Você está na página 1de 2

"Queridos americanos, a quem eu servi, grato, durante 60 anos e em especial

aos cidadãos do Estado do Arizona,


Obrigado pelo privilégio que me deram em poder servir-vos e pela vida
enriquecedora que os tempos de serviço militar, e depois no serviço público, me
permitiram levar. Tentei servir o nosso país honradamente. Cometi erros mas
espero que o meu amor pela América os tenha, em alguma medida, mitigado.
Muitas vezes notei que sou a pessoa com mais sorte na Terra. Sinto-me assim
agora, mesmo que esteja a preparar-me para o fim da minha vida. Adorei viver,
adorei cada pedaço da vida. Tive nela experiências, aventuras e amizades
suficientes para dez vidas preenchidas: estou mesmo muito grato.
Tal como na maioria das pessoas, há em mim alguns arrependimentos. Porém,
não trocaria um único dia da minha vida, nos bons ou nos maus dias, pelo melhor
dia da vida de uma outra pessoa qualquer. É ao amor da minha família que devo
este contentamento. Não houve nunca um homem com uma mulher tão amável
ou com filhos de quem tivesse tanto orgulho quanto eu tenho dos meus. E devo-
o, também, à América.
A ligação que mantive às causas que este país defende - a liberdade, a igualdade
perante a lei, o respeito pela dignidade de todas as pessoas - acarreta uma
felicidade mais sublime do que aquela contida em todos os prazeres fugazes da
vida.
A nossa identidade ou o nosso amor-próprio não são circunscritos, mas sim
ampliados, pelas causas justas que servimos.
'Compatriotas' — esta associação teve sempre, entre todas, o maior impacto em
mim. Vivi e morri como um orgulhoso americano. Somos cidadãos da mais
incrível república do mundo, uma nação de valores, não de sangue e solo.
Somos abençoados e tornámo-nos uma benção para a Humanidade quando
defendemos e fazemos avançar esses ideais, em casa e pelo mundo. Ajudámos
a libertar mais pessoas da tirania e da pobreza do que qualquer outro país no
mundo em qualquer era da História.
Nesse processo, prosperámos e adquirimos poder. Enfraquecemos a nossa
grandeza quando confundimos patriotismo com contendas tribais que espalham
o ódio, o ressentimento e a violência por todas as partes do globo.
Enfraquecêmo-lo quando nos protegemos atrás de muros em vez de os
fazermos ruir e quando duvidamos dos nossos ideais, em vez de lhes confiarmos
a grande força motriz que sempre tiveram na mudança no mundo.
Somos trezentos e vinte e cinco milhões de gente contestatária e ruidosa.
Discutimos e competimos e por vezes vilipendiamo-nos uns aos outros nos
nossos intempestivos debates públicos. Mas sempre tivemos muito mais em
comum do que de diferente. Se apenas conseguíssemos lembrar-nos mais
vezes disso e oferecer o benefício da presunção de que todos amamos este
país, ultrapassaríamos com mais facilidade estes tempos complicados.
Sairemos disto mais fortes do que éramos - foi sempre assim.
Há dez anos eu tive o privilégio de conceder a minha derrota na luta pela
presidência. Quero terminar esta carta de despedida falando da fé inabalável
que tenho nos americanos e que, naquela noite, senti com tanta força. Ainda a
sinto com essa mesma força agora.
Não desesperem perante os desafios que hoje temos e acreditem sempre na
promessa do poder da América. Nada há de inevitável. Os americanos não
desistem. Nós nunca nos rendemos. Nós não nos escondemos da História:
forjamo-la.
Adeus, compatriotas. Deus vos abençoe e Deus abençoe a América".

Interesses relacionados