Você está na página 1de 27

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA

DISCIPLINA: INSTALAÇÕES ELÉTRICAS


Prof.a: CARMINDA CÉLIA M. M. CARVALHO

CAPÍTULO 5- ILUMINAÇÃO

5.1- CONCE ITOS FUND AME NTAIS DA LUMINOTÉ CNICA

1. Luz: aspecto da energia radiante que um observador humano constata pela sensação
visual através de estímulo da retina ocular.

2. Intensidade Luminosa (Candela - cd): é a potência da radiação luminosa numa dada


direção.

3. Luminância (cd/m2): é a intensidade luminosa de uma superfície dividida pela área da


superfície iluminada. Também pode ser definida como a sensação de claridade produzida
pelo reflexo dos raios luminosos (invisíveis) sobre uma superfície e transmitida aos olhos.

4. Fluxo Luminoso (Lúmem - lm): é a potência de radiação total emitida por uma fonte de luz
percebida pelo olho humano.

5. Iluminamento (Lux - E): é a relação entre o fluxo luminoso que incide sobre uma
determinada superfície e a superfície sobre a qual ele incide.

Lúmem
Lux 

metro quadrado

6. Eficiência Luminosa (lm/W): é a relação entre o fluxo luminoso emitido pela lâmpada e a
potência absorvida.

Outros conceitos importantes:

 Aparência de cor: descreve a aparência da luz emitida por uma fonte luminosa. Pode ser
descrita pela Temperatura de Cor Correlata (Tcp), dividida em três grupos:

 Tcp abaixo de 3300 K: tonalidade de luz quente, similar à da lâmpada


incandescente (amarelada).

 Tcp entre 3300 e 5300 K: tonalidade intermediária, entre quente e fria (branca).

 Tcp acima de 5300 K: tonalidade fria (branco-azulada).


 Reprodução de cor: definida em função do efeito produzido por uma fonte de luz de
referência. São utilizadas cores - padrão bem definidas, observadas inicialmente à
luz da fonte de referência e depois à luz da lâmpada a ser testada. Determina-se,
então, em função do desvio na cor provocado pela lâmpada testada, o Índice de
Reprodução de Cores (IRC ou Ra) da lâmpada (o valor máximo é 100), podendo-se
ainda classificar as lâmpadas em três grupos:

 IRC até 70: reprodução moderada das cores.

 IRC entre 70 e 85: reprodução boa das cores.

 IRC acima de 85: reprodução excelente das cores.

Fonte: Catálogo PHILIPS

5.2- LÂMPADAS - CLASS IF ICAÇÃO

As lâmpadas podem ser:

 Incandescentes: para iluminação geral; decorativas; refletoras; para utilização


específica; com bulbo de quartzo ou halógenas.

 De descarga: fluorescente; vapor metálico; vapor de sódio e vapor de mercúrio.

As lâmpadas de vapor de mercúrio possuem baixa eficiência e estão sendo


substituídas por lâmpadas de vapor de sódio (iluminação pública) e por lâmpadas
de vapor metálico (iluminação pública, galpões industriais, praças e outros locais),
por isso não serão abordadas nesse capítulo.

5.2.1- LÂMPADAS INCANDESCENTES

Possuem um bulbo de vidro em cujo interior existe um filamento de tungstênio que é


aquecido pela passagem da corrente elétrica até a incandescência (figura 5.1). Para evitar a
oxidação do filamento é realizado vácuo no interior do bulbo ou substitui-se o oxigênio por
um gás inerte (nitrogênio ou argônio).

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 2


Bulbo
Gás inerte
Filamento
Arame de
suporte
Botão de
suporte
Defletor de
calor
Condutores

Tubo de rarefação

Base

Figura 5.1: Lâmpada incandescente comum

As lâmpadas incandescentes para uso geral, com potência entre 25 e 100 W


e base E-27, possuem baixa eficiência luminosa (inferior a 18 lm/W) e vida útil reduzida (até
2000 h). Por esse motivo, estão sendo gradativamente banidas do mercado. No Brasil,
desde 1º de julho de 2013, as lâmpadas incandescentes nacionais ou importadas com
potência superior a 100 W que não atenderem aos novos requisitos de eficiência
estabelecidos pela Portaria Interministerial nº 1007, de 31 de dezembro de 2010, não
poderão mais ser comercializadas no varejo ou atacado. Os novos níveis de eficiência
variam entre 17 e 24 lm/W, de acordo com a potência e a tensão de alimentação (127 ou
220 V).
A partir de 1º de julho de 2014, as lâmpadas com potência entre 61 e 100 W que não
atingirem níveis mínimos de eficiência luminosa entre 14 e 22 lm/W sairão do mercado; a
partir de 1º de julho de 2015, o mesmo ocorrerá com as lâmpadas com potência entre 41 e
60W que não atingirem níveis entre 13 e 18 lm/W (atualmente, a eficiência dessas lâmpadas
varia entre 10 e 14 lm/W); finalmente, as lâmpadas de potências inferiores a 40W deverão
ser banidas do mercado a partir de 1º de julho de 2016 se também não atingirem os níveis
mínimos de eficiência estabelecidos pela portaria (entre 10 e 19 lm/W).

Deve-se ressaltar que essa portaria excluiu as lâmpadas incandescentes para uso
especial, como aquelas utilizadas em eletrodomésticos (geladeiras, fornos, fogões, etc.),
estufas, equipamentos hospitalares, automóveis e semáforos, bem como as lâmpadas
refletoras, as halógenas e as de bulbo colorido, abordadas sucintamente a seguir.

 LÂMPADAS INCANDESCENTES DECORATIVAS

Possuem bulbos com formatos especiais ou coloridos e têm a finalidade de produzir


efeitos de luz atrativos e decorativos (figura 5.2).

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 3


Figura 5.2: Lâmpadas decorativas ( Fonte: Catálogo PHILIPS)

 LÂMPADAS INCANDESCENTES PARA ILUMINAÇÃO ESPECÍFICA

Nessa classificação estão as lâmpadas empregadas em faróis de veículos, as


miniaturas, as lâmpadas de luz negra e as germicidas, entre outras.

 Lâmpadas infravermelhas: empregadas no aquecimento de estufas, em fisioterapia e na


criação de animais, entre outras utilidades. Emitem radiação na faixa de ondas
caloríficas, não podendo ser utilizadas na iluminação geral. Entre as suas principais
características estão o alto coeficiente de reflexão e as dimensões reduzidas.

 LÂMPADAS COM BULBO DE QUARTZO OU HALÓGENAS

São tipos aperfeiçoados de lâmpadas incandescentes, constituídas por um bulbo


tubular de quartzo onde são colocados um filamento de tungstênio e partículas de iodo ou
bromo (halogênios). Quando o filamento de tungstênio é aceso, a alta temperatura provoca
a combinação do halogênio com os átomos que se desprendem do filamento, gerando um
terceiro elemento (o iodeto de tungstênio). Esse último é responsável por provocar um ciclo
regenerativo e fazer com que as partículas de tungstênio retornem novamente ao filamento
(por efeito de convecção), evitando o enegrecimento do bulbo (figura 5.3).

Figura 5.3: Ciclo regenerativo das lâmpadas halógenas (F onte: Catálogo GE)
Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 4
São mais eficientes e possuem uma durabilidade um pouco maior que as lâmpadas
incandescentes comuns, além de ótima reprodução de cores. Suas dimensões são
reduzidas e a tensão de funcionamento é de 127, 220 ou 12V, sendo necessária a utilização
de transformador nesse último caso. Existe uma diversidade de modelos disponíveis, com
potência que pode variar entre 50 e 100 W. A figura 5.4 mostra uma lâmpada halógena
dicroica.

Figura 5.4: Lâmpada dicroica ( Fonte: Catálogo PHILIPS)

Utilizadas com fins decorativos, essas lâmpadas possuem um refletor com espelho
multifacetado e base bipino, sendo providas de bloqueador de raios ultravioleta. Possuem
um facho de luz bem dirigido e podem ser dimerizadas. Atualmente, a maior aplicação das
lâmpadas halógenas é na iluminação de destaque de objetos em ambientes comerciais,
hotéis, residências, galerias, museus e outros.

5.2.2- LÂMPADAS DE DESCARGA

Nesse tipo de lâmpada a energia é emitida sob forma de radiação, provocando uma
excitação de gases ou vapores metálicos, devido à tensão existente entre os seus eletrodos.
A radiação emitida depende da pressão interna da lâmpada, da natureza do gás ou da
presença de partículas metálicas ou halógenas no interior do tubo.

 LÂMPADAS FLUORESCENTES

São constituídas por um bulbo tubular de vidro em cujas paredes internas é fixado
material fluorescente. Nas extremidades do bulbo encontram-se eletrodos de tungstênio
(catodos) e no seu interior existe vapor de mercúrio ou argônio a baixa pressão. A descarga
elétrica provocada no interior da lâmpada produz uma radiação ultravioleta que, em
presença do material fluorescente existente nas paredes do bulbo (cristais de fósforo),
transforma-se em luz visível.

As lâmpadas de descarga – com exceção das lâmpadas de mercúrio de alta pressão


– necessitam de uma tensão superior à da rede para iniciar a descarga, por isso são
utilizados equipamentos auxiliares para ajudar na partida dessas lâmpadas (reator e/ou
ignitor). Para as lâmpadas fluorescentes existem atualmente três tipos de reatores:
eletromagnético para partida convencional, eletromagnético para partida rápida e eletrônico.

As lâmpadas fluorescentes com reator eletromagnético para partida convencional


utilizam, além do reator, um acessório denominado destarter ou disparador (figura 5.5):

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 5


Lâmpada

Lâminas bimetálicas

Capacitor

Reator

Figura 5.5: Esquema de ligação de uma lâmpada fluorescente com


reator eletromagnético para partida convencional

- Starter ou disparador: é utilizado na partida das lâmpadas e destina-se a provocar uma


sobretensão entre as extremidades do reator.

- Reator: bobina com núcleo de ferro que tem o objetivo de provocar um aumento de
tensão durante a partida e limitar a corrente durante o funcionamento da lâmpada.

O starter é formado por lâminas bimetálicas através das quais fecha-se, inicialmente,
o circuito para acender a lâmpada. Após alguns segundos, o esfriamento das lâminas
provoca uma sobretensão entre as extremidades do reator, provocando o fechamento do
circuito através do interior da lâmpada e não mais pelo starter. Os elétrons deslocando-se
de um filamento a outro se chocam com os átomos de vapor de mercúrio fazendo com que
energia luminosa não visível seja liberada. Essa radiação entra em contato com o material
fluorescente das paredes do bulbo transformando-se em luz visível.

Os reatores eletromagnéticos para partida rápida não necessitam de starter e os


reatores eletrônicos são mais leves, compactos e operam em alta freqüência, melhorando a
eficiência do conjunto lâmpada-reator (figura 5.6).

Figura 5.6: Esquema de ligação com reator eletrônico simples (uma lâmpada)
e duplo (duas lâmpadas)

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 6


Podem ainda ser citadas as lâmpadas fluorescentes compactas, com tamanho
reduzido, design moderno e efeito decorativo. Alguns tipos podem ser adaptados
diretamente à base comum (de rosca) das lâmpadas incandescentes (compactas
integradas) e outros possuem base com dois ou quatro pinos (compactas não integradas).
São fabricadas em potências que podem variar desde 8 W até 55 W, sendo indicadas para
ambientes que precisam estar iluminados por um longo período ou, dependendo do tipo, em
lojas, consultórios, shoppings centers, halls de entrada, garagens, escadas, corredores e em
ambientes residenciais em geral.

Entre as suas grandes vantagens estão a eficiência luminosa, que pode variar entre
40 e 80 lm/W e a vida útil prolongada (até 10000 h, de acordo com os fabricantes), podendo
ser utilizadas em escritórios, escolas, bancos, supermercados, hotéis, residências e outros.

 LÂMPADAS DE VAPORES METÁLICOS

São lâmpadas de duplo contato, com um tubo de descarga de quartzo e um bulbo


externo, também de quartzo, preenchido com mercúrio a alta pressão e uma mistura de
vapores. Devem ser utilizadas apenas em luminárias fechadas, com vidro protetor e que
absorva radiação, pois emitem uma quantidade considerável de radiação ultravioleta.

Possuem tamanhos reduzidos e são equivalentes às lâmpadas halógenas do tipo


“palito”, porém com vida útil maior, economia de até 70% de energia, redução do calor
gerado no ambiente e maior fluxo luminoso. São indicadas para realçar a iluminação de
ambientes internos e externos em geral. Utilizam reator e ignitor para auxiliar na partida.

 LÂMPADAS DE MULTI-VAPORES METÁLICOS


Possuem um tubo de descarga de quartzo no interior de um bulbo que pode ser
ovóide ou tubular. O bulbo tubular é revestido com material fluorescente. São também
produzidas com duplo contato.

Possuem alta eficiência luminosa, boa qualidade de iluminação e vida longa,


podendo ser utilizadas na iluminação de hangares, postos de gasolina, parques de
exposição, outdoors, na indústria em geral, em estádios, horticulturas e para iluminar
estátuas, monumentos e fachadas. Também utilizam reator e ignitor para auxiliar na partida.

Podem ser citadas ainda as lâmpadas Multi-Vapores Metálicos de potências


menores (entre 20 e 300 W) da Série Mastercolor fabricadas pela PHIPLIS, que são
indicadas na iluminação decorativa ou de destaque interna ou externa (vitrines, monumentos
e fachadas). Necessitam de reator e ignitor ou de um reator eletrônico para auxiliar na
partida, são mais eficientes e têm vida útil maior que as lâmpadas halógenas.

 LÂMPADAS DE VAPOR DE SÓDIO

São constituídas por um vidro ovóide ou tubular, onde é feito vácuo. O tubo de
descarga contido internamente é constituído por um composto de sódio e mercúrio, além de
outros gases (figura 5.7).

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 7


1- Eletrodos com Nióbio.
2 - Tubo de descarga feito de óxido de alumínio
sintetizado.
3 - Conjunto de montagem do tubo de descarga. Ele
tem um formato especial para evitar sombras no
sistema ótico da luminária.
4 - Conexão elétrica flexível.
5 - Anel no qual o material de condução é armazenado
durante o seu funcionamento.

76 - Tubo de esgotamento
Conexões elétricas. do bulbo externo.
8 - Tubo de vidro duro externo.
9 – Base.

Figura 5.7: Lâmpada a vapor de sódio (Fonte: site da PHILIPS Lighting)

As lâmpadas de vapor de sódio a alta pressão são as que apresentam a melhor


eficiência luminosa e vida útil mais longa, entre todos os tipos de lâmpadas. Utilizam reator e
ignitor para auxiliar na partida e levam alguns minutos para atingir 80% do fluxo luminoso
total (figura 5.8). São utilizadas na iluminação de ruas, aeroportos, estacionamentos e áreas
externas em geral.

Sódio

Reator Ignitor de
alta tensão

Figura 5.8: Esquema de ligação de uma lâmpada de vapor de sódio

5.3- CLAS S IFIC AÇÃO DAS LUMINÁ R IAS

As luminárias para iluminação de interiores podem ser classificadas em função da


distribuição espacial do fluxo luminoso emitido, que passa acima ou abaixo de um plano
horizontal que atravessa o centro do plano de referência. Essa distribuição, denominada de
Curva de Distribuição Luminosa (CDL), representa a intensidade luminosa em todos os
ângulos em que ela é direcionada em um plano, conforme é especificado na tabela 5.1 e
exemplificado nas figuras que seguem.
Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 8
Tabela 5.1: Classificação das luminárias para iluminação de interiores
Classificação Distribuição do Fluxo Luminoso (%)
Para o semi-espaço superior Para o semi-espaço inferior
Direta 0 - 10 90 - 100
Semidireta 10 - 40 60 - 90
Mista 40 - 60 40 - 60
Semi-indireta 60 - 90 10 - 40
Indireta 90 - 100 0 - 10

 Iluminação Direta: quando o fluxo luminoso é dirigido diretamente ao plano de trabalho


(figura 5.9).

 Iluminação Semidireta: quando parte do fluxo luminoso chega ao plano de trabalho


diretamente dirigido e outra parte o atinge por reflexão, existindo predominância do efeito
direto (figura 5.10).

Figura 5.9: Iluminação direta Figura 5.10: Iluminação semidireta

 Iluminação Semi - Indireta: quando parte do fluxoluminoso chega ao plano de trabalho


por efeito indireto e a outra parte é diretamente dirigida ao mesmo. Nesse caso, o efeito
indireto predomina (figura 5.11).

 Iluminação Indireta: quando o fluxo luminoso é dirigido diretamente na direção oposta ao


plano de trabalho, atingindo-o somente por reflexão. Normalmente utilizado para provocar
efeito decorativo (figura 5.12).

Figura 5.11: Iluminação semi - indireta Figura 5.12: Iluminação indireta

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 9


 Iluminação Mista: o fluxo luminoso atinge o plano de trabalho proporcionalmente, de
forma direta e indireta, não havendo predominância de nenhum dos dois tipos de
iluminação (figura 5.13).

Figura 5.13: Iluminação mista

5.4- OFUS CAME NTO


Ofuscamento é o desconforto sentido quando uma fonte luminosa, natural ou
artificial, prejudica o desempenho visual de um obs ervador. Quando a fonte luminosa “clara
demais” se situa diretamente no campo de visão do observador ocorre o ofuscamento direto,
e quando o observador vê o reflexo da fonte de luz sobre uma superfície brilhante ocorre o
ofuscamento refletido, também chamado de reflexões veladoras.

O ofuscamento direto poder ocorrer como ofuscamento inabilitador ou como


ofuscamento desconfortável ou perturbador. O ofuscamento inabilitador é mais comum na
iluminação exterior, sendo provocado por fontes brilhantes intensas, dificultando a visão dos
objetos. O ofuscamento desconfortável geralmente ocorre no interior de locais de trabalho, a
partir de luminárias brilhantes ou janelas, provocando a fadiga rápida dos órgãos de visão.

Geralmente são empregados limites para controlar o ofuscamento desconfortável,


que é um problema maior que o ofuscamento inabilitador na iluminação de interiores. Para
atribuir um valor ao ofuscamento desconfortável de uma instalação, a NBR ISO/CIE 8995-
1:2013 recomenda que se utilize a equação para cálculo do Índice de Ofuscamento
Unificado (UGR) da Comissão Internacional de Iluminação - CIE (International Commission
on Illumination), conforme estabelecido na publicação CIE 117-1995, mostrada a seguir:

(  


 )∑ 
onde:
Lb: iluminância de fundo (cd/m2)
2
L: luminância da parte luminosa de cada luminária na direção do olho do observador (cd/m)
w: ângulo sólido da parte luminosa de cada luminária junto ao olho do observador
(esferorradiano)
p: índice de posição Guth de cada luminária, individualmente relacionado ao seu
deslocamento a partir da linha de visão

O UGR pode ser escalonado conforme mostrado a seguir, onde o número 13


representa o ofuscamento desconfortável menos perceptível:
Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 10
Escala do UGR: 13 – 16 – 19 – 22 – 25 – 28

De acordo com a publicação 117 da CIE, o método UGR não deve ser utilizado para
as grandes fontes de luz (luminárias individuais com superfícies luminosas maiores que
2
1,5m ou tetos uniformemente iluminados) ou para pequenas fontes de luz (encontrados em
salas com altura inferior a 3m ou em salões altos, com altura de montagem da luminária
superior a 6m).

O ofuscamento refletido pode ser prejudicial quando resulta em reflexos de


superfícies excessivamente brilhantes sobre o plano de trabalho. Alguns modelos de
luminárias possuem elementos de controle de luz ou sistemas ópticos constituídos de
refletores parabólicos em alumínio polido (brilhante ou acetinado), que têm como finalidade
dirigir a luz para as áreas desejadas, distribuindo-a melhor e permitindo a redução do
ofuscamento provocado por reflexões no ambiente e na tela dos computadores.

Para o ofuscamento refletido os limites de luminância são especificados para


luminárias que podem refletir ao longo da linha normal de visão de uma tela inclinada em até
2
15º. A NBR ISO/CIE 8995-1:2013 recomenda que a luminância não exceda 200cd/m em
telas de monitores utilizados em estações de trabalho, com fundo escuro. Para os monitores
com um bom acabamento antirreflexo ou antiofuscamento a iluminância não deve exceder
1000cd/m2. Esse valores especificados devem ser considerados para ângulos iguais ou
maiores que 65º, a partir de uma vertical descendente, conforme mostra a figura 5.14.

Figura 5.14: Zona crítica de radiação ( ɣ≥65º) para luminância de


luminária ue ode rovocar ofuscamento or reflexão em uma tela

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 11


5.5- PR OJ E TO DE ILUMINA ÇÃO

O projeto de iluminação de um estabelecimento envolve algumas decisões


preliminares relativas ao local (sala, escritório, loja, indústria . . .) e ao tipo de atividade que
será desenvolvida (trabalho bruto, atividades minuciosas que exijam iluminamento intenso,
etc.), sendo necessário determinar:

1. O tipo de lâmpada para os ambientes.

2. O tipo de iluminação: direta, indireta, etc.

3. As dimensões do local eas cores do teto, parede episo.

4. As alturas das mesas, bancadas de trabalho ou máquinas a serem operadas, conforme o


caso.

5. A possibilidade de fácil manutenção das luminárias.

A primeira etapa na elaboração de um projeto luminotécnico é a determinação do


nível de iluminamento ou da iluminância (designação adotada pela NBR ISO/CIE 8995-
1:2013), que pode ser obtido considerando-se:

 ̅
A iluminância mantida (  , lux): valor abaixo do qual não convém que a iluminância
média da superfície especificada seja reduzida;

 O índice de reprodução de cores mínimo para cada atividade ou tarefa (Ra);

 O valor limite para o Índice de Ofuscamento Unificado (UGR L) associado.

5.5.1- SELEÇÃO DA ILUMINÂNCIA

A tabela 5.2 apresenta alguns requisitos de iluminação, por tipo de atividade,


recomendados pela NBR ISO/CIE 8995-1:2013. Se um ambiente particular, tarefa ou
atividade não estiverem listados nessa tabela, podem ser adotados os valores
recomendados para atividades similares.

Tabela 5.2: Requisitos para projetos de iluminação de interiores


Atividade Iluminância UGRL Ra
(lux)
Sala de espera 200 22 80
Áreas de circulação e corredores 100 28 40
Escadas, escadas rolantes e esteira rolantes 150 25 40
Vestiários, banheiros e toaletes 200 25 80
Depósitos, estoques, câmara fria 100 a 200 25 60
Padaria: preparação e fornada 300 22 80
Padaria: acabamento e decoração 500 22 80
Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 12
Indústria de alimentos: locais de trabalho em cervejaria, 200 25 80
maltagem, lavagem, enchimento de barris, limpeza,
peneiração, descascamento, alimentos em conserva, fábrica
de chocolate, fábrica de açúcar, secagem e fermentação de
tabaco cru e câmara de fermentação
Triagem e lavagem de produtos, moagem, mistura, 300 25 80
embalagem, corte e triagem de frutas e vegetais
Fabricação de alimentos finos, cozinha 500 22 80
Refeitório, cantina 200 22 80
Cabeleireiro 500 19 90
Lavanderia: entrada de mercadorias, lavagem e limpeza e 300 25 80
seco, passagem de roupas
Gráficas: corte, gravação em relevo, gravura em bloco, 500 19 80
trabalhos em pedras e placas, impressão
Escritórios: desenho técnico 750 16 80
Escritórios: escrever, ler, teclar e processar dados 500 19 80
Escritórios: salas de reunião e conferência (com iluminação 500 19 80
controlável)
Restaurantes e hotéis: recepção, caixa, portaria, bufê 300 22 80
Restaurantes e hotéis: restaurante, sala de jantar, sala de 200 22 80
eventos, restaurante self service
Teatros e salas de concerto 200 22 80

Museus (em geral) 300 19 80


Bibliotecas: áreas de leitura e bibliotecárias 500 19 80
Brinquedoteca e berçário 300 19 80
Salas de aula, salas de aulas particulares 300 19 80
Salas de aulas noturnas e educação de adultos 500 19 80
Salas de ensino de computador, salas de arte e artesanato, 500 19 80
salas de aplicação e laboratórios
Salas de esportes, ginásios e piscinas 300 22 80
Enfermarias: iluminação de leitura, exames simples 300 19 80
Salas de exames em geral, dermatologia, pré-operatório e 500 19 90
de recuperação
Salas de diálise e gesso 500 19 80
UTI: iluminação geral 500 19 90
Salas de autópsia e necrotérios 500 19 90
Aeroportos: saguões de embarque e desembarque, áreas 200 22 80
de entrega de bagagem
Igrejas, mosteiros, sinagogas, templos, etc.: geral 100 25 80
Igrejas, mosteiros, sinagogas, templos, etc.: altar 300 22 80
Varejo: área de vendas 300 a 500 22 80
Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 13
5.5.2- MÉTODO DOS LÚMENS PARA CÁLCULOS DE ILUMINAÇÃO

Determina o fluxo luminoso total ( ) necessário para se obter um


iluminamento médio uniforme no ambiente:

ExS
 (lúmens)
uxd

onde:
E: iluminamento desejado, em lux
S: área do compartimento, em m2
u: fator de utilização
d: fator de depreciação

Pelo Método da PHILIPS, determina-se:

C x L
 O fator do local (K ) , dado por: K 
(C  L)h

C: comprimento
L: largura
h: altura da luminária ao plano de trabalho (que corresponde a altura do plano de trabalho
subtraída da altura total do ambiente). Quando a altura do plano de trabalho não for definida,
pode-se adotar um plano horizontal a 0,75m do piso.

 O fator de utilização (u), determinado em função:


- Do tipo de lâmpada a ser utilizado, sua potência e o modelo da luminária.
- Do fator do local.
- Do índice de reflexão, codificado em função das cores do teto, da parede e do piso.

 O fator de depreciação (d ): que leva em consideração a diminuição do fluxo luminoso


de um aparelho provocado pela utilização das lâmpadas, pela poeira e sujeira que se
depositam sobre os aparelhos e pelo escurecimento progressivo das paredes e tetod (= 0,8
para boa manutenção ed = 0,6 para manutenção crítica).

TABELAS DE FATORES DE REFLEXÃO

Tabela 5.3: Para superfícies de um modo geral


Superfícies brancas 70%
Superfícies
Superfícies claras
medianamente claras 50%
30%
Superfícies escuras 10%
Absorção total 0%

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 14


Tabela 5.4: Considerando as cores dos revestimentos
Branco 75 a 85 %
Marfim 63 a 80 %
Creme 56 a 72 %
Amarelo claro 65 a 75 %
Marrom 17 a 41 %
Verde claro 50 a 65 %
Verde escuro 10 a 22 %
Azul claro 50 a 60 %
Rosa 50 a 58 %
Vermelho 10 a 20 %
Cinzento 40 a 50 %

Tabela 5.5: Considerando as cores dos revestimentos das paredes e do teto


Teto branco 75%
Teto claro 50%
Paredes brancas 50%
Paredes claras 30%
Paredes medianamente claras 10%

Em seguida, determina-se o número de luminárias necessário:


N 

: fluxo de cada luminária (produto do fluxo de uma lâmpada pelo número de lâmpadas da
luminária).

Em função do número de luminárias obtido, procura-se distribui-las da forma


mais uniforme possível no ambiente.

5.6- ILUMINA ÇÃO POR PR OJ E TOR E S


5.6.1- CLASSIFICAÇÃO
a) Q uanto à construç ão:

 Abertos: possuem somente a fonte de luz e o refletor. Oferecem pouca proteção à


lâmpada, permitem grande acúmulo de poeira em seu interior, aumentando o fator de
depreciação.

 Fechados: possuem refletores de alumínio ou de ligas de alta refletância, que melhoram


o rendimento e proporcionam melhor controle do facho luminoso emitido e maior
proteção à lâmpada.

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 15


b) Quanto ao âng ulo de abertura dos fachos luminos os :

 Facho estreito:  < 250

 Facho médio: 35 0 <  < 700

 Facho largo:  > 700

“A abertura
compreendido dovetores
entre dois facho luminoso de umcorrespondem
cujos módulos projetor é definida
a 10% como o ângulo
ou a 50% 
da média
das dez maiores intensidades luminosas proporcionadas pelo projetor” (figura 5.15).

0,1I 0,5I

10 10
 I  0,1 I máx

I
I  0,1 máx
1 1

0,1I 0,5I

Figura 5.15 a): Ângulo de abertura Figura 5.15 b): Ângulo de abertura
do facho luminoso de um projetor segundo a do facho luminoso de um projetor
norma norte-americana segundo a norma européia

De acordo com a norma Norte Americana, ofator (F) de um projetor é uma


constante que, multiplicada pela distância (d) do projetor à superfície a ser iluminada,
fornece o diâmetro (e) do facho sobre essa superfície. Então (figura 5.16):

 e

Figura 5.16: Ângulo de abertura de um projetor

Onde:

0,5 e = d tg (  / 2) ou e = 2 d tg ( / 2)

Fazendo: 2 tg ( / 2) = F  e = d F

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 16


5.6.2- NÍVEIS DE ILUMINAMENTO RECOMENDADOS

A seguir serão indicados alguns níveis de iluminamento recomendados a


diversos ambientes:

Tabela 5.6: Iluminação de monumentos e fachadas de edificações


Refletância da superfície Nível de iluminamento nas redondezas (lux)
a ser iluminada (%) Baixo Elevado
70 – 85 50 150
45 – 70 100 200
20 – 45 150 300
10 – 20 200 500

Tabela 5.7: Iluminação de ambientes esportivos


Esporte E (lux)
Basquetebol - Profissional 500 – 800
Clube 300
Recreio 100
Box - Campeonatos 5000
Profissional 2000
Amador 1000
Futebol - Profissional 500 – 1500
Clube 250
Recreio 100
Ginástica - Exercícios 200
Exibições 300
Piscinas 100
Pistas de corrida 200
Tênis - Torneio 300 – 500
Clube 200 – 300
Recreio 100 – 150

Voleibol - Clube 200


Recreio 100

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 17


Tabela 5.8: Iluminação de áreas abertas
Tipo de Local E (lux)
Parques de estacionamento 15 – 30
Cais de porto 50
Depósito ao ar livre 10 – 20
Postos de gasolina (geral) 100
Lubrificação 200
Trabalhos de construção civil 50 – 100
Trabalhos de escavações 20 – 50

5.6.3- CÁLCULO DE ILUMINAÇÃO POR PROJETOR

- MÉTODO DO FLUXO LUMINOSO

 Fluxo luminoso total que deverá atingir a área iluminada( ):

Ex S
 (lúmens)
Fd

onde:
E: nível de iluminamento desejado
S: área a ser iluminada
Fd: fator de depreciação do projetor (projetor aberto: 0,65; projetor fechado: 0,75)

 Número de projetores necessários (N):


N 

onde:
: fluxo luminoso do facho do projetor (lm)

 Fator de utilização da instalação (Fu): será considerado quando for verificado o nível final
de iluminação obtido. É definido como a relação entre o fluxo luminoso que incide sobre a
superfície e o fluxo luminoso total emitido pelo facho do projetor, assumindo normalmente os
seguintes valores:

 Se todos os projetores têm seus fachos totalmente dentro da área a ser


iluminada: Fu = 1,0.

 Se 50% ou mais dos projetores têm seus fachos totalmente dentro da área a ser
iluminada: Fu = 0,75.

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 18


 Se de 25% a 50% dos projetores têm seus fachos dentro da área a ser
iluminada: Fu = 0,60.

 Se menos de 25% dos projetores têm seus fachos dentro da área a ser
iluminada: Fu = 0,40.

Calculado o número de projetores necessário deve-se localizá-los de


maneira que o iluminamento seja o mais uniforme possível. Para isso, deve-se considerar
que:

 O espaçamento entre os projetores não deve exceder quatro vezes a sua altura de
montagem.

 O espaçamento máximo entre os projetores também deverá ser menor que a metade do
diâmetro do facho luminoso sobre a superfície, ou seja, cada área elementar (principal)
deverá ser iluminada pelo menos por dois projetores.

 Devem ser utilizados projetores de facho o mais aberto possível, compatível com a
instalação.

- Iluminamento final considerado:

N  Fd Fu
E 

S
(lux)

A tabela 5.9 apresenta algumas alturas mínimas recomendadas para a


montagem de projetores.

Tabela 5.9: Alturas de montagem recomendadas para projetores


Altura Mínima (m) Lâmpadas (tipo e potência)
5 M (125W), VM (70W), S (70W)
6 M (250W), VM (150W), S (150W)
7 VM (250W)
8 M (400W), S (250W)
9 VM (400W)
10 S (400W)
12 VM (1000W)
14 S (1000W)
15 VM (2000W)

M: vapor de mercúrio; VM: vapor metálico ou multivapores metálicos; S: vapor de sódio

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 19


- MÉTODO “PONTO A PONTO”

Quando as dimensões da fonte luminosa são muito pequenas em relação ao


plano que deve ser iluminado, pode-se considerar a fonte como sendo puntiforme e utilizar o
método ponto a ponto no projeto de iluminação do ambiente:

 Esse método permite o cálculo do iluminamento em qualquer ponto de uma superfície a


partir de qualquer projetor cujo facho atinja o ponto considerado.

 O nível final de iluminamento alcançado paraum determinado ponto será a soma dos
iluminamentos proporcionados por cada projetor que o alcança.

LEIS DO ILUMINAMENTO PRODUZIDO POR UMA FONTE PUNTIFORME

Considerando-se o foco luminoso situado em um ponto P a uma distância d


do ponto A localizado em um plano L qualquer, tem-se (figura 5.17):

d N
h 

A
ds

Figura 5.17: Localização do foco luminoso

onde:
: ângulo que a normal N faz com AP
ds: área elementar que limita o ângulo sólido d, de vértice em P

Observação: seja uma esfera de raio unitário em cuja superfície está contida uma área
elementar, s, também unitária (figura 5.18). O ângulo que tem por vértice o centro da esfera
e que é limitado pelo contorno da área unitária na superfície da esfera é denominado de
ângulo sólido ( = 1sr - um esterradiano).

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 20


s = 1m2
r = 1m 

Figura 5.18: Definição de ângulo sólido

Admitindo-se que a situação mostrada na figura 5.17 é um caso particular do


que é mostrado pela figura 5.18, tem-se para o ângulo d:

ds cos
d 

2
d

Por definição, Intensidade Luminosa (I) é o “limite da relação entre o fluxo


luminoso em um ângulo sólido em torno de uma direção dada e o valor desse ângulo sólido,
quando esse ângulo tende a zero” (figura5.19).

d

d

Figura 5.19: Definição de Intensidade Luminosa

d
Logo: I 
(cd)
d

E: d = I d

Substituindo-se na equação acima o valor de d  encontrado anteriormente,


tem-se:
Ids cos 
d 

2
d

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 21


d I cos

Então: ds 2
d

O iluminamento E, em lm/m2, na área ds será:

d
E 

ds

I cos 
E 

Logo: 2 (lux)
d

A equação acima resume as leis do iluminamento apresentadas a seguir:

1. O iluminamento varia diretamente coma intensidade luminosa noponto considerado.

2. O iluminamento varia inversamente com o quadrado da distância da fonte ao ponto


iluminado.

3. O iluminamento varia proporcionalmente ao co-seno do ângulo formado pela normal à


superfície no ponto considerado e pela direção do raio luminoso que incide sobre o
mesmo.

Da figura 5.17, tem-se: h = d x cos


Logo, o iluminamento também poderá ser calculado por:

3
I cos 
E 

2 (lux)
h

Observações:

 Na equação acima, o valor da intensidade luminosa (I), para um dado ângulo , deve ser
obtido a partir das Curvas de Distribuição Luminosaapresentadas pelos fabricantes em
seus catálogos.

 Nessas curvas, a lâmpada ou luminária é reduzida a um ponto no centro de um


diagrama polar e a intensidade luminosa nas várias direções possíveis - em candelas

por 1000 lúmens - é apresentada.

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 22


5.6.4- FOCALIZAÇÃO DOS PROJETORES

Algumas regras que ajudam na determinação da localização do foco dos projetores


são apresentadas a seguir e ilustradas na figura 5.20:

 O foco dos projetores (ponto de apontamento) deve ser localizado a uma distância entre
67% e 75% da largura do local a ser iluminado;

 O nível máximo de iluminância horizontal promovido por um projetor de facho vertical

simétrico é obtido quando ele é apontado com um ângulo igual a 53º com a vertical;
Deve-se procurar manter um ângulo de incidência inferior a 63º, a fim de minimizar o
ofuscamento.


h

A
N

0,67
 LN
= 63º 0,75 L

Figura 5.20: Determinação do ponto de focalização dos projetores

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 23


5.7- ILUMINA ÇÃO DE R UA S E CALÇADAS

A seguir serão descritas as regras práticas que servem de orientação em projetos de


iluminação que complementam alguns projetos de instalações prediais, como é o caso de
arruamentos de complexos industriais e conjuntos habitacionais.

Para o iluminamento de ruas e calçadas utiliza-se normalmente o Diagrama de


Curvas Isolux, nos quais a iluminância é representada sob forma percentual, onde 100
equivale ao valor máximo. Um exemplo de curva isolux é mostrado a seguir (figura 5.21):

1h 0 1h 2h 3h

CALÇADA RUA
2h

1h

100
0
90

1h 60
40
20
2h 9
5
3h 3
2
4h
1
5h

Figura 5.21: Diagrama de Curvas Isolux relativas num plano por 1000 lm


Emáx  0,128 2
h

: fluxo luminoso da lâmpada em lúmens


h: altura de montagem em metros

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 24


Pode-se obter também o nível médio de iluminação produzido pela luminária
utilizando-se a Curva de Fator de Utilização, que fornece o Coeficiente de Utilização. Esse
último indica a percentagem dos lúmens da lâmpada que a luminária envia a uma faixa do
solo com largura determinada. Um exemplo de curva de fator de utilização é mostrado a
seguir (figura 5.22):

0,5 CALÇADA
RUA

0,4

0,3

0,2

0,1

0,0
1h 0 1h 2h 3h
Figura 5.22: Curva de Fator de Utilização

O fator de utilização permite calcular a quantidade de luz recebida pela


calçada e pela via. Para isso, as seguintes equações podem ser utilizadas:

- Iluminância Média na Rua:

Ur
Er 
S L

onde:
Er: iluminação na rua, lux
: fluxo da lâmpada, lm
Ur: fator de utilização do lado da rua
S: espaçamento entre os postes, m
L: largura da rua, m

- Iluminância Média na Calçada:


Uc
Ec 
Sl

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 25


onde:
Ec: iluminação na calçada, lux
: fluxo da lâmpada, lm
Uc: fator de utilização do lado da calçada
S: espaçamento entre os postes, m
l: largura da calçada, m

A tabela 5.10 apresenta alguns níveis de iluminamento recomendados para


áreas externas:

Tabela 5.10: Níveis de iluminamento para áreas externas


Área E (lux)
Depósitos ao ar livre 10
Parques de estacionamento 50
Vias de tráfego 70

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 26


ANEXO – PLANILHA DE PROJETO LUMINOTÉCNICO

Empresa:
Obra:
Projetista:
Recinto: Data:
01 Comprimento a m
02
03 Largura
Área S = a.b b m
m
04 Pé-direito H m
Descrição 05 Pé-direito útil h = H – hplano m
trab. – hforro ou
do pendente
06 Fator do local ou índice do a.b
Ambiente k 
recinto (a  b).h
07 Fator de depreciação Fd
08 Coeficiente de reflexão Teto
09 Coeficiente de reflexão Paredes
10 Coeficiente de reflexão Piso
11 Iluminância planejada E lux
Características 12 Tonalidade ou temperatura de K K
da cor
Iluminação 13 Índice de reprodução de cores IRC

14
15 Tipo de
Fluxo lâmpadade cada
luminoso  lm
lâmpada
Lâmpadas 16 Lâmpadas por luminária n
17 Tipo de luminária
e 18 Fator de utilização Fu
19 Fluxo luminoso total E .S lm

Luminárias F u .F d
20 Número de luminárias  unid.
N 
n.

Cálculo 21 Quantidade de luminárias no Nadotado unid.


de recinto
Controle 22 Iluminância alcançada Efinal lux
23 Potência total instalada N .W
* kW
Pt
Cálculo 

1000
24 Densidade de potência Pt .1000 W/m2

do D S

Consumo 25 Densidade de potência D .100 W/m2


Dr
relativa 

E por 100
lux
*
W = potência do conjunto lâmpada + acessório

Instalações Elétricas – Capítulo 5: Iluminação 27