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Universidade Estadual da Paraíba Centro de Educação Departamento de História e Geografia Curso de Licenciatura

Universidade Estadual da Paraíba Centro de Educação Departamento de História e Geografia Curso de Licenciatura Plena em Geografia

RILDO DE SOUSA

A HIBRIDICAÇÃO DO RURAL-URBANO NO MUNICIPIO DE CATURITÉ-PB: Uma análise socioeconômica

Campina Grande PB

2008

A HIBRIDICAÇÃO DO RURAL-URBANO NO MUNICIPIO DE CATURITÉ-PB: Uma análise socioeconômica

RILDO DE SOUSA

Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura Plena em Geografia da Universidade Estadual da Paraíba, como requisito para obtenção do Grau de Licenciatura em Geografia.

Orientador: Prof. Mestre Faustino Moura Neto

Campina Grande PB

2008

RILDO DE SOUSA

A HIBRIDICAÇÃO DO RURAL-URBANO NO MUNICIPIO DE CATURITÉ-PB: Uma análise socioeconômica

Aprovado em

de

de 2008.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Ms. Faustino Moura Neto Orientador

Profª. Marília 1ª Examinadora

Profª. Graça 2ª Examinadora

AGRADECIMENTOS

- A Deus, nosso pai celestial;

- Aos meus pais, João Francisco de Sousa e Antonia Martins, que são os responsáveis pela minha existência;

- A minha esposa Tânia e a minha filha Tainá, razão da minha persistência e vontade de vencer; - Ao Professor Faustino, que aceitou ser meu orientador, disponibilizando tempo e atenção para comigo;

- Aos colegas de turma, que se transformaram em verdadeiros amigos, em especial:

Ciderley, Marcelo e Arquelia.

- À Cândido Herculano, que tenho um grande apreço e admiração;

- Enfim, a todas as pessoas que me ajudaram nesse árduo percurso do término do curso.

LISTA DE MAPAS

Mapa 01: Mesorregiões da Paraíba

LISTA DE QUADROS

Quadro 01: Obras de Infra-estrutura do Municipio de Caturité PB

LISTA DE FOTOS

Foto 01: Calçamento da Rua João Queiroga Foto 02: Construção de casas populares Foto 03: Vista aérea da cidade Foto 04: Leite Vita Foto 05: Leite Cariri Foto 06: Criação de animais no perímetro urbano

LISTA DE TABELA

Tabela 01: Número de pessoas no núcleo familiar Tabela 02: Faixa etária dos pais Tabela 03: Faixa etária das mães Tabela 04: Faixa etária dos filhos Tabela 05: Grau de instrução dos pais e mães Tabela 06: Grau de instrução dos filhos

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 01: Procedência das famílias que moram no Município de Caturité PB Gráfico 02: Quantidade de pessoas que exercem atividades remuneradas por residência do Município de Caturité PB Gráfico 03: Famílias que recebem algum tipo de benefício Gráfico 04: Percentual de pessoas aposentadas no Município de Caturité Gráfico 05: Melhoria das condições de vida da população caturiteense após a emancipação política

RESUMO

O presente trabalho foi realizado no Município de Caturité PB, o localizado na

microrregião do Cariri Oriental paraibano, que está inserido na mesorregião da Borborema. O objetivo deste trabalho é identificar a imbricação existente entre dois espaços difusos; o “rural” e o “urbano”, que em suas múltiplas relações de

interdependência se complementam em que pese suas complexidades

Município de Caturité PB apresenta dimensões territoriais e demográficas reduzidas, o que transparece ainda mais o modo de vida campal, que prevalece na dinâmica socioespacial. Procura-se também evidenciar que mesmo não dispondo de uma vitalidade urbana pujante, o município diferencia-se da maioria dos outros municípios paraibanos instituídos recentemente, que apesar de ser pequeno não depende exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), dispõe de duas agroindústrias que garantem um número significativo de empregos diretos e indiretos, propiciando a dinamicidade do mercado de trabalho local. Foi ressaltado a contribuição

Todavia, o

das obras de infra-estrutura que foram implementadas no Município após a sua emancipação política, contribuindo, no entanto, para a transformação socioespacial de referido Município. Buscou-se através da pesquisa “in loco” demonstrar as principais características socioeconômicas da população caturiteense, utilizando-se de uma sistemática onde foram aplicados 40 questionários junto a população do Município.

Palavras-chave: Pequenos municípios, rural-urbano e agroindústrias.

Abstract
Abstract

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I ABORDAGEM TEÓRICO-CONCEITUAL

1.1 Pequenas cidades: questão conceitual

1.2 Reflexões sobre o espaço urbano

1.3 O Processo de Urbanização Brasileiro

CAPÍTULO II CONTEXTUALIZAÇÃO DA ÁREA EM ESTUDO

2.1 Localização

2.2 Aspectos físicos

2.3 Aspectos históricos

2.4 Aspectos socioeconômicos

2.5 Aspectos estruturais

CAPÍTULO III

A IMBRICAÇÃO DO RURAL-URBANO NO MUNICÍPIO DE CATURITÉ

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO

Este trabalho apresenta estudos tendo como temática pequenas cidades, com o enfoque para os municípios cuja população não ultrapassa os 20 mil habitantes e onde o rural e o urbano se confundem. No Brasil devido à adoção de um critério político- administrativo, que na maioria dos casos envolve interesses políticos, dezenas de aglomerados casas, mesmo sem exercer qualquer função urbana para, foram transformados em cidades. O povoado ganhou status de cidade, mas fica arraigado “in loco” o modo de vida campal de tempos anteriores. Para alguns estudiosos, a exemplo de MARTINE e FARIA, o que existe de fato no Brasil é um número expressivo de cidades que não poderiam ter esse “titulo” seria impróprio chamar de cidades as sedes dos mais de 4,5 mil municípios, cuja sede tem menos de 20 mil habitantes. Como diz o ditado “tamanho não é documento” existe cidades com valores superiores a 20 mil habitantes em que a dinâmica socioespacial local é comandada pelo o modo de vida campal, em contrapartida, existe cidades com população bem inferior a já mencionada com hábitos sociais tipicamente urbano. O que existe de fato no Brasil é um modo de vida urbano que extrapolou os limites das cidades, virtualizada pela sociedade do consumo que se expandiu por todo o território nacional. Neste sentido a maioria dos brasileiros usufrui de uma práxis urbana que não condiz com a realidade socioeconômica e espacial na qual fazem parte. O Município de Caturité-PB está inserido nesta nova lógica da urbanização brasileira, em que surgiram um numero expressivo de cidades, oriundas de um processo de desmembramento, todavia, a maioria delas dependem único e exclusivamente do FPM (Fundo de Participação Municipal), para sobreviver, no entanto, o município referido tem um diferencial, alem da prefeitura como principal empregador existe duas agroindústrias que emprega um numero considerável de pessoas residentes principalmente na zona rural, o que será posteriormente ressaltada na pesquisa. O presente estudo foi apresentado em três capítulos, cujo conteúdo encontra-se organizado conforme o seguinte exposto No primeiro capitulo, foi realizada uma revisão bibliográfica aprofundada sobre geografia urbana, principalmente as que fazem referência a municípios de pequeno porte em que será utilizada diversas fontes, a exemplo de livros, publicações sobre urbanização e rural-urbano brasileiro, dentre outros.

Segundo capitulo, foi feita a caracterização da área de estudo do Município de Caturité-PB, destacando os aspectos de localização e contextualização física. Os aspectos históricos, econômicos e estruturais. Para a realização desse capitulo foram utilizadas informações e dados repassados pela Prefeitura Municipal e informações coletadas através de entrevistas realizados com os habitantes mais experientes do município. No terceiro capitulo foi efetuada a pesquisa de campo “in loco”.para isso, foram aplicados 40 questionários (ver apêndice) entre os dias 18 e 22 de dezembro de 2007, correspondente as áreas residenciais. A pesquisa em pauta trata-se de um estudo de caso, haja vista que se pretende esclarecer e analisar um fenômeno econômico e espacial proporcionados pela emancipação política e a implantação das agroindústrias que concorrem com concomitantemente para a transformação do espaço local do Município de Caturité - PB. Para tanto, foi utilizado o método dialético onde se analisou a partir da abordagem quali-quantitativa a produção do espaço municipal como determinante e determinador de uma formação socioeconômica.

CAPÍTULO I:

ABORDAGEM TEÓRICO-CONCEITUAL

1.1 A Pequena Cidade: Normas e Concepções

Os estudos da geografia urbana brasileira, de modo geral, dedicaram-se a

compreensão das grandes cidades, sobretudo das metrópoles, tendo em vista a

organização interna desses espaços, os processos espaciais, as relações interurbanas, o

papel do Estado, os movimentos sociais urbanos. Deve ser destacado também, que as

grandes cidades, por sua complexidade, por seus equipamentos e serviços, comandam a

rede urbana brasileira, exercendo forte influência sobre as demais.

A grande maioria das cidades brasileiras são classificados como de pequeno

porte, exercendo pouco ou nenhuma influência no contexto da hierarquia urbana, pois

são bastante carentes em equipamentos e serviços urbanos. Razão pela qual despertam

pouco interesse nos estudos da geografia urbana. Entretanto, só recentemente, as

pequenas cidades têm sido objeto de reflexões em eventos científicos, trabalhos de

dissertação, teses de geografia e em diversos trabalhos monográficos de curso de

geografia da UEPB.

Obs. Estas considerações, sobre porque fez o trabalho, deve constar na introdução.

Apesar de não estar apresentando importante crescimento populacional absoluto,

as pequenas cidades compõem um elevado número de estruturas reconhecidas pela

população, como urbanas, pois estas se fazem presentes nas diversas regiões do Brasil e

dos demais países, em número bastante superiores as grandes cidades.

No Nordeste as pequenas cidades, notadamente, no interior, apresentam um

baixo crescimento absoluto, devido a migração de milhares de nordestinos, que deixam

a sua terra natal, a procura de melhores condições de vida em outros centros mais

dinâmicos da sociedade brasileira.

O objetivo desta pesquisa, não é, especificamente, conceituar o significado de

pequena cidade, e sim, explicitar as diversas interpretações de diferentes autores, onde

as opiniões deles divergem e/ou convergem, quanto a existência de um grande número

de pequenos municípios, que foram elevados a categoria de cidades. Até porque, devido

a dimensão territorial do espaço brasileiro e de sua diversidade socioeconômica,

espacial, juntamente com seus processos de formação histórica e política em que estão

inseridos esses pequenos municípios, surgem divergências conceituais sobre o que seja de fato uma pequena cidade e também o que é urbano e não-urbano. Dentro dos objetivos desse trabalho tem-se o propósito de identificar as dificuldades e as potencialidades das pequenas cidades, nunca diz respeito a geração de emprego e renda e na qualidade de vida de sua população. Sobretudo, quando percebe- se na Região Nordeste, estes são focos históricos de emigração. Além desses aspectos, cabe ressaltar que as mudanças ocorridas na organização econômica e política do sistema capitalista de produção e seu rebatimento no espaço brasileiro com expansão do técnico-ciêntifico-informacional tem feito com que os lugares passem a receber conteúdos de técnicas e informação, ao mesmo tempo que cresce e diversifica a demanda do consumo produtivo e consultivo (consumo de pessoas). Beaujou Garnier (1980, apud SOARES, 2005 p. 5-6) afirmou que, entre as diferentes tentativas de elaboração de conceito de cidade o importante é considerar.

A cidade concentração de homens, de necessidades, de possibilidades de toda a espécie (trabalho, informação), com uma capacidade de organização e transmissão, é ao mesmo tempo sujeito e objeto. Enquanto objeto, a cidade existe materialmente; atrai e acolhe habitantes aos quais fornece, através de sua produção própria, do seu comércio, e dos seus diversos equipamentos, a maior parte de tudo que eles necessitam; a cidade é o lugar que fornece os contatos de toda natureza e maximiza os resultados; a cidade contribui essencialmente para a dupla ligação entre o espaço periférico que mais ou menos domina e o espaço longínquo com o qual mantém ligações complexas.

Nesse novo contexto da urbanização brasileira, onde sugiram um número intensivo de pequenas cidades que apresentam uma série de problemas estruturais, não conseguindo disponibilizar para seus habitantes, os meios e serviços que lhes garantam no mínimo satisfazer as suas necessidades básicas, como saúde, educação, transporte, dentre outros. Mas que apesar do exposto, ganharam status de cidade devido a critérios confusos que as credenciam como tal. Em sua grande maioria, as pequenas cidades não dispõem dos serviços e da disponibilidade de seus bens, que são oferecidos pelas grandes cidades. Tal fato leva a população das pequenas cidades quando necessita e quando possui recursos suficientes a procurar o atendimento de suas demandas nas maiores cidades, um bom exemplo, é a busca por serviços médico-hospitalar e educação superior.

A atual Constituição brasileira de 1988, repassou para os Estados da Federação, as atribuições da criação de novos municípios. Por meio da Emenda Constitucional nº. 15, de 12 de setembro de 1996, institui obrigatoriedade de consulta prévia a população envolvida para a elaboração de um estudo viabilidade municipal. Portanto, conforme a Carta Magna de 1988, no Parágrafo 4º do Artigo 18.

A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Município far-se- ão por Lei Estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal de dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito às populações dos municípios envolvidos, após divulgação dos estudos de viabilidade municipal apresentados e publicados na forma da lei (BRASIL 2004)

Após a aprovação da Constituição Federal e da citada Emenda Constitucional foram criados em todo Brasil, a partir da década de 90 mais de 100 municípios, com vários problemas e quase todas as sedes municipais consideradas como pequenas cidades. A maioria dos municípios criados recentemente, além da carência de infra- estrutura e de serviços, não possuem alternativas de renda e de arrecadação. No Brasil, devido a adoção do critério político-administrativo para a definição de cidade, a cada novo município criado, origina-se, juntamente, uma nova cidade (sede do município). Daí advém um série de questionamentos em torno do número de cidades, se estas possuem de fato estrutura para ser cidade e se possui de fato uma vida urbana.

A definição de população urbana e rural, no caso brasileiro, é estabelecida por critério censitário, sendo considerado na situação de urbana “as pessoas e os domicílios recenseados nas áreas urbanizadas ou não correspondentes as cidades (sedes municipais), as vilas (sedes distritais) ou áreas urbanas isoladas” (IBGE, 2005). Na situação de rural consideram-se “a população e os domicílios recenseados em toda área situada fora dos limites urbanos, inclusive os aglomerados rurais de extensão urbana, os povoados e os núcleos” (IBGE, 2005). Martine (1994), no seu estudo sobre “A redistribuição espacial da população brasileira durante a década de 1980”, considerou que,

Utilizando definição oficial de urbano [

de que o nível de urbanização do Brasil já atinge patamares muito elevados, em comparação com o nível relativo de desenvolvimento econômico e social

chega-se sem dúvida, à constatação

]

do país. Entretanto, esta definição oficial é baseada em conceito político- administrativo que abrange uma gama muito variada de localidades e

situações, incluindo povoados de características bastante “rurais” (MARTINE, 1994, P. 25).

Diante dessas ponderações, Martine (Op. Cit) utilizou uma definição de urbano baseado no tamanho demográfico. Para tanto, considerou apenas os núcleos com pelo menos 20 mil habitantes, como cidades. Na classificação como rural ficou incluída todas as cidades com população inferiores a 20 mil habitantes. Martine (Op. Cit), ao examinar a dinâmica demográfica desses dois conjuntos espaciais diagnosticou que no período entre 1980 e 1991 houve “uma redução significativa no ritmo de crescimento urbano” em comparação com as décadas anteriores. De outro lado verificou

Que a população (aqui deve ser reiterada, referimo-nos a toda população que reside no campo ou em localidades e adensamentos populacionais com menos de 20 mil habitantes) teve um crescimento que embora lento, foi mais acelerado do que na década anterior passando de 56,7 para 60,8 milhões de pessoas (MARTINE, 1994, P. 25).

Ao constatar esses dados com outros da população rural considerada, conforme critério censitário e ao separar o conjunto considerado como rural em, “povoado” (localidades consideradas urbanas no censo demográfico, com menos de 20 mil habitantes) e “campo” (restante da categoria com menos de 20 mil habitantes), Martine (1994, p. 29) constatou que o “campo” só teve saldo positivo na Região Nordeste. O crescimento populacional ocorreu, portanto, nos “povoados”, ou seja, nos municípios com população inferior a 20 mil, com uma taxa média de 2,72%, porém, com variações regionais que foram de 0,77% para Região Nordeste a 4,12% para o Centro-oeste. No Nordeste há uma predominância de uma “estrutura urbana deficitária”, formada principalmente por um extenso número de pequenos municípios com menos de 20 mil habitantes, que apresentam funções estritamente de intermediação comercial primária, com baixo nível de urbanização onde, muitas vezes, o maior percentual de sua população está concentrada na zona rural. Consoante, apresentam uma estrutura política marcada pelo “mandonismo local” cuja base de poder sempre foi acentuada na prioridade da terra. No mesmo sentido, Charles C. Muller (1996) refere-se as pequenas cidades do Nordeste como “centros locais” que estão em última posição na escala hierárquica das cidades e que fornecem apenas bens e serviços simples para as cidades sem centralidade

e zonas rurais tributárias. Muller considera “a população de suas áreas de influência é forçada a se valer de centros maiores para satisfazer parte de suas necessidades; não sendo viável, as situações de carência podem se tornar agudas” (MULLER, 1996, p.

75).

Veiga (2004), também expressou críticas ao critério brasileiro de definição de

cidade e apontou que no país existe, de fato, conforme sua posição, um número bem inferior de localidades que poderiam ter o “título” de cidade. Para o referido autor seria “impróprio chamar de cidades” as sedes dos mais de 4,5 mil municípios rurais. Ou, no limite dos 4,3 mil municípios rurais cujas sedes têm menos 20 mil habitantes (VEIGA, 2004, p. 28). Veiga (2002) dividiu os chamados, por ele mesmo, “municípios rurais” em duas categorias urbanas e rurais, considerando para tal, três variáveis: a localização,

a densidade demográfica e o tamanho. Ao propor esta nova classificação para mais de 5

mil municípios brasileiros colocou em questão a definição de população urbana e rural adotada pelo IBGE. As cidades pequenas, mesmo não apresentando uma dinâmica socioeconômica pujante, devido na apresentarem equipamentos e serviços que possam satisfazer as necessidades de sua população. Elas surgem como instrumento inovador, diante desse novo processo de metamorfização do território, passando a funcionar como intermediador das novas possibilidades que outros centros mais dinâmicos da sociedade possa disponibilizar para com seus citadinos. Santos (1979, 1993, 2004), considerando a expansão de informação, do consumo

e modernização, denominou de pequenas cidades de “cida local” lembrando que podem

assumir tal condição quando são cidades que em seu percurso histórico, passam a funcionar como intermediárias entre o campo modernizado e outros núcleos maiores e complexos, pois como estão integrados ao sistema produtivo moderno, suas populações e as próprias produções locais de seus entornos, passam a exigir uma demanda de trabalho especializado e ampliar as suas necessidades de consumo de bens materiais e imateriais. Além desses aspectos, cabe ressaltar que a cidade local não tem possibilidades de criar atividades modernas por causa do tamanho reduzido de seu mercado e também por causa do caráter monopolistico de certas atividades regionais de comercio, cujo efeito sobre os espaços reduz ainda mais o número dos consumidores (SANTOS, 1979,

p.71).

Apesar da relevância dessas considerações, faz-se necessário também considerar que na complexa diversidade das pequenas cidades brasileiras, há entre essas, núcleos que não se enquadram nos parâmetros apontados por Santos (1979,1993), como cidades locais. Nesse sentido, verifica-se, por exemplo, a ocorrência de pequenas cidades inseridas em áreas economicamente dinâmicas, como nas áreas de agricultura moderna, que conseguem atender as demandas básicas se sua população e as da produção agropecuária, algumas apresentando considerável crescimento populacional e outras não. Mas, é fato também, a existência de pequenas cidades que funcionam apenas como reservatórios de mão-de-obra; outras são marcadas pelo esvaziamento gerado por processos migratórios, sobretudo de pessoas em idade ativa, permanecendo os idosos. As rendas nessas ultimas localidades são, geralmente, procedentes de transferências governamentais, sobretudo, do Estado. Além dessas, há também, entre outras pequenas cidades turísticas, industriais e algumas que têm festividades religiosas, feiras e festas como elementos que as inserem em um contexto mais amplo. Nesse sentido, Corrêa (2004, p.75), mostrou que as pequenas cidades brasileiras estão “localizadas por toda parte” e suas hinterlândias são diferenciadas em termos demográficos produtivos e de renda. Assim, diante desse novo processo de mutação do espaço urbano brasileiro, transfigurando pela expansão de uma estrutura urbana deficitária, decorrentes de fragmentação do território nacional, possibilitando o surgimento de um número expressivo de pequenos municípios, que por apresentarem nível de desenvolvimento elementar estão inserida na rede urbana brasileira como “cidade local”. Segundo Santos (1979, APUD SOARES, 2005, p.10).

As cidades locais têm influências estritamente locais e níveis urbanos elementares, mas, fundamentais para seus entornos imediatos, visto que têm

um conjunto de equipamentos voltados para o mundo rural e estão integrados

as redes urbanas.

Nesse sentido, as cidades locais, de acordo com as proposições de Santos (Op. Cit.), são cidades que dispõem de uma atividade polarizante e, dadas as funções que elas exercem em primeiro nível, poderíamos falar de idades de subsistência. Por ultimo, é preciso destacar parafraseando Wanderley (2004) que,

O espaço local é de fato, o encontro entre dois mundos, porem neles as

particularidades de cada um não são anuladas, ao contrario, são a fonte de integração e cooperação, tanto quanto das tensões e conflitos. O que resulta

dessa relação é a configuração de uma rede de relações recíprocas em múltiplos planos, que sob muitos aspectos reitera e viabiliza as particularidades. E, assim sendo, o desenvolvimento local, entendido como processo de valorização do potencial econômico, social e cultural local exige um tratamento específico de relação campo-cidade, especialmente a que se envolve a pequena cidade em seu conjunto, ou seja, a sede do município e o entorno rural.

1.2 A Contemporaneidade do Rurbano Brasileiro.

A relação entre cidade e campo se situa, histórica e teoricamente, no centro das sociedades humanas. A dominação da cidade sobre o campo, como resultado da divisão entre trabalho intelectual e trabalho manual e através do comando do mercado sobre as atividades de produção, é fato que marcou as sociedades humanas desde tempos remotos, e particularmente as sociedades capitalistas industriais. Desde tempos remotos a interdependência de relações de troca entre a cidade e o campo, é marcada pela sobreposição do primeiro sobre o último, haja vista, que pela sua dinamicidade e complexidade que lhe é atribuída, a cidade exerce o domínio sobre o meio rural, é o espaço socialmente construído para atender parcialmente ou totalmente as necessidades de seus habitantes e até mesmo de outros sujeitos mais distantes que se sentem atraídos por essa força centrípeta que a cidade tem sobre as pessoas. Com o intuito de discorrer sobre o conceito de cidade, como também de definir os atributos de urbano e rural, torna-se relevante ressaltar esta incessante imbricação entre dois mundos que compartilham de relações indispensáveis para o processo de desenvolvimento de qualquer país. Mundos que se contradizem devido a exploração de um sobre o outro, mas que se complementam em suas mutuas relações de produção que conduzem a dinâmica socioespacial dos lugares. Nesse contexto, é imprescindível destacar a interdependência entre estes dois mundos difusos, o “urbano” e o “rural”, todavia, referentes à cidade e ao campo, ganharam autonomia recentemente e dizem respeito a uma gama de culturais, socioeconômicas e espaciais entre formas e processos derivados da cidade e do campo sem, no entanto, permitirem a clareza dicotônica que os caracterizava até o século passado. Ao contrário, cada vez mais as fronteiras entre o espaço urbano e o rural são difusas e de difícil identificação. Pode-se supor que isto acontece porque hoje esses adjetivos carecem de sua referência substantiva original, na medida em que tanto a cidade como o campo não são mais conceitos puros, de fácil identificação ou

delimitação. O que é espaço urbano? O que é espaço rural? Quais são os seus limites? O que são hoje os grandes centros metropolitanos do Brasil contemporâneo? Como Rio

de Janeiro, São Paulo, Recife, ou as médias e pequenas cidades espalhadas pelo mundo.

Onde começam e onde terminam? Em qualquer caso, essas indagações quanto a definição dos limites e da natureza, tanto do campo quanto da cidade é cada vez mais

difusa e difícil. Segundo Monte Mor (2006, p 7) o importante é considerar

Cidade e campo, elementos socioespaciais opostos e complementares, constituem a centralidade e a periferia do poder na organização social. As cidades garantem a diversidade e a escala da vida social, bem como a competição e cooperação características da vida humana contemporânea. Os campos por sua vez, tão diversos entre si, garantem também diversidade dentre das homogeneidades extensivas e escalas de produção quando tomadas de forma abrangente. Contem também processo de competição e cooperação, mesmo gerenciados pelas cidades e limitados pela auto suficiência relativas que ainda mantém.

A cidade historicamente centralizadora do poder econômico, político- administrativo, constitui-se em um espaço que congrega uma gama de especificidades que aprofunda a divisão sócio-espacial do trabalho em seu centro imediato. Este aprofundamento é resultado de estímulos provocados pelo contato externo e abertura para outras comunidades envolvendo processos regulares de troca baseados na cooperação e na competição. Implica, assim, de um lado um sedentarismo e uma hierarquia sócio-espacial interna a comunidade e de outro, movimentos regulares de bens e pessoas entre comunidades. Localmente, exige uma estrutura de poder sustentado pela extração de um excedente regular de produção situado no campo. Assim a cidade implica a emergência de uma classe dominante que extrai e controla este excedente coletivo através de processos ideológicos acompanhados, certamente, pelo uso da força. No Brasil, o urbano teve sua origem na política ao mesmo tempo concentradora

e integradora dos governos militares que deram seqüência à centralização e expansionismo Varguista e interiorização desenvolvimentista Juscelinista. Hoje o urbano-indústria se impõe virtualmente a todo espaço social na urbanização extensiva dos nossos dias. Nesse sentido os modos de vida que ultrapassou os limites daquelas áreas que antes caracterizavam-se pelo atraso econômico, cultural e ideológico, apresenta-se

costumes sociais que outrora era hábitos da vida urbana. O que Lefebre denomina de Continum urbano a “zona crítica” que extrapola os contornos urbanos. Há um vício de raciocínio na maneira como se definem as áreas rurais no Brasil que contribui decisivamente para que sejam assimiladas automaticamente o atraso, carência de serviços e falta de cidadania. A definição do IBGE para expressão de Elena Saraceno (1996/99), é de natureza residual: as áreas rurais são aquelas que se encontram fora dos limites das cidades, cujo estabelecimento é prerrogativa das prefeituras municipais. O acesso a infra-estrutura e serviços básicos e um mínimo de adensamento são suficientes para que a população se torne “urbana”, com isso, o meio rural corresponde aos remanescentes ainda não atingidos pelas cidades e sua emancipação social passa a ser vista de maneira distorcida como “urbanização do campo”. Como definir o meio rural de maneira a levar em conta tanto a sua especificidade, (isto é, sem encarar seu desenvolvimento como sinônimo de “urbanização”), como os fatores que determinam sua dinâmica, (isto é, sua relação com as cidades)? Os impactos políticos da resposta a esta pergunta teórica e metodológica são óbvios: se o meio rural for apenas a expressão, sempre minguada, do que vai restando das concentrações urbanas, ele se credencia, no máximo, a receber políticas sociais que compensem sua inevitável decadência e pobreza. Se, ao contrário, as regiões rurais tiverem a capacidade de preencher funções necessárias a seus próprios habitantes e também as cidades mas que estas próprias não podem produzir então a noção de desenvolvimento poderá ser aplicada ao meio rural. De acordo com Saraceno (1994, p. 348):

O Paradoxo da ruralidade é que ela é definida em termos negativos e só deve permanecer rural se não sofrer mudança ou declinar. É impossível para uma área desenvolver-se sem que automaticamente se torne não rural.

A mesma autora nos diz que, enquanto o estudo do meio rural for a monótona confirmação da profecia que vem sendo realizada de seu esvaziamento, será impossível compreender as razões que explicam a existência de áreas rurais dinâmicas, o que, como bem mostram os trabalhos da divisão do desenvolvimento territorial da OCDE (1994/96), compromete a própria concepção de políticas para as áreas mais atrasadas. Não existe uma definição universalmente consagrada do meio rural e seria vã a tentativa de localizar a melhor entre as atualmente existentes.

Abramovay (2000, p. 4) e Veiga et al. (2001, p. 6), afirmam que, atualmente existem duas maneiras de predominantes na delimitação do rural, as quais, são criticadas pela grande maioria dos pesquisadores, seja em nível nacional ou internacional. Primeiro, a delimitação administrativa ou normativa que é utilizada no Brasil, é também me vários paises da América Latina, como Equador, Guatemala, El Salvador e República Dominicana. Para Tavares (2003), as principais restrições que se podem a esse contexto seriam assim resumidas:

O rural é definido em parte ao arbítrio dos poderes públicos municipais, em que as conseqüências fiscais da definição acabam sendo mais importantes que seus aspectos geográficos, sociais, econômicos, ou culturais;

Desde que haja extensão de serviços públicos a um certo aglomerado populacional, ele tenderá a ser definido como urbano: é assim que, no Brasil, as sedes de distritos com algumas dezenas ou centenas de casas são definidas como “urbanas”;

O rural tenderá a ser definido, a principio, pela carência, o que não pode ser considerado um critério adequado, sob qualquer ponto de vista.

Segundo, o peso econômico na ocupação de mão-de-obra na agricultura é o principal critério para a definição de ruralidade. Em Israel são urbanas as localidades onde 2/3 dos chefes de famílias exercem ocupações não agrícolas. No Chile, além do patamar populacional (1.500 habitantes) a localidade rural deve ter menos de 50% de seus habitantes ocupados em atividades secundárias (ABRAMOVAY, 2000, p.5). Monte – Mor (op. cit.) em seu estudo sobre “o que é urbano no mundo contemporâneo” chamou de:

“Urbanização extensiva” esta materialização sócio-temporal dos processos de produção e reprodução resultantes do confronto do industrial com o urbano, acrescida das questões sócio-políticas e culturais intrínsecas à polis e a civitas que tem sido estendidas para além das aglomerações urbanas ao espaço como um todo. É essa capacidade social resultante do encontro explosivo da indústria com a cidade o urbano que se estende com as relações de produção (e sua reprodução) por todo o espaço onde as condições gerais de produção (e consumo) determinadas pelo capitalismo industrial de Estado se impõe a sociedade burocrática de consumo dirigido, carregando no seu bojo, a reação e organização políticas que são próprias da cidade urbana que se impõem hoje como virtualidade e objetividade no Brasil, constituindo-se em condição para a compreensão do espaço social contemporâneo.

Nesse contexto, o que existe de fato no Brasil, é um modo de vida urbana que se estendeu a todo território nacional como prática social vigente propiciada por processos de produção e reprodução do espaço social brasileiro, que é conduzido por uma dinâmica social característica de uma sociedade consumista, virtualizada por uma práxis urbana, homogeneizando costumes que congregam a diversidade espacial do território brasileiro. Resumidamente, Abramovay (2000) afirma que existem alguns inconvenientes básicos com relação a essa definição do meio rural:

a) os limites estabelecidos internacionalmente são arbitrários correspondem muito mais a tradição histórico-institucional que situações geográficas refletidas;

b) a comparabilidade internacional das informações sobre o rural fica seriamente comprometida;

c) esse critério não dá oportunidade para construir uma abordagem regional da

ruralidade. Ele diz que tal localidade ou tal município é ou não rural (segundo os critérios estipulados), mas não dá a possibilidade de dizer se existem regiões ou territórios mais ou menos rurais. Para Carneiro (1997, p. 155)

Orientar o foco de análise para os agentes sociais deste processo (de decomposição e recomposição de sistemas sociais) e não mais para um espaço geográfico rarefeito possibilita, por exemplo, que a distinção entre “cidade” e “aldeia” e “rural” desapareça ou torne-se inútil como questão sociológica. Isso porque cada espaço contem e si contradições e conflitos resultantes da relação entre sistemas de valores distintos, quer sejam eles tidos como de origem “urbana” ou “rural”.

Nesse sentido, a ruralidade não é uma realidade “empiricamente observável”, mas uma “representação social” definida culturalmente por atores sociais. Por isso,

pode-se propor a noção de “localidade” como expressão das múltiplas formas de interação desses atores (que desempenham atividades heterogêneas, agrícolas ou não)

com a sociedade e a economia global: [

referência espacial como qualificadora de um universo de relações sociais específicas.

denota apenas a

]

a noção de localidade [

]

Em outras palavras, a noção não define, de forma alguma, a natureza rural ou urbana do grupo ou das práticas de relações sociais que ele desenvolve”. (CARNEIRO, 1997,

p.162).

Abramovay, (1999, p. 16) argumenta que hoje existe um grande entendimento

na literatura internacional em torno de três aspectos básicos sobre o meio rural, que são:

a) a relação com a natureza;

b) a importância das áreas não densamente povoadas, e

c) a dependência do sistema urbano.

Em síntese, o importante é considerar, a interdependência entre esses dois mundos difusos, o “rural” e o “urbano” que em suas múltiplas relações de troca, articulam-se continuamente nessa dinâmica incessante que conduz a gênese de dois espaços heterogêneos contradizendo-se em suas particularidades sócio-espaciais, mas paradoxalmente é fonte de integração e cooperação, tanto quanto das tensões e conflitos, haja vista que a deficiência de um é complementada eficiência do outro. Consequentemente, essa nova configuração que esboça-se no cenário sócio-espacial brasileiro é produzida virtualmente por esse modo de consumo capitalista e industrial que transcendeu os limites da cidade, atingindo expressivamente a sua periferia imediata, como também, outros espaços mais longínquos.

1.3 O Processo de Urbanização Brasileira

O processo de urbanização brasileira é caracterizado pela dominação dos grandes centros urbanos, como por exemplo: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, em detrimento de uma grande maioria de municípios pequenos que multiplicaram-se pelo território brasileiro nas duas ultimas décadas, possibilitado pelo processo de fragmentação ou desmembramento contribuindo expressivamente para existência de um modo de vida urbano artificial, o que faz do nosso país tipicamente urbano, haja vista que o maior percentual de sua população, concentra-se nos perímetros urbanos de suas respectivas cidades. Quando se fala em processo de urbanização e desenvolvimento urbano, a imagem que vem a mente da maioria das pessoas é, provavelmente, a imagem das cidades metropolitanas, vistas como pólos do progresso e da civilização, estes grandes centros concentram-se atividades econômicas dinâmicas e as oportunidades de acesso a bens e serviços de toda a ordem, que atraem a população dos pequenos centros e das áreas rurais. No Brasil, este processo de metropolização assumiu, efetivamente, uma grande dimensão nas ultimas décadas. Em período mais recente, os estudiosos da população

vêm apontando para um outro processo de concentração demográfica, desta vez centrado no desenvolvimento das chamadas cidades médias situadas no interior do país. Para Faria (1991), a estruturação do espaço urbano brasileiro possui uma dupla característica. “ por um lado, concentra grandes contingentes populacionais – um termos de tamanho absoluto em número reduzido de áreas metropolitanas e grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, outras áreas metropolitanas e capitais regionais e sub- regionais; por outro alimenta o crescimento da população urbana de um número grande e crescente de cidades de diferentes tamanhos que se integram num complexo padrão de divisão de trabalho social, tanto entre o campo e a cidade como entre as cidades”. O resultado deste processo é para Faria (op.cit.), a constituição de um sistema urbano dinâmico e crescentemente integrado, sob o comando funcional das ares metropolitanas nacionais de São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse sentido, torna-se relevante destacar, que esse processo de urbanização brasileira teve inicio no período getulista, implementando uma política modernista controlada pelo Estado, efetivou diversas reformas sociais e estruturais, para a metarmofização do espaço geográfico do nosso país, engendrado num sistema que sempre privilegiou uma divisão social desigual, emanada pela dominação de uma “minoria”, que desfruta das melhores condições de vida, em detrimento de uma maioria da população que sucumbe aos os interesses da classe dominante.Característica esta que estar configurada na organização urbana do Brasil, onde, uma pequeno grupo de grandes cidades comanda a hierarquia urbana do país, haja vista, que é nesses grandes centros urbanos, lugar dos maiores contingentes populacionais, os centros tecnológicos e industriais, o que as credenciam eventualmente, como dominadora desse sistema urbano concentrador e desigual, ranço que está arraigado social e estruturalmente no espaço urbano brasileiro. Maricato (2004), afirma que a grande desigualdade social reinante no Brasil, manifesta-se no espaço urbano, pois são as cidades os cenários mais explícitos das praticas e o lócus da reprodução do capital e da força de trabalho. O quadro resultante espela as cidades em seus processos de urbanização, consolidação do uso e da ocupação do solo, e pode ser de grande utilidade para planejadores urbanos, estudantes de Arquitetura e Urbanismo, bem como os profissionais voltados as áreas de Estudos Sociais e Geografia Humana. Segundo Santos (1993), a urbanização crescente é uma fatalidade neste país, ainda que essa urbanização se dê com o aumento do desemprego, do subemprego e do

emprego mal pago, e a presença de volantes nas cidades médias e pequenas. Este ultimo é um dado “normal” do novo mercado de trabalho unificado, em que, em média, 75% desses chamados volantes, bóias-frias etc. Não são recrutados por intermediários. Esse mercado urbano unificado e segmentado leva a novo patamar a questão salarial, tanto no campo como na cidade. O fato de os volantes vivendo na cidade serem ativos na busca por melhores salários, esse constitui também dado dinâmico na evolução do processo de urbanização, bem como processo político do país.

O urbano ou espaço urbano-industrial contemporâneo, metáfora para o espaço social redefinido pela urbanização, se estende virtualmente por todo o território através do tecido urbano,essa forma socioespacial herdeira e legatória da cidade que caracteriza

o fenômeno urbano contemporâneo e a sociedade urbana.

“O tecido urbano prolifera, estende-se, coroe os resíduos de vida agrária. Estas palavras, o tecido urbano, não designam, de maneira restrita, o domínio edificado nas cidades, mas o conjunto das manifestações do predomínio da cidade sobre o campo. Nessa acepção, uma segunda residência, uma rodovia, um supermercado em pleno campo, fazem parte do tecido urbano”. (LEFEBVRE, 1999, P.17).

No entanto, a cidade industrial que transbordou sobre regiões circundantes deu origem a uma nova forma de urbanização que ao mesmo tempo integrou a práxis sóciopolítico e espacial próprio do espaço urbano, industrial (a qual Lefebvre chamou práxis urbana), ao mesmo espaço social como um todo. A medida que o tecido urbano se estendeu sobre o território, levou com ele os germes da polis, da civitas, da práxis política urbana que era própria e restrita ao espaço da cidade. A luta política pelo controle dos meios coletivos de reprodução que caracterizam a cidadania contemporânea e os movimentos sociais urbanos que emergiram nos anos setenta mostraram que a luta pela cidadania estava latente nas cidades e nas áreas urbanas. A década dos anos oitenta, no entanto mostrou esses movimentos haviam se estendido para além desses limites, atingindo todo o espaço social. Os movimentos sociais perderam sua adjetivação de urbanos na medida em que passaram a abranger populações rurais e tradicionais, como índios, seringueiros, trabalhadores sem terra, entre outros. Assim, a questão urbana havia se transformado na questão espacial em si mesma

e a urbanização passou a constituir uma metáfora para a produção do espaço social contemporâneo como um todo, cobrindo potencialmente todo o território nacional em

bases urbano-industriais. Por outro lado a politização própria do espaço urbano agora estendida ao espaço regional reforça preocupações como qualidade de vida cotidiana, o meio ambiente, enfim, a reprodução ampliada da vida. O industrial passou a ser pelo menos virtualmente, submetido a limitações do urbano e por exigência da reprodução. Nesse contexto, a re-politização da vida urbana torna-se a re-politização do espaço social. O que Santos (op. cit.), chamou de “urbanização do território”. A chamada urbanização da sociedade foi o resultado da difusão, na sociedade, de variáveis e nexos relativos à modernidade do presente, com reflexos na cidade. A urbanização do território é a difusão mais ampla no espaço das variáveis e dos nexos modernos. Trata- se, na verdade de metáforas, pois o urbano também mudou de figura e as diferenças atuais entre a cidade e o campo, são diversas das que reconhecíamos há alguns poucos decênios. Intrinsecamente, a esse processo de urbanização brasileira, não poderia deixar de frisar que é um fenômeno recente, alavancado pelo acúmulo de capital, possibilitado pela exportação do café que durante os primeiros decênios do século XX foi a mola- chave da economia do nosso país, fato este ocorrido na Região Sudeste que desde tempos anteriores e até os dias atuais comanda a dinâmica socioespacial e política do Brasil.

No tocante, torna-se relevante ressaltar, que o processo supra-citado, teve inicio tardiamente, devido principalmente a alienação da classe dominante do nosso país, que insistia em permanecer num sistema explorador de colonização que submetia todo povo de um país aos interesses da Coroa Portuguesa e de um pequeno grupo de fazendeiros, que para manter-se no poder renegava aos anseios de uma maioria da população, sonhadora de um país com menos desigualdade social e melhores condições de vida. Independente de tamanho, localização ou de que função conjugue, os problemas urbanos que assolam as cidades brasileiras são comuns a todos, diferindo apenas em questão de complexidade, em função de sua escala de abrangência, dentre os quais pode-se inserir, os problemas de infra-estrutura, habitação, saúde, educação, meio ambiente, dentre outros. Problemas estes, que estão intimamente relacionados com a atual conjuntura sócio-econômica de nosso país, caracterizados pela deficiência estrutural de modelo de urbanização desigual, concentrador e desorganizado, caracteristícas que ultrapassam a configuração do espaço urbano, pois que são inerentes a sociedade brasileira.

Consoante é indispensável destacar, a relevância que deve ser considerada o aumento significativo de pequenos municípios que têm surgido nos últimos anos, principalmente municípios com menos de 20 mil habitantes, que espalhou-se por todo território brasileiro, devido a critério administrativo, elevando a sede municipal a categoria de município, conforme o Decreto Lei número 311 de 2 de março de 1938, que em seus artigos 11 e 12 estão determinados 200 moradias para os distritos. Apesar de não apresentar uma dinâmica sócio-espacial pujante, mas são em alguns destes municípios e Caturité-PB está inserido nesse contexto, que seus habitantes tiveram uma melhoria substancial na qualidade de vida, fenômeno esse, que foi observado após a emancipação de mesmo. É neste sentido amplo que se pode falar de urbanização extensiva que se impõe no espaço brasileiro para muito além das cidades, integrando espaços rurais e regionais ao espaço urbano-industrial através da expansão da base material requerida pela sociedade e economia contemporâneas e das relações de produção que são ou devem ser reproduzidas pela própria produção de espaço. Neste contexto multiplicam-se as fronteiras urbanas, tanto internamente e nas franjas das aglomerações quanto nos espaços regionais e rurais incorporados a lógica urbano-industrial. A urbanização extensiva caminha assim ao longo dos eixos vários e redes de comunicação e de serviços em regiões “novas” como a Amazônia e o Centro-Oeste, mas também em regiões “velhas”, como o nordeste, em espaços residuais das regiões mais desenvolvidas, mas “ilhas de ruralidade” no interior mineiro ou paulista. Em toda parte, a lógica urbano-industrial se impõe ao espaço social contemporâneo, no urbano dos nossos dias.

CAPITULO II CONTEXTUALIZAÇÃO DA ÁREA EM ESTUDO

2.1 Localização

O Município de Caturité está localizado na Mesarregião da Borborema e na

Microrregião do Cariri Oriental paraibano, a distância de 153Km da capital do estado e

30km da cidade de Campina Grande PB. Limita-se ao Norte com campina Grande, ao

Sul com Barra de Santana, ao Leste com Queimadas e ao Oeste com Boqueirão.

Mapa 01:

Mesorregiões geográficas da Paraíba

Obs: Citar no rodapé do mapa, seu título e a fonte, bem como fazer referências
Obs: Citar no rodapé do mapa, seu título e a fonte, bem como fazer
referências no texto.

2.2 Aspectos Físicos

De acordo com o IBGE (2002), do ponto de vista geomorfológico o Município está inserido na unidade denominada superfície da Borborema dentro da subunidade da depressão comandada pelo Rio Paraíba, a maior área do município, encontra-se a altitude entre 400 e 600m e as faixas próximas aos rios de maior expressão, o Bodocongó e Riacho da Ramada, entre 200 a 400 metros. A Serra de Caturité ao sul do município é o relevo de maior expressão, com 806 metros de altitude. Como pode ser visto na foto 01.

O relevo do município tem como limites naturais a Leste os rios São Pedro e

Bodocongó, ao Sul a Serra de Caturité, que representa a relevo de maior expressão geomorfológica do lugar, sendo a referida que denominou o nome da cidade. O clima é o semi-árido caracterizado por chuvas escassas no verão e temperatura elevadas todo ano. A temperatura média no Município é elevada e distribuída em faixas que vão de 25° a 27° centígrados. De maneira geral, a taxa pluviométrica do Município está entre 400 e 600 mm/a e o número de meses secos por ano vai de 8 a 9 meses. Os solos do município são considerados rasos e pedregoso, colonizado pala vegetação da caatinga, caracterizada como uma formação vegetal resistente a carência hídrica da área. Solos rasos e vegetação adaptada ao clima semi-árido recobrem rochas de período arquezoico representadas pelo complexo gnásico-magmatico-granodiorito.

2.3 Aspectos Históricos

O Município de Caturité-PB, originou-se nos primeiros decênios do século XX

com a chegada da família Queiroga, que era proprietária de uma extensa área territorial,

local onde fica a sede do Município e toda a área circunvizinha. Incluse foi a patriarca da família Queiroga, que doou o terreno para ser construída as primeiras casas do povoado, como também o lugar onde foi erguida a capela Nossa Senhora da Conceição que dera nome a vila que durante muito tempo foi camada de Conceição. Posteriormente surgiram outras famílias tradicionais no Município, como os Gervásio da Cruz, os Trovão, os Cordeiros, os Veríssimo, dentre outras. Atualmente estas famílias se destacam no Município por fazerem parte da história local. O Município de Caturité PB, desde tempos anteriores caracterizou-se pela vocação agropecuária. Segundo relatos de seus habitantes, havia currais de gado em torno do povoado e nas comunidades circunvizinhas, como também plantações de sisal, que durante as décadas de 50e 60, apresentava-se como principal fonte de renda local. Havia também durante aquele período grande plantações e algodão que era beneficiado no povoado juntamente com a produção vindas de municípios vizinhos que eram vendidas em Recife pela família Queiroga, cuja era dona dos meios de toda produção local.

A partir do ano 1994, o Município de Caturité Pb a sua emancipação política ou melhor dizendo a sua “carta de alforria” que o mantinha submisso administrativamente aos interesses políticos do Município de Boqueirão PB. Deve-se levar em consideração que essa conquista, foi alavancada, não somente pela aquela parcela da população, onde estão camuflados os interesses de se manterem ao poder, como também, a vontade de mudança da maioria da população que lutam constantemente por melhores condições de vida. Torna-se relevante ressaltar que o referido município foi reconhecido como tal, a partir da sua primeira gestão municipal no dia primeiro de janeiro de 1997, tomando posse o primeiro prefeito, José do Egito Bezerra Cabral, que administrou o município nas duas primeiras gestões. Hoje quem está à frente da prefeitura é o então prefeito José Gervázio da Cruz, que foi homologado no cargo em primeiro de janeiro de 2005. O municipio também se destacava por uma feira-livre que era praticada semanalmente no mercado publico e na rua principal, que de acordo com os relatos de seus citadinos, durante a década de 70, caturité desfrutava de uma maior dinamicidade se comparado com o período atual. Nesta feira vendia-se de tudo, carne de porco até tecidos, para confecção de roupas, como também havia cabeleireiros conhecidos popularmente como barbeiros. Vinha gente de todo o Município e de outros municípios

vizinhos, parta fazer feira, cortar o cabelo, passear, enfim, a feira-livre do referido municipio era compromisso inadiável de seus habitantes aos domingos.

2.4 Aspectos Econômicos

O Município de Caturité - PB, diferentemente da maioria de outros municípios brasileiros que foram instituídos recentemente devido a adoção de um critério administrativo, apresenta uma dinâmica econômica que é invejável para aqueles municípios pequenos com dimensão demográfica inferior e/ou igual a de Caturité, mas que depende exclusivamente de verbas Federais para poder se manter, como por exemplo o Fundo de Participação (FPM). Consoante torna-se relevante destacar o surgimento das agroindústrias leiteiras para a diversificação do mercado de trabalho local. Primeiro foi criada a Cooperativa Agropecuária do Cariri (COAPECAL), localizada na zona rural do municipio, mais precisamente no Sítio Bodopitá, que fica a uma distancia de três quilômetros da sede municipal. A principio era pequena empresa formada por vinte sócios que fabricava apenas o queijo de coalho, comercializado-o nas cidades circunvizinhas, com o passar dos anos a cooperativa foi se desenvolvendo, atualmente a produção e diversificando os seus produtos, tais como: o queijo de manteiga, a bebida láctea, o yogurte, a margarina, o doce de leite, dentre outros. Dessa maneira a “Leite Cariri” como é conhecida popularmente, conseguiu ampliar seu mercado consumidor, vendendo seus produtos de todo Estado da Paraíba, no Rio Grande do Norte e Pernambuco, conseqüentemente atraindo um grande numero de sócios que hoje, somados ultrapassam o valor de mais de mil.

Posteriormente foi criada a SEBRAL em 2001, conhecida popularmente como “Leite Vita”, localizada também na zona rural de Caturité no Sitio Curralinho a uma distância de dois quilômetros da sede municipal, não menos importante de que a “Cariri” estas duas empresas são responsáveis por empregar diretamente um numero de pessoas consideráveis do referido município, dentre os quais a maioria deles são provenientes do meio rural. A “Leite Cariri” emprega 75 empregados diretos, desse total 90% são oriundo do município mais precisamente da zona rural. A “Leite Vita” tem 59 empregados diretos sendo que 40% deles residem também em Caturité e nos sítios vizinhos.

Outrossim, a matéria-prima que é processada nas duas agroindústria é oriunda daqui mesmo do Estado da Paraíba de cidades do compartimento da Borborema dentre elas: Queimadas Boqueirão, Barra de Santana, Gado Bravo, Alcantil, dentre outros. Somando um total de 70 mil litros de leite diários, lembrando que valor é uma variável sujeito a oscilações desse valor total 40% da matéria-prima é produzida no próprio município de Caturité, credenciando-o como principal produtor de leite para as agroindústrias. O município vem se destacando como um dos principais produtores de laticínios do Estado da Paraíba. Fatores que contribuíram conseqüentemente para a elevação do PIB municipal. De acordo com o IBGE, foi a economia que mais cresceu na Paraíba entre 2002 e 2005. Há dois anos o PIB do município era de R$ 23,886 milhões contra 59,612 milhões em 2005, uma evolução de 148,49%. Vale destacar que a evolução econômica verificada no município, foi alcançada devido o espírito cooperativista dos pequenos produtores de leite local, que deram o impulso inicial para esse empreendimento fabuloso que é a COAPECAL, destacando-se no cenário estadual, como uma das principais agroindústrias no gênero de laticínios. No obstante, merece relevância a contribuição da SEBRAL para a evolução desse fenômeno econômico que vem ocorrendo recentemente no referido município, devido a audácia da família Hermínio Cabral, que investiu maciçamente na qualidade do “Leite Vita” ganhando mercado consumidor do Estado da Paraíba, com pretensões de expandir seus produtos para outros Estados Nordestinos. Vale ressaltar que agroindústrias juntamente com a prefeitura são os principais empregadores do município, entretanto, ainda é a prefeitura que detém o maior numero de empregados com 239, ultrapassando as empresas de laticínios, que somados seus empregados tem-se a quantia de 134. No entanto, o poder publico local, tem importante contribuição para o comando da dinâmica socioespacial local.

2.5 Aspectos Estruturais

Após a emancipação política do Município de Caturité, percebe-se que vem ocorrendo mudanças significativa nas características da sua paisagem, mais especificamente no espaço físico que compreende a sede municipal, transformação que só foi possível mediante as obras de infra-estrutura que vem sendo implementadas desde a primeira gestão em 1997, as quais conseqüentemente vem melhorando substancialmente a qualidade de vida da população caturiteense, contribuindo,

as quais conseqüentemente vem melhorando substancialmente a qualidade de vida da população caturiteense, contribuindo,
as quais conseqüentemente vem melhorando substancialmente a qualidade de vida da população caturiteense, contribuindo,

entretanto para a metamorfização dos espaço local. Como pode ser visto nas Fotos 01 e 02 e logo em seguida no quadro 01.

Foto 01: Calçamento da Rua João Queiroga - P. M. Caturité, outubro de 1997

Foto: Construção de Casas Populares - P. M. Caturité, setembro de 2001.

QUADRO 01 OBRAS DE INFRA-ESTRUTURA DA CIDADE DE CATURITÉ

OBRA

LOCAL

RECURSOS

ANO

Calçamento

Rua João Queiroga (1ª Parte)

Próprio

1997

Esg. Sanitário

Sede

Conv. Federal

1998

Pavimentação

Acesso a PB - 148

Estado

2000

Iluminação

Acesso a PB - 148

Município

2000

Casas Populares

Rua Sindolfo Severino da Silva

Conv. Federal

2001

Calçamento

Rua João Queiroga (Conclusão)

Conv. Estado

2002

Calçamento

Rua Sindolfo Severino da Silva

Município

2002

Ampliação do Cemitério

Rua Sindolfo Severino da Silva

Município

2002

Ampliação da Escola ATM

Rua João Queiroga

Município

2002

Ampliação do Posto de Saúde

Rua João Queiroga

Município

2002

Iluminação

Rua Sindolfo Severino da Silva

Município

2002

Praça

Sede

Conv. Estado

2003

FONTE: Prefeitura Municipal de Caturité, em 22 de agosto de 2007.

CAPITULO III

A HIBRIDICAÇÃO DO RURAL-URBANO NO MUNICIPIO DE CATURITÉ-PB: Uma análise socioeconômica

O Município de Caturité-PB não difere da maioria dos municípios nordestinos com menos de 20 mil habitantes, por apresentar características intrinsecamente de “cidade rural”, tendo em vista que o maior percentual de sua população encontra-se residindo na zona rural, tendo como base econômica a agropecuária, destacando-se a pecuária leiteira utilizada para a produção de laticínios. Um aspecto relevante do Município é que, logo na chegada da cidade existe uma fazenda que está inserida na paisagem urbana local, como pode ser vista na Foto 03.

Inerente a essa vocação pecuarista que o município adquiriu ao longo de sua historia, surgiram duas indústrias agropecuárias, a COAPECAL, conhecida popularmente como “leite cariri” e a SEBRAL conhecida como “leite vita” ambas localizadas na zona rural do referido município. Estas empresas vêm contribuindo para a dinamização do mercado de trabalho local, empregando mão-de-obra tanto da zona rural quanto da zona urbana. Veja nas Fotos 04 e 05.

do mercado de trabalho local, empregando mão-de-obra tanto da zona rural quanto da zona urbana. Veja
do mercado de trabalho local, empregando mão-de-obra tanto da zona rural quanto da zona urbana. Veja

Foto 04: Leite Vita (Agroindústria) - Rildo de Sousa, fevereiro de 2008.

Foto 05: Leite Cariri (Agroindústria) - Rildo de Sousa, fevereiro de 2008.

Ainda é grande o numero de pessoas que residem na cidade e mantém uma forte dependência com o campo, trabalham nas agroindústrias, colocam pequenas roças, criam gado, dentre outras. Percebe-se que existem citadinos que nos quintais de suas residências praticam atividades agropecuárias destacando-se: criação da pecuária leiteira, suínos e aves, atividades estas que são peculiares ao campo, mas que contraditoriamente são realizadas no perímetro urbano do município. Veja a Foto 06.

no perímetro urbano do município. Veja a Foto 06. Foto 06: Criação de animais no perímetro

Foto 06: Criação de animais no perímetro urbano - Rildo de Sousa, fevereiro de 2008.

É comum quando ao caminhar pelo centro da cidade, defrontar-se com pessoas trabalhando em carroças de boi de burro, transportando a ração para alimentar seus rebanhos de fundo de quintal, não deferindo do modo de vida rural de sua interlândia. O povoado ganhou status de cidade, mas continua em lócus, do modo de vida campal que prevalecia em tempos anteriores. Uma pessoa não natural dessa cidade, ao caminhar pelas ruas, em pouco tempo terá sua presença notada, pois ainda é forte o conhecimento mutuo entre os moradores. É ainda uma cidade tranqüila, está característica é constantemente ressaltada pelos moradores durante as entrevistas. Portas e janelas abertas são comumente encontradas. As crianças brincam pelas as ruas sem maiores preocupações em relação a violência e ao trânsito. O tempo ainda parece ser o tempo “lento”, encontra-se com muita freqüência, bancos em frete as residências, onde as pessoas se sentam para conversar sem ter que se preocupar com algum tipo de atitude de estranhos que possa pó em risco aquele modo de vida pacato, que permanece arraigado na dinâmica socioespacial do município em pesquisa.

O Município encontra-se paradoxalmente moderno haja vista, que as duas agroindústrias existentes estão localizadas na zona rural, gerando funções que anteriormente eram típicas dos grandes centros urbanos tais como: administradores, químicos, secretários, motoristas, dentre outros, o que vem contribuindo para a modernização do espaço local. No campo também existem parabólicas, internet que recentemente vem se expandindo no município através da provedora que tem como proprietária a COAPECAL, houve também a substituição dos animais como burro, cavalo e jegue por motocicletas é raro a existência desse tipo de transporte nas residências daqueles que residem no meio rural. Fenômeno este que pode ser observado na maioria dos municípios brasileiros. Na cidade existe lan house, parabólicas, internet, musicas dos grandes centros urbanos (como os estilos do rapp e do funk), edificações com características arquitetônicas que se encontram nas médias e grandes cidades. No entanto, o modo de vida rural é prevalecente. Não raro são moradores urbanos originários da zona rural, trabalhadores rurais, proprietários rurais. Cabe também ressaltar que compartilha o modo de vida particular, sobretudo, marcado pelo conhecimento mútuo, relações pessoais entre moradores e destes com a administração municipal. É comum a disponibilidade de tempo para conversar nas calçadas e praças. Os acontecimentos na cidade são facilmente acompanhados por todos. As ligações com o mundo rural são intensas e constantes. Este aspecto pode ser considerado a marca central do modo de vida desse lugar. Para poder chegar-se a argumentação sobre o perfil socioeconômico da população do Município de Caturité - PB, propõe-se trabalhar este tema com base no conhecimento empírico e através da aplicação de alguns questionários com os moradores, pautando-se num fundamento investigativo, como pode ser visto nos resultados abaixo. Pela analise da tabela 01 pode-se contatar que o núcleo familiar que apresenta o maior número de pessoas tem nove pessoas residentes, este valor corresponde a 2,5% do total pesquisado; constata-se ainda que o maior percentual é dos núcleos familiares que têm cinco pessoas residindo, representando 32,5%; o segundo lugar com 25% é dos núcleos com quatro pessoas: em seguida os núcleos com três pessoas representa 17,5%; os núcleos que residem duas e seis pessoas somam 14% e equivalendo 2,5% do total analisado, um núcleo com sete pessoas. Analisada a tabela 01, foi contatado que 76% dos núcleos familiares são formados de três a cinco pessoas.

TABELA -01 NÚMERO DE PESSOAS NO NÚCLEO FAMILIAR

Nº DE PESSOAS

Nº DE RESIDÊNCIAS

%

02

03

7,5

03

07

17,5

04

10

2,5

05

13

32,5

06

03

7,5

07

01

2,5

08

02

5

09

01

2,5

TOTAL

40

100

Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité-PB, dezembro de 2007.

As Tabelas 02, 03 e 04, a seguir tratam-se das faixas etárias dos pais, das mães e dos filhos respectivamente, da amostra realizada no Município de Caturité-PB, destacando-se a classe de idade, a freqüência relativa (fi)e o percentual. Na Tabela 02 pode ser destacado que 52,5% das mães estão entre 32 e 44 anos 5% dos pais com 20 a 32 anos e 2,5 entre 68 e 80.

TABELA -02 FAIXA ETÁRIA DOS PAIS

CLASSE DE IDADE

FREQUÊNCIA

%

25├ 35

2

6,6

35

45

55

├ 45

├ 55

├ 65

8

26,6

9

30

9

30

65

├75

2

6,6

TOTAL

30

100

Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité-PB, dezembro de 2007.

Na Tabela 02 pode ser identificado que a maioria dos pais, se encontram na faixa etária entre 45 e 55 anos, representando 30% do total pesquisado; o mesmo percentual apresentado por aqueles de 55 a 65 anos de idade.; outros 26,6% estão situado na faixa etária entre 35 a 45 anos; ainda vamos ter 6,6 que têm 25 a 35 anos, percentual igual ao país entre 65 e 75 anos.

TABELA -03 FAIXA ETÁRIA DAS MÃES

CLASSE DE IDADE

FREQUÊNCIA

%

20├ 32

2

5

32├ 44

21

52,5

44

├ 56

10

25

56

68

├ 68

├ 80

7

1

17,5

2,5

TOTAL

40

100

Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité-PB, dezembro de 2007.

Pode-se constatar na Tabela 04, que 52,2% dos filhos são jovens de 12 a 18

anos; outros 10,8 dos filhos são crianças que estão entre 0 e 06 anos, o que representa o

mesmo percentual de crianças com 6 a 12 anos; outros 24% são jovens que se encontra

na faixa etária de 18 a 24 anos e 2,2% é adulto entre 24 e 30 anos.

TABELA 04 FAIXA ETÁRIA DOS FILHOS

CLASSE DE IDADE

FREQUÊNCIA

%

00- 06

5

10,8

06

- 12

5

10,8

12

- 18

24

52,2

18

- 24

11

24

24-30

1

2,2

TOTAL

46

100

Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité-PB, dezembro de 2007.

As Tabelas 05 e 06 apresentam os resultados obtidos através da amostra sobre

graus de instrução dos pais, das mães e dos filhos no Município de Caturité.

O grau de instrução escolar verificado na Tabela 05 foi feito com 30 pais e 40

mães. Fazendo a análise desta tabela verifica-se que o percentual de pais analfabetos é

superior ao percentual das mães, com 15% a mais; porém, os pais com Ensino

Fundamental II incompleto são minoria, com 55%; enquanto as mães no Ensino

fundamental II incompleto, representa a maioria com 57,5%.

Observa-se que, o número de mães que já terminaram o Ensino Fundamental II corresponde a 12,5%, mas nenhum dos pais pesquisados concluíram o primeiro grau; em relação ao ensino médio incompleto ambos os gêneros encontram-se empatados, com percentual de 2,5%; em seguida outro empate no que concerne ao Ensino médio completo, tanto os pais quanto as mães não conseguiram concluí-lo; constata-se ainda que, o número de pais que ingressaram na universidade é de 5%, em contrapartida o percentual de mães neste mesmo grau de instrução é neutro, entretanto, no Ensino Superior completo ocorre o inverso, com 5% das mães que têm um curso de graduação e nenhum dos pais conseguiram concluir o Ensino Superior completo.

TABELA 05 GRAU DE INSTRUÇÃO DOS PAIS E MÃES

 

GRAU DE INSTRUÇÃO

PERCENTUAL

 

PAI

MÃE

ANALFABETOS

37,5

22,5

E.F.II INCOMPLETO

55

57,5

E.

F. II COMPLETO

12,5

E.

MÉDIO INCOMPLETO

2,5

2,5

E.

MÉDIO COMPLETO

E.

SUPERIOR INCOMPLETO

5

E.

SUPERIOR COMPLETO

5

TOTAL

TOTAL 100 100

100

TOTAL 100 100

100

Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité-PB, dezembro de 2007.

Constata-se através desta Tabela 06 que, no Município de Caturité-PB não existe filhos analfabetos; que 60,3% deles têm o Ensino Médio Incompleto; 17,3% dos filhos com Ensino Fundamental II incompleto; outros 10,4% são os filhos que têm o Ensino Fundamental II completo e superior incompleto; os 12% restante corresponde aos filhos que concluíram o Ensino Médio.

TABELA 06: GRAU DE INSTRUÇÃO DOS FILHOS

 

GRAU DE INSTRUÇÃO

PERCENTUAL

ANALFABETOS E.F.II INCOMPLETO

17,3

E.

F. II COMPLETO

5,2

E.

MÉDIO INCOMPLETO

60,3

E.

MÉDIO COMPLETO

12

E.

SUPERIOR COMPLETO

5,2

E.

SUPERIOR COMPLETO TOTAL

100

Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité-PB, dezembro de 2007.

O gráfico a seguir, mostra a procedência das famílias que residem no Município

de Caturité. Percebe-se que 20% das famílias são oriundas de outras cidades; outros

10% residem na zona urbana do Município; os 70% restante são moradores da zona

rural.

Em 90% dos núcleos familiares questionados não havia componentes da família

morando fora da casa; nos outros 10% sim, havia integrantes da família morando em

outras cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Campina Grande e Boqueirão.

Segundo relatos dos entrevistados, houve uma diminuição significativa do êxodo

rural após o surgimento das agroindústrias, haja vista, que o maior percentual que

trabalham

nelas

são

oriundos

do

meio

rural

do

referido

Município.

100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

0

do referido Município. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Famílias residentes

Famílias residentes em Caturité - PB

Famílias semintegrantes morando fora de casa Famílias com integrantes morando fora de casa

integrantes morando

fora de casa

Famílias comFamílias sem integrantes morando fora de casa integrantes morando fora de casa

integrantes morando

fora de casa

Gráfico 01: Procedência das famílias que moram no Município de Caturité PB. Fonte: Pesquisa Direta. Município de Caturité PB, Dezembro, 2007.

A tabela 07 trata das condições de habitação e do tipo de piso no Município de

Caturité PB, de acordo com a amostra realizada. A mesma mostra que 97,5 % das

habitações são próprias; apenas 2,5% são emprestadas; que todas as casas são

construídas de tijolos; e que 77,5% das residências têm o piso de cimento; os outros

22,5% possuem o piso de cerâmica.

Tabela 07: Condições de habitação, tipo de habitação e tipo de piso.

Condição de Habitação %

Tipo de Habitação %

Tipo de Piso %

Própria 97,5 Alugada / emprestada 2,5 Total 100

Tijolos 100 Madeira / outros 00 Total 100

Cimento 77.5

Cerâmica 22,5

Total 100

Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité-PB, dezembro de 2007.

O Gráfico 02 demonstra o percentual de pessoas que exercem atividade

remunerada por residência. Pela análise do referido gráfico, 65 % das residências tem

uma pessoa que exerce atividade remunerada; outros 30% são duas pessoas exercendo

atividade remunerada; e 5% equivale a soma das residências onde há três e cinco pessoas trabalhando com remuneração respectivamente. As atividades exercidas pelos habitantes do Município de Caturité que mais se destacaram foram as seguintes: mototaxistas, motorista, comerciante, agricultor, vaqueiro, dentre outros.

70

60

50

40

30

20

10

0

agricultor, vaqueiro, dentre outros. 70 60 50 40 30 20 10 0 Pessoas com atividade remunerada

Pessoas com atividade

remunerada por residência

Com 01 pessoaCom 02 pessoas De 03 a 05 pessoas

Com 02 pessoasCom 01 pessoa De 03 a 05 pessoas

De 03 a 05Com 01 pessoa Com 02 pessoas pessoas

pessoas

Gráfico 02: Quantidade de pessoas que exercem atividades remuneradas por residência do Município de Caturité - PB Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité - PB, dezembro de 2007.

A tabela 08 corresponde a renda por família do Município de Caturité. Verifica- se através dela, que 70% das famílias recebem até um salário mínimo; 17,5% vivem com renda entre um e dois salários mínimos; outros 10% delas, com renda entre dois e cinco salários mínimos; e apenas 2,5% das famílias têm renda superior ou igual a cinco salários mínimos. Tabela 08: Renda por família do Município de Caturité PB

Renda

Percentual

Entre meio e um salário mínimo Entre um e dois salários mínimos Entre dois e cinco salários mínimos Mais de cinco salários mínimos Total

70%

17,5%

10%

2,5%

100%

Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité - PB, dezembro de 2007.

O gráfico 03 apresenta os dados a respeito das famílias questionadas que recebem algum tipo de benefício no município.

Os dados indicam que 57,5% das famílias recebem ajuda financeira, o que

representa a grande maioria das famílias do município; outros 42,5% representam a

minoria das famílias que não recebem ajuda financeira. Todas as famílias entrevistadas

que disseram que recebem ajuda financeira têm Bolsa Família, um benefício do

Governo Federal. 60 50 40 30 20 10 0
Governo Federal.
60
50
40
30
20
10
0

Famílias que recebem

ajuda financeira

RecebemNão recebem

Não recebemRecebem

Gráfico 03: Famílias que recebem algum tipo de benefício. Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité - PB, dezembro de 2007.

O gráfico 04 corresponde aos aposentados no Município de Caturité PB. Observando-se os dados do gráfico 04, chega-se a conclusão que, no referido município, tem mais pessoas que não são aposentadas do que pessoas aposentadas. Do total de 100% das pessoas residentes no Município, apenas 25% recebem o benefício da aposentadoria, enquanto 75% não recebem esse tipo de benefício.

80

70

60

50

40

30

20

10

0

80 70 60 50 40 30 20 10 0 Percentual de aposentados em Caturité - PB

Percentual de aposentados em

Caturité - PB

AposentadosNão aposentados

Não aposentadosAposentados

Gráfico 04: Percentual de pessoas aposentadas no Município de Caturité. Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité - PB, dezembro de 2007.

O gráfico 05 trata da melhoria das condições de vida dos moradores do Município de Caturité após a emancipação política. Analisando-se os dados do gráfico 05, verifica-se que a maioria da população residente no Município concorda que houve melhoria de qualidade de vida, atingindo-se o percentual de 62,5%, enquanto 37,5% discordam dessa afirmativa.

70

60

50

40

30

20

10

0

37,5% discordam dessa afirmativa. 70 60 50 40 30 20 10 0 Melhoria da qualidade de

Melhoria da qualidade de vida

ConcordamDiscordam

DiscordamConcordam

Gráfico 05: Melhoria das condições de vida da população caturiteense após a emancipação política. Fonte: Pesquisa direta. Município de Caturité - PB, dezembro de 2007.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A emancipação e o consequente surgimento de um expressivo números de pequenas cidades, no território brasileiro nas últimas décadas do Século XX, contribuiu para elevar o percentual de população urbana no Brasil, superando, atualmente 80% da população total. Contudo, deve-se ressaltar que esta urbanização expressiva, configurada na dinâmica socioespacial dos municípios brasileiros, conforme dados censitários do IBGE, não condizem com a realidade social, cultural e econômica vivenciadas pelas populações dos respectivos municípios. Nesse novo contexto de urbanização brasileira, em que uma gama considerável de pequenos municípios conquistou o status de cidade, não é de se estranhar que na maioria deles permaneça o modo de vida rural, haja vista, são as suas interlândias responsáveis pelo comando da dinâmica do espaço local, onde a principal fonte de renda está baseada na agropecuária, como também está concentrado o maior contingente populacional. Em contrapartida, percebe-se hábitos tipicamente dos grandes centros urbanos, o modo de como as pessoas se vestem, os tipos de músicas que curtem, antenas parabólicas são visíveis nas residências, internet, motocicletas que substituem os eqüinos, enfim, homogeneizou-se o modo de vida urbano, dificultando a diferenciação entre o “rural e o urbano”. Nesse contexto virtuoso da urbanização brasileira, o Município de Caturité PB não difere dos demais municípios com menos de 20 mil habitantes, em que o “rural” e o “urbano” se confundem, arraigados por um modo de vida campal, entretanto, suprimidos por um modo de vida consumista que extrapolou as barreiras dos grandes centros urbanos, atingindo suas periferias imediatas, como também, outros lugares longínquos. Espera-se que esta pesquisa tenha contribuído para um melhor esclarecimento acerca das interpretações do rural-urbano, até porque, pela diversidade socioespacial, cultural e histórica da formação do espaço brasileiro, fica difícil definir conceitos puros do que venha ser o “rural” e o “urbano”. Outrossim, esclarecer a importância da criação destes pequenos municípios, com Caturité PB por exemplo, que mesmo não desfrutando de uma dinâmica socioespacial pujante, e que a partir da sua emancipação política, tem demonstrado um evolução socioeconômica significativa, decorrentes de suas agroindústrias, que concorrem juntamente com o poder público local para a

transformação do espaço do Município de Caturité PB. Neste sentido, torna-se relevante esta pesquisa, pela carência de estudos sobre pequenos municípios, bem como, difundir hibridicação existente entre o rural-urbano.

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