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UNIVERSIDADE NOVE DE

JULHO

GERAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE ENERGIA


ELÉTRICA POR MEIO DE BICICLETAS
ESTÁCIONARIAS

ANNA CLARA ANTUNES DE FREITAS


HELTON DUARTE DE SOUZA
HERISVALDO NATAN RODRIGUES MACEDO
LEANDER FRANÇA MOIA
RICHARD ALBERT SILVA

SÃO PAULO
2015
GERAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE ENERGIA
ELÉTRICA POR MEIO DE BICICLETAS
ESTÁCIONARIAS

ANNA CLARA ANTUNES DE FREITAS


HELTON DUARTE DE SOUZA
HERISVALDO NATAN RODRIGUES MACEDO
LEANDER FRANÇA MOIA
RICHARD ALBERT SILVA

ORIENTADOR: PROF. M. SC. FERNANDO APARECIDO FORTUNATO

Trabalho de conclusão de curso apresentada


ao curso de Engenharia Elétrica, da
Universidade Nove de Julho – UNINOVE, como
requisito para a obtenção do diploma em
Bacharel.

SÃO PAULO

2015
VII

Dedicamos este trabalho aos


nossos amados pais,
irmãos(as) e companheiros(as),
que nos apoiaram e motivaram
em todo percorrer do curso.
1

AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradecemos à Deus pelo dom da vida. Obrigado


Senhor por nos conduzir nessa conquista da conclusão do curso
superior em Engenharia Elétrica, tão estimado, por todos nós.

Aos nossos Pais, cada um da sua forma, únicos e incomparáveis.


Não temos palavras para expressar o nosso amor, orgulho,
admiração e a gratidão que sentimos por vocês.

Aos nossos irmãos, familiares, esposas, namoradas e


companheiros, por serem pessoas maravilhosas e estarem sempre
presentes dando amor, apoio e encorajamento, em todos os
momentos de nossas vidas.

Ao nosso orientador, Professor Fernando Ap. P. da S. Fortunato; a


quem agradecemos pelos ensinamentos, dedicação, paciência e
persistência, durante o período que pudemos caminhar juntos, além
do exemplo profissional, e sua valiosa orientação.

Aos nossos colegas de turma, e também a cada um de nós, autores


desse trabalho, pelo companheirismo e apoio, durante toda a
formação, onde juntos construímos novos caminhos, resolvemos e
superamos conflitos e desavenças, mas principalmente, adquirimos
conhecimentos e nos tornamos bons amigos.

À Universidade Nove de Julho, pela graduação e âmbito


educacional.
1

“Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E, quando


o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos
fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.”

ERICO VERÍSSIMO
RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo analisar e implantar um sistema


em bicicletas estacionárias para gerar e armazenar energia elétrica. A energia
mecânica produzida pelo movimento circular da calha traseira da bicicleta é
convertida em energia elétrica por meio de um gerador. A energia gerada é
armazenada em um banco de baterias, que por sua vez é conectada a um
inversor que possibilita a utilização da energia em equipamentos elétricos de
baixa potência. O sistema desenvolvido tem sua própria fonte de energia e
capacidade de armazenamento e distribuição. Pode ser implantado em
academias e estabelecimentos do ramo, a fim de economizar ao reduzir o
consumo de energia elétrica.

PALAVRAS-CHAVE: geração de energia; conversão; bicicletas ergométricas.


ABSTRACT

This study aims to analyze and implement a system in stationary bikes to


generate and store electricity. The mechanical energy produced by the circular
movement of the rear rail bike is converted into electricity by a generator. The
energy generated is stored in a battery bank, which in turn is connected to an
inverter which enables the use of energy in electric low-power equipment. The
developed system has its own power supply and storage and distribution. Can
be deployed in branch academies and institutions, in order to save by reducing
the consumption of electricity.

KEYWORDS: power generation; conversion; exercise bikes.


XII

SUMÁRIO

RESUMO.................................................................................................................X
ABSTRACT.............................................................................................................XI

LISTA DE FIGURAS...............................................................................................XIV
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS........................................................................XV
LISTA DE GRÁFICOS.............................................................................................XVI
1. INTRODUÇÃO................................................................................................1
1.1. JUSTIFICATIVA......................................................................................................2
1.2. OBJETIVOS..........................................................................................................3
1.2.1. OBJETIVO GERAL....................................................................................................... 3
1.2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS........................................................................................... 3
1.3. ESTRUTURA DO TRABALHO...................................................................................3
2. REFERENCIAL TEÓRICO................................................................................5
2.1. MATRIZ ENERGÉTICA DO BRASIL...........................................................................5
2.2. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA POR MEIO DE ALTERNADORES E MOTORES............6
2.2.1. DÍNAMO.................................................................................................................... 6
2.2.2. ALTERNADOR............................................................................................................ 8
2.3. CONTROLADORES E RETIFICADORES DE ENERGIA: PWM E INVERSOR.....................9
2.3.1. CONTROLADORES DE CARGA.....................................................................................9
2.3.2. INVERSORES DE TENSÃO........................................................................................... 9
3. METODOLOGIA...........................................................................................11
3.1. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA.............................................................................11
3.2. ETAPAS DA PESQUISA..........................................................................................11
3.3. MONTAGEM E EXECUÇÃO...................................................................................13
3.3.1. CÁLCULO DE POLIAS................................................................................................ 15
3.3.1.1. CAMBIO.................................................................................................................. 17
3.3.1.2. DESMULTIPLICAÇÃO................................................................................................. 17
3.3.1.3. TRANSMISSÃO......................................................................................................... 19
3.3.1.4. ROTAÇÕES POR MINUTO...........................................................................................19
3.3.2. MONTAGEM DA BASE DA BICICLETA............................................................................21
3.3.3. CÁLCULO DO SISTEMA ELÉTRICO...............................................................................23
3.3.3.1. DIMENSIONAMENTO DO ALTERNADOR........................................................................24
3.3.3.2. DIMENSIONANDO O CONTROLADOR DE CARGA...........................................................27
3.3.3.3. DIMENSIONANDO AS BATERIAS.................................................................................28
3.3.3.4. DIMENSIONANDO O INVERSOR CC-CA......................................................................29
3.3.4. MONTAGEM DO CIRCUITO E ACOPLAMENTO NA BICICLETA ESTACIONÁRIA......................29
4. RESULTADOS.............................................................................................33
4.1. RENDIMENTO E RESULTADOS OBTIDOS................................................................33
4.2. CUSTO DE MONTAGEM........................................................................................35
4.3. SIMULAÇÃO DE APLICAÇÃO EM UMA ACADEMIA COMUM.........................................36
4.4. ANÁLISE DE RESULTADOS....................................................................................39
5. CONCLUSÕES.............................................................................................42
5.1. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS.............................................................43
1

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................................................44
APÊNDICE.............................................................................................................47
LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 - COMPOSIÇÃO MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA (ANAEEL, 2012)..................5


FIGURA 2 - CIRCUITO FUNCIONALIDADE DO DÍNAMO EM FORNECER ENERGIA (BRAGA,
2013)..........................................................................................................................7
FIGURA 3 - O ALTERNADOR EM VISTA EXPLODIDA (NEWTON, 2013)...............................8
FIGURA 4 - COFIGURAÇÕES E MÉTODOS BÁSICOS DE CONTROLE (COSTA, 1990)..............9
FIGURA 5 - CONFIGURAÇÕES MAIS UTILIZADAS EM INVERSORES MONOFÁSICOS (UFRG,
2010)........................................................................................................................10
FIGURA 6 – ETAPAS DE MONTAGEM (GERADA PELOS AUTORES).......................................14
FIGURA 7 - SISTEMA DE POLIAS ACOPLADAS ATRAVÉS D E UMA CORREIA (LINO, 2013). .. 15
FIGURA 8 – QUADRO DE UMA BICICLETA TRADICIONAL (RETIRADA DA INTERNET)..........15
FIGURA 9 – COROA DE UMA BICICLETA TRADICIONAL (RETIRADA DA INTERNET)............16
FIGURA 10 – PEÃO TRASEIRO DA BICICLETA (RETIRADA DA INTERNET)........................... 16
FIGURA 11 – CÂMBIO DIANTEIRO E CÂMBIO TRASEIRO (RETIRADA DA INTERNET)...........17
FIGURA 12 – MONTAGEM DA BICICLETA NA BASE (FOTOGRAFADA PELOS AUTORES)........22
FIGURA 13- AJUSTES DA BASE NA RODA TRASEIRA (FOTOGRAFADA PELOS AUTORES)......23
FIGURA 14 – CONTROLADOR LS1024B (PVSOLAR, 2015)............................................27
FIGURA 15 – INVERSOR DE TENSÃO DC – AC (FOTOGRAFADA EM PELOS AUTORES)..........29
FIGURA 16 – DIAGRAMA ELÉTRICO (DESENHADO PELOS AUTORES)................................30
FIGURA 17 – PAINEL DE COMANDO (MONTADO PELOS AUTORES).................................... 30
FIGURA 18 – BICICLETA MONTADA COM USUÁRIO (FOTOGRAFADA PELOS AUTORES).......31
FIGURA 19 – ALIMENTAÇÃO DE LÂMPADA DURANTE A UTILIZAÇÃO DA BICICLETA
(FOTOGRAFADA PELOS AUTORES).............................................................................31
FIGURA 20 – PAINEL DE COMANDO (FOTOGRAFADO PELOS AUTORES)............................. 32
FIGURA 21 – AUTORES DO TRABALHO E O PROTÓTIPO DA BICICLETA ESTACIONÁRIA COM
SISTEMA DE GERAÇÃO ELÉTRICA...............................................................................32
FIGURA 22 – GRÁFICO DO TEMPO DE GERAÇÃO COLHIDO NOS TESTES (GERADO PELOS
AUTORES)..................................................................................................................... 34
FIGURA 23 – GRÁFICO DO CUSTO MENSAL DO CONSUMO DE ENERGIA DE EQUIPAMENTOS
ELÉTRICOS EM UMA ACADEMIA (SIMULAÇÃO FEITA PELOS AUTORES).......................37
FIGURA 24 - GRÁFICO CUSTO ECONOMIZADO EM REAIS DA CONTA FICTÍCIA (SIMULADO
PELOS AUTORES).......................................................................................................38
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

PWM modulação por largura de pulso


S1,S chave de fluxo
2 C1 capacitor
VB tensão de entrada b
D
desmultiplicação

� pi
d diâmetro da roda
i, ia, ib
transmissão entre polias
� diâmetro

�𝑀�� transmissão máxima


Rpm rotação por minuto
n1, n2, velocidade
n3 CC corrente continua
CA corrente alternada
Vcc tensão em corrente continua
CC- transformação corrente contínua em corrente alternada
CA A ampère
P potência
Pma potência
x
máxima
Pmin
potência mínima
W
watts
Ah
ampère hora
LISTA DE GRÁFICOS

TABELA 1 - CURVA CARACTERÍSTICA DO ALTERNADOR 45A ~ 12V (MODIFICADO PELOS


AUTORES DO GRUPO)................................................................................................ 25
TABELA 2 - LEVANTAMENTO DE CUSTO DOS MATERIAIS DO PROTÓTIPO............................35
TABELA 3 - CONSUMO DE ENERGIA DE UMA ACADEMIA (SIMULADO PELOS AUTORES DE
ACORDO COM OS DADOS COLHIDOS DA CONCESSIONÁRIA ELETROPAULO)................36
TABELA 4 - RETORNO FINANCEIRO MENSAL (FEITO PELOS AUTORES BASEADO NO CUSTO
MENSAL DA TARIFA COBRADA PELA CONCESSIONÁRIA LOCAL).................................40
TABELA 5 – RETORNO FINANCEIRO ANUAL (FEITO PELOS AUTORES ATRAVÉS DO SALDO
MENSAL CALCULADO)..............................................................................................41
1

1. INTRODUÇÃO

A preocupação com a saúde e a estética leva um número cada vez


maior de pessoas à procura das academias de ginástica (SUS, 2011). Esta
demanda ocasiona o crescimento desse segmento no mercado brasileiro. De
acordo com os estudos desenvolvidos sobre a implantação e utilização de
centros de ginásticas, a expansão das academias se deu a partir da década de
70, mas foram nos últimos cinco anos, que o percentual de pessoas que
praticam atividades físicas durante o tempo livre aumentou e a procura por
estes estabelecimentos passou a ter um crescimento significativo (CBCE,
1997).

Deste modo, a implantação de um sistema de geração de energia nas


bicicletas ergométricas/estacionárias, trouxe uma possibilidade para
reaproveitar a energia gasta, tornando-a útil para o consumo diário. O objetivo
é criar um sistema de conversão de energia, que poderá utilizar a energia
mecânica produzida no eixo do pedal das bicicletas, em energia elétrica.
Transformada, essa nova energia será submetida a um controlador, onde
retificada e controlada, poderá ser utilizada em aparelhos eletrônico e
domésticos, alimentados por correntes contínuas ou alternadas.

Conforme a Resolução Normativa 482/12 da ANEEL, a compensação


energética, gerada por meio da força de tração humana, é satisfatória, benéfica
e legalmente aprovada desde 2011. Os benefícios deste método, contribuem
para o avanço nacional do reaproveitamento de energia. Uma iniciativa com
potencial para gerar eletricidade e abastecer pequenos aparelhos, mas que
abrem portas para um estudo de reaproveitamento de energia em grande
escala.

Alguns países e cidades já utilizam esse método de reaproveitamento,


pois possuem academias com um sistema semelhante. Um exemplo a ser
citado é a cidade de San Diego, na Califórnia, que tem uma academia que há
algum tempo já utiliza esse sistema e o reconhece como energy harvesting ou
também, colheita de energia. De acordo com publicações deste ano, a
academia em um período de grande fluxo, com vários clientes ativos como no
período de férias de verão, chega a manter-se sozinha, abastecendo
ventiladores, sons e computadores, apenas com a energia reaproveitada das
bicicletas (SIENCE, 2015).

1.1. JUSTIFICATIVA

Incialmente pode-se pensar em quais situações o uso de uma energia


transformada pode gerar um saldo positivo em relação ao seu custo/benefício.
E logo se concluí que, o reuso de energia é requisitado e benéfico em quase
todos os lugares, principalmente em lugares com uma grande quantidade de
circulação de pessoas.

Por isso atualmente tem sido desenvolvido tantos mecanismos nessa


área, sejam tapetes que acumulam e transformam energia cinética em
eletricidade, como as manipulações com o dínamo a partir de energias
mecânicas, e as transformações através da energia eólica.

Porém há um alto investimento para implantação desses recursos, por


isso esse trabalho acadêmico foi desenvolvido a partir do mesmo princípio de
reuso/transformação da energia, mas visando aplicá-lo em situações cotidianas
e simples, das quais possam gerar um alto rendimento à um baixo custo.

Deste modo, julgou-se que a bicicleta se adéqua a essa situação, devido


seu custo baixo e acessibilidade a grande parte da população. A solução se
resume em acoplar um mecanismo a uma bicicleta para transformar a energia
enquanto o usuário pedala, e ao mesmo tempo utilizá-la para carregar
celulares, equipamentos e armazená-la para uso posterior.
1.2. OBJETIVOS

Os objetivos deste trabalho estão divididos em: “objetivo geral”; e


“objetivos específicos”.

1.2.1. OBJETIVO GERAL

Projetar um sistema de reaproveitamento de energia a partir da


conversão de energia mecânica em energia elétrica.

1.2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Os objetivos específicos são:

 Converter e transformar a energia produzida pela rotação da


calha traseira das bicicletas em energia elétrica consumível.

 Estudar custos de fabricação do sistema e benefícios de curto e


longo prazo, à sua implantação.

1.3. ESTRUTURA DO TRABALHO

O presente trabalho está estruturado em 5 capítulos, estes são:

 capítulo I – Introdução, justificativa, objetivos e estrutura do


trabalho;

 capítulo II – Levantamento bibliográfico: apresenta o conteúdo


estudado para desenvolvimento do tema, isto é, um referencial
teórico que dá noções de geração elétrica, conversão de energia
e controle de tensão e corrente;
 capítulo III – Metodologia: caracteriza o tipo de pesquisa
desenvolvida. Além de descrever como foram realizados: os
cálculos; o tratamento dos dados; e a montagem completa do
sistema;

 capítulo IV – Resultados: apresenta os testes efetuados, os


custos envolvidos no projeto, de fabricação e implantação, e
também as análises experimentais resultada das simulações;

 capítulo V – Considerações finais e sugestões para trabalhos


futuros;

 referências bibliográficas – Material utilizado para embasar este


trabalho;

 apêndice – Informações suplementares.


2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. MATRIZ ENERGÉTICA DO BRASIL

No Brasil, a energia elétrica é oriunda, em primeiro lugar, de usinas


hidrelétricas; depois, de termelétricas; e, por último, de usinas nucleares. O
Brasil conta com mais de mil usinas hidrelétricas espalhadas pelo território
nacional, que juntas produzem quase 70% da energia do país. Um contraste
em relação ao que acontece no mundo (NEOENERGIA, 2013).

A opção brasileira pelo modelo hidrelétrico se deve à existência de


grandes rios de planalto, que são alimentados por chuvas tropicais abundantes
e constituem uma das maiores reservas de água doce do mundo. Além disso, a
energia hidrelétrica é, em geral, mais barata no aspecto operacional e emite
menos CO2 que as termelétricas.

FIGURA 1 - COMPOSIÇÃO MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA (ANAEEL, 2012).

Apesar dos seus benefícios os aproveitamentos hidráulicos para


grandes e médias usinas sofrem impactos significativos nos custos de
transmissão, por estarem localizados cada vez mais distantes dos grandes
centros. (ELETROBRÁS, 2013). Devido aos impactos socioambientais, as
usinas hidrelétricas estão sujeitas a restrições para obter o licenciamento.

Em segundo lugar na matriz energética brasileira vêm as usinas


termelétricas, que ganharam importância como complementação da matriz
hidráulica, especialmente a partir do final da década de 90. Há ainda um
significativo percentual de energia importada formada, principalmente pela
energia correspondente à parcela paraguaia gerada em Itaipu (ELETROBRÁS,
2013).

A maioria das usinas termelétricas usa fontes primárias consideradas


não renováveis, mas em alguns lugares do Brasil já é possível gerar energia
queimando combustíveis alternativos, como a biomassa (ANAEEL, 2012).

2.2. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA POR MEIO DE ALTERNADORES E MOTORES

2.2.1. DÍNAMO

A obtenção de energia elétrica a partir de energia mecânica como a que


se dispõe de um motor em movimento é mecanismo simples. Pesquisas
científicas e experimentais já foram feitas com base nesse princípio e delas, foi
criado um equipamento muito conhecido, o dínamo (NEWTON, 2013).

O funcionamento das máquinas desse ramo se baseia ou em fenômenos


eletrostáticos ou na indução eletromagnética. Nas aplicações industriais a
energia elétrica provém quase exclusivamente de geradores mecânicos cujo
princípio é o fenômeno da indução eletromagnética (e dos quais o disco de
Faraday é um simples precursor); os geradores mecânicos de corrente
alternante são também denominados alternadores; os geradores mecânicos de
corrente contínua são também denominados dínamos. Aqui nota-se que:
"dínamo" de bicicleta não é dínamo e sim 'alternador' (NETTO, 2011).
Ao acoplar um dínamo em um motor, ele começa a atuar
concomitantemente a operação do motor, gerando uma baixa tensão contínua
e que passando por um sistema regulador de tensão alimenta diversos
dispositivos elétricos inclusive carregar uma bateria. Assim, a finalidade do
dínamo é de fornecer energia para o sistema elétrico com o carro em
movimento, para a partida e eventualmente para acender um farol com o carro
parado, onde deveria entrar em ação a bateria (NEWTON, 2013).

Há nesse sistema, porém, uma velocidade mínima de rotação do motor


para que ele produza tensão suficiente para alimentar os circuitos, daí a
necessidade de um sistema regulador de tensão que entra em ação quando a
tensão atinge o mínimo exigido.

Antigamente não era simples converter a corrente alternada na corrente


contínua necessária a muitos dos dispositivos elétricos e eletrônicos de um
carro e por isso o uso dos dínamos era obrigatório (NEWTON, 2013). No
entanto, com a disponibilidade dos diodos de silício, é possível mais facilmente
converter correntes alternadas em contínuas, de modo que tanto faz para um
circuito elétrico se ele tenha como fonte de energia tensão contínua como
alternada.

FIGURA 2 - CIRCUITO FUNCIONALIDADE DO DÍNAMO EM FORNECER ENERGIA (BRAGA,


2013)

A utilização dos alternadores substituiu a obrigatoriedade dos dínamos


nos automóveis e aqui neste trabalho, a utilização do dínamo em uma bicicleta
também limitaria a geração de energia a partir de certa velocidade, gerando
desperdício de energia cinética, já que ela seria convertida apenas em energia
contínua. Por isso os autores optaram pelo alternador.

2.2.2. ALTERNADOR

O alternador é uma máquina elétrica que transforma energia cinética em


energia elétrica (NETTO, 2012). Seu funcionamento está intimamente
relacionado ao princípio da indução eletromagnética, onde a corrente elétrica
flui através de um rotor, criando um campo magnético que induz a
movimentação dos elétrons nas bobinas do estator, resultando em uma
corrente alternada (NEWTON, 2013).

A utilização deste é equipamento é fundamental nas gerações de


energia elétrica (COPEL, 2015). Por isso será utilizado para a
conversão/geração de energia elétrica nesse projeto.

O princípio de funcionamento do mais simples alternador ocorre da


seguinte maneira: diante de uma bobina fixa (o induzido) põe-se a girar um ímã
(indutor). De qualquer modo, o indutor deve receber um impulso mecânico que
o faça iniciar a operação. O ímã mantém um campo do qual o fluxo combinado
com a bobina varia periodicamente, com a mesma frequência de revolução do
ímã (DA LANA, 2012). No alternador, é a variação de fluxo que induz corrente.
O fluxo varia enquanto a corrente aumenta ou diminui. Quando o fluxo é
máximo, ele não varia, a força eletromagnética induzida é nula, a corrente é
nula e muda de sentido (NEWTON, 2013). O campo magnético produzido pela
corrente induzida exerce no ímã forças contrárias à sua rotação.

FIGURA 3 - O ALTERNADOR EM VISTA EXPLODIDA (NEWTON, 2013).


2.3. CONTROLADORES E RETIFICADORES DE ENERGIA: PWM E INVERSOR.

2.3.1. CONTROLADORES DE CARGA

Os controladores de carga são dispositivos eletroeletrônicos


responsáveis pelo gerenciamento de carga e descarga dos acumuladores de
energia de modo a prolongar a vida útil das mesmas (COSTA, 1990). Através
do controle de parâmetros de tensão de modo, protegem os acumuladores
contra sobrecarga e descargas excessivas.

Basicamente, existem dois tipos de configurações de construção física,


paralelo shunt e série, e duas estratégias ou métodos de controle de carga
denominados de ON/OFF e tensão constante (MONTEIRO, 2004). Esses
métodos em tensão constante são controlados por PWM e controle linear de
carga.

FIGURA 4 - COFIGURAÇÕES E MÉTODOS BÁSICOS DE CONTROLE (COSTA, 1990).

2.3.2. INVERSORES DE TENSÃO

Um inversor de tensão é um conversor que fornece tensão alternada na


saída a partir de uma tensão continua na entrada. Esta conversão é feita com a
utilização de semicondutores que operam exclusivamente saturados ou
bloqueados, isto é, operam como chaves (TURCATTO, 2010).

Em inversores monofásicos, as duas configurações mais utilizadas são


conhecidas como “Ponte completa” e “Meia ponte”, como mostra a figura a
seguir.

FIGURA 5 - CONFIGURAÇÕES MAIS UTILIZADAS EM INVERSORES MONOFÁSICOS


(UFRG, 2010).

A configuração em ponte completa (a) fornece tensão de saída com


amplitude próxima do valor da tensão do banco de baterias Vb, enquanto a
configuração meia ponte (b) fornece apenas metade desse valor.

Os componentes eletrônicos utilizados como chave nestas


configurações e os circuitos integrados responsáveis pelas funções de geração
dos padrões de modulação PWM, controle e supervisão são o resultado de
décadas de evolução, iniciada com a invenção do diodo, a mais de 70 anos
(TURCATTO, 2010).

A utilização do inversor de tensão nesse projeto é converter toda tensão


controlada para uma tensão alternada, permitindo que equipamentos que
operam em 110 sejam alimentados.
3. METODOLOGIA

A metodologia é a etapa responsável por descrever os procedimentos e


demais detalhes da pesquisa (GIL, 2002, 2010).

3.1. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA

Este trabalho é de natureza exploratória, segundo Gil (2002, p. 41)


“Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o
problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses”.

O tipo de delineamento adotado neste trabalho é o de pesquisa


experimental, que visa: escolher um objeto de estudo; selecionar variáveis que
podem altera-lo; adotar métodos para controlar tais variáveis; e sugerir um
método para verificar o comportamento em relação às alterações de variáveis
(BAPTISTA, 2004; FORTUNATO, 2012; GIL, 2002; PAULON, ROMAGNOLI,
2010).

3.2. ETAPAS DA PESQUISA

As etapas desta pesquisa experimental foram desenvolvidas tendo como


base Gil (2002, 2010).

a) Definição do problema: a pesquisa experimental tem inicio com a


definição de um problema com objetividade (FORTUNATO, 2012; GIL,
2002, 2010). O problema tratado neste trabalho é:

 há algum meio de utilizar a energia que é gerada através de


movimentos físicos ou mecânicos para o abastecimento elétrico
doméstico ou industrial?
1

b) Revisão da literatura: é a etapa responsável pela busca do estado da


arte, relacionando a teoria já existente (FORTUNATO, 2012; GIL, 2002,
2010).

 a revisão da literatura teve como objetivo principal, a busca por


materiais publicados durante os últimos 15 anos. Deste modo, a
base teórica deste trabalho foi baseada em: artigos científicos;
livros; folhetos técnicos; sites da internet; e consultas a normas
técnicas.

c) Construção de hipóteses: a pesquisa experimental deve ser constituída


a partir hipóteses que visam estabelecer uma relação entre, as variáveis
e a ocorrência um determinado fenômeno (FORTUNATO, 2012; GIL,
2002, 2010). Com relação ao presente trabalho, a hipótese é definida
como:

 uma das formas mais simples e acessíveis de extrair essa energia


é utilizado bicicletas. Conforme alguns estudos que já foram
realizados e publicados o equipamento corresponde a expectativa
da tese e “se” for verificado um baixo custo em sua projeção,
poderá ser estimada sua implantação em grade escala.

d) Seleção das variáveis: as variáveis de uma pesquisa experimental


devem facilitar a compreensão de um determinado fenômeno, isto é,
gerar condições para que seja realizada a sua investigação
(FORTUNATO, 2012; GIL, 2002). Para a utilização da energia elétrica,
foi necessário transformá-la de forma a atingir duas grandezas, a de
uma fonte com energia contínua 12V e alternada 110V, para esse
alcance o sistema esta condicionado a duas variáveis de geração:

 velocidade max. e min. de pedaladas (rpm em torno do eixo);

 tempo de largada e armazenamento da eletricidade;


e) Coleta de dados: descreve os métodos empregados na aquisição dos
dados (FORTUNATO, 2012; GIL, 2002):

 os dados estudados neste trabalho, foram obtidos por meio de


ensaios de geração, embasados nos cálculos de alcance dos
equipamentos de conversão e transformação, e nos testes físicos
e mecânicos do equipamento.

f) Análise dos dados: é a etapa responsável pelo estudo dos dados


coletados (FORTUNATO, 2012; GIL, 2002, 2010). A análise ocorreu da
seguinte forma:

 os dados experimentais foram cronometrados e colhidos para


serem comparados com os dados teóricos calculados a partir das
relações á pré-definidas dos equipamentos, como: tamanho da
bicicleta, potência e operação do alternador, capacidade de
armazenamento das baterias, etc.

 foram fotografadas e filmadas todas as etapas de teste para


análises e demonstrações posteriores.

3.3. MONTAGEM E EXECUÇÃO

A montagem do protótipo iniciou-se após o estudo embasado. As etapas


do procedimento acompanharam a cronologia a seguir:
FIGURA 6 – ETAPAS DE MONTAGEM (GERADA PELOS
AUTORES)

Na primeira etapa, a partir do estudo de geração de energia, foi aplicado


há uma bicicleta, tendo como fonte de transformação de energia o alternador
veicular, os índices de geração. Os cálculos considerados foram extraídos das
relações entre transmissão de energia motriz, mais precisamente a
transmissão de energia através de polias ou engrenagens. A função dessa
relação é de transmitir a energia motriz gerada ao pedalar, para o eixo do
alternador, com o rendimento suficiente para gerar energia elétrica.

Esse sistema de geração foi dividido e será demonstrado duas partes, a


primeira: na transmissão de energia do pedal até a roda traseira, presente na
estrutura da bicicleta estacionária; a segunda: na transmissão entre a roda
traseira da bicicleta estacionária e o alternador, no qual é usou-se o mesmo
princípio de transmissão através de polias e correia.
3.3.1. CÁLCULO DE POLIAS

As polias são peças cilíndricas, movimentadas pela rotação do eixo do


motor e pelas correias (LINO, 2013). O que caracteriza o sistema de polias é a
presença de uma polia motora ou condutora, que transmite movimento e força,
e da polia movida ou conduzida que recebe movimento e força Conforme
ilustrado abaixo:

FIGURA 7 - SISTEMA DE POLIAS ACOPLADAS ATRAVÉS D E UMA CORREIA (LINO, 2013).

O sistema de polias que foi aplicado nessa parte de construção do


projeto, consiste em aproveitar a estrutura fixa de uma bicicleta convencional,
aproveitando o quadro, a coroa traseira e o peão traseiro.

 Quadro:

O quadro é a coluna vertebral da bicicleta, onde se fixam todas as


outras partes. Caracteriza-se pelo seu peso que deve ser leve e, ao mesmo
tempo, rígido (PEQUINI, 2010).

FIGURA 8 – QUADRO DE UMA BICICLETA TRADICIONAL (RETIRADA DA INTERNET)


 Coroa dianteira;

As coroas são aros dentados que transmitem a energia do pedalar às


correntes (PEQUINI, 2010).

FIGURA 9 – COROA DE UMA BICICLETA TRADICIONAL (RETIRADA DA INTERNET)

 Peão traseiro;

Os peões encaixam-se sobre um bloco da roda livre e podem trocar-se


para produzir diferentes desmultiplicações ou relações do câmbio
(PEQUINI, 2010).

FIGURA 10 – PEÃO TRASEIRO DA BICICLETA (RETIRADA DA INTERNET)


3.3.1.1. CAMBIO

Antes de dar inicio a demonstração das relações é importante citar outro


mecanismo que atuará indiretamente na força e movimento da bicicleta: o
câmbio.

O câmbio de uma bicicleta tem a função de controlar a desmultiplicação,


na pratica ela controla o esforço exercido para executar um trabalho ao
pedalar, como por exemplo, subir uma ladeira. Segundo (PEQUINI, 2010) “o
câmbio dianteiro é constituído por desviador que atua sobre as coroas, o
câmbio traseiro, que atua sobre os peões, e as alavancas”.

O desviador dianteiro, tem como função passar a corrente de uma coroa


para outra. Já o cambio traseiro tem a função de passar a corrente de um peão
para outro.

FIGURA 11 – CÂMBIO DIANTEIRO E CÂMBIO TRASEIRO (RETIRADA DA INTERNET)

3.3.1.2. DESMULTIPLICAÇÃO

Segundo Pequini (2010) e Porte (1996): “Desmultiplicação é a relação


do câmbio entre o numero de dentes da coroa (frente), o numero de dentes do
peão (atrás) e o diâmetro da roda traseira”.
Pequini (2010) e Porte (1996), também afirmam que “A desmultiplicação
dá a distância percorrida a cada volta do pedal, também chamada de
desenvolvimento. Calcula-se a partir do diâmetro da roda (em metros)

multiplicando por � e pelo número de dentes da coroa dividido pelo numero de


dentes do peão.”

A equação a seguir, satisfaz o conceito da desmultiplicação:

� ��𝑟�� Equação (1)


𝐷=�∗�∗
� �𝑒ã�
Desmultiplicação máxima (utilizando o maior diâmetro da coroa e o
memor diâmetro do peão).

Sendo:

D = 0,60 m

n coroa = 48 dentes
n peão = 14 dentes
48
𝐷 = 0,60 ∗ � ∗

14 = 6,46 � Equação (2)

A transmissão de energia entre a coroa dianteira e o peão traseiro


resultará em uma desmultiplicação na roda traseira, ligada excentricamente ao
peão traseiro. Essa desmultiplicação é controlada pelo cambio de marchas da
bicicleta.

No trabalho apresentado, apesar do cálculo da desmultiplicação estar


relacionado com o deslocamento da bicicleta, ele se faz interessante para
dimensionar o quanto o usuário poderá atingir de velocidade, ao utilizá-la como
um lazer para prática de exercícios físicos. Assim, os câmbios serão mantidos
para dinamizar a atividade, e tornar o uso do produto apresentado, em um
instrumento útil e lúdico.
3.3.1.3. TRANSMISSÃO

A relação de transmissão entre a roda traseira e a polia do alternador é


encontrada a partir do cálculo de relação entre polias (PEQUINI, 2010). Essa

relação de transmissão �, é a razão entre o diâmetro da polia movida pelo


diâmetro da polia motora:

�� Equação (3)
� =
��
Para encontrar a transmissão máxima do sistema projetado, utilizou-se a
Equação (3), com os parâmetros máx. da relação em uma bicicleta (o maior
diâmetro da coroa, que seria possível adaptar, com o menor diâmetro do peão).

Sendo os diâmetros da coroa e polia, respectivamente:

φ1 = 0,20m e φ2 = 0,07m
0,20
= 2,83 Equação (4)

�𝑀�� = 0,07
Assim, define-se que a relação máxima que o sistema poderá alcançar
será 2,83. Logo, quanto mais próximo desse valor for mantido a transmissão,
melhor será a transmissão de entre as polias e consequentemente a geração
de energia mecânica nos eixos da bicicleta estacionária.

3.3.1.4. ROTAÇÕES POR MINUTO

Baseada na transmissão máxima de energia encontrada foi necessária


calcular a velocidade que poderia ser alcançada, nessa condição de
transmissão. Dentro dos princípios da velocidade angular, pode-se obter a
velocidade média que um ser humano atua em cima de um eixo mecânico. Nas
bicicletas a cadencia média é próxima 100 rpm (rotações por minuto), essa
rotação ainda pode ser definida como a ideal para um ser humano
(ANDERSON, 2012).

Para o cálculo de rpm na bicicleta, foi apontado as relações entre os 4


eixos conhecidos, onde: n1, n2, n3 serão as velocidades atuadas entre
coroa/peão; peão/roda traseira; e roda traseira/eixo do alternador.

Chamaram-se assim os diâmetros da coroa; do peão; da roda traseira e


do alternador de: φ1, φ2, φ3 e φ4, respectivamete. A velocidade mínima, será
extraída da cadencia do usuário, 100 rpm. Ele aplicará sua força no pedal da
bicicleta, agindo em cima da coroa, n1 (pedaladas por minuto). Para definir n1,
aplicou-se o melhor caso de transmissão, imáx = 2,83, encontra-se n2:

na Equação (5)
� =
nb
Sendo:

I = ia = transmissão máx.= 2,83;

na = n2 = rotações por minuto da coroa = 100rpm;

nb = n1 = rpm do peão e roda traseira = desconhecido;

n2
ia = n2 Equação (6)
= 100
n1

n2 = 100 ∗ 2,83 Equação (7)

n2 = 283 ��� Equação (8)

Agora,Aaplicando
roda de adiâmetro φ3, obterá
relação entre à polia adovelocidade
alternador, angular n2 de
de diâmetro φ4,283 rpm.
obtem-
se a velocidade angular n3. Essa é a velocidade mais importante para o
sistema de geração proposto, pois ela indicará a transmissão que teremos no
eixo do motor (alternador), que será proporcional ao índice de geração.

Emprega-se novamente a Equação 3:

φ3 = 0,6m e φ4= 0,1m


0,60
ib = =6 Equação (8)

0,10
Para a velocidade, a Equação 5:
n2 Equação (9)
ib =
n3
Equação (10)
283
6 =
n3

n3 = 283 ∗ 6 = 1698 rpm Equação (11)


Assim, a rotação do alternador veicular será em torno de 1700 rotações
por minuto. Os cálculos nessa etapa foram finalizados, os próximos passos
desafiaram o grupo a provar experimentalmente que os parâmetros obtidos
satisfaçam as relações.

3.3.2. MONTAGEM DA BASE DA BICICLETA

Após os cálculos, as catracas e polias foram compradas e ajustadas


conforme o aro necessário para atender a relação. Os resultados obtidos e o
custo aplicado estão expostos nesse mesmo trabalho no capítulo IV, análise de
resultados.
Na segunda etapa, a montagem da bicicleta em uma base se fez
necessária para a construção da bicicleta estacionária, apoio dos
equipamentos de transformação, e para a ergonomia e segurança do usuário.

A bicicleta estacionária é utilizada para exercícios físicos porque tem um


efeito melhor que a bicicleta ambulante, pois evita impacto nos músculos e o
usuário tem a disposição de controlar seu ritmo e ajustar-se confortavelmente
(MDE MULHER, 2014).

Foram usadas para confecção da base, barras de ferro retangulares. A


sua montagem foi projetada pelo próprio grupo, em uma oficina de marcenaria
cedida por um técnico autorizado. Os equipamentos elétricos, após
dimensionados, 3º etapa, foram acoplados junto à base. Apesar de terem sido
fixados, os componentes possuem a flexibilidade de serem acoplados em
qualquer lugar próximo a bicicleta, ficando a critério do comprador do produto,
pois a ligação é via cabos e a estrutura é estacionária.

FIGURA 12 – MONTAGEM DA BICICLETA NA BASE (FOTOGRAFADA


PELOS AUTORES)
FIGURA 13- AJUSTES DA BASE NA RODA TRASEIRA
(FOTOGRAFADA PELOS AUTORES)

3.3.3. CÁLCULO DO SISTEMA ELÉTRICO

O sistema elétrico acoplado na bicicleta é responsável por receber,


armazenar e descarregar a energia elétrica gerada.

Ele consiste no:

- alternador, que atuará como conversor de energia;

- controlador de carga PWM, que controla a carga das baterias


estacionárias;

- baterias estacionárias, que armazenarão a carga gerada e darão


autonomia de carga para os equipamentos ligados posteriormente à
eles;

- inversor de tensão CC-CA, que converterá a carga de corrente


continua para corrente alternada na tensão de 110V, convencional para
ligação de equipamentos domésticos;
Nessa etapa, foram feitos os dimensionamentos de cada equipamento.
O grupo se preocupou em analisar suas características, indicações de uso e
atuações, já que, apesar de serem componentes específicos, todos, na elétrica,
são usados para diversos fins.

3.3.3.1. DIMENSIONAMENTO DO ALTERNADOR

O alternador é uma máquina elétrica que transforma energia cinética em


energia elétrica (NETTO, 2012). No sistema junto à bicicleta, ela converterá a
energia mecânica gerada a partir da energia cinética aplicada ao pedalar, em
energia elétrica. O alternador escolhido tem como características:

 Tensão de saída: 14,3VCC

 Corrente de saída 3 a 45A

A tensão de saída em 14,3VCC foi escolhida pois nela será acoplada um


circuito regulador de tensão retificador, que no sistema veicular é utilizado para
alimentar o sistema elétrico do veículo.

A corrente é variável e depende da rotação conseguida no eixo do


alternador. Ele começa a gerar energia com a rotação mínima de 1000 rpm,
porém a rotação inicial necessária para magnetizar e finalmente gerar energia
é superior a 1200 rpm, o que faz necessário uma cadencia na pedalada,
superior ao valor médio calculado de 100 rpm.

De acordo os cálculos do item 3.3.1, a rotação do alternador nesse


sistema, obtido da Equação (11), será em torno dos 1700 rpm. Logo,
comercialmente, o alternador com esses parâmetros indicados atende ao
objetivo proposto.
TABELA 1 - CURVA CARACTERÍSTICA DO ALTERNADOR 45A ~ 12V (MODIFICADO
PELOS AUTORES DO GRUPO)

As potências, máxima e mínima, que o alternador pode gerar são


obtidas pela fórmula da Lei de Ohm:

� = �. � Equação (12)
Em que:

V = 14,3V

Imax = 45A

Imin = 3A

Então, para a potência máxima:


���� = 14,3 × 45 Equação (13)

���� = 643,5� Equação (14)

E para a potência mínima:

���� = 14,3 × 3 Equação (15)

���� = 42,9� Equação (16)


Tendo em vista que a potência máxima é gerada quando o alternador
gira em sua velocidade máxima, e que o sistema bicicleta/alternador com as
dimensões e características mecânicas de rotação já descritas nos fornece a
potência necessária para o objetivo desse trabalho, utilizou-se:

Imaxalternador = 45A
Imaxbike = 10A (a 1700rpm, conforme Tabela 2)

������𝐾� = 14,3 ∗ 10 Equação (17)

������𝐾� = 143� Equação (18)


Da capacidade do alternador:

 100% = 643,5W, então 143W

143 � 100

643,5 = 22,2% Equação (19)


1

Sendo assim, não é necessário adotar a potência máxima aos


equipamentos de controle, e o alternador trabalhará com menos de 30% da sua
capacidade.

Seu valor comercial chega à cerca de R$500,00, mas pode ser


comprado usado, tornando-o acessível no mercado. De acordo seu custo e
rendimento, sua aplicação é benéfica, pois barateia o projeto e possibilita que o
dimensionamento do sistema futuramente, tenha um alcance maior de forma
simples, sendo favorável à sua expansão.

3.3.3.2. DIMENSIONANDO O CONTROLADOR DE CARGA

O controlador de carga depende apenas da corrente fornecida pelo


alternador para iniciar um carregamento. Segundo a Tabela 1, a partir da
rotação conseguida, a corrente máxima gerada será até 10A.

Comercialmente o controlador LS1024B, possui como característica


principal a capacidade de condução de 10A, no caso apresentado ele é o
controlador ideal para atuar no sistema.

FIGURA 14 – CONTROLADOR LS1024B (PVSOLAR, 2015)


3.3.3.3. DIMENSIONANDO AS BATERIAS

As baterias estacionárias foram dimensionadas de acordo com o a


autonomia desejada, para o alcance do sistema. Sendo que a autonomia
depende da potência da carga e da corrente que ela exigirá da bateria.

Por exemplo, uma lâmpada de 40W ligada por 1 hora exigirá a corrente
de 3,33Ah, em 12V. Utilizando uma bateria de 9Ah, a autonomia do sistema
supre uma lâmpada de 40W até 2,7 horas.

Quanto maior a potencia da carga, menor a autonomia do sistema.

Nesse projeto, como a ideia inicia é alimentar pequenos aparelhos


eletrônicos de uma academia, ou a iluminação, foi considerado que, ao utilizar
saídas diretas para conectar tablets, celulares, entre outros equipamentos, o
uso da bateria seria somente posterior.

Utilizou-se assim um cálculo para encontrar a autonomia suficiente para


abastecer a iluminação, ao aparelhos de som e televisores do estabelecimento.
Um circuito, dentro do quadro geral do estabelecimento, poderá ser
dimensionado de forma que sua potência seja abastecida apenas pelas
baterias do sistema de geração das bicicletas, quando, por exemplo, a força da
concessionária parar de atuar.

O cálculo foi feito para 1 baterias de 60Ah:

Em 1 hora:

60Ah × 12V = 720W Equação (20)

O que significa que, o sistema inicialmente foi projetado para abastecer


1 baterias de 60Ah, que com carga completa poderá abastecer até 720W em 1
horas, o que equivale, no padrão usual, a 20 luminárias com lâmpadas
compactas fluorescentes de 2x18W.
Os cálculos de benefício dessa geração estão apontados no capítulo IV
deste trabalho.

3.3.3.4. DIMENSIONANDO O INVERSOR CC-CA

Para o inversor, no protótipo foi considerado o inversor no valor


comercial de 500W, que atende com superávit a lâmpadas incandescentes
comerciais, inclusive equipamentos de baixa potencia, como por exemplo, um
ventilador, possibilitando assim testes para cálculos com simulação maiores.

Para os cálculos, como foi estimado uma potência 720W de


armazenamento da bateria, utilizou-se um inversor de 750W.

Ou seja, o inversor de tensão nesse projeto pode ser dimensionado e


trocado a qualquer momento, para atender a potência gerada. Ele também
funciona como limitador.

FIGURA 15 – INVERSOR DE TENSÃO DC – AC (FOTOGRAFADA EM PELOS AUTORES)

3.3.4. MONTAGEM DO CIRCUITO E ACOPLAMENTO NA BICICLETA ESTACIONÁRIA


Nesse item conclui-se a 3º e 4º etapa da montagem do projeto. Após
dimensionados os equipamentos foram acoplados, montando o circuito elétrico
senhado a seguir:

de

O circuito elétrico é a parte principal do projeto, com ele montado foram


feitos testes de funcionamento. Algumas medições foram necessárias, mas
Devido aos parâmetros já obtidos através dos cálculos e as pesquisas
dos componentes comercializados o resultado da maioria dos testes ocorreu
como esperado.

Na base de ferro foi acoplada uma caixa de passagem, nas dimensões


384x304x120mm. Ela ainda foi adaptada com dois medidores de tensão, Vac e
Vdc, para a visualização do sistema em operação, chave liga/desliga, e
tomadas para plug padrão brasileiro.

FIGURA 17 – PAINEL DE COMANDO (MONTADO PELOS AUTORES)


Montados e acoplados o protótipo foi testado e finalizado.

FIGURA 18 – BICICLETA MONTADA COM USUÁRIO (FOTOGRAFADA PELOS AUTORES)

FIGURA 19 – ALIMENTAÇÃO DE LÂMPADA DURANTE A UTILIZAÇÃO DA BICICLETA


(FOTOGRAFADA PELOS AUTORES)
FIGURA 20 – PAINEL DE COMANDO (FOTOGRAFADO PELOS AUTORES)

FIGURA 21 – AUTORES DO TRABALHO E O PROTÓTIPO DA BICICLETA ESTACIONÁRIA


COM SISTEMA DE GERAÇÃO ELÉTRICA
4. RESULTADOS

A partir dos valores obtidos nos cálculos foram iniciados testes com o
protótipo montado. Esses testes geraram resultados que foram colhidos e
serão demonstrados nesse capítulo.

É importante salientar aqui que o sistema montado, apesar de muito


semelhante ao sistema ofertado é apenas um protótipo, e seus resultados
serviram de modelo para simulações em escala maior de aplicação, devido ao
custo de investimento e mão de obra especializada, (além do sistema elétrico,
o protótipo exige especialidades mecânicas: bicicleta; e de siderurgia: base de
ferro, caixa elétrica e outros materiais de apoio).

Nesse capítulo o grupo demonstra, não só valores experimentais


obtidos, mas também todo custo envolvido na fabricação do sistema, as
simulações de sua implantação e seu rendimento. O conteúdo será esboçado
em gráficos e tabelas, fórmulas de cálculos e hipóteses de melhorias, visando
seu custo/beneficio a curto e longo prazo.

4.1. RENDIMENTO E RESULTADOS OBTIDOS

Após a montagem os testes puderam ser realizados com base no tempo


de geração e carregamento da bateria do sistema. Para isso, foram
consideradas as capacidades de potência do alternador e das baterias,
expressas nas Equações (18) e (20).

O alternador gera 143W para o sistema, de acordo com as amostragens


de tempo, o usuário ativa o sistema de geração na segunda pedalada na coroa
da bicicleta, ou seja, em menos de 10 segundos. Após a segunda pedalada, o
sistema começará a transmitir essa energia gerada para a bateria, mesmo que
o usuário diminua seu ritmo, o sistema permanecerá estável e o carregamento
da bateria ininterrupto. Em 12 minutos, a bateria já assumirá a potência gerada
pelo alternador e começará a carregar continuamente, até a sua capacidade.

Para carregar a bateria na potência máxima, de acordo com os tempos


colhidos, o período de pedaladas é de uma hora completa. O que quer dizer
que em 1/5 da hora a bateria carrega 143W, em ½ hora o carregamento atinge
cerca de 358,5W. Até totalmente, no período de uma hora, 720W.

Supondo que o inversor usado limita a conversão só após atingir 750W,


foram colhidos os watts gerado pela bicicleta. O gráfico a seguir demonstra as
amostras colhidas conforme o tempo de pedaladas, alguns desvios foram
encontrados, porém o carregamento seguiu crescente durante todos os testes.

FIGURA 22 – GRÁFICO DO TEMPO DE GERAÇÃO COLHIDO NOS TESTES (GERADO PELOS


AUTORES)

Nota-se que aos 20min do gráfico esboçado houve um pico de geração,


o grupo considerou a coleta atípica a geração. Os valores analisados foram
demonstrados para que esse tipo de variação seja considerado como ato
normal do sistema, visto que não afeta seu funcionamento.
4.2. CUSTO DE MONTAGEM

Os itens necessários e os equipamentos dimensionados para a


montagem do protótipo estão relacionados na tabela a seguir, conforme seus
custos e quantidades. Alguns materiais foram comprados de ferro velho,
visando o barateamento da fabricação e também a sustentabilidade. Apesar
de usados esses foram selecionados conforme seu estado e conservação,
para que a geração, o rendimento e a garantia do projeto não fossem
prejudicados.

Os demais materiais foram comprados novos, devido a preocupação


com sua vida útil, por exemplo, as baterias, e seu desgaste físico. Como se
trata de um protótipo caseiro, as peças foram orçadas e adquiridas de
fabricantes variados, cujos nomes não serão citados para não incentivar
merchandisings. O custo total gerado foi avaliado pelo grupo como positivo, já
que não se trata de uma linha especializada de produção. O protótipo foi
montado de acordo projetado e as análises do retorno financeiro que será
obtido a partir da sua aquisição estão demostrados no item seguinte (4.4).

ITEM DESCRIÇÃO FABRICANTE UNIDADE QTD PREÇO UNITÁRIO (R$) PREÇO TOTAL (R$)
1 ALTERNADOR VEICULAR 45A 12V USADO BOSCH PÇ 1 160,00 160,00
2 CONTROLADOR DE CARGA LS1024B 12V - EPSOLAR EPSOLAR PÇ 1 199,00 199,00
3 POLIA POLY-V 6KP2100 - CONTINENTAL CONTINENTAL PÇ 1 36,90 36,90
4 CAIXA DE PASSAGEM 348X304X104mm - STECK STECK PÇ 1 176,60 176,60
5 INVERSOR CC-CA 500W 12V PÇ 1 150,00 150,00
6 TOMADA 2P+T 250V 10A BTICINO PÇ 1 9,80 9,80
7 DISJUNTOR BIPOLAR 10A CURVA C 4,5KA 220V STECK PÇ 2 16,50 33,00
8 BATERIA CHUMBO-ÁCIDO 60AH 12V CSB PÇ 1 200,00 200,00
9 BICICLETA 18 MARCHAS, RODAS ARO 26 PÇ 1 350,00 350,00
10 CONJUNTO DE PARAFUSO 1/2! X 2 1/2", COM PORCA E ARRUELAS CJ 15 1,60 24,00
11 VERGALHÃO ROSCADO 1/4" COM PORCA E ARRUELAS M 0,5 1,50 0,75
12 TUBO RETANGULAR 50x20x3000mm BR 1 39,16 39,16
13 CABO FLEXIVEL PRETO 4mm² M 2 1,25 2,50
14 CABO FLEXIVEL VERMELHO 4mm² M 2 1,25 2,50
15 CABO FLEXIVEL PRETO 2,5 mm² M 1 0,79 0,79
16 CABO FLEXIVEL VERMELHO 2,5 mm² M 1 0,79 0,79
17 CABO FLEXIVEL PRETO 1,5 mm² M 1 0,41 0,41
18 CABO FLEXIVEL VERMELHO 1,5 mm² M 1 0,41 0,41
19 PRENSA CABO DE NYLON 1/2" PÇ 1 2,55 2,55
20 TERMINAIS DE COMPRESSÃO TIPO PINO PÇ 20 0,05 1,00
21 CHAPA DE FERRO 40X30CM PÇ 1 40,00 40,00
22 VOLTIMETROS DC/AC PÇ 2 25,00 50,00
TOTAL GERAL (R$) 1480,16

TABELA 2 - LEVANTAMENTO DE CUSTO DOS MATERIAIS DO PROTÓTIPO


4.3. SIMULAÇÃO DE APLICAÇÃO EM UMA ACADEMIA COMUM

Os objetivos específicos desse projeto pontuados no capitulo I, foram


obtidos através de estudos de simulações. A simulação realizada caracteriza-
se na implantação do sistema de geração em uma academia de ginástica.
Onde o proprietário do estabelecimento interessado, abdicou-se da utilização
das bicicletas ergométricas tradicionais, substituindo-as pelas bicicletas
estacionárias com o sistema de geração elétrica.

Para que o ensaio do beneficio de implantação fosse possível, primeiro


foi simulado uma conta de luz do estabelecimento fictício em questão. Assim, o
consumo de energia elétrica mensal foi observado e os parâmetros de
utilização do sistema aplicados.

A descrição do consumo da academia está explanada na tabela abaixo,


os valores de potência dos equipamentos e de tarifa de energia, foram tirados
da última atualização da concessionária local (AES ELETROPAULO, 2015):

Potencia em Potencia total Custo por mês em


Item Unidades Watts em Watts Tempo de uso Período kWh por dia kWh por mês reais
Luminárias 30 36 1080 17 Horas/Dia 18,36 403,9 R$ 95,79
Celulares, tablets,
Mp3 5 5 25 10 Horas/Dia 0,25 5,5 R$ 1,30
Televisor 29" 2 110 220 17 Horas/Dia 3,74 82,3 R$ 19,51
Bebedouro 2 154 308 17 Horas/Dia 5,236 115,2 R$ 27,32
Aparelho de som 4 40 160 17 Horas/Dia 2,72 59,8 R$ 14,19
Ventilador 2 120 240 7 Horas/Dia 1,68 37,0 R$ 8,77
Ccomputador 2 180 360 17 Horas/Dia 6,12 134,6 R$ 31,93
Chuveiro (Ducha) 4 3200 12800 10 Horas/Dia 128 2816,0 R$ 667,81

Total 166,1 3654,3 R$ 866,62


custo do kwh R$ 0,24

TABELA 3 - CONSUMO DE ENERGIA DE UMA ACADEMIA (SIMULADO PELOS AUTORES DE


ACORDO COM OS DADOS COLHIDOS DA CONCESSIONÁRIA ELETROPAULO)
Na Tabela 3, supõe-se que a academia estudada, uma microempresa,
comporta, de equipamentos elétricos: duas TVs; dois bebedouros; quatro
aparelhos de som; dois ventiladores; dois computadores; cinco pontos de
conexão e carregamento de aparelho eletrônico (celular, tablet); quatro
chuveiros ducha e uma distribuição de iluminação com 30 luminárias de
lâmpadas fluorescentes 2x18W.

O gráfico que demonstra o custo em reais do consumo dos


equipamentos do estabelecimento, pode ser apresentado da seguinte forma:

FIGURA 23 – GRÁFICO DO CUSTO MENSAL DO CONSUMO DE ENERGIA DE


EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS EM UMA ACADEMIA (SIMULAÇÃO FEITA PELOS AUTORES)

Nota-se que alguns equipamentos como: chuveiro; computador,


iluminação, que ficam ligados a maior parte do tempo enquanto a academia
está em funcionamento, pesam muito no valor a ser pago à concessionária no
final de mês, mas outros equipamentos elétricos nem tanto.
Os aparelhos de som, ventiladores e até mesmo os televisores de uma
academia, consumem uma quantidade de energia baixa, em relação aos
demais. Apesar de parecer pouco influentes, eliminá-los do gasto da conta de
consumo seria um passo bem iniciado para a redução dos gastos.

De acordo os valores em kWh que as bicicletas podem gerar e a partir


da necessidade estimada do estabelecimento, foi feita a simulação de um
sistema, com 5 bicicletas. Assim, o proprietário da academia terá, cinco
bicicletas estacionárias gerando energia e armazenando-a concomitantemente.
O período da utilização dessas bicicletas foi considerado como o período
normal das bicicletas ergométricas, com o índice de 60% de uso, enquanto o
estabelecimento estiver aberto. O cálculo do fornecimento de energia do
sistema foi expresso pela Equação 23, a seguir:

720�ℎ × 5 ��𝑘�� × 10ℎ × 22����

= 792,0𝑘 ℎ Equação (23)


Tendo em vista que, o estabelecimento consome mensalmente
3.654,3kWh, expõe-se que o sistema com bicicletas gera 22% da energia
consumida ao mês pela academia.

De acordo esse índice e a conta de consumo fictícia, pode-se calcular o


valor aproximado, que o proprietário economizará de energia comprada se
implantar o sistema e utilizar sua própria geração.
O resultado da simulação apresentou um beneficio de 22% de
economia, se o proprietário do estabelecimento optar por utilizar o sistema de
geração com 5 bicicletas. O retorno de R$187,82 reais a ser economizado na
conta da concessionária é variável a quanto o sistema for aplicado, quanto
maior o número de bicicletas acopladas, maior o índice de geração, quanto
menor a taxa de consumo do empreendimento maior será a economia.

Os benefícios em longo prazo dessa simulação estão apresentados no


tópico seguinte.

4.4. ANÁLISE DE RESULTADOS

Comparando os resultados obtidos tem-se que a taxa de geração e


porcentagem do consumo elétrico, são bem satisfatórios a sua implantação.
Não só nas academias, mas em qualquer outro tipo de estabelecimento onde,
as pessoas que o frequentam tem acesso e disponibilidade para pedalar.

No entanto, há uma analise desses resultados obtidos a fazer,


principalmente quanto ao custo. É preciso comparar o custo de fabricação, o
investimento do proprietário do estabelecimento ao aderir às bicicletas, com o
custo de economia, na conta de consumo, para que assim o retorno financeiro
seja estipulado e o sistema seja qualificado como beneficiário, ou não.

Do preço total da bicicleta: R$1.619,66, conforme exposto na Tabela (2),


estima-se o valor total do investimento.

𝑅$1480,16 × 5 = 𝑅$7.400,80 Equação (24)


Isto é, R$ 7.400,80, um sistema de geração com 5 bicicletas
estacionárias. Para a simulação do retorno financeiro ainda é preciso
considerar que, apesar do investimento ser em um produto totalmente novo, o
proprietário que adquirir está substituindo um aparelho da sua academia, ou
seja, se ele comprar bicicletas estacionárias, estará deixando de comprar as
bicicletas ergométricas, o que faz necessário o débito dessa quantia. Usou-se o
valor médio das bicicletas de academia comercializadas atualmente:

𝑅$7.400,80 − (5 × 𝑅$1.045,30)

= 𝑅$2.147,30 Equação
(25)

O custo do investimento a ser considerado então é R$2.147,30.


Adotando a economia mensal, calculada na academia fictícia, Figura (24),
pode-se correlacionar as informações, obtendo gráfico.

De acordo a Tabela 4, o valor aplicado no sistema é recuperado antes

de completar 1 ano da aplicação. A tabela foi desenvolvida apenas com a


diferença entre os pagamentos da tarifa mensal da concessionária.
TABELA 5 – RETORNO FINANCEIRO ANUAL (FEITO PELOS
AUTORES ATRAVÉS DO SALDO MENSAL CALCULADO)

Na Tabela 5, o retorno anual projeta um benefício econômico a longo


prazo. Pode-se afirmar que em torno do 4º ano, o proprietário do
estabelecimento terá economizado R$9.015,36 na sua conta de luz, e tirando
seu investimento a economia chega à R$6.162,56 reais.

Os dados gerados podem ser ampliados conforme o potencial do


estabelecimento. Quanto maior a potência gerada das bicicletas, mais
economia o comprador do sistema terá. Os sistemas podem ser facilmente
alterados, trocando as baterias ou o inversor. Nesse caso apresentado, utilizou-
se apenas 1 bateria de 60Ah, mas o sistema suporta até 3 baterias. Assim
como o inversor de 750W foi usado e pode ser alterado por outros de maiores
potências.
A única limitação que deve-se levar em conta é a relação de transmissão
da roda para o motor e entre as polias. Neste trabalho, como mencionado nos
capítulos anteriores, apesar do alternador trabalhar com uma corrente até de
45A, o movimento exercido na bicicleta, 1700rpm, só atingirá até 10A.

5. CONCLUSÕES

De acordo com o que foi realizado neste trabalho, desde os cálculos,


montagem e simulações da projeção do sistema de geração de energia nas
bicicletas estacionárias, é possível concluir que:

 o objetivo geral proposto por este trabalho foi concretizado, pois


houve o reaproveitamento de energia a partir da conversão de
energia mecânica em energia elétrica;

 os objetivos específicos também foram alcançados, pois através


do exercício de pedalar e sem a ajuda de fontes auxiliares,
extraiu-se velocidade suficiente para geração de energia,
possibilitando a implantação do sistema em uma academia
reduzindo assim a conta de energia através da redução do
consumo de energia elétrica via concessionária;

 foi verificado que o rendimento do sistema está diretamente


relacionado a transmissão de rotação da roda traseira ao
alternador, sendo que quanto maior a rotação maior a geração.
Além da possibilidade de projetar e implantar sistemas
específicos, de acordo a necessidade de carga, aumentando os
acumuladores; alterando a tensão de saída; ou utilizando-o como
fonte direta, tornando assim o equipamento autônomo.
 não foi possível implantar diretamente em uma bicicleta
ergométrica convencional, pois nos modelos estudados, não
havia transmissão de rotação suficiente, sendo nula ou com
alcance em níveis baixos e sem possibilidade de utilização de
cambio. Necessitando assim, de muitas adaptações e
manufatura, o que encareceria o sistema à nível de protótipo.

5.1. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

As sugestões para trabalhos futuros são:

 Implantar o sistema em outros tipos de aparelhos, como esteiras;


ventiladores; escadas rolantes ou catracas. Utilizando o princípio
da conversão de energia mecânica em elétrica;

 Estudar possibilidades de aplicação em estabelecimentos


públicos: metrôs; terminais rodoviários; parques e faculdades.
Possibilitando um beneficio coletivo.
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APÊNDICE

APÊNDICE A – DESENHO DO PROTÓTIPO MONTADO


APÊNDICE B – DESENHO DA CAIXA DE EQUIPAMENTOS.