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Tópicos de Fı́sica Moderna e Astrofı́sica

Problemas 2013

M. Fátima Mota M. Augusta Santos.


1
Colectânea de problemas retirados de livros de texto,

• Modern Physics, Krane, Kenneth Krane

• Quantum Physics of atoms, molecules, nuclei and particles Eisberg e Resnick

e de folhas de problemas de anos anteriores.

1 depfisast@fcup, 2012/2013
Tópicos de Fı́sica Moderna e Astrofı́sica
Folha I - Escalas. Sistemas de Unidades.

I-1. Defina a unidade de massa atómica e calcule o seu valor em unidades SI.

I-2. Recorde a expressão da energia de uma partı́cula livre em Relatividade (E = mc2 ).


Determine as massas do eletrão e do protão em MeV/c2 .

I-3. Um protão move-se com uma velocidade de 0.95c. Calcule (expressas em MeV):

(a) a energia em repouso e a energia total.

(b) a energia cinética. Compare-a com o resultado não relativista.

(c) a quantidade de movimento.

I-4. Uma partı́cula α e um eletrão movem-se ambos com a energia de 6 MeV. Determine
nos dois casos:

(a) a velocidade e a grandeza da quantidade de movimento.

(b) o erro cometido na alı́nea anterior quando se usam expressões newtonianas para o
cálculo daquelas grandezas. Retire conclusões.

I-5.

(a) Escreva as equações que traduzem a conservação da energia e da quantidade de movi-


mento aplicáveis à colisão de duas partı́culas relativistas de massas m1 e m2 .

(b) Um protão com a energia 5mp c2 colide com outro protão, em repouso. Após uma colisão
elástica os dois protões afastam-se simetricamente em relação à direção de incidência,
de um ângulo θ. Mostre que
1
cos θ =
1 + 4mp c2 /Ec2

e determine o valor de θ.

(c) Mostre que a expressão anterior reproduz o caso clássico.

I-6.
A constante de Boltzmann vale 1.38 × 10−23 J K−1 .

a) Determine o valor da constante de Boltzmann em eV K−1 .

b) Quais são os valores tı́picos da energia térmica para as temperaturas:

(i) de liquefação do 4 He(4, 2 K).


(ii) de liquefação do N2 (77 K).
(iii) de fusão da água.
(iv) da superfı́cie do Sol (≈ 6000 K).
I-7. Se a Fı́sica atual se pudesse extrapolar ao tempo de Planck, t = 10−43 s, as pro-
priedades do universo seriam determinadas pelas constantes fundamentais G, ~ e c.
Usando análise dimensional, e as constantes fundamentais indicadas, determine um
tempo caracterı́stico (o tempo de Planck), uma energia caracterı́stica (a energia de
Planck) e uma massa caracterı́stica (a massa de Planck).

I-8.

(a) Enuncie as leis de Kepler.

(b) Usando um sistema de unidades em que as distâncias e o tempo são expressos em


unidades astronómicas e em anos, respetivamente, mostre que a 3a lei de Kepler, para
um corpo orbitando em torno do Sol, se escreve como

T 2 = r3

onde T designa o perı́odo do movimento e r o raio da órbita.

(c) Mostre que a generalização do resultado da alı́nea anterior para um corpo orbitando
outro de massa M , conduz à relação:
M 2
T = r3
M⊙

(d) O Sol está à distância de 30 000 anos-luz do centro da nossa galáxia; move-se com a
velocidade de 300 km/s demorando 200 × 106 anos a completar uma órbita. Use esta
informação e as leis de Kepler para determinar a massa de uma galáxia tı́pica (supondo
que a nossa galáxia é tı́pica!). Elenque as aproximações que efetuou para resolver o
problema.

Informação adicional

massa do Sol = M⊙ = 1, 99 × 1030 kg


raio médio do Sol = R⊙ = 6, 960 × 108 m
massa da Terra = M⊕ = 5, 98 × 1024 kg
raio médio da Terra = R⊕ = 6, 34 × 106 m
distância média Terra-Sol=dT −S = 1, 50 × 1011 m
composição média do Sol=≈ 73% hidrogénio, 23% hélio e 2% de metais pesados
Potência emitida pelo Sol= Pe ≈ 3, 9 × 1026 W
constante de Stefan-Boltzmann = σ = 5.67 × 10−8 Wm−2 K−4
constante de Gravitação = G = 6.67 × 10−11 JK−1
velocidade da luz no vácuo = c = 2, 998 × 108 m s−1
constante de Boltzmann = KB = 1, 380650 × 10−23 JK−1
massa do protão = mp = 1, 67262164 × 10−27 kg
massa do neutrão = mn = 1, 672492721 × 10−27 kg
massa do electrão = me = = 9, 1093822 × 10−31 kg
unidade de massa atómica= u = 1, 66053878 × 10−27 kg
carga do electrão = e = 1, 602176 × 10−19 C
número de Avogadro = NA = = 6, 0221418 × 1023 mol−1
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Folha II - Perı́odo de Transição - parte I.

II-1. Radiação electromagnética emitida pelo Sol incide sobre a superfı́cie da Terra à taxa
de 1, 4 × 103 W m−2 .

(a) Faça um cálculo aproximado do número de fotões provenientes do Sol que chegam à
Terra por m2 e por segundo, admitindo que todos esses fotões têm comprimento de
onda igual a 4, 83×10−7 m. Por que razão não é detectável directamente a quantificação
da energia electromagnética?

(b) A Terra também emite radiação — caracterı́stica de um ’corpo negro’ à temperatura


da sua superfı́cie. Supondo que há um balanço entre a energia recebida e a energia
emitida, calcule a temperatura à superfı́cie da Terra.

(c) Calcule a quantidade de energia, proveniente da radiação solar, que atinge a superfı́cie
de Marte por m2 e por segundo.
(Dist.T − S = 1, 495 × 1011 m, RS = 6, 96 × 108 m, RT = 6, 37 × 106 m, RM =
3, 37 × 106 m, distM −S = 2, 78 × 1011 m)

II-2. A temperatura à superfı́cie duma estrela azul supergigante é de 30000 K e a sua


luminosidade no visı́vel (potência radiada no visı́vel) é 105 vezes o valor correspondente
no caso do Sol.

(a) Qual o comprimento de onda predominante na radiação emitida pela estrela? Em que
zona do espectro se situa? Explique por que razão a estrela parece azul.

(b) A temperatura à superfı́cie do Sol é 5800 K e a potência total emitida pelo Sol é
3, 86 × 1026 W. Admitindo que a potência total emitida pela estrela é 105 vezes esse
valor, determine a razão entre o raio da estrela e o raio do Sol.

(c) O quociente das luminosidades totais é realmente o mesmo que o das luminosidades no
visı́vel? Explique.
hc
[lei de Wien λ kB T ≃ 5]

II-3. A fórmula de Planck para a densidade de energia por intervalo de frequência do corpo
negro é

8πhν 3 1
uν = .
c3 ehν/kB T − 1

(a) Calcule aproximadamente o valor do mâximo de uν e designe-o por ν̄.

(b*) Obtenha a densidade de energia por intervalo de comprimento de onda, uλ e encontre


(aproximadamente) o respectivo mâximo, designando-o por λm . Verifique que λm 6=
c/ν̄.
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Folha III - Perı́odo de transição - parte 2

II-1. Os potenciais de paragem dos fotoelectrões emitidos por uma superfı́cie metálica
quando esta é iluminada por radiação electromagnética de diferentes comprimentos de
onda, são:

λ(×10−9 m) 366 405 436 492 546 579


V(volt) 1,48 1,15 0,93 0,62 0,39 0,24

(a) Represente graficamente os potenciais de paragem em função da frequência da radiação


incidente.

(b) Determine a partir do gráfico a frequência limiar, o trabalho de extracção e razão h/e.

(c) Nas questões anteriores usou-se um tratamento não relativista do efeito fotoeléctrico.
Justifique a validade do procedimento.

III-2. As figuras seguintes reproduzem os resultados de uma experiência de estudo do


efeito fotoeléctrico.

(a) Descreva a experiência e a montagem experimental.


(b) Relativamente aos gráficos apresentados indique, justificando, qual ou quais os
aspetos que não são corretamente interpretados pela teoria ondulatória da ra-
diação. Mostre que todos os resultados experimentais estão de acordo com a
teoria corpuscular da radiação eletromagnética.

i i

Ia(ν)
Ia>Ib
Ib(ν)

I V0 V

(i, intensidade de corrente de fotoelectrões; I, intensidade da radiação).


(c) Um laser de He-Ne emite radiação praticamente monocromátiva com λ = 633 nm.
(i) Quantos fotões emite por segundo um laser de He-Ne com a potência de 1 mW?
(ii) A função trabalho de um metal é 1,1 eV. Se um laser de He-Ne com a potência
de 1 mW incidir na superfı́cie anterior, qual é a corrente de saturação?

III-3. A teoria clássica do efeito fotoelétrico previa um intervalo de tempo ∆t entre


a chegada do feixe incidente e a emissão fotoelétrica. Faça uma estimativa de ∆t
para o caso de um electrão do potássio, localizado numa região de tamanho atómico
(r ∼ 10−10 m) que é iluminada por um feixe de intensidade 0, 5W m−2 . [função
trabalho do potássio. 2, 24 eV]

III-4. A energia cinética máxima dos fotoeletrões emitidos quando luz ultravioleta de
comprimento de onda 400 nm incide numa certa superfı́cie metálica é 1,10 eV. Se a
radiação emitida por um laser de potência 0,5 W, de comprimento de onda 4800 Å
incidir na superfı́cie anterior, qual é a corrente de saturação?
III-5. Mostra-se que na difusão de Compton a variação do comprimento de onda da
radiação é dada por:
∆λ = λC (1 − cos θ)
onde λC é o comprimento de onda de Compton do eletrão.

(a) Refira as aproximações envolvidas na dedução da expressão anterior.

(b) Mostre que a razão entre a energia cinética do electrão de recuo e a energia do fotão
incidente é dada por:
T 2α sin2 (θ/2)
= ,
E0 1 + 2α sin2 (θ/2)
onde α = E0 /me c2 .

(c) Mostre que o ângulo que a direção de movimento do fotão difundido faz com a direção
de movimento do fotão incidente satisfaz à equação
 
θ h
cot = 1 + tan φ.
2 λ 0 me c

III-6. Radiação de comprimento de onda 0, 72Å é difundida por um bloco de carbono. A


radiação difundida faz um ângulo de 180o com a direcção do feixe incidente. Calcule

(a) a energia e a quantidade de movimento dos fotões difundidos.

(b) a quantidade de movimento dos eletrões de recuo.

III-7. A energia de um fotão, após ter sofrido uma difusão de Compton por um eletrão
(que pode ser suposto em repouso) de 60o , é metade da sua energia inicial. Calcule a
energia inicial do eletrão, e situe a frequência do fotão no espetro eletromagnético.
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Folha IV - Perı́odo de transição - parte III

IV-1.
Determine a energia limiar de produção de um par eletrão-positrão, na presença de
um núcleo e na presença de um eletrão.

IV-2.
Na vizinhança de um núcleo em repouso, um fotão dá origem a um par eletrão-positrão.
O positrão fica em repouso (no referencial do núcleo) e o eletrão segue na direção inicial
do fotão com a energia de 1 MeV.

(a) Desprezando a energia transferida para o núcleo, calcule a energia do fotão.

(b) Determine a fração do momento inicial do fotão que é transferida para o núcleo.

IV-3.

(a) Explique o modo de produção de raios X. Mostre que existe um comprimento de onda
mı́nimo para o raios X. Este comprimento mı́nimo é um efeito quântico?

(b) Calcule a energia máxima e o comprimento de onda mı́nimo dos fotões produzidos num
tubo de RX que opera a 100 kV.

IV-4. Considere a aniquilação de um par electrão-positrão dando origem a dois fotões.

(a) Estude o processo referido no referencial S do centro de massa do par de partı́culas.


Mostre que os dois fotões têm o mesmo comprimento de onda e calcule o seu valor.

(b) Reconsidere o processo anterior num referencial S que se move com velocidade cons-
tante v na direção em que são emitidos os fotões. Calcule os comprimentos de onda

dos fotões. vistos por um observador em S . (Esta alteração do comprimento de onda
é designada por efeito Doppler longitudinal.)
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Folha V - Modelos atómicos - parte I

V-1. Calcule a frequência de oscilação do eletrão e os comprimentos de onda de emissão


ou absorção com base no modelo de Thomson para o àtomo de hidrogénio.

V-2. Considere a experiência de difusão de Rutherford : um feixe de partı́culas alfa (carga


elétrica 2e) choca frontalmente com um núcleo de carga Ze.

(a) Mostre que a distância máxima de aproximação é :

1 2Ze2
d=
4πε T

Faça uma aplicação numérica para o caso do ouro (Z = 79) e a energia cinética das
partı́culas α 5,30 MeV.

(b) Calcule a fração de partı́culas α, com a energia considerada na alı́nea anterior, que
é difundida segundo ângulos superiores a 90o por uma folha de ouro (ρ=19,3 g/cm3 ,
M=197 g/mole) com a espessura 0,21 µm.

V-3.

(a) O átomo de Rutherford não tem um tamanho caracterı́stico. Usando análise dimen-
sional, verifique que não é possı́vel construir um comprimento com base apenas nas
constantes me e e.

(b) Se acrescentarmos ~ às constantes anteriores já e possı́vel obter um comprimento.


Verifique esta afirmação e identifique o comprimento caracterı́sco do modelo de Bohr.

V-4. Um eletrão no estado fundamental do átomo de hidrogénio tem energia E=-13,6 eV.
Determine:

(a) a energia cinética do eletrão e a velocidade do eletrão.

(b) a energia potencial do par eletrão-protão e a força que actua sobre o eletrão.

(c) o raio da órbita do eletrão e o momento cinético do eletrão relativamente ao protão


(suposto em repouso).

(d) O eletrão no seu movimento circular é equivalente a uma corrente elétrica. Calcule a
sua intensidade. Mostre que o momento magnético devido ao movimento orbital do
eletrão, é dado por:
µB~l
µ
~= .
~
Estime o seu valor para a situação apresentada.

(e) Calcule o campo magnético criado pelo eletrão no ponto onde se encontra o protão.

V-5. Expresse as energias dos estados estacionários e o raio de de Bohr à custa da constante
de estrutura fina e de outras constantes fundamentais.
V-6. Calcule a frequência da radiação emitida quando o eletrão transita do nı́vel n + 1
para o nı́vel n átomo de H. Verifique que para n ≫ 1 a frequência da radiação emitida
coincide com a frequência do movimento do eletrão na órbita de raio Rn −− o resultado
clássico!

V-7. As frequências das riscas espectrais emitidas por um gás de um dado ião hidrogenóide
(número atómico Z) são dadas, no modelo de Bohr, por:
 
1 1
ν = 2, 96 × 1016 − s−1
n21 n22

(a) Calcule a energia de ionização.

(b) Faça um diagrama das energias dos três nı́veis de energia com menor energia e calcule
a frequência da risca emitida na transição entre o primeiro estado excitado e o estado
fundamental.

V-8. O muão (µ) é um leptão (partı́cula fundamental), que forma com o protão um átomo,
semelhante ao átomo de hidrogénio - o átomo muónico. A carga elétrica do (µ) é igual
à carga elétrica do eletrão e a sua massa em repouso é cerca de 207 vezes a do eletrão.

(a) Qual o valor do raio da primeira órbita de Bohr deste átomo?

(b) Qual o menor dos comprimentos de onda do seu espetro?

V-9. Os comprimentos de onda para os iões hidrogenoides Li2+ e Be3+ correspondentes a


determinadas transições são:

Li2+ ni = 1 nf = 2 λ = 135, 01Å


2+
Li ni = 1 nf = 3 λ = 113, 9
3+
Be ni = 1 nf = 2 λ = 75, 94Å

(a) Calcule a energia de ionização do lı́tio.

(b) Explique os diferentes valores dos comprimentos de onda correspondentes às transições
ni = 1 para nf = 2 observados.

V-10.

(a) Derive a expressão para a frequência das riscas espectrais no átomo de H, considerando
um núcleo de massa M e obtenha a constante de Rydberg considerando este efeito.

(b) Esta correção permite detetar a presença de isótopos. Calcule a separação entre os
comprimentos de onda correspondentes à transição entre um mesmo par de nı́veis no
caso do 1 H e no caso do deutério (2 H).