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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO,

EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E
TECNOLOGIA DO CEARÁ
ENGENHARIA MECATRÔNICA

MARIA RAYANNE ALVES RODRIGUES MOREIRA


20122015010186

RELATÓRIO 01
EXPERIMENTO 01: INDUTOR LINEAR
EXPERIMENTO 1.1: LÂMPADA INCANDESCENTE

Fortaleza
2015
MARIA RAYANNE ALVES RODRIGUES MOREIRA

RELATÓRIO 01
EXPERIMENTO 01: INDUTOR LINEAR
EXPERIMENTO 1.1: LÂMPADA INCANDESCENTE

Trabalho apresentado como requisito parcial para aprovação


na disciplina Laboratório de Circuitos Elétricos II do Curso
de Engenharia Mecatrônica, Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Ceará.

Prof. Dr. Clayton Ricarte da Silva

Fortaleza
2015
RESUMO
O dispositivo semicondutor eletrônico chamado diodo é capaz, dentre suas inúmeras
aplicações, de converter tensão alternada em contínua. Sua aplicação como retificador permite
que ele seja aplicado em circuitos cuja intenção é obter uma frequência de saída maior do que
a de entrada permite que se obtenha um valor relativo da tensão de pico em sua saída além de
que quando combinado com filtros capacitivos ele se mostra eficiente na sua produção de um
sinal praticamente constante. A compreensão do princípio de funcionamento do diodo é a
base para se entender ouros dispositivos eletrônicos.

Palavras-chave: Indutor linear; lâmpada incandescente; medições; corrente alternada.


SUMÁRIO

SUMÁRIO 4

LISTA DE FIGURAS 6

INTRODUÇÃO 7

1 DESENVOLVIMENTO 8

1.1 CORRENTE ALTERNADA 8

1.2 ELEMENTOS PASSIVOS DE CIRCUITO NO DOMÍNIO DA FREQUÊNCIA 11

1.2.1 RESISTOR 11

1.2.2 INDUTOR 12

1.2.3 CAPACITORES 14

1.3 LÂMPADA INCANDESCENTE – RESISTOR NÃO LINEAR 15

1.4 MEDIÇÕES ELÉTRICAS – ERROS EM MEDIDA E INSTRUMENTOS 15

1.4.1 ERROS EM MEDIDAS – DEFINIÇÕES (ABNT – NB278/73) 15

2 DESENVOLVIMENTO E RESULTADO DAS EXPERIÊNCIAS REALIZADAS


NO LABORATÓRIO DE CIRCUITOS ELÉTRICOS II 17

2.1 EXPERIMENTO 01: INDUTOR LINEAR 17

2.1.1 OBJETIVOS 17

2.1.2 DIAGRAMA DE MONTAGEM 17

2.1.3 COMPONENTES DO EXPERIMENTO 19

2.1.4 CÁLCULOS DOS EXPERIMENTOS 20

2.1.5 DADOS DO EXPERIMENTO 25

2.1.6 DISCUSSÃO DE QUESTÕES RELACIONADAS AO EXPERIMENTO 01:


INDUTOR LINEAR 25

2.1.6.1 QUESTÃO 01 25

2.1.6.2 QUESTÃO 02 26

2.1.6.3 QUESTÃO 03 26

2.1.6.4 QUESTÃO 04 28
5

2.1.6.5 QUESTÃO 05 29

2.1.6.6 QUESTÃO 06 29

2.2 EXPERIMENTO 1.1: LÂMPADA INCANDESCENTE 30

2.2.1 OBJETIVOS 30

2.2.2 DIAGRAMA DE MONTAGEM 30

2.2.3 COMPONENTES DO EXPERIMENTO 1.1: LÂMPADA INCANDESCENTE 30

2.2.4 CÁLCULOS DOS EXPERIMENTOS 31

2.2.5 DADOS DO EXPERIMENTO 1.1: LÂMPADA INCANDESCENTE 33

2.2.6 DISCUSSÃO DE QUESTÕES RELACIONADAS AO EXPERIMENTO 1.1 33

2.2.6.1 QUESTÃO 01 33

2.2.6.2 QUESTÃO 02 35

2.2.6.3 QUESTÃO 03 35

2.2.6.4 QUESTÃO 04 38

3 CONCLUSÃO 40

4 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 41
6

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Tensão senoidal. ........................................................................................................... 8


Figura 2 Representação de um número complexo z . ............................................................... 10
Figura 3 Tensão e corrente em fase nos terminais de um resistor . .......................................... 12
Figura 4 Tensão e corrente em um indutor. .............................................................................. 13
Figura 5 Tensão e corrente em um capacitor. ........................................................................... 14
Figura 6 Diagrama esquemático de montagem a jusante do teste cc do Experimento 01:
Indutor Linear. .......................................................................................................................... 18
Figura 7 Diagrama esquemático de montagem a montante do teste cc do Experimento 01:
Indutor Linear. .......................................................................................................................... 18
Figura 8 Diagrama esquemático de montagem a jusante do teste ca do Experimento 01:
Indutor Linear. .......................................................................................................................... 19
Figura 9 Diagrama esquemático de montagem a montante do teste ca do Experimento 01:
Indutor Linear. .......................................................................................................................... 19
Figura 10 Diagrama esquemático de montagem do Experimento 1.1: Lâmpada Incandescente
– Resistor não Linear. ............................................................................................................... 30
Figura 11 Curva de potência medida pelo wattímetro. ............................................................. 34
Figura 12 Curva de potência calculada conforme as medidas do voltímetro e amperímetro. .. 34
Figura 13 Gráfico característico da lâmpada incandescente com um comportamento não
ôhmico. ..................................................................................................................................... 35
Figura 14 Evolução dos dados da corrente e a curva obtida por interpolação. ........................ 36
Figura 15 Evolução dos dados da corrente e a curva obtida por interpolação. ........................ 36
Figura 16 Por extrapolação, estimativa da corrente para U = 240V ........................................ 37
Figura 17 Por extrapolação, estimativa da potência para U=240V. ......................................... 37
Figura 18 Gráfico da tensão versus corrente de uma lâmpada incandescente de 100W com um
comportamento não linear. ....................................................................................................... 38
Figura 19 Gráfico da tensão versus corrente de uma lâmpada incandescente de 60W linear na
região entre 50 e 70V................................................................................................................ 39
7

INTRODUÇÃO

O sistema de corrente alternado é utilizado na geração, transmissão e distribuição de


energia. Com isso, à medida que o consumo energético vem crescendo, é exigido uma maior
qualidade de sistemas, equipamentos e componentes elétricos. Para que isso ocorra, é preciso
de que se tenha eficiência, precisão e exatidão nesses sistemas.
Conhecer e fundamentar um sistema de corrente alternada se faz necessário para
desenvolvimento e análise de processos. Componentes, dispositivos que funcionam com
corrente alternada são fundamentais para conhecimento de aplicações, conhecer esses
dispositivos se torna importante para aplicá-los corretamente.
Os elementos passivos de circuitos alternados são os resistores, indutores e
capacitores. Sendo que cada um tem um comportamento característico de operacionalidade.
Na prática, conhecê-los ocorre de diversas formas, uma delas é na realização de ensaios.
Os ensaios laboratoriais são úteis para modelar esses componentes, e nesses
experimentos são realizadas, a todo instante, medições elétricas, com o intuito de caracterizar
e descrever o comportamento deles.
As medições elétricas são passíveis de erros, porque nenhum sistema é perfeito.
Existem os erros da medida, de paralaxe, erros dos instrumentos e também os erros de
cálculo.
Com o objetivo de aprofundar os conhecimentos nessa área, esse relatório traz consigo
as aplicações e uma brevidade sobre o funcionamento dos indutores lineares e dos resistores
não-lineares. Além de promover a prática de ensaios da teoria em laboratório, permitindo o
manuseio de equipamentos e componentes.
8

1 DESENVOLVIMENTO

1.1 CORRENTE ALTERNADA

A corrente alternada é o principal modo para distribuição e transmissão de energia,


isso é possível graças a duas grandes personalidades geniosas: Nikola Tesla e George
Westinghouse.
A corrente alternada é uma corrente senoidal, tendo em vista que senoide é um sinal
que possui a forma da função seno ou cosseno. Essa corrente possui valores positivos e
negativos alternados no tempo de forma regular. Os circuitos CA são aqueles excitados por
fontes de tensão ou de corrente alternada.
O sistema senoidal é interessante porque a própria natureza é caracteristicamente
senoidal, por exemplo, no movimento de um pêndulo. Qualquer sinal periódico prático pode
ser representado por uma soma de senoides, isso pode ser observado na análise de Fourier.
Uma função de alimentação senoidal produz tanto uma resposta transiente como uma
resposta em regime estacionário. A resposta transiente se extingue com o tempo de modo a
permanecer apenas a parcela correspondente à resposta em regime estacionário.
(ALEXANDER e SADIKU, 2013).
A tensão senoidal pode ser descrita como:

 =  cos
+ .
Onde
 = a tensão máxima ou amplitude da senoide
= frequência angular em radianos/s

= argumento da senoide
= ângulo de fase da tensão senoidal
De forma análoga se escreve a corrente senoidal. É válido ressaltar que o ângulo de
fase e o argumento da senoide devem ter as mesmas unidades porque são somados.

Figura 1 Tensão senoidal.


9

Na Figura 1 é observado o comportamento da tensão senoidal. Onde a amplitude da


tensão pode variar de + a – . Na Figura 1, a senoide se repete a cada T segundos,
assim, T é o período do sinal. O período é o inverso da frequência, e  = 2, dessa forma,
tem-se que:
2
= = 2.


Uma característica importante da tensão ou corrente senoidal é seu valor eficaz (rms) e
seu valor médio. O valor médio de um sinal periódico está relacionado com a componente
contínua deste sinal e o interesse por este valor está relacionado com o resultado após a
filtragem do sinal. O valor médio representa uma grandeza contínua que tem a mesma área
sob a curva que a onda periódica, no mesmo intervalo T. (NAKASHIMA, Kazuo).
O valor médio, , de uma função senoidal, y(t), é dado por:

1 
 =  

.
 

O valor eficaz ou rms (root mean square – raiz da média quadrada) de uma onda
periódica representa o valor de uma tensão ou corrente contínua que produz a mesma
dissipação de potência que a tensão o corrente periódica. (NAKASHIMA, Kazuo). A função
geral y(t), de período T, tem um valor eficaz, , dado por:

1 
 =   
²
.
 

O valor eficaz da função  =  cos


+  é ⁄√2.
A relação entre o valor eficaz e o valor médio é o fator de forma Ff da onda, ele está
relacionado com a taxa de utilização ou de aproveitamento de um componente elétrico, ele é
um índice qualitativo. Logo,


"#
$%  "$%# − " = .

10

Outro
tro fator interessante é o fator de crista, Fc. Ele indica o grau de distorção de uma
onda. É representado a seguir, onde Ym é o valor máximo do sinal:


"#
$%  '%()
# − "* = .


As senoides podem ser expressas em termos de fasores,


fasores, onde fasor é um número
complexo que representa a amplitude e a fase de uma senoide, o conceito de fasores para a
análise de circuitos lineares senoidais se deu graças ao matemático e engenheiro Charles
Steinmetz. Um número complexo z pode ser escrito na forma retangular, polar e exponencial.
Como pode ser observado a seguir:

+ = , + - − "$%# %
#./01#%
+ = %⦟ − "$%# 3$1#%
+ = % 45 − "$%# ,3$..*(#1

A relação entre a forma retangular e polar é mostrada na Figura 2.

Figura 2 Representação de um número complexo z .

Na Figura 2, o eixo x representa a parte real e o eixo y, a parte imaginária de um


número complexo. Quando se tem x e y, r e são obtidos da seguinte forma:


% = 6,² + ², =
/78 .
,

Quando se conhece r e , x e y podem ser obtidos como segue:


11

, = % cos ,  = % ). .

Portanto, z pode ser escrito como segue:

+ = , + - = %⦟ = %*$) + -). .

A ideia da representação de fasor se baseia na identidade de Euler. Em geral,

 ±45 = *$) ± -). .

A representação no domínio dos fasores (do lado direito) da função no domínio do


tempo (do lado esquerdo) é:

 =  cos
+  ↔  = ⦟ .

Da relação anterior, v é a representação instantânea ou no domínio do tempo, é


dependente do tempo e é sempre real sem nenhum termo complexo; enquanto V é a
representação em termos de frequência ou no domínio dos fasores e geralmente é complexo.
A análise de fasores se aplica apenas quando a frequência é constante.

1.2 ELEMENTOS PASSIVOS DE CIRCUITO NO DOMÍNIO DA FREQUÊNCIA

A relação entre a corrente fasorial e a tensão fasorial nos terminais dos elementos
passivos: resistor, indutor e capacitor, ocorrem de maneira distinta para cada um deles, tendo
em vista suas características peculiares.

1.2.1 RESISTOR

Um resistor é um elemento que possui um dado valor de resistência em suas


extremidades. Se a corrente através de um resistor R for ( = ; cos 
+ , a tensão nele
será dada pela Lei de Ohm, assim:

 = (< = <; cos


+ .
12

A transformada fasorial dessa tensão é:

 = <;⦟ = <;, ; = ;⦟ .

Das equações mostradas, observa-se que nos terminais de um resistor não há nenhum
deslocamento de fase entre a tensão e a corrente. Então, num resistor puro a corrente e a
tensão estão em fase. Isso pode ser observado graficamente na Figura 3.

Figura 3 Tensão e corrente em fase nos terminais de um resistor .

Na Figura 3 é observado o comportamento de um resistor puro excitado por uma


corrente e tensão senoidal, os dois sinais estão em fase, logo, ambos alcançam valores
correspondentes em suas respectivas curvas ao mesmo tempo.

1.2.2 INDUTOR

O dispositivo de um circuito projetado para possuir um valor particular de auto-


indutância denomina-se indutor ou reator. O objetivo de um indutor é criar uma corrente que
se oponha à variação da corrente no circuito. Um indutor colocado em um circuito de corrente
contínua ajuda a manter a corrente constante, apesar de eventuais flutuações da força
eletromotriz aplicada; em um circuito de corrente alternada, o indutor pode ser usado para
suprimir variações da corrente que sejam mais rápidas que as desejadas. (YOUNG e
FREEDMAN, 2008).
Para um indutor L, a corrente que o atravessa é ( = ; cos 
+ , logo a queda de
tensão provocada no indutor é:

(
== = − =; ).
+ 


13

Por identidade trigonométrica, −). > = cos > + 90°, a tensão nos terminais do
indutor pode ser escrita como:

 = =; cos
+ + 90°.

Aplicando o conceito de fasores, a tensão fasorial no indutor é

 = =;  45BC° = =;⦟ + 90°, ;⦟ = ;.

Assim,

 = - =;.

No indutor, a tensão tem magnitude igual a =; e fase + 90°. O módulo da


impedância é:

DE = =.
Em um indutor puro, a corrente fica atrasada de 90° da tensão. Dessa forma, a tensão e
acorrente estão defasadas em 90°. Isso pode ser observado na Figura 4.

Figura 4 Tensão e corrente em um indutor.

No gráfico da Figura 4, a tensão está adiantada de 90° da corrente, ou seja, o valor


máximo de tensão ocorre primeiro do que o de corrente, assim, como pode ser visto o valor de
pico negativo da tensão acontece 90° antes do valor de pico negativo da corrente acontecer.
14

1.2.3 CAPACITORES

Um capacitor é um sistema constituído por dois condutores separados por um isolante.


Cada condutor possui, inicialmente, carga líquida igual a zero e há transferência de elétrons
de um condutor para o outro; nesse caso, o capacitor está sendo carregado. No equilíbrio, os
dois condutores possuem cargas de mesmo módulo, mas de sinais contrários, e a carga líquida
num capacitor como um todo permanece igual a zero. (YOUNG e FREEDMAN, 2008).
Para o capacitor C, a tensão aplicada aos seus terminais é  =  cos
+ .
Logo, a corrente através do capacitor é:


(=' .


Então,

; = - '.
Logo,

1 1 ;
 = ; = ⦟ − 90°;⦟ F = ⦟ F − 90°.
- ' ' '

No capacitor puro, a tensão nos seus terminais está atrasada de 90° em relação à
corrente. O módulo da sua impedância é definido como,

1
DG = .
'

A Figura 5 mostra a defasagem entre corrente e tensão de 90°, dessa forma a corrente
está adiantada de 90° da tensão.

Figura 5 Tensão e corrente em um capacitor.


15

1.3 LÂMPADA INCANDESCENTE – RESISTOR NÃO LINEAR

A lâmpada incandescente tem característica resistiva não ôhmica, ou seja, ela é um


componente puramente resistivo, mas não linear. Uma resistência não linear é aquela que não
obedece à primeira lei de Ohm, a resistência pode variar devido a diversos fatores, tais como
temperatura, tensão e corrente.
A lâmpada incandescente funciona como resistor porque oferece certa resistência à
passagem de corrente. Esse elemento é um filamento de tungstênio colocado num bulbo de
vidro com atmosfera que não contenha oxigênio. O calor gerado pela corrente é suficiente
para produzir luz. (BRAGA, Newton).
A potência da lâmpada é determinada pela resistência do filamento e pela tensão que
alimenta a lâmpada. Como as lâmpadas incandescentes são dispositivos não lineares, ou seja,
quando frias apresentam uma resistência baixa e quando a temperatura aumenta, a resistência
também aumenta.
O princípio de funcionamento da lâmpada incandescente é baseado no efeito Joule.
Quando uma corrente percorre o filamento da lâmpada, as moléculas dele vibram, quando isso
ocorre o filamento se aquece e passa a brilhar por um instante. Atualmente, o aquecimento do
filamento das lâmpadas incandescentes chega até 3000°C, onde o filamento torna-se
incandescente e emite luz. O filamento da lâmpada é envolto no bulbo sem oxigênio para que
ele não possa oxidar nem incendiar.
Nas lâmpadas antigas, o interior da lâmpada era composto somente do filamento e de
vácuo, no entanto, isso era desvantajoso porque facilitava a sublimação do filamento. A
solução para isso foi injetar um gás inerte no interior do bulbo. É válido ressaltar que a luz
emitida por uma lâmpada incandescente não é efeito direto da corrente e sim pelo
aquecimento produzido quando a mesma atravessa o filamento. Esse tipo de lâmpada possui
um baixo rendimento, ela consegue gerar muito mais calor do que luz. Quanto maior o
filamento, maior a luminosidade.

1.4 MEDIÇÕES ELÉTRICAS – ERROS EM MEDIDA E INSTRUMENTOS

É necessário que as avaliações das grandezas físicas sejam feitas com precisão e
exatidão. Na área elétrica, as medidas de muitas grandezas são de extrema importância em
várias áreas de atuação, tais como pesquisa, monitoração, proteção, funcionamento seguro
entre outras.
Quando se realiza medições é importante fazer suas avaliações em busca de
compreender e analisar os dados, concluindo acerca de imprecisões e exatidões de
instrumentos e processos.

1.4.1 ERROS EM MEDIDAS – DEFINIÇÕES (ABNT – NB278/73)

a) Erro

É o desvio observado entre o valor medido e o valor verdadeiro.


16

b) Valor Verdadeiro

É o valor exato da medida de uma grandeza obtido quando nenhum tipo de erro incide
na medição.

c) Exatidão

É a característica de um instrumento de medida que exprime o afastamento entre a


medida nele observada e o valor de referência aceito como verdadeiro.

d) Precisão

Refere-se a maior ou menor aproximação da medida em termos de casas decimais.


Revela o rigor com que um instrumento de medida indica o valor de certa grandeza.

e) Classe de Exatidão

É o limite de erro, garantido pelo fabricante de um instrumento, que se pode cometer


em qualquer medida efetuada pelo mesmo, ou seja, é uma classificação do instrumento de
medida para designar sua exatidão.

f) Índice de Classe

Número que designa a classe de exatidão, o qual deve ser tomado como uma
porcentagem do valor de plena escala de um instrumento.

g) Escala de um Instrumento

É o intervalo de valores que um instrumento pode medir. Vai de zero a um valor


máximo que se denomina calibre ou valor de plena escala.

h) Valor de Plena Escala

É o máximo valor da grandeza que um instrumento pode medir.

i) Erro Absoluto

É a diferença algébrica entre o valor medido e o valor aceito como verdadeiro.

j) Erro Relativo

É a relação entre o erro absoluto e o valor aceito como verdadeiro de uma grandeza.
17

2 DESENVOLVIMENTO E RESULTADO DAS EXPERIÊNCIAS REALIZADAS


NO LABORATÓRIO DE CIRCUITOS ELÉTRICOS II

2.1 EXPERIMENTO 01: INDUTOR LINEAR

2.1.1 OBJETIVOS

i. Determinar os parâmetros de um indutor linear;


ii. Familiarizar-se em expressar resultados experimentais, a partir de um
tratamento adequado dos erros cometidos no processo de medida;
iii. Discutir os resultados e erros das montagens a montante e a jusante.

2.1.2 DIAGRAMA DE MONTAGEM

Para a execução do experimento, é necessário que se tenha um esquema de ligação


entre os componentes. No Experimento 01 foram realizadas quatro montagens esquemáticas
em dois tipos de teste: Teste CC (montagem a montante e montagem a jusante) e Teste CA
(montagem a montante e montagem a jusante).
Para realizar o experimento, os procedimentos necessários são:
i. Verificar os dados de placa do dispositivo para delimitar os valores adequados
aplicados de tensão e corrente;
ii. Realizar os Testes CC e CA nas montagens a montante e a jusante para
determinar a resistência elétrica e a indutância no indutor linear;
iii. Escolher os calibres adequados dos instrumentos e determinar os desvios
cometidos de acordo com a classe de exatidão de cada um;
iv. Ajustar os valores adequados de tensão e corrente.
18

Figura 6 Diagrama esquemático de montagem a jusante do teste cc do Experimento 01: Indutor Linear.

Figura 7 Diagrama esquemático de montagem a montante do teste cc do Experimento 01: Indutor Linear.
19

Figura 8 Diagrama esquemático de montagem a jusante do teste ca do Experimento 01: Indutor Linear.

Figura 9 Diagrama esquemático de montagem a montante do teste ca do Experimento 01: Indutor Linear.

2.1.3 COMPONENTES DO EXPERIMENTO

i. Fonte ajustável CC:


a. 0 – 120V / 8A;

ii. Fonte ajustável CA:


a. 0 – 208V / 5A;

iii. Amperímetro Analógico CC:


a. Calibre, 'HGG : 1,0A;
b. Fundo de Escala, "HGG : 100 divisões;
c. Classe de Exatidão, IHGG : 1,5.
20

iv. Amperímetro Analógico CA:


a. Calibre, 'HGJ : 1,0A;
b. Fundo de Escala, "HGJ : 100 divisões;
c. Classe de Exatidão, IHGJ : 2,5.

v. Voltímetro Analógico CC:


a. Calibre, 'KGG : 30V;
b. Fundo de Escala, "KGG : 150 divisões;
c. Classe de Exatidão, IKGG : 0,5.

vi. Voltímetro Analógico CA:


a. Calibre, 'KGJ : 150V;
b. Fundo de Escala, "KGJ : 150 divisões;
c. Classe de Exatidão, IKGJ : 0,5.

vii. Indutor Linear:


a. Indutância: 0.80H;
b. Corrente nominal: 0.40A;
c. Resistência nominal: 300Ω.

2.1.4 CÁLCULOS DOS EXPERIMENTOS

i. Cálculo dos Erros dos Instrumentos

'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P%
∆ =
100

a. Amperímetro CC:

'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P% IHGG ∗ 'HGG 1,5 ∗ 1,0
∆;QQ = = = = ±0,015>
100 100 100

b. Amperímetro AC:

'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P% IHGJ ∗ 'HGJ 2,5 ∗ 1,0
∆;QJ = = = = ±0,025>
100 100 100

c. Voltímetro CC:

'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P% IKGG ∗ 'KGG 0,5 ∗ 30
∆QQ = = = = ±0,15
100 100 100
21

d. Voltímetro CA:

'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P% IKGJ ∗ 'KGJ 0,5 ∗ 150
∆QJ = = = = ±0,75
100 100 100

ii. Cálculo da Tensão e da Corrente

'#1(P% ∗ =(
0%#
 =
"0.$  M)*#1#

a. Teste CC – Corrente

'#1(P% ∗ =(
0%# 'UGG ∗ =(
0%# 1,0 ∗ 36,5
;)GG = = = = 0,365>
"0.$  M)*#1# "HGG 100

b. Teste CA – Corrente

'#1(P% ∗ =(
0%# 'UGJ ∗ =(
0%# 1,0 ∗ 39,0
;)GJ = = = = 0,39>
"0.$  M)*#1# "HGJ 100

c. Teste CC – Tensão

'#1(P% ∗ =(
0%# 'KGG ∗ =(
0%# 30,0 ∗ 30
)GG = = = = 6,0
"0.$  M)*#1# "KGG 150

d. Teste CA – Tensão

'#1(P% ∗ =(
0%# 'KGJ ∗ =(
0%# 150,0 ∗ 127
)GJ = = = = 127,0
"0.$  M)*#1# "KGJ 150
22

iii. Cálculo da Resistência e da sua Tolerância

a. Montagem a Montante – Teste CC

i. Resistência Máxima, Rmáx:


Xá, 6 + 0,15
<á, = = = 17,6Ω
;í. 0,365 − 0,015

ii. Resistência Mínima, Rmín:

Xí. 6 − 0,15
<í. = = = 15,4Ω
;á, 0,365 + 0,015

iii. Resistência Média, Rx:

<á, + <í. 17,6 + 15,4


<, = = = 16,5Ω
2 2

iv. Tolerância, ∆R:

<á, − <í. 17,6 − 15,4


\< = = = 1,1Ω
2 2

b. Montagem a Jusante – Teste CC

i. Resistência Máxima, Rmáx:


Xá, 5,8 + 0,15
<á, = = = 17,76Ω
;á, 0,37 − 0,015

ii. Resistência Mínima, Rmín:

Xí. 5,8 − 0,15


<í. = = = 14,68Ω
;í. 0,365 + 0,015

iii. Resistência Média, Rx:

<á, + <í. 17,76 + 14,68


<, = = = 15,7Ω
2 2

iv. Tolerância, ∆R:

<á, − <í. 17,76 − 14,68


\< = = = 1,04Ω
2 2
23

iv. Cálculo da Indutância e sua Tolerância

a. Montagem a Montante – Teste CA

i. Impedância Máxima, ^_á`:

Xá, 127,0 + 0,75


aá, = = = 350,0Ω
;í. 0,39 − 0,025

ii. Impedância Mínima, ^_íb:

Xí. 127,0 − 0,75


aí. = = = 304,22Ω
;á, 0,39 + 0,025

iii. Reatância Indutiva Máxima, cd_á`:

D=á, = faá, g − <í.g = f350,0g − 15,4g = 349,66Ω

iv. Reatância Indutiva Mínima, cd_íb:

D=í. = faí.g − <á, g = f304,22g − 17,6g = 303,71Ω

v. Indutância Máxima, d_á`:

D=á, D=á, 349,66


=á, = = = = 0,927h
2 377,0

vi. Indutância Mínima, d_íb:

D=í. D=í. 303,71


=í. = = = = 0,806h
2 377,0

vii. Indutância Média (média geométrica), d`:

=, = √=á, − =í. = f0,927 ∗ 0,806 = 0,864h


24

viii. Tolerância, ∆d:

=á, − =í. 0,927 − 0,806


∆= = = = 0,061h
2 2

b. Montagem a Jusante – Teste CC

i. Impedância Máxima, ^_á`:

Xá, 106,0 + 0,75


aá, = = = 355,83Ω
;í. 0,325 − 0,025

ii. Impedância Mínima, ^_íb:

Xí. 106,0 − 0,75


aí. = = = 300,71Ω
;á, 0,325 + 0,025

iii. Reatância Indutiva Máxima, cd_á`:

D=á, = faá, g − <í.g = f355,83g − 14,66g = 355,53Ω

iv. Reatância Indutiva Mínima, cd_íb:

D=í. = faí.g − <á, g = f300,71g − 16,74g = 300,24Ω

v. Indutância Máxima, d_á`:

D=á, D=á, 355,53


=á, = = = = 0,943h
2 377,0
25

vi. Indutância Mínima, d_íb:

D=í. D=í. 300,24


=í. = = = = 0,796h
2 377,0

vii. Indutância Média (média geométrica), d`:

=, = √=á, − =í. = f0,943 ∗ 0,796 = 0,866h

viii. Tolerância, ∆d:

=á, − =í. 0,943 − 0,796


∆= = = = 0,074h
2 2

2.1.5 DADOS DO EXPERIMENTO

TESTE CC X ± ∆X  ; ± ∆; > < ± ∆< i


MONTAGEM A
MONTANTE 6,0 ± 0,15 j, 365 ± 0,015 16,5 ± 1,1
MONTAGEM A
JUSANTE 5,8 ± 0,15 j, 37 ± 0,015 15,7 ± 1,045
Tabela 1 Teste CC: montagem a montante e a jusante.

TESTE CA X ± ∆X  ; ± ∆; > = ± ∆= h


MONTAGEM A
MONTANTE 127,0 ± 0,75 j, 39 ± 0,025 0,864 ± 0,061
MONTAGEM A
JUSANTE 106,0 ± 0,75 j, 325 ± 0,025 0,866 ± 0,074
Tabela 2 Teste CA: montagens a montante e a jusante.

2.1.6 DISCUSSÃO DE QUESTÕES RELACIONADAS AO EXPERIMENTO 01:


INDUTOR LINEAR

2.1.6.1 QUESTÃO 01

Faça um estudo do erro cometido nas montagens a montante e a jusante e defina qual a
montagem é a mais adequada de acordo com a resistência medida.
26

Solução:

A montagem a montante é mais indicada para medidas de resistências altas, pois nela
o voltímetro se localiza mais próximo da fonte, e o amperímetro da carga. Como o
amperímetro fica mais próximo à carga, a sua resistência interna é somada á resistência da
carga, que percorrida por uma corrente sofre uma queda de tensão. Portanto, o voltímetro
passa a medir as duas tensões, a da carga e a do amperímetro. Nesse caso, o amperímetro
não sofre alteração, dessa forma a montagem montante é indicada para medir corrente.
A montagem a jusante é mais indicada para medidas de resistências baixas, nesse tipo
de montagem, o voltímetro fica mais próximo da carga. Como o voltímetro encontra-se em
paralelo com carga, e o amperímetro vem antes dele, a resistência interna do voltímetro em
equivalência com a da carga faz que se tenha uma diminuição da resistência, assim a
corrente tende a aumentar. Nesse caso, a montagem a jusante é mais indicada para medição
de tensão.

2.1.6.2 QUESTÃO 02

Explique os efeitos na resistência elétrica devido ao efeito peculiar ou efeito skin.

Solução:

Quando uma corrente alternada flui em um fio condutor homogêneo, de seção


transversal não negligenciável, ela não se distribui uniformemente nesta seção, a distribuição
depende da frequência, do campo elétrico, da condutividade elétrica, das dimensões e da
forma geométrica do condutor. No caso de um condutor de seção transversal circular a
densidade de corrente varia ao longo do raio, sendo máxima na superfície mínima sobre o
eixo. O efeito pelicular ou efeito skin é a concentração de corrente próxima à superfície de
um condutor. Em corrente alternada o efeito pelicular impõe algumas desvantagens: A
resistência elétrica efetiva do condutor aumenta em relação à resistência medida em corrente
constante. Assim, quando uma corrente elétrica alternada percorre um condutor, haverá uma
perda de calor maior se a corrente que o ultrapassa fosse contínua. (ROBERT, 2000).

pelicular depende do campo elétrico kl, da sua frequência angular , e da condutividade σ do


Dessa forma, a reatância indutiva interna do condutor é modificada. O efeito

condutor. O efeito peculiar é vantajoso em frequências de micro-ondas, que torna possível o


transporte e armazenamento de energia eletromagnética em guias de onda e cavidade
ressonantes sem perda por radiação.

montagem a jusante, sendo que na montagem a montante \< = 1,1 e na montagem a jusante
Analisando a Tabela 1 é visto que o erro menor na medição da resistência ocorre na

\< = 1,045. Portanto, a montagem a jusante é a mais apropriada para medidas de


resistências baixas.

2.1.6.3 QUESTÃO 03

Explique os efeitos da temperatura na resistência elétrica.


27

Solução:

Dada uma densidade de corrente ml em um condutor dependente do campo elétrico kl e


Resistividade

das propriedades do material, mlé praticamente diretamente proporcional a kl, para certos
materiais em uma dada temperatura, e a razão entre os módulos E e J é constante. Essa
relação é conhecida como Lei de Ohm. A razão entre o módulo do campo elétrico e o módulo
da densidade de corrente é definida como resistividade, ρ. O inverso da resistividade é a
condutividade. A condutividade elétrica é análoga à condutividade térmica, ou seja, um bom
condutor de eletricidade é um bom condutor de calor. Um material que obedece
razoavelmente à lei de Ohm é um condutor linear ou condutor ôhmico. Para este tipo de
material, a uma dada temperatura, ρ é uma constante que não depende de E.
A resistividade de um condutor metálico quase sempre cresce com o aumento da
temperatura. Para um intervalo de temperatura pequeno,a resistividade de um material pode
ser representada pela equação

n = n o1 + p −  q

em que n é a resistividade para uma temperatura de referência   n é a resistividade


para uma temperatura . O fator p é o coeficiente de temperatura da resistividade. Quando a
resistividade de um material diminui quando a temperatura aumenta, o coeficiente de
temperatura da resistividade desse material é negativo.
Os materiais que apresentam supercondutividade são aqueles em que à medida que a
temperatura diminui, a resistividade cai no início, mas para certa temperatura crítica Tc,
ocorre uma transição de fase, e a resistividade diminui bruscamente.

Resistência

relacionada à resistividade n do material do condutor, assim essa relação é representada


Conforme a segunda lei de Ohm, a resistência R de um dado condutor está

como

n=
<=
>

onde L é o comprimento do condutor e A é a área da seção do condutor. A resistência


elétrica do condutor é diretamente proporcional à resistividade do material do condutor.
Como a resistividade de um material varia com a temperatura, a resistência de um condutor
específico também varia com a temperatura. Para intervalos de temperatura não muito
elevados, essa variação é dada por

< = < o1 + p −  q.


28

2.1.6.4 QUESTÃO 04

Numa experiência, a medida das correntes (I1 e I2), repetida 5 vezes forneceu a Tabela 3.
As correntes I1 e I2 chegam a um nó de onde sai a corrente I3.

br sr ∆sr t bu su ∆su t bv sv = sr + su ∆sv t


1 2,21 -0,03 1 1,35 0,01 1 3,56 0,02
2 2,26 0,02 2 1,36 0,02 2 3,62 0,04
3 2,24 0,00 3 1,32 -0,02 3 3,56 -0,02
4 2,22 -0,02 4 1,30 -0,04 4 3,52 -0,06
5 2,27 0,03 5 1,37 0,03 5 3,64 0,06
br = w x ∆sry x|∆sry | bu = w x ∆suy x|∆suy | bv = w x ∆sry x|∆svy |
Tabela 3 Leituras de corrente.

a) Calcular o valor médio das correntes I1, I2 e I3.

∑ ∆;8} 2,21 + 2,26 + 2,24 + 2,22 + 2,27


Solução:
;8{ = = = 2,24>
.8 5

∑ ∆;g} 1,35 + 1,36 + 1,32 + 1,30 + 1,37


;g{ = = = 1,34>
.g 5

∑ ∆;~} 3,56 + 3,62 + 3,56 + 3,52 + 3,64


;~{ = = = 3,58>
.~ 5

b) Calcular o desvio médio.

Solução:

∑|∆sry | 0,03 + 0,02 + 0,00 + 0,02 + 0,03


8{ = = = 0,02>
.8 5

∑|∆suy | 0,01 + 0,02 + 0,02 + 0,04 + 0,03


g{ = = = 0,024>
.g 5

∑|∆svy | 0,02 + 0,04 + 0,02 + 0,06 + 0,06


~{ = = = 0,04>
.~ 5

c) Escrever o resultado final do experimento.

;8 = 2,24 ± 0,02 >


Solução:

;g = 1,34 ± 0,02 >

;~ = 3,58 ± 0,04 >


29

2.1.6.5 QUESTÃO 05

Pesquise sobre como se propaga o erro na soma, subtração, multiplicação, divisão e


potenciação.

Solução:

> = # ± ∆# ;  = P ± ∆P,
Considerando:

A propagação do erro se dá:

a) Soma:

> +  = # + P ± ∆# + ∆P

b) Subtração:

> +  = # − P ± ∆# + ∆P

c) Multiplicação:

> ∗  = # ∗ P ± # ∗ ∆P + P ∗ ∆#

d) Divisão:

> # # ∆# ∆P
= ± ‚ + ƒ
 P P # P

e) Potenciação:

∆#†
> = # ± ….
„ „
… , 3#%# . ∈ <.
#

2.1.6.6 QUESTÃO 06

Determinar a potência através das medidas de tensão ˆ‰ = ru, rv ± Š, Šv‹ e de


corrente s‰ = Œ, vw ± Š, Šwt.

Solução:

Utilizando a propagação do erro na multiplicação, tem-se que:

 ± ∆Ž = X ∗ ; ± X ∗ ∆; + ; ∗ ∆X

 ± ∆Ž = 12,13 ∗ 9,35 ± 12,13 ∗ 0,05 + 9,35 ∗ 0,03 = 113,42 ± 0,89 .
30

2.2 EXPERIMENTO 1.1: LÂMPADA INCANDESCENTE

2.2.1 OBJETIVOS

i. Verificar a característica não linear de uma lâmpada incandescente 150W /


220V;
ii. Determinar a propagação do erro cometido na medida de potência consumida.

2.2.2 DIAGRAMA DE MONTAGEM

No Experimento 1.1 foi realizada uma montagem a jusante, constituindo um circuito


com uma fonte CA ajustável (0 – 208V).

Figura 10 Diagrama esquemático de montagem do Experimento 1.1: Lâmpada Incandescente – Resistor não
Linear.

2.2.3 COMPONENTES DO EXPERIMENTO 1.1: LÂMPADA INCANDESCENTE

i. Transformador;

ii. Wattímetro Analógico (AC);


a. Calibre Corrente, 'UGJ : 0,5 e 1,0;
b. Calibre Tensão, 'KGJ : 48V, 120V e 240V;
c. Fundo de Escala, "GJ : 120V.

iii. Fonte ajustável CA:


a. 0 – 208V / 5A;

iv. Amperímetro Analógico CA:


a. Calibre, 'HGJ : 1,0A;
31

b. Fundo de Escala, "HGJ : 100 divisões;


c. Classe de Exatidão, IHGJ : 2,5.

v. Voltímetro Analógico CA:


a. Calibre, 'KGJ : 150V e 300V;
b. Fundo de Escala, "KGJ : 150 divisões;
c. Classe de Exatidão, IKGJ : 0,5.

vi. Lâmpada Incandescente:


a. Potência Nominal: 120W;
b. Tensão nominal: 120V;

2.2.4 CÁLCULOS DOS EXPERIMENTOS

i. Cálculo dos Erros dos Instrumentos

'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P%
∆ =
100

a. Amperímetro AC:

'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P% IHGJ ∗ 'HGJ 2,5 ∗ 1,0
∆;QJ = = = = ±0,025>
100 100 100

b. Voltímetro CA:

'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P% IKGJ ∗ 'KGJ 0,5 ∗ 150
∆QJ = = = = ±0,75
100 100 100
'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P% IKGJ ∗ 'KGJ 0,5 ∗ 300
∆QJ = = = = ±1,50
100 100 100

c. Wattímetro CA:

'1#))  M,#
(ã$ ∗ '#1(P% ; ∗ '#1(P% X IGJ ∗ 'UGJ ∗ '‘GJ
∆QJ = =
100 100
32

0,5 ∗ 0,5 ∗ 48,0


∆QJ8 = = ±0,12
100
0,5 ∗ 0,5 ∗ 120,0
∆QJg = = ±0,30
100
0,5 ∗ 1,0 ∗ 240,0
∆QJ~ = = ±1,20
100

ii. Cálculo dos Erros das Potências (ˆ ∗ s ± ∆’Ž “

∆Ž = X ∗ ∆; + ; ∗ ∆X

∆Ž8 = X8 ∗ ∆;8 + ;8 ∗ ∆X8  = 40 ∗ 0,025 + 0,26 ∗ 0,75 = 1,20

∆Ž g = Xg ∗ ∆;g + ;g ∗ ∆Xg  = 80 ∗ 0,025 + 0,37 ∗ 0,75 = 2,28

∆Ž ~ = X~ ∗ ∆;~ + ;~ ∗ ∆X~  = 120 ∗ 0,025 + 0,47 ∗ 0,75 = 3,28

∆Ž ” = X” ∗ ∆;” + ;” ∗ ∆X”  = 150 ∗ 0,025 + 0,535 ∗ 0,75 = 4,15

∆Ž • = X• ∗ ∆;• + ;• ∗ ∆X•  = 180 ∗ 0,025 + 0,58 ∗ 1,5 = 5,37

∆Ž – = X– ∗ ∆;– + ;– ∗ ∆X–  = 200 ∗ 0,025 + 0,62 ∗ 1,5 = 5,93

∆Ž — = X— ∗ ∆;— + ;— ∗ ∆X—  = 220 ∗ 0,025 + 0,65 ∗ 1,5 = 6,48

iii. Cálculo do Erro das Resistências (˜ ± ∆˜ ™)

X ∆X ∆;
∆< = ‚ + ƒ
; X ;

X8 ∆X8 ∆;8 40 0,75 0,025


∆<8 = ‚ + ƒ= ‚ + ƒ = 17,69Ω
;8 X8 ;8 0,26 40 0,26

Xg ∆Xg ∆;g 80 0,75 0,025


∆<g = ‚ + ƒ= ‚ + ƒ = 16.65Ω
;g Xg ;g 0,37 80 0,37

X~ ∆X~ ∆;~ 120 0,75 0,025


∆<~ = ‚ + ƒ= ‚ + ƒ = 15,06Ω
;~ X~ ;~ 0,47 120 0,47
33

X” ∆X” ∆;” 150 0,75 0,025


∆<” = ‚ + ƒ= ‚ + ƒ = 14,58Ω
;” X” ;” 0,535 150 0,535

X• ∆X• ∆;• 180 1,5 0,025


∆<• = ‚ + ƒ= ‚ + ƒ = 15,83Ω
;• X• ;• 0,58 180 0,58

X– ∆X– ∆;– 200 1,5 0,025


∆<– = ‚ + ƒ= ‚ + ƒ = 15,48Ω
;– X– ;– 0,62 200 0,62

X— ∆X— ∆;— 220 1,5 0,025


∆<— = ‚ + ƒ= ‚ + ƒ = 15,23Ω
;— X— ;— 0,65 220 0,65

2.2.5 DADOS DO EXPERIMENTO 1.1: LÂMPADA INCANDESCENTE

X ± ∆X ; ± ∆;  ± ∆ X ∗ ; ± ∆Ž < ± ∆<


    i
EXP. 1.1

40 ± 0,75 0,26 ± 0,025 11,0 ± 0,12 10,4 ± 1,20 153,85 ± 17,69


MEDIDA
01
80 ± 0,75 0,37 ± 0,025 31,0 ± 0,30 29,6 ± 2,28 216,22 ± 16,65
MEDIDA
02
120 ± 0,75 0,47 ± 0,025 59,5 ± 1,20 56,4 ± 3,28 255,32 ± 15,06
MEDIDA
03
150 ± 0,75 0,535 ± 0,025 84,0 ± 1,20 80,3 ± 4,15 280,37 ± 14,58
MEDIDA
04
180 ± 1,5 0,58 ± 0,025 118,0 ± 1,20 104,4 ± 5,37 310,34 ± 15,83
MEDIDA
05
200 ± 1,5 0,62 ± 0,025 130,0 ± 1,20 124,0 ± 5,93 322,58 ± 15,48
MEDIDA
06
220 ± 1,5 0,65 ± 0,025 150,0 ± 1,20 143,0 ± 6,48 338,46 ± 15,23
MEDIDA
07
Tabela 4 Leitura da característica estacionária da lâmpada incandescente.

2.2.6 DISCUSSÃO DE QUESTÕES RELACIONADAS AO EXPERIMENTO 1.1:


LÂMPADA INCANDESCENTE

2.2.6.1 QUESTÃO 01

Organize os dados em um script no MATLAB e mostre graficamente (P(U)) a evolução


dos valores medidos de potência consumida e dos respectivos erros cometidos nos dois
métodos (com voltímetro, amperímetro e wattímetro). Faça comentários sobre a exatidão
dos dois processos de medição da potência.
34

Solução:

Figura 11 Curva de potência medida pelo wattímetro.

Figura 12 Curva de potência calculada conforme as medidas do voltímetro e amperímetro.


Analisando as Figuras 11 e 12 e comparando-as, observa-se que na medição de
potência direta com o wattímetro, o erro envolvido é bem menor do que na medição de tensão
e corrente, utilizando o voltímetro e o amperímetro, respectivamente, e assim calculando a
potência, o produto entre as duas grandezas. Logo, quando se deseja medir potência elétrica,
é preferível medi-la com o instrumento destinado a isso, o wattímetro.
35

2.2.6.2 QUESTÃO 02

Para uma resistência puramente ôhmica a característica seria linear e a potência


’ = ˆ ∗ s seria uma função quadrática de U. Mas a característica de uma resistência
térmica não é linear. Estude de perto a característica U(I), U(R/400) da resistência
térmica da lâmpada através de um único gráfico.

Solução:

Figura 13 Gráfico característico da lâmpada incandescente com um comportamento não ôhmico.

No gráfico da Figura 13 é mostrado o comportamento da lâmpada incandescente


como um resistor não linear. Observa-se que até cerca de 40V, a resistência da lâmpada se
comporta linearmente. Após essa tensão a inclinação da reta tangente já se altera.

2.2.6.3 QUESTÃO 03

Utilize a função polyfit (que determina os coeficientes do polinômio que melhor se


aproxima dos pontos da curva), polyval (que calcula para os pontos desejados os valores
do polinômio que melhor se aproxima com polyfit) e linspace (que cria um novo espaço
para o eixo x, e.g. ˆb = š›b‰œžŸŠ, u Š, rŠŠ). Além disso, por extrapolação, estime o
valor da corrente e potência para a tensão 240V. Mostre a evolução dos dados coletados
de corrente e potência e as respectivas curvas obtidas por interpolação polinomial.
Solução
36

Figura 14 Evolução dos dados da corrente e a curva obtida por interpolação.

Na Figura 14 é mostrada a evolução da corrente e a sua curva de interpolação que


mais se aproxima do seu comportamento experimental. Para essa curva de interpolação foi
utilizado um polinômio de grau três.

Figura 15 Evolução dos dados da corrente e a curva obtida por interpolação.

A evolução da potência e sua curva de interpolação são mostradas na Figura 15. A


curva de interpolação para a função potência apresenta grau três.
37

Figura 16 Por extrapolação, estimativa da corrente para U = 240V .

Com a coordenada do dado mostrada na Figura 16, tem-se uma estimativa de que
para U=240V, a corrente correspondente é de 0,6504A.

Figura 17 Por extrapolação, estimativa da potência para U=240V.

Na Figura 17 é observado que para a tensão de 240V, a potência equivalente é de


156,2W.
38

2.2.6.4 QUESTÃO 04

Sabe-se que a característica estacionária de uma lâmpada incandescente 100W é dada


por

ˆ‹ 0 5 10 20 40 50 60 70 80 100 120


s_t 0 200 260 350 460 530 580 630 670 700 840
Tabela 5 Característica estacionária da lâmpada incandescente

Faça o gráfico U x I. A partir destes dados, construa um modelo, com elementos


lineares, para representar uma lâmpada de 60W, no intervalo de mais ou menos 10V em
torno de 60V.

Solução

Figura 18 Gráfico da tensão versus corrente de uma lâmpada incandescente de 100W com um comportamento
não linear.

Modelagem de uma lâmpada de 60W linear a partir dos dados anteriores. A nova
corrente I’ para a lâmpada de 60W é determinada como:

,
; Ž = ;, ,
100

Para P(x) igual a 60W, e I variando conforme os dados da Tabela 5, temos que:

0 120 156 210 276 318 348 378 402 420 504
ˆ‹
I’ (mA)
0 5 10 20 40 50 60 70 80 100 120
s_t 0 200 260 350 460 530 580 630 670 700 840
Tabela 6 Característica estacionária da lâmpada incandescente de 60W.
39

Figura 19 Gráfico da tensão versus corrente de uma lâmpada incandescente de 60W linear na região entre 50 e
70V.

Na Figura 19 é mostraddo o modelamento de uma lâmpada de 60W com caráter


linear em uma determinada região, entre 50 e 70V.
40

3 CONCLUSÃO

Após os ensaios realizados em laboratório pode-se observar e confirmar características


do indutor linear e da lâmpada incandescente, resistor não linear.
Os parâmetros do indutor linear foram determinados e analisados, foi mostrado nos
resultados experimentais que os erros cometidos no processo de medida são capazes de alterar
significantemente os limites do componente. Para a minimização dos erros, a montagem
adequada do circuito permite uma diminuição dos erros, sendo que a medida indireta da
resistência, que pode acontecer por meio de dois tipos de montagens : a montante e a jusante,
pode ser feita pela montagem a montante para resistências elevadas e pela montagem a
jusante para resistências baixas.
O processo de medição, seja tensão, corrente ou potência, exige atenção para com que
não se tenha erros intoleráveis, assim saber adequar, parametrizar os instrumentos de medição
leva a conhecer suas características, como fundo de escala, calibres, classe de exatidão entre
outros fatores. Os testes CC e CA torna possível o comparativo entre os resultados dos
experimentos.
A lâmpada incandescente é o dispositivo que se comporta como um resistor não linear,
ou seja, ela tem caráter não ôhmico porque ela não obedece à lei de Ohm. Seu princípio de
funcionamento é baseado no Efeito Joule.
A corrente alternada que percorre um condutor é capaz de gerar o efeito peculiar ou
efeito skin, provocando ao condutor uma reatância indutiva causando uma maior perda joulica
no condutor.
Em suma, os ensaios realizados em laboratórios ensinam ao aluno métodos e outros
recursos que lhe conferem habilidades técnicas e teóricas, construindo um profissional capaz
de diminuir os erros envolvidos no sistema.
41

4 BIBLIOGRÁFICA

YOUNG, Hugh D.; FREEDMAN, Roger A. Física III eletromagnetismo. 12. ed. São Paulo:
Pearson Education do Brasil, 2008. 423p.

NILSSON, James W.; RIEDEL, Susan A. Circuitos elétricos. 8. ed. São Paulo: Pearson
Education do Brasil, 2009. 575 p.

ALEXANDER, Charles K.; SADIKU, Mathew N. O. Fundamentos de Circuitos elétricos.


5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. 874 p.

ROBERT, Renê; Efeito Peculiar (On the Skin Effect). Curitiba: Revista Brasileira de
Ensino de Física, vol. 22, no. 2, 2000.

NBR 10719 – Apresentação de relatórios técnico-científicos. Rio de Janeiro: ABNT, 1989.


9 p.

NBR 6028 – Informação e documentação – Resumo - Apresentação. Rio de Janeiro:


ABNT, 2003. 2 p.