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HISTÓRIA ECONOMICA E EMPRESARIAL

Objetivos

Através do programa de História Económica e Empresarial visa-se proporcionar aos alunos uma
visão panorâmica das principais tendências da evolução das organizações empresariais e do
pensamento sobre a gestão, integrando-a no contexto da evolução das principais economias de
mercado, desde meados do século XVIII até finais do século XX.
Exige-se dos alunos clareza de exposição escrita e oral, coerência na argumentação aduzida,
capacidade de síntese dos materiais de apoio à realização de provas de avaliação e capacidade
para apresentar uma perspectiva/tese/ponto de vista/um trabalho sobre um determinado tema.

Programa – 1º Ano – Licenciatura – Economia e Gestão

As empresas entre o mercado e o estado nas principais economias de mercado (1750-2000)

1. Industrialização e liberalismo (1750-1914)


1.1. Mudanças estruturais
1.2. Mudanças na política económica e afirmação do Estado Liberal
1.3. Prosperidade e contestação social
1.4. Avanço da globalização
1.5. O mundo empresarial nos alvores da industrialização
1.6. Emergência da moderna grande empresa e do moderno pensamento sobre a gestão

2. Instabilidade e crise (1914-1945)


2.1. O ruir da velha ordem liberal
2.2. A deriva proteccionista e as soluções para a crise
2.3. Consolidação da moderna grande empresa
2.4. Afirmação das escolas clássica e comportamental do pensamento sobre a gestão

3. Crescimento e globalização (1945-2000)


3.1. A época dourada do crescimento económico (1945-1973)
3.1.1. Emergência da economia de mercado dirigido e crescimento do sector público
3.1.2. Retoma do liberalismo económico e institucionalização da cooperação económica
internacional
3.1.3. O reforço da diversificação da moderna grande empresa
3.1.4. Afirmação da escola da ciência da gestão
3.2. A crise dos anos 70 e os desafios de fim de século (1973-2000)
3.2.1. A emergência do neo-liberalismo
3.2.2. Reforço da globalização
3.2.3. A reestruturação da moderna grande empresa
3.2.4. Afirmação das abordagens sistémica e contingente do pensamento sobre a gestão

Bibliografia Obrigatória
Amatori, F. & Colli, A. ; Business History. Complexities and Comparisons, Routledge, 2011
Cunha, M. P., Rego, A., Cabral-Cardoso, C. ; Tempos Modernos. Uma História das
Organizações e da Gestão, Edições Sílabo, 2007
Friedman, M. & Friedman, R. ; Liberdade para Escolher, Publicações Europa América, 1980
Friedman, M. & Friedman, R.;; Free to choose, Harcourt, 1980
Heilbroner, R. and Milberg, W.; The Making of Economic Society, Prentice Hall, 2008
Jones, G.; Multinationals and Global Capitalism, from the Nineteenth to the Twenty-First Century,
Oxford University Press, 2005
Kenwood, A.G. & Lougheed, A.L. ; The Growth of the International Economy 1820-2000, George
Allen & Unwin, 1999 [1971]
Maddison, A ; Dynamic Forces in Capitalist Development , Oxford University Press, 1991
Maddison, A.; “Fluctuations in the momentum of growth within the capitalist epoch”, Cliometrica,
1, pp. 145-175, 2007
Maddison, A.; Contours of the World Economy, 1-2030 AD, Oxford University Press, 2007
Neale, W. C.; “The market in theory and history”, in Trade and Market in the Early Empires, K.
Polanyi, C. M. Arensberg & H. Pearson (eds.), pp.357-372, The Free Press, 1957
Supple, B. ; “The State and the Industrial Revolution”, in The Fontana Economic History of
Europe, vol. 3, C. Cipolla (ed.),pp. 301-357, Collin, 1977
The Cambridge Economic History of Modern Europe Broadberry, S. and O'Rourke K. (eds.),
Cambridge University Press, 2010
The Oxford Handbook of Business History Jones, G. and Zeitlin, J. (eds.), Oxford University
Press, 2007
Wolf, M. ; Why Globalization Works, Yale University Press, 2005
Wren, D. A.; The History of Management Thought , John Wiley & Sons, Inc., 2005
Revolução Industrial
A Revolução Industrial foi um processo de grandes transformações econômico-sociais que
começou na Inglaterra no século XVIII.

A Revolução Industrial se espalhou por grande parte do hemisfério norte durante todo o século
XIX e início do século XX.

Resumo
O processo histórico que levou à substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia
humana pela energia motriz e do modo de produção doméstico pelo sistema fabril constituiu a
Revolução Industrial.

O advento da produção em larga escala mecanizada deu início às transformações dos países da
Europa e da América do Norte.

Estas nações se transformaram em predominantemente industriais, com suas populações cada


vez mais concentradas nas cidades.

Trabalhadores na Fábrica

Causas da Revolução Industrial

A expansão do comércio internacional dos séculos XVI e XVII trouxe um extraordinário aumento
da riqueza, permitindo a acumulação de capital capaz de financiar o progresso técnico e o alto
custo da instalação nas indústrias.

A burguesia europeia, fortalecida com o desenvolvimento dos seus negócios, passou a investir
na elaboração de projectos para aperfeiçoamento das técnicas de produção e na criação de
máquinas para a indústria.

Logo, verificou-se que maior produtividade e maiores lucros para os empresários poderiam ser
obtidos acrescentando-se o emprego de máquinas em larga escala.

Principais Causas da Revolução Industrial


As principais causas da Revolução Industrial na Inglaterra foram:

 Hegemonia naval inglesa e posição geográfica estratégica


 Ausência de barreiras alfandegárias (zona de livre comércio da Europa)
 Crescimento demográfico na Europa
 Fortalecimento e investimento da burguesia
 Fim da monarquia e do absolutismo na Inglaterra
 Surgimento do parlamentarismo
 Aumento da riqueza e acúmulo de capital
 Revolução comercial e expansão do comércio internacional
 Consolidação do sistema capitalista (capitalismo industrial)
 Desenvolvimento da indústria metalúrgica e siderúrgica
 Criação de máquinas para as indústrias
 Invenção da máquina de fiar, tear mecânico e da máquina a vapor
 Melhoria dos métodos agrícolas
 Grande disponibilidade de matéria-prima na Inglaterra
 Aperfeiçoamento e inovação das técnicas de produção
 Mecanização dos processos de produção
 Crescimento do mercado consumidor mundial
 Aumento do êxodo rural (mão-de-obra barata)
 Progresso técnico e científico
 Influência do Iluminismo e revolução intelectual
 Introdução do liberalismo político e económico

Consequências da Revolução Industrial

O longo caminho de descobertas e invenções foi uma forma de distanciar os países entre si, no
que diz respeito ao poder económico e político.

Afinal, nem todos se industrializaram, permanecendo na condição de fornecedores de matérias


primas e produtos agrícolas para os países industrializados.

Principais Consequências da Revolução Industrial: Resumo


 Divisão e especialização do trabalho
 Fortalecimento de duas classes: burguesia industrial e o proletariado fabril
 Elevado crescimento económico
 Concentração de renda na mão dos donos das indústrias
 Fortalecimento político e económico da burguesia
 Formação de uma elite industrial
 Surgimento das linhas de montagem (Fordismo e Taylorismo)
 Diminuição das corporações ligadas ao artesanato (manufacturas)
 Substituição da manufactura para a maquinofactura
 Criação de empresas e indústrias
 Dinamização do processo industrial
 Aumento do rendimento do trabalho
 Redução do custo de produção
 Aumento da concorrência
 Expansão e consolidação do sistema capitalista
 Surgimento do Socialismo
 Progresso científico e tecnológico
 Avanço dos sistemas de comunicações e transporte
 Desenvolvimento industrial e urbano
 Aumento do êxodo rural
 Crescimento das cidades e da população
 Crescimento desordenado das cidades
 As cidades tornam-se grandes centros industriais
 Expansão do comércio e das atividades industriais
 Aumento da produtividade e do mercado consumidor
 Surgimento de uma nova classe operária (proletariado)
 Aumento das lutas operárias
 Surgimento dos Trade Union (sindicatos)
 Expansão do imperialismo
 Aumento das desigualdades sociais
 Avanço dos impactos ambientais

Fases da Revolução Industrial


Foi na Inglaterra que tudo começou e por isso a Revolução Industrial Inglesa foi pioneira na
Europa e no mundo.

A Inglaterra, possuía capital, estabilidade política e equipamentos necessários para tomar a


dianteira do avanço da Indústria.

Também tinha colônias na África e na Ásia que garantiam fornecimento de matéria-prima com
mão de obra barata.

Vale lembrar que a expansão da industrialização esteve dividida em três períodos:

 Primeira Revolução Industrial (1750 a 1850)


 Segunda Revolução Industrial (1850 a 1950)
 Terceira Revolução Industrial (1950-até a atualidade)

Primeira Revolução Industrial

A Primeira Revolução Industrial que ocorreu em meados do século XVIII e do século XIX teve
como principal característica o surgimento da mecanização que operou significativas
transformações em quase todos os setores da vida humana.

Na estrutura socioeconómica, fez-se a separação definitiva entre o capital, representado pelos


donos dos meios de produção, e o trabalho, representado pelos assalariados. Isto eliminou a
antiga organização corporativa da produção utilizada pelos artesãos.

Submetidos à baixa remuneração, condições de trabalho e de vida sub-humanas, em oposição


ao enriquecimento dos patrões, os trabalhadores associaram-se em organizações trabalhistas
como as trade unions (sindicatos) fomentando ideias diante do quadro social da nova ordem
industrial.
Protesto organizado pelo Sindicato de Trabalhadores Municipais

A Revolução Industrial estabeleceu a definitiva supremacia burguesa na ordem económica, ao


mesmo tempo que acelerou o êxodo rural, o crescimento urbano e a formação da classe
operária.

Era o início de uma nova época, onde a política, a ideologia e a cultura gravitavam em dois
polos: a burguesia industrial e financeira e o proletariado.

A mecanização se estendeu do sector têxtil para a metalurgia, para os transportes, para a


agricultura e para os outros setores da economia.

As fábricas empregavam grande número de trabalhadores. Todas essas inovações influenciaram


a aceleração do contato entre culturas e a própria reorganização do espaço e do capitalismo.

Nessa fase o Estado passou a participar cada vez mais da economia, regulando crises
económicas e o mercado e criando uma infra-estrutura em setores que exigiam muitos
investimentos.

Segunda Revolução Industrial

A partir do final do século XIX, período conhecido como a fase da livre concorrência fica para
trás e o capitalismo se tornava cada vez menos competitivo e mais monopolista. Empresas ou
países monopolizavam o comércio. Era a fase do capitalismo financeiro ou monopolista,
marcada pela Segunda Revolução Industrial.

Desde então se estabeleciam as bases do progresso tecnológico e científico, visando a invenção


e o constante aperfeiçoamento dos produtos e técnicas, para melhor desempenho industrial.

Abriam-se as condições para o imperialismo colonialista e a luta de classes, formando as bases


do mundo contemporâneo.