Você está na página 1de 73

Capítulo 24

Capacitância e dielétricos

1
Neste capítulo vamos:
• Discutir o funcionamento e a importância dos capacitores;

• Analisar como capacitores podem ser ligados em uma rede;

• Determinar como a energia elétrica pode ser armazenada


num capacitor;

• Discutir o comportamento de materiais dielétricos e sua


relação com os capacitores;

• Avaliar a validade de Lei de Gauss na presença de dielétricos.

2
Introdução

3
Introdução
• Assim como um arco armazena energia potencial, um
capacitor armazena energia elétrica.

4
Introdução
• Logo

Um capacitor é um dispositivo que


armazena energia elétrica

5
Introdução
• Suas aplicações tecnológicas são de grande importância
e estão presentes em diversos dispostos.

Flash de câmeras
Sensores de airbag

6
Introdução
• De forma geral os capacitores são elementos chave nos
circuitos de corrente alternada, que estão presentes em
praticamente todos os dispositivos eletrônicos!

• Veremos isso em detalhes nos Capítulo 31.

7
Introdução

• O capacitor nos fornece um novo meio de se pensar o


armazenamento de energia.

• Veremos que a energia armazenada num capacitor


depende do campo elétrico em seu interior.

• Logo, o próprio campo é o armazenador da energia


elétrica.

• Essa ideia é o coração da teoria eletromagnética da luz!

8
Capacitores
Quaisquer dois condutores, separados por um isolante ou
vácuo formam um capacitor.

Um capacitor carregado
apresenta carga +Q e –Q em
cada um dos seus condutores,
de forma que sua carga líquida é
nula.

Contudo a terminologia comum


é dizer que o capacitor tem
carga Q.
9
Capacitores
Num diagrama de circuito elétrico um capacitor é
representado pelo símbolo abaixo.

Por exemplo:

10
Capacitores
Se inicialmente o capacitor estiver descarregado (ou seja,
q e –q são nulas), basta conectarmos uma bateria em suas
extremidades, a e b.

Esta bateria vai transferir cargas para os condutores de


forma que o condutor positivo estará em um potencial
maior e o negativo num potencial menor.

Após o carregamento do capacitor, a


bateria é desconectada e o capacitor
fica sob uma voltagem igual à da
bateria.

11
Capacitância
No interior de um capacitor, o campo elétrico será
proporcional à carga do capacitor, Q.

Logo a diferença de potencial, Vab também será


proporcional a Q. Se dobrarmos Q, dobramos Vab.

Contudo a razão Q/Vab permanecerá sempre constante. A


essa razão damos o nome de capacitância.

(definição de capacitância)
12
Capacitância

A capacitância mede a habilidade do dispositivo de


armazenar energia. Quanto maior a capacitância, maior esta
habilidade.

No SI a unidade de capacitância e o farad.

Nota: Não confundir o símbolo C quando usado para Coulomb ou para capacitância. 13
Calculando a capacitância
Consideremos por enquanto, capacitores no vácuo.

Os capacitores mais simples são os de placas paralelas.

14
Calculando a capacitância
No Capítulo 22, exercício 22.8, determinamos o campo
elétrico entre duas placas carregadas:

onde

Logo:

15
Calculando a capacitância
Como este campo é uniforme e a distância entre as placas
é d, o potencial elétrico será:

Então a capacitância de um capacitor de placas paralelas


será:

Note: A capacitância é constante e depende apenas da geometria do capacitor.


16
Unidade de eo
Podemos mostrar que:

Esta nova unidade é mais conveniente para os cálculos de


capacitância!

Nota 1. Veja demonstração na página 106.


Nota 2. Um farad é uma capacitância enorme. É mais apropriado usar submultiplos
como microfarad ou picofarad.
17
18
19
20
21
22
23
Capacitores em série e em paralelo
Vamos aprender a combinar capacitores visando um
valore específico para a capacitância resultante.

24
Capacitores em série
Quando capacitores são conectados em série a carga
sobre eles é a mesma. Vejamos...

25
Capacitores em série
Quando capacitores são conectados em série a carga
sobre eles é a mesma. Vejamos...
• A diferença de potencial V1
faz com que surja uma carga
positiva na placa superior de
C1 ;

• Essa carga, é atraída da placa


inferior de C1, que fica com
carga negativa;

• Que por sua vez faz surgir


uma carga positiva da placa
superior de C2, e assim por
diante. 26
Capacitores em série
Calculemos a capacitância equivalente...

< na lousa >

27
Capacitores em paralelo
Quando capacitores são conectados em paralelo a diferença
de potencial sobre cada um é a mesma. Vejamos...

28
Capacitores em paralelo
Quando capacitores são conectados em paralelo a diferença
de potencial sobre cada um é a mesma. Vejamos...

• As placas positivas são


conectadas por um fio.
• As placas negativas, por outro.
• Cada uma formando uma
superfície equipotencial.

Logo todos os capacitores estarão sempre sobre a mesma


diferença de potencial:

29
Capacitores em paralelo
Calculemos a capacitância equivalente...

< na lousa >

30
31
32
33
34
35
Armazenamento de energia

A energia armazenada num capacitor é exatamente igual ao


trabalho realizado para carregá-lo.

Quando o capacitor é descarregado esta energia é


recuperada como o trabalho realizado pela força elétrica.

Vejamos com calcular a energia armazenada no capacitor...

< na lousa >

36
Energia num campo elétrico

Podemos considerar que a energia de um capacitor é


armazenada no campo elétrico.

Isto porque para carregar o capacitor devemos levar um


elétron de um lado ao outro das placas realizando trabalho
contra o campo elétrico que está sendo estabelecido.

A energia armazenada no campo é chamada de energia de


campo eletrostático.

37
Energia num campo elétrico

A densidade de energia de campo eletrostático, ou


simplesmente, densidade de energia é a energia dividida pelo
volume do capacitor.

Como: e

Válida para qualquer geometria, não somente de placas paralelas. 38


39
40
Dielétricos
• Um dielétrico (ou material dielétrico) é um isolante
elétrico que pode ser polarizado por um campo elétrico
aplicado.

• Quando o espaço entre os dois


condutores de um capacitor é
ocupado por um dielétrico, a
capacitância é aumentada.

• A capacitância aumentada por um


fator K que é característico do
dielétrico
41
Dielétricos
• Design de um capacitor cilíndrico.

42
Constante dielétrica
• Consideremos que a capacitância original e a capacitância
com o dielétrico seja, respectivamente:

• A razão entre C e Co é K, a constante dielétrica do material.

43
Dielétricos

44
Constante dielétrica
• Quando a carga é constante temos:

Ou seja:

Então podemos escrever:

(o potencial é reduzido por um fator K na presença do dielétrico!)


45
Carga induzida e polarização
• Como: e

• Então:

O campo elétrico também é reduzido por um fator K na


presença do dielétrico.

• Logo é de se esperar que a densidade superficial de carga,


que gera o campo, também seja reduzida.

46
Carga induzida e polarização
• Isso não ocorre de fato! A carga sobre a placa do capacitor
permanece constante.

47
Carga induzida e polarização
• Isso não ocorre de fato! A carga sobre a placa do capacitor
permanece constante.

• O que muda é que surge uma carga superficial induzida, de


sinal contrário junto às placas do capacitor.

• O dielétrico, que originalmente é neutro, continua neutro.


Contudo as placas carregadas induzem uma redistribuição
de cargas dentro do dielétrico.

• Esse fenômeno é chamado polarização.

48
Carga induzida e polarização
• Um capacitor de placas paralelas tem densidade s de carga

49
Carga induzida e polarização
• Ao inserir um dielétrico entre as placas este se polariza.

50
Carga induzida e polarização
• Devido à polarização a carga líquida em cada placa é:

51
Carga induzida e polarização
• Devido à polarização a carga líquida em cada placa é:

Logo, o campo entre as placas,


com e sem dielétrico será:

52
Carga induzida e polarização
• Sabendo que:

• E que: então podemos escrever:

Se K é muito grande as densidades de carga praticamente se


cancelam, e o campo elétrico e o a diferença de potencial serão
muito menores que seu valor no vácuo.
53
Capacitância e permissividade
• O produto

é a permissividade do meio dielétrico.

• Dessa forma o campo na presença do dielétrico pode ser


escrito como:

• E a capacitância na presença do dielétrico será:

54
Densidade de energia
• Ao repetir a derivação para a expressão para a densidade
de energia considerando agora a presença do dielétrico
obteremos:

• Note que no vácuo K=1, logo e=eo

55
56
57
58
Modelo molecular da carga induzida
• Se o material introduzido no interior de um capacitor fosse
condutor, seria fácil explicar a densidade superficial de
cargas.

• Para um condutor, onde existe cargas que podem se


mover livremente, toda carga se distribui em sua
superfície.

• Contudo para um dielétrico, que não tem carga livre, como


pode surgir essa carga induzida nas placas do capacitor?

59
Modelo molecular da carga induzida
Para analisar o que ocorre, consideremos duas possibilidade
quanto a natureza do dielétrico.

• Dielétrico polares.

• Dielétrico apolares.

60
Modelo molecular da carga induzida
• Dielétrico polares.
Formado por moléculas com momento de dipolo.

Ao aplicar um campo elétrico as


moléculas tendem a se alinhar
com o campo.

61
Modelo molecular da carga induzida
• Dielétrico polares.
Formado por moléculas com momento de dipolo.

62
Modelo molecular da carga induzida
• Dielétrico polares.
Formado por moléculas com momento de dipolo.

Como as moléculas se movem


constantemente devido à desordem
térmica, o alinhamento não é
completo.

Contudo o alinhamento tende a


aumentar a medida que o campo
aplicado aumenta.

63
Modelo molecular da carga induzida
• Dielétrico polares.
Formado por moléculas com momento de dipolo.

O alinhamento produz um campo,


proporcional ao campo aplicado, Eo,
mas num sentido oposto, E’.

Logo o campo efetivo será E dado


por:

64
Modelo molecular da carga induzida
• Dielétrico apolares.
Formado por moléculas sem momento de dipolo
permanente.

Mesmo moléculas sem momento de


dipolo podem se polarizar na presença
de um campo elétrico.

65
Modelo molecular da carga induzida
• Dielétrico apolares.
Formado por moléculas sem momento de dipolo
permanente.

O efeito do campo elétrico é a distorção


de sua nuvem eletrônica, acarretando
uma redistribuição de cargas.

66
Modelo molecular da carga induzida
• Dielétrico apolares.
Formado por moléculas sem momento de dipolo
permanente.

Da mesma forma que antes, aqui surge


um campo elétrico induzido no sentido
oposto ao aplicado.

67
Modelo molecular da carga induzida
• Logo tanto o efeito dos dielétricos polares como o dos apolares
é o enfraquecimento do campo elétrico do capacitor.

68
Lei de Gauss em dielétricos
• Nas discussões sobre a Lei de Gauss, do capítulo 22, assumimos
as cargas no vácuo. Fizemos assim:

69
Lei de Gauss em dielétricos
• Agora vamos re-analisar a Lei de Gauss agora, considerando a
presença de dielétrico.

< na lousa >

70
71
Atividades para casa

72
• Leitura do Capítulo 24

• Exercícios Recomendados

Página 130:

Exercícios: 24.28, 29, 43-47, 52, 53, 55-59, 66, 68,70,71, 72.

Todos relativos à 12ª edição de Young and Freedman