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Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal

PJe - Processo Judicial Eletrônico

30/09/2018

Número: 0602920-64.2018.6.07.0000
Classe: REPRESENTAÇÃO
Órgão julgador colegiado: Colegiado do Tribunal Regional Eleitoral
Órgão julgador: Juiz Auxiliar - DIVA LUCY DE FARIA PEREIRA
Última distribuição : 27/09/2018
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Pesquisa Eleitoral
Objeto do processo: Pesquisa eleitoral - divulgação de pesquisa durante a propaganda eleitoral
gratuita na TV, veiculada no dia 26/09/2018, em desacordo com o art. 10 da Resolução TSE
23.549/2017 e art. 71 da Resolução TSE 23.551/2017. Pedido liminar.
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
ELEICAO 2018 IBANEIS ROCHA BARROS JUNIOR RODRIGO MELO MESQUITA (ADVOGADO)
GOVERNADOR (REPRESENTANTE)
JOÃO ALBERTO FRAGA SILVA (REPRESENTADO)
COLIGAÇÃO CORAGEM E RESPEITO PELO POVO
(REPRESENTADO)
Ministério Público Eleitoral (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
85414 29/09/2018 21:19 Decisão Decisão
PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO FEDERAL

REPRESENTAÇÃO (11541) - Processo nº 0602920-64.2018.6.07.0000

RELATOR(A): DIVA LUCY DE FARIA PEREIRA

REPRESENTANTE: ELEICAO 2018 IBANEIS ROCHA BARROS JUNIOR GOVERNADOR

Advogado do(a) REPRESENTANTE: RODRIGO MELO MESQUITA - DF41509

REPRESENTADO: JOÃO ALBERTO FRAGA SILVA, COLIGAÇÃO CORAGEM E RESPEITO PELO POVO

DECISÃO

Trata-se de Representação, com pedido liminar, ajuizada por IBANEIS ROCHA BARROS
JUNIOR, candidato a Governador do Distrito Federal, em face de JOÃO ALBERTO FRAGA SILVA e
COLIGAÇÃO CORAGEM E RESPEITO PELO POVO, em razão de propaganda reputada ilegal.

Alega o representante, em síntese, que "na propaganda eleitoral gratuita na TV veiculada no


dia 26/9/2018, período vespertino, os representados deram publicidade a pesquisa eleitoral sem os
requisitos exigidos pela legislação. Como se depreende do vídeo anexo, aos 5 segundos de propaganda o
candidato ALBERTO FRAGA declara: 'Olha, gente, agora que chegamos no primeiro lugar das pesquisas
armaram até uma condenação sem provas contra mim.' A declaração, com claro apelo ao eleitor, de que o
candidato se encontra em primeiro lugar nas pesquisas não indica com clareza de qual pesquisa se trata,
sonegando do eleitorado informação suficientemente clara, razão pela qual se propõe a presente
reclamação."

Assinado eletronicamente por: DIVA LUCY DE FARIA PEREIRA - 29/09/2018 21:19:16 Num. 85414 - Pág. 1
https://pje.tre-df.jus.br:8443/pje-web/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=18092918330113200000000083903
Número do documento: 18092918330113200000000083903
Requerem, por tais fundamentos, liminarmente, que seja determinado aos representados que
se abstenham de divulgar resultado de pesquisa eleitoral sem a disponibilização das informações exigidas
pelo art. 10 da Res. TSE 23.549/2017.

Para a hipótese de descumprimento da decisão liminar, pleitearam a cominação de multa.

Decido.

Passo à apreciação do pedido liminar, com fulcro no art. 300 e seguintes do Código de
Processo Civil.

Os representantes se insurgem contra trecho da propaganda eleitoral dos representados que


possui o seguinte teor: "Olha, gente, agora que chegamos no primeiro lugar das pesquisas armaram até
uma condenação sem provas contra mim".

Em que pese a petição inicial indicar como causa de pedir a divulgação de pesquisa eleitoral
sem a informação dos elementos constantes dos incisos do art. 10, da Res. TSE 23.549/2017, em verdade,
o representante insurge-se contra a veiculação de notícia com conteúdo sabidamente inverídico, segundo o
qual o segundo representado figuraria no primeiro lugar das últimas pesquisas eleitorais quando,
notoriamente, sabe-se que não ocupa tal posição.

As pesquisas eleitorais exercem considerável poder de influência na decisão do eleitor,


devendo se orientar por critérios o mais objetivos e transparentes possível, a fim de evitar tendências e,
assim, não comprometer a lisura do processo eleitoral.

Sabendo disso, os representados assentaram em sua propaganda a afirmação de efeito "


agora que chegamos ao primeiro lugar das pesquisas".

Todavia, as pesquisas divulgadas pelos meios de comunicação em geral indicam o contrário.

Presentes, portanto, os requisitos necessários à concessão de tutela de urgência.

Ante o exposto, defiro o pedido liminar para determinar que os representados


abstenham-se de divulgar em sua propaganda eleitoral a informação notoriamente inverídica, segundo a
qual o candidato JOÃO ALBERTO FRAGA SILVA aparece no primeiro lugar das pesquisas eleitorais.

Para o caso de descumprimento desta decisão, fixo multa diária no valor de R$ 10.000,00
(dez mil reais), sem prejuízo de majoração até alcançado o efeito inibitório.

Citem-se os representados para apresentar defesa, prazo de 2 (dois) dias (art. 16, caput, da
Resolução TSE nº 23.549/2017)

Após, com ou sem defesa, ao Ministério Público Eleitoral.

P.I.

Brasília, DF, 29 de setembro de 2018.

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Desembargador(a) Eleitoral DIVA LUCY DE FARIA PEREIRA
Relator(a)

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