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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

eca
ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES

Programa de Pós-Graduação

José Bernardo de Azevedo Junior

Resenha
A estrutura do Texto Artístico
Capitulo I – A arte como Linguagem

SÃO PAULO
2010
José Bernardo de Azevedo Junior

Resenha
A estrutura do Texto Artístico
Capitulo I – A arte como Linguagem

Trabalho apresentado à disciplina CCA5678 – Semiótica


da Comunicação na Cultura, ministrada pela Profa. Dra.
Irene de Araujo Machado, no programa de Pós-Graduação
da ECA - Escola de Comunicações e Artes, da
Universidade de São Paulo.

SÃO PAULO

2010
O estudo feito por Iuri Lotman parte do pressuposto de que a necessidade da arte (e do
conhecimento) é congênita ao homem que ao longo da sua história, mesmo em luta pela conservação
da vida, encontra sempre tempo para a atividade artística, sente essa necessidade. A arte, tal como
para Aristóteles, corresponderá a uma necessidade vital, assumindo uma dimensão epistemológica, já
que, no seu entender, trata-se de uma das formas de conhecimento da vida.

“Foi demonstrado já há muito tempo que a necessidade da arte assemelha-se à necessidade do


saber e que a própria arte é uma das formas de conhecimento da vida, uma das formas da luta
da humanidade por uma verdade que lhe é necessária.” (p.27)

O autor postula no Capítulo I que a arte pode ser entendida como uma forma de linguagem
por utilizar signos e implicar uma interação entre emissor/receptor (dupla função que pode ser
desempenhada por um único sujeito). “A arte é um dos meios de comunicação. Ela realiza
incontestavelmente uma ligação entre um emissor e um receptor” (p. 33).
A obra de arte se configura como comunicação em linguagem artistica. Segundo Lotman, as
diversas manifestações artisticas, sejam elas teatro, cinema, musica, pintura etc possuem uma
linguagem que as organiza de modo particular. (pag. 34).
O estudioso chama à atenção para o fato de uma tese a qual linguagem é uma considerada
como forma de comunicação entre dois indivíduos. Neste caso, Lotman substitui o conceito de
individuo por destinador e de receptor da informação por destinatário. Assim, segundo Lotman, é
permitido incluir no esquema os casos em que a linguagem não une dois indivíduos, mas dois
mecanismos de transmissão (p.36).
Lotman faz uma leitura sobre a linguagem como um sistema e apresenta os sistemas
modelizantes como sendo Línguas naturais (inglês, português, francês), as Línguas artificiais
(ciência, sinais convencionais) e as Linguagens secundárias (o mito, a religião, a arte etc) (p.37).
Então, linguagem para Lotman é todo o sistema de comunicação que utiliza signos ordenados
de modo particular (que servem para transmitir informação), ou seja, “cada linguagem é não só um
sistema de comunicação, mas ainda um sistema modelizante, ou melhor dizendo, essas duas funções
estão indissoluvelmente ligadas” (p. 44). E mais ainda, “cada sistema de comunicação pode realizar
uma função modelizante e, inversamente, cada sistema modelizante pode desempenhar um papel na
comunicação. ” (p. 45).
Iuri Lotman estabelece como objetivo fundamental no artigo a demonstração e explicitação
da tese, segundo a qual “a arte pode ser descrita como uma linguagem secundária e a obra de arte,
como um texto nessa linguagem" (p.37).
Trata-se de um sistema (secundário), um meio de comunicação, que, como tal, é passível de
ser estudado pela teoria dos sistemas de signos naquilo que ela tem de geral, aproximando-a de
qualquer outra linguagem. Por outro lado, defende que o estudioso da arte deverá ter presente a sua
especificidade, a consciência de que se trata de uma estrutura complexa em que a organização
particular dos seus elementos obedece a um princípio que a diferencia dos outros sistemas de signos.
A relação entre expressão/estrutura é exemplificada pela analogia com o tipo de relação que
se dá entre a vida e o tecido vivo, isto significa que o conteúdo não preexiste à sua estrutura, daí a
sua afirmação de que "o pensamento de um escritor (se) realiza numa determinada estrutura
artística". Se a "ideia" em arte se define como um modelo do mundo, então não existe qualquer
possibilidade de se atingir essa mesma ideia fora da estrutura que a suporta (tal como não é possível
estudar a vida fora do organismo vivo, o tecido vivo que a sustente). De qualquer maneira, o texto e
sua pluralidade de códigos, segundo o estudioso da semiótica e da cultura “comporta-se como um
organismo vivo que se encontra numa ligação inversa com o leitor e que o esclarece” (p.55).