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6- ADERÊNCIA, ANCORAGEM E EMENDAS POR TRASPASSE

6.1- INTRODUÇÃO

● Considere-se a armadura mergulhada na massa de concreto, conforme


mostra a figura acima. Se o comprimento mergulhado no concreto lb for
pequeno, a barra poderá ser extraída do concreto por tração; se este
comprimento for superior a um valor particular lb, será possível elevar a força
de tração até escoar esta armadura. Diz-se que a armadura está ancorada no
concreto. Este valor lb é chamado de comprimento de ancoragem reta.

● O fenômeno envolvido na ancoragem de barras é bastante complexo e


está ligado à aderência, entre o concreto e a armadura, em uma região
microfissurada do concreto vizinho à barra. O efeito global da aderência é
composto por: a) adesão (efeito de cola); b) atrito de escorregamento e c)
engrenamento mecânico entre a superfície (irregular) da armadura com o
concreto.

● Os tipos de aço utilizados no Brasil têm as seguintes características:

Tipo de Aço Tensão de Tensão de Aderência com o


escoamento, ou cálculo fyd (fyk/γs, concreto (η1)
valor γs=1,15) (Mpa)
característico fyk
(Mpa)
CA 25 250 217 1,0
CA 50 500 435 2,25
CA 60 600 522 1,4

6.2- ZONAS DE ADERÊNCIA


● A aderência depende, principalmente, de um bom envolvimento da
armadura pelo concreto. A vibração do concreto provoca a movimentação da
água, em excesso na mistura, para as partes superiores da peça. Esta água
tende a ficar presa, em forma de gotícu1as, junto às faces inferiores das
armaduras (partes sólidas em geral). Com o tempo aparecem no seu lugar,
vazios que diminuem a área de contato da barra com o concreto.

● Portanto, as barras horizontais posicionadas nas partes superiores das


peças estão em condições de má aderência (zona II, ou de aderência
prejudicada); em contraposição, as partes inferiores das peças constituem
zonas de boa aderência (zona I)

● Na aderência entre o concreto e o aço temos dois tipos de zona: a zona


de boa aderência (I) e a zona de má aderência (II).

Região η2
Boa aderência 1,0
Má aderência 0,7

6.3- ANCORAGEM POR ADERÊNCIA


6.3.1-TENSÃO DE ADERÊNCIA ENTRE O CONCRETO E A ARMADURA

● Segundo a NBR6118/2014 (item 9.3.2.1) a tensão de aderência, de


cálculo, entre a armadura e o concreto, é dada por:

- tensão de aderência de cálculo


- resistência de cálculo à tração do concreto

- resistência característica do concreto


- coeficiente de minoração do concreto (coef. de segurança)
- coeficiente relacionado ao tipo de aço
- coeficiente relacionado à zona de aderência
- coeficiente relacionado ao diâmetro da armadura
- para
- para

- diâmetro da barra de aço, em milímetros.

6.3.2- COMPRIMENTO DE ANCORAGEM

6.3.2.1- COMPRIMENTO DE ANCORAGEM BÁSICO

● Segundo a NBR6118/2003 (item 9.4.2.4), o comprimento de ancoragem


básico é o comprimento reto de uma barra de armadura passiva necessário
para ancorar a força limite Asfyd nessa barra, admitindo, ao longo de
comprimento, resistência de aderência uniforme e igual a fbd.

● O comprimento de ancoragem básico é dado por:


- comprimento de ancoragem básico
- diâmetro da barra de aço
- tensão de cálculo na armadura

- tensão de escoamento na armadura


- coeficiente de minoração do aço (coef. de segurança)

6.3.2.2- ANCORAGEM COM GANCHO

● Nas ancoragens retas, a transmissão de esforços é feita por meio de


solicitações tangenciais. Nas ancoragens curvas, além das solicitações
tangenciais, também são mobilizadas solicitações normais, que transmitem por
compressão ao concreto, parte da força a ser ancorada. Por isso, os ganchos
permitem reduzir o comprimento de ancoragem.

● Segundo a NBR6118/2003 (item 9.4.2.3), os ganchos das extremidades


das barras de armaduras de tração podem ser:
- Semicirculares, com ponta reta de comprimento não inferior a 2
.
- Em ângulo de 45º, com ponta reta de comprimento não inferior a
4 .
- Em ângulo reto, com ponta reta de comprimento não inferior a 8
.
● O diâmetro interno da curvatura dos ganchos das armaduras
longitudinais de tração deve ser pelo igual ao estabelecido na tabela abaixo.

Bitola ( ) Tipo de aço


CA-25 CA-50 CA-60

6.3.2.3- COMPRIMENTO DE ANCORAGEM NECESSÁRIO

● Segundo a NBR6118/2003 (item 9.4.2.5), o comprimento de ancoragem


básico pode ser reduzido para:

- comprimento de ancoragem necessário


para barras sem gancho
para barras tracionadas com gancho
- armadura calculada
- armadura efetiva (existente)
- comprimento de ancoragem mínimo, é o maior valor entre , 10 e
100mm.

6.4- EMENDAS POR TRASPASSE

● A necessidade de emendas pode ocorrer, por exemplo, em peças de


grande vão que ultrapassa o comprimento máximo (de fabricação) das
armaduras de concreto armado. Em geral estas emendas podem ser feitas por:
traspasse, solda ou luva prensada.

● É muito utilizada a emenda por traspasse por ser simples e dispensar a


utilização de equipamentos especiais. Consiste em superpor as extremidades, a
serem emendadas, em uma extensão dita comprimento de emenda (l0t).

● Conforme a NBR-6118/2003 (item 9.5.2.2.1), o comprimento de


emenda por traspasse de barras tracionadas, pode ser definido em função do
comprimento de ancoragem necessário, lb,nec, quando a distância livre entre as
barras emendadas estiver entre o e , através da seguinte expressão:

- comprimento de traspasse mínimo, é o maior valor entre , 15


e 200mm.
- é o coeficiente função da percentagem de barras emendadas na mesma
seção, de acordo com a tabela abaixo.

Porcentagem de barras emendadas na mesma seção

1,2 1,4 1,6 1,8 2,0


● Consideram-se como na mesma seção transversal as emendas que se
superpõem ou cujas extremidades mais próximas estejam afastadas de menos
que 0,2 l0t.

● De acordo a NBR-6118/2003, o comprimento de emenda por traspasse


de barras comprimidas, é definido em função do comprimento de ancoragem
necessário: através da seguinte expressão:

- comprimento de traspasse mínimo, é o maior valor entre , 15 e


200mm.