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Aula 2

Patogenicidade de microrganismos
Vias de transmissão
Estratégias de prevenção da infecção

Joana Rolo (joanarolo@fcsaude.ubi.pt)


PATOGENICIDADE

Microrganismos Comensais

Microrganismos Patogénicos Oportunistas

Microrganismos Patogénicos Obrigatórios ou Estritos


Microrganismos comensais

Temporários: só sobrevivem, sem se multiplicar


Residentes: presença permanente, com multiplicação microbiana

Flora varia de acordo com a localização anatómica e as suas características


Microrganismos comensais

• maioria dos microrganismos que existem à superfície do planeta


• normalmente não são patogénicos para o Homem
• naturalmente colonizadores da pele e mucosas do corpo humano
• fraco poder patogénico (capazes de infecção no indivíduo imunosuprimido)
• logo após o nascimento, o Homem é colonizado a nível da pele e mucosas por
uma população bacteriana abundante que constituí a FSH

Flora saprófita
habitual (FSH)
Efeitos benéficos dos microrganismos comensais

• combate a infecções: protecção de infecções por microrganismos mais agressivos


• produção de substâncias benéficas (próbióticos)
Microrganismos patogénicos oportunistas

 a maioria das infecções no Homem


 pertencem à FSH
 em determinadas circunstâncias iniciam um processo infeccioso:
alteração do estado imunológico do indivíduo
 mudança de localização do agente

compromisso das barreiras anatómicas de defesa (perda da integridade


dos tecidos como ocorre nos traumatismos e nos grandes queimados)

LOCAIS ESTÉREIS: sangue, liquido cefalorraquidiano, orgãos e tecidos internos


Microrganismos patogénicos obrigatórios

Apresentam características genéticas e bioquímicas próprias


- Factores de Patogenicidade –
que lhes permitem vencer as defesas do organismo.
A sua associação com o hospedeiro implica
necessariamente doença
(Salmonella spp isolada nas fezes dum doente com diarreia)

O seu isolamento só ocorre em caso de doença!!!!


VIRULÊNCIA

Poder do patogéneo para causar doença grave

Doença assintomática ou Ligeira Doença Grave

Patogenicidade Virulência

S. pneumoniae tipos 3 e 30 são ambos patogénicos mas o 3 é altamente virulento causando doença grave e o
30 raramente causa infecção grave
VIAS DE TRANSMISSÃO
AGENTE INFECIOSO

PROPAGAÇÃO

HOSPEDEIRO MEIO AMBIENTE


PROPAGAÇÃO

AGENTE INFECIOSO Infeciosidade


patogenicidade,
virulência,
capacidade de sobreviver em hospedeiros ,
resistência aos antibióticos e ao meio ambiente

HOSPEDEIRO Viagens,
comportamento sexual,
higiene,
imunidade prévia,
nutrição,
profissão

MEIO AMBIENTE Temperatura,


pó,
humidade
Vias de transmissão

•FOMITOS: objectos inanimados (S. aureus em vestuário hospital)


•VECTORES: artrópodes (mosquito Anopheles na malária)
•CONTATO DIRECTO: pele, mucosas, fluidos corporais (HIV)
•INALAÇÃO: gotículas do tracto respiratório, células bacterianas
•INGESTÃO: transmissão fecal-oral, através de alimentos (Salmonella spp, Campylobacter spp)
•INOCULAÇÃO: transfusões, mordeduras, agulhas

DIRECTA: reservatório/hospedeiro

INDIRECTA: dispositivos médicos, fomitos, alimentos


Susceptibilidade à infecção
 Factores Genéticos: Etnias, Imunodeficiências congénitas
exemplo: anemia falciforme/malaria

 Factores Ambientais: condições higiénicas e sanitárias


exemplo: cólera, salmoneloses, infeções por vectores

 Factores constitucionais: desnutrição, idade, maturidade dos SI

 Factores Imunológicos: Vacinas


exemplo: varíola (erradicação)
Consequências da infecção
• Febre: resposta do SI ao MOrg/produtos do metabolismo ou factores
pirogénicos – toxinas
• Sintomas Gerais: cefaleias, mialgias, debilidade
• Lesão tecidular: toxinas
TOXINA: Produtos microbianos capazes de lesar ou matar quando administrados em quantidades
relativamente pequenas em seres vivos

• Inflamação e sintomas sistémicos: factores de patogenicidade


FACTORES DE PATOGENICIDADE
Factores de patogenicidade

1. Sobrevivência e transmissão no meio ambiente


2. Ligação à superfície do hospedeiro
3. Vencer as barreiras imunitárias e de defesa do hospedeiro
4. Causar doença no hospedeiro - factores de virulência
FACTORES DE PATOGENICIDADE

1. Sobrevivência e transmissão no meio ambiente

Baixa humidade
Luz ultravioleta
Variação da temperatura

FORMAÇÃO DE ESPOROS
RESERVATÓRIOS
FACTORES DE PATOGENICIDADE

2. Ligação à superfície do hospedeiro

ADESINAS: proteínas (fímbrias ou píli)


açúcares
ácidos lipopoteicóicos

Vírus da gripe (Influenza) - Hemaglutinina

Células mucosas respiratórias


FACTORES DE PATOGENICIDADE

3. Vencer as barreiras imunitárias e de defesa do hospedeiro

 Pele é a 1ª linha de defesa: barreira contínua, pH, compostos antimicrobianos, enzimas (lisozima,
lactoferrina)
Tracto Respiratório: cílios, muco, actividade fagocitária, enzimas (lisozima)
Cavidade Oral: saliva, deglutição, descamação epitelial
Tracto Gastrointestinal: pH do estômago, suco pancreático, bílis, movimentos peristálticos, muco,
descamação epitelial
Tracto Genito-urinário: pH genital
FACTORES DE PATOGENICIDADE

3. Vencer as barreiras imunitárias e de defesa do hospedeiro

Sistema Imunitário:
anticorpos
linfócitos
fagócitos
FACTORES DE PATOGENICIDADE

4. Causar doença no hospedeiro Factores de Virulência

TOXINAS: colonização, invasão, alteração fisiologia do hospedeiro, indução da doença

Exotoxinas : •Secretadas
•Mais activas
Citotoxina
•Toxóides (antigenicidade)
Neurotoxina
•Codificadas pelo DNA cromossómico ou por DNA plasmídico
Enterotoxina
•Local ou à distância

Endotoxinas : •Estructura bacteriana (LPS)

ENZIMAS: coagulase, fibrinolisina, hialuronidase


FACTORES DE PATOGENICIDADE

4. Causar doença no hospedeiro Factores de Virulência

RESISTÊNCIA À FAGOCITOSE:
Cápsula do pneumococo
Proteína A do estafilococo
Coagulase do estafilococo
Proteína M do estreptococo

PARASITISMO INTRACELULAR

SUB-EXPRESSÃO DE ANTIGÉNIOS

VARIAÇÃO ANTIGÉNICA: vírus da gripe


DETERMINANTES MAJOR DE VIRULÊNCIA
BACTERIANA
PREVENÇÃO DA INFECÇÃO
Prevenção da infecção
1. Processos de imunização
• Imunização passiva – anti-soros
• Imunização activa – vacinas

2. Medidas de prevenção
• Períodos de quarentena
• Purificação da água da rede (água potável)
• Erradicação de mosquitos (malária)
• Consumir só leite pasteurizado (brucelose)
• Vacinação dos viajantes para áreas endémicas
Imunização passiva
1. Protecção rápida e temporária do hospedeiro
 Picada acidental com sangue de um doente com Hepatite B → administração de
imunoglobulinas

2. Imunização passiva natural: transmissão de anticorpos maternos ao R.N.


• Ac. que atravessam a placenta (gravidez)
• Ac. que estão presentes no leite materno (amamentação)
Imunização activa: vacinas

 Existem 2 tipos de vacinas


Vacinas inactivadas: Microrganismos mortos ou inactivados por agentes
químicos (formalina), calor

Vacinas vivas: Microrganismos avirulentos ou atenuados


(BCG e a VASPR; Varicela e Rotavírus)
Imunização activa: vacinas

VACINAS INACTIVAS (MORTAS) VACINAS ATENUADAS (VIVAS)


Imunidade sistémica Imunidade local e sistémica
Mais segura Pode reverter virulência-causa infecção
Imunidade dependente de reimunizações Imunidade longa

ADMINISTRAÇÃO SIMULTANEA OU EM QUALQUER ALTURA:


Vacina inactivada – Vacina inactivada
Vacina Inactivada – Vacina viva

ADMINISTRAÇÃO SIMULTANEA OU COM INTERVALO > 4 SEMANAS:


Vacina viva – Vacina viva
E AINDA….

• Os programas de vacinação são muito importantes no controlo das doenças infecciosas na


população mundial

• A varíola foi erradicada do mundo por programas de vacinação coordenados pela WHO

• Nalguns países sub - desenvolvidos as campanhas de vacinação não são efectuadas