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MAT0206/MAP0216 - Análise Real - IME - 2007

Prof. Gláucio Terra

5a Lista de Exercı́cios

Para entregar: exercı́cios 2, 4, 12, 13, 21 e 22.


Obs.: Regras para ganhar a nota extra referente aos exercı́cios marcados com “bônus”: (1) a resolução
deve redigida de forma clara e sem erros, e não há notas intermediárias; (2) a nota máxima a ser dada
como bônus é 1,0 ponto na média do semestre; (3) os exercı́cios devem ser entregues no prazo para
entrega da lista.

1-) Exercı́cios dos capı́tulos 8 e 9 do Elonzinho.

2-) Seja f : I → R contı́nua no intervalo I ⊂ R. Se, para cada x ∈ I (exceto, possivelmente, na extremidade
superior de I, caso a mesma esteja em I), existir f+0 (x) e for > 0, então f é estritamente crescente.

3-) Seja f : X ⊂ R → R derivável no ponto a ∈ X ∩ X 0 . Se (xn )n∈N e (yn )n∈N são seqüências em X tais
¡ ¢ f (yn ) − f (xn )
que ∀ n ∈ N xn < a < yn , xn → a e yn → a, então → f 0 (a).
yn − xn

4-) Seja f : I ⊂ R → R derivável no intervalo I. Dado a ∈ I, são equivalentes:


(a) f 0 é contı́nua em a; ¡ ¢
(b) ∀ (xn )n∈N , (yn )n∈N seqüências em I tais que ∀ n ∈ N xn 6= yn , xn → a e yn → a, tem-se
f (yn ) − f (xn )
→ f 0 (a).
yn − xn

5-) Seja f : I → R derivável no intervalo aberto I ⊂ R. Um número real c ∈ I diz-se um ponto crı́tico de f
se f 0 (c) = 0. Se c ∈ I for um ponto crı́tico de f , diz-se que o mesmo é não-degenerado se f é duas vezes
derivável em c e f 00 (c) 6= 0. Mostre que:
(a) Se f é de classe C1 , o conjunto dos pontos crı́ticos de f é fechado em I (vide definição na lista 4
caso não se recorde);
(b) Os pontos de máximos e mı́nimos locais de f são crı́ticos. Um ponto crı́tico não-degenerado deve
ser de máximo local ou de mı́nimo local.
(c) Se c ∈ I é um ponto crı́tico não-degenerado de f , então existe δ > 0 tal que f não tem outros
pontos crı́ticos no intervalo (c − δ, c + δ). Ou seja, todo ponto crı́tico não-degenerado é um ponto crı́tico
isolado.
(d) Se todos os pontos crı́ticos de f são não-degenerados, então o conjunto dos pontos crı́ticos de f
é enumerável, e em qualquer intervalo [a, b] ⊂ I há apenas um número finito de tais pontos.

6-) Se f : [0, +∞) → R é derivável e limx→+∞ f 0 (x) = L, então, para cada c > 0, limx→+∞ [f (x+c)−f (x)] =
c · L e limx→+∞ f (x)
x = L.

7-) Seja f : [0, +∞) → R duas vezes derivável. Se f 00 é limitada e existe limx→+∞ f (x), mostre que
limx→+∞ f 0 (x) = 0. Bônus: vale 0,25 pontos na média do semestre.

1
8-) (Teorema de Cauchy) Sejam f, g : [a, b] → R contı́nuas e deriváveis em (a, b). Então existe c ∈ (a, b)
tal que f 0 (c)[g(b) − g(a)] = g 0 (c)[f (b) − f (a)].

9-) (1a. Regra de L’Hôpital) Sejam I ⊂ R um intervalo, a ∈ I, f, g : I \ {a} → R funções deriváveis


tais que existem e são nulos os limites limx→a f (x) e limx→a g(x). Suponha que g 0 não se anule em I \ {a}
f 0 (x) f (x)
e que lim 0 = L, onde L ∈ R ou L = ±∞. Então g não se anula em I \ {a} e lim = L.
x→a g (x) x→a g(x)
Sugestão: Use a questão anterior.

10-) (2a. Regra de L’Hôpital) Sejam I ⊂ R um intervalo, a ∈ I, f, g : I \ {a} → R funções deriváveis


tais que limx→a |f (x)| = +∞ e limx→a |g(x)| = +∞. Suponha que g 0 não se anule em I \ {a} e que
f 0 (x) f (x)
lim 0 = L, onde L ∈ R ou L = ±∞. Então lim = L.
x→a g (x) x→a g(x)
Sugestão: Use a questão 8-).

11-) ¡ Dado c >¢ 0, uma função derivável f : I → R no ¡intervalo ¢ I ⊂ R satisfaz a condição de Lipschitz
∀ x, y ∈ I |f (x) − f (y)| 6 c|x − y| se, e somente se, ∀ x ∈ I |f 0 (x)| 6 c.

12-) Seja¡ f : I →
¢ R derivável no intervalo fechado I ⊂ R (limitado ou não). Dado c ∈ [0, 1), suponha
que ∀ x ∈ I |f 0 (x)| 6 c, e que f (I) ⊂ I. Mostre que f tem um único ponto fixo a em I (i.e. existe
um
¡ único¢ a ∈ I tal que f (a) = a) e que, para todo x1 ∈ I, a seqüência definida indutivamente por
∀ n ∈ N xn+1 = f (xn ) é tal que xn → a.
Sugestão: Use a questão anterior e a questão 10 lista 2.

13-) Sejam p ∈ N e c ∈ [0, 1). Dada f : I → R derivável no intervalo fechado I ⊂ R, suponha que f (I) ⊂ I
. . p fatores ¡ ¢
e que g = f p = f ◦ f ◦ · · · ◦f satisfaça ∀ x ∈ I |g 0 (x)| 6 c. Prove que f tem um único ponto fixo
a ∈ I e que, para todo x ∈ I, limn→∞ f n (x) = a.
Exemplo: A função cosseno ainda será definida formalmente no curso. Neste exemplo, assume-se que
.
a mesma ¡já tenha sido ¢definida num curso de Cálculo. A função f = cos : [−π, π] → R não cumpre a
condição ∀ x ∈ [−π, π] |f 0 (x)| 6 c < 1, mas f 2 = f ◦ f cumpre.

14-) Dada f : R → R derivável, com derivada limitada, prove que existe c ∈ R tal que a função φ : R → R
definida por φ(x) = x + c · f (x) é um difeomorfismo (i.e. uma bijeção derivável com inversa derivável).
¡ ¢
15-) Sejam a ∈ R, δ > 0, c ∈ [0, 1) e f : [a − δ, a + δ] → R derivável, com ∀ x |f 0 (x)| 6 c. Se |f (a) − a| 6
(1 − c)δ, então f tem um único ponto fixo em [a − δ, a + δ].

f (x) − f (a)
16-) Seja f : [a, b] → R contı́nua e derivável em (a, b). Se limx→a+ f 0 (x) = +∞, então lim =
x→a+ x−a
+∞.

17-) (a) Se f, g : I → R são de classe Cn no intervalo I ⊂ R, então f · g é de classe Cn .


(b) Sejam I, J ⊂ R intervalos, f : I → R e g : J → R de classe Cn tais que f (I) ⊂ J. Então g ◦ f é
de classe Cn .
(c) (d) Se f : I → R é de classe Cn no intervalo I ⊂ R e f 0 não se anula em I, então a inversa
.
g : J = f (I) → R de f é de classe Cn .

2

18-) Sejam I ⊂ R um intervalo e f : I → R duas vezes derivável em a ∈I . Mostre que:

f (a + h) − 2f (a) + f (a − h)
f 00 (a) = lim .
h→0 h2

19-) Sejam I ⊂ R um intervalo e f : I → R duas vezes derivável em a ∈I . Mostre que:

f (a + 2h) − 2f (a + h) + f (a)
f 00 (a) = lim .
h→0 h2

20-) Seja f : R → R de classe C∞ . Se f se anula, juntamente com todas as suas derivadas, num ponto a ∈ R,
então, para cada k ∈ N, podemos escrever f (x) = (x − a)k φ(x), onde φ é de classe C∞ .

21-) Sejam f e g analı́ticas num intervalo aberto I ⊂ R.


¡ Se existe
¢ a ∈ I tal que f e g coincidem, juntamente
com todas as suas derivadas, no ponto a, então ∀ x ∈ I f (x) = g(x). Mostre que isto seria falso se
supuséssemos apenas f e g de classe C∞ .

22-) Dadas f ¡e g analı́ticas


¢ no intervalo aberto I, seja X ⊂ I um conjunto que possui um ponto de acumulação
em I. Se ∀ x ∈ X f (x) = g(x), então f coincide com g em I. Em particular, se f se anula em X, então
f se anula em I.

23-) Seja I = (a − δ, a + δ).


¡ Dada¢ f : I →P R de classe C∞ , suponha que
P exista uma seqüência (an )n>0 de
∞ n n
números reais tal que ∀ x ∈ I f (x) = n=0 an (x − a) . Prove que an (x − a) é a série de Taylor de
¡ ¢ f (n) (a)
f centrada em a, i.e. ∀ n an = n! .