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BRUSCIA, K. Definindo Musicoterapia. Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.

CAPÍTULO DEZESSETE

DEFININDO AS ÁREAS
E NÍVEIS DA PRÁTICA

A musicoterapiaé incrivelmente diversa. Ela é atualmente utilizada em


muitos e diferentes settings clínicos, para tratar uma grande variedade de
problemas de saúde, de um sem número de tipos de clientela. Seus objetiv~s
e métodos variam de um setting e cliente aoutro. e de um musicoterapeuta
_'_' ~'. . - -'o _ ~. '-..

a ou~,dependendo da ~ntação ~óric~ do terapeuta e de suaformaç~.


Essa diversidade apresenta importantes implicações para a definição de mu-
sicoterapia porque, por natureza, uma ~finição tem que abranger as muitas
variações
- .. da prática encontradas
~ no interior
~ ,-"----_c. de suas fronteiras
-- ao mesmo
tempo em 9ueestabelece limit~s para idel!tificar aguelasva~ções que
extrapolam essas.fronteir~. Uma forma de fazer isso é organizar e classifi-_
c~r as várias práticas de.-acordo Cº--l11suas similaridades e diferenças, e ao
faze-Io,estabeleç_~r critério~l!.-ll.mcompará-las e gelimitá-Ias. Com esse in-
tuito, foi feito um levantamento na literatura clínica das várias práticas da
musicoterapia que foram definidas e diferenciadas. O presente capítulo é
resultado desse levantamento. Seu propósito é apresentar uma visão pano-
râmica das várias áreas e níveis de prática identificados e por conseguinte
fornecer um contexto .para a compreensão das definições apresentadas no
próximo capítulo.

ÁREAS DA PRÁTICA

Uma área da prática é definida pelo fQfQclínico primário ou pelo que


está no primeiro plano das preocupações do cliente, doterapeuta eda insti-
tuição clínica. Os aspectos abaixo são de particular relevância:
.-.~.,~<.,~~--- -

• A prioridade das preocupações de saúde do cliente. Quando o cl ien~


te entra em uma instituição ou programa, o faz em função de um
164 DEFININDO MUSICOTERAPIA

• Homeopático: As mudanças na terapia re-criam a condição de saú-


de por meio de estimulação dos processos naturais de cura do clien-
te para que operem de modo mais eficiente .
• Apoio: As mudanças na terapia dão ao cliente um sistema de apoio
e de insight necessários para lutar contra ou conviver com uma con-
dição de saúde.
• Habilitação: As mudanças na terapia ajudam o cliente a ganhar ou
compensar capacidades que deveriam estar se desenvolvendo, po-
rém não estão, em função de uma condição de saúde.
• Reabilitação: As mudanças na terapia ajudam o cliente a readquirir
ou compensar capacidades que foram perdidas como resultado de
uma condição de saúde.
• Paliativo: 'As mudanças na terapia melhoram a qualidade de vida
do cliente que enfrenta ou padece de uma condição de saúde.

MUDANÇA INDUZIDA PELA TERAPIA

Uma vez tendo sido determinado que a mudança· do cliente melhora


sua condição de saúde, a próxima questão é se ela pode ser atribuída ao pro-
cesso terapêutico. Isso é sempre difícil de ser determinado porque aterapia
ocorre aO'mesmo tempo em que toda experiência de vida do cliente também
está ocorrendo, o que pode incluir outras formas de terapia, assim como ou-
tros eventos ou mudanças de vida importantes. Quatro condições sã.oirilpor-
tantes paraeonduir que a terapia induziu as mudança.s na condição de saúde
do cliente. Primeira, as mudanças exigiram algum tipo de ajuda. Fundamen-
talmente, isso significa que qualquer mudança que o cliente é capaz de fazer
por si mesmo, sem ajuda, ou que é resultado do cresCimento ou amadureci-
mento normais, ou re$ultado de cura espontânea, não pode ser considerada
como tendo sido induzida pela terapia. Segunda, a ajuda necessária só pode-
ria ser dada por um terapeuta qualificado e no contexto de uma relação clien-
te-terapeuta. Portanto, o cliente não precisa de qualquer tipo de ajuda ou de
qualquer pessoa, mas precisa da ajuda específica de um terapeuta. Terceira, a
ajuda dada é uma intervenção de natureza terapêutica. O terapeuta a.ge sobre
o cliente de modo específico para mitigar aquelas forças da vida do cliente
responsáveis pela saúde. E finalmente, as mudanças feitas pelo cliente podem
ser atribuídas às intervenções específicas feitas pelo terapeuta.
166 DEFININDO MUSICOTERAPIA

problema de saúde em particular. Quando o cliente procura os ser-


viços de musicoterapia, é sempre com um objetivo específico, e
quando os profissionais encaminham clientes para a musicoterapia,
geralmente é para se alcançar algo específico. Todas as motivações
para a procura de ajuda delineiam o foco clínico ou o primeiro pla-
no da terapia e, é em função disso, que geralmente se estabelece um
contrato, se determinam os tipos de serviços a serem utilizados e se
indicam as condições sob as quais a terapia deve terminar.
• A prioridade de saúde para a instituição que atende o cliente. A
maioria das instituições clínicas atende a uma clientela específica
ou a um problema de saúde específico, e defme sua missão de acor-
do com essa especificidade. Portanto, quando um programa de Q!u-
sicoterapia é um serviço oferecido por uma institui ão ele' á tem
um oco de saúde específico. O foco da musicoterapia em uma clí~c_c_

nicapara idosos é diferente daquele de uma escola ou de um hOSPi!


tal psiquiátrico .
•0 objetivo do musicoterapeuta. Além das razões do próprio clien-
te para fazer musicoterapia e da missão da instituição que atende
o cliente, cada musicoterapeuta concebe os objetivos da terapia
de forma diferente, geralmente de acordo com sua orientação teó-
rica e metodológica. Os terapeutas que utilizam os métodos de
improvisação com orientação psicodinâmica têm focos clínicos
diferentes daqueles que utilizam métodos receptivos com orienta-
ção comportamental.
• A~----
natureza da ---- ~~.-
relação cliente-terapeuta. Os papéis do cliente e do
--- -_.-

terapeuta, a forma como são designados e a natureza de sua relação


refletem um foco clínico. Em uma escola, provavelmente cliente e
terapeuta serão chamados de estudantes e professor; em um hospi-
tal provavel.rnente serão paciente e terapeuta. Esses nomes impli-'
cam certos papéis e responsabilidades, e com eles, certos parâmetros
para a relação. Um terapeuta em um hospital pode abordar certos
aspectos da vida do cliente que um professor não poderia se arriscar
a abordar em uma escola.

Com base nesses critérios, seis principais áreas da musicoterapia fo-


ram identificadas: didática, médica, cura, psicoterapêutica, recreativa e eco-
lógica. Uma visão breve de cada uma será apresentada neste capítulo e, nos
CAPÍTULO 17 - DEFININDO AS ÁREAS E NÍVEIS DA PRÁTICA 167

capítulos subseqüentes, as práticas específicas de cada área serão descritas


em detalhe.

Didática

As práticas didáticas são aquelas cujo foco é--.--- ~_._-----


ajudar os clientes a ad-
-~---- .- .- -------
CI!!iriremos conhecimentos, c_omportamentos e .--
habilidades ---------
.. necessários para
uma vida funcional e independente e para a adaptação social Em todas
eSSãspclíicas, alê!!~~_alorma de~prendi~~m.~stá no JJrimeiro plano do
pfcocesso tt:~êuti~o. Isso inclui todas as aplicações da musicoterapia em
salas de aulas e em ateliês particulares assim como outros settings (hospi-
tais gerais ou psiquiátricos, asilos para idosos) em que os principais objeti-
vos do programa são de natureza essencialmente educacionais.
As práticas desta área variam de acordo com a área de aprendizado
enfatizada (por exemplo, musical ou não-musical), com o valor terapêutico
do aprendizado, com a extensão com que os objetivos e métodos possam ser
individualizados para atingir as necessidades e problemas específicos do
cliente e com a natureza da relação c1iente-terapeuta.
Há cinco orientações de aprendizagem utilizadas nesta área da práti-
ca, que variam de acordo com a ênfase nos aspectos musicais ou não-musi-
cais. São elas:

• desenvolver conhecimentos e habilidades musicais por si próprias,


como parte integrante da vida funcional e da adaptação social;
• desenvolver conhecimentos e habilidades musicais que envolvem
ou se generalizam para áreas não-musicais de funcionamento;
• utilizara música e atividades correlatas como um apoio ao aprendi-
zado não-musical;
• utilizar o aprendizado musical como contexto para a terapia;
• utilizar as experiências de musicoterapia para formar, treinar e su-
pervisionar estudantes e profissionais.

Médica

A área médica inclui todas as aplicações da música ou da musicotera-


pia.em que o~coprimário é a.htdar o cliente a melhorar. recunerllr ~-
ter a saúdefisica. Isso inclui todas as abordagens que enfocam os distúrbios
~
..
168 DEFININDO MUSICOTERAPIA

biomédicos como principal alvo de mudança, assim como aquelas que tam-
bém operam sobre fatores psicológicos e ecológicos que influenciam a en-
fermidade e o bem-estar. O settings típicos são hospitais, clínicas, centros
de reabilitação, hospícios e asilos para idosos.
As práticas desta área variam de acordo com as funções dadas à mú-
sica e à relação cliente-terapeuta, com a importância dos objetivos médicos,
com a duração do tratamento e com o setting clínico.

Cura

~- ------- --~---- --
A área de cUra inclui todas as utilizações das proprieda.des universais
---
~I? e da música com o propósitoderestaurarahaffiiO~a
do indivíduo e entr;omdiVíclii()uê o universo. Umanoçãocenfral é que a
música é uma manifestaçãovibratória da ordem, do equilíbrio e daharmo-
nia inerentes ao universo, e em função disso, a música pode ser utilizada
para restaurar tais qualidades de qualquer parte do universo que esteja
desordenada, desequilibrada ou desarmoniosa por causa de distúrbios ou
doenças.
Em funçãodeuseu apoio nas formas de energia vibratória, todas as
práticas de cura centram~se no que Wilber (1995) chama de relações do
"exterior coletivo" entre o indivíduo e o universo. As relações exteriores
são essencialmente de natureza física e comportamental, no entanto, a pre-
missa básica é que na medida em que o corpo entra em harmonia, a psique e
o espírito o acompanham, já que os três são formasinterrelacionadas em
termos de energia. Portanto, o foco inicial no exterior coletivo pode se es-
tender ao interior das relações internas ao indivíduO ou entre o ~ndivídllo e
outros estratos sócio-culturais; entretanto, o que distingue as práticas de
cura das ecológicas é que a cura cOl!leça no exterior coletivo e se movepajg
aspectos mais in~s, enquanto que as práticas ecológicas começam no
interior coletivo e se movem para domínios mais exteriores.
A cura se distingue da terapia.por um aspecto fundamental: na tera-
pia, o agente de mudança é o cliente, o terapeuta ou a música que fazem ou
ouvem juntos; na cura, o agente de mudança são as ~
versal encontrªº,ªs na música e em se~mponentes sonoro~~.
Asp~ãticas desta área varia~~m: as fu;ções dadas ao
cliente, à música e ao terapeuta; a extensão com que a música é envolvida
na prática (em contraste com o som e as vibrações), se as práticas enfocam
CAPÍTULO 17 - DEFININDO AS ÁREAS E NÍVEIS DA PRÁTICA 169

apenas uma área da saúde (o corpo, por exemplo) em detrimento das relções
sinérgicas entre as várias áreas da saúde; e se o alvo é o indivíduo ou um
ambiente ou contexto.

Rsicotera.pêutica

A área psicoterapêutica inclui todas as aplicações da música ou da


musicoterapiacujo foco primá!i9 é aiudar-9s clientes a encontrarem signift
~ Is~o_inclui todas as abordagens grupais ou individuais
ql!e eIlfocam ~ emoções doiliâwidtiO, a-aUto§l~ações
e ~sEiri!!I~lidade como-princip!lis arv~ mugªnça,~m-comº- aqtielas
qu~ abor~~mjdicos_~ didático~ª(;!Q!l.~ f':'<"::l!i questões.
Os settings típicos são: hospitais psiquiátricos, centros de aconselhamento
e a prática privada.
As práticas nesta área variam de acordo com a extensão e a profundi-
dade do tratamento, o papel da música, e a orientação teórica do terapeuta
(por exemplo, psicodinâmica, comportamental etc.).

Recreativa

A área recreativa inclui todas as aplicações da música ou da musico-


terapia em que o f~imário é o prazer pessoal._"LdiY~
mento ematividad~ª-s9ciais e culll1r~i§Jsso inclui programas individuais,
comiinitárioseinstitucionaisque buscam ajudar os indivíduos ase engajarem
em atividades sociais ede lazerque irão melhorar a qualidade de vida.
As práticas desta área variam de acordo com o grau de relevância que
uma determinada atividade tem com relação às necessidades de saúde do
cliente (por exemplo, uma atividade artística, um passatempo pessoal, um
contato social, participação na comunidade), assim como com a duração e
continuidade do tratamento.

Ecológica

A área ecológica inclui todas as aplicações da música e da musicote-


rapia em que o foco primário é a promoção da saúde,·~
vários
- .. -
estratos sócio-culturais da comum
. ---- -------.
-.-------- a e e seu ambiente físico. Isso
inclui todos os trabalhos que enfocam a família, õlocaJ detrabalho, a comu:
170 DEFININDO MUSICOTERAPIA

nidade, a sociedade, a cultura ou as atitudes de qualquer grupo em termos


do ambiente físico, seja em função de risco à saúde da própria unidade eco-
lógica, e portanto necessitando intervenção, seja porque a unidade causa ou
contribui de alguma forma para os problemas de saúde de seus membros.
Também estão incluídos quaisquer esforços para formar, construir ou man-
ter as comunidades através da musicoterapia.
Todas as práticas ecológicas centram-se nas relações do "interior"
entre o indivíduo e os diversos contextos coletivos em que vive (ver Wilber,
1995). As relações do domínio interior estão baseadas em idéias, atitudes,
valores, sentimentos, comportamentos, significados enas tradições dos·in-
divíduos nos diferentes estratos da comunidade e, em última instância, na
relação de toda a comunidade com a espécie humana como um todo. É claro
que esses aspectos do "interior" podem afetaras relações "exteriores"entre
grupos de pessoas e seus ambientes físicos. No entanto, o que define a área
ecológica é que o foco de mudança é primeira e principalmente de natureza
interior. Isso contrasta com as práticas de cura, que enfocam primeiramente
o exterior ou as relações físicas entre o indivíduo e o universo, e secundaria-
mente as implicações que elas têm para as questões do interior. Assim, por
exemplo, enquanto as práticas de cura ocupam-se das relações energéticas
entre os indivíduos, os grupos e seu ambiente físico, as práticas ecológicas
ocupam-se das atitudes e valores que os grupos têm com relação ao seu
ambiente físico.
As práticas dessa área variam de acordo com o foco, se está colocado
sobre o cliente ou sobre o ambiente do cliente. Portanto, o objetivo pode ser
melhorar a saúde do próprío ambiente ou alterar aqueles fatores do ambien-
te que concorrem para o problema de saúde do cliente, ao mesmo tempo em
que se ajuda o cliente a lidar com eles. Como as práticas dessa área são
muito diferentes das outras áreas, os critérios para determinar seus níveis
também são diferelltes. A extensão do foco e o grau de mudança resultante
das intervenções são de grande importância.

NÍVEIS DA PRÁTICA

Visão Panorâmica

Cada área abrange práticas clínicas que variam de acordo com o


nível da terapia. Um--==--
nível descreve a extensão, a profundidade e a impor-
CAPÍTULO 17 - DEFININDO AS ÁREAS E NÍVEIS DA PRÁTICA 171

tância da intervenção terapêutica e da mudança almejada através da músi-


ca e da musicoterapia. Mais adiante serão abordados os critérios específi-
cos para a determinação dos níveis da terapia. Antes, é necessário apre-
sentar uma visão dos quatro níveis identificados no levantamento da lite-
ratura. São eles:
Nível Auxiliar: todas as utilizações funcionais da música ou de qual-
quer de seus componentes para fins não-terapêuticos, porém com objetivos
relacionados com a terapia.
Nível Aumentativo: qualquer prática em que a música ou a musicote-
rapia é utilizada para complementar e aumentar os efeitos de outras modali-
dades de tratamento e como elemento de apoio no plano global de tratamen-
to do cliente.
Nível Intensivo: qualquer prática em que a musicoterapia desempe-
nha um papel central e independente para alcançar os objetivos prioritários
do plano de tratamento do cliente, tendo como resultado, a indução de mu-
danças significativas na situação atual do cliente.
Nível Primário: qualquer prática em que a musicoterapia desempe-
nha um papel singular ou indispensável para atingir as principais necessida-
des terapêuticas do cliente, e, como resultado, induz mudanças abrangentes
no cliente e em sua vida.
Outros autores que definiram níveis de prática similares são Wolberg
(1967), Wheeler (1983, 1988) e Maranto (1993). O autor deste também
apresentou outras versões (Bruscia, 1987b, 1989a), inclusive relacionando
esses níveis da prática com o conteúdo da formação e treinamento em nível
de graduação e de pós-graduação (Bruscia, 1989b).

Critérios

Os critérios abaixo fQram utilizados para identificar os quatro níveis


da prática, e, em última instância, para classificar as diferentes práticas em
cada uma das áreas descritas anteriormente.
~ Relevância para as Necessidades de Saúde Primárias. O primeiro
critério utilizado para determinar o nível da terapia é a relevância da prática
para o estado de saúde do cliente ou necessidades terapêuticas primárias. A
prática lida com necessidades de saúde? Os objetivos são dé natureza tera-
pêutica? O foco é periférico, de apoio ou central com relação às necessida-
des primárias de saúde do cliente?
172 DEFININDO MUSlCOTERAPIA

Quando uma prática não se relaciona com os problemas de saúde ou as


necessidades terapêuticas, ela se situa fora das fronteiras da musicoterapia.
Quando os objetivos são periféricos ou de apoio ao programa terapêutico
global do cliente, ou quando visam atingir os problemas de saúde secundários
ou as necessidades terapêuticas menos intensas, é mais provável que seja uma
prática do nível auxiliar ou aumentativo. Quando os objetivos são de relevân-
cia central, ou quando visam atingir problemas de saúde ou necessidades te-
rapêuticas primários, é provável que elas recaiam no nível primário ou inten-
sivo. Portanto,quantomais severos, urgentes ou significativos os problemas
ou necessidades terapêuticas do cliente e quanto maior é a responsabilidade
da musicoterapia em atingi-Ios, mais intensivo será o nível da terapia.
Independência Clínica. Quando a musicoterapia divide aresponsa-
• bilidade dos objetivos primários com outras modalidades, ou quando enfoca
aspectos limitados do plano global de tratamento do cliente, é mais prová-
vel que a prática seja do nível aumentativo. Quando amusicoterapia de-
tém sozinha a responsabilidade ou assume a principal responsabilidade de
áreas-chave do programa, ocupando-se de uma grande gama de problemas
de saúde e necessidades terapêuticas, é mais provável que se trate de um
nível primário ou intensivo.
Os Papéis nas Relações. A musicoterapia sempre envolve umclien-
te, um terapeuta e a música trabalhando em conjunto para induzir mudança,
através de relações específicas. Portanto, quando algum desses três elemen-
tos está ausente ou não desempenha sua função específica, a prática situa-se
fora das fronteiras da musicoterapia. Por exemplo, quando um indivíduo
que está sendo ajudado não é definido como "cliente", ou quando a música
é utilizada isoladamente, sem a ajuda de alguém defmido como "terapeuta",
o trabalho não pode ser considerado como musicoterapia propriamente dita
e será considerado como atividade de nível auxiliar. Quando papéis diver-
sos da relação c1iente-terapeuta (por exemplo, professor-aluno) estão en-
volvidos, ou quando a relaçãocl iente-terapeuta produz mudanças princi-.
palmente de forma indireta, é mais provável que a prática seja do nível
aumentativo. Quando estão presentes todas as funções de cliente e terapeu-
ta requeridas e quando as relações, por si só e de forma direta, produzem
mudança terapêutica - da mesma forma para a função da música - é mais
provável que a prática esteja no nível primário ou intensivô.
Nível da Experiência Musical. O principal fator na determinação das
fronteiras da musicoterapia é a extensão com que a experiência do cliente
CAPÍTULO 17 - DEFININDO AS ÁREAs E NÍVEIS DA PRÁTICA 173

envolve música, como definida no Capítulo 11. Emtermos de níveis da práti-


ca, aquelas práticas que dependem primariamente de experiências pré-musi-
cais, paramusicais ounão-musicais (ver Capítulo 12) são geralmente auxilia-
res da musicoterapia, mas não fazem parte da disciplina propriamente dita. As
práticas que dependem primariamente de experiências musicais e extramusi-
cais, mais provavelmente serão aumentativas, intensivas ou primárias.
Abrangência do Tratamento. A extensão do processo terapêutico ou
a extensão com que o terapeuta e a música podem abordar a maioria, senão
todos, os problemas de saúde do cliente é mais um dos critérios, e se relacio-
na com todos os critérios acima. Um fator importante para determinar essa
extensão é se a música é utilizada como terapia ou na terapia. A questão
aqui éem que medida o musicoterapeuta se adapta para atingir toda a gama
de problemas de saúde ou necessidades que o cliente apresenta. O terapeuta
utiliza somente a música ou ele explora todo o espectro de experiências e
relações que emergem da música? O terapeuta utiliza outras modalidades e
métodos quando indicado? Ou, em outros termos, em que medida é musico-
terapia centrada no cliente e/ou centrada na música?
Quando a música é usada como terapia, o terapeuta enfoca as neces-
sidades específicas do cliente que podem ser melhor abordadas pela música
propriamente dita. Quando a música é usada na terapia, o terapeuta enfoca
todo o espectro de problemas apresentados pelo cliente e escolhe o compo-
nente específico da musicoterapia (por exemplo, a música, o terapeuta, as
relações) que melhor atinja aquelas necessidades que foram consideradas
prioritárias.
Isso não implica que a música na terapia esteja sempre no nível pri-
mário ou intensivo de terapia e que a música como terapia esteja sempre no
nível aumentativo. Embora isso seja comum, o contrário também pode ocor-
rer. Algumasvezes, uma necessidade prioritária pode ser melhor abordada
pela música como terapi~ e algumas vezes ela é melhor abordada pela mú-
sica na terapia. Também aqui, o determinante último é a natureza das neces-
sidades do cliente, e a medida com que a música como ou na terapia pode
alcançá-Ias.
Em termos deniveis, quando o terapeuta se mantém dentro dos limi-
tes estabelecidos pelas fronteiras de sua modalidade e de seu método e aborda
somente algumas das necessidades do cliente (isto é, aquelas que se ajustam
às fronteiras da modalidade e do método), a prática é aumentativa. Quando
o terapeuta permanece dentro da modalidade e do método, mas está apto a
174 DEFININDO MUSlCOTERAPIA

abordar a maioria ou todas as necessidades do cliente, a prática é intensiva


ou primária. De forma análoga, quando o terapeuta ultrapassa a modalida-
de, mas só aborda algumas das necessidades do cliente, a prática é auxiliar
ou aumentativa; e quando o terapeuta utiliza toda a extensão da modalidade
e do método, e os estende para abordar um amplo espectro de problemas
terapêuticos, a prática é intensiva ou primária. Em termos Piagetianos, o
terapeuta aumentativo assimila as necessidades do cliente em sua modali-
dade e em seu método, enquanto que o terapeuta primário ou intensivo aco-
moda sua modalidade às necessidades do cliente.
Profundidade do Processo Terapêutico. O nível da terapia não de-
pende somente de sua extensão, mas também da profundidade do tratamen-
to. Até onde o processo de intervenção vai, e quanto ele dura? Quando a
prática não envolve um processo sistemático de intervenção ao longo de um
período suficiente de tempo, ela fica fora das fronteiras da musicoterapia.
Quando a prática envolve sessões ocasionais ou infreqüentes, ou se estende
por um curto período de tempo, ou quando as intervenções lidam com pro-
blemas e necessidades manifestos, é mais provável que a prática seja
aumentativa. Quando a prática envolve sessões regulares e freqüentes por
um longo período de tempo e quando as intervenções abrangem tanto os
problemas e necessidades manifestas quanto as latentes, é mais provável
que a prática seja intensiva ou primária.
Grau da Mudança Terapêutica. Um último determinante do nível da
terapia é o grau da mudança terapêutica a ser realizada pelo cliente. A prá-
tica visa a induzir algum tipo de mudança? Se pretende, a mudança é tera-
pêutica, como definida no capítulo anterior? A prática conduz a mudanças
terapêuticas abertas e/ou encobertas? Que aspectos específicos dos proble-
mas do cliente são enfocados, os sintomas, os distúrbios, as causàs, ou as
dificuldades resultantes? As mudanças são produzidas em nível consciente
ou inconsciente? Em que mydida as mudanças envolvem reorganização es-
trutural, adaptação ou manipulação do ambiente? As mudanças tornaram o
cliente mais independente para lidar com seus problemas e resolve-Ios ou a
mudança é , em certa medida, dependeiIte das condições do tratamento?
Wheeler (1983, 1988) apresentou uma classificação das práticas de
musicoterapia que utiliza o grau de mudança como critério. Baseado em
Wolberg (1967), ela identificou três níveis de práticas psicoterapêuticas
para pacientes psiquiátricos adultos: (l) atividade musicoterapêutica (uti-
lização de atividades centradas na música para alcançar objetivos de adap-
CAPÍTULO 17 - DEFININDO AS ÁREAs E NÍVEIS DA PRÁTICA 175

tação comportamental); (2) musicoterapia de insight com objetivos


reeducativos (utilização da música e de outros métodos psicoterapêuticos
para ajudar o cliente a entender e resolver problemas no nível da consciên-
cia); e (3) musicoterapia de insight com objetivos reconstrutivos (utilização
da música e de outros métodos psicoterapêuticos para resolver conflitos
inconscientes e, conseqüentemente, promover a reorganização da persona-
lidade do cliente).

Natureza desses Níveis

É necessário fazer algumas considerações finais sobre o modo como


os critérios acima afetam os níveis da prática. Primeira, nem todos os crité-
rios são relevantes para todas as áreas de prática. Isto é, um critério pode ser
relevante em determinar níveis de prática de uma área (educacional, por
exemplo) e não ser para outra (cura, por exemplo). Como poderá ser visto
nos próximos capítulos, quando se determina os níveis da terapia, diferen-
tes critérios são aplicados às diferentes áreas da prática. Portanto, a área da
prática molda os seus níveis internamente.
Segunda, um critério afeta outro critério. Isto é, a relevância da musi-
coterapia para as necessidades do cliente determina o grau de independên-
cia clínica que ela terá, o que por sua vez afeta a profundidade das interven-
ções e o grau da mudança do cliente. Interações semelhantes podem ser
encontradas com relação à utilização a música como terapia e na terapia e
com relação à medida com que a experiência do cliente é intrinsecamente
musical.
Terceira, como nas áreas da prática, esses níveis freqüentemente se
superpõem. Não é raro encontrar musicoterapeutas que trabalham com dife-
rentes níveis de terapia coma mesma clientela, seja por causa do estágio em
que o processo terapêptico se encontra, seja em função de diferenças do tipo
de problema terapêutico que está sendo abordado.
Nas quatro seções seguintes, cada nível de terapia será discutido à luz
dos critérios acima ..

Nível Auxiliar

o nível auxiliar
inclui qualquer aplicação damúsica( ou de qualquer

----- ~-----
de seus componentes) com objetivos não-musicais que não seja qualificada
---------.-
176 DEFININDO MUSICOTERAPIA

como terapia, seja por seus objetivos, conteúdo, método ou relacionamentn


entre quem a ministra e quem a recebe. Os indivíduos que recebem o servi-
ço não são qualificados como "clientes" e o provedor do serviço não atua
com a função de ''terapeuta'', ou as intervenções não são parte de um processo
terapêutico que leva a uma mudança. Esse nível também inclui aquelas práti-
cas que utilizam experiências não-musicais, pré-musicais e paramusicais com
propósitos clínicos em detrimento das musicais e extramusicais.
As práticas auxiliares são periféricas à musicoterapia, no sentido de
que não atendem aos critérios estabelecidos, tanto na experiência musical
quanto na terapia, embora sirvam de base para muitas áreas do trabalho
clínico.

Nível Aumentativo

O nível aumentativo inclui todas aquelas· práticas da disciplina em


que a musicoterapia aumenta a potência da educação, do desenvolvimeD!Ç>,
da cura ou da terapia de indlvíduos que se enquadram no critério de "clien-
te", apresentado no capítulo anterior. Nesse contexto, "aumentar" significa
acrescentar algo si:ligüIãFãOSesforços do indivíduo para a mudança terapêu-
_tica, aos serviços, aos programas ou às modalidades de tratamento oferecidas
ao indivíduo. É claro que essa singularidade acrescentada é a música.
Nessa categoria, a música é mais freqüentementeutilizadacomo tera-
pia, e o papel doterapeuta geralmente é delimitado pelosettillg e pelas fu~-
Ções específicas dadas à música na situação. Tipicamente, as principais fim-
ções do terapeuta são intensificar e facilitar os efeitos diretos da experiência
musical sohre o cliente. Portanto, a relação cliente-terapeuta é primaria-
mente uma relação musical ou de atividade, e, na maioria dos casos, não é
utilizada como o principal veículo ou agente da cura ou da terapia.
Por outro lado, pelo fato da música ser utilizada para aumentar outros
esforços terapêuticos, o papel da música pode ser estendido para acomodar
a área particular da prática e dos objetivos· colocados. Então; uma terapia
com atividade musical pode, por exemp·lo, estender-se para incorporar ati-
vidades não-musicais; ou, a utilização contingente da música pode esten-
der-se para incluir reforços não-musicais. No entanto, um critério para este
nível é que a prática se apóia, em grande parte, em experiências musicais e
extramusicais, utilizando aspré-musicais, não-musicais e paramusicais so-
mente quando indicadas.
CAPÍTULO 17 - DEFININDO
AS ÁREAs
ENÍVEIS
DAPRÁTICA177

De forma análoga, o papel do musicoterapeuta neste nível freqüente-


mente inclui todas as funções dos outros profissionais (por exemplo, pro-
fessor. pastor ouóutro tipo de terapeuta). Geralmente, ele é determinado
.~

pelo tipo de objetivos que foram definidos como prioritários em uma área
de prática ou em um selting clínico.
A musicoterapia no nível aumentativo freqüentemente acomoda os
objetivos de outras disciplinas, e desempenha um papel de apoio, porém,
importante. Geralmente, esse papel envolve intensificar, elaborar, expandir,
réforçar ou preparar aquilo que outros terapeutas pretendem realizar com o
cliente.
Nos termos de outras classificações, esse nível corresponde ao nível
de "atividade" na classificação de Wheeler (1983) e de "apoio" em rela-
ção à psicoterapia, na de Wolberg (1977). Sintetizando as duas, Wheeler
atribui as seguintes características a esse níve(~msca atingir os objeti-
vos principalmente através de atividades e não através de insights verba-

lizad~supressã\)
mento ~omportamentosdos sentimentos
adaptad~co e impulsos em favor
voltado do desenvolvi-
principalmente para
os comportamentos e menos para os'processos latentes ou relações cau-

sais@utilizaÇão
peuta dos recursos
que desempenha um papeldoaltamente-diretivo
clienteÇ-5Nelação na
positiva com da
condução o tera-
ses-
são; e~&ínima .necessidade, por parte do terapeuta, de ter insight de
seus propnos sentImentos.
Esse nível também corresponde ao nível "adjuntivo", como previa-
mente descrito pelo autor (Bruscia, 1987b). A escolha do termo aumentativo
em lugar de adjuntivo deu-se em função das diferentes conotações. Adjuntivo
sempre tema conotação de que a prática não é essencial ou é suplementar. O
nível aumentativo inclui serviços de apoio que são integrais, importantes e
geralmente insubstituíveis.

Nível Intensivo

o nível intensivo incluitodas as práticas no int~rior da disciplina em


que o musicoterapeuta trabalha lado a lado com outras modalidades de tra-
tamento como um parceiro em pé de igualdade ou como terapeutaprincipar-'
Como mencionado anteriormente, as diferenças essenciais entre as prátiCãs
aumentativas e intensivas podem ser melhor descritas através do termo
Piagetiano de acomodação (adaptar as estruturas existentes para fazerem
178 DEFININDO MUSICOTERAPIA

frente às novas demandas) e assimilação (adaptar as novas demandas para


que amoldem-se às estruturas existentes). Q!Iando utilizada como uma moda-
lidade aumentativa, a musicoterapia acomoda os obJetivos de outra modali-
dade de tratamento e assimila as necessidades do cliente na estrutura da
música. uando utilizada como uma modalidade intensiva ou primária, a
musicoterapia assimila em si própria os objetivos de ou r o a ade ç:
tratamento com o intuito de acomodar as nppes.,trlllllps cio cliente.
Nos termos das classificações de Wheeler e de Wolberg, isso
corresponde ao nível "reeducativo" de terapia, no qual o cliente recebe tra-
tamento de apoio intensivo com o objetivo de aprender novas formas de
resolver problemas, atingindo, conseqüentemente, um melhor nível de
funcionamento, mas sem fazer mudanças de natureza reconstrutiva. Maranto

7
(1993) chama esse nível de "específico".
Geralmente, amúsica é utilizada na terapia com maior freqüência do
que como terapia, e o papel do terapeuta é determinado predominantemente
pelas necessidades do cliente. O terapeuta desempenha um papel com O
mesmo peso ou com peso maior do que a música no processo de interven-
ção. A música étipicamente utilizada para estabelecer ou intensificar a rela-
ção cliente-terapeuta, que é uma relação de natureza mais terapêutica do
que musical. Isto é, no nível intensivo, o cliente se relaciona com o musico-
terapeuta mais como terapeutado que como músico, e a comunicação ver-
bal adquire uma dimensão importante na relação. Todas as variedades de
experiência musical podem ser utilizadas, com particular ênfase nas expe-
riências musicais e extramusicais.
Pelo fato desse nível serestruturado para atender a um amplo espec-
tro de necessidades do cliente, a avaliação diagnóstica e os procedimentos
terapêuticos de uma prática freqüentemente se superpõem às práticas de
outras áreas. Portanto, é nesse nível que as superposições entre as práticas
didáticas, as psicoterapêuticas, as médicas e as de cura são freqüentes. A
razão para essas superposições é que há uma tendência a se enfocar as ne-
cessidades do cliente de forma holístic~, dando ao terapeuta uma maior res-
ponsabilidade de abordá-Ias.

Nível Primário

No nível primário, a musicoterapia desempenha um~el singular


~-----------
ou indispensável para atingir as principais necessidades terapêuticas do
CAPÍTULO 17 - DEFININDO AS ÁREAS E NÍVEIS DA PRÁTICA 179

cliente, e, como resultado, induz mudanças abrangentes na vida deste. O


cliente recebe um tratamento mais intenso e abrangente que visa a alterar as
estruturas básicas deste e entre ele e o ambiente, abordando por conseguinte
causas centrais da condição de saúde do cliente. Nas classificações de
Wheeler e de Wolberg, esse nível é chamado de "reconstrutivo", enquanto
que na de Maranto, ele é designado de "abrangente".
A musicoterapia desse nível quase sempre envolve a integraçãode
duas áreas da prática (por exemplo, a médica e a de cura, a psicoterapêutica
e a didática). Nesse sentido, as áreas da musicoterapia começam a mesclãr=
se para que todos os recursos da disciplina sejam aplicados para atingir as
necessidades do cliente.

seja qualificada
Portanto, como
dois critérios
musicoterapia
têm que
primár~uando
ser ~t~dos parao que
trabalho
uma de
prática
uma
área da prática alcança a profundidade necessaria para induzir mudanças
fundamentais, profundas e penetrantes no cliente 'é@quando o trabalho
tem extensão suficiente para que os objetivos e processos da área da prática
original sejam estendidos para incluir outra área da prática. Portanto, a tera-
pia primária tem extensão e profundidade tanto com relação ao processo
quanto com relação à mudança.
A música é utilizada tan~ cnmn t~r~a, quanto na teraoiae os bene-
fícios terapêuticos tanto da relaçãõCIiente-musica, quanto da relação clien-
te-terapeuta são plenamente explorados. Todos os níveis de experiência
musical, assim como outras modalidades terapêuticas são utilizadas quando
indicadas.

SUMÁRIO

Em resumo, uma ár_e_a_d_e ...•


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Ií_n~ic;;,;a_;
•••ã_o_c.•• -==- é definido pela
um nível da prática
extensão, profundidade, significado e autonomia do tratamento e do resul-
tado, juntamente com o papel da mú.sica. Com essas definições e critérios,
podemos agora examinar as práticas específicas das diferentes áreas e ní-
veis. A Tabela 2 apresenta uma visão panorâmica dos níveis auxiliar,
aumentativo, intensivo e primário das práticas das seguintes áreas da musi-
coterapia: didática, médica, de cura, psicoterapêutica, recreativa e ecológi-
ca. Os seis capítulos seguintes são dedicados a uma descrição mais detalha-o
da de cada prática.