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Teorias de Médio Alcance

na Sociologia Mertoniana
Ednaldo Ribeiro (UEM)
Notas Biográficas
• ROBERT KING MERTON: Nascido em 4 de julho de 1910, em South
Philadelphia.
• Morte: aos 92 anos em Manhattan.
• Nome original: Meyer R. Schkolnick, até os 14 anos, quando
mudou seu nome para Robert Merlin para se dedicar a carreira de
mágico.
• Merton quando conseguiu sua primeira bolsa de estudos: de
Merlin mudou para Merton quando consegiu sua primeira bolsa de
estudos na Universidade de Temple.
• Pioneirismo na sociologia da ciência: o principal foco de
reconhecimento à Merton está no seu pioneirismo no campo da
sociologia da ciência.
• O ethos da ciência: em suas investigações nesse campo se ocupou
do comportamento e das motivações dos cientistas, ou seja, seu
ethos.
• Medalha Nacional da Ciência: foram esses estudos que o levaram a
ser o primeiro sociólogo a ganhar esse prêmio em 1994.
• Atuação em várias áreas:
• Meios de comunicação de massa
• Racismo
• Inclusão e desvio social
• História
• Literatura
• Etimologia
• Impactos para fora da academia: merton também é lembrado pelo
impacto que suas idéias e obras produziram no ambiente externo à
academia.
• Processo contra a segregação nos estados unidos: seus estudos
sobre integração social deram forma ao processo histórico de brown
contra a secretaria de educação dos eua.
• Metodologia dos grupos focais: foi merton que desenvolveu
a técnica de grupo focal que continua sendo usada por
políticos e marqueteiros.
• Universidade de Columbia: a maior parte de sua vida
intelectual se passou na universidade de columbia.
• Departamento de Pesquisa Social Aplicada: foi nessa
universidade que criou em parceria com paul f. Lazarsfeld.
• Defensor das Teorias de Médio Alcance: no que diz respeito
à epistemologia das ciências sociais merton ficou conhecido
como o defensor das teorias de médio alcance.
• Longe das grandes teorias abstratas: de um lado essas
teorias defendidas se afastam das grandes doutrinas um
tanto abstratas e especulativas.
• Longe das pesquisas reduzidas: mas por outro, se afasta
das pesquisas reduzidas com poucas chances de
alcançarem resultados que produzam efeitos
significativos.
• Avanços e aberturas de linhas de investigações: as
teorias de médio alcance produziriam resultdaos e ao
mesmo tempo provocariam avanços e a abertura de novas
linhas de investigação.
• O desvio, a anomia e o crime: outra contribuição
fundamental do autor, que será objeto de nossas aulas
foram os estudos sobre anomia, desvio social e crime.
• Explicação para a anomia: avançando no caminho aberto por
Durkheim, Merton propõe uma explicação para a anomia que
considera a frustração dos indivíduos pela falta de mecanismos
para alcançar seus objetivos.
• Negação dos meios para alcançar os objetivos culturais:
quando uma sociedade não oferece os meios necessários para
que os indivíduos alcancem os objetivos culturais que essa
mesma sociedade estabelece a anomia poderia surgir.
• Estudos sobre desvios de comportamento e crime: os estudos
que Merton conduziu sobre os desvios de comportamentos e
sobre o crime derivam dessa teoria sobre a anomia.
• Experiências pessoais: a inspiração para essa explicação da anomia talvez possa ser
buscada na experiência pessoal do próprio Merton em sua juventude.
• Participação em gangues: isso porque vivendo em um cortiço ele mesmo havia
participado de gangues de jovens.
• Último livro sobre a serendipidade: seu último alvo de interesse e último livro
publicado foi um estudo sobre a serendipidade, “As viagens e aventuras da
serendipidade”.
Plano de curso

• 1 – As teorias de médio alcance: inicialmente


vamos estudar a defesa de Merton às teorias de
médio alcance.
• 2 – O Funcionalismo: em seguida vamos entender
a sua opção pelo funcionalismo.
• 3 – Controle, norma e desvio social: por fim,
vamos nos dedicar a sua teoria da anomia e
entender sua interpretação sobre os desvios de
comportamento e sobre o crime.

• Capítulos de “Sociologia: teoria e estrutura”:


todos esses assuntos serão estudados a partir de
capítulos de seu livro.
As Teorias de Médio Alcance
• Definição de Teoria Sociológica: conjuntos de proposições
logicamente interlaçadas, dos quais podemos derivar uniformidades
empíricas.
• Teorias intermediárias: dentre as teorias sociológicas o seu objeto
principal de discussão nesse capítulo são as de médio alcance.
• Entre as pequenas teorias: essas teorias médias se colocam entre as
pequenas teorias que seriam na verdade hipóteses que surgem a
todo momento enquanto fazemos nossas pesquisas.
• E as GRANDES TEORIAS: e aquelas tentativas de sistematização
geral que pretendem explicar os comportamentos, organização e
processo de mudança social.
• Teorias intermediárias como guias das pesquisas empíricas: Merton
inicia afirmando que as teorias de médio alcance são usadas na sociologia
como guias para as pesquisas empíricas.
• Orientação que não pode vir das teorias gerais: isso porque tal
orientação não pode ser encontrada nas teorias gerais e abstratas que
não se aproximam dos processos e fenômenos particulares que
encontramos na realidade empírica.
• Orientação que não pode vir das teorias pequenas: uma vez que essas
realizam uma descrição exaustiva de realidades particulares sem a menor
pretensão de generalização.
• Abstrações na teoria e médio alcance: isso não implica em dizer que as
teorias de médio alcance não comportem abstrações, mas elas são de tal
natureza que podem ser convertidas em conceitos.
• Conceitos testáveis empiricamente: esses conceitos na teoria de médio
alcance são possíveis de serem testados empiricamente.
• Aspectos limitados dos fenômenos: essas teorias se ocupam de aspectos
limitados dos fenômenos sociais.
• Exemplos de teorias médias: teoria de grupos de referência, teorias de
mobilidade social.
• Ideias geradoras relativamente simples: essas teorias se originam de ideias
relativamente simples.
• Geradoras de hipóteses empiricamente testáveis que levam ao
conhecimento da realidade: essas idéias simples geram uma série de
hipóteses que por serem empiricamente testáveis permitem identificar
características dos fenômenos.
• O caso das Teorias de Grupos de Referência e de Privação
Relativa: esse conjunto de teorias é tomada por Merton para
exemplificar como se dá essa geração de hipóteses pela ideia inicial
em uma teoria de médio alcance.
• Ideia geradora simples: o indivíduo toma os padrões de outras
pessoas significativas como base para uma auto avaliação.
• Afronta à percepções do senso comum sobre a privação: essa
ideia comum é simples, mas como Merton destaca, contraria ideias
presentes no senso comum acerca do tema da privação.
• A perda real e o sentimento de privação: para o senso
comum, na sua lógica imediata, seria a perda real e objetiva
que conduziria ao sentimento de privação.
• Uma família vítima das enchentes: tomando como exemplo a
experiência concreta de uma família vítima de uma
enchente, o senso comum entende que o sentimento de
privação seria proporcional a sua perda objetiva.
• Correlação linear entre perda objetiva e subjetiva: em
outros termos, o senso comum pensa existir uma correlação
linear entre perda objetiva e subjetiva.
• Resultado da experiência pessoal: essa relação obedeceria
uma lógica interna pessoal ao indivíduo ou ao grupo social.
• Hipótese alternativa da teoria da privação: de que as auto avaliações
dependem das comparações que os indivíduos fazem da sua situação com
a de outras pessoas com as quais acredita ser comparável no momento.
• Situação empírica: essa hipótese sugere uma situação empírica em que
uma família que tenha suportado sérias perdas nas enchentes tenha um
sentimento de perda menor do que o de grupos com perdas menores se
for possível a sua comparação com outro grupo que teve perdas ainda
maiores.
• Confirmação da hipótese: a observação empírica de situações como
essas levam a confirmação dessa hipótese, pois em situações de
catástrofe as perdas sempre são avaliadas em termos comparativos.
• Os grupos de referência: essa comparação sempre é produzida com a
fixação de um grupo de referência.
• As pessoas que mais sofreram como grupo de
referência: no caso de uma tragédia natural, o
grupo de referência é sempre aquele das
pessoas que mais sofreram.
• Grupo reforçado pelos meios de
comunicação: é esse grupo de pessoas ou
famílias que é enfocado pelos meios de
comunicação e passam a ser a referência de
perda para os demais indivíduos.
• A condição de sobrevivente: esse grupo leva
inclusive a caracterização dos demais como o
dos sobreviventes da tragédia.
• Aqueles que irão ajudar: esse grupo de
sobreviventes terá a obrigação moral de
ajudar aqueles que tiveram perdas maiores
que as suas.
• Todas as proposições empiricamente testadas: o que podemos
notar aqui é que aquela ideia simples enunciada anteriormente
gera uma série de conceitos e hipóteses empiricamente
verificáveis.
• Teoria para além do comportamento em situações de
catástrofe: essa teoria de médio alcance, tomada como
exemplo, não se restringe ao caso específico do
comportamento em situações de catástrofes.
• Auto avaliações em diferentes contextos: diferentes auto
avaliações são realizadas em diferentes contextos levando em
consideração grupos de referência.
• Teorias que estão acima das teorias pequenas: assim, com esse
exemplo vemos como as teorias médias estão acima em termos de
generalização das teorias pequenas.
• Teorias médias são mais do que derivações de uma grande teoria: por
outro lado, o exemplo também mostra que a teoria dos grupos de
referência e das privações não é simples derivações de uma teoria maior
sobre o sistema social.
• Se afasta do historicismo e da teoria generalizadora: assim, a teoria de
médio alcance se afasta do historicismo e também das teorias
sociológicas generalizadoras.
• Sugerem e exigem pesquisa empírica: podemos entender, portanto,
que a teoria média necessariamente exige pesquisas empíricas para
testar as hipóteses que sugere.
• Concordância com sistemas gerais ou teorias grandes: outra
característica importante é que as teorias médias em geral
concordam com as afirmações gerais e abstratas das grandes
teorias.
• Concordância com mais de um sistema geral: ainda que nossa
formação sociológica ensine que as grandes teorias são
mutuamente exclusivas, as teorias médias frequentemente
concordam com elementos de vários sistemas ao mesmo tempo.
• Teorias sociológicas gerais e sistemas filosóficos
abrangentes: Merton iguala as teorias sociológicas gerais aos
grandes sistemas filosóficos clássicos que foram gradualmente
sendo abandonados.
• A crença dos teóricos gerais: afirma que a crença dos seus formuladores
é a de que a construção desses grandes sistemas poderia indicar
caminhos para as pesquisas empíricas.
• Falta muito trabalho preparatório: Merton defende que essa crença não
se justifica, pois seria necessário ainda muito trabalho preparatório para
que isso fosse possível.
• Tendência dos clássicos: afirma que essa pretensão de produzir sistemas
gerais é algo compreensível nos clássicos que se explica pelo contexto
em que a sociologia nasce.
• Período do pensamento sistêmico na filosofia: lembra que o período
que vai do século XVIII ao XIX é marcado por filósofos que procuraram
construir sistemas que envolvessem uma ampla variedade de fenômenos.
• Kant, Fichte, Hegel: são alguns exemplos de autores que propuseram
conceitos sobre o universo, a natureza e o homem.
• Exemplo para os primeiros sociólogos: os primeiros sociólogos do século
XIX seguiram esse exemplo e construíram seus sistemas sociológicos.
• A formação de escolas: esses sistemas gerais tenderam a construir
escolas, com seus respectivos professores e discípulos.
• Diferenciação interna na sociologia: assim, a sociologia se desenvolveu
a partir de um processo de diferenciação interna.
• Não a diferenciação das ciências naturais: a nossa diferenciação não
ocorreu como nas ciências naturais em que a divisão interna se dá pela
especialização.
• Divisão entre sistemas mutuamente excludentes: nossa divisão ocorreu pela
oposição entre sistemas totais mutuamente excludentes que tudo pretendiam
explicar.
• Equívocos dos formuladores de sistemas gerais: Merton aponta que essas
tentativas de garantir status científico à sociologia mediante a formulação de
grandes sistemas está baseada em alguns equívocos.
• Um sistema poderia desenvolver-se sem observações básicas: o primeiro
deles é a suposição de que um sistema geral poderia ser formulado sem que
antes exista um volume significativo de observações básicas acumulado.
• Um sistema a partir das observações: portanto, defende que a formulação de
uma teoria geral só pode emergir com o passar do tempo e com o acúmulo de
experiências dos pesquisadores em problemas concretos.
• Equívoco da contemporaneidade histórica: outro equívoco apontado
pelo autor é a suposição de que formas culturais existentes em um
mesmo período histórico deveriam ter o mesmo grau de maturidade.
• A física e a sociologia: assim, os sociólogos pensaram que só poderiam
afirma a sua ciência se, assim como a física, formulassem um sistema
geral.
• Na física antes de Einstein houve Kepler: mas se esquecem que antes
que fosse possível os sistemas de Einstein foram necessários alguns
Keplers, Laplace e tantos outros.
• Pesquisa cumulativa: ou seja, a formulação de sistemas na física foi
precedida de esforços particulares de pesquisa ininterrupta e
cumulativa.
• Inexistência de sistema geral mesmo na física: o terceiro equívoco
desses sociólogos é de avaliação do atual estágio de desenvolvimento das
ciências naturais, como a física, que ainda não possuem sistemas gerais.
• Muitos físicos acreditam que isso é impossível: muitos físicos chegam a
duvidar sobre a possibilidade de se estabelecer algum dia tais sistemas.
• Teorias especiais de maior ou menor alcance: o que existe nessa
ciência são teorias especiais de maior ou menor alcance relativamente
conjugadas.
• Necessidade de moderação das pretensões sociológicas: assim, Merton
alerta para a necessidade dos sociólogos moderarem suas pretensões.
• Pressões utilitaristas da sociedade: mas o desejo por uma teoria geral
em sociologia não se dá apenas pela comparação equivocada com outras
ciências, mas também de pressões externas vindas da sociedade.
• Exigências crescentes: vindas dos planejadores de políticas,
reformadores, reacionários, homens de negócios, funcionários
governamentais.
• Sistemas a altura dessas expectativas: os sociólogos, diante de tantas
expectativas se lançam a elaboração de teorias que possam satisfazer
tantas demandas.
• Convicção equivocada sobre a onisciência da ciência: por tras dessa
busca está a noção equivocada de que uma ciência deve dar respostas a
todas as perguntas que lhe são dirigidas, de maneira onisciente.
• Ambições de uma ciência adolescente: esse seria o erro mais comum às
ciências adolescentes, que possuem ambições muito grandes e se
descuidam dos detalhes importantes.
• Avaliação da ciência pelas respostas aos problemas do momento: por
detrás tanto das cobranças endereçadas à sociologia quanto ao desejo de
respondê-las está também o equívoco de avaliar uma ciência pelas
respostas que pode dar aos problemas do momento.
• As respostas demoram a vir: assim como aconteceu na medicina os
desenvolvimentos de uma ciência dificilmente conseguem resolver
problemas concretas de maneira imediata, sendo necessária a passagem
de considerável período de tempo.
• Necessidade como mãe da invenção: Merton propõe a metáfora de que a
necessidade social pode ser considerada como a mãe das invenções e
descobertas científicas.
• Mas o pai é o conhecimento acumulado: mas o seu pai é o conhecimento
acumulado, no caso da sociologia, o conhecimento acumulado sobre o social.
• A teoria média como condição de progresso para a sociologia: para Merton a
condição fundamental para o progresso da sociologia é o desenvolvimento de
teorias de alcance médio.
• Teorias especiais aplicáveis: seriam necessárias teorias especiais aplicáveis à
objetos conceituais limitados.
• Exemplos: teoria dos desvios de comportamento; da percepção social; dos
grupos de referência; do controle social.
• Dois planos interconexos: o desenvolvimento dessa ciência deveria se
dar em dois planos ou momentos interconexos.
• Teorias especiais que derivem hipóteses empiricamente testáveis;
• Formulação de esquemas conceituais progressivamente mais gerais que
reúnam grupos de teorias especiais.
• Diferentes respostas às teorias de médio alcance: afirma que
diferentes foram as respostas dadas às teorias de médio alcance quando
começaram a ser propostas.
• Aceitação por um grupo: para aqueles pesquisadores que se ocupavam
de pesquisas empíricas orientadas por teorias a aceitação foi fácil, uma
vez que tais teorias apenas formulavam a forma como conduziam suas
investigações.
• Rejeição por outro grupo: a rejeição veio daqueles que se ocupavam do
pensamento social ou da formulação de grandes sistemas que vira nessas
teorias uma redução das aspirações sociológicas.
• Posição intermediária: uma posição intermediária é a daqueles que
acreditam que a ênfase das teorias médias irá conduzir ao
desenvolvimento gradual de teorias mais amplas.
• Estereótipos das posições polarizada: como acontece em qualquer
disputa, a que se estabelece entre partidários de teorias médias e
teorias gerais passa a se dar com o uso de estereótipos.
• O pesquisador descritivo: para aqueles que defendem as teorias gerais
os que se orientam por teorias médias são considerados pesquisadores
descritivos.
• O especulador: os pesquisadores que aderem às teorias médias, por sua vez,
enxergam os teóricos gerais como especulares não comprometidos com a
comprovação empírica de suas proposições.
• Reforço da polarização pelo volume de publicações: essa polarização e
estereótipos é reforçada pelo crescente volume de publicações em sociologia.
• Seleção de leituras: diante da impossibilidade de acompanhar tudo os
pesquisadores selecionam apenas aquilo que diz respeito aos seus interesses.
• Desconhecimento do outro: assim, continua desconhecendo o outro e isso
conduz a manutenção do preconceito.
• Impedimento para a discussão intelectual: essa situação impede a discussão
intelectual entre as posições polarizadas.
• O terceiro grupo como ecléticos: o terceiro grupo que poderia levar a discussão
para o campo intelectual é classificado como eclético e fica no fogo cruzado.
• O suicídio de Durkheim: ao discutir a aceitação das teorias de média alcance
merton cita o suicídio de Durkheim como exemplo de pesquisa que desenvolveu esse
tipo de orientação.
• Seguidores de Durkheim: entre aqueles que aceitaram a validade das teorias
médias estão seguidores desse clássico.
• T.H.Marshal – degraus na média distância: foi um dos autores a incentivar tais
teorias com sua idéia de degraus na média distância.
• Karl Mannheim – principia media: Mannheim também é outro importante
pesquisadora a incentivar esse nível médio.
• Crescente aceitação: merton escrevendo na década de 50 relata um crescente
interesse e desenvolvimento desse grupo de deptos das teorias médias.
CRÍTICAS ÀS TEORIAS MÉDIAS

1. Reduzida ambição intelectual: a primeira crítica seria aquela


que atribui às teorias médias uma reduzida ambição intelectual.
• A ética protestante e o espírito do capitalismo: em defesa
Merton inicia por considerar a obra de weber como um exemplo de
pesquisa conduzida a partir de uma teoria de médio alcance.
• Não se trata de ambição reduzida: e afirma que não se trataria
de um exemplo de ambição reduzida, apesar de partir de uma
teoria média.
2. Negação da pesquisa macrossociológica: uma segunda crítica seria
aquela que afirmaria que as teorias médias negariam a pesquisa
macrossociológica.
• Estudos de macrossociologia comparativa: Merton salienta que essa
crítica não faz sentido, pois a maioria das pesquisas macrossociológicas
comparativas da época estava sendo conduzidas a partir de teorias
médias.
3. Fragmentação da sociologia: as teorias de médio alcance tenderiam a
gerar fragmentação no interior da sociologia.
• Consolidação e não fragmentação: para Merton, ao invés de fragmentar
as teorias médias consolidam resultados empíricos de diferentes campos
e contribuem para a formação de grupos mais amplos de generalizações.
4. Crítica de sociólogos soviéticos: são interessantes as críticas de sociólogos
soviéticos sobre o caráter positivista das teorias médias.
• Não ultrapassariam o nível empírico: esses pesquisadores afirmam que as teorias
médias não ultrapassariam o nível dos dados empíricos.
• O marxismo como teoria geral que orientaria testes empíricos: em oposição esses
autores apresentam o marxismo como uma teoria geral que orientaria a pesquisa
empírica.
• Merton nega essa orientação marxista: afirma que isso não é verdade e que o
marxismo não possibilita essa orientação.
• As pesquisas soviéticas são posteriores ao desenvolvimento de teorias médias
marxistas: ao analisar as pesquisas de sociólogos soviéticos merton afirma que elas
próprias só foram possíveis após o desenvolvimento de teorias médias.
• Antes disso, meras coletas de dados: antes disso, teriam feito apenas coletas de
dados.
SÍNTESE

• Conceito de teorias de médio alcance: conjuntos limitados de pressupostos


que geram hipóteses específicas que podem ser empiricamente testadas.
• Redes mais amplas de teorias: as teorias médias não são isoladas, mas se
integram em redes mais vastas de teorias.
• Mais que descrições: elas possuem grau de abstração suficiente para tratarem
de diferentes tipos de objetos, se afastando assim da simples descrição
particularizada.
• Derruba distinções entre micro e macrossociologia: pois podem ser aplicadas
tanto a estudos sobre realidades particulares como em pesquisas comparativas
sobre diferentes estruturas sociais.
• Concordância simultânea com distintos sistemas gerais: as teorias médias
podem estar em concordância com diferentes sistemas gerais.