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Copyright © 1986 by Fondo de Cultura Económica, S. A. de C. V.
Titulo original em espanhol: La lnvención de América.
Copyright © 1992 da tradução brasileira:
Editora Unesp, da Fundação para o Desenvolvimento
da Universidade Estadual Paulista (FUNDUNESP)
Av. Rio \3ranco, 1210
01206 - São Paulo - SP
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Duelos hucrnncionnis de Catalogação na Publicação (CIP)
(C~l1Il1r:l Brasileira do Livro, SP, Brasil)

"lOllllllll, EUI1IUlldo, 1906-
A lnvcnção da América: reflexão a respeito da estrutura histórica do
Novo Mundo e do sentido do seu devir / Edmundo O'Gorrnan, tradução
de Ana Maria Martinez Corrêa, Manoel leio Bellotto. - São Paulo:
Edüora da Universidade Estadual Paulista, 1992. - (Biblioteca Básica) lJllj'I'('"i,//II/" Nlidll"!11 ;\'1/.111""111 i/i' 1\1. \1'"
111111 Ihíi'/tlfI'l' '"11111

Bibliografia.
ISBN 85-7I39-025-8

1. América - Descobrimento e exploração 2. América - Histórica
I. Titulo. 11. Titulo. Reflexão a respeito da estrutura histórica do Novo
Mundo e do sentido do seu devir. lU. Série.
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92.1977 CDD-970.01 I
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Í ndíces para catálogo sistemático:
1. América: Descobrimento e explorações: História 970.01

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~ J "li SUMÁRIO 9 Apresentação 15 Advertência 17 Prólogo 23 Primeira Parte História e crítica da idéia do descobrimento da América 69 Segunda Parte O horizonte cultural 97 Terceira Parte O processo de invenção da América 181 Quarta Parte A estrutura do ser da América e o sentido da história americana 209 Fontes " 211 Índice remissivo .

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ao que parece tão cxt raV:1I(:IIIIC. ao chegar no. Esta colocação é decisiva. 11111 dos dogmas da historiografia universal. Pois bcru. descobriu a América. a maneira de se conceber o ser da . porque essa questão envolve. Comecemos por justificar nosso ceticismo. É óbvio que se trata da segunda e não da primeira afirmação. I Não será difícil convir que o problema fundamental da histó- ria americana consiste em explicar satisfatoriamente o apareci- mento da América no seio da Cultura Ocidental. nos dias de hoj«.j· ta como algo por si só evidente e constitui. Até que enfim alguém t'eio me descobrir! Eplgraíc do dia 12 de outubro de 1492 num imaginário Diário íntimo da América. lodos sabemos que a resposta tradicional consiste na afirlll:1(. fez ou se isso é o que agora s diz que ele fez. porque revela.\Ii\(~ricn e o sentido que se há de atribuir à sua história. de imediato. mostrando por qu motivo é lícito suscitar uma dúvida. Mas é possível rcnlnu-ntc afirmar-se que a América foi descoberta sem que se incorra i'lIl um absurdo? Esta é a dúvida com que queremos iniciar ('I>I:IS reflexões. dia 12 dc outubro d L4. .uuma pequena ilha que acreditou pertencer a um arqllipi~l:tg' adjacente ao Japão.:io d(' qUi' u América resultou do seu descobrimento. A_tese é esta: que Colombo. idéia que tem sido IH'i. Mas perguntamos se iss foi em verdade o que ele. Colombo.2.

mas de uma idéia a respeito que estamos diante de um verdadeiro problema. não oferece maior dificuldade.ndo-se co[~o tal. se for assim. r.Q_PJ. Mas então. já que essa dúvida supõe' admitir a idéia de que a descreve o acontecimento histórico segundo aparece nos lcstCIIIU- Âlnérica1~i~Je. é muito importante compreender conve. resposta não tos.-sis~e eE:. de é resposta a uma exigência prévia. U"I'1I1 a existência de Ull1 cont iIH'IlI(' que.. Se é assim. porque há o risco de se incorrer num satisíatória. Com efeito. para saber a que se deve a idéia de que Colombo seja para concordar com ela se não encontra uma explicação descobriu a América. tem de extravagante nossa atitude.urincí12io. como toda interpretação embora seja apenas mais uma maneira. cous'i~pQ. a. salvo a preguiça aparecimento da América como o resultado do seu descobrimento. at~ então.112ôr em dúv~a se os l1ão procede do fundamento empírico do fato interpretado.2~.An PA AMI'I\HA 7 que quando os historiadores afirmam que a América foi descoberta melhor. Mas se isto é U. a América. próprio da jnlNprel'ação.->~alw-:. Entenda-se caso? Eis aqui a questão.is.. segundo eles. pQinda J)os.!}1avez colocada em dÚvida a validade da idéia que eX2lica o usslru. mas se a própria idéia de que a América!oi examinar para averiguar em que consiste essa idéia prévia. quando decisivo: despertou. já deu o passo daquilo Dito 9. que é de onde deriva a sua entender o ocorrido. se asscguru (jlll' ( :OIOIIl!lO descobriu 11 América._NãO.. 1'11\ l'iI~1l por Colornbo. •a é óbvio que lIiio se trata dc 1I11l0ilJ1Crpr:l't:a<rIio. 11\:11\1111'('illl\('1\1\'da il\lcrl. 011 li 1'01i1111. Quem. mas sim nos contrário. Numa palavra. ístn é.c~beTta. sem permite dúvida. fato evidentemente muito diferente: é claro que chegar a uma ilha Estamos convencidos de que as considerações IlIlt\'1 it lll'~ "nll que se acredita próxirna não é a mesma coisa que revelar dollJ)iio uficientes para que se nos conceda o benefício da dúvkln.que se ponha em dúvida a validade dessa maneira devemos pensar de (jue modo se pode prová.contecin}!Dtos que até ago.2.. levantar a dúvida que temos verdade. a totalidade do fenômeno histórico em questão. postcriori).. como a idéia de que Colombo descobriu li Amóric». trata daquilo que.fuJ.Os~rL to d~~Alllérica_devem_ou . EIll.rctação de um fato.!1('S(' ~:IIl\' <lI\(' 1\('01111'('('11. conduz ou não a um absurdo. para a é uma maneira adequada de entender os acol~tecimef!:. não se trata de um {. É a atitude de ~n-. como dizia Kanr. deve-se recusar a interpretação para substituí-Ia por out ra mais nientemente o seu alcance. pois. poder comprovar se conduz ou não a um absurdo? A. lícito. de oUlromodo. é claro que devemos examinar o fato Nada.!~ ~i~h~_vistos como o descobrimen. 1\1'1':\IIl'Ct'S$:\rio admitir que nada impede.. pois. Levantada a dúvida.26 EDMUNDO O'GORMAN A INVI'N{. se com essa idéia se consegue ou não explicar. do seu sono dogmático. o que é que devemos mérica. bem e de uma vez por todas: o problema que colocamos não Pois bem.c. . já que é inútil examinar o fato interpretado. ao contrário. porque objecão lógica.. apesar de saber que ele executou um ato . mas de uma interpretação Cundí1da numa idéia prévia a Portanto. entre outras possíveis. deve suspender esta leitura e coutinuur 1'I\I'II~tl" ue existisse. por lado em suas opiniões tradicionais.to (wndiar ele entender o que fez Colombo naquela memorável data. isto é.. o que vamos examinar não é como.u:jn_dÚvida se foi ou não Colombo quem descobriu quando apertou a uma ilha que acreditava próxima ao [upão.Ç{ue é um fato tão histÓrico como o outro.~J1ns$. deve-se entender um conhecimento.w «\I(' :I\'Olltl'('('II. ninguém suspeitava não pensa assim. lI:i.. porque é evidente que. quando e quem respeito dos fatos ({LIJTiori).110..la. o problema se reduz a examinar se referida exigência suscitado. homem de ciência que. é óbvio que a exigência que deu origem àquela interpretação rigr e m~ts radical e profundo.não continuaL~!~nds. entl'IHII'" docl!mentos. Em suma. frente a uma hipótese. seja para repudiá-Ia substitu! 11\ 1'01 111111'11. como comprovar se isso acontece ('11111055 equívoco que conduziria a uma lamentável confusão. Tem sido sempre esta n I1lal'rIlII 1111pnll(n'~~11 do oferecem a maneira pela qual. v(\-!\(' que não se. sujeita-a à revisão.obl~ logicam~~te ante- nhos. não descrevem um fato em si evidente. a idéia não depende dele.

lIll1 jll"tI' 1I1I motivos. Alega-se que é indevido atribuir-lhe I1 ~1'lllhll' . IlblOria de /m IlIdias I.. entre os quals iavia alguns que por objetivo criar uma arma polêmica contra II~ illll 11~NI"1l I' 11 acompanharam •. Veja-se Marcel Baraillon e Edll1undo O'Gorman. mas a ela idéia de que a América foi descoberta.I. prestígio de Colornbo.-. Diz gue a ser -. 2. é necessário averiguar quando.rr~_d_esconhecidas.'Mllh'. de acordo com as informações do padre I3artolomeu de Ias tação da história universal.-1111 illll"1 II mcnto que se relata é Ialso e.. Também Ovicdo. Considerando a distante data e o conteúdo do relato.1"1101.' Esta maneira de entender a "lenda" (01 olljl'l. mente a que se refere. verdadeiro objetivo qlle íncenrízou.. veja-se [can Hcnry Vignaud. Isso é o que vamos fazer. 1955. No presente trabalho aproveito as pesquisas então realizadas e a das remeto o leitor que se interessa por detalhes polêmicos e documentais. é forçoso como de [ato foi. Htstoire Critif/lle de /a Grande .. Primera Pane. 1'111'111111. concebeu-se pela primeira efeito. continuar com o mesmo exemplo. S... mas foi forjada como uma a 1'11\111'"li'lllh'lI p:1I I '. se alegasse 11:111•. 2. Sabemos que Colombo não constatar que nenhuma constitui uma obj('~':ltl I1111'_11.IfI'_ll'\'I. Las Casas. essas supmt:l" I ti 111't.·. que os eruditos maioria dos historiadores modernos af rmurin IH11 I ~I'IIli tlll.. pois é falso que <. ela poderia servir para 1111111\\~111I1I'ltI. . a atual exposição representa melhor o que agora penso sobre o rema.lI' 1l'111I mento ela América. os testemunho rimitivos mais direto que temos desse assunto. segundo. Se levássemos em ("Olltll I~I. ent<io.\•• 0111111t1IIII. .( .vI})ltlf Il A INVENÇÃO DA AMÉRICA 29 I i 1 J.'VI povoado por espanhóis em 14 . Para um inventário. colonos da ilha Espanhola (Haiti começou . I. estavam con. e Gomara..1 consiste em contar a história da idéia do empregada contra os interesses e o presl[gio di' ( \11"-11111". pois. que não é <? mesmo. assim. será necessário não a do descobri- reconstruir a história.almirante a. Deixemos de lado.11'11 descobrimento d:1 América. I': II111111'. o desconhecidas . ii.f. porque o objetivo de Santo Agostinho ao "'111'''1'.t" 1111\:11'1('Vitl"'11I!tI Casas. lmprcut» Unlvr-rshurlu. é óbvio que a iIlVlld.1I. XIII. histórica COIImouvo ele Ia ielea ele! elescubrimiellto ele América.~.' /" IIII'CI' Dos COllCC·P('/O". IlislOria General.'H'~ e passemos a considerar a verdadeira dificuldade qUI' :'111I "t tl\'1 () {ato mesmo da existência da "lenda" e do amplo cn\ Iiltl ti 111. no entanto. XIV.11111iI a awrigu:I~':io da origem dessa idéia.I' J<i que nossa lal"('(.Colourbo dU'g:1I ao ('XIU'I\\O Vale dizer. li.ti"> muito diferente.uiw. Primera Parte. pois.li Irou que a idéia foi gerada num relato popular.•t I p.!{ çle "lenda do pjlorg anô. oferecer ao Cristianismo urna allllll IH. a ser correio til 11\I 11 "'"dt!" I.11I111I do vez a viagem de 1492 como uma empresa de descobrimento? relato não impede que contenha uma ill1('II'"I..1. Uma pesquisa documentar realizada em outra obra2 dcmons. nossa primeira preocupação deve ser bem. 1 I LI IIINI. /-" id('a dei dcswbrimicnlO. pois ('111 IlIgar di' nclmitir ( pensou assim uma primeira vez e por gue se continua_a_~ceitar. primeiro. I 1111111 1.1111111\11\" mente. admitindo a verdade destas duas ci rCl11I~1. pela primeira vez.I" IIIIH\ interpretação da viagem colombina.píloto.. na sua primeira viagem. 3.'qill suja embarcação havia 0do J~'2Sia às praias POI uma tempestade.'j- ._c. se lhe deu de imediato. a respeito da primeira.11\t IiIW. aceitar A Cidade de Deus como uma interprctnçü.. oriental da Ásia .o". . México.-l!~ se como uma empresa de descobrimento. Quando. Historia. 1'11111 foi o desejo de mostrar a existência dç uJ11as_t(~. .I.Iln" I' . Vamos recordá-Ia breve.I esse objetivo..1[11'1'.:V.\ (~responsável por ela.1. divina que regule e governe os destinos 1\ ~1'lJ1l1llhl 11\1111111\11" objeção é igualmente ineficaz.' universal.. Este tema foi amplamente desenvolvido por mim no meu livro La idea de! é sabido. que modifiquei algumas idéias.!. 4.1 s» ..I"\. -Colombo --.I'~111I11I concluir que nele se concebe.\'.1 das quais tinha noticja porinformaçõesque lhe dera um .I "II}llllt 11111. vencidos de que o motivo-nue levou o. porque 11"11'1111.. 11'11' cl1ama.. A Cidade de Deus de Santo Agostinho não ("(1111111111111.28 EDMUNDOO'GORMAN /1.oJllo_e_pox Cl. a viagem de 1492 contra os pagãos. afirma-se que sua f1ualid:ull' 1'1':1 Ilyd.U . Devo advertir.xi. O'Gormnn." rlcKllbrimienlO de América. .fazer a travessia desse significado a uma interpretação da viagem.

"EI marino Pedro Vázquez de Ia Fronrcra y cl descubrimicnto de América" no Boletín de/Instituto de Irlt'estigaciones li.-püs. 11. Paris. <111(' :I crença de Colombo era um segredo do qual segaRdG-b.surgido a "lcmlu de! pllcl1\1 9. Bucnos Aires.'\1111'11111. contra tQ.oxa. infer~ que o (1n'lxi II\11I til pretextos. Veja-se mais adiante. Historia. EI pre. não devemos su pcrestimar seu alcance.nüiJ. no entant. [I/entes docunienlales y de 105 problemas colornbinos. q Vl'1I 1:1111111'! 1•.rruLcom ela. Gomalo Fcrnándcz de Ovicdo y Valdés. V. Entre os mais destacados historiadores que adotam esta atitude. I-listoria de Cristóbal Colón análisis crítico de Ias 11. como pôde pensar que alguma frase do próprio Colmilho I('llll:\ d:\do ~(\lllid( surgir a "lenda" e porque foi aceita. li:. Enrique de Gandia.\ i" "1'1'11110{ nci:lis bem inteirados. testemunhos de Oviedo e de Las Casas. o tenham resolvido cesso do desconhecimento da finalidade 'lILC rculnuun 1i 11111111 satisfatoriamente. F "I "'j.ter.Morison..loto_a. alegando. aproveitando trabalhos de Jaime Cortesão.éro· p-ublicadIUlll~.se pode.. li uma explicação para a sua viagem. ii e iv e Las Casas. .I111a especificamente àAméríca. num primeiro momento.._cLe."I 11111'..111. Algo assim parece indicar lima (rase de Oviedo.10 e até se poderia empresa desC9»ridora de te..o-pi. Gaudia. Roselly de Largues. publicado pela primeira vez em Tolcdo.u. bridor da América é o Sumario de Ia natural histor. Enrique de Gandia.I. Paris.•11.a.após. I-listoria.que deve.vcrcUlPS_de-colupI.s. I-listoria..descubrimiento hispano-i:alalán de América em 1477. apoiada em alguma circunstân.J' 1111...un inteirados os historiadores) Parece-me que a solução Mas. XIV. "Dcscubrimicnro de América". a despeito e apesar da crença ao relato ou. Primeh.. fora dos círculos rata ainda do descobrimento da Américar Jluj. v.1 illt'-II"I'n cnront rn 110 geral ceticismo com que foi recebida a crença de ção. se duvidara da sinceridade desse "italiano se refere a qmas rerrasindeterminadas nO~i'\1 '0(1 I '. 1928. publi- cada sob a direção de Ricardo Lcvenc.111. Sumario de Ia Nawrrtl hi~wril' rli' 1m 11I(/itls.. toda a cvidônrin.a." ou asiát'ico da emp"resa" é_.30 EDMUNDO O'GORMAN A INVENÇÃO DAAMÉIUCA 31 Não é fácil entender.~-.. que o tenha sllg(\I'jdo.. 7. Humboldr. I 11'''' i '-'1111:1111 1 cia mais ou menos plausível.1I rll' ItI~ 1II. para dizer a verdade. pelo menos.u:as. I-listoria. Com o objetivo de mostrar que a crença na lenda do piloto anônimo não foi tão generalizada.111.sido_o priuuu. A solução dário para os nossos objetivos. Veja-se Gandía. Ill.baver.I "1111. Oviedo. se é certo que na "lenda" está o gCllllc' dl'~':. Terceira Pane. se lIlt'O más sospecha que él eSlaba certificado de/ piloto que se dijo I/I/P I/Irlllll .. vi I11Ii Ii 111-'i' iI Pl\!' modernos. portanto.w." do piloto anônimo.qu~.ü\k.Q. sem que. É possível imaginar muitos possíveis achado .cit. 8.igL\llli\d. l. op. \111\il\lI'lI'~~I' 11111110 /1C'I:III1- pública e notória ao retorno da sua primeira viagem. I I de que Colombo chegara à Ásia. foram invocados os . c sugere que se trata do personagem cujas viagens inspiraram a lenda segúlI se tocó de SI/50.rival.atribuí-lc ao seu. "Dcscubrimicnto de América" em I-listoria de América. pois ° imporuuu« I'~'lllc'. em 15 de fevereiro de 1526. 11"1 então negam o problr mn C11Ilugar de rcsolvê-lo.l. Ruge e Tar.o.IIrI\. I. .1 8. Bucnos Aires. que consideram o "núcleo histórico" da "lenda" . Gallois.º. que identifica Vázquez de Ia Fronrcra com Pedro "Y de ver salido tan \'erdadero el Almirame._por.. não csr.ls conclusões.iLue charnaremos l'n 0('1111111. 6. I' IlÍio burlador" como diziam alguns. Primcra Parte.111it I.tgl'lll. Bucnos Aires.Colombcç.O--1..atri bu II 11dl~UJ1111111'11 to. seti.111111 qlll!~" 111111' Entreprise de Chrisroplic Colomb. o texto mais antigo em que Colombo aparece 1IIIIIIIIkIJIII ducci. l. se tenha buscado é Ine. (I I. 1933..12Este pequeno livro é apenas 11111:\1"1"1 I1 dI UlIoa. xv.llest.I'" 111111. p..s_Óh\LÍ. '1111 1I\11 ~I' 10111bo.. na nota 7 e Luis de a-Flêl+~me. 10. xiii.8 pois só assim se compreende que. inclusive alguns eruditos acreditaram poder ressaltar o tinLcW_'Lexjlicar de que !llllneira a vi~g<:!n de I 1i» J 1'\ 1l11111jill 1.I~1 lil'n\ fi i.L"-eLajdéia-4ç_qp~olombo (k~1 11111111 " . 1111.hi -' da Yl. I-listoria General. 1917.'111111111. . encontram-se Gaffarel.. 1942._nem mais nem IIH~IHl~1 111111\11""1.11.O-.111I._ac. C0I11.a. anos. Haebler.em Lugar dc. !'1I11". Velasco eirado por Fcrnando Colombo. en ver Ia tierra en ellii'rll/lllll"" 10""1. vi IlI/' I-list6ricas. IX e por Las Casas." e que.c como. 1940..a época em. 11\'11 contra o anônimo "invejoso" que criou calúnia tão desairosa. mas a verdade é que estes autores não negam a possivel veracidade dessa "lenda" embora tenham se inclinado a considerá-Ia lU duvidosa. Vida dei Almirante. pois 011 S(~ limitam a mostrar sua indignação vou e esta circunstância.!. de Gonzalo FernándcLde Oyiedo_.. 1111~\IIj:II' para este pequeno enigma tem preocupado a muitos escritores aen"I d" a como exp I'Icaçaollstoncaa . versão que se divulgou como coisa Estas especulações têm. Górnara.Llôuinw.u. acl i:t 11Ic'.

desse.l:lda. na Sl'gUllda Palt" d(~SI(' nele limita-se a registrar as informações acerca da natureza da -oui a convicção de qlle as terras visiljldj\~ pelo ulmlnu em 14 ~ 11(' América que.rGJ. Ovícdo afirma que._. Suponhamos que o zelador de um arquivo encontre um velho Mas se isto parece indiscutível. Sabemos com certeza que era assim que Oviedo concebia essas terras.. fim de que isto fique inteiramente claro.s-tGúa.14 = mas uma alusão muito significativa.':io da viagem de 1492 como empresa descobridora.r- e da ocultação que nela se faz dos motivos que animaram Colombo lG. I~. kst'ohri .o. gela grimeira vez. não se poderia atribuir a Colombo o descobrimento. Ias descubrió en tiempo de los católicos reyes don Fernanc/o y c/o...o".. conforme com maneira posrcríor à do ato interpretado. (11:\111111111 de que no Sumario só se encontre uma alusão ao nosso tema.t. de um suscilDIJ um grave problema colombiana em interpretar processo de data um ato que muito que mcnto da interpretação prévia contida na lenda do piloto anônimo (·Of-~. acabamos de entender os resultados a façauba de explicar. se lhe i1Ilprevisível. t('rl.~Q-Gl~~GF~G-qy.1\(' é o caso da interpretação contida na lenda do piloto anônimo. respectivamente.\lOri(l.. mas nãQS. está claro que se a Oviedo parecia "notório" que o iudcrerminadas elU slla ídentídadecrcas. pois. A razão de tão decisiva mudança é que.existência dizem uue revelou. dor desse documento.. a seu ver. bkh!.aGr:Gil'}{I·Fi-a~I. como es noto rio. como uma entidade geográfica dlSlltlla. ao dar como verdade indiscutível a intcr] )t'('III- Remetendo o leitor :\ I Iiswria General.'..aqui a id('ia de 1192.a. como um papiro qualquer.32 EDMUNDO O'GORMAN A INVENÇÃOnA AMI'IU( ~A súmula prévia da Historia General que já escrevia então o autor e <~IC culminou. A pergunta é esta-quem é o descobri- Índias.CQffiOé nsiderou. deve-se..sím. seria muito difícil explicá-Ia.ência parecia que esta maneira de entender a viagem de 1492 era algo do referido cominenl'e. abuelos de \'Iustra majestad. porque. d ifc.*1-4@.r. uma 'Otó'. pois.lIja Se não csuvésscrnos ele Oviedo \Isso l' iuclo.J. de América por uns e de Índias Relos espanhói~. XVI.~111()S Iti~tória estamos seria muito reconstruindo. qlle~taLcLe5cQbrimento foi das Índias (América). uuubéru tratará exaustivamente do assunto. pois era ciência-..sex:.... en el mio c/e 1491 y vmo a Barcelona em 1492 . primero almirante de estas Índias. à América. Oviedo. a quem foi dedicado.1l ho. de um contincnrc feito de Colombo foi descobrir terras desconhecidas.da e de sua crença de ter chegado na Ásia.taGa""rl~GT:ft\. não se vê 1.l.. d assim que se vinha entendendo há tempos. preliminares. vamos citar um exemplo. conforme diz. Assim. Veja-se dade.1-tc. com toda a probabili..Çolo'. de regiões Com efeito. foi o zelador quem o descobriu.. ou seja.ai-g:i. nas considerações desconcertante.. onde. de contrário.. o zelador que Q encontrou ou o professor durante os trinta anos que haviam transcorrido desde o apareci- mento da "lenda" havia se desenvolvido um processo ideológico (IUC o identificou? É evidente que se se considera como mero objeto l'I. . podiam interessar mais intensamente faziam parte de uma massa continental scparnda dll A41n (' (. Tratava-se. "lenda" afirma-se agora que o âescobrimeulO (Oi.1 as t ndias (isto é.a. mas especificamente às 1('XlOperdido de Aristóteles.}i. a uma falha de memória. 1492 e 1493.. a América)em sua vez que somente por essa identidade se conheciam as regiões 8 Vi~ll que... portanto.. dá a notícia a um professor que Oviedo não se refere apenas ao descobrimento de regiões universitário de letras clássicas e este reconhece que se trata de um indcrcrminadas como acontece na lenda. como veremos uubnllto.afin:naLque Colambo revelou a exls. que devem ser..Qouco se considerarmos aClfll.~..(}fGi te.não. isto é.s.1 (. cuj. 8al"a~p.~~@. A uma opinião recebida que ele simplesmente recolheu e repetiu.<10 facilmente por papiro num depósito. Não surpreen. Eis aqui a frase: "Que.teria de ser assim.-CmH. Mas é igualmente evidente que se se considera o documento como 13. 11i.ico.de modo inequívoco.dc.aLv.. Proêmio.ia Isabel.. . don Cristóbal Colón. I . No dia seguinte. " O erro nos anos. a opinião sem ter conheci- encontradas de acordo nova por Colombo.()I\('(~- ao imperador Dom Carlos. Primeira Parte.m&r:l I ocl-a--e-s-ta-€l*tr. scrrí indispensável mamar que leve COIlS- que não requeria prova nem justificação.

.rLlcill. Para resolver este con- flito. 1535. I-li5!Oria general de Ias Indias. quisesse assegurar que o verdadeiro :I) 1\ explicação tradicional de como OC()I"f('\1 o d(. explica.. como se verá .rra~dinário' feit~lõtõ an~i1imo O'l~ :l[\ônimo com as opiniões deJlomens dou tos acerca do Que diziam s antigos sohre "0111"["1$ terras. ninguém estaria de acordo a duvidoso. precisamente.Cgulldodescobridor.1ade t]Q. porque a ele se deve identificou como um texto de Aristóteles.'. 151as y Tierra·Finne de! Mar Oceâno. e uma terceira que soube encontrar a solução ao dilema.. vamos examinar em seguida ser.Jall. vão sustentar que d:\s Índias. b) o. 16.í se irá vislumbrando a dificuld"di' imlneut«.. ocultar aquela opinião.além disso. é a Colombo que corresponde a glória do descobrimento coloca Ovícdo (' todos aqueles que. através da leitura dessas obras..xisli'ucia revelo". I-li5!Oria general y naU/ml de Ias India5._p.a..o único problema que resta~a~era a quem que.clás_sicos. sabedor de que tais as tentativas que se fizeram para superá-Ia. Zaragoza. informado UisLOrja general) natural de Ias llLdi(ls. 34 EDMUNDO O'GORMAN A lNVENt. c) Çolombo. seu descobridor foi o professor. Ovicdo.-pür:talllo.u:as-.. Assim. ( esse. 1552-53.elo sucessivas que integram um processo lógico e que. sem dúvida. como as Índias. sabia o que ia encontrar achado.~('()IHIII\('I\I(\ descobridor do texto havia sido o zelador do arquivo e que a ele da América é insatisfatória. Francisco Lópcz dc Gomara. de etapa do processo. pois foi I.s.pode crcr (' qlle tenha conCroniadQ Q relato do piloto atribuir .uiclo não (01' mais possivel continuar lnformacão do piloto anônimo. Hi5!Oria. arnbas insuficientes pelo que se verá em seguida.:)[evisivel.i~ fOi? piloto anônimo.e. 2. Assim.c. acabara fatalmente por levar ao absurdo a idéia do descobrimento da América. Colombo inteirou-se de sua existência e de seu olocada dessa forma a questão. Com efeito.~AO nA AMI"l\ICA um texto de Aristóteles. b) A razão é que. independentemente de ter recebido ou não a Colornbo (oi o <kscobridor da América.terras ruja. porque o rcIal piloto anônimo é verdadeiro.CLS.f. rcye consci{'ncia do ser dessas terras. A Primeira Parte foi publicada em Sevilha. isto é. pOJ'C[IH" conforme dissemos.16 oportunamente. O conjunto desses esforços constitui a primeira gran- 15. não se apresentará de imediato. não sJo senão as Hespérides de Que tanta mencão fazem os cscrírorcs antigos.17 Eis a tese: IV a) A exp.l~ I':I~11 II'~(': a respeito do acontecimento. a conseqüência fundamental da "len- da" (oi. depois dele. disse Oviedo. liistoria general de Ias India. ou para falar em termos de nosso exemplo. dcsrouhcccndo o que em realidade pensou Colombo do seu c) Mas como? Colombo._é-. )(istência das terras qllc enconr[QlLCJ. ..a. o caso em que se nngcm. desde que propõs a viagem. Pruucíra tcntativa' Ovicdo ele quem teve consciência do que era. lcscobriu .r:ica. Primeira Pane. qu.licacão tradicional é satisfatória. Trata-se de três teorias ICITasexistiaJll C do qlle efi)))) e talyez Cor\j!\Ccido.se. Colombo sou~ue eram as.pena5. li.li~. mentais.. Vamos examiná-Ia em seus passos funda. se alguém.mundos.~0~ um continente até então não só imprcvis- tç>como 11l!J. O ao zelador que encontrou o papiro ou ao pesquisador que o primeiro e verdade... I~~lacrise. precisamente. Segunda tentativa: Gomara. i-iv. houve duas tentativas iniciais.de. ]. 17. Mas supondo que seja certa a intervenção dPSI(' 11('11>0 não ser que mostrasse que teve consciência do que havia encon- trado naquele depósito. a CristóY\io Colombo. porque o relato do piloto 1I11(\1\11I\(1 (' cabia a fama científica do encontro.j. Ovicdo. G1bJ-ilosoL-pensar Que Colombo haja constatado a Uma vez lancada a idéia de que o gue havia sido descoberto. c:ra a 8Il)é.

lo'c-já_o. Assim diz expressamente Ovicdo. foi a compr~vação en~pírica de sua sustenta a idéia' de que se-.. como pretendem alguns.I.igL1{WldQ. respectivos acertos das teses precedentes. que até então haviam permanecido totalmente ignoradas... Terceira tentativa: rernando Colombo.Q asiática. parte do dida_elu... entre outros. revelou.t I(\('jl\ dl'!ll 11' 1\ Ildd('II~(' consegue resolver satisfatoriamente o problema.nG. Com efeito. na célebre biografia que escreveu de seu famoso pai. trata de terras. teve Colombo para convencer-se da existência das terras que saiu Hernanrlo. por 1111\1\ 1(I'lIilll cujo descobrimento se lhe atribui.Íacm .2 se atribui não corresponde ao ato que se diz tenha sido realizado.o.lllln(.fSCO (ll. . Este é o sem ido das três causas que Dom remando alega para mostrar os motivos 20. e mostrar que tenlla-aG. e não o menor. bridor Estas reflexões mostram que a solução teria que combinar os iIid iSGut. ele mcsm quer Oviedo." cida. .L492_. remando Coloiubo.. mas 3.i}lleeram. f) Deste modo. n.I.. 19.c.. evitando suas falhas. reconhece o que deve ser atribuído ao descobridor. que alguém lhe tenha Dom Fernando acompanhou Colombo em sua quarta viagern.. portanto. por sua vez. dosreis para lcvá-los a patrocinar a cmprcsa. que C2.flGr:q.o de regiões conhecidas embora esqueci- f Em arnbas as teses. Isto é.LU. 1571. colo_cmulqllc.. A de Oviedo. porque encOnLrou em 1492. ao mostrar sua existê~cia..>1110 hipótese científica. Vida. foi o bibliófilo e hurnanista 90m Fernand. conforme muito. devida unicamente a seu talento. Colombo mostrou. VI·IX. continente . 22. ao que parece._lJii. . padece de defeito contrário: ql~e Colornbo tivesse tido. Ulloa.e~e-r-a. soube da existência das terras por muitos e óbvios motivos e.._CoIDmhoj.du- 18. 36 EDMUNDO O'OORMAN A INVHN<:Ao I1AAMi''i(lCA 7 (belo not leias delas e (ais lIC tcuhn lido SI1!lI\' \.xonfcnnc quer Oviedo. teve essa cxt mordi- __ J~_ __ ' Hespéridcs. ao identificar-se a América com as de sua erudicão e de suas observacões. constata-se que nenhuma b) O quc ocorreu é quc Colombo teve .cica.'8 1I1llig Se considerarmos estas duas teses. j:1 11:10 Si' I r. deixa de O ser porque. Quem conseguiu conciliar extremos.U Vejamos como e a que preço conseguiu Iazê-lo.Q.. A obra somente nos chegou na tradução para o italiano de Alfonso de a descobrir. snbcnd o descobridor t~ve consciência prévia de que existiam.poroutro in(crência decorrente de seus amplos conhecimentos ci(. antes de Colombo.2~spertar a cobiça Colombo..lomb terras objeto do descobrimento. Primeira Parte. algo cuja existê!1Cia Iossc desconhe. Viria dei Almirante don Cristóbal Colón escrita por su hijo Dan que. ~ nhccia.que se tratava de um continente diferente. 21. Gomara. portanto. Dom Fernando não só aproveita a ocultação que existia a respeito das verdadeiras opiniões de seu pai.'? • d) A emru:esa de 1492 não foi a confirmaçillu:le uma notícia A tese de Górnara. como então \'eye Colombo I(k'!n (h· (1111' Colombo aparece comotendo consciência do ser específico das terras existia] Ele a teve. é lógico supor esse conhecimento a) Ningucrn. o ato que das. VI. Fcrnando Colombo.un de. o requisito po!:. iii. como o fez Gomara. Teria que ser rnantida a idéia de que se ignorava a existência das mas isso não significa. pois é indiscutível que ele as conhecia. porque c) Mas se era ignorado. em troca.~ falso.uucurc dealgo esquecido ou perdido. Historia general. Com a viagem empreen- . cuja existência se desco. mas porque dessa maneira conseguil. XIII e XIV. Il.~llãosó por sua relativa Rroximidade da Índi:\ ( tão incompatíveis. mas nu-r. hipótese. segundo de..! .:oo.Í-~-Ld~. Europa teria gue existir um contincnte :lt(\ ('I \I :10 IIP IIlI'IIl!O. ainda que por motivos opostos. é da. mas não se verifica.i-tado ter chegado à Ásia.iria idéia C5.Ç!. Veneza.k. Q. a existência de um lcscobridor da consciência dO. Historia.porra nJ9.A explicação é que. lbid.2o Eis a tese: indício que revelava a verdade daquelas opiniões. certo.(l~1 lado. e) Esse continente é conhecido então pelo nome de "Índias".In~ ('111 livros o conhecimento das Índias. se~ndo Dom Fernando. também provoca-a dclíbcradarnente ao dar uma falsa explicação do Vida dei almirante..sabja. Mas o dcscobrirnenjo.

25.isc possa 1\\:11)1('1' oculta. e I3ataíllon e O'Gorman. somente desde Até aqui. 'eu uma parte ignorada da Terra. Essa sa a que Las Casas denominou "façanha divina". reproduzir a argumentação de Dom Fcrnando. 1 )i·~t:' idéias de Colombo não se deve mais a um mero ceticismo. levando. Ibill.ê" e) Mas o decisivo nessa maneira de proceder foi que Lrs Casas. Segunda Parte. por hipótese científica.:Ao 11AAMi"I\I(:A 19 . I3artolomeu de Ias Casas. porque se é certo fundo porque. que nela cão divina. a q\WIIl 1 )('(114 dploll Muito bem. mas. p. a existência do continente das Índias. se encontrou n solução adequada. cuja intervenção será . verifica-se que esta tese. 8.n idea dei descubrirniento. isto é. o processo à segunda etapa de seu desenvolvimento. I. Historia de Ias Inelias. rante a qual. causa a le Oviedo. íi. a América. na circunstância de que se Por esse motivo não cabe aqui ocuparmo-nos dela.25 incongruências. está claro. 69. não tratou de ocultar o 23. meu livro L. I'~ele se concluir.n idea dei descubrirniento. na qual a ocultação das [c todas as qualidades necessárias para realizar a (. . o vemos juntar. Vida. Assim. na afirmação de que se conhe- um novo passo. explica porque mudança é devida ao padre Las Casas. tão duramente censuradas por Dom Fernando. pois. o significado do descobrimento que a lese de Gomara continuou tendo muitos adeptos importan.ldr te~sa_ O Ics. Historia de Ias Indias. agindo com liberdade dentro da esfera do inundo 11111\I 11I1. não por rcveln- dois requisitos do probicmn. sim a um çalclllado desejo de cscondcdas. sem se preocupar com as inevitáveis Bartolomeu de Las Casas.P b) ssse homem foi Cristóvão Cololllbo. X. para Las Casas. ií e v. 2. 24. Sobre este particular. nota 15. Ibill. a "lenda" do piloto anônimo e até ateoria das Hcspérklcs história: Deus é a causa mediara e -eHciente e011õinem. Publicada pela primeira 7. D(~~de então por outro lado. a opinião de CaLQmbo sobre seu gada por Dom Fcrnando.cír. por que a solução tão equivocadamente luz evangélica. os chamados versos proíóriros de a) A premissa fundamental é a concepção providencialista da Sõncca. vi· xvi. Dos concepciones sobre Ia tarea histórica. mas maneira. portanto x. mas diferem no anônimo c Colombo ficou definida a favor deste. Vamos exami. possuidor dos documentos do almirante.76.:1111111. op.\(. numa heterogênea e indi~(~SI:l mescla. sempre acostumado a acumular razões. vez em Madri. LIS Casas acrescentou tantos 1\\01 ivos v quantos lhe ocorreram para explicar como Colombo pôde s:dwr que existiam as Índias e assim. o mito da Atlãntida. mas. proposta por Dom Fernando entrou em crise. a rivalidade entre o piloto c) Formalmente as duas teses são quase iguais.('SCOhl'illH'llln<111 1\ I 1\(\ I'i ('11 (\ o absoluta e inteiramente convencido de que todos os litorais que urnprjnjcnto de um desígnio divino.t? achado. Para uma discussão mais ampla sobre esta maneira de entender a obra de Fernando Colombo. L1S Casas acompanha de perto a argumentação ernprc- qüe. desse d) Esta diferença ideológica a respeito do significado da empre- modo. o U. veja-se meu livro L. depois de certa vacilação na terceira. gravita exclusivamente em torno de SilO finalidi. 1875.26 dúbia tese de Dom Fernando Colombo. tão cuidadosamente formulada para não denunciar o verdadeiro propósito que animnm olornbo. não se limitou i\ estudada em seguida. I. Esta é a tão mal compreendida e escolhido para esse fim. por outro lado. mas sim um leve abalo na inércia tradicionalista. o almirante ficou imediata e instrumental. trata de terras habitadas por homens ainda não iluminados pela nar. Também Fcrnando Colornbo. I. Com efeito.ste. Ibill. consegue conciliar os olornbo conseguiu intuir. I'l'illizlldn !lI\! 1111\ 1101\\('111 havia explorado eram da Ásia. IV. 1527-60. 38 EDMUNDO O'GORMAN A INVHN(.24 (~ igualmente correto que semelhante atitude não representa essencial não se fundamenta. 6.

..0 0·' (. hasta entonces tan incógnitos. ]bi(l. Também L1s Casas.ho irre[utÚve! a verdade do objetivo asiático em virtude dos objetivos e convicções pessoais que animaram sua da~v. p. deve ser dito que foi Cristóvão Colornbo.p...'ador su fin. por sua vez. I.Çndg sua viagem de 1492 razão é sempre a mesma: tal circunstância carece de verdadeiro e s~fessa sua crença em tê-Io realizado.~. desvincula-a de suas premissas histórico- deixar claro é que Deus lhe inspirou o desejo de fazer a viagem e temporais e.40 EDMUNDO O'GORMAN A INVENCÃO DA AMÚRICA 41 objetivo asiático Que. intervenção de Las Casas do ponto de vista de nosso problema? mente as intenções divinas. Meu livro.incua es a tierws tan remotas y reinos.r~~7. depois disso já não será significado.ra.. '. " Jesllcristo". 145-6. a Nuestm Sal.12 importância verdadeira... entender as muitas incoerências que._c. t:l~~::o ciência geográfica.e.:(!-7 l' regiões da Terra. confir. wanto los tiem/Jos y edad dei mundo más pmj.$'''''' considera iminente.}~de. Colornbo teve que cumprir fatal. '-.iag€J. podem ocorrer mar uma hipótese ou chegar ü Ásia . que Las Casas VI \. quaisquer que tenham sido .". primem que abrió Ias /mertas de este mar oceáno.•. 146. por Las Casas.~J\.~. p. ii. portanto. . a ponto de se tornar difícil. asiáticas? O que importa o que Colombo ou qualquer outro pense entraem çrise a primeira grande etapa do processo c se inicia. ::\sSi!21.P A propósito gue teve Colombo ao emp!:. precisar o que a esse respeito diz L1. . "". mas não p. h)$:. na rea1idad.\.llF!L9cultando plena e cabalmente esse propósito e fragmento da Ilha Atlãntida. Veja-se meu livro La idea dei descubrimiento..ua_\[iagemnem a o que foi que descobriu. mas sim o oculto r." '·rle.. Tratemos de explicitá-lo.para com- realizar a transccndcntal façanha. mas como instrumento eleito pela Providência para enapresa.uninho f) A razão é que. • . 152 -3.f1r.JllOli.lil.$temk!Q.o significado da empresa não na atenta leitura de sua obra. Pelo contrá- do ser específico das terras encontradas. . Mas isto não quer dizer que careça de importância. repletas de povos aos quais é urgente pregar a '~"(\ 1.Ç. çonscqücnrcmcnrc.!J_~.~~ \\!'l! I~.\. Para L\~ Casas.ecisJLab.'. h) Portanto. Que importa se se trata das Hespérides..Q!.. COlll a intervenção de Las Casas... i. I-listoria. Se há necessidade de se precisar 32. independentemente das suas pessoais.D '. .undamenral d~senv_ol~m~. encontrar regiões esquecidas. do Novo Mundo ou de regiões essa~çX~!lça. de um possível con. a esse respeito? Deus não pode ter interesse nos progressos da a possibilidade de um novo e fl. avanço no desenvolvimento do processo que estamos reconstruin- g) A mesma indiferença existe no que diz respeito ao problema do. I.alellte~c.\ palavra revelada e conceder-lhos a oportunidade do benefício dos .J. A este respeito expressa- 29. qual é o sentido da depende disso. O que interessa dental da esfera religiosa.J'. se se há de dizer realmente quem foi o descobridor ~de se pensar que. deve-se dizer que não [01'11111tais ou quais conviccão de tê-Io alcan~ regiões geograficamente determinadas.1A. mente afirma Las Casas que a façanha de Colombo consistiu em ter sido ele "el 30. em si mesma não representa nenhum para esse fim qualquer explicação é boa. Esta é a tese de Bartolomeu de Las Casas e é esta a 1l1:IIWirack confirmar uma informação.s Casas.'.desccliridora de lerras toralraente.o.Igncradas •.•_ fi:' sacramentos antes que ocorra o fim do mundo.. como na Hiscoria de Las Casas admite-se e 12rova-sequal foi o senão impossível. Á/Jologética historia.':~~\)~i.9-2. porque. rio. XXII. ]-]istoria.. Mas então. a partir do momento em que se tornou da América. dada a perspectiva transcendentalista adotada por onde chegaria Cristo àqueles numerosos c esquecidos povos. por onde entró y él meud a estas 31.HndQnar a idéia de nela ver uma empresa. L1s Casas. os objetivos pessoais de Colombo carecem de para colher entre eles o místico fruto da salvação l~lel'llll. O importante é que Colornbo abriu o acesso a baseia-se para nós seu significado decisivo. -' t . de maucirn <")lIC clctc nninar o que Colornbo queria fazer e o que Tal tese remete o significado da empresa ao plano transcen- acreditou ter [cito é inteiramente secundário.u~s. Ln idea de! deswbrimienw.<i..

porque só assim. dGScohriLullLcolltinentc_dcsconhecido. j.Lalollloo tivera consciêJ1Cia de g~e. não poderia ser outra liavia jido cQn. a tática não podia se sustentar indefinidamente. A a orientação geral deste novo relato. Al)(lmlO. conforme dOClIIlWII- de 1492 não foi senão a maneira de cornprová-la. conforme sabemos.-'0 achasse o. é uma primeira tentativa de superar a crise. ~I' ~I" 1111. apesar e a despeito de se saber Colornbo.)) que chegar o momento em que se admitiria o objetivo asiático da empresa.u:.ocorreu: uma tentativa de ligar a Europa ~a Ásia d) Foi assim. desd(' que seus propósitos foram outros. foi publicada em Madri.111l1i1 inicial. tarn dois autores. se compreenderia por a) Em termos gerais. Fr.isto édlue na primeira viagem. havia inferido por hipótese científica. para senão tentativas de conciliar a tese de Dom Fernando com os dados auiluiir . A primeira edição. e chr1i:. o) Mas.:\i'l (. encontrava esse desconhecido continente. com toda a evidência. VI.!r . Colomlx: (1111111111'1111' que plit1I' 1'Il1I\- la. era illeciso sustentar que ele proporcionados por Las Casas. portanto.. Trata-se de uma longa introclução Cr6nica à Ias islas y Tierra Firme dd Mar Oceríno. graças a uma hipótese científica.xistiam asiáticas.a. 35. Aparato para Ia inleligencia de 1(/ C1ón/clI setálu:a de Ia Sanla l'rot'íncia de S(m Pedra y San Pablo de MicltoaclÍn de e~la Nllrllfl 33. também foi publicada em Madri. nuando. a conseqüência a que se provar sua hipótese I'\'HI" 111.roYQLLSuaJÜpótese.ColOlnho o descobrimento. agora.J:cLcüdo_col1tinentc. consciência do que rcvclava. llisloria general ele los hechos de [os castellanos en Espwia. e a viagem Esse momento se apresentou anos mais tarde.. deswbrillliento. Último terço do século XVIII.. veja-se meu livro I II ItI"" d"l do. é de 1826. diferentemente de DomIcmaudc.lS encontradas.Eça tal. que contém as quatro de Michoacân do mesmo autor.J-Ierrcra afirma U!lÇ" scm cxplicar como ncm por Quê. cujos textos vamos considerar em seguida. . conti. a mesma situação lógica.por Las Casas. a Segunda Parte.) Á~i. I~a quadro Décadas finais.dc. Pondera-se. p. com a Crónica. do Oceano Pacífico. 1\I\I0l\io de I lerrera y Tordesillas.nte -. lonl-0o-ccrtificou-:sc_de_s_e_lLeXLo_ao ter notícia certa da existência 34. I 932. ES na quarta e última.s-Lndias íAIMriQ!). edição que utilizamos. 1601. Pablo ele Ia Conccpción Bcaumonr. vamos dedicar este item ao o início. Pam clc.iLÁsia. Herrcra altera dclibcradamcnu estudo dos esforços que se fizeram para resolvê-Ia.. isto é. com efeito.1".. 36.). a primeiras Décadas. condiciona todo esse processo. Herrcra se atem à argumentação de Dom que Colornbo se convenceu de que as regiões encontradas eram Fernando.!!!Q. seu objetivo. por outro lado.. 42 EDMUNDO O'GORMAN 4 prccndê-la co. Com isto (ica demonstrado que. ('. portanto. 1615. pois.:lQ. de mnncirn '1\11' 111'111'1'1\ deveria chegar se não tivesse existido o impedimento lógico da a ele o descobrimento da América.díanre da neces- 2. Para um cotejo entre os dois textos.~6 sidade de fel" em conta cs.Qcin.acrcditou teu:lli:gado à Ásia. A esse resQeito. 2. o problema de como atribuir a Colombo o uma vez que só acrescenta na interpretação a circunstância dl' '1\1(' descobrimento da América. A Primeira Parte. mas.ê" bridor de terras desconhecidas havia ficado como coisa evidente. Para uma exposição detalhada da tese de Hcrrcra. Com efeito.1 premissa que.Ii~lh. a) A empresa (ora motivada por dois possíveis ohklivlls: ccu. c) O engano no qual incorreu o almirante persistiu ao longo da segunda e da terceira explorações. Las décadas. que não serão O qill:afinna L1S Casas. mais incompleta.dados rczclados. Teria 1. devidamente aos acontecimentos denunciados pelo padre I. México.citOÓ'j do ser cspçcifico das tefli. 176-7. lbiel.quc liavia çbegado. que comem as edição completa. tese. Hcrrcra. I3eaUIllOl1t.\~Il 11. pois..s. Colo~lbo se convcn..s. mas não que fosse eSle. sem dificuldade. ('01110 11111"11'111 Ii'w a saber: que a interpretação daquela viagem como um ato desco.do SIlI. Archivo General de Ia Nación.r:ota do. que esta lese não COIll'l'H\lI'1I11'11I11'1 Em razão .disso permaneceu.. cuja rXiSIC!~\('iaCIlI(Hllho Colcuiho n. circunstância que naturalmente Herrcra não pôde explicar.comp. a.\ <tI 11'111111 1I1l111I1th. Terceira Pane.c.\..M.

.ã.!a consistiu o projeto de Colombo. o grande anseio da Europa era abrir uma comunicação como base para poder atribuir a Colornbo o descobrimento da marítima com o remoto Oriente..de. que havia encontrado o continente remando ainda se mantém.1iualidades.. mas se em direção ao ocidente teria necessariamente que encontrar terra. C. o equívoco c por isso. com certeza. desde o início.-Âssitn. afirma. Robcrrson.IóRria condi<2Q. por conseguinte. 44 EDMUNDO O'GORMAN /\ INVEN(. . .na J2.xhcgar à.da s di Las. desCllbrirniento. trata-se ainda hi potc:.s dados tevelaslos por bs Casas. veja meu livro ta idea del 38..ciccunstâucías.. Na segunda inconseqüência. Ásia. 2 A.o. . mas sempre com a reserva de que inlvez Esta maneira de entender a empresa e de atribuir o descobri.-o. Robertson passa a explicar em que de . mas inundo por hipótese científica. obtém os meios pai':! ('11'1'1('('11' pese seu equívoco anterior.apresenta sulcando O_OC('.!:ica. está na Ásia... Londres.Rolxrrson não apenas posmlo O ol~elivo Ia-se a empresa de Colombo../ cQDla. de um compromisso Iundado na solução de Dom Femando.para entender o acontecimento. e jsto é decisiYQ...de~ej.. veja-se meu livro ta idea del descubrimiento.-viagens. tem motivos científicos para suspeitar. Mas Colombo estava em dúvida a respeito do que seriam as regiões Neste momento. mas na terceira exp-Ioração-hODstataque havia chegado tem razões para acreditar que iria chegar a plllill~ 11.Clu. 2 B. explica Robertson. acabou por comprovar a hipótese inicial.!.. passa a um segundo 37. de uma inexplicável asíáricc.h isto ricas . De d) Ao achar terra.. ao ladQ do entanto. mas a a) O autor inicia sua exposição descrevendo o horizonte diferença implica um manifesto progresso para a crise definitiva da histórico que serve de Iundo para a sua tese.. 39. ao comprovar Um:Ldt!-s_&uasfinalidades da em12resa~~ plena consciência do 3. pois. em que c) Quando Colombo.F der a travessia. Terceira Pane. imaginou que podia descobrir..das...e.. VII.lormulado viagem. Com efeito..P A tese tem uma óbvia semelhança com a anterior.óhü<1-de.Colombo. foi batizada com o nome de Índias.chcgou.\I\O dl'l'idi· damente em busca da Ásia.-Colombo crê que que encontraria um continente descolllH'cido.~AO 1)/\ /\tvtl':I(J( :/\ " b) Durante a priJIlcira. por fim.ODverteu .p.ccaic. o modo de nela introduzir. no mo finalid. mas já íoi dado o passo que acabará desconhecido que.nlw .. IIHI~11 dllVidil (' II início~ própria essência do projeto. Por isso..e. Não se trata.j-ªnão se admit:e somente p<:..ca-a façanha do progresso científico do espírito humano. 1777.rcs. Sigamos a trajetória deste inevitável desenlace.à Ásia fato. A esta preocupação geral vincu. mas agora sem Mas o almirante não abandona a dúvida inicial.~inda gue secundário. o continente que havia intuklo mento a Colombo é muito semelhante à de Herrera. sem alterar sua essência. atravessado no caminho. . ÇQlombo l' pois o descobridor da América pcrqun. não consegue desfazer até a terceira viagem.:gle da~ll!presa. suspeita de que tenha incorrido em um equívoco que.. exlili. encontre.a. No final do século velha solução de Dom remando a qual. que navegando exigêncÍ<Lde dar raz. é o mesmo que adotou I-Ierrera . IIIII~. Robertson.-que quis encontrar desde o inclina-se mais por esta última possibilidade. é uma considera a principal Alhn do mais. Colombo convence-se de que. Para urna exposição detalhada da lese de l3eauIllont. no entanto. de Colombo. VII.. Rcgísrrcesc.senão gue a ou extravagante ocorrência nem de uma inspiração divina. Terceira Parte.d<L.n. Pensou.38 que havia rcvclado.. The histary af america.quc .. trai a respeito da situação que tornou possível a crença no relato do piloto anônimo. o objetivo de descobrir um continente ignorado. Foi então o.ag. ( :Ololll!lo a praias.1:11 ir:I'>. opera-se uma mudança diarne- que podia achar. c) Foi assim que Colombo descobriu a América.. Para urna exposição detalhada da lese de Robertson. por arruiná-Ia. William Robcrtsou. A tese de Dom quando soube. The History af America.bjelivo de descobrir um continente desço!JhççLdo. pOI (11111() lado.n~nte.uuaa.". ainda subsist XV.<LSeg:unda. porque o objetivo asiático_j~ap-arcc..do. pois. afirma.continente desconhecide.o b) Situada assim a empresa..\ América..

Navarrete admite que.ltoria de Ia lIlarina castellaTla y de 10.42 1.~alll. pois.. assim.de_q. A grandeza da façanha. pelo qual se vinha atribuindo até então o descobrimento a Colem- bo." A crise sobreveio. da América por um Colornbo consciente do que fazia. Como e por do padre l. . que era fértil e. continuava a ser-lhe atribuído. pois. Colornbo chegou a concluir que "havia terra não descoberta na parte ocidental do oceano. Não obstante isso. Colombo acreditou que as terras por ele exploradas perten- ciam à Ásia. a dificuldade de se atribuir a Colombo um ato de raassa. Navarrcte..cado. cuja natureza não teve. diferentemente de Robcrison I' dll«(lJ('k~ <lU(' 0111111'('('" poder responsabilizar Colombo por um descobrimento que. Dessa maneira. até a sua a segunda grande etapa do processo.. mas com o objetivo de b) Mas. porque. 1825. Vejamos o que disse. em que culminou a idéia do descobrimento intencional Índias pelo rumo do ocidente. definitivamente sua culrninação. lbid. no entanto. que hicieron flor lIlflr Ias espwloIes desde fines dei siglo XV. explicada e justificada como uma das tentativas para satisfazer o b) Para determinar em que consistiu o projeto de Colombo. então. Foi o próprio remández de Para esclarecer o enigma. 1828. Madri. 2. Era inevitável. registrou com nitidez o (ato. Martín rernündez de Navarrete.Eis aqui o problema constitutivo desta segunda etapa. diz < . d) De acordo com o exposto.4o a) Uma vez mais.ÇQrnQI. diz. a empresa é explicada em termos do anseio a) À semelhança de Robertson. Irving. Irving examina a tese de 00111 Fcrnando. com o achado de 1492. vamos examinar os textos pertinentes. a menor idéia. COTl I'(lrios dowmentos inéditos concerniemes a Ia IlÍ. mas ao mesmo tempo conclui que. morte. bulias. já nada se diz da famosa e su It'~~'qlll' consistirá no abandono definitivo dessa pretensão.. que requer do a~~~iêDçia do SItie realizª-. Irving. O próximo e inevitável passo c) Portanto.a. quando se Colombo havia elaborado sobre a exLstência de lH!ddn colocará. não se saberia a quem atribuir.. Marun Fcrnándcz de Navarrcrc.. anseio geral de estabelecer uma rota marítima com a Ásia. na Introdução da sua obra. Colcccióll. Inicia-se.1 I'iajes y descllbrimientos. traia-se deum ato havia projetado ir à Ásia.Les.37.Uell1. tornando-se patente não só que Colornbo quê? S~ conforme temos longamente expli. De acordo com ela.as Casas. Navarrcte que. Introdução. está.1 eswblecimientos es/)arloles en 41. deu a conhecer um novo mundo. cntjlo. cido de não ter realizado esse desejo. Life and Voyages of Co/umbus.llbo. que o responsabilizar Ç. I. explicavelmente. que era acessível... mas também que nunca estivera conven. Colombo realizou o inesperado e assombroso descobrimen- VII to da América. para Navarrete o projeto de Colomlx: \'OIlIlINtill 11111'11111< outro modo.. quando um erudito espa- nhol. divulgou numa coleção Vê-se bem: nesta tese já não resta o menor vestígio do motivo impressa os principais documentos relativos às viagens de Colorn. não se nrlH' li 11I< Id(\III~1/111' 11 Estamos no limiar de uma mudança decisiva: a tese de Dom inspiraram. sim. a empresa de Colornbo é pelo estabelecimento da comunicação marítima com a Ásia.exp.. ii. 40. ficavam superadas as ambigüidades no relato bo. na ousadia de buscar O Olll\lllhu pllnl 11 Fcrnando. 42. ColeccióTl de 10. Washington Irving. de deram. 46 EDMUNDO O'GORMAN A INVENCAo I)AAMI':RICA 47 plano não por mera atitude tradicional. com admiração universal.. nisso.ccurinenral. Lifc and voyages of columbus.eotese afirrna qu paulatino processo de revelação do objetivo asiático alcançasse ca-r:Gb-ia-dd. encontrou em Robertson um último baluarte.

xplould. erc. Cosmos.f Por isso.'llolIssllII c) Mas a Irving parece que a argumentação de Dom Fernando btida não transcendeu a esfera dos interesses palt indlll('~IIllqtll'l(. dentro do qual o acontecimento fica visceralmente achado físico. assim. não se acha claramente no projeto que d) No reluto das outras quatro viagens. mas passível de se averiguarem seus motivos. Trata-se. Paris. em virtude a) Este eminente pensador também situa a empresa dentro d de haver sido ele o primeiro a encontrar o continente americano. de acordo com a razão. XIV._a famosa hipótese de que Essas expedições. Irving não atribui à empresa o historiador que narrou a empresa admitindo. assinalar a conexão mas oferece também uma idéia do dcvir Sabemos com certeza que Irving não se atem à prioridade no histórico.Q1Qmbo_odescobrimento. apesar do equívoco em que Colomb mostrar <J. brimento propriamente dito da América. 46. 11I{'t:l da sua liberdade. b) Em termos gerais. v. I. Humboldt. Não se limita a mas uma atenta leitura da obra não autoriza semelhante conclusão. sentido correspondente. and lhe chain of deducliom here fumished.'ered some of lhe wild regiom of lhe Eas!. sem compromissos.-regiões da_Asi. além disso. de uma intervenção que considera óbvia. portanto. que estava habitada" . and had disco. meu livro La idea dei descubrimienlo. o admite ser esta a maneira pela qual Colornbo descobriu a América.olwl. não constituem. normandos a praias americanas. essai d'une descriplion physique du monde. que continue vigen- te a idéia de que. Examinemos o texto que esclarecerá o f) No entanto. lembre-se. he had accomplished ali Iha[ was necessnry 10 his [auie. Afirma que o argumento decisivo que no esquecimeuto. (' incxorável desenvolvimento do espírito humano em busca da 45. XVIII. durante a primeira metade do século XIX. "Un[il his las[ brealh he e1llerlained lhe idea [ha[ he had mere/y opened a new way [O lhe old resorrs of 0Pllle1ll commerce. é ambígua e padece de certo defeito lógico. 43. realizadas vários séculos antes. pois. even [hollgh a [tonuer island.f Irving desconhece. X.. I. ronsiste em crer que a história. pensa. Este é. Para Humboldt. o que Colombo quis fazer e o que pensou. he had achie"ed his enlerprises. mistério que rodeia a tese. 11111 dl'S('O' Colombo teria intuído a existência da América. pois reconhece como prováveis as expedições dos articulado e apenas em relação a este ganha seu verdadeiro sentido. Apêndice. Rc{crindo-se à a rgumcntação de Dom Fernando. prefere tirar povo e porque.43 isto~. " lbid. lHo I/)íl/. Desde o início e ao longo de todo o livro. IInta 1.IIC durante todo o tempo Colombo esteve convencido de incorreu ao pensar que havia visitado litorais da Ásia. Sua premissa fundamental. pois. p.f parece QlLeJrvillg atribui a C." lbid. outras finalidades da elemento de intencionalidade que não existe nas viagens normnu- empresa que não seja o objetivo asiático. a América foi descoberta. Não obstantecsta maneira tão explícita de admitir o que Esta é. ._eJ]l uma 12as~agem nunrdos apê!ldLc~s dp. 48 EDMUNDO O'GORMAN A INVENCÀO nA AMt'·llICA 4 finalmente." lbid. Apêndice. v.."? g) Ik!1J. . v. A essa haver c. . Para noticias bibliográficas. Alexandre von Humboldr.'ered. é um progressivo 44. 3. "When '€. porq\l(' 11 I'\'WIIlI. 47. lhe gteat problem of lhe ocean "'as sol"ed. I H66-67. I. os próprios normaudos logo 1\ 11111\'111"11111 suas próprias conclusões.L~ esclarece que __de jamais se nvcuccu do coritrário. ambiente e dos anseies da época em que ocorreu. diz: " . a tese de Washington Irving.. lbid. obra. com o achado de 1492. v. 1\0 ('lItullto. em sua essência. Irving não esclarece por que motivo entende enigma. o primeiro lombo quis e acreditou fazer. Cosmos. [hollgh not perhaps lhe most logical in us conca[ena[ion. 'ms disco. Irving esmera-se em :t motivou e que atua. em resumo. trata-se da concepção idealista da história 1:10 predominante. lbi(l. ~. sobretudo na Alemanha. 267. lhe world which lay beyond i[s Weslern Walers lil.w misteriosa intencioI~alidade deve-se.f induziu Colombo foi a idéia de que a Ásia era facilmente acessível h) Irving insinua que na empresa de 1492 concorre \1111 pelo ocidente.lblls fim IOllched a shore of lhe New World. das e que. por outra parte. entretanto.

a 1'II111preo seu papel de instrumento dos desígnios da história. respectivamente. humano. Hurnboldt compara o sentido que ai ribuído à sua pessoa. 50 EDMUNDO O'GORMAN A tNVENt. a empresa de Colornbo e as expedições íortuito. avanços dos g) Assim consideradas.lo-sc a possibilidade de completar. f) Do ponto de vista cronológico.rrbitrário e indiferente ao destino histórico do homem.I" Çolombo. 10 dcstino humano.. por sua motivação. )rtuit:Q~Otql(e o cousideI:a-l"tão-CO. vicários dos interesses da físico não é o significativo.'AO DA AMI'I\H ~A 51 essa busca fundamenta-se nos lentos. a própria essência da marcha 1492 foi apenas um rcdcscobrirnento. não é um aCOI1I('. por si só.. nsuauuenrc dos de"signi. de maneira vontades pessoais. segundo vimos. porque ao longo da 111('I1Lecultivado desde o alvorecer da humanidade. conhece como o descobrimento da América é que.lllü indivíduo mas com independentemente do seu conteúdo particularista. com o estudo das regiões . porque o achado de terras amcrirnun» dl'vl'-sl' 11111111111!lV(' respeito do cosmos. orrcspondc ao impulso de um cego fcnõrncuotclúrlro 1JIlIIli'll'l\l( de sua conduta futura e das relações sociais. . Colombo acreditou ter visitado terras asiáticas. é possível responsabilizar um homem por um ato cuja ptu:screm carentes de sentido. d) Acontece que. c) Mas o homem. empresa de Colornbo como descobrimento nem como pode S('J' e) À luz destas premissas. pois esse tinha sido j) O que faz da empresa colombiana o ato significativo que S o seu objetivo. as cxpedi.. e não por intervenção divina. implica um ato intencional. mas sim como instrumento das I ira. longa e penosa- que abriguem o propósito de alcançá-lo. . porque o mero achado 1'111regou à contemplação dos sábios.. nessa empresa. uma porção desconhecida do globo terrestre. Mas esta é uma maneira do homem em direção ao seu destino histórico. do com os desígnios da história. se o ato realizado por ele p'arece intencional c não ções com que o executou. Isto não significa que os indivíduos I imcnto fortuito. fiel à sua visão. elas não esclarecem por si sós o sentido concreto que 1('111 :I intenções imanentes à marcha histórica. Assim é possível e deve-se dizer i) Ainda que estas considerações bastem para explicar por <[\1(' que esse homem teve consciência do significado transcendental do "no é possível atribuir aos nonnandos o descobrimento ela ÂIl\('" seu ato. Não é um ato história vai se realizando. Se sabemos que não se trata de UIII alo tem.higória. Ú!lira verdade histórica dessas expedições e também o fato de que husc para conceder-lhe o título de descobridor. 'I\('l1tO. ainda não sabemos em quê consiste nem como COIOlld)() nonnandas do século XI. desde que sejam de natureza que. é . em compensação. abrin- partir da intencionalidade de ambos os atos. quem deve cumprir a finalidade imanente da história e trabalhar.'(Ws 1\(1I11111I\d:l~ ~Il() 11111f:llo conhecimentos científicos que. sua própria felicidade.s. é inevitável concluir que os n'alizou-se um desses progressos dos conhecimentos científicos em normandos foram os descobridores da América e que a viagem de q\l(' se fundamenta. independentemente dos anseies e das . do ponto ele ViSl1Idll 'H111 motivação.() 11111 absoluta da realidade.o. dentro dessa concepção teleológica do devir 11) Constata-se (]ue Humboldt. Foi assim qu superficial e falsa de considerar a questão. f. porque resulta de um projeto científico qu tenham necessariamente consciência desse suposto objetivo nem rorrcsponde ao impulso do trabalho intelectual. que. esteja de acor.da. em virtude das inten. de sorte que. É necessário examinar o problema a luunanidadc. base inalterável para estabelecer as normas . mas seguros.pu. A empresa de Colombo. Assim é significativo o que fazem os homens. acabarão por dar ao homem uma visão 'l'I{' foi lançada em direção a elas por umn 1('IIII1I'14llldl'. pode constituir um verdadeiro descobri- mas o que fazem enquanto instrumentos dos desígnios da história. os propósitos c as crenças pessoais significação transcende o sentido que tem. sem reservas. Para isso reconhece. assim. não como indivíduo. não constitui um descobrimento da América <[11('.h·(1niçào. ao ir conquistando a verdade a 1'1l<:\I:lI. desconsidera.

em que pese sua por serem historicamente inoperantes.. aparecimento dessa entidade. as bases. enfim.\~'. 52 EDMUNDO O'GORMAN A INVENCAo DA AM('RI(. Terceira Parte. porque em lugar nova da existência de tais regiões. embora possuísse um espírito inquie. esforça-se por transmitir lombo e a sua crença de os haver realizado. a razão decisiva é que Colombo -ialisrno cristão. De fato.A 5 tropicais da América. Irving. op. X. que Colombo tenha sido um sábio nem mesmo um recorrer ao arbítrio filosófico de postular. interesses da humanidade e de instrumento das intenções da \l1ll último recurso para manter a idéia do descobrimento da história. definitivarncntc. agora só nos resta ver como sobreveio a consiste. 1~1\l I rving encontramos um eco nítido da tese idealista explicitada tão magisiralmcn- li' por Humboldr. unicamente esfera leiga. se alça sobre Carnões e outros poetas da sua pela segunda vez. onde pousava o espírito da Com a tese teleológica que examinamos. a abertura desse novo campo de observação. pôde-se satisfazer a exigência de manter em vigor a velha como responsabilizar Colombo por tão grande façanha? Pode-se interpretação da empresa de 1492 e resolver o problema de atribuir realmente ai ribuir-lhc? Humboldt responde afirmativamente. porque foi possível assentar Eis aqui esclarecido o enigma que rodeava a 1('14(' (h. v. qu tosca linguagem. também por isso.'1i as bases inalteráveis de conhecimentos absolutos. adequada para noticiar à Europa. foi necessário " ali nua. não 1'0<1('ti'I' uenluunn sjHllillc. Por isso. Não. mostraram-se precários. Apesar da ameaça que significou o pleno reconhecimento d(l Humboldt é o evangclísta e o supremo pontífice. a visão científica da parte do cosmos que é para os quais era familiar.I . Jamais se cansa de contemplá-Ias de revelar como verdade histórica os propósitos pessoais de Co- e de extasiar-se com elas. ocultação necessária. na to que muito o distingue de um vulgar aventureiro. tão verdadeira. cit. Ia Ásia. 11 VIIl!(. Não a Colombo o ato do descobrimento. Foi assim. América. Colombo é o descobridor da explorado regiões da Ásia. acima das intenções mediano homem de ciência. por outro lado.-:. se por tli'/ dcswbrimien!O. Não houve.ira I rvclar o absurdo que implica semelhante maneira de explicar l) Nada disto acontece no caso das expedições dos normandos. o ato descobridor. pois. cabal e plenamente. uma intencionalidade imanente à história que. o progresso do espírito humano logo pôde e1ito. é a contra partida dos desígnios divinos do providen- atento ao proveito próprio. "a ciência do cosmos". Para isso. um dcscobrtuicuro pl'OprillllH'lltv longamente esperado. portanto. em que sua segunda trincheira. o processo recuou :'\ história. souberam apenas fundar uns estabelecimentos comerciais que. definitivamente. conforme a tese do padre Las Casas.5o alcançar a sua primeira culminância. propósitos de Colornbo e da sua idéia de haver explorado regkkll k) Mas se nisso se fundamentou o descobrimento da América. Com este enriquecimento. o poético vôo de seu entusiasmo foi a via para poder atribuir-lhe o descobrimento da América. como sabemos. ~---. bo desempenhou. em seus escritos. Foi assim que Colorn. Beneficiários de um achado fortuito.no Para uma exposição mais detalhada da tese de Humboldr. crise final quando.~ . América. da qual Alexandre von Eis aqui a solução que corresponde à segunda etapa do IlJi)(·(''lNO. T entar-se-á. Além do mais. se bem que de um modo mais sutil. XVIlI. presos ainda às ficções literárias de uma suposta natureza () objetivo asiático da empresa e a convicção que Colombo eleve I('J" arcaica e artificial.. veja-se meu livro LII idell exploradas não ofereciam um novo espetáculo da natureza. foi sensível à beleza do mundo tropical e soube anunciar a boa semelhante arbítrio produziu o efeito contrário.. p. individuais. veremos a segui r.. tornou-os sem efeito o entusiasmo que elas lhe provocam. acaso a notícia do achado ultrapassou o estreito círculo dos povos '. em virtude da dissolução do dogma idealista. 2. como as regiões setentrionais por eles '. seu papel de porta-voz dos ()i necessário renunciar ao seu apoio. da nova revelação. Mas agora. mas um recurso que serve apenas. ocultou-se época. diretamente acessível à observação.

encontrou uma ilha que acreditou pertencer a f) Explica. representativo. a viagem de Colombo pôde e. não era para ele senão um 52.5 Kant. a empresa sil1la-se no ambicnt« cln ('porn propósitos e das vontades individuais. Dir-se-ia que. na terceira viagem. o que' o desde os fins do século XIX. XXVII. Morison admite como repudiar o ilusório auxílio de todo o apriorismo metafisico por ser finalidade única da empresa o objetivo asiátíco. 40-!. pouco souberam até que ponto lhante projeto nada tinha de novo. além disso. como e por na unânime crença de que Colombo havia descoberto a América quê? quando. com o idealismo. I \:10 tenha tido jamais o propósito de encontrar o continente Para termos uma idéia da maneira pela 'qual se sustentou essa velha idéia.'. como denominou-o Colombo. em mostrar que. a ocorrência. aquela persuasão filosófica. situadas além da esfera dos a) Corno é de rotina.mento da comunicação ~n~at:. que a história era um processo em que fatalmente iam se cumprindo. p. 76. Coíombo sempre csicv ções pessoais dos indivíduos que deles participaram. em mci sentido dos acontecimentos históricos. numa passagem decisiva. Em decorrência das orientações Colombo não foi. Enquanto se pôde acreditar." mpiricamente não comprovável e ater-se.55 que fosse compreendida com o sentido que teve para ele. estabelm. os propósitos e as convic- às mais variadas hipóteses de detalhe. Morison. t1. mais adiante esclarece que I'. foi entrou em crise depois de haver alcançado o ápice. em 1492. 1784.ítin~acom . Preâmbulo. Mas quando orientais da Ásia.~I· "OUlrO mundo". manteve-se a interpretação tradicional Almirante realmente fez foi descobrir a América. em troca. mas o ter-se convencido de fixadas pelo positivismo científico. I. Mas. a verdade histórica deveria que era factível e a decisão de realizá-Ia. 1942- '" Ihl(1. tanto pela sua recente publicação.52 as intenções da Natureza.·•• ·I. historiadores se comprometeram a reconhecer. segundo a célebre fórmula samente os itinerários e esmera-se em identificar no mapa atual da de Ranke. havia chegado para a empresa de Colombo a hora de ncontrou terra em 1492. . O extraordinário no caso de ficavam desamparados e expostos. quase religiosa. p. Idea de !tna historia universal en sentido cosmopolita. convém. ou melhor dizendo. Kanr."hecido apêndice da Ásia. diz Morison. entre outros possíveis. Colornbo "admitiu ter "IIIOl1lrado um novo couunenre". Admiral of the ocean sea. Isto quer dizer que os América os lugares visitados por Colornbo. em particular. à observação c) Na narração das quatro viagens. I. mas escolhendo a rota do poente. inúmeras pesquisas que enriqueceram a historiografia colombiana Morison não tem nenhuma dúvida de que.s regi~es cxtrcmc conforme a concebeu Alexandre von Humboldt. 54 EDMUNDO O'GORMAN A INVENÇÃO DA AMÉRICA 55 VIII aplauso com que foi recebido e. Seme- ainda que os primeiros rebeldes. que embora Colornbo um arquipélago adjacente ao Japão. concretizar esse anseio. em verdade. como fonte do d) Morison empenha-se. verdade que Morison diz que. apesar das novas exigências metodológicas e das pessoais de Colornbo e da sua opinião a respeito do que havia feito. Mas o e) Apesar de um reconhecimento tão expresso das intenções certo é que. '. para cujo efeito vamos empregar o texto que. v. 2.onvencido de que havia chegado à Ásia desde a primeira vez qu finalmente. quanto pelo I\(mon. também. A lire of Christopher Columbus. . fixar a tese respectiva. o que" em realidade aconteceu". antes de tudo.\ S!lIllUcI Eliot Morison. relaciona-se com o desejo comum que huvln "do continuar a ser entendida como o descobrimento da América. o autor reconstrói minucio- dos fenômenos para poder reconstruir. VI. segundo 4. os historiadores. lbid VI. v. b) A idéia central que motivou Colombo. Admiral of the Ocean Sea. pois. parece '. pela scricdad pelo prestígio científico do seu au to r. lbid.

se for considerado em si mesmo. uma fuga. (Item IV) . isto é. segundo a entenderam e a entendem algumas doutrinas O essencial a respeito consiste em reconhecer que qualquer filosóficas. uma explora. mas sim necessariamente capaz de ter intenções. desde que o propósito que dá sentido ao ato proceda de uma intenção. a resposta que corresponde à terceira etapa do necessário. I. termina a reconstrução histórica que riamente capaz de realizá-Ia por si mesmo. como nicnte. no limite. Com ela. há muitos entes os quais podemos conceber . um acontecimento do qual. como Deus. momento em que fazemos isso. a tese do descobrimento casual. porque com essa intenção 56. um triângulo. p. pois que se pode VIIII'I' nos propusemos a fazer. segundo antecipamos. Mas o que é esse ato? Obviamente história da idéia de descobrimento da América-urna vez que se tra- pode ser muitas coisas diferentes: um passeio. portanto.illsi~lll'. o início de uma longa viagem ou.lllpn' (11. como as figuras geométricas.oisas quantas possam ser imaginadas. ter uma idéia clara do que isso significa. Para que o tenha. J. por casuali. e outros que são capazes do primeiro. a verdade . um ente capaz de tê-Ias: mas será absurda em caso contrário. para que possamos afirmar o que mar não quis que a Espanha invadisse a Inglaterra. à luz destas considerações.56 Isto parece claro e não há necessidade de nck. é necessário atribuir-lhe uma intenção ou um propósito. ou é metaforicamente. não lH'n'-:~I\' pesquisa. tantas outras Primeira etapa do processo: a interpretação consiste em afirmar lUC Colombo demonstrou que as terras que encontrou em 1492 eram um continente desconhecido. a um ato ao interpretá-lo. 1I('()J'do ('01\\ n é que descobriu a América inteiramente por acidente. antes de tudo. 56 EDMUNDO O'GORMAN A lNVENCAo DA AMljIUCi\ 7 americano nem tenha abrigado a suspeita de que existia. do contrário se incorrerá num absurdo. por exemplo. porqw' se contém 011 não um absurdo. um acontecimento sem ser Se o fazemos.e de fato se tem concebido . Vamos agora examinar essa tese para ver de outro. mesmo quando o agente que o realiza tenha essa capacidade. VI. ou então seja. por outro lado. os números ou os objetivos carece de sentido. podemos plausível mesmo quando o agente que o realiza seja incapaz de ter concluir que interpretar um ato é dotá-Ío de um ser ao atribuir-lhe intenções. A venera como verdade e que serviu de ponto de partida para esta intenção que se supõe deve-se atribuir a um agente. Exemplificando: vemos um homem sair de sua casa e dirigir-se a um bosque próximo. . pois.como IX capazes de vontades e de realizá-Ias por si mesmos. enfim. MII. A isto se chama uma interpretação. os homens. mas não do segundo. com efeito. o solou o mar. são certas entidades metafísicas. é um acontecimento que dos.~ (\ Eis aqui. que hoje se ensina e se de atribuir um sentido. portanto. Assim. intenção que se supõe naquele homem. é couve. 76. çlade. a Natureza ou a História Univer- sal. viagem de Colornbo de 1492. lbid. ver que essa possibilidnde qlll' lI'IlI()!-l processo. assim.ão científica. a interpretação de um ato pode ser possíveis. Mas o que não se pode conceber são os entes inanima- ato. s(. No cstarnos cxtrupolando.í que se trata de colocar à prova uma interpretação. um Ia de três maneiras diferentes de interpretar um mesmo ato: a reconhecimento levado a termo com fins lucrativos. podemos afirmar o que seja. uma mesa. tem um 1111111\'. os espíritos de além vida e mesmo os animais. o ato ganha sentido e podemos dizer o que éj concedemos-lhe um ser entre outros Fica claro que. v. realizou a viagem. como quando se diz qu determinado. os anjos. o processo da como um puro acontecimento. não materiais. Esse é o ato considerado em si mesmo Examinemos agora.

porque se é correto que nem ponto de vista de Colombo. mas que foi descoberta. (Item VIII) parecia tão suspeito. como faz a tese. não admite dúvida. continua a se dar ao ato o mesmo que Colombo descobriu por casualidade o continente americano sentido das teses anteriores. concebe-se como stranho que pareça. porque a intenção. o segredo e o absurdo desta tese. Como. essa era a illll'IH. de maneira que. desde o início. trata-se de unia interpretação admissível. isto é. não tapa. duas primeiras. (Item VIl) que indicamos e a tese fica a salvo por este motivo. Mas se assim é. sem a intenção de o fazer. a existência das terras q\l(' que Colornbo demonstrou que as terras por ele achadas em 1492 encontrou.:10com a qual realizou a viagem. a tese oferece uma séria dificuldade. ao executar o seu ato.()lllil1\'I\I(\desconhecido. como no caso anterior. obviamente. essa oculta intenção que dá a intenção que dá sentido ao ato interpretado de ser uma empresa o sentido de descobrimento à viagem de 1492? A resposta. Mas já sabemos que esta tese teve de ser necessário que o agente seja aquele que tem a inlclHii10 qUt' dl\ N('\I abandonada porque seu (uudarnento crnpírico mostrou-se doeu- mentalmente insustcntüvcl. conseqüentemente. Neste segundo caso. 58 EDMUNDO O'GORMAN A INVENCÃO DA AM t':I1. sem que haja mediação de qualquer intenção em verdade. porque já sabemos que pode agir como mero in1'II'UIIH'lIto de um desígnio que não seja o seu pessoal. todo ato imanente à História. o que em problema assim apresenta um duplo aspecto: primeiro. porque não r:\IO. a tese incorre num absurdo. esclare~e-se o que. entidade que se pode conceber como capaz de oferece três possibilidades. no caso. por descobridora fundarncnra-sc no próprio ato. embora. pois Terceira etapa do processo: a interpretação consiste em afirmar o continente americano não é. a intenção ficou vinculada como imanente à coisa que se diz por deficiência de Iundamcnto empírico. conhecendo-os. de maneira o objeto do ato. se tivermos pn'IWIII(' 1l!1(). ou seja. Com efeito. alguma coisa capaz de que Colombo demonstrou que as terras encontradas em 1492 ler intenções. nem teve idéia que o ato não foi intencional. apenas supondo que Colombo agiu como II isióriu. De uma interpretação. porque sem por haver deparado com umas terras que acreditou serem asiáticas. cumprindo um propósito alheio. o ato em si e ter intenções. o \CI' de urnas terras diferente do ser que ele lhcs atribuiu. evita-se a contradição ela existência do referido continente. cumpriu a intenção da ser. em realidade tenha que o do qlH' havia (eilo. casualidade. nos a respeito. gorque sua premissa teórica mostrou-se insustcnuivcl. de eram um (. a interpretação ainda é admissível. seria lícito afirmar. somos obrigados a concluir que. sentido. Em outras palavras. encontrado puramente por Estes são. constatamos que quando se afirma obstante negar-se a intenção. baseia-se numa pessoa. que se pode responsabilizar um Neste caso é óbvio que. Colomho Segunda etapa cio processo: a interpretação consiste em afirmar teria revelado. num ente capaz de Pode-se evitar a contradição. aquele requisito o ato não poderia ter o sentido que se lhe da. quando nos pedem que aceitemos que Colombo revelou o torna-se forçoso supor que a intenção existe apesar de negada. averiguar onde existe essa revelaram seu secreto e escondido ser quando Colombo deparou . eram um continente desconhecido. do ponto de vista dos requisitos de homem por algo que expressamente se admite que não fez. Como isto é impossível.ICA 59 Neste caso.~('I' tê-Ia e de realizá-Ia. que era a de que o homem haveria de ter conhecimento instrumento de uma intenção diversa da sua. segundo. porque Mas onde se fundamenta. isto é. como n-nlidadc nos estão pedindo é que aceitemos que essas terras conciliar essa contradição e. ou seja. porque rebaixou o limite admissivel a qualquer interpretação. isto é. já se ensaiaram e descartaram as que se utiliza de Colombo como de um instrumento para esse Iim. embora não de as realizar por si mesma. nesta terceira Mas sabemos que esta tese também teve de ser abandonada. então. descobridora. a saber: o sujeito do ato. que foi necessário supor para </\1(' O alo IHI<I(\$1'I' ter o intenção que dá ao ato interpretado o sentido de ser uma empresa sentido que se lhe atribui. por pouco que se pense. Desse modo.

3) Idcalismo transccndonml. em lugar de conceber a história como o resultado das interpretação. Essa história constitui. a intenção eSQ nos próprios atos. mais que assim se nos oferece a ocasião de penetrar até a rulz do como também o converte no dócil e cego instrumento. tlll)ft) serem inoperantes. por mas antes faz-se necessário examinar um último problcmn. x É óbvio que não vamos incorrer na ingenuidade de pretender que o mal provém de alguma deficiência mental dos historiadores A análise histórica da idéia do descobrimento da América que se encarregaram do desenvolvimento do processo.o que já é bastante esse que suscita a tese final do processo. mas de umas supostas Parece claro que nossas reflexões estarão incompletas. por que é concebida como o resultado de propósitos imanentes às coisas. isto sim. os propósitos e as opiniões pessoais de Colornbo. ao admitir isso. concebido como um processo de ordem Terceira. segundo acontece com o idealismo . melhor argumento para refutar. no lundo.\ no indivíduo.(111itiv:I. se nã intenções iman'cntes a lima coisa meramente Iisica. para qualquer ali seja. mas sem pretensões de verdade absoluta. t{\'llica: que as coisas estão dotadas. de uma prévia suposição na sua maneira lógicas. ao esgotar sucessivamente suas três únicas possibilidades tado. Provém. é o servo do devir histórico. isto é. predeterminado e Humanisll10 histórico: a intenção eSQ no homem. de que maneira grave . desde sempre. atropelamos o processo histórico e privamos o derivam. é necessário mostrar. como é possível supor um absurdo tão flagrante como racional. desde os gregos pelo menos. Primeira. . a quê se deve a idéia de que a América foi homem da j<iaté problemática liberdade que lhe concedia o idealis- descoberta. Agora é preciso extrair as COllSt'q(\(\llrlIIN. pois de outra rnanerra não se entende como pôde pois. i unltcr. isto é. Esta é a contradição que sustenta. algo per se. 5) nhjct ivo e em qualquer lugar.1 vclhíssima e venerável idéia de que as coisas apenas a situação liruitc a que leva o idealismo rranscendcnral. na História. 60 EDMUNDO O'GORMAN A INVENCÃO DA AMi':RICA 61 com elas. quem é o vilão que está por trás de toda esta história.mas é o escravo de não se sabe que processo mecânico dos pode ser concebida no continente americano a intenção ele revelar entes materiais inanimados. a intenção CSI:. isto é. o homem já não patentes os verdadeiros propósitos e as opiniões de Colombo. . Segunda. qual é a condição de possibilidade da própria 1110. ou para dizê-Ia de forma mais intenção dos atos humanos esta em Deus.ê? o seu ser. 57. urna reductio ab absurdum. referida interpretação contra a evidência empírica. de um ser fixo. . Nossa análise demonstra que se podc adorar a seguinte seqüência. do descobrimento casual do continente americano não só anula. o materialismo contemporâneo que é j:\ se terá adivinhado. Assim. 4) Materialismo transccndenrah a intenção eSQ no objeto. O absurdo desta tese torna-se patente no momento em que modo de querer explicar o aparecimento da AIIH\rirll 110 nlllhlto dll extraímos a necessária conseqüência. ele pensar que. não de uns mal que oprime todo o processo. uma das bases do pensamento filosófico do Ocidente. de maucirn dt.supostos desígnios do progresso histórico. condiciona todas :1S suas reflexões e que tem sido. fatalmente desemboca no absurdo. Agora. como explicar a insistência em manter a decisões circunstanciais tomadas pelos homens e por eles realizadas. nem de mostrou que cstarnos na presença de um processo interpretativo alguma diabólica maquinação que os tivesse perturbado e desorien- que. como esquema íundaruental são algo em si mesmas.ivcl. de tal sorte ((\1(' (·Ia llH'SIII:t(\ o acontecer a revelação que se diz ter acontecido. Mas está claro nos dermos conta das três questões fundamentais que delas que. Fazemos alusão. não foi abandonada a partir do momento em que se tornaram cega e f::ltalmente cumpridos pelos homens. Numa palavra. porque agora vemos que a idéia Cultura do Ocidente. pelo exame destas três questões. . 2) Humanismo transcendental. que as coisas estão feitas de do desenvolvimento histórico da filosofia da História: 1) Providencialismo: a acordo com um único tipo possível. como apriorismo fundamental.\(1\1('1\.

já nã palavras. mas cstamos convencidos de que. com os satélites sejam satélites. O Sol C a Llla t('1I1sido ~11('('-:sivlI- é o que tem sido sempre e o que sempre será. uma estrela-e um satélite. mas algo que se llics outorga ou atribui. respcctivarnen. uma coisa existente. por exemplo. mas são dois 1. l'tSIWrllv:llIlI'lItl'. por isso. o ser de estrela e de satélite. pura e simplcsrnentc. isto é. desses dois pedaços de matéria de matéria tem que ser concebido como a revelação ou o descobri- cósmica. o Sol e a Lua não são. apesar das ca e das suas conseqüências a respeito da maneira de conceber o líficuldades que essa explicação apresenta do ponto de vista da homem e seu mundo nos distanciaria demasiadamente do nosso hcrrnenêutica histórica. uma estrela e um s. que agora conhecemos como continente amerícano. a sua óbvio que o erro consiste em atribuir ao Sol e à Lua. pois. alguma de deixar de ser o que é para ser algo diferente. desde que existem. isso sempre. quando em realidade só o foi a partir do momento em da rcalidade vigente. a respeito da realidade. algo substan. para este absurdo de fundamentar a intenção que requer o ato descobridor fim.011111. para courinuur própria natureza. da natureza que faz agora dois planetas. ~ cial. se está sendo considerada uma época de vigência do sistema te. veja-se bem . mas. de tal sorte que. aquilo que faz com que as coisas sejam o com o mesmo exemplo. só porque essa imagem não é a vigente. O Sol C a Lua seriam. gcocêntrico do Universo. se bem que. Feitos estes esclarecimentos. lc um descobrimento e porque se insistiu nisso. Examinemos separada- situarmos historicamente na época da vigência científica do sistema mente estes três aspectos do problema. bastará voltar ao exemplo que acabamos de empregar. não são sequer isso. se lhes atribui dc acordo com a idéia <1"(\ SI\ u-ulm por wrdadl'ira num determinado momento. ambos são corpos conhecemos como continente americano foi. a grande Rcvolução Científica e Filosófica dos nossos processo histórico da idéia do descobrimento da América consiste dias ensinou que essa antiga maneira substancialista de conceber a realidade é insustentável. os quais. se se supõe que é isso em si ou-ele si. pela simples razão de que a existência e o ser que esteja alojado nelas. IWJII1111\ não a existência.das coisas é apenas o sentido ou a significação que se lhes atribui dentro do amplo marco da imagem sempre. algo misteriosa e visccrnlmcruc alojado nas coisas. O ser _ em referência a uma determinada imagem da realidade. . Agora podemos ver com clareza porque foi ncccssa- rio não só conceber o aparecimento da América como o resultad Uma exposição mais completa desta grande revolução filosófi. Ao contrário.não a existência . num detcrminado momento. sem remédio. como o são para o sistema heliocêntrico. que é uma coisa.das coisas seria. que o ser das coisas não é algo que elas tenham por si mesmas. mas também como é possível incorrer n propósito imediato. o que se pensa. Trata-se. então torna-s Universo.uélitc. a resposta ao problema que olocamos já é transparente: o mal que está na raiz de todo o Pois bem. Sol (: lima estrela C a Lua um satélite e assim até que desapareçam. porque se chegou a compreendcr que no fato de se ter suposto que esse pedaço de matéria cósmica. no entanto. algo mente deuses. !\ssi 111. se lhe atribua. ou celestes. porque aquele participa da natureza gcocêntrico do Universo.o sentido que desse ente têm sido identificados com aquela suposição. planetas e agora estrela e sntélirc. 62 EDMUNDO O'GORMAN A INVL:NCÃO DA AMI'!ItICA 63 Segundo esta maneira de entender a realidade. mente. respectiva- que são. não é nada que Ihes pertença essencialmente nem nada monto do seu ser. Se nos :) coisa que se diz tenha sido descoberta. como também seria erro considerá-los que r:IZcom qUI: as estrelas sejam isso e a Lua. por alguma mudança na atual concepção do mundo. definitivamente estruturado e feito. para uma concepção mítica do melhor dizendo. Observe-se: daro que um ato que se limita a mostrar a existência desse pcdaç o ser dessas duas entidades. Se se supõe que o pedaço de mat~ria cósmica que hoj planetas. Em outras que se lhe atribuiu essa significação e deixará de o ser no dia em ue. num e noutro caso. "erro". sem que haja possibilidade sem que seja lícito concluir que a dotação de UlO ser 1\ 1111111 (. terá sido isso o ser . mas deuses ou espíritos.

Não são. dotado por isso de um que os historiadores costumam empregar quando. emocionados. para que isto aconteça. Morison. puramente acidentais as metáforas igualmente um acontecimento em si. mas é também forçoso supor concluir uma conferência em que eu acabava de expor todas estas que. que outra coisa denuncia este possíveis que o que ele. para explica-lo dentro de uma determinada imagem gcográflcu. então não só é necessário sse pedaço de matéria se atribuiu esse ser num momento dlldo entender a sua revelação como o resultado de um descobrimento. 64 EDMUNDO O'GORMAN A INVENCÀO DA AM (:mCA 65 pois. além disso. Assim entendemos COIIIO (\ poss(wl ser explícada como resultado de um descobrimento. enfim. Por último. Colornbo de 1492 foi que por ela se descobriu o continente quando o Novo Mundo graciosamente cedeu sua virgindade aos americano. dotado. termina por dizer que" nunca outra maneira não tem explicação plausível. pois não estamos livres lemos. por isso. de um ente que. se se supõe que esse pedaço de matéria m contato físico com ele.'s(Hlllo de descobrir-se a si mesmo no momento em que Colomho ('111 nHI 2.58 Mas. a coisa tenha a capacidade ou. de sorte que a sua revelação tem que ao ato o referido sentido. tomemos por exemplo. incorrer no absurdo de o continente amcrlcano I{'r lido o d. sentido predeterminado. teremos então não apenas a suposição de que o sem que seja necessário supor. independentemente das idéias que a independentemente de nós. fui abordado por um dos assistentes. mas é forçoso também supor que se realiza pelo mero contato físico pensamos que o tem sempre como algo essencialmente seu com a coisa c. de um sentido ou de um ser predeterminado. ali estava o continente americano em secular e paciente 3. o encanto daqueles dias de outubro de 1492. . verdadeiramente fez foi algo estupro metafísico senão a idéia de que. o que de ao relatar aquele acontecimento. dotada por isso de um ser descobrível. Ao das intenções pessoais do agente. 308. mas também. a ele outorgamos. ncontramos no âmago da tese do descobrimento casual da coerentemente.\ abriga um ser" descobrível". a capaci- respeito dela lenha o "descobridor". . apesar de ter sido logo divulgado por todos os meios vitoriosos castelhanos" . mas também que. não apenas a suposição de que se trata de uma coisa diante dele. coerentemente. porque. v. enquanto opiniões de quem o realiza. viesse tocá-lo? Eu gostaria de terminar este item com um necessário entender que a revelação se realiza independentemente pequeno relato que talvez sirva para esclarecer as coisas. tal qual urna caixa que contivesse um tesouro. a insensata mais poderão os mortais abrigar a esperança de sentir de novo insistência em dizer que o verdadeiro sentido da viagem de pasmo. em seu ser. já plenamente constituído muito diferente. Assim compreendemos. Mas. então não só é fadas. imanente a ela. Deste modo. esse ato tem que ser o descobrimento nelas se torna patente o absurdo da tese. que me disse: "O a intenção de revelar seu ser. obrigação que é como a de uma vontade ou 111 nada aquele ser predeterminado e inalterável. descobrir por acidente um pedaço de ouro. Assim toma-sé'possível que se incorra no absurdo que rn si. pela simples razão de que o dade de que esse ser possa nos obrigar a entrar em relação ou que ele Oll qualquer outro pense sobre o assunto não pode afetar ontato com ele. se se supõe que o descobrimento do ser da coisa disposição para revelar-se ao primeiro que. Morison. de outra senhor quer dizer seriamente não ser possível a um homem maneira. não se explica como se pôde realizar o descobrimento. eruão . pois sejam quais forem as intenções e as descrevem o famoso episódio de 12 de outubro de 1492. Colombo. portanto. I. idéias. por assim dizer. temos a suposição de que o ato que o revela é América. o assombro. p. ou seja. que este descobrimento é um ato em si. LI suposição de que a coisa mesma é a qll(~ (('11I 11 iall('II~'I\() que d. se em lugar de peusnr qUI' 1\ está dotado de um ser" descobrível". teremos 58. Deste modo intenção a que é forçoso submetermo-nos. pela simples razão de que. como num conto de é cumprido pelo mero contato físico com ela. XVI. por exemplo. ípso facto. Admiral af lhe Ocean Sea. portanto. daquele ser descobrível.

pois ela própria se reduz ao absurdo peculiar e próprio. 66 EDMUNDO O'OORMAN A INVENCÃO DA AM I'. respectivamente. além do mais. mas como resultado de um processo históric realidade que interpreta. constituem a premissa olltolt'lgirll (' 11 promissn "A resposta . ter-se-à Dcprccndc-scdestas considerações que o resultado de nossa onstatado que colocamos em crise os fundamentos da historio. atribuir ao onceber a América como algo definitivamente (cito desdI' todo ( pedaço de matéria que encontra acidentalmente o sentido que tem empre. conforme vem sendo concebida 11WI\lO da velha concepção essencialista da história americana. porque sabemos que se trata de cia inalterável e predeterminada que agora. latina e saxônica. mas antes reflita hcrmenêutica. que não é satisfatória. se . a conquista e a colonização da América. a bancarrota e o desmorona- grafia americana em sua totalidade. os acontecimentos não apare- como sabemos. Esse. ondulante. estará cano terá sido ou não aceitável como forma satisfatória de explicar rcvcstida de uma nova e surpreendente significação. .disse-lhe . clinâmico e perecível como o ser de tudo que é vida. sua história liberdade para buscar um modo mais adequado de explicar o não será aquilo que a América "passou". mas. noção como a interpretação que dela procede. Ao chegar a esta necessária e revolucionária conclusão. então o aconrccl- que o senhor lhe atribui. a paula- ponto de partida a esta rel1exão e de extrair as conseqüências que tina formação das nacionalidades. a grande soma total da história americana.omplexidade de suas estruturas e de suas manifestações. que a causa desse absurdo é a noção cerão como algo externo e acidental que em nada podem alterar a substancialista a respeito da América como uma coisa em si suposta essência de uma América constituída desde a Criação. inconscientemente. Agora já podemos responder.Mas se assim é. é absolutamente impossível que faça o descobrimento ignoto e imprevisivelser a um mundo atônito. rn. continua sendo". Veremos. acrescentei. significa a abertura de um caminho para se chegar da América como uma coisa em si e a idéia não menos tradicional 11 \\111<1 visão dinâmica e viva a respeito dela. Pois. a fim de termos. Já perguntamos se a idéia da descoberta do continente ameri.deixa-a à sua conta. Não é difícil ver qu~'. essa idéia. SI' s(' dl'lXII til do metal a que chamamos ouro para poder. embora essencialmente vinculado ao processo quando chega à situação limite de suas possibilidades lógicas. que o problema central da sua verdade é o Ocidente. os movimentos em prol da dela derivam. a longa série de acontecimentos uc os seguirão. '1'1(' de descobrir?" fato foi descoberto. assim.RICA 67 pedaço de ouro ali estava disposto ou desejando que o viessem de que. por isso. o stabelecimento de regimes coloniais em toda a diversidade e ]~chegado o momento de responder à pergunta que serviu de . é e fenômeno. que milagrosamente revelou num bom dia o seu oculto. A razão é óbvia: a noção tradicional a respeito 110 lado positivo. do lado negativo. concluímos que é forçoso abandonar tanto essa velha corno algo interno que vai constituindo o seu ser. está claro. do que depende :I Vi'J'dlld(\ q\l(' um pouco e verificará que se esse homem não tem uma idéia prévia aquela historiografia elabora. numa palavra.ilisc representa. mas aquilo que "foi. é precisamente o caso mento que assim se interpreta (o encontro por Colombo de regiões de Colomb " ceânicas desconhecidas) ganhará um sentido inteiramente dife- rente como também. e elaborada até agora. Assim. todos esses fatos que agora conhecemos XI orno a exploração. independência política e da autonomia econômica. assim. a J)riori. se trata de um ente cujo $('1' Í' tb.('ohllwl. com pleno conhecimento conccmente ao ser da América. não pensado como essa substân- de causa. uma interpretação que não consegue dar conta adequada da postula. o aparecimento do referido continente no âmbito da Cultura do untes de tudo. mas mesma. Mas 10 acontecer universal.

podemos antecipar.como SEGUNDA PARTE lombo descobriu o ser desse ente. em lugar de anular seu significado como . o abandona em busca de um novo conceito que apreenda de um modo mais adequado a realidade dos fatos. é o de uma América inventada que não é o da velha noção de uma América descoberta. qual seja.já vimos a que preço . E leitor teve a paciência de seguir-nos até aqui com suficiente o HORIZONTE CULTURAL atenção. verificará que. este novo caminho é o de aceitar plenamente o sentido histórico da empresa de Colombo. o primeiro e o que sempre há que se ter presente é que já não contamos. . nossa proposta pode ser considerada como uma etapa ulterior do mesmo desenvolvimento. Assim. Em IlIgar de pnrtir de U1l\tI idéia preconcebida a respeito da América pnru Irutar de explicar . 68 EDMUNDO O'GORMAN diante dos nossos olhos se desdobra esta possibilidade. para explicar como se chegou a atribuir-lhe esse ser. mas uma etapa que. devemos partir do que fez lombo. uma premissa logicamente anterior a ela. tal como se deduz das suas intenções pessoais. com uma idéia a priori do que seja a América. se fez nas duas últimas etapas daquele processo. esclarecer como apareceu a idéin da América na consciência da Cultura do Ociden- te. pois essa noção é uma resultante da reflexão histórica e não. Isto quer dizer que somos levados a propor um processo diarnetralrnente inverso ao tradicional. do ponto de vista do processo cuja história reconstruímos. englobando a crise a que conduz o insensato empenho de manter a idéia do descobrimento da América. nem devemos jamais contar. Esse conceito. se pretendemos abordar o grande problema histórico americano. como é habitual supor.