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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

INSTITUTO DE MATEMÁTICA
LANTE – Laboratório de Novas Tecnologias de Ensino

POR UMA EAD AUTÔNOMA, CRÍTICA E DE QUALIDADE:


A Avaliação da aprendizagem em EaD

ELEISON DIETTRICH DE SÃO CHRISTOVÃO

PARACAMBI/RJ
2010
ELEISON DIETTRICH DE SÃO CHRISTOVÃO

UMA EAD AUTÔNOMA, CRÍTICA E DE QUALIDADE:


A Avaliação da Aprendizagem em EAD

Trabalho Final de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Pós-graduação da


Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para a obtenção do título de
Especialista Lato Sensu em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação à Distância.

Aprovada em setembro de 2010.

BANCA EXAMINADORA

________________________________________________________________________
Profª Vera Werneck
Departamento UERJ-Universidade do Estado do Rio de Janeiro
IME-Instituto de Matemática e Estatística

_________________________________________________________________________
Prof. Nome
Sigla da Instituição

________________________________________________________________________
Prof. Nome
Sigla da Instituição
DEDICATÓRIA:

Dedico este trabalho ao meu companheiro José do Rosário Silva pela compreensão e atenção
nos momentos difíceis.
AGRADECIMENTOS:

A toda equipe de apoio administrativo, aos coordenadores, professores e tutores do Curso de


Especialização Lato Sensu em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação à
Distância do LANTE/UFF e também aos colegas do curso pelo apoio e incentivo,
principalmente à colega e irmã, por toda a ajuda, dedicação e carinho, Adonay Diettrich
Mallet de Lima.Gostaria de agradecer à Coordenadora e também minha orientadora, a
professora Vera Maria B. Werneck pelo apoio e profissionalismo, pela dedicação, paciência e
competência no acompanhamento para a realização deste Trabalho.

“Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de


modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes
que eles trazem consigo”. (Michel Foucault)
RESUMO

No cenário da modalidade de ensino a distância é crescente o movimento de ações


pedagógicas no sentido de proporcionar ao educando competências e práticas que auxiliem a
autonomia na construção do aprender e maior qualidade neste processo de ensino-
aprendizagem. Este trabalho destaca aspectos importantes deste modelo de ensino,
favorecendo um ambiente onde o conhecimento possa se constituir de forma
multidimensional, interdisciplinar, autônomo e cooperativo. A avaliação formativa da
aprendizagem apesar de ainda ser um tema complexo, ao associar-se com as ferramentas das
novas tecnologias da informação e comunicação, é ainda um instrumento capaz de auxiliar a
relação ensino-aprendizagem, principalmente como apresentada neste trabalho. Através do
presente estudo foi possível observar que o comprometimento com a qualidade requer
exigências técnicas, tecnológicas e pedagógicas para que a EAD possa se firma como
referência de educação no mundo atual e na pluralidade sócio-cultural, proporcionando o
aperfeiçoamento constante e a formação comprometida com uma consciência crítica e
participativa do aluno na sociedade.

Palavras–chave: aprendizagem autônoma; avaliação formativa; construção do


conhecimento
SUMÁRIO

CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO
I.1 Contextualização da EAD......................................................... 07
I.2 Justificativa................................................................................ 07
I.3 Objetivos geral e específicos..............………………………… 08
I.4 Motivação para o trabalho..……......…………………………. 08
I.5 Metodologia do trabalho...….……………………………........ 08
I.6 Organização para o trabalho.....…………………………........... 09

CAPÍTULO II - EAD
II.1 Histórico da EAD..................................................................... 10
II.2 A EAD no Brasil Contemporâneo ......................................... 12
II.3 Aprendizagem na EaD............................................................. 14
II.4 Conclusão .............................................................................. 17

CAPÍTULO III – A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM EM EAD

III.1 Introdução.............................................................................. 18
III.2 Estratégias de avaliação da aprendizagem na EaD................ 19
III.3 Diretrizes para uma avaliação formativa em EaD.................. 22
III.4 Exemplo de Avaliação ........................................................... 29
III 5 Conclusão................................................................................ 30

CAPÍTULO IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................... 30

V - REFERÊNCIAS ................................................................................... 31
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO

I.1 - Contextualização da EAD

Apesar da Educação a Distância (EAD) ser considerada uma oportunidade para que muitas pessoas,
excluídas dos processos educacionais tradicionais possam voltar a estudar, sua complexidade é um
grande desafio para os educadores e gestores envolvidos nesse processo de ensino-aprendizagem
mediado por tecnologias e que requer grande responsabilidade e autonomia por parte dos estudantes
que optam por esta modalidade educativa. A EAD proporciona um meio para virtualmente diminuir
distâncias geográficas e, de uma forma mais abrangente, gerar grandes transformações sociais e
econômicas. Sua prática visa primordialmente democratizar o acesso ao ensino, elevar o padrão de
qualidade da educação e incentivar o aprendizado dos estudantes. No entanto, para que qualquer
projeto de EAD possa obter sucesso, são necessárias mudanças profundas no modelo didático-
pedagógico com a adoção de novos paradigmas educacionais.
Esses novos paradigmas, juntamente com as inovações tecnológicas, somam-se em uma
abordagem metodológica específica para educação de massa e colaboram no desenvolvimento da
construção do conhecimento coletivo. Haja vista que:

(...) a opção por uma pedagogia menos “instrucionista” já não é apenas uma questão
de preferência ou de afinidade intelectual com esta ou aquela teoria. E, sobretudo,
uma condição de sobrevivência humana tanto no plano individual como no coletivo,
já que precisamos desenvolver pensamentos cada vez mais abrangentes, reflexivos e
criativos no sentido de encontrar soluções originais aos problemas que afligem a
humanidade. Certamente, cabe à educação um papel fundamental neste sentido
(MORAES, 2000/01, p.05).

Neste novo e desafiante cenário educacional precisamos conhecer profundamente as


particularidades e características da EAD, o novo papel do professor/tutor, do material didático e da
avaliação, com o propósito de concretizarmos os inúmeros benefícios advindos desta tão proclamada
modalidade de ensino-aprendizado.

I.2 - Justificativa.

Conforme Moran (2008) a educação do futuro necessita desenvolver um novo perfil de aluno:

Não basta formar alunos empreendedores, se não têm uma formação social, uma
preocupação com os outros e um comportamento ético. O foco da educação não
pode permanecer somente no nível pessoal, individual, na preparação profissional.
Por isso, é importante focar também o desenvolvimento social, o engajamento numa
sociedade mais justa, o compromisso do conhecimento pessoal com os que
convivem conosco, com o país, com o planeta, com o universo. A educação precisa
que cada aluno se insira na comunidade e desenvolva sua capacidade de assumir
responsabilidades e direitos. (MORAN, 2008, p.66).

E de acordo com Nogueira (2002):

A educação na atualidade tem como premissa fundamental conceder uma enorme


importância à atividade do aluno como sujeito, para que se forme e se desenvolva
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plenamente sob a direção segura de um professor capacitado, em um processo
bilateral que tem lugar em um meio coletivo onde todos, dentro de um conceito de
educação inclusiva, têm direito à voz. (NOGUEIRA, 2002, p.05).

Com base nos autores acima, verificamos que um estudo, que tivesse como foco o
desenvolvimento da autonomia e do senso critico dos estudantes de cursos de EAD, necessitaria de
levantar critérios de qualidade para estes cursos. Neste sentido, justifica-se plenamente a proposta
desta pesquisa como trabalho de fim de curso.

I.3 - Objetivos geral e específicos.

O objetivo central desse trabalho é refletir sobre um modelo de curso a distância onde exista:
autonomia - significando legislação própria, adaptação às realidades regionais e tomadas de decisões,
crítica - significando uma preocupação com a formação de seres pensantes e não alienados e
qualidade – significando a capacitação dos professores e tutores em tecnologias da informação e
comunicação (TIC’S) e adequação do número de alunos por tutor.
Sobre os objetivos específicos a serem trabalhados, cabe salientar: identificar as orientações
ideológicas explícitas e implícitas e relacionar as principais tendências legais apontadas na legislação
de EAD; registrar a aplicabilidade da EAD nos diferentes contextos nacionais, com ênfase no diálogo
entre as metodologias e as práticas docentes; relacionar as exigências de novas competências do papel
do tutor/professor e a mediação na aprendizagem; destacar a autonomia dos estudantes; a produção de
material didático como ferramenta de qualidade na EAD; registrar as dificuldades inerentes ao
processo educacional à distância; a avaliação como processo de aprendizagem, bem como, esclarecer
outros elementos que possam ajudar a entender a complexidade deste tema.
Para atingirmos os objetivos acima, utilizaremos pesquisa bibliográfica relativas à Educação
em geral e à Educação a distância, em buscas dos argumentos necessários para desenvolvermos um
trabalho de qualidade. Tomando por base as reflexões apontadas por este trabalho de pesquisa,
pretende-se pontuar os fatores que contribuem para redefinição e organização da EAD, considerando
tendências atuais e a reconstrução metodológica das práticas e formas do processo educacional de
massa.

I.4 - Motivação para o trabalho

O interesse por este trabalho surgiu do fato de querermos complementar o que nos foi apresentado ao
longo desse curso de pós-graduação. Buscando aprofundar nossos conhecimentos sobre a EAD, a
partir do estudo de novos teóricos e complementando com nossas experiências individuais em EAD,
tanto como receptores quanto como transmissores, motivou-nos ao desenvolvimento desse Trabalho
Final de Curso (TFC). Este trabalho será de grande importância para a continuidade ou mesmo
inserção profissional nessa área de atuação; uma vez que nos últimos anos essa nova modalidade de
educação está em expansão e atinge cada vez mais, um maior número de pessoas e necessita de um
número cada vez maior de professores e tutores com formação adequada.

I.5 - Metodologia do Trabalho

A metodologia empregada na elaboração deste trabalho, com vista à conclusão do curso de Pós-
graduação em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância oferecida pelo
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LANTE/UFF, teve por premissa uma postura colaborativa. Inicialmente, pelo fichamento das obras
consultadas e realizado para documentar uma extensa revisão bibliográfica, e que deram origem a
diversas fichas que foram disponibilizadas em uma base de dados para consulta de todos os autores.
Posteriormente pela edição colaborativa da primeira parte do trabalho, através da utilização da
ferramenta Wiki do ambiente Moodle
A segunda parte do trabalho de responsabilidade individual foi elaborada a partir de pesquisas
bibliográficas focadas em temas correspondentes aos interesses e experiências particulares de cada
autor, que correlacionaram vivências profissionais e acadêmicas aos pressupostos teóricos para uma
EAD de qualidade. Concluindo o trabalho através de uma análise individual, mas baseada nas
propostas desenvolvidas pelos parceiros de trabalho, Nogueira (2010), Diettrich (2010) e Oliveira
(2010). Este processo metodológico veio coroar uma das principais características da EAD: A
colaboração para construção de conhecimento.

I.6 - Organização para o trabalho

Esse trabalho está organizado em quatro capítulos.O primeiro capítulo traz as considerações iniciais e
uma pequena contextualização da Educação à distância. O segundo mostra um aprofundamento
histórico e político da evolução da EAD nos cenários internacional e brasileiro e aborda as forma de
aprendizagem da EAD. O capítulo três discute as forma de avaliação da aprendizagem na EAD, suas
estratégias e diretrizes, focalizando numa avaliação formativa, por ser mais abrangente e utilizar várias
ferramentas que estão disponíveis num ambiente virtual de aprendizagem. Os aspectos relativos à
construção coletiva do conhecimento, à avaliação do aprendizado em cursos de EAD, a importância da
tutoria nessa modalidade de ensino tão relevantes quanto ao material didático e seus recursos no
desenvolvimento da aprendizagem serão articulados em conjunto no quarto capítulo, que mostra uma
conclusão preliminar para um curso de Educação a Distância de qualidade baseadas em estudos
apresentados nesse trabalho e nos trabalhos complementares de Nogueira, 2010, Diettrich, 2010 e
Oliveira, 2010.

CAPÍTULO II – EAD

Mediante a uma sociedade, cada vez mais complexa e exigente, a educação tende a se transformar,
acompanhando sua evolução e modificações sociais ao longo do tempo. Para Moran (2005) isto se
dará cada vez mais, de forma inclusiva, em todos os níveis e modalidades e em todas as atividades
profissionais e sociais, contudo a base para que estas mudanças sejam para uma sociedade melhor é a
educação.
A Educação à Distância trouxe novas perspectivas e veio oferecer uma abordagem pedagógica
inovadora, baseada no desenvolvimento de uma aprendizagem autônoma e colaborativa.
Um novo sentido ganha espaço na relação ensino-aprendizagem, onde novas habilidades e
competências norteiam professores e alunos na construção do conhecimento, reduzindo espaços
geográficos e democratizando o acesso a educação.

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II.1 Histórico da EAD

A educação a distância é fenômeno antigo no mundo, na Antiguidade já existiam discípulos que


trocavam correspondência com objetivo de aprendizagem, inicialmente na Grécia e depois em Roma.
No século XV com a descoberta da imprensa por Gutemberg na Alemanha, abre o caminho para
substituição dos livros manuscritos pelo impresso, possibilitando o acesso ao livro. Como primeiro
marco na educação à distância, podemos destacar um anúncio publicado no jornal Gazeta de Boston,
EUA, no século XVIII no ano de 1728, do professor Cauleb Phillips oferecendo aulas de taquigrafia.
Para Saraiva (1996) mais tarde, no século XIX, na Suécia e Inglaterra, nos anos de 1833 e
1840, também ocorreram anúncios fazendo referência a aulas por correspondência. Em Berlim, no ano
de 1856, é criada a primeira escola de línguas por correspondência, surge a forma institucionalizada.
Segundo o autor (idem) é importante destacar o avanço da educação à distância no cenário
mundial: Nos EUA surgem em 1873 e 1891 a Society to Encourage Study at Home em Boston e inicia
o International Correspondence Institute com um curso sobre medidas de segurança no trabalho de
mineração, na Pennsylvania. Na Universidade de Wisconsin é apresentado pelos professores o
primeiro curso de extensão universitário, em 1892, na Universidade de Chicago. Em Oxford (1895),
através de correspondências foram preparados as primeiras turmas de estudantes para o Certificated
Teachers Examination, iniciam-se os cursos de Wolsey Hall e na Suécia em 1898 é criado o curso de
correspondência, o famoso Instituto Hermod.

Adentrando o século XX, observa-se movimento contínuo de consolidação e


expansão da educação a distância, confirmando, de certo modo, as palavras de
William Harper, escritas em 1886: "Chegará o dia em que o volume da instrução
recebida por correspondência será maior do que o transmitido nas aulas de nossas
academias e escolas; em que o número dos estudantes por correspondência
ultrapassará o dos presenciais. (SARAIVA, 1996, p.18)

No Brasil, data na versão moderna do começo do século XX. No início aconteceu por meio do
correio, do telex, do rádio e da televisão. Com a introdução dos computadores, o ensino a distância se
sofisticou e, com o fenômeno da Internet, acabou tornando-se uma alternativa possível para
democratização do acesso à informação.

Inexistem registros acerca da criação da Educação a Distância no Brasil. Tem-se


como marco histórico à implantação das “Escolas Internacionais” em 1904,
representando organizações norte-americanas. Entretanto, o Jornal do Brasil, que
iniciou suas atividades em 1891, registra na primeira edição da seção de
classificados, anúncio oferecendo profissionalização por correspondência
(datilógrafo), o que faz com que se afirme que já se buscavam alternativas para a
melhoria da educação brasileira, e coloca dúvidas sobre o verdadeiro momento
inicial da Educação a Distância. (ALVES, 1993, p.36).

O autor (idem) ressalta que a crise na educação nacional já era notada na época, buscando-se
desde então opções para a mudança do status quo. Visto o relato do Ministro da Justiça e Negócios
Interiores, que abrangia a Educação, “o ensino chegou (no Brasil) a um estado de anarquia e
descrédito que, ou faz-se a sua reforma radical, ou preferível será aboli-lo de vez”.

A educação a distância começou, portanto, num momento bastante conturbado da


educação brasileira, tendo sua instituição em 1936, com a criação do Instituto Rádio

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Técnico Monitor, com programas dirigidos ao ramo da eletrônica. (ALVES, 1993,
p.39).

De acordo com Saraiva (1996) a criação, por Roquete-Pinto, entre 1922 e 1925, da Rádio
Sociedade do Rio de Janeiro surge como um marco, utilizar a radiodifusão como forma de ampliar o
acesso à educação. Em 1936 foi doada ao Ministério da Educação e Saúde e no ano seguinte criado o
Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação. Mais tarde a Diocese de Natal, no
Estado do Rio Grande do Norte, criou em 1959 algumas escolas radiofônicas, dando origem ao
Movimento de Educação de Base, que foi o inicio da EAD não formal no Brasil.
Após o impulso inicial, o autor (idem) destaca que foram muitas as escolas por
correspondência, que originaram o protótipo da nossa EAD atual; tais como o SENAC, o IBAM,
Fundação Padre Landell de Moura e o Instituto Universal Brasileiro. Mas, que segundo Pereira (2005),
motivou visão de descrédito perante a EAD:

Historicamente, a Educação a Distância (EAD) surge como modalidade de ensino e


aprendizagem voltada para o ensino de ofícios com baixo valor acadêmico, como
por exemplo, cursos de corte e costura, modelagem e o eletrotécnico. Logo depois, é
responsável pela formação supletiva de pessoas que teriam fracassado na educação
formal e estariam à margem do processo educacional. É possível que essa origem da
EAD tenha gerado suspeitas e críticas que permanecem impregnadas no imaginário
coletivo, mesmo depois de tantas mudanças. (PEREIRA, p.23)

Para Saraiva (1996) o Sistema Avançado de Comunicações Interdisciplinares (Projeto Saci),


criado em caráter experimental de 1967 a 1974, tinha o objetivo de oferecer a teleducação, via satélite.
Neste projeto, previa-se além da idéia de usar o rádio e a televisão, utilizar feedback aos alunos,
através de correções de testes. Este projeto foi um “experimento de utilização ampla” dos meios de
comunicação em massa para fins educativos.
Surge no final da década de 1990, conforme elucida CRUZ E BARCIA (2000), os primeiros
cursos oferecidos em sistema de vídeo conferência no Brasil fazem-se necessário reconhecer e
perceber o sentido e as possibilidades dos recursos tecnológicos. Em 1991 é lançado o programa “Um
Salto para o Futuro” dirigido à formação dos professores e veiculado por emissoras de televisão
educativa. (SARAIVA, 1996).
Conforme Pereira (2005) a partir de 1993 o SENAI do Rio de Janeiro, cria o Centro de
Educação a Distância, com material impresso e com alguns momentos presenciais.
Saraiva (1996) relata que o governo do Brasil, através do MEC e do Ministério da
Comunicação, toma as primeiras medidas para a formulação de uma política nacional de EAD, com a
criação do Decreto n° 1.237, de 06 de setembro de 1994, que institui o Sistema Nacional de Educação
a Distância.
Observa-se, a relevância da educação à distância no Brasil, conforme esclarece Campos
(2007), através de bases legais estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei
nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 e regulamentada pelo Decreto nº. 5.622 de 19/12/2005. Em
2005 foi criado o Sistema Universidade Aberta do Brasil com regulamentação através do Decreto nº.
5.800, de 08 de junho de 2006, onde novas perspectivas se estabelecem para a EAD.
Para Mugnol (2009):

A estrutura administrativa da EAD, criada pelo Ministério da Educação (MEC), com


a criação de uma secretaria específica para EAD, manuais de avaliação e regras
próprias para credenciamento de Instituições, autorização e reconhecimento de
cursos, tem feito com que a educação a distância se desenvolva em paralelo com a
Educação Presencial (MUGNOL, p. 342).
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Novas tendências nortearam a trajetória da EAD, que através da informática com o suporte
digital dado pela internet ampliam o processo educacional e a relação ensino-aprendizagem. A
educação avança e a tecnologia propicia uma interação mais ampla com o recurso nos ambientes
virtuais de aprendizagens – AVAs, que estabelecem uma nova dimensão no processo de
desenvolvimento da aprendizagem e da construção do conhecimento.

As interações por meio dos recursos disponíveis no ambiente propiciam as trocas


individuais e a constituição de grupos que interagem, pesquisam e criam produtos ao
mesmo tempo em que se desenvolvem. [...] A educação a distância em ambientes
virtuais permite romper com as distâncias espaço - temporais e viabiliza a
interatividade, recursividade, múltiplas interferências, conexões e trajetórias
(ALMEIDA, 2002, p. 02).

Diante deste cenário, a EAD se fortalece como modalidade educacional, com bases sólidas e
metodologia pedagógica onde a liberdade de aprendizagem com a flexibilização de formas, métodos,
didáticas, tempo e espaço, caminham para absorver novas percepções do mundo moderno, das
relações sociais e da própria formação do cidadão contemporâneo.

II.2 A EAD no Brasil Contemporâneo

A EAD veio para contribuir com a educação de forma significante no Brasil, garantindo a participação
democrática ao acesso à informação e a formação formal, em todos os níveis, e também a formação
continuada, visando atualizar e capacitar profissionais que já atuam no mercado de trabalho.
Ristoff (2007) afirma que de acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Educação a
Distância realizada em 2000, 13 cursos superiores reuniam 1.758 alunos. Em 2008, havia 1.752 cursos
de graduação e pós-graduação lato sensu com 786.718 alunos matriculados. Um aumento de quase
45.000 por cento.
Para Polak (2008), com o advento da internet e da banda larga, o oferecimento dos cursos de
EAD tornaram-se viáveis na graduação e na pós-graduação. Atualmente, mais de 93% dos cursos de
graduação e pós de EAD utilizam a internet como principal meio de ensino. O uso de vídeos online
está presente em mais de 57% das instituições, sendo que em 52% delas a transmissão comporta
interatividade entre estudantes e professores.
Sobre essa ampliação do uso da tecnologia na área educacional, Menezes (1998) afirma que:

A incorporação de novas tecnologias tem alterado profundamente o campo de


mediação, antes cumprindo funções complementares de remediação ou
suplementares, adquirindo relevante papel na passagem da sociedade industrial para
a sociedade do conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento de novos
talentos e de novas habilidades no mesmo campo profissional e, também, para o
desenvolvimento de competências que concorrem para mudanças no curso da vida.
(MENEZES, p.21)

Para Menezes (1998), isso tem possibilitado o desenvolvimento de metodologias educacionais


que favorecem os processos interativos do aluno com o professor e a organização educacional,
ampliando a flexibilidade e a acessibilidade.

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Apesar desse crescimento e expansão, apenas recentemente é que se começou a investir na
EAD como uma saída para tentar suprir a demanda por formação superior no Brasil. Criada em 2005,
a Universidade Aberta do Brasil (UAB) tem como suas prioridades, a formação inicial de professores
da Educação Básica pública, assim como a formação continuada de profissionais da área educacional.
Segundo dados da própria instituição (UAB), através da parceria com 38 universidades federais, ela
oferece diversas opções de cursos de extensão, graduação e pós-graduação.
De acordo com Ristoff (2007) mesmo com tantas opções de cursos de EAD espalhados pelo
Brasil, ainda é forte a desconfiança no mercado de trabalho em relação aos egressos dessa modalidade
de ensino. Isso se deve, em parte, por haver, atualmente, poucos diplomados.
O autor (idem) aponta que segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio
Teixeira (Inep), a graduação presencial formou 736.829 profissionais no ano de 2006, enquanto que o
ensino a distância chegou apenas a um total de 25.804. Esse quantitativo ainda é pequeno para que o
mercado avalie a competência dos egressos da EAD.
Além disso, pesquisas da Fundação Carlos Chagas (FCC) apontam graves problemas na forma
como a EAD tem sido conduzida no país. Segundo Gatti (2009):

O governo federal ainda não dispõe de aparato suficiente para acompanhar,


supervisionar, e fiscalizar os cursos, fato que comprometeria sua qualidade. Outro
ponto frágil da política governamental seria a pouca verba destinada aos tutores
feito por meio de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (Capes), o que tornaria a qualificação precária. (GATTI, p.04)

De acordo com a Gatti (2009) é importante que os alunos avaliem as opções antes de se
decidir por um curso. O documento “Referências de Qualidades para a Educação Superior a
Distância”, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), indica algumas questões que os alunos
precisam saber antes de se matricular em um curso na modalidade à distância. Entre elas, destacam-se
o método de ensino, o material didático e as tecnologias usadas, os tipos de interação disponíveis e
também quanto tempo levam para os tutores responderem as dúvidas dos alunos.
Tendo em vista a grande quantidade de cursos oferecidos em nosso país, o MEC destaca que
outra medida importante é verificar se a instituição está credenciada, se é reconhecida e se já foi
fiscalizada. Toda instituição que ainda não tenha sido avaliada, para seu reconhecimento, deve passar
por todas as etapas de cadastramento e reconhecimento previstos pelo Decreto nº 5.773, de 2004.
Assim, é fundamental que, um possível candidato da modalidade à distância, deve buscar informar-se
sobre as instituições de ensino, confirmar se são reconhecidas e como são avaliadas, através dos dados
disponíveis no site do Ministério da Educação.
Nos cursos de graduação na modalidade à distância, o tempo de duração é o mesmo da
modalidade presencial. De acordo com Bielschowsky (2009), secretário de educação a distância do
MEC, os diplomas oferecidos pelas instituições, sejam eles presenciais ou a distância são equivalentes.
Exigi-se o mesmo grau de rigor em ambas as modalidades.
Segundo o autor (idem) esses dados reforçam o estudo realizado pela Abed, onde apresenta
que 61,8% dos alunos matriculados na graduação e 45% dos da pós-graduação que abandonaram seus
cursos em 2008 alegaram como principal motivo não ter tido tempo suficiente para se dedicar. Isso
evidencia que não é nada simples concluir um desses cursos.
Desta forma, percebe-se que a EAD está em plena expansão no Brasil e, a cada dia, há uma
preocupação em manter nesses cursos um nível de excelência/qualidade assim como acontece nos
cursos presenciais. Além disso, a EAD também tem conquistado seu espaço nas instituições privadas e
nas empresas como forma de desenvolver e ampliar os conhecimentos de seus funcionários, através de
cursos profissionalizantes, de aperfeiçoamento, entre outros. Sobre essa questão, Menezes (1998)
enfatiza que:
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A EAD possibilita a oferta permanente de programas que assegurem a formação
continuada de forma supletiva no campo da educação formal em todos os seus
segmentos e da educação não formal (alfabetização, educação para o trabalho e
qualificação para o trabalho). Ao serem estabelecidas as diretrizes da EAD, o foco
foi a ampliação das oportunidades em nível de educação formal e não formal de
forma a erradicar o analfabetismo, qualificando para o trabalho e oferecendo meios
para o exercício da cidadania (MENEZES, p.23).
Importante destacar que essa modalidade de ensino também permite a formação continua em
espaços não formais como, por exemplo, programa televisivo, cursos por módulos eletivos, entre
outros, ampliando assim as possibilidades disponibilizadas nas diferentes tecnologias de informação e
comunicação.

II.3 Aprendizagem na EAD

O advento das tecnologias de informação e comunicação – TIC’S trouxe novas perspectivas para a
educação a distância. Foram muitas as inovações, tais quais, facilidades de design e produção
sofisticados, rápida emissão e distribuição de conteúdos, interação com informações, recursos e
pessoas, bem como à flexibilidade do tempo e à quebra de barreiras espaciais. Vale ressaltar, que
mesmo sendo fornecido material relevante para o aprendizado, esse se dá de forma autônoma; as
informações podem ser adquiridas de forma livre, de maneiras distintas, desenvolvendo ações,
refletindo em conjunto e desenvolvendo a inter-aprendizagem (ALMEIDA, 2002,p.1).

A presença de uma equipe interdisciplinar é imprescindível. Esta dever ser composta por
profissionais de diversas áreas: Pedagogia, Tecnologia da Informação, Designer e Especialistas da área
foco do curso, que juntos contribuirão, significativamente, para a construção de um ambiente de
aprendizagem rico em textos, vídeos e que também favoreça as diversas formas de interação e
comunicação possíveis em um ambiente virtual, sendo estes últimos aspectos essenciais para a
efetivação do processo de construção da aprendizagem (ALMEIDA, 2002,p.2).

Um dos cuidados que se deve ter quando se pensa em um curso a distância é com o seu
planejamento que precisa ser muito bem elaborado. Suas regras devem ser claras para que os alunos
saibam exatamente como proceder sentindo-se estimulados a participar ativamente, já que essa
modalidade não permite muitas improvisações como numa sala de aula presencial (ALMEIDA, 2002).

A EAD, prevista no art. 80 da LDB (lei de diretrizes e bases), Lei 9.394/96, e regulamentada
pelo decreto presidencial de n° 5.622, de 19 de dezembro de 2005 é definida como sendo uma
modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e
aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com
estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos, pode ser
considerada como um valioso meio para diminuir distâncias geográficas e propiciar de uma forma
geral, grandes transformações sociais e econômicas. Sua prática visa primordialmente democratizar o
acesso ao ensino, elevar o padrão de qualidade da educação e incentivar o aprendizado dos alunos.
Será que a EAD da maneira que está fundamentada está conseguindo seu objetivo principal de
interação e inclusão social?

Numa visão de Paulo Freire da EAD, pode-se classificá-la em dois tipos: diretiva e
colaborativa (CARVALHO; MATTA, 2007). A diretiva é a mais utilizada pelos empresários da

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educação, onde o modelo de tutoria é baseado num trabalho com várias turmas, onde há um professor
coordenador da disciplina que sistematiza o conteúdo e planeja o curso, porém nenhum dos outros
atores sociais envolvidos na relação ensino-aprendizagem tem acesso a ele, ou seja, os tutores passam
a ser meros “transpositores” de conteúdo (CARVALHO; MATTA, 2007).

A EAD colaborativa deve ter uma relação ensino-aprendizagem repleta de interatividade e


autonomia dos sujeitos envolvidos nesta relação, possibilitando ser este um ambiente acolhedor e rico
em diversidade, permitindo que professores e alunos construam, numa relação colaborativa, as
diretrizes e o cumprimento dos objetivos do curso. Neste sentido, é importante conceituar a
comunidade de práxis, ou comunidade de aprendizagem, que nada mais é do que uma relação de
aprendizagem decorrente da ação colaborativa de um grupo, ou de uma comunidade, em torno do
aprendizado, de uma maneira interativa e consciente de todo processo (CARVALHO; MATTA,
2007).

Essas comunidades são facilmente observáveis num ensino presencial, mas também podem,
através de computadores conectados em rede, existir num ensino a distância. Com isso serve de base e
de fundamento científico para o desenvolvimento das TIC’s (tecnologias da informação e
comunicação), e despertar para uma possibilidade de se pensar numa abordagem pedagógica de Paulo
Freire, e de outros autores sócio-construtivistas, com aplicação na EAD (CARVALHO; MATTA,
2007).

Assim, esses autores definem os tipos de EAD:

A EAD diretiva portanto é um modelo baseado na pedagogia tradicional. Enquanto


que a EAD colaborativa é baseada na repleta interatividade e autonomia dos sujeitos,
onde professores e alunos possam construir colaborativamente nas diretrizes e no
desenrolar do curso, formando assim uma comunidade de práxis, ou comunidade de
aprendizagem, de uma forma consciente e interativa. (CARVALHO; MATTA,
2007, p.4).

E definindo a comunidade de práxis, os autores (idem) continuam:

Comunidade de práxis, ou ainda Comunidade de aprendizagem, é um conceito por nós


bastante utilizado. Trata-se da relação de aprendizagem decorrente da ação
colaborativa de um grupo, de uma comunidade, em torno do aprendizado, de maneira
consciente e interativa. A existência dessas comunidades é perfeitamente observável
presencialmente, podendo também ser realizada a partir da mediação de computadores
conectados em rede. De fato, ao estudar os processos de aprendizagem pertencentes ao
homem em sua história, percebe-se que Comunidades de Aprendizagem sempre foram
construídas e serviram às pessoas no que refere à construção de aprendizagem social.
(CARVALHO; MATTA, 2007, p.4).

Esse fenômeno de interação que ocorre entre aluno-aluno ou aluno-professor, e ainda aluno-
conteúdo disponível em meio eletrônico, pode se expandir em rede transformando as relações que
antes aconteciam só com o imediato, em relações que podem ocorrer em diversas maneiras, como ao
mesmo tempo e lugar; ao mesmo tempo e lugares diferentes; em tempos diferentes e no mesmo lugar;
em tempos e lugares diferentes, disseminando assim a sua utilização para fins variados (LINS et al,
2006).

15
Todas essas relações que ocorrem de maneira complexa através do meio digital, ou seja, a
interatividade na EAD, não são mais lineares, pois com a interconexão de redes, elas agora são
transmissões e receptores plurais e intertemporais, que estão trocando informações ao mesmo
tempo.(CARVALHO; MATTA, 2007).

Pode-se considerar então que o conceito de interatividade se equivale ao conceito de ZDP


(zona de desenvolvimento proximal), onde todos os atores sociais envolvidos na relação ensino-
aprendizagem estão sempre imersos numa realidade concreta em busca de soluções válidas às suas
demandas sociometabólicas, ou seja, “cada sujeito é parceiro e partilha a construção de todo processo,
da concretude de seu contexto e ambiente mediador por completo”. (CARVALHO; MATTA, 2007,
p.7).

Considerando-se as facilidades oferecidas pelas ferramentas de interatividade e interação que


os atuais ambientes virtuais de aprendizagem (AVA’s) proporcionam, beneficiadas com uma
metodologia própria e eficiente, e utilizando-se uma abordagem sócio-construtiva-interacionista, é
possível atingir-se o objetivo de uma EAD de qualidade e em expansão. (LINS et al, 2006).

A figura 1 desses mesmos autores representa de uma forma direta e clara, como ocorre essa
interação:

Figura 1 – Interatividade como sendo a intersecção entre práxis sociais.

Conclui-se então que num ambiente de educação distância, onde vários atores sociais estão
envolvidos e muitas ferramentas são utilizadas, aquele que vai proporcionar uma construção mais
efetiva de conhecimento, será o que conseguir uma maior interatividade. O conhecimento técnico
dessas ferramentas, tanto por parte do corpo docente quanto do discente aliado a uma atualização
constante dos recursos tecnológicos, que cada vez mais se utilizam recursos lúdicos para atrair a
atenção dos seus usuários e também uma maior interação entre seus participantes serão os aspectos
preponderantes no processo de aprendizagem e de avaliação da EAD. A interação aumenta na
proporção em que a maioria tenha acesso a esses recursos tecnológicos e capacitação para utilizá-los.

16
II. 4 Conclusão

A Educação a Distância, há longo tempo, vem abrindo caminhos no cenário educacional, tanto no
exterior quanto no Brasil e consolida-se como uma modalidade essencial para a promoção da
cidadania. Contudo precisa-se garantir que os recursos oferecidos à distância sejam de qualidade e
estejam acessíveis para todos os brasileiros. A evolução dos meios tecnológicos conjugado a uma
política promotora desse modelo alavanca as discussões acerca dos problemas que ainda persistem e
inibem o desenvolvimento que se faz necessário.
Como veículo que diminuindo espaços geográficos, a Educação a Distância se fortalece como
facilitadora da construção coletiva do conhecimento e incentivadora da interatividade entre indivíduos
que possuem objetivos comuns. Diminuindo de forma substancial as desigualdades sociais.
É principalmente através de uma educação de qualidade, que advêm de um minucioso
planejamento dos cursos, dos materiais didáticos e da capacitação dos profissionais que atuarão nesses
cursos, que se pode atingir a meta brasileira de instaurar uma consciência social e ter-se uma
perspectiva de transformações sociais e econômicas do povo brasileiro.
Acompanhando o avanço tecnológico que tem se estabelecido na sociedade contemporânea, a
Educação a Distância atinge importantes patamares, principalmente no que diz respeito, ao alcance dos
indivíduos que antes buscavam sua qualificação isolados, através de tecnologias atualmente
consideradas obsoletas. Dessa forma, o histórico da EAD comprova a caminhada e sustenta a base
dessa nova proposta educacional, que lança mão das novas tecnologias da informação e da
comunicação - NTIC, aposta na autonomia dos alunos e na interatividade nos ambientes virtuais de
aprendizagem como combustíveis para o desenvolvimento de aprendizagens significativas.
Os desafios que a Educação a distância enfrenta, apontam para o rompimento de barreiras que
até então eram consideradas cristalizadas e que mantinham a educação estacionada, principalmente em
espaços que exigiam a presença física dos que buscavam o conhecimento. Dialogar com o contexto
tecnológico e econômico dos cidadãos favorece a intenção de transformar todo o quadro histórico de
desigualdade existente em nossa sociedade por conta dessas exigências.
Nessa perspectiva, a EAD cumpre com seu propósito de democratizar o acesso à educação de
qualidade e aponta para a necessidade de qualificar os profissionais que atuarão nessa modalidade
compreendendo, principalmente, as reais diferenças existentes entre a educação presencial e à
distância.
Várias ações, implementadas pelos órgãos governamentais, favorecem ainda mais o
desenvolvimento desta modalidade que, certamente, em curto período de tempo, fornecerá subsídios
concretos para transformar a condição inicial dos profissionais da educação que atuam nas salas de
aula, melhorando a qualidade e contribuindo para o desenvolvimento de práticas pedagógicas
enriquecedoras.
Planejar, implementar e gerenciar essa modalidade de ensino de forma responsável implicará
na efetivação de novas políticas públicas, que garantirão os investimentos para a Educação a
Distância, ajudando na consolidação de novas propostas pedagógicas, adequabilidade dos materiais
didáticos, capacitação dos tutores e desenvolvimento de inovadoras plataformas para EAD, de forma a
garantir a qualidade desta nova modalidade de ensino aprendizagem.

17
CAPÍTULO III – A AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM EM EAD

III.1 – Introdução

A aprendizagem é o processo pelo qual o indivíduo, dentro de um contexto social, elabora uma
representação pessoal do objeto a ser conhecido, e o internaliza. Esse processo dinâmico ocorre no
confronto do sujeito (que traz consigo seus conhecimentos anteriores) com a realidade histórica e
culturalmente determinada. Então o conhecimento não é só transmitido de uma geração a outra, mas
evolui com as novas representações mentais do mundo em função das novas experiências e
interpretações da realidade de cada sujeito. Logo, o conhecimento está em transformação, superação e
atualização (Pozo, 1998, apud Carvalho; Struchiner, 2000).

Seguindo esses princípios, Freire (1979) aponta que o homem deve ser sujeito e não objeto de
sua educação, e que a busca nesse processo de ensino e aprendizagem deve ser realizada por este
sujeito. E ainda complementa, [...] “O educando recebe passivamente os conhecimentos, tornando-se
um depósito do educador. Educa-se para arquivar o que se deposita (p.38)”.

E em se tratando especificamente da EAD e suas ferramentas de ensino-aprendizagem, Levy


(2000) traz algumas reflexões acerca do novo contexto social permeado pela cibercultura e das
mudanças que estas vêm trazendo para o novo papel do educando e do professor. Dentre elas ele cita
que “os indivíduos toleram cada vez menos seguir cursos uniformes ou rígidos que não correspondem
a suas necessidades reais e à especificidade de seu trajeto de vida” (Levy, 2000, p.169).

É com essa abrangência que esse estudo quer elaborar algumas diretrizes para uma avaliação
centrada no sujeito da relação ensino-aprendizagem (o educando), na modalidade a distância, levando
em consideração as ferramentas que existem disponíveis nos ambientes virtuais de aprendizagem.

18
III.2 – Estratégias de Avaliação da Aprendizagem na EaD

No Brasil, a EAD é normatizada pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de
Educação a Distância (SEED), que atua como um agente de inovação tecnológica nos processos de
ensino e aprendizagem, fomentando a incorporação das Tecnologias de Informação e Comunicação
(TICs) e das técnicas de educação a distância aos métodos didático-pedagógicos (MEC, 2008). Além
disso, promove a pesquisa e o desenvolvimento voltados para a introdução de novos conceitos e
práticas nas escolas públicas brasileiras. (MEC, 2008). No que tange à avaliação da aprendizagem em
Cursos de Graduação a distância, sua legislação se encontra no decreto n° 5.622 de 19/12/2005 (Silva
& Silva, 2008).

A avaliação é uma atividade complexa por si só, são muitas variáveis e critérios envolvidos,
principalmente quando se trata do processo de ensino e aprendizagem. Por isso entende-se que a
cultura e o entorno social estão diretamente ligados a esses critérios.

Uma proposta educacional, que é uma ação intencional e sistematizada, pressupõe


acompanhamento e avaliação (ALONSO, 2002). Sua base é o trabalho com os conhecimentos
acumulados historicamente, e sua reelaboração, utilizando os signos e significados constituídos social
e culturalmente pelos alunos, e mediada no contexto escolar, pelo professor.

Logo pode-se afirmar que a avaliação e o acompanhamento fazem parte desse processo
educacional, pois através deles são levantados indicadores da aprendizagem efetiva, e dessa maneira
redirecionar, readequar ou reelaborar esse processo de ensino e aprendizagem.

Dessa forma, pode-se pensar na avaliação como um trabalho sistematizado, e por isso mesmo
surgiram várias teorias e perspectivas do quê e como avaliar. A avaliação pode ser pensada também de
forma mais ampla, reconhecendo-se que ela é essencialmente uma atividade política, embora sua
relação com a política seja ainda pouco estudada e compreendida (Abramowicz, 1994, p.95 in
ALONSO 2002). Porém sabemos que conforme a implementação de determinadas políticas, elas
sempre refletem na sala de aula, e conclui-se que a forma de avaliação exprime uma determinada visão
de sociedade, homem, escola e ensino. É por isso que é importante se ter um projeto de escola
coletivo, autônomo, criativo e democrático.

Muitas das práticas avaliativas da educação regular também podem ser aplicadas na educação
a distância, ou seja, o que se entende dos processos de desenvolvimento do conhecimento e dos
processos de ensino e aprendizagem, ocorrem a partir de princípios epistemológicos que também são
utilizados em sistemas presenciais de ensino.
A base de toda avaliação do processo de ensino/aprendizagem deveria ser aquela que
possibilitasse, sempre, um conhecimento mais amplo dele gerando, a partir daí, referenciais para
tomadas de decisões quanto à manutenção ou não de determinadas práticas escolares (ALONSO,
2002).
De acordo com o trabalho de BLOOM, HASTINGS e MADAUS (1971), Manual de
Avaliação Formativa e Somativa do Aprendizado Escolar, sugere-se três funções para a avaliação
educacional: diagnóstica, formativa e somativa. A avaliação formativa é aquela que ocorre ao longo do
processo de aprendizagem, tendo como objetivo a correção das falhas do processo educacional e
prescrição de soluções alternativas para a recuperação das falhas de aprendizagem. A avaliação
somativa só ocorre no final do processo, tendo objetivos claros para mensuração dos resultados. Já a
avaliação diagnóstica, que pode ocorrer antes e durante o processo de aprendizagem, tem como
objetivo identificar o conhecimento prévio e o progresso em relação à assimilação dos conteúdos
(CALDEIRAS, Ana Cristina Muscas, 2004).

19
Segundo Perrenoud (1999, p.78), “avaliação formativa consiste em toda prática de avaliação
contínua que pretenda contribuir para melhorar as aprendizagens em curso, qualquer que seja o quadro
e qualquer que seja a extensão concreta da diferenciação do ensino". Hadji (2001, p.19) define
avaliação formativa como sendo “a avaliação que situa-se no centro da ação de formação”, e explica
que, "a sua função principal é contribuir para uma boa regulação da atividade de formação. Trata-se de
levantar informações úteis à regulação do processo de ensino/aprendizagem".
A avaliação deveria ser formativa, pois ela tem um aspecto importante por não ser uma
avaliação estanque, ela é continuada e faz com que o objetivo de tomar decisões no sentido de orientar
o estudante para que, tendo em vista os resultados da sua avaliação, caminhe em direção à consecução
dos objetivos pretendidos. A partir do resultado deverá selecionar estratégias para recuperar o que não
ficou bem aprendido ou que não se aprendeu. Até mesmo nossa legislação educacional a LDB (lei de
diretrizes e bases), art. 24, define a avaliação como um "processo contínuo e cumulativo do
desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos, e dos
resultados ao longo do período, sobre os de eventuais provas finais". Segundo Perrenoud (1991 apud
Hadji 2001), “é formativa toda avaliação que auxilia o aluno a aprender e a se desenvolver, ou seja,
que colabora para a regulação das aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de um projeto
educativo”.

Com o apoio computacional, além de avaliações prognósticas e cumulativas,


tornam-se mais factíveis as avaliações formativas a distância por meio do
acompanhamento e orientação contínuos das participações dos aprendizes em
atividades de aprendizagem propostas ao longo de um curso, tais como o
desenvolvimento de projetos individuais ou em grupo, discussões síncronas e
assíncronas, testes online, etc. (OTSUKA, Joice L.; ROCHA Heloísa V, 2005, p.2).

A ilustração da figura 1 de Otsuka (2005) mostra bem claro como devem ser as relações
durante todo o processo de avaliação, o ciclo de acompanhamento:

Analisar
(Observar/ Interpretar)

Regular (Comunicar/Remediar)

Figura 1 – Ciclo de acompanhamento

20
A EAD têm pressupostos epistemológicos em comum com a educação regular presencial, tais
quais, o foco no aluno, o construtivismo de Jean Piaget, o sóciointeracionismo de Vygotsky, e a
mediação da relação de ensino-aprendizagem. Por isso a avaliação pode ser realizada com base no
diagnóstico dos tutores/professores dessa relação com o aluno, visando uma tomada de decisão,
conforme os resultados alcançados. Assim, destaca Luckesi (1978).

A avaliação pode ser caracterizada, como uma forma de ajuizamento da qualidade


do objeto avaliado, fator que implica uma tomada de posição a respeito do mesmo,
para aceitá-lo ou para transformá-lo. A definição mais comum adequada, encontrada
nos manuais, estipula que a avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações
relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão. (LUCKESI, 2003, p.
33).

A legislação brasileira no que tange à avaliação da aprendizagem em cursos de graduação a


distância é, no mínimo, anacrônica, prevista no art. 80 da LDB (lei de diretrizes e bases), Lei 9.394/96,
e regulamentada pelo decreto presidencial de n° 5.622, de 19 de dezembro de 2005.
Em seu art. 1°, § 1° estão previstos os parâmetros que devem ocorrer na avaliação nessa
modalidade de ensino:

A educação a distância organiza-se segundo metodologia, gestão e avaliação


peculiares, para as quais deverá estar prevista a obrigatoriedade de
momentos presencias para:
I – avaliações de estudantes;
II – estágios obrigatórios, quando previstos na
legislação pertinente;
III – defesa de trabalhos de conclusão de curso,
quando previstos na legislação pertinente; e
IV – atividades relacionadas a laboratórios de
ensino, quando for o caso. (Lei 9.394/96).

Nota-se no texto deste decreto uma tendência conservadora, uma vez que optou por preservar
o caráter presencial da avaliação, talvez para garantir-lhe credibilidade. Isto torna nesse caso a
avaliação como fator indispensável para validar o processo de aprendizagem. Espera-se que isso mude
com o crescimento da EAD no país, e conseqüentemente sua credibilidade, pois sabe-se que a
avaliação deve ser formativa, ou seja, um processo que ocorre em todos os momentos do percurso da
aprendizagem, sempre mediado pelo conteúdo, e também pelo sujeito, já que conteúdo e sujeito não
estão dissociados.

Com o avanço das TIC’S (tecnologias de informação e comunicação), a realização de uma


avaliação mais participativa foi possível, já que os AVA’S (ambientes virtuais de aprendizagem) se
consolidaram como ambientes de interação, de colaboração e de construção coletiva de conhecimento
(CALDEIRA, 2004,p.2).

Além desses recursos já citados, existem os e-mais, chats, fóruns, listas de discussão e
videoconferências que permitem um acompanhamento global por parte dos tutores do aprendizado dos

21
alunos (ALONSO, 2002). Todas essas ferramentas para serem realmente efetivas, devem ter como
objetivo mostrar aos alunos o seu desenvolvimento durante todo o processo de aprendizagem.

[...] estes novos ambientes devem ser considerados também no processo avaliativo.
Desta maneira, material didático, meios de comunicação, tutoria e organização de
meios, acabam por influenciar os processos de ensino/aprendizagem, sem no
entanto, modificar seus fundamentos epistemológicos. (ALONSO, 2002).

No interior das comunidades avaliativas, pode-se visualizar dois grandes paradigmas: o


objetivista e o subjetivista. O objetivista está preocupado com a objetividade preferencialmente
construída segundo os rigores da ciência. Sua avaliação refere-se a: testes, provas e análise dos
resultados, quase sempre quantitativos, e trabalhados cientificamente. Entre seus grandes críticos,
destaca-se Carlos Cipriano Luckesi. O subjetivista admite, ao contrário do objetivista, que a ciência
contém impregnações diversas e que é de fato pouco objetiva, é parcial e incapaz de formular leis
gerais sobre o funcionamento da natureza. Sua avaliação está sempre presente: é permanente, no
sentido de contínua e diária, e está associada ao processo de ensino e aprendizagem (OLIVEIRA,
Eloiza da S. G; GAMA, Zacarias J. Métodos e técnicas de Avaliação. Volume 1. Fundação Cecierj,
2006. p.7-29).
Como todo processo de ensino-aprendizagem deve ser envolvido de emoções (Maturana,
1988), a avaliação também deve ser entendida como um ato de amor, que Segundo Maturana (2006,
p.237) “é a aceitação do outro como legítimo outro na convivência”.

Defino a avaliação da aprendizagem como um ato amoroso, no sentido de que a


avaliação, por si, é um ato acolhedor, integrativo, inclusivo. Para compreender isso,
importa distinguir avaliação de julgamento. O julgamento é um ato que distingue o
certo do errado, incluindo o primeiro e excluindo o segundo. A avaliação tem por
base acolher uma situação, para, então (e só então), ajuizar a sua qualidade, tendo
em vista dar-lhe suporte de mudança, se necessário. (LUCKESI,2008, p.172).

III.3 – Diretrizes para uma Avaliação Formativa em EAD

A avaliação a distância tem muitas características em comum com a avaliação presencial, por isso
pressupõe-se uma reflexão prévia das formas de se conceber a educação, conforme Luckesi, (1996,
p.28), não há como compreender e praticar a avaliação da aprendizagem escolar em um “vazio
conceitual, mas sim dimensionada por um modelo teórico de mundo e de educação, traduzido em
prática pedagógica”. “Nesse sentido, a avaliação, enquanto área de conhecimento da educação, sofre
as influências dos diferentes contextos pedagógicos, sociais, políticos, econômicos e culturais,
podendo até ser influenciada pela adoção de modelos de avaliação próprios de outras culturas (Villiard
et al, 2005)”.
Como toda avaliação de aprendizagem, pode-se e devem-se mesclar características do
paradigma objetivista com as do paradigma subjetivista, uma vez que não podemos escapar da
valoração, ou seja, precisamos de uma nota final quantitativa para classificação final dos alunos, em
relação a esse tópico, Maia e Costa (2001) consideram que a medida seria a máscara da objetividade
na subjetividade. Pois, a própria dinâmica da pesquisa em ciências humanas revelou a impossibilidade
de haver neutralidade na relação entre sujeito e objeto do conhecimento, uma vez que nessa relação o
objeto, não se mostra ao sujeito tal qual o é, consistindo, isso sim, numa percepção, interpretação
elaborada pelo sujeito (Oliveira, 2006).
Em busca de uma avaliação que ocorra ao longo de todo o processo de aprendizagem, a
avaliação formativa se aplica muito bem a um curso a distância, segundo Otsuka e Rocha,

22
“Com o apoio computacional, além de avaliações prognósticas e cumulativas,
tornam-se mais factíveis as avaliações formativas a distância por meio do
acompanhamento e orientação contínuos das participações dos aprendizes em
atividades de aprendizagem propostas ao longo de um curso, tais como o
desenvolvimento de projetos individuais ou em grupo, discussões síncronas e
assíncronas, testes on-line, etc (OTSUKA e ROCHA, 2005)”.

E Hadji complementa,

“A avaliação formativa tem características informativa e reguladora, ou seja, fornece


informações aos dois atores do processo de ensino-aprendizagem: ao professor, que
será informado dos efeitos reais de suas ações, podendo regular sua ação
pedagógica; e ao aprendiz, que terá oportunidade de tomar consciência de suas
dificuldades e, possivelmente, reconhecer e corrigir seus próprios erros (Hadji
2001)”.

Os avanços no desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs),


tornaram possível que a EaD contasse com recursos tecnológicos sofisticados para favorecerem o
processo de construção do conhecimento (Silva e Silva, 2008). Costa e Franco (2005) destacam, que
num AVA (ambiente virtual de aprendizagem) é importante a autonomia do aluno, ou seja, eles
precisam ser responsáveis pelo seu próprio estudo, porém essa autonomia se limita devido à existência
de prazos a serem cumpridos, de regras, regulamentos e outras exigências curriculares, a
interatividade, onde ações do professor/tutor devem motivar o aluno a fortalecer sua aprendizagem e
colaborar com os outros alunos, junto com materiais de auto-aprendizagem pedagogicamente válidos e
orientados pelos professores. Quanto à aprendizagem colaborativa, Pallof e Pratt (2002, p.38)
afirmam:

“É por meio dos relacionamentos e da interação que o conhecimento é


fundamentalmente produzido na sala de aula online. A comunidade de
aprendizagem toma uma nova proporção em tal ambiente e, como conseqüência,
deve ser estimulada e desenvolvida a fim de ser um veículo eficaz para a educação”
(PALLOF e PRATT, 2002, p.38).

Essas ferramentas computacionais que utilizamos nos AVAs, atendem às necessidades de


comunicação, informação, armazenamento e interação e podem simular um ambiente real de
aprendizagem, porém elas não garantem por si mesmas a interação, é preciso que os
professores/tutores conheçam essas ferramentas para que possam utilizá-las plenamente. Por isso a
importância da capacitação dos professores em EAD (Silva e Silva, 2008).
Os quadros 1 e 2, apresentam um resumo das características das ferramentas utilizadas num
AVA (ambiente virtual de aprendizagem), onde algumas delas podem ser utilizadas para uma
avaliação formativa em EAD. Eles podem ser utilizados em cursos de pós-graduação como o curso da
UFF Lante de PIGEAD (planejamento, implementação e gestão em EaD), como também em cursos de
graduação online ou semi-presenciais como o atual CEDERJ (Centro de Ciências e Educação Superior
a Distância do Estado do Rio de Janeiro / Consórcio CEDERJ).
O quadro 3 mostra uma proposta de avaliação quantitativa que considera a frequencia, a
qualidade e a interação do aluno na disciplina cursada. O valor da frequencia pode ser, por exemplo, o
número de vezes em que um aluno acessa uma determinada ferramenta, dentro de um determinado
espaço de tempo previamente estipulado. Se for um fórum semanal, por exemplo, seria o número de
vezes em que esse aluno acessou esse fórum. A interação entre os alunos pode ser registrada nesse
quadro, através dos seguintes critérios, segundo Otsuka e Rocha, 2005:

23
• Número de assuntos iniciados por um participante;
• Número de respostas de um participante a mensagens dos tutores;
• Número de respostas de um participante a mensagens de outros alunos.

No final a nota quantitativa pode ser uma simples média aritmética apenas para situar as notas
dentro de um parâmetro pré-determinado ou podem ser atribuídos pesos aos três atributos e assim
obter a média final.

Quadro 1 – Demonstrativo da avaliação formativa de ferramentas síncronas em EAD

Ferramentas para uma avaliação formativa de aprendizagem em EAD


Síncronas

Chat – (Salas de bate-papo) - ferramenta de - Depende de agendamento com os alunos;


comunicação síncrona onde os participantes - Deve ser utilizada para pequenos grupos;
devem estar conectados simultaneamente para o - É utilizada quando se quer um diálogo rápido e mais
processo de comunicação seja efetuado. informal;
Exemplo na Figura 2. - Deve-se estabelecer regras de conduta;
- É fundamental um estudo prévio do assunto a ser debatido;
- Deve-se explorar a conversa de maneira que dialoguem entre
si;
- Pode-se avaliar através de relatórios e auto-avaliações
posteriormente aos chats;
- Pode se avaliar também, os parâmetros freqüência, ou seja, se
participou-se ou não do Chat, a qualidade dessa participação, se
foi coerente com o assunto tratado e a interação, no sentido de
respeitar as opiniões alheias e uma conduta respeitosa com os
demais.

24
Quadro 2 – Demonstrativo da avaliação formativa de ferramentas assíncronas em EAD

Ferramentas para uma avaliação formativa de aprendizagem em EaD


Assíncronas

E-mail- Sistema de troca de mensagens pela Web. - A agilidade é sua maior riqueza para a EAD. Como as
As mensagens chegam à caixa postal do mensagens de correio eletrônico chegam ao destinatário quase
destinatário quando ele conecta sua máquina. Para imediatamente, são preciosas para manter contato freqüente e
trocar mensagens nesse sistema, é preciso ter um ágil com os alunos. É comum que o estudante da modalidade a
endereço de correio eletrônico. distância estude sozinho e de forma solitária. A referência
humana que tem está, em geral, no tutor a distância. É
primordial que suas demandas sejam respondidas com presteza,
que ele perceba o tutor tão próximo quanto possível. As
demandas por correio eletrônico devem ser respondidas não só
com agilidade como com atenção pessoal. É um meio de
contato individualizado em que o aluno pode colocar suas
questões de forma privada e particular.
- Não seria utilizada numa avaliação.

Fórum - o aluno pode expressar sua opinião, e sua - Criam-se hábitos de pesquisa para fundamentação teórica do
utilização considera aspectos qualitativos e diálogo nos debates;
quantitativos. - Estimula e exercita o uso da linguagem escrita;
Exemplo na Figura 3. - Alfabetiza digitalmente;
- Cria laços afetivos com os participantes;
-Aprimora a capacidade de argumentação, extremamente
importante para participação em um fórum;
- Adquirir espírito de equipe colaborativo, onde todos
aprendem juntos;
- A avaliação pode ser feita utilizando-se o quadro 2 abaixo,
onde seriam computados a freqüência de participação no
fórum, a qualidade e pertinência dos assuntos abordados e a
interação com os demais colegas.

Blog – também uma ferramenta assíncrona. São - Pode ser criado pelo professor onde coloca-se o programa
páginas pessoais da Internet onde podem ser com conteúdos e orientações de estudo, materiais de suporte,
registrados e atualizados em ordem cronológica, etc;
fatos, opiniões, fotos, etc. - Pode ser criado pelo próprio aluno, porém estimulada a
criação de um blog específico para fins educacionais.
- A avaliação de um blog caracteriza-se por sua organização e
pertinência dos assuntos abordados com o contexto educacional
aplicado.

Wikis - ferramenta assíncrona de escrita - Sendo uma ferramenta assíncrona, potencializa a união do
colaborativa. Deve estar articulada com outra grupo;
ferramenta como o Fórum e o Chat para que os - Senhas podem ser distribuídas para criarem-se regras para seu
cursistas possam se organizar e traçar metas uso devidamente;
juntos. - Podem ser utilizados medidores de acesso para estimular a
Exemplo na Figura 4. sua utilização;
- Os trabalhos em grupo podem ser feitos fora do horário
escolar e com supervisão do tutor e de outros colegas;
- Pode ser criado um ambiente lúdico, com colaborações
25
espontâneas e de forma prazerosa;
- Podem ser publicados trabalhos e produções, incluindo
trabalho dos pais;
- O tutor deve acessar e fazer comentários sobre a produção e
interações.
- Na sua avaliação podem ser consideradas as variáveis,
freqüência, ou seja, se participou-se ou não da construção da
wiki, a qualidade dessa participação, se foi construído o texto
coerente com o assunto tratado e a interação com os demais,
por exemplo, se teve o cuidado de não apagar a parte do texto
dos demais participantes.

Tarefa – consiste em desenvolver uma atividade – Consiste em desenvolver uma atividade pedida no enunciado,
pedida no enunciado, e que será avaliada e que será avaliada posteriormente pelo tutor.
posteriormente pelo tutor. - As tarefas permitem ao professor ler, avaliar e comentar as
Exemplo na Figura 5. produções dos alunos.
- É realizada preferencialmente nos modos de "escrita on-line",
exclusivo para envio de textos simples, ou "envio de arquivo
único", mais adequado a envio de tabelas, gráficos, imagens,
pdf’s, ppt’s, entre outros.
- A avaliação da tarefa será feita comparando-a com os
objetivos a serem alcançados por ela, estipulados
anteriormente, e criando-se uma nota, por exemplo, de 0 à 10,
sendo 10 a mais próxima do objetivo a ser alcançado.

Quadro 3– Valores de Atribuição dos Componentes da avaliação do Aluno

Aluno Frequência Qualidade Interação

Nenhuma – 0 Nenhuma – 0 Nenhuma – 0


Pouca – 1 a 3 Pouca – 1 a 3 Pouca – 1 a 3
Média – 4 a 7 Média – 4 a 7 Média – 4 a 7
Muita – 8 a 10 Muita – 8 a 10 Muita – 8 a 10
Total

Forma de quantificar os valores: Nenhuma – 0%


Pouca – de 0 % a 25%
Média – de 25% a 75%
Muita – acima de 75%
26
Figura 2 Exemplo de Chat

Figura 3 Exemplo de Fórum

27
Figura 4 Exemplo de Wiki

Modulo5_Sistemas_de_Tutoria_em_Cursos_a_Distancia_2009 Tarefasfa - semana 2


Grupos separados: Grupo12 domingo, 17 maio 2009, 16:45
Esta é a segunda parte da tarefa única desse módulo. Você vai continuar a elaboração
do seu o “termo de compromisso”, tendo como referência, agora, os conteúdos
estudados durante essa segunda semana. O tema da sem ana é A interatividade do
sistema de tutoria e as relações interpessoais.A partir das reflexões sobre as
discussões no fórum, do estudo dos materiais complementares, das suas pesquisas,
construa a segunda parte do seu termo. Você deve usar a folha de tarefa que está na
Biblioteca Virtual (arquivo folha tarefa), obedecendo à mesma formatação da primeira
parte de termo: Tamanho do papel A4 (já formatado). Margem: superior e inferior 2,5 cm
(já formatado) esquerda e direita 3,0 cm (já formatado). Fonte: tipo Arial e tamanho 10.
Espaçamento entre as linhas: 1,5. Não se esqueça também de preencher o cabeçalho.
Você deve escrever seu texto em até 2 páginas . Ao nomear seu arquivo, não se
esqueça de indicar o número da fase da tarefa e seu nome. Veja um exemplo: Ao
receber essa parte da tarefa corrigida, observe os comentários feitos pelo sua tutora,
pois eles serão importantes para a finalização do seu "termo de compromisso". Bom
trabalho! Prazo para a entrega : terça-feira, dia19, às 23h55min

Disponível a partir de: quarta, 13 maio 2009, Data de entrega: terça, 19


maio 2009, 23:55

Figura 5 Exemplo de Tarefa

28
III.4 – Exemplo de Avaliação

Neste item será mostrado exemplo para ilustrar a proposta do item anterior. Num curso hipotético
onde três alunos José, João e Maria participaram das atividades propostas pelo tutor do curso. Foi
pedida uma tarefa, que seria realizada individualmente pelos alunos, um fórum de discussão sobre
determinado assunto, e um Chat realizado em determinada data e hora. Os resultados foram assim
tabulados:
• Critérios: se o fórum foi semanal, considera-se 7 dias = 100%;
• Se o assunto foi totalmente pertinente ao tema: 100%;
• Se o aluno interagiu com todos os demais: 100%;
• Basta utilizar a proporção para os casos não situados nos extremos.

O aluno José participou com uma freqüência de mais de 75% no fórum e com uma qualidade
100%, porém contribuiu pouco na interação com os demais. O Quadro 4 sintetiza sua atuação.

Quadro 4 – Valores Atribuídos na avaliação de José


Aluno Frequência Qualidade Interação

Nenhuma – 0 Nenhuma – 0 Nenhuma – 0


JOSÉ Pouca – 1 a 3 Pouca – 1 a 3 Pouca – 1 a 3
Média – 4 a 7 Média – 4 a 7 Média – 4 a 7
Muita – 8 a 10 Muita – 8 a 10 Muita – 8 a 10
Total 9 10 2
Média 7

Média calculada: (9+10+2)/3 = 7

João participou com uma freqüência de 50% no fórum e com uma qualidade de 25%, porém
interagiu freqüentemente.

Aluno Frequência Qualidade Interação

Nenhuma – 0 Nenhuma – 0 Nenhuma – 0


JOÃO Pouca – 1 a 3 Pouca – 1 a 3 Pouca – 1 a 3
Média – 4 a 7 Média – 4 a 7 Média – 4 a 7
Muita – 8 a 10 Muita – 8 a 10 Muita – 8 a 10
Total 5 2 10
Média 5,7

29
Média calculada: (5+2+10)/3 = 5.7
Se nesse mesmo período também foram utilizadas outras ferramentas como o Chat ou a wiki,
bastaria utilizar as médias computadas dessas notas. Por exemplo:
José teve média 7 no fórum, e média 8 no Chat e 10 no wiki. Bastaria fazer a média aritmética dessas
notas ou a media ponderada se fosse o caso de atribuir pesos diferentes para cada atributo. Caso fosse
utilizada uma tarefa, sendo esse individual, o critério interação não faria mais parte desse critério,
pode-se considerar assim duas notas, uma das ferramentas interativas e uma individual, por exemplo:
José obteve nota 10 na sua tarefa individual, e 7 na participação do fórum, logo, sua média final
poderia ser 8,5.
O mais importante é ter esses critérios definidos à priori e informados a todos os alunos. Numa
avaliação dessa forma, nota-se o peso que a nota da interação terá. Esta avaliação é necessária como
uma forma de se ter um maior contato com o aluno, compensando a falta da presença física entre os
participantes.

III.5 – Conclusão do Capítulo

A velocidade das transformações tecnológicas e com o avanço da ciência faz com que a maioria das
competências adquiridas no inicio da formação profissional de uma pessoa, torne-se obsoleta ao final
de sua carreira (Lévy, 1998), logo fica cada vez mais difícil o planejamento já que muitas mudanças
ocorrem no momento em que está sendo construído o conhecimento, no devir.
A avaliação do aprendizado deveria ser natural, pois é inerente ao próprio equilíbrio do ser
humano, porém ao longo do tempo, foi tornando-se tarefa penosa, fator de exclusão e competitividade.
Ela exige uma concentração e uma dedicação muito grande por parte dos professores ou tutores, e
apesar dos atores educacionais estarem geograficamente separados um do outro, não significa que não
exista um acompanhamento constante e permanente da construção do conhecimento, porém muita
sensibilidade será exigida por parte do tutor para saber motivar a continuação dos estudos de seus
alunos ao longo de todo o processo, e muita força de vontade e autonomia por parte dos estudantes.
Por isso a interação torna-se um fator preponderante e deve ser incluído na avaliação de alunos de
cursos a distância.

CAPÍTULO IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste começo de um novo milênio, marcado por constantes transformações tecnológicas, é


impressionante o quanto a informação se tornou imprescindível e até mesmo se fala numa nova
revolução, a da informação no século XXI. Pode-se até dizer que a civilização passou da segunda onda
da revolução industrial para a terceira onda da sociedade da informação.
Existem complexas relações entre informação e poder, empresas, países e a sociedade em
geral, e neste contexto, se encontra o profissional da informação. Neste cenário a educação a distância
está deixando de ser uma modalidade marginal para tomar uma posição de prestígio, e pode até mesmo
ser que ela seja a que predomine num futuro próximo.
No Brasil existem desigualdades sociais e educacionais que por isso mesmo deixam sem
acesso à informação uma boa parcela da sociedade. Quanto a esse entrave, Castro & Ribeiro (1997)
ressaltam, “A sociedade brasileira caracterizada historicamente por alarmantes índices de
desigualdades sociais, regionais, educacionais, culturais, provavelmente não nos permite, no momento,
generalizarmos que estamos numa sociedade de informação”.

30
Por isso mesmo, o objetivo principal desse trabalho, foi refletir sobre a educação a distância
como uma forma de levar a possibilidade de construção de conhecimento a um maior número de
pessoas possível, redemocratizando o ensino e despertá-las para um maior nível de exigência dos
governos locais, estaduais e até mesmo federais, políticas públicas voltadas para um maior acesso à
informação, que não seja somente através do meio mais passivo, como é a televisão.
Essas políticas públicas deveriam possibilitar fácil acesso a Internet de banda-larga, a preços
condizentes com a realidade social local, como também computadores.
Para que ocorra essa conscientização, a interação entre os atores sociais se torna
imprescindível. É na troca de experiências e de conhecimentos que se desperta para saber o nível
intelectual e tecnológico em que se encontra. E é essa interação que pode existir numa educação a
distância de qualidade como proposta aqui. Através das ferramentas interativas aqui apresentadas,
facilita-se a interação social, viabiliza-se a aprendizagem individual por meio das interações com o
grupo, e cria-se possibilidade de criação coletiva de um conhecimento compartilhado.
Em todo o momento desse trabalho ficou claro que os pressupostos epistemológicos utilizados
na construção de conhecimento centrado no aluno, são os da teoria sócio-construtivista-interacionista,
de Piaget e Vygotsky, onde nesse ambiente propicia-se aos alunos o sentimento de novas
possibilidades, onde algo que parecia ser impossível de ser feito antes, torna-se mais fácil quando
compartilhado com outros. Além desse aspecto interrelacional, O ambiente virtual produzido com
materiais didáticos objetivos, claros e também divertido, apropriado ao conhecimento prévio dos
alunos, torna-se um ambiente rico em estímulos intelectuais, e, principalmente através da motivação
criada por um trabalho em equipe, onde ocorrem as interações aluno-aluno e professor-aluno.
Para que a utilização dessas tecnologias interativas contribua para a expansão de uma
educação a distância de qualidade, é importante o estudo e utilização de metodologias de interação
específicas e eficientes, como apresentado neste trabalho.
Pesquisas ainda precisam ser feitas para saber o nível de aceitação e confiabilidade nesta
modalidade de ensino, e também o número de pessoas que ela pode beneficiar, levando em conta as
disparidades sócio-econômicas existentes num país com as nossas dimensões.

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