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UNIVERSIDADE DEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE / CCHLA/ DLLEM 2017.

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COM202 HISTÓRIA E TEORIAS DA COMUNICAÇÃO T. 01
GRUPO 6 Prof. Juciano Lacerda
Alunxs: Ana Beatriz Figueiredo, Thacyany Fagundes, João Bezerra, Henrique Mendes,
Pedro Henrique Andrade

Resposta 1: Recepção em Jauss

A recepção, em Jauss a leitura, estaria compreendida nos contextos sociais e


políticos em que as mensagens chegam aos receptores. Assim, a exemplo da literatura, o
texto das obras literárias tem seu sentido completo apenas no contato com o leitor, e as
condições que determinam essa leitura são impossíveis de fixar, uma vez que estão
sujeitas aos mais diversos fatores situacionais- históricos e geopolíticos- que o
influenciam, num processo que remeteria a um horizonte duplo dividido entre o
implicado na concepção da obra e o projetado pelo leitor de determinada sociedade. Ao
conjunto de pensamentos voltados para este aspecto nomeou-se estética da recepção,
segundo a qual os produtos da indústria cultural estariam sujeitos à aprovação ou
recusa por parte do receptor, que desenvolveria uma atividade estética individual na
atribuição de sentido àquele produto.
Há na definição de recepção um reposicionamento da ideia de autor e leitor,
onde a linguagem e a textualidade não davam mais conta sozinhas da significação de
texto, bem como da ideia da própria obra de arte, cuja atribuição de sentido partiria,
então, de uma interação entre a consciência individual do criador e a consciência
coletiva de seu leitor, consumidor enquanto ser social. A teoria literária passa a
conceder um papel central para o leitor e neste contexto ele passa a ser o elemento
recriador de significado das obras, levando-se em conta tanto os aspectos recepcionais
contemporâneos às produções artísticas, como também as condições de recepção a
determinada produção em diferentes momentos ao longo do processo histórico. Estes
estudos centrados no receptor se estendem para os estudos da mídia e são definidores
para a formulação das teorias sobre os efeitos dos produtos da indústria de comunicação
de massa em sua interação mediada com a sociedade.
Assim, a recepção não é o consumo meramente passivo, mas é entendida como
um fenômeno da produção de sentido diante de uma obra e está constituída na
aproximação filosófica entre o sujeito e o objeto interagindo entre si, de modo que essa
relação extrapolaria as estratégias mercadológicas implicadas num produto cultural na
sua concepção enquanto mercadoria capitalista.

Resposta 2: Midiatização em Fausto Neto

O papel central das novas técnicas de mídia. Hoje transformadas em mídia


propriamente com o advento da internet, promove o que o autor caracteriza como um
processo que, imbuído da ampliação das possibilidades de interação e relação, denota
novas acepções à cultura, num contexto em que as relações sociais assumem um caráter
sociotécnico, onde a mídia é a principal mediadora do convívio social e pauta o
funcionamento das instituições- tanto das oficiais, ligadas ao Estado, quanto das morais,
ligadas a religião, como o casamento e a família.
Desse modo, com agentes diversos interagindo estrategicamente nos espaços de
mídia, não só na recepção, mas também na produção de conteúdo, há o que Fausto Neto
nomeia como disjunção entre o que é ofertado pela grande mídia e a atribuição de
sentido àquele produto, dado o fato de que os debates em torno das produções de mídia
terem as mais diferentes reações, potencializadas na internet.
O autor fala, então, em descontinuidades nesse processo, sendo não-lineares as
formas de atribuição de sentido, assim como o campo midiático e jornalístico estão
contidos, fatalmente, na transversalidade dos processos de produção de conteúdo que
caracterizam as relações nos espaços cibernéticos, reposicionando, neste contexto, as
funções dos atores sociais e até mesmo a relação de proximidade entre famosos e
anônimos.