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OBRIGAÇÕES
INTRODUÇÃO ± o direito pode ser dividido em dois grandes ramos: do dos direitos não patrimoniais, referentes à pessoa humana (direito à vida, à liberdade, ao nome, etc.), e dos direitos patrimoniais, de valor econômico, que por sua vez se dividem em reais e obrigacionais. DIREITOS OBRIGACIONAIS X DIREITOS REAIS ± o direitos obrigacionais diferem dos reais: (i) Quanto ao objeto ± os direitos reais incidem sobre uma coisa, enquanto os obrigacionais visam ao cumprimento de determinada prestação. (ii) Quanto ao sujeito ± nos direitos reais, o sujeito passivo é indeterminado (o direito pode ser exercido ³erga omnes´, ou seja, são sujeitos passivos todas as pessoas do universo, que deve abster-se de molestar o titular), enquanto nos obrigacionais o sujeito passivo é determinado ou determinável. (iii) Quanto ao exercício ± os direitos reais são exercidos diretamente sobre a coisa, sem a necessidade da existência de um sujeito passivo, enquanto o exercício dos direitos obrigacionais exige uma figura intermediária, que é o devedor. (iv) Quanto à ação ± nos direitos reais, a ação pode ser exercida contra quem quer que detenha a coisa, ao passo que a ação, no direito obrigacional, é dirigida somente contra quem figura na relação jurídica como sujeito passivo. (v) Quanto à duração ± os direitos reais são perpétuos, não se extinguindo pelo não -uso, mas somente nos casos expressos em lei (ex.: desapropriação, usucapião, etc.), enquanto os pessoais são transitórios se extinguem pelo cumprimento ou por outros meios. (vi) Quanto à formação ± os direitos reais só podem ser criados pela lei, sendo o seu número limitado e regulado por esta (o rol é ³numerus clausus´), ao passo que os obrigacionais podem resultar da vontade das partes, sendo ilimitado o número de contratos inominados (o rol é ³numerus apertus´). CONCEITO DE OBRIGAÇÃO ± é o vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de determinada prestação . Corresponde a uma relação de natureza pessoal, de crédito e débito, de caráter transitório (extingue-se pelo cumprimento), cujo objeto consiste numa prestação economicamente aferível. É o patrimônio do devedor que responde por suas obrigações, constituindo ele, pois, a garantia do adimplemento com que pode contar o credor. A obrigação nasce de diversas fontes e deve ser cumprida livre e espontaneamente. Quando tal não ocorre e sobrevém o inadimplemento, surge a responsabilidade. OBS: 1) Obrigação x responsabilidade ± não se confundem, pois, obrigação e responsabilidade. A responsabilidade só surge se o devedor não cumpre espontaneamente a obrigação. A responsabilidade é, pois, a conseqüência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. 2) Obrigação sem responsabilidade e responsabilidade sem obrigação ± malgrado a correlação entre obrigação e responsabilidade, uma pode existir sem a outra. As dívidas prescritas e as de jogo constituem exemplos de obrigação sem responsabilidade. O devedor, nestes casos, não pode ser condenado a cumprir a prestação, isto é, ser responsabilizado, embora continue devedor. Como exemplo de responsabilidade sem obrigação pode ser mencionado o exemplo do fiador, que é responsável pelo pagamento do débito somente na hipótese de inadimplemento da obrigação por parte do afiançado, este sim originariamente obrigado ao pagamento dos aluguéis, por exemplo. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO ± a obrigação compõe-se de três elementos essenciais: (i) Sujeitos ativo e passivo (credor e devedor) ± os sujeitos da obrigação podem ser pessoa natural como jurídica, de qualquer natureza, bem como as sociedades em comum (ou de fato). Devem ser determinados ou, ao menos, determináveis (ex: no contrato de doação, o donatário, às vezes, é indeterminado, mas determinável no momento de seu cumprimento, pelos dados nele constantes ± o vencedor de um concurso, o melhor aluno de uma classe, etc.). Se não forem capazes, serão representados ou assistidos por seus representantes legais, dependendo, ainda, em alguns casos, de autorização judicial. (ii) Vínculo jurídico ± é o vínculo existente entre o credor e o devedor. O vínculo jurídico resulta de diversas fontes e sujeita o devedor a determinada prestação em favor do credor. Divide-se em: a) débito ou vínculo espiritual ou pessoal ± é o vínculo que une o devedor ao credor e exige que aquele cumpra pontualmente a obrigação; b)

Obrigações naturais ± nas obrigações naturais o credor não tem o direito de exigir a prestação. classifica as obrigações. b. o fato que lhe dá origem. que resumem o objeto da prestação. efetua o pagamento. e o devedor não está obrigado a pagar. reguladas pelos arts. ou de execução das obrigações de fazer e de não fazer. ou da vontade humana. Em alguns casos. como no caso da fiança (responsabilidade sem débito) e na dívida de jogo (débito sem responsabilidade). por meio de ação. Pode existir. 610. pelo cumprimento da obrigação. Todas as obrigações que venham a se constituir na vida jurídica compreenderão sempre alguma dessas condutas. 932. Indagar das fontes do direito é buscar as razões pelas quais alguém se torna credor ou devedor de outrem. que ocorre somente entre dívidas vencidas. OBS: Causa ± aduza-se. mas sem conteúdo patrimonial. no entanto. parte final). de forma coativa. que resultam diretamente da lei. 621 a 631 CPC. 104. submetendo àquele os bens do devedor. em razão da ³soluti retentio´ (expressão usada no direito romano e que significa retenção do pagamento) existente em favor do credor. por fim. o desmembramento desses elementos. como o dever de fidelidade entre os cônjuges e outros do direito de família. No primeiro caso. Pode-se afirmar. O CC considera fontes de obrigações: a) contratos. b) obrigação de fazer. possível. a mediata. Há de ser lícito. não tem o direito de repeti lo. b) declarações unilaterais de vontade. ou cumprir obrigação judicialmente inexigível´) e o art. podendo seu cumprimento ser exigido pelo credor. por intermédio da lei. não foi incluída em nosso ordenamento como elemento constitutivo da relação obrigacional. Há portanto. 140. a lei é a fonte imediata da obrigação. 882 (³não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. 373. em que a obrigação de fazer pode abranger a de dar ± art. II) e suscetível de apreciação econômica (obrigações jurídicas. inexistência do dever de prestar e inadmissibilidade de repetição em caso de pagamento voluntário. Não cabe o pedido de restituição da importância paga. etc. a ³propter rem´ imposta aos vizinhos. Portanto. e de outro a responsabilidade. 814). que a causa. fazer ou não fazer o quê?) é o objeto mediato da obrigação. dolosos e culposos. da declaração unilateral da vontade e do ato ilícit . Não é possível revitalizar obrigação natural por novação. a lei aparece como fonte o primária. Diverso é o processo de execução de sentença. Em todos eles encontram-se presentes os elementos caracterizadores da referida espécie de obrigação: inexigibilidade do cumprimento. Os casos de ) obrigação natural no CC são dois: dívidas prescritas (art. inspirado na técnica romana. 564. O objeto da prestação (que se descobre indagando: dar. nem se admite possa ser objeto de compensação. conforme se trate de execução para entrega de coisa certa (obrigação de dar). III). no segundo. (ii) Obrigações civis e naturais ± a. 876). isto é. F ONTES DAS OBRIGAÇÕES ± fonte da obrigação é o seu elemento gerador. em três espécies: a) obrigação de dar. de acordo com as regras de direito. voluntariamente. (iii) Objeto ± o objeto da relação jurídica é sempre uma conduta humana (dar. manifestada no contrato. na declaração unilateral ou na prática de um ato ilícito. que a obrigação resulta da vontade do Estado. entretanto. elas caminham juntas (ex. determinado ou determinável (art. embora referida de forma indireta em alguns dispositivos (arts. 1694). fazer ou não fazer) e chama-se prestação ou objeto imediato. pois.: contrato de empreitada. regida pelos arts. 632 a 645 do mesmo diploma. c) obrigação de não fazer. 882) e dívidas de jogo (art. O CC refere-se à obrigação natural em dois dispositivos: o art. pois os referidos atos e negócios jurídicos somente geram obrigações porque assim dispõe a lei. são excluídas do direito das obrigações). III (não se revogam por ingratidão as doações ³que se fizerem em cumprimento de obrigação natural´ . c) atos ilícitos. como a de prestar alimentos a parentes (art. M ODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES ± (i) Classificação quanto ao seu objeto ± o CC brasileiro. Obrigações civis ± são as que encontram respaldo no direito positivo. Há obrigações. quanto a seu objeto. em caso de inadimplemento. A referida retenção é o único efeito que o direito positivo atribui à obrigação natural. duas positivas (de dar e de fazer) e uma negativa (de não fazer). se este. a de indenizar os danos causados por seu empregado (art. O sujeito passivo deve e também responde. Em compensação. . de um lado o dever da pessoa obrigada (³debitum´).2 responsabilidade ou vínculo material ± confere ao credor não satisfeito o direito de exigir judicialmente o cumprimento da obrigação. Mesmo no caso do contrato.

dependem da obrigação principal (ex. as obrigações dividem-se em: a. sem direito a perdas e danos. ainda que mais valiosa. verificar se o fato decorreu de culpa ou não do devedor. se assim não convencionado. Não comporta fiança nem ônus reais. etc. a venda de um terreno com árvores frutíferas inclui os frutos pendentes. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. respondendo o culpado. não pode o adquirente reivindicar a coisa. Aperfeiçoado o contrato de compra e venda. prescreve o art. por não ter-lhe o domínio. Principais ± são as que subsistem por si. e 238). o ônus dos impostos. Não cumprida a obrigação. 313). móvel ou imóvel. por si só. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso ´. sem depender de qualquer outra (ex. assim. a alienação de um imóvel inclui. a obrigação de dar coisa certa confere ao credor simples direito pessoal. É uma decorrência da regra geral de que o acessório segue o principal. ainda que menos valiosa . por exemplo. cabendo ao credor os pendentes (art. sendo as partes repostas ao estado anterior. ainda.: fiança.3 (iii) exigíveis. enquanto não ocorrer a tradição a coisa continuará pertencendo ao devedor ³com os seus melhoramentos e acrescidos. Assim. é preciso. Por essa razão. se o objeto da obrigação for um animal e este der cria. Pode o contrário não só resultar de convenção como de circunstâncias do caso. 2ª parte). Havendo culpa. porque o credor tem direito à restituição da própria coisa emprestada ou depositada. b. Esses dois atos podem ser resumidos numa palavra: tradição. bem como impede que o devedor se desobrigue por partes. como o conhecimento do vício por parte do adquirente. (ii) Extensão ± quanto a extensão da obrigação. 373. poderá o devedor resolver a obrigação´ (art. obriga-se o devedor a dar coisa individualizada. resolve-se a obrigação. que se distingue por características próprias. não havendo culpa. se o animal não foi adquirido juntamente com a futura cria. Terá de contentar-se com a ação de perdas e danos e com a resolução da avença (arts. 237. (i) Conteúdo ± no tocante ao seu conteúdo. cláusula penal. Acessórias ± são as que têm a sua existência subordinada a outra relação jurídica. Por esta razão. 356). o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra. 234. 389 e 475). o devedor não poderá ser constrangido a entregá-la. O devedor não pode. mas é recíproca não é verdadeira. a nulidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias. por exemplo. não transfere o domínio. juros. e não tem eficácia a simples promessa de cumpri-la Seu pagamento parcial não autoriza o credor a reclamar o cumprimento do restante. Neste sentido: a. Nada obsta que se convencione o contrário. como acessório. 237). 481). O referido art. Também os frutos percebidos são do devedor. 313 afasta a possibilidade de compensação nos casos de comodato e depósito (art. que voltam à primitiva situação. Como no direito brasileiro o contrato. primeiramente. pelos quais poderá exigir aumento no preço. (iii) Tradição ± cumpre-se a obrigação de dar coisa certa mediante entrega (como na compra e venda) ou restituição (como no comodato). a de um veículo abrange os acessórios colocados pelo vendedor. o vendedor não transfere desde logo o domínio: obriga apenas a -se transmiti-lo (art. . 184. depende do expresso consentimento do credor (art. tem o direito de exigir aumento do preço. ou seja. por exemplo. A recíproca também é verdadeira: o credor não pode exigir coisa diferente. 1ª parte. Pelo acréscimo. tanto na obrigação de entregar como na de restituir (arts.). modificar unilateralmente o objeto da prestação (art. Obrigações principais e acessórias ± reciprocamente consideradas. se o credor não anuir.: a obrigação de entregar a coisa no contrato de compra e venda). são devidas as perdas e danos. certas circunstâncias podem excluir tal responsabilidade. II). e não real. pois a destas não induz a da principal (art. Por isso é que a dação em pagamento (entrega de um objeto em pagamento de dívida em dinheiro). Não tendo havido culpa do devedor ou pendente condição suspensiva. OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA ± na obrigação de dar coisa certa. etc. mas apenas gera a obrigação de entregar a coisa alienada. 233 que ³ obrigação de a dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. § único) (iv) Perecimento e deterioração da coisa ± no geral. Perecimento ± em caso de perecimento (perda total) da coisa antes da tradição. No silêncio do contrato quanto a este aspecto. pelo equivalente em dinheiro da coisa. Por exemplo: embora o alienante responda pelos vícios redibitórios.

³ressalvados os seus direitos até o dia da perda´ (art. É. Havendo culpa pela deterioração. é o próprio alienante. não estando obrigado a pagar perdas e danos. a coisa permanece incerta. resolve-se a obrigação do comodatário. Segundo o princípio que vem do direito romano. conforme art. em qualquer caso. O ato unilateral de escolha denomina-se concentração. na obrigação de entregar. porque o objet é o determinado pelo gênero e pela quantidade. Determinada a qualidade. por faltar quantidade. na obrigação de entregar. porque pode obter. o disposto no art. 399). aplicando-se. se o vendedor já recebeu o preço da coisa. com abatimento do preço proporcional à perda (art. Assim. mais as perdas e danos comprovadas. portanto. 236). com abatimento). É necessário que ela (escolha) se exteriorize pela entrega. o credor também poderá exigir o equivalente em dinheiro mais perdas e danos (art. obriga-se a entregar dez sacas de café. não pode ser objeto de prestação a de ³entregar sacas de café´. Neste caso. ao menos. Assim. Portanto. mas determinável. deve devolvê-lo ao adquirente. as alternativas deixadas ao credor são as mesmas do art. pertencerá ao devedor. ou aceitar a coisa. pois o devedor não se exonera se vem a perder as cédulas que havia separado para solver a dívida. Falta apenas determinar a sua qualidade. indeterminada. faltando determinar somente a qualidade do café. 629 a 631 CPC. no mercado. por não lhe interessar receber o bem danificado. Referido dispositivo estabelece. 240. sem direito a qualquer indenização (art. 240). O direito de escolha competirá ao devedor. pois continua sendo o proprietário até a tradição. Enquanto tal não ocorre. por faltar o gênero. as normas da seção anterior do CC. exigindo o equivalente em dinheiro. Se o perecimento ocorreu pendente condição suspensiva. não se terá adquirido o direito a que o ato visa (art. que não responderá por perdas e danos (exceto se estiver em mora. então. na condição de dono (³res perit domino´). pois o gênero nunca perece (³genuns nunquan perit´). mas não totalmente. pelo gênero e pela quantidade. 245). Rege-se a obrigação de dar coisa incerta pelo disposto nos arts. . vigorando. mas com direito. se o contrário não resultar do título da obrigação (art. e o devedor suportará o risco da coisa. havendo perecimento do objeto. ou aceitá-lo no estado em que se acha. suportando a perda o comodante. Deterioração ± em caso de deterioração (perda parcial). certa. recebe-o no estado em que estiver. que tratam das obrigações de dar coisa certa (art. 244). e 239). na obrigação de entregar. A determinação dá-se pela escolha. tem o credor direito a receber o seu equivalente em dinheiro.: em razão de caso fortuito ou da força maior). Assim. e a avença com tal objeto não gerará obrigação. ao estado anterior. Antes da escolha (a definição somente se completa com a cientificação do credor). 238). porque deve ser indicada. tanto na obrigação de entregar como na de restituir (arts. também importa saber. 1930. a indeterminação será absoluta. 2ª parte. 234. pelo depósito em pagamento. só competirá ao credor se o contrato assim dispuser. Mas constitui obrigação de dar coisa incerta a de ³entregar dez sacas de café´. ³não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. não se eximirá da obrigação. OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA ± a expressão ³coisa incerta´ indica que a obrigação tem objeto indeterminado. o prejudicado será este. o café prometido. se alguém. Na obrigação de restituir. Sendo omisso. ainda que se percam todas as sacas que possui. Se o devedor não teve culpa. por analogia. Quem sofre o prejuízo. Feita esta e cientificado o credor. circunscrito a coisas que se acham em determinado lugar (ex. Diferente será a solução se se tratar de gênero limitado. se o animal objeto de comodato não puder ser restituído. acaba a incerteza e a coisa torna-se certa. pela constituição em mora ou por outra ato jurídico que importe a cientificação do credor. Na obrigação de restituir. no entanto. por exemplo. ainda que por força maior ou caso fortuito´ (art. torna-se a coisa individualizada.: animais de determinada fazenda. b. em virtude da resolução do contrato. 2ª parte). 246). 235). Entram nessa categoria também as obrigações em dinheiro. Se faltar também o gênero ou a quantidade. Na obrigação de restituir coisa certa ao credor. dispondo que ³não poderá dar a coisa pior. que veio a perecer sem culpa sua (ex. portanto. se houve culpa ou não do devedor. 235 (resolver a obrigação. limites à atuação do devedor. a coisa perece para o dono (³res perit domino´). bem como a de entregar ³dez sacas´. neste caso. Para que a obrigação se concentre em determinada coisa não basta a escolha. preliminarmente. 125). A culpa acarreta a responsabilidade pelo pagamento de perdas e danos. Deve. à indenização das perdas e danos (art. guardar o meio-termo entre os congêneres da melhor e da pior qualidade. Podem as partes convencionar que a escolha competirá a terceiro estranho à relação obrigacional. por ter perecido devido a um raio. ou seja.4 Assim. poderá o credor resolver a obrigação. nem será obrigado a prestar a melhor´ . voltando as partes.

Obrigação de fazer impessoal ± em se tratando de obrigação de fazer impessoal. 461 e 644 CPC. 248. principalmente porque o credor pode. fungível ou material ± art. 247). e com a responsabilidade pela satisfação das perdas e danos. ou seja. executar ou mandar executar o fato. etc. poden ser do realizado por terceiro. que pode ser executada por terceiro. nem se trata de ato ou serviço cuja execução depende de qualidades pessoais do devedor. pois não se pode constranger fisicamente o devedor a executá-la. 248). ³pode o credor. sendo neste caso subentendida. por convencionado que o devedor a cumpra pessoalmente. sendo exceção a resolução em perdas e danos. enquanto nestas se admite o cumprimento por outrem. havendo recusa ou mora deste. Atualmente. não responde por perdas e danos. Mas a resolução do contrato o obriga a restitu ir eventual adiantamento da remuneração. Obrigação de fazer personalíssima ± em caso de recusa do devedor em cumprir a prestação a ele só imposta no contrato ou por ele só exeqüível devido a suas qualidades pessoas (obrigação personalíssima). responderá ele por perdas e danos (art. resolve-se a obrigação. Em caso de urgência. 287. a utilidade prometida (art. A recusa ao cumprimento de obrigação de fazer impessoal resolve -se. mediante a cominação de multa diária (astreinte). estranho aos interessados (art. haverá a responsabilização por perdas e danos (art. 247 e 248 ± quando for convencionado que o devedor cumpra pessoalmente a prestação. (iii) Inadimplemento ± a impossibilidade de o devedor cumprir a obrigação de fazer. Recusa ou mora ± i. ocorrido no trajeto para o teatro. 305). etc. não importa que a prestação venha a ser cumprida por terceiro. 249 ± quando não há a exigência de que o devedor cumpra pessoalmente a prestação. OBRIGAÇÕES DE FAZER ± nas obrigações de fazer.5 cereais de determinado depósito. Interessa-lhe o cumprimento. o perecimento de todas as espécies que o componham acarretará a extinção da obrigação. às expensas do substituído. no entanto. bem como a recusa ou mora em executá-la. ou seja. portanto. sendo depois ressarcido´ (art. 634 CPC). não aceitar a prestação por terceiro. (ii) Obrigação de fazer impessoal. a. Como ninguém pode fazer o impossível (³impossibilia nemo tenetur´). indiretamente. A infungibilidade pode decorrer da própria natureza da prestação. a regra quanto ao descumprimento da obrigação de fazer ou não fazer é a da execução específica.). se a impossibilidade foi por ele criada. OBS: 1) Obrigações de fazer x obrigações de dar ± as obrigações de fazer diferem das obrigações de dar. sem prejuízo da indenização cabível´. para o culpado. acarretam o inadimplemento contratual. admite-se a execução específica das obrigações de fazer. (i) Obrigação de fazer personalíssima (intuitu personae). ou do contexto da avença. b. Sendo delimitado dessa forma o ³genus´. que contemplam meios de. das qualidades artísticas ou profissionais do contratado (ex. Se decorrer de culpa deste. consagrado cirurgião plástico. sem conseqüências para o devedor sem culpa. em perdas e danos. Assim. 2ª parte). ³será livre ao credor mandálo executar à custa do devedor. o ator que fica impedido de se apresentar em determinado espetáculo em razão de acidente a que não deu causa. conforme as circunstâncias. 106). desde que a impossibilidade seja absoluta (art. independentemente de autorização judicial. Para o credor. a prestação consiste em atos ou serviços a serem executados pelo devedor. No entanto. O cantor que se recusa a se apresentar no espetáculo contratado responde pelos prejuízos acarretados aos promotores do evento. ao viajar para local distante às vésperas da apresentação contratada. como se pode verificar pelos arts. estaremos diante de uma obrigação de fazer personalíssima. Impossibilidade ± se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. resolver-se-á a obrigação (art. in fungível ou imaterial ± arts. obrigar o devedor a cumpri-las. diz-se que a obrigação de fazer é impessoal.: famoso pintor. ii. 249 e § único). sendo hospitalizado. tradicionalmente. ou a própria natureza desta impedir a sua substituição.). A recusa voluntária induz culpa. Responde por elas. . se o próprio devedor criou a impossibilidade.

641 CPC. tem como pressuposto a fungibilidade jurídica da atividade a ser exercida pelo devedor. entregar somente sacas de café. Em ambas as hipóteses sujeita-se ao pagamento de perdas e danos. quando a obrigação for de prestações periódicas. como na hipótese de alguém divulgar um segredo industrial que prometer não revelar. Se o objeto for bem móvel. do direito de escolha. aquele que prometera não obstar seu uso por terceiros. o objeto da obrigação. Também nesta hipótese não poderá dividir o objeto da prestação. assim. Poderá. não poderá compelir seu credor a receber uma saca de café e uma de arroz. Assim. fundada no art. 252. Têm. em 5 dias. por exemplo. 894 CPC). 250). o inadimplemento dá ensejo à propositura da ação de adjudicação compulsória. 252. e no outro somente sacas de arroz. por conteúdo duas ou mais prestações. no terreno adquirido. irretratável e irrevogável. como. será ele citado para. §2º). como conseqüência do inadimplemento. podendo o credor exigir o desfazimento do que foi realizado. Tal como ocorre nas obrigações de fazer. para que a escolha caiba ao credor é necessário que o contrato assim o determine expressamente. OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS OU DISJUNTIVAS ± trata-se de obrigações compostas pela multiplicidade de objetos. 252.6 2) Obrigação de emitir declaração de vontade ± a obrigação de fazer pode consistir em emitir declaração de vontade. que se obrigou a não praticar´ (art. pois deve ser uma ou outra. por exemplo. não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. Todavia. sem possibilidade de retratação unilateral. Lei 649/49. não pode deixar de atender à determinação de autoridade competente. e assim sucessivamente. se lhe torne impossível abster-se do ato. em um deles. por exemplo. endossar o certificado de propriedade de veículo. A sentença. não há como pretender a restituição das partes ao ³statu quo ante´. conferiu o direito de escolha ao devedor. de modo definitivo. OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER . Se praticam o ato que se obrigaram a não praticar. salvo se a convenção dispuser que passa ao credor. substituindo-se ao devedor inadimplente. As prestações ³in obligatione´ reduzem-se a uma só e a obrigação torna-se simples. O STJ vem admitindo a propositura da aludida ação com base em compromisso de compra e venda irretratáv mesmo não estando el. 571 . tornar -se-ão inadimplentes. ou a cabeleireira alienante que se obriga a não abrir outro salão de beleza no mesmo bairro. DL 58/37. ainda. registrado no Cartório de Registro de Imóveis. ³caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes´ (art. ³extingue-se a obrigação de não fazer. adjudica o imóvel compromissado ao credor. § único. (i) Direito de escolha ± o direito pátrio. por ordem de autoridade. Há casos em que somente lhe resta esse caminho. Esta não o priva. cabe ação de obrigação de fazer. assim como será obrigado a fechar a passagem existente em sua propriedade. §4º). poderá o credor desfazer ou mandar desfazer o ato. ou aceitar que o devedor o faça a escolha (art. de comum acordo. Preceitua o art. ³independentemente de autorização judicial. Se não o fizer. de rito sumário (art. sem culpa do devedor. Assim. prédio além de certa altura. depositandose a coisa. por determinação judicial. exercer o direito. desde que. sem prejuízo do ressarcimento devido´ . 251). ficando determinado. OBS: Prazo para a opção ± o contrato deve estabelecer o prazo para a opção. ³a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período´ (art. ou poderá vê-lo desfeito por terceiro. se não se hou vesse obrigado. devem cumprir o prometido. ³se outra coisa não se estipulou´ (art. Cientificada a escolha. Caso se trate de compromisso de compra e venda de bem imóvel. o devedor que prometera manter cercas vivas. a opção ser deferida a terceiro. Portanto. ou o devedor desfaz pessoalmente o ato. entretanto. dá-se a concentração. neste caso. Se se obriga a entregar duas sacas de café ou duas sacas de arroz. Nada impede que o credor peça somente o pagamento destas. que ³em caso de urgência´. vendido em prestações. Quando a eleição compete a este.a obrigação de não fazer ou negativa impõe ao devedor um dever de abstenção: o de não praticar o ato que poderia livremente fazer. Pode. ³sob pena de se desfazer à sua custa. o devedor será notificado. pois não pode o juiz sub-rogar-se ao devedor nas prestações infungíveis. assim. 1418 CC. Lei 6766/79). Se este não puder ou não quiser aceitar a incumbência. seguindo a tradição romana. etc. 251. Feita a divulgação. outorgar escritura definitiva em cumprimento a compromisso de compra e venda. Segundo o §1º do art. das quais somente uma será escolhida para pagamento ao credor e liberação do devedor. 252). A execução do título que consagra obrigação alternativa rege-se pelo art. e o contrato não fixa o prazo. O adquirente que se obriga a não construir. por exemplo. ressarcindo o culpado perdas e danos´ (art. em que o juiz. para construir muro ao redor de sua residência. para efeito de sua constituição em mora.

b. ³decidirá o juiz. mais perdas e danos que o caso determinar´ (art. será alternativa apenas na aparência. pois não podem fracioná-los. sendo inexigíveis ambas as prestações. Nesse sentido. 2) Obrigações alternativas x obrigações de dar coisa incerta ± diferem as obrigações alternativas das de dar coisa incerta.7 CPC. que é a escolha. o objeto for um cavalo ou um relógio. aquele poderá exigir ou a prestação subsistente ou o valor da outra. 253). 1386 CC ± indivisibilidade das servidões . se alguém se obriga a entregar um veículo ou um animal. ou dada a razão determinante do negó cio jurídico´. por falta de objeto. Se houver culpa de sua parte. malgrado tenham um ponto em comum. nas de dar coisa incerta. se uma das obrigações não puder ser cumprida em razão de impossibilidade material. Se. ³subsistirá o débito quanto à outra´ (art. objeto. (ii) Impossibilidade das prestações ± a. a obrigação é divisível. apenas indeterminado quan à qualidade. por motivo de ordem econômica. Impossibilidade material ± i. 252. toda a obrigação fica contaminada de nulidade. Assim. competindo a ele a escolha. ou seja. e indivisível no caso contrário. OBS: 1) Obrigações alternativas x obrigações cumulativas ou conjuntivas ± distinguem-se as obrigações alternativas das cumulativas ou conjuntivas. 256). devendo a escolha recair em apenas um deles. sem exclusão de qualquer delas. 254). OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS ± as obrigações divisíveis e indivisíveis são compostas pela multiplicidade de sujeitos. com perdas e danos (art. ³extinguir-se-á a obrigação. sem culpa do devedor. findo o prazo por este assinalado para a deliberação´ (art. além das perdas e danos. Assim. concentrou-se o débito no que por último pereceu. pois a escolha é sua). Impossibilidade material de todas as prestações ± se a impossibilidade for de todas as prestações. dá-se a concentração da dívida na outra. em geral. em que também há uma pluralidade de prestações. Mas. Neste caso. Impossibilidade jurídica ± se a impossibilidade é jurídica. em ambas necessária. mas os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei (indivisibilidade legal ± ex. se a escolha couber ao credor. Pode dizer que pretendia escolher justamente o que pereceu. cabendo-lhe a escolha. no entanto. Obrigações divisíveis são aquelas cujo objeto pode ser dividido entre os sujeitos. e este último vem a morrer depois de atingido por um raio. Isto porque. Nas to primeiras.: praticar um crime). pois havendo um único devedor obrigado a um só credor a obrigação é indivisível. o que não ocorre com as indivisíveis. Entretanto. se dois devedores prometem entregar duas sacas de café. por sua natureza. devendo cada qual uma saca. Quando a impossibilidade de uma das prestações é superveniente e inexiste culpa do devedor. ii. a escolha recai sobre um dos objetos ³in obligatione´. sem ônus para este´ (art. por ilícito um dos objetos (ex. §3º). constituindo. ficará obrigado ³a pagar o valor da que por último se impossibilitou. concentra-se o débito no veículo. Nas alternativas. por exemplo. pois a escolha era sua. pode este exigir o valor de qualquer das prestações (e não somente da que por último pereceu. optando pode exigir seu valor.: art. ou seja. sobre a qualidade do único objeto existente. enquanto nas últimas. Impossibilidade material de apenas uma das prestações ± se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível (ex. A indivisibilidade decorre. na verdade. sob pena de se não haver por cumprida (ex. a prestação deverá ser cumprida por inteiro seja divisível ou indivisível seu . não havendo acordo unânime entre eles. a obrigação será indivisível. No caso de pluralidade de optantes. com o perecimento do primeiro objeto. proclama o CC que ³a obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. mais perdas e danos. mas todas devem ser solvidas. há vários objetos.: obrigação de entregar o cavalo e o boi). 255). Assim. o objeto é um só. a obrigação é divisível quando é possível ao credor executá-la por partes. Tal classificação só oferece interesse jurídico havendo pluralidade de credores ou de devedores. Se a escolha for do credor e o perecimento decorrer de culpa do devedor. poderá concentrá la na prestação remanescente. Mesmo que o perecimento decorra de culpa do devedor. ou nas outras. o credor não é obrigado a ficar com o objeto remanescente.: não se fabrica mais a coisa que o devedor se obrigou a entregar). da natureza das coisas (indivisibilidade natural). uma obrigação simples.

em decorrência da vontade das partes (indivisibilidade intelectual).: obrigação de indenizar nos acidentes do trabalho. ser divisível. Se alguém. Se este for divisível (ex. Obrigação de fazer ± também será divisível ou indivisível. Poderá.8 prediais). dependendo da natureza do objeto. embora o pai não a pleiteie). realizando uma a cada cinco dias. por determinação judicial (indivisibilidade judicial ± ex. Se no entanto. obrigar-se a não construir além de certa altura. como não vender e não alugar. é indivisível. mas será divisível se o escultor for contratado para fazer dez estátuas. c. cuja indenização deve ser paga por inteiro à mãe. ou ainda. será ela indivisível. (i) Divisibilidade e indivisibilidade nas obrigações da dar. b. sendo cinco para cada um).: um animal). a coisa a ser entregue for indivisível (ex. . A de fazer uma estátua é indivisível. bastará que inicie a construção além da altura convencionada para que se torne inadimplente. completamente independentes. se o devedor obrigou-se a não praticar determinados atos. a obrigação também o será. Obrigações de dar ± a obrigação de dar será divisível ou indivisível. no entanto. por exemplo. fazer e não fazer ± a. Obrigação de não fazer ± em geral.: entregar dez sacas de café a dois credores.

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