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A organização do Sistema S

O Sistema S começou a ser estruturado no país em 1942 para oferecer uma rede de
ensino que melhorasse a produtividade da mão-de-obra e serviços culturais e de lazer
com financiamento garantido, mas sem depender da gestão pública. Ele é composto por
nove entidades:

• Sesi: Ligado à indústria, oferece opções culturais, de lazer e esporte, além de


serviços de saúde;
• Senai: Ligado à indústria, oferece cursos e assessoria técnica;
• Sesc: Ligado ao comércio, oferece opções culturais, de lazer e esporte;
• Senac: Ligado ao comércio, oferece cursos profissionalizantes;
• Sebrae: Ligado à micro e pequena empresa, oferece cursos e apoio para acesso a
crédito;
• Senar: Ligado ao agronegócio, oferece cursos;
• Sescoop: Ligado às cooperativas, oferece cursos e assessorias ao setor;
• Sest: Ligado ao setor dos transportes, oferece opções culturais, de lazer e esporte;
• Senat: Ligado ao setor dos transportes, oferece cursos;

Essas entidades têm representações nacionais que supervisionam as regionais nos


Estados. Há diversas formas de escolha dos presidentes. Algumas delas são
comandadas pelos presidentes das respectivas confederações (o Senai é presidido pelo
presidente da Confederação Nacional da Indústria e o Senac, pelo presidente da
Confederação Nacional do Comércio). No Sebrae, o presidente é eleito pelo conselho
deliberativo, que conta com representantes das associações e de bancos públicos. Já o
presidente do Conselho do Sesi é nomeado pelo presidente da República.

Quais são as críticas?

TRANSPARÊNCIA
Por lidarem com recursos arrecadados pelo governo, as entidades do Sistema S são
pressionadas a comprovarem a destinação das verbas e o atendimento do interesse
público. Apenas a partir de 2013, a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que estipula
anualmente regras para o uso do dinheiro público, passou a obrigar essas entidades a
divulgarem na internet o quanto receberam de contribuições, o destino dos recursos, a
estrutura remuneratória dos funcionários e o nome dos dirigentes e membros do corpo
técnico. Em 2016, o TCU (Tribunal de Contas da União) alertou que nem todas essas
entidades tinham sistema de auditoria (que confere a veracidade e qualidade das
informações) interna e externa e que faltavam, em algumas delas, informações sobre o
oferecimento de cursos gratuitos e detalhes sobre licitações.

GRATUIDADE

Outro ponto que desperta críticas é o percentual de cursos gratuitos oferecidos pelas
entidades. A cobrança de mensalidades afasta pessoas sem recursos que precisam se
capacitar e coloca em xeque o interesse público que justifica o repasse de verbas ao
sistema. Em 2009, após pressão do Ministério da Educação e embates com os
empresários, o governo e as entidades firmaram um acordo estipulando percentuais
mínimos de oferecimento de cursos gratuitos. Além disso, eles passaram a ter que
obedecer a uma carga horária mínima, para impedir que fossem contabilizadas
capacitações de curtíssima duração em temas como reúso doméstico de cascas de frutas
ou embalagem de presentes.

No site do mec:
Março 2009:
“Haddad destacou a evolução do orçamento da educação nos últimos seis anos, passando de R$

18 bilhões para os atuais R$ 42 bilhões. O ministro ainda citou algumas ações em andamento que

estão colocando a educação profssional em um novo patamar: acordo com o Sistema S,

programa Brasil Profssionalizado e criação de 214 escolas técnicas federais.”

Maio de 2011
A União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) terá participação ativa no controle social e

fscalização do Programa Naacional de Acesso ao Ensino Téécnico e Emprego (Pronatec) e também

nos conselhos gestores das entidades ligadas ao Sistema S.

Mantidas com recursos públicos, as entidades que compões o Sistema S (Sesc, Senai, Sesi e Senac)

têm características híbridas. O fnanciamento e o controle das instituições é público, enquanto a

gestão e governança é feita por entidades privadas. Como terão grande participação no Pronatec,

Haddad defendeu a presença de representantes da Ubes nos conselhos gestores das entidades.

Abril 2011

A presidenta da República, Dilma Roussef, e o ministro da Educação, Fernando Haddad, lançaram

nesta quinta-feira, 28, no Palácio do Planalto, em Brasília, o projeto de lei que cria o Programa

Naacional de Acesso ao Ensino Téécnico e Emprego (Pronatec). O texto segue para o Congresso

Naacional, onde tramitará em regime de urgência. Pelo projeto, R$ 1 bilhão serão investidos, ainda

este ano, para concessão de bolsas e para o fnanciamento de cursos de educação profssional. A

previsão é de que 8 milhões de pessoas sejam benefciadas pelo programa no prazo de 4 anos.

“Téemos pela frente a perspectiva de um rigoroso processo de desenvolvimento econômico e

precisamos de mão de obra qualifcada para manter esse crescimento sustentável”, destacou a

presidenta Dilma Roussef, na cerimônia de lançamento do projeto. O Pronatec funcionará como

uma espécie de “guarda-chuva”, unindo e fnanciando programas vinculados à educação

profssional. O programa traz novo fôlego à expansão da Rede Federal de Educação Profssional e

Téecnológica, com a entrega de 81 novas escolas ainda este ano, com previsão de funcionamento

já no primeiro semestre de 2012. Outras 120 novas escolas técnicas federais serão entregues nos

próximos quatro anos.

Pelo projeto, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) passará a atender também a estudantes

de nível médio que estejam cursando cursos técnicos.

O projeto prevê ainda a concessão de 3,5 milhões de bolsas de estudos até o fnal de 2014, que

poderão benefciar tanto estudantes de nível médio quanto trabalhadores. Os recursos para as

bolsas são de R$ 700 milhões e vão diretamente para as instituições de ensino. Outros R$ 300
milhões serão destinados à concessão de fnanciamento estudantil, por meio do Fies, com os

mesmos juros praticados para os cursos superiores – de 3,4% ao ano.

“Téemos 7 milhões de estudantes cursando nível médio hoje no país. A concessão de 3,5 milhões

de bolsas para cursos técnicos dá a idéia do impacto desse programa”, afrmou Haddad.

Novidades – O Pronatec modifca ações que já estão em curso e agrupa novas iniciativas ao

fomento da educação profssional. O Fies, por exemplo, além de ser estendido a alunos de cursos

técnicos, também poderá ser utilizado por empresas que desejem qualifcar seus trabalhadores.

Os empresários que desejem oferecer capacitação aos seus empregados terão, portanto, acesso

às linhas de fnanciamento do Fies com os baixos juros praticados pelo fundo.

Outra novidade é a conexão entre a concessão de bolsas do Pronatec e o seguro desemprego.

Pelo projeto encaminhado nesta quinta-feira ao Congresso, os trabalhadores reincidentes no

pedido de auxílio desemprego serão prioritários para a concessão de bolsas do Pronatec. Em

contrapartida, eles só poderão receber o benefício se comprovarem estar matriculados nos

cursos de educação profssional.

Uma das novas iniciativas trazidas pelo Pronatec, a concessão de bolsas de estudos para cursos

técnicos, funcionará em duas modalidades: bolsa formação estudante e bolsa formação

trabalhador, sendo que esta última também poderá ser concedida para benefciários do

Programa Bolsa Família.

O Pronatec pretende ainda aumentar a rede de escolas estaduais, por meio do programa Brasil

Profssionalizado, e de instituições ligadas ao Sistema S (Sesc, Sesi, Senai e Senac).Téanto para o

Brasil Profssionalizado quanto para as entidades do Sistema S haverá maior aporte de recursos,

sendo que há a possibilidade de empréstimos do Banco Naacional do Desenvolvimento (BNaDES)

para a construção de novas escolas do Sistema S. “O Plano Plurianual de 2012 em diante já

contemplará todas as ações do Pronatec”, esclareceu o ministro.

Pesquisas - Dados da Pesquisa Naacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2008 demonstram

que apenas 25,5% da população de jovens de 18 a 24 anos alcançam o ensino superior. Os cursos

técnicos de nível médio despontam, portanto, como alternativa de qualifcação e inserção no

mercado de trabalho para mais 74% desse contingente


Pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) demonstrou que ter formação profssional

aumenta em 48% as chances de um indivíduo em idade ativa ingressar no mercado de trabalho. O

estudo A educação profssional e você no mercado de trabalho também constatou que os salários

daqueles que têm um curso profssionalizante são até 12,94% mais altos e é de 38% a

probabilidade de se conseguir um trabalho com carteira assinada, em confronto com candidatos

com escolaridade inferior.

A pesquisa da FGV reforça um estudo anterior, feito pelo MEC, com estudantes egressos da rede

federal de educação profssional. O levantamento, divulgado em 2008, demonstrou a

empregabilidade de 72% dos técnicos de nível médio formados de 2003 a 2007 pelos institutos

federais.