sem tumulto.

DOIS: Cuidado, cinco! Não jogue tinta em mim!

CINCO: Eu não tive culpa, o Sete empurrou meu cotovelo!

SETE: Muito bem, Cinco! Sempre colocando a culpa nos outros!


CINCO: É melhor você não falar nada, ontem mesmo eu ouvi a Rainha dizer que você merecia
ser decapitado!

DOIS: Por que?

SETE: Não é da sua conta, Dois!

O Dois joga o pincel no chão e ameaça ir para cima do Sete. Alice entra já dizendo...

ALICE 1: Vocês poderiam dizer-me, por favor, porque estão pintando essas rosas?

As cartas: Dois e Sete se assustam;

CINCO: (baixo) Por que, de fato, você vê, senhorita, está deveria ser uma roseira vermelha, e
nós plantamos uma roseira branca por engano,

DOIS: e , se a Rainha descobrir, nós todos seremos decapitados, sabe.

CINCO: Portanto, você vê, Senhorita, estamos fazendo o possível, antes que ela chegue para...

DOIS: (grita) A RAINHA! A RAINHA!

As três cartas se ajoelham ao chão em forma de reverência... Alice fica na ponta dos pés para
ver se enxerga a Rainha...

Efeitos sonoros de tambores e trombones, (marcha real)... 3 cartas de Copas entram e ficam
de um lado (de frente p/ platéia)...

O Coelho Branco entra, apressando, para ao lado da fileira de cartas...

COELHO: Imperial a vista! Sua graça! Sua excelência! Sua real majestade! A Rainha de copas!
TODOS: VIVA!!!

A Rainha entra... O Rei se aproxima do Coelho e cutuca...

COELHO: (desanimado) E o rei...

Só se ouve UM viva!

A Rainha percebe a presença de Alice, macha com os pés firmes até a ela... Com uma cara de
quem comeu algo estragado... Mas quando chega bem próximo a Alice olha para uma rosa que
está mal pintada...

RAINHA: Quem fez isso?!

A carta Sete apenas sorri, com um nó na garganta...

RAINHA: Idiota! (olha para Alice) Qual o seu nome, criança?

ALICE 2: Meu nome é Alice, as suas ordens Majestade.

RAINHA: E quem são esses? (aponta para as cartas que estão de joelhos)
ALICE 1: Como eu poderia saber? Não é da minha conta.

A Rainha fica com muita raiva...

RAINHA 3: Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe...

ALICE 2: Besteira!

A rainha se cala... Quando ela resolve abrir a boca novamente, o rei se aproxima...

REI: Ela é só uma menina, minha queria!

ALICE 1: O gato!

RAINHA: Quem?

ALICE 2: O mestre Gato! Nas suas costas!

A Rainha se vira (Atenção: A Rainha não pode ver o gato, como se fosse o jogo em que o gato
estaria se escondendo da Rainha).

RAINHA: Não vejo nada!

ALICE 3: Bem aqui!

Alice corre para cima da Rainha, tentando pegar o Gato, mas ela tropeça e cai em cima da
Rainha... O gato desaparece... Alice se levanta, assustada... a Rainha que estava com a cara no
Chão, se levanta...

RAINHA: (berrando) Alguém perderá a cabeça por isso!!! Você!!! (aponta para Alice)

O Rei se aproxima da Rainha...

REI: Meu bem... não podíamos formar um júri?

RAINHA: Um júri?

REI: É. Um jurizinho, bem pequenininho...

Alice faz sinal que sim com a cabeça... mas a Rainha não vê.

RAINHA: Está muito bem... (berra) Podem começar o julgamento! E DEPOIS...Cortem a


Cabeça!!!!

Cenário: O mesmo da cena passada, porém, tem que haver: Duas poltronas. E o restante:
como as cartas, ficaram sentadas em volta, e alguns em pé...

Alice já está sentada em uma cadeira, de frente p/ platéia. A Rainha e o Rei estão sentados em
seus tronos...

Entra o Coelho...
COELHO: Oh, majestade! Senhores jurados! Estamos aqui para acusar a menina Alice por
maltratar a Rainha verbalmente e lhe causar vários constrangimentos...

ALICE 2: Que absurdo!

COELHO: Bom... va/

RAINHA: Chegue de tantas asneiras, vamos para a parte da sentença!

ALICE 3: Mas antes vem o meu veredito!

RAINHA: (berra) Sentença primeiro! (calma) depois o veredito...

CHAPELEIRO: Mas não é assim que se faz...

ALICE 2: Que disparate. "Que ideia imbecil esta da sentença antes!"

RAINHA: "Dobre sua língua" Todas vocês,


ALICE 1; Não dobro não!,
RAINHA: Cortem-lhe a cabeça!

ALICE 3: Quem se importa com você?

ALICE 1: Vocês não passam de um baralho de cartas

RAINHA: (berra) Quem manda aqui?!!

ALICE 2: É voz, majestade.

RAINHA: Sim meu bem... CORTEM A.../

O Rei cutuca a Rainha...

REI: Escute meu bem, e as testemunhas? Podemos chamar, uma, duas... em?

RAINHA: Oh, está bem... (berra) MAS VAMOS COM ISSO!!!

CHAPELEIRO 1: Tragam a primeira testemunha.

COELHO: A lebre maluca!

Entra a Lebre acompanhada por um soldado (carta)... ele se senta em uma cadeira separada
para as testemunhas.

REI: O que você sabe sobre o incidente?

LEBRE: Nada.

RAINHA: Como nada?!

LEBRE: (afronta) Nada de nada!!!

RAINHA: (para o rei) Muito Importante!!! Senhores jurados, tomem nota.


ALICE 1: Sem importância, senhora Majestade, eu disse é claro.

RAINHA: SILÊNCIO! Outra testemunha.

REI: O chapeleiro Maluco!

REI: Onde estava na hora do ocorrido?

CHAPELEIRO: Bebendo chá em casa.

RAINHA: Ah, isso é muito importante. Senhores jurados, TOMEM NOTA!

Atenção: O Gato voltará à cena. Efeito de luzes. Ele deve aparecer atrás da cadeira da Rainha...

ALICE 2: Olhe senhora rainha...

RAINHA: Olhe o que, minha querida?

ALICE 3 : Olhe, ele voltou. O mestre gato.

RAINHA: Gato?

Olha para trás... O gato se abaixa, se escondendo...

TODOS, UM POR UM DIZ: Gato?

REI: Pegue a geléia! (para o coelho)

O coelho pega um vidro de geléia que deve está ao seu alcance. Entrega para Alice... Nesse
momento a Rainha está olhando para trás da cadeira para ver se acha o gato...

CHAPELEIRO 2: Jogue a geléia!

ALICE 3: Mas por que?

LEBRE: Anda!

Alice abre o vidro e tira uma colher do bolso, pega um pouco com a colher e, quando a Rainha
se vira...

RAINHA: Onde está o gato?

... Alice joga a geléia na cada da Rainha.

ALICE1 : Oh, Não! Era para acertar o gato!

A Rainha limpa a cara, enfurecida...

RAINHA: A cabeça de alguém vai rolar esta noite... e será a SUA! Cortem-lhe a cabeça!!!

ALICE 2: Oh, não!


Todos os soldados vão em direção a Alice, ela começa dar alguns passos para trás.. ela é
rodeada de soldados, todos tiram espadas da cintura e, quando vão acertar a pobre Alice, as
cortinas se fecham...

RAINHA: Cortem-lhe a Cabeça!

CHAPELEIRO 1: Você não pode sair sem tomar um chá!

GATO LISTRADO: Você não vai conseguir...

ALICE 1: Deixe-me ir!

ALICE 2: Vamos Alice!! Vem!!

FECHADURA: Você não pode passar, pois já está lá! Olhe!

ALICE 3: Acorde Alice! Acorde! ( Gritos)

ALICE 2: Acorde Alice! Acorde! ( Gritos

(as Três Alice se tornam uma só )

RAINHA: Cortem-lhe a Cabeça!

A TEMPESTADE DE VENTO COMEÇA E TODOS EM CENA SÃO JOGADOS DE UM LADO PARA O


OUTRO. CENARIO MUDA PARA O QUARTO DE ALICE

IRMÃ: Acorde, Alice!

Alice acorda com um susto...

ALICE: Maçanetas, Coelhos e Rainha boba! Alice?? Onde vocês estão??

IRMÃ: Alice, onde foi que aprendeu isso?

ALICE: Oh, perdão, Mas a maçaneta me disse.../ espera ai.. Eu estou no meu quarto?? Em
casa? E o Hospital??

IRMÃ: Maçaneta?... Alice você Estava Dormindo a dois dias menina... você não saiu do quarto,
bom... vamos, está na hora do chá.