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O FOGO

CURSO DE PROTEÇÃO CIVIL


Proteção e Combate a Incêndios
© João C.G. Vasconcelos 2014
OBJETIVOS

Identificar, compreender e aplicar:


- O Fogo (considerações gerais, definições, componentes e
caracterização de chamas, fumos e gases);

- Domínio de inflamabilidade;

- Dinâmica do fogo (Formas de propagação e evolução de um incêndio);

- Classes de fogos;

- Métodos de extinção de incêndios;

- Casos de estudo.
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O FOGO
Aristóteles refere 4 elementos
(substâncias) essenciais na natureza:
TERRA, FOGO, ÁGUA E AR

Detalhe de “A Escola de Atenas”, de


Raffaello Sanzio, 1509.
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O FOGO

Mas hoje, o FOGO não é entendido como uma


substância, mas como um PROCESSO.

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O FOGO

O fogo é uma combustão, caracterizada por uma


emissão de calor, acompanhada de fumo ou de chama
ou de ambos.
NP 3874-1

A rapid oxidation process, which is a chemical


reaction resulting in the evolution of light and heat in
varying intensities.
NFPA 921

NFPA – National Fire Protection Association, http://www.nfpa.org/ (USA)

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O FOGO

Combustão é uma reação química exotérmica de uma


substância combustível com um comburente, suscetível
de ser acompanhada de uma emissão de chama e/ou de
incandescência e/ou de emissão de fumo.
NP 3874-1

A COMBUSTÃO transforma a energia química potencial


contida num combustível em energia cinética que neste caso
também se designa de energia calorífica.

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O FOGO

A energia calorífica é uma forma de energia


caracterizada pela vibração das moléculas capazes de
iniciarem e suportarem alterações químicas e
alterações de estado.
NFPA 921
Dito de outra forma, é a energia necessária para alterar a temperatura de um corpo – ao
adicionarmos calor, a temperatura aumenta; ao removermos o calor, a temperatura diminui.
A energia calorífica é quantificada em Joules (J). No entanto, pode também ser
quantificada em calorias (1 caloria = 4,184 J) ou BTU ( 1 BTU = 1055 J).
In Fire Dynamics, http://www.nist.gov/fire/fire_behavior.cfm

NIST - National Institute of Standards and Technology, http://www.nist.gov

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CALORIA (cal): Quantidade de energia necessária para elevar 1 °C a
temperatura de 1 g de água. Não faz parte do Sistema Internacional de
Unidades (SI);

JOULE (J) : Quantidade de energia correspondente à aplicação de uma força


de 1 Newton durante o percurso de 1 Metro. Considerando as unidades
referidas, é a energia necessária para acelerar uma massa de 1 Quilograma, no
UNIDADES

percurso de 1 Metro, durante 1 Segundo ao quadrado.


O Joule é tradicionalmente utilizado para medir energia mecânica (trabalho) e
energia térmica (calor). No SI, o trabalho e o calor são medidos em Joules.

BRITISH THERMAL UNIT (BTU): Unidade técnica britânica usada para a medir
a quantidade de calor. É definida como a quantidade de energia necessária
para se elevar a temperatura de uma massa de uma libra de água de 59,5º F a
60,5º F, sob pressão constante de 1 atmosfera.
1 BTU = 252,4 cal = 1.055 J
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Grau Celcius (°C): A escala de temperatura Celsius possui dois pontos
importantes: ponto de congelação da água, que corresponde ao valor zero, e
o ponto de ebulição, que corresponde ao valor 100, observados em condições
de PTN;
Grau Kelvin (K): É a unidade do SI para a grandeza temperatura
termodinâmica. O kelvin é a fração 1/273,16 da temperatura termodinâmica
UNIDADES

do ponto triplo da água. É utilizado para medir a temperatura absoluta de um


objeto, com zero absoluto sendo 0 K.
Grau Fahrenheit (°F): É uma escala de temperatura proposta por Daniel
Gabriel Fahrenheit em 1724 (escala sexagesimal).
PTN: condição experimental com temperatura e pressão de 273,15 K (0 °C) e 101 325 Pa (101,325
kPa = 1,01325 bar = 1 atm = 760 mmHg), respetivamente.
Esta condição é geralmente empregue para medidas de gases em condições atmosféricas (ou de
atmosfera padrão). O equivalente de PTN em inglês é NTP (normal temperature and pressure).

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O FOGO

O fogo é uma reação química exotérmica entre:


- Um material combustível;
(Substância suscetível de arder - NP 3874-1)

- Um comburente;
(Elemento ou composto químico suscetível de
provocar a oxidação ou combustão de outras
substâncias - NP 3874-1)

- É despoletada por uma energia de ativação.


CH4 + 2O2  CO2 + 2H2O + Calor
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O FOGO
O que é a Chama?
É a combustão entre um
combustível na fase
gasosa, no seio de um
comburente, com
libertação de calor e luz.

Qualquer material capaz


de arder com uma chama
é considerado inflamável.

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O FOGO
O que é a Brasa?
A brasa é a combustão de baixa
taxa de produção de calor de um
material sólido orgânico (e.g.,
madeira) após a libertação e
queima (na chama) dos gases de
pirólise.

No caso da madeira, é,
sobretudo, a combustão do
carbono da cadeia da celulose.
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O FOGO
Fogo e Incêndio

Designa-se fogo a uma combustão Um incêndio é a manifestação


controlada. de uma reação de combustão
não controlada

Durante as aulas, utilizaremos ambos os termos de forma


indiferenciada.
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COMPONENTES DO FOGO
Triângulo do Fogo

Condição 1: Elementos e
Proporção condições
entre fundamentais para o
combustível
surgimento do fogo.
e
comburente

Condição 2:
Transferência
de calor para o
COMBUSTÍVEL combustível

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COMPONENTES DO FOGO
Triângulo do Fogo

Mas, com estes elementos apenas, não consigo


abranger todos os fatores que intervêm no fogo:
- Mesmo que tenha a devida proporção entre
combustível e comburente;
- Mesmo que transfira energia ao combustível, na
presença do comburente;
poderei ter apenas o início de um fogo, que logo a
seguir se extingue.
Para que tenha um fogo que se inicie, mantenha e
desenvolva, produzindo a energia calorífica, tenho
de introduzir no processo o contributo da
REAÇÃO EM CADEIA.

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COMPONENTES DO FOGO
Reação em Cadeia

A reação em cadeia é uma


sequência de reações químicas
nas quais os produtos da reação
causam reações adicionais.

No fogo, a reação em cadeia dá-


se ao nível da chama e fornece o
calor necessário para manter a
combustão.

Reação em Cadeia é o que permite a combustão sustentada.


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COMPONENTES DO FOGO
Um fogo mantém-se e desenvolve-se quando Reação em Cadeia
entra na fase da reação em cadeia, altura em
que, na chama, se produzem os radicais livres.

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COMPONENTES DO FOGO
Reação em Cadeia

• Radicais livres são moléculas instáveis devido ao facto dos seus átomos
possuírem um número ímpar de eletrões.

• Para atingir a estabilidade, estas moléculas reagem com o que encontram para
captar um eletrão.

• Os radicais livres têm vida média de milésimos de segundo.

Estes radicais livres, gerados a partir das moléculas que participam na reação de
combustão, contêm energia elevada e reagem rapidamente com outras
moléculas, formando mais radicais livres (existem ao nível das zonas
intermediárias das chamas) expandindo, deste modo, a combustão no tempo e
no espaço (Guerra et al, 2006).

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COMPONENTES DO FOGO
Tetraedro do Fogo
Então, para termos uma combustão sustentada, há que ter em conta os
seguintes elementos:

• Combustível

• Comburente

• Calor

• Reação em Cadeia

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COMPONENTES DO FOGO
Tetraedro do Fogo

COMBURENTE

COMBUSTÍVEL

CALOR
REAÇÃO EM CADEIA

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COMPONENTES DO FOGO
Comburente

Elemento ou composto químico suscetível


de provocar a oxidação ou combustão de
outras substâncias.
NP 3874-1

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COMPONENTES DO FOGO
Comburente
Substância no seio da qual se dá a oxidação.
Exemplos:
- OXIGÉNIO
- Cloro
- Bromo (chama verde);
- Enxofre (chama amarela);

- Peróxido de hidrogénio;
- Nitratos, cloratos;
- Perboratos e peróxidos.
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COMPONENTES DO FOGO
Comburente

A maior parte dos combustíveis arde com um teor


de oxigénio entre
15% - 21%
Torna a Torna a mistura
mistura ar/gás ar/gás mais
não inflamável inflamável

Exceções: Acima dos 25%, pode tornar-se


- H2 é apenas com 5 % ou menos; explosiva
- CO, com cerca de 6% (brasa).

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

É a elevação de temperatura suficiente


para que se dê início à combustão.

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COMPONENTES DO FOGO
Adaptado de: Guerra et al, Fenomenologia da combustão e extintores, ENB, 2006.
Energia de Ativação
Fonte Origem Exemplo
Resistência • Aquecedor elétrico, ferro de engomar.
• Curto-circuito, faísca de interruptor ou de tomada;
Arco voltaico
Elétrica • Cabo de alta tensão caído no chão.

• Descarga entre um extintor e a terra após o esvaziamento rápido do extintor;


Eletricidade estática
• Descarga atmosférica.

• Atrito (contato não lubrificado entre duas peças metálicas em movimento);


Fricção
Mecânica • Chispas provocadas por ferramentas;

Compressão • Compressão de um gás num cilindro.


Superfícies quentes • Placa de fogão eléctrico, ferro de engomar.
• Radiador de calor, forno, caldeira;
Térmica Radiação • Exposição intensa e continuada ao Sol que provoca a libertação de vapores
combustíveis pela madeira.
Incandescência • Cigarro aceso
• Limalha de ferro + óleo;
Química Reação química
• Algodão + óleo.

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

Em ambientes onde o controlo do comburente e do combustível não


sejam possíveis, em virtude da sua atividade, torna-se pertinente
falarmos do controlo das energias de ativação possíveis num
ambiente

ATEX

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação
ATEX

Atmosfera Explosiva

Decreto-Lei n.º 236/2003, de 30 de Setembro


Directiva n.º 1999/92/CE, do Parlamento Europeu e do
Conselho, de 16 de Dezembro

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação
O que é uma atmosfera em risco de explosão?
Para que uma explosão seja desencadeada é necessário que se reúnam
3 elementos:

A - O oxigénio do ar = Sempre presente


B - O combustível (gás, vapores ou poeiras)
C - Uma fonte de inflamação: Aparelhos / instalações eléctricas
ou todas as fontes de calor

Uma faísca ou uma chama viva não são as únicas fontes de ignição
Uma elevação de temperatura de superfície de um aparelho pode
provocar uma explosão se ultrapassar os valores de temperatura de
inflamação do gás ou da mistura de várias substâncias.

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

O que é um ambiente explosivo?


É uma atmosfera susceptível de se tornar explosiva (o perigo existe em estado
potencial) devido a falhas de disfunções de uma instalação: fugas, rupturas de
canalizações, variações térmicas, etc...

O que é um ambiente gasoso ou poeirento explosivo ?


É um ambiente constituído por uma mistura de ar, sob as condições atmosféricas, e
de substâncias inflamáveis sob forma de gás, vapores ou poeiras, no qual, após
inflamação, a combustão se propaga ao conjunto da mistura não queimada.
(Definição segundo Directiva 1999/92/CE)

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

Qual a diferença fundamental que existe entre um ambiente gasoso e


poeirento?
É a densidade. A densidade dos gases e vapores é aproximadamente
1000 vezes inferior à das poeiras. Os gases dispersam-se no ar por
convecção e por difusão, formando um ambiente homogéneo. Dado
que as poeiras são muito mais pesadas do que o ar, têm tendência a
assentarem relativamente rápido.

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

Quais as particularidades de um ambiente explosivo poeirento?


Trata-se de um ambiente onde 4 condições estão reunidas:
- A poeira deve ser inflamável (tamanho da partícula < 0,3 mm, em geral);
- A atmosfera deve conter um oxidante (geralmente oxigénio, mesmo em
pequena quantidade);
- As poeiras devem estar em suspensão (a explosão resulta da combustão
muito rápida das poeiras no oxigénio do ar);
- A concentração das poeiras deve estar dentro dos limites da explosão
das poeiras (regra geral, o limite inferior de explosão é cerca de 50 g/m3).

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

Categoria Ocorrência de misturas explosivas Zona Gás Zona Poeira


1 Contínua ou de longa duração 0 20
2 Ocasional 1 21
3 Raramente ou breve 2 22

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

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COMPONENTES DO FOGO

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COMPONENTES DO FOGO
Energia de Ativação

Referências sobre ATEX

Batley, P., 10/07/03, Siemens and the ATEX Directive


http://www.automation.siemens.co.uk/Main/extra/literature/Files/Drives%20&%20
Motors/Technical%20Library/ATEX/ATEX%20Approved%20Motors_Presentation.pdf

José Arega Lopes, Segurança em Atmosferas Explosivas, Galp


http://paginas.fe.up.pt/~mapfre/mapfre_2encontro/apresentacoes/dia_1_26Out06/
manha/Apresentacao%20-%20Arega%20Lopes.pdf

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível

- Substância suscetível de arder; (NP 3874-1)

- Substâncias que contêm carbono e hidrogénio;

- Podem encontrar-se no estado sólido, líquido ou gasoso.

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível

- Sólidos (madeira, têxteis, papel)


- Quando aquecidos, libertam os chamados gases de pirólise;
- Formam normalmente brasas.

- Líquidos (gasolina, petróleo, álcool, pentano [C5H12])


- Libertam vapores inflamáveis, mesmo à temperatura ambiente.

- Gasosos (butano [C4H10], propano, acetileno, metano)


- Inflamam-se na sua forma natural.

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Parâmetros que influenciam a capacidade dos combustíveis para arderem

- Condutividade térmica – Quanto menor é a capacidade do


material para conduzir o calor, maior é a sua combustibilidade;

- Densidade – Quanto mais denso é um combustível, menor é a


sua capacidade para entrar em combustão;

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Parâmetros que influenciam a capacidade dos combustíveis para arderem

-Miscibilidade – Quando um combustível inflamável (e.g. gasóleo)


se mistura com outro mais inflamável (e.g. gasolina), a resultante é um
combustível que liberta vapores a baixas temperaturas, o que aumenta o
risco de incêndio;

- Estado de divisão – Quanto mais divididos se encontram os


materiais, maior é a sua capacidade para arderem;

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Parâmetros que influenciam a capacidade dos combustíveis para arderem

Estado de divisão – Regra de Bergmann


Relação S/V (Superfície / volume)

A relação S/V numa partícula cúbica é dada por


6/L
L = aresta do cubo

A relação S/V numa partícula esférica é dada por


3/R
R = raio da esfera

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Parâmetros que influenciam a capacidade dos combustíveis para arderem

Estado de divisão – Regra de Bergmann


Relação S/V (Superfície / volume)

1 2
Quanto maior é a
1
1 2 relação, mais
2
combustível se
Superfície = 6 Superfície = 24 torna a substância.
Volume = 1 Volume = 8
Relação S/V = 6 Relação S/V = 3
Mais fácil de entrar em combustão Mais difícil de entrar em combustão

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Parâmetros que influenciam a capacidade dos combustíveis para arderem

-Temperaturas características
- Temperatura de inflamação;

- Temperatura de combustão;

- Temperatura de auto inflamação.

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Temperatura de inflamação
Temperatura mínima à qual uma substância
liberta vapores, os quais, misturados com o
oxigénio do ar e na presença de uma
energia de ativação, formam uma chama
que se extingue logo que se retira a energia
de ativação.

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Temperatura de combustão
Temperatura mínima à qual uma substância
liberta vapores, os quais, misturados com o
oxigénio do ar e na presença de uma energia
de ativação, formam uma chama que arde
continuamente.

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Temperatura de auto inflamação
Temperatura mínima à qual uma substância
liberta vapores que se auto inflamam em
contacto com o oxigénio, sem a presença de
uma fonte de inflamação exterior.

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Temperatura de Temperatura de Temperatura de auto
Combustível
inflamação (°C) combustão (°C) inflamação (°C)
Acetileno - - 305
Acetona -17 57 335
Álcool Etílico 14 78 425
Alumínio - 703 -
Benzeno -11 80 580
Butano -60 - 430
Etanol 13 - 370
Fuelóleo 66 93 230
Gasóleo 90 104 330
Gasolina -40 -20 227
Madeira (pinho) 225 265 280
Óleo lubrificante 157 177 230
Papel 230 - 230
Petróleo 30 43 250 – 450
Polietileno 340 - 350
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COMPONENTES DO FOGO
Combustível

Substância Poder calorífico Substância Poder calorífico

Açúcar 16,7 MJ/kg Gasolina 44 ,0 MJ/kg


Álcool etílico 25,1 MJ/kg Hidrogénio 142,0 MJ/kg
Algodão 17,6 MJ/kg Lã 21,0 MJ/kg
Azeite 42,0 MJ/kg Madeira 16,7 MJ/kg
Borracha 42,0 MJ/kg Manteiga 37,2 MJ/kg
Butano 46,0 MJ/kg Metano 50,2 MJ/kg
Carvão de madeira 27,2 MJ/kg Nylon 29,3 MJ/kg
Carvão mineral 31,4 MJ/kg Papel 16,7 MJ/kg
Cloreto polivinilo (PVC) 21,0 MJ/kg Pentanos 50,2 MJ/kg
Farinha de trigo 16,7 MJ/kg Poliestireno 42,0 MJ/kg
Gás natural 25,8 MJ/m3 Propano 46,5 MJ/kg
Gasóleo 42,0 MJ/kg Seda 21,0 MJ/kg

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Classificação dos combustíveis líquidos quanto ao risco de incêndio (NP 1936)

• 1.ª categoria
A temperatura de inflamação (Ti) é inferior a 21 °C. Isto significa que estas
substâncias libertam vapores à temperatura ambiente;

• 2.ª categoria
A temperatura de inflamação é igual ou superior a 21 °C e inferior a 55 °C.

• 3.ª categoria
A temperatura de inflamação é igual ou superior a 55 °C e, por isso, só libertam
vapores quando sujeitos à ação de uma fonte de calor.

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Classificação dos combustíveis líquidos quanto ao risco de incêndio (NP 1936)

Categoria Combustível Ti (˚C)


Álcool Etílico 14
Gasolina -40
1ª Categoria Acetona -17
Benzeno -11
Etanol 13
Aguarás 34
2ª Categoria Aguardente 36
Petróleo 30
Gasóleo 90
3ª Categoria Óleo de travões 82
Óleos lubrificantes 157

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade

- Limite inferior de inflamabilidade (LII)


A mistura gás/ar possui a quantidade mínima de gás para
que a inflamação se verifique.
Abaixo dessa quantidade de gás, a combustão já não é
possível, chamando-se de mistura pobre;

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade

- Limite superior de inflamabilidade (LSI)


A mistura gás/ar possui uma grande quantidade de gás.
Acima dessa quantidade, a combustão já não é possível,
chamando-se de mistura rica.

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade

Butano
(1,8 a 8,4%)
Acetileno
(2,5 a 80%)

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

Hidrogénio
(4 a 75%)
Gasolina
(1,3 a 6%) Monóxido de Carbono
(12,5 a 74%)

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade
Domínio de inflamabilidade
Combustível
Limite inferior (%) Limite superior (%)
Acetileno 2,5 80
Álcool 3,3 19
Amoníaco 15 28
Butano 1,8 8,4
Etano 3 12,5
Éter 1,7 48
Etileno 2,7 36
Gasolina 1,3 6,0
Hexano 1,2 7,5
Hidrogénio 4,0 75
Metano 5 14
Monóxido de carbono 12,5 74
Propano 2,2 10

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Proteção e Combate a Incêndios
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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade

CH4 + 2O2  CO2 + 2H2O + Calor

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade

Relação entre Domínio de Inflamabilidade e teor de Oxigénio

Exemplo do Propano (LII = 2,2% - LSI = 10%, PTN)

• Numa atmosfera com 50% de O2  LSI = 36%

Exemplo do metano (LII = 5% - LSI = 14%, PTN)

• Numa atmosfera com 100% de O2  LSI = 61%

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade

Cálculo do LSI numa atmosfera com variação de O2

LSI(%O2) = LSI + 70 [log(%O2) – 1,321]

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade

Cálculo do LII e LSI de uma mistura de vários gases


combustíveis

P1, P2 … Pn - Percentagens de cada um dos


gases que compõem a mistura (sem ar);
L1, L2 … Ln – Limites de inflamabilidade de
cada um dos gases presentes.

Fórmula Chatelier-Coward

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade
Domínio de inflamabilidade
Combustível Ar O2 Ar O2
LII (%) LII (%) LSI (%) LSI (%)
Acetileno 2,5 2,5 80 93
Amoníaco 15 15 28 79
Butano 1,8 1,8 8,4 49
Etano 3 3 12,5 66
Etileno 2,7 2,9 36 80
Hexano 1,2 1,2 7,5 52
Hidrogénio 4 4 75 94
Metano 5 5 14 61
Monóxido de carbono 12,5 16 74 94
Propano 2,2 2,2 10 55

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COMPONENTES DO FOGO
Combustível
Domínios da Inflamabilidade

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COMPONENTES DO FOGO
1 - Pavio: 400ºC;

2 - Borda exterior azul/clara da chama (e também o cone


azul inferior onde o oxigénio entra): 1400º C;

3 - Região central amarelada da parte mais brilhante da


chama: 1200ºC;

4 - Parte interior castanha avermelhada da chama: 1000ºC;

5 - Parte interior vermelho alaranjado da chama: 800º C;

6 - Corpo da vela (topo): 40-50ºC;

7 - Cera derretida no topo da vela: 60ºC.

www.explainthatstuff.com/candles.html

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Combustível
Reação ao fogo
(Materiais / produtos de construção)

Definição Adaptação das Diretivas Europeias:


- 2000/147/CE
É a contribuição de um determinado
material para a origem e desenvolvimento - 2003/632/CE

de um incêndio.

O controlo do contributo para um incêndio é realizado através da


escolha dos materiais de construção, ou seja, do combustível.

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Exemplos de aplicação
Combustível

 Não
Contribui
Contribui
Algum
contributo
Muito /
Pouco

    

 
Lã de rocha

 
Parede com reboco
de cimento pintada
Em comum: são materiais incombustíveis. com tinta plástica
Não contribuem para o incêndio.

São da classe de reação ao fogo A1



Norma EN 13501-1
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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Exemplos de aplicação
Combustível
Não Algum Muito /
Contribui
Contribui contributo Pouco

   

 

Em comum: são materiais incombustíveis, mas com uma pequena parte orgânica,
o que provoca algum, mas muito pouco, fumo.

São da classe de reação ao fogo A2 Norma EN 13501-1


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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Exemplos de aplicação
Combustível
Não Algum Muito /
Contribui
Contribui contributo Pouco

   


Soalho
flutuante com
Espessura > 6 mm
tratamento
ignífugo

Em comum: são materiais pouco combustíveis e não causam flashover.

São da classe de reação ao fogo B Norma EN 13501-1


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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Exemplos de aplicação
Combustível
Não Algum Muito /
Contribui
Contribui contributo Pouco

   





Em comum: são materiais combustíveis – flashover em 10/15 minutos.

São da classe de reação ao fogo C Norma EN 13501-1


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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Exemplos de aplicação
Combustível
Não Algum Muito /
Contribui
Contribui contributo Pouco

   




Em comum: são materiais combustíveis – flashover antes de 10/15 minutos.

São da classe de reação ao fogo D Norma EN 13501-1


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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Exemplos de aplicação
Combustível
Não Algum Muito /
Contribui
Contribui contributo Pouco

   




Em comum: são materiais combustíveis – flashover antes de 2/3 minutos.

São da classe de reação ao fogo E Norma EN 13501-1


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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Exemplos de aplicação
Combustível
Não Algum Muito /
Contribui
Contribui contributo Pouco

   
Todos os produtos que não foram testados e não se
sabe qual a sua classe de reação ao fogo, são

classificados com a classe F.

Norma EN 13501-1
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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Combustível

Classes Descrição de desempenho Cenário de fogo e ataque Exemplos de materiais


Fogo desenvolvido 60 kW/m2 pelo Derivados de pedra natural, tijolos, cerâmicos,
A1 Não contribui para o fogo
num compartimento menos vidros, aço e vários materiais metálicos

Fogo desenvolvido 60 kW/m2 pelo Produtos semelhante aos de classe A1, incluindo
A2 Não contribui para o fogo
num compartimento menos quantias pequenas de combinações orgânicas
Único elemento que Numa área
Contribuição muito limitada Diferentes materiais de gesso aplicados em tetos.
B arde num limitada de 40
para o fogo Produtos de madeira com retardantes.
compartimento kW/m2
Único elemento que Numa área
Contribuição limitada para o Espuma fenólica, gessos aplicados em tetos
C arde num limitada de 40
fogo (espessura superior à de B)
compartimento kW/m2
Único elemento que Numa área Produtos de madeira com espessura aproximada de
Contribuição aceitável para o
D arde num limitada de 40 10 mm e peso 400 kg/m3 (dependendo do seu uso
fogo
compartimento kW/m2 final)
Contribuição aceitável para o Pequena amplitude Altura da chama Baixa densidade de fibras, plásticos baseados em
E
fogo de chama de 20 mm aplicações de isolamento.
Desempenho não
F – – Produtos não testados (sem dados)
determinado

in http://gestaodeobra.dashofer.pt
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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Combustível
Produção de Fumo e de Gotículas

A intensidade do fumo é testada somente entre as classes A2 e D.


s1 – pouco ou nenhum fumo;
s2 – bastante fumo;
s3 – libertação considerável de fumo.

A produção de gotículas é testada entre as classes A2 e E.


d0 – nenhumas;
d1 – algumas;
d2 – muitas.

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Qualificação dos materiais de construção relativamente Combustível
à reação ao fogo – vias de evacuação horizontais

Em pisos de + 28 m de
Ao ar livre e em pisos até Em pisos entre 9 e
Elemento altura ou abaixo do plano
9 m de altura 28 m de altura
de referência
Paredes e tetos C-s3 d1 C-s2 d0 A2-s1 d0
Pavimentos DFL – s3 CFL – s2 CFL – s1

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Qualificação dos materiais de construção relativamente à Combustível
reação ao fogo – vias de evacuação verticais e câmaras
corta-fogo

No interior de edifícios
Elemento Exteriores De pequena ou média De grande e muito
altura grande altura
Paredes e tetos B-s3 d0 A2-s1 d0 A1
Pavimentos CFL – s3 CFL – s1 CFL – s1

Qualificação dos materiais de construção relativamente à reação ao fogo


– locais de risco

Local de Risco
Elementos
A B C D, E e F
Paredes e tectos D-s21 d2 A2-s1 d0 A1 A1
Pavimentos EFL-s2 CFL- 2 A1FL CFL- s2

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

Resistência ao fogo
(Elementos de construção)
Definição
Propriedade de um elemento de construção, ou de outros componentes
de um edifício, de conservar durante um período de tempo determinado
a estabilidade e ou a estanquidade, isolamento térmico, resistência
mecânica, ou qualquer outra função específica, quando sujeito ao
processo de aquecimento resultante de um incêndio.
nº 12, Art. 3º , Anexo I, RT-SCIE

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Elementos de construção
ESTRUTURA RESISTENTE
Lajes - elementos horizontais que
recebem as cargas (permanentes e
sobrecargas) dos pisos / pavimentos;
Paredes resistentes - elementos
verticais onde, por vezes, se apoiam as
vigas ou as lajes;

Fundações - constituídas por


sapatas, lajes, vigas ou estacas,
são elementos inseridos no
solo, nas quais descarregam e
se apoiam os pilares ou as Lajes
paredes resistentes. Paredes resistentes
Fundações

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Elementos de construção
ESTRUTURA RESISTENTE

Pilares - elementos verticais onde se


apoiam as vigas e, por vezes, as lajes;

Vigas - elementos horizontais que


sustentam as lajes;

Pilares
Vigas

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Elementos de construção
OUTROS ELEMENTOS

Paredes não resistentes ou divisórias


- elementos verticais que apenas
servem para dividir espaços ou
revestir um edifício;
Portas – elementos de
compartimentação de vãos de
passagem para pessoas, que giram
sobre ferragens para abrir e fechar;
Janelas - elementos de proteção de
vãos em paredes destinados a
permitir o controlo da entrada de luz
e ar.

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

As euroclasses de resistência ao fogo referem-se a cenários de fogo


e critérios de desempenho para a função (estrutural,
compartimentação, desenfumagem e continuidade de serviço).

Adaptação das Diretivas Europeias:


- 2000/367/CE
- 2003/629/CE

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

Lições do passado …

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
25 de Agosto de 1988 2009

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

11 de Setembro de 2001 - WTC

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

Estabilidade ao fogo

R
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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

Estabilidade ao fogo

R
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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

Estabilidade ao fogo

R
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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

Estanquidade a chamas e gases

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Isolamento térmico

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO
Símbolo Função Aplicável a:
R Capacidade de suporte de carga Vigas, lajes e paredes resistentes

E Estanquidade a chamas e gases quentes Lajes, paredes, portas, condutas

I Isolamento térmico Lajes, paredes, portas


Isolamento térmico com base na radiação
W Radiação emitida
M Acção mecânica Ações mecânicas específicas
Equipamentos com dispositivo de fecho
C Fecho automático automático
Elementos com capacidade de limitar a
S Passagem de fumos passagem de fumo
Cabos elétricos e de fibra óptica, acessórios,
P Continuidade de fornecimento de energia e/ou sinal tubos e sistemas de proteção de cabos
elétricos
Cabos elétricos e sistema de energia e sinal
PH Continuidade de fornecimento de energia e/ou sinal com pequeno diâmetro
Chaminés resistentes a fogo originado por
G Resistência ao fogo fuligem
Revestimentos de paredes e tetos que
K Capacidade de proteção contra o fogo garantam proteção ao fogo

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

Resistência ao Fogo Padrão - Equivalências


Classificação Classificação
Função do Elemento Exemplo
LNEC (anterior) Europeia (actual)

Suporte de carga EF R Pilares e Vigas


(Estável ao fogo)

Suporte de carga
Estanquidade a chamas e gases quentes
PC RE Lajes, Paredes Resistentes
(Para-Chamas)
Suporte de carga
Estanquidade a chamas e gases quentes CF REI Lajes (tetos e pavimentos),
Paredes Resistentes
Isolamento Térmico (Corta fogo)

Estanquidade a chamas e gases quentes PC E


Paredes Não Resistentes
(divisórias), Portas,
(Para-Chamas) Condutas.

Estanquidade a chamas e gases quentes


Isolamento Térmico
CF EI Lajes, Paredes Resistentes e
Divisórias, Portas
(Corta fogo)

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REAÇÃO E RESISTÊNCIA AO FOGO

in http://gestaodeobra.dashofer.pt

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VELOCIDADES DA COMBUSTÃO

LENTA
Classifica-se desta forma toda a combustão que
não emite radiação luminosa.
COMBUSTÃO LENTA Dá-se abaixo dos 500ºC.

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VELOCIDADES DA COMBUSTÃO

VIVA
Uma combustão viva identifica-se pelo facto
COMBUSTÃO de já emitir radiação luminosa, em especial
VIVA sob a forma de chama.

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VELOCIDADES DA COMBUSTÃO

DEFLAGRAÇÃO
Trata-se de uma combustão que se dá a uma
velocidade muito rápida. Porém, fica aquém da
velocidade do som (340 m/s).

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VELOCIDADES DA COMBUSTÃO

EXPLOSÃO
É uma combustão cuja velocidade é
superior à do som (340 m/s). A maior parte
das explosões acontecem devido a fugas
de gás ou acumulação de poeiras no ar.

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VELOCIDADES DA COMBUSTÃO

In Manual de Segurança Contra Incêndio em Edifício, ENB, 2ª Ed.

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CLASSES DE FOGO

Classe A
Fogos secos. Envolvem combustíveis sólidos, em
geral de natureza orgânica e têm a particularidade
de formarem brasas.
Exemplos: Madeira, tecidos, papel, palha, carvão, etc.

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CLASSES DE FOGO

Classe B
Fogos em combustíveis líquidos (líquidos inflamáveis)
ou sólidos liquidificáveis.
Exemplos: Gasolinas, álcoois, petróleos, massas consistentes, alguns plásticos, alcatrão,
cera, parafina, etc.

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CLASSES DE FOGO

Classe C
Fogos em combustíveis gasosos (gases inflamáveis)
ou liquefeitos sob pressão.

Exemplos: Metano propano, butano, gás natural, acetileno, hidrogénio, etc.

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CLASSES DE FOGO

Classe D
Fogos envolvendo metais leves (alcalinos), ligas
leves e titânio.
Exemplos: Alumínio, magnésio, potássio, sódio, lítio, algumas ligas e o titânio.

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CLASSES DE FOGO

Classe F
Fogos envolvendo gorduras e óleos usados em
cozinhas, a temperaturas elevadas.
Exemplos: Óleos alimentares e outras gorduras.

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PROPAGAÇÃO DO CALOR
NOTAS PRÉVIAS

Taxa de libertação de calor (TLC)


É o ritmo segundo a qual o fogo liberta energia (ou potência), medido em Watts (W).
Fluxo de calor
É o ritmo de energia calorífica transferida para uma superfície, medida em W/m2.
FLUXO DE CALOR EXEMPLO
1 Dia de sol
2,5 Exposição típica de um bombeiro
3-5 Dor na pele em poucos segundos
20 Limiar do fluxo de calor no pavimento num flashover
84 Teste de desempenho de equipamento (vestuário) de proteção (NFPA 1971)
60 - 200 Chamas sobre uma superfície

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PROPAGAÇÃO DO CALOR
NOTAS PRÉVIAS

Diferença entre temperatura e taxa de libertação de calor


Considera-se a comparação entre 1 e 10 velas: a mesma temperatura, mas 10 vezes
mais a taxa de libertação de calor.

TLC: ~ 80 W
TLC: ~ 800 W
Temperatura:
Temperatura:
500 C - 1400 C
500 C - 1400 C

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PROPAGAÇÃO DO CALOR
NOTAS PRÉVIAS

Transferência de calor
A transferência de calor é um fator determinante na eclosão, crescimento,
desenvolvimento, declínio e extinção de um incêndio.
É importante referir que o calor é sempre transferido de um objeto mais
quente para outro mais frio.
A energia calorífica transferida para um objeto aumenta a sua temperatura.
Do mesmo modo, a energia calorífica transferida desse objeto para o
exterior diminui a sua temperatura.

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

RADIAÇÃO
Dá-se pela radiação
infravermelha.
Esta propaga-se em todas
direcções e na perpendicular
em relação à fonte de calor.

λ = comprimento de onda
RADIAÇÃO INFRAVERMELHA
c = velocidade da luz no vácuo
É uma radiação eletromagnética, com um = 299.792,458 km/s
comprimento de onda na ordem dos 0,8 mm. f = frequência da onda

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

em que:
q: transferência de calor por radiação (W/m2):
ε: emissividade (a)
α: coeficiente de difusão térmica (m2.s-1) (b)
T: temperatura radiante em Kelvin (K);
A: área de exposição (m2);
(a) Capacidade de emissão de energia dos materiais por radiação da sua superfície. É a razão entre a
energia irradiada por um determinado material e a energia irradiada por um corpo negro (ε=1).
Qualquer objeto que não seja um verdadeiro corpo negro tem emissividade menor que 1 e
superior a zero.
(b) Medida da rapidez com que um material ajusta a sua temperatura à da vizinhança.
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PROPAGAÇÃO DO CALOR

CONDUÇÃO
É através de
materiais
condutores de
calor que se dá a
propagação por
condução.

Condução é a transferência de calor dentro de corpos sólidos ou entre corpos sólidos


em contato
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PROPAGAÇÃO DO CALOR

CONDUÇÃO
É através de
materiais
condutores de
calor que se dá a
propagação por
condução.

Condução é a transferência de calor dentro de corpos sólidos ou entre corpos sólidos


em contato
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PROPAGAÇÃO DO CALOR

em que:
q: transferência de calor por condução (W/m2);
k: condutividade térmica do material (W/m.K)
A: área de exposição (m2);
THot: temperatura em Kelvin (K) da face exposta
ao fogo;
TCold: temperatura em Kelvin (K) da face oposta
ao fogo;
L: a espessura do sólido (m).

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

Condutividade térmica (exemplos)


Material Condutividade térmica (W/(m.K)
Cobre 387
Aço 45,8
Tijolo maciço 1,31
Vidro 0,76
Água 0,58
Gesso 0,48
Carvalho (madeira) 0,17
Pinho (madeira) 0,14
Ar 0,026
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PROPAGAÇÃO DO CALOR

CONVECÇÃO
É através do deslocamento
vertical da chama e dos
gases quentes. É a forma
mais importante de
propagação.

Convecção é a transferência de calor devido ao movimento de líquidos


e gases.
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PROPAGAÇÃO DO CALOR

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

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PROPAGAÇÃO DO CALOR

em que:
q: transferência de calor por radiação (W/m2):
(a) h é uma constante própria de cada material, h: constante (coeficiente de transferência de
conhecida por coeficiente de transferência de calor por convecção) (a)
calor por convecção, expressa em W/m2*K.
THot: temperatura em Kelvin (K) da fonte de calor;
Esse valor é encontrado por via empirica ou
experimentalmente. Para a convecção normal TCold: temperatura em Kelvin (K) da face exposta
ou natural, o valor varia entre 5 e 25; para a do material;
convecção forçada o valor pode situar-se entre
10 e 500. A: área de exposição (m2).

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PROPAGAÇÃO DO INCÊNDIO
Para além das formas de propagação do calor, um incêndio pode-se propagar por:

DESLOCAMENTO
DE CORPOS
INFLAMADOS
É através do
deslocamento de
materiais em
combustão
(líquidos ou
faúlhas).

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MÉTODOS DE EXTINÇÃO

Atua-se por
CARÊNCIA
- Cortando-se o abastecimento de
combustível;
- Retirando-se o combustível do local do
fogo antes que este chegue até ele.
- Dividindo-se o combustível que se
encontra em combustão em partes
pequenas para facilitar a extinção por
outro meio.
-Afastando-se o combustível que está a
arder para longe do que ainda não
entrou em combustão. CALOR

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Proteção e Combate a Incêndios
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MÉTODOS DE EXTINÇÃO

Atuação por CARÊNCIA

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MÉTODOS DE EXTINÇÃO

Atua-se por
ABAFAMENTO ou
ASFIXIA
- Reduzindo ou eliminando a presença
do oxigénio.
ABAFAMENTO – Isolamento entre
combustível e comburente
ASFIXIA - Corte do fornecimento de
comburente;

CALOR

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MÉTODOS DE EXTINÇÃO
Atuação por ABAFAMENTO ou ASFIXIA

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MÉTODOS DE EXTINÇÃO
- Fazendo baixar a temperatura do fogo para níveis
abaixo do ponto de inflamação do combustível.
O arrefecimento significa transferir temperatura do
fogo para um agente extintor e/ou para a atmosfera.

CALOR
Atua-se por
ARREFECIMENTO
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MÉTODOS DE EXTINÇÃO
Atuação por ARREFECIMENTO

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MÉTODOS DE EXTINÇÃO

COMBURENTE
COMBUSTÍVEL

REAÇÃO EM CADEIA CALOR

Atua-se por Os radicais livres misturam-se com o produto


extintor e deixam de atuar na reação em cadeia
INIBIÇÃO porque perdem as suas características. Passa a
existir uma atmosfera inerte que inibe a chama.

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MÉTODOS DE EXTINÇÃO
Atua-se por INIBIÇÃO

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PRODUTOS RESULTANTES DE UM INCÊNDIO

FUMO Outros Produtos:


o ÁCIDO FLUORÍDRICO;
CHAMA
o ÁCIDO PRÚSSICO;
AR QUENTE
o ÁCIDO SULFÚRICO;
VAPOR DE ÁGUA
o ANIDRIDO SULFUROSO;
DIÓXIDO DE CARBONO (CO2) o CLORETO DE HIDROGÉNIO;

MONÓXIDO DE CARBONO (CO) o VAPORES NITROSOS.

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PRODUTOS RESULTANTES DE UM INCÊNDIO

FUMO Afeta Visibilidade

-Respiração
CHAMA Afeta
-Propagação do fogo

AR QUENTE Afeta Propagação do fogo

DIÓXIDO DE Respiração
Afeta
CARBONO (CO2) Não é tóxico mas é impróprio
para a respiração e ocupa o
lugar do oxigénio.
Até 4% - Tolerável
Superior a 4% -Intolerável

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PRODUTOS RESULTANTES DE UM INCÊNDIO

CH4 + 2O2  CO2 + 2H2O + Calor


CH4 + O2  CO + 2H2O + Calor
CO CO2
Massa molar: 28g mol-1 Massa molar: 44.010 mol-1

EFEITOS NO CORPO HUMANO


O monóxido de carbono combina-se com
a hemoglobina e forma a carboxihemoglobina no
sangue, o que evita a ligação do oxigénio à
hemoglobina, reduzindo a capacidade de
transporte de oxigénio pelo sangue. O efeito
grave que tal provoca é a hipoxia.
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PRODUTOS RESULTANTES DE UM INCÊNDIO

MONÓXIDO DE Funções
Afeta
CARBONO (CO) Vitais

Concentração Percentagem de CO num Tempo de


Efeitos
(ppm) compartimento (%) exposição
50 0,005 8h Nenhuns
200 0,02 2h Ligeiros
1000 0,1 1h Graves (síncope)
10000 1 1 min Morte rápida

Concentrações entre 12,5 e 74% - É inflamável.

Adaptado de: Coelho, 1998, Segurança contra incêndio em edifícios de habitação.

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PRODUTOS RESULTANTES DE UM INCÊNDIO

MONÓXIDO DE Funções
Afeta
CARBONO (CO) Vitais

SINTOMAS:
- Dores de cabeça e vertigens numa fase inicial;
- Visualizam-se pontos negros;
- Fraqueza, náuseas, vómitos, dores no peito e confusão;
- Sensação de euforia, bem-estar e alucinações;
- Perda de consciência e morte.
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PRODUTOS RESULTANTES DE UM INCÊNDIO
TONALIDADES DE FUMOS

Negro / Cinzento escuro:


Combustão incompleta, geralmente em espaços fechados, perto do LSI;

Amarelo / Violeta / Verde:


Presença de gases normalmente tóxicos.

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PRODUTOS RESULTANTES DE UM INCÊNDIO
TONALIDADES DE CHAMAS

Antimónio Arsénio Boro Cálcio Chumbo Cloreto de


Sódio (Sal)

Estrôncio Gás natural Lítio Potássio Sulfato de Cobre

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DESENVOLVIMENTO DE UM INCÊNDIO

http://www.nist.gov
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DESENVOLVIMENTO DE UM INCÊNDIO
ABORDAGEM TRADICIONAL
O desenvolvimento do fogo
não está limitado pela falta
de oxigénio.
Quanto mais combustível é

Temperatura
atingido pelo fogo, maior é o
nível da energia libertada,
até se chegar à fase de pleno
desenvolvimento.
Quando o combustível é
consumido, o nível de
energia começa a decrescer.
Isso só acontece porque o Tempo
oxigénio se encontra sempre
disponível.

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DESENVOLVIMENTO DE UM INCÊNDIO

Temperatura
Tempo

Valores de r para alguns materiais


Material r
Madeira 5,5
Monóxido de carbono 0,571
Etanol 2,084
Metanol 1,5
Propano 3,629
Poliuretano 1,725
Poliestireno 3,074
in Incêndios em Edifícios

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DESENVOLVIMENTO DE UM INCÊNDIO
COMPORTAMENTO DO FOGO
NUM RECINTO FECHADO
O desenvolvimento do fogo
está limitado pela quantidade
de oxigénio disponível

Temperatura
(ventilação limitada). No caso
da curva, o fogo desenvolve-se
num espaço com portas e
janelas fechadas.
Quando um vão é aberto
(quebrado ou pela entrada dos
bombeiros), há uma entrada de
oxigénio, o que conduz a um
rápido desenvolvimento do Tempo
fogo, com todas as condições
para poder haver um flashover.

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DESENVOLVIMENTO DE UM INCÊNDIO

Temperatura

Tempo

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DESENVOLVIMENTO DE UM INCÊNDIO
FLASHOVER
É a fase de transição de um fogo, num recinto fechado, na qual as superfícies estão
expostas a gases que se encontram a temperaturas acima dos 600 ºC, conduzindo à
ignição, praticamente simultânea, de todos os combustíveis presentes no compartimento.
Num flashover, o fogo propaga-se rapidamente a todo o espaço.
Constitui a fase mais perigosa do incêndio.

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Fonte: Coelho, 1998, Segurança contra incêndio em edifícios de habitação.


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DESENVOLVIMENTO DE UM INCÊNDIO

in Essencials of Fire Fighting, 4ª Ed., 2001

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in Essencials of Fire Fighting, 4ª Ed., 2001

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in Essencials of Fire Fighting, 4ª Ed., 2001

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DESENVOLVIMENTO DE UM INCÊNDIO
Curva ISO 834 Curva standard – curva da Celulose,
aplicável a fogos da classe A

Tempo (min) Temperatura (°C)


0 20
15 739
20 781
30 842
45 902
60 945
90 1006
120 1049
180 1110
T = T0 + 345 log (8t + 1) 240 1153
360 1214
T = temperatura em °C, ao fim do tempo t (em minutos);
EN 1363-1
T0 = temperatura inicial em °C;
T0 = 20 (valor tipo)
t = tempo (em minutos).
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Curva ISO 834 Curva standard
T = T0 + 345 log (8t + 1)

Curva para hidrocarbonetos


T = T0 + 1080 (1-0,325 e-0,167*t-0,675 e-2,5*t)

Curva para elementos de construção


exteriores
T = T0 + 660 (1-0,687 e-0,32*t-0,313 e-3,8*t)

Curva para materiais reativos (slow burning),


aplicável a elementos estruturais metálicos
T = To + 154 t e-0,25 para 0 < t < 20
T = To + 345 log [1+8 (t-20)] para t > 20

T = temperatura em °C, ao fim do tempo t (em minutos);


T0 = temperatura inicial em °C;
t = tempo (em minutos). T0 = 20 (valor tipo)
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Referências:
CASTRO, Carlos Ferreira, ABRANTES, José Barreira (2009), Manual de Segurança contra
Incêndio em Edifícios, Escola Nacional de Bombeiros, 2ª Ed., Sintra.

COELHO, Leça (2010), Incêndios em Edifícios, Edições Orion, Amadora

DRYSDALE, Douglal (2011), An Introduction to Fire Dynamics, John Wiley & Sons, Ltd, 3rd
Ed., United Kingdom

GUERRA, António Matos (2007), Caderno de Fenomenologia da Combustão e Agentes


Extintores – Princípios Básicos, Escola Nacional de Bombeiros, 2ª Ed., Sintra.

GUERRA, António Matos, COELHO, José Augusto e LEITÃO, Ruben Elvas (2006),
Fenomenologia da combustão e extintores, Escola Nacional de Bombeiros, 2ª Ed. Sintra.

INTERNATIONAL FIRE SERVICE TRAINING ASSOCIATION (2001) Essentials of Fire Fighting,


Boards of Regends, Oklahoma State University, 4ª Ed.

Internet:
www.nist.gov, Fire Dynamics, http://www.nist.gov/fire/fire_behavior.cfm, Jan2014.

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OBRIGADO

jcg.vasconcelos@sapo.pt

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